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RESUMOEste trabalho apresenta uma proposta para se trabalhar o território em sala deaula. Está ancorado nas abordagens mai...
SUMÁRIOIntrodução............................................................................................................
6 IntroduçãoOs diferentes momentos pelos quais a Geografia passa influenciam tanto aprodução acadêmica, a respeito de conc...
7questões ambientais, população, economia, desigualdade. Nesse sentido forampriorizadas músicas que pudessem revelar o sen...
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10espaço de modo diferente, julgando, assim, que suas atitudes em relação aoespaço também são diferentes.Porém, as perspec...
11      São comuns, os modismos que buscam sensibilizar os alunos para      temáticas mais atuais, sem uma preocupação rea...
12“quando na escola vigoram estratégias de ensino centradas na voz doprofessor e na passividade do aluno, e o livro didáti...
13os diferentes espaços geográficos, podendo acontecer de forma direta(observação da paisagem) ou de forma indireta (fotog...
14Capítulo 2. A Geografia, o território e a paisagem: propostas atuais parasua observação e compreensão.Trabalhar o territ...
15A paisagem revela o que se concretiza da realização geográfica dos grupossociais. Ela é o visível do território vivido e...
16 Sua estrutura e dinâmica são acessíveis ao homem e agem como guias para suas atitudes e condutas” (Cabral, 2007:10). Ca...
17Capítulo 3: A música na sala de aula: concebendo território e paisagem apartir das interpretações da cidade por diferent...
18  planejamento que permita ao aluno desenvolver análise e interpretação da  letra, defendendo-a, rebatendo-a e/ou lhe ac...
19da música de seus cantores, somada à paisagem e o território concebidosatravés de outros meios de comunicação.Copacabana...
20Madureira, ô, ôMadureira, ô, ôMadureira, terra de bamba e de tradiçãoDe casas coloridas e meninas bonitasDo jogo do bich...
21que eram pra dar segurançae ganham aumento com bravura quando tudo termina em matançarefém do medo, guerreiro do inferno...
22depois que descobre que o cara deitado no chão era inocenterevolta na mente favela que sente, ódio toma conta de muita g...
23Há um lugar para ser felizAlém de abril em ParisOutono, outono no RioNo seu olharJá se fez manhãVamos logo a GuanabaraVa...
24É uma Copacabana vivida sob a perspectiva dele, apaixonada, que se mantémpor causa de suas particularidades como o vento...
25de Janeiro dos turistas, do dinheiro (“Mas de madureira me levaram                    Para o RioComprido / Tijuca. Do Ri...
26Capítulo 4. A atividade em sala de aula: considerações sobre como sepropôs a atividade e sobre as experiências de sua ap...
27No Colégio Chav aconteceram duas experiências bem distintas. Na turma dosexto ano os alunos não quiseram escolher as mús...
28Na turma do primeiro ano do ensino Médio a atividade foi aplicada em outro diae durante a disciplina de Artes. Era uma t...
29recortada e colada, ou seja, deixou já combinado com os alunos uma atividadeque seria realizada posteiormente em que os ...
30temática do território e da paisagem vem sendo tratada. Ambas semprecolocaram para os clegas de pesquisa, que tinham dif...
315. Discussões conclusivasUma questão muito relevante com relação à experiência em sala de aula dizrespeito à falta de in...
32É quase um desafio imaginar que professores e alunos se empenhem em proporcoisas novas e novos comportamentos sendo que ...
33REFERÊNCIASPCN – Parâmetros Curriculares Nacionais. BRASIL. Secretaria de Educação     Fundamental: MEC/SEF, 1997. Volum...
34HAESBAERT, Rogério. O mito da desterritorialização. Do fim dos territórios à     multiterritorialidade. 3ª Ed. RJ: Bertr...
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  1. 1. UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO CENTRO DE EDUCAÇÃO LABORATÓRIO DE ENSINO E APRENDIZAGEM DE GEOGRAFIA LAURA MARIANO QUARENTEICIDADES (EN)CANTADAS: o uso da música como recurso para acompreensão do território e da paisagem no ensino de Geografia Vitória 2010
  2. 2. UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO CENTRO DE EDUCAÇÃO LABORATÓRIO DE ENSINO E APRENDIZAGEM DE GEOGRAFIA LAURA MARIANO QUARENTEI CIDADES (EN)CANTADAS: o uso da música como recurso para a compreensão do território e da paisagem no ensino de Geografia Trabalho de conclusão de curso apresentado como requisito parcial para a obtenção do título de licenciada em Geografia pela Universidade Federal do Espírito Santo.Orientação: Profª. M. Sc. Stela Maris Araújo Vitória 2010
  3. 3. UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO CENTRO DE EDUCAÇÃO LEAGEO LAURA MARIANO QUARENTEICIDADES (EN)CANTADAS: o uso da música como recurso para acompreensão do território e da paisagem no ensino de GeografiaBANCA EXAMINADORA _________________________________________________________ Profª. M. Sc. Stela Maris Araújo (Centro de Educação – UFES) Orientadora _________________________________________________________ Prof. Dr. José Américo (Centro de Educação – UFES) Vitória 2010
  4. 4. “(...) esta cidade é um gigante liquidificador ondeas informações diversas se misturam, se atritamgerando novas fagulhas, interpretações,exceções.” (Arnaldo Antunes).
  5. 5. RESUMOEste trabalho apresenta uma proposta para se trabalhar o território em sala deaula. Está ancorado nas abordagens mais atuais que a Geografia temapresentado sobre o território enquanto espaço vivido pelos homens e, por estarazão, procura um caminho para que o aluno possa compreender o territórioalém da dominação político-econômica sob a qual ele é normalmente tomado.Enquanto prática, adotamos a música como recurso alternativo para o ensino-aprendizagem. A escolha foi baseada nas possibilidades que a música oferecepara abordar o tema, sob uma perspectiva que vai além da teórico-conceitual econta com a sensibilidade e a subjetividade que podem ser identificadas nasletras de músicas escritas a partir da maneira como seu autor vive umdeterminado território. Buscamos, ainda, fazer com que as atividades com amúsica incentivassem os alunos a pensar sua própria maneira de viver seuespaço e olhar para outros espaços vividos, dando a eles a possibilidade depensar o território além da sua materialidade e da sua função econômica e,assim, facilitando a compreensão do papel e da função das pessoas noterritório, assim como de sua relação com a paisagem.
  6. 6. SUMÁRIOIntrodução............................................................................................................06Capítulo 1: Parâmetros Curriculares Nacionais: abordagens e propostas para osconceitos elementares da geografia e para o uso da música como recursodidático................................................................................................................ 09Capítulo 2. A Geografia, o território e a paisagem: propostas atuais para suaobservação e compreensão................................................................................ 14Capítulo 3. A música na sala de aula: concebendo território e paisagem a partirdas interpretações da cidade por diferentes intérpretes: práticas eexperiências.........................................................................................................17Capítulo 4. A atividade em sala de aula: considerações sobre como se propôs aatividade e sobre as experiências de sua aplicação........................................... 26Capítulo 5. Discussões conclusivas ................................................................... 31Referências........................................................................................................ 33
  7. 7. 6 IntroduçãoOs diferentes momentos pelos quais a Geografia passa influenciam tanto aprodução acadêmica, a respeito de conceitos centrais para a disciplina, quantoos modos de se fazer Geografia e ensinar a disciplina em sala de aula.Por esta razão o que procuramos com este trabalho é traduzir para o professor,enquanto principal elo entre a academia e a escola, as atuais concepções sobreo território e paisagem e alguns de seus qualificadores que os valorizamenquanto espaço vivido pelos homens.Ao mesmo tempo julgamos relevante apresentar uma proposta facilitadora parao ensino sobre o território e a paisagem em sala de aula, o que desdobrou naproposta e aplicação de atividade prática que contou com uma coleção demúsicas selecionadas de forma a permitir que um mesmo limite urbano sejaobservado sob as diversas perspectivas que se permite observar.A proposta, além de buscar facilitar a compreensão daqueles conceitos, queinserissem o aluno num processo de construção do saber que permita a eleconceber, assimilar as dinâmicas, os contrastes e as particularidades que serevelam no e pelo território, foi de trazer a paisagem através da música. Baseou-se na idéia de apresentar uma paisagem não vivida diretamente pelos alunos,mas que se apresentasse através da música composta por pessoas que vivemuma paisagem “distante” da paisagem dos alunos.A opção pela cidade justifica-se porque é ali, na concentração urbana, que setornam mais evidentes os amontoados de vidas, de rotinas, de diferenças e desentimentos que co-existem num mesmo espaço ou, como coloca ArnaldoAntunes nas suas palavras sobre São Paulo, é na cidade que se podem ver asinformações que se misturam e geram diversas interpretações e exceções. Usaras produções musicais que se relacionam com a cidade foi uma opção nosentido de facilitar a compreensão do território urbano que é o território vividopelos alunos, mas é muito pouco pensado por eles enquanto multiplicidadeporque cada um a toma dentro de sua própria realidade.A escolha das músicas se amparou na busca de textos que não trouxessemexplicitamente conteúdos que forçassem relações das músicas com clima, com
  8. 8. 7questões ambientais, população, economia, desigualdade. Nesse sentido forampriorizadas músicas que pudessem revelar o sentimento do seu autor comrelação à sua cidade, sentimentos que variam de pessoa para pessoa, de autorpara autor.Por isso o título “Cidades (en)cantadas”, porque trabalhar a cidade cantada étrabalhar a cidade sentida, percebida, vivida à maneira daquele que a canta, ouseja, é a maneira como a cidade “encanta” aquele que a canta que faz com quecada um tenha sua perspectiva com relação a ela.Ao mesmo tempo, levamos em consideração o estilo musical, fugindo decomposições que pudessem ser pouco interessantes para alunos jovens que,em sua maioria, transitam por estilos marcantes que definem as diversas “tribos”de jovens que vivem nas cidades, indo do rock ao funk, passando pelo pop eainda pela nova geração da música popular brasileira.Desta maneira fechamos a proposta do trabalho que apresenta:Objetivo geral Usar a música como ferramenta para facilitar a compreensão do territóriourbano enquanto espaço vivido por pessoas e não apenas enquanto recortepolítico e econômico; desenvolvendo, para tanto, material de apoio ao professor,contendo músicas, versos e interpretações comentadas sobre as relações dasletras musicais com as concepções atuais do território. Usa o recurso da músicapara trazer à sala de aula uma paisagem sem que fosse necessário sair da salacom os alunos para observar aquela paisagem. Objetivos específicos: a) Revisão dos Parâmetros curriculares Nacionais na busca de sistematizar as demandas a respeito da abordagem dos conceitos primordiais da Geografia em sala de aula; b) Revisão de literatura sobre as atuais concepções de território na Geografia, valorizando a idéia do território vivido pelo homem;
  9. 9. 8c) Revisão dos Parâmetros Curriculares Nacionais, buscando pontos relevantes que justifiquem e amparem o uso da música como recurso didático em sala de aula;d) Seleção, interpretação e discussão de músicas que tragam letras interessantes para abordar o território e a paisagem urbanos enquanto espaço vivido;e) Organização de material de apoio ao professor para atividade com as músicas em sala de aula realizando, ainda, uma atividade piloto com o material desenvolvido.
  10. 10. 9Capítulo 1: Parâmetros Curriculares Nacionais: abordagens e propostaspara os conceitos elementares da geografia e para o uso da música comorecurso didático.Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) o ensino de Geografiaestá ainda muito relacionado com os estudos descritivos da paisagem e dasociedade que foram tendência marcada na Geografia Tradicional, nasdiversas correntes que dela se desdobraram (PCN, 1988).Ainda segundo os PCN a urbanização que se acentuou a partir da SegundaGrande Guerra, em função principalmente da industrialização, começou acaracterizar novas grandes cidades e uma nova realidade se apresenta hoje apartir da evolução da urbanização e das possibilidades que os lugares tem dese conectar. Assim, “realidades locais passaram a estar articuladas em umarede de escala mundial. Cada lugar deixou de explicar-se por si mesmo”(PCN,1988:104). Por esta razão os métodos e as teorias tradicionais da Geografiatonam-se insuficientes para compreender as complexidadesNaquilo que diz respeito às escolas da Geografia, podemos traçar brevementesuas características e a maneira como influenciaram o fazer e o ensinarGeografia.A Geografia Clássica se caracterizou como uma ciência do espaço terrestre apartir da observação e descrição da paisagem, reflexões sobre a ação dohomem no meio e também da ação do meio sobre o homem. A partir dasobreposição destes aspectos em vários locais, tem-se outra característicamarcante que é a regionalização dos lugares. Posteriormenteaproximadamente na década de 1950 a Geografia Teorética-Quantitativapredominou, marcada pelo seu caráter de metodologias matemáticas e rigordos dados, com atividades voltadas para o planejamento do espaço.Questionando as metodologias desta geografia quantitativa surgiu a GeografiaCrítica, marcada pelo posicionamento quanto ao modo de produção capitalistatecendo reflexões sobre os problemas sociais. No mesmo período outra escolageográfica chamada humanística surge, também em contraposição à geografiaquantitativa, com foco na análise da percepção que os sujeitos têm do espaçoe lugar, valorizando os sujeitos e a maneira como pessoas percebem o mesmo
  11. 11. 10espaço de modo diferente, julgando, assim, que suas atitudes em relação aoespaço também são diferentes.Porém, as perspectivas das escolas Clássica e Crítica são ainda presentes emmuitos livros de Geografia, a primeira notada na exploração dos aspectosnaturais da Terra, na caracterização e localização do relevo, clima, hidrografiae vegetação, fornecendo conhecimentos sobre aspectos naturais da Geografia.A segunda nota-se pelos aspectos sociais, voltados às reflexões sobre osmodos de produção, a utilização dos recursos naturais e suas conseqüênciasdanosas à sociedade e à natureza, submetendo em muito os aspectos naturaisao homem. Essas condições revelam a falta de clareza quanto ao papel daGeografia. E isto também acaba influenciando nas questões relativas aos seusconceitos centrais.Porém, desde inícios dos anos 80 têm-se fortalecido uma geografia que vemvalorizando abordagens que considerem as “dimensões subjetivas e, portanto,singulares que os homens em sociedade estabelecem com a natureza. Essasdimensões são socialmente elaboradas – fruto das experiências individuaismarcadas pela cultura na qual se encontram inseridas – e resultam emdiferentes percepções do espaço geográfico e sua construção” (PCN,1988:106).Embora sejam positivas as transformações de perspectivas que resultam dasdiscussões sobre o objeto e o método da Geografia, elas trazemconseqüências para o ensino da disciplina, que acaba prejudicado pela falta dedefinição de conceitos e temas centrais que precisam ser desenvolvidos nasala de aula e que contribuam com o ensino-aprendizagem.Assim, não é apenas a prática do professor que fica prejudicada, mas tambéma escolha dos conteúdos.Por esta razão os PCN trazem a afirmação de que as propostas curricularestrazem problemas como: “O abandono de conteúdos fundamentais da Geografia, tais como as categorias de nação, território, paisagem e até mesmo espaço geográfico (...);
  12. 12. 11 São comuns, os modismos que buscam sensibilizar os alunos para temáticas mais atuais, sem uma preocupação real em promover uma compreensão dos múltiplos fatores que dela são causas.” (PCN, 1988:106)”Os conceitos de território e paisagem, por esta razão, merecem ser trabalhadosdentro da perspectiva que assumem, ou seja, além de serem conceitosimportantes para a disciplina e que merecem atenção na sala de aula,precisam ser trabalhados dentro das atuais perspectivas de sua abordagem.Nesse sentido território e paisagem devem ser analisados a partir dasdinâmicas que se vinculam à sua configuração e transformação, ou seja,precisam ser abordados enquanto elementos dinâmicos condicionados pelaação humana no espaço e não apenas com elementos estanques (discussãoque será apresentada no próximo capítulo).Quanto à música, é premente a necessidade de se buscar outras ferramentasque auxiliem no processo ensino-aprendizagem de uma maneira geral e noensino de Geografia, em específico, além dos livros didáticos é premente, nãosomente na constituição de uma aula mais dinâmica com finalidade de atrair aatenção do aluno para o conteúdo, mas também porque a atual conjuntura denossa sociedade já não comporta mais essa escola fornecedora de umaeducação que parece desconectada da realidade social de seus alunos.Essa urgência na busca de ferramentas que dinamizem o ensino-aprendizagem em Geografia pode ser constatada em trabalhos (Anais dosEncontros Nacionais de Prática de Ensino de Geografia - ENPEG; dosCongressos Brasileiros de Geógrafos - CBG) e dos Encontros de Geógrafos daAmérica Latina (EGAL), dentre outros, nos quais podem ser encontradosdiversos trabalhos que trazem essa preocupação.Doria e Costa (2004: s/p) mostram “a necessidade de um novo pensar aGeografia, de modo que a simples transmissão do conhecimento fique de ladoe dê espaço à construção do conhecimento coletivo”, pois de acordo comSchäffer apud Doria e Costa (2004: s/p)
  13. 13. 12“quando na escola vigoram estratégias de ensino centradas na voz doprofessor e na passividade do aluno, e o livro didático ainda comanda a cenaem sala de aula, outros recursos de excepcional relevância têm seu usorelegado. É compreensível que, neste caso, com alunos assim desatendidos, oconhecimento geográfico não seja construído e a memorização seja a formahabitual utilizada para mascarar o entendimento”.Desse modo, a importância de novas ferramentas no ensino de Geografia nãose refere somente na conquista pelo professor de maior dinamicidade nas suasaulas, mas fundamentalmente na conquista de maior autonomia eindependência por parte dos alunos.Visando a construção do conhecimento a partir dos mais diversos conteúdos, aliteratura realizada mostra que é válida a utilização das mais variadasferramentas e linguagens, desde o desporto, recursos de multimídia, jogos,poesia, literatura e a música.Costa e Silva (2003: 4) em seu trabalho acerca da utilização da música popularbrasileira para discutir a cidade, nos alertam que “a música deve iniciar otrabalho do professor, nunca substituí-lo”. A música e a poesia levam o aluno ase interessar pelo conteúdo trabalhado, possibilitando a compreensão e aanálise crítica do mesmo através da interpretação e relação com o conteúdo.Refletindo acerca da necessidade de novas ferramentas no ensino deGeografia e das perspectivas desanimadoras apresentadas pelos professoresquando estes comentam suas experiências em sala de aula e sobre a falta deinteresse e participação dos alunos, propusemos a utilização da música, emdiversos gêneros, como mais uma ferramenta a ser aplicada no cotidiano dasaulas de Geografia.O uso da música na sala de aula está legalmente amparado e nos PCN estáprevisto o ensino da música o que viabiliza, ainda, o uso da música e do ensinoda música como caminho para colaborar com o aprendizado de questõescentrais para a Geografia no desenvolvimento cultural dos alunos.Ainda nos PCN afirma-se que “a leitura da paisagem deve ocorrer de formadinâmica e instigante para os alunos, mediante situações que problematizem
  14. 14. 13os diferentes espaços geográficos, podendo acontecer de forma direta(observação da paisagem) ou de forma indireta (fotografias, literatura, vídeos,músicas, relatos); ou seja, a música se apresenta como uma ferramenta para aobservação indireta da paisagem.Ao mesmo tempo é importante recorrer a material que seja interessante aosalunos e relevante quanto ao seu conteúdo. Por esta razão as músicasescolhidas foram de gêneros diferentes, porque procuramos apresentar ummaterial acessível a todos.Seguindo ainda os PCN de Artes, estivemos amparados pelo fato de que elesdefinem que “o ensino da arte deverá organizar-se de modo que, ao final doEnsino Fundamental, os alunos sejam capazes de: compreender e saber identificar e a música como fato histórico contextualizado nas diversas culturas (...) e interagir com materiais, procedimentos variados em artes (artes visuais, dança, música, teatro) experimentando-os e conhecendo-os de modo a utilizá-los nos trabalhos pessoais.”Esta maneira, o uso da música como recurso para o ensino aprendizagem éimportante não só porque colabora com os conteúdos de Geografia, mastambém com o amadurecimento cultural dos alunos e com ainterdisciplinaridade, valorizada pelos PCN. Além disso, a música é algoextremamente importante para que os alunos tenham uma visão abrangente domundo, o que pode ser facilitado pelas múltiplas visões que os artistas têm domundo, da sua cidade, do seu lugar.
  15. 15. 14Capítulo 2. A Geografia, o território e a paisagem: propostas atuais parasua observação e compreensão.Trabalhar o território e a paisagem urbanos requer uma especial atenção pelofato de que ao mesmo tempo que é nos contornos da cidade se que tornammais evidentes as inúmeras dinâmicas que configuram o território, é na cidadeque elas se complexificam.Carlos (1999, p. 86) chama a atenção para o fato de que “quando pensamos a cidade como o construído nos enganamos, pois a cidade é antes de mais nada trabalho humano materializado em casas, prédios, praças, viadutos. É trabalho social que produz a cidade enquanto espaço da vida urbana, dos contatos imediatos do dia-a-dia. Portanto, a metrópole é um produto que vai se constituindo ao longo de uma história que, junto com sua fisionomia, transforma também a vida dos seus habitantes e conseqüentemente suas relações com o espaço urbano.”Também Clark (1991, p.101), afirma que “o conjunto da sociedade vem a serdominado por valores, expectativas e estilos de vida urbanos”, resultando emimportante complexidade, que, por sua vez, impõe grandes desafios para seuestudo e compreensão.Ao concordar com estas afirmações tomamos a perspectiva de que o olharsobre a cidade precisa ser um olhar atento às inúmeras possibilidades sob asquais a cidade se apresenta, seja como lugar, seja como meio, seja comoterritório.Assim, como proposta para a sala de aula, o pensar e o olhar para a paisageme o território urbano é uma perspectiva que requer que aluno e professortenham a noção de que território e paisagem são conceitos interligados,interdependentes, relacionados.
  16. 16. 15A paisagem revela o que se concretiza da realização geográfica dos grupossociais. Ela é o visível do território vivido e historicamente transformado.Assim, pensar a paisagem hoje requer que se esteja afinado com o pensar oterritório porque a paisagem é reveladora da maneira como os homens seterritorializam. Por isto mesmo é preciso ter a noção do território e da maneiracomo ele resulta do realizar humano para se poder olhar e compreender apaisagem.Atualmente a Geografia conta com uma corrente de pensadores (Santos, 2005;Souza, 2009; Saquet, 2009; Elias, 2005; Haesbaert, 2007 e 2009; entre outros)que vinculam fortemente o território à noção do uso, do território vivido,deixando clara a centralidade do homem na efetivação do território.Para Saquet (2009:87) “na natureza o homem vive relações. Na sociedade, o homem vive relações. Em ambas, o homem, vive relações construindo um mundo subjetivo e objetivo, material e imaterial. O homem vive relações sociais, construção do território, interações e relações de poder; diferentes atividades cotidianas, que se revelam na construção de malhas, nós e redes, constituindo o território.”A paisagem, enquanto elemento visível da superfície, também segue asmudanças de concepção e abordagem porque está intimamente relacionadacom o território vivido, já que é materialização resultante da interação doshomens com o meio.Duas questões, porém, são relevantes ara se pensar e observar a paisagem: 1. a paisagem é um elemento objetivo que resulta da interação de fenômenos físicos, biológicos e humanos, sendo particular de cada lugar e estando em contínua evolução, movimento; 2. a paisagem é uma unidade visual, uma cena, uma maneira de ver. É uma porção do espaço apreendida pelo olhar e, enquanto depende da percepção de quem a olha, não se limita apenas a dados sensoriais, mas também da percepção de quem a vê e vive.Somadas estas perspectivas e tomado o território enquanto espaço vivido,pode-se colocar que “a paisagem percebida é também significada e construída.
  17. 17. 16 Sua estrutura e dinâmica são acessíveis ao homem e agem como guias para suas atitudes e condutas” (Cabral, 2007:10). Cabral (2007:10) ainda cita Berque (1998, p.84-85) ao resumir que: “A paisagem é uma marca, pois expressa uma civilização, mas é também uma matriz porque participa dos esquemas de percepção, de concepção e de ação – ou seja, da cultura – que canalizam, em um certo sentido, a relação de uma sociedade com o espaço e com a natureza”.Nesse sentido o trabalho com a música na sala de aula, visando abordarpaisagem e território urbanos, deve procurar revelar não apenas um territóriopolítico e economicamente definidos nem uma paisagem estanque, mas, sim,prever que a concepção destes conceitos pode e deve ser assimilada a partirdas dinâmicas das interações dos homens entre si e com o meio.Seguindo as orientações didáticas dos PCN, procura-se trabalhar essesconceitos de forma “mais dinâmica e instigante para os alunos, mediantesituações que problematizem os diferentes espaços geográficos materializadosem paisagens, lugares e territórios; que disparem relações entre o presente e opassado, o específico e o geral, as ações individuais e as coletivas; e promovamo domínio de procedimentos que permitam aos alunos ler a paisagem local eoutras paisagens presentes em outros tempos e espaços” (PCN, 1988:153)Esta tarefa será empreendida no capítulo seguinte.
  18. 18. 17Capítulo 3: A música na sala de aula: concebendo território e paisagem apartir das interpretações da cidade por diferentes intérpretesNeste capítulo apresentaremos a cidade do Rio de Janeiro pela visão de 5diferentes intérpretes. A partir destas músicas é possível perceber que a cidadeé vivida de diversas maneiras e que o território urbano não é um só, mas simdiversos fragmentos vividos por diferentes grupos de pessoas que “usam evivem” diferentes lugares e dinâmicas da cidade.Segundo Reginaldo Elias Ferreira (Portal da Educação <portal daeducação.com.br>): “Quando pensamos em música, logo imaginamos o ouvido como órgão importante de sentido, mas é o cérebro que interpreta as ondas sonoras recebidas pelo ouvido. Assim como todos os sentidos externos do corpo humano (audição, olfato, tato, paladar e visão) a audição é resultado de uma interpretação cerebral. Quanto mais rica for uma música em seus diferentes sons (agudos, médios e graves), timbres (cordas, sopro e percussão), ritmos (pulsações), velocidades (notas longas, médias e curtas), intensidade (forte, média e fraca) com harmonia (combinação de sons simultâneos), mais o cérebro e quem a ouve será estimulado. Recomenda-se às crianças em idades iniciais do desenvolvimento cerebral (0 a 6 anos) ouvir músicas eruditas, a exemplo das "clássicas", por serem ricas em expressões sonoras propícias ao desenvolvimento da acuidade cerebral auditiva, característica esta que é de grande importância para a aprendizagem de idiomas. A música, arte de combinar os sons, é uma excelente fonte de trabalho escolar porque, além de ser utilizada como terapia psíquica para o desenvolvimento cognitivo, é uma forma de transmitir idéias e informações, faz parte da comunicação social. Na Educação Infantil e no Ensino Fundamental I, usa-se a música há muito tempo em sala de aula, mas normalmente de uma forma lúdica, sem cobrança pedagógica do conteúdo aos alunos, salvo algumas exceções. No Ensino fundamental II a música é raramente utilizada, mas ao professor interessado em enriquecer a sua prática pedagógica com música cabe estar atento à pertinência do tema musical à matéria lecionada e fazer um
  19. 19. 18 planejamento que permita ao aluno desenvolver análise e interpretação da letra, defendendo-a, rebatendo-a e/ou lhe acrescentando algo. Antes de apresentar a música aos alunos, deve-se ter consciência do tema a ser trabalhado e do conhecimento prévio dos alunos. Se necessário for, deve-se subsidiar o aluno com pré-requisitos conceituais.”Partindo deste texto de Ferreira propôs uma atividade em sala de aula para setrabalhar os conceitos de paisagem e território urbano.A princípio os conceitos de paisagem e território podem ser rapidamenteapresentados aos alunos a partir da troca de informações sobre a sua cidade,sobre as paisagens que vêem e que sentem. Pode-se optar pó não discutir osconceitos anteriormente à apresentação das músicas, mas aqui propõe-se queseja feito como forma de reforçar a atenção para o tema da aula que é apaisagem e o território.A escolha da cidade do Rio de Janeiro esteve fundada em diversos aspectos.Primeiramente foi pensada a possibilidade da produção musical na grandeVitória, mas isto dificultaria o uso do material didático por outros professores forada Região metropolitana.Conta-se, aí, a questão de levar uma paisagem para a sala de aula sem sairdela com os alunos, ou seja, seria necessário optar por uma paisagem “exótica”aos alunos e, assim, a opção pelo Rio de Janeiro seria uma boa opção já queembora a cidade do Rio seja amplamente divulgada, a paisagem cantada nasmúsicas seria uma paisagem vivida pelos autores e não pelos alunos. Dessamaneira, forçaríamos a relevância da música como vinculador da concepção dapaisagem e do território e não diretamente a paisagem já vivida pelos alunos.Ao mesmo tempo a produção musical do Rio de Janeiro é intensa e circula pelamídia com mais intensidade que a produção capixaba e, ainda, a cidade do Riode Janeiro é conhecida por todos, através da mídia, seja pelas suas paisagens,seja pelos seus problemas sociais.A razão da escolha do Rio de Janeiro enquanto cidade vivida e cantada esteve,assim, vinculada à eficácia da leitura de sua paisagem e de seu território através
  20. 20. 19da música de seus cantores, somada à paisagem e o território concebidosatravés de outros meios de comunicação.Copacabana, de Marcelo Camelo, compositor carioca de 32 anos, morador dobairro com mesmo nome, A cegonha me deixou em Madureira, de Jorge BenJor, compositor carioca de 68 anos, nascido no bairro de Madureira e que viveuem outros bairros da cidade; Eu quero ver gol, de Marcelo Yuca, músico cariocade 45 anos, nascido e morador do Morro de Santa Marta; Cidadão comumrefém, de MV Bill, rapper carioca de 35 anos, nascido na Cidade de Deus eOutono no Rio, de Ed Motta, compositor carioca de 38 anos, nascido na Tijuca.Apresentamos a seguir as letras das músicas:COPACABANASinto copacabana por perto é o vento do marSerá que a gente chegaEu sinto que o meu coração tá com jeito de bem me quer mulherMesmo pra quem só carece de ver a viagem todo caminho que fazemTodo destino padece aquiVocê precisa ver como fica no carnavalO baile do peixoto é um baratoE os velhinhos são bons de papoSinto copacabana por perto é o vento do marSerá que a gente chegaEu sinto que o meu coração tá com jeito de bem me quer mulherMesmo quando eu levo a vida de um astronauta eu sei quanto tempo que faltaOlha que o túnel está quase aliSegura que a minha alegria não quer pararO shopping da siqueira é um colossoE as gordinhas um alvoroçoA CEGONHA ME DEIXOU EM MADUREIRAA cegonha me deixou em MadureiraDe presente para minha mãe Silvia LenheiraMadureira, ô, ô Madureira, ô, ôMe deixou numa santa casa barulhentaQue tremia toda quando o trem passavaOlha o trem!!!!Disseram que eu cheguei com dois quilos e meioCom dois quilos e meioO que é que é isso?Um bebê ou um palitoDisseram também que eu cheguei sorrindoE cantandoEm vez de chegar chorandoAcharam estranhoA cegonha me deixou em MadureiraDe presente para minha mãe Silvia Lenheira
  21. 21. 20Madureira, ô, ôMadureira, ô, ôMadureira, terra de bamba e de tradiçãoDe casas coloridas e meninas bonitasDo jogo do bicho, do comércio e do mistérioTerra de samba da Portela e do ImpérioMas de madureira me levaramPara o Rio Comprido / TijucaDo Rio Comprido / TijucaMe levaramPara Copacabana / Zona SulE de lá eu caí no mundoE de lá eu caí no mundoAbençoado por DeusCantando "mas que nada"Já não me chamam de vagabundo.EU QUERO VER GOLBatuque, balanço, swing, praia e carnavalHoje no pé do morro tem ensaio geralEu quero ver gol eu quero ver golNão precisa ser de placa eu quero ver golDois dias sem dormir chega domingo de manhã,Fica difícil passar sem um banho de marTem a distância lotação, tumulto então,Tô no favelinha, peguei fora da linhaMéier-copacabana é o bonde ideal,No ponto final o rebu é totalPular pela janela pro bonde é normalZuando no asfalto, zuando na areiaQuando chegar na água vou me acabarQuando chegar na água jacaré o que vai dar,Porque eu quero ver gol, eu quero ver golNão precisa ser de placa, eu quero ver gol(2)Tem limão, tem mate, melancia fatiada,O globo sal e doce, dragão chinêsTô no rango desde as 2 e a lombra bateuO jogo é as 5 e eu sou mais o meuTô com a geral no bolso garanti o meu lugarVou torcer, vou xingar pro meu time ganhar...Porque eu quero ver gol eu quero ver golNão precisa ser de placa eu quero ver golCIDADÃO COMUM REFÉMNão somos poucos e somos muito loucosGuerreiro é guerreiro de noite e de diaMexeu com a família agora se vira, segura a seqüência segue a quadrilhaToda vez a mesma história, criança correndo mãe chorando chapa quentetiro pra todo lado silêncio na praça o corpo de um inocentechega a maldita polícia, chega a polícia o medo é geralarmado fardado carteira assinada com o ódio na cara pronto para o malmais um preto que morre ninguém nos socorre a comunidade na cena a arma dispara o cambiocomenta parece até cinema não éé real, as armas não são de brinquedoquando a policia invade a favela espalha terror e medoé gente da gente que não nos entende usam de violênciao corpo estendido no chão ao lado uma poça de sangue conseqüência do despreparo daqueles
  22. 22. 21que eram pra dar segurançae ganham aumento com bravura quando tudo termina em matançarefém do medo, guerreiro do inferno guiado por Jesusna escuridão, tentando buscando achar uma luze por falar, fazendo uma curva uma viaturavou ter que dar uma parada porque, agora vou ter que levar uma dura como sempre acontecetapa no saco me chamam de preto abusadodocumento na mão, vinte minutos depois eu to liberadoé complicado ser revistado por um mulato fardadoque acham que o preto favelado é o retrato-faladosempre foi assim (sim), covardia até o fim (fim)a porrada que bate na cara não dói no playboy porque só dói em mimprogramado pra matar pá pá, atire depois pra perguntarse ele trabalhava ou se traficava só sei que deitado no chão ele tá e gera revolta na cabeça dacomunidadeque é marginalizada pela sociedadeque se cala escondida no seu condomíniona favela ainda impera a lei do genocídio90% da população não anda de arma na mãonão confiam na proteçãomedo de camburãovê cacetete na mãofica jogado no chãoREFRÃO: Quando o ódio dominar, não vai sobrar ninguémo mal que você faz reflete em mim também, respeito é pra quem tem, pra quem tem (2X)Autoridade vem e invade sem critério nenhumo som da sirene o cheiro de morte derrubaram mais umna frente do filho eles quebraram o paio Zé povinho fardado vem entra mata e saisem ser julgado corrompido alienado revoltado fracassadovai pintando esse quadroo quadro do filme da sua vida (da sua vida)o quadro de vidas e vidas da maioria esquecidadecorrente do descaso e da corrupçãomoleque cresceu não tinha emprego então virou ladrãomenor bolado por aqui tem de montãomorre um nasce um monte com maior disposiçãoE o pensamento de todos aqueles que à lei das favelas são fiéisa revolta te consome da cabeça aos pése o pensamento de todos aqueles que à lei das favelas são fiéisa revolta te consome da cabeça aos pésA falta de perspectivasem a possibilidade de escolher o que é melhor pra sua vidao que gera revolta na cabeça da comunidadeque é marginalizada pela sociedadeque se cala escondida no seu condomíniona lei da favela ainda impera o genocídiosua dura vida lhe ensinou a caminhar com as próprias pernasresta agora você se livrar do mal que te corrói, e te destróiporque o crime não é o creme bota a cara mister Mqualé mané o que que há, vacilou virou munráporque o crime não é o creme bota a cara mister Mqualé mané o que que há vacilou virou munráREFRÃO: 2xNão é somente a favelaque é condenada a viver a luz de velas tática de guerratiro não me enterracapitão do mato 5 pra atirar e não erra
  23. 23. 22depois que descobre que o cara deitado no chão era inocenterevolta na mente favela que sente, ódio toma conta de muita gentetodo mundo pra rua querendo bota fogo no pneuquerem se manifestar por que alguém morreusó a mãe que vai chorar sabe o que perdeutem rua fechada carro parado camisa na cara piloto assustadorelógio roubado busão ta quebrado neguinho bolado caminhão saqueadobatalhão de choque de porrete na mãotiro para o alto pra assustar multidãotira o pino da granada de efeito moralnessa hora todo mundo apanha igual marginale xinga o pobre de preto botando geral pra corrersaia voado se não quer morrerse pegar te esculachabomba de gás bala de borrachaa manifestação que era pra ser contra violênciadeixa mais feridos como conseqüênciamanda a molequada pra casatira a barricada a pista liberada não acontece nada multidão se calahoje eu vo falar tudo que acontece na favela não abala ninguémpedir ajuda a quem veja o que tem o povo ta sem somos do bemfalta ou não alguémsó resta o choro e o lamento da família dos amigosque perderam muitos queridosprocure Deus e diga amémde boca fechada para o seu próprio bemteve um menor de camisa na caraque deu uma pedrada no guarda que tavabaixando a porrada e que não aceitavaque aquilo rolavao morro choravapeço proteção de quem não teme nadasó mais confusão e mais gente machucadafavela ocupada o medo dominandoquem é trabalhador fica em segundo planoo sangue marcandoo povo enterrandoimposto pagandodesacreditandojustiça clamandopor Deus implorandopor almas orandocom a vida jogandoFavela ocupada por uma semana vivendo em clima de tensãoquem tenta esquecer não consegue se lembra quando vê o sangue no chãoa comunidade ainda assustada aos poucos retorna ao seu dia-a-dialágrima seca mente prepara o corpo pra próxima covardia.OUTONO NO RIOMe dê a mãoVai amanhecerJuntos pela madrugadaLuz, contra-luzSobre os Dois IrmãosPra mim
  24. 24. 23Há um lugar para ser felizAlém de abril em ParisOutono, outono no RioNo seu olharJá se fez manhãVamos logo a GuanabaraVai se fecharVou levar vocêPra mimAs letras das músicas revelam as diferentes percepções e visões que cada autortem da mesma cidade. A sua origem e a maneira diversa como circulam e comovivem a cidade são reveladas pelas suas músicas. Cantar a cidade é cantar seucotidiano, sua realidade. Esses diferentes cotidianos e realidades se revelam napaisagem como as inúmeras participações que diferentes grupos sociais ediferentes porçoes da cidade têm na configuração de seu território e,consequentemente, em sua paisagem.As composições fogem da descriçao do sentimento explícito com relação àcidade como um todo em sua paisagem e pesonagens, como acontece emcomposições como a marchinha Cidade Maravilhosa de andré Martins ou AqueleAbraço, de Gilberto Gil. São composições que ilustram o viver de seus poetascom o Rio de Janeiro, revelam a relação que eles mantém com os espaços dacidade e podem, assim, permitir pensar uma paisagem vivida, construída a partirde diferentes grupos.Marcelo Camelo, na canção Copacabana, revela sua Copacabana (“Sintocopacabana por perto é o vento do mar”;; “Segura que a minha alegria não quer parar”),enquanto está parado no trânsito (“Será que a gente chega?”), o bairro que, segundoos dados da prefeitura do Rio de Janeiro agrega a maio parte dos moradores derua vindos de poutras cidades em busca das promessas da gande cidade (“Tododestino padece aqui”). O autor circula entre seus sentimentos e mostra que mesmoquando está muito tempo longe do bairro, viajando em turnês, ao voltar sabe otempo que leva para chegar, e lembra das particularidades que o agradam (“Oshopping da siqueira é um colosso, E as gordinhas um alvoroço”). Ainda comenta que paraquem não vive aquele lugar na sua rotina e chega apenas no carnaval, aindaassim ali existem as particularidades (“O baile do peixoto é um baratoE os velhinhos são bons de papo”).
  25. 25. 24É uma Copacabana vivida sob a perspectiva dele, apaixonada, que se mantémpor causa de suas particularidades como o vento do mar, os mendigos na rua,os velinhos no carnaval, as gordinhas nas compras da rua Siqueira.É uma visão romântica assim como a de Ed motta em Outono no Rio, em querevela um Rio de Janeiro de outono que é a Paris da primavera, cobrindo o Riode Janeiro de conotações românticas para o amor (“Luz, contra-luz sobre os doisirmãos pra mim...” ou “há um lugar para ser feliz...outono no Rio...”), usando a paisagemnatural da cidade, como os morros do pão de açúcar e a baía de Guanabaracomo cenário para se vive a e na paisagem.As três outras composições assumem outras perspectivas. Cidadão comumrefém revela o cotidiano na cidade de Deus, da favela repleta de diferenças eindiferenças (“quando a policia invade a favela espalha terror e medoé gente da gente que não nos entende usam de violênciao corpo estendido no chão ao lado uma poça de sangue conseqüência do despreparo daquelesque eram pra dar segurança”) e do sentimento de medo e indignação que revela oseu autor (“programado pra matar pá pá, atire depois pra perguntar se ele trabalhava ou setraficava só sei que deitado no chão ele tá e gera revolta na cabeça da comunidade que émarginalizada pela sociedade que se cala escondida no seu condomínio na favela ainda imperaa lei do genocídio”).É uma Rio de Janeiro do ódio, do medo, da indignação. Uma parte indiganadada cidade, que ignora belezas naturais, que ignora a visão romântica e valoriza adinâmica diária do embate entre o rio de Janeiro planejado para ser visto pelosturistas e o Rio de Janeiro repleto de diferenças sociais e problemas desegurança pública. Revela a violência transbordando pelas ruas e pelos bairrosonde o tráfico supera as possibilidades das belezas, do acesso ao carnaval, aomar, à cidade enquanto ambiente agregador de modernidades.Em A cegonha me deixou em Madureira Ben Jor revela a sua Rio de Janeiro deMadureira, o seu lugar “terra de bamba e de tradição, de casas coloridas e meninas bonitas,do jogo do bicho, do comércio e do mistério. Terra de samba da Portela e do Império.”E depois continua mostrando que para ganhar o mundo era preciso sair de lá,passando do revelar a paisagem cênica de Madureira para o viver o Rio deJaneiro, afirmando que para ganaha o mundo teria de passar pelos bairros da rio
  26. 26. 25de Janeiro dos turistas, do dinheiro (“Mas de madureira me levaram Para o RioComprido / Tijuca. Do Rio Comprido / Tijuca Me levaram Para Copacabana / Zona Sul. E de láeu caí no mundo. E de lá eu ganhei no mundo”).O Rio de Janeiro de Macelo Yuca também é um rio de Janeiro vivido sob asdiferenças que, por fim, agregam e revelam a cidade dentro de suas inúmeraspossibilidades. O viver no morro e ir pro mar no final de semana pegando o treme o ônibus lotados (“Dois dias sem dormir chega domingo de manhã,Fica difícil passar sem um banho de mar. Tem a distância lotação, tumulto então ”). E depois oviver a praia em Copacabana onde “tem limão, tem mate, melancia fatiada,O globo sal e doce, dragão chinês”, as iguarias mais vendidas nas praias do Rio deJaneiro. E depois do dia na praia parti para o Maracanã (“O jogo é as 5 e eu sou maiso meu. Tô com a geral no bolso garanti o meu lugar.Vou torcer, vou xingar pro meu time ganhar”)É um Rio de Janeiro do final de semana, onde as diferenças se encontram nomar, na praia, no Maracanã.
  27. 27. 26Capítulo 4. A atividade em sala de aula: considerações sobre como sepropôs a atividade e sobre as experiências de sua aplicação.A finalidade foi enriquecer a aula ao tratar temas da cidade, principalmente osgrandes centros urbanos, que agregam as inúmeras possibilidades para se olharpara a cidade e, assim, servem como base para se inserir conceitos depaisagem e território urbano.A atividade foi aplicada em quatro diferentes turmas, sendo duas turmas dosexto ano na escola municipal Antonio Luiz Valliati, em Serra/ES, uma turma dosexto ano e outra no primeiro ano do Ensino Médio, no Colégio Chav, escolaparticular do município de Itapeva/SP.A escolha das músicas, a princípio, seria feita pelo professor, mas embora sepensasse em dividir esta atividade com os alunos, houve pouco interesse porparte destes em participar da escolha das músicas.Relevou-se o fato de que pelo menos duas músicas fossem escolhidas, a fim deque se possibilitasse a comparação entre as músicas.As letras,impressas em folhas individuais, seriam disponibilizadas aos alunospelo professor para que eles lessem e acompanhassem enquanto a música eratocada.A idéia de contrapor duas músicas serviu para despertar os alunos e facilitarpara eles a noção de que a cidade é vivida de váias maneiras e não só sob aperspectiva amplamente difundida pela mídia da contaposição de opostos (dorico e do pobre, do policial e do bandido) ou da perspectiva de que a grandecidade agega muito dinheiro mas também muitos problemas (o trânsito, asenchentes, o desemprego).Após ouvir a música os alunos seriam questionados sobre o que acharam dasmúsicas e das letras. A expectativa era de que fizessem paralelo com a suarealidade, com a sua cidade, com o seu bairro.A diferença de participação entre os alunos das diferentes tumas foi muitosignificativa.
  28. 28. 27No Colégio Chav aconteceram duas experiências bem distintas. Na turma dosexto ano os alunos não quiseram escolher as músicas e pediram que fossemtocadas três músicas: a do Jorge Ben Jor, que era conhecida por alguns alunos,assim como Copacabana, de Marcelo Camelo. Pediram, por fim que asprofessoras (a professora responsável pela disciplina e a professora que estavapropondo a atividade) escolhessem mais uma música, que foi a música Eu querover gol, do grupo O Rappa.A primeira música a ser tocada foi A cegonha me deixou em Madureira. Nestemomento a coordenadora pedagógica do colégio se interpôs, pedindo que aatividade fosse suspensa porque a letra da música “deturpa a idéia do Rio deJaneiro e é muito agressiva para ser ouvida por crianças tão novas”.Por esta razão a atividade foi suspensa e a professora responsável peladisciplina retomou o que restava de tempo de aula para conversa com os alunossobre como é importante ouvir as músicas e pensar sobre cmo e porque elasforam escritas, pensar sobre seus autores.Como os alunos já haviam acessado as letras das músicas, aconteceu umarápida conversa, que touxe como conteúdo as reclamações ds alunos sobre acoordenadora que “não deixa a gente fazer nada de diferente” e sobre asmúsicas de Jorge Ben Jor e do Rappa, que eram “bem a cara do pessoal quevive no morro e só consegue ir pra praia no final de semana”.De uma certa maneira, embora a atividade tenha sido interrompida pelacoordenadora que se incomodou com a letra e ritmo da música de Jorge Ben,houve uma breve discussão e ficou evidente a vontade dos alunos de participare falar sobre o conteúdo que foi proposto.O interessante é que a maioria ds alunos já havia estado no Rio de Janeiro, maspouco fizeram referência às suas experiências na cidade, dando mais relevânciaàquilo que captavam através dos meios de comunicação (“eu vi no jornal”, “tinhana internet”), principalmente sobre a desigualdade social, já que nenhumareferência foi feita sbre as paisagens ou sobre como seria o viver no Rio deJaneiro.
  29. 29. 28Na turma do primeiro ano do ensino Médio a atividade foi aplicada em outro diae durante a disciplina de Artes. Era uma turma de apenas seis alunos e todosficaram animados com a atividade proposta. Todas as músicas foram tocadas. Acoordenadora pedagógica não estava na escola.Passado o primeiro momento foi feita a primeira leitura da paisagem, pedido aosalunos que falassem que partes das músicas que ouviram revelam a paisagem,fazendo-os pensar o porque de haver paisagens diferentes reveladas em cadamúsica.A discussão foi muito produtiva. Os alunos usavam partes das letras de todas asmúsicas para fazer comparações sobre cmo cada compositor vivia Rio. E aindafizeram comparações com outras cidades. São alunos que viajam muito com ospais.Houve comparações da cidade do Rio com Paris (música de Ed Motta), quandodois alunos falaram sobre ambas as cidades serem “românticas” e comentaramque, apesar disso, ambas tem um “trânsito infernal”.Outros alunos falaram sobre as pessoas que precisam pegar ônibus paratrabalhar e que circulam pelo rio de Janeiro bonito e o rio de Janeiro feio. Nestemomento a discussão focou muito a questão da paisagem e do território vivido,mostrando que as músicas fram eficientes para revelar as diferenças demaneiras de ver e viver a cidade de acordo com a rotina das pessoas.Foram apresentadas, aí, as noções de paisagem e território enquantoreveladores das dinâmicas do homem no espaço, ou seja, uma paisagem é umcenário que mostra como as coisas se dão num determinado recorte e, a partirdaí, foi agegado o conceito do território vivido.Como os alunos participaram bastante, foi possível apresentar a eles a noção deque território e paisagem são indissociáveis e que, além disso, cada um olhapara a paisagem que o circunda a partir da maneia como vive, circula e contribuicom a configuação do território.A professora responsável pela turma também participou da atividade,aproveitando a discussão para propor uma atividade posterior de se usar asmúsicas para a aula de artes, partindo da cidade cantada para a cidade
  30. 30. 29recortada e colada, ou seja, deixou já combinado com os alunos uma atividadeque seria realizada posteiormente em que os alunos reconstituiiam a paisagemdo Rio de Janeiro usando as músicas já ouvidas e recortes de revistas pararecriar paisagens gráficas da cidade do Rio de Janeiro.Na escola Antonio Valliati a experiência de se tabalhar a música foi um tantofrustrante. Em nenhuma das turmas houve interesse em participação. Os alunos,dispersos da aula, mas concentrados em conversas paralelas, nãodemonstraram nenhum interesse em saber das músicas, muito menos em ouví-las.A tentativa de trazer os alunos para a atividade foi nula. O que já de inícioaconteceu porque não haviam tomadas funcionando nas salas de aula e muitotempo foi demandado para resolver este problema.O esforço da professoraresponsável pela disciplina de Geografia concentrou-se, assim, em pedir aosalunos que copiassem as duas letras que foram escritas no quadro.A opção por escrever as letras no quadro baseou-se na experiência daprofessora com as tumas que, segundo ela, “só param quietas quando temconteúdo a ser copiado do quadro”.Esta tentaviva foi escolhida como uma possibilidade de fazer cm que os alunosacessassem as letras de alguma maneira. Grande parte do tempo de aula foiusado para que s aluns copiassem as letras. Depois disto feito, houve a tentativade se discutir com eles os conteúdos das músicas, que eram Eu quero ver gol,do Rappa e Cidadão comum refém, de MV Bill.Porém não houve nenhum tipo de discussão possível através das músicas. Osalunos insistiram em falar de outras músicas, mostrando que o funk ea seu estilopreferido e que “só as músicas pra dançar no baile são boas”, ou que “essasmúsicas não tem graça nenhuma”. Porém, quando foi pedido as alunos queusassem exemplos de músicas que eles ouviam, houve insistência em dizer quemúsica é para ouvir e não para estudar na escola.Vale ressaltar, ainda, que foa do ambiente da escola, as músicas e os temssobre o território e a paisagem foram apresentados para duas universitárias quetrabalham com pesquisa na UFES e estão envlvidas com um prjeto no qual a
  31. 31. 30temática do território e da paisagem vem sendo tratada. Ambas semprecolocaram para os clegas de pesquisa, que tinham dificuldade em entender“esse tal de território vivido”.Assim, após as atividades nas salas de aula, levamos as músicas e osconteúdos teóricoos até elas. Ambas, após ouvir as cinco músicas de imediatorealizaram a noção do território vivido. Esta foi a melhor experiência que tivemoscom a atividade popsta neste trabalho. Certamente o fato de ambas já terem umcontato com os conceitos de territóio e paisagem facilitou porque, ainda quejulgassem não entender bem de que cada um deles tratava, ainda assim vinhampensando nestes conceitos há tempos, o que facilitou a sua realização sobreeles.
  32. 32. 315. Discussões conclusivasUma questão muito relevante com relação à experiência em sala de aula dizrespeito à falta de interesse dos alunos na escola Antonio Valliati.É realmente difícil traçar uma causa específica para a falta de participação daalunos. Principalmente porque a dificuldade não é a de fazê-los falar, mas sim,conseguir trabalhar o interesse dos alunos quanto aos conteúdos relevantespara aquilo que se propoe para aprendizado em sala de aula.Certamente a distância existente entre a professora e os alunos pode ser umadas explicações para a falta de participação, mas isto não foi o fato maisrelevante, e sim o desinteresse da turma em conhecer algo novo, diferente dadinâmica cotidiana da sala de aula que consta do “copiar do quadro”.Diante das dificuldades mencionadas no decorrer de nosso trabalho referentes àpouca participação e interesse dos alunos e da aparente apatia em torno daescola (o que foi gritante no caso da escola Antonio Valliati), do ensino deGeografia e da educação de uma forma geral, procuramos inserir no conteúdodeste trabalho uma proposta prática do uso da música no ensino de Geografia.Porém, a partir do que foi proposto, tornou-se evidente que apenas novas idéiase recursos não são suficientes para diminuir a apatia. Certamente não temosaqui elementos suficientes para afirmar uma causa específica, mas a relação daprofessora de Artes no Colégio Chav com os alunos mostrou que o envlvimentodo professor é fundamental para que a apatia não domine ambos, professores ealunos.Por outro lado, a falta de interesse dos alunos no colégio Antonio Valliati é umarealidade que precisa ser pensada. E o pensar esta realidade não diz só de umdesinteresse sem fundamentos. A escola não tinha estrutura nenhuma para asatividades. As tomadas não funcionavam e foi preciso um esforço dobrado atéque conseguíssemos coloca as músicas paa serem tocadas. A escola não tinhaágua nem para beber, nem para os banheiros. A reclamação era geral e asquestões relevantes de sala de aula acabaram ficando para um segundo plano.
  33. 33. 32É quase um desafio imaginar que professores e alunos se empenhem em proporcoisas novas e novos comportamentos sendo que sequer têm estrutura paraseguir com mínimo.Sem dúvidas há muitas outras idéias e possibilidades, há muito que se fazerpela nossa educação. O engajamento é fundamental, mesmo conhecendo oprocesso de desvalorização pelo qual passou a educação e o profissional daeducação no Brasil. Contudo, temos a plena convicção de que a educação paraa cidadania pode mudar muita coisa para as próximas gerações neste país.Poque embora seja fundamental uma estrutura mínima de trabalho, háexperiências que mostram que professores e alunos engajados já conseguiramjuntos alcançar novos caminhos para o aprendizado apesar de todos osproblemas estruturais.O caso da coordenadora pedag´gica do Colégi Chav que, por causa da suareligião, não admitiu que “certas músicas” fossem tocadas em sala de aula, érevelador disto. O que queremos dizer é que no caso daquela escola, a falta deestrutura ou os problemas sociais não foram empecilhos para o andamento daatividade, mas sim a falta de engajamento da coordenadora, que se interessamais em manter práticas do que usar novos recursos para a realização dosalunos.
  34. 34. 33REFERÊNCIASPCN – Parâmetros Curriculares Nacionais. BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental: MEC/SEF, 1997. Volumes: Artes e Geografia e História.CABRAL, L.O. Revisitando as noções de espaço, lugar, paisagem e território, sob uma perspectiva geográfica. Revista de Ciências Humanas, Florianópolis, EDUFSC, v. 41, n. 1 e 2, p. 141-155, Abril e Outubro de 2007CARLOS, A. F. A. Apresentando a metrópole em sala de aula. In: ______. (Org.). A geografia em sala de aula. São Paulo: Contexto, 1999, p. 79-91.CLARK, David. Introdução à Geografia Urbana. 2 ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1991. 286p.COSTA, Alexander Josef Sá Tobias da; SILVA, José Nazareno da. A Geografia presente em canções da MPB e a música inserida no ensino de Geografia: considerações e propostas. In: Anais do 7º Encontro Nacional de Prática de Ensino, Vitória, 2003.DÓRIA, Arlete Rocha Miranda; COSTA, Edgar Borges. O Ensino de Geografia e a necessidade de propostas que dinamizam as aulas. In: Anais do 6º Congresso Brasileiro de Geógrafos, Goiânia, 2004.SILVA, Elias José da; CARVALHO, Juliano Vidal de; LIMA, Gilvanice Marques de. Música, Percepção e Representação Espacial na Construção do Saber Geográfico. In: Anais do 10º Encontro de Geógrafos da América Latina, São Paulo, 2005.TUAN, Yi-Fu. Topofilia. São Paulo: Difel, 1980.ELIAS, Iná . Geografia e Política: territórios, escalas de ação e instituições. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005.FERREIRA, Martins. Como usar a música na sala de aula. 2a edição, São Paulo, Editora Contexto, 2002.
  35. 35. 34HAESBAERT, Rogério. O mito da desterritorialização. Do fim dos territórios à multiterritorialidade. 3ª Ed. RJ: Bertrand Brasil, 2007.――――. Dos múltiplos territórios à multiterritorialidade. Disponível em <www6.ufrgs.br/petgea/artigo/rh.pdf>. 2004. Acesso em 2009.SAQUET, Marcos Aurélio. Por uma abordagem territorial. In: SAQUET, Marcos Aurélio; SPOSITO, Eliseu Savério. Territórios e territorialidades: teorias, processos e conflitos. 2ed. São Paulo: Expressão Popular: UNESP. Programa de pós-graduação em Geografia, 2009;SOUZA, Marcelo. Território da divergência (e da confusão): em torno das imprecisas fronteiras de um conceito fundamental. In: SAQUET, Marcos Aurélio; SPOSITO, Eliseu Savério. Territórios e territorialidades: teorias, processos e conflitos. 2ed. São Paulo: Expressão Popular: UNESP. Programa de pós-graduação em Geografia, 2009.

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