Perfuração, Completação e Recuperação de Petróleo e Gás

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Aula ministrada no curso técnico em petróleo e gás - disciplina de tecnologia do petróleo e gás

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Perfuração, Completação e Recuperação de Petróleo e Gás

  1. 1. Produção de Petróleo e Gás: Perfuração, Completação, Elevação e Recuperação. Anderson Pontes
  2. 2. Perfuração  A perfuração de um poço de petróleo é realizada através de uma sonda, chamada de sonda de perfuração; 1. Perfuração  Na perfuração rotativa, as rochas são perfuradas pela ação da rotação e peso aplicados sobre a broca existente na extremidade de uma coluna de perfuração;  A coluna de perfuração consiste basicamente de comandos (tubos de paredes espessas) e tubos de perfuração (tubos de paredes finas);
  3. 3.  Os fragmentos da rocha são removidos continuamente através de um fluido de perfuração ou lama;  O fluido é injetado por bombas para o interior da coluna de perfuração através da cabeça de injeção, ou swivel, e retorna à superfície através do espaço anular formado pelas paredes do poço e a coluna;  Ao atingir uma determinada profundidade, a coluna de perfuração é retirada do poço e uma coluna de revestimento de aço, de diâmetro inferior ao da broca, é descida no poço; Perfuração
  4. 4.  O anular entre os tubos do revestimento e as paredes do poço é cimentado;  Após a operação de cimentação, a coluna de perfuração é novamente descida no poço, tendo na sua extremidade uma nova broca de diâmetro menor do que a do revestimento para o prosseguimento da perfuração;  Do exposto, percebe-se que um poço é perfurado em diversas fases, caracterizadas pelos diferentes diâmetros de brocas. Perfuração
  5. 5. Figura 01. Diagrama esquemático de uma sonda de perfuração. Perfuração
  6. 6. Perfuração e Completação Figura 02. Sonda de perfuração e seus acessórios.
  7. 7. 1.1. Equipamentos da Sonda de Perfuração 1.1.1. Sistema de Sustentação de Cargas  O sistema de sustentação de cargas é constituído do mastro ou torre, da subestrutura e do estaleiro;  Uma vez desgastada, a broca é retirada até a superfície e substituída por outra nova, numa operação chamada de manobra;  A torre ou mastro é uma estrutura de aço especial, com forma piramidal, de modo a prover o espaço necessário a manobra; Perfuração
  8. 8. Figura 03. Esquema de uma torre. Perfuração
  9. 9. Figura 04. Mastro em operação onshore. Perfuração
  10. 10. Figura 04. Mastro em operação onshore na amazônia. Perfuração
  11. 11.  A subestrutura é constituída de vigas de aço especial montadas sobre a fundação ou base da sonda, de modo a criar um espaço de trabalho sob plataforma; Figura 05. Identificação da subestrutura. Perfuração
  12. 12.  O estaleiro é uma estrutura metálica constituída de diversas vigas apoiadas acima do solo por pilares. O estaleiro permite manter todas as tubulações (comando, tubos de perfuração, revestimento, etc.). Figura 06. Estaleiro. Perfuração
  13. 13. 1.1.2. Sistema de Geração e Transmissão de Energia  A energia necessária para acionamento dos equipamentos de uma sonda de perfuração é normalmente fornecida por motores diesel;  Nas sondas marítimas em que exista produção de gás é comum e econômica a utilização de turbinas a gás para geração de energia para toda a sonda;  A depender do modo de transmissão de energia para os equipamentos, as sondas de perfuração são classificadas em sondas mecânicas ou diesel-elétricas; Perfuração
  14. 14. Perfuração  Nas sondas mecânicas, a energia gerada nos motores diesel é levada a uma transmissão principal (compound). O compound é constituído de diversos eixos, rodas dentadas e correntes que distribuem a energia a todos os sistemas da sonda; Figura 07. Sistema de geração e transmissão de energia de uma sonda mecânica.
  15. 15. Perfuração  As sondas diesel-elétricas geralmente são do tipo AC/DC, no qual a geração de energia é feita em corrente alternada e a utilização é em corrente contínua. Figura 08. Sistema de geração e transmissão de energia de uma sonda diesel-elétrica.
  16. 16. Perfuração 1.1.3. Sistema de Movimentação de Cargas  O sistema de movimentação de carga permite movimentar as colunas de perfuração, de revestimento e outros equipamento; Figura 09. Guincho.  O guincho recebe energia mecânica do sistema de geração e transmissão de energia necessária para a movimentação das cargas;
  17. 17. Perfuração  O bloco de coroamento é um conjunto estacionário de 4 a 7 polias em linha num eixo suportado por dois mancais de deslizamento, localizado na parte superior do mastro ou torre; Figura 10. Bloco de coroamento.  O bloco suporta todas as cargas que lhe são transmitidas pelo cabo de perfuração;
  18. 18. Perfuração  A catarina é um conjunto de 3 a 6 polias móveis montadas em um eixo que se apoia nas paredes externas da própria estrutura da catarina;  A catarina fica suspensa pelo cabo de perfuração que passa alternadamente pelas polias do bloco de coroamento e polias da catarina, formando um sistema com 8 a 12 linhas passadas. Figura 10. Catarina.
  19. 19. Perfuração Figura 10. Detalhes da catarina. Polias Alça Guincho
  20. 20. Perfuração Figura 11. Sistema de movimentação de cargas.
  21. 21. Perfuração 1.1.4. Sistema de Rotação  Nas sondas convencionais, a coluna de perfuração é girada pela mesa rotativa localizada na plataforma da sonda;  A rotação é transmitida a um tubo de parede externa poligonal, o kelly, que fica enroscado no topo da coluna de perfuração;  Nas sondas equipadas com top drive a rotação é transmitida diretamente ao topo da coluna de perfuração por um motor acoplado a catarina;
  22. 22. Perfuração  A mesa rotativa é o equipamento que transmite rotação à coluna de perfuração e permite o livre deslizamento do kelly no seu interior; Figura 12. Mesa rotativa.
  23. 23. Perfuração  O kelly é o elemento que transmite a rotação proveniente da mesa rotativa à coluna de perfuração; Figura 13. Kelly.
  24. 24. Perfuração Figura 14. Mesa rotativa e kelly.
  25. 25. Perfuração  A cabeça de injeção ou swivel é o equipamento que separa os elementos rotativos daqueles estacionários na sonda de perfuração; Figura 15. Cabeça de injeção ou swivel.  O fluido de perfuração é injetado no interior da coluna através da cabeça de injeção;
  26. 26. Perfuração  A perfuração com um motor de conectado no topo da coluna (top drive) elimina o uso da mesa rotativa e do kelly. Figura 16. Sistema com Top Drive.
  27. 27. Perfuração Figura 17. Sistema com Top Drive.
  28. 28. Perfuração 1.1.5. Sistema de Circulação de Fluido  São os equipamentos que permitem a circulação e o tratamento do fluido de perfuração;  Durante a fase de injeção, o fluido perfuração é injetado dos tanques de lama na coluna de perfuração por intermédio das bombas de lama. Figura 17. Bombas de lamas.
  29. 29. Perfuração  Durante a fase de retorno, o fluido de perfuração nos jatos da broca percorre o espaço anular entre a coluna de perfuração e a parede do poço ou o revestimento;  O fluido de retorno e direcionado então para a fase de tratamento ou condicionamento, que consiste na eliminação de sólidos ou gás que se incorporam a ele durante a perfuração;  Quando necessário, devem ser adicionados produtos químicos para ajustes de suas propriedade físicas e químicas;
  30. 30. Figura 18. Sistema de tratamento de lama.
  31. 31. Perfuração 1.1.6. Sistema de Segurança do Poço  O sistema de segurança é constituído dos Equipamentos de Segurança de Cabeça de Poço (ESCP) e de equipamentos complementares que possibilitam o fechamento e controle do poço;  O mais importante deles é o Blowout Preventer (BOP), que é um conjunto de válvulas que permite fechar o poço ;  Os preventores são acionados sempre que houver um kick, fluxo indesejável do fluido contido numa formação para dentro do poço;
  32. 32. Perfuração  Se este fluxo não for controlado eficientemente, poderá se transformar num blowout, ou seja, poço fluido totalmente sem controle, e criar sérias consequências, tais como dano aos equipamentos da sonda, acidentes pessoais, perda parcial ou total do reservatório, poluição e dano ao meio ambiente, etc.
  33. 33. Figura 19. Sistema de Blowout Preventer.
  34. 34. Perfuração 1.1.7. Sistema de Monitoramento  São equipamentos necessários ao controle da perfuração: manômetros, indicador de peso sobre a broca, indicador de torque, tacômetro, pressão de bombeio de lama, vazão da bombas, etc. Figura 20. Painel do sondador.
  35. 35. Perfuração 1.2. Colunas de Perfuração 1.2.1. Comandos  Os comandos (Drill Collars – DC) são elementos tubulares fabricados em aço forjado, usinados e que possuem alto peso linear à grande espessura de parede;  Suas principais funções são fornecer peso sobre a broca e prover rigidez à coluna, permitindo o controle da trajetória do poço. Figura 21. Comando espiralado e com ressalto para elevador.
  36. 36. Perfuração 1.2.2. Tubos Pesados  Os tubos pesados (Heavy – Weight Drill Pipes – HWDP) são elementos tubulares de aço forjado e usinados que têm como função principal promover uma transição de rigidez entre os comandos e os tubos de perfuração, diminuindo a possibilidade de falha por fadiga. Figura 22. Tubo pesado com reforço estrutural.
  37. 37. Perfuração e Completação 1.2.3. Tubos de Perfuração  Os tubos de perfuração (Drill Pipes – DP) são tubos de aço sem costura, tratados internamente com aplicação de resinas para diminuição do desgaste interno e corrosão, possuindo nas suas extremidades as conexões cônicas conhecidas como tool joints, que são soldadas no seu corpo. O Comprimento nominal pode variar de 5,49 m à 16,50 m. Figura 23. Tubos de perfuração.
  38. 38. Perfuração 1.2.4. Acessórios da Coluna de Perfuração  Os substitutos (Subs) são pequenos tubos que desempenham várias funções, de acordo com suas características; Figura 24. Substitutos.
  39. 39. Perfuração  Os principais substitutos são: (1) Sub de içamento: que é utilizado para movimentação de comandos; (2) Sub broca: serve para conectar a broca, cujo elemento de união é pino, ao primeiro comando, cuja conexão inferior também é pino; (3) Sub de cruzamento: tem a função de permitir a conexão de tubos com tipos diferentes de roscas e diâmetros.
  40. 40. Perfuração e Completação  Os estabilizadores são ferramentas que dão maior rigidez à coluna, e por terem diâmetro igual ao da broca, auxiliam a manter o diâmetro (calibre) do poço; Figura 25. Estabilizadores.
  41. 41. Perfuração  Os escareadores são ferramentas com as mesmas funções dos estabilizadores, mas utilizados em rochas duras e abrasivas;  Os alargadores são ferramentas que permitem aumentar o diâmetro de um trecho do poço já perfurado, desde a superfície ou a partir de uma certa profundidade de subsuperfície;  Os amortecedores de vibração são ferramentas que absorvem as vibrações verticais da coluna de perfuração induzidas pela broca, principalmente quando perfurando rochas duras. Seu uso é comum quando se utilizam brocas com insertos de carbureto de tungstênio.
  42. 42. Perfuração 1.2.5. Ferramentas de Manuseio da Coluna  Chaves flutuantes são equipamentos mantidos suspensos na plataforma através de um sistema formado por cabo, polia e polia de contrapeso;  A chave flutuante tem a função de fornecer o torque necessário ao aperto e desaperto das uniões cônicas da coluna; Figura 26. Chave flutuante.
  43. 43. Perfuração e Completação  Cunhas são equipamentos que mantêm a coluna de perfuração totalmente suspensa na mesa rotativa;  São utilizadas durante as conexões dos tubos de perfuração e comandos. Possuem mordentes que se adaptam e prendem à parede dos tubos; Figura 27. Cunhas.
  44. 44. Perfuração Figura 28. Cunha.
  45. 45. Perfuração  O colar de segurança é um equipamento de segurança colocado próximo ao topo da coluna de comandos quando suspensa pela sua cunha na mesa rotativa;  O colar de segurança evita a queda da coluna no poço em caso de deslizamento pelas cunhas. Figura 29. Colar de segurança.
  46. 46. Perfuração 1.3. Brocas 1.3.1. Brocas sem Partes Móveis  A inexistência de partes móveis e rolamentos diminui a possibilidade de falhas destas brocas;  Os principais tipos são: integral de lâminas de aço, diamantes naturais e diamantes artificiais; (1) Integrais de lâminas de aço: conhecidas como brocas rabo de peixe (FishTail) foram as primeiras a serem utilizadas. No entanto, a vida útil de sua estrutura cortante é muito curta;
  47. 47. Perfuração Figura 30. Broca tipo integral de lâminas de aço. Estrutura Cortante Jatos da Broca
  48. 48. Perfuração (2) Brocas de diamantes naturais: Figura 31. Brocas de diamantes naturais.
  49. 49. Perfuração  As brocas de diamantes naturais são usadas principalmente em duas ocasiões; Perfurações em formações duras Testemunhagem Core
  50. 50. Perfuração (3) Brocas de diamantes sintéticos: Figura 31. Brocas de diamantes sintéticos.
  51. 51. Perfuração 1.3.2. Brocas com Partes Móveis  As brocas com partes móveis podem ter um a quatro cones, sendo as mais utilizadas as brocas tricônicas pela sua eficiência e menor custo inicial em relação as demais;  Os elementos que compõem a estrutura cortante das brocas tricônicas são fileiras de dentes montados sobre o cone que interpõem entre as fileiras dos dentes dos cones adjacentes;  Quanto a estrutura cortante, as brocas tricônicas são divididas em: brocas dentes de aço e brocas de insertos.
  52. 52. Perfuração Figura 32. Broca tricônica de dentes de aço.
  53. 53. Perfuração Figura 32. Broca tricônica de dentes de aço.
  54. 54. Perfuração Drill Bits Tutorial-Oil and Gas Drilling From Planning to Production
  55. 55. Perfuração 1.4. Fluidos de Perfuração  Os fluidos de perfuração são misturas complexas de sólidos, líquidos, produtos químicos e, por vezes, até gases;  Os fluidos de perfuração devem ser especificados de forma a garantir uma perfuração rápida e segura. Assim, é desejável que o fluido apresente as seguintes características; (1) Ser estável quimicamente; (2) Estabilizar as paredes do poço, mecânica e quimicamente;
  56. 56. Perfuração (3) Facilitar a separação dos cascalhos na superfície; (4) Aceitar qualquer tratamento, físico e químico; (5) Ser bombeável; (6) Apresentar baixo grau de corrosão e de abrasão em relação à coluna de perfuração e demais equipamentos do sistema de circulação; (7) Apresentar custo compatível com a perfuração.
  57. 57. Perfuração  O fluido de perfuração possui, basicamente, as seguintes funções: (1) Limpar o fundo da broca e carrear o cascalho formado até a superfície; (2) Resfrias e lubrificar a coluna de perfuração e a broca; (3) Exercer pressão hidrostática sobre as formações, de modo a evitar o influxo de fluidos indesejáveis (kick) e estabilizar as paredes do poço.
  58. 58. Perfuração 1.4.1. Propriedades dos Fluidos de Perfuração (1) Densidade; (2) Parâmetros reológicos; (3) Teor de sólidos; (4) Acidez; (4) Alcalinidade; (5) Teor de cloretos e salinidade;
  59. 59. Perfuração 1.4.2. Classificação dos Fluidos de Perfuração (1) Fluidos a base água;  Onde a água é o fluido dispersante; (2) Fluidos a base óleo;  Os fluidos a base usa um dispersante composto de hidrocarbonetos líquidos; (3) Fluidos a base ar.
  60. 60. Perfuração 1.5. Operações Normais de Perfuração 1.5.1. Alargamento e Repassamento  Durante a perfuração de um poço, que se caracteriza pela aplicação de peso e rotação na broca enquanto circular o fluido de perfuração, uma série de operações desempenham papel importante no processo;  O alargamento consiste em se reperfurar o poço com uma broca de diâmetro maior que a utilizada para sua perfuração;  Quando o poço por algum motivo se estreita, é necessário repassar o poço no trecho descalibrado;
  61. 61. Perfuração 1.5.2. Conexão, Manobra e Circulação  Quando o topo do kelly (ou motor, no caso de top drive) atinge a mesa rotativa, é necessário acrescentar um novo tudo de perfuração à coluna. Esta operação e chamada de conexão, sendo realizada do seguinte modo; (1) O tubo a ser acrescentado é colocado em local apropriado junto à mesa rotativa; (2) Eleva-se o kelly até o primeiro tubo de perfuração aparecer e coloca-se a cunha na coluna para que o seu peso fique sustentado pela mesa rotativa;
  62. 62. Perfuração (3) Desconecta-se o kelly da coluna e o conecta ao tubo de perfuração a ser adicionado; (4) Eleva-se o conjunto kelly-tubo de perfuração e o conecta novamente a coluna; (5) Retira-se a cunha e desce-se a coluna até o kelly encaixar na mesa rotativa e volta-se a perfuração.
  63. 63. Perfuração  A manobra consiste na retirada e descida de toda a coluna de perfuração para substituição da broca; (1) A retirada da coluna se faz elevando-se a coluna e colocando-se a cunha para o peso desta ser sustentado pela mesa rotativa; (2) Desconecta, em seguida, a seção, geralmente composta por três tubos, e estaleira no mastro; (3) A descida é uma operação idêntica, na sequência inversa.
  64. 64. Perfuração 1.5.3. Revestimento de um Poço de Petróleo  Um poço de petróleo (ou gás) é perfurado em fases, cujo número depende das características das zonas a serem perfuradas e da profundidade final prevista;  Geralmente o número de fases de um poço é de três ou quatro, podendo chegar a oito, em certos casos;  Cada uma das fases é concluída com descida de uma coluna de revestimento e sua cimentação;
  65. 65. Perfuração Figura 33. Esquema do revestimento de poços com 3 (direita) e 5 (esquerda) fases.
  66. 66. Perfuração  As funções das colunas de revestimento são as seguintes: (1) Prevenir o desmoronamento das paredes do poço; (2) Evitar a contaminação da água potável dos lençóis freáticos mais próximos a superfície; (3) Impedir a migração de fluidos da formações; (4) Sustentar os equipamentos de segurança do poço; (5) Sustentar outras colunas de revestimento.
  67. 67. Perfuração  As características essenciais das colunas de revestimento são: (1) Se estanque; (2) Ter resistência compatível com as solicitações; (3) Ser resistente à corrosão e à abrasão; (4) Apresentar facilidade de conexão; (5) Ter o menor custo possível.
  68. 68. Perfuração  O revestimento condutor é o primeiro revestimento do poço, assentado a pequena profundidade (10 a 50 m), com finalidade de sustentar sedimentos superficiais não consolidados;  O revestimento de superfície, com comprimento variando na faixa de 100 a 600 m, visa prevenir desmoronamento de formações inconsolidadas. Serve ainda como base de apoio para equipamentos de segurança de cabeça de poço, sendo cimentado em toda sua extensão;  O revestimento de produção é descido com a finalidade de permitir a produção do poço;
  69. 69. Perfuração Figura 34. Revestimentos de um poço com 3 fases.
  70. 70. Perfuração  O revestimento intermediário possui sua faixa de profundidade na faixa de 1000 a 4000 m. É cimentado na parte inferior ou, em alguns casos, num trecho intermediário;  O liner é uma coluna de revestimento que é descida e cimentada no poço visando cobrir apenas a parte inferior deste, o poço aberto. Seu topo fica ancorado um pouco acima da extremidade inferior do revestimento anterior e é independente do sistema de cabeça de poço.
  71. 71. Perfuração Figura 35. Revestimentos de um poço com 5 fases.
  72. 72. Perfuração 1.5.4. Cimentação de Poços de Petróleo  A cimentação do espaço anular entre o poço e o revestimento visa fixar a tubulação e evitar a migração de fluidos entre diversas zonas permeáveis atravessadas pelo poço;  A cimentação do espaço anular é realizada, basicamente, mediante o bombeio de pasta de cimento e água, que é deslocada através da própria tubulação de revestimento;  A cimentação é classificada como cimentação principal e cimentação secundária;
  73. 73. Perfuração (1) A cimentação primária é a cimentação principal, realizada logo após a descida de cada coluna de revestimento no poço; (2) A cimentação secundária destina-se a corrigir a cimentação primária, quando há necessidade. Se por alguma razão, o topo do cimento não alcançar a altura prevista no espaço anular, pode-se efetuar uma recimentação, fazendo-se circular pasta de cimento por trás do revestimento, através dos canhoneios (perfurações realizadas no revestimento).
  74. 74. Perfuração  A sapata é colocada na extremidade da coluna, e serve para a introdução do revestimento no poço, podendo dispor de um mecanismo de vedação para evitar que a pasta, por ser mais pesada que o fluido de perfuração, retorne ao interior do revestimento após seu deslocamento;  Durante a descida do revestimento este é preenchido com fluido de perfuração, de modo a evitar diferencial de pressão excessivo, que possa colapsar a tubulação;  Existem dois tipo de sapatas: a sapata guia e a sapata flutuante. A sapata flutuante possui uma válvula que impede o refluxo da pasta de cimento para o interior da coluna;
  75. 75. Perfuração Figura 36. Sapata guia (esquerda) e sapata flutuante (direita).
  76. 76. Perfuração  O colar é posicionado de 2 a três tubos acima da sapata, servindo para reter os tampões de cimentação; Figura 37. Colar guia (direita) e colar flutuante (esquerda).
  77. 77. Perfuração  Os tampões são feitos de borracha e auxiliam na cimentação. Normalmente são lançados dois tampões, o de fundo e o de topo, com o objetivo de evitar a contaminação da pasta de cimento;  O tampão de fundo tem uma membrana de borracha de baixa resistência em sua parte central. Ao ser lançado na coluna, à frente da pasta de cimento, é por esta deslocado até encontrar o colar (retentor ou flutuante), quando a membrana se rompe e permite a passagem da pasta;  O tampão de topo é rígido, sendo lançado após a pasta para separá-la do fluido de perfuração que a desloca;
  78. 78. Perfuração  Ao completar o bombeio do fluido de deslocamento, o tampão de topo é retido pelo colar, verificando-se um aumento de pressão que indica o final da operação.
  79. 79. Perfuração Figura 38. Esquema de cimentação.
  80. 80. Perfuração 1.6. Operações Especiais de Perfuração 1.6.1. Controle de Kicks  Uma formação é dita de pressão normal quando a sua pressão de poro for equivalente à pressão hidrostática exercida por uma coluna de água doce ou salgada que se estende desde a formação até a superfície;  O gradiente de pressão do fluido contido em seus poros poderá ter uma valor compreendido entre o da água doce (9,807 kPa) e o da água salgada (10,49 kPa);
  81. 81. Perfuração  Quando o gradiente de pressão da formação estiver fora destes limites, diz-se que a pressão é anormal;  De modo geral, as formações são de pressão normal devido à acumulação de água doce ou salgada nos seus poros;  Diversos fatores estão associados a formações de pressão anormal, como por exemplo: compactação, movimentos tectônicos, intercomunicação de zonas de pressões diferentes, movimento ascendente das rochas, etc.;
  82. 82. Perfuração  Uma das principais funções do fluido de perfuração é exercer pressão hidrostática sobre as formações a serem perfuradas pela broca;  Quando esta pressão for menor que a pressão dos fluidos confinados nos poros das formações e a formação for permeável, ocorrerá influxo destes fluidos para o poço, ou seja, o kick;  Dentre as causas comuns da ocorrência do kick são citados: peso de lama insuficiente e abastecimento incorreto do poço durante a manobra;
  83. 83. Perfuração (1) Pistoneio: quando se retira a coluna de perfuração do poço são criadas pressões negativas, chamadas de pistoneio, que reduzem a pressão hidrostática efetiva abaixo da broca; (2) Lama cortada por gás: o gás contido nos poros de uma formação normalmente se libera dos cascalhos cortados pela broca e se incorpora ao fluido de perfuração. Este gás, aos ser deslocado até a superfície juntamente com o fluido de perfuração, sofre grande expansão e diminui a densidade da mistura; (3) Perda de circulação: o decréscimo de pressão hidrostática criado por perda de circulação com o abaixamento do nível do fluido no poço pode permitir a entrada de fluido da formação;
  84. 84. Perfuração (1) Outras causas: algumas operações durante a perfuração têm levado poços a entrarem em kick, como por exemplo, a realização de teste de formação.  Há vários indícios que identificam uma potencial situação de kick. Os principais são: (1) Aumento de volume nos tanques de lama; (2) Aumento de vazão de retorno; (3) Poço em fluxo com as bombas desligadas;
  85. 85. Perfuração (4) Poço aceitando menos lama que o volume de aço retirado; (5) Poço devolvendo mais lama que o volume de aço descido no seu interior; (6) Corte da lama por gás, óleo ou água.  As principais informações do kick são as pressões lidas nos manômetros quando o poço é fechado, e o volume ganho nos tanques.
  86. 86. Perfuração 1.6.2. Pescaria  O termo “peixe” é utilizado na indústria do petróleo para designar qualquer objeto estranho que tenha caído, partido ou ficado preso no poço, impedindo o prosseguimento das operações normais de perfuração;  Prisão ou ruptura da coluna de perfuração, ruptura da broca ou queda de seus cones, queda de acessórios de perfuração ou de outro equipamento no poço são casos típicos que requerem operações de pescaria; A melhor técnica de pescaria é evita-la
  87. 87. Perfuração  Pequenos objetos como mordentes de chave flutuante, cones e rolamentos de brocas, pequenas ferramentas, parafusos, porcas, etc. podem cair no poço; (1) Magneto: consta de um imã permanente que aprisiona os fragmentos ferrosos. Pode ser descido a cabo ou conectado na extremidade da coluna; (1) Subcesta: é semelhante a um substituto, com compartimento para retenção de pequenos fragmentos metálicos, removidos do fundo do poço por circulação do fluido de perfuração, que sedimentam devido à redução da velocidade de ascensão. É posicionada logo acima da broca;

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