Quando os sinais envelhecem

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Quando os sinais envelhecem

  1. 1. Quando os sinais envelhecemPor Jon Paulien (RA, out de 2008)Em 16 de novembro de 1966, cientistas predisseram uma grande chuva de meteoros.Carlos e eu, estudantes universitários, esperávamos ver uma repetição da grandechuva de meteoros, ocorrida em 1833, que levou muitos a esperar para breve a voltade Jesus.Mas o céu estava escuro naquela noite. Não existia nada para ver, nem uma estrela,muito menos um meteoro. Pegamos o carro de meus pais e percorremos as estradasde New Jersey, procurando ver ao menos um pedacinho de céu claro, mas semresultado. A chuva de meteoros de 1966 pode ter sido tão grande quanto aquela de1833, mas só pôde ser vista de dentro de aviões e em alguns lugares do Oesteamericano. Ambos os chuveiros de meteoros estavam relacionados a fragmentoscelestes deixados para trás pelo cometa Temple-Tuttle, que percorre uma órbita de 33anos em torno do Sol. Algum aumento na queda de meteoritos acontece todo mês denovembro, vindos, ao que parece, da Constelação de Leão.Carlos e eu estávamos tentando retomar algo do espírito de nossos pioneirosadventistas. O grande Terremoto de Lisboa de 1755, o Dia Escuro em 1780, e o grandechuveiro de meteoros, vindo da Constelação de Leão, em 1833, todos pareceramconfirmar as palavras de Apocalipse 6:12,13: "Vi quando o Cordeiro abriu o sexto selo,e sobreveio grande terremoto. O sol se tornou negro como saco de crina, a lua toda,como sangue, as estrelas do céu caíram pela terra, como a figueira, quando abaladapor vento forte, deixa cair os seus figos verdes."A chuva de meteoros de 1833 dirigiu nossos antepassados à sua Bíblia, e elesprocuraram compreender mais profundamente a segunda vinda de Jesus. Aquelessinais pareceram confirmar que Jesus voltaria em seus dias. Contudo, todo o século 19passou e os sinais começaram a envelhecer. Em 1966, esses sinais estavam realmenteficando velhos. O que você faz quando os sinais envelhecem?Sinais de época - Uma coisa de que devemos nos lembrar é que, tanto os sinais no céuquanto os que acontecem na Terra, não são nenhuma novidade. Quando examinarmoscuidadosamente o Novo Testamento, descobrimos que muitos eventos mundiais queos cristãos tomam como sinais do fim são, na verdade, sinais de uma época. Eles nosensinam que Jesus sabe, por antecipação, as características e os eventos de toda umaépoca. Ele não Se enganou quanto aos eventos que apontam para o fim.
  2. 2. Quando os discípulos pediram a Jesus (Mt 24:3) que dissesse qual seria o sinal de Suavinda e do fim do mundo, Ele respondeu: "E, certamente, ouvireis falar de guerras erumores de guerras; vede, não vos assusteis, porque é necessário assim acontecer,mas ainda não é o fim" (verso 6). Como se vê, guerras e rumores de guerras nãoanunciam o fim; são parte de como seria a vida antes do fim.Jesus continuou: "Porquanto se levantará nação contra nação, reino contra reino, ehaverá fomes e terremotos em vários lugares; porém tudo isto é o princípio das dores"(versos 7,8). Para Jesus, guerras, fomes e terremotos não sinalizam o fim - são apenassinais do início do fim! Os discípulos perguntaram por um sinal do fim; Jesus deu a elessinais de uma época. No relato de Lucas, Jesus acrescentou a expressão "coisasespantosas e também grandes sinais do céu" (Lc 21:11), ao Se referir a esses sinais deépoca (confira o verso 9). Esses sinais não foram dados para estimular a especulaçãosobre a contagem do tempo do fim. Em vez disso, eles nos lembram de que devemosestar vigilantes, em todo o tempo, com respeito ao fim (Mt 24:42).Se guerras, terremotos e fomes são sinais de uma época, não devia nos surpreenderque muitos dos chamados "sinais do fim" tivessem acontecido já no primeiro século.Enquanto a paz caracterizou a Palestina em 31 d.C, aconteceram "guerras e rumoresde guerras" ao longo da década de 60 d.C; ocorreram fomes (At 11:28) e terremotos(Laodicéia, em 60 d.C, Pompeia, em 63 d.C, Jerusalém, em 64 d.C, e Roma em 68 d.C),e sinais no céu (veja O Grande Conflito, p. 29). E Paulo pôde até afirmar que, em seusdias, o evangelho fora pregado no mundo todo (Cl 1:23; Rm 1:8; 16:26). Não é deadmirar, então, que os apóstolos acreditassem estar vivendo nos últimos dias (At 2:14-21; Hb 1:2; IPe 1:20; ljo 2:18).Assim, de acordo com a Bíblia, não deveríamos ficar surpresos com o fato de que ossinais estivessem envelhecendo. Eles foram dados, não para satisfazer nossacuriosidade quanto à contagem do tempo do fim, mas para estimular o estudo daBíblia e uma vida de fé.Os eventos de 1755-1833 serviram para conscientizar nossos pioneiros adventistas deque haviam entrado em um período significativo - o período final da história da Terra.Estudantes adventistas do sétimo dia descobriram nos livros de Daniel e Apocalipseque, enquanto os "últimos dias" começaram ver dadeiramente no período do NovoTestamento, o "tempo do fim" é um fenômeno mais recente. Com o cumprimento dasgrandes profecias de tempo de Daniel e Apocalipse, estamos agora vivendo no tempodo fim. Conquanto não saibamos, com certeza, se esta será a última geração, sabemosque o fim pode chegar logo. E isto deve nos manter focados na única questão querealmente importa.Mantendo viva a fé - A questão realmente importante é estar preparado paraencontrar Jesus quando Ele vier. Isso é o que deve manter viva nossa fé quando ossinais envelhecem. Por isso, o Salvador diz: "Eis que estou à porta e bato; se alguémouvir a Minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo"(Ap 3:20).A tragédia de quem estiver perdido quando o fim chegar não é a qualidade de suateologia ou a falta de boas ações. Em vez disso, Jesus lamenta: "Eu nunca conheci
  3. 3. vocês" (veja Mt 7:21-23; 25:12). O clímax do tempo do fim não é a batalha doArmagedom, mas a "manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador, JesusCristo" (Tt 2:13). O fim tem que ver com Jesus, mais do que com eventos ou idéias.Eilen White concorda enfaticamente que conhecer Jesus é o fator-chave em umaabordagem saudável com respeito ao assunto do fim:"A brevidade do tempo é freqüentemente realçada como incentivo para buscar ajustiça e fazer de Cristo o nosso amigo. Este não deve ser o grande motivo para nós;pois cheira a egoísmo. É necessário que os terrores do dia de Deus sejam mantidosdiante de nós, a fim de sermos compelidos à ação correta pelo medo? Não devia serassim. Jesus é atraente. [...] Deseja ser nosso Amigo, andar conosco por todos osacidentados caminhos da vida. [...] Jesus, a Majestade do Céu, deseja elevar aocompanheirismo com Sua pessoa os que se dirigem a Ele com seus fardos, fraquezas ecuidados" (Review and Herald, 2 de agosto del881).Que lindo é esse resumo sobre centralidade de um relacionamento com Jesus e deuma saudável antecipação do fim! É o caminhar diariamente, o diário companheirismoque deve nortear nossa expectativa de uma eternidade com a Pessoa de Jesus!Uns 15 anos atrás, lecionei algumas disciplinas no Helderberg Collège, África do Sul.Fiquei, pela primeira vez, mais de um mês longe de minha esposa. Não foi umaexperiência fácil. Mas, com a demora, nosso relacionamento se tornou mais forte. Ecomo eu poderia esquecê-la? Porventura, fiquei cansado de esperar e comeceimarcando datas imaginárias para meu retorno? Não! Eu gastei aquele mês pensandonela mais do que já havia pensado antes. De fato, ela nunca esteve mais doce, maisbonita para mim durante aquele período de ausência. Quanto mais o tempo avançava,mais avidamente eu imaginava nosso esperado reencontro. Mentalmente, saboreei denovo nosso relacionamento, e meu desejo por ela só aumentou.Assim deve ser com o retorno de Jesus. Vale a pena todo o tempo e energia quegastarmos para co-nhecê-Lo ainda mais. Por Ele, vale a pena enfrentar todas asdificuldades do tempo do fim. Ele é digno de que passemos "diariamente uma hora arefletir sobre [Sua] vida" (Eilen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 83). Casonosso relacionamento com Ele seja renovado cada dia, crescerá nosso desejo de estarpessoalmente com Ele. Assim, cada acontecimento, na Terra ou no Céu, nos convida aaprofundar nosso caminhar com Ele. E quando, realmente, conhecermos Jesus, ossinais nunca envelhecerão.Jon Paulien é o diretor da Escola de Religião da Universidade de Loma Linda

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