O quebra cabeça profético de lindsey - fato ou ficção

752 visualizações

Publicada em

  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

O quebra cabeça profético de lindsey - fato ou ficção

  1. 1. O Quebra-Cabeça Profético de Lindsey: Fato ou Ficção?Por Samuel Bacchiocchi (RA, jul/1986)Dispensando o DispensacionalismoHal Lindsey é quase tão popular quanto os profetas. Predizer o futuro constitui seupassatempo, e vender livros (aos milhões) sua fama. Fossem todas as suas lucrativasprofecias verdadeiras, Cristo teria voltado por volta de 1988.Contudo, antes que nos entreguemos a uma faina teológica, façamos uma perguntabásica e razoável: É o "quebra-cabeça profético" de Lindsey (como ele gosta de chamá-lo) realmente verdadeiro? Demos uma olhadela nele — e na evidência.DispensacionalismoLindsey pertence à escola profética de interpretação conhecida comodispensacionalismo, que divide a História em dispensações, ou segmentos de tempo,nos quais Deus tem agido com a humanidade de diferentes maneiras. Cerca de 200instituições bíblicas ensinam este conceito.Os dispensacionalistas vêem o Israel moderno como o centro da profecia do tempo dofim. O estabelecimento de Israel em 14 de maio de 1948, deu início à contagemprofética para o Armagedom e o Segundo Advento, acreditam eles. Deve-se a Lindseya popularização desse ponto de vista. Seu livro "The Late Great Planet Earth" já vendeumais de 20 milhões de exemplares em 30 edições estrangeiras.Estudos eruditos geralmente ignoram autores como Lindsey. Como resultado, milhõesde pessoas têm sido enganadas. As peças-chave do quebra-cabeça -profético deLindsey não se têm encaixado no devido lugar.A Parábola da FigueiraLindsey inicia seu cenário profético do tempo do fim com o ano de 1948, no qual teveinício o Estado do Israel moderno. Ele faz referência às palavras de Cristo: "Aprendeipois esta parábola da figueira: Quando já os seus ramos se tornam tenros e brotamfolhas, sabeis que está próximo o verão. Igualmente, quando virdes todas estas coisas,sabei que ele está próximo às portas."Segundo Lindsey, esta parábola contém uma chave importante para o cálculo dotempo aproximado do retorno de Cristo. Ele encontra essa chave no aparecimento dasprimeiras folhas produzidas pela figueira. Para Lindsey, isto representa a restauraçãode Israel como nação, que ocorreu "a 14 de maio de 1948, quando o povo judeu,depois de aproximadamente 2000 anos de exílio, debaixo de perseguição implacável,
  2. 2. tornou-se de novo uma nação". De acordo com Lindsey, Cristo Se refere a esteacontecimento ao "indicar que Ele estava às portas, pronto para voltar". Na ocasião,Cristo disse: "Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas estascoisas aconteçam" (verso 34).Lindsey escreve: "Esta geração significa... a geração que vê Israel (a figueira do verso32) retornar à terra da Palestina — principal sinal — e vê se cumprirem todos os outrossinais de São Mateus, capítulo vinte e quatro." Uma vez que "uma geração na Bíblia éalgo em torno de 40 anos", Lindsey prediz que "dentro de aproximadamente quarentaanos, a partir de 1948, devem ocorrer todos os eventos que nos conduzem ao fim,entre os quais o retorno de Cristo".Isto significa que, por volta de 1988, todas as profecias referentes à segunda vinda deCristo deveriam ter sido cumpridas. Lindsey expressou a mesma convicção em seu livro"The 1980s: Countdown to Armageddon (1981)". [...]Lindsey predisse que três principais acontecimentos ocorreriam durante a "últimageração", que começou em 1948: o arrebatamento, a tribulação e o retorno de Cristo.O arrebatamento, segundo a interpretação dispensacionalista de textos como I Cor.15:51 e 52, e I Tess. 4:13-18, significa a vinda parcial, secreta e invisível de Cristo àTerra, para ressuscitar os santos que dormem e transformar os justos vivos. Essearrebatamento secreto, que Lindsey chama de o "Grande Momento", aconteceria seteanos antes do visível e glorioso retorno de Cristo. O período de sete anos deriva-se dasetuagésima semana de Daniel 9:27 e da soma dos "quarenta e dois meses" e dos"1260 dias" de Apocalipse 11:2 e 3.Data do ArrebatamentoLindsey não descreve apenas o "Grande Momento", mas prediz seu tempoaproximado. Ele estabeleceu o retorno visível de Cristo para 1988. Uma vez que oarrebatamento secreto, de acordo com os dispensacionalistas, deve ocorrer sete anosantes da vinda de Cristo, ele já deveria ter-se dado por volta de 1981. Mas nãoaconteceu.Se foi provado que Lindsey estava errado quanto ao tempo do arrebatamento, eletambém estar .. igualmente errado no que se refere aos acontecimentos da tribulaçãona década dos 80, uma vez que os posteriores dependem do anterior. De fato, otempo já revelou esses erros em várias predições de contagem de sete anos. Os anos80 resultaram não na contagem regressiva para o Armagedom, mas na contagemregressiva para as fantasias proféticas de Lindsey.O arrebatamento secreto, que segundo o quebra-cabeça profético de Lindsey deveriaocorrer em 1981, estabelece o ponto de partida para a "contagem regressiva de seteanos" (Dan. 9:27; Apoc. 12:2 e 3), do Armagedon e do retorno visível de Cristo. Os maisincríveis acontecimentos da história humana devem ocorrer durante esse período detempo.Imediatamente após o arrebatamento, um ditador romano, o Anticristo, ou comoLindsey prefere chamá-lo, "O Fuehrer do Futuro", surgirá para arrebatar o poder daconfederação das dez nações do Mercado Comum Europeu. (Dan. 7:23 e 24; Apoc. 13).Ele assinará um tratado com Israel, habilitando os israelitas a reconstruírem o Templo
  3. 3. de Jerusalém em três anos e meio e a reinstituírem seus serviços sacrificais (Dan. 9:27;S. Mat. 24:15 e 16).Esse templo e seus serviços dificilmente serão iniciados, quando o anticristo romanorescindir o concerto com os judeus, for ao templo, considerar-se como Deus e desfizeros serviços sacrificais — a abominação da desolação pregada por Daniel (Dan. 9:27; cf.S. Mat. 24:15 e 16). Esses acontecimentos assinalam o início dos últimos três anos emeio do cruel reinado do anticristo, que, escreve Lindsey, "comporão os regimes deHitíer, Mao e Stalin, por comparação, considerados como o cordão de margaridas deGirl Scouts".Imediatamente após essa profanação do templo pelo anticristo romano, umaconfederação árabe-africana, chefiada pelo Egito (o rei do Sul de Daniel 11:40a),empenhar-se-á em uma invasão de Israel. A Rússia e seus aliados (o rei do Norte deDaniel 11:40b e Ezequiel 38) contra-atacarão, destruindo os países árabes, bem comoo Estado de Israel. Essa invasão do Oriente Médio será de curta duração, pois Ezequiel(38:18-22; 39:3-5) supostamente prediz que o anticristo romano mobilizará um grandeexército da confederação romana (os países do Mercado Comum) e da ChinaVermelha, que finalmente destruirá o exército russo em Israel.O aniquilamento das forças árabe-africanas e russas apenas deixa "as forçascombinadas da civilização ocidental, sob a liderança do Ditador romano, e as grandeshordas do Oriente, talvez unidas sob a direção dos chineses vermelhos", envolvidasnuma batalha final pelo controle mundial no "Armagedom", na planície de Jizreel, nabaixa Galileia, entre o Mediterrâneo e o Jordão (Apoc. 16:13, 14 e 16).No momento decisivo dessa batalha, Cristo voltará com Sua igreja, para destruir oímpio e estabelecer Seu reino milenar, que Ele regerá de Jerusalém.Como podem Lindsey e uma hoste de dispensacionalistas construir um cenário tãoimaginativo a partir de profecias bíblicas? Uma vez que Lindsey prediz que os anos 80dariam início a uma contagem regressiva para o Armagedom, suas predições secumpriram?A interpretação dispensacionalista da profecia bíblica baseia-se em dois princípios: oliteralismo compatível e a distinção entre Israel e a Igreja. Baseadas no primeiroprincípio, as profecias do Antigo Testamento relacionadas com a restauração de Israel,a reconstrução do Templo e a reinstituição dos sacrifícios de animais devem cumprir-se literalmente pela nação judaica na Palestina, durante a "última geração", quecomeçou em 1948, e especialmente durante a contagem decrescente dos últimos seteanos. Com base no segundo princípio, muitas profecias relativas aos judeus, que aindanão se cumpriram, devem cumprir-se no fim do tempo, através de um Israel literal.Mas o literalismo compatível deixa de interpretar de maneira adequada a profeciabíblica, porque ignora a natureza progressiva da revelação de Deus, subestima ocumprimento messiânico e extensivo das profecias do Antigo Testamento e secontradiz mediante uma interpretação incompatível.Conquanto o Novo Testamento fale algumas vezes de judeus para distingui-los dosgentios, jamais ensina que Deus tem em mente um futuro para Israel independente da
  4. 4. Igreja. O Novo Testamento vê o futuro de Israel não em termos de um reino políticomilenar na Palestina, mas como uma bem-aventurança eterna, com os redimidos detodas as épocas em uma nova Terra restaurada.O arrebatamento secreto não ocorreu em 1981. Não vemos o surgimento do anticristoromano, procedente das dez nações do Mercado Comum Europeu. E a possibilidade deseu surgimento parece muito remota, pelas seguintes razões:Comunidade Econômica Frágil. O Mercado Comum Europeu não é uma federaçãopolítica comparável aos 50 Estados americanos. Uma comunidade econômica frágil,seu organismo governamental não dita os assuntos políticos das dez nações querepresenta. Parece inconcebível que um ditador político-religioso pudesse surgir deuma comunidade que se acha em luta pela sua própria sobrevivência.Fragmentação Política. Qualquer pessoa familiarizada com a fragmentação política damaioria das dez nações que compõem o Mercado Comum Europeu, pode perceberque jamais poderia haver um ditador político, a dominar essas nações, sem resistênciasanguinolenta.Desafio Americano. Como poderia um ditador romano dominar dez nações da Europasem ser desafiado pelos Estados Unidos ou a Rússia? Lindsey descarta um desafioamericano ao anticristo romano porque "de acordo com a perspectiva profética, osEstados Unidos deixarão de ser o líder do Ocidente e provavelmente se tornem, dealguma forma, parte da nova esfera de poder europeu... O certo é que a liderança doOcidente deve passar para Roma, com sua revigorada forma, e se os Estados Unidosainda estiverem por aí na ocasião, não serão a mesma potência de agora", com basena declaração do Senhor: "Enviarei um fogo sobre... os que habitam seguros nas ilhas"(Ezeq. 39:6). O progresso durante os anos passados mostrou que esta predição estavacompletamente errada. Os Estados Unidos não só fortaleceram sua posição deliderança no Ocidente, mas nenhuma indicação há de que essa liderança tenhacomeçado a passar para uma Roma revigorada. Dessa forma, outra peça-chave doquebra-cabeça profético de Lindsey deixou de encaixar-se no lugar certo.O Secularismo Europeu. Como poderiam os europeus de hoje, predominantementesecularistas e humanistas (menos de 10 por cento freqüentam a igreja), de ummomento para outro se tornarem devotos de um ditador romano que se consideradivindade? Parece improvável, quando as diretrizes papais são grandemente ignoradaspela maioria dos católicos europeus. (Na Itália, por exemplo, a despeito das ameaçaspapais contra aqueles que votam a favor do divórcio e do aborto, os católicos votamesmagadoramente a favor de ambas as práticas.)Devemos concluir que o anticristo romano de Lindsey não só deixou de aparecer comofora predito, mas dificilmente deverá aparecer, no clima político e religioso da Europaocidental. Isso significa que outra peça vital do quebra-cabeça profético de Lindseydeixou de encaixar-se no lugar certo.O Tempo Está Derrotando as Predições de Hal LindseyJuntamente com um súbito arrebatamento dos cristãos e o surgimento de umanticristo romano, Lindsey predisse que o anticristo romano tornaria possível a
  5. 5. reconstrução do Templo de Jerusalém mediante um "firme concerto" (Dan. 9:27, RSV)com os israelitas. Por conseguinte, o templo seria reconstruído na metade da últimasemana profética de Daniel 9:27.No quadro profético de Lindsey, isto significa que o novo templo seria completado emmeados dos anos 80, no ponto intermediário do período de sete anos que, afirmouele, teria terminado em 1988.Em 1970, Lindsey escreveu que com "o assunto da reconstrução do grande Templo —o mais importante sinal profético da breve volta de Jesus Cristo — está diante denós".1 Precisamos perguntar agora: Durante os anos passados, o que aconteceu a este"sinal profético mais importante"?Até aqui, tudo o que temos são histórias. Christianity Today escreveu em 1967: "Unspoucos anos atrás circularam amplamente notícias de que foi visto um templo pré-fabricado para Jerusalém em um porto, em algum lugar da Flórida."2Nesse mesmo ano, uma revista inglesa, The Christian and Christianity, forneceu novasnotícias "recebidas de fontes autorizadas de Sellersburg, Indiana" de que "500 vagõesde estrada de ferro lotados de pedras de Bedford (Indiana), consideradas entre asmelhores pedras para construção no mundo, estão sendo transportadas, jáaparelhadas, com especificações exatas, e um carregamento já foi despachado paraIsrael. Os embarques estão sendo feitos pelo Cais 26 do porto de Nova Iorque".3A história foi amplamente negada em sua totalidade, tanto pelo Governo de Israelcomo pelas fontes industriais de Indiana. Tal fabricação reflete o interesse de algunsdispensacionalistas de ajudarem a Deus no cumprimento daquilo que eles crêem seruma profecia decisiva do tempo do fim.Objeções Teológicas. O Novo Testamento contradiz a idéia de uma reconstrução literaldo Templo de Jerusalém no tempo do fim. Ele mostra que o sacrifício de Cristo sobre acruz cumpriu e terminou os serviços do Templo (S. Mat. 27:51; Heb. 9:11-14; 8:13;10:9).O único templo de que fala o Novo Testamento é aquele que está sendo construído*não sobre o Monte Sião, durante uma futura tribulação de sete anos, mas no presente,"sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principalpedra de esquina; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo noSenhor" (Efés. 2:20 e 21).Objeções Práticas. Reconstruir o Templo de Jerusalém em seu antigo sítio, depara comvários obstáculos. Os mais sérios, a Casa da Pedra do Islamita, e a Mesquita de Aksa,estão localizados no provável local do antigo Templo. O judaísmo só permitiria, para onovo templo, o antigo local. Dessa forma, alguém teria que remover a Casa da Pedra.Tal ação precipitaria uma guerra santa árabe contra Israel, além de violar ocompromisso de Israel com respeito aos lugares sagrados de todas as religiões.A crença prevalecente entre os judeus ortodoxos, de que somente o Messias podereconstruir o templo, constitui outra objeção prática. Visto que eles crêem que oMessias ainda não veio, os judeus não se sentem em liberdade para reconstruir o
  6. 6. templo.4 Além disso, antes que eles resolvam reconstruí-lo, precisam aceitar a idéia dereviver os sacrifícios de animais, que a maioria dos judeus acha repulsiva.Egito: Rei do Sul. Outra peça-chave do quebra-cabeça profético de Lindsey considerapossível a invasão de Israel por uma aliança árabe-africana, encabeçada pelo Egito, orei do Sul profético (Dan. 11:40). De acordo com os cálculos de Lindsey, essa invasãoocorreria durante a última parte da contagem decrescente de sete anos,imediatamente após a inauguração do templo e sua profanação pelo Anticristoromano. Mas isso se demonstrou um erro fatal, pois os russos — o rei do Norte (verso40) — "trairão os árabes, egípcios e africanos, e por um breve espaço de tempoconquistarão o Oriente Médio".5A Base da Predição de Lindsey. O papel de líder que o Egito exerceu sob o governoNasser, em quem Lindsey via o rei do Sul, inspirou essa predição. Ao interpretar oslíbios ("Puth") e etíopes ("Cush") de Daniel 11:43 como sendo "os negros africanos e osárabes africanos, respectivamente", ele predisse que os países "negro-africanos eárabe-africanos se envolveriam com o Egito", primeiro na invasão de Israel e depoisao sofrerem o engano nas mãos dos russos.6O fato de Nasser já sofrer de saúde precária em 1970, não impediu que Lindseypredissesse que o Egito se tornaria líder de uma "força do Terceiro Mundo".Uma vez que já se passaram mais de 30 anos desde que Lindsey fez essa predição,podemos perguntar: Tornou-se o Egito líder de uma "força do Terceiro Mundo"composta de nações árabes e africanas? Tem o Egito tentado organizar um exércitoPan-árabe-africano para invadir Israel? A resposta é clara.Lindsey cometeu o erro de ler retroativamente, na profecia bíblica a situação políticade 1970. Esse método arbitrário de interpretar a profecia, leva a desapontamento;além de minar a confiança nas mensagens proféticas.Outro elemento-chave do quadro profético de Lindsey falhou.Outras Peças do Quebra-Cabeça. Não tentarei, dentro do escopo limitado deste artigo,examinar as peças-chave restantes do quebra-cabeça profético de Lindsey. Ele predizuma invasão russa de Israel, a destruição do Exército russo pelas forças do anticristoromano, e a batalha do Armagedom entre os dois poderes mundiais restantes. Nãovemos nenhuma indicação de que esses acontecimentos se estejam configurando,atualmente, nem do seu provável surgimento na década dos oitenta.A Rússia na Profecia. Lindsey encaixa a Rússia em seu quebra-cabeça profético aointerpretar as referências de Ezequiel a Gogue, Magogue, Meseque ("Moscou") e Tubalcomo predições acerca da Rússia moderna e sua invasão de Israel. Ele identifica aslocalizações geográficas no livro de Ezequiel, olhando em um mapa contemporâneo,em lugar de fazê-lo em um mapa do antigo Oriente Próximo.O Novo Testamento, porém, aplica Gogue e Magogue, não à Rússia moderna, mas àshordas dos ímpios no final do milênio (Apoc. 20:7 e 8). Dessa forma, a batalha deGogue e Magogue de Ezequiel, contra o povo de Deus (Ezeq. 38; 39), ocorre, não antesdo retorno de Cristo, mas no final do milênio.
  7. 7. Novo Cálculo do Segundo Advento. Em 1979, Lindsey explicou que o desabrochar dafigueira (S. Mat. 24:32) inclui a recuperação da posse da antiga Jerusalém em 1967,bem como o estabelecimento do Estado de Israel em 1948. Essa nova interpretaçãocapacita Lindsey a ganhar outros anos, e representa uma clara mudança de suaposição fixa de 1948.Em 1970, Lindsey escreveu em The Late Great Planet Earth (A Agonia do PlanetaTerra): "Uma geração na Bíblia é algo em torno de 40 anos."8 Mas em 1977 ele disse:"Não sei quanto tempo leva uma geração bíblica. Talvez algo entre 60 e 80 anos."9Lindsey se esforça também para conseguir tempo extra, transferindo o realce dado aoano de 1948 para acontecimentos flutuantes que ocorrem em nossos dias. Em seulivro mais recente, The Rapture: Truth or Consequences (O Arrebatamento: Verdadeou Conseqüências) (1983), ele não faz nenhuma menção ao renascimento de Israel em1948 — acontecimento que, em seus livros anteriores, ele denominou de "o centro daprevisão profética total."10 Em lugar disso, ele faz agora referências indefinidas aotempo, como "não estamos na iminência desse período (de tribulação), que durarásete anos", ou: "Com toda probabilidade, a maioria das pessoas que lêem este livroviverá para ter a resposta" com respeito ao arrebatamento ocorrer antes, durante oudepois da tribulação." Infelizmente, muitos crentes ingênuos aceitam as prediçõesrevisadas, mesmo quando as previsões anteriores provaram ser falsas.Acontecimentos Impessoais Versus Salvador Pessoal. Se formos seguir a excessivapreocupação de Lindsey com a construção de um quebra-cabeça profético dosacontecimentos dos últimos dias, este poderá exercer um efeito negativo sobre nossafé cristã.Ele nos levaria a depender de acontecimentos impessoais, em lugar de um Salvadorpessoal. Basear o iminente retorno de Cristo em acontecimentos mundiais que podemser datados, leva-nos a aguardar o estabelecimento do Estado de Israel, a retomada deposse de Jerusalém, o surgimento do anticristo romano, a reconstrução do templo deJerusalém, uma invasão de Israel por árabes e africanos e a destruição do Exército daRússia por um ditador romano.Esperar tais acontecimentos, causa excitações febris e tristes desapontamentos,ambos os quais solapam a realidade e o valor da esperança do Advento. Em lugardisso, cumpre-nos seguir I Pedro 4:7: "E já está próximo o fim de todas as coisas;portanto, sede sóbrios e vigiai em oração."Apelo aos admiradores de Lindsey a que se lembrem da prova do verdadeiro profeta:"Quando o tal profeta falar em nome do Senhor, e tal palavra se não cumprir, nemsuceder assim, esta é palavra que o Senhor não falou; com soberba falou o tal profeta,não tenhais temor dele." Deut. 18:22.Referências:1. Hal Lindsey e C. C. Carlson, The Lale Great Planet Earth (A Agonia do Planeta Terra),Grand Rapids, 1970, pág. 57 (itálicos supridos).
  8. 8. 2. Editorial, "Israel: Coisas Por Virem", Christianity Today, 22 de dezembro de 1967,pág. 35.3. The Christian and Christianity Today, 4 de agosto de 1967, págs. 7 e 8.4. A. Cohen, Everymans Talmud (Nova Iorque, 1949), págs. 354 e 355; MosesButtenwieser, "Messias", Enciclopédia Judaica (Nova Iorque, 1904), vol. VIII, pág. 511.5. Lindsey. pág. 158.6. Idem, pág. 10.7. Idem, págs. 76 e 77.8. Idem, pág. 54. .9. Citado em W. Ward Gasque, "Future Fact? Future Fiction?" Christianity Today, 15 deabril de 1977, pág. 40.10. Hal Lindsey, The 1980s: Countdown to Armageddon (Toronto, Nova Iorque, 1981),pág. 11.11 The Rapture: Truth or Consequences (Toronto, Nova Iorque, 1983), págs. 1 e 23.

×