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Em minha opinião a pedra angular, por assim dizer, de nossa interpretação dasprofecias de tempo de Daniel e Apocalipse é o...
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períodos proféticos. Daniel 9 apresenta dois exemplos de particular interesse: aprofecia dos 70 anos de Jeremias e as 70 s...
história de Israel em sua oração intercessória: "Não demos ouvidos aos Teus servos, osprofetas, que em Teu nome falaram ao...
de semana, do ano sabático, ou do ano do jubileu. O significado só pode serdeterminado pelo contexto. Em Dan. 10:2, por ex...
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O princípio dia ano

  1. 1. O Princípio Dia AnoPor Jean Zurcher (RA, maio, 1981)Recentemente tive em Jerusalém o privilégio de visitar as escavações que estão sendolevadas a cabo no canto sudoeste do muro da esplanada do templo, um pouco abaixodo Muro das Lamentações. Uma vez que o sítio não está aberto ao público, tive deconseguir uma autorização especial. O guia que me acompanhou havia tomado partenas escavações. Como cada pedra lhe era familiar, suas explicações foram fascinantes.Usando as pedras que estavam ainda em posição e as que estavam espalhadas aoredor, meu guia procurou ajudar-me a visualizar a vasta escadaria e a ponte de acessoque levava â entrada principal das cortes do templo. O começo da arcada pode aindaser visto no muro. No terreno abaixo os arqueólogos puseram a descoberto osfundamentos, vários degraus que ainda estão intactos, e a massa de pedras talhadasque ajudaram a fazer este imponente edifício. Destes artefatos eles, os arqueólogos,conseguiram reproduzir a planta exata que mostra a grandeza e beleza desta entradamonumental.Foi provavelmente quando saíram por esta porta do templo que os discípulos (S. Mat.24:1) chamaram a atenção de Jesus para as "grandes construções" (S. Mar. 13:2) e as "belas pedras" (S. Luc. 21:5) de que era composto. Não tive dificuldade em figurar acena ao observar aquelas enormes pedras brancas e o remanescente das duasmagníficas colunas de mármore rosa que primitivamente decoravam a entradaprincipal que levava ao templo.Contemplando aquelas pedras reviradas, perguntei ao meu guia: "Como puderamlevar a cabo esta destruição?Que tarefa titânica deve ter sido mover todas essas pedras, cada uma delas pesandodezenas de toneladas!""Absolutamente", respondeu o arqueólogo. "Nada poderia ter sido mais simples.Encontramos o segredo nas próprias pedras. Tudo que tinha de ser feito era aquecer apedra angular até que ficasse embranquecida de quente, de modo que ela finalmentese partia e caía. Então toda a estrutura vinha abaixo. Onde quer que tenhamencontrado uma pedra angular, os soldados romanos usaram a mesma técnica."Assim é que a profecia de Jesus sobre o templo foi cumprida ao pé da letra: "Emverdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra, que não seja derrubada." S.Mat. 24:2.
  2. 2. Em minha opinião a pedra angular, por assim dizer, de nossa interpretação dasprofecias de tempo de Daniel e Apocalipse é o princípio do dia-ano. Se este princípio édestruído, o maravilhoso edifício das verdades tipicamente adventistas entra emcolapso. A doutrina do santuário, o juízo investigativo, o papel e ensinos de EllenWhite, a origem e crescimento da igrej a adventista — em resumo, nossa raison dêtre,passa a ser questionada.Há muito que os críticos têm reconhecido isto. Em seu livro Another Look at Seventh-day Adventists, N. F. Douty escreveu: "Todavia os adventistas do sétimo dia, que sedizem divinamente chamados para esta obra de finalização, têm esta mesma teoriacomo sua pedra angular, de modo que descartá-la seria destruírem-se a si mesmos"(Grand Rapids, 1962, pág. 95). Ele atacou vigorosamente o que chamou de "falaz teoriado dia-ano" (pág. 102).Seja qual for a importância do papel do princípio do dia-ano em nosso sistema deinterpretação, deve-se esclarecer que não foram os pioneiros do movimento doadvento que inventaram o método dia-ano para a exegese de profecias cronológicasapocalípticas. Antes, eles herdaram a tradição que remonta a mais de mil anos, aosprimeiros séculos de nossa era.Pensa-se geralmente que o princípio do dia-ano foi aplicado pelos Pais da Igreja nainterpretação das 70 semanas de Daniel, do fim do segundo século em diante. Temostoda razão para crer que, em vez disto, eles seguiram a tradição judaica do dia-ano,como se poderá ver no próximo artigo desta série. Seja como for, pelo menos 14autores judeus são conhecidos como tendo aplicado o princípio do dia-ano ao períododas duas mil e trezentas tardes e manhãs. (Ver A. Vaucher, Lacunziana, vol. 1, págs. 54-56.)Muitos teólogos católicos da Idade Média e dos tempos modernos admitiram tambémo princípio do dia-ano sem dúvida, bem assim um grande número de exegetasprotestantes desde a Reforma até o presente. Em The Prophétie Faith of Our Fathers,LeRoy E. Froom menciona aproximadamente 200 autores que empregaram o princípiodo dia-ano em sua interpretação das profecias de tempo de Daniel e Apocalipse. Nãohá dúvida de que nos encontramos em boa companhia.Não obstante, a precisão de um princípio, para dizer a verdade, não depende donúmero de seus oponentes. Ellen White expressou bem este ponto: " O fato de quecertas doutrinas têm sido tidas como verdade por muitos anos pelo nosso povo não éprova de que nossas idéias sejam infalíveis. O tempo não transforma o erro emverdade." — Counsels to Writers and Editors, pág. 35. É por isto que os adventistasjamais tentaram justificar o princípio do dia-ano pela tradição, por mais antiga queesta possa ser. Corretamente desde o princípio, nossos pioneiros procuraramfundamentá-lo em base bíblica. Hoje nosso crescente conhecimento ajuda-nos aconsolidá-lo ainda mais.Segundo os oponentes do princípio do dia-ano, uma das principais objeções é que elese firme em dois textos apenas do VT, isto é, Núm. 14: 34 e Eze. 4:6. Prontamente elessalientam também que nesses textos o princípio é aplicado de modos opostos. No
  3. 3. primeiro exemplo, é uma questão de um ano por um dia, enquanto que no segundotexto temos o princípio reverso, isto é, um dia por um ano.Válidas como possam ser estas observações, elas não atendem à realidade. Há maisexemplos bíblicos de métodos similares de cálculo do que geralmente se pensa. E nemestão eles limitados à linguagem profética. Encontramos evidencia disto em Gên.29:27. Este verso contém um interessante conceito. "Decorrida a semana desta, dar-te-emos também a outra, pelo trabalho de mais sete anos que ainda me servirás."Talvez nesta conexão devamos considerar também a interpretação do sonho de faraópor José (Gên. 41:25-30). Admitido sem nenhuma dúvida, os sete anos de fartura e ossete anos de fome não permanecem em relação a dias ou semanas. Todavia, a mesmaforma de relacionamento existe entre as sete vacas, as sete espigas, e os sete anos.Cada símbolo separadamente representa um ano.Um Princípio BíblicoEmbora o princípio do dia-ano não seja afirmado de modo explícito, os váriosexemplos citados mostram que um princípio de cálculo foi empregado desde o períodopatriarcal até pelo menos o tempo do exílio, que estabeleceu uma relação de dia-ano,ano-dia, ou mesmo de semana-ano. Há contudo outras relações baseadas nestemesmo princípio. Isto torna perfeitamente correto afirmar que há um princípio bíblicode acordo com o qual um dia na profecia vale por um ano " (O Grande Conflito, pág.323; O Desejado de Todas as Nações, págs. 168 e 169; Profetas e Reis, pág. 698).O mesmo ponto de vista foi adotado pelos autores das afirmações referidas pelaComissão de Revisão do Assunto do Santuário: "A relação dia-ano pode serbiblicamente sustentada, embora não seja explicitamente identificável como princípiode interpretação profética. ... E mais, o VT provê ilustrações do dia-anointercambiavelmente em simbolismos (Gên. 29:27; Núm. 14:34; Eze. 4:6; Dan. 9:24-27)." — Adventist Review, 4 de setembro de 1980, pág. 14; Ministry, outubro de 1980,pág. 18.Somos deixados então com a principal objeção: "Mesmo que pudéssemos provar queo princípio do dia-ano é um elemento bíblico válido, não há base para aplicar oprincípio em Dan. 8:14 ou 9:24." À primeira vista, isto parece um argumento bemfundamentado. Todavia, a própria exegese de Dan. 9:24-27 e também Dan. 8:14 e 25revela, de uma forma ou de outra, no texto ou no contexto, este bem conhecidoprincípio bíblico de cálculo. Assim, a interpretação histórica das profecias de tempo deDaniel e Apocalipse que são a base do movimento do advento, serão vistas comoconfirmadas.Aos que pesquisam as Escrituras, sob a guia do Espírito Santo, as palavras de Jesusainda constituem abundantes promessas: 4 Por isso todo escriba versado no reino dosCéus é semelhante a um pai de família que tira do seu depósito coisas novas e coisasvelhas." S. Mat. 13:52.Os períodos proféticos que se encontram em Daniel e Apocalipse nos são dados emnúmeros simbólicos, representando cada um anos literais. Todavia, não creio que oprincípio do dia-ano seja um imperativo absoluto no cálculo de cada um desses
  4. 4. períodos proféticos. Daniel 9 apresenta dois exemplos de particular interesse: aprofecia dos 70 anos de Jeremias e as 70 semanas proféticas de Daniel.Ao referir-se à profecia de Jeremias, Daniel toma o cuidado de fazer notar: "Eu, Daniel,entendi pelos livros, que o número de anos, de que falara o Senhor ao profetaJeremias, em que haviam de durar as assolações de Jerusalém, era de setenta anos."Dan. 9:2. Provavelmente Daniel estava aludindo aos rolos em que Jeremias registrousuas profecias. Em pelo menos duas ocasiões o profeta proclamou a profecia do exíliode 70 anos — primeiro perante todo o povo de Jerusalém (Jer. 25:11), e mais tarde aoscativos em Babilônia (cap. 29: 10). Pode ser também que esta profecia tenha sidoescrita "no livro dos reis de Israel e de Judá" a que se refere muitas vezes o autor deCrônicas (II Crôn. 35:27; 36:8).E mais, o segundo livro de Crônicas termina precisamente com um comentário dosacontecimentos preditos por Jeremias. Nessa oportunidade, a profecia do exílio de 70anos é repetida pela terceira vez, juntamente com minudências outras da maiorimportância para o nosso estudo. O relato afirma que essas coisas aconteceram "paraque se cumprisse a palavra do Senhor, por boca de Jeremias, até que a terra seagradasse dos seus sábados; todos os dias da desolação repousou, até que os setentaanos se cumpriram" (cap. 36:21).Em outras palavras, a destruição e desolação que caíram sobre o país, como preditaspor Jeremias (Jer. 25: 11 e 29:10), são aqui consideradas como conseqüência dainfidelidade de Israel e uma aplicação das maldições pronunciadas por Moisés (Lev. 26:14-45). E mais certo ainda que a referência aqui é ao que está indicado em Lev. 26:34:"Então a terra folgará nos seus sábados, todos os dias da sua assolação." Visto que "osestatutos, juízos e leis que deu o Senhor entre Si e os filhos de Israel, no monte Sinai,pela mão de Moisés" (verso 46), não tinham sido observados, o Senhor executou ojuízo repetido quatro vezes no mesmo capítulo: "Tornarei a castigar-vos sete vezesmais por causa dos vossos pecados." "Então a terra folgará nos seus sábados" (versos18, 34; comp. versos 21, 28 e 43).A que sábados é feita referência aqui? Aqueles durante os quais Israel devia deixar aterra em repouso, em harmonia com as instruções do Senhor referentes aos anossabáticos e do jubileu (Êxo. 23:10 e 11; Lev. 25:1-17). Daí vemos que o período de 70anos da profecia de Jeremias é resultado de um cálculo similar ao de Eze. 4: 4-6.Todavia, em vez de ser baseado em um dia por um ano, a contagem é feita na base deum ano de exílio para cada ano sabático durante o qual a terra esteve privada de seurepouso. Em outras palavras, se cada um dos 70 anos de exílio representa um anosabático, deve ter havido 490 anos de rebelião durante os quais os filhos de Israeldeixaram de observar as leis e estatutos de Deus.E interessante notar que a similitude entre essas duas profecias não está restritaapenas ao método de cálculo. Ambas têm suas raízes na infidelidade de Israel ecobrem o mesmo período de sua história. O profeta Ezequiel recebeu a incumbênciade ilustrar de maneira simbólica os 430 anos de infidelidade da parte dos filhos deIsrael sob a monarquia, desde Saul até Zedequias (Eze. 4:5 e 6). A Jeremias ordena-seque anuncie 70 anos de exílio pelos 490 anos da rebelião de Israel, desde o tempo deSamuel até a queda de Jerusalém. Daniel alude precisamente-a este período na
  5. 5. história de Israel em sua oração intercessória: "Não demos ouvidos aos Teus servos, osprofetas, que em Teu nome falaram aos nossos reis, nossos príncipes, e nossos pais,como também a todo o povo da terra. Dan. 9:6.Obviamente, o princípio do dia-ano não pode ser aplicado à profecia dos 70 anos deJeremias. Contudo, conforme temos visto, isto não significa que a chave bíblica para ainterpretação não se aplique a esta profecia. Ao contrário, os 70 anos de exílio vêm aser o resultado de um cálculo esboçado no próprio texto profético. O mesmo éverdade em relação à profecia das 70 semanas de Daniel (versos 24-27).Cálculo das 70 SemanasNão será certamente por mera coincidência que os 70 anos da profecia de Jeremiassão mencionados no mesmo capítulo que as 70 semanas de Daniel. Os dois períodosestão vinculados por causa e efeito. Daniel orou em relação à profecia de Jeremias, e oanjo Gabriel veio imediatamente para o seu lado em resposta a sua petição.Não é preciso dizer que Daniel conhecia as profundas razões por trás da tragédia deIsrael. Ele as admitiu constantemente em sua oração intercessória, ao confessar ospecados do seu povo. Como o autor do livro de Crônicas, Daniel provavelmenteconhecia também os outros aspectos da profecia de Jeremias que apresentavam os 70anos de exílio como resultado dos sábados durante os quais a terra tinha sido privadade seu repouso. Suas alusões às maldições pronunciadas por Moisés recuam aomesmo texto de Levítico 26 (Dan. 9:10-13).Todavia Daniel tinha o conhecimento do Deus de Israel, que é longanimo, tardio emira, e rico em misericórdia. Daí haver ele pleiteado o perdão e suplicado: "Sobre o Teusantuário assolado faze resplandecer o Teu rosto" (verso 17), ainda mais que os 70anos da profecia de Jeremias estavam chegando ao fim. "O Senhor, ouve; ó Senhor,perdoa; ó Senhor, atende-nos ... ó Deus meu ... pelo Teu nome" (verso 19).Daniel estava ainda falando quando Gabriel subitamente apareceu em resposta a suaoração, à hora do sacrifício da tarde (versos 20 e 21). Em seguida aos 70 anos de exílio,resultado das transgressões de Israel, o Senhor proclama agora, pela boca de Gabriel,70 semanas de graça, finda as quais viria o cumprimento da esperança do povo deDeus. "Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santacidade para fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, para expiar ainiqüidade, para trazer a justiça eterna, para selar a visão e a profecia, e para ungir oSanto dos Santos" (verso 24).A interpretação das 70 semanas depende do significado atribuído a "semanas" a quese faz referência aqui. No original hebraico, a palavra shabüa designa um grupo desete, a que chamaremos heptad ou hebdô-made, segundo o correspondente vocábulogrego. Os judeus contavam o hebdômade em três maneiras: (1) como uma semana,formada de sete dias; (2) como ano sabático, formado de sete anos (Lev. 25:1-7); efinalmente (3) como o ano do jubileu, formado de sete vezes sete anos sabáticos —isto é, 49 anos (verso 8).Assim a palavra shabüa — semana — usada aqui e em outros lugares, pode designarum período de sete dias, de sete anos, ou 49 anos, dependendo de se estar tratando
  6. 6. de semana, do ano sabático, ou do ano do jubileu. O significado só pode serdeterminado pelo contexto. Em Dan. 10:2, por exemplo, lemos sobre um jejum de trêssemanas. Claramente, isto significa 21 dias, mas que dizer das 70 semanas de Dan.9:24?Tanto no texto como no contexto tudo se refere à mensagem dos anos sabáticos ejubileu. A tradição judaica, os talmudistas, o autor do Seder-Olam, e os interpretadoresjudeus em geral têm estimado que as semanas da profecia de Daniel só podem sersemanas de anos. Há evidências de que os Pais da Igreja usaram a mesma base parainterpretar as 70 semanas.

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