Comentários sobre a autoria do livro do apocalipse

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Comentários sobre a autoria do livro do apocalipse

  1. 1. Comentários Sobre a Autoria do Livro do ApocalipseO autor de Apocalipse se identifica repetidas vezes como "João" (cap. 1:1, 4, 9; 21:2;22:8). "s, a forma grega deste nome (ver Luc. 1:13), ao nome comum hebreuYojanan, que aparece numerosas vezes nos últimos livros do AT, nos livros apócrifos eem Josefo. Isto identifica ao autor como judeu. Várias evidências indicam claramente que Juan era o nome do autor, e não umpseudônimo como aparecia em muitas obras apocalípticas judias e dos primeiroscristãos. A primeira é que o autor do Apocalipse se identifica como Juan sem tentardar-se a conhecer como um que ocupava algum cargo na igreja. Vários apocalipse judeus e cristãos são atribuídos a patriarcas e profetas hebreus e aapóstolos cristãos. Se assim sucedesse com o Apocalipse, é de esperar que seu autortentasse identificar-se especificamente como apóstolo. Mas a singela declaração de que seu nome é Juan "vosso irmão" (Apoc. 1:9; cf. areferência de Pedro a Pablo, 2 Ped. 3:15), testemunha que o que escreve dá seu nomeverdadeiro. É evidente que o autor era tão conhecido nas igrejas, que seu nomebastava para identificá-lo e dar validez ao relato de suas visões. Mais ainda: parece que a prática de usar pseudônimos não era comum quando oexercício do dom de profecia era vigoroso. Durante o período intertestamentario -quando até onde saibamos não tinha profeta reconhecido entre os judeus- osescritores religiosos com freqüência creram que era necessário valer-se do nome dealgum personagem antigo de grande reputação para assegurar a aceitação geral de suaobra. Indubitavelmente em dito período não tinha nenhum profeta verdadeiro quefalasse em nome de Deus, como o tinham feito os profetas do AT; mas com a apariçãodo cristianismo floresceu novamente o dom de profecia. Na igreja cristã do primeiroséculo não existiu a suposta necessidade de usar pseudónimos. Os cristãos estavamconvencidos de que seus apóstolos e profetas falavam diretamente comoinstrumentos de Deus. Mas quando o profetismo caiu em descrédito entre os cristãose finalmente desapareceu no século II, começaram a aparecer obras pseudoepigráficasque levavam os nomes de diversos apóstolos (ver t. VI, pp. 42-44). Segundo os fatosmencionados é razoável concluir que o Apocalipse, que aparece no século I d.C., não éum livro pseudepigráfico, senão a obra de um homem cujo verdadeiro nome foi Juan. Quem era este Juan? No NT há vários personagens com este nome: João o Batista,Juan o filho de Zebedeu (um dos doze), Juan, o que tinha por apelido Marcos, e umparente do sumo sacerdote Anás (ver com. Hech. 4:6). É evidente que o escritor doApocalipse não poderia ser Juan o Batista, pois este morreu antes da crucificação deJesus. Também não é razoável supor que fosse o parente de Anás, de quem não háindicação de que chegou a ser cristão. Também é pouco provável que Juan Marcosfosse o autor do Apocalipse, pois o estilo, o vocabulário e o enfoque do segundo
  2. 2. Evangelho são completamente diferentes aos do Apocalipse; ademais, não se sabe deninguém na igreja primitiva que tenha atribuído o Apocalipse a Marcos. Com este processo de eliminação só fica Juan o filho de Zebedeu e irmão de Jacó.Este Juan não só foi um dos doze senão também membro do círculo íntimo de Jesus. Atradição cristã primitiva o reconhece quase unanimemente como o autor doApocalipse. Em realidade, todos os escritores cristãos até mediados do século III, emcujas obras existentes hoje se mencione este tema, atribuem o Apocalipse a Juan oapóstolo. Estes escritores são Justino Mártir, em Roma (c. 100-c. 165 d. C., Diálogo comTrifón 81); Ireneo de Lyon (c. 130-c. 202 d. C., Contra heresias iv. 20. 11); Tertuliano,em Cartago (c. 160-c. 240 c. d. C., Sobre prescrições contra os hereges 36); Hipólito, deRoma (m.c. 235 d. C., Tratado sobre Cristo e o anticristo xxxvi), e Clemente deAlexandria (m. c. 220 d. C., Quem é o rico que se salvará? xlii). Estes depoimentosdemonstram que nos começos da igreja eram muitos e influentes os que criam que oautor do Apocalipse foi o apóstolo Juan. Ademais, várias antigas tradições cristãsrelacionam os últimos anos de Juan com a cidade de Efeso. Assim o faz Ireneo (Op. cit.iii. 3, 4), quem declara que em sua juventude tinha visto ao ancião Policarpo, deEsmirna, o que "conversou com muitos que tinham visto a Cristo", entre eles comJuan, que tinha residido em Efeso até os dias de Trajano (98-117 d. C.). Polícrates (130-c. 200 d. C.), bispo de Efeso, oitavo em sua família que foi bispo cristão, testemunhaque Juan "o que se reclinou no seio de Jesús... descansa em Efeso" (Epístola a Víctor ea Igreja Romana a respeito do dia de observar a páscoa). Estas declarações coincidemcom o fato de que Juan se dirige a Efeso e às outras igrejas de Ásia (Apoc. 1:4, 11). O único depoimento deste período que parece não concordar com a opinião de queo autor do Apocalipse foi o apóstolo Juan, prove de Papías, pai da igreja (m. c. 163 d.C.). As obras de Papías se perderam; o único que existe delas está em forma muitofragmentaria em citações conservadas por escritores posteriores. Dois delas sereferem à morte de Juan. Numa, de um manuscrito do século VII ou VIII d. C., queparece ser um resumo da Crônica de Felipe de Side (século V), declara-se: "Papías dizem seu segundo livro que João o Teólogo e Tiago seu irmão 735 foram morridos pelosjudeus". E num manuscrito da Crônica de Georgius Hamartolus (c. 860 d. C.) lê-se emforma similar: "Porque Papías, bispo de Hierápolis, sendo testemunha ocular disto, nosegundo livro dos ditos do Senhor, diz que ele [Juan ] foi morrido pelos judeus,cumprindo claramente, com seu irmão, a predição de Cristo relativa a eles". Estas citações parecem indicar a primeira vista que um servidor público cristão queviveu a fins do primeiro século e começos do segundo, nas proximidades de Efeso,testemunhou que o apóstolo Juan, bem como seu irmão, foi morrido pelos judeusantes de que pudesse ter escrito o Apocalipse no tempo de Nero ou de Domiciano, quesão os períodos nos quais os eruditos geralmente o colocam (ver o "Marco histórico").No entanto, um exame mais minucioso faz surgir vários interrogantes com respeito aestas citações. O fato de que a passagem do primeiro manuscrito se refira a Juan como"o teólogo", indica que a citação sofreu modificações feitas por um escreva medieval,porque este título não se aplica a Juan em nenhum manuscrito bíblico existenteanterior ao século VIII, e é virtualmente impossível que Papías o pudesse ter usado. Asegunda citação, de Georgius Hamartolus, só se acha num dos manuscritos de ditoautor. Os outros unicamente dizem que Juan morreu em paz; mas é evidente que nãocitam em nada a Papías. Portanto, é muito difícil saber exatamente que foi o que disse
  3. 3. Papías a respeito da morte de Juan. Se em verdade escreveu que Juan, como Santiago,foi morrido pelos judeus, isto não implica que suas mortes ocorreram ao mesmotempo ou muito perto a uma da outra. No Apocalipse inclusive se afirma que, notempo em que foi escrito, os judeus ainda seguiam causando dificuldades aos cristãos,e se Juan finalmente morreu como mártir bem pôde ter sido como resultado dasintrigas dos judeus. Uma terceira citação de Papías a registra o historiador eclesiástico Eusebio (m. em340 d. C.): "Não pesará escrever com nossas interpretações as coisas que em outro tempoaprendi e encomendei à memória, para que se afirme a verdade das mesmas comnossa asserção... Porque se enquanto me ia ao encontro algum que tinha tratado comos anciãos, perguntava-lhe curiosamente quais fossem os ditos dos anciãos; queacostumavam a dizer [Gr. éipen, "disse"] Andrés, Pedro, Felipe, Tomás, Santiago, Juan,Mateus, e daí os demais discípulos do Senhor; que pregaram [Gr. légousin, "dizem"]Aristión e o presbítero João, discípulo do Senhor. Pois eu estimava que não poderiasacar tanta utilidade das leituras dos livros quanto da viva voz dos homens aindasobreviventes" (História eclesiástica iii. 39. 3-4). Esta passagem deu lugar a muitas conjecturas. Eusebio o interpretou como quetivessem existido dois homens chamados Juan que viveram em Ásia a fins do século Id. C.: o apóstolo e outro homem que era presbítero ou ancião. A opinião de Eusebioera que este último era o que tinha conhecido Papías pessoalmente, e que foi o queescreveu o Apocalipse, enquanto o apóstolo tinha sido o autor do Evangelho. No entanto, é possível interpretar de outra maneira as palavras de Papías. Zahn, erudito alemão do Novo Testamento, faz notar (Introduction to the NewTestament, 2.a edit., t. 2, pp. 451-453) que na declaração de Papías não há umaverdadeira distinção entre presbíteros e apóstolos. Papías diz que "perguntava" arespeito de "os ditos dos anciãos", e imediatamente segue com uma lista dosapóstolos; depois quando menciona ao "presbítero Juan" o identifica em seguida comoum dos "discípulos do Senhor". A única distinção entre os dois grupos que mencionaradica na diferença do tempo do verbo, pretérito no primeiro e presente ao segundo,o que sugere que os do primeiro grupo mencionado eram discípulos de Jesus quetinham vivido ou dado seu depoimento antes do tempo de Papías, enquanto os dosegundo grupo ainda viviam, e Papías podia obter deles informação. Se se aceita 736 odepoimento de Ireneo (p. 734), o apóstolo Juan estaria incluído em ambos grupos, epor isso seria concebível que fosse mencionado duas vezes. O esforço de Eusebio por encontrar dois Joãos na declaração de Papías se faz maiscompreensível pelo fato de do que suas conclusões foram influídas pela obra deDionisio, bispo de Alexandria (m. em 265 d. C.; ver Eusebio, op. cit. vii. 24-25). Dionisioreagiu contra alguns cristãos que destacavam a idéia de um milenar literal, e escreveuuma obra titulada Tratado a respeito das promessas, na qual tentava mostrarmediante eruditos argumentos que o Apocalipse não foi escrito pelo apóstolo Juansenão por outro escritor com o mesmo nome. Dionisio é o primeiro pai da igreja queduvida da origem apostólica do Apocalipse, e seus argumentos ficaram como clássicospara os especialistas que compartilham seu ponto de vista. Dionisio fundamenta suas críticas no fato de que há evidentes diferenças entre alinguagem do Evangelho e o do Apocalipse. Os vocabulários de ambos mostrammarcadas diferenças; uma quantidade de palavras que aparecem com muita
  4. 4. freqüência num, são raras no outro. Os seguintes exemplos são particularmentenotáveis: kósmos, "mundo", aparece no Evangelho 79 vezes, mas no Apocalipse só 3vezes; alétheia, "verdade", aparece no Evangelho 25 vezes, mas nunca no Apocalipse;fÇs "luz", 22 vezes no Evangelho, e no Apocalipse só 3 vezes; agapáÇ, "amar", aparece37 vezes no Evangelho, e no Apocalipse 4 vezes; PistéuÇ, "crer", 100 vezes noEvangelho, e nenhuma no Apocalipse; lá, "mas", mais de 100 vezes no Evangelho, e noApocalipse só 13 vezes; enópion, "ante", "em testa", aparece no Evangelho uma vez,mas no Apocalipse 36 vezes; emós, "meu", no Evangelho 42 vezes, e no Apocalipseuma vez. Quando o Evangelho se refere a Cristo como "o Cordeiro", utiliza sempre apalavra amnós, enquanto no Apocalipse se usa arníon; ambas palavras significam"cordeiro". No Evangelho, Jerusalém sempre é Hierosóluma, enquanto no Apocalipse éHierousal"m. Dionisio também assinalou que o grego do Evangelho de Juan é correto e puro,enquanto o do Apocalipse contém uma quantidade de passagens estranhamenteconstruídas, sem ter em conta as regras de gramática e sintaxe. Em vista destasmarcadas diferenças entre o Evangelho e o Apocalipse, Dionisio concluiu que nãotinham sido escritos pelo mesmo autor. Estas críticas parecem ter tido uma amplainfluência na opinião da igreja oriental quanto à origem apostólica do Apocalipse e,portanto, a sua canonicidade. Eusebio não só registrou os detalhes dos argumentos deDionisio, senão que tentou dar-lhes uma base mais firme mediante a passagem jácitada de Papías. E quanto à canonicidade do Apocalipse, informou: "Entre os escritos de Juan, além do Evangelho, é admitida sem controvérsia algumasua primeira epístola, tanto pelos mais recentes quanto por todos os antigos; as duasepístolas restantes são postas em dúvida. A respeito da Revelação (o Apocalipse)disputa-se em pró e na contramão com variedade de opiniões" (op. cit. iii. 24. 17-18). Ainda que a evidência alegada por Dionisio, que indica a existência de duas Jõaos,tem consistência, devem considerar-se outros fatos antes de emitir um juízo. A opiniãode Dionisio e Eusebio se funda principalmente em dois pontos: a citação ambígua dePapías e os argumentos de Dionisio a respeito de diferenças lingüísticas entre oEvangelho e o Apocalipse. Ainda que não pode provar-se que Papías não se referiu adois homens diferentes chamados Juan, se o fez, seu depoimento -quanto possa usar-se como prova da origem não apostólica do Apocalipse - é refutado por meia dúzia deoutros pais da igreja (ver p. 734). Neste sentido são particularmente importantes asdeclarações de Ireneo, quem se relacionou pessoal e diretamente com Policarpo,contemporâneo de Juan e de Papías. Ireneo parece ter conhecido a um só Juan, oapóstolo, e afirma claramente que foi este quem escreveu o Apocalipse. Em vista distoparece razoável concluir que não deve apresentar-se com tanta insistência a ambíguadeclaração de Papías como prova da existência de dois homens chamados Juan. As diferenças lingüísticas entre o Evangelho e o Apocalipse são significativas. Aindaque as diferenças de tema e estilo- que evidentemente existem entre os dois livros-podem explicar em certa medida a disparidade dos vocabulários, pelo geral um mesmoescritor não varia tanto em seu uso de certas palavras tais como lá, enÇpion e emós(ver p. 736). Sem ter em conta o tema tratado ou a forma literária, pelo geral o mesmoautor usa ou omite palavras semelhantes numa forma inconsciente. Quando dois livrosdiferem tanto como o Evangelho de Juan e o Apocalipse no uso destas palavras,poderia parecer difícil ao princípio crer que são do mesmo autor.
  5. 5. Mas este fato não significa necessariamente de por si que Juan não seja o autor deambas obras. As circunstâncias nas quais parecem ter sido escritos os dois livrospodem explicar razoavelmente ditas diferenças. Juan declara no Apocalipse querecebeu suas visões enquanto "estava na ilha chamada Patmos, por causa da palavrade Deus e o depoimento de Jesus Cristo" (cap. l: 9). No exílio, Juan sem dúvida se viuobrigado a valer-se de sua própria capacidade lingüística para a redação do Apocalipse,e por isto não deve surpreender-se que a linguagem deste livro não seja sempre puro,em onde as vezes se transluzem semitismos através do grego, e que o autor nãoestivesse sempre muito seguro de sua gramática. Esta situação é muito normalconsiderando as circunstâncias nas quais Juan escreveu o Apocalipse. Ademais, asvisões eram evidentemente registradas à medida que as cenas passavam vividamentefrente aos olhos do profeta (cap. 10: 4). Pode ser que Juan não fizesse a propósito umarevisão para que não se debilitasse a vivacidade da ação. Por outra parte, a tradição cristã mais antiga indica do que o Evangelho foi escritoem condições completamente diferentes. No Fragmento de Muratori, escrito emRoma provavelmente ao redor de 170 d. C. -só poucas décadas depois de que tivesseestado ali Policarpo, o discípulo de Juan- se afirma: "O quarto dos Evangelhos é de Juan, um dos discípulos. Quando foi animado [aescrever] pelos outros discípulos e bispos, disse-lhes: "Jejuai comigo os próximos trêsdias, e tudo o que se nos revele a cada um de nós nos o relataremos mutuamente".Aquela noite lhe foi revelado a Andrés, um dos apóstolos, que ainda que todos deviamrevisá-lo, Juan devia narrá-lo todo em seu próprio nome" (Texto latino em S. RTregellos, edit., Cânon Muratorianus, pp. 17-18). Ainda que é óbvio que este relato tem características fantásticas, como a presençade Andrés e outros apóstolos com Juan quando escreveu o Evangelho, pode ter umpouco de verdade, quando sugere que Juan pôde ter recebido ajuda na composição doEvangelho. Em apoio desta hipótese também está uma declaração atribuída a Papías,que se conserva num manuscrito do século X: "Portanto, é claro que este Evangelho foi escrito depois do Apocalipse, e foientregado às igrejas do Ásia por Juan, estando ainda no corpo [vivo] como bispo deHierápolis. Papías de nome, um amado discípulo de Juan, que escreveu este Evangelhoque lhe foi ditado por Juan, refere-o em seu Exoterica, isto é, nos últimos cinco livros"(Texto latino em Wordsworth e White, Novum Testamentum... Latine, t. 1, pp. 490-491). Ainda que não pode assegurar-se que os detalhes deste relato sejam exatos, estasduas declarações sugerem com certa intensidade que no século II se tinha estendido aidéia de que Juan tinha redigido o Evangelho com a ajuda de outros. Apoiada por estaantiga tradição, a declaração ao final do Evangelho: "Este é o discípulo 738 que dádepoimento destas coisas, e escreveu estas coisas; e sabemos que seu depoimento éverdadeiro" (cap. 21:24), pareceria ser a certificação dos ajudantes de Juan para darveracidade a seu relato. Se esta maneira de interpretar as provas é correta, não é difícilexplicar as diferenças lingüísticas e literárias que existem entre o Apocalipse, escritoprovavelmente quando Juan estava só em Patmos, e o Evangelho, escrito com a ajudade um ou mais dos crentes em Efeso. ÀS evidências apresentadas pode adicionar-se o fato de que há certos paralelosliterários notáveis entre o Apocalipse e o Evangelho de Juan, que sugerem uma mesma
  6. 6. paternidade literária. O Apocalipse fala do "água da vida" (cap. 21:6; 22:17); e oEvangelho, de "água viva" (cap. 4: 10; 7:38). O Apocalipse convida: "O que tem sede, vinga" (cap. 22:17), e o Evangelho declara:"Se algum tem sede, vinga" (cap. 7:37). Opsis, "aparência" ou "rosto", usa-se no NT sónos escritos de Juan (Juan 7:24; 11: 44; Apoc. l: 16). O mesmo pode dizer-se dasexpressões t"réin ton lógon "guardar minha palavra" (Juan 8:51-52, 55; 14:23-24;15:20; 17:6; 1 Juan 2:5; Apoc. 3:8, 10; 22:7, 9), e ónoma autÇ, "se chamava",literalmente "nome para ele" (Juan 1:6; 3: l; Apoc. 6:8). Salvo nos lugares onde se fazreferência direta aos símbolos do AT, nomeia-se a Cristo como o Cordeiro unicamenteno Evangelho de Juan e no Apocalipse (Juan 1:29, 36; Apoc. 5:6; e mais 28 vezes). Portanto, ainda que podem apresentar-se argumentos na contramão de que Juanseja o autor do Apocalipse, deve reconhecer-se que as provas a favor do ponto de vistatradicional de que o autor do Apocalipse foi o apóstolo, são razoáveis e sólidas. EsteComentário aceita o ponto de vista tradicional. Cf. HAp 462-467. 3. Marco histórico. Os eruditos modernos estão divididos quanto a se o momento quando se escreveu oApocalipse deve fixar-se numa data relativamente temporã, durante os reinados deNero (54-68 d. C.) ou de Vespasiano (69-79 d. C.; ver t. VI, pp. 83, 88), ou numa dataposterior, para o fim do reinado de Domiciano (81-96 d. C.; ver t. VI, p. 88). Os eruditos que preferem uma data mais antiga para o Apocalipse, geralmenteidentificam a perseguição citada nas cartas às sete igrejas com a que sofreram oscristãos no reinado de Nero (64 d. C.), ou possivelmente mais tarde no tempo deVespasiano, ainda que não é claro até que ponto este último imperador perseguiu àigreja. Crêem que o mundo convulsionado descrito no Apocalipse reflete asdificuldades que perturbaram a cidade de Roma desde os últimos anos de Nero até osprimeiros anos de Vespasiano. Vêem na besta que sofre uma ferida mortal e é curada(cap. 13:3), e na besta que "era e não é; e está para subir do abismo" (cap. 17:8), umarepresentação de Nero, de quem dizia uma lenda popular que apareceu depois de suamorte, que reapareceria em algum dia. Também crêem que o número simbólico 666(cap. 13:18) representa a Nero César, escrito em consoantes hebréias (Nrwn Qsr).Estas evidências induziram a certo número de destacados eruditos a localizar aredação do Apocalipse a fins das décadas dos anos 60 ou 70 do século I. Este raciocínio, ainda que indubitavelmente baseado em fatos históricos, depende,para ser admitido, da interpretação que se dê a certas declarações do Apocalipse. Masuma interpretação tal é, por suposto, subjetiva, e não foi aceitada por muitosverdadeiros eruditos do passado. Também não a aceita este Comentário, pois seusautores crêem que as profecias do Apocalipse se aplicam também ao que está além dasituação imediata e local (cf. com. cap. 1: 11). Qualquer evidência para a data daredação do Apocalipse deve basear-se, em primeiro lugar, pelo menos em outrasclasses de evidências e raciocínios. O depoimento dos primeiros escritores cristãos é quase unânime no sentido de queo livro de Apocalipse foi escrito durante o reinado de Domiciano. Ireneo, que afirmaque teve relação pessoal com Juan por meio de Policarpo, declara do Apocalipse:"Porque isso não foi visto faz muito tempo, senão quase em nossos dias, para fins doreinado de Domiciano" (Contra heresias v. 30). Victorino (m. c. 303 d. C.) diz: "QuandoJuan disse estas coisas estava na ilha de Patmos, condenado a trabalhar nas minas pelo
  7. 7. césar Domiciano. Portanto, ali viu o Apocalipse" (Comentário sobre o Apocalipse, cap.10: 11; ver com. Apoc. l: 9). Eusebio (História eclesiástica iii. 20. 8-9) registra que Juanfoi enviado a Patmos por Domiciano, e que quando os que tinham sido desterradosinjustamente por Domiciano foram liberados por Nerva, seu sucessor (96-98 d. C.), oapóstolo voltou A Efeso. Um depoimento cristão tão antigo induziu aos autores deste Comentário a fixar omomento quando se escreveu o Apocalipse, ao final do reinado de Domiciano, ou sejaantes de 96 d. C. Portanto, é interessante mencionar brevemente um pouco de as condições queexistiam no império, particularmente as que afetavam aos cristãos durante o tempo deDomiciano. Durante seu reinado a questão da adoração do imperador chegou a serpela primeira vez crucial para os cristãos, especialmente na província romana de Ásia,região à qual se dirigiram em primeiro lugar as cartas às sete igrejas. Ver com. cap. 1:1, 11. A adoração do imperador era comum em alguns lugares ao este do marMediterrâneo ainda antes de Alejandro Magno. Este foi deificado e também seussucessores. Quando os romanos conquistaram o Oriente, seus generais e procónsuleseram aclamados com freqüência como deidades. Este costume foi muito mais forte naprovíncia de Ásia, onde sempre tinham sido populares os romanos. Era comum edificartemplos para a deusa Roma, personificación do espírito do império, e com suaadoração se relacionava a dos imperadores. No ano 195 a. C. se lhe erigiu um templo em Esmirna; e no 29 a. C. Augustoconcedeu permissão para a edificação de um templo em Efeso para a adoraçãoconjunta de Roma e de Julio César, e de outro em Pérgamo, para a adoração de Romae de si mesmo. Augusto não promovia sua própria adoração, mas em vista dos desejosexpressados pelo povo de Pérgamo, sem dúvida considerou tal adoração como umaconveniente medida política. Nesse culto a adoração de Roma pouco a pouco chegou aser menos importante, e sobressaiu a do imperador. A adoração deste em nenhuma maneira substituía a dos deuses locais, senão queera adicionada e servia como um meio para unificar o império. Os rituais do culto doimperador não sempre se distinguiam facilmente das cerimônias patrióticas. Em Romase instava a não adorar a um imperador enquanto ainda vivia, ainda que o senadodeificó oficialmente a certos imperadores já mortos. Gayo Calígula (37-41 d. C.) foi o primeiro imperador que promoveu sua própriaadoração. Perseguiu aos judeus porque se #oponer<3> a adorá-lo, e sem dúvidatambém tivesse dirigido sua ira contra os cristãos se tivessem sido o bastantenumerosos em seus dias como para que lhe chamassem o atendimento. Seussucessores foram mais condescendientes, e não perseguiram aos que não osadoravam. O próximo imperador que deu importância a sua própria adoração foi Domiciano(81-96 d. C.). O cristianismo não tinha sido ainda reconhecido legalmente pelo governoromano (ver p. 769), mas ainda uma religião ilegal dificilmente fosse perseguida a nãoser que se #oponer<1> à lei; e isto foi precisamente o que fez o cristianismo.Domiciano tentou com todo empenho que sua pretendida deificación se arraigara namente do populacho, e impôs sua adoração a seus súbditos. O historiador Suetonioregistra que publicou uma carta circular em nome de seus procuradores, que
  8. 8. começava com estas palavras: " "Nosso Senhor e nosso 740 Deus ordena que isto sejafeito" " (Domiciano xlii. 2). Uma passagem não muito claro do historiador romano Deu (História romana lxvii.14. I-3) parece explicar esta perseguição: "E no mesmo ano [95 d. C.] Domiciano matou junto com muitos outros a FlavioClemente o cônsul, ainda que era seu primo e tinha como esposa a Flavia Domitila, queera também parente do imperador. Ambos foram acusados de ateísmo, acusação pelaqual foram condenados muitos outros que tinham adotado costumes judias. Algunsdeles foram morridos, e o resto pelo menos foi despojado de suas propriedades.Domitila só foi desterrada a Pandataria". Ainda que a primeira vista esta passagem parece registrar uma perseguição contraos judeus (e de acordo com o historiador judeu H. Graetz, o primo de Domiciano eraprosélito judeu [History of the Jews, t. 2, pp. 387-389] ), os eruditos sugeriram que emrealidade Flavio Clemente e sua esposa foram castigados por ser cristãos. Desde oponto de vista de um historiador pagão que não conhecia intimamente o cristianismo,"costumes judeus" seria uma descrição lógica do cristianismo, e o "ateísmo" bempoderia representar a negativa dos cristãos de adorar ao imperador. Eusebio (Históriaeclesiástica iii. 18. 4, p. 123) sem dúvida confunde a relação entre Domitila e Clemente,e diz que Domiciano desterrou a uma sobrinha de Clemente, telefonema FlaviaDomitila, porque era cristã. Provavelmente as duas referências são à mesma pessoa, esugerem que a perseguição chegou até a família imperial. Essa perseguição, por negar-se a adorar ante o altar do imperador, sem dúvidaconstitui a razão imediata do desterro de Juan a Patmos, e portanto da redação dolivro do Apocalipsis. Sem dúvida tinham morrido todos os apóstolos, exceto Juan, eeste se achava desterrado na ilha de Patmos. O cristianismo já tinha entrado em suasegunda geração. A maioria dos que tinham conhecido ao Senhor tinham morrido. Aigreja se via frente à mais feroz ameaça externa que tinha conhecido, e precisava umanova revelação de Jesucristo. Portanto, as visões dadas a Juan enchiam umanecessidade específica nesse tempo; e mediante elas o céu foi aberto para a igreja quesofria, e os cristãos que se negavam a inclinar-se ante a pompa e o esplendor doimperador, receberam a segurança de que seu Senhor, já ascendido e ante o trono deDeus, superava infinitamente em majestade e poder a qualquer monarca terrenal quepudesse exigir sua adoração. Ver HAp 464-466. Quanto ao significado do culto aoimperador em relação com a declaração de Juan a respeito do "dia do Senhor", vercom. cap. 1: 10.

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