16 compreendendo as trombetas. apoc. 8, 9

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16 compreendendo as trombetas. apoc. 8, 9

  1. 1. COMPREENDENDO AS TROMBETAS EM SEUS CONTEXTOS Apocalipse 8 e 9 O problema fundamental que os intérpretes futuristas têm com olivro do Apocalipse é sua hipótese de que João descreve os eventos dotempo do fim com uma exatidão fotográfica e com absoluta literalidade.Entretanto, o Apocalipse descreve o que Deus "comunicou" por meio deum anjo a João (Apoc. 1:1). Portanto, tomar com literalidade absoluta asimagens que João apresenta dos eventos futuros é um mal-entendidobásico do Apocalipse que conduz a um quadro especulativo do tempo dofim. João apresenta o futuro em uma linguagem figurada e simbolismocomplexos. Uma chave para entender o estilo literário de João é seumodelo de antecipação e ampliação. Por exemplo, as promessas deCristo aos vencedores nos capítulos 2 e 3 voltam como tendo sidocumpridas nos capítulos 21 e 22. O anúncio da queda de Babilônia nocapítulo 14 se explica mais tarde nos capítulos 16 aos 19. A bestaperseguidora no capítulo 11:7 se descreve mais completamente noscapítulos 13 e 17. João usa a técnica de entrelaçar suas visõesantecipadoras na primeira metade do livro com a narração orientada aofim na segunda metade. O Apocalipse é um corpo coerente, um todoorgânico que mostra uma formosa concepção arquitetônica. O maior desafio é como entender as reiterações manifestas que háno livro. Várias vezes se descreve o fim desta era (Apoc. 1:7; 6:12-17;11:15-19; 14:14-20; 19:11-21; 20:11-15). Estas visões reiterativas do fimsão parte do propósito do autor. Excluem a hipótese de que Joãodescreve a era da igreja em uma seqüência de linha reta. Antes, apresentaperspectivas diferentes do fim. João descreve os 7 selos (caps. 6 e 7), as7 trombetas (caps. 8-11) e as 7 pragas (caps. 16 e 17), como ciclosparalelos que se complementam entre si e que cada vez mais se centramsobre os eventos finais.
  2. 2. Compreendendo as Trombetas em seus Contextos. Apoc. 8, 9 2 O livro do Apocalipse como um todo avança da promessa aocumprimento. Este movimento se parece com um movimento para cimade uma escada em espiral. As séries de selos, trombetas e pragas, cadauma se constrói sobre a outra. Juntas expressam de uma maneira maisadequada a complexidade da era da igreja que qualquer desses ciclos porsi só. Cada ciclo revela sua própria ênfase sobre a apostasia, o juízo e aliberação. Este modelo intensificado reforça a mensagem de esperançapara a acossada igreja de Cristo. Também rebate uma aceitação fatalistade todas as hostilidades. A igreja perseguida deve recordar que o Cristo glorificado édescrito como um Cordeiro todo-poderoso com "sete chifres" (Apoc.5:6). No Antigo Testamento, um "chifre" é o símbolo de poder militar epolítico (Deut. 33:17; Dan. 7:24). A linguagem figurada pouco realistade um cordeiro com 7 chifres, assegura ao povo de Deus que o Cordeirode Deus, aparentemente derrotado, agora tem poder onipotente parajulgar e libertar. Tem esta capacidade porque triunfou sobre Satanás nocéu e na terra por meio de seu testemunho e de sua morte (Apoc. 5:5, 9).Agora lhes volta a assegurar a seus verdadeiros seguidores que elestambém "reinassem sobre a terra" (v. 10). João apresenta a história da apostasia, a perseguição e a libertação,primeiro nos 7 selos e depois nas 7 trombetas (Apoc. 6-9). Como Jesusfoi duas vezes através da era da igreja em Mateus 24 (a: vs. 4-14; b: vs.15-31), assim também observamos como o Cristo ressuscitado repete ostemas básicos de Mateus 24 nos selos e nas trombetas. Enquanto os selosinformam o leitor a respeito dos sofrimentos da igreja, as trombetastratam com os juízos preliminares de Deus sobre os inimigos de seupovo fiel. A Visão Preliminar das Trombetas Em Apocalipse 8:2-6, João apresenta uma visão preliminar em quemostra a origem e o propósito das 7 trombetas. Começa e termina com o
  3. 3. Compreendendo as Trombetas em seus Contextos. Apoc. 8, 9 3anúncio de que há 7 anjos diante de Deus que receberam 7 trombetas(8:2, 6). Este artifício literário, uma inclusão-introdução, marca a visãopreliminar como uma unidade independente. Descreve o ministériointercessor de Cristo e sua terminação. Esta cena do trono celestial em Apocalipse 8 funciona em umaforma similar à visão preliminar aos 7 selos em Apocalipse 5. Como os24 anciões tinham "taças de ouro cheias de incenso, que são as oraçõesdos santos" (5:8), assim João vê em Apocalipse 8 a um anjo que tinha"um incensário de ouro", de pé ante o altar, "e lhe deu muito incensopara acrescentá-lo às orações de todos os santos sobre o altar de ouro queestava diante do trono" (8:3). A petição das orações dos santosmartirizados "sob o altar" mencionou-se nos selos em Apocalipse 6:9 e10. Clamam por vingança divina por causa da injustiça que lhes fez,assim como pelo pacto que Deus tem com eles. Pedem a Deus que seja"fiel" a seu pacto. Dessa maneira, a visão de Apocalipse 8:3 e 4 iguala operíodo de tempo dos selos em Apocalipse 6. A visão se refere aocontínuo ministério intercessor de Cristo no céu, porque recorda a ofertadiária de incenso no serviço do santuário israelita (Êxo. 30:1, 7, 8). O principal tema desta visão preliminar das trombetas é a segurançade que Cristo ouve as orações suplicantes de seu povo oprimido como sedeclara diretamente em Hebreus 4:14-16. Embora as orações de todos ossantos se elevam diretamente a Deus, necessitam o "incenso" essencialdo próprio altar de Deus. Este incenso representa a propiciação divinapor nossos pecados. Disse João a respeito de Cristo: "E ele é a propiciação [hilasmos]por nossos pecados" (1 João 2:2; também 4:10). Ellen White oferece estaaplicação prática: "O universo celestial contempla de amanhã e de tardecada família que ora, e o anjo com o incenso, que representa o sangue daexpiação, acha acesso diante de Deus".1 A visão preliminar termina comuma cena que descreve a finalização do ministério do anjo com oincenso seguido pelo fato de enchê-lo com fogo do altar e lançá-lo naterra, acompanhado pelos trovões, os relâmpagos e um terremoto:
  4. 4. Compreendendo as Trombetas em seus Contextos. Apoc. 8, 9 4 "E o anjo tomou o incensário, encheu-o do fogo do altar e o atirou àterra. E houve trovões, vozes, relâmpagos e um terremoto" (Apoc. 8:5). Em seu ato final, o anjo usa o incensário não mais para a intercessãoe sim para o juízo: fogo sem incenso. Isto indica que as orações dossantos (Apoc. 6:9-11 ) serão respondidas por meio dos juízos sobre aterra, seguidos pela aparição do Juiz de toda a terra em conexão com umterremoto cósmico. Um protótipo surpreendente se encontra emEzequiel, quem descreve uma visão da maldição de Jeová sobre aJerusalém impenitente: "E falou [Jeová] ao homem vestido de linho, dizendo: Vai por entre asrodas, até debaixo dos querubins, e enche as mãos de brasas acesasdentre os querubins, e espalha-as sobre a cidade" (Ezeq. 10:2). O contexto histórico assinala que justamente antes do fatídico ano586 a.C., o Deus de Israel estava abandonando o templo de Jerusalémcom um estrondo poderoso (Ezeq. 10:4, 5, 18). O arrojar as brasas acesassimbolizava a execução do juízo de Deus sobre Jerusalém por meio daguerra e do exílio (Ezeq. 11:8-10). Este juízo foi a manifestação damaldição do pacto se eram desobedientes predita em Levítico 26, o queincluía a destruição de Jerusalém, de seu templo e a dispersão de Israelpor meio das guerras (Lev. 26:31-34). A maldição do pacto implicavaque Deus faria guerra contra seu povo apóstata: "Eu também procedereicontra vós, e vos ferirei ainda sete vezes por seus pecados" (26:24). Nãoobstante, o Deus do pacto proporcionaria misericórdia para os que searrependessem e confessassem seus pecados (vs. 40-45; Ezeq. 11:16-21). No marco histórico de Ezequiel, o pulverizar as brasas acesas dotrono de Deus sobre a terra não simbolizava o juízo final mas ser umjuízo punitivo sobre Israel, com o propósito de levá-los a arrependimento(ver Ezeq. 11:18-20). A visão preliminar de João às 7 trombetas emApocalipse 8:2-6 deve entender-se contra este transfundo de Ezequiel. Avisão de João inclui tanto o tempo de graça como a ira de Deus. A série das trombetas não anuncia meramente a ira final de Deus(esta chega só sob a sétima trombeta), mas também a seqüência de juízosrestringidos, os quais "só" danificarão um terço da terra (11 vezes em
  5. 5. Compreendendo as Trombetas em seus Contextos. Apoc. 8, 9 5Apoc. 8 e 9). Estes juízos parciais das 6 primeiras trombetas são juízosde admoestação preliminares. Admoestam ao mundo quanto às últimaspragas que virão e a ira de Deus sem mistura de misericórdia à conclusãodo Dia da Expiação, quando ninguém pode entrar no templo do céu(Apoc. 15:1, 5-8). As 6 primeiras trombetas ainda saem do altar de ouro de incensoque estão diante de Deus (Apoc. 9:13). Isto sugere que o tempo de graçaainda não terminou durante essas 6 trombetas. O ato simbólico de arrojarfogo do altar sobre a terra indica a iniciação dos juízos de Deus emresposta às orações de súplica dos santos. A seqüência das 6 trombetas(caps. 8 e 9) que culminam na sétima trombeta ou as 7 últimas pragas(caps. 15 e 16), ensinam que os atos simbólicos do anjo diante do altarterão um duplo cumprimento: 1. Calamidades de extensão limitada durante a era da igreja; 2. As últimas pragas, sem misericórdia, sobre os inimigos universais de Cristo e de seu povo. A Relação Entre os Selos e as Trombetas Uma pergunta provocadora é esta: Quando começam as trombetasem relação com os selos que as precedem? São totalmente paralelos estasséries e portanto simultâneas, ou consecutivas, ou só parcialmenteparalelas? Não há uma opinião unânime entre os eruditos bíblicos sobreeste ponto. O Comentário bíblico adventista informa que a interpretaçãoque favorecem os adventistas vê que as "trombetas correspondemcronologicamente, em grande medida, com o período de história cristãque abrangem as sete igrejas (caps. 2 e 3) e os sete selos (6; 8:1), osquais destacam os acontecimentos políticos e militares sobressalentesdeste período".2 Também se menciona o ponto de vista "seqüencial" de acordo como qual os 7 juízos das trombetas se derramam sobre a terra depois daterminação do tempo de graça. Mas este ponto de vista não encontra
  6. 6. Compreendendo as Trombetas em seus Contextos. Apoc. 8, 9 6respaldo no contexto bíblico por parte da "Comissão Adventista sobreDaniel e Apocalipse". Assinala que os eventos da proclamação doevangelho do tempo do fim em Apocalipse 10 e 11:1-14 pertencem àsexta trombeta. Portanto, tira-se a seguinte conclusão: "Osacontecimentos das trombetas ocorrem no tempo de graça, no tempohistórico... Se a sétima trombeta está unida à terminação da obra doevangelho, a dispensa evangélica, então as 6 trombetas precedentesdevem necessariamente soar durante o tempo de graça".3 A opinião que mantém que as trombetas soam depois do tempo degraça se apóia sobre a hipótese de que as trombetas começam só depoisda finalização da visão preliminar de Apocalipse 8:2-6. Este ponto devista supõe que a cena do santuário e as trombetas em Apocalipse 8 estãodescritas em uma seqüência cronológica. Mas esta hipótese não estájustificada em vista do fato de que as outras visões preliminares dosantuário não expiraram antes que comece cada série: a que precede as 7igrejas (Apoc. 1), a que precede os 7 selos (Apoc. 5), e a que precede as7 pragas (Apoc. 15). Todas as visões preliminares seguem ativasdurante cada série. De fato, cada carta às 7 igrejas se refere a Cristocomo aparece na visão inaugural de Apocalipse 1; cada abertura dosselos é o resultado da obra de Cristo na visão de introdução deApocalipse 5; cada uma das 7 pragas são derramadas enquanto ninguémpode entrar no templo (Apoc. 15:8). Por conseguinte, é uma hipótese mais adequada ver a visão do tronode Apocalipse 8:2-6 como a fonte ativa permanente das 7 trombetas. JonPaulien conclui dizendo: "É mais provável que João tinha a intenção deque o leitor visse a intercessão ante o altar de ouro como estandodisponível até o instante quando soasse a sétima trombeta, que leva àconsumação do mistério de Deus (Apoc. 10:7), quer dizer, a terminaçãodo evangelho (Rom. 16:25-27; Ef. 3:2-7; 6:19)".4 O fato de que a quinta trombeta se refira ao "selo de Deus" sobre asfrontes do povo de Deus (Apoc. 9:4), e que por isso parece coincidir como selamento do tempo do fim dos servos de Deus em Apocalipse 7, é
  7. 7. Compreendendo as Trombetas em seus Contextos. Apoc. 8, 9 7uma característica significativa. A referência ao selo de Deus sobre "afronte" indica que a obra do selamento de Apocalipse 7 e a quintatrombeta estão intimamente conectadas. Ambos os eventos podem servistos como contrapartes históricas que acontecem até durante o tempode graça. Também se reconheceu que a sexta trombeta tem um forteparalelo com o selamento de Apocalipse 7 porque esta trombeta descrevegraficamente os equivalentes demoníacos dos 144.000 em umaquantidade assombrosa de tropas (Apoc. 9:13-18).5 É importante observar que a ordem de Deus para o tempo doselamento, "não danifiqueis nem a terra, nem o mar, nem as árvores, atéselarmos na fronte os servos do nosso Deus" (Apoc. 7:3), ainda segueem efeito durante a quinta trombeta (9:4), apesar de que as trombetasanteriores causaram um dano parcial à terra, ao mar e às árvores ("umaterça" parte foi afetada, 8:7-9). A revelação de que o juízo da sexta trombeta vem de parte do anjoque está entre os "quatro ângulos do altar de ouro que se encontra napresença de Deus" (Apoc. 9:13), indica que as 6 primeiras trombetasabrangem todo o tempo de graça da era da igreja. O que cada trombetadescreve com referência à história humana real, deve determinar-se poruma aplicação cuidadosa de cada trombeta à história política e religiosada igreja cristã do Império Romano até nossos dias. As trombetas nãodevem ser consideradas por si mesmas, isoladas do amplo contexto doApocalipse se queremos evitar conclusões especulativos. A Opinião de que as Últimas Pragas Caem Depois do Tempo de Graça O conteúdo da sétima trombeta se revela nas 7 pragas do juízo finalde Deus (Apoc. 15, 16). Isto se dá a entender ao contar explicitamente as3 últimas trombetas como três "ais" sobre os moradores da terra (8:13). A quinta e a sexta trombetas se caracterizam como o primeiro esegundo "ai" (Apoc. 9:12; 11:14), como o anúncio de que o "terceiro ai
  8. 8. Compreendendo as Trombetas em seus Contextos. Apoc. 8, 9 8vem logo" (11:14). Entretanto, a sétima trombeta não inclui nenhum ai,exceto a declaração de que chegou "o tempo de julgar aos mortos, e dedar o galardão a seus servos... e de destruir os que destroem a terra"(11:18). Portanto, alguns intérpretes deduziram que a sétima trombetanão está de todo incluída no terceiro ai. Mas outros assinalamcorretamente à revelação posterior de João de que as 7 pragas serão o"último ai", porque nelas "está consumada a ira de Deus" (15:1). IsbonT. Beckwith comenta a respeito: "A admissão das taças com as pragascomo o terceiro ai tem uma relação importante sobre a questão dacomposição do Apocalipse".6 A série das trombetas estáinextricavelmente entretecida com as 7 últimas pragas por meio dodesenho dos três ais de João. De modo que, a porção maior doApocalipse, os capítulos 8 a 19 constituem uma unidade que desdobrauma ordem sucessiva dos juízos de Deus. O ponto crítico nesta seqüência cronológica é o começo das 7últimas pragas, descritas como que nelas "está consumada a ira de Deus"(Apoc. 15:1; 14:10). O termo "puro" [akrátou, sem diluir] indica que aira de Deus se manifestará em "sua força total" nas 7 últimas pragas(14:10, NBE). Isto significa que a justiça já não está unida com a graça em "ocálice de sua ira". João recalca a advertência de que o que rechace amensagem final de Deus será "atormentado com fogo e enxofre, diantedos santos anjos e do Cordeiro" (Apoc. 14:10). Isto nos recorda o juízode Deus sobre Sodoma e Gomorra (ver Gên. 19:24, 25), e confirma oconceito de que as pragas chegam depois que terminou o tempo de graça.A declaração, "e a fumaça de seu tormento sobe pelos séculos dosséculos" (Apoc. 14:11), recorda-nos a destruição divina de Edom comouma "retribuição no pleito de Sião" (Isa. 34:8-10). Alude-se em formapatente a estes juízos do Antigo Testamento como tipos doderramamento final da ira de Deus nas 7 últimas pragas.
  9. 9. Compreendendo as Trombetas em seus Contextos. Apoc. 8, 9 9 Uma indicação específica do momento decisivo da história dasalvação com as últimas pragas é a revelação de que ninguém podeentrar no templo celestial durante esse tempo: "A fumaça da glória de Deus e de sua potência encheu o santuário;ninguém podia entrar nele até que não se terminassem as sete pragas dossete anjos" (Apoc. 15:8, NBE). Este texto ensina que quando tiver chegado o tempo de Deus, aspragas não podem ser demoradas mais pelas orações de intercessão. A"fumaça da glória de Deus" recorda-nos a nuvem da shekinah que semanifestava no templo do Israel como a presença visível de Deus (ver 2Crôn. 5:13, 14; 7:1, 2; Ezeq. 10:2-4). Quando Isaías viu o Senhorsentado sobre um trono enquanto o templo "encheu-se de fumaça" (Isa.6:1, 4), recebeu mensagens de condenação para o Israel apóstata (vs.9-13). De modo parecido, João vê a fumaça vindo das taças de ouro"cheias da ira de Deus" (Apoc. 15:7). O significado é evidente: "O tempopara a intercessão terminou. Deus, em sua majestade e poderinacessíveis, declarou que o fim chegou. Já não permanece chamando:entra para atuar em juízo soberano".7 Se as 7 últimas pragas constituírem os ais da sétima trombeta, istodá a entender que as 6 trombetas prévias simbolizam os juízospreliminares de Deus que têm lugar durante a época da igreja. Se osjuízos das pragas assinalam o começo do tempo em que já não há graça,então os juízos das trombetas caem dentro do tempo de graça eabrangem a época da igreja. Este entrelaçamento das trombetas e aspragas apresenta um panorama telescópico que João condensou em suavisão preliminar do trono de Apocalipse 8:2-5. Comparação das Visões Preliminares das Trombetas e das Pragas É significativo que as série das trombetas e das pragas estãoarraigadas em uma visão específica do santuário: Apocalipse 8:2-5 e
  10. 10. Compreendendo as Trombetas em seus Contextos. Apoc. 8, 9 1015:1, 5-8. Tanto suas distinções como suas características comuns estãocheias de significado. A visão que João teve do altar em Apocalipse 8revela dois cenários sucessivos, um de oração intercessora com incensoante o altar (Apoc. 8:3, 4), seguida por uma em que se arroja fogo à terrapor meio do incensário (v. 5). Deste modo, esta visão une o serviçomediador de Cristo no altar do incenso com sua obra final de juízo porfogo. A visão termina com uma descrição da vinda de Deus à terra: "Ehouve trovões, e vozes, e relâmpagos, e um terremoto" (v. 5). JonPaulien sintetiza ambos os cenários: "As [advertências das trombetas]simbolizam os juízos atuais de Deus que constituem uma advertência dejuízos maiores que têm que vir".8 As trombetas e as pragas se relacionamentre si como tipos históricos locais ao antítipo mundial. A sétima trombeta termina com uma visão do templo que mostrauma assinalada progressão com a de Apocalipse 8. João vê o templo deDeus no céu outra vez aberto, mas agora contempla "o arca de seupacto" seguida por "trovões, relâmpagos, um terremoto e grande granizo"(Apoc. 11:19). A seqüência é evidente. O foco de atenção mudou doaltar celestial de incenso em Apocalipse 8 até o arca do pacto de Deus,que no templo de Israel estava colocada no lugar santíssimo. Esta seqüência progressiva aponta ao Dia da Expiação nos serviçosdo tabernáculo do Israel (ver Lev. 16). No último dia, Deus separava oarrependido do impenitente: "Porque toda pessoa que não se afligir nestemesmo dia, será eliminada de seu povo" (Lev. 23:29). A visão do templo onde aparece o arca em Apocalipse 11:19 seamplia adicionalmente em Apocalipse 15:5-8, onde se descreve oministério de juízo dos 7 anjos. Quando esses anjos derramaram suastaças da ira de Deus sobre a terra, a voz de Deus exclama desde seutrono: "Feito está. Então houve relâmpagos e vozes e trovões, e umgrande tremor de terra... E caiu do céu sobre os homens um enormegranizo" (Apoc. 16:17, 18, 21). Esta descrição final se compara com a deApocalipse 11:19, dando à sétima trombeta a mesma terminação como aque tem a sétima praga. Dessa maneira as trombetas continuam nas
  11. 11. Compreendendo as Trombetas em seus Contextos. Apoc. 8, 9 11últimas pragas. E tanto as trombetas como as pragas estão implantadasna visão do trono de Apocalipse 8:2-5. Jon Paulien o declara bem em suarecapitulação: "O livro do Apocalipse flui em forma natural... de um panorama da cruza um panorama da inauguração do ministério de Cristo à luz da cruz (Apoc.5), até um quadro do ministério intercessor que resulta disso (Apoc. 8:3, 4), eem última instância ao juízo que antecede o fim (Apoc. 11:18, 19). Estaordem de eventos é característico de todo o Novo Testamento".9 As descrições da teofania final em Apocalipse 11:19 e 16:17-21mostram o característico adicional de uma enorme tormenta de granizonão incluída em Apocalipse 8:5. O significado deste acréscimo pode ver-se no fato de que o "granizo" era uma parte essencial das guerras santasde Deus contra seus inimigos (Jó 38:22, 23): contra Egito (Êxo. 9:18,22-26), contra os amorreus (Jos. 10:11), contra os inimigos do Davi (Sal.18:12-14), contra um Israel apóstata e rebelde (Isa. 28:2, 17) e contraJudá (Ezeq. 13:11, 13). Especialmente, a predição de Ezequiel de que Deus lutará contraGogue e suas nações aliadas, por sua ardente ira com "um grande tremorsobre a terra" junto com "impetuosa chuva, e pedras de granizo, fogo eenxofre" (Ezeq. 38:19, 22), é significativo. O cumprimento da últimaguerra santa que Ezequiel apresenta, e que o Apocalipse explica como"Armagedom" (Apoc. 16:13-16), não terá lugar durante as 6 primeirastrombetas, e sim durante as últimas pragas. Richard Bauckhaminterpretou a ampliação gradual do terremoto escatológico e do granizoem Apocalipse 8:5, 11:19, 15:5 e 16:17-21 da seguinte maneira: "O desenvolvimento progressivo da fórmula harmoniza com aseveridade cada vez major de cada série de juízos, quando as visões seenfocam mais estreitamente sobre o próprio Fim e as advertências limitadasdos juízos das trombetas dão lugar às sete últimas pragas da ira de Deussobre os que finalmente são impenitentes".10 Os juízos das trombetas revelam algo da paciência angustiosa deDeus com seus inimigos. O aumento gradual da intensidade dos juízosde Deus mostra a reticência divina para pôr fim ao tempo de graça. Aqui
  12. 12. Compreendendo as Trombetas em seus Contextos. Apoc. 8, 9 12se aplicam as palavras do Pedro: "O Senhor não retarda sua promessa,segundo alguns a têm por tardança, mas sim é paciente para conosco,não querendo que nenhum pereça, mas que todos procedam aoarrependimento" (2 Ped. 3:9). Uma Teologia dos Selos e das Trombetas Qual é o significado teológico dos selos e das trombetas? Oconteúdo de cada série mostra que está dirigido a diferentes classes depessoas. Os selos se centram sobre os mártires que foram mortos porcausa de seu testemunho à Palavra de Deus e o testemunho de Jesusdurante a era da igreja (Apoc. 6:9-11). Seu clamor, "Até quando...?",indica que a perseguição contra os cristãos continuou por um tempoprolongado. Os primeiros 4 selos predizem as perseguições dos cristãosdevidas à sinagoga (2:9; 3:9) e a Roma pagã (1:9; 2:10, 13). O quinto selo estende a perseguição dos santos além da Romaimperial até que termine a tribulação final (Apoc. 6:11; 7:14). A frase doanjo: "Que descansassem ainda um pouco de tempo", corresponde ao"pouco tempo" atribuído ao diabo em Apocalipse 12:12, e também seestende até a segunda vinda de Cristo. Os selos ensinam que odiscipulado de Cristo inclui sofrer por Cristo (ver Apoc. 1:9). LeãoMorris expressou bem esta lição: "As palavras de João [em Apoc. 6:9] são um recordativo de que atravésda história houve uma hostilidade persistente por parte dos que exercem opoder para os cristãos profundamente comprometidos. Manifesta-se hoje,como em outros períodos, e será assim até o fim do tempo".11 Mas o Cordeiro que abre cada selo do livro é ao mesmo tempo oLeão vencedor da tribo do Judá (Apoc. 5:5; 6:1). Ele está em pé ao fimdos selos para julgar a todos os homens (6:15-17; cf. Mat. 25:31-46). Oreino da glória vem só depois da grande tribulação (Apoc. 7:9-17). Aexistência cristã é viver com a tensão do sofrimento e a esperança doreino de Cristo. Graeme Goldsworthy observa com perspicácia:
  13. 13. Compreendendo as Trombetas em seus Contextos. Apoc. 8, 9 13 "Reflete o sofrimento do Cordeiro e antecipa a consumação do reinopor meio da vitória do Leão".12 O quinto selo consola os que se sacrificam a si mesmos por causade Cristo. O clamor dos mártires não é por uma vingança encarniçadamas sim pela vindicação de sua fé em Deus e na causa de Cristo pelaqual foram mortos. Os mártires esperam a execução da justiça sobre "os que moram naterra". Os juízos descritos nos selos não devem entender-se como juízosdiretos de Deus, mas sim como as ações malvadas dos perseguidores, "osmoradores da terra", um termo usado no Apocalipse como um termotécnico para designar a todos os que sucumbiram à adoração idolátrica(Apoc. 13:8, 12; 17:2, 8). O clamor dos santos não se dirige a algunsjuízos preliminares a não ser ao pronunciamento final do juízo de Deusem seu favor. Solicitam o cumprimento disposto da cena do juízo deDaniel: "Eu olhava e eis que este chifre fazia guerra contra os santos eprevalecia contra eles, até que veio o Ancião de Dias e fez justiça aos santosdo Altíssimo; e veio o tempo em que os santos possuíram o reino" (Dan.7:21, 22; ver também Deut. 34:23). Os mártires assassinados até estão clamando hoje a Deus para quecumpra suas promessas. Tais orações persistentes reclamando justiça dãopor sentado a fidelidade de Deus, "o Senhor santo e verdadeiro" (Apoc.6:10). A mensagem dos selos denota que Cristo decide quem são osherdeiros legítimos do reino de Deus, quais a sua vista constituem overdadeiro "povo dos santos do Altíssimo", e a quem "o reino e odomínio e a majestade debaixo de todo o céu" será dado (Dan. 7:27).Este assunto fundamental é a preocupação pastoral de todo o Apocalipse. Na visão introdutória das trombetas, João viu como "as orações detodos os santos" sobre a terra subiam diante de Deus com a fumaça doincenso celestial (Apoc. 8:3, 4). O céu responderá a essas orações dossantos que sofrem arrojando "fogo" do altar à terra. Isto representa juízosespecíficos que limitam ou incapacitam os poderes perseguidores do
  14. 14. Compreendendo as Trombetas em seus Contextos. Apoc. 8, 9 14mundo até que os juízos universais trazem a destruição final. Danieldisse ao rei de Babilônia que o Deus de Israel "muda os tempos e asestações; tira reis e põe reis" (Dan. 2:21). Esta soberania ativa de Deus sedeclara simbolicamente por meio das 7 trombetas da época da igreja. Asapresentações das trombetas recordam especialmente as pragas do Egito.Deus enviou as 10 pragas em resposta ao clamor de seu povo: "ouvi seuclamor..." (Êxo. 3:7), o que nos recorda que os juízos de Deus sederramam em defesa de seu povo do pacto. Isto é patente especialmentese compararmos a quinta trombeta com o quinto selo. Enquanto o quinto selo (Apoc. 6:9-11) centra-se sobre a petição dossantos martirizados, a quinta trombeta descreve os juízos sobre o mundoincrédulo, só sobre os que não têm "o selo de Deus em suas frontes"(9:4). As 3 últimas trombetas inclusive se caracterizam como "ais" para"os habitantes da terra", a população ímpia do mundo (11 :10; 13:8, 12;17:2, 8). Este contraste básico entre os selos e as trombetas indica que asduas seqüências proféticas se enfocam sobre diferentes pessoas,enquanto que se comparam mutuamente. Ambas as séries sãocomplementares. Juntas formam um quadro mais completo da era daigreja. Enquanto que os selos levantam a questão inquietante do por queDeus parece ser tão passivo a respeito da sorte de seu povo açoitado, astrombetas asseguram que Cristo está comprometido ativamente nomundo. Alcança a seus inimigos até que se termina sua paciência. Seujuízo chega a ser definitivo com a sétima trombeta, quer dizer, com as 7pragas. As trombetas apontam para trás à liberação de Israel do Egito. Opropósito das pragas do Egito era convencer a Faraó que significavam "odedo de Deus" (Êxo. 8:19) e que devia deixar ir a Israel para queadorassem a seu Deus (10:7). De igual maneira, o propósito dos juízosdas trombetas é convencer ao mundo ímpio que Cristo está a favor deseu povo e chama todos os homens a que se arrependam. MichaelWillcock assinalou este aspecto das trombetas:
  15. 15. Compreendendo as Trombetas em seus Contextos. Apoc. 8, 9 15 "Os selos mostraram à igreja sofredora suplicando para que se façajustiça. Mas as trombetas mostram que se oferece misericórdia ao mundoímpio. A oferta não é aceita, e de fato, o mundo não se arrependerá (Apoc.9:20 e seguintes); mas nunca poderá dizer-se que Deus não fez tudo o queestava em suas mãos, inclusive até a devastação de sua terra uma vezperfeita, para fazer entrar em razão aos homens".13 Esta exortação ao arrependimento sobre os inimigos do povo deCristo é o significado teológico dos selos e das trombetas. As Trombetas como Juízos Divinos de Fogo O símbolo de lançar fogo do altar celestial à terra em Apocalipse8:5 é desafiante. O simbolismo se repete em Apocalipse 14, onde "saiudo altar outro anjo, que tinha poder sobre o fogo" e anunciou que as uvasda terra seriam arrojadas "no grande lagar da ira de Deus" (Apoc. 14:18,19). Esta conexão com Apocalipse 14 indica que a visão preliminar dastrombetas em Apocalipse 8 prevê que todas as trombetas chegam até asegunda vinda de Cristo. Apocalipse 14 mostra que a ira de Deuspermanece "fora da cidade" (V. 20), quer dizer, fora do "monte Sião",sobre o qual estão em pé o Cordeiro com os 144.000 selados (v. 1). Portanto, o fogo do altar celestial não vem como uma destruiçãoindiscriminada, mas sim como um juízo severo para rechaçar os indignose proteger os fiéis. Tais experiências terríveis por fogo já tinhamocorrido antes, quando Deus fez chover fogo sobre a Sodoma eGomorra, enquanto que a família de Ló foi vindicada (Gên. 19:24-29), ede novo quando "saiu fogo de diante do Jeová" e consumiu os 250homens que ofereciam o incenso deixando ilesos os outros israelitas(Núm. 16:35). Também Sadraque, Mesaque e Abede-Nego sofreramuma dura prova de fogo, durante a qual foram protegidos dentro do fornode fogo ardendo, enquanto que o fogo matou os soldados os arrojaramdentro (Dan. 3:19-23).
  16. 16. Compreendendo as Trombetas em seus Contextos. Apoc. 8, 9 16 O incêndio da cidade de Jerusalém no ano 70 foi uma dura prova defogo (ver Mat. 22:7), na qual os que rechaçaram a Cristoexperimentaram calamidades terríveis enquanto que os crentes cristãosescaparam ao castigo (Luc. 21:20-23). Paulo também descreve o juízofinal como uma tremenda prova por meio de fogo com respeito à obra decada um, "pois pelo fogo será revelada; e a obra de cada um qual seja, ofogo a provará" (1 Cor. 3:13). Para os que rechaçam a Cristo, osapóstolos esperavam só um horrendo juízo e um "fervor de fogo que temque devorar os adversários" (Heb. 10:26-29), porque "nosso Deus é fogoconsumidor" (Heb. 12:29; ver também 2 Tes. 1:5-8). Então podemos entender o ato de arrojar fogo do céu à terra emApocalipse 8:5 como representando as duras provas enviadas pelo céuque discriminam entre o justo e o malvado. O propósito final destesjuízos sucessivos é desqualificar os que quebrantam o pacto e definir osherdeiros legítimos do reino de Deus. Esta descrição simbólica dos juízos das trombetas toma o motivo doêxodo do Israel e sua viagem pelo deserto rumo à terra prometida. Emparticular, os 7 toques de trombeta em Apocalipse 8 e 9 nos recorda daconquista do Jericó por parte dos israelitas. Então o assunto era: Quaissão os herdeiros legítimos da terra prometida? Ellen White explicou que"Deus estava para estabelecer Israel em Canaã, desenvolver entre elesuma nação e governo que fossem uma manifestação de Seu reino naTerra".14 De acordo com o mandato divino, "consumiram com fogo a cidadee tudo o que nela havia" (Jos. 6:24). Mas Raabe e sua família foramperdoados por causa de sua fé no Deus de Israel. Desta maneira, Israelherdou o "reino" de Jericó, enquanto os condenados foram despojados daterra. Da mesma maneira, quando os inimigos de Deus forem derrotadosdurante as trombetas apocalípticas (Apoc. 8 e 9), a última trombetaanuncia: "O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do seu Cristo, e elereinará pelos séculos dos séculos" (Apoc. 11:15).
  17. 17. Compreendendo as Trombetas em seus Contextos. Apoc. 8, 9 17 Esta proclamação triunfante revela o motivo subjacente de toda asérie das trombetas: Quem é digno de herdar o reino do mundo? O gritocósmico de vitória significa o cumprimento do reino do Messias deDeus, como é prometido nos salmos messiânicos (por exemplo, os Sal. 2e 110). Antes que se realize esta meta da história, os "moradores daterra" devem ser primeiro desqualificados pelas repetidas quedas de seusreinos por meio dos terríveis juízos divinos. As trombetas apresentamestes juízos como terríveis prova históricas. As Trombetas como Pragas Preliminares sobre um Mundo Hostil As trombetas descrevem os juízos de Deus fazendo alusões àsantigas pragas do Egito: O primeiro toque de trombeta envia "granizo e fogo misturadoscom sangue, que foram lançados sobre a terra" (Apoc. 8:7). Isto serefere à sétima praga do Egito (Êxo. 9:22-26) que foi enviada por motivoda libertação de Israel. A segundo trombeta joga uma grande montanhano mar, de modo que "a terça parte do mar se converteu em sangue, emorreu a terça parte dos seres viventes que estavam no mar" (Apoc. 8:8,9). Isto é uma alusão à primeira praga do Egito, quando Moisés feriu orio Nilo com sua vara e "todas as águas que havia no rio se converteramem sangue" (Êxo. 7:20, 21). O toque da terceira trombeta envia umaestrela ardendo sobre "a terça parte dos rios, e sobre as fontes das águas"de maneira que as águas se fizeram absinto, matando a muitos homens(Apoc. 8:10, 11 ). Isto tem alguma semelhança com o fato de que osegípcios não podiam beber a água do Nilo (Êxo. 7:21). A quartatrombeta faz que uma teça parte do sol, da lua e das estrelas seescureçam na terça parte do dia e da noite (Apoc. 8:12). Este fenômenonos recorda da nona praga, que causou densas trevas sobre toda a terrado Egito por três dias (Êxo. 10:21-23). A quinta trombeta faz quelagostas diabólicas torturem as pessoas por 5 meses (Apoc. 9:1-11). Istoalude à oitava praga do Egito, quando as lagostas devoraram "toda a erva
  18. 18. Compreendendo as Trombetas em seus Contextos. Apoc. 8, 9 18da terra, e todo o fruto das árvores" (Êxo. 10:13-15). A sexta trombetaenvia uma cavalaria monstruosa do rio Eufrates que mata a "a terça partedos homens" (Apoc. 9:13-19). Um juízo assim corresponde à décimapraga, quando o anjo da morte enviado por Deus causou a morte detodos os primogênitos do Egito, "para que saibam que Jeová fazdiferença entre os egípcios e os israelitas" (Êxo. 11:7). Ao mesmo tempo que lemos que a cada praga que caiu sobre oEgito Faraó endureceu seu coração para não deixar ir a Israel, assimtambém lemos depois da sexta trombeta: "Os outros homens, aquelesque não foram mortos por esses flagelos, não se arrependeram das obrasdas suas mãos, deixando de adorar os demônios e os ídolos de ouro, deprata, de cobre, de pedra e de pau... nem ainda se arrependeram dos seusassassínios, nem das suas feitiçarias, nem da sua prostituição, nem dosseus furtos" (Apoc. 9:20, 21). A semelhança literária das trombetas com as pragas do Egito nosdiz que as trombetas não são fundamentalmente desastres naturais oucalamidades gerais, e sim as maldições do Deus do pacto sobre seusinimigos. Da vitória de Cristo sobre Satanás, o príncipe deste mundo(João 12:31; 14:30; 16:11; 2 Cor. 4:4), Cristo esteve atuando para voltara estabelecer o reino de Deus na terra: "Porque preciso é que ele reine atéque tenha posto a todos seus inimigos debaixo de seus pés" (1Cor.15:25). O ministério intercessor de Cristo no céu inclui sua paciênciaredentora para com seus inimigos. As trombetas anunciam os limites desua paciência e a contínua derrocada dos reinos malignos antes de suavinda. As trombetas revelam a incapacidade dos reinos humanos e osincapacita. Depois, a sétima trombeta declara: "O reino do mundo setornou de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dosséculos" (Apoc. 11:15).
  19. 19. Compreendendo as Trombetas em seus Contextos. Apoc. 8, 9 19 O Criador Continua Sendo o Governante da Terra As trombetas sugerem a ruína gradual da obra da criação. O juízode cada trombeta se refere a um característico que corresponde a um diada semana da criação: (1) a terra; (2) o mar; (3) os rios e as fontes daságuas; (4) o Sol, a Lua e as estrelas; (5) as lagostas; (6) o homem; (7) oreino. Desde esta perspectiva os juízos das trombetas tocam todos os 6dias da criação. A destruição progressiva da criação de Deus podeentender-se como uma desqualificação dos atuais habitantes do mundo: "O significado destas referências à criação [em Apoc. 8-9], sem dúvidaalguma indicam que Cristo está estabelecendo seu reino sobre cada aspectoda criação, e que todos os herdeiros falsos, embora exerçam temporalmenteo domínio, serão despojados".15 Entretanto, Cristo não destrói sua própria criação. Só proporcionaoportunidade a Satanás, cujo nome tanto em hebraico como em grego é"destruidor" (Apoc. 9:11 ). Satanás destrói o que Deus criou. Nenhumapassagem no Apocalipse descreve mais graficamente este caráterdemoníaco que a quinta e a sexta trombetas (cap. 9). Podemos esperarque aconteça isto cada vez mais no curso da história, especialmente notempo do fim. João não espera que apliquemos em forma literal esta descrição delagostas e cavalos que atormentam. Deseja que compreendamos queDeus usa inclusive os poderes do mal e de Satanás como seusinstrumentos de juízo para expor o mal oculto de seus adversários. As trombetas mostram que a igreja não deve esperar que oevangelho vá criar paz no mundo e vá dissipar a idolatria (ver Apoc.9:20, 21). De fato, a segunda metade do Apocalipse revela que oevangelho será cada vez mais escurecido pelos espíritos malignos queprocedem da boca do dragão, da boca da besta e da boca do falso profeta(16:13). O propósito da atividade dos espíritos de demônios é enganar ahumanidade por meio de sinais milagrosos e dessa maneira unir aomundo em uma rebelião contra seu Criador.
  20. 20. Compreendendo as Trombetas em seus Contextos. Apoc. 8, 9 20 Tanto Jesus como Paulo predisseram que o tempo do fim estariamarcado por uma manifestação crescente de engano demoníaco por meiode sinais e milagres (ver Mat. 24:24; 2 Tes. 2:9-12). Esta atividadeintensificada dos espíritos de demônios é colocada no Apocalipse comoa contraparte do reavivamento da obra do Espírito Santo, tal como sedescreve em Apocalipse 18:1-4. Em contraste com o escurecimento docéu "pela fumaça do poço" do abismo (9:2), aparece o anjo do Senhorque tem grande autoridade para iluminar a terra com sua glória (18:1). Este contraste nos leva a considerar as últimas trombetas deApocalipse 9 dentro do grande plano de Deus, tal como se desenvolvenas visões do tempo do fim em Apocalipse 12 a 20. Estas visões revelamo objetivo oculto dos espíritos demoníacos, que consiste em conduzir atodo mundo a seu último ataque contra os seguidores do Cordeiro deDeus (13:15-17; 20:7-9). Nesse desenvolvimento final do grande conflitoentre Deus e Satanás, "tudo o que não esteja ocupado pelo Espírito deDeus, chegará a estar ocupado pelos espíritos de demônios".16 Referências A Bibliografia para Apocalipse 8 e 9 encontra-se nas páginas 245-246. 1. Ellen White, 7 CBA 982 (T. 7-A, P. 412). 2. 7 CBA 804. 3. Holbrook, Symposium on Revelation – Book 1, p. 181. 4. Paulien, "Seals and Trumpets: Some Current Discussions", Simpósio sobre o Apocalipse, T. 1, p. 195. 5. Ver Paulien, Ibid., p. 196. 6. Beckwith, Isbon T. The Apocalypse of John. p. 671. 7. Mounce, The Book of Revelation, p. 290. 8. Paulien, Decoding Revelations Trumpets. Literary Allusions and Interpretation of Revelation 8:7-12, p. 208. 9 Paulien, "Seals and Trumpets: Some Current Discussions", Simpósio sobre o Apocalipse, t. 1, p. 197.
  21. 21. Compreendendo as Trombetas em seus Contextos. Apoc. 8, 9 21 10. Bauckham, The Climax of Prophecy. Studies on the Book of Revelation, p. 204. 11. Morris, The Revelation of St. John, p. 108. 12. Graeme Goldsworthy, The Lamb and the Lion. The Gospel in Revelation [O Cordeiro e o Leão. O Evangelho no Apocalipse] (Nashville: T. Nelson Publishers, 1984), p. 33. 13. Michael Wilcock, I Saw Heaven Opened [Vi o céu aberto] (Downers Grove, IL: Intervarsity Press, 1975), p. 95. 14. Ellen White, PP 492. 15. Rusten, A Critical Evaluation of Dispensational Interpretations of the Book of Revelation, t. 2, p. 370. 16. D. Ford, Crisis! A Commentary on the Book of Revelation, t. 2, p. 417.

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