A TRIBULAÇÃO PREDITA E A ESPERANÇA PARA A                    IGREJA     O Novo Testamento ensina que a Igreja, a despeito ...
A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja                       2ao fim do qual ocorre a segunda vinda de Cristo pa...
A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja                       3"aguardando a bendita esperança e a manifestação [...
A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja                           4bendita esperança da Igreja. Esse evento toma ...
A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja                          5Israel estava em angústia por causa da diáspora...
A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja                           6tribulação, lavaram suas vestiduras e as alvej...
A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja                        7final do anticristo (ver 1 Tessalonicenses 3:3; 1...
A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja                      8rebanhos, que veio para ajuntar tanto os judeus qua...
A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja                        9mesmo verbo grego em João 17:15, onde Ele coloca ...
A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja                         10de maneira mais completa: "Pelo senso comum, im...
A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja                        11na Sua morte. A fim de eliminar a força dessa co...
A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja                        12paralambanein é a mesma daquela que é usada em M...
A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja                    13     Contudo, o dispensacionalismo exclui Lucas de s...
A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja                       14     Cristo então mencionou uma segunda espécie d...
A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja                     15cidade condenada. Jerusalém seria destruída de acor...
A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja                       16     Parece impossível interpretar a descrição de...
A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja                    17não meramente de uma "abominação" vindoura, mas de u...
A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja                        18          A Resposta de Paulo à Expectativa da I...
A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja                      19tribulação de Israel e "Naquele dia...vós, ó filho...
A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja                         20      Os esforços dos escritores dispensacional...
A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja                        21                                 36religiosa, um...
A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja                      22uma parousia e arrebatamento pós-tribulacionista, ...
A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja                          23    14 Ladd, The Blessed Hope, p. 73.    15 Wa...
A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja                         24    34. R. H. Gundry, em The Church and the Tri...
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

12 tribulação e a esperança da igreja

2.600 visualizações

Publicada em

0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
2.600
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
314
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
63
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

12 tribulação e a esperança da igreja

  1. 1. A TRIBULAÇÃO PREDITA E A ESPERANÇA PARA A IGREJA O Novo Testamento ensina que a Igreja, a despeito de esperarapostasia e tribulação, deveria olhar adiante para a bendita esperança dosegundo aparecimento de Cristo. Ele retornará do céu com a glóriadivina para ressuscitar os que morreram Nele, para salvar os justos vivose destruir o opressivo anticristo: ...aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para asalvação (Hebreus 9:28). Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida avoz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e osmortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os queficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, enfie nuvens, para oencontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com oSenhor (1 Tessalonicenses 4:16, 17. ...se, de fato, é justo para com Deus que ele dê em paga tribulação aosque,vos atribulam e a vós outros, que sois atribulados, alivio juntamenteconosco, quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seupoder (2 Tessalonicenses 1:6, 7. ...então, será, de fato, revelado o iníquo, a quem o Senhor Jesusmatará com o sopro de sua boca e o destruirá pela manifestação de suavinda (2 Tessalonicenses 2:8). Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mastransformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar de olhos,ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarãoincorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque é necessário que estecorpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal serevista da imortalidade. E, quando este corpo corruptível se revestir deincorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então, secumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória (1Coríntios 15:51-54). De acordo com a escatologia dispensacionalista, a segunda vinda deCristo deve ser dividida em dois eventos: o arrebatamento secreto daIgreja, que pode acontecer a qualquer momento, seguido por sete anos,
  2. 2. A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja 2ao fim do qual ocorre a segunda vinda de Cristo para destruir oanticristo. Durante esses sete anos intermediários, a grande tribulaçãopara o povo judeu (o Israel nacional) tomará lugar. No arrebatamento,antes dessa tribulação, Cristo vem apenas para os santos (ver João 14:3).Na gloriosa parousia ou epiphaneia (aparecimento), Cristo vem com ossantos (ver 1 Tessalonicenses 3:13). Para encurtar, este é o programa deeventos ensinado pelos dispensacionalistas pré-tribulacionistas. Se o programa não está baseado em uma exegese bíblicaresponsável, mas imposto sobre as Santas Escrituras por uma doutrinapreconcebida da separação entre Israel e a Igreja, então uma comparaçãocuidadosa de Escritura com Escritura deveria estabelecer a verdadeirabendita esperança do povo de Cristo e sua relação com a tribulação final.Tão logo for determinado pela Bíblia que o "arrebatamento" e o"glorioso aparecimento" não são dois eventos separados, mas um únicoadvento glorioso, a doutrina de um iminente arrebatamento pré-tribulacionista, demonstrar-se-á uma concepção defectiva e umaesperança mal orientada. A Bendita Esperança da Igreja O Novo Testamento emprega três termos gregos para descrever osegundo advento de Cristo: parousia (vinda), apocalypsis (revelação) eepiphaneia (aparecimento). A parousia de Cristo é descrita em 1 Tessalonicenses 3:13; 4:15-17;2 Tessalonicenses 2:8 e Mateus 24:27. Uma comparação dessaspassagens torna claro uma coisa: a parousia de Cristo redundará nãoapenas no arrebatamento da Igreja e na ressurreição dos justos que entãoestiverem mortos, mas também na destruição do anticristo, o homem dopecado. Em 2 Tessalonicenses 2:8 Paulo fala da "manifestação de suavinda (literalmente: "a epiphaneia de sua parousia"), assim apontandopara a parousia como um evento dramático e glorioso. Esse gloriosoaparecimento de Cristo é, para o apóstolo, a bendita esperança da Igreja:
  3. 3. A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja 3"aguardando a bendita esperança e a manifestação [epiphaneia] da glóriado nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus" (Tito 2:13). Cristo atémesmo comparou a Sua parousia ao aparecimento do relâmpago que saido oriente e se mostra até no ocidente, enfatizando novamente um eventovisível que será evidente a todas as pessoas (ver Mateus 24:27). Nenhum traço secreto, invisível ou instantâneo de arrebatamento daIgreja será encontrado no Novo Testamento. Pelo contrário, 1Tessalonicenses 4:15-17 sugere o próprio oposto: "palavra de ordem","voz do arcanjo", "a trombeta de Deus", "os mortos em Cristoressuscitarão" (ênfase acrescentada). Os santos vivos serão "tomados"(arrebatados) juntamente com os santos ressurretos para encontrar com oSenhor nos ares. Nenhuma palavra sobre segredo ou invisibilidade, oumesmo acerca de arrebatamento instantâneo é encontrado aqui. Paulo,em 1 Coríntios 15, revela o mistério de que a Igreja será "transformada"da mortalidade para a imortalidade "num momento, num abrir e fecharde olhos, ao ressoar da última trombeta" (verso 52). É a transformaçãoque será instantânea, de acordo com Paulo, não o arrebatamento da terrapara os ares ou para o céu. A parousia de Cristo será o evento maisdramático que sacudirá a terra na história da humanidade – a salvaçãopara todos os santos, em conjunto com o juízo do mundo impenitente edo anticristo – e ocorrerá por ocasião da última trombeta no tempo exatoindicado por Deus (ver versos 51-55; Atos 1:6, 7). A destruição dos ímpios perseguidores da Igreja de Cristo tambémtomará lugar no apocalypsis ou na revelação de Jesus Cristo em glória(ver 2 Tessalonicenses 1:6, 7). É através dessa revelação que a Igrejareceberá alívio ou repouso de sua perseguição, não em algum"arrebatamento secreto" sete anos antes da gloriosa vinda de Cristo"quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder"(verso 7). Paulo ensinava aos crentes em Corinto que eles deveriam aguardaransiosamente "a revelação [apocalypsis] de nosso Senhor Jesus Cristo"(1 Coríntios 1:7). Isso faz do glorioso apocalypsis ou revelação, a
  4. 4. A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja 4bendita esperança da Igreja. Esse evento toma lugar "no Dia de nossoSenhor Jesus Cristo" (verso 8). Pedro também chama a esperança desalvação da Igreja, não um arrebatamento, mas uma revelação da glóriade Jesus Cristo (ver 1 Pedro 1:7, 13; 4:13). Por isso, chegamos àconclusão de que o Novo Testamento não faz distinção entre a parousia,o apocalypsis e a epiphaneia de Jesus Cristo. Estes termos significamum único e indivisível advento de Cristo para trazer a salvação e agloriosa imortalidade a todos os crentes e juízo aos ímpios perseguidores. O vocabulário do Novo Testamento não admite a idéia de duasvindas ou duas fazes da vinda de Cristo, separadas por um período desete anos de tribulação. Ele substancia apenas um aparecimento de Cristoem glória, a fim de resgatar a Igreja do anticristo no final da tribulação.1A inspiração declara que Ele aparecerá uma "segunda vez" (Hebreus9:28), não "duas vezes mais." A Tribulação Profetizada para Israel e para a Igreja De que maneira, então os dispensacionalistas chegaram à idéia do"arrebatamento secreto" a partir da Bíblia? Basicamente, isso é oresultado de uma hermenêutica fundamentada no literalismo preconcebidopara "Israel". C. C. Ryrie explica: "A distinção entre Israel e a Igreja levaà crença de que esta será tomada da terra antes do começo da tribulação(a qual em um sentido mais amplo concerne a Israel)".2 Quando alguém pergunta porque o tempo de tribulação diz respeitoapenas ao Israel literal ou aos judeus, e não à Igreja, J. F. Walvoordafirma que a grande tribulação é "um tempo de preparação para arestauração de Israel (Deut 4:29, 30; Jer 30:4-11)".3 Mas, qual a natureza desse tempo de preparação de acordo comDeuteronômio 4:29 e 30:1-10? Uma grande tribulação? Não! Esse é umtempo de buscar a Jeová de todo coração e com uma nova obediência aosSeus mandamentos! Moisés fez dessa preparação espiritual a condiçãoexplícita para o retorno à terra prometida e à teocracia restaurada quando
  5. 5. A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja 5Israel estava em angústia por causa da diáspora. A garantia de que Deussustentaria um remanescente fiel e espiritual durante o exílio babilônico,o tempo da tribulação de Jacó (ver Jeremias 30:7), não negou ouobscureceu o pré-requisito divino de um verdadeiro arrependimentoantes que tal remanescente pudesse ser restaurado à terra de benção eprosperidade (ver Deuteronômio 30:1-10). Um exame cuidadoso de Jeremias capítulo 30 e 31, revela aantologia bem conhecida das promessas de restauração das doze tribosdo cativeiro assírio-babilônico. Essas passagens incluem a promessa donovo concerto de que Jeová proveria um novo espírito de obediênciavoluntária no coração de um Israel e de um Judá arrependidos (verJeremias 31:31-34, 18, 19; 30:9). Tal foi a natureza espiritual do tempode preparação de Israel na tribulação sofrida em Babilônia antes de suarestauração. A Bíblia não apresenta um programa diferente para Israelhoje ou no futuro. Essas promessas divinas condicionais são imutáveis eirrevogáveis para Israel até o juízo [mal. Então, por que alguns dos principais escritores dispensacionalistasinferem que a Igreja de Cristo não passará pela tribulação ou repressãofinal infligida pelo anticristo? Por que a Igreja não necessita desse tempode preparação para a sua glorificação? Walvoord declara, "Nenhumapassagem do Novo Testamento sobre a tribulação menciona a Igreja(Mat. 24:15-30; 1 Tess. 1:9-10; 5:4-9; Ap. 4:19)".4 Não obstante,certamente todas essas passagens são inquestionavelmente dirigidas àIgreja de Cristo! O argumento do silêncio nada prova. R. H. Gundryapropriadamente responde: A Igreja não é mencionada como tal em Marcos, Lucas, João, 2Timóteo, Tito, 1 Pedro, 2 Pedro, 1 João, 2 João ou em Judas e nem até ocapítulo 16 de Romanos. A menos que estejamos preparados para relegar aIgreja, a qual compõe uma grande porção do NT, a um limbo de irrelevância,não podemos fazer da menção ou da omissão do termo "Igreja" um critériopara determinar a aplicação de uma passagem aos santos da era presente.5 Além do mais, o Apocalipse de João mostra que uma incontávelmultidão de crentes no Senhor Jesus Cristo passarão e virão "da grande
  6. 6. A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja 6tribulação, lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue doCordeiro" (Apocalipse 7:14). Esses "santos em tribulação" têm sofridointensamente por causa de Cristo (Apocalipse 7;16, 17). Podemosassegurar que esses cristãos são apenas da raça judaica, quando João nãofaz diferença entre os santos e os cristãos em tribulação? Ele até mesmoafirma explicitamente que esses crentes vitoriosos vêm "de todas asnações, tribos, povos e línguas" (Apocalipse 7:9). Essa "grandetribulação" não se refere à ira punitiva de Deus sobre o impenitente, masà feroz perseguição aos santos pelo anticristo e o falso profeta –resumindo, refere-se á ira de Satanás (ver Apoc. 12:17; 13:15-17; 14:12). Jesus advertiu antecipadamente aos Seus seguidores que elesteriam aflições ou tribulação por Sua causa e que seriam até mesmoassassinados por causa do fanatismo religioso (ver João 16:2, 33). Àigreja em Esmirna, o Cristo exaltado enviou esta consolação: "Não temasas coisas que tens de sofrer. Eis que o diabo está para lançar cm prisãoalguns dentre vós, para serdes postos á prova, e tereis tribulação de dezdias. Sê fiel até á morte, e dar-te-ei a coroa da vida" (Apocalipse 2:10; cf.1:9; Atos 14:22; Romanos 5:3). Para escapar da interpretação natural e normal dos santos como aIgreja de Cristo em Apocalipse 6-20, as palavras do céu a João emApocalipse 4:1, "Sobe para aqui, e te mostrarei o que deve acontecerdepois destas coisas", são interpretadas como ensinando o arrebatamentoda Igreja da terra para o céu. Mas tal exegese forçada é rejeitada atémesmo por alguns escritores dispensacionalistas, tais como R. H.Gundry Ele sustenta que a exegese literal requer que aquelas palavrassejam aplicadas ao próprio João, o Revelador, e que a frase "depoisdestas coisas" (meta tauta) se refere à seqüência na experiência pessoalde João ao receber uma nova visão. Depois de sua visão na terra, ele échamado para ter uma nova visão no céu. Não há nenhuma referência auma sucessão de tempos ou dispensações no cumprimento dessas visões.6 Por isso, concluímos que a Igreja sob Cristo será submetida aardentes tribulações, mas será vitoriosa e subsistirá à grande tribulação
  7. 7. A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja 7final do anticristo (ver 1 Tessalonicenses 3:3; 1 João 2:18; 4:3; (Mateus16:18). Paulo escreve que a Igreja está destinada a essas provas (ver 1Tessalonicenses 3:3), mas adiciona que "Deus não nos destinou para aira, mas para alcançar a salvação mediante nosso Senhor Jesus Cristo" (1Tessalonicenses 5:9). Conseqüentemente, precisamos distinguir entre atribulação ocasionada pela perseguição do anticristo e a ira punitiva deDeus designada para o mundo impenitente. Durante as sete pragas de Apocalipse 16, a Igreja na terra recebe apromessa de Cristo de proteção divina, assim como o antigo Israel gozoua proteção de Deus quando Ele atacou o Egito com as dez pragas (verApocalipse 3:10, 11; 14:20; 16:15; Êxodo 11:7). A Igreja de Cristosofrerá perseguição durante a tribulação final infligida pela "Babilônia"anticristã, mas ela não sofrerá a ira divina. Essa ira será derramada docéu sobre a ímpia Babilônia durante a crise final, enquanto o povo deDeus estiver sendo protegido e resgatado pelo glorioso segundo adventode Cristo (ver Apocalipse 16; 18:14; 19:11-21). O Apocalipse nãomenciona nenhum arrebatamento da Igreja pré-tribulacionista, mas aocontrário disso, apresenta uma segunda vinda de Cristo exclusivamentepós-tribulacionista. Esta conclusão é confirmada em outras passagens apocalípticas doNovo Testamento por Cristo e Paulo que retratam a inegável ordem dagrande tribulação, primeiro para a igreja, seguida pela sua libertação noglorioso aparecimento de Cristo. Uma parousia pré-tribulacionista ouarrebatamento secreto da Igreja, não constitui o ensino do NovoTestamento (nem explícita e nem implicitamente), mas é baseada, aocontrário, na doutrina preconcebida de uma separação entre os israelitase os cristãos. Daí, a separação forçada sobre os textos por causa dadoutrina. Qualquer separação básica entre os povos do velho e do novoconcerto, tem validade apenas se houver uma separação bíblica entreJeová e Cristo, entre o Redentor de Israel e o Redentor da Igreja.Contudo, Cristo reivindicou enfaticamente ser o Pastor de ambos os
  8. 8. A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja 8rebanhos, que veio para ajuntar tanto os judeus quanto os gentios em umrebanho, com um destino - a nova Jerusalém (ver João 10:14-16;Apocalipse 21). A Promessa de Cristo de Proteção na Tribulação Cristo nunca prometeu a Sua Igreja um arrebatamento pré-tribulacionista deste mundo. Pelo contrário, em Sua súplica ao Pai Eledisse, "Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal"(João 17:15). É claro o contraste entre um arrebatamento "do mundo" e aproteção "do mal" dentro do mundo. Cristo explicitamente rejeitaqualquer pensamento de um arrebatamento, secreto ou público queremova Sua Igreja da terra enquanto permitindo que o mundo continue asua existência apenas com os ímpios. Ele requer algo mais: Deus osprotegerá do [terein ek, "guardar", "proteger do] mal. Jesus explicou anecessidade do poder protetor de Deus: "Já não estou no mundo, maseles continuam no mundo, ao passo que eu vou para junto de ti. Paisanto, guarda-os em teu nome" (verso 11). O poder mantenedor ouprotetor de Deus é necessário porque a Igreja existe na esfera domaligno. Em Apocalipse 3:10, Cristo promete à Igreja de Filadélfia:"Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu teguardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, paraexperimentar os que habitam sobre a terra." R. H. Gundry comenta visivelmente acerca desses textos, tanto emJoão quanto em Apocalipse: A implicação evidente é que se eles seausentam do mundo com o Senhor, guardá-los não seria necessário. Damesma maneira, se a Igreja se ausentasse da hora da provação, guarda-Ianão seria necessário".7 J. F. Walvoord discorda. Ele argumenta: "A idéia do grego [tereinek] é guardar de, não guardar em, assim à igreja de Filadélfia éprometido livramento antes que venha a hora [da provação]".8 Contudo,este apelo ao significado do grego é refutado pelo uso que Jesus faz do
  9. 9. A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja 9mesmo verbo grego em João 17:15, onde Ele coloca esta expressão("guardar de") em total contraste com a idéia de remover a Igreja domundo. Ao invés disso, Cristo promete proteção que resulta em umresgate vitorioso através do poder mantenedor de Deus. Em relação ágrande e incontável multidão perante o trono de Deus, um dos anciãosfalando a João, declara, "São estes os que vêm da grande tribulação"(Apocalipse 7:14). A ênfase não está no período de tribulação, mas naemergência dos santos da referida tribulação. Dizer, como faz Walvoord, que as promessas de Cristo emApocalipse 3:10 indicam um arrebatamento da Igreja antes da hora outempo de tribulação, é alterar a ênfase de Cristo quanto à experiência daIgreja durante aquele tempo para o próprio período de tribulação. Porém,tal distinção racionalista fracassa em perceber o idioma no qual uma"hora" se refere não a mera passagem do tempo, mas a uma proeminenteexperiência ou prova (ver João 2:4; 7:30; 8:20; 12:23, 27; 13:1).9 Cristo promete guardar a igreja de Filadélfia da hora escatológicada provação. Se isso indica um arrebatamento da Igreja pré-tribulacioinista para fora do mundo, por que então as promessas divinassimilares ao antigo Israel concernente ao exílio babilônico nãoindicavam um arrebatamento pré-tribulacionista da provação babilônica?"É tempo de angústia pata Jacó; ele, porém, será livre dela" (Jeremias30:7). Este texto promete meramente livramento do tempo de angústia deJacó depois de Israel ter ido para o exílio. Nem Apocalipse 3:10 requerum arrebatamento pré-tribulacionista para a igreja de Filadélfia, masoferece proteção divina durante o tempo de probante tribulação eperseguição. A Parusia Pós-tribulacionista de Cristo em Mateus 24 Um dos principais dogmas do dispensacionalismo é a doutrina daiminência do arrebatamento secreto e da vinda de Cristo, "isto é, elapode acontecer em qualquer dia, a qualquer momento".10 Gundry explica
  10. 10. A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja 10de maneira mais completa: "Pelo senso comum, iminência significa que,tanto quanto saibamos, nenhum evento predito irá necessariamenteproceder a vinda de Cristo. O conceito incorpora três elementosessenciais: surpresa, imprevisto ou incalculabilidade e uma possibilidadede ocorrência a qualquer momento". 11 Obviamente, tal doutrina da iminência cria uma tensão insuportávelcom admoestações para vigiar os sinais apocalípticos que anunciam aaproximação do dia do Senhor. Walvoord até mesmo nos coloca peranteo dilema de esperar pela vinda de Cristo pré-tribulacionista ou "pelossinais". Ele declara: "A exortação para esperar o glorioso aparecimentode Cristo para os Seus (Tito 2:13) perde o seu significado se a tribulaçãodeve intervir primeiro. Os crentes nesse caso deveriam esperar pelossinais."12 A idéia de iminência a qualquer momento parece serincompatível com a crença em uma vinda de Cristo pós-tribulacionista. Contudo, uma atitude expectante em relação ao retorno do Senhorestá em completa harmonia com as admoestações bíblicas para observaros sinais indicados. Lucas, escrevendo para a Igreja gentílica, transmite apredição de Cristo de eventos futuros desde a queda de Jerusalém até oSeu retorno, incluindo sinais no sol, na lua e nas estrelas, bem comocondições caóticas e tribulação em todo o mundo (ver Lucas 21). Cristoconclui: "Ora, ao começarem estas coisas a suceder, exultai e erguei avossa cabeça; porque a vossa redenção se aproxima" (Lucas 21:28). Eleadverte a Igreja que ela deve esperar pela Sua vinda enquanto observa ossinais preditos e experimenta aflição. Tais sinais não se harmonizam coma doutrina da iminência, mas estimulam uma atitude de expectativaquanto a parousia de Cristo depois da tribulação. Pode parecer uma surpresa para muitos aprender que, exceto osversos 40 e 41, os dispensacionalistas aplicam todo o discurso proféticode Jesus em Mateus 24 ao Israel nacional e não á Igreja cristã!Walvoord afirma, "Os remanescentes piedosos da tribulação sãoretratados como israelitas, não membros da Igreja."13 Contudo, osisraelitas crentes em Cristo tornam-se parte da Igreja através do batismo
  11. 11. A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja 11na Sua morte. A fim de eliminar a força dessa conclusão, odispensacionalismo simplesmente declara todo o capitulo aplicávelapenas aos judeus. Dessa forma, segundo esta visão, "este evangelho doreino" (verso 14) se refere à restauração do reino nacional de Davi; atribulação dos santos (versos 15-22), aplica-se apenas aos crentes judeus.Conseqüentemente, o arrebatamento do eleito na parousia de Cristo(verso 31) envolve apenas os israelitas crentes. O contexto de Mateus 24,não obstante, claramente indica que Cristo dirigiu o Seu discursoprofético aos Seus apóstolos que são inquestionavelmente representantesde Sua Igreja e não do Israel nacional. Por conseguinte, todo o discursode Mateus 24, relaciona-se com a igreja, e os santos na tribulação preditaali, pertencem à Igreja da qual os apóstolos foram as primeirastestemunhas. Isso é confirmado pelo fato de que tanto Marcos quantoLucas repetem o discurso de Cristo para a Igreja gentílica (Marcos 13;Lucas 21). O "evangelho do reino" é exatamente aquele que Paulopregou tanto aos gentios quanto aos judeus (ver Atos 20:25; 28:23, 31;Colossenses 1:13). A perspectiva profética de Cristo de eventos futuros em Mateus 24não contém um arrebatamento pré-tribulacionista da Igreja. Pelocontrário, o ajuntamento dos eleitos pelos anjos de Deus na parousia deCristo, ao som da trombeta (verso 31), é inequivocamente oarrebatamento da igreja e vem depois da tribulação. O texto, "E eleenviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirãoos seus escolhidos", refere-se tanto aos judeus quanto aos gentioscristãos na Igreja evangélica que será congregada na segunda vinda deCristo, depois da tribulação precedente (Mateus 24:31; cf. Lucas 21:28).O termo geral "eleito" não está restrito aos judeus (ver 1 Pedro 1:1; 2:9).E notável que o dispensacionalismo quer aplicar Mateus 24exclusivamente ao Israel nacional e ainda destacar os versos 40 e 41como aplicáveis ao arrebatamento da Igreja. Mas se as expressões dessesversos forem associadas, "um será tomado", pelo arrebatamento da Igreja(que tem apoio lingüístico em João 14:1-3, onde a raiz do verbo
  12. 12. A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja 12paralambanein é a mesma daquela que é usada em Mateus 24:40, 41),esse arrebatamento é ainda descrito em ligação com o arrebatamento doseleitos (versos 31). Em outras palavras, ele se refere à parousia de Cristopós-tribulacionista. Por isso, concordamos com a conclusão de G. E.Ladd, "O arrebatamento da Igreja antes da Tribulação é umapressuposição; ele não foi ensinado no Discurso do Monte dasOliveiras".14 Como Cristo Aplica a "Abominação" Predita em Daniel 9? As palavras de Cristo em Mateus 24:15-30 predizem umaperseguição religiosa dos judeus no moderno Estado de Israel dentro desete anos depois que a Igreja for arrebatada da terra para o céu? Osdispensacionalistas dizem que sim, apontando para as referências doSalvador ao "abominável da desolação" e á "grande tribulação".15 Deacordo com A. J. MacClain, Cristo colocou o "assolador" que causa"abominações" (de Daniel 9:27) no futuro, no fim do tempo, "poucoantes de Sua segunda vinda em glória" (Mateus 24:29, 30).16 J. F. Walvoord concorda que em Mateus 24:15-22, Jesus "tinha emmente a predição do clímax da septuagésima semana ou setenta setes deanos preditos para Israel em Daniel 9:27".17 E uma nota sobre Mateus24:15-20 na New Scofield Reference Bible fala de "uma futura crise emJerusalém depois da manifestação da abominação".18 As palavras de Jesus em Mateus 24 realmente se referem a umafutura tribulação dos judeus, depois que a Igreja houver sido arrebatadapara o céu? Essa posição pode ser sustentada por uma exegese objetiva?A exegese dispensacionalista de Mateus 24 é um exemplo chocante deum futurismo dogmático que nega a função contemporânea dosEvangelhos Sinóticos – Mateus, Marcos e Lucas. O discurso profético deJesus é relatado por todos três e por isso deveria ser estudado à luz dostrês relatos.
  13. 13. A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja 13 Contudo, o dispensacionalismo exclui Lucas de sua interpretaçãodo discurso que Cristo fez no Olivete, porque o relato de Lucas nãofavorece a sua exegese do "abominável da desolação". Muitos estudantesdo Novo Testamento consideram a narrativa de Lucas comohistoricamente mais completa do que os primeiros dois Evangelhos.Lucas é o primeiro em extensão e mais completo. A New Scofield Reference Bible chega a ponto de declarar que aspalavras de Jesus em Lucas 21:20-24 – o inegável paralelo de Mateus24;15-22 – predizem o próprio oposto do que o que Ele diz no relato deMateus" A passagem em Lucas se refere em termos expressos à destruição deJerusalém que foi cumprida por Tito em 70 A.D.; a passagem em Mateusalude a uma crise futura em Jerusalém depois da manifestação daabominação...No primeiro caso, Jerusalém foi destruída.19 Tal dualismo é o resultado de uma exegese que rompe a unidadeorgânica dos Evangelhos Sinóticos a fim de manter um conceitodogmático. R. H. Gundry reconhece que é irresponsável impor umaaplicação judaica ao Evangelho de Mateus – ao invés de á igreja – ourelacionar Mateus 24 a uma futura dispensação, depois que a Igrejahouver sido arrebatada da terra.20 Ele declara: "O discurso do Oliveteaparece substancialmente na mesma forma em Marcos e de algumamaneira, de forma alterada em Lucas. Conseqüentemente, ele pode aindase relacionar à Igreja destes evangelhos."21 Além do mais, Cristo dirigiuo discurso aos Seus apóstolos que representavam a Igreja,evidentemente, ao invés da nação judaica. Todos os três evangelistas sinóticos relatam a advertência de Cristode que antes do aparecimento da abominação em Jerusalém, os cristãospalestinos deveriam experimentar as provações de falsos cristos, deguerras e rumores de guerras, de fomes e terremotos (ver Mateus 24:4-8;Marcos 13:5-8; Lucas 21:8-11). Estas predições se tornaram realidadeshistóricas entre 35 A.D. e 55 A.D.22 Embora Cristo tenha enfatizado,"tudo isto é o princípio das dores" (Mateus 24:8; cf. Marcos 13:8).
  14. 14. A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja 14 Cristo então mencionou uma segunda espécie de provação:perseguição tanto pelos judeus quanto pelos gentios, traição pelosparentes e ódio por parte de todos por causa de Seu nome (ver Mateus24:9-14; Marcos 13:9-13; Lucas 21:12-19). Bo Reicke faz um relatodetalhado do cumprimento de todos essas provas antes da destruição deJerusalém em 70 A.D. e declara, "A situação pressuposta por Mateuscorresponde ao que é conhecido acerca do Cristianismo na Palestinaentre o ano 50 A.D. e 64".23 E em todas essas sublevações Paulo afirmouque o evangelho "foi pregado a toda criatura debaixo do céu"(Colossenses 1:23). Esses fatos nos permitem concluir que Mateus24:1-14 e seus paralelos em Marcos 13:1-13 e Lucas 21:5-19encontraram um cumprimento literal nos anos entre a morte de Cristo e adestruição de Jerusalém.24 Então, qual era o propósito de Cristo ao dar todos esses sinais,como "o princípio das dores"? Foi para advertir os Seus discípulos contraos falsos profetas que declarariam, "O tempo está próximo"! (Lucas21:8; NVI). Ele alertou aos Seus próprios discípulos quanto à verdade deque o Seu segundo advento não ocorreria logo: "mas o fim não serálogo" (Lucas 21:9). Quando as legiões romanas sitiaram a Jerusalém, osjudeus zelotes ficaram inflamados pelas predições do resgateapocalíptico e mantiveram sua resistência com a falsa expectativa de queDeus livraria a cidade de maneira sobrenatural, como havia feito notempo do rei Ezequias (701 A.C).25 Contra esses falsos profetas Cristoadvertiu aos Seus discípulos para não esperarem o Seu retorno em glóriapor ocasião da destruição de Jerusalém. Quando eles vissem aabominação da desolação no lugar santo, compreenderiam este fatocomo o sinal para fugir imediatamente da cidade e da Judéia. Nãodeveriam esperar que Deus livrasse a Jerusalém como os profetas Joel(capítulo 3), Daniel (12:1) e Zacarias (capítulos 12 e 14) haviamantevisto. A razão era clara: essas profecias apocalípticas pressupunhamum remanescente fiel de Israel no Monte Sião. Mas nesse tempo, oremanescente fiel era o rebanho messiânico que foi chamado para sair da
  15. 15. A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja 15cidade condenada. Jerusalém seria destruída de acordo com a profecia deDaniel 9:26, 27, porque a cidade havia rejeitado o Messias como o SeuDeus do concerto. Em Mateus 24, Jesus aponta especificamente para aprofecia de Daniel sobre a ruína de Jerusalém: Quando, pois, virdes o abominável da desolação de que falou o profetaDaniel, no lugar santo (quem lê entenda), então, os que estiverem na Judéiafujam para os montes...Orai para que a vossa fuga não se dê no inverno,nem no sábado; porque nesse tempo haverá grande tribulação, como desdeo princípio do mundo até agora não tem havido e nem haverá jamais(Mateus 24:15-21). Aqui não há nenhuma perspectiva pata o livramento de Jerusalém"pela intervenção divina, como reivindica a Scofield Bible. Exatamente ooposto: o remanescente fiel deve fugir de Jerusalém e da Judéia quandovirem o invasor abominável entrando na terra de Israel. Fugir por quê?Porque o desolador romano funcionou como o vingador decretado porDeus sobre a cidade e o templo, devido à rejeição do Messias e dos Seusapóstolos (ver Daniel 9:26, 27 e Lucas 21:22). Uma comparação minuciosa do contexto paralelo nos EvangelhosSinóticos confirma essa conclusão além de qualquer dúvida. O relato deMarcos da advertência de Jesus , diz: Quando, pois, virdes o abominável da desolação situado onde nãodeve estar (quem lê entenda), então, os que estiverem na Judéia fujam paraos montes... Orai para que isso não suceda no inverno. Porque aqueles diasserão de tamanha tribulação como nunca houve desde o princípio domundo, que Deus criou, até agora e nunca jamais haverá (Marcos 13:14-19). O Evangelho de Lucas explica de maneira mais elaborada paraTeófilo (1:3) a versão de Marcos da profecia de Cristo: Quando, porém, virdes Jerusalém sitiada de exércitos, sabei que estápróxima a sua devastação. Então, os que estiverem na Judéia, fujam para osmontes; os que se encontrarem dentro da cidade, retirem-se; e os queestiverem nos campos, não entrem nela. Porque estes dias são de vingança,para se cumprir tudo o que está escrito... Porque haverá grande aflição naterra e ira contra este povo. Cairão a fio de espada e serão levados cativospara todas as nações; e, até que os tempos dos gentios se completem,Jerusalém será pisada por eles (Lucas 21:20-24).
  16. 16. A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja 16 Parece impossível interpretar a descrição de Lucas como sereferindo a qualquer outra coisa a não ser a destruição de Jerusalém, quelogo se tornou realidade histórica em 70 A.D. Mesmo a New ScofieldReference Bible admite isso, como temos visto. Embora, as inegáveispassagens paralelas em Mateus 24:15vv e Marcos 13:14vv (todas as trêspassagens sinóticas começam com "Quando, pois, virdes...") sãoexplicadas pelos dispensacionalistas como se referindo a umadispensação diferente e futura quando a Igreja não estará mais na terra.Realmente, a Scofield Bible encontra dois diferentes cercos de Jerusalémnas mesmas palavras do discurso de Cristo no Monte das Oliveiras! Dois cercos de Jerusalém estão em vista no discurso do Olivete, umcumprido em 70 A.D., e o outro ainda para se cumprir no fim do mundo... Asreferências em Mateus 24:15-28 e Marcos 13:14-26 devem ser o cerco final,quando a cidade será tomada pelos inimigos, mas libertada pelo retorno doSenhor à terra (Ap. 19:11-21; Zac. 14:2-4).26 Aparentemente tal interpretação das palavras de Cristo é guiada,não por uma exegese que leva em consideração o contexto dosEvangelhos Sinóticos, mas por um futurismo preconcebido que força umsistema de dispensacionalismo às palavras de Cristo. Essa interpretaçãoestá dizendo que Marcos e Mateus não escreveram nada acerca daiminente desolação de Jerusalém que tomou lugar em 70 A.D., enquantoLucas não escreveu nada a respeito da abominação e da tribulação"final" que o anticristo tem em estoque para os judeus "finamente re-ajuntados". Por que então, Lucas que segue em grande medida o relatode Marcos, ignora completamente tal tribulação horrível para os judeusdo futuro? Por que ele focaliza exclusivamente a desolação iminente deJerusalém por Tito e a conseqüente diáspora dos judeus naquele tempocomo o cumprimento total da punição divina de Jerusalém (ver Lucas21:22; cf. Deuteronômio 28:44-59; Daniel 9:26, 27)? Por que Cristo, noSeu discurso do Olivete, dá instruções idênticas acerca da abominação dadesolação aos Seus apóstolos para a Igreja? Os exércitos de Romainvadindo a "terra santa" podiam ser vistos por todos na Judéia (verMateus 24:15, 16; Marcos 13:14). Tanto Mateus quanto Marcos falam,
  17. 17. A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja 17não meramente de uma "abominação" vindoura, mas de uma abominaçãoda desolação. Lucas explica aos seus leitores, na maioria gentios, queessa horrível desolação viria a Jerusalém com destruidores exércitospagãos (ver Lucas 21:20). Se os três Evangelhos Sinóticos descrevem um e o mesmo eventoem relação a Jerusalém – a aproximação da desolação da cidade e dosantuário – então Cristo colocou o cumprimento de Daniel 9:26, 27 em70 A.D., dentro de Sua própria geração (cf. Mateus 24:34; 23:36; Lucas21:32, 22). A enfática declaração de Lucas de que a destruição deJerusalém (por Tito em 70 A.D.) foi "para se cumprir tudo o que estáescrito" (ucas 21:22) é a confirmação seladora de que a "septuagésimasemana" de Daniel cumpriu-se completamente pela missão de Cristo aIsrael e pela terrível destruição de Jerusalém pelos romanos.27 G. G. Cohen tem argumentado que a "abominação da desolação"predita não se cumpriu em 70 A.D., porque a "história não revelanenhuma ação pelo general romano Tito que possa ser identificada comoa abominação da desolação de Mateus 24:15 ou 2 Tessalonicenses 2:3,4".28 Mas F. F. Bruce relata que ...quando a área do templo foi tomada pelos romanos e o própriosantuário ainda estava queimando, os soldados trouxeram os seusestandartes legionários para dentro do recinto sagrado, erigiram-nos do ladooposto ar) portão oriental e ofereceram-lhes sacrifícios ali, aclamando a Titocomo imperator (comandante ,vitorioso), à medida que prosseguiam...Aoferta de tal sacrifício na corte do Templo foi o supremo insulto ao Deus deIsrael.29 Compreendido dessa forma, o Salvador substancia o fato de que asSetenta Semanas de Daniel terminam, não numa perseguição dos últimosdias pós Igreja aos judeus em Israel, mas com a rejeição de Cristo e suasconseqüências para Jerusalém.30
  18. 18. A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja 18 A Resposta de Paulo à Expectativa da Iminência Uma confirmação dupla do arrebatamento pós-tribulacionista podeser encontrada nas palavras de Paulo descrevendo a parousia de Cristocomo acompanhada pela "voz do arcanjo, e...a trombeta de Deus" (1Tessalonicenses 4:16). O único arcanjo mencionado pelo nome na Bíbliaé Miguel (Judas 9), que está associado, em Daniel 12:1, 2 com aressurreição dos santos depois do tempo de angústia ou da tribulaçãofinal. Walvoord está suficientemente impressionado com essetestemunho de livramento e ressurreição pós-tribulacionista dos santosdo Velho Testamento (cf. Isaías 25:8; 26:14-21) que ele admite "o fatode que a ressurreição dos santos do Velho Testamento acontece após atribulação."31 Ele se sente compelido, contudo, a divorciarcompletamente essa ressurreição da trasladação e ressurreição da Igreja,porque "os santos do Velho Testamento nunca são descritos pela fraseem Cristo".32 Este argumento literalista é insustentável porque Paulo dirigemuitas de suas epístolas aos santos, a típica descrição veterotestamentáriado povo do concerto divino (cf. l Pedro 2:2), e considera, também, ossantos do Velho Testamento como sendo crentes no Messias ou Cristo(ver 1 Coríntios 10:1-4; cf. Hebreus 11: 24-26). A deliberada declaraçãode Paulo aos Tessalonicenses de que na ocasião do arrebatamento daigreja a voz do Arcanjo (o Defensor de Israel) soará, é uma confirmaçãosuficientemente clara de que a ressurreição dos santos tanto do Velhoquanto do Novo Testamento ocorrerá simultaneamente como apenasuma ressurreição (ver João 5:28, 29). Walvoord chama esse argumentode "prova não conclusiva", porém, o que mais Paulo quer dizer aodeclarar que a voz do Defensor de Israel, o Arcanjo, será ouvida noarrebatamento e ressurreição da Igreja de Cristo? A declaração adicionalde Paulo em 1 Tessalonicenses 4:16 de que "a trombeta de Deus" soaránaquela ocasião é um apoio adicional à mesma idéia. Isaías predisse que"se tocará uma grande trombeta (Isaías 27:13) no final do exílio ou
  19. 19. A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja 19tribulação de Israel e "Naquele dia...vós, ó filhos de Israel, sereiscolhidos um a um" (verso 12). Esta profecia será gloriosamentecumprida, sugere Paulo, na dramática parousia de Cristo e noarrebatamento de Sua Igreja. Walvoord também reivindica que 2 Tessalonicenses 2:1-12 "nãoapóia o pós-tribulacionismo", porque Paulo estava apenas "demonstrandoque o Dia do Senhor predito ainda estava no futuro", e que os cristãostessalonicenses não deveriam se preocupar "que as suas perseguiçõespresentes foram antecipadas daquele período (o Dia do Senhor)".33Contudo, uma verificação detalhada na passagem bíblica e no seucontexto, revela que muito mais está envolvido. Paulo escreveexplicitamente para corrigir um falso ensino (aparentemente estabelecidosob o próprio nome de Paulo) de que o Dia do Senhor já havia começadoou no mínimo era tão iminente que poderia ocorrer a qualquer momento.Essa idéia havia alarmado alguns e lhes conduzido a parar o seu trabalhocotidiano para se tornarem um peso aos outros (ver cap. 3:6-15). Paulocorrige esse engano da vinda do Dia do Senhor ou parousia a qualquermomento, lembrando à Igreja de seu ensino oral a respeito dos sinaisprecedentes de significação profética que deve se desenvolver na históriaantes que o Dia do Senhor aconteça (cap. 2:3-5). Ele torna claro que "àvinda de Nosso Senhor Jesus Cristo" não apenas a Igreja será reunida aEle (verso 1), mas também o homem do pecado (anticristo) serádestruído pela "manifestação de sua vinda" (verso 8). Isso implicaclaramente uma vinda de Cristo pós-tribulacionista para a Sua igreja! Essa conclusão está em perfeita harmonia com o testemunhoconclusivo contra a vinda de Cristo em duas fases encontrada em 2Tessalonicenses 1:5-10, embora o dispensacionalismo ensine que aIgreja será secretamente ajuntada a Cristo sete anos antes do anticristoser destruído pela parousia de Cristo. As observações esclarecedoras dePaulo em 2 Tessalonicenses 2 refutam, efetivamente qualquerarrebatamento secreto. A ocasião de nosso ajuntamento a Cristo, ele diz,também envolverá simultaneamente a destruição do anticristo perseguidor.
  20. 20. A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja 20 Os esforços dos escritores dispensacionalistas para escapar dosóbvios ensinos de Paulo são curiosos. Alguns criam uma distinçãoartificial entre "o dia de Cristo" (que eles aplicam ao arrebatamento) e "odia do Senhor" (em sua visão, a tribulação subseqüente para Israel e ojulgamento de Deus). Mas, como pode o Dia do Senhor incluir atribulação pelo anticristo quando Paulo declara que o homem do pecadotrará a sua apostasia antes do Dia do Senhor?34 Que ninguém vosengane de forma alguma; por que esse dia não virá, a menos que arebelião [apostasia] venha primeiro [protos], e o homem do pecado sejarevelado" (2 Tessalonicenses 2:3; RSV). Todos aceitam a conclusão de que esse iníquo é o anticristoapocalíptico que causará a grande tribulação para os santos de Deus pelasua auto deificação dentro do templo de Deus (verso 4). Essa apostasianão é uma mensagem exclusiva para os judeus, mas é vitalmenterelevante para os cristãos! Estes deveriam conhecer o anticristo, para quenão fossem confundidos por uma iminência equivocada da parousia.Então vigiarão e verão a aproximação do dia de antemão e estarãoprontos para "o Dia do Senhor." Evidentemente, os tessalonicenses haveriam compreendido desde aprimeira epístola de Paulo que seriam arrebatados antes da tribulação(cap. 4:13-18). Gundry declara, "Os tessalonicenses erroneamenteconcluíram que a vinda de Cristo estava no futuro imediato, como aresultante cessação do trabalho, excitação fanática e desordem".35 Aresposta de Paulo em 2 Tessalonicenses 2 é uma refutação de tal doutrinada iminência. A tribulação apocalíptica deve vir primeiro, antes daparousia e do arrebatamento. Um outro esforço para evitar o advento de Cristo pós-tribulacionistaé uma exegese forçada do termo apostasia em 2 Tessalonicenses 2:3,para denotar não a apostasia ou rebelião do anticristo, mas a partida ouarrebatamento da Igreja da terra antes que surjam o anticristo e a suatribulação. O simples fato, contudo, é que o termo apostasia no NovoTestamento e na Septuaginta é usado exclusivamente para a deserção
  21. 21. A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja 21 36religiosa, um afastamento da fé. Ele nunca se refere à partida da Igrejada terra. Em 2 Tessalonicenses 2:3 ele é corretamente traduzido como "arebelião tanto na Revised Standard Version quanto na New InternationalVersion. O artigo definido "a" antes de "rebelião" aponta para umaapostasia bem conhecida, acerca da qual Paulo havia informadoanteriormente aos Tessalonicenses (verso 5) e que de agora explica maisdetalhadamente nos versos seguintes, especialmente os versos 4, 9 e 10.A apostasia apocalíptica, diz Paulo, será um afastamento deliberado dafé apostólica, uma rebelião contra Deus conduzida pelo anticristo. Este éo tempo de grande tribulação para o povo de Deus. Paulo orienta a Igrejapara vigiar o desenvolvimento dessa apostasia, de maneira que aparousia ou o Dia do Senhor, não a surpreenda como um ladrão (1Tessalonicenses 5:1-6). Finalmente, alguns dispensacionalistas insistem que o misteriosoDetentor do anticristo (ver 2 Tessalonicenses 2:6) deve ser o EspíritoSanto trabalhado através da Igreja. Assim, o Detentor sendo "afastado"(verso 7) indicaria o arrebatamento da Igreja para fora do mundo antesque o anticristo traga a sua tribulação sobre a terra. Mas, R. H. Gundrymostrou convincentemente que essa exegese dispensacionalista não temfundamento nem no contexto imediato e nem no Novo Testamento comoum todo. Mesmo que o Espírito Santo seja finalmente retirado de ummundo impenitente e ímpio, isso não prova que a Igreja de Custo seráretirada da terra para o céu "com um passo retrógrado à economia doVelho Testamento".37 É certamente uma "pressuposição fanática, como J. Wilmot diz,para a escatologia dispensacionalista afirmar que na ausência do EspíritoSanto e da Igreja, e dentro dos "sete" anos de reinado do anticristo, "umagrande multidão que ninguém pode enumerar" dentre todas as nações,será convertida a Cristo! A escatologia de Paulo em 1 e 2Tessalonicenses coloca tanto o glorioso arrebatamento da Igreja quanto adestruição simultânea do anticristo na dramática parousia (verespecialmente, 2 Tessalonicenses 2:1, 8). Este é o ensino de Paulo de
  22. 22. A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja 22uma parousia e arrebatamento pós-tribulacionista, baseado no esboço deCristo dos eventos pertencentes à dispensação cristã de Mateus 24.38 Se os cristãos confiarem nos ensinos de que serão arrebatados parao céu antes da perseguição do anticristo, como se prepararão para ovindouro teste final de fé? O perigo do pré-tribulacionismo é que eleinstila no coração do povo de Deus uma falsa esperança e assim fracassaem preparar a Igreja para a sua crise final. Referências Bibliográficas 1. Ver G. E. Ladd, The Blessed Hope (Grand Rapids, Mich.: Wm B.Eerdmans Pub. Co., 1960), capítulo 3, para um estudo mais detalhado. Oteólogo dispensacional Charles F Baker, em A Dispensational Theology, 2aed., admite após sua análise de três palavras para a segunda vinda,"Devemos concluir que a distinção entre a segunda vida de Cristo no tempodo arrebatamento e Sua vinda à Terra não podem ser estabelecidassimplesmente pelo aplicação das palavras usadas" (p. 616). 2. Ryde, Dispensacionalism Today, p. 159. Cf. Walvoord, TheRapture Question, p 192, "Somente o pretribulacionista distingueclaramente entre Israel e a igreja e seus respectivos programas." 3 Walvoord, The Rapture Question, p. 193. 4. Ibid. 5. R. H. Gundry, The Church and the Tribulation (Grand Rapids,Mich.: Zondervan, 1973), p. 78. 6. Ver Ibid., p. 64-66. 7. Ibid, p. 58. 8. Walvoord, The Rapture Question, p 70. 9. Gundry., The Rapture Question, p. 60. 10. Walvoord, The Return of the Lord, p. 80 11. Gundry, The Church and the Tribulation, p. 29. Ver capítulo 3"Expectativa e iminência," para uma resposta excelente à doutrinadispensacional da iminência. 12 Walvoord, The Rapture Question, pp. 195, 196. 13. Ibid , p 195.
  23. 23. A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja 23 14 Ladd, The Blessed Hope, p. 73. 15 Walvoord, The Return of the Lord, capítulo 5. 16. McClain, Daniels Prophecy of the 70 Weeks, p. 40. 17. Walvoord, Israel in Prophecy, p. 109. 18 NSRB, p. 1034. 19. Ibid. 20. Gundry, The Church and the Tribulation, capítulo 9, "The OlivetDiscourse." 21. Ibid, p. 130. 22. Ver detalhes com referências históricas, com B. Reicke, "SynopticProphecies on the Destruction of Jerusalem," em Studies in New Testamentand Early Christian Literature (monografias em honra de A. P. Wikgren),ed. D. E. Aune (Leiden E. J. Brill, 1972), pp. 121-134; especialmente 130. 23. Ibid., p 133. 24. Ver também o SDABC em Mateus 24:2-14, vol. 5, pp. 497, 498 25. Josephus, Wars V15.2, apresenta que "um grande número de falsosprofetas . . . anunciara a eles (povo) que eles deveriam esperar pelalibertação de Deus. Isto causou o massacre de seis mil mulheres e criançasno pátio do templo". cf. Strack-Billerbeck Kommentar zum NT (München:Beck, 1922) 4/2:1003. 26. NSRB. p. 1114 (em Lucas 21:20). 27. Josephus escreve que 1,1 milhão de judeus pereceram e 97.000foram vendidos como escravos. Ele conclui: "De acordo com a multidãoque pereceram nesse lugar excedeu todas as destruições que ambos homensou Deus trouxeram sobre a tenra " (Wars, VI 9A). 28. G.G Cohen, "Is the Abomination of Desolation Past?" MoodyMonthly, April 1975, pp. 31, 34. 29. Bruce, Israel and the Nations, pp. 31, 34. 30. Ver meu comentário de Marcos 13 e Mateus 24 no periódico domês de março na Revista Ministry. 31. Walvoord, The Rapture Question, p. 154. 32. Ibid. 33. Ibid., pp. 164, 165.
  24. 24. A Tribulação Predita e a Esperança para a Igreja 24 34. R. H. Gundry, em The Church and the Tribulation, pp. 96-99,mostra conclusivamente que as variações "dia de Cristo" e "dia do Senhor"não tem diferença de significado técnico. Ver, por exemplo, 1 Coríntios 5:5. 35 Ibid., p. 121. 36. E I. Carver, When Jesus Comes Again (Philipsburg, N. J.:Presbyterian and the Reformed Publishing Co., 1979), p. 271. Para umestudo mais detalhado, ver Gundry, The Church and the Tribulation, pp.114-118. 37. Gundry, The Church and the Tribulation, p. 128; ver discussãodetalhada nas pp. 122-128. 38. Ver G. H. Waterman. "The Sources of Pauls Teaching on theSecond Coming of Christian in 1 and 2 Thessalonians," JETS 18:2 (Spring1975):105-113 Ele conclui, "As palavras de Jesus como relatadas porMateus foram a fonte para os ensinos de Paulo."

×