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05 a interpretação cristológica

  1. 1. A INTERPRETAÇÃO CRISTOLÓGICA No reino da interpretação profética o estudo do método adequadotem sido freqüentemente negligenciado ou olvidado o necessáriocuidado. Aprendemos que Cristo e o Novo Testamento são asautoridades finais e a norma mais elevada para a compreensão teológicada história, da profecia, da sabedoria e da poesia sagrada de Israel. Ficouestabelecido que a profecia e a tipologia verbais – como profecia indireta– não são elementos desvinculados no Velho Testamento com princípioshermenêuticos inerentemente diferentes. A profecia preditiva e osmodelos do pensamento tipológico formam uma unidade natural eintegral. A profecia messiânica pertence à essência da esperançaveterotestamentária. Nelas, todas as promessas do concerto israelense seconvergem e delas emerge a missão universal de Israel. Mesmo asprofecias apocalípticas específicas, com o seu simbolismo maisamplamente desenvolvido, são freqüentemente centralizadas no Messias(Daniel 7-12). As Profecias Messiânicas À luz do Novo Testamento, três categorias de profecias messiânicaspodem ser distinguidas no Velho Testamento. Primeiro, há profeciasdiretas ou retilíneas tais como aquelas que prediziam o lugar donascimento do Messias, Miquéias 5:2 (ver Mateus 2:5-6); a Sua expiaçãovicária, Isaías 53 (ver Lucas 22:37; Romanos 5:19; 1 Pedro 2:24); o ser"cortado" (NIV) e o Seu ato que "fará cessar o sacrifício e a oferta demanjares", Daniel 9:26, 27 (ver Mateus 27:51; Hebreus 10:8-9); Suaressurreição, Salmo 16:10 (ver Atos 2:27, 31); Sua entrada triunfal emJerusalém, Zacarias 9:9 (ver Mateus 21:12, 23) e o Seu reino de eternapaz mundial, Isaías 9:5-7 (ver Lucas 1:32-33; Apocalipse 11:15).Predições tais como essas têm sido ou serão cumpridas direta e
  2. 2. A Interpretação Cristológica 2exclusivamente em Cristo Jesus e por isso representam o esquema maissimples de predição e cumprimento dos eventos e sua verificação. Os cumprimentos de tais predições magnificam a onisciência e asoberana providência de Deus. Suas predições não são fragmentosdesassociados, mas constituem parte de um contínuo plano ou promessade salvação. Segundo, há profecias messiânicas tipológicas que jáencontraram os seus cumprimentos iniciais e parciais na sucessão dosprofetas desde Moisés (Deuteronômio 18:15, 18-19)1, e na sucessão dosreis em Jerusalém (2 Samuel 7:12l 6)2, até ambas as linhas culminaremem um único Messias. Embora o cumprimento imediato do profetaprometido tenha ocorrido em Josué, o sucessor de Moisés (Números27:18-23; Deuteronômio 34:9) e o cumprimento imediato do reiprometido aconteceu em Salomão, o filho de Davi (2 Samuel 7:14;Salmo 132:12), apenas o próprio Messias seria o maior Profeta e o Reieterno, de acordo com o Novo Testamento (Atos 3:22-26; Lucas1:32-33). À categoria das promessas tipológicas pertence a maioria dasprofecias messiânicas, especialmente os Salmos monárquicos: 2:7vv;18:43vv; 22; 45:6-8; 72:8; 89:26vv; 10:1, 4; 118:22, 23; 132:11-18. O Novo Testamento parece ter por garantido que os Salmos de Davipossuem uma dimensão messiânica adicional. Na epístola aos Hebreus,por exemplo, quatro passagens de Salmos são citadas, analisadasexegeticamente e aplicadas escatologicamente como tendo encontrado oseu cumprimento em Cristo Jesus: Salmo 8:46 (o homem da humanidadeperfeita); 95:7-11 (seu repouso perfeito); 110:4 (o Mediador perfeito);40:6-8 (Seu auto-sacrifício perfeito); respectivamente em Hebreus 2:12,13; 3:7-11; 5:6; 10:5-7. O autor de Hebreus adicionou sua interpretaçãodas citações dos Salmos ao significado histórico que essas palavraspossuíam originalmente. Como conclui Kistemaker em sua dissertaçãoconsiderando essas quatro citações do Saltério em Hebreus: "O autorligava a profecia em seu contexto original ao seu cumprimento realizadono período quando a escreveu. Por isso, aquelas passagens das Escriturasque são tiradas do seu tipo de interpretação Midrash pesher
  3. 3. A Interpretação Cristológica 3[interpretação escatológica judaica] reluzem com a perspectiva históricadirigida para o cumprimento em Cristo Jesus".3 Nessa perspectivahistórica, um profeta, sacerdote ou rei davídico funcionava em seu santoofício como um representante do Redentor vitorioso, como um tipo domaior antítipo vindouro. Essa espécie de profecia tipológica provê espaço para umaaplicação basicamente dual, com um cumprimento inicial e parcial dapromessa messiânica, sem ter um sentido "duplo" ou ambíguo.4 Osentido pretendido de uma aplicação histórica imediata ou a realizaçãoparcial da promessa deve servir como um tipo histórico ou profeciarepresentada, que reafirma a promessa e intensifica a esperança nocumprimento futuro. Um erudito luterano explica: "Uma profecia que émessiânica através do tipo, não o é de maneira alguma num sentidoinferior, desde que o tipo não seja acidental, mas divinamente ordenado enos seja descrito como tal pelo Espírito de profecia".5 O ComentárioBíblico Adventista do Sétimo Dia explica de forma mais completa (sobreDeuteronômio 18:15): A força de uma profecia em relação a Cristo não é de forma algumaenfraquecida porque as palavras do profeta primeiro se aplicam a umasituação histórica mais imediata. Com freqüência, o primeiro e mais imediatocumprimento serve não apenas para confirmar e clarificar o segundo, maspode até mesmo ser requisito para ele. Quando um escritorneotestamentário aplica a declaração de um profeta veterotestamentário aoNovo Testamento ou a períodos subseqüentes, negar a validade de talaplicação equivale a negar a inspiração do escritor neotestamentário. Masquando o contexto de uma declaração veterotestamentária torna evidenteque ela se aplica também a uma situação histórica imediata, negar essaaplicação seria violar uma regra primária de interpretação; isto é, que umexame do contexto e do cenário histórico é fundamental para uma corretacompreensão de qualquer passagem. Precisamos levar em consideração que as profecias messiânicas nãosão predições separadas e dispersas, mas todas constituem um planocontínuo de Deus. Esse plano começou com a primeira promessa feitadepois da Queda no jardim do Éden, quando o Redentor foi prometido da
  4. 4. A Interpretação Cristológica 4"semente da mulher" (Gênesis 3:15). A fim de cumprir essa promessa"mãe" original, Deus escolheu chamar a Abraão e fez-lhe a promessa queo Redentor seria de sua "semente" (Gênesis 12:2-3; 22:17-18; 28:13-14).Deus confinou a Sua promessa de um Redentor real especificamente àtribo de Judá (Gênesis 49:10; Cf. Números 24:17). Finalmente, Elerestringiu a promessa do rei Redentor, cujo reino seria eterno e universal,à casa de Davi (2 Samuel 7:12-15). Essa linha de revelações repetidas eprogressivas do Rei Redentor é essencial para a adequada perspectivadas numerosas predições messiânicas dentro de uma grande Promessaque vem consumar-se apenas na realização de um novo céu e uma novaTerra, o lar dos justos (2 Pedro 3:13). Um dos eruditos do Velho Testamento enfatiza o "emocionanteritmo" dessa perspectiva messiânica: "Cada predição é adicionada àpromessa contínua de Deus que era anunciada primeiro aos povos pré-patriarcais, depois ampliada e continuamente suplementada dospatriarcas até a era pós-exílica de Ageu, Zacarias e Malaquias, maspermanecia a promessa única e cumulativa de Deus".6 Ali permanece, contudo, um número de passagens históricas nãopreditivas que são aplicadas no Novo Testamento como sendo"cumpridas" em Cristo, mas que no seu contexto original não contêmaparentemente nenhuma intenção preditiva. Tais passagens podem sernarrativas ou ocorrências históricas, experiências de sofrimento,lamentação, súplica ou ação de graças por um salmista, ou asserçõesdescritivas nos livros proféticos. Uns poucos exemplos podem ilustrar esse modelo particular doNovo Testamento de promessa-cumprimento. Cristo cita a experiênciade Jonas que permanece no interior de um grande peixe por "três dias etrês noites" (Jonas 1:17) como Seu próprio sinal de apelo aos escribas efariseus descrentes (Mateus 12:40; Lucas 11:29-30, 32). Embora anarrativa de Jonas seja uma descrição puramente histórica de suaexperiência de morte virtual e da miraculosa libertação que levou aoarrependimento os gentios em Nínive, Jesus a aplica como um sinal
  5. 5. A Interpretação Cristológica 5messiânico, isto é, como um tipo profético de Sua própria morte esobrenatural ressurreição. A implicação parece ser: assim como Jonas foiautorizado por seu sinal para pregar arrependimento aos ninivitas, assimtambém Jesus como o Messias seria autorizado em Sua mensagem aopovo judeu, Visto que Cristo é maior do que Jonas, a falha em searrepender sob a mensagem de Cristo incorrerá, portanto, em uma maiorcondenação divina do que a que pesava sobre os ninivitas, mas que foicancelada devido ao seu arrependimento. Da mesma forma, os apelos de Jesus à sabedoria de Salomão(Mateus 12:42; Lucas 11:31) e à autoridade de Davi para guardar o sábadolivre de certas restrições cerimoniais (Marcos 2:25-26; Mateus 12:3-4,5-6; Lucas 6:3-4) pertencem basicamente à mesma categoria de tipologiamessiânica como o Seu apelo ao sinal de Jonas. Pelo fato da esperançamessiânica ter sido exemplificada nos três tipos israelitas de mediadoresentre Deus e o Seu povo do concerto – o profeta, o sacerdote e o rei – elapossuía profundo significado quando Jesus reivindicava estes três ofíciossagrados como tipos de Sua própria missão para Israel e o mundo.7 Por isso é muito significativo estudar os tipos messiânicos na vidareligiosa, cúltica e política de Israel. Eles são essenciais para uma melhore mais adequada compreensão da obra e missão de Jesus. O VelhoTestamento permanece válido e necessário para o cristão, a fim de saberquais as implicações da missão de Cristo, o Ungido. Uma compreensãomais plena pode ser adquirida, além do mais, ao considerar como Jesusaplicava, de uma maneira peculiar, a história primitiva de Israel à Simesmo. Como representante indicado de Seu povo, Jesus recapitulava –isto é, repetia e consumava – o plano de Deus com Israel, e através deste,com o homem.8 Ele deliberadamente palmilhou o mesmo terreno, a fimde conquistar onde Israel havia falhado. Cristo conscienciosamente sabiaque fora chamado para Se tornar "o Servo do Senhor" predito em Isaías42-53, especialmente depois que a voz de Seu Pai O havia identificadocomo Cristo, Seu Filho e amado Servo (Mateus 3:17), e publicamente ocapacitado com o Espírito de Deus (Mateus 3:16; cf. Isaías 42:1). Como
  6. 6. A Interpretação Cristológica 6Messias, Jesus não apenas foi solidário a Israel, mas foi a incorporaçãodeste, intitulado da mesma maneira "o filho primogênito" de Deus(Êxodo 4:22). Através deste Servo, "a vontade do SENHOR prosperará"(Isaías 53:10). Os escritores dos Evangelhos asseveram que Jesus, depois de Seubatismo, foi imediatamente "levado pelo Espírito ao deserto, para sertentado pelo diabo" (Mateus 4:1; Marcos 1:12; Lucas 4:1). O antigoIsrael, depois de seu êxodo do Egito e do "batismo" no Mar Vermelho,foi testado por Deus por quarenta anos no deserto antes que pudesseentrar na terra prometida (Deuteronômio 8:2). Assim, Cristo foiconduzido ao deserto por quarenta dias para ser tentado pelo diaboconcernente à Sua confiança messiânica na vontade soberana de Deus,antes de começar Sua singular comissão. Em Seu jejum deliberado porexatamente quarenta dias, Jesus desempenhou a experiência de Israel,mas manifestou total obediência a Deus através do apelo à Sua Palavrarevelada a Israel (três vezes: Mateus 4:4, 7, 10; citando respectivamente,Deuteronômio 6:13, 16; 8:3). O fato notável é que Cristo, cada vez querespondia às três tentações, citava uma passagem do livro deDeuteronômio, capítulo 6-8, quando outras passagens também estavamdisponíveis. Robert T. France sugere: Não seria por que Ele via nesses capítulos, com suas vívidaslembranças das lições aprendidas por Israel em seus quarenta anos deperegrinação no deserto, um padrão para o Seu próprio tempo de prova?Deus havia testado a obediência de Israel no deserto por quarenta anos(Deuteronômio 8:2), Seus "filhos" (Dt. 8:5; cf. Êx. 4:22), antes da missão deconquista da terra prometida. Agora Ele estava testando Seu Filho Jesus nodeserto por quarenta dias, antes de Sua grande missão de libertação.9 À luz de um estudo mais detalhado do contexto lingüístico eteológico de Deuteronômio 8, que tem sido empreendido por várioseruditos10, torna-se claro que Jesus via a Si próprio, em termostipológicos, como um novo Israel. Em ambas as ocasiões, um "filho deDeus" foi provado (Êxodo 4:22; Deuteronômio 8:5); a prova ocorreujustamente depois de seus batismos (Mateus 3:16; 1 Coríntios 10:2); e
  7. 7. A Interpretação Cristológica 7em cada ocasião ocorreu a tentação de testar a Deus, se Ele realizaria ummilagre, a fim de cumprir as Sua promessas (Deuteronômio 6:16; Êxodo17:2-7; Mateus 4:3-7), bem como a prova para verificar se Israeladoraria apenas a Deus (Deuteronômio 6:13-15; Mateus 4:10). Israelfalhou diante da prova, mas Jesus triunfou em favor daquele e dahumanidade. Dessa forma, a história israelense é repetida e conduzida aocumprimento bem sucedido perante Deus em Cristo. A verdade darepresentação inclusiva de Cristo é a razão pela qual o Novo Testamentonão apenas afirma que as profecias messiânicas diretas e tipológicas são"cumpridas" Nele, mas também que certas experiências históricas navida dos israelitas veterotestamentários – a maioria dos reis davídicostambém são "cumpridas" na vida de Cristo. É como se o NovoTestamento tomasse a história e a profecia israelense como "típicas" dahistória infinitamente maior do Messias de Israel, o qual sofreria e seriaexaltado em um sentido infinitamente mais profundo. A verdade neotestamentária de que Jesus Cristo incorpora o Israelde Deus como um todo e assim produz o cumprimento essencial dahistória e profecia deste em Sua própria vida, é crucial para acompreensão cristã da escatologia israelense.11 Com base no conceito doNovo Testamento de que o Messias inclui em Si mesmo todo o povo deDeus ou a humanidade redimida, os sofrimentos de Cristo, Sua morte eressurreição significam mais do que a experiência isolada de umindivíduo justo. Eles cumprem o eterno propósito divino de Israel paracom a humanidade. A mais antiga confissão de fé no Novo Testamento reflete essainterpretação cristológica de Israel: Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que, foisepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras (1 Coríntios15:3-4; ênfase acrescentada). A que passagens do Novo Testamento esta confissão religiosa serefere? Como Cristo e os escritores neotestamentários aludiam ao VelhoTestamento em sua interpretação cristológica?
  8. 8. A Interpretação Cristológica 8 12 De acordo com C. H. Dodd, os escritores neotestamentários nãoargumentam com textos separados do Velho Testamento, mas citamfrases ou sentenças únicas apenas como indicadores de um todo nocontexto do Velho Testamento. Esse contexto mais amplo desvela o"enredo" dentro da história israelense e provê a chave para o significadoúnico da Igreja e da vida, morte e ressurreição de Jesus. O que aconteceucom Jesus de Nazaré e com o Seu povo não foi uma frustração trágica ouum adiamento do plano e das profecias divinas. Pelo contrário, de acordocom o apóstolo Pedro no dia de Pentecostes, todos esses eventostomaram lugar "pelo determinado desígnio e presciência de Deus" (Atos2:23; cf. 4:28) como revelado no Velho Testamento. Como então, o"determinado desígnio" foi revelado? Nosso interesse particular aquifocaliza um estilo muito negligenciado e olvidado no qual Cristo e osescritores do Novo Testamento procuravam algumas experiênciashistóricas do Israel coletivo como tipologia das experiências do Messias(êxodo, batismo, as experiências no deserto da tentação). Contemplavamum sentido mais profundo e completo nas profecias em relação àrestauração nacional de Israel depois do exílio assírio-babilônico. A Ressurreição de Cristo "ao terceiro dia" no Velho Testamento Cristo anunciou várias vezes que a Sua ressurreição aconteceria"depois de três elas" (Marcos 8:31; 9:31; 10:34), ou, "ao terceiro dia"(Mateus 16:21; 17:23; 20:19; Lucas 9:22; 18:33; 24:7, 46). Afirmou quenão apenas Seu sofrimento e morte, mas também sua ressurreição "aoterceiro dia" fora predita no Velho Testamento (Lucas 18:31-33; 24:46). Contudo, quais as passagens do Velho Testamento sugerem essapredição messiânica particular? Enquanto os apóstolos apelavam para trêsSalmos (2:7; 16:10; 118:22) a fim de substanciar as suas convicções de queas promessas de Deus aos pais haviam sido cumpridas na ressurreição deJesus (Salmo 2:2 em Atos 13:33; Salmo 16:10 em Atos 2:31 e 13:35;Salmo 118:22 em Atos 4:11), nenhuma destas citações sugerem qualquer
  9. 9. A Interpretação Cristológica 9ressurreição "depois de três dias" e por isso não podem ser consideradascomo a fonte particular do elemento de tempo predito por Jesus. Contudo,duas outras passagens veterotestamentárias podem ser reconhecidas como afonte específica do anúncio de Jesus: Jonas 1:17 e Oséias 6:2. É evidente que Jesus via na experiência de aprisionamento de Jonasdentro do peixe por "três dias e três noites" um tipo messiânico de Suaprópria permanência na sepultura. A notável predição de Oséias – feitaantes de 722 A.C. – de que Israel como o povo do concerto de Deus seriareavivado e restaurado depois do cativeiro assírio, é extremamenteinstrutiva para compreender a aplicação messiânica de Cristo da profeciade Israel. Dentro do contexto do iminente julgamento divino da nação deDez Tribos por meio do exílio assírio, Oséias retrata um Israelarrependido que mostrará uma mudança de coração real, ao dizer: Vinde, e tornemos para o SENHOR, porque ele nos despedaçou e nossarará; fez a ferida e a ligará. Depois de dois dias, nos revigorará; aoterceiro dia, nos levantará, e viveremos diante dele (Oséias 6:1-2; ênfaseacrescentada). Um erudito faz uma observação com respeito a Oséias 6:2,"Verbalmente, este verso é o paralelo mais próximo que o VelhoTestamento oferece às predições de Jesus de sua ressurreição, e suainfluência sobre elas é amplamente aceita".13 Outro chama Oséias 6:2 detexto "fundamental" para a ressurreição de Cristo.14 Aplicada a Israel noexílio assírio, a promessa de Oséias de reavivamento e restauração de umpovo arrependido "depois de dois dias" e "ao terceiro dia", poderiaapenas significar o restabelecimento deste no futuro próximo. A profeciade Oséias concernente aos "dois dias" e "ao terceiro dia" claramente sereferia ao retorno de Israel do exílio assírio. Este começou em 722 A.C.e não terminou até depois da queda de Babilônia em 539 A.C. Depois doexílio, os rabis aplicavam a promessa de Oséias de uma nova forma, demaneira escatológica à ressurreição dos israelitas, um fato que levouMatthews Black a observar: "Porém, a interpretação de ressurreição emOséias vi.2 não é uma invenção cristã. É uma exegese judaica tradicionalbastante antiga de Oséias vi.2".15 A exegese judaica também combinava
  10. 10. A Interpretação Cristológica 10Oséias 6:2 com Jonas 1:17, a fim de fortalecer a esperança israelense naressurreição.16 Assim, concluímos que a fonte escriturística de Jesus paraa Sua convicção de que seria ressuscitado dos mortos "ao terceiro dia"era a combinação da passagem de Oséias 6:2 com Jonas 1:17.17 Jesus aplicou literalmente a expressão simbólica da profecia deOséias concernente à restauração de Israel, depois de "dois dias" e no"terceiro dia", a Si mesmo, à Sua morte substitutiva e à Sua ressurreição.Em outras palavras, Ele aplicou uma profecia que originariamentepertencia à restauração nacional de um remanescente fiel israelense a Simesmo como o Messias de Israel e à Sua própria ressurreição. Enquantoos rabis faziam uma aplicação escatológica da profecia de Oséias (6:2),referindo-se à ressurreição de Israel, Jesus fez uma nova e singularaplicação messiânica da restauração de Israel à Sua própria ressurreição.Este era o sentido mais profundo da profecia de Oséias na visão de Jesus.A implicação de Seu princípio de interpretação profética é reveladora:Jesus é Israel, e em Sua ressurreição a restauração deste é realizada. Atémesmo C. H. Dodd diz, "A ressurreição de Cristo é a ressurreição deIsrael da qual falou o profeta".18 Se a ressurreição de Jesus é o sentido mais profundo e ocumprimento da profecia de Oséias 6:2, então os termos "Israel" e sua"restauração" deveriam sempre ser compreendidos sob a perspectivamessiânica – isto é, cristologicamente – em sua aplicação escatológica.O cumprimento profético literal na escatologia passa pela cruz de Cristoe é transformado em Sua ressurreição. Nela, a esperança de restauraçãoisraelense tem sido consumada. Este estilo messiânico de interpretar aprofecia de Oséias em relação à restauração de Israel tem implicaçõesprofundas e de longo alcance para a compreensão cristã da profeciaveterotestamentária. É refletido em muitas aplicações neotestamentáriasa Cristo Jesus dos eventos do Velho Testamento que pertencem a Israelou aos representantes israelitas.
  11. 11. A Interpretação Cristológica 11 As Aplicações Messiânicas de Jesus nas Músicas Cúlticas de Israel Quatro Salmos para os quais Jesus apelou especificamente comoprefigurações de Sua experiência messiânica (Salmo 22, 41, 69 e 118)merecem nossa mais profunda atenção a fim de estabelecer firmemente opróprio princípio de Cristo da interpretação messiânica. Os Salmos 22, 41 e 69 pertencem à reconhecida categoria delamentações cúlticas que se aplicavam tanto ao israelita individualmentecomo a Israel coletivamente em tempos de crise e sofrimento, muitoembora a confiança e as ações de graças a Deus pela Sua intervençãoredentora também podem ser ouvidas nas lamentações. A relação entre oindivíduo e o povo como um todo era muito próxima em Israel,especialmente quando o indivíduo em um cântico de adoração comumera um rei ou um outro líder representativo do povo. Em Seu momento de mais profunda agonia na cruz, Cristo clamou,"Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?" (Mateus 27:46;Marcos 15:34). Estava citando as próprias palavras do Salmo 22:1 queDavi clamara muito antes no contexto de seu próprio desespero enquantocircundado por vorazes inimigos. Pelo fato do Salmo como um todo seruma unidade, consistindo de uma lamentação extensa a respeito degrande sofrimento e escárnio (versos 1-21), Cristo via na amargaexperiência de Davi uma clara correspondência ou mesmo um tipo daSua própria e infinitamente mais exasperada agonia. A lamentaçãohistórica de Davi no Salmo 22 não é uma profecia messiânica direta,embora Cristo e os escritores neotestamentários apliquem muitosaspectos deste Salmo tipologicamente à cruz e à glória que seguiria. Eleé um dos Salmos mais referidos no Novo Testamento como tendoencontrado um cumprimento mais profundo em Cristo. O Salmo 22:18concernente ao lançamento de sortes pelas roupas do condenado, é citadaem João 19:24 como "cumprido" em Cristo. A ação de graças de Davi noverso 22 é citada em Hebreus 2:12 como se cumprindo na glorificaçãode Cristo.
  12. 12. A Interpretação Cristológica 12 No Salmo 41, o rei de Israel expressou sua necessidade em temposde severa enfermidade (versos 3, 4) e como os seus inimigos estavampróximos a ele, procurando sua morte com falsas acusações (versos 5-8).No centro dessa lamentação está a queixa de que mesmo um amigochegado, que estava acostumado a sentar-se à mesa real, o havia traído: Até o meu amigo íntimo, em quem eu confiava, que comia do meu pão,levantou contra mim o calcanhar. - Salmo 41:9 É possível ver aqui uma referência a Aitofel, o conselheiro deconfiança de Davi (2 Samuel 15:12, 31). Jesus aparentemente se referiu a essa experiência de Davi quandodisse aos doze, "Em verdade vos digo que um dentre vós, o que comecomigo, me trairá... Pois o Filho do Homem vai, como está escrito a seurespeito" (Marcos 14:18; cf. Lucas 22:22). E acrescentou, "é, antes, paraque se cumpra a Escritura: Aquele que come do meu pão levantou contramim seu calcanhar" (João 13:18, ênfase acrescentada; cf. 17:12). A chocante traição do rei Davi por um amigo próximo (Salmos41:9) não foi uma predição ou uma profecia messiânica direta, nãoobstante, Jesus aplicou essa experiência histórica e lamentação cúltica aSi mesmo e, dessa forma, elevou a desafortunada traição de Davi a umtipo que foi "cumprido" em Cristo. Assim, Ele desvelou o Salmo 41:9em um sentido mais profundo e cristológico. O Salmo 69 contém uma desesperada lamentação do rei de Judá,porque ele é falsamente acusado e amargamente perseguido. Nãoobstante, conclui com um cântico de ação de graças e um chamado aolouvor universal a Deus (versos 34-36; cf. Salmo 22:22vv; 41:13). Estelíder é compelido por um zelo consumidor, um amor apaixonado pelacasa de Deus, o templo. Acusado de roubo, ele sofre inocentemente aesse respeito (versos 4, 9). Em seu sofrimento, vê a si mesmo como umrepresentante e exemplar de outros que partilham uma situaçãosemelhante (verso 6).19 Está só, como servo de Deus, pela Sua causa(versos 8-9, 17), mas a despeito de sua angustia extrema continua aesperar nEle (verso 6). A intervenção divina efetuou uma mudança
  13. 13. A Interpretação Cristológica 13repentina para o rei, de maneira que uma conclamação ao louvor e à açãode graças e todo o Israel conclui este cântico comovente (versos 30-36). Várias citações do Salmo 69 no Novo Testamento revelam osignificado messiânico desta lamentação e doxologia. São mais que os cabelos de minha cabeça os que, sem razão, meodeiam... (verso 4). ... .. -pois o zelo da tua casa me consumiu, e as injúrias dos que teultrajam caem sobre mim. (verso 9). Por alimento me deram fel e na minha sede me deram a beber vinagre(verso 21). Quando Cristo notou que os judeus começaram a rejeitá-Lo aperseguir os Seus discípulos, Ele disse, "Quem me odeia, odeia tambéma meu Pai. Se eu não tivesse feito entre eles tais obras, quais nenhumoutro fez, pecado não teriam; mas, agora, não somente têm eles visto,mas também odiado, tanto a mim como a meu Pai. Isto, porém, é paraque Se cumpra a palavra escrita na sua lei: Odiaram-me sem motivo"(João 15:23-25; ênfase acrescentada). O Novo Testamento vincula umasituação particular da vida de Davi com uma situação semelhante na vidade Cristo. Mais ainda, intitula a rejeição de Cristo por parte de Israel um"cumprimento" do que foi escrito no Salmo 69. Essa ligação é justificadade acordo com o princípio da tipologia messiânica. Pouco depois do incidente da purificação do templo de Jerusalémde vendedores de gado e cambistas por Jesus, os discípulos relembraramas palavras do Salmo 69:9, "O zelo da tua casa me consumirá" (João2:17). A mudança da sentença original no tempo presente do Salmo 69:9para o futuro em João 2:17 parece indicar o reconhecimento de umadimensão profética nesse Salmo. O apóstolo Paulo também aplica outras palavras do Salmo 69:9, quepertenciam originalmente a Davi, à experiência de Cristo (ver Romanos15:3). Além disso, a descrição nos evangelhos sinóticos de que a Jesusfoi oferecido vinagre enquanto pendia da cruz (Mateus 27:48; Marcos15:36; Lucas 23:36) corresponde à experiência do salmista no Salmo69:21. O Evangelho de João explicitamente afirma que Jesus disse na
  14. 14. A Interpretação Cristológica 14cruz, "Tenho sede", "para se cumprir a Escritura" (João 19:28; ênfaseacrescentada). Esta "Escritura" é encontrada no Salmo 69:21: "... naminha sede me deram a beber vinagre." O julgamento que Davi reivindicara sobre os seus perseguidores noSalmo 69:25 é, mais tarde, cumprido no destino fatal de Judas, o traidorde Cristo, de acordo com Atos 1:20. Hans J. Kraus observaperceptivamente: Através dos sofrimentos de Jesus, o Servo de Deus, a misteriosamensagem do Salmo 69 é finalmente trazida à luz. Daí em diante, amensagem essencial desse salmo não será acessível de outra maneira. Ocumprimento "preenche" o kerugma do salmo veterotestamentário,transcendendo cada individualidade; ele penetra na profundidade inexaurívelde sofrimento expresso em cântico o qual, em sua proclamação majestosa,coloca-se ao lado de Isaías 53, Salmo 22 e 118.20 O Salmo 118 é considerado parte de uma ação de graças litúrgicado templo. Contém aclamações de louvor responsivas pela comunidadeem adoração. Um adorador individual que pertencia aos "justos" (verso20), possivelmente o rei, experimentou uma libertação miraculosa damorte (verso 17). Sente-se compelido a agradecer a Deus no meio deIsrael e a recontar o ato de livramento de Jeová (verso 17) como respostaàs suas súplicas (verso 21). Os outros adoradores no templo expressam asua admiração quanto à redenção desse oprimido e à espantosa mudançanos eventos para ele, o qual era como uma rocha que os edificadoresrejeitaram, que provou ser, não obstante, de fundamental importância: A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principalpedra, angular; isto procede do SENHOR e é maravilhoso aos nossos olhos.- Salmo 118:22, 23. A idéia básica desse dito proverbial é que alguém desprezado foierguido à estima e à honra; alguém que fora condenado à morte recebeuuma nova vida (versos 17-18). Todo o Israel é convidado a regozijar-seem sua salvação (versos 24-29). O Salmo 118 mostra como a experiênciaindividual e coletiva em Israel está entrelaçada. Os escritores dosevangelhos aplicavam o Salmo 118:22 profeticamente ao sofrimento e à
  15. 15. A Interpretação Cristológica 15ressurreição do Messias (Mateus 21:42, cf. versos 14-15). De acordocom Lucas, Jesus perguntou aos rabis e principais sacerdotes queestavam inclinados a destruí-Lo, "Que quer dizer, pois, o que estáescrito: A pedra que os construtores rejeitaram, esta veio a ser a principalpedra, angular?" (Lucas 20:17; ênfase adicionada). Aparentemente, Jesusvia nos cânticos tradicionais de ação de graças do Salmo 118 umsignificado messiânico que transcendia uma exegese puramentehistórica. Cristo penetrava no sentido oculto desse cântico de ação degraças através da aplicação do método tipológico. A interpretaçãocristológica revelou o significado desse salmo. A aplicação de Pedro do Salmo 118 ressalta a ressurreição de Cristocomo o maravilho ato de Deus. Este salmo aparentemente não preditivoencontrou o seu cumprimento em Cristo. Pedro identificouespecificamente os governantes e mestres de Jerusalém como "osconstrutores" (Atos 4:11). O Targum judaico explica o Salmos 118:22como se referindo apenas a Davi, que havia sido rejeitado antes de serescolhido como o ungido.21 Porém, Pedro desenvolve com convicçãoapostólica o cumprimento escatológico e cristológico do Salmo 118 (ver1 Pedro 2:4, 7). Ademais, tanto Pedro quanto Paulo aplicam "a pedra" do Salmo 118também num sentido coletivo ou corporativo à igreja dos apóstolos (1Pedro 2:4,5; Efésios 2:20). Os crentes cristãos são como pedras vivas"edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo elemesmo, Cristo Jesus, a pedra angular" (Efésios 2:20; 1 Pedro 2:5).Conseqüentemente, a construção do verdadeiro templo de Deus na terranão foi detida ou adiada, mas ao contrário, avançou e acelerou desde oPentecostes pelo próprio Cristo ressurreto. Sumariando, os salmos de Israel que encontraram cumprimento emJesus Cristo (Salmo 22, 41, 69, 118) não foram predições messiânicasdiretas. São orações e ações de graças de Israel que se aplicavamdiretamente ao tempo do poeta ou do próprio rei davídico. Seguindo aspegadas de Jesus, os escritores do Novo Testamento proclamaram que a
  16. 16. A Interpretação Cristológica 16missão de Cristo, Sua progressão do sofrimento e rejeição para aressurreição e exaltação como Senhor, foi o "cumprimento" de algumasdas mais dramáticas experiências de Israel descritas nos cânticos cúlticosdeste. Assim, o Novo Testamento ensina a interpretação tipológica dossalmos e orações de Israel.22 Esse surpreendente padrão de tipologia nolivro de Salmos, que veio à luz apenas através de Jesus Cristo e do NovoTestamento, justifica a classificação de tais salmos como profeciasmessiânicas indiretas. O princípio hermenêutico que ressalta a suaaplicação cristológica parece ser que Cristo deve repetir a experiência deIsrael num sentido bem mais pleno, a fim de cumprir o propósito deDeus para Israel e o mundo.23 O propósito dessas citações neotestamentárias não é simplesmentemostrar como as predições messiânicas encobertas foram verificadas deforma precisa na vida de Jesus, mas ao invés disso, proclamá-Lo como oalvo da história de Israel e a perfeita realização do concerto de Deus comeste. Jesus é entesourado no Novo Testamento como infinitamente maiselevado do que o verificador das predições verbais. A Ele sãotransmitidos de uma só vez os títulos messiânicos – Messias, Escolhido,Amado, Filho de Davi – e os títulos de Israel – Servo de Jeová, a pedrarejeitada mas vindicada, pedra angular, templo. Em resumo, o NovoTestamento exalta a Cristo Jesus como "o Consumador da fé" (Hebreus12:2), como "o clímax do modelo do verdadeiro relacionamento deconcerto".24 A Interpretação Cristológica das Descrições Históricas nos Livros Proféticos Os escritores dos Evangelhos declaram que certas ocorrênciashistóricas no passado de Israel foram "cumpridas" na própria vida deCristo. Mateus cita uma referência histórica no livro do profeta Oséias,"do Egito chamei o meu filho" (11:1), uma declaração que relembrava aIsrael de seu êxodo histórico do Egito. Ele aplica estas palavras à fuga de
  17. 17. A Interpretação Cristológica 17José e Maria daquele país até a morte de Herodes: "...para que secumprisse o que fora dito pelo Senhor, por intermédio do profeta: DoEgito chamei o meu Filho" (Mateus 2:15). O ponto da citação de Mateusé que a profecia de Oséias se "cumpriu" no Jesus infante. Contudo, aspalavras do profeta, não eram profecia, mas uma lembrança significativada experiência histórica de Israel como "filho" de Deus (cf. Êxodo 4:22).Como Mateus pode, então, afirmar que Oséias 11:1 se "cumpriu" emJesus? Pelo mesmo raciocínio que justificou a interpretação messiânicada experiência de Davi (ver a seção anterior). Como o Filho de Deus,Cristo não apenas representa Israel perante Ele, mas também representa ahistória e o destino daquela nação em Sua própria vida. Mateus tentaensinar que o significado da história israelita é inteiramente revelado navida e missão de Jesus Cristo. Mateus continua o relato descrevendo o assassinato de todas ascrianças de dois anos para baixo em Belém por Herodes. Agora, ele serefere a um evento na história de Israel, descrito no livro do profetaJeremias, como tendo se "cumprido" nos chocantes eventos de Belém. Então, se cumpriu o que fora dito por intermédio do profeta Jeremias:Ouviu-se um clamor em Ramá, pranto, [choro] e grande lamento; era Raquelchorando por seus filhos e inconsolável porque não mais existem. - Mateus2:17-18; c£ Jeremias 31:15 Estas palavras se referem à deportação dos judeus de Jerusalém –via Ramá – para Babilônia, que o próprio Jeremias testemunhou.Simbolicamente, Raquel, como a mãe de Israel, estava então chorando.De acordo com Mateus, esse choro se "cumpriu", contudo, no lamentodos belemitas por causa do massacre decretado por Herodes, a fim dematar Jesus. Mateus interpreta muitos eventos cruciais na históriaisraelense como prefigurações dos eventos messiânicos. Na vida deCristo, o sentido mais pleno da história sagrada de Israel é trazido à luz.25Dessa maneira, ele tenta confirmar a fé cristã de que Jesus é o Messiasde Israel e de que Deus realizou o Seu objetivo com Ele na Sua históriade Salvação.
  18. 18. A Interpretação Cristológica 18 Os eruditos bíblicos começam a aceitar o termo teológico sensusplenior, ou "sentido pleno", a fim de reconhecer que a históriaveterotestamentária de Israel tem um significado mais profundo do queuma exegese puramente histórico-gramatical poderia trazer à luz.26Dirigido por controles adequados27, o conceito de "sentido pleno" ou"sentido mais profundo" é válido e indispensável para reconhecer comoos escritores dos Evangelhos – e do Apocalipse – interpretam o VelhoTestamento. O significado "pleno" das Escrituras figura, por definição,como o sentido intencionado por Deus na Palavra, que pode ou não tersido discernido pelo autor humano, mas que é tornado claro pelarevelação subseqüente do Espírito Santo. Como um erudito esclarece,"Em ambas as situações, o autor não transmite o sensus plenior aos seusouvintes, mas posteriormente, à luz de revelação ulterior, o significadopleno torna-se claro aos leitores sob a influência do Espírito que inspirouo autor original".28 Alguns exemplos do Evangelho de João são instrutivos paraaprender como os apóstolos entendiam o significado da história israelitano Velho Testamento. João interpreta a descrença judaica em Jesus comoo Messias como um cumprimento da descrença de Jerusalém namensagem de Isaías. E, embora tivesse feito tantos sinais na sua presença, não creram nele,para se cumprir a palavra do profeta Isaías, que diz: Senhor, quem creu emnossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor? (João 12:37-38;ênfase acrescentada; cf. Isaías 53:1). Enquanto o antigo Israel descria na mensagem profética de Isaíasconcernente à vinda do Servo de Jeová (Isaías 53), os judeus nos dias deJesus descriam num sentido mais profundo, pois viam o cumprimento daprofecia de Isaías perante os seus olhos e ainda não criam Nele. Joãoprocede de maneira a clarificar a implicação teológica da rejeição pelosjudeus de Jesus Cristo, apelando para Isaías 6:9-10 através de umamaneira literária que não se conforma nem com o texto hebraico, nemcom o da Septuaginta. Ele introduz a Jesus como realmente atuando da
  19. 19. A Interpretação Cristológica 19maneira como Isaías originalmente havia descrito sob a ordem de Jeová.De acordo com Isaías, Deus mandou- lhe dizer à Jerusalém: Ouvi, ouvi e não entendais; vede, vede, mas não percebais. Tornainsensível o coração deste povo, endurece-lhe os ouvidos e fecha-lhe osolhos, para que não venha ele a ver com os olhos, a ouvir com os ouvidos ea entender com o coração. Isaías 6:9-10 Contudo, João cita Isaías como dizendo, "[o Senhor] cegou-lhes osolhos e endureceu-lhes o coração, para que não vejam com os olhos, nementendam com o coração..." (João 12:40, ênfase acrescentada). Por isso,João transforma a comissão de Deus ao profeta Isaías em uma tarefacumprida por Jesus Cristo. Adiciona significativamente, "Isto disseIsaías porque viu a glória dele e falou a seu respeito (João 12:41). Essa impressionante afirmação declara nada menos que Isaías – emsua visão da impressionante santidade de Jeová no templo celestial e doseu chamado profético ao povo de Israel (Isaías 6:1-8) – havia visto emrealidade, a glória de Cristo em Seu esplendor pré-encarnado, e a Ele sereferido. Para João, a pessoa de Jesus manifesta uma fusão da glória deJeová e da missão profética de Isaías 29 (cf. João 1:14; 17:4-5). Dessamaneira surpreendente, o apóstolo desdobra o significado pleno damissão profética de Isaías e a subseqüente cegueira de Israel. Jesus atémesmo lê a descrição de Isaías da hipocrisia dos adoradores deJerusalém – no oitavo século A.C. – como uma profecia da hipocrisiados fariseus e rabis de Seus próprios dias: Hipócritas! Bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo: Este povohonra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. E em vãome adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens. - Mateus15:7-9; ênfase acrescentada; cf. Isaías 29:13 Uma comparação literária de Isaías 6:9-10 com João 12:40 – tantono texto Massorético como na Septuaginta – mostra que João não seapega conscientemente à letra do Velho Testamento quando o cita.Enquanto preserva o sentido original do texto hebraico, ele sente-se livrepara modificar o texto original – ou a sua versão grega – a fim deapresentar o sentido cristológico mais apropriadamente.30 Para ele, bem
  20. 20. A Interpretação Cristológica 20 31como para os outros autores do Novo Testamento , o significadocristológico do texto original era de importância primária para a suacompreensão cristã do Velho Testamento. Henry M. Shires conclui apartir de seu estudo do Evangelho de João, "O evangelista éprimariamente influenciado pela sua convicção teológica [de que Jesus éo Messias de Israel], e vê o V.T. como um recurso que pode usar naformulação eficiente de sua concepção. Mas, para os cristãos, osignificado do VT. é profético".32 Sumariando, o Novo Testamento revela uma abordagem do VelhoTestamento que é múltipla e centralizada em Cristo, a qual é tambémteologicamente mais rica e compreensiva do que a hermenêutica doliteralismo. Uma consideração de vários exemplos neotestamentários deinterpretação das profecias messiânicas do Velho Testamento revelaalguns padrões fascinantes de promessa e cumprimento dentro de umaestrutura mais ampla da contínua história divina da salvação. Baseada naimplícita pressuposição da soberania de Deus na história de Israel, oNovo Testamento reconhece algumas profecias messiânicas diretas doVelho Testamento que encontraram seu cumprimento em Cristo Jesus.Ainda com mais freqüência, contudo, o Novo Testamento reconhecemuitas profecias messiânicas indiretas que têm sido confirmadas em seusignificado mais pleno (sensus plenior) em Cristo através de umcumprimento tipológico, especialmente no modelo de sofrimentoseguido pela exaltação nos Salmos monárquicos. Finalmente, o NovoTestamento inova uma interpretação messiânica das passagens históricasnão preditivas da experiência israelita no Velho Testamento, novamenteem termos de correlações tipológicas. Através dessas várias maneiras, oNovo Testamento ensina que os eventos na vida de Cristo – Seunascimento em Belém, Sua morte humilhante, mas também Suaressurreição e exaltação à destra de Deus – não foram eventosimprevistos ou acidentais, mas predeterminados de acordo com osdesígnios de Deus quando formou e chamou a Israel. Enquanto asprofecias messiânicas diretas têm uma utilidade apologética definida
  21. 21. A Interpretação Cristológica 21para a proclamação do Evangelho aos não-cristãos, o padrão depromessa-cumprimento nas profecias tipológicas e na história de Israelparece válido e convincente apenas para os cristãos que já crêem queJesus é o Messias da profecia. Essa fé em Cristo Jesus é inteiramente baseada nos fatos históricosobjetivos da vida e ressurreição de Cristo. Tal fé abre os olhos para vê-Lo em todo o Velho Testamento33, de maneira que as profeciasmessiânicas não são mais isoladas e limitadas a um grupo particular deprofecias preditivas ou a algumas seções das Escrituras (ver João 5:39,46; Lucas 24:27, 44-47). Essa visão de Cristo como a incorporação deIsrael e o representante da humanidade, devemos ao próprio Jesus,porque Ele compreendia o Velho Testamento tipologicamente como umtodo. Por essa razão, o Velho Testamento não pode ser exaurido outornado obsoleto, mesmo pelo cumprimento literal de suas predições ouprefigurações. "Cresce a convicção de que os escritores do Novo Testamentousavam as Escrituras com conhecimento e discernimento espiritual,compreendendo inteiramente o que estavam fazendo. Para eles, o VelhoTestamento como um todo e em todas as suas partes era uma testemunhade Cristo".34 Através do Espírito de Cristo o crente se comove com aalegria da descoberta ao discernir novos veios da verdade nas Escriturasque confirmam a unidade espiritual do Velho e do Novo Testamentos. OVelho torna-se para ele um livro cristão tanto quanto o NovoTestamento, porque "a inteireza do Antigo Testamento aponta como umagrande flecha para o cumprimento relatado no Novo".35 Referências Bibliográficas: 1. Ver W. C. Kaiser, Jr., "Messianic Prophecies in the Old Testament",em Hand Book of Biblical Prophecy, ed. C. E. Amerding and W. W.Gasque (Grand Rapids, Mich.: Baker Book House, 1978), p. 84. TambémToward an Old Testament Theology, p. 141. Cf. SDABC, vol. 1, pp.l017-19 (sobre Deuteronômio 18:15).
  22. 22. A Interpretação Cristológica 22 2. Ver Kaiser, Toward an Old Testament Theology, pp. 149-157(sobre 2 Samuel 7); pp. 159-166 (sobre os salmos monárquicos); pp.208-210 (sobre Isaías 7:14. Quanto a Isaías 7:14, ver Problems in BibleTranslation, ed. Uma comissão da Conferência Geral dos Adventistas doSétimo Dia (Washington, D.C. : Review and Herald Pub. Assn., 1954),pp.151-169. 3. Kistemaker, The Psalm Citations in the Epistle to the Hebrews, pp.145-146. 4. W. J. Beecher, The Prophets and the Promises. (Grand Rapids,Mich.: Baker Book House, 1975; reimpressão de 1905), pp. 129-131. 5. Paul Peters, citado em W. J. Hassold, "Rectilinear or TypologicalInterpretation of Messianic Prophecy", Concordia 38 (1967): 155-167;citação da página 155. Esse artigo apresenta um relatório instrutivo dodebate no luteranismo acerca da profecia messiânica direta ou tipológica. 6. Kaiser, "Messianic Prophecies in the Old Testament", em HandBook of Biblical Prophecy, p. 77. 7. Ver France, Jesus and the Old Testament, pp. 43-49. 8. K. J. Woollcombe (Essays on Typology, ed. Lampe andWoollcombe [Naperville, Ill.: A. R. Allenson, 1957], pp. 43-44) encontra oconceito de recapitulação entrincheirado nas profecias escatológicas doVelho Testamento, e.g., a visão do templo de Ezequiel, em consideração dotemplo de Salomão e o tabernáculo de Israel. 9. R. T. France, "In all the Scriptures" – A Study of Jesus Typology",TSF Bulletin (1970), p. 14. 10. France, Jesus and the Old Testament, pp. 50-53. B. Gerhardsson,The Testing of Gods Son (Lund: CWK Gleerup, 1966), capítulos 1-4,especialmente, pp. 19-35. 11. Dodd, The Old Testament in the New, p. 29. Cf. H. WheelerRobinson, Corporate Personality in Ancient Israel (Philadelphia: FortressPress, 1967). 12. Dodd, According to the Scriptures. Também The Old Testament inthe New (Philadelphia: Westminster Press, 1974); Bruce, New TestamentDevelopment of Old Testament Themes.
  23. 23. A Interpretação Cristológica 23 13. France, Jesus and the Old Testament, p. 54. Cf. Dodd, The OldTestament in the New, p. 30; C. Westermann, The Old Testament and JesusChrist, tr. Omar Kaste (Minneapolis: Augsburg Pub.:, 1971). 14. H. E. Tödt, The Son of Man in the Synoptic Tradition, tr. DorotheaM. Barton (Philadelphia: Westminster Press), p. 185. 15. Ver M. Black, "The Christological Use of the OT in the NT", NTS18 (1972): 1-14; citação da página 6. 16. J. W. Doeve, Jewish Hermeneutics in the Synoptic Gospels andActs (Assen: Van Gorcum, 1954), p. 149, que se refere a Ber. Rabba LVI:1;XCL:7 (fim). 17. Ver France, Jesus and the Old Testament, p. 55. 18. Dodd, According to the Scripture, p. 103. Cf. também France, Jesusand the Old Testament, p. 55. 19. Ver Kraus, Psalmen, p. 482 (sobre o Salmo 69:7). 20. Kraus, Psalmen, p. 485 (tradução do autor). 21. Black, "The Christological Use of the OT in the NT", pp. 12-13. 22. Mowinckel, He That Cometh, p. 12. 23. France, Jesus and the Old Testament, p. 59. 24. C.F.D. Moule, "Fulfillment-Words in the New Testament: Use andAbuse", NTS 14 (1968): 293-320; especialmente, 298-302. 25. Para um tratamento mais completo, D. A. Hagner, "The OldTestament in the New Testament", pp. 90-104. J. C. K. von Hofmann,Interpreting the Bible (Minneapolis: Augsburg Pub., 1972), pp. 169-204. 26. D. A. Hagner, em Handbook of Biblical Prophecy, ed. C. E.Amerding and W. W. Gasque (Grand Rapids, Mich.: Baker Book House,1978), p. 91. W. S. LaSor, "Interpretation of Prophecy", em Hermeneutics,ed. B. Ramm, et al. (Grand Rapids, ich.: Baker Book House, 1971), pp.106-108. Ver o erudito católico romano R. E. Brown, The Sensus Pleniorof Sacred Scripture (Baltimore: St. Marys University, 1955), p. 92. 27. Ver Hagner, em Handbook of Biblical Prophecy, p. 93v; LaSor,"Interpretation of Prophecy", em Hermeneutics, p. 116. 28. LaSor, "Interpretation of Prophecy", em Hermeneutics, p. 108. 29. Cf. Von Hofmann, Interpreting the Bible, pp. 202-204.
  24. 24. A Interpretação Cristológica 24 30. Cf. Old Testament Quotation in the New. Testament, ed. R. G.Bratcher (London: United Bible Society, 1967), p. 24. Para a versão deIsaías 6:9-10 em Marcos 4:12 de acordo com a versão encontrada noTargum de Jônatas, ver Hagner, The Old Testament in the New Testament,em Interpreting the Word of God, pp. 87-88. A citação em Mateus 13:14-15concorda com a Septuaginta de Isaías 6:9-10. 31 . Um outro exemplo de notável liberdade em desviar-se do textooriginal é encontrado na "citação" de Hebreus 10:37-38 de Habacuque2:3-4. Ver T. W. Manson, "The Argument From Prophecy", JTS 46 (1945):129-136. 32. Shires, Finding the Old Testament in the New, p. 60. 33. Ver Westermann, The Old Testament and Jesus Christ; J.A.Borland, Christ in the Old Testament: A Comprehensive Study of OTAppearance of Christ in Human Form (Chicago: Moody Press, 1978);Wnham, Christ and the Bible. 34. Westermann, Christ and the Bible, p. 108. 35. Hagner. The Old Testament in the New Testament, em Interpretingthe Bible, p. 103. Cf. H. L. Ellison, The Centrality of the Messianic Idea forthe Old Testament (Leicester: Theological Students Fellowship, 1977), p. 6:"O Velho Testamento inteiro, e não meramente uma antologia de passagensprovas, foi considerado como se referindo a Cristo Jesus."

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