Orelha de limão

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Orelha de limão

  1. 1.
  2. 2.
  3. 3.
  4. 4. ORELHA DE LIMÃO<br />
  5. 5. Era uma vez uma pequena ovelha igual a todas as outras. Só tinha uma coisinha nela que era diferente: uma das suas orelhas era amarelo-limão. E quando ela encontrava os seus vizinhos, a cabra e o porco, acontecia sempre a mesma coisa:<br />
  6. 6. – Olá, orelha de estrela, hoje de novo triste? <br />– perguntou o velho carneiro. <br />– Não dês importância ao que eles dizem!<br />– Olá, orelha de limão, hoje de novo azeda? – berrava a cabra.<br />– Olá, orelha de queijo, hoje de novo malcheirosa? <br />– grunhia o porco.<br />Mas a pequena ovelha chorou. <br />– Com esta orelha tudo me corre mal!<br /> E era assim mesmo.<br />
  7. 7. Quando a pequena ovelha estava com fome, a cabra comia a melhor erva à sua frente.<br />Quando a pequena ovelha estava com sede, o porco bebia toda a água da gamela à sua frente.<br />A pequena ovelha ficava desesperada e achava que a culpa era da orelha amarela!<br />Quando a pequena ovelha achava um lugar confortável, no outro dia uma ovelha já tinha ocupado esse lugar.<br />
  8. 8. – Se eu cortar a orelha amarela, talvez cresça uma orelha branca.<br /> – disse a ovelha ao velho carneiro. <br /> – Assim, não vou ter mais problemas.<br /> – Que absurdo! – respondeu o velho carneiro. <br /> – Eu tenho uma ideia melhor; estás a ver aquele balde com tinta branca? Eu vou-te pintar a orelha de branco. <br /> A pequena ovelha ficou entusiasmada; <br /> – Boa ideia! <br /> O carneiro foi buscar um pincel. E a pequena ovelha fechou os olhos, para a tinta não lhe respingar. <br /> Ela sentia a orelha molhada e mais pesada. <br /> – Agora está branca? – perguntou depois de algum tempo. – Branca, como a neve .<br /> – confirmou o velho carneiro. <br />
  9. 9. Depois sentiu uma sede terrível. Correu para a gamela e não foi empurrada pelo porco. A água estava saborosa, fresca e limpa! Parecia limonada.<br /> De repente a ovelha ficou com muita fome.<br /> Abriu os olhos e olhou em volta. <br /> O que era aquilo?<br /> Como apareceram tantas flores e ervas suculentas?<br /> Cresceram bem na frente do meu nariz.<br />
  10. 10. “Com a orelha branca, tudo fica melhor!”, pensou a pequena ovelha, passeando pelo pasto em direcção ao seu lugar predilecto. <br /> Onde já estava a cabra deitada a dormir. <br /> “Ah, tanto faz”, pensou a pequena ovelha. <br /> “Aquele outro cantinho é ainda mais bonito”. A minha orelha branca só me está a dar sorte! <br /> Pouco tempo depois, o tempo mudou e começou a chover.<br /> – Que tempo feio – resmungou a cabra saindo a pular.<br /> – Quando parar de chover, a erva ainda estará mais saborosa. – a ovelha alegrou-se e continuou a passear pelo pasto até encontrar o porco.<br />
  11. 11. O porco rolava numa poça, espirrando lama para todos os lados. <br /> – Não suje as minhas orelhas brancas! – reclamou a ovelha.<br /> – Brancas? Uma das tuas orelhas é amarela – lembrou o porco. <br /> – Já te esqueceste, orelha de queijo?<br /> – Orelha de queijo? – perguntou assustada, a ovelha.<br /> – Pronto está bem: orelha de limão, se preferires – disse o porco. <br /> – Isso é impossível! – exclamou a pequena ovelha. – A minha orelha é branca como a neve.<br />
  12. 12. – Que disparate! – disse o porco. <br /> – Olha bem para ti nesta poça de água.<br /> A ovelha debruçou-se, tremendo de medo, sobre a poça de água.<br /> Amarela! Realmente , era verdade! A pequena ovelha chorou amargamente e chamou o velho carneiro.<br /> – A chuva lavou a tinta branca da minha orelha. Tu podias pintá-la outra vez? <br />Com a orelha branca tudo fica melhor, muito melhor!<br />
  13. 13. – Eu preciso de te confessar uma coisa, a tua orelha nunca foi pintada de branco .<br /> – disse o velho carneiro. – No pincel não havia tinta, só água. A tua orelha esteve sempre amarela. Mas apesar disso, tudo foi diferente para ti, não foi?<br /> A pequena ovelha ficou triste. <br /> Estava um pouquinho chateada com o velho carneiro, por ele a ter enganado. <br /> – A minha orelha sempre esteve amarela?<br /> – perguntou.<br /> – Sim o tempo todo – confirmou o velho carneiro.<br />
  14. 14. No dia seguinte a pequena ovelha encontrou a cabra e o porco.<br /> – Olá, orelha de limão, hoje de novo azeda? – berrava a cabra.<br /> – Olá, orelha de queijo. Hoje de novo malcheirosa? – grunhia o porco. <br />A pequena ovelha olhou demoradamente para os dois e disse:<br /> – A partir de hoje, por favor, digam: <br />Olá, orelha de estrela! Entenderam?<br />
  15. 15. E, quando a noite caiu, todos acharam que aquele era, de facto, um belo nome para a ovelha de orelha que brilhava!<br />

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