Menina que sorria a dormir

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História sobre uma menina que ouvia histórias para dormir, não para adormecer.

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Menina que sorria a dormir

  1. 1. ,. !y ¡kmndra ¡ v. › a. a . . ..L
  2. 2. Era uma vez uma aldeia muito pequenina. com casas muito pequeninas e com um número de habitantes muito. muito pequeno. Nessa aldeia vlvla Glórla. uma manlna ainda pequena. com a sua mãe Inácla e a avó Gertrudes. 0 pa¡ Amilcar trabalhava multo longe da aldeia. numa cidade multo. multo. muito grande. _. l . . u* “É . .à = L ' 'Wlprtt ' , f x 'l * * pf' ã t! ? 'M' r' '. ''-~ fl-! v , › * E H l' v. ; a W " íy P' / , l “ ›; › _ l a 11 1 s** ›*, k › . Í a ' * t' V t I l _ l E x1 l ,
  3. 3. Glória era uma menina como tantas outras. .. preterla lamber as colheres de pau e comer bolos de chocolate. portava-se melhor com a tla do que com a mãe. lfnllm. ILuL¡ «lc nmn' Mas a Glória tlnha uma grande dificuldade: não conseguia dormir sem sor embalada por histórias.
  4. 4. Dormir não é adormecer. Quando alguém parava de contar a história, tosse a que horas tosse, a menina abria logo os olhos e dizia sorridente:
  5. 5. A professora da aldeia, que era mais organizada do que um dicionário, tlnha feito um horário com o dia da semana, o tipo de história e o nome do responsável por proporcionar à Glória um soninho descansado: a mãe, a avó, o tio, a prima, a vizinha, ... na aldeia todos colaboravam.
  6. 6. O Senhor Amilcar também contava histórias à Glória. Todos os meses, a menina recebia uma longa carta, semelhante a uma autêntica viagem dentro de um envelope. 7-. '.'-~
  7. 7. Na aldeia da Glória, cada habitante tinha o seu tipo de história preferida. O pai era o único a contar histórias de viagens. r f* ç».
  8. 8. A mãe era a mulher das fábulas, pois além de ser apaixonada por animais, gostava de dar lições como todas as mães.
  9. 9. O tio Afonso, ou melhor, , como era tratado na aldeia, por aparentar a elegância de um principe, contava histórias de reinos distantes que acabavam sempre "Êrzaarazzz, ¡ck/ grassa- r: : c/ (FOJ Ki( 10d c' Karan: Kdlcírcd ; vam Jean¡ [vn-L- rl#t
  10. 10. A avó Gertrudes, nas noites que lhe estavam destinadas, divertia-se a dizer adivinhas e a responder às mesmas. Esta carinhosa avozinha queria que a neta viesse a ser uma mulher despachada e com raciocinio rápido.
  11. 11. P e (Jii.1iij»i: :.~* 'A ' = *i* ›; . Qii. : t_ - ~. ' D (Í) Jriiiii) Ii . ev t1_ . niiÊiÉ Iii Jii_'1"i"i". '“. :› uma casa tem 12 meninas. cada uma com 4 quartos, Todas elas LlSiilii nunas. rtonhurtta rompe sapatos. Sabes o que e? fa? ? Verde como o maio e maio nao e. q Faia como geme e geme nao o. _
  12. 12. A prima Vera, como dizia a avó Gertrudes, parecia um girassol, tinha os pés bem assentes na Terra. mas a cabeça andava sempre às voltas à procura do Sol. A rapariga passava os dias Inteiros com as ilores, só perto delas é que se sentia feliz. Nas noites, em que la embalar a pequena Glória Vera contava-lhe as zangas dos amores-perleitos, a vaidade das orquídeas ou a forte amizade entre as rosas e as margaridas.
  13. 13. A vizinha Joana. mulher do L padeiro, divertia-se com tudo o que f era fedorento c horritailanic. Contam as más-linguas que ela era assim. porque uma lebre muito í' alta linha levado os seusY-fr pensamentos para sitios do oulro mundo. O que aconteceu. ninguém wet: : ao certo. mas a partir dessa doença. Joana passou a vestlgu/ sempre de preto, a sair de caisçzsó N¡ à noite e a contar histórias em ue entrava sempre um bruxo, feiticeiro, temp¡ ro ou lobisomem.
  14. 14. A Glorinha às vezes tremia no meio do sono. Nesses momentos, a vizinha Joana calava-se, para não assustar mais a menina. Mas a Glória abria logo os olhos e perguntava:
  15. 15. O padeiro era tão boa pessoa que todos lhe chamavam. Pão de Deus. As suas noites a adormecer a Glória passava-as a contar a história de amor. ..
  16. 16. .. .entre os morangos e o chantilly, o sucesso do cacau que chegou a chocolate ou a relação curiosa do mel com as nozes. Depois de uma noite em que o padeiro contava histórias vinha a manhã em que não havia pão iresco na aldeia. / t); _rt . S' _ _ r . ›.›~¡, u§i5,_r' _E
  17. 17. Depois dessas noites, escusado será dizer, a Glória acordava a gritar:
  18. 18. 0 problema da Glória começava a interferir com a vida de todos os habitantes.
  19. 19. Apesar de ninguém se queixar e de todos adorarem a menina, o cansaço estava a tqrnarrse visivel e, às vezes, bem dificil de suportar. Perder uma noite de sqno com tanta frequência não deixa ninguém bem-disposto. '( L . , _ | ' r y. ? l . 'Í' f. v. / a' K _, , _- _ " *l / /i z/ / , / ' r K 1! . ' X 'x n/ /
  20. 20. Alegre ficava sempre a Glória quando recebia noticias do pai. Naquele dia escuro e triste. embora fosse primavera, o sorriso da menina iiuminou-se quando o carteiro chegou com mais uma carta do senhor Amilcar.
  21. 21. Aliás, não era uma carta, mas sim, uma caixa do tamanho da mão de uma criança. .. Que boa surpresa! Excitada e curiosa, abriu-a e pensou que o que estava a ver era fruto da sua imaginação.
  22. 22. . . Esiregou os olhos e observou novamente o lnterlÊúxcasiãlârtêta/ :deflá sobre um montinho de algodão branco e fofo como as nu e_ stava uma menina que parecia uma princesa nascida num lugar mágico. Vestida com uma camisa de dormir até aos pés. sorria com os olhos sempre fechadose tudo brilhava á sua volta.
  23. 23. Querida Glória. Ho| e envio-ie um presente muito especial: uma Fadinha de Olhos Fechados. Descobri-a num lugar onde as pessoas dormem a ouvir historias, tai como iu. só que ninguém precisa de iicnr acordado. Todos os habitantes iém uma Fadinha de Olhos Fechados a viver dentro da sua almofada. A Fadinha gosta de passar as noites n sussurrar histórias ao ouvido de quem dorme. A essas histórias chamam-lhes sonhos. Gloria, guarda a lua indinha na almofada. se| a oln de penas, espuma ou sumuúmn. e verás como dormes toda a noite embniada por hisiórins nunca ouvidas. Na terra onde descobri as Fadinha: : de Olhos Fechados, os meninos mais pequeninos costumam levar as aimoiadas consigo quando não dormem na sua cama. Não se querem separar nunca da sua Fadinha! Bons sonhos e um grande beijo do Pai
  24. 24. 7g 75? ík í? A Glória até duvidava do que estava a acontecer. Desconfiada decidiu que não ia contar nada a ninguém. Logo que anoitecesse, iria meter a Fadinha de Olhos Fechado na almofada e esperar para ver o que acontecia. í? :k a ak ea °°
  25. 25. Chegou a noite, ainda mais escura do que o dia, que já tinha sido bastante escuro. Depois de um jantar digno de um principe com "consommés" e "souffiés", iluminado por iustres de cristal e castiçais de prata, o tlo Afonso dirigiu-se a casa da sobrinha, para mais uma noite de «Era uma vez. num reino muito, muito distante. ..» r i x h h i A¡ "i * ~ i b_ / ,z*. _. i. /., Àr / z / r fax» -. . z ¡ v r ” . L *: "_, ,y_¡ * 1/ / Ávlf. ' '*›-ÁP t › P, s_ *x __ l' / 1/ ! A ' 7" 'At
  26. 26. la a história quase a chegar á parte do baile (a parte preferida da Gióriai), quando o tio foi interrompido pelo barulho forte da chuva. Chovia tanto, tanto, que parecia que os anjos tinham decidido transformar a terra em mar.
  27. 27. Lembrou-se logo da sua filha Vera, se estivesse acordada, certamente que estaria preocupada com as suas amigas flores. Perdido nestes pensamentos, D. Afonso nem se apercebeu que algo de estranho estava a passar. Ele já se tinha calado há tanto tempo. .. . x1
  28. 28. mluir' nàíiáiiintpy' . injirniÇ , _ g e 3 j. , ' ' ' . ___ A Chuva acalmou e serenou os pensamentos do tio. De repente lembrou-se da Glória. como é possivel? Eia ainda não tinha acordado corn a pergunta do costume: «e depois, e depois? »
  29. 29. Já se via o sol a entrar no quarto quando a menina se começou a mexer. .. Quando viu o tio a observá-ia com cara de bobo da corte, disse-lhe:
  30. 30. A Glória chamou também a mãe e a avó, gritando como só as crianças sabem gritar:
  31. 31. Quando as duas senhoras chegaram ao quarto ainda a limpar as mãos ao avental e a mastigar o pequeno almoço. a Glória mostrou a caixinha azul que já só latinha dentro o algodão e a carta do pai.
  32. 32. A partir desse dia, ninguém mais passou noites em branco, com exceção do padeiro e da sua misteriosa mulher, a vizinha Joana. Aliás, esse casal começou a sair uma tarde por semana, ainda com o sol a brilhar no céu.
  33. 33. Era a tarde em que a professora organizava um lanchlnho na escola para que todos ouvissem a Glória a contar os seus sonhos. Os sonhos eram surpreendentes e a gargalhada era geral. se, por alguma razão, a Glória parava de contar o que tlnha sonhado, ouvia-se a aldeia em coro.

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