Desenvolvimento Sustentável no Cerrado Exposição da deputada federal Marina Sant’Anna (PT-GO). Abertura do III Congresso N...
públicas (conselhos, agências de fiscalização, licenciamento, secretarias etc.) eprivadas, como as dezenas de milhares de ...
em consonância com o Plano Nacional da Sociobiodiversidade. No caso do CerradoGoiano, que possui poucos remanescentes conc...
haver uma expansão de 628,50%. O trabalho revela que, enquanto em 2006 haviaum único município com mais de 90% de seu terr...
aos incêndios é muito mais difícil e oneroso, além de causar sérios prejuízosambientais.        Precisamos ainda saber com...
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Banco Interamericano de Desenvolvimento (BIRD) que têm atuado para apoiar aexecução de políticas públicas urbanas sustentá...
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Concluo me irmanando ao todos e todas que acreditam na condição objetivade construção de um outro mundo possível, desenvol...
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Deputada federal Marina Sant’Anna faz palestra de abertura do III Congresso Brasileiro de Gestão Ambiental

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A deputada federal Marina Sant`Anna fez a preleção de abertura do III Congresso Brasileiro de Gestão Ambiental, nesta segunda-feira, 19/11, às 19h. O evento, sob o tema “Gestão ambiental nos biomas brasileiros”, é uma realização da PUC Goiás, Instituto Brasileiro de Estudos Ambientais e de Saneamento (Ibeas-SP), Faculdade de Tecnologia Senac e Uni- Anhanguera. O público participante é formado por estudantes e professores de gestão ambiental de todo o país.

Mais informações: http://marinasantanna.com/2012/11/20/deputada-marina-faz-palestra-de-abertura-do-iii-congresso-brasileiro-de-gestao-ambiental/

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Deputada federal Marina Sant’Anna faz palestra de abertura do III Congresso Brasileiro de Gestão Ambiental

  1. 1. Desenvolvimento Sustentável no Cerrado Exposição da deputada federal Marina Sant’Anna (PT-GO). Abertura do III Congresso Nacional de Gestão Ambiental. Goiânia, 19 de novembro de 2012, auditório da PUC Goiás. Um documento firmado entre mais de 180 países na Conferência Mundial doMeio Ambiente e Desenvolvimento Humano, realizada no Rio de Janeiro em 1992(Eco-92), estabelece a elaboração de uma agenda de compromissos estratégicoscom vistas a se obter redistribuição de renda e requalificação dos padrõescomportamentais. Intitulou-se esse conjunto de intenções, de Agenda 21, pois se referia àsmudanças necessárias e esperadas para o século que se anunciava. Analistas epesquisadores das mais diversificadas correntes filosóficas e tendências políticas,como técnicos ambientalistas, urbanistas, engenheiros, têm reconhecido anecessidade de se equilibrar um conjunto de aspectos de ordem ambiental, social,política, econômica, demográfica, cultural e espacial para se obter odesenvolvimento efetivo, o qual passou a ser chamado desenvolvimentosustentável. Ancorada nesse conceito abordarei a temática DesenvolvimentoSustentável no Cerrado. Dos anos 80 até o momento atual, uma das principais características que sesobressaem na sociedade brasileira tem a ver com o processo de redemocratização,que não ficou restrito à arena político-partidária, ainda que talvez essa seja a maisvisível e lembrada. Esse processo constituiu-se pela eclosão de problemáticas atéentão pouco evidentes, ou, quando muito, restritas a grupos específicos (reformaagrária, reforma urbana, movimento feminista etc.). A questão ambiental brasileiraencontrou, no bojo desse processo, a sua visibilidade como problemática social e,notadamente, recebeu também guarida institucional. Não sem motivos, aConstituição de 1988 reservou-lhe um capítulo próprio, garantindo a todos, semexceção, o direito ao meio ambiente com qualidade de vida. A institucionalizaçãotraduziu-se em novas leis (federais, estaduais e municipais), novas organizaçõesPraça dos Três Poderes, Câmara dos Deputados – Anexo III – 1º andar, Gab. 279 – Brasília / DF – CEP: 70.160- 900 . Fone: (61) 3215-5279 / Fax: (61) 3215-2279 Escritório do Cerrado: Rua 32, n.º 1087, Jardim Goiás, Goiânia-GO, CEP:74.805-350 - Fone: (62) 8159-0957 E-mail: dep.marinasantanna@camara.gov.br / Site: marinasantanna.com
  2. 2. públicas (conselhos, agências de fiscalização, licenciamento, secretarias etc.) eprivadas, como as dezenas de milhares de organizações não governamentais. A própria institucionalização, como reflexo do processo, levou a novasrealidades e contradições. Algumas agendas tiveram mais atenção do que outras.Enquanto a Amazônia, a Mata Atlântica, o Pantanal foram alçados à condição depatrimônio nacional, o mesmo não foi conferido ao Cerrado e mesmo à Caatinga,vistos, portanto, como bioma de segunda categoria. Além de uma proteção legalmais frágil, o Cerrado foi palco de rápida ocupação agrícola, o que levou à perda dequase metade de sua área, de acordo com dados do Ministério do Meio Ambientepara o ano de 2008. Na ocupação agrícola, a pecuária extensiva, a produção degrãos e de outras commodities e a extração de carvão vegetal constituíram-se comovetores principais. E, com a já em curso expansão da cana-de-açúcar, antes restrita ao sudestee nordeste, certamente será ainda mais impactado, pois essa região não figuroucomo impedida para a expansão sucroalcooleira, à exceção da porção alta do rioParaguai, nos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Isso trará ainda maisdesafios para a sua conservação. Nesse contexto, o quê o futuro reserva para o nosso bioma Cerrado? Nossodesafio é preservar e utilizar este que é um dos biomas mais antigos do mundo, comaproximadamente 30 milhões de anos, já atingiu o seu clímax evolutivo e – comobem lembra o professor Doutor da Pontifícia Universidade Católica de Goiás,Roberto Malheiros – é um verdadeiro “tesouro incrustado no coração da América doSul”. O desenvolvimento no Cerrado depende de ações que garantam a suapreservação de modo a cumprir sua função ecológica e sua utilização de maneirasustentável. Depende de ações de municípios, estados e da União, dos poderesLegislativo e Judiciário, do Ministério Público, da sociedade civil organizada, dosgrandes, médios e pequenos proprietários rurais, dos Povos do Cerrado e de cadacidadão, dos campos e das cidades, individualmente. Garantir o desenvolvimento no Cerrado para as atuais e novas geraçõesrequer a promoção e a valorização dos produtos da sociobiodiversidade do CerradoPraça dos Três Poderes, Câmara dos Deputados – Anexo III – 1º andar, Gab. 279 – Brasília / DF – CEP: 70.160- 900 . Fone: (61) 3215-5279 / Fax: (61) 3215-2279 Escritório do Cerrado: Rua 32, n.º 1087, Jardim Goiás, Goiânia-GO, CEP:74.805-350 - Fone: (62) 8159-0957 E-mail: dep.marinasantanna@camara.gov.br / Site: marinasantanna.com
  3. 3. em consonância com o Plano Nacional da Sociobiodiversidade. No caso do CerradoGoiano, que possui poucos remanescentes concentrados no Nordeste do Estado,uma ação fundamental é a recuperação das áreas degradadas de preservaçãopermanente e de reserva legal. O texto final do novo Código Florestal, com os recentes vetos da PresidentaDilma Roussef, publicados no Diário Oficial da União em 18 de outubro de 2012,apontam para o caminho que a maioria da sociedade brasileira deseja, no sentido deequilibrar desenvolvimento com sustentabilidade. Os vetos tiveram como diretriz nãoestimular desmatamentos ilegais e não anistiar quem descumpriu a lei. A redução daárea de reflorestamento em margens de rio para médias e grandes propriedadesrurais foi um dos pontos vetados pela presidenta. Também foi vetada a permissãodo plantio de árvores frutíferas na recuperação de áreas de preservaçãopermanentes ao invés de vegetação nativa. Alguns dados, apenas para ilustrar o prejuízo que teríamos se fosse mantidaa anistia a quem desmatou milhões de hectares de Áreas de PreservaçãoPermanente (APPs) e de Reservas Legais (RLs) em grandes propriedades noCerrado, Floresta Amazônica e outros biomas, entre 2000 e 2008: são 13 mil multasque totalizam R$ 2,4 bilhões, até julho/2008. Como expressa estudo do Instituto dePesquisa Econômica Aplicada/IPEA (2011), se fosse mantida a anistia aosdesmatadores, cerca de 29 milhões de hectares de mata nativa deixariam de serrecuperados no País, na perspectiva mais otimista. Em outro cenário, que considerao “risco moral” da isenção, 47 milhões de hectares poderiam ser perdidos. Para essecálculo, considerou-se a hipótese de que “a anistia poderia incentivar outrosproprietários rurais a derrubar a reserva legal remanescente”. Outra ação legal que quero destacar é o Zoneamento Agroecológico daCana-de-açúcar, uma iniciativa importante na medida em que regulamenta o quenão tinha regra. Porém, preocupante por, somente em Goiás, disponibilizar para aexpansão do plantio 12,6 milhões de hectares, correspondentes a mais de 1/3 daárea total do Estado, de 34.008.669 hectares. Noely Vicente Ribeiro, em sua tese dedoutorado pela UFG em 2010 – Expansão Sucrooalcooleira no Bioma Cerrado –calcula a tendência da expansão do cultivo de cana-de-açúcar no bioma Cerrado noperíodo de 2005 a 2035. Segundo seus estudos, nesse período de 30 anos, poderáPraça dos Três Poderes, Câmara dos Deputados – Anexo III – 1º andar, Gab. 279 – Brasília / DF – CEP: 70.160- 900 . Fone: (61) 3215-5279 / Fax: (61) 3215-2279 Escritório do Cerrado: Rua 32, n.º 1087, Jardim Goiás, Goiânia-GO, CEP:74.805-350 - Fone: (62) 8159-0957 E-mail: dep.marinasantanna@camara.gov.br / Site: marinasantanna.com
  4. 4. haver uma expansão de 628,50%. O trabalho revela que, enquanto em 2006 haviaum único município com mais de 90% de seu território ocupado pela cultura da cana,em 2035 serão 105 municípios com mais de 90% de seus territórios ocupados pelacana. Ribeiro não demoniza o programa do governo federal de substituição decombustíveis fósseis por combustíveis renováveis, até porque isso faz da produçãodo biocombustível brasileiro uma referência mundial, com o emprego de tecnologiaprópria e de alto nível. Ela procura contribuir na produção de um modelo utilizandoferramentas de geoprocessamento, com vistas à geração de um cenário que aponteáreas propícias para a expansão da cana-de-açúcar no bioma Cerrado, evitandoimpactos sobre áreas de agricultura e também áreas de vegetação remanescentes.Ela alerta que, até o momento, a cana-de-açúcar avança principalmente sobre áreasjá cultivadas e até mesmo sobre áreas remanescentes. Em relação à substituição depastagens, esta ocorre, em parte, sobre áreas pouco favoráveis, tanto do ponto devista legal, quanto ambiental. Devido aos impactos atuais e futuros da cana-de-açúcar sobre o bioma Cerrado, o que se propõe é um cenário planejado, onde aexpansão da cana-de-açúcar seja “permitida somente sobre as áreas de pastagensrespeitando sempre a legislação ambiental”. O desenvolvimento sustentável no Cerrado depende de mais recursos parapesquisas e incentivos aos estudos referentes à reprodução e manejo de fauna eflora, além de recursos orçamentários nas três esferas, mas também de pessoalpara a execução das ações de manutenção e fiscalização. Depende também deações de combate aos incêndios florestais que se alastram e vêm ocorrendo emintensidade e freqüência acima do regime de queima natural do Cerrado, causandograves danos à biodiversidade, aos recursos hídricos e ao clima. Somente em 2010foram 14.629 focos, o maior entre os Biomas. Esses incêndios são grave fator deperda de biodiversidade principalmente nas Unidades de Conservação e, além doempobrecimento e raleamento da vegetação, causam problemas para a saúdehumana e para a conservação da água e do solo. Para a prevenção dos incêndios, especialistas defendem a disseminação dealternativas ao uso do fogo no meio rural em parceria com os órgãos de assistênciatécnica e extensão rural – medidas interessantes e essenciais, porque o combatePraça dos Três Poderes, Câmara dos Deputados – Anexo III – 1º andar, Gab. 279 – Brasília / DF – CEP: 70.160- 900 . Fone: (61) 3215-5279 / Fax: (61) 3215-2279 Escritório do Cerrado: Rua 32, n.º 1087, Jardim Goiás, Goiânia-GO, CEP:74.805-350 - Fone: (62) 8159-0957 E-mail: dep.marinasantanna@camara.gov.br / Site: marinasantanna.com
  5. 5. aos incêndios é muito mais difícil e oneroso, além de causar sérios prejuízosambientais. Precisamos ainda saber como resolver e lidar com problemas como oaumento das voçorocas, o assoreamento, o envenenamento dos ecossistemas, oatropelamento de animais nas rodovias, a extinção da biodiversidade e osdesmatamentos. O desmatamento no Cerrado está em recessão. Nos últimos sete anos, caiumais de 60%, segundo um levantamento do Laboratório de Processamento deImagens e Geoprocessamento da Universidade Federal de Goiás. O problema é quenos últimos 40 anos, o homem dizimou ou alterou cerca de 80% da paisagemoriginal de um território de 2 milhões de Km2, ritmo de quatro campos de futebol porminuto. O desmatamento começa a se embrenhar pelas áreas mais preservadas degrandes remanescentes no norte do bioma. Goiás, por exemplo, mantém apenas35% de vegetação remanescente. O desenvolvimento sustentável no Cerrado, além de todas as medidascitadas e várias outras, em minha opinião e na de grande parcela da comunidadecientífica, de gestores ambientais, militantes ambientalistas e organizações como oFórum Goiano em Defesa do Cerrado, depende também do reconhecimento doCerrado como Patrimônio Nacional, como ocorre com a Amazônia, a Mata Atlânticae o Pantanal. Assim, defendo e tenho atuado pela aprovação da PEC 115/1995, deautoria do professor, ex-deputado federal e ex-prefeito de Goiânia, Pedro Wilson(PT-GO), e outros, que dá ao Cerrado o status de bioma Patrimônio Nacional. EstaPEC encontra-se pronta para ser apreciada em plenário. As PECs são importantessimbolicamente, mas também servem para justificar maior parcela na distribuição derecursos nacionais e internacionais. A alocação de recursos no orçamento nacionale na cooperação internacional depende de sinalizações políticas deste tipo. Noexterior, quase ninguém sabe o que é o Cerrado. Precisamos estimular a sociedade a refletir sobre a importância do bioma e ase mobilizar contra a sua devastação. O nosso desafio, portanto, é preservar oCerrado, berço de uma das maiores reservas subterrâneas de água doce do mundo,com os aquíferos Guarani, Bambuí e Urucaia e as bacias do São Francisco,Araguaia-Tocantins e Paraguai-Paraná. Manter e preservar 12 mil espécies dePraça dos Três Poderes, Câmara dos Deputados – Anexo III – 1º andar, Gab. 279 – Brasília / DF – CEP: 70.160- 900 . Fone: (61) 3215-5279 / Fax: (61) 3215-2279 Escritório do Cerrado: Rua 32, n.º 1087, Jardim Goiás, Goiânia-GO, CEP:74.805-350 - Fone: (62) 8159-0957 E-mail: dep.marinasantanna@camara.gov.br / Site: marinasantanna.com
  6. 6. plantas, 199 espécies de mamíferos, 837 espécies de aves, 180 espécies de répteis,150 espécies de anfíbios, 1200 espécies de peixes, 90 mil espécies deinvertebrados, 500 espécies de moluscos, 50 espécies de frutos com potencial parao consumo humano e a maior concentração de plantas com potencial medicinal doplaneta. Além dos aspectos ambientais, o Cerrado distingue-se pela sua importânciasocial, representado em cerca de 1.500 municípios brasileiros. São inúmeras aspopulações humanas que dele sobrevivem e conhecem parte de sua inestimadavariedade, entre elas as que praticam o agroextrativismo. O modo de vidaagroextrativista no Cerrado, resultado da rica convivência dos povos originais que seassentam há mais de 12 mil anos no bioma, desenvolveu um conjunto de estratégiasde uso dos recursos naturais nos diferentes ambientes florestais e campestres doCerrado, combinando caça, coleta, pesca e cultivo de diferentes espécies, durante550 gerações. Essa criativa convivência com a diversidade biológica constituiu umrico tecido social marcado por várias identidades sócio-culturais reconhecidas comoPovos Tradicionais, entre eles os vazanteiros, extrativistas, geraizeiros, quilombolase veredeiros. Neste contexto, vemos como estratégica a consagração de uma política quereconhece esses importantes saberes tão necessários para a humanidade, no quese refere à sustentabilidade do planeta, como a Política Nacional deDesenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais e a PolíticaNacional de Agroecologia e Produção Orgânica, instituída pelo governo daPresidenta Dilma Rousseff, em agosto deste ano. Essas políticas constituídas secomplementam viabilizando os direitos territoriais e os modos e meios de produçãosustentável a ela associados que, sobretudo permitem a soberania e a segurançaalimentar e nutricional, tanto de quem maneja e/ou produz quanto de quemconsome. Até 2006 não havia nenhuma Reserva Extrativista (Resex) no Cerrado. Apartir daquele ano, se considerarmos a área do Cerrado e as áreas limítrofes, jáforam criadas sete: Lago do Cedro e Recanto das Araras de Terra Ronca, em Goiás;Mata Grande, Chapada Limpa, do Ciriaco e do Quilombo do Flexal (Maranhão), e doExtremo Norte do Tocantins. Vinte outras Resex estão em fase de criação. EssesPraça dos Três Poderes, Câmara dos Deputados – Anexo III – 1º andar, Gab. 279 – Brasília / DF – CEP: 70.160- 900 . Fone: (61) 3215-5279 / Fax: (61) 3215-2279 Escritório do Cerrado: Rua 32, n.º 1087, Jardim Goiás, Goiânia-GO, CEP:74.805-350 - Fone: (62) 8159-0957 E-mail: dep.marinasantanna@camara.gov.br / Site: marinasantanna.com
  7. 7. dados (CEDAC, 2012) são positivos, mas é necessário avançar, especialmente noque se refere à regularização fundiária. Também e preciso cuidar das comunidades indígenas da região. O caso maisemblemático talvez seja o do estado de Goiás. Poucas são as comunidadessobrantes. Meia dúzia de Avá-Canoeiro e não mais que três centenas de Karajá.Favorecer a gestão ambiental e o acesso às suas terras e proteger seus meios devida são medidas necessárias para garantir a diversidade social e cultural na região. A estratégia de conservação do Bioma, portanto, deve necessariamentepassar pelo fortalecimento dessas comunidades e de seus modos de vida, o queimplica o acesso garantido à terra e aos seus recursos. (MMA, 2003) Apesar de apresentar riqueza de fauna e flora, o Cerrado ainda tem baixosíndices de renda per capita no País. A explicação para essa dicotomia, segundopesquisadores, reside no fato da população e dos empresários agrícolas da regiãodesconhecerem o potencial comercial de sua vegetação, frutos e animais. Muitasplantas características do Cerrado, como o pequi, a cagaita, a baru, têm altopotencial comercial, assim como animais como a ema e a capivara. Porém, ohistórico de ocupação desse bioma privilegiou o arroz, a soja e a pecuária, que nãosão nativas da região. Especialistas avaliam, e eu concordo com essa assertiva, que o nossoprincipal desafio é conscientizar as pessoas de que os produtos nativos podem sercomercializados, com margem de lucro até maior em relação aos utilizadoshabitualmente. Quiçá, conscientizar a população e o segmento produtivo de quepreservar o Cerrado pode significar também lucros e dividendos, sim, mas sobretudoa sobrevivência do Planeta. Quando falamos em meio ambiente e em Cerrado, via de regra se pensa emáreas não habitadas por humanos ou só nos campos cerrados. Mas não podemosnos esquecer das nossas cidades. Falar em desenvolvimento sustentável noCerrado também requer pensar o desenvolvimento local, as regiões metropolitanas,as zonas urbanas dos municípios. Questão importante em nível governamental é aintegração de ações dos vários ministérios (Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia,Cidades, Saúde) e agentes financiadores como a Caixa Econômica Federal e oPraça dos Três Poderes, Câmara dos Deputados – Anexo III – 1º andar, Gab. 279 – Brasília / DF – CEP: 70.160- 900 . Fone: (61) 3215-5279 / Fax: (61) 3215-2279 Escritório do Cerrado: Rua 32, n.º 1087, Jardim Goiás, Goiânia-GO, CEP:74.805-350 - Fone: (62) 8159-0957 E-mail: dep.marinasantanna@camara.gov.br / Site: marinasantanna.com
  8. 8. Banco Interamericano de Desenvolvimento (BIRD) que têm atuado para apoiar aexecução de políticas públicas urbanas sustentáveis. Também é preciso fazer do arcabouço legal instrumento real dedesenvolvimento sustentável. Cito algumas legislações relevantes: Lei de Diretrizesde Política Nacional de Mobilidade Urbana (Lei 12.587/2012), a Política Nacional deGestão e Manejo Integrado de Águas Urbanas, a Política Nacional de RecursosHídricos (Lei 9433/97) – e a correlacionada Lei 2457/11, do Senado Federal, queinstitui mecanismos de estímulo à instalação de sistemas de coleta, armazenamentoe utilização de águas pluviais em edificações públicas e privadas e sobre a qualemiti parecer favorável recentemente -, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei12.305/2010), o Código Florestal, a Política Nacional de DesenvolvimentoSustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais e a Política Nacional deAgroecologia e Produção Orgânica, entre outras legislações. Todas essas leis sótêm razão de ser se o País compreender a necessidade de mudanças profundas emnossos hábitos, na nossa cultura inadequada de consumo e nossa forma de lidarcom os bens naturais, quase sempre como se fossem infinitos. É certo que cabe anós legisladores buscar sempre aprimorar as normas, mas é fato que se boa partedelas fosse integralmente cumprida, nosso ambiente não teria sido tão degradadono decorrer de nossa história. Se o Código Florestal e o Estatuto das Cidades, por exemplo, fossemintegralmente cumpridos, muitos dos problemas sobre os quais nos debatemos nãoocorreriam ou seriam bastante minimizados. A maioria dos desastres climáticosocorridos nos últimos anos no País foi em áreas protegidas ocupadasirregularmente, como as inundações nas várzeas e os deslizamentos nas encostas.A forte urbanização do País e o aquecimento global têm resultado em uma maiorfrequência de chuvas intensas. Segundo o Secretário de Políticas de Pesquisa eDesenvolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia, Carlos Nobre, 70% dasmortes registradas nos desastres climáticos ocorreram em encostas e 85% dasáreas atingidas por deslizamentos (em 2011) em Santa Catarina e no Rio deJaneiro, eram em APPs ocupadas irregularmente. Ele defende que osassentamentos urbanos deveriam ser proibidos em áreas com declive acima de 25graus.Praça dos Três Poderes, Câmara dos Deputados – Anexo III – 1º andar, Gab. 279 – Brasília / DF – CEP: 70.160- 900 . Fone: (61) 3215-5279 / Fax: (61) 3215-2279 Escritório do Cerrado: Rua 32, n.º 1087, Jardim Goiás, Goiânia-GO, CEP:74.805-350 - Fone: (62) 8159-0957 E-mail: dep.marinasantanna@camara.gov.br / Site: marinasantanna.com
  9. 9. No campo da moradia, especialmente a moradia popular, em muitassituações há uma concorrência entre as pessoas mais pobres e o meio ambiente – oque não deveria existir. As pessoas ocupam APPs, áreas verdes vulneráveis, pornão encontrarem acesso público nem privado à moradia, e não por desejaremdegradar o ambiente. O fato é que a terra virou uma commoditie caríssima, e jogapara as periferias (e áreas insalubres ou de proteção ambiental) as pessoas que têmdireito a um teto digno. É incrível a ousadia de parte considerável do segmento imobiliário. EmGoiânia, por exemplo, há edificações da década de 1980 (que tiveram oconsentimento do Poder Público) e outras mais recentes construídas em áreas denascentes, localizadas em bairros nobres da capital. Nesses casos, as brechas dalei são usadas para legitimar ações. Penso que a mudança de paradigma desejada requer a atuação nos marcospolítico-legais, tendo como responsáveis as três esferas de governo, e a busca eviabilidade de acesso a novas tecnologias para o correto aproveitamento das águasurbanas e dos recursos naturais. A formação presencial e/ou à distância de mais emais gestores ambientais, como parte de uma política nacional do Ministério do MeioAmbiente, é um fator propício a contribuir para a concretização dessa vontade. OMinistério planeja fazer um diagnóstico dos municípios, conhecer de perto arealidade, o cenário e a capacidade instalada do ambiente urbano de cada cidade. No Brasil, a Política Nacional de Recursos Hídricos busca assegurar à atual eàs futuras gerações a necessária disponibilidade de água, em padrões de qualidadeadequados aos respectivos usos, o que requer ações para o seu uso eficaz. Mas,como já disse, esse é um desafio também comportamental, cultural. Em plenoséculo 21, a água potável é usada para lavar calçadas, carros, vaso sanitário, regarjardins, como se fosse um bem finito. Temos que mudar esses hábitos. É precisohegemonizar a preocupação com a preservação de recursos hídricos e a suadisponibilidade para as gerações futuras. A sustentabilidade da água está colocadana pauta de discussão mundial como um grande desafio da atualidade e que devese agravar nas próximas décadas. O Cerrado, como berço das águas, tem mais esse atributo como motivo paranos preocuparmos com sua preservação.Praça dos Três Poderes, Câmara dos Deputados – Anexo III – 1º andar, Gab. 279 – Brasília / DF – CEP: 70.160- 900 . Fone: (61) 3215-5279 / Fax: (61) 3215-2279 Escritório do Cerrado: Rua 32, n.º 1087, Jardim Goiás, Goiânia-GO, CEP:74.805-350 - Fone: (62) 8159-0957 E-mail: dep.marinasantanna@camara.gov.br / Site: marinasantanna.com
  10. 10. Concluo me irmanando ao todos e todas que acreditam na condição objetivade construção de um outro mundo possível, desenvolvido com sustentabilidadeambiental. Onde as ações do ser humano respeitem os limites que a mãe naturezanos impõe e a ciência e a tecnologia sejam ferramentas de melhor utilização denossos recursos naturais, contribuindo para a sua preservação e evitando a suadestruição. Marina Sant’Anna Deputada Federal (PT-GO) § RIBEIRO,   Noely   Vicente.   EXPANSÃO   SUCROALCOOLEIRA   NO   BIOMA   CERRADO:   Tendências,  cenários  e  impactos,  Ano  de  obtenção:  2010.     § CEDAC  -­‐  Centro  de  Desenvolvimento  Agroecológico  do  Cerrado   § Ministério  do  Meio  Ambiente   § Roberto  Malheiros  e  Pedro  Wilson.  Bioma  Cerrado,  um  tesouro  incrustado  no  coração  da   América  do  Sul,  2011.  Artigo  publicado  no  jornal  Diário  da  Manhã.  Praça dos Três Poderes, Câmara dos Deputados – Anexo III – 1º andar, Gab. 279 – Brasília / DF – CEP: 70.160- 900 . Fone: (61) 3215-5279 / Fax: (61) 3215-2279 Escritório do Cerrado: Rua 32, n.º 1087, Jardim Goiás, Goiânia-GO, CEP:74.805-350 - Fone: (62) 8159-0957 E-mail: dep.marinasantanna@camara.gov.br / Site: marinasantanna.com

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