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SUMÁRIO
A Revolta
Por Claudio Barbosa
Era uma vez, uns ratos que
viviam em uma casa, que onde
também morava um gato; eles
estavam muito aborrecidos de tanta
insistência do gato em persegui-los;
resolveram fazer uma assembleia
para terminarem de vez com esse
problema que tanto os incomodavam.
Jovem e Juventino
Por Ddijane Vieira
Em um lugar muito distante do centro, numa cidadezinha do
interior morava em uma casinha muito modesta um casal de
senhores que tinham dois filhos gêmeos, Jovem e Joventino. Eles
criavam dois cavalos, viviam de maneira muito simples, sem luxos,
nem uso de tecnologias muito avançada e todos se amavam muito.
Ao completar 18 anos os dois meninos resolveram que
queriam sair para conhecer o mundo. Isto causou muita tristeza
aos seus pais que choraram bastante até se conformar. Antes que
os filhos fossem embora eles lhes deu de presente uma espada
mágica. E lhes disseram:
­ Filhos nunca se separem destas espadas, porque elas os
livrarão de todos os perigos.
Jovem e Joventino seguiram a estrada, cada um com seu
cavalo, conheceram muitos lugares e pessoas, passaram por
muitas experiências novas, até que um belo dia enquanto andavam
por um caminho apareceu uma bifurcação e cada um queria seguir
por um lado. Tomaram a decisão de se separar e Joventino disse
ao irmão:
­ Irmão nos separamos aqui, mas se você correr perigo a
minha espada pingará sangue e se eu correr perigo a sua espada
pingará sangue.
Seguiram então, cada um por um lado.
Jovem chegou a um lago e resolveu parar para se banhar, ao
descer do cavalo avistou uma jovem mulher muito bonita amarrada
a um banco próximo ao lago. Desamarrou­a e perguntou o motivo
de ela estar ali daquela maneira, ao que ela respondeu.
­ Você não pode me desamarrar, estou aqui para salvar meu
povo. Existe uma fera muito poderosa que ameaçou matar a todos
em meu reino se não me dessem em sacrifício.
Enquanto os dois conversavam a fera aproximou­se. Jovem
então ordenou à sua espada:
­ Corta minha espada em sete línguas de carne esta fera.
A espada então cortou a fera em sete pedaços. Ao ver o que
aconteceu a jovem ficou muito agradecida, pois Jovem não tinha
salvado apenas sua vida e sim a de todo um povoado.
Jovem levou a moça para casa. Ao chegar lá, descobriu que
ela era a princesa do reino e seu pai, o rei, permitiu que os dois se
casassem.
Os dois se casaram e um belo dia ao olhar da janela de sua
casa Jovem viu uma fumaça ao longe e perguntou a sua esposa:
­ Amor o que é aquela fumaça?
A esposa respondeu:
­ Aquela é a fumacinha da Fera do Vai Não Torna. Lá é muito
perigoso, ninguém jamais foi até lá e retornou.
Após ouvir a história contada pela esposa, Jovem resolveu
que ia àquele lugar. Mesmo sob os protestos de sua amada,
arrumou suas coisas e partiu em viagem.
Ao chegar lá encontrou uma senhora de cabelos muito longos
que lhe falou de maneira muito simpática:
­ Ô meu filho, você por aqui?
Ele respondeu:
­Eu por aqui minha vozinha. Posso chegar a frente?
Ela falou:
­ Tenho medo do seu animal e de sua espada. Posso te dá um
fio do meu cabelo para que você os prenda? Daí ficarei mais
tranquila.
Jovem acreditando na bondade da velhinha e no fato de que
um fio de cabelo nunca seguraria realmente a espada e o cavalo,
então, aceitou a proposta.
Assim que Jovem amarrou o cabelo a velhinha que
na verdade era uma fera, falou:
­ Se transforma meu cabelo numa forte corrente de
bronze.
Assim Jovem ficou preso com a Fera do Vai não
Torna. No mesmo momento a espada de Joventino
pingou sangue.
Quando Joventino foi procurar o irmão descobriu
que ele havia se casado, pois ao chegar à cidade a
esposa de Jovem correu para ele muito alegre pensando
ser seu marido. Joventino fingiu ser Jovem para
descobrir o que tinha acontecido. Na manhã seguinte
chegando à janela e avistando a fumaça perguntou a
mulher do que se tratava. Ela ficou confusa, perguntando
se ele não tinha ido até lá. Joventino percebeu onde seu
irmão estava e seguiu viagem.
Chegando lá a velhinha apareceu e ofereceu os cabelos para prender a espada
dele. Joventino fingiu amarrar e quando a ferra ordenou que o cabelo se
transformasse em corrente de bronze ele gritou.
­ Corta minha espada em sete línguas de carne esta ferra.
A espada cortou a fera em sete pedaços e Joventino salvou seu irmão.
Ao voltar para casa, a esposa de Jovem ficou surpresa ao ver os dois.
Os irmãos resolveram não mais se separar e foram buscar os pais para
morar ali naquele reino com eles.
O Chupa­Cabra
Por Denilton Santos
Um dia conversando com meus amigos na rua, descobri o nome de um
bicho que estava deixando todo mundo, de adulto a criança preocupados. O
nome desse tal bicho era "CHUPA­CABRA.
O Chupa­cabra era um bicho que ninguém via, ela só andava de noite e
atacava as cabras a noite para chupar o sangue delas.
Em outro dia, assistindo a um programa na televisão, vi uma reportagem
que fala que alguém havia visto o Chupa­cabra e que inclusive haviam criado
um retrado­falado dele.

Segundo o retrado, o Chupa­cabras era um bicho horrivel com grandes
dentes e olhieras de cachorro. Ele não atacava humanos, somente as cabras.
A partir desse dia, todo mundo só falava de Chupa­cabras. Na televisão
jornais e programas entrevistavam pessoas que haviam visto o bicho. As
pessoas diziam que ele parecia o lobisomen , outros diziam que ele parecia um
cachorro.
As canais de noticias apresentavam os locais onde o Chupa­cabras
havia passado e atacado, mostravam as fotos das cabras sem vida.
Lembro que comecei a ficar com medo, quando soube que o Chupa­
cabras estava atacando cabras de diferentes regiões do país e que parecia
estar caminhando em direção ao meu estado, pois estava ficando constante o
número de relatos de cabras mortes e que seguiam sempre para Brasília ­
cidade onde morava.
A polícia começava a procurar o bicho, as conversas sobre o surgimento
do Chupa­cabras estavam sendo debatidas nas escolas e nas casas.
Uma dessas histórias dizia que na verdade o Chupa­cabras era um
homem que matou toda a sua família e que perambúla por ai matando as
cabras para se livrar do sofrimento.
Outra história da origem do Chupa­cabras diz que ele era também um
homem e que toda noite se transforma em um bicho que precisa de sangue
para sobreviver.
Certa noite, ouvimos dizer que o Chupa­cabras havia chegado a
Brasília e como lá não existem cabras em todos os lugares, o bicho resolver
matar cachorros. Foram vários cachorros mortos em vários pontos da cidade.
Mas isso foi por pouco tempo, pois em um dia, todos estavamos assistindo
televisão para saber notícias do Chupa­cabras, quando passou que moradores
haviam encontrado e tentado matá­lo. Só que ele conseguiu fugir.
Depois desse dia, nunca mais o Chupa­cabras apareceu e ninguém teve
notícias de cabras ou cachorros mortos.
Caipora
Por Marcelo de Jesus
Ainda na infância, Santo Amaro era o destino das minhas férias. Lá morava
parte da minha família, entretanto era na casa da minha tia Dina que eu
sempre me hospedava. Com meus três primos a diversão era garantida,
especialmente quando minha tia e meu tio iam trabalhar à noite. Nestas
noites ficávamos até tarde brincando, assistindo televisão e contando
histórias.
Eu sempre fui o mais medroso dos quatro e meus primos se faziam valer
desta minha característica para se divertirem às minhas custas. A hora das
histórias era uma excelente oportunidade a qual eles nunca perdiam, as
histórias que me contavam sempre me faziam tremer e os sustos eram
sempre seguidos de longas risadas, até que eu pedisse para a brincadeira
parar aos prantos e debulhados em lágrimas que corriam como cascata.
As histórias que meus primos contavam sempre tinham como cenário o
morro que dava pra ser visto da casa da minha tia, logo depois de umas
casinhas que ficavam atrás do trilho do trem. O morro era perto, e a
vegetação que o cobria além de dar margem às partes mais assustadoras
das histórias me fazia acreditar que a qualquer hora o lobisomem, a
caipora, a mula sem cabeça ou outros seres horripilantes poderiam vir me
pegar a qualquer momento, pois sempre estavam atrás de pessoas
medrosas, teimosas ou meninos traquinas.
Lembro-me muito bem da vez em que um homem foi à floresta e
assoviou para provocar a caipora, ele não acreditava nela, e por isto
fora a floresta provar sua inexistência. A caipora só apareceria se a
pessoa assoviasse três vezes, e assim ele o fez. Eis que então ao
terceiro assovio, o mato em volta do homem se fechou, ficando com as
folhas duras como aço e cortantes como vidro. O homem tentara sair a
todo custo, sem sucesso, se cortando cada vez mais. Desprecavido, ele
não levara fumo, alho ou pedaços de galinha (especiarias que tanto
agradavam a caipora que ela libertava quem a agraciava com tais
oferendas). O homem continuou tentando sair, correndo pelo mato que
mais parecia um labirinto, se cortando, chorando, gritando, pedindo
ajuda, chamando pela sua mãe, mas ninguém o ouvia, apenas a
caipora. O homem ficou preso por muito tempo, até que seus amigos,
sentindo sua falta foram procurá-lo e ao perceber a formação peculiar
da vegetação colocaram num toco de árvore fumo e um pedaço de
galinha cozida. Aos poucos a mata foi voltando ao normal e eles
puderam resgatar o homem que já estava em desespero há muito.
Nunca mais ele duvidou da existência dos seres da floresta, bem como
nunca mais adentrou naquele lugar. Até hoje ele tem o corpo todo
marcado, e quando as pessoas o perguntam ele conta a história
horripilante que lhe ocorrera.
Muitas foram as histórias que adentravam na noite. Histórias como
esta me tiravam o sono, e eu só conseguia dormir quando meus tios
chegavam. Hoje damos risadas de tudo isto, mas na época... Lembreime agora da vez em que o lobisomem foi perseguiu o menino chorão,
porém esta história fica para outra vez.
A História do Boto
Por Raiane Novais
Essa historia é sobre um cão chamado Boto. Quando meu pai era
criança e a rua ainda não era asfaltada, os moleques faziam muita
bagunça. Corriam feito loucos na ladeira de barro. Nessa rua tinha uma
vizinha, chamada Dona Nira. Ela vivia incomodada com a correria da
molecada. Toda vez que os meninos desciam alvoroçados pela ladeira a
dona Nira gritava do portão:
–Não quero molequeira na minha porta, meninos danados da peste!
Mas os garotos pareciam não se importar. Muito incomodada com
essa situação, dona Nira resolveu fazer queixa aos familiares dos meninos
e, apesar deles terem recebido muitos castigos, continuaram a fazer as
mesmas brincadeiras.
Um dia fazendo algazarra próximo a casa da vizinha, os meninos
ouviram latidos insistentes vindo do portão. Era um cão. Parecia ser um
cão bravo mas, como o cachorro estava preso, eles nem deram muita
importância e continuaram a brincar. Outro dia, muito chateada com a
bagunça dos meninos, a vizinha voltou a gritar do portão:
–Não quero molequeira na minha porta! Se vocês não saírem, vocês
vão ver! Vou soltar o Boto pra pegar vocês “tudinho”, seus “peste”!
Novamente a molecada nem ligou. O cachorro continuou latindo,
um latido muito forte e insistente. Quando D. Nira percebeu que os
garotos não tinham se importado com o aviso, começou a liberar os
trincos do portão. Dessa vez, diante do cão desconhecido a molecada
começou a correr desesperadamente para suas casas. Foi aquela gritaria!
Foi menino pulando muro, menino pulando janela e aquele fuzuê. Nem
sequer olharam para trás. Desde esse evento, os meninos passaram a
evitar brincar nas proximidades da casa da dona Nira.
Algum tempo depois, quando os meninos já não eram tão meninos
assim e a ladeira já não era mais de barro, uma notícia muito triste
é recebida pelos moradores: Dona Nira havia falecido. Sem parentes
próximos e sem muitos amigos, a única coisa que restou da vizinha
ranzinza foi o tal do cão Boto. Com a morte dela, os amigos
inevitavelmente acabaram por reviver a história do cão e deram
muitas gargalhadas ao lembrar-se das brincadeiras da infância e do
quanto eles tinham medo daquele cachorro. Diante da situação, eles
chegaram a conclusão de que Boto, fazia parte daquele grupo tanto
quanto cada um deles e por isso todos se comprometeram a cuidar
do pobre cachorro até o último dia da vida dele.
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Livro das Histórias Populares

  • 1.
  • 4. Era uma vez, uns ratos que viviam em uma casa, que onde também morava um gato; eles estavam muito aborrecidos de tanta insistência do gato em persegui-los; resolveram fazer uma assembleia para terminarem de vez com esse problema que tanto os incomodavam.
  • 5.
  • 6. Jovem e Juventino Por Ddijane Vieira
  • 7. Em um lugar muito distante do centro, numa cidadezinha do interior morava em uma casinha muito modesta um casal de senhores que tinham dois filhos gêmeos, Jovem e Joventino. Eles criavam dois cavalos, viviam de maneira muito simples, sem luxos, nem uso de tecnologias muito avançada e todos se amavam muito. Ao completar 18 anos os dois meninos resolveram que queriam sair para conhecer o mundo. Isto causou muita tristeza aos seus pais que choraram bastante até se conformar. Antes que os filhos fossem embora eles lhes deu de presente uma espada mágica. E lhes disseram: ­ Filhos nunca se separem destas espadas, porque elas os livrarão de todos os perigos. Jovem e Joventino seguiram a estrada, cada um com seu cavalo, conheceram muitos lugares e pessoas, passaram por muitas experiências novas, até que um belo dia enquanto andavam por um caminho apareceu uma bifurcação e cada um queria seguir por um lado. Tomaram a decisão de se separar e Joventino disse ao irmão: ­ Irmão nos separamos aqui, mas se você correr perigo a minha espada pingará sangue e se eu correr perigo a sua espada pingará sangue. Seguiram então, cada um por um lado.
  • 8. Jovem chegou a um lago e resolveu parar para se banhar, ao descer do cavalo avistou uma jovem mulher muito bonita amarrada a um banco próximo ao lago. Desamarrou­a e perguntou o motivo de ela estar ali daquela maneira, ao que ela respondeu. ­ Você não pode me desamarrar, estou aqui para salvar meu povo. Existe uma fera muito poderosa que ameaçou matar a todos em meu reino se não me dessem em sacrifício. Enquanto os dois conversavam a fera aproximou­se. Jovem então ordenou à sua espada: ­ Corta minha espada em sete línguas de carne esta fera. A espada então cortou a fera em sete pedaços. Ao ver o que aconteceu a jovem ficou muito agradecida, pois Jovem não tinha salvado apenas sua vida e sim a de todo um povoado. Jovem levou a moça para casa. Ao chegar lá, descobriu que ela era a princesa do reino e seu pai, o rei, permitiu que os dois se casassem.
  • 9. Os dois se casaram e um belo dia ao olhar da janela de sua casa Jovem viu uma fumaça ao longe e perguntou a sua esposa: ­ Amor o que é aquela fumaça? A esposa respondeu: ­ Aquela é a fumacinha da Fera do Vai Não Torna. Lá é muito perigoso, ninguém jamais foi até lá e retornou. Após ouvir a história contada pela esposa, Jovem resolveu que ia àquele lugar. Mesmo sob os protestos de sua amada, arrumou suas coisas e partiu em viagem. Ao chegar lá encontrou uma senhora de cabelos muito longos que lhe falou de maneira muito simpática: ­ Ô meu filho, você por aqui? Ele respondeu: ­Eu por aqui minha vozinha. Posso chegar a frente? Ela falou: ­ Tenho medo do seu animal e de sua espada. Posso te dá um fio do meu cabelo para que você os prenda? Daí ficarei mais tranquila. Jovem acreditando na bondade da velhinha e no fato de que um fio de cabelo nunca seguraria realmente a espada e o cavalo, então, aceitou a proposta.
  • 10. Assim que Jovem amarrou o cabelo a velhinha que na verdade era uma fera, falou: ­ Se transforma meu cabelo numa forte corrente de bronze. Assim Jovem ficou preso com a Fera do Vai não Torna. No mesmo momento a espada de Joventino pingou sangue. Quando Joventino foi procurar o irmão descobriu que ele havia se casado, pois ao chegar à cidade a esposa de Jovem correu para ele muito alegre pensando ser seu marido. Joventino fingiu ser Jovem para descobrir o que tinha acontecido. Na manhã seguinte chegando à janela e avistando a fumaça perguntou a mulher do que se tratava. Ela ficou confusa, perguntando se ele não tinha ido até lá. Joventino percebeu onde seu irmão estava e seguiu viagem.
  • 11. Chegando lá a velhinha apareceu e ofereceu os cabelos para prender a espada dele. Joventino fingiu amarrar e quando a ferra ordenou que o cabelo se transformasse em corrente de bronze ele gritou. ­ Corta minha espada em sete línguas de carne esta ferra. A espada cortou a fera em sete pedaços e Joventino salvou seu irmão. Ao voltar para casa, a esposa de Jovem ficou surpresa ao ver os dois. Os irmãos resolveram não mais se separar e foram buscar os pais para morar ali naquele reino com eles.
  • 13. Um dia conversando com meus amigos na rua, descobri o nome de um bicho que estava deixando todo mundo, de adulto a criança preocupados. O nome desse tal bicho era "CHUPA­CABRA. O Chupa­cabra era um bicho que ninguém via, ela só andava de noite e atacava as cabras a noite para chupar o sangue delas. Em outro dia, assistindo a um programa na televisão, vi uma reportagem que fala que alguém havia visto o Chupa­cabra e que inclusive haviam criado um retrado­falado dele. Segundo o retrado, o Chupa­cabras era um bicho horrivel com grandes dentes e olhieras de cachorro. Ele não atacava humanos, somente as cabras.
  • 14. A partir desse dia, todo mundo só falava de Chupa­cabras. Na televisão jornais e programas entrevistavam pessoas que haviam visto o bicho. As pessoas diziam que ele parecia o lobisomen , outros diziam que ele parecia um cachorro. As canais de noticias apresentavam os locais onde o Chupa­cabras havia passado e atacado, mostravam as fotos das cabras sem vida. Lembro que comecei a ficar com medo, quando soube que o Chupa­ cabras estava atacando cabras de diferentes regiões do país e que parecia estar caminhando em direção ao meu estado, pois estava ficando constante o número de relatos de cabras mortes e que seguiam sempre para Brasília ­ cidade onde morava. A polícia começava a procurar o bicho, as conversas sobre o surgimento do Chupa­cabras estavam sendo debatidas nas escolas e nas casas. Uma dessas histórias dizia que na verdade o Chupa­cabras era um homem que matou toda a sua família e que perambúla por ai matando as cabras para se livrar do sofrimento. Outra história da origem do Chupa­cabras diz que ele era também um homem e que toda noite se transforma em um bicho que precisa de sangue para sobreviver.
  • 15. Certa noite, ouvimos dizer que o Chupa­cabras havia chegado a Brasília e como lá não existem cabras em todos os lugares, o bicho resolver matar cachorros. Foram vários cachorros mortos em vários pontos da cidade. Mas isso foi por pouco tempo, pois em um dia, todos estavamos assistindo televisão para saber notícias do Chupa­cabras, quando passou que moradores haviam encontrado e tentado matá­lo. Só que ele conseguiu fugir. Depois desse dia, nunca mais o Chupa­cabras apareceu e ninguém teve notícias de cabras ou cachorros mortos.
  • 17. Ainda na infância, Santo Amaro era o destino das minhas férias. Lá morava parte da minha família, entretanto era na casa da minha tia Dina que eu sempre me hospedava. Com meus três primos a diversão era garantida, especialmente quando minha tia e meu tio iam trabalhar à noite. Nestas noites ficávamos até tarde brincando, assistindo televisão e contando histórias. Eu sempre fui o mais medroso dos quatro e meus primos se faziam valer desta minha característica para se divertirem às minhas custas. A hora das histórias era uma excelente oportunidade a qual eles nunca perdiam, as histórias que me contavam sempre me faziam tremer e os sustos eram sempre seguidos de longas risadas, até que eu pedisse para a brincadeira parar aos prantos e debulhados em lágrimas que corriam como cascata. As histórias que meus primos contavam sempre tinham como cenário o morro que dava pra ser visto da casa da minha tia, logo depois de umas casinhas que ficavam atrás do trilho do trem. O morro era perto, e a vegetação que o cobria além de dar margem às partes mais assustadoras das histórias me fazia acreditar que a qualquer hora o lobisomem, a caipora, a mula sem cabeça ou outros seres horripilantes poderiam vir me pegar a qualquer momento, pois sempre estavam atrás de pessoas medrosas, teimosas ou meninos traquinas.
  • 18. Lembro-me muito bem da vez em que um homem foi à floresta e assoviou para provocar a caipora, ele não acreditava nela, e por isto fora a floresta provar sua inexistência. A caipora só apareceria se a pessoa assoviasse três vezes, e assim ele o fez. Eis que então ao terceiro assovio, o mato em volta do homem se fechou, ficando com as folhas duras como aço e cortantes como vidro. O homem tentara sair a todo custo, sem sucesso, se cortando cada vez mais. Desprecavido, ele não levara fumo, alho ou pedaços de galinha (especiarias que tanto agradavam a caipora que ela libertava quem a agraciava com tais oferendas). O homem continuou tentando sair, correndo pelo mato que mais parecia um labirinto, se cortando, chorando, gritando, pedindo ajuda, chamando pela sua mãe, mas ninguém o ouvia, apenas a caipora. O homem ficou preso por muito tempo, até que seus amigos, sentindo sua falta foram procurá-lo e ao perceber a formação peculiar da vegetação colocaram num toco de árvore fumo e um pedaço de galinha cozida. Aos poucos a mata foi voltando ao normal e eles puderam resgatar o homem que já estava em desespero há muito. Nunca mais ele duvidou da existência dos seres da floresta, bem como nunca mais adentrou naquele lugar. Até hoje ele tem o corpo todo marcado, e quando as pessoas o perguntam ele conta a história horripilante que lhe ocorrera.
  • 19. Muitas foram as histórias que adentravam na noite. Histórias como esta me tiravam o sono, e eu só conseguia dormir quando meus tios chegavam. Hoje damos risadas de tudo isto, mas na época... Lembreime agora da vez em que o lobisomem foi perseguiu o menino chorão, porém esta história fica para outra vez.
  • 20. A História do Boto Por Raiane Novais
  • 21. Essa historia é sobre um cão chamado Boto. Quando meu pai era criança e a rua ainda não era asfaltada, os moleques faziam muita bagunça. Corriam feito loucos na ladeira de barro. Nessa rua tinha uma vizinha, chamada Dona Nira. Ela vivia incomodada com a correria da molecada. Toda vez que os meninos desciam alvoroçados pela ladeira a dona Nira gritava do portão: –Não quero molequeira na minha porta, meninos danados da peste! Mas os garotos pareciam não se importar. Muito incomodada com essa situação, dona Nira resolveu fazer queixa aos familiares dos meninos e, apesar deles terem recebido muitos castigos, continuaram a fazer as mesmas brincadeiras. Um dia fazendo algazarra próximo a casa da vizinha, os meninos ouviram latidos insistentes vindo do portão. Era um cão. Parecia ser um cão bravo mas, como o cachorro estava preso, eles nem deram muita importância e continuaram a brincar. Outro dia, muito chateada com a bagunça dos meninos, a vizinha voltou a gritar do portão: –Não quero molequeira na minha porta! Se vocês não saírem, vocês vão ver! Vou soltar o Boto pra pegar vocês “tudinho”, seus “peste”!
  • 22. Novamente a molecada nem ligou. O cachorro continuou latindo, um latido muito forte e insistente. Quando D. Nira percebeu que os garotos não tinham se importado com o aviso, começou a liberar os trincos do portão. Dessa vez, diante do cão desconhecido a molecada começou a correr desesperadamente para suas casas. Foi aquela gritaria! Foi menino pulando muro, menino pulando janela e aquele fuzuê. Nem sequer olharam para trás. Desde esse evento, os meninos passaram a evitar brincar nas proximidades da casa da dona Nira.
  • 23. Algum tempo depois, quando os meninos já não eram tão meninos assim e a ladeira já não era mais de barro, uma notícia muito triste é recebida pelos moradores: Dona Nira havia falecido. Sem parentes próximos e sem muitos amigos, a única coisa que restou da vizinha ranzinza foi o tal do cão Boto. Com a morte dela, os amigos inevitavelmente acabaram por reviver a história do cão e deram muitas gargalhadas ao lembrar-se das brincadeiras da infância e do quanto eles tinham medo daquele cachorro. Diante da situação, eles chegaram a conclusão de que Boto, fazia parte daquele grupo tanto quanto cada um deles e por isso todos se comprometeram a cuidar do pobre cachorro até o último dia da vida dele.