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Figura 4. Divisão imposta pelo Muro de Berlim
Figura 3. O conflito Leste-Oeste
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Figura 5. Alianças políticas no período da Guerra Fria
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Figura 6. O Afeganistão hoje (2012)
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MEMBROS PERMANENTES:
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com 250.000 homens. Em contexto da guerra fria, em que o regime Socialista
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Acesso em: 20 de dezembro de 2012
http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Fria
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Guia de Estudos Conselho de Segurança SIA 2013

  1. 1. IV Simulação Interna Agostiniana - SIA 0 CONSELHO DE SEGURANÇA DAS NAÇÕES UNIDAS (CSNU) 1985 “A intervenção soviética no Afeganistão” Guia de Estudos Marinade Castro Firmo Frederico Teixeira Leite Guilherme Araújo Gabriel Elias Sadala de Souza
  2. 2. IV Simulação Interna Agostiniana - SIA 1 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO DA MESA DIRETORA OBSERVAÇÕES IMPORTANTES DOS DIRETORES ANTECEDENTES DA CRIAÇÃO DA ONU A CRIAÇÃO DA ONU ORGÃOS DAS NAÇÕES UNIDAS O CONSELHO DE SEGURANÇA DAS NAÇÕES UNIDAS A GUERRA FRIA DE 1945 A 1985 OS CONFLITOS ARMADOS DURANTE A GUERRA FRIA CAPITALISMO X SOCIALISMO ORIGENS DO AFEGANISTÃO O ISLAMISMO NO AFEGANISTÃO A REPÚBLICA DE 1973 A REVOLUÇÃO DE SAUR A INTERVENÇÃO QUESTÕES A SEREM DEBATIDAS MAPAS POSIÇÃO DOS PAÍSES BIBLIOGRAFIA
  3. 3. IV Simulação Interna Agostiniana - SIA 2 APRESENTAÇÃO DA MESA DIRETORA Olá senhores, meu nome é Marina de Castro Firmo e serei a diretora do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a intervenção soviética no Afeganistão da quarta edição da Simulação Interna Agostiniana. Estou cursando o terceiro ano do ensino médio e pretendo fazer minha graduação na área de humanas. Já participei de 12 simulações e fui parte da equipe organizadora da terceira edição da SIA, função a qual ainda exerço, porém será a primeira vez que oficialmente serei parte da mesa diretora de algum comitê. Sempre me interessei muito pela história do mundo, fator que faz com que os comitês históricos, juntamente com os ambientais, sejam os meus favoritos e, considerando que a Guerra Fria é o acontecimento que mais me fascina na história da humanidade creio que não haveria um comitê melhor do que este para que eu dirigisse pela primeira vez. Os modelos para secundaristas mudaram a minha vida, desde que comecei a simular conheci amigos que levarei para toda a minha vida, aprimorei meu senso crítico, passei a entender várias questões políticas, econômicas e sociais, melhorei minha oratória, minha habilidade de escrever na norma culta da língua e além de tudo, aprendi que é necessário ter atitudes e uma mente aberta para poder mudar o mundo para melhor. Desta forma, peço e aconselho que os senhores venham à SIA com a mente a mais aberta o possível, tanto para as discussões quanto para conhecer novas pessoas. Gostaria de lembrar aos senhores, que por mais que vocês tenham uma política externa para seguir, vocês podem mudar o rumo da Guerra Fria neste comitê, durante um fim de semana vocês poderão fazer o que os grandes líderes mundiais jamais fizeram. Por fim, desejo que vocês aproveitem ao máximo a SIA (assim como eu aproveitarei tendo em vista que será a minha última simulação para secundaristas), e espero que vocês gostem muito deste comitê que eu e os meninos construímos com muito carinho e dedicação desde o fim de 2012. Bom proveito! Bom dia senhores delegados, eu sou o vice-diretor Frederico Teixeira Leite, as se preferirem podem me chamar de Fred, e eu vou moderar a simulação juntamente com o outro vice-diretor, a diretora e o assistente deste comitê. Eu estou cursando o 3º ano do ensino médio e pretendo me formar nesse ano de 2013. Apesar de me interessar mais pelas ciências exatas, acredito ser importante conhecer a historia do nosso mundo, pois só assim podemos fazer a diferença, sei que isso aparenta um grande clichê, mas acaba sendo a verdade. Hoje enxergo que o mundo precisa de alguém para muda-lo, porém admito que comecei a simular por motivos bem diferentes. Primeiro porque queria aprimorar minha oratória e minhas habilidades de argumentação, com as quais muitas vezes continuo tendo problemas, e em segundo ,porém não menos importante, queria poder discutir e gritar com alguém só por diversão. Para aqueles que estarão presentes na simulação por motivos acadêmicos desejo-lhes um bom aprendizado. Já para aqueles que vieram com intenção de um dia fazer o mundo um lugar melhor desejo que não desistam pois quero ver e participar do mundo novo. Mas ainda sim desejo para todos uma ótima simulação e que seu fim de semana seja proveitoso.
  4. 4. IV Simulação Interna Agostiniana - SIA 3 Olá senhores, meu nome é Guilherme Araújo, tenho 17 anos, e curso o Ensino Médio no colégio Santo Agostinho- Belo Horizonte. É com muito prazer que faço parte dessa equipe diretora responsável por esse comitê, sendo o primeiro em que farei parte da mesa diretora, dentre os sete em que participei. Prezo pelo lado de que simulações devem ser olhadas não só pelo lado acadêmico, como também pelo lado social. Tive a oportunidade de conhecer pessoas incríveis, e defender a sua política externa geralmente é divertido. Aos iniciantes, peço que tenham paciência e coragem, todos já foram iniciantes um dia. Aos experientes eu espero que gostem de verdade do comitê que estamos organizando, os senhores não irão se arrepender. Espero que todos se apaixonem por simulações assim como eu me apaixonei e me apaixono até hoje. Olá. Meu nome é Gabriel Elias Sadala de Souza e sou assessor da SIA (Simulação Interna Agostiniana). Tenho 15 anos, e desde os 6 estudo no Colégio Santo Agostinho. Tenho interesses bem variados que vão de videogame a gastronomia, passando pela filosofia, música, escrita e meu Corinthians. Conheci a SIA através de uma amiga e me identifiquei muito com a proposta, pois gosto muito de dialogar e discutir a geopolítica. Atualmente curso o Primeiro série do Ensino Médio. OBSERVAÇÕES IMPORTANTES DOS DIRETORES Senhores delegados, é importante lembra-los que este comitê é de caráter histórico e se passa no ano de 1985. Portanto, quaisquer informações POSTERIORES a outubro de 1985 devem ser DESCONSIDERADAS pelos senhores, já que supostamente ainda não aconteceram. Além disso, ressaltamos que os resultados deste comitê podem ou não serem iguais aos reais, os senhores tem aqui o poder de fazer decisões diferentes das que os representantes da época fizeram.
  5. 5. IV Simulação Interna Agostiniana - SIA 4 Ao fim, pedimos que os senhores não atenham suas pesquisas a este guia, é de extrema importância que ele seja somente uma primeira leitura de sua preparação para a SIA. Atenciosamente, Mesa diretora do CSNU da IV SIA ANTECEDENTES DA CRIAÇÃO DA ONU O término da Primeira Guerra Mundial trouxe terríveis consequências que fizeram com que os países europeus entrassem em crises sociais, financeiras e, consequentemente, políticas. Com o intuito de evitar uma Segunda Guerra Mundial, e assegurar a paz no Continente e no mundo após a Primeira Guerra, as potências vencedoras do conflito criaram a Liga das Nações (também conhecida como Sociedade das Nações) com o objetivo de preservar a paz e ajudar na resolução dos conflitos internacionais por meio da mediação. Com o passar dos anos, esse organismo internacional solucionou e evitou alguns dos conflitos que surgiram e ameaçaram surgir após a primeira Guerra (como o conflito da Alta Silésia e o conflito da Albânia), bem como criou organismos para ajudar na resolução de problemas sociais (como por exemplo, a Organização de Saúde, a Organização Internacional do Trabalho, o Conselho Central Permanente do Ópio, a Comissão de Escravatura, o Comitê para os Refugiados, o Comitê para o Estudo do Estatuto Jurídico da Mulher). Apesar da Liga das Nações ter sido criada baseada na ideia de “Paz Perpétua”1, a falta de maturidade do seu processo político (que exigia a unanimidade para a aprovação dos temas discutidos), fez com que a mesma não conseguisse cumprir efetivamente seus objetivos perante a comunidade internacional. Outro fator que colaborou com a falta de efetividade da Liga das Nações foi a ausência dos Estados Unidos da América nessa organização, já que essa nação já ocupava um lugar de extrema importância no cenário mundial da época. A eclosão da segunda Guerra Mundial em 1939 marcou definitivamente o fim da Liga das Nações, já que seu objetivo primordial de evitar um conflito de proporções tão grandes como as da Primeira Grande Guerra havia evidentemente fracassado. A CRIAÇÃO DA ONU 1 Kant defende a existência de uma instituição supra-nacional(poder maior queo estado) e uma constituição universal,para garantir a pazentre todos os Estados.
  6. 6. IV Simulação Interna Agostiniana - SIA 5 Com o fim da Segunda Grande Guerra, e suas consequências ainda piores do que as da Primeira Guerra, o mundo viu novamente a necessidade de que fosse criada uma nova entidade internacional para assegurar a paz mundial. Assim em 25 de Abril de 1945, na Conferencia de São Francisco, foi criada a Organização das Nações Unidas (ONU), e em 24 de outubro de 1945, foi promulgada a Carta das Nações Unidas. Segundo Thomas M. Franck2 (Nation Against Nation, 1985) quando a ONU foi criada ela teve três finalidades: resolver os litígios, mantendo a paz entre os Estados, mobilizar a comunidade internacional para deter uma agressão e promover o respeito entre direitos humanos. Os objetivos da ONU são muito bem expressos no primeiro artigo da Carta das Nações Unidas: Os propósitos das Nações unidas são: 1. Manter a paz e a segurança internacionais e, para esse fim: tomar, coletivamente, medidas efetivas para evitar ameaças à paz e reprimir os atos de agressão ou outra qualquer ruptura da paz e chegar, por meios pacíficos e de conformidade com os princípios da justiça e do direito internacional, a um ajuste ou solução das controvérsias ou situações que possam levar a uma perturbação da paz; 2. Desenvolver relações amistosas entre as nações, baseadas no respeito ao princípio de igualdade de direitos e de autodeterminação dos povos, e tomar outras medidas apropriadas ao fortalecimento da paz universal; 3. Conseguir uma cooperação internacional para resolver os problemas internacionais de caráter econômico, social, cultural ou humanitário, e para promover e estimular o respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais para todos, sem distinção de raça, sexo, língua ou religião; e 4. Ser um centro destinado a harmonizar a ação das nações para a consecução desses objetivos comuns.3 Apesar de terem tido objetivos semelhantes, a ONU teve mais sucesso do que a Liga das Nações de 1945, já que a primeira contava com a presença de todas as nações influentes do contexto (inclusive com a presença dos Estados Unidos da América) e, além disso, contava também com um corpo militar para ajudar na resolução dos conflitos, ao contrário da Liga das Nações, que não dispunha de qualquer corpo militar para sustentar a paz em áreas de conflito, tendo como ferramentas de correção somente sanções econômicas e militares. 2 Thomas Martin Franck (July 14, 1931- May 27, 2009) foi um famoso advogado, professor de direito e especialista em direito internacional. 3 Artigo primeiro da Carta das Nações Unidas, assinada em São Francisco em 26 de junho de 1945.
  7. 7. IV Simulação Interna Agostiniana - SIA 6 ORGÃOS DAS NAÇOES UNIDAS De acordo com sua Carta (constituição) a ONU possui seis órgãos, sendo que cada um deles possui características distintas: o Conselho de Segurança das Nações Unidas, a Assembleia Geral das Nações Unidas, o Conselho Econômico e Social, o Conselho de Tutela, o Secretariado e a Corte Internacional de Justiça. No caso, como simularemos o órgão do Conselho de Segurança das Nações Unidas, ênfase será dada somente ao funcionamento deste órgão neste guia. O CONSELHO DE SEGURANÇA DAS NAÇÕES UNIDAS (CSNU) O CSNU é considerado no artigo 244 da Carta das Nações Unidas o órgão de maior responsabilidade da ONU. O Conselho tem a seguintes funções: regulamentar os litígios entre os Estados-membros da ONU, regulamentação de armamentos, agir nos casos de à paz e de agressão, decidir sobre as medidas a serem tomadas para o comprimento das sentenças da CIJ (Corte Internacional de Justiça). Esse órgão é formado por 15 membros, sendo cinco permanentes: EUA, Rússia (no caso, como o comitê simulado se passará em 1985, a Rússia ainda era representada pela URSS), a China, a França e o Reino Unido, além de dez países eleitos periodicamente pela Assembleia Geral chamados de membros rotativos. Nota-se que a escolha dos membros permanentes deu-se devido à vitória dos mesmos na Segunda Guerra Mundial. Na Conferencia de Ialta, foi resolvido definitivamente que os membros permanentes (conhecidos também como P5) teriam direito de vetar qualquer decisão sobre assunto que não fosse matéria processual, ou seja, qualquer decisão que não fosse a respeito das dinâmicas das reuniões do Conselho. O Conselho de Segurança é um órgão permanente. As suas decisões deverão ser cumpridas pelas Nações Unidas, ou seja, é um órgão de caráter mandatório, e quando houver discussão de assunto do interesse de um Estado que não faça parte dele, este Estado será convidado a participar das discussões sem direito de voto. 4 A fim de assegurar pronta e eficaz por parte das Nações Unidas, seus Membros conferem ao Conselho de Segurança a principal responsabilidade na manutenção da paz e da segurança internacionais e concordam em que no cumprimento dos deveres impostos por essa responsabilidade o Conselho de Segurança aja em nome deles.
  8. 8. IV Simulação Interna Agostiniana - SIA 7 A GUERRA FRIA DE 1945 A 1985 “... A guerra fria [...] É uma verdadeira guerra global não declarada. Obedece a um planejamento e têm objetivos a conquistar, desperta entusiasmo e medo em grupos sociais e reações contrárias na opinião pública. ” - Castello Branco Durante os anos de 1939 e 1945, o mundo sofreu com a Segunda Guerra Mundial. Com a vitória dos Aliados5 sobre as Potências do Eixo6, e o consequente fim da guerra, ficou perceptível que não só os países da Europa e da Ásia ficaram devastados pela guerra, mas que a ordem internacional conhecida até então havia sido desestruturada. O sistema eurocêntrico que dominava as relações internacionais nos 500 anos anteriores entrara em colapso com as crises econômicas, politicas e sociais presentes nas potências europeias e, nesse contexto de crise, emergiram duas potências que além de vitoriosas da segunda grande guerra, detinham a maioria dos recursos militares, econômicos e diplomáticos do planeta: os Estados Unidos da América e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Essas potências, porém, viviam sob sistemas socioeconômicos opostos, os EUA sob o sistema capitalista e a URSS sob o sistema socialista e, numa tentativa de conseguir a hegemonia mundial 7 e da consequente expansão de seus sistemas para o restante da comunidade internacional, essas nações entraram em um conflito conhecido como Guerra Fria. Tal denominação se deu devido ao fato destas potências não terem entrado em um conflito militar direto, uma vez que ambas possuíam armas nucleares e estavam cientes de que um conflito direto com o uso de tais armas resultaria na destruição tanto do atacante quanto do defensor8. O receio de que uma potência sobressaísse à outra, juntamente com a possibilidade de um conflito direto entre elas, e com o fato de que ambas tentavam ao máximo não demonstrar inferioridade, acabou gerando as chamadas corridas armamentista e espacial, bem como o desenvolvimento acelerado dos meios de comunicação. Mesmo não se enfrentando diretamente, a possibilidade de um conflito de grandes proporções permaneceu constante durante todo o período da Guerra Fria, de forma que ambas as nações sentiram que era necessário investir o máximo possível em seus recursos militares como forma de assegurar a segurança nacional (dentre tais investimentos se encontravam a produção em larga escala de armas nucleares). 5 URSS, EUA, França, China e Reino Unido da Grã Bretanha e Irlanda do Norte. 6 Alemanha, Itália e Japão. 7 O domínio do mundo por parte de uma única nação ou grupo de nações. 8 Fenômeno que ficou conhecido historicamente como Destruição Mútua Assegurada.
  9. 9. IV Simulação Interna Agostiniana - SIA 8 Apesar de não terem entrado em um combate direto, tanto os Estados Unidos da América quanto a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas alimentaram diversos conflitos armados em outros países, como na Coréia, no Vietnã e no Afeganistão. Além de terem alimentados tais conflitos, a disputa entre os Estados Unidos da América e as Repúblicas Socialistas Soviéticas fez com que estes interferissem diretamente nas políticas internas e externas de algumas nações. Um grande exemplo dessa interferência aconteceu em 1945, logo após o fim da Segunda Guerra com a divisão da Alemanha. Em agosto de 1945, aconteceu na cidade de Postdam, na Alemanha, um encontro entre os representantes dos EUA, URSS e do Reino Unido da Grã Bretanha e Irlanda do Norte para que fosse decidido o destino da Alemanha pós-guerra. Tal reunião, posteriormente conhecida como Conferência de Postdam, decretou que o país deveria pagar uma indenização aos Aliados, devolver o porto de Dantizig à Polônia e que o país ficaria dividido em quatro zonas de ocupação: uma francesa, uma inglesa, uma soviética e uma norte- americana. Como os anos seguintes foram seguidos pela disputa por áreas de influência, as regiões controladas pela França, Reino Unido e USA em 1949 se tornaram um país, a República Federal da Alemanha (RFA), e no mesmo ano a região soviética tornou-se a República Democrática da Alemanha (RDA). Outra grande característica desse período é a busca das duas potências por aliados. Os maiores exemplos dessa busca são em 1949 quando os EUA criam a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), uma aliança militar composta originalmente pelos Estados Unidos da América, França, Bélgica, Canadá, Países Baixos, Dinamarca, Reino Unido, Luxemburgo, Noruega, Finlândia, Itália, Portugal e mais tarde a Alemanha Ocidental, a Grécia e a Turquia, e em 1955, quando a URSS constitui a aliança militar do Pacto de Varsóvia, que era composto pela União Soviética, Polônia, Tchecoslováquia, Hungria, Bulgária, Romênia e Alemanha Oriental. OS CONFLITOS DURANTE A GUERRA FRIA5 Dentre todos os conflitos que ocorreram sob influência da Guerra Fria até o ano de 1985 destacam-se a Guerra das Coreias (1950 – 1953), a Guerra do Vietnã (1959 – 1975) e a Crise dos mísseis em Cuba, em outubro de 1962. O conflito entre as Coreias do norte e do sul representou além de tudo a primeira batalha militar que opunha o socialismo ao capitalismo. O conflito tem suas raízes com o fim da segunda guerra em 1945, até então a Coréia era um país unificado e ocupado pelos japoneses. Com a derrota japonesa, as duas grandes potências vencedoras concordaram em dividir o território coreano, assim, os soviéticos ficaram com o controle da região coreana acima do paralelo de 38 graus (República Popular da Coréia), enquanto os estadunidenses com a região abaixo deste paralelo. Inevitavelmente, a porção
  10. 10. IV Simulação Interna Agostiniana - SIA 9 norte da Coréia se tornou socialista e a porção sul, capitalista. Em 1949, a presença de tropas estrangeiras em ambas as Coreias já era mínima, porém no ano seguinte a Coréia do Norte invade o lado sul, com o objetivo de derrubar o governo capitalista, fazendo com que os estados unidos com mais 15 países enviassem soldados para ajudar os sulistas. Com este envio de tropas, a China comunista entra no conflito com o objetivo de defender os norte coreanos. A situação do conflito se acalmou em 1951, com o equilíbrio de forças e com o reconhecimento oficial da existência de duas Coreias, a do norte e a do sul, e em junho de 1953 a guerra chega oficialmente ao seu fim. Outro conflito que também envolveu a divisão de uma nação em duas, foi a Guerra do Vietnã, as motivações desta são muito semelhantes às da Guerra das Coreias, porém no fim do conflito o Vietnã se reunificou. O país havia sido colônia francesa, e quando a segunda grande guerra terminou iniciou-se um processo violento de descolonização. Com a derrota, os franceses tiveram que aceitar a independência do Vietnã, que em 1954, na Conferência de Genebra9, foi dividido em dois países. O Vietnã do Norte, que era comandado por Ho Chi Minh, possuindo orientação comunista pró União Soviética e o Vietnã do Sul, que vivia em uma ditadura militar e era aliado aos Estados Unidos da América, possuindo uma orientação capitalista. Devido a tais diferenças políticas e ideológicas a relação entre o Vietnã do Sul e o Vietnã do Norte era tensa no final da década de 1950, e em 1959 os vietcongues10 com apoio do governo norte vietnamita e dos soviéticos atacaram o Vietnã do Sul com objetivo de unificar novamente o país, sob um sistema socialista. Em 1964, os Estados Unidos resolveram entrar diretamente no conflito, enviando soldados e armamentos de guerra. Os vietcongues utilizaram táticas de guerrilha, enquanto os norte-americanos empenharam-se no uso de armamentos modernos, helicópteros e outros recursos. Mesmo assim, em 1960 era claro e evidente que a intervenção norte americana havia fracassado. No início da década de 70, os protestos contra a guerra aconteciam em larga escala nos EUA e sem apoio popular e derrotas no Vietnã, o governo norte americano aceita o cessar-fogo de 1973, porém somente em 1975 ocorre a retirada total de suas tropas. Em 1976, o Vietnã é reunificado sob um regime comunista aliado à URSS. A Crise dos mísseis de Cuba em 1962, por sua vez, é considerada como o episódio que marca o ápice da Guerra Fria. Na noite do dia 22 de outubro de 1962, o até então presidente dos Estados Unidos da América John Fitzgerald 9 A Conferência de Genebra de 1954, tinha como objetivos reconhecer a independência política do Vietnã e discutir a paz na Coréia. Participaram da conferência o Camboja, República Democrática do Vietnã, França, Laos, China, República do Vietnã, URSS, Reino Unido e EUA. 10 Vietcongue é a denominação dada pelos sul-vietnamitas aos membros da Frente Nacional de Libertação, ligada ao governo do Vietnã do Norte.
  11. 11. IV Simulação Interna Agostiniana - SIA 10 Kennedy anunciou, em um pronunciamento na televisão, que os soviéticos haviam instalado mísseis nucleares em Cuba apontados para Washington. Deste modo, o governo norte americano elevou o nível de alerta nuclear em suas bases nucleares na Europa, apontando seus mísseis da região para Moscou. O impasse durou cerca de treze dias de tensão mundial, ao fim dos quais as duas superpotências resolveram a crise por meio da diplomacia. O presidente Kennedy e o líder soviético Nikita chegaram a um acordo que consistia na retirada dos mísseis soviéticos de Cuba e, em troca, os EUA se comprometeram a não invadir a ilha americana e a desmantelar seus mísseis na Turquia. O mundo nunca esteve tão perto de um conflito nuclear, o que gerou imensa tensão na comunidade internacional. A seriedade desta crise foi reconhecida em todo o mundo, inclusive pelo próprio presidente norte americano que eu 1963, fez a seguinte declaração sobre este episódio: “Poderia matar 300 milhões de americanos, europeus e russos, assim como inúmeros outros. Os sobreviventes, como disse o presidente Kruschev, invejariam os mortos. Pois eles herdariam um mundo devastado por explosões, veneno e fogo, cujos horrores hoje nem sequer somos capazes de imaginar.”. Depois da enorme tensão vivida pela crise dos mísseis, ocorre uma fase da Guerra Fria conhecida por Distensão. Essa fase é caracterizada pelo estabelecimento de acordos entre os EUA e a URSS que evitariam que a situação de 1962 se repetisse. Pode-se afirmar que a Distensão foi uma época de relativa paz entre EUA e URSS no que se refere às questões militares, embora tenha aumentado o conflito ideológico. (GADDIS, 2007) Após 1979, a chamada distensão começou a declinar, pois os EUA formaram alianças políticas e econômicas com alguns países, como China e Japão, com o intuito de minar o poder de influência da União Soviética, o que levou ao aumento das hostilidades entre os dois países. Dessa forma, há um retorno para a lógica de expansão do poder competitiva entre os blocos, podendo ser citado como exemplos disso o apoio que o governo dos EUA buscou e conseguiu do governo chinês e a reação à invasão soviética no Afeganistão em 1979. (HOBSBAWM, 1995) CAPITALISMO X SOCIALISMO11 Capitalismo é um sistema no qual há a defesa da propriedade privada e dos direitos individuais do homem. Nele todos os indivíduos e empresas são livres para competirem entre sí, de forma a acançarem seus próprios lucros. Os defensores desse sistema afirmam que é o único sistema baseado na justiça, visto que para conquistar algo, é necessário lutar e se esforçar pelo seu 11 Texto extraído parcialmente do guia de estudos do comitê “Conferência Internacional sobre a Guerra Fria – 1962” da primeira edição da Simulação Interna Agostiniana, em 2010, e redigido pelas até então alunas do Colégio Santo Agostinho Jessica Holl e Natália Rocha.
  12. 12. IV Simulação Interna Agostiniana - SIA 11 objetivo. E, além disso, tal sistema está de acordo com a natureza competitiva do homem, natureza essa que pode até ser inibida, mas não completamente extirpada. Por outro lado, seus críticos afirmam que capitalismo pressupõe desigualdade social. De forma que tende sempre aos oligopólios e monopólios, à subjugação do mais fraco pelo mais forte, à exploração dos trabalhadores e a uma economia instável, sujeita às oscilações do mercado. A maioria dos que criticam capitalismo adotam a bandeira do socialismo. Ideologia que propõem a distribuição igualitária de todos os bens produzidos pela sociedade, de modo a não haver a noção de propriedade privada, mas sim de bens da sociedade como um todo, por isso todos os meios de produção estão nas mãos do governo e não de particulares. Assim, defende-se o socialismo por ele ser capaz de proporcionar uma sociedade planificada (ao contrário da pirâmide social presente no capitalismo), em que todos desfrutariam de uma igualdade, não só de direitos, mas também de posses. Entretanto, seus críticos afirmam que a proposta de uma sociedade plenamente socialista é infundada, já que tal sociedade tenderia à estagnação e à precariedade, visto que, como todos os meios de produção estariam nas mãos, unicamente, do governo, não haveria a concorrência de mercado, não existindo, assim, nenhum motivo para qualquer melhora na qualidade do que é produzido. E foram essas duas ideologias que bipolarizaram o mundo durante a Guerra Fria. O capitalismo era defendido, principalmente, pelos Estados Unidos e o socialismo pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, de forma que essas duas potências tinham como um de seus principais objetivos a espansão de suas áreas de influência. A dos EUA consistia na Europa Ocidental, na América e em parte da África, já a da URSS era o Leste Europeu e grande parte da Ásia. Essa busca por uma maior área de influência acirrava ainda mais os conflitos entre as duas potências, pois era inevitável que uma objetivasse os “domínios” da outra. Meta essa que tinha como sua principal arma a propaganda, fosse ela impícita – através de filmes e livros – ou explícita – por meio da divulgação dos problemas existentes no sistema econômico e político adotado pela outra potência. Assim, por todas essas questões é que a Guerra Fria foi caracterizada como um conflito essencialmente ideológico, entre o socialismo e o capitlismo. Conflito esse que teve como seu grande vencedor o capitalismo, visto que o socialismo foi praticamente extinto com a queda da URSS em 1991. ORIGENS DO AFEGANISTÃO
  13. 13. IV Simulação Interna Agostiniana - SIA 12 Devido sua posição geográfica, o Afeganistão tem uma história bastante turbulenta. Localiza-se em uma área extremamente estratégica, sendo assim considerado um território de grande importância comercial, participando de rotas comerciais de petróleo e outros produtos de extrema importância já que possuí fronteiras com Tadjiquistão, Uzbequistão, Turcomenistão, Paquistão, Irã e China. Dessa maneira a nação foi cenário de disputa territorial inúmeras vezes, começando pelos persas em 382 a.C e posteriormente pelos Impérios Turco Otomano, Hindu e Mongol, até ser ocupado efetivamente pelos árabes em 651. Iniciando-se assim, a difusão de ensinamentos Islâmicos até a invasão mongol, em 1219. Tendo sofrido a influência de diversos povos durante toda a sua história, a nação é marcada pela miscigenação e pelo confluir de diversos povos e civilizações asiáticas. O ISLAMISMO NO AFEGANISTÃO A cultura islâmica foi adotada na região após a invasão dos árabes no século VII, e em 1747 fora organizado por Ahmad Shah Durrani um golpe de Estado, formando então um governo centralizado, chamado Império Afegão. Após um conflito, chamado de "Grande Jogo", entre os ingleses e os russos na região da Ásia, o Afeganistão se tornou protetorado inglês, ou seja, apesar de possuir uma mínima autonomia, a Inglaterra era quem possuía o poder decisivo nas relações exteriores e interiores do país. Os afegãos só se tornaram independentes de fato em 1919, quando começou a ter autonomia de fato. Em 1929, iniciou-se o período de monarquia do Afeganistão. Após a morte do líder Habibulla Kalakani, o príncipe Mohammed Nadir Khan foi proclamando rei e governou até 1933, quando foi assassinado. Seu filho, Mohammed Zahir Khan , assumiu o trono e reinou até 1973. Em 1964 fora promulgada uma constituição liberal, entretanto Zahir não conseguiu realizar reformas bem sucedidas, permitindo o crescimento de partidos extremistas, como o PDPA12. A REPÚBLICA DE 1973 Em meio às acusações de corrupção, prevaricação contra a família real juntamente com as más condições econômicas, Mohammed Daoud Khan realizou um golpe de Estado em 17 de julho de 1973, depondo o rei Mohammed Zahir Xá e acabando com a dinastia Barakzai, no poder desde 1826. Daoud aboliu o sistema monárquico, instituindo uma República Unipartidária, e tornando-se o primeiro Presidente do Afeganistão. Sua postura 12 Partido Democrático do Povo do Afeganistão (PDPA) foi um partido comunista estabelecido em 1 de Janeiro de 1965.
  14. 14. IV Simulação Interna Agostiniana - SIA 13 era considerada ocidental, não agradando o Partido Democrático Popular do Afeganistão (PDPA). Revogou a constituição de 1964, e elaborou uma nova em 1977, na tentativa de acabar com a instabilidade política crônica da nação, porém suas tentativas de realizar reformas econômicas e sociais não tiveram sucesso, deixando a população insatisfeita. Exemplos de medidas de Daoud ser explicitados como o estabelecimento de um plano econômico de 7 anos, os programas de treinamento militar com a Índia, e o inicio das negociações de desenvolvimento econômico com o Irã. O presidente também fez com que o Afeganistão procurasse os Estados mais desenvolvidos economicamente em busca de ajuda monetária. Seu governo era altamente repressor, e o governante mantendo distancia da URSS, transmitiu uma imagem anticomunista. Com o fracasso de seus planos econômicos pode se notar que o Afeganistão não progredia nesse sentido. A REVOLUÇÃO DE SAUR Em 1967 o Partido Democrático Popular do Afeganistão (PDPA), que se opunha ao governo, se dividiu em duas facções, os Parcham e os Khalq (mais radicais). Em 1978, um importante membro do partido fora morto por um integrante do governo. Logo após seu funeral, ocorreu um protesto contra o governo de Daul e diversos líderes foram presos, esse evento ficou conhecido como Revolução de Saur. Onze dias depois do protesto, unidades dos Khalq invadiram o Palácio Arg, realizando então um novo golpe de Estado, depondo e assassinando Daoud e sua família. Dessa forma, Nur Muhammad Taraki (líder dos Khalq) tornou-se o novo Presidente e Primeiro-Ministro da então nomeada República Democrática do Afeganistão. Em março de 1979, Hafizullah Amin assumiu o cargo de primeiro- ministro, mantendo a posição de marechal de campo e tornando-se vice- presidente do Conselho Supremo de Defesa. Taraki permaneceu como presidente e no controle do Exército. Em 14 de Setembro, Amin derrubou Taraki, que foi morto. Depois disso, o país sofreu extremas mudanças em sua constituição e em sua cultura, uma vez que o PDPA promoveu o Ateísmo no Estado, as mulheres passaram a trabalhar, o casamento forçado fora proibido, e as mesmas foram incluídas na vida política, passando a ter o direito de voto. Os homens eram obrigados a cortar suas barbas e a população foi proibida de frequentar as mesquitas13. Dessa forma, a população que era de forte caráter islâmico, sofreu e ficou descontente com as medidas do novo governante e 13 Mesquita é um lugar sagrado para os muçulmanos; onde se congregam para realizar as suas orações diárias.
  15. 15. IV Simulação Interna Agostiniana - SIA 14 membros das instituições religiosas, da elite e intelectuais foram torturados e assassinados. A nova República era de extrema esquerda e o Afeganistão se tornou bem mais próximo a URSS, que enviou contratados para construir estradas, escolas e hospitais, além de treinarem e equiparem o exército afegão. Porém, mesmo com o investimento soviético melhorando a infraestrutura da nação, o governo do PDPA não teve boa aceitação da população local, devido às suas medidas que iam contra o islamismo, o que foi manifestado em lutas contra as reformas propostas pelo governo. Os cidadãos islâmicos que engajaram na luta contra essas reformas são conhecidos como Mujahideen (grupo conhecido como aqueles que se envolvem em uma guerra-santa contra os não muçulmanos). Em contra partida às manifestações contrárias ao governo, em setembro de 1979, foi assinado um acordo em que permitia o apoio militar da URSS ao PDPA caso fosse necessário. Temendo um golpe contra o governo marxista do Afeganistão, a URSS promoveu então uma ocupação em território afegão para proteger o mesmo, enfrentando o grupo rebelde Mujahideen, além disso a URSS tira Amin do poder e impõem Babrak Karmal, líder exilado da facção Parcham para restabelecer o controle. . A maioria da população afegã não aprovava as influências soviéticas na constituição de seu país e no comportamento de seus militares, desencadeando então uma série de revoltas, enfrentando a repressão intensa que se aplicava no território desde o início do governo liderado pela PDPA. A INTERVENÇÃO Com a chegada de tropas soviética no país, o governo consegue conquistar as principais cidades, aumentando a revolta dos Mujahideen, porém, mesmo com a força do exercito soviético, o governo não consegue retomar o controle da maior parte das terras que estavam sobre posse dos rebeldes, que já contavam com dois terços do antigo exercito afegão e apoio popular. Em 1984 os Estados Unidos da América ajudam os rebeldes enviando ajuda monetária e bélica, declarando que são a favor da luta pela liberdade religiosa e contra a ditadura, a favor de uma democracia. Paquistão, China, Irã e Arábia Saudita também chegam a fornecer armas e dinheiro aos rebeldes. QUESTÕES A SEREM DEBATIDAS Considerando que a situação no Afeganistão em 1985 é critica, com milhares de afegãos sendo feridos, mortos e prejudicados pela revolta, a Organização das Nações Unidas convoca em outubro de 1985 uma reunião
  16. 16. IV Simulação Interna Agostiniana - SIA 15 extraordinária do Conselho de Segurança das Nações Unidas para que se discuta e se tome atitudes sobre, prioritariamente:  A legitimidade da presença soviética em território afegão;  A ajuda de nações aos rebeldes;  A ação da comunidade internacional perante a intervenção soviética. MAPAS Figura 1. A Europa em 1950 Figura 2. Divisãoda Alemanha após a Segunda Guerra Mundial
  17. 17. IV Simulação Interna Agostiniana - SIA 16 Figura 4. Divisão imposta pelo Muro de Berlim Figura 3. O conflito Leste-Oeste
  18. 18. IV Simulação Interna Agostiniana - SIA 17 Figura 5. Alianças políticas no período da Guerra Fria
  19. 19. IV Simulação Interna Agostiniana - SIA 18 Figura 6. O Afeganistão hoje (2012) POSIÇÃO DOS PAÍSES MEMBROS PERMANENTES: ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA: Desde o início da Guerra Fria, com a possibilidade de um conflito militar nuclear, os Estados Unidos da América voltaram sua política externa para a segurança nacional. Além disso a política externa norte-americana se baseia nos ideias liberalistas, de modo que esta potência argumenta contrariamente a presença soviética no Afeganistão, alegando que a população afegã sendo contrária o regime detém o direito de tirar os governantes do poder, e a presença soviética , ajudando a manutenção do governo, prejudica diretamente a população. Deste modo, considerando que os EUA disputam com a URSS áreas de influência pelo mundo e, que o Afeganistão é uma região estratégia devido à sua privilegiada localização, a potência norte americana vêm ajudando diretamente o grupo rebelde dos Mujahidin. UNIÃO DAS REPÚBLICAS SOCIALISTAS SOVIÉTICAS: A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas estava sendo requisitada a mais de um ano pelo partido PDPA para auxiliar o governo contra investidas rebeldes feitas pelo grupo Mujahidin. A URSS moveu então suas tropas ao território afegão, a fim de combater essas investidas e proteger o atual governo. A permanência do governo atual é importante para os soviéticos pois mantém a sua influência na região que é rica em petróleo e recursos naturais, além de ser um território em posição comercial estratégica. As primeiras tropas chegaram ao Afeganistão no dia 25 de Dezembro de 1979 e em 1984 as tropas soviéticas já contavam
  20. 20. IV Simulação Interna Agostiniana - SIA 19 com 250.000 homens. Em contexto da guerra fria, em que o regime Socialista confronta diretamente o regime Capitalista, o monopólio daquela região significa poder de uma localidade importante, e aumenta a influência ideológica empregada na União Soviética. É importante destacar que a política externa soviética durante a Guerra Fria de baseia em conseguir áreas de influência pelo mundo e também em assegurar sua soberania e segurança. REPÚBLICA POPULAR DA CHINA:A República Popular da China governada por Mao Tse Tung, rompe suas relações com a URSS e adquire uma orientação diplomática voltada para a moderação, e assim consegue uma cadeira permanente no conselho de segurança. Após o rompimento, a China fortalece suas relações com os Estados Unidos da América e outros países capitalistas assim se aproximando ainda mais do bloco capitalista. A China se mostra contra a invasão soviética no Afeganistão apoiando os rebeldes e fornecendo armas para os mesmos. REINO UNIDO DA GRÃ BRETANHA E IRLANDA DO NORTE: A Inglaterra, importante membro da OTAN, acredita na ilegitimidade do governo ditatorial no Afeganistão e, defendendo a liberdade dos povos, acredita que a ajuda aos mujahideen para restabelecer a ordem no país é imprescindível. REPÚBLICA FRANCESA: A República Francesa governada por Charles de Gaulle apesar de capitalista e uma das nações fundadoras da OTAN, o governo que acreditava na autonomia francesa, sai da OTAN para mostrar que não se subordinaria nem a URSS nem ao EUA. O Gaullismo acreditava na força francesa e que apenas a França poderia acabar com a Guerra Fria por der capas de trazer uma intervenção para encontrar a paz. A nação francesa não apoia a intervenção soviética no país, porém acredita que a intervenção americana pode ser prejudicial ao Afeganistão. MEMBROS ROTATIVOS: TCHECOSLOVÁQUIA: A Tchecoslováquia era até 1919 parte do império Austro-Húngaro, que se dissolveu por exigências do Tratado de Versalhes após a derrota na primeira Guerra Mundial. Para conter um movimento libertador chamado Primavera de Praga, em 1968 a União Soviética começou a controlar o território tchecoslovaco. A representação da Tchecoslováquia faz parte da Cortina de Ferro da URSS e do Pacto de Varsóvia. JAPÃO: O Japão, entre 1947 e 1950, recebeu pouco apoio estadunidense. A situação só se transformou com a Guerra da Coréia iniciada em 1950, que fez do Japão o principal aliado das tropas das Nações Unidas. Após a declaração da guerra, os Estados Unidos realizaram importantes investimentos na economia japonesa, que também foi impulsionada com a demanda gerada pela guerra. Assim, após o advento da Guerra da Coreia, o Japão se tornou um parceiro dos Estados Unidos na região, fato de extrema importância considerando-se o contexto da Guerra Fria e a própria localização do território japonês.
  21. 21. IV Simulação Interna Agostiniana - SIA 20 REPÚBLICA DE CUBA: A República de Cuba é a principal aliada da União Soviética na América central. Cuba se torna foco da guerra fria em 1962 pois permite a instalação de mísseis nucleares em seu país, os Estado Unidos se sentem ameaçados e esse conflito recebe o nome de Crise dos Mísseis. Cuba se declara tolamente a favor da invasão soviética no Afeganistão. REPÚBLICA DEMOCRÁTICA ALEMÃ: A República Democrática Alemã é formada pela parte oriental da Alemanha, a qual foi divida após o fim da Segunda Guerra Mundial. A Alemanha Oriental foi dominada pela URSS enquanto a Alemanha Ocidental foi dividida entre a França a Inglaterra e os EUA, o qual recebe as partes francesas e inglesas, dominando assim, toda a parte ocidental. A capital Berlim também foi divida, em partes oriental e ocidental, e é criado o muro de Berlim para delimitar ambas as partes. A Alemanha Oriental signatária do Pacto de Varsóvia e membro do COMECON declaram total apoio a URSS e acredita na legitimidade da presença desta no Afeganistão. REPÚBLICA OCIDENTAL DA ALEMANHA: Uma das razões da criação do Plano Marshall, feito para ajudar na reconstrução dos países destruídos pela guerra, fundado pelos EUA, deu-se em função da Alemanha Ocidental. Historicamente, ela tinha sido o eixo industrial do continente, produzindo uma grande quantidade de armas usadas em guerras e, também por isso, precisava ser o país onde cessaria a expansão soviética. Ao lado dos EUA, mas sem guerra declarada à URSS, em 1970, os governos da URSS e da Alemanha Ocidental assinaram um tratado pelo qual renunciavam ao uso da força e aceitavam as fronteiras europeias existentes naquele momento. Assim, a Alemanha Ocidental de mostra favorável à retirada soviética da região afegã. REPÚBLICA ITALIANA: A Itália após suas perdas na Segunda Guerra se torna uma republica e através do Plano Marshall e se reergue desfrutando de um crescimento acelerado. Porém, nos anos 60 até os 80, esse pais é atingido pela crise do petróleo e só começa a se fortalecer na década de 80 e assim se tornado uma forte nação industrial. A Itália membro da OTAN desde 1949 se mostra pró EUA na guerra no Afeganistão. REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL: A República Federativa do Brasil que se encontra desde 1961 em uma ditadura militar de caráter extremamente ditatorial e opressor. A ditadura brasileira é legitimada e apoiada pelos EUA, o qual mantém forte influencia dentro do país. O Brasil não declara abertamente sua posição sobre a invasão da URSS, porém apoia a intervenção norte americana. REPÚBLICA DA TUNÍSIA: A República tunisiana é uma república semi- presidencial onde a religião é muitas vezes posta ao lado da política, o que influencia nas decisões de seu governo, tanta na política interna quanto na externa. Teve sua Independência da França em 1956 e estabeleceu uma
  22. 22. IV Simulação Interna Agostiniana - SIA 21 república semi-presidensial. Tem uma grande relação econômica e política com a França, e por isso, tende a apoiar as decisões da potência. Assim como outros países islâmicos a Tunísia não legitima o atual governo afegão e apoia a intervenção norte americana. REPÚBLICA DE UGANDA: A República Federativa do Uganda teve sua independência da Inglaterra em 1962 e se estabeleceu como uma república presidencial. A nação já sofreu dois golpes militares (em 1971 e 1980) . Uma delas seu governante acolheu um grupo palestino que roubou um avião israelense. Na época isso causou um grande movimento na mídia mundial. A Uganda se manteve inicialmente neutra em relação à intervenção soviética POLÔNIA: O território determinado como Polônia já existia antes de ser determinado como país, mas foi separado do Império Germânico logo depois da Primeira Guerra Mundial. Após uma tentativa da URSS de dominar o Estado em 1921, em 1926 um governo de direita assumiu o país (chamado de Sanacja). Até a Segunda Guerra Mundial foi este governo que permaneceu no poder, mas com a invasão Nazista na Polônia o país só se viu livre em 1945, quando as tropas Nazistas se renderam. Com a Europa dividida a Polônia ficou do lado da “cortina de ferro” da URSS o que levou um alinhamento com o Pacto de Varsóvia. MEMBROS CONVIDADOS: ARÁBIA SAUDITA: O Reino da Arábia Saudita se localiza oficialmente no Oriente Médio, e é oficialmente um Estado islâmico. O país se posiciona ao lado do grupo rebelde Mujahidin, com o objetivo de proteger a religião islâmica. Além disso, os sauditas enviaram assistências monetárias para a criação de novos grupos antissoviéticos no Afeganistão, o que está sendo de grande ajuda na batalha contra tropas governamentais, e soviéticas. PAQUISTÃO: A República Islâmica do Paquistão, localizado no sul da Ásia é também um país com religião oficial islâmica. Aliado mais próximo dos norte- americanos na Ásia, é de grande importância na campanha antissoviética no Afeganistão, ao lado dos Estados Unidos. O Estado se manifestou ao lado do grupo rebelde Mujahidin, na luta contra os atuais governantes, membros do partido PDPA no Afeganistão, governo que além de Pro- Soviético, também não permitia a religião islâmica em seu território. AFEGANISTÃO: A República Democrática do Afeganistão é governada por Amin. As leis são influenciadas pela teoria marxista, sendo o governo de extrema esquerda. O Estado fora declarado com Ateu, e possuí uma estreita relação com a república Socialista da União Soviética, que ajudou na infraestrutura monetária, enviou contratados para construir estradas, escolas e hospitais, além de treinar e equipar o exército afegão. Em dezembro de 1979, o Afeganistão assinou um tratado com a URSS decidindo que a última, poderia ocupar quando necessário o território afegão. Diversas revoltas foram
  23. 23. IV Simulação Interna Agostiniana - SIA 22 desencadeadas já a maioria da população não apoiava as influências marxistas em seu Estado, de modo que o governo está ameaçado de sofrer um golpe de estado. O Afeganistão deve defender a sua soberania, e a ordem de seu país, contando com a ajuda da URSS, que ocupou seu território com a justificativa de defender este Estado. Estima-se que, até hoje, metade da população afegã tenha se refugiado no Irã e no Paquistão. MUJAHIDIN: Mujahidin significa em árabe "alguém que se empenha na luta”, embora o termo seja frequentemente traduzido como "guerreiro santo". Quando o governo de esquerda do PDPA assume no Afeganistão e impões medidas que iam contra o islamismo, o grupo dos mujahidin começa uma luta contra essas reformas e tem como objetivo retirar o governo atual do poder. Os Mujahidin vêm recebendo apoio financeiro e militar direto de diversas nações do globo. REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DA CORÉIA: A República Democrática Popular da Coreia tem como principais aliados a URSS e a China, uma vez que esse país ainda está em guerra com a Coreia do Sul, apoiada pelos EUA esta se encontra em uma situação delicada. O governo norte coreano é apoiado pela URSS e essa tem grande influencia no país. A Coreia do Norte acredita que a invasão soviética é digna e deve ser mantida. BIBLIOGRAFIA Polônia. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Polonia Acesso: 27 de janeiro de 2013 Tunísia. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Tun%C3%ADsia Acesso: 27 de janeiro de 2013 França. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/França Acesso: 30 de janeiro de 2013 Uganda. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Uganda Acesso: 30 de janeiro de 2013 Duvenger, Maurice. Os grandes Sistemas Políticos. 1ª ed. Gráfica de Coimbra, Janeiro de 1985, Portugal. MELLO, Celso Duvivier de Albuquerque, Curso de direito internacional Público. Pref. De M. Franchini Netoo, 9.ª ed. Rev. e aum. Rio de Janeiro, Editora renovar, 1992 MELLO, Celso D. De Albuquerque (Celso Duvivier de Albuquerque), 1937- Direito Internacional econômico / Celso D. De Albuquerque Mello – Rio de Janeiro : Renovar, 1993. Sociedade das nações. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Sociedade_das_Nações Acesso em: 8 de Janeiro de 2013 Organização das Nações Unidas. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/ONU Acesso em: 8 de Janeiro de 2013 http://www.sonico.com/g/967987449/segunda-guerra-mundial/foro/11387/eixo- x-aliados
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