Guia de Estudos CB SIA 2013

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Guia de Estudos CB SIA 2013

  1. 1. 1Conferência de Berlim - A distribuição territorialda África durante o Imperialismo europeuGuia de EstudosDIRETORES: Fábio Pongelupe, Bruno Fontenelle e David Peixoto.ASSESSORA: Ana Clara Crepaldi
  2. 2. 2SUMARIO:1. Apresentação dos diretores2. Introdução3. Antecedentes da Conferência de Berlim3.1. Revolução Industrial3.2. Nacionalismo3.3. Imperialismo4. Os objetivos da Conferência de Berlim5. A África Pré-Conferência6. Posicionamento dos Países7. Referências
  3. 3. 31. Apresentação dos diretores:Meu nome é Fábio de Almeida Pongelupe eestou no 3º ano do Ensino Médio. Já participei deoutras simulações internas e intercolegiais comodelegado, sendo a SIA 4ª Edição, minha segundaexperiência como moderador de um comitêjuntamente com meus colegas de mesa. Desdemeu primeiro contato com uma simulação, acreditofielmente que essa é uma experiência singular. Para nós jovens, simulaçõesnos levam a possuir um olhar diferenciado, em relação aos fatos e instituiçõesque estão ligados ao nosso mundo, além da chance do delegado de melhorarsua oratória diante de certo público, já pensando futuramente em umaprofissão em que tal habilidade contribua.Meu nome é Bruno Fontenelle Gontijo e estoucursando o 3º ano do Ensino Médio. Esta é a minhadécima simulação, sendo a minha segunda comomoderador de um comitê. As simulações, tanto internascomo nacionais, promovem um grande enriquecimentona arte de conhecer e debater sobre os assuntos queaconteceram e acontecem ao redor do nosso mundo. As simulações nostornam capazes de mudar o mundo por meio da diplomacia e, quem sabe,servir de inspiração para a futura carreira. Espero que as discussões sejamprodutivas e que tenhamos uma ótima simulação.Meu nome é Ana Clara, participei da SIA 2012, nonono ano e achei que foi uma experiência bastanteválida. Desenvolvi mais o censo crítico sobre o mundo, eo que acontece ao redor dele. Se sentir dentro da ONU,vestido à caráter e ainda discutir sobre os mais variadostemas foi para mim, um grande momento.
  4. 4. 42. IntroduçãoNo século XIX, os movimentos abolicionistas, inspirados nospensamentos liberais do século anterior, promoveram a proibição do tráficonegreiro no atlântico, colocando um fim na escravidão em todos os países daAmérica. Contudo, a abolição da escravidão não representou o fim dasinterferências estrangeiras no continente africano.Os governos europeus, em conjunto com as igrejas cristãs, aumentaramsuas ações missionárias dentro da África, alegando ter o fardo de converter edoutrinar as populações. Essas ações facilitaram o desejo do europeu empartilhar o continente africano entre as grandes potências europeias, que aessa altura encontravam-se na corrida imperialista. A dominação do territórioafricano, seja de modo direto ou indireto, significava o aumento do mercadoconsumidor e de matéria-prima, o que resulta no lucro do Império, ou seja, osucesso no regime imperialista.Tendo em vista essa necessidade do lucro, o Chanceler alemão, OttonVon Bismarck, em 1884, com o apoio de Portugal, convoca 13 nações para arepartição do continente africano. A partir desse momento, os principais paísesda Europa não apenas decidirão o futuro da África, mas da própria Europa emsi.
  5. 5. 53. Antecedentes:3.1. Revolução IndustrialA partir do século XVIII, a ciência iniciou um constante processo deevolução, que desencadeou uma série de novas tecnologias quetransformaram de forma rápida a vida do homem, sobretudo, no modo deproduzir mercadorias. Nesse último caso, serviu principalmente ao setorindustrial, acelerando o desenvolvimento do sistema capitalista. Essa aceleradatransformação no setor produtivo industrial é denominada historicamente comoRevolução Industrial.A Primeira Revolução Industrial ocorreu na Grã-Bretanha no final doséculo XVIII e início do século XIX. Logo, mais outros países como França,Bélgica, Holanda, Rússia, Alemanha e Estados Unidos ingressaram nessenovo modelo de produção industrial.Essa revolução ficou caracterizada por duas importantes invenções quepropunham uma reviravolta no setor produtivo e de transportes: a ciênciadescobriu a utilidade do carvão como meio de fonte de energia e a partir daídesenvolveram simultaneamente a máquina a vapor e a locomotiva. Ambosforam determinantes para dinamizar o transporte de matéria-prima, pessoas edistribuição de mercadorias, dando um novo panorama aos meios de selocomover e produzir.Graças a essas máquinas, a produção de mercadoria e lucro cresceu, eas fábricas começaram a se espalhar pela Inglaterra trazendo várias
  6. 6. 6mudanças. A maior delas as indústrias como alternativa de trabalho, fazendocom que houvesse um grande êxodo rural, pessoas deixando o campo emdireção as cidades, criando-se uma nova classe social: o proletariado.As cidades iam ficando cada vez mais cheias, e não absorviam o fluxo depessoas de forma planejada, modificando de maneira drástica a configuraçãoda paisagem urbana e formando bairros marginalizados e pobres. Algumascidades da Europa aumentaram três vezes o número de sua população emmeio século.Enquanto os burgueses comemoravam seu crescimento e lucro, ostrabalhadores começaram a agir em busca de seus direitos. A mão de obradeixou seu trabalho para grandes máquinas e vivendo na miséria, enquanto aburguesia lucrava, acelerando o desenvolvimento do capitalismo. E assim foicriado o movimento ludista, movimento nos quais grupos de trabalhadoresinvadiam as fábricas e quebravam as maquinas. Porém, a revolta não trouxemudanças substancias na sociedade britânica.Em 1830, formou-se o movimento cartista, movimento que lutava pelainclusão política da classe operária, representada pela associação Geral dosOperários de Londres. Teve como principal embasamento na carta escritapelos radicais William Lovett e Feargus OConnor, intitulada “Carta do Povo”. Aprincipal reivindicação era o direito do voto para todos os homens (sufrágiouniversal masculino), mas somente em 1867 esse direito foi conquistado.
  7. 7. 7No desenrolar da Revolução Industrial percebemos que a necessidadecrescente por novas tecnologias se tornou uma demanda comum a qualquernação ou dono de indústria que quisesse ampliar seus lucros. Com isso, omodelo industrial estipulado no século XVIII sofreu diversas mudanças eaprimoramentos que marcaram essa busca constante por novidades.Particularmente, podemos ver que, a partir de 1870, uma nova ondatecnológica sedimentou a chamada Segunda Revolução Industrial.Nessa nova etapa, o emprego da energia elétrica, o uso do motor àexplosão, os corantes sintéticos e a invenção do telégrafo estipularam aexploração de novos mercados e a aceleração do ritmo industrial. Dessa forma,percebemos que vários cientistas passaram a se debruçar na elaboração deteorias e máquinas capazes de reduzir os custos e o tempo de fabricação deprodutos que pudessem ser consumidos em escalas cada vez maiores.A eletricidade já era conhecida um pouco antes dessa época, mas tinhaseu uso restrito ao desenvolvimento de pesquisas laboratoriais. Contudo,passou a ser utilizada como um tipo de energia que poderia ser transmitido emlongas distâncias e geraria um custo bem menor se comparado ao vapor. Noano de 1879, a criação da lâmpada incandescente estabeleceu um importantemarco nos sistemas de iluminação dos grandes centros urbanos e industriaisda época.O petróleo, que antes tinha somente o uso no funcionamento desistemas de iluminação, passou a ter uma nova utilidade com a invenção domotor à combustão. Com isso, ao lado da eletricidade, este material passou aestabelecer um ritmo de produção mais acelerado. Sob tal aspecto, nãopodemos deixar de destacar outras descobertas empreendidas no campo daquímica que também contribuíram para essa nova etapa do capitalismoindustrial.Novas experiências permitiram o aproveitamento de minérios antes semimportância na obtenção de matéria-prima e outros maquinários. O aço e oalumínio foram largamente utilizados pela sua maior resistência emaleabilidade. Métodos mais simples de fabricação permitiram que o ácido
  8. 8. 8sulfúrico e a soda cáustica fossem acessíveis. Por meio desses doiscompostos a fabricação de borracha, papel e explosivos pôde ser feita emlarga escala.Com relação aos transportes, podemos ver que as novas fontes deenergia e a produção do aço permitiram a concepção de meios de locomoçãomais ágeis e baratos. Durante o século XIX, a construção de estradas de ferrofoi o ramo de transporte que mais cresceu. Nesse período, Estados Unidos eEuropa possuíam juntos cerca de 200 mil quilômetros de trilhos construídos.Segundo outros dados, somente na década de 1860, mais de dois milhões depessoas eram empregadas na manutenção desse único meio de transporte.Por meio dessas inovações, as indústrias puderam alcançar lucros cadavez maiores e dinamizar o processo que se dava entre a obtenção da matéria-prima e a vendagem do produto ao consumidor final. Ao mesmo tempo, ocontrole mais específico sobre os gastos permitiram o cálculo preciso dasmargens de lucro a serem obtidas com um determinado artigo industrial. Dessaforma, o capitalismo rompia novas fronteiras e incidia diretamente naaceleração da economia mundial, levando ao Imperialismo de diversasnações anos depois.3.2. NacionalismoO Nacionalismo é uma ideologia denominada como um sentimento deadoração, orgulho e identificação com alguma nação. Essa ideologia tem suasraízes na Revolução Francesa, durante o fim do século XVIII, mas daremosenfoque nos movimentos nacionalistas do século XIX até o ano de 1884, quefortificaram as unidades nacionais dos países imperialistas do Congresso deBerlim.A Revolução Francesa deu início ao nacionalismo, quando a burguesiadeclarou que o poder político emanava do povo e da nação, contrapondo aconcepção sagrada do poder, pregada até então pelo clero e pela nobreza. Aascensão burguesa foi resultado da união das camadas populares contra oregime absolutista, o que demonstra a vontade comum da população francesa,como um grupo que deseja o bem para todos da França.
  9. 9. 9O Nacionalismo se assemelha com outro sentimento comum de umpovo, chamado de Patriotismo. Porém, essas duas ideologias não devem serconfundidas, uma vez que o Nacionalismo se restringe à defesa dos interessesda nação acima de quaisquer outros, enquanto o Patriotismo consiste naadoração dos símbolos do Estado, a exemplo da bandeira nacional, do hino.No final do século XVIII e no decorrer do século XIX, houve um avançodo sentimento nacionalista pelos territórios europeus por meio de filósofosdefensores dessa corrente, como Giuseppe Mazzini, Camilo Benso e GiuseppeGaribaldi, todos italianos, nos quais lutaram contra os regimes monárquicos emnome do direito natural de um povo dentro de uma unidade nacional. Essaascensão da doutrina nacionalista fez eclodir a Primavera dos Povos na Itália,em 1848.A Primavera dos Povos, em1848, é considerada por alguns comoa primeira revolução potencialmenteglobal, em que os regimesmonárquicos foram pressionados aadotarem uma constituição, ou arenunciarem os tronos e instalaremregimes republicanos. Nosmovimentos de unificação da Itália e da Alemanha, lutava-se também porcidadania (direitos civis e direitos políticos). O conjunto dessas manifestaçõesem nome dos direitos iguais resultou também para definir novas fronteiras na
  10. 10. 10Europa; separar a Igreja Católica dos governos; introduzir o proletariado comogrupo a ser considerado na participação política e abrir caminho ao votouniversal.Na Alemanha, o processo de unificação foi liderado pelo principal Estadoda Confederação Germânica, a Prússia, que era detentora de um armamentobélico de alta tecnologia para a época. O início do processo se deu com acriação da Zollvenrein (Liga Aduaneira), quando foi superado o entrave dasaltas tarifas alfandegárias entre os Estados confederados. Com isso, omercado consumidor germânico foi ampliado e a exploração de minas decarvão e ferro foram cada vez mais incentivadas, acompanhadas de ferroviasentre os Estados para distribuir a produção e levar a matéria-prima até asindústrias.Depois de uma tentativa falha da Prússia de unificar o territóriogermânico e, com a morte do rei Frederico Guilherme IV, subiu ao tronoGuilherme I, em 1861. Guilherme I nomeou Otton von Bismarck a primeiro-ministro da Prússia, líder conservador favorável a unificação sem o Reino daÁustria. Bismarck adotou políticas de impostos altos para fortalecer cada vezmais seus exércitos e reprimiu a liberdade de imprensa dos opositores liberais,dando origem a uma política autoritária. Diante disso, Bismarck convidou ogoverno da Áustria a conquistarem juntos os ducados de Schleswig e Holstein,para simplesmente ampliar seus territórios. Porém, Bismarck criticou, a todotempo, a administração austríaca de Holstein, o que fez a Áustria declararguerra à Prússia.Neste momento, Otton von Bismarck utiliza do nacionalismo comoferramenta para convencer todos os outros Estados germânicos que a Áustriaera uma nação inimiga, fadada à derrota . Em poucas semanas de confronto, oexército prussiano aniquilou o exército austríaco. Com isso, Bismarck usa donacionalismo como pretexto para convocar um exército muito expressivo,numeroso e tecnológico, capaz de anos depois derrubar a França paraconquistar os territórios de Alsácia e Lorena, consolidando a unificação alemã.Surgiu assim, o Império Alemão (II Reich), que aparecia para o cenário mundial
  11. 11. 11como uma grande unidade nacional com poder bélico, disposta a ganhar seuespaço na corrida imperialista.Na Itália, o processo de unificação teve seu início no Rissorgimento(ressurreição), movimento liberal e nacionalista emergente que guiou a lutapela unificação do país. O movimento começou em 1815 e foi liderado porGiuseppe Mazzini, e anos depois por Camilo Cavour. Mazzini cria sociedadessecretas para adesão do povo a unificar os Estados do território italiano, ondehavia também debates a respeito de como seria o processo até unificar todosos Estados. A mais famosa sociedade secreta ficou conhecida comoCarbonários, sociedade composta por jovens da camada popular quedesejavam um governo formado por Italianos.Mazzini, posteriormente, cria a Jovem Itália em 1831 e a Jovem Europaem 1834, movimentos baseados no nacionalismo e no liberalismo, levando afundação da Federação Democrática da Jovem Europa, o que organiza omovimento e cria repercussões até o Rei do Estado de Piemonte-Sardenha,Victor Emmanuel II. Com isso, Camilo Cavour resolveu fazer um plano demodernização do exército do Piemonte, liderado por Victor Emmanuel II e, coma ajuda do exército francês, venceram o exército austríaco, conquistando oterritório ao norte da península itálica.
  12. 12. 12Pelo sul, Giuseppe Garibaldi comandou o exército dos “camisasvermelhas”, exército pró unificação, conquistando territórios em direção aonorte da Itália, parando nos Estados Pontifícios. Com isso, a França envioutropas aos Estados Pontifícios para a proteção do Papa Pio IX, porém retirapor causa da da Guerra Franco-prussiana. Dessa forma, Victor Emmaniel IIaproveita da situação e conquista as terras sagradas, mantendo o Papa retidono território italiano.Depois de agregar os Estados Pontifícios e o território da Lombardia, foicriado o Reino da Itália. Com isso, foi realizado um plebiscito para que avontade do povo seja feita, ou seja, se seguiria com um regime monáquirco ourepublicano. Isso aponta que após diversas lutas com o ideal nacionalista, avontade de povo foi concretizada, acima de qualquer interesse exterior ouindividual.A ascensão do nacionalismo foi totalmente atrelada ao crescimento daRevolução Industrial no século XIX, como vimos na unificação alemã. Essesdois crescimentos são proporcionais em função da corrida imperialista, tendoem vista que uma nação unida esta mais comprometida a aderir às propostasfeitas pelo governo para investir mais na matéria-prima e na industrialização.Todos esses componentes são determinantes para o Imperialismo.3.3. ImperialismoO Imperialismo foi uma política econômica expansionista marcada pordesdobramentos políticos e sociais. Essa política, efetuada pelas potênciaseuropeias, Estados Unidos da América e Império Japonês, começou no séculoXIX e ainda é encontrado nos dias de hoje. No entanto, abordaremos até o anode 1884, quando se deu início a Conferência de Berlim.À medida que essa política entrou em prática, foram criadas duasvertentes diferentes a respeito da execução de fato do Imperialismo: a vertenteindireta, quando não há uma dominação política de fato, sendo a região“dominada” considerada área de investimento da dominante, criando umadependência econômica e até de certo ponto ideológica entre os países. A
  13. 13. 13vertente direta é marcada pelo colonialismo de fato, sendo a colôniadependente política e economicamente da metrópole.Essa vertente investidora, sob liderança do Reino Unido da GrãBretanha e Irlanda, tinha como base uma justificativa baseada em umainterpretação da Teoria da Evolução, chamada de darwinismo social. Osdefensores dessa ideia acreditavam na superioridade da raça de seurespectivo país e alegavam deter direito de invadir regiões do território africanoe asiático para impor a chamada civilização para aqueles habitantes. Para eles,existiam três tipos de raças de humanos: os “negróides”, sinônimos deselvageria e de intelecto primitivo; os mongoloides, sendo marcados pelabarbárie; e os caucasianos, líderes da civilização, seriam responsáveis detrazer a própria civilização para os chamados “inferiores”. Também chamadode “o fardo do homem branco”, essa missão civilizatória foi apresentada para asociedade europeia por meio do livro “Ensaios sobre a desigualdade das raçashumanas”, proposto pelo britânico Arthur de Gobineau.Além do etnocentrismo declarado, o nacionalismo exacerbadoconstruído desde a época das Revoluções de 1848 contribuiu para essa ideiade superioridade em vários países, como Alemanha e França.Os desdobramentos do Imperialismo podem ser vistas até hoje, como aquantidade de países anglófonos em todos os continentes habitáveis da Terra;entre eles Inglaterra (Europa), Canadá (América do Norte), Guiana (América do
  14. 14. 14Sul), Jamaica (América Central), África do Sul (África), Índia (Ásia) e NovaZelândia (Oceania).O Imperialismo foi resultado também do desenvolvimento das novastecnologias proporcionadas pela revolução industrial, levando à expansãodemográfica e a busca por mercados consumidores, matéria-prima, mão deobra barata (com o fim da escravidão em diversos países da Europa), basesestratégicas e áreas para investimentos de capitais. Esse processo foidenominado pelo russo Vladimir Lênin como o último e mais avançado estágiodo capitalismo.Com esse alto investimento dos governos na economia dos países, esseperíodo histórico foi conhecido como “A Era dos Impérios”, sendo que cadarepresentante das potências europeias marcaram tanto social quantoculturalmente o seu respectivo país: O Império Britânico com a Rainha Vitória,o Segundo Império Francês com Napoleão III, o Império Alemão com OttonVon Bismarck e no Império Italiano com Vitor Emmanuel II.Para a manutenção de seus respectivos impérios, os governantestravaram várias guerras durante o período do Imperialismo, entre elas asGuerras do Ópio, Revolta dos Simpaios e a Dominação Egípcia, Guerra Sino-Japonesa, entre outras.
  15. 15. 15A partir de 1880, começou o período chamado “corrida imperialista”:quando a disputa das grandes potências se tornou mais enérgica, com oavanço de vendas de manufaturados, metais preciosos para as colônias e abusca por áreas ricas em ferro, carvão, cobre e outras matérias primas.Buscavam-se áreas de investimento, onde fosse possível instalar ferrovias econceder empréstimos a juros altos.A Grã-Bretanha, maior potência industrial da época foi a principalbeneficiada da corrida imperialista, sendo conhecida como o império “onde osol nunca se punha”, graças ao tamanho da sua superfície territorial (ocupavacerca de ¼ do globo). Bem abaixo dos britânicos, a França, Bélgica e PaísesBaixos se destacavam com seu território. Portugal, EUA e Japão tiveramtambém seus territórios expandidos. Já a Alemanha e Itália, se saíramdesprivilegiados devido à unificação tardia (1871).Tendo em vista essa diferença econômica entre os países, o Chanceleralemão, Otton Von Bismarck, em 1884, com o apoio de Portugal e em busca deterritórios para investimento, convoca 13 nações para a repartição docontinente africano. A partir desse momento, os principais países da Europanão apenas decidirão o futuro da África, mas da própria Europa em si.
  16. 16. 164. Os objetivos da Conferência de BerlimOs países membros da Conferência de Berlim devem se atentar aosrespectivos temas, que carecem de uma resolução:1º. Uma Declaração referente à liberdade do comércio na Bacia doCongo, em suas embocaduras e países circunvizinhos, com algumasdisposições conexas;2º. Uma Declaração concernente ao tráfico dos escravos e àsoperações que, por terra ou por mar, forneçam escravos para tráfico.3º. Uma Declaração referente à neutralidade dos territórioscompreendidos na bacia convencional do Congo;4º. Uma Ata de Navegação do Congo, que levando em contacircunstâncias locais estende a esse rio, e seus afluentes e às águasque lhes são assimiladas os princípios gerais enunciados nos artigos108 e 116 da Ata final do Congresso de Viena e destinados a regularentre as potências signatárias dessa Ata, a livre navegação dos cursosde água navegáveis que separam ou atravessam vários Estados,princípios convencionalmente aplicados depois a rios da Europa e daAmérica, e notadamente ao Danúbio, com as modificações previstaspelos tratados de Paris de 1856, de Berlim de 1878, e de Londres de1871 e de 1883;5º. Uma Ata de Navegação do Níger que, tomando-se igualmente emconta as circunstâncias locais, estende a esse rio e a seus afluentes osmesmos princípios inscritos nos artigos 108 a 116 da Ata final doCongresso de Viena;6º. Uma Declaração introduzindo nos relatórios internacionais, regrasuniformes referentes às ocupações que poderão no futuro realizar-senos territórios do continente africano.
  17. 17. 17Além desses temas, é de suma importância que sejam considerados ostópicos:• as soberanias estatais de cada país e os seus respectivosterritórios ultramarinhos;• a manutenção da paz entre africanos e europeus, a fim de que não hajaconflitos que gerem mortes por ambos os lados;• o comprometimento de cada país em estabelecer uma divisão justa queatenda às demandas de cada nação
  18. 18. 185. Posicionamento dos Países5.1 Império AlemãoO Imperador alemão Othon Von Bismarck, juntamente com o Rei de PortugalMarquês de Penafiel, tomou a iniciativa de promover a Conferência de Berlim.Antes disso, a Alemanha passou pelo processo de unificação de seus territórios aolongo do século XIX, incentivando o crescimento econômico por meio dosentimento nacionalista. Em 1882, Bismarck cria a Tríplice Aliança, acordo militarem que o Império Alemão, o Império Austro-Húngaro e o Reino da Itália, formamum grande bloco no centro da Europa de alianças. Em função de todo essecrescimento econômico e político, mesmo que tardiamente, a Alemanha inicia suapolítica imperialista ao conquistar os territórios de Togo e Camarões.O Império Alemão tem como objetivos na Conferência de Berlim: a expansãode seus domínios no território africano, entre Togo e Camarões, compreendendotodo o sudeste africano; a neutralidade e liberdade da bacia do Congo; liberdadepara uso da bacia do rio Níger.5.2 Império Austro-HúngaroO Império Austro-Húngaro firmou-se como uma monarquia dual desde o anode 1867, graças ao Compromisso Austro-Húngaro e à Dieta de 29 de Maio daHungria. Após essa unificação, o Império aumentou seus laços com o ImpérioAlemão com a aliança proposta pelo Chanceler alemão Otton Von Bismarck em1879 e a promoção da Tríplice Aliança, união entre Alemanha, Áustria-Hungria eReino da Itália no ano de 1882. Com isso, o Império Austro-Húngaro se esforçapara que, junto da Tríplice Aliança, consiga territórios ultramarinhos no continenteafricano, fazendo que tanto o Estado em questão quanto os países vigentes doacordo possam aumentar seu poder político e econômico perante a comunidadeinternacional.5.3 Reino da BélgicaApós dois séculos sob domínio espanhol, o Reino da Bélgica conquista suaindependência. O Rei Leopoldo II, após uma tentativa fracassada de conquistar oterritório das Filipinas, criou a Sociedade Internacional do Congo com o auxílio de
  19. 19. 19Henry Stanley, um famoso explorador da época, em 1876. Em 1878, Leopoldo IIdemitiu Stanley e delimitou o território do Congo como colônia belga a serexplorada.Na Conferência de Berlim, é de suma importância para a vontade do povobelga e para o crescimento dessa nação a manutenção do território congolês aosdomínios do Reino Belga.5.4 Império BritânicoO Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda é a maior potência econômicaimperialista do século XIX, sendo que já possui vários territórios ultramarinhos aoredor do globo, como a Índia Britânica e a Comunidade da Austrália. O ReinoUnido busca manter sua hegemonia no continente africano, como na região doEgito, conquistada provisoriamente desde 1882, e a Província de Cabo, local comum histórico conflituoso graças à Guerra dos Bôeres.O Império Britânico tem como objetivo, também, em construir uma linhaferroviária ligando as cidades de Cairo e a Cidade do Cabo, cortando de Norte aSul o território africano. Com isso, se esforça para que toda a região em que alinha se encontra seja território britânico. Além disso, o Império com maus olhos oavanço econômico em que o Império Alemão apresenta e fará o possível para semanter como a maior potência mundial.5.5 Reino da DinamarcaA Guerra Dano-Prussiana ou Guerra Dinamarquesa, travada em 1864 entre aDinamarca, de um lado, e, de outro, o Reino da Prússia e o Império Austríaco,enfraqueceu ainda mais a Dinamarca, que já não tinha uma economia muito forte.com a perda de territórios pra Prússia, a Dinamarca teve uma tendência a ficarmais neutra no continente europeu, o que significou que ela não participouefetivamente das alianças que vinham sendo formadas. Porém, tomando comoexemplo a Suécia-Noruega, participou da conferência mais pelo fato de ser umimportante país europeu e ter relações econômicas com as colônias africanas.5.6 Reino da Espanha
  20. 20. 20Entre os séculos XVI e XVII, os interesses econômicos europeus estavamdirecionados essencialmente para a América, em busca de mercadosfornecedores de produtos tropicais e metais preciosos. Portugal e Espanhaassumiram a liderança no colonialismo, orientados pela política econômicamercantilista e sustentada pelo monopólio do pacto colonial. No entanto, aindustrialização europeia nos séculos XVIII e XIX obrigou as metrópoles abuscarem novos mercados consumidores, diante da produção em grande escala,substituindo o exclusivismo comercial pela política econômica liberal.Com a escassez de ouro nas colônias, o Reino Espanhol enfrenta grande crisedesde o século XVII. Desesperada por um mercado consumidor, a Espanha tentamanter seus territórios na África e ampliá-lo frente a investida das outras naçõesfrente à partilha do continente. Vale lembrar que a Espanha ainda era um Reino eseu monarca aderiu aos ideais iluministas, tornando-se um déspota esclarecido.Também vale lembrar que a escravatura já tinha sido abolida nas colôniasamericanas. Logo, o argumento que a Espanha deseja a África para conquistarmais escravos está totalmente descartado, pois é um argumento invalido.Colonizar a África seria a única maneira de civilizar os habitantes que la viviamna visão espanhola. Como um país extremamente católico, a Espanha desejaaplicar tal conceito nas suas colônias africanas. Sem aliados de deverasimportâncias na partilha, a Espanha somente deseja manter seus territórios jáconquistados (Ceuta).5.7 Estados Unidos da AméricaA primeira metade do século XIX na História dos EUA foi marcada pelaconquista de territórios em direção ao Oceano Pacífico, conhecida como "a marchapara o Oeste". A população passou de 3.900.000 em 1790 para 7.200.000 em1810, compondo uma sociedade essencialmente agrária, formada por granjas noNordeste e grandes latifúndios exportadores no Sudeste.Fora da Europa, os Estados Unidos foi o único país da América que encontroucondições de industrializar-se, graças à descoberta de ouro na Califórnia, à Guerrade Secessão e ao investimento de capitais ingleses. No final do século XIX, aprodução industrial norte-americana já superava a Inglaterra e a Alemanha. Alémdisso, o expansionismo dos Estados Unidos chegou ao Japão, cuja modernizaçãoprovocada pela Revolução Meiji (Era das Luzes), em 1868, assimilou a tecnologianorte-americana, partindo daí para um programa sistemático de industrialização.
  21. 21. 21Apesar dos Estados Unidos não possuírem colônias no continente africano, eraum poderio que se encontrava em fase de crescimento, visando assim à conquistade novos territórios. Focados principalmente em suas colônias na América e naÁsia, os EUA participaram da conferência em função de ser uma nação emascendência e que ganhava espaço no cenário mundial. Porém, não terá o intuitode brigar ferozmente por territórios na África.5.8 República FrancesaA República Francesa iniciou seu processo colonizador na década anterior àConferência de Berlim, ao tomar posse dos territórios compreendidos pela Tunísia,ao norte da África, e Guiné, na África Ocidental. Em 1881, o Presidente FrancêsBarão de Courcel Afonso anexou o território de Brazzaville, localizado ao oeste doCongo, aos domínios de seu país.A concorrência Com isso, a República Francesa busca, a todo a custo e a:expandir seus territórios entre a Tunísia e Guiné, ao longo da porção ocidental docontinente africano; obter controle parcial da bacia do Rio Níger; assegurar seusterritórios já conquistados no continente africano, como a região de Brazzaville.Reino da ItáliaCom o objetivo de aumentar o mercado consumidor, além de facilitar ocomércio com a unificação de padrões, impostos, moeda, etc., na segunda metadedo século XIX,teve início o movimento de unificação italiana que foi liderado peloreino de Piemonte-Sardenha. Mesmo com algumas conquistas por causa daunificação, a Itália não conseguiu ficar tão forte economicamente em relação ásoutras nações imperialistas, e a consequência disso foi ter como maior objetivoobter territórios na África, para aumentar seu poder econômico. É importanteressaltar a entrada da Itália na Tríplice Aliança em 1822 junto com a Alemanha eÁustria-hungria,o que fez com que a tríplice desejasse territórios ultra-marinhos,fortalecendo economicamente as três nações.5.9 Império OtomanoA Guerra Russo-Turca (1877-1878) terminou com uma vitória decisiva paraRússia, e por consequência, houve uma rivalidade entre o Império Otomano e aRússia pelo fato das participações do Império Otomano diminuir drasticamente.Tanto em Chipre quanto no Egito, o império Otomano perdia terras, entrando
  22. 22. 22assim em declínio. Isso fez com que o principal objetivo do Império Otomano naConferência de Berlim fosse reconquistar a posse das terras perdidas.No retorno para a defesa primeiro-ministro britânico Benjamin Disraeli pararestaurar os territórios otomanos na Península Balcânica, durante o Congresso deBerlim, a Grã-Bretanha assumiu o governo de Chipre em 1878 e, posteriormente,enviou tropas para o Egito em 1882, com o pretexto de ajudar o governo otomanopara acabar com a revolta Urabi; e efetivamente ganhar o controle em ambos osterritórios. Até então, a nação Otomana tentam recuperar suas terras, que estãosob liderança dos ingleses.5.10 Reino dos Países BaixosO Reino dos Países Baixos foi marcado em sua história pelo poder econômicoe colonialista, principalmente nos séculos XVI e XVII. No continente africano, oReino possuía territórios ultramarinhos como a Colônia do Cabo, tomada pelosbritânicos no ano de 1797, e a região da Costa do Ouro, na qual foi vendida para aGrã-Bretanha no ano de 1871. Além disso, apesar de ser um Estado influente nomundo oriental, não conseguiu revolucionar a sua economia suficientemente parase tornar uma potência imperialista. Sendo assim, o Reino dos Países Baixos vaifazer o possível para que consiga novos territórios ultramarinhos no continenteafricano, mesmo sabendo que será uma tarefa muito árdua.5.11 Reino de PortugalO Reino de Portugal foi o país idealizador da criação da Conferência de Berlimjunto com o Chanceler alemão Otton Von Bismarck. O propósito de Portugal naConferência é, além manter a integridade das suas colônias de Angola eMoçambique, unir esses territórios ultramarinhos, formando uma imensa regiãoque ligue o Oceano Atlântico com o Índico. É importante ressaltar a aliança deséculos entre o país e o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda, evidenciando aprovável troca de interesses entre as duas nações.5.12 Império RussoNo século XIX, a tendência foi no sentido do desenvolvimento de relaçõescapitalistas, que levaram a crescente diferenciação social dentro do campesinato,
  23. 23. 23tornando-se a servidão um entrave ao desenvolvimento daquelas relações. Talsituação explica a progressiva diminuição da oposição da nobreza a reformas naagricultura e a uma possível emancipação dos servos. Em 1861 aboliu-se aservidão e se deu ao camponês a propriedade da terra em que construíra suacasa.A reforma acentuou a crise social, uma vez que a organização social baseadano mir foi rompida. A reforma de 1861 transformou o mir em uma célulaadministrativa, pois a comunidade era coletivamente responsável pelo pagamentoda dívida ao Estado: este assumira o pagamento das indenizações aos senhoresda nobreza. Ao mesmo tempo, aumentava a compra e venda de terras porelementos urbanos ou por camponeses enriquecidos saídos da própriacomunidade aldeã - eram os kulaks, burguesia rural dona de terras mais vastas.Uma boa parte da nobreza rural não se adaptou à "conversão para umaprodução de mercado": Nos Zemstvos, assembleias provinciais, os representantesda nobreza constituíam opositores moderados do governo: protestavam contra apolítica de elevação das tarifas alfandegárias destinada a favorecer aindustrialização, mas que não beneficiava a agricultura; mostravam-se tambémfavoráveis a instituição de uma Monarquia constitucional.A Rússia não possuía uma política imperialista, diferente dos outros países daconferência. Ela deseja aumentar seus territórios com base na ideia absolutista,onde quanto maior seu território, maior seu poder.5.13 Reino da Suécia e NoruegaEm 1813, as forças suecas se juntam aos aliados contra Napoleão. OCongresso de Viena compensa a Suécia pelos territórios alemães perdidos pormeio da união das coroas suecas e norueguesa sob comando do rei sueco. Talunião faz com que os países ganhem mais importância no cenário mundial. Porém,como o país não possuía grande força em termos imperialista, dificilmente seusdesejos seriam atendidos na conferência. Somente foi chamado para o mesmodevido sua força na Europa.
  24. 24. 246. Referências bibliográficashttp://www.brasilescola.com/geografia/primeira-revolucao-industrial.htmhttp://www.coladaweb.com/geografia/as-tres-revolucoes-industriaishttp://www.infoescola.com/historia/revolucao-industrial/http://www.portalbrasil.net/historiageral_revolucaoindustrial.htmhttp://pt.wikipedia.org/wiki/CartismoGOLLWITZER, Heinz. O Imperialismo Europeu. Editora Verbo, 1969VAINFAS, Ronaldo ET AL. História volume único. 1. ed. São Paulo: Editora Saraiva, 2010

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