As cartas de joão. prof. david rubens

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As cartas de joão. prof. david rubens

  1. 1. IBAD-Pindamonhangaba/SP-2014
  2. 2. Prof. David Rubens IBAD-Pindamonhangaba/SP-2014
  3. 3. Sugestão de Leitura BORNKAMM, Günther. Bíblia Novo Testamento. São Paulo: Teológica, 2003. BROWN, Raymond Edward. A Comunidade do Discípulo Amado. São Paulo: Paulus, 2006. KÜMMEL, Werner Georg. Introdução ao Novo Testamento. 4. ed. São Paulo: Paulus, 2004. SHREINER, J. DAUTZENBERG. Forma e Exigências do Novo Testamento. São Paulo: Teológica, 2004. THEÍSSEN, Gerd. O Novo Testamento. Petrópolis/RJ: Vozes, 2007. VIELHAUER, Philipp. História da Literatura Cristã Primitiva. São Paulo: Academia Cristã, 2005. Prof.DavidRubens-2014
  4. 4. Conteúdo e Estrutura  O conteúdo desse escrito tem dois objetivos: o combate a heresias cristãs (2.18-27; 4.1-6) e a confirmação dos cristãos aos quais ele se dirige na verdadeira fé e na verdadeira vivência em face da ameaça pela heresia.  O escrito não segue uma rigorosa linha de pensamentos, e, sim, enfileira exposições admoestadoras, doutrinarias e polêmicas em sequência solta, mas muitas vezes também encarta uma na outra. Prof.DavidRubens-2014
  5. 5. No texto há muitas repetições – a partir de 2.28, de modo que não se pode falar de uma estrutura clara. Proposta de estrutura: 1. Introdução: O testemunho da “Palavra da Vida” como base da comunhão cristã dos cristãos entre si e com Deus 1.1-4. 2. Comunhão com Deus e andar na luz 1.5-2.2. 3. Conhecimento de Deus e observação dos mandamentos 2.3- 11. 4. Admoestação para a superação do mundo 2.12-17. 5. Advertência contra falsos mestres 2.18-27. 6. Filiação divina e amor fraternal 2.28-3.24. 7. Cometer pecado caracteriza os filhos do demônio 3.7-17 Conteúdo e Estrutura Prof.DavidRubens-2014
  6. 6. 8. O penhor da amizade com Deus 3.18-24. 9. Tese cristológica: Todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio na carne é de Deus 4.1-6. 10. Amor fraternal como consequência e característica da filiação divina 4.7-5.4. 11. A fé em Jesus, o Filho de Deus 5.5-11. 12. Conclusão 5.14-21: confiança no atendimento da oração (v. 14), intercessão pelos pecadores (excetuados os que cometem pecado mortal) (v. 16), liberdade de pecado e do mundo mediante a comunhão com Deus (v. 18-21). Conteúdo e Estrutura Prof.DavidRubens-2014
  7. 7. Caráter Literário Prof.DavidRubens-2014 Desde que esse escrito foi mencionado na Igreja Antiga, ele é designado como “carta”. Mas falta-lhe a forma de carta (pré-escrito, saudações e votos de benção), também quando se quer ver em 1.4 uma saudação e em 5.13 uma benção final. Na verdade, o autor diz reiteradas vezes “isso lhes escrevo”, dirige-se aos leitores como:  “filhos” (2.1,12,14,18; 3.1,18; 4.4; 5.21);  “amados” (2.7; 3.2,21; 4.1,7.11). E procura preservá-los na verdadeira fé em face da heresia.
  8. 8. Caráter Literário Ao escrito falta o “caráter de correspondência”, em parte alguma se divisam relações concretas entre autor e os leitores, a ameaça pela heresia não parece ser o problema específico de uma comunidade individual, de modo que 1 João não se apresenta nem como carta dirigida a uma comunidade (como 1 Coríntios), nem como circular (como Gálatas). E como o autor renuncia à nomeação de seu nome e dos “destinatários”, bem como a saudações, ele evidentemente não quer dar a impressão de que seu “escrito” seria uma carta. Prof.DavidRubens-2014
  9. 9. Caráter Literário De acordo com seu conteúdo, pode-se designar o escrito, a exemplo de Judas e 2 Pedro, como:  “tratado com finalidade determinada” (Dibelius);  visto que se dirige a todos os cristãos, sem delimitação local, como um manifesto dirigido a toda cristandade” (Jülicher-Fascher). O autor formulou o texto de tal forma que possui validade para toda a cristandade; pois a heresia combatida lhe parecia um perigo para o mundo inteiro. Prof.DavidRubens-2014
  10. 10. Estilo, Texto-Base e Redação Estilisticamente, 1 João oferece uma impressão uniforme. Rigorosas antíteses e séries de antíteses agudas se alternam com porções soltas. Essas diferenças de estilo levaram a suposição de que 1 João também não seria uniforme literariamente.  Bultmann tentou provar com critérios estilísticos e de conteúdo que o autor usou um texto existente e que trabalhou em cima dele, e que a essência seria verificável em 1.5-10; 2.4,5,9-11; 3.4-15. Prof.DavidRubens-2014
  11. 11. Estilo, Texto-Base e Redação Bultmann supõe que ocasionalmente o autor modificou o texto de seu original e às vezes imitou seu estilo, procura fazer conjeturas a respeito do texto que lhe serve de base, e anota as incertezas na reconstrução do original. 1 João seria uma redação eclesiástica, a exemplo do Evangelho de João, temos as informações sobre o poder expiatório do sangue de Cristo (1.7; 2.2; 4.10) e sobre a escatologia tradicional (2.28; 3.2; 4.17), sobretudo a parte final 5.14-21. Prof.DavidRubens-2014
  12. 12. Estilo, Texto-Base e Redação A distinção entre original e versão reformulada de Bultmann encontrou muita aceitação e vários desdobramentos.  H. Braun, considera o texto-base genuinamente cristão, a versão reformulada com católico-primitiva.  W. Nauck, atribui ambos ao mesmo autor. Prof.DavidRubens-2014
  13. 13. Estilo, Texto-Base e Redação A crítica à distinção das fontes: 1. Foram empregados apenas critérios estilísticos. A separação de forma e conteúdo não faz sentido. 2. As passagens que permitem separação, mistura de estilo, não são tão frequentes, não são motivos para resignação. 3. As diferenças não são uma contra-instância. 4. Kümmel, fala de “uso de matéria tradicional e conteúdo cambiante do que é dito”. 5. Haenchen, afirma que estilo diferente ainda não indica autores diferentes, e, sim, pode remontar ao trabalho literário do mesmo autor. Prof.DavidRubens-2014
  14. 14. Estilo, Texto-Base e Redação  O manuseio de diversos estilos – especialmente na mesma obra – pressupõe uma capacidade artística de alta erudição – uma capacidade que não é tão frequente.  As tentativas feitas para demonstrar uma engenhosa estrutura composta de sete partes ou grupos não são mais convincentes do que outras que procuram mostrar a existência de um esquema sistemático. Hipóteses improváveis:  Acréscimo do autor e seus discípulos;  Reunião de doze admoestações originalmente independentes entre si. Prof.DavidRubens-2014
  15. 15. Objetivo do Texto 1João procura chamar a atenção dos leitores contra os falsos mestres surgidos nas comunidades cristãs (2.18,26; 3.7).  Muitos falsos profetas apareceram no mundo (4.1). 1Jo atribui-lhes a designação de anticristos (2.18; 4.3).  Do aparecimento deles pode-se concluir que a parusia de Cristo esteja bem próxima (2.18).  A seriedade do momento que os cristãos estão vivendo requer que distingam o espírito de erro do espírito de verdade (4.6).  Os cristãos a quem esta epístola se dirige já se opuseram energicamente aos falsos chefes (4.4). Prof.DavidRubens-2014
  16. 16. Objetivo do Texto  Os falsos espíritos foram excluídos da comunidade (2.19), mas sua perigosa influência ainda não foi totalmente afastada (4.1).  Os traços e os dados que João destaca mostram o que eles desejam e o que pretendem: ostentam o conhecimento que julgam ter de Deus (2.4; 4.8), seu amor a Deus (4.20), e sua amizade com Deus (1.6; 2.6- 9); alegam possuir experiência pneumática únicas (4.1); e pensam estar isentos de pecar (1.8-10).  Negam que Jesus é Cristo (2.22), o Filho de Deus, tal como é considerado pela primitiva fé cristã (4.15; 5.5- 10). Prof.DavidRubens-2014
  17. 17. Objetivo do Texto  Rejeitam a confissão de que Jesus veio em plena humanidade histórica, de que ele “veio na carne” (4.2), e que sua obra na terra começa com seu batismo e terminou com sua morte (5.6). O texto deve ter sido contra um movimento gnóstico que oferecia uma cristologia docética, contra a qual se afirmam a identidade do homem Jesus como Filho de Deus e como o Cristo (4.15; 5.1-5), e o poder redentor de sua morte (5.6; 1.7; 2.1; 3.16; 4.10), como partes essenciais e indispensáveis da certeza da fé cristã. Prof.DavidRubens-2014
  18. 18. Objetivo do Texto Primitiva gnose cristã.  Do ponto de vista ético, não atribuía valor algum ao forte vínculo existente entre a fé cristã e a vida cristã.  A obediência aos mandamentos de Jesus não lhes parece uma exigência básica (2.4).  Eles não dão a mínima importância à prática d justiça (3.7-10), ao amor atuante ao irmão (2.9-11; 3.10; 4.20), à ajuda aos pobres (3.17).  Fazem concessões ao mundo em vez de se separarem dele (4.5; 2.15), e, apesar de tudo isso, estão convictos de sua perfeição moral (1.8-10 Prof.DavidRubens-2014
  19. 19. Objetivo do Texto A variante que João combate dentro da primitiva gnose cristã não pode estar vinculada a nomes da história da heresia. Já muitas vezes tem-se afirmado que o falso mestre combatido em 1Jo é Cerinto, que viveu na Ásia Menor no fim do século I. Para quem Cristo esteve apenas temporariamente unido ao homem Jesus. Prof.DavidRubens-2014
  20. 20. O Autor e Relação com o Quarto Evangelho Dionísio de Alexandria, reconhecia a relação existente entre 1Jo e o Evangelho de João. Baseando-se na concordância da linguagem e do mundo conceptual, Dionísio deduziu que as duas obras deviam proceder do mesmo autor. Este ponto de vista permaneceu incontestado até o século XIX, quando a escola de Tübingen dirigiu sua atenção para as diferenças que poderiam levar a supor a existência de autores diversos. Prof.DavidRubens-2014
  21. 21. O Autor e Relação com o Quarto Evangelho A linguagem e a possibilidade de dois autores. C. H. Dodd salientou o fato de que 1Jo usa, de maneira significativa, um número muito menor de preposições, de partículas e de verbos compostos do que Jo, e que numerosas expressões e palavras contidas em Jo se encontram completamente ausentes em 1Jo. Argumento contra. O significado desta evidência tem sido questionado mediante a observação de que a frequência do uso de partículas, etc., se altera durante o trabalho de um mesmo autor, dependendo da extensão de seus escritos e do assunto abordado. Prof.DavidRubens-2014
  22. 22. O Autor e Relação com o Quarto Evangelho 1João difere substancialmente de João? Os dois textos apresentam, de modo bastante acentuado, as mesma idéias. Contudo, sem dúvida alguma, existem nítidas distinções:  em 1Jo não há citação do AT;  a escatologia futurista recebe um bom destaque (2.28, parusia; 3.2; 4.17);  os falsos mestres são caracterizados como anticristos (2.18-22; 4.3);  parácletos indica (2.1) Jesus Cristo e não o Espírito Santo como em Jo; Prof.DavidRubens-2014
  23. 23. O Autor e Relação com o Quarto Evangelho  Em Jo 8.12, Luz é um título de Cristo, mas em 1Jo 1.5 ela se refere a Deus;  O caráter expiatório da morte de Jesus só é mencionado em 1Jo (1.7-9; 2.2; 4.10). João nada diz a respeito do novo nascimento através de Cristo (2.19).  Com base nestas diferenças, alguns autores concluíram que Jo e 1Jo não poderiam ter vindo do mesmo autor, porque 1Jo se mantém mais próxima do cristianismo tradicional do que Jo.  Já outros propuseram que 1Jo representa um estágio mais avançado, de modo tal que 1Jo evita afirmações que potencialmente induz ao erro de João. Prof.DavidRubens-2014
  24. 24. O Autor e Relação com o Quarto Evangelho As cartas de João, particularmente a primeira, lançam- se contra interpretações do quarto evangelho consideradas inaceitáveis, que fundam a prática e a experiência dos grupos por elas combatidos. Desta forma, e talvez por terem inspirado, de algumas “ligeiras correções” no próprio evangelho, acabaram se tornando o caminho decisivo para recepção posterior deste no cânon. Prof.DavidRubens-2014
  25. 25. O Autor e Relação com o Quarto Evangelho As cartas definiram um rumo para a compreensão do evangelho de joanino. João afirmava, incomodamente para alguns setores do cristianismo da passagem do primeiro para o segundo século, uma autonomia da comunidade frente a mestres e líderes, mesmos os apóstolos. Para movimentos, semelhantes ao da carta de Clemente Romano e outros (At 1.21-22), que pretendiam alicerçar a tradição de Jesus unicamente no legado apostólico, daqueles que tinham vivido e convivido com Jesus, as afirmações joaninas eram no mínimo indigestas. Mas os primeiros versículos de 1Jo, pelo, contrário, eram música suave aos ouvidos: Prof.DavidRubens-2014
  26. 26. O Autor e Relação com o Quarto Evangelho 1João 1.1-4 1.O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida. 2. (Porque a vida foi manifestada, e nós a vimos, e testificamos dela, e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai, e nos foi manifestada); 3. O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo. 4. Estas coisas vos escrevemos, para que o vosso gozo se cumpra. Prof.DavidRubens-2014
  27. 27. O Autor e Relação com o Quarto Evangelho Cem anos sob suspeita: No decorrer do segundo século o evangelho joanino, sem a companhia das cartas, parece ter sido muito bem acolhido por grupos que, não demorará muito, serão caracterizados como heréticos: “aconteceu uma grande aceitação do quarto evangelho mais cedo entre os cristãos heterodoxos do que entre os cristãos ortodoxos” (R. Brown). Justamente por isso suspeitas caíram sobre ele. Os autores que contribuem para o estabelecimento da futura “ortodoxia” não o citam, evitam-no, embora recorram a 1Jo. De acordo com Eusébio de Cesaréia, que viveu no século IV e é autor da História Eclesiástica, Pápias de Hierápolis (130 d.C) cita 1Jo mas não o EV. Prof.DavidRubens-2014
  28. 28. O Autor e Relação com o Quarto Evangelho O mesmo acontece com Policarpo (morto em 155), ainda mais surpreendente pelo fato de a tradição apresentá-lo como discípulo de João: ele considerava o evangelho herético, visto que no tempo dele a autoria joanina não estava confirmada. O evangelho recebeu acolhida entusiasmada entre grupos como os valentinianos gnósticos e os montanistas; e, também por isso, desconfiança entre setores da chamada “ortodoxia”, que, por sua vez, leram com grande interesse as cartas joaninas. Tanto de um lado como do outro se operou uma separação entre evangelho e as cartas. Prof.DavidRubens-2014
  29. 29. Época e Lugar do Texto Se 1Jo e Jo forem do mesmo autor, a Primeira Epístola de João não deve ter sido escrita muito tempo depois do Evangelho de João. Como 1Jo já era conhecida no segundo quarto do século II, a epístola não pode ter sido escrita depois de uma época bem próxima do fim do primeiro quarto de século II. A data mais provável para as origens de 1Jo situa-se-ia, pois, entre os anos 90 e 110. A propósito do lugar de origem nada sabemos. Se Jo veio da Síria, poderíamos aplicar a mesma conjectura à proveniência de 1Jo. Prof.DavidRubens-2014
  30. 30. Bibliografia BETTENSON, Henry (ed). Documento da Igreja Cristã. São Paulo: ASTE, 2007. BORNKAMM, Günther. Bíblia Novo Testamento. São Paulo: Teológica, 2003. BROWN, Raymond Edward. A Comunidade do Discípulo Amado. São Paulo: Paulus, 2006. CARBULLANCA NÚÑEZ, César. A encarnação – Fator de crise nas comunidades joânicas. Ribla, 59, Petrópolis: Vozes, p.93-105, 2008. LIMA VASCONCELLOS, Pedro. O caminho é estreito: Idas e vindas na incorporação (de parte) da tradição joanina ao cânon do Novo Testamento. Ribla, 42/43, Petrópolis: Vozes, p.121-144, 2002. KÜMMEL, Werner Georg. Introdução ao Novo Testamento. 4. ed. São Paulo: Paulus, 2004. RODRÍGUEZ, Raul H. Lugo. O amor eficaz, único critério (O amor ao próximo na primeira carta de São João). Ribla, 17, Petrópolis: Vozes, p.81-91, 1994. SHREINER, J. DAUTZENBERG. Forma e Exigências do Novo Testamento. São Paulo: Teológica, 2004. THEÍSSEN, Gerd. O Novo Testamento. Petrópolis/RJ: Vozes, 2007. VIELHAUER, Philipp. História da Literatura Cristã Primitiva. São Paulo: Academia Cristã, 2005. Prof.DavidRubens-2014
  31. 31. Prof. David Rubens IBAD-Pindamonhangaba/SP-2014
  32. 32. Conteúdo Diferenciando-se de 1João, os dois pequenos escritos têm a forma de verdadeiras cartas, têm pré-escrito e pós-escrito.  Segunda Epístola de João. Sem mencionar nomes, a carta é escrita pelo “Ancião” “à Senhora eleita e a seus filhos”. Quer dizer, a uma comunidade, a sua totalidade e a cada um de seus membros (13). No título (1.3), o autor enfatiza que o vínculo de amor une a ele próprio aqueles a quem ele se dirige e a todos os que conheceram a verdade. Prof.DavidRubens-2014
  33. 33. Conteúdo O conteúdo real da epístola (4-11) constitui uma advertência, um conselho, no sentido de que caminhem na verdade e no amor, e um chamado à atenção para que se defendam contra os sedutores que não confessam ter Jesus Cristo vindo na carne, e que pregam o “avanço” (9). Com uma expressão de esperança que revela estar ansioso e, ao mesmo tempo, animado de alguma certeza de poder em breve encontrar-se pessoalmente com eles (12), e enviando saudações da parte dos “filhos da irmã Eleita” da senhora a quem o autor escreve (13), termina a epístola. Prof.DavidRubens-2014
  34. 34. Conteúdo Falta a indicação de algum lugar, ou qualquer outra especificação, de modo que os destinatários ficam tão indeterminados como o remetente. A comunidade destinatária mantém estreita relação não apenas com o presbítero e sua comunidade-mãe (13), e, sim, também “com todos que conheceram a verdade” (1) essa frase designa um círculo maior de cristãos unidos na mesma fé. Prof.DavidRubens-2014
  35. 35. Conteúdo  A carta tem dois temas: o mandamento do amor (4-6), o qual, todavia, tem a função introdutória ao tema propriamente dito: combate aos hereges (7-11). Os hereges são caracterizados, como em 1Jo, como negadores da encarnação de Cristo, como sedutores e anticristos, só que no v. 9 ocorre a palavra-chave “ultrapassar, ir além”, afastando-se do “ensinamento de Cristo”.  O presbítero, proíbe aos destinatários o acolhimento dos hereges (em suas casas), inclusive proíbe saudá-los – pois até mesmo a saudação torna a pessoa cúmplice, proíbe, portanto, qualquer contato. Prof.DavidRubens-2014
  36. 36. Prof. David Rubens IBAD-Pindamonhangaba/SP-2014
  37. 37. Conteúdo O escrito trata-se de uma carta particular do presbítero a certo Gaio, no mais de desconhecido, com o qual está intimamente relacionado. Na localidade do destinatário existem “amigos” comuns, que recebem saudações de “amigos” da localidade do remetente (v. 15). A carta mantém um tom muito pessoal, mas seu conteúdo vai além da esfera privada e oferece uma noção das tensões entre grupos cristãos rivalizantes. Prof.DavidRubens-2014
  38. 38. Carta de Recomendação O presbítero recomenda inicialmente (5-8) alguns irmãos, missionários gentílicos itinerantes, que atuam por sua ordem e o quais Gaio já havia acolhido hospitaleiramente, embora naquela ocasião lhe eram “estranhos”, e os havia apoiado energicamente – esse fato os missionários haviam relatado elogiosamente ao presbítero e sua comunidade. Agora eles voltam e o presbítero pede que Gaio os encaminhe em sua jornada “de modo digno de Deus” (6), ou seja, que lhes ponha à disposição os meios necessários para a missão. Prof.DavidRubens-2014
  39. 39. Carta de Recomendação O presbítero recomenda, além disso, (11) certo Demétrio, ao qual tributa altos louvores, que certamente é o mais proeminente dentre os missionários e supostamente o portador da carta. Entre essas duas recomendações encontra-se o trecho que primeiro torna 3 João interessante: 1. Tenho escrito à igreja; mas Diótrefes, que procura ter entre eles o primado, não nos recebe. 2. Por isso, se eu for, trarei à memória as obras que ele faz, proferindo contra nós palavras maliciosas; e, não contente com isto, não recebe os irmãos, e impede os que querem recebê- los, e os lança fora da igreja. Prof.DavidRubens-2014
  40. 40. Carta de Recomendação  Diótrefes, de acordo com a caracterização do v. 9, o bispo da comunidade destinatária, tenta impedir a influência do presbítero sobre a comunidade. Mas terá que enfrentar nela um considerável número de adeptos de seu adversário, de modo que não se satisfaz com ataques verbais contra ele, e, sim, recorre a medidas extremas, proibindo terminantemente o acolhimento dos missionários, e no caso de desobediência, está disposto a recorrer inclusive à excomunhão. Prof.DavidRubens-2014
  41. 41. Carta de Recomendação  O presbítero tem reação estranhamente moderada; queixa-se que Diótrefes não reconhece sua autoridade e quer – como única medida contrária – visitar a comunidade dele e “fazer lembrar” seu comportamento, isso quer dizer, levá-lo à discussão.  Pela passagem, não se pode encontrar o pomo de discórdia entre os dois que levou Diótrefes inclusive a recorrer à excomunhão, e se Gaio pertence à comunidade de Diótrefes . Prof.DavidRubens-2014
  42. 42. Luta Antignóstica W. Bauer explica dogmaticamente o conflito, isso é, a luta antignóstica. Bauer combina as queixas de 3 Jo 9 com a polêmica herética de 2 Jo 7-11, e entende Diótrefes como “cabeça da heresia” que combate com todos os meios a “tentativa de líderes eclesiásticos de conquistar influência sobre outras comunidades”. No entanto: o presbítero não acusa seu adversário de heresia, e, sim, de procedimento brutal, e, apesar dos pesares, está disposto a entender-se com ele. Prof.DavidRubens-2014
  43. 43. O Autor As duas cartas estavam redigidas sem o nome próprio do remetente – é improvável que o nome tivesse sido suprimido. A autodenominação de presbítero era absolutamente suficiente para os destinatários; o autor era conhecido sob esse nome. Quem foi esse anônimo não podemos mais constatar. Prof.DavidRubens-2014
  44. 44. Bibliografia BROWN, Raymond Edward. A Comunidade do Discípulo Amado. São Paulo: Paulus, 2006. DODD, C. H. A interpretação do Quarto Evangelho. São Paulo: Teológica, 2003. KÜMMEL, Werner Georg. Introdução ao Novo Testamento. 4. ed. São Paulo: Paulus, 2004. SHREINER, J. DAUTZENBERG. Forma e Exigências do Novo Testamento. São Paulo: Teológica, 2004. VIELHAUER, Philipp. História da Literatura Cristã Primitiva. São Paulo: Academia Cristã, 2005. VASCONCELLOS, Pedro Lima. Sobre verdade e hospitalidade – Anotações sobre 2 e 3 João. Estudos Bíblicos, 100, Petrópolis: Vozes, p.126-130, 2008. Prof.DavidRubens-2014
  45. 45. Outras Leituras 1. Livro Comentário do Novo Testamento de Tiago e Epístolas de João Simon Kistemaker Cultura Cristã 2. Comentário de João D. A. Carson Shedd Publicações 3. Como ler o Evangelho de João José Bortolini Paulus 4. 1, 2 e 3 João e Judas John MacArthur Cultura Cristã Prof.DavidRubens-2014
  46. 46. David Rubens de Souza Formação em Teologia, Filosofia, História. Pós graduando em Filosofia na Universidade Federal de São Carlos – UFSCar. Professor de Teologia Bíblica e História do Cristianismo no IBAD, professor de Filosofia e Sociologia da rede estadual de ensino do Estado de São Paulo.

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