Prof. David Rubens
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Pierre Prigent valoriza
sobejamente a literatura
deuterocanônica, apocrifa
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geral para situar o tex...
A literatura apocalíptica
evoca um mundo imaginativo
que é colocado em
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As chaves usadas nesta obra
mostram que o livro
do Apocalipse é um livro de
denúncia e resistência, que
convida a celebrar...
Esta obra proporciona
recursos para uma
interpretação do Apocalipse
fiel ao seu contexto original
(¨ontem¨) e significativ...
O texto de Apocalipse
apresenta o contexto de
violência. Viver o tempo,
planejar as ações, visitar o
encarcerado, vestir o...
O autor do Apocalipse vivia na ilha de
Patmos, onde enfrentava uma situação
de marginalização, ele ou os cristãos da
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O livro mostra como a apocalíptica,
longe de ser uma criação
caprichosa de fanáticos do
passado, representa uma
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Os apocalipses cristãos representam um gênero
literário que não é de origem cristã, e, sim, de
origem judaica. O cristiani...
Com a expressão “apocalíptica”, uma palavra
artificial tardia, criada por F. Lücke (1791-1855),
costuma-se designar duas c...
A denominação desse gênero literário como
“apocalipses” remonta à antiguidade da Igreja.
Ela é derivada evidentemente das ...
Essa denominação foi também aplicada a obras
judaicas dessa espécie.
Não se pode demonstrar a ocorrência de
“apocalipse” c...
Não existe nenhuma unanimidade sobre como
definir “apocalíptica” quanto ao conteúdo.
Pode ser dito que “apocalíptica” é, q...
Os apocalipses judaicos mais importantes:
1 – Daniel (época dos Macabeus);
2 – Assunção de Moisés (início da era cristã);
...
Embora não se possa “determinar uma lei
formal válida para todos os apocalipses”,
repetem-se na maioria dos apocalipses ju...
Pseudonímia: O apocalíptico não escreve sob
seu próprio nome, e, sim, sob o nome de um
dos grandes do passado (Daniel, Moi...
Relato de Visões: O modelo pelo qual o
apocalíptico recebe suas revelações é, na
maioria das vezes, a visão, mais raro a a...
Linguagem figurada: O que é visto é figura: ou
figura que representa diretamente os próprios
acontecimentos, ou figura que...
Decodificação: Os apocalipses contêm muitas
vezes reflexões sobre o significado das figuras.
Raras vezes a compreensão fic...
Sistematização: Um traço característico dos
apocalipses consiste na tentativa de sistematizar
a pluralidade dos fenômenos ...
Os apocalipses combinam uma série de formas
menores:
Panorama da História em forma de futuro: O
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A intenção condutora é, no caso, criar no leitor
uma confiança nas profecias escatológicas em
si: se o autor fictício pred...
Descrição do além: Outros interesses consiste
em dar ao leitor uma visão do mundo do além.
Para isso se recorre a descriçã...
Orações: A relação dos apocalipses com os
problemas existenciais da vida se torna mais clara
nas numerosas orações que se ...
Dualismo dos dois éones: O traço fundamental
essencial da apocalíptica é o dualismo que se
manifesta do modo mais claro em...
Universalismo e individualismo: A tendência do
enfoque apocalíptico é inegavelmente universal:
Daniel pode simbolizar toda...
Universalismo e individualismo: O presente éon é
considerado o éon mau. Apesar da soberania de
Deus, ele é dominado por Sa...
Determinação e expectativa iminente: A certeza
da soberania de Deus sobre todas as coisas
manifesta-se na idéia do determi...
O visionário não sabe mencionar a data exata do
fim; mas tem a certeza de que o fim virá em
breve. Ele aponta para os sina...
A pergunta histórico-religiosa pela origem de seus
elementos estruturais e motivos leva a todas as
esferas do Oriente Próx...
A descrição do mundo inferior lembra a órfica
grega e helenista, astrologia e especulações com
números são importados da B...
A apocalíptica é também uma reação judaica à
progressiva cultura helenista e quer, por meio de
recurso a uma sabedoria e r...
Johannes Weiss: Primeiro estudioso do Jesus
Histórico a entendê-lo como um profeta
apocalíptico. Para ele, Jesus estava in...
Albert Schweitzer (1841-1965) A orientação
escatológica seria realmente um dos elementos
centrais da mensagem de Jesus. Pa...
Dentre os autores que acompanharam, de uma
forma ou de outra a proposta de Shweitzer e Wiss,
pode-se mencionar Rudolf Bult...
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Dos numerosos apocalipses cristãos somente o
Apocalipse de João foi admitido no cânon. Dos
apocalipses judaicos, ele se di...
Prólogo 1.1-3.
Introdução à carta 1.4-8.
Primeira parte; Visões e chamado 1.9-20 (tema
1.19: o que é e o que será depois)....
I. A visão dos 7 selos 6.1-8.1.
1-4. selo: os cavaleiros apocalípticos 6.1-8.
5. selo: Lamento dos mártires 6.9-11.
6. sel...
II. A visão das sete trombetas 8.2-11.19.
Preparação: O anjo com incenso 8.2-6.
III. A luta dos poderes maus 12-14.
IV. A ...
O Apocalipse de João se apresenta como carta
aberta “às sete comunidades da Ásia”, mas na
introdução anteposta ao pré-escr...
A primeira parte, a visão de vocação, confere a
todo o escrito autorização divina.
O visionário João recebe, num dia do Se...
Em lugar de retrospectos históricos ele oferece
uma descrição e crítica à atual vida da
comunidade (2) e toma providências...
O modo de revelação nunca é o sonho, e, sim o
êxtase visionário, repetidas vezes enfatizado pelo
visionário (1.10;4.2;17.3...
A visão da sala do trono é introdução para a visão
dos acontecimentos e horrores dos tempos finais.
Destacam-se três série...
As palavras do livro são confiáveis e se cumpriram
em breve (22.6). Elas não devem ser seladas.
Bem-aventurado quem as pre...
As repetições, duplicatas e contradições sempre
de novo levaram à suposição do uso de fontes e a
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3- Na teoria dos fragmentos, segundo a qual, em
muitas passagens, o apocalíptico não teria trabalhado
livremente, antes te...
E no cap. 17 aparentemente uma versão mais antiga
da saga do Nero foi fundida com uma versão mais
nova. Em parte, o apocal...
De modo mais claro do que todas as demais
apocalipses, o de João revela seu surgimento de
condições concretas da comunidad...
Da expressão de que ele se teria encontrado em
Patmos, “por causa da palavra de Deus e do
testemunho a favor de Jesus” (1....
João identificado como autor do Apocalipse: Justino,
Clemente de Alexandria e Melito de Sardes.
A alta estima que o Apocal...
Dois problemas motivaram o autor a escrever sua obra:
A situação interna das comunidades que está
caracterizada pelo esfri...
O Apocalipse, que provavelmente surgiu no início da
chamada perseguição domiciana (93-95 d.C) na Ásia
Menor, tem por final...
Se quisermos entender o Apocalipse, devemos deixá-lo
em seu próprio tempo, com o seu pano de fundo
religioso e histórico, ...
A apocalíptica é uma forma tardia da profecia do
Antigo Testamento que ainda leva as marcas de sua
origem, com suas extens...
A apocalíptica judaica fornece-nos a chave para
entender os pensamentos fantásticos e a linguagem
arcaica do Apocalipse de...
O próprio autor foi uma vitima da perseguição,
aparentemente no exílio na ilha de Patmos (1.9: Eu,
João, que também sou vo...
O autor do livro tenta dar um sentido ao sofrimento da
comunidade e tenta explicar o que esta acontecendo na
história de s...
O mundo está em rebelião contra Deus. Esta rebelião
manifesta-se na dureza dos corações humanos e a
sua arrogância sob os ...
Então Roma é desmascarada como Babilônia, a
grande prostituta, cuja raiva de fera na Terra não
passa do último golpe de sa...
Deus já tinha decidido o que fazer com o mundo,
quando enviou Cristo para trazer salvação e paz. É
esta a razão por que a ...
É Cristo quem decide os destinos do mundo;
somente ele é digno de tomar o livro da vida da mão
de Deus e abrir o seu selo....
O grande tema do Apocalipse é a vitoria de Deus
contra todos os seus adversários, sobretudo contra o
poderio político e ec...
BORNKAMM, Günther. Bíblia Novo Testamento. 3. Ed.
São Paulo: Teológica, 2003. p. 143.
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História.
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  1. 1. Prof. David Rubens IBAD-Pindamonhangaba/SP-2014
  2. 2. Pierre Prigent valoriza sobejamente a literatura deuterocanônica, apocrifa e intertestamentária em geral para situar o texto do Apocalipse no seu ambiente cultural e religioso. Prof.DavidRubens-2014
  3. 3. A literatura apocalíptica evoca um mundo imaginativo que é colocado em contraponto deliberado com o mundo empírico do presente. Apocalipticismo se desenvolve especialmente em tempos de crise, e funciona por meio do oferecimento de uma solução para a crise em questão, não em termos práticos, mas em termos de imaginação e fé. Prof.DavidRubens-2014
  4. 4. As chaves usadas nesta obra mostram que o livro do Apocalipse é um livro de denúncia e resistência, que convida a celebrar e a testemunhar com urgência, na esperança de que se realize, aqui e agora, um novo céu e uma nova terra, fontes de vida e felicidade para todos. Prof.DavidRubens-2014
  5. 5. Esta obra proporciona recursos para uma interpretação do Apocalipse fiel ao seu contexto original (¨ontem¨) e significativo agora (¨hoje¨). Para isso, os autores examinaram as raízes e os ramos da literatura apocalíptica em geral, bem como o ambiente específico do Apocalipse no Império Romano do século I d.C. Prof.DavidRubens-2014
  6. 6. O texto de Apocalipse apresenta o contexto de violência. Viver o tempo, planejar as ações, visitar o encarcerado, vestir o nu, alimentar o faminto, dar de beber a quem tem sede, visitar o enfermo, tudo isso em um contexto de violência. Essa é a esperança cristã, e esse é o desafio de nossa abordagem. Prof.DavidRubens-2014
  7. 7. O autor do Apocalipse vivia na ilha de Patmos, onde enfrentava uma situação de marginalização, ele ou os cristãos da região. No meio do intenso comércio por mar, sofriam as influências sociais, econômicas e religiosas de Roma (Babilônia), cheia de luxo, idolatria e poder. Por isso, João advertia os cristãos para que rompessem ou evitassem laços econômicos e políticos com Roma, visto que as instituições e as estruturas do Império Romano estavam repletas de submissões profanas a um imperador que se proclamava divino (ou era tratado como tal. Prof.DavidRubens-2014
  8. 8. O livro mostra como a apocalíptica, longe de ser uma criação caprichosa de fanáticos do passado, representa uma importante estrutura de compreensão de mundo de judeus e cristãos na Antiguidade. E que, em alguma medida, continua influenciando, consciente ou inconscientemente, as narrativas da contemporaneidade. Prof.DavidRubens-2014
  9. 9. Os apocalipses cristãos representam um gênero literário que não é de origem cristã, e, sim, de origem judaica. O cristianismo primitivo manifestou sua fé escatológica em grande parte nas categorias e formas da apocalíptica judaica. Prof.DavidRubens-2014
  10. 10. Com a expressão “apocalíptica”, uma palavra artificial tardia, criada por F. Lücke (1791-1855), costuma-se designar duas coisas: 1 – O gênero literário dos apocalipses, isso é, escritos revelacionistas, que manifestam mistérios futuros e transcendentes; 2 – A concepção de mundo da qual procede a literatura. Prof.DavidRubens-2014
  11. 11. A denominação desse gênero literário como “apocalipses” remonta à antiguidade da Igreja. Ela é derivada evidentemente das palavras iniciais do apocalipse neotestamentário de João (apocalipses de Jesus Cristo que Deus lhe deu, a fim de mostrar a seus servos o que deverá acontecer em breve 1.1). Em virtude da importância desse livro, “apocalipse” se tornou designação e autodesignação de escritos cristãos afins. Prof.DavidRubens-2014
  12. 12. Essa denominação foi também aplicada a obras judaicas dessa espécie. Não se pode demonstrar a ocorrência de “apocalipse” como título de livro ou designação de gênero em época pré-cristã. As obras caracterizadas como “apocalipses” não tem uma autodesignação uniforme em sua origem. Prof.DavidRubens-2014
  13. 13. Não existe nenhuma unanimidade sobre como definir “apocalíptica” quanto ao conteúdo. Pode ser dito que “apocalíptica” é, quanto ao conteúdo, uma forma específica da escatologia judaica “ao lado da escatologia rabínica que, mais tarde, se tornou oficial). Essas obras literárias surgiram no decorrer de mais de 300 anos. Prof.DavidRubens-2014
  14. 14. Os apocalipses judaicos mais importantes: 1 – Daniel (época dos Macabeus); 2 – Assunção de Moisés (início da era cristã); 3 – 4 Esdras (após a destruição de Jerusalém, 70 d.C.); Baruque sírio (132 d.C.); A isso acresce o literariamente multiestratificado Enoque etíope, cujas partes mais antigas são mais velhas que Daniel, as partes mais recentes são do séc. I a.C.). Prof.DavidRubens-2014
  15. 15. Embora não se possa “determinar uma lei formal válida para todos os apocalipses”, repetem-se na maioria dos apocalipses judaicos determinadas peculiaridades formais, que devem ser consideradas como elementos estilísticos desse gênero literário. Prof.DavidRubens-2014
  16. 16. Pseudonímia: O apocalíptico não escreve sob seu próprio nome, e, sim, sob o nome de um dos grandes do passado (Daniel, Moisés, Esdras, Enoque, Adão, etc.). Acompanha a pseudonímia a antecipação fictícia como elemento estilístico. Para explicar por que o livro se tornou conhecido agora, e não há muito, relata-se com frequência que ele estava selado e tinha que ser mantido em segredo até o fim dos dias (Dn 12.9; Esd 12.35-38, etc.). Prof.DavidRubens-2014
  17. 17. Relato de Visões: O modelo pelo qual o apocalíptico recebe suas revelações é, na maioria das vezes, a visão, mais raro a audição. Por isso os apocalipses se apresentam como relato de visões. A visão pode ocorrer no êxtase ou em sonho. Muitas vezes o visionário é arrebatado ao mundo celestial. Ocasionalmente faz o relato sobre sua visão pouco antes de sua morte; nesse caso, o apocalipse aparece na forma de um discurso de despedida. Prof.DavidRubens-2014
  18. 18. Linguagem figurada: O que é visto é figura: ou figura que representa diretamente os próprios acontecimentos, ou figura que descreve os acontecimentos indiretamente, na forma de símbolos e alegorias. As figuras procedem do reino da natureza (animais ou plantas; nuvens e temporais), ou também da arte (a estátua de Dn 2). A partir de coisa que simbolizam, essas figuras muitas vezes são construídas muito artificialmente, isso é, alegorias para cuja interpretação é necessário uma instrução especial. Prof.DavidRubens-2014
  19. 19. Decodificação: Os apocalipses contêm muitas vezes reflexões sobre o significado das figuras. Raras vezes a compreensão fica a cargo do próprio visionário (visão de animais), na maioria das vezes ela lhe é proporcionada por maio de um mediador da revelação, com frequência por meio de um ou vários anjos-interpretes, ou pelo próprio Deus. Prof.DavidRubens-2014
  20. 20. Sistematização: Um traço característico dos apocalipses consiste na tentativa de sistematizar a pluralidade dos fenômenos por sistemas ordenadores, especialmente números. Com o conhecimento da secreta ordem do mundo demonstram sua sabedoria dada por Deus. Prof.DavidRubens-2014
  21. 21. Os apocalipses combinam uma série de formas menores: Panorama da História em forma de futuro: O interesse dos apocalípticos volta-se, em primeiro lugar, para os iminente acontecimentos escatológicos, para os horrores do tempo final e a glória do novo mundo. Esse interesse, porém, não levou apenas à predição dos acontecimentos futuros, e, sim – em virtude da antecipação fictícia – produziu resumos da História em forma de futuro. Prof.DavidRubens-2014
  22. 22. A intenção condutora é, no caso, criar no leitor uma confiança nas profecias escatológicas em si: se o autor fictício predisse com tanta precisão a história controlável do ponto de vista dos leitores, então também acontecerá no futuro tal como ele o profetiza; e esse futuro sempre é o fim próximo. Essa certeza de que a História chegou ao fim é corroborada por sua periodização. O número dos períodos oscilam. Mas sempre se esclarece ao leitor que seu presente faz parte do último período. Prof.DavidRubens-2014
  23. 23. Descrição do além: Outros interesses consiste em dar ao leitor uma visão do mundo do além. Para isso se recorre a descrição de arrebatamentos visionários. Em um êxtase, o visionário passa por mudanças de lugar e perambula por regiões estranhas e misteriosas na terra e no céu. Transmitem conhecimentos sobre a topografia do céu e do inferno, sobre hierarquia dos anjos, astronomia, etc., conhecimentos não acessíveis de outro modo. Prof.DavidRubens-2014
  24. 24. Orações: A relação dos apocalipses com os problemas existenciais da vida se torna mais clara nas numerosas orações que se encontram em todas essas obras. Às vezes a oração tem a função de pedir a interpretação do que foi visto, mais ainda porém a tarefa de desdobrar as perguntas que atribulam o visionário quando contrasta a relação de promessa divina e realidade histórica, para isso visão e interpretação dão a resposta. Ao lado de prece e lamento encontram-se também orações de gratidão e louvor. Prof.DavidRubens-2014
  25. 25. Dualismo dos dois éones: O traço fundamental essencial da apocalíptica é o dualismo que se manifesta do modo mais claro em sua versão da doutrina dos dois éons. O velho mundo tem que desaparecer antes que se possa manifestar o mundo de Deus. Não há continuidade entre ambos. Apesar disso, esse dualismo não é um dualismo absoluto, pois acima de tudo está Deus que exige obediência à Lei do homem piedoso e lhe promete por meio disso parte no novo éon. Prof.DavidRubens-2014
  26. 26. Universalismo e individualismo: A tendência do enfoque apocalíptico é inegavelmente universal: Daniel pode simbolizar toda a história mundial em uma estátua feita de metal. A essa tendência universal corresponde o fato de que o homem tem que comprovar-se como indivíduo por meio de obediência a Lei de Deus, e não possui uma prerrogativa soteriológica pelo fato de pertencer ao povo salvífico judaico. Prof.DavidRubens-2014
  27. 27. Universalismo e individualismo: O presente éon é considerado o éon mau. Apesar da soberania de Deus, ele é dominado por Satanás e seus poderes do mal, e marcado por crescente degeneração física e moral. Ainda que registrem pontos ascendentes na descrição da história de Israel, isso nada muda a concepção fundamental de que a salvação não pode ser esperada no e do presente éon. O tempo final está repleto de abominação e de uma luta de todos contra todos e contra Deus. Prof.DavidRubens-2014
  28. 28. Determinação e expectativa iminente: A certeza da soberania de Deus sobre todas as coisas manifesta-se na idéia do determinismo. Toda a história do mundo transcorre de acordo com o plano fixado por Deus, do qual o visionário toma conhecimento. Mudanças da vontade de Deus, como acontece nos profetas, não estão previstas. Somente a idéia de que Deus “abrevia” as últimas catástrofes por amor de seus eleitos ocorre ocasionalmente. Prof.DavidRubens-2014
  29. 29. O visionário não sabe mencionar a data exata do fim; mas tem a certeza de que o fim virá em breve. Ele aponta para os sinais do tempo e conclama os leitores para estarem preparados para o fim, não porém, para calcularem o fim. Nos detalhes, encontra-se uma grande variedade. Na concepção das pessoas salvíficas: a salvação pode ser efetuada por Deus e seus anjos, mas também pode ser efetuada pelo Messias ou pelo Filho do Homem. Prof.DavidRubens-2014
  30. 30. A pergunta histórico-religiosa pela origem de seus elementos estruturais e motivos leva a todas as esferas do Oriente Próximo: O dualismo dos dois éons, o contraste de Deus e Satanás, a doutrina dos anjos e dos demônios bem como a crença na ressurreição levam ao Irã; A doutrina dos quatro reinos levam através de Hesíodo a Zaratustra e à Índia; Resumos históricos na forma futura encontram-se no Irã e no Egito; Prof.DavidRubens-2014
  31. 31. A descrição do mundo inferior lembra a órfica grega e helenista, astrologia e especulações com números são importados da Babilônia e o ano solar é importado do Egito. A apocalíptica é um produto importado do período helenista, no qual várias influências culturais se cruzam na Palestina. Prof.DavidRubens-2014
  32. 32. A apocalíptica é também uma reação judaica à progressiva cultura helenista e quer, por meio de recurso a uma sabedoria e revelação superior, fortalecer a autoconsciência do judaísmo. Embora ela seja um fenômeno sincretista, ela é um ato de auto-afirmação judaica, que se rebela contra a dissolução sincretista do judaísmo, tal como ela se encaminhava no início do séc. II a.C. Prof.DavidRubens-2014
  33. 33. Johannes Weiss: Primeiro estudioso do Jesus Histórico a entendê-lo como um profeta apocalíptico. Para ele, Jesus estava inserido dentro da extensa tradição apocalíptica judaica. Prof.DavidRubens-2014 Johannes Weiss (1863-1914), estudou na Universidade de Marburg, Universidade de Berlim, Universidade de Göttingen, e Universidade de Breslau. Foi professor em Göttingen, desde 1890, em Marburg desde 1895, e desde 1908 na Universidade de Heidelberg. Escreveu muitos livros influentes, Weiss foi fundamental para o desenvolvimento do crítica bíblica do Novo Testamento.
  34. 34. Albert Schweitzer (1841-1965) A orientação escatológica seria realmente um dos elementos centrais da mensagem de Jesus. Para ele o dito paradgmático encontra-se em Mateus 10.23. Jesus instruiu seus discípulos para avisar da urgência do arrependimento. A missão dos doze é o início do fim. Prof.DavidRubens-2014
  35. 35. Dentre os autores que acompanharam, de uma forma ou de outra a proposta de Shweitzer e Wiss, pode-se mencionar Rudolf Bultmann, Günther Bornkamm, W. G. Kümmel e Joachim Jeremias. Prof.DavidRubens-2014
  36. 36. Prof. David Rubens IBAD-Pindamonhangaba/SP-2014
  37. 37. Dos numerosos apocalipses cristãos somente o Apocalipse de João foi admitido no cânon. Dos apocalipses judaicos, ele se distingui, apesar de todas as formas e matérias, pela reformulação cristã das tradições recebidas. Prof.DavidRubens-2014
  38. 38. Prólogo 1.1-3. Introdução à carta 1.4-8. Primeira parte; Visões e chamado 1.9-20 (tema 1.19: o que é e o que será depois). Segunda parte: As sete cartas abertas 2 e 3. Éfeso 2.2; Esmirna 2.8; Pérgamo 2.12; Tiatira 2.18; Sardes 3.1; Filadélfia 3.7; Laodicéia 3.14. Terceira parte: A revelação do futuro. Introdução: Teofania 4; o Cordeiro e o livro dos sete selos 5.1-4; os cavaleiros apocalípticos. Prof.DavidRubens-2014
  39. 39. I. A visão dos 7 selos 6.1-8.1. 1-4. selo: os cavaleiros apocalípticos 6.1-8. 5. selo: Lamento dos mártires 6.9-11. 6. selo: Terremoto e eclipse solar 6.12-17. Visão dupla: selo dos 144.000; canto de louvor dos redimidos 7 7 selo: a visão das sete trombetas 8.2-11.19. Prof.DavidRubens-2014
  40. 40. II. A visão das sete trombetas 8.2-11.19. Preparação: O anjo com incenso 8.2-6. III. A luta dos poderes maus 12-14. IV. A visão das sete taças 15 e 16. V. A queda da Babilônia 17.1-19.19. VI. A destruição dos poderes hostis a Deus 19.11- 20.15. VII. O novo mundo 21.1-22.5. Conclusão 22.6-21. Prof.DavidRubens-2014
  41. 41. O Apocalipse de João se apresenta como carta aberta “às sete comunidades da Ásia”, mas na introdução anteposta ao pré-escrito ele é caracterizado como relato de visões (1.2). A estrutura do livro é indicada em 1.19: “Escreve o que viste e o que é e o que acontecerá depois”; portanto visão de vocação (1.9-20), as sete cartas abertas às comunidades sobre seu estado atual (2) e a revelação dos acontecimentos futuros (4.1-22.5). Prof.DavidRubens-2014
  42. 42. A primeira parte, a visão de vocação, confere a todo o escrito autorização divina. O visionário João recebe, num dia do Senhor, na ilha de Patmo, a ordem de anotar sua visão e de enviá-la às sete comunidades. O autor não escreve sob o disfarce e autoridade emprestada de um herói do passado, e, sim, sob seu próprio nome. O autor acentua expressamente a simultaneidade com seus leitores. Prof.DavidRubens-2014
  43. 43. Em lugar de retrospectos históricos ele oferece uma descrição e crítica à atual vida da comunidade (2) e toma providências para que seu livro não seja entendido como livro de mistério, e, sim, como carta ecumênica (1.4,11,19; 22.16.21). Prof.DavidRubens-2014
  44. 44. O modo de revelação nunca é o sonho, e, sim o êxtase visionário, repetidas vezes enfatizado pelo visionário (1.10;4.2;17.3;20.11). Característica é a estreita ligação do recebimento da revelação como o meio escrito: por um lado, o autor recebe a incumbência de registrar as visões num livro: as sete cartas abertas ele escreve inclusive sob ditado do Glorificado. por outro lado um livro é o conteúdo central de sua visão, e as visões de 6.1 nada mais são do que o conteúdo desse “livro”. Prof.DavidRubens-2014
  45. 45. A visão da sala do trono é introdução para a visão dos acontecimentos e horrores dos tempos finais. Destacam-se três séries de sete visões: Visões do selos (5.1-8); Visões das trombetas (8.2-9; 11.15-19); Visões das taças (15). Prof.DavidRubens-2014
  46. 46. As palavras do livro são confiáveis e se cumpriram em breve (22.6). Elas não devem ser seladas. Bem-aventurado quem as preserva, amaldiçoado quem as modifica. A formula de exclusão 22. 15, a alusão à Ceia do Senhor em 22.17 e a exclamação “Vem, Senhor!” 22.20, podem indicar que o lugar vivencial do Apocalipse é o culto: o livro deve ser lido eventualmente no culto (1.3). Prof.DavidRubens-2014
  47. 47. As repetições, duplicatas e contradições sempre de novo levaram à suposição do uso de fontes e a tentativa de reconstrução das mesmas. As hipóteses das fontes apresentam-se em três formas: 1- Suposição de um escrito-base (judaico) e sua adaptação (ao cristianismo); 2- Suposição de que várias fontes teriam sido fundidas, com preferência especial na estranha variante de que se trataria de duas fontes do mesmo autor, apenas de períodos diferentes; Prof.DavidRubens-2014
  48. 48. 3- Na teoria dos fragmentos, segundo a qual, em muitas passagens, o apocalíptico não teria trabalhado livremente, antes teria usado fragmentos mais antigos ou tradições fixas. Teoria dos fragmentos de W. Bousset: O autor teria usado vários fragmentos, seriam: 7.1-8; 11.1-13; 12. De acordo com a espécie e a procedência, eles diferem muito: 11.1. Panfleto da época do sítio a Jerusalém; A rainha do céu, a criança e o dragão tem sua origem na mitologia do Oriente Antigo. Prof.DavidRubens-2014
  49. 49. E no cap. 17 aparentemente uma versão mais antiga da saga do Nero foi fundida com uma versão mais nova. Em parte, o apocalíptico sequer reformulou esses fragmentos, em parte os reescreveu com intensidades variadas. O autor utilizou como “fonte” o AT; o Apocalipse está cheio de imagens e alusões vétero- testamentárias; constitutivos se tornaram a visão do carro de Ez 1 e o capítulo sobre o Filho do Homem de Dn 7. Além disso, ocorrem numerosas paralelas a apocalipses judaicos. Prof.DavidRubens-2014
  50. 50. De modo mais claro do que todas as demais apocalipses, o de João revela seu surgimento de condições concretas da comunidade para qual foi escrito. O autor diz seu verdadeiro nome (1.1,4,9; 22.8) e se caracteriza como companheiro de fé e sofrimento de seus leitores (1.9). Ele tem conhecimento exato das condições da comunidade. Qual a posição que ocupou, que função possuía, são coisas que não podemos saber. Ele se caracteriza como profeta (22.7). Prof.DavidRubens-2014
  51. 51. Da expressão de que ele se teria encontrado em Patmos, “por causa da palavra de Deus e do testemunho a favor de Jesus” (1.9), se deduziu muitas vezes que João havia sido degredado para a ilha de Patmos; mas a expressão similar em 1.2 também permite a conclusão de que João se encontrava em Patmos em atividade missionária ou para dirigir a comunidade. Prof.DavidRubens-2014
  52. 52. João identificado como autor do Apocalipse: Justino, Clemente de Alexandria e Melito de Sardes. A alta estima que o Apocalipse tinha entre os montanistas, os valencianos e outros gnósticos, levou a uma acirrada crítica da parte de círculos eclesiásticos. O bispo Dionísio de Alexandria (meados do séc. III), ao afirmar que, por razões linguísticas e de estilo, mas também por razões teológicas, o Apocalipse e o Evangelho de João não podem ser da autoria do mesmo João; o Evangelho de João seria da autoria do apóstolo João, o Apocalipse de outra pessoa inspirada com o mesmo nome. Prof.DavidRubens-2014
  53. 53. Dois problemas motivaram o autor a escrever sua obra: A situação interna das comunidades que está caracterizada pelo esfriamento do “primeiro amor”, por indolência e indiferença. A situação de ameaça por parte do Estado Romano. O culto ao imperador desempenhava um papel importante, ele foi motivo de perseguição. A perseguição que é predita aqui é a que aconteceu sob Domiciniano (81-96 d.C). Uma datação mais exata dessa perseguição e também do apocalipse é difícil, visto que as alusões à história contemporânea são mantidas conscientemente na obscuridade. Prof.DavidRubens-2014
  54. 54. O Apocalipse, que provavelmente surgiu no início da chamada perseguição domiciana (93-95 d.C) na Ásia Menor, tem por finalidade fortalecer os cristãos nessas dificuldades para uma perseverança fiel e para um testemunho confessante. Seu conteúdo, porém, vai além dessa finalidade atual. O autor não quer somente consolar e fortalecer, mas fazer propaganda a favor das concepções apocalípticas que ele codificou em seu escrito e as sistematizou de certo modo, e para cuja pátria se deve supor círculos cristão-judaicos de espírito escatológico na Ásia Menor. Prof.DavidRubens-2014
  55. 55. Se quisermos entender o Apocalipse, devemos deixá-lo em seu próprio tempo, com o seu pano de fundo religioso e histórico, por estranho que ele nos seja. Sua própria palavra inicial, “revelação” (Apocalipse), situa-o explicitamente na tradição, perspectiva e gênero literário da apocalíptica judaica do tempo. Prof.DavidRubens-2014
  56. 56. A apocalíptica é uma forma tardia da profecia do Antigo Testamento que ainda leva as marcas de sua origem, com suas extensas citações, imagens e sentenças tiradas dos profetas do AT. Mas a apocalíptica difere da profecia em virtude do dualismo cósmico em que se incuba sua expectativa do fim. Seus grandes temas, retratados em uma interminável sucessão de cenas, imagens e especulações, são o fim do mundo, o último juízo e a inauguração do novo céu e da nova terra.. Prof.DavidRubens-2014
  57. 57. A apocalíptica judaica fornece-nos a chave para entender os pensamentos fantásticos e a linguagem arcaica do Apocalipse de João. Todavia, há mais neste livro do que uma herança religiosa e teológica conservada por um indivíduo estranho. João escreve no meio de uma crise histórica aguda, provavelmente durante o reinado de Domiciano, no meio dos anos noventa, quando o conflito entre Igreja e o Estado pagão explodiu de repente e ocasionou terrível perseguição contra os cristãos. Prof.DavidRubens-2014
  58. 58. O próprio autor foi uma vitima da perseguição, aparentemente no exílio na ilha de Patmos (1.9: Eu, João, que também sou vosso irmão, e companheiro na aflição, e no reino, e paciência de Jesus Cristo, estava na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus, e pelo testemunho de Jesus Cristo). Ele escreveu para encorajar os seus irmão na fé e estimulá-los para continuar em seu testemunho fiel. Prof.DavidRubens-2014
  59. 59. O autor do livro tenta dar um sentido ao sofrimento da comunidade e tenta explicar o que esta acontecendo na história de seu tempo, com a segurança de que Cristo voltará em breve. Prof.DavidRubens-2014
  60. 60. O mundo está em rebelião contra Deus. Esta rebelião manifesta-se na dureza dos corações humanos e a sua arrogância sob os golpes do julgamento de Deus. O processo todo fica cada vez pior, até culminar na adoração do imperador romano e do poder do Estado. O caos é universal, e logo uma guerra é deslanchada contra os “santos”, que, armados somente de firmeza e lealdade à sua fé, se recusam a se submeter. Prof.DavidRubens-2014
  61. 61. Então Roma é desmascarada como Babilônia, a grande prostituta, cuja raiva de fera na Terra não passa do último golpe de satã depois que foi lançado dos céus e silenciado por Deus (12.10: E ouvi uma grande voz no céu, que dizia: Agora é chegada a salvação, e a força, e o reino do nosso Deus, e o poder do seu Cristo; porque já o acusador de nossos irmãos é derrubado, o qual diante do nosso Deus os acusava de dia e de noite). Prof.DavidRubens-2014
  62. 62. Deus já tinha decidido o que fazer com o mundo, quando enviou Cristo para trazer salvação e paz. É esta a razão por que a grande visão da entronização do cordeiro que foi sacrificado vem no começo, e não no fim, como em outros textos apocalípticos do NT (Mc 13.26: E então verão vir o Filho do homem nas nuvens, com grande poder e glória; 2 Ts 2.8: E então será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca, e aniquilará pelo esplendor da sua vinda). Prof.DavidRubens-2014
  63. 63. É Cristo quem decide os destinos do mundo; somente ele é digno de tomar o livro da vida da mão de Deus e abrir o seu selo. No meio dos terrores do fim, quem será capaz de suportar? Mas os fiéis têm a promessa já aqui e agora. Eles são o verdadeiro povo de Deus que foi redimido (7.9; 19.1). Têm em suas testas o selo de Deus, o sinal de sua pertença e proteção. Estão a caminho do novo céu e da nova terra (21.1). Prof.DavidRubens-2014
  64. 64. O grande tema do Apocalipse é a vitoria de Deus contra todos os seus adversários, sobretudo contra o poderio político e econômico de Roma. Enquanto outros, naquele tempo, traziam no seu íntimo a sensação de que Roma duraria para sempre, aqui nós nos deparamos com um pequeno grupo que espera a ruína do poder Romano. A agressividade, que nestas visões se expressa em rios de sangue, são provocadas por um poder político que se considera absoluto. A este sangue se opõe o sangue do Cordeiro, “imolado” precisamente por este poder. Prof.DavidRubens-2014
  65. 65. BORNKAMM, Günther. Bíblia Novo Testamento. 3. Ed. São Paulo: Teológica, 2003. p. 143. KÜMMEL, Werner Georg. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Paulus, 2004. THEISSEN, Gerd. Novo Testamento, O. Petrópolis: Vozes, 2007. p. 127. Prof.DavidRubens-2014
  66. 66. David Rubens de Souza  Formação em Teologia, Filosofia, História.  Pós graduando em Filosofia na Universidade Federal de São Carlos – UFSCar.  Professor de Teologia Bíblica e História do Cristianismo no IBAD, professor de Filosofia e Sociologia da rede estadual de ensino do Estado de São Paulo.

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