Grupo Trabalho Humanização 2006

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Cartilha do dispositivo da PNH, Grupo de Trabalho de Humanização

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Grupo Trabalho Humanização 2006

  1. 1. MINISTÉRIO DA SAÚDE GRUPO de TRABALHO deHUMANIZAÇÃO 2.ª edição Brasília – DF 2006
  2. 2. MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria de Atenção à SaúdeNúcleo Técnico da Política Nacional de HumanizaçãoGRUPO DE TRABALHO DE HUMANIZAÇÃO 2.ª edição Série B. Textos Básicos de Saúde Brasília – DF 2006
  3. 3. © 2004 Ministério da Saúde.Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte e que nãoseja para venda ou qualquer fim comercial.A responsabilidade pelos direitos autorais de textos e imagens desta obra é de responsabilidade da área técnica.A coleção institucional do Ministério da Saúde pode ser acessada na íntegra na Biblioteca Virtual em Saúde do Ministérioda Saúde: http://www.saude.gov.br/bvsO conteúdo desta e de outras obras da Editora do Ministério da Saúde pode ser acessado na página:http://www.saude.gov.br/editoraSérie B. Textos Básicos de Saúde Organização da série cartilhas da PNH – 1.ª edição:Tiragem: 2.ª edição – 2006 – 25.000 exemplares Eduardo PassosElaboração, distribuição e informações: Coordenação de revisão das cartilhas da PNH – 2.ª edição:MINISTÉRIO DA SAÚDE Maria Elizabeth MoriSecretaria de Atenção à Saúde Serafim Barbosa dos Santos FilhoNúcleo Técnico da Política Nacional de HumanizaçãoEsplanada dos Ministérios, bloco G, edifício sede, sala 954 Colaboração:700058-900, Brasília – DF Alba Lucy Giraldo FigueroaTels.: (61) 3315-3680 / 3315-3685 Maria Auxiliadôra da Silva BenevidesE-mail: humanizasus@saude.gov.brHome page: www.saude.gov.br/humanizasus Elaboração de texto, diagramação e layout: Cristina Maria Eitler (Kita)Coordenação da PNH:Adail de Almeida Rollo Fotos: Delegados participantes da 12.ª Conferência Nacional de SaúdeTexto: (realizada em Brasília, de 7 a 11 de dezembro de 2003), fotografadosRaquel Teixeira Lima no estande do HumanizaSUS.Stella Maris Chebli Fotógrafo: Cléber Ferreira da SilvaImpresso no Brasil / Printed in Brazil Ficha CatalográficaBrasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. Grupo de Trabalho de Humanização / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Núcleo Técnico daPolítica Nacional de Humanização. – 2. ed. – Brasília : Editora do Ministério da Saúde, 2006. 16 p. – (Série B. Textos Básicos de Saúde) ISBN 85-334-1114-6 1. SUS (BR). 2. Prestação de cuidados de saúde. 3. Condições de trabalho. I. Título. II. Série. NLM W 84 Catalogação na fonte – Coordenação-Geral de Documentação e Informação – Editora MS – OS 2006/0438Títulos para indexação:Em inglês: Humanization Work GroupEm espanhol: Grupo de Trabajo de HumanizaciónEDITORA MSDocumentação e InformaçãoSIA, trecho 4, lotes 540 / 610CEP: 71200-040, Brasília – DFTels.: (61) 3233-2020 / 3233-1774Fax: (61) 3233-9558 Equipe editorial:E-mail: editora.ms@saude.gov.br Normalização: Maria ResendeHome page: www.saude.gov.br/editora Revisão: Lilian Assunção e Daniele Thiebaut Diagramação: Sérgio Ferreira
  4. 4. O Ministério da Saúde implementa aPolítica Nacional de Humanização (PNH)HumanizaSUSO Ministério da Saúde tem reafirmado o HumanizaSUS como política que atravessa as diferentes ações e instâncias do Sistema Único de Saúde, englobando os diferentes níveis e dimensões da atenção e da gestão. Operando com o princípio da transversalidade, a Política Nacional de Humanização (PNH) lança mão de ferramentas e dis- positivos para consolidar redes, vínculos e a co-respon- sabilização entre usuários, trabalhadores e gestores. Ao direcionar estratégias e métodos de articulação de ações, saberes, práticas e sujeitos, pode- se efetivamente potencializar a garantia de atenção integral, resolutiva e humanizada. Por humanização compreendemos a valo- rização dos diferentes sujeitos implicados no processo de produção de saúde. Os valores que norteiam essa Política são a autonomia e o protagonismo dos sujeitos, a co-respon- sabilidade entre eles, os vínculos solidários ea participação coletiva no processo de gestão.Cartilha da PNHGrupo de Trabalho de Humanização 3
  5. 5. Com a oferta de tecnologias e dispositivos para configuração efortalecimento de redes de saúde, a humanização aponta para o es-tabelecimento de novos arranjos e pactos sustentáveis, envolvendotrabalhadores e gestores do Sistema, e fomentando a participaçãoefetiva da população, provocando inovações em termos de compar-tilhamento de todas as práticas de cuidado e de gestão. A PNH não é um mero conjunto de propostas abstratas que espe-ramos poder tornar concreto. Ao contrário, partimos do SUS que dácerto. O HumanizaSUS apresenta-se como uma política construídaa partir de possibilidades e experiências concretas que queremosaprimorar e multiplicar! Daí a importância de nosso investimento noaprimoramento e na disseminação dos diferentes dispositivos comque operamos. As “Cartilhas da PNH” têm função multiplicadora;com elas esperamos poder disseminar algumas tecnologias de hu-manização da atenção e da gestão no campo da Saúde. Brasília, 2006. Cartilha da PNH4 Grupo de Trabalho de Humanização
  6. 6. O Grupo de Trabalho deHumanização (GTH)O Grupo de Trabalho de Humanização (GTH) é um dispositivo criado pela Política Nacional de Humanização (PNH) para o Sistema Único de Saúde (SUS), com o objetivo de intervir namelhoria dos processos de trabalho e na qualidade da produção desaúde para todos. O GTH institui-se em qualquer instância do SUSe é integrado por pessoas interessadas em discutir os serviços presta-dos, a dinâmica das equipes de trabalho e as relações estabelecidasentre trabalhadores de saúde e usuários. A proposta do GTH não se restringe apenas aos serviços de pres-tação direta de assistência à saúde, como hospitais, outras unidadesde saúde e o Programa Saúde da Família (PSF). É também adequa-do ao âmbito das instâncias gestoras vinculadas ao SUS estaduale municipal (distritos sanitários, secretarias municipais e estaduaisde saúde), do Ministério da Saúde e, também, das parcerias entremunicípios e cooperações interinstitucionais (entidades formadoras,conselhos profissionais, etc).Cartilha da PNHGrupo de Trabalho de Humanização 5
  7. 7. Estes GTHs, freqüentemente nomeados como comitês de humani-zação ou GTHs ampliados, estendem a participação a outros atoresenvolvidos nas questões de saúde pública em múltiplos territórios. Oque os define, portanto, é menos sua composição do que seu modode operar. Todos podem participar desses grupos: trabalhadores de, técni-cos, funcionários, gestores, coordenadores e usuários, ou seja, to-dos aqueles que estejam implicados na construção de propostaspara promover as ações humanizadoras que aprimorem a rede deatenção em saúde, as inter-relações das equipes e a democratizaçãoinstitucional nas unidades de prestação de serviço ou nos órgãosdas várias instâncias do SUS. A participação dos gestores nos GTHsmostra a relevância da construção coletiva na produção de saúde ea prioridade da humanização no plano de governo. A idéia é que os GTHs inaugurem uma diferença! Trata-se de insti-tuir uma “parada” e um “movimento” no cotidiano do trabalho paraa realização de um processo de reflexão coletiva sobre o própriotrabalho, dentro de um espaço onde todos tenham o mesmo direitode dizer o que pensam, de criticar, de sugerir e propor mudanças nofuncionamento dos serviços, na atenção aos usuários e nos modosde gestão. A construção de um grupo de trabalho aproxima as pessoas, pos-sibilita a transformação dos vínculos já instituídos, além de esta- Cartilha da PNH6 Grupo de Trabalho de Humanização
  8. 8. belecer um ambiente favorável para compar-tilhar as tensões do cotidiano, as dificuldadesdo trabalho, acolher e debater as divergências,os sonhos de mudança e buscar, por meio daanálise e da negociação, potencializar propos-tas inovadoras. Algumas vezes, o trabalhador da saúde estátão acostumado ao seu trabalho, à rotina ou aoseu lugar institucional, que não consegue pen-sar, isoladamente, em alternativas diferentes. O trabalho em grupo proporciona o encon-tro das diversidades subjetivas, provoca novasarticulações e a possibilidade de implementarpropostas coletivamente. No entanto, é impor-tante que o grupo respeite seu próprio tempode construção, pois é necessário amadurecerlaços e projetos antes de decidir o quê e comofazer. Diferentes visões sobre o mesmo problemaajudam a ampliar a percepção das diversas di-mensões implicadas. Trata-se de um exercíciode protagonismo, um esforço de co-gestão nadireção das mudanças desejadas.Cartilha da PNHGrupo de Trabalho de Humanização 7
  9. 9. Nesse sentido, num GTH, os componentes do grupo podem experimentar diferentes fun- ções, alternadamente, ao longo dos encon- tros: a coordenação dos trabalhos; a observa- ção do andamento e a análise dos impasses do grupo; a articulação da pauta de assun- tos; o registro da reunião; o planejamento de objetivos; os encaminhamentos de decisões acordadas no grupo, etc. Subgrupos podem se constituir temporaria- mente para elaborar propostas específicas de intervenção em algum setor, preparar temas a serem apresentados ou divulgar os trabalhos aos demais trabalhadores e usuários. Outras pessoas podem ser convidadas para ajudar a refletir sobre um assunto específico ou para coordenar uma atividade particular, como um trabalho corporal ou lúdico, fazer uma pales- tra, etc. Alguns temas podem ser interessantes para o início de um GTH: • Como melhorar ou qualificar a prestação do serviço? Cartilha da PNH8 Grupo de Trabalho de Humanização
  10. 10. • Como é trabalhar em equipe nesse servi- ço? Existem equipes de fato? • Como são as relações de trabalho com os colegas? E com os gerentes, coorde- nadores e diretores? • Qual o pior lugar para se trabalhar? E para ser atendido? O que torna esses es- paços e locais tão difíceis de serem mu- dados? • Qual o melhor lugar? O que o faz a di- ferença? • Como se dá a relação entre os profissionais e os familiares dos pacientes atendidos? • Qual é o nível de valorização das “falas” e contribuições dos usuários e dos trabalha- dores da saúde (queixas, sugestões, etc.)? • Que projetos coletivos já existiram e fo- ram benéficos, mas pararam, e quais es- tão sendo desenvolvidos e precisam ser fortalecidos? • Como articular projetos intersetoriais inte- ressantes para os objetivos da instituição?Cartilha da PNHGrupo de Trabalho de Humanização 9
  11. 11. • Que parcerias seriam necessárias para melhorar a resolução dos problemas? • Qual o nível de participação dos traba- lhadores nas decisões do serviço? • Que implicação existe na organização do serviço com a comunidade do territó- rio onde está inserida? • Como e por quem são tomadas as deci- sões, e quem define as regras e normas de cada setor? • Quais são as normas “sem sentido” que continuamos acatando? O GTH define a periodicidade para as reuniões, organiza prioridades para o deba- te, propõe projetos e planos de ação para atingir suas metas. Não há um tempo pré- definido para a duração de um GTH, poden- do durar anos e/ou se desdobrar em outros tipos de grupos ou propor outras ações. Vejamos o exemplo de um caminho per- corrido por um GTH para constituir-se como grupo de trabalho: Cartilha da PNH10 Grupo de Trabalho de Humanização
  12. 12. A direção de um determinado serviço resolveuestimular a criação do GTH. Convidou algunsfuncionários para que fizessem uma primeirareunião em que seriam discutidos: finalidade eobjetivos do grupo, modo de operar, periodici-dade de encontros e definição da coordenaçãodos trabalhos. Nesse primeiro encontro, um funcionárioquestionou porque só alguns haviam sido con-vidados. Essa situação lhe causara um cer-to mal-estar em relação aos outros colegasde trabalho. Surgiram, em seguida, algumasidéias para que a participação no grupo fosseampliada, com a possibilidade de que outraspessoas interessadas tivessem acesso aos en-contros. As análises feitas pelo grupo contribuírampara a seguinte decisão, tomada por consen-so: antes do próximo encontro seria enviado(grampeado junto com o contracheque) a to-dos os funcionários da instituição um comu-nicado explicando a proposta de criação deum grupo de trabalho de humanização e, aoCartilha da PNHGrupo de Trabalho de Humanização 11
  13. 13. mesmo tempo, convidando aqueles que se sentissem motivados a participar da reunião seguinte. Definiu-se, então, uma dupla de funcio- nários que se responsabilizaria por elaborar o comunicado, imprimi-lo e fazê-lo chegar a todos. Também foi feito um cartaz para estimular os trabalhadores a conversarem entre si sobre o tema “humanização”. Nas reuniões seguintes, muitas pessoas vieram para o grupo com expectativas mui- to variadas e contribuições também diversas. Alguns encontros foram necessários para construir os objetivos, esclarecer e debater o modo de se trabalhar no grupo, bem como os critérios para participação, de forma a não prejudicar a assistência em nenhum setor. Aos poucos, algumas características dos encontros foram se transformando: a fala, que inicialmente tinha um tom predominan- te de queixas, denúncias, insatisfações de naturezas diversas, deu lugar à recuperação de idéias e projetos antigos, que haviam12 Cartilha da PNH Grupo de Trabalho de Humanização
  14. 14. dado certo ou eram reconhecidos como sen-do importantes para usuários e trabalhadores,mas que, por algum motivo, haviam sido inter-rompidos. Passou-se, então, para uma fase de análi-se da instituição, aliada à produção de novasidéias e projetos, além da recuperação de pro-jetos anteriores considerados humanizadores.Ao longo dos primeiros seis meses de exis-tência desse GTH, algumas pessoas se man-tiveram como um núcleo mais persistente dogrupo, e outras foram mudando: alguns novoschegavam, participavam de alguns encontrose depois não continuavam. Este é um caminhonecessário e produtivo, pois o grupo mesmovai se construindo a partir das entradas, dassaídas e das (in)constâncias. Ele vai adquirindoa sua própria “cara”, que é única e singular,entre todos os GTHs existentes no Brasil. Além disso, a confiança que vai sendo pau-latinamente construída em seu interior, possi-bilita que as pessoas falem de si mesmas, dotrabalho e das relações interpessoais, de umaCartilha da PNHGrupo de Trabalho de Humanização 13
  15. 15. outra forma. O grau de aprofundamento de análise da realidade também era estimulado pela ação de pessoas convidadas e do próprio grupo, por meio da oferta de textos, oficinas e outros, para ampliar o conhecimento sobre questões em debate no grupo. O trabalho do GTH, ao longo do tempo, adquiriu novas facetas: momentos de maior reflexão alternados com ações práticas (pes- quisas, ações concretas e focalizadas). Assim, foram surgindo propostas para melhorar a qualidade do atendimento, e do acolhimen- to, diminuir o tempo de espera, a resolução de problemas das áreas de apoio, aumentar a participação dos trabalhadores nos proces- sos de tomada de decisão, e para aumentar o grau de satisfação de trabalhadores e usuá- rios. Nesse momento, o GTH decidiu constituir um subgrupo para planejar um serviço de ou- vidoria que acolhesse as críticas e respondes- se às sugestões e demandas dos usuários. Este teria a função também de auxiliar a direção Cartilha da PNH14 Grupo de Trabalho de Humanização
  16. 16. do serviço na localização e transformação dosnós sintomáticos da instituição. Com o tempo, foi delineada a necessidadeprioritária de intervir também na transformaçãodo processo de trabalho e no funcionamentodo pronto-socorro. Para isso, os gerentes im-plicados no PS foram convocados a participardas discussões e decidiu-se por uma maior di-vulgação do debate, ganhando ampla resso-nância em toda a instituição. Na mudança de gestão que se seguiu, esseProjeto ganhou concretude numa reorganiza-ção do PS e, mais, expandiu-se para toda a li-nha de cuidado do hospital, modificando todaa estrutura e os processos de trabalho. O GTH pode ser entendido, nesse exemplo,como um espaço vivo de leitura e ação doSUS, atuando como um motor que “faz pen-sar”, que “faz propor”, em cada serviço, emcada instância gestora, qual é o SUS de todose para todos que queremos construir.Cartilha da PNHGrupo de Trabalho de Humanização 15
  17. 17. A coleção institucional do Ministério da Saúde pode ser acessada na Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde: http://www.saude.gov.br/bvs EDITORA MS Coordenação-Geral de Documentação e Informação/SAA/SE MINISTÉRIO DA SAÚDE(Normalização, revisão, editoração, impressão, acabamento e expedição) SIA, Trecho 4, Lotes 540/610 – CEP: 71200-040 Telefone: (61) 3233-2020 Fax: (61) 3233-9558 E-mail: editora.ms@saude.gov.br Home page: http://www.saude.gov.br/editora Brasília – DF, maio de 2006 OS 0438/2006
  18. 18. I SBN 85-334- 1114- 6 9 788533 411142 Disque Saúde 0800 61 1997Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde www.saude.gov.br/bvs

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