Obesidade e síndrome metabólica + exercícios simulados de cetoacidose diabética<br />Dario Palhares<br />Pediatra do Hospi...
Obesidade<br />Objetivos<br /><ul><li>Reconhecer a obesidade como problema de saúde pública
Reconhecer fatores biológicos e sociais da obesidade
Orientar a prevenção e o tratamento da obesidade</li></li></ul><li>Roteiro<br />Definição<br />Fatores biológicos<br />Fat...
Definição<br />Obesidade é uma desordem metabólica crônica caracterizada pelo excesso de tecido adiposo.<br />
<ul><li>Quantificação do excesso:</li></ul>Há vários métodos:<br />Índice de Massa Corporal: peso (kg)/ altura2 (m) (O IMC...
Quantificação do excesso:<br /><ul><li>Nenhuma medida de gordura é precisa o suficiente para ensaios populacionais: por is...
Ideal: homens: 14 a 20%, mulheres, 19 a 26%
Obesidade: Homens: maior que 25%, mulheres maior que 30%</li></li></ul><li>Quantificação do excesso:<br /><ul><li>O IMC é ...
A impedância elétrica é útil para avaliação do progresso de um programa de ginástica. Ex: ganha ou mantém o peso, mas a po...
Paladar<br />Etologia comparada: os primatas são essencialmente carni/frugívoros<br />O Homo erectusdominou o fogo, o que ...
Paladar<br />Valor nutricional de verduras:<br />Baixo: a maior parte da glicose está sob a forma de celulose. Grandes her...
Paladar<br />Além do fogo, o homem dominou cereais (fonte de amido) e obteve leite.<br />Portanto, o paladar humano é natu...
Paladar<br />Frutas<br />São no geral toleradas; a apreciação a frutas não é inerente; é aprendida.<br />Frutas: são estra...
Acumulam glicose, frutose, sacarose</li></ul>Efeito culinário: os ácidos orgânicos estimulam a salivação e a sensação de f...
Paladar<br />O sistema digestório apresenta um sistema nervoso à parte.<br />Filogeneticamente, a vida animal é primeirame...
Controle hormonal do apetite<br />Ainda muito campo de estudo<br />Dois hormônios apareceram como pontos-chave no controle...
Leptina<br />Assim como a pele é um grande órgão-tecido, o tecido adiposo é um grande órgão endócrino<br />O tecido adipos...
Grelina<br />Peptídio produzido no estômago, nas ilhotas pancreáticas e no hipotálamo<br />Estimula a fome. Quando o estôm...
Fatores sociais<br />Oferta de alimentos<br />Educação alimentar infantil<br />Trabalho corporal<br />
Oferta de alimentos<br />É O FATOR DETERMINANTE PARA A PREVALÊNCIA DE DESNUTRIÇÃO E OBESIDADE!<br />Pela: qualidade do ali...
Oferta de alimentos<br />Qualidade: os carboidratos em geral são fáceis de armazenar: larga oferta.<br />As fontes proteic...
Oferta de alimentos<br />Quantidade: a indústria alimentícia pesquisa e lança no mercado produtos que conquistam os client...
Trabalho<br />FATO: trabalhadores braçais consomem maior quantidade de calorias.<br />MITO: a epidemia de obesidade decorr...
Epidemiologia da obesidade<br />Crescendo no mundo todo<br />MAIS COMUM NAS CAMADAS POBRES (que incluem os trabalhadores b...
Educação alimentar da criança<br />Complexa<br />Educação do paladar a longo prazo<br />Princípios:<br />Horários regrados...
Estratégias epidemiológicas<br />Para o combate à obesidade:<br />Controle da oferta de alimentos industrializados:<br /><...
Restrição à propaganda de alimentos infantis
Restrição à oferta de alimentos hipercalóricos nas escolas
Restrição à propaganda de bebidas alcoólicas
Publicação de tabelas nutricionais em lanchonetes
etc. </li></li></ul><li>Estratégias epidemiológicas<br />b) Educação<br /><ul><li>Educação em geral (escolaridade básica)
Acompanhamento médico dos primeiros anos de vida</li></li></ul><li>Fatores sociais<br />Obesidade: apesar da epidemia, há ...
Fracasso
Descontrole emocional
Falta de autocuidado
Falta de autocontrole
Como se o problema decorresse unicamente do indivíduo, sem um contexto cultural maior.</li></li></ul><li>Fatores econômico...
Fatores econômicos<br />Medicalização preventiva: estudo ASCOT (atorvastatina) por 6 anos, 10 mil pacientes<br />2% do gru...
Mas o remédio ‘não funciona’ em 98% dos pacientes.</li></li></ul><li>Fatores econômicos<br />Muito comum remédios em largo...
Consequências clínicas<br />Se antes da penicilina, os médicos pensavam sifiliticamente,<br />Atualmente, os clínicos deve...
Consequências clínicas<br />Síndrome metabólica: hipertensão arterial + diabetes decorrentes da obesidade.<br />Entre 30 e...
Consequências clínicas<br />Consequências diversas<br />Apneia do sono<br />Cefaleia crônica tensional<br />Osteoartrose<b...
Tratamento<br />Dieta: basta dieta NORMOcalórica<br />Quanto maior a massa corporal, maior a quantidade calórica necessári...
Tratamento<br />Exercícios físicos: combinação de exercícios aeróbios e resistidos. Além de alongamento, coordenação motor...
Tratamento<br />Medicamentos: neurofármacos redutores de apetite. <br />Todos eles atuam no eixo adrenérgico e, em médio a...
Xenical: inibidor da lipase.</li></li></ul><li>Tratamento<br />Cirurgia bariátrica:<br />Para obesidade mórbida (IMC acima...
Referências bibliográficas<br />http://cienciahoje.uol.com.br/resenhas/do-fogo-fez-se-o-homem<br />Isso funciona para você...
Prática: casos simulados de cetoacidose diabética<br />Caso 1: mulher, 14 anos, 60 kg. Chegou passando mal. Pálida, perfus...
Caso simulado 1<br />Exames: gasometria (venosa), glicose, íons, hemograma, EAS.<br />Após coleta: <br />Jejum<br />Inicia...
Caso simulado 1<br />Em 20 minutos, correu um frasco de Ringer. Continua com frio e perfusão lenta. Gasometria: pH = 7,20<...
Caso simulado 1<br />A dose de insulina foi muita. Feito apenas 2 UI de insulina regular EV em bolus.<br />2ª. hora: já co...
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Caso simulado 1<br />4 UI de insulina regular EV. <br />8ª hora: glicemia = 290. Cetonúria negativa.<br />Conduta: <br />
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Obesidade: contexto social. (exercícios de cetoacidose ao final)

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Aula sobre a obesidade em contexto epidêmico. Ao final, casos de cetoacidose diabética

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Obesidade: contexto social. (exercícios de cetoacidose ao final)

  1. 1. Obesidade e síndrome metabólica + exercícios simulados de cetoacidose diabética<br />Dario Palhares<br />Pediatra do Hospital Universitário de Brasília<br />Professor de Medicina da Fameplac<br />dariompm@unb.br<br />
  2. 2. Obesidade<br />Objetivos<br /><ul><li>Reconhecer a obesidade como problema de saúde pública
  3. 3. Reconhecer fatores biológicos e sociais da obesidade
  4. 4. Orientar a prevenção e o tratamento da obesidade</li></li></ul><li>Roteiro<br />Definição<br />Fatores biológicos<br />Fatores sociais<br />Fatores econômicos<br />Consequências clínicas<br />Tratamento<br />
  5. 5. Definição<br />Obesidade é uma desordem metabólica crônica caracterizada pelo excesso de tecido adiposo.<br />
  6. 6. <ul><li>Quantificação do excesso:</li></ul>Há vários métodos:<br />Índice de Massa Corporal: peso (kg)/ altura2 (m) (O IMC é de conhecimento difuso; deixo a cargo do aluno procurar os valores de normalidade, subnutrição, obesidade leve, moderada, mórbida)<br />Medidas da gordura corporal total:<br />b.1) Prega cutânea<br />b.2) Densidade corporal<br />b.3) Diluição de potássio radioativo<br />b.4) Diluição de gases solúveis em gordura<br />b.5) Absormetria de Raios-X<br />b.6) Impedância elétrica<br />b.7) Circunferência abdominal (homens até 102 cm, mulheres até 88 cm)<br />etc. <br />
  7. 7. Quantificação do excesso:<br /><ul><li>Nenhuma medida de gordura é precisa o suficiente para ensaios populacionais: por isso que o IMC é o mais usado (pelo menos é simples e barato).
  8. 8. Ideal: homens: 14 a 20%, mulheres, 19 a 26%
  9. 9. Obesidade: Homens: maior que 25%, mulheres maior que 30%</li></li></ul><li>Quantificação do excesso:<br /><ul><li>O IMC é parâmetro para cirurgia bariátrica, mas IMCs limítrofes se beneficiam com análise da gordura corporal total
  10. 10. A impedância elétrica é útil para avaliação do progresso de um programa de ginástica. Ex: ganha ou mantém o peso, mas a porcentagem de gordura se reduz.</li></li></ul><li>Fatores biológicos<br />1) Paladar: dissociação biológica entre ‘paladar agradável’ e ‘dieta saudável’<br />2) Controle hormonal do apetite e do volume de ingestão de alimentos: sofre influências de neurofármacos. Tanto para aumento como para redução de ingesta.<br />3) Taxa de metabolismo basal: quanto maior a massa muscular, maior o metabolismo basal<br />
  11. 11. Paladar<br />Etologia comparada: os primatas são essencialmente carni/frugívoros<br />O Homo erectusdominou o fogo, o que expandiu a oferta de alimentos (e de armas de guerra)<br />O que é saudável ao ser humano: verduras e frutas<br />
  12. 12. Paladar<br />Valor nutricional de verduras:<br />Baixo: a maior parte da glicose está sob a forma de celulose. Grandes herbívoros albergam simbiontes que digerem a celulose.<br />As plantas produzem vários compostos secundários que conferem rigidez, toxicidade, sabor desagradável: defesa química contra herbivoria<br />O cozimento geralmente inativa tais substâncias e amacia os tecidos vegetais<br />
  13. 13. Paladar<br />Além do fogo, o homem dominou cereais (fonte de amido) e obteve leite.<br />Portanto, o paladar humano é naturalmente voltado a:<br />Carne<br />Leite<br />Ovos<br />Açúcar<br />Sal<br />Gordura<br />
  14. 14. Paladar<br />Frutas<br />São no geral toleradas; a apreciação a frutas não é inerente; é aprendida.<br />Frutas: são estratégias vegetais para a disseminação de sementes, assim:<br /><ul><li>Acumulam ácido cítrico (e outros do ciclo do ácido cítrico)
  15. 15. Acumulam glicose, frutose, sacarose</li></ul>Efeito culinário: os ácidos orgânicos estimulam a salivação e a sensação de fome, ao mesmo tempo que repletam os intermediários do ciclo do ácido cítrico. Os ácidos inorgânicos são menos eficazes em produzir salivação<br />Portanto, as frutas são desenhadas evolutivamente para ao mesmo saciar a fome e dar mais vontade de comer<br />Na culinária: o ácido cítrico é oculto em ‘raspas de limão’, ‘meia polpa de tamarindo’, ‘ervas finas, cebola’, etc.<br />
  16. 16. Paladar<br />O sistema digestório apresenta um sistema nervoso à parte.<br />Filogeneticamente, a vida animal é primeiramente um tubo digestivo.<br />Existem relações inconscientes entre informações provindas do sistema digestório e o encéfalo.<br />Assim: desejo de um alimento específico: o cérebro já aprendeu que aquele alimento tem um determinado nutriente.<br />
  17. 17. Controle hormonal do apetite<br />Ainda muito campo de estudo<br />Dois hormônios apareceram como pontos-chave no controle:<br />Leptina<br />Grelina<br />
  18. 18. Leptina<br />Assim como a pele é um grande órgão-tecido, o tecido adiposo é um grande órgão endócrino<br />O tecido adiposo secreta leptina, que interfere inclusive na produção de POMC (lembram da aula de cortisol?) e atua no hipotálamo, reduzindo a fome. <br />
  19. 19. Grelina<br />Peptídio produzido no estômago, nas ilhotas pancreáticas e no hipotálamo<br />Estimula a fome. Quando o estômago está cheio, a produção de grelina é interrompida<br /><ul><li>Ou seja, fisiologicamente, há um estímulo constante à ingestão de alimento. A leptina seria mais um tranquilizador para o hipotálamo</li></li></ul><li>Taxa de metabolismo basal<br />Em repouso, representa a taxa de consumo de calorias. 70% do metabolismo basal provêm das vísceras.<br />O ganho de massa muscular aumenta o metabolismo basal em 8 a 15%<br />Em repouso: a musculatura consome lipídeos predominantemente (a uma taxa pequena). <br />Esforços intensos: consumo de glicose e glicogênio. Como o estoque de glicogênio é limitado, um esforço intenso é também temporalmente limitado.<br />
  20. 20. Fatores sociais<br />Oferta de alimentos<br />Educação alimentar infantil<br />Trabalho corporal<br />
  21. 21. Oferta de alimentos<br />É O FATOR DETERMINANTE PARA A PREVALÊNCIA DE DESNUTRIÇÃO E OBESIDADE!<br />Pela: qualidade do alimento<br /> quantidade do alimento<br />
  22. 22. Oferta de alimentos<br />Qualidade: os carboidratos em geral são fáceis de armazenar: larga oferta.<br />As fontes proteicas, os vegetais e as frutas deterioram rapidamente: há limitações econômicas na distribuição.<br />
  23. 23. Oferta de alimentos<br />Quantidade: a indústria alimentícia pesquisa e lança no mercado produtos que conquistam os clientes, A PREÇOS BAIXOS.<br />Ex: ácido cítrico em molhos gordurosos, corantes, aromatizantes, balanceamento de receitas, sabores neutros.<br />De qual tipo de alimentos? > de alta densidade calórica e baixo valor nutricional geral<br />
  24. 24. Trabalho<br />FATO: trabalhadores braçais consomem maior quantidade de calorias.<br />MITO: a epidemia de obesidade decorre do avanço tecnológico. <br />
  25. 25. Epidemiologia da obesidade<br />Crescendo no mundo todo<br />MAIS COMUM NAS CAMADAS POBRES (que incluem os trabalhadores braçais)<br />No Brasil: transição epidemiológica: a desnutrição calórica cede à obesidade<br />Até 2 anos (comida de criança): índices consideráveis de subnutrição. Após: obesidade crescente conforme os anos de vida.<br />
  26. 26. Educação alimentar da criança<br />Complexa<br />Educação do paladar a longo prazo<br />Princípios:<br />Horários regrados (porém não rígidos)<br />Oferta contínua de verduras e frutas<br />Acréscimo de verduras na comida em geral (ex: arroz à grega, molho com pimentão e cebola, etc.)<br />
  27. 27. Estratégias epidemiológicas<br />Para o combate à obesidade:<br />Controle da oferta de alimentos industrializados:<br /><ul><li>Subtaxação de produtos hipocalóricos (refrigerantes zero)
  28. 28. Restrição à propaganda de alimentos infantis
  29. 29. Restrição à oferta de alimentos hipercalóricos nas escolas
  30. 30. Restrição à propaganda de bebidas alcoólicas
  31. 31. Publicação de tabelas nutricionais em lanchonetes
  32. 32. etc. </li></li></ul><li>Estratégias epidemiológicas<br />b) Educação<br /><ul><li>Educação em geral (escolaridade básica)
  33. 33. Acompanhamento médico dos primeiros anos de vida</li></li></ul><li>Fatores sociais<br />Obesidade: apesar da epidemia, há estigma cultural. Obesidade é vista como igual a:<br /><ul><li>Pobreza
  34. 34. Fracasso
  35. 35. Descontrole emocional
  36. 36. Falta de autocuidado
  37. 37. Falta de autocontrole
  38. 38. Como se o problema decorresse unicamente do indivíduo, sem um contexto cultural maior.</li></li></ul><li>Fatores econômicos<br />A obesidade é altamente lucrativa.<br />Gera publicações antiobesidade(e também neurotizantes)<br />Gera gastos em saúde<br />Gera consumo de produtos dietéticos<br />Gera consumo de medicamentos preventivos de eficácia duvidosa<br />Discussão das fotos: 1) Boa forma = na medicina do esporte, boa aptidão cardiorrespiratória, força, flexibilidade. 2) A Cláudia Raia é dançarina profissional e portanto, presume-se que esteja em boa forma. Porém, em uma revista chamada Boa Forma, raramente se vêem na capa atletas, dançarinas, profissionais do circo. 3) A modelo da Dieta Jà mostra musculatura totalmente atrofiada; costelas e cristas ilíacas visíveis sob a pele: está na verdade desnutrida. 4) Veja ambas as capas prometendo perder 7, 8 kg: é uma perda considerável, claramente dedicada a um público obeso. 5) Veja o texto “pare de fumar e não engorde”, como se o fumar mantivesse o peso baixo. 6) Por fim, veja o macarrão ao molho, prato muito calórico, na capa das Receitas.<br />
  39. 39. Fatores econômicos<br />Medicalização preventiva: estudo ASCOT (atorvastatina) por 6 anos, 10 mil pacientes<br />2% do grupo tratamento: ataque cardíaco<br />4% do grupo controle: ataque cardíaco<br /><ul><li>Diferença estatística nítida
  40. 40. Mas o remédio ‘não funciona’ em 98% dos pacientes.</li></li></ul><li>Fatores econômicos<br />Muito comum remédios em largos ensaios clínicos avaliarem apenas a resposta hipolipemiante, e não a sobrevida, a redução de eventos cardiovasculares, do diabete...<br />
  41. 41. Consequências clínicas<br />Se antes da penicilina, os médicos pensavam sifiliticamente,<br />Atualmente, os clínicos devem pensar obesamente.<br />Das internações em Clínica Médica, três agentes se sobressaem: tabagismo, etilismo e obesidade. Geralmente, ao mesmo tempo.<br />
  42. 42. Consequências clínicas<br />Síndrome metabólica: hipertensão arterial + diabetes decorrentes da obesidade.<br />Entre 30 e 50% dos obesos desenvolvem síndrome metabólica. Então por que os outro 50 a 70% não a desenvolvem?<br />
  43. 43. Consequências clínicas<br />Consequências diversas<br />Apneia do sono<br />Cefaleia crônica tensional<br />Osteoartrose<br />Esporão calcâneo<br />Hérnia discal<br />Lesão meniscal<br />Dor lombar<br />Cálculos renais<br />Cálculos biliares<br />Refluxo gastroesofágico<br />Percebam a morbidade sobre o sistema locomotor. Círculo vicioso: o corpo se torna mais pesado a si mesmo, tornando ainda mais difícil a prática de exercícios.<br />Mais uma vez, notem a amplitude de temas. O estudante deverá ter lido todo o Tratado de Medicina Interna ANTES de entrar no Internato.<br />
  44. 44. Tratamento<br />Dieta: basta dieta NORMOcalórica<br />Quanto maior a massa corporal, maior a quantidade calórica necessária: a dieta normocalórica traz aos poucos o equilíbrio com o peso<br />Estratégia mais eficaz (cerca de 30 a 40% dos pacientes): Vigilantes do peso. Basicamente, PLANEJAMENTO DIETÉTICO.<br />Ou seja, por dia (ou por semana): elaboração do cardápio.<br />Estratégia de comer a cada 3 horas: para reduzir a sensação de fome. <br />À medida que os adipócitos vão morrendo, eles produzem hormônios que traduzem ‘fome’ ao hipotálamo. Daí que FRACIONAR a dieta previamente planejada permite menor sofrimento<br />Frase de Nélson Rodrigues: ‘A virtude é amarga’<br />Em outras palavras: tratar a obesidade dói. Muito. Por isso ela deve ser prevenida.<br />
  45. 45. Tratamento<br />Exercícios físicos: combinação de exercícios aeróbios e resistidos. Além de alongamento, coordenação motora, relaxamento mental.<br />Atenção! Vários atletas profissionais desenvolvem sobrepeso e obesidade.<br />Papéis funcionais do exercício:<br />Aumentar o consumo metabólico de lipídeos<br />Manter baixa a resistência insulínica<br />Manter baixa a pressão arterial<br />Manter e aumentar a massa muscular<br />Manter e aumentar a massa óssea<br />Manter e otimizar o funcionamento das articulações<br />Reduzir dores osteomusculares<br />Favorecer o deslocamento em situações diversas: na cidade, no campo, na praia, na montanha: LIBERDADE.<br />
  46. 46. Tratamento<br />Medicamentos: neurofármacos redutores de apetite. <br />Todos eles atuam no eixo adrenérgico e, em médio a longo prazo, AUMENTAM a mortalidade por eventos cardiovasculares, além de eficácia inferior a 10%<br /><ul><li>Anfetaminas: sibutramina, fenproporex, mazindol, fentermina, anfepramona
  47. 47. Xenical: inibidor da lipase.</li></li></ul><li>Tratamento<br />Cirurgia bariátrica:<br />Para obesidade mórbida (IMC acima de 40) ou, acima de 35 se houver complicações<br />Mais comum: técnica de Capella<br />Falha terapêutica em médio prazo (5 anos): muitos pacientes começam a ingerir líquidos hipercalóricos, balinhas, etc. <br />
  48. 48. Referências bibliográficas<br />http://cienciahoje.uol.com.br/resenhas/do-fogo-fez-se-o-homem<br />Isso funciona para você? Nicholas Christakis. BMJ Brasil, 2(10): 22. 2009.<br />Metabolicsyndromeand its characteristicsamongobesepatientsattendinganobesityclinic. Termizy H M, Mafauzy M. SingaporeMed J 2009; 50(4):390<br />EndocrinologyandMetabolism. Philip Felig e Lawrence Frohman. USA: McGrawHill, 2001.<br />Medcurso. Diabetes Mellitus, Obesidade, Distúrbios Nutricionais Rio de Janeiro: Medcurso, 2009.<br />Tratado de Endocrinologia. Jean Wilson e Daniel Foster. São Paulo: Editora Manole, 1986.<br />
  49. 49. Prática: casos simulados de cetoacidose diabética<br />Caso 1: mulher, 14 anos, 60 kg. Chegou passando mal. Pálida, perfusão lentificada, tiritando de ‘frio’. Glicemia capilar = 670.<br />Conduta:<br />
  50. 50. Caso simulado 1<br />Exames: gasometria (venosa), glicose, íons, hemograma, EAS.<br />Após coleta: <br />Jejum<br />Iniciar: Ringer 500 mL EV livre, a cada 20 a 30 minutos, até o desaparecimento dos sinais de choque.<br />Dose de insulina: 0,1 U/kg => 6 UI EV em bolus.<br />
  51. 51. Caso simulado 1<br />Em 20 minutos, correu um frasco de Ringer. Continua com frio e perfusão lenta. Gasometria: pH = 7,20<br />Em 1 hora, já correu 1 L de Ringer, já está no terceiro frasco.<br />Hemograma e EAS: não-infeccioso.<br />Glicosúria e cetonúria 4+/4+<br />Glicemia capilar: 520. <br />Conduta:<br />
  52. 52. Caso simulado 1<br />A dose de insulina foi muita. Feito apenas 2 UI de insulina regular EV em bolus.<br />2ª. hora: já correram 2 litros de Ringer. Perfusão melhor, mas ainda lenta. Paciente continua com calafrios. Glicemia capilar: 490<br />Conduta:<br />
  53. 53. Caso simulado 1<br />2 UI de insulina regular EV em bolus. Continua repetindo Ringer.<br />3ª. hora: já recebeu 3 L de Ringer. Já não sente frio, nem sede. Glicemia capilar: 420. Cetonúria: 2+/4+<br />Conduta:<br />
  54. 54. Caso simulado 1<br />2 UI de insulina regular EV em bolus. Soro: apenas para hidratar. Portanto, aH = 120% de Ringer puro: Ringerlactato – EV 115 mL/h.<br />4ª hora: nova gasometria: pH = 7,30. Glicemia: 370. Na = 138, K = 3,0<br />Conduta:<br />
  55. 55. Caso simulado 1<br />2 UI de insulina regular em bolus. Soro: Ringer + 2 mEq de potássio/100 mL da Necessidade hídrica basal<br />Ringerlactato: 500 mL EV 115 mL/h. Acrescentar em cada frasco de Ringer 7 mL de KCl 10%<br />5ª. Hora: glicemia capilar = 260. Cetonúria 2+<br />Conduta<br />
  56. 56. Caso simulado 1<br />2 UI de insulina regular + soro glicosado. aH = 120, Na = 2, K = 3 (arredondando)<br />SG 5%: 450 mL<br />SF 0,9%: 50 mL<br />KCl 10%: 8 mL<br />6 etapas EV 125 mL/h<br />6ª hora: glicemia capilar = 300. cetonúria +<br />Conduta:<br />
  57. 57. Caso simulado 1<br />4 UI de insulina regular (veja que com glicose no soro, a glicemia aumentou).<br />7ª hora: glicose = 280. Cetonúria +<br />Conduta:<br />
  58. 58. Caso simulado 1<br />4 UI de insulina regular EV. <br />8ª hora: glicemia = 290. Cetonúria negativa.<br />Conduta: <br />
  59. 59. Caso simulado 1<br />1) Libera dieta<br />2) Meia hora antes da dieta, suspender soro<br />3) Glicemia capilar antes do desjejum, do almoço, do jantar e às 02:00 da manhã<br />Insulina regular SC conforme glicemia:<br />Entre 150 e 300: 2 UI <br /> De 300 a 400: 4 UI<br /> Maior que 400: 6 UI.<br />Se glicemia menor que 70, chamar plantonista<br />
  60. 60. Caso simulado 2<br />Caso 2: Lactente de 1a6m, 13 kg, chorando muito. A mãe notou que ele tem feito muito xixi desde ontem. Palido, irritadiço, inquieto. Glicemia capilar = 550.<br />Conduta:<br />
  61. 61. Caso simulado 2<br />Exames: hemograma, EAS, gasometria (pode ser venosa), íons<br />Correr: etapas de 20 mL/kg em 20 a 30 minutos, até desaparecer os sinais de choque.<br />Insulina regular: 0,1 UI/kg EV em bolus, a cada hora.<br />Ringerlactato: 250 mL EV livre<br />2 UI de insulina<br />
  62. 62. Caso simulado 2<br />Aos 20 minutos: pH = 6,7 Já correu uma etapa de Ringer. Repetida outra etapa<br />1ª hora: glicemia capilar 530<br />Conduta:<br />
  63. 63. Caso simulado 2<br />A dose de insulina foi pouca. Vamos esperar a reidratação do paciente antes de infundir bicarbonato. <br />4 UI de insulina regular. Repetir Ringer.<br />2ª hora: glicemia = 470. Perfusão imediata, já menos irritadiço<br />Conduta:<br />
  64. 64. Caso simulado 2<br />4 UI de insulina EV em bolus. Nova gasometria. pH = 7,2. Hidratação: aH = 120%. Ringer EV 60 mL/h (arredondando)<br />3ª hora: glicemia = 400. Chegaram os íons da admissão. Na = 128, K = 3,7.<br />Conduta:<br />
  65. 65. Caso simulado 2<br />Insulina regular 4UI EV em bolus. Manter hidratação<br />4ª hora: glicemia: 320. Cetonúria +<br />Conduta:<br />
  66. 66. Caso simulado 2<br />Repetir insulina. Nova gasometria e íons.<br />5ª hora: glicemia: 230. gasometria: pH = 7,36. Na = 132, K = 3,4<br />Conduta:<br />
  67. 67. Caso simulado 2<br />Iniciar soro com glicose. Após preparar o soro, aplicar 4UI de insulina regular. Soro: aH = 120, Na = 3, K = 2 (arredondando)<br />SG 5% - 300 mL<br />SF 0,9% - 76 mL<br />KCl 10% - 5,7 mL<br />3 etapas, EV 48 mL/h<br />6ª. hora: glicemia = 220. cetonúria negativa<br />Conduta:<br />
  68. 68. Caso simulado 2<br />Liberar dieta.<br />Suspender soro meia hora antes da dieta<br />Glicemia capilar ao desjejum, antes do almoço, do jantar e às 02:00<br />Insulina regular conforme esquema:<br />De 150 a 300: 4 UI SC<br />De 300 a 400: 6 UI SC<br />Maior que 400: 8 UI SC<br />Se menor que 70,chamar plantonista.<br />

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