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10. Ballone GJ. Sexo nos Idosos. 2002. Disponível em: 
<http://sites.uol.com.br/gballone/sexo/sexo65.html>. Acesso em: 12 ...
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  1. 1. A VISÃO DO IDOSO SOBRE SUA SEXUALIDADE: uma contribuição da Enfermagem ELDERLY ON THE VISION OF HIS SEXUALITY: a contribution of nursing ANCIANO EN LA VISIÓN DE SU SEXUALIDAD: una contribución de la enfermería Fernando José Guedes da Silva Júnior 1 Ana Cléia de Sousa Marques2 Lorena Magalhães Macedo3 Taís Dantas Nogueira Barbosa4 Francisca Cecília Viana Rocha5 RESUMO Este estudo objetivou: descrever a visão do idoso sobre sua sexualidade; identificar como o idoso vivencia sua sexualidade; e, analisar os fatores que interferem na sua sexualidade. Trata-se de um estudo tem uma abordagem qualitativa, descritiva e exploratória. Realizada na Praça Rio Branco, em Teresina (PI), os sujeitos foram 20 idosos entre 60 a 85 anos e a produção dos dados realizada através de um roteiro semi-estruturado. A sexualidade é um assunto delicado e difícil de falar à vontade em uma consulta, porém é evidente que este problema faz parte da vida de todos. Sendo preocupante os tabus e idéias sobre a sexualidade nos idosos, bem como a falta de preparo dos profissionais em lhe dá com esse tema. Palavras chave: Enfermagem. Idoso. Saúde sexual e reprodutiva. ABSTRACT This study aimed to: describe the vision of the elderly about their sexuality, identifying how the elderly experience their sexuality, and analyze the factors that interfere with their sexuality. This is a study is a qualitative, descriptive and exploratory. Held in the Plaza Rio Branco, in Teresina (PI), the subjects were 20 elderly patients between 60 to 85 years and production of data held by a semi-structured script. Sexuality is a delicate subject and difficult to talk at ease in a query, but it is clear that this problem is part of life for all. As concern the taboos and ideas about sexuality in the elderly and the lack of preparation of professionals with him on that subject. Keywords: Nursing. Elderly. Sexual and reproductive health. RESUMÉN Este estudio tuvo como objetivo: describir la visión de las personas de edad acerca de su sexualidad, para determinar cómo las personas mayores disfrutar de su sexualidad, y analizar los factores que interfieren con su sexualidad. Este es un estudio cualitativo, descriptivo y exploratorio. Celebrada en la Plaza de Río Branco, en Teresina (PI), los sujetos fueron 20 pacientes de edad avanzada entre 60 a 85 años y la producción de datos en poder de una entrevista semi-estructurada secuencia de comandos. La sexualidad es un tema delicado y difícil de hablar a gusto en una consulta, pero es evidente que este problema es parte de la vida para todos. Como preocupación de los tabúes e ideas acerca de la sexualidad en los ancianos y la falta de preparación de profesionales con él sobre ese tema. Palabras clave: Enfermería. Anciano. Salud sexual y reproductiva. 1 Graduando em Enfermagem pela Universidade Federal do Piauí (UFPI). Email: fernandoguedes123@hotmail.com Endereço: Rua Alcides Freitas, 648, Matinha. CEP: 64003-150. 2 Enfermeira pela Faculdade de Saúde, Ciências Humanas e Tecnológicas do Piauí (NOVAFAPI). 3 Enfermeira pela Faculdade de Saúde, Ciências Humanas e Tecnológicas do Piauí (NOVAFAPI). 4 Enfermeira pela Faculdade de Saúde, Ciências Humanas e Tecnológicas do Piauí (NOVAFAPI). 5 Enfermeira, Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), Professora da Faculdade de Saúde, Ciências Humanas e Tecnológicas do Piauí (NOVAFAPI). 195 Trabalho 1332 - 1/13
  2. 2. 1 INTRODUÇÃO O envelhecimento, antes considerado um fenômeno, hoje, faz parte da realidade da maioria das sociedades. Este é definido como um processo seqüencial individual, acumulativo, irreversível, universal, não patológico de deterioração de um organismo maduro, próprio a todos os membros de uma espécie (1). É considerado idoso, nos países em desenvolvimento, toda pessoa com 60 anos ou mais, e em países desenvolvidos com 65 anos. Em todo mundo essa situação gera demanda de cunha político, social, educacional, e da saúde, motivo pelo qual qualquer reflexão sobre os idosos deve abranger diversas áreas do conhecimento. Devemos ter em mente que envelhecemos de diferentes maneiras e que nem todas as pessoas da mesma faixa etária apresentam características semelhantes (2). O processo de envelhecimento delimita mudanças expressivas de ordem individual, familiar e social, cada uma com seus significados e relevâncias. Ao envelhecer, o idoso e sua família mudam, adquirindo determinados direitos legais e perdendo outros pelas dificuldades orgânicas e mentais trazidas pelo envelhecimento (3). O envelhecimento é um processo indutivo de varias mudanças no individuo, nomeadamente ao nível físico, mental e social. Essas mudanças tendem a afetar a expressão da sexualidade na medida em que se torna necessário para a pessoa idosa redefinir objetivos, ou seja, reconhecer que está numa nova fase do ciclo vital, e que tal como as anteriores, está associada a determinados “acontecimentos padrão”, crises de desenvolvimentos próprias da fase em questão (4). O processo de envelhecer está associado a uma maior suscetibilidade física e emocional. É certo que a expressão dessas suscetibilidades encontra-se na dependência da complexa interação de fatores físicos, psicológicos, sociais, econômicos e culturais, tornando o envelhecer, por um lado, um processo extremamente individualizado, e por outro, marcado pelos padrões sócio-culturais de uma época (5). A sexualidade tem sofrido mudanças profundas desde os anos 1960. Mas do que uma revolução sexual trata-se de uma individualização de comportamentos e de normas, paralelamente a outras transformações da sociedade e da família, em um contexto de dissociação radical entre a procriação e a sexualidade. As trajetórias e experiências sexuais diversificam-se intensamente no decorrer da vida e torna-se um dos elementos principais da construção dos indivíduos, inscrito em relacionamento cada vez, mas mutáveis (6). 196 Trabalho 1332 - 2/13
  3. 3. Cumpre referir que a sexualidade é enquadrada em uma esfera especifica, mas não autônoma do comportamento humano, que compreende atos, relacionamentos e significados (6). É o não sexual que confere significado ao sexual nunca o inverso. O prolongamento da vida sexual ate idades mais avançadas corresponde a uma mudança marcante das ultimas décadas do século 20. Está ligada a ampliação da expectativa de vida em boa saúde, a melhoria da condição social das pessoas idosas, a difusão do ideal de juventude e á possibilidade de os mais velhos aproveitarem tanto a sociabilidade quanto os lazeres autônomos, não se limitando mais a freqüentar a própria família. Essa autonomia maior da terceira idade provocou recuo dos preconceitos tradicionais contra a sexualidade na velhice. A sexualidade é uma característica humana que não se perde com o tempo, mas vai se desenhando, conforme a historia vivenciada pelo corpo vivente em sua trajetória existencial (4). Fica explicito pelo exposto que a sexualidade não se limita apenas à reação aos estímulos eróticos; ela ultrapassa o ato sexual, uma vez que inclui o amor, o carinho, a troca de palavra, o toque, o compartilhar entre as pessoas que se expressam e se percebem como homens ou mulheres, independente da imagem apresentada, da tatuagem feita pela postura, pelo tempo e apresentada pelo cabelo grisalho, pelas rugas, e outras alterações decorrentes do processo de envelhecimento. Assim compreende-se que a sexualidade é dimensão humana que está presente em toda a trajetória existencial, podendo ser vivenciada de diferentes maneiras em cada momento, manifestando-se mediante a expressão do corpo, ou seja, da corporeidade. Quando falamos de nossas emoções, afetos, pensamentos, projetos, valores e julgamentos, estamos falando de um mundo singular, de um mundo de registros a partir de vivencias, do mundo psicológicos de cada sujeito (8). O sentido subjetivo da sexualidade na terceira idade é um tema complexo, que envolve valores humanos, filosóficos, sociais e religiosos, e é constituído simultaneamente pela subjetividade individual e social, em uma visão que permite enxergar, de maneira distinta, profunda, recursiva, contraditória e multidimensional o caráter de sua constituição. Um estudo (8) mostra que 74% dos homens e 56% das mulheres casadas mantêm vida sexual ativa após os 60 anos. A identificação de disfunção nessa área pode ser indicativa de problemas psicológicos, fisiológicos ou ambos. Muitas das alterações sexuais que ocorrem com o avançar da idade podem ser resolvidas com orientação e educação. Alguns problemas comuns também podem afetar o desempenho sexual: artrites, diabetes, fadiga, medo de infarto, efeitos colaterais de fármacos e álcool. Embora a freqüência e a intensidade da atividade sexual possam mudar ao longo da vida, 197 Trabalho 1332 - 3/13
  4. 4. problemas na capacidade de desfrutar prazer nas relações sexuais não devem ser considerados como parte normal do envelhecimento e deve-se fazer a investigação de doenças sexualmente transmissíveis/AIDS em pessoas idosas sexualmente ativas. Nascemos como sujeitos sexuados e desfrutamos do sexo/sexualidade de maneira diferente de acordo com a etapa de nossa vida, mas infelizmente a sociedade como um todo, e as pessoas de modo individual, tendem a pensar que o sexo/sexualidade pertencem ao mundo dos jovens, relegando os indivíduos da terceira idade ao amor platônico ou a abstinência sexual. Este tipo de preconceito cumpre a função de freio à sexualidade, estabelece um tabu e ignora o fato de que podemos ser sexualmente ativos, dando e recebendo prazer durante toda nossa vida, de maneira diferenciada sim, mas não menos prazerosa. É fato que a maioria das pessoas apresenta uma diminuição das atividades sexuais, o que não significa um decaimento da capacidade de amar, de ter, dar e receber prazer (9). Nos idosos a função sexual está comprometida, em primeiro lugar, pelas mudanças fisiológicas e anatômicas do organismo produzidas pelo envelhecimento. São mudanças fisiológicas que devemos distinguir das alterações patológicas na atividade sexual causadas pelas diferentes doenças e/ou por seus tratamentos. Os estudos médicos demonstram que a maior parte das pessoas de idade avançada é perfeitamente capaz de ter relações sexuais e de sentir prazer nas mesmas atividades que se entregam as pessoas mais jovens (10). Este trabalho justifica-se pelo fato de a sexualidade ser um tema comumente negligenciado, pouco conhecido e menos entendido pela sociedade, pelos próprios idosos e pelos profissionais da saúde. O interesse em desenvolver esta pesquisa surgiu devido a curiosidade em conhecer como o idoso vive sua sexualidade, além dos preconceitos e tabus que recaem sobre os idosos quando este tema é abordado, bem como pelo pouco interesse dos profissionais de saúde pelo tema e da pouca realização de trabalhos ainda com esta temática. A atividade sexual nos idosos tem sido considerada inapropriada por largos segmentos de nossa sociedade, desde a família até a mídia. Alguns entendem a atividade sexual nos idosos até mesmo como imoral. Nossa cultura aceita mal a existência de sexualidade nos idosos, e quando eles apresentam qualquer manifestação de interesse sexual, são freqüentemente discriminados. Nesse sentido é importante destacar que durante o processo de envelhecimento há uma diminuição das atividades, sobretudo aquelas relacionadas à profissão, motivo pelo qual devemos como profissionais da área de saúde, ampliar a possibilidade de 198 Trabalho 1332 - 4/13
  5. 5. realização de atividades lúdicas, de lazer, que contribuam com os idosos na manutenção da saúde, e, conseqüentemente, na melhora da qualidade de vida. A ampliação das atividades de lazer cria a possibilidade para que o idoso faça escolhas prazerosas que propiciem a manifestação da sexualidade, e ocupe seu tempo de maneira criativa, de forma a mantê-lo ativo. Esta situação de mudança de rotina e ocupação do tempo parece ser um grande desafio para os idosos. O cuidado é o fundamento da ciência e da arte da Enfermagem. Este cuidar é uma atividade que vai além do atendimento às necessidades básicas do ser humano no momento em que ele está fragilizado, é o compromisso com o cuidado existencial que envolve também o auto-cuidado, a auto-estima, a auto-valorização, a cidadania do outro e da própria pessoa que cuida. Portanto, como enfermeiro inserido no cenário da saúde, precisamos conhecer as peculiaridades dos corpos idosos viventes, para a partir daí podermos contribuir, ajudar e orientar essa clientela, a conviver com a sexualidade nesta fase da vida. Para tanto faz-se necessário respeitar suas singularidades e limitações, sem esquecer de reconhecer e incentivar as possibilidades de cada um durante o processo de envelhecimento, e contemplar ações de cuidados direcionadas à promoção de saúde e bem estar, e não apenas um procedimento técnico voltado para as doenças e medicações. Nesse contexto a pesquisa tem como objeto de estudo: A Visão do idoso sobre sua sexualidade. Para nortear essa pesquisa elaborou-se a seguinte questão norteadora: Qual a visão do idoso sobre sua sexualidade? Para responder a estes questionamentos elaborou-se os seguintes objetivos: Descrever a visão do idoso sobre sua sexualidade; Identificar como o idoso vivencia sua sexualidade; Analisar os fatores que interferem na sua sexualidade. 2 METODOLOGIA O presente estudo tem uma abordagem qualitativa, caráter descritivo e exploratório. Foi realizada na Praça Rio Branco, localizada no centro da cidade de Teresina – PI, a qual foi fundada em 1910, atualmente é frequentada por idosos, aposentados de diversas repartições públicas e privadas, para momentos de descontração com os colegas, sendo esta atividade considerada por eles como um lazer, onde os mesmos relembram suas histórias e momentos vividos, mantém-se informados sobre as atualidades, através de jornais, revistas, livros e periódicos, sendo que alguns vão no sentido se estabelecer vínculos interpessoais afetivos. 199 Trabalho 1332 - 5/13
  6. 6. Os sujeitos da pesquisa foram 20 idosos (homens) entre 60 a 85 anos de idade que foram entrevistados de forma aleatória, ou seja, de acordo com a demanda da população alvo e que aceitaram participar, mediante Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, conforme preconiza a Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde (CNS). A produção dos dados foi realizada através após aprovação no Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Saúde Ciências Humanas e Tecnológicas do Piauí (NOVAFAPI) através do Parecer Nº 0114.0.043.000-08. Utilizou-se de um roteiro semi-estruturado e um gravador MP3 para registro das falas dos entrevistados e posteriormente transcritas integralmente. A análise dos dados ocorreu de forma em que foram categorizadas as falas dos entrevistados, conforme os pressupostos metodológicos explicitados por Minayo (11). 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO DOS DADOS Através dos relatos dos idosos que freqüentam a Praça Rio Branco em Teresina-Pi, os relatados mostram que estes ao serem questionados sobre a sua visão em relação a sexualidade, o que pensam e como estão agindo e vivendo a sua sexualidade, sendo possível obter uma visão geral em relação ao seu entendimento Após a análise, emergiram-se as seguintes categorias: Entendimento da sexualidade como o ato sexual “sexo”; Sexualidade vivida pelo contato com mulher jovem; Preocupação quanto à escolha da parceira e; Decréscimo e/ou Ausência na potencia sexual. Entendimento da sexualidade como o ato sexual “sexo”. Pelo que pôde ser observado nas entrevistas realizadas, a sexualidade é entendida pelos idosos como o puro ato sexual “sexo”. Isso demonstra a pouca compreensão pelos idosos sobre o que venha a ser a sexualidade como está demonstrado nas falas que se seguem: [...] Sexualidade é uma vida para as pessoas de idade, quem não possui uma vida sexual fica esmorecido, sem animo. É muito bom é vida, já pensou; uma pessoa que sempre andou de bicicleta e de repente não poder mais andar, uma pessoa que costuma a caminhar 2000 metros e de repente não conseguir mais, o cara fica desagradável (D 2). [...] Sexualidade pra mim é o ato sexual, é o prazer que agente sente, é o toque que nos leva ao prazer, ao orgasmo (D 17). 200 Trabalho 1332 - 6/13
  7. 7. [...] É, sexualidade é uma brincadeira né, você tem um relacionamento né, de fantasia, dentro do sexo, porque o sexo em seguir é o órgão genital pra as pessoas e já a sexualidade é uma brincadeira dentro do amor, o que o amor nos permite. Acho importante, saudável e é o começo da vida (D 6). O envelhecimento não compromete necessariamente a sexualidade e não está de modo algum comprovado que esta termine na terceira idade. O termo sexualidade não é sinônimo de ato sexual. A sexualidade envolve muito mais, ela pressupõe amor, carinho, sensualidade, fantasia e inteligência (4). Deve-se considerar que a estrutura e função do sistema reprodutor sofrem modificações, devido a mudanças hormonais, tanto no homem quanto na mulher, no decorrer da vida. Mas o ancião, saudável, ativo ou debilitado, possui necessidade de expressar sua sexualidade, pois esta é intrínseca do ser humano. A sexualidade compreende amor, calor, partilha e o toque entre as pessoas, não apenas o ato físico da relação sexual. A libido não diminui, mas a freqüência da atividade sexual pode ser reduzida. A mulher idosa que não compreende as alterações físicas que afetam a atividade sexual pode pensar que sua vida sexual está chegando a um fim natural com o início da menopausa, “por outro lado, o homem idoso descobre alterações na firmeza da ereção, tem menor necessidade de ejaculação em cada orgasmo ou maior período de recuperação entre cada intercurso sexual” (12). Sexualidade vivida pelo contato com mulher jovem. Apesar da existência de medicamentos que podem ser utilizados para o estímulo da sexualidade, os idosos entrevistados, afirmaram que o importante para os mesmo é o contato com a mulher jovem e carinhosa, identificados nos discursos que seguem: [...] É mais agradável minha filha quando a pessoa tem um contato com uma mulher nova, bonita, educada, carinhosa, qualquer pessoa sente prazer muito embora não tenha mas a atuação constante, difícil, mas lá um dia acontece (D 1). [...] Me perguntam: rapaz você só quer conviver com menina nova? Rapaz é porque com elas é que me sinto bem, e se diz o seguinte: capim novo é quem levanta burro velho! - Eu ouvi um cientista dizer, não existe Viagra, mulher jovem é quem faz o homem velho ficar jovem (D 3). [...] O que me chama atenção mesmo é a mulher nova e bonita. Pois a mulher nova leva agente a loucura, faz o que a mulher de casa não faz (D 18) 201 Trabalho 1332 - 7/13
  8. 8. Principalmente por parte do homem idoso, o processo de envelhecimento tende a ser mais depressivo, pois ele tem maior dificuldade para conviver com limitações da idade, entre elas as sexuais. Nesse sentido, o uso do medicamento abre uma nova perspectiva ao fazer o indivíduo recuperar a confiança que tinha na capacidade sexual em etapas passadas da sua vida (13). É freqüente que os homens idosos procurem mulheres mais jovens como parceiras sexuais, porém considera-se ridículo quando mulheres idosas se envolvem, sexualmente, com homens mais jovens. Na realidade, o idoso continua tendo impulso e atividade sexual, embora haja alterações, devido às mudanças fisiológicas, expectativas socioculturais, problemas de saúde e medicações (12). Algumas percepções da sexualidade no idoso: para os homens idosos, a relação com mulheres mais jovens representava um aumento da virilidade ou um prolongamento da vida; os homens idosos sexualmente ativos, eram vistos praticando auto-ilusão, devido à sua inabilidade em atrair mulheres e ter uma relação sexual; o homem idoso só possuía acesso ao sexo através do seu poder de compra e status social; homens idosos que tentavam manter uma vida sexualmente ativa eram considerados engraçados e objetos de humor e ainda, homens idosos eram tolos (14). Preocupação quanto à escolha da parceira Os idosos participantes da pesquisa demonstraram preocupação quanto à escolha da parceira, devido às doenças sexualmente transmissíveis e aos golpes financeiros que alguns idosos já sofreram. [...] Não tenho namorada e deixei pelo seguinte, porque aqui é o seguinte o mundo está cheio de gente ruim, e uma vez fui roubado no motel e é muito desagradável né e agente não vai chamar a polícia para não escandalizar e então num caso desse é calar e abandonar.. É muito importante pra gente, porque o que aparece de piranha por aqui, principalmente para pegar os cartões dos velhos (D 1). [...] sou preocupado com as pessoas que me relaciono, tenho medo dessas doenças feias e também dos golpes que essas bichinhas aqui da praça ficam tentando passar na gente. Confesso, uma vez uma arrasou comigo, me iludiu e ainda me roubou,olha só a vergonha, pois tive que ligar para o meu filho e me buscar e pagar a conta no motel. Pode? Logo eu (D 16). 202 Trabalho 1332 - 8/13
  9. 9. [...] Vivo bem, inclusive eu como viúvo tenho uma parceira, uma namorada né, quer dizer eu tenho um relacionamento saudável com ela viu. Apesar que eu não tenho nada contra a mulher prostituta, mais eu acho que é uma coisa que não é sadia (D 6). O aumento progressivo das doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e do vírus da imunodeficiência adquirida (HIV/Aids) na população idosa, revela que essa morbidade constitui um dos novos problemas de saúde pública. Em termos de Brasil, verifica-se que há progressiva elevação no número de casos notificados de Aids, havendo aumento significativo, nas últimas décadas, entre a população que se encontra na faixa etária superior a 60 anos, se comparada aos mais jovens, na qual há inclusive redução em algumas faixas etárias. As questões relativas aos conhecimentos que idosos possuem acerca das DSTs e HIV/Aids apresenta relevância, tendo em vista a progressiva elevação no número de idosos em nosso país (12). A prevenção às DST/AIDS entre os idosos é algo muito complexo. Primeiro porque os idosos não são assexuados, como muitos pensam. Depois, os profissionais que lidam com este público têm muita dificuldade em abordar a sexualidade. E por último, o preservativo não faz parte da realidade deles e as campanhas realizadas pelo governo são voltadas aos jovens. Decréscimo e ou ausência na potência sexual Através das entrevistas realizadas, puderam-se identificar pela análise das falas, que o decréscimo e/oi ausência da potência sexual é o fator que mais interfere na sexualidade do idoso. [...] A falta do principal, que é a ereção é o que mais interfere na minha sexualidade, porque o resto agente consegue, o carinho essa coisa toda, mais a ereção é um negócio meio complicada, acabou, acabou, é a natureza e tem que se conformar. (D 1). [...] Pois é, meu principal problema é esse, pois não consigo mais com tanta facilidade, pois com o passar dos anos vocês sabem o organismo vai ficando lento, lento e esse órgão é o primeiro que esmolece, mais eu consigo ainda, com muita luta e pois não é que funciona (D 19). [...] Pois você deve saber que não funciona como antigamente, procuro não tomar remédio, pois tenho medo de morrer. Tento, tento, é uma luta mais consigo. Mais tem uma coisa, o carinho, o estímulo é muito importante, a mulher é essencial, ela precisa estimular pois, o fator natural, a dificuldade da ereção atrapalha, interfere muito , além dos problemas de saúde que tenho (D 14). 203 Trabalho 1332 - 9/13
  10. 10. Com a idade há uma diminuição progressiva da atividade sexual no indivíduo são, causadas pela intervenção das mudanças fisiológicas normais devidas ao envelhecimento em inter-relação com os fatores psicossociais. Por outro lado, também se produz um aumento da prevalência de disfunções sexuais devidas a causas médicas, psicológicas e/ou como efeito secundário da medicação administrada. Nessa situação pode ser difícil diferenciar as mudanças normais relacionados com a idade dos sintomas devidos a alguma patologia. Qualquer sinal de impotência provoca grande preocupação nos homens em geral e no idoso em particular se esta alteração for erroneamente tida como um caminho inexorável da senilidade fará com que o idoso não consulte os especialistas. Entretanto, depois dos importantes avanços médicos com respeito à sexualidade na última década, tem aumentado consideravelmente o número de idosos que buscam ajuda especializada para o tratamento das disfunções eréteis (10). 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS A falta de informação sobre o processo de envelhecimento, assim como das mudanças na sexualidade, em diferentes faixas etárias e especialmente na velhice, têm auxiliado a manutenção de preconceitos que, conseqüentemente, trouxeram muitas estagnações das atividades sexuais das pessoas com mais idade. Mesmo ocorrendo mudanças nas áreas sociais, política e médica, os preconceitos em relação à atividade sexual precisam ser discutidos e analisados, visando uma melhor explicação e orientação das verdadeiras mudanças existentes no comportamento sexual do idoso, para que este grupo possa não se sentir culpado pelos seus desejos sexuais, independentemente da forma de sua manifestação. Durante anos, a discussão e educação sobre a sexualidade eram evitadas e a bibliografia e informação sobre o assunto era mínima e geralmente mantida a sete chaves, uma vez que o interesse sobre sexo era considerado pecaminoso e altamente impróprio. Esta pesquisa nos fez compreender que as expressões de afeto, carinho, sensação de aconchego, capacidade de amar e o desejo por intimidade não acabam em nenhuma idade, e que podem ser realizados por toda a vida e sua manifestação é vital para o desenvolvimento das pessoas de mais idade, proporcionando-lhes auto-estima e realização pessoal. 204 Trabalho 1332 - 10/13
  11. 11. Quanto aos sentidos da sexualidade: afetividade, auto-estima e companheirismo, concluímos que podem fazer parte desta etapa de vida, dependendo do próprio sujeito, de sua subjetivação ao longo de suas experiências. Entendemos que esses elementos constitutivos de uma sexualidade saudável devem ser valorizados e desenvolvidos por todos. Na velhice, é fundamental que exista uma boa perspectiva relacionada com a sexualidade e que se tenha a consciência de que esta é muito mais do que um ato físico. A sexualidade não deve, portanto, ser confundida com relação sexual, que é apenas uma das componentes da sexualidade. Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, “o amor, o calor, o carinho e o compartilhar entre as pessoas” são exemplos claros da complexidade da sexualidade. A pesquisa apresentada permitiu alcançar os objetivos propostos, pois os idosos pesquisados, mostraram seu entendimento relacionado a sexualidade nesta nova etapa da vida, expondo assim, a sua intimidade e experiência sexual, visto que quando os temas sexo e idosos são confrontados, reaparece a ignorância e o preconceito. Ressaltamos ainda, a grande dificuldade que tivemos durante a pesquisa, de abordar o tema em questão, devido aos tabus, aos preconceitos, e à cultura que os idosos trazem consigo. Percebeu-se que, quando um homem e uma mulher idosos estabelecem qualquer tipo de conduta sexual e a mantêm em idades avançadas sofrem uma pressão social negativa, uma vez que a maioria da população considera que as suas funções sexuais não deveriam simplesmente existir, chegando mesmo a ridicularizá-los quando estes demonstram qualquer interesse pela sexualidade. A realização deste trabalho trouxe-nos muito prazer e gratificação, pois o contato com os sujeitos participantes gerou-nos novos conhecimentos sobre a sexualidade, de que é um crescimento contínuo e que pode ser realizada sempre, já que estudar aspectos relacionados à sexualidade na terceira idade é sem dúvida estudar o nosso futuro e abrir possibilidades e perspectivas para um novo modo de ser, pois sabemos e temos consciência da importância que a sexualidade exerce sobre nossas vidas e nossos relacionamentos. Deste modo, é importante frisar que a sexualidade é um assunto delicado e difícil de falar à vontade em uma consulta, porém é evidente que este problema faz parte da vida de todos. Sendo preocupante os tabus e idéias sobre a sexualidade nos idosos, bem como a falta de preparo dos profissionais em lhe dá com esse tema. Conclui-se que a enfermagem tem plena capacidade de trabalhar este assunto, fazendo um bem enorme para essa clientela, ouvindo-os, aconselhando-os a se 205 Trabalho 1332 - 11/13
  12. 12. motivarem para terem uma vida saudável, expressando sua sexualidade da melhor forma possível e, vendo-os como seres completos em todos os aspectos. REFERÊNCIAS 1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Envelhecimento e saúde da pessoa idosa. Brasília. 2006. 192 p. il. – (Série A. Normas e Manuais Técnicos) (Cadernos de Atenção Básica, n. 19). 2. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Perfil dos idosos responsáveis pelos domicílios no Brasil. Brasil, 2002. Disponível em: <www.ibge.gov.br>. Acesso em: 17. Abr. 2008. 3. Figueiredo NMA, Tonini T. Gerontologia: atuação da enfermagem no processo de envelhecimento. São Caetano do Sul (SP):Yendis, 2006. 4. Vicente N. Sexualidade na Terceira Idade. Desenvolvimento do Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova Lisboa, Portugal. 2005. Disponível em: <http://www.psicologia.com.pt/artigos>. Acesso em: 25 de março, 2008. 21:25hrs. 5. Guerreiro TE, Rodrigues R. Envelhecimento bem sucedido: utopia, realidade ou possibilidade: Uma abordagem Transdisciplinar da Questão Cognitiva. Rio de Janeiro.1999. 6. Bozon M. Sociologia da sexualidade Rio de Janeiro: Editora FGV, 2004. 7. Coelho AVR. O Sentido Subjetivo da Sexualidade na Terceira Idade. (Dissertação de Mestrado em Psicologia) Universidade Católica de Goiás. 2006. 8. Caldas CP. A dimensão existencial da pessoa idosa e seu cuidador. 2000. Disponível em: <http://www.unati.uerj.br/tse/scielo.php>. Acesso em: 27 de outubro, 2008. 22:00hrs. 9. Bonança P. Sexualidade e Tabu na terceira idade. 2006. Disponível em: <http://www.profissionaldasaude.com>. Acesso em: 1 de novembro, 2008. 10:00hrs. 206 Trabalho 1332 - 12/13
  13. 13. 10. Ballone GJ. Sexo nos Idosos. 2002. Disponível em: <http://sites.uol.com.br/gballone/sexo/sexo65.html>. Acesso em: 12 outubro 2008. 11. Minayo MCS. Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 24. ed. Petrópolis: Vozes, 2007. 12. Leite MT, Moura C, Berlezi EM. Doenças sexualmente transmissíveis e HIV/AIDS na opinião de idosos que participam de grupos de terceira idade. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, 2007, Brasília, 10(3): 321-327. 13. Costa M. O Viagra e a busca da juventude perdida. 2008. Disponível em: <http://www,velhosamigos.com.br>. Acesso em 14/10/08 as 20:50 hrs. 14. Risman A. Sexualidade e Terceira Idade: uma visão histórico-cultural. 2005. Disponível em: <http://www.unati.uerj.br/tse/scielo> . Acesso em: 25 de outubro , 2008. 16:00hrs. 207 Trabalho 1332 - 13/13

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