SUMÁRIO                                        Sumário          	       Prefácio.............................................
PREFÁCIO           Prefácio           Por Cibele Keiko Goh                 	       Chegamos ao fim do semestre, o minuano ...
PERFIL         Danilo Rolim de Moura         Dra. Denise Marques Mota           	       Quando me pediram para escrever so...
RAM - ENTREVISTA                   Dr. José Luiz Pozo Raymundo                   Por Anna Maria Garcia Cardoso          	 ...
terísticas mecânicas da cápsula anterior do           JR: Sou casado com uma Caribenha que seombro de coelhos”), que a for...
ARTIGOS                     ATENÇÃO PRIMÁRIA EM SAÚDE: ESPECIFICIDADE DO                     ATENDIMENTO NA UBS VILA MUNIC...
Introdução                                          ma de saúde.   A importância da Humanização                           ...
faixa etária de 0-4 anos a freqüência de consultas    tares e sua real necessidade. No município dena UBS é maior entre as...
camentos, além de promover o uso racional e o         65,0% do total de pacientes atendidos, númeroacesso aos medicamentos...
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12   RAM - Revista Acadêmica de Medicina - 1º Semestre de 2012 - Pelotas/RS
ARTIGOS                      A TELEMEDICINA NO ENSINO DA DERMATOLOGIA                      The Telemedicine in the Teachin...
Introdução                                          conexão entre as equipes lotadas em ambas às                          ...
são apresentados através de imagens e históriaclínica dermatológica, e dessa forma   os acadê-                            ...
ARTIGOS                      FIBROSSARCOMA DA GLÂNDULA                      TIREÓIDE - RELATO DE CASO                     ...
Introdução                                           com importante atividade mitótica, tratando-se                       ...
casos. Entretanto, a paciente aqui mencionada          marcada pelo anticorpo Ki-67, pôde-se detectarapresentou o aparecim...
ARTIGOS                      LASER DE ARGÔNIO NO TRATAMENTO DE LESÕES                      VASCULARES DA FACE             ...
Introdução                                           ro aparelho de laser de ruby foi apresentado por                     ...
superfície, e da absorção dos fótons pelo tecido      dado para não lesar ou perfurar estruturas maisirradiado (essa absor...
dos a reaplicações de laser de argônio em 15 e 30    autor e pelos pacientes. Considerou-se resultadodias, com intensidade...
RAM 2012/1
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  • Interesante presentacion sobre oftalmologia costa rica, me fue de mucha utilidad ya que estoy iniciando mis estudios en oftalmologia, si están interesados comparto con ustedes el sitio http://medicoscr.net/78-oftalmologia.html donde encontrarán un directorio de especialistas en esta área, saludos y espero ver más aportes.
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RAM 2012/1

  1. 1. SUMÁRIO Sumário Prefácio.............................................................................................. 02 Perfil Danilo Rolim de Moura...................................................................03 RAM Entrevista Dr. José Luiz Pozo Raymundo.........................................................04 ARTIGOS ATENÇÃO PRIMÁRIA EM SAÚDE: ESPECIFICIDADE DO ATENDIMENTO NA UBS VILA MUNICIPAL........................................06 A TELEMEDICINA NO ENSINO DA DERMATOLOGIA ..................................................................................13 FIBROSSARCOMA DA GLÂNDULA TIREÓIDE - RELATO DE CASO.............................................................16 LASER DE ARGÔNIO NO TRATAMENTO DE LESÕES VASCULARES DA FACE.......................................................................19 PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DOS PACIENTES ATENDIDOS NA UBS CSU AREAL EM PELOTAS, RS...................................................25 Informações ao Autor........................................................................29 Expediente............................................................................................30 RAM - Revista Acadêmica de Medicina - 1º Semestre de 2012 - Pelotas/RS 01
  2. 2. PREFÁCIO Prefácio Por Cibele Keiko Goh Chegamos ao fim do semestre, o minuano dando indí- cios de chegada em breve, as férias já precipitando em nos- sos corações angustiados pelas provas finais e ainda assim conseguimos lançar a tempo nosso segundo número da RAM. Dizem que é muito bom fundar algo, mas o melhor mesmo é ver todo aquele trabalho duro dando resultado no fim das contas, e é isso que tenho para contar a vocês nesse edito- rial. Graças à receptividade que tivemos semestre passado, tanto pelos acadêmicos quanto pelos professores e pela pró- pria universidade, é que estamos novamente aqui, cumprin- do o dever que impomos a esse veículo: fomentar a produção científica. Somente de nos darmos conta que tivemos um núme- ro bastante significativo de inscritos para publicação e de que a maioria unânime dos professores tem o prazer de colaborar conosco, vemos que estamos realmente nos direcionando a algum lugar. Queremos que todo e qualquer acadêmico publique sua pesquisa em nossa revista, na TUA revista. Te inscreve na próxima edição, o teu artigo será lido, relido, corrigido, e além de receber críticas construtivas a fim de melhorar o teu trabalho, podes publicar na RAM. Com cada vez mais publica- ções poderemos um dia chegar a ser um periódico renoma- do, quem sabe até mesmo ser indexado! Para aqueles que querem conhecer mais sobre a RAM e a nossa história, nos procurem. Os membros do conselho editorial sempre estão abertos a sugestões e opiniões para que melhoremos a cada nova edição. Ah, e o convite para participar da elaboração da RAM está sempre aberto! Manda teu email para revistaram@gmail.com e tira tuas dúvidas, venha conhecer como se faz uma revista científica, ajuda é sempre bem-vinda! A homenagem maior desta edição é para o falecido Dr. Danilo, grande professor e pediatra, responsável pela con- cepção de um dos únicos núcleos de Neurodesenvolvimento do Rio Grande do Sul, relembrado na memória de todos e nas belas palavras da Dra. Denise Mota. A imagem da capa desta edição é do projeto do nosso tão sonhado hospital universitário, que já tem suas obras ini- ciadas em meados de maio e que contará com uma estrutura fenomenal, equivalente aos profissionais e futuros profissio- nais que lá atuarão. Boas férias e boa leitura a todos. Um abraço, Cibele Goh. 02 RAM - Revista Acadêmica de Medicina - 1º Semestre de 2012 - Pelotas/RS
  3. 3. PERFIL Danilo Rolim de Moura Dra. Denise Marques Mota Quando me pediram para escrever sobre o Danilo, pensei em vários textos e nenhum me agradou. Levei um tempo maior do que geralmente levo quando me pedem para escrever sobre algum tema. Escrever sobre o Danilo também me remeteu aos fatos mais marcantes da minha vida: início da ativi- dade profissional como pediatra e da maternidade (ele foi o pediatra dos meus filhos). Quem já passou pela pediatria sabe o que significa este profissional na vida de cada criança e de sua família. Esta tarefa foi difícil, mas vamos lá. Para iniciar, não vou falar sobre a trajetória oficial de sua carreira, pois encontramos esta descrição em detalhes no currículo lattes dele (que ainda está on line). Prefiro falar do Danilo como pessoa e das coisas que só quem conviveu com ele no dia a dia, pode relatar. Ele transformou sua história comum em verdadeiro exemplo de criati- vidade, ousadia e coragem. Iniciamos juntos a nossa atividade pediátrica no corpo clinico da Sociedade Portuguesa de Beneficência, local que estava ne- cessitando novos profissionais com a ida do serviço pediátrico, até então com professores da UFPEL, para a FAU no prédio atual. Criamos um novo serviço de pediatria e ele, com seu jeito inovador e político, resolveu que iria criar uma UTI neonatal e pediátrica, e criou. Na criação desta UTI, já se podia observar que ele era diferente dos demais. Estimulou vários de nós pediatras, que não tínhamos formação em UTI nas residências da época, a acreditarmos no nosso potencial e desabrochar para este novo desafio. E foi com um grupo de pedia- tras, que compartilhava os mesmos anseios, que ele criou e chefiou a UTI até iniciar suas atividades no ambulatório de pediatria da UFPEL. Este grupo se manteve até o fechamento da UTI em 2003. No ambulatório, foi mudando o seu objetivo de trabalho à medida que entendia que o foco anterior já poderia seguir o seu caminho. Queria sempre mais, parecia que tinha uma “inquietação no corpo”, como as crianças com TDAH com suas mentes inquietas que ele tanto ajudou. Foi avaliando lacunas de atendimento que iniciou um trabalho pioneiro na nossa cidade, trabalhan- do com um grupo de crianças muito difícil para nós pediatras, que não tí- nhamos a formação adequada nesta área(autistas, crianças com dificul- dades escolares, crianças com déficit mental). Criou o Centro de Neuro- desenvolvimento, agregando várias áreas da saúde para poder oferecer a estas crianças e suas famílias tudo que elas precisam. Quando ficou do- ente, não se entregou e continuou lutando contra a doença e contra as dificuldades inerentes para manu- tenção de um serviço de referência. E conseguiu. Pena que não pode per- manecer e avaliar a grandeza deste feito. 2011 foi um ano muito difí- cil para nós, amigos e colegas, pois iniciamos uma mudança importante em nosso serviço, agregamos mais profissionais e, ao mesmo tempo, sabíamos que teríamos que continu- ar sem ele. RAM - Revista Acadêmica de Medicina - 1º Semestre de 2012 - Pelotas/RS 03
  4. 4. RAM - ENTREVISTA Dr. José Luiz Pozo Raymundo Por Anna Maria Garcia Cardoso Professor Associado da UFPel desde 1997, o Dr. José Ray- mundo formou-se em Medicina na Universidade Católica de Pelo- tas em 1976. No ano de 1978 concluiu sua residência em Ortopedia e Traumatologia no Hospital Sara Kubistchek. Em 1995, terminou o mestrado na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e, em 2007, tornou-se Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP). Além disso, é médico supervisor do Esporte Clube Pe- lotas - RS.Tem experiência na área de Medicina esportiva, atuando principalmente nos seguintes áreas: Medicina esportiva, ombro, joelho e terceira idade. RAM: Quando e como surgiu o interesse pela os atletas tem características próprias, pois área de Ortopedia e Traumatologia? vivem da sua boa integridade física e do tem- po, isto nos coloca a submetê-los a um trata- JR: Logo após concluir o primeiro ano da fa- mento intensivo. culdade quando me identifiquei com a cadei- ra de Anatomia. RAM: Como surgiu o interesse em realizar pesquisas? Durante a faculdade, o senhor foi RAM: Desde 2003 o senhor é Médico Super- estimulado de alguma forma? visor do Departamento Médico no Esporte Clube Pelotas (ECP). Além disso, o senhor JR: Sempre segui grandes mestres e via que, possui clínica. Qual é a diferença ao tratar um junto com eles, estava a pesquisa, pois que- atleta profissional de futebol e uma pessoa riam saber o porquê das coisas. não atleta em seu consultório? RAM: Conclui-se, em sua tese de doutora- JR: No atleta duas coisas tem importância: do (“Efeitos da Radiofreqüência nas carac- 04 RAM - Revista Acadêmica de Medicina - 1º Semestre de 2012 - Pelotas/RS
  5. 5. terísticas mecânicas da cápsula anterior do JR: Sou casado com uma Caribenha que seombro de coelhos”), que a força máxima e chama Mariela, minha parceira me apóia ema rigidez da cápsula anterior de ombros de qualquer momento, além do mais me deucoelhos vivos, submetidas à radiofreqüência uma fortuna que é o Gabriel e a Verônica,em um único ponto, diminui após cinqüenta que me sustentam com carinho afeto e medias. Qual é a dificuldade de, após realizar aceitam como sou.uma pesquisa em coelhos, aplicá-la em sereshumanos? RAM: Quais são as características neces- sárias para um bom pesquisador? O que oJR: Os modelos experimentais nos dão a senhor sugere para graduandos que se inte-certificação de uma nova técnica, se compen- ressam por pesquisas? Quais são as oportu-sa ou não o ser humano utilizá-lo. A dificul- nidades que eles têm que aproveitar durantedade é concluir o trabalho dentro de concei- o tempo de graduação?tos éticos tanto para o modelo experimentalcomo para os humanos. JR: Honestidade e Persistência. Que busquem as oportunidades antes de elas lhe encontra-RAM: Em 2004, saiu no Caderno de Saúde rem sempre tentem saber o porquê das coi-Pública, um artigo realizado pela Epidemio- sas, não aceitem os produtos embalsamados,logia da UFPel cujo nome era “Dor lombar engessados que nos oferecem, questionemcrônica em uma população adulta do Sul do as coisas e as pessoas para abrir sua imagi-Brasil: prevalência e fatores associados”. Este nação.trabalho analisava especificamente a popula-ção pelotense. O senhor tem um projeto depesquisa desde 2008 que visa ao atendimen-to da demanda de problemas da coluna ver-tebral, tanto da população infantil quanto daadulta no ambulatório da Faculdade de Medi-cina da UFPel. A procura pelo atendimento noambulatório é muito grande? Como poderiaser realizado um trabalho de prevenção?JR: A prevenção passa pela correção dos há-bitos errôneos que a sociedade moderna nosimpõe. Acredito que cada vez mais o acessoao desprotegido deva ser oferecido os inte-resses políticos devem ficar para outras coi-sas que com a saúde.RAM: Em sua opinião, como será o futuro daspesquisas médicas? Quais áreas irão desen-volver mais tecnologias aplicadas ao atendi-mento primário?JR: A genética e a biologia molecular. A ci-ência tem cada vez mais que ser discutidaintracelularmente, para manipularmos as so-luções adaptativas a qual as doenças sãoimpostas.RAM: O senhor já teve alguns trabalhos pre-miados pela Sociedade de Ortopedia e trau-matologia do Rio Grande do Sul (SOTRS). Nasua opinião, qual é a melhor forma de reco-nhecimento para um pesquisador?JR: A Sociedade Gaúcha nos premiou assimcomo a Sociedade Brasileira e a Sul America-na. O momento de glória vem como resultadode um esforço de noites acordadas e preo-cupações. O reconhecimento é você podercontribuir com o resultado de seu trabalho le-vando benefício ao ser humano ou a algumacomunidade.RAM: Como o senhor concilia a carreira demédico, professor, pesquisador e sua família? RAM - Revista Acadêmica de Medicina - 1º Semestre de 2012 - Pelotas/RS 05
  6. 6. ARTIGOS ATENÇÃO PRIMÁRIA EM SAÚDE: ESPECIFICIDADE DO ATENDIMENTO NA UBS VILA MUNICIPAL Primary Health Care: specificity of care in the Vila Municipal UBS CARRARO, Ana Carolina1 ALVES, Camila Siqueira1 VALENTE, Ellen Simionato1 HIRES, Emmanuel da Fonte de1 BERTOLI, Luisa Carolina Zanluca1 ALBERGG, Rayane Ferreira1 Resumo Objetivo: Descrever a faixa etária, sexo, principais queixas, pedidos de exames complementares, medicamentos prescritos e a prevalência da Hipertensão no atendimento na unidade básica de saúde Vila Municipal na cidade de Pelotas – Rio Grande do Sul. Métodos e Casuística: Entre os meses de agosto a novembro de 2011, foi realizado um estudo de demanda com base nas consultas realizadas na UBS Vila Municipal. Posteriormente, os dados foram categorizados e rotulados segundo os objetivos do estudo e efetuou-se a análise descritiva das variáveis. Resultados: Dos pacientes atendidos, 65% eram mulheres e, em ambos os sexos, a faixa etária predominante é de 40 a 59 anos; em 37,8% das consultas foram pedidos exames complementares, dentro destes 48,8% foram exames laboratoriais; 73,4% consultas com medicamentos prescritos, sendo os anti-inflamatórios 28,8% do total; em re- lação a hipertensão, 28,5% dos pacientes são hipertensos, em sua maioria mulheres 28,7%, faixa etária de 40 a 59 anos a mais afetada, com predileção feminina; as principais queixas foram nas áreas de Dermatologia(18,9%),Clínica Médica (16%) e Gastroenterologia e Psiquiatria (ambas com 9%). Conclusão: O estudo propõe-se a mostrar o perfil do atendimento em uma unidade básica de saúde, o que é de extrema importância para os profissionais da área. Palavras-chave: Estudo de demanda. Unidade básica de saúde. Atendimento primário. População alvo. Hipertensão. Abstract Objective: To describe the age, sex, chief complaints, requests for laboratory tests, prescription drugs and the prevalence of hypertension in meeting the basic health unit in Vila Municipal in the city of Pelotas – Rio Grande do Sul. Methods and Sample: Between the months of August to November 2011, there was a demand study based on consultations at UBS Vila Municipal. Subsequently, data were categorized and labeled in accordance with the objectives of the study and performed the analysis of descriptive variables. Results: Of the patients enrolled, 65% were women, and in both sexes, the pre- dominant age range were 40 to 59 years and in 37,8% of consultations were requested exams, 48,8% were within these laboratory tests; 73,4% consultations with prescription drugs, andanti- inflamma- tory 28,8% of the total, while for hypertension, 28,5% are hypertensive patients, and mostly women 28,7%, age 40-59 years the most affected, with female predominance, the main complaints were in the areas of Dermatology (18,9%), Internal Medicine (16%) and Gatroenterology and Psychiatry (both 9%). Conclusion: The study aims to show the profile of care at basic health unit, wich is extremely important for health care professionals. Keywords: Demand Study. Basic health unit. Primary care. Target population. Hypertension. ¹Acadêmicos de Medicina da Universidade Federal de Pelotas. Disciplina de Medicina de Comunidade, Departamento de Medicina Social, FAMED, UFPel. 06 RAM - Revista Acadêmica de Medicina - 1º Semestre de 2012 - Pelotas/RS
  7. 7. Introdução ma de saúde. A importância da Humanização se justifica pela necessidade de democratizar as A Atenção Primária à Saúde (APS) foi relações que envolvem o atendimento ao paci-definida pela OMS em 1978 como “atenção es- ente, melhoria da comunicação do profissional desencial à saúde baseada em tecnologia e métodos saúde, e o desafio de uma nova ordem relacionalpráticos, cientificamente comprovados e social- pautada pelo diálogo.7mente aceitáveis, tornados universalmente aces- Com base no exposto, foi realizado um es-síveis a indivíduos e famílias na comunidade, por tudo de demanda a fim de conhecer o perfil demeios aceitáveis para eles e a um custo que tanto uma parcela da população atendida no serviço dea comunidade quanto o país possa arcar em cada saúde em um dado período. O estudo visou traçarestágio de seu desenvolvimento. É parte integral o perfil da população atendida, principais motivosdo sistema de saúde do país, do qual é função de atendimento, diagnósticos e medicamentoscentral, sendo o enfoque principal do desenvolvi- utilizados. Este trabalho busca descrever a faixamento social e econômico global da comunidade. etária e o sexo da população atendida, as princi-É o primeiro nível de contato dos indivíduos, da pais queixas, os pedidos de exames complemen-família e da comunidade com o sistema nacional tares, os medicamentos prescritos e a prevalênciade saúde, levando a atenção à saúde o mais próx- da Hipertensão no atendimento na unidade básicaimo possível do local onde as pessoas vivem e tra- de saúde estudada na cidade Pelotas – Rio Grandebalham, construindo o primeiro elemento de um do Sul. processo de atenção continuada à saúde” (Decla-ração de Alma-Ata).1 Consiste em práticas geren-ciais e sanitárias, democráticas e participativas, Métodos e Casuísticasob a forma de trabalho em equipes, dirigidas às Foi realizado um estudo de demanda, uti-populações de territórios delimitados, pelos quais lizando-se os dados obtidos, durante o segundoassumem responsabilidade.2 Os princípios funda- semestre do ano de 2011, em atendimentos real-mentais da atenção básica no Brasil são integrali- izados na UBS Vila Municipal, na cidade de Pelo-dade, equidade e participação social. tas. O Programa de Saúde da Família (PSF)/ Foram incluídos no estudo indivíduos deEstratégia de Saúde da Família (ESF), criado em todas as faixas etárias, de ambos os sexos, aten-1994, pelo Ministério da Saúde, é uma estratégia didos na UBS Vila Municipal em consultas clínicas,de reorientação do modelo assistencial, através pediátricas, de puericultura, de pré-natal, visitasda implantação de equipes multiprofissionais em domiciliares e procedimentos.Unidades Básicas de Saúde (UBS), que são re- As variáveis estudadas foram: sexo, idade,sponsáveis por acompanhar um número definido exames complementares, prescrição de medica-de famílias em uma área geográfica delimitada. As mentos, prevalência de hipertensão e queixa prin-equipes são em geral compostas por no mínimo cipal.um médico da família, um enfermeiro, um auxiliar Os dados coletados durante as consultasde enfermagem e seis agentes comunitários de foram registrados nos computadores da UBS Vilasaúde, e podem ainda contar com um dentista, Municipal através do programa EpiData. Foi re-auxiliar e técnico em higiene dental. Essas equipes alizada preparação, categorização e/ou rotulaçãoatuam em ações de promoção de saúde, preven- das variáveis segundo os objetivos do estudo.ção, recuperação, reabilitação de doenças e agra- Posteriormente se efetuou a análise descritiva dasvos mais frequentes, com o objetivo de manter variáveis por meio de medidas de distribuição dea saúde daquela comunidade através do enfoque frequência.familiar, entendido este em suas concepções es- O trabalho em questão prezou por res-trutural e dinâmica. A população limite para que peitar a privacidade e garantir o caráter confiden-cada equipe acompanhe é de 4 mil habitantes.3,4 cial das informações, visto que elas foram obti- A qualidade do serviço oferecido pelo SUS, das através de consultas médicas realizadas pelosno que tange à Atenção Primária à Saúde, pode acadêmicos e orientadas por docentes da discip-ser definida como acessível e equitativa, com um lina de Medicina de Comunidade.nível profissional ótimo, tendo em conta os recur-sos disponíveis, de forma a alcançar a adesão e a Resultados e Discussãosatisfação do usuário do sistema. Espera-se queos serviços atendam às necessidades de saúde Sexo e Idadedefinidas tecnicamente, contemplando o amplo Os atendimentos registrados foram reali-espectro das suas atribuições, tal como a pro- zados pelo grupo no período de 23/08 a 11/10moção, a prevenção, a assistência e a reabilita- (nas terças e quartas-feiras pela manhã) O núme-ção.6 ro total de atendimentos foi de 220, sendo que o A proposta da Humanização tem especial número de mulheres foi significantemente maiorrelevância na Atenção Primária à Saúde devido à que o de homens, obtendo-se 143 consultas femi-extensão da rede de serviços e atuação nas de- ninas e 77 masculinas em número absoluto, commandas de saúde mais frequentes, exercendo a idades que foram de menos de 1 ano até maisfunção de porta de entrada do paciente no siste- de 80 anos. Como mostram as Tabelas 1 e 2, na RAM - Revista Acadêmica de Medicina - 1º Semestre de 2012 - Pelotas/RS 07
  8. 8. faixa etária de 0-4 anos a freqüência de consultas tares e sua real necessidade. No município dena UBS é maior entre as pessoas de sexo mascu- Pelotas, segundo dados da Secretaria de Saúde,lino e a partir da faixa de 5-9 anos de idade há cerca de 50% das consultas médicas realizadasuma inversão desse quadro com predominância em Unidades Básicas de Saúde geram solicitaçãode consultas femininas. de exames complementares, o que está de acordo Os resultados obtidos confirmam o padrão com os Parâmetros Assistenciais do Sistema Úni-desigual de condições de saúde, entre homens e co de Saúde (PAS/SUS) do Ministério da Saúde domulheres. Mostrando que a esperança de vida ao Brasil. Esses parâmetros definem que entre 30 enascer, e em outras idades são sempre menores 50% das consultas ambulatoriais poderão gerarentre os homens.¹³ pedidos de exames complementares.8 A maior prevalência de mulheres demons- O Ministério da Saúde, através da Portariatrado na Tabela 2, está de acordo com o encon- número 1101/GM de junho de 2002, traz os parâ-trado em outros estudos de demanda aos ser- metros assistenciais no SUS para gestores no pla-viços de saúde, muito provavelmente, isto está nejamento, regulação e avaliação do SUS. Essaassociado a fatores culturais ou sociais. O fato de portaria traz que a cada 100 consultas ambula-caber à mulher, em geral, acompanhar crianças, toriais poderão ser gerados de 30 a 50 examesadolescentes e idosos a esses serviços de saúde, laboratoriais, 5 a 8 radiografias e 1 a 1,5 ultra-além de, em determinado período de sua vida, sonografia.9frequentar o pré-natal, faz com que ela se torne, No presente trabalho, analisando-se osprovavelmente, mais predisposta à utilização des- dados obtidos por registro de consultas na UBSses serviços.11 Vila Municipal da cidade de Pelotas, das 222 con-Observa-se que a presença de homens nos servi- sultas realizadas, em 84 foram solicitados examesços de atenção primária à saúde é menor do que a complementares, totalizando 37,84%. Este valordas mulheres a partir da faixa etária de 5-9 anos. encontra-se de acordo com os valores propostosHá uma redução da participação do grupo mascu- pelo Ministério da Saúde através dos Parâmetroslino a partir dessa faixa de idade. Assistenciais do Sistema Único de Saúde (PAS/ Um aspecto importante associado à baixa SUS).procura de homens por atendimento de saúde em Como mostra a Figura 1, desses 84 exa-relação às mulheres está vinculado a falta de con- mes complementares solicitados, 41 foram exa-sultas de caráter preventivo.12 mes laboratoriais (48,8%), 10 exames radio- A diferença da proporção de atendimento gráficos (11,9%), 6 exames eletrocardiográficostorna-se mais elevada entre a faixa etária de 20- (7,1%), 5 ecográficos (5,9%) e 22 outros exames39 anos em que os homens atendidos equivalem (26,1%).a 6,8% enquanto as mulheres chegam ao dobro Do total de 84 exames complementares solicita-com 15% de consultas. dos, 55 foram solicitados para pacientes do sexo Os dados da pesquisa reforçam, de certa feminino (65,4%), e 29 para pacientes do sexoforma, a idéia de outros estudos, que associam a masculino (34,5%).pouca procura por serviços de saúde por parte de De acordo com a Figura 2, dos 41 exameshomens, e também a baixa expectativa de vida laboratoriais solicitados, 28 foram de pacientesentre os mesmos.13 mulheres (68,2%) e 13 de pacientes homens (31,7%). Dos 6 eletrocardiogramas solicitados,Exames Complementares 66% foram de pacientes do sexo feminino. E den- A solicitação de exames complementares tre os 22 outros exames solicitados que não foramtem como objetivo dar consistência às informa- especificados, 17 foram de mulheres (77,2%) e 5ções obtidas durante a anamnese e exame físico de homens (22,7%). Apenas nos exames de ra-no ato da consulta médica. A tecnologia aplicada diografias e ecografias houve maior proporção deà saúde proporciona diversas opções de exames solicitação de exames para o sexo masculino.para investigação diagnóstica, sendo uma práti- A distribuição de exames complementa-ca muito popularizada entre pacientes e médicos. res de acordo com faixas etárias, como mostraPorém existem riscos ligados à prática de exage- a Tabela 3, teve maior número de exames com-rar no número e indicação de exames comple- plementares solicitados na faixa de 26 a 50 anosmentares, como: custo financeiro, tanto para o (40,4%) e menor número de solicitações para apaciente quanto para o sistema; o menosprezo faixa de 76 anos ou mais (7,1%).pelo exame clínico; o aumento exagerado da de-manda de pedidos, sobrecarregando laboratórios Prescrição de Medicamentose outros serviços; atraso no diagnóstico, em situ- No setor da saúde, os medicamentos re-ações em que a evidência clínica seria suficiente; presentam um instrumento essencial para a ca-e, por fim, diagnósticos equivocados, consideran- pacidade resolutiva dos serviços prestados, re-do-se que cada exame solicitado apresenta va- presentando o segundo maior gasto dentro doriadas proporções de resultados falso-positivos e Sistema Único de Saúde (SUS) perdendo apenasfalso-negativos.8 para os recursos humanos.10 No Brasil, a políti- No Brasil ainda são escassos os estudos ca de medicamentos tem como objetivo garantirreferentes à solicitação de exames complemen- a eficácia, a segurança e a qualidade dos medi- 08 RAM - Revista Acadêmica de Medicina - 1º Semestre de 2012 - Pelotas/RS
  9. 9. camentos, além de promover o uso racional e o 65,0% do total de pacientes atendidos, númeroacesso aos medicamentos essenciais (básicos e superior à fração de homens (34,9%).indispensáveis para atender a maioria dos proble- A principal explicação para que o núme-mas de saúde da população).10 Estes medicamen- ro de mulheres seja maior que o de homens nostos devem estar disponíveis continuamente aos diversos dados apresentados deve-se ao fato deque deles necessitem. A qualidade e quantidade que a maioria dos pacientes que procuram o sis-do consumo de medicamentos estão sob ação di- tema de saúde é mulher. Além de se preocuparemreta da prescrição, sendo que esta sofre inúmeras mais com a própria saúde, procuram o serviço deinfluências, como oferta de produtos, expectati- saúde com uma assiduidade maior que a dos ho-vas dos pacientes até a propaganda de indústrias mens, e por isso dominam o número de atendi-produtoras.10 mentos e de patologias descobertas. Em função A prescrição é um documento legal, pelo disso, o número reduzido de homens faz com quequal se responsabilizam quem prescreve e dispen- as porcentagens dos dados referentes a eles pa-sa o medicamento, envolvendo questões de âm- reçam maiores que as das mulheres, o que não ébito legal, técnico e clínico, estando seus respon- verdade, o que acontece é que o maior númerosáveis sujeitos à legislação de controle e às ações de dados referentes às mulheres faz com que suade vigilância sanitária.10 Uma boa prescrição ou porcentagem final fique diluída. A prevalência deum tratamento bem escolhido, deve conter o mí- HAS na população maior que 20 anos são de 15nimo de medicamentos possível, mínimos efeitos a 20%, obtemos resultados de maior proporçãocolaterais, inexistência de contra-indicações, ação principalmente porque as pessoas que procuramrápida, forma farmacêutica apropriada, posologia o sistema de saúde já se encontram conscientessimples e por um curto espaço de tempo.10 de sua patologia, o que pode não acontecer com a No estudo em questão, do total de 222 população em geral. Estima-se que 30% das pes-consultas realizadas, houve prescrição de medica- soas com HAS não saibam que tem a patologia.14mentos em 163 destas, representando 73,4% do Outro dado de interesse é o reduzido nú-total. Como mostra a Figura 3, destas 163 pres- mero de pessoas com mais de 80 anos. Emboracrições, 47 foram de anti-inflamatórios (28,8%), se saiba que a população esteja envelhecendo,42 de psicofármacos (25,7%), 34 de analgésicos tanto a nível nacional como mundial, o reduzido(20,8%), 32 de anti-hipertensivos (19,6%), 19 número de atendimentos com pessoas nessa faixade antibióticos (11,6%), 9 de hipoglicemiantes etária pode demonstrar que ainda são poucas as(5,5%) e 65 de outros medicamentos não espe- pessoas que chegam a essa idade, principalmentecificados (39,8%). em se tratando do serviço de saúde pública, que atende a população mais humilde e que enfrentaHipertensão dificuldades para cuidar da saúde de forma apro- A maioria dos pacientes estudados foram priada. Portanto a diminuição do número de pes-mulheres, tanto no número total de atendimentos soas nessa faixa etária pode ser justificada.- 143 - (64,7%), quanto no número de pacientes A literatura de referência ainda fala que aque se encaixavam no parâmetro Hipertensão - prevalência de HAS em idosos aumenta para a41 - (28,6%) do presente estudo. ordem de 65%, entretanto a isso não se reflete Na Tabela 4, podemos perceber que tanto nos dados, tendo a população adulta com umapara homens, como para mulheres a maior pre- prevalência maior, pois em algumas áreas o aces-valência de hipertensão se dá nas faixas etárias so ao sistema de saúde ainda é dificultado, muitasentre 40 e 59 anos de vida (47,6%) e entre 60 vezes impedindo a população mais idosa de con-e 79 anos (42,9%). Nas faixas etárias entre 40 e seguir uma consulta e consequentemente ter sua59 anos, e mais de 80 anos, o número absoluto patologia detectada.14de homens é menor que o de mulheres, embora A pouca variação entre os sexos nas dife-suas porcentagens sejam maiores, o que pode ter rentes faixas etárias vai ao encontro da literaturarelação com a maior procura dos serviços de saú- no que diz respeito a pouca influência do sexo nade pelas mulheres. Em ambas as faixas de idade, prevalência de HAS. O que se pode dizer, entre-a maioria de pacientes também foi maior no sexo tanto, é que os homens em geral desenvolvemfeminino, em números absolutos. Na população a doença por volta da quarta década de vida,com 80 anos ou mais, nota-se uma queda brusca enquanto nas mulheres isso ocorre por volta datanto no percentual, como no número absoluto de quinta ou sexta década, após a menopausa, pelapessoas, por ser esta a fatia da população mais diminuição do mecanismo protetor do estrogêniovelha e consequentemente com menor número de nos vasos sanguíneos.15representantes. A Tabela 4 descreve, também, o núme- Queixa principalro de pacientes que tinham, ou não a patologia, As queixas principais das consultas forampor sexo. Assim, de um total de 221 pacientes dispostas em 18 categorias conforme a área daatendidos no decorrer do semestre, e posterior Medicina: Cardiologia (15 queixas), Clínica Geralcomputação de dados, 63 pacientes (28,5%) se (39 queixas), Ginecologia (16 queixas), Derma-encaixaram no parâmetro Hipertenso. Desses tologia (46 queixas), Endocrinologia (2 queixas),63 pacientes, 41 são mulheres, representando Gastroenterologia (22 queixas), Hematologia (2 RAM - Revista Acadêmica de Medicina - 1º Semestre de 2012 - Pelotas/RS 09
  10. 10. queixas), Nefrologia (6 queixas), Neurologia (1 ços nessa área.queixa), Oncologia (2 queixas), Ortopedia (20 A prevalência de queixas por eczemas équeixas), Otorrinolaringologia (6 queixas), Pneu- aproximada à encontrada em um artigo que ava-mologia (14 queixas), Psiquiatria (22 queixas) e liou a frequência dos diagnósticos dermatológicosOutros (30 queixas) – Figura 4. na UBS São José em Campinas/SP. Como resul- As queixas foram catalogadas sem levar tado de 80% de consultas na UBS por queixasem conta a idade do paciente. Foram obtidas e dermatológicas, 11,3% referiam-se a eczemas,contabilizadas no total 243 queixas. Queixas comprovando que é uma patologia dermatológi-abrangendo sintomas gerais, como “dor de cabe- ca frequente.18 Porém os resultados a respeitoça” ou “febre” foram incluídas na categoria Clínica de consultas referentes à acne entre o estudo daGeral, assim como atendimentos para Puericultu- UBS São José e da UBS Vila Municipal discorda-ra (acompanhamento de crescimento e saúde in- ram quanto à incidência dessa patologia, pois nofantil). A categoria “Outros” refere-se a consultas artigo referido a acne teve como resultado 5,9%para realização de procedimentos, requerimento de atendimentos, enquanto no estudo de deman-de receitas e medicações e resultados de exames. da na UBS de Pelotas foi de 8,6%. As três áreas com maior incidência de A alta prevalência de cefaléia na populaçãoqueixas foram Dermatologia, Clínica geral e Psi- estudada, quando comparada a uma comunidadequiatria. A categoria Outros também teve gran- da Amazônia brasileira, mostra-se mais elevada,de número de atendimentos, porém por se tratar sendo de 17,9% em Pelotas e de 9,0% na comu-mais de aspectos burocráticos e práticos do que nidade amazônica19. Essa diferença pode ter sidode queixas em si, não será abordada. Dessas três encontrada, pois no estudo da região amazônicacategorias selecionadas, foram separadas as prin- foi levado em conta apenas os casos de cefaléiacipais queixas citadas. Os problemas citados não crônica, e também por divergências de hábito decorrespondem à totalidade de queixas nessas áre- vida e ambientais entre as populações.as, mas são os relatados com maior frequência. Juntamente com a cefaléia, a depressão foi Em Dermatologia, das 46 queixas, as a patologia mais encontrada neste estudo. Dentreprincipais foram acne e eczema (citadas 4 vezes os distúrbios psiquiátricos, na literatura, depres-cada), seguidas de prurido em diversas áreas do são é sempre citada entre os mais frequentes. Hácorpo (3 vezes), melasma (2 vezes), verrugas (2 estudos que indicam que essa doença ocupa se-vezes) e manchas na pele em geral (2 vezes) – gundo lugar na lista de doenças mais incapacitan-Figura 5. tes nos países Ocidentais e nos ambulatórios de Em Clínica, as queixas mais frequentes fo- Atenção Primária sua incidência é de 5 a 10% deram cefaléia (relatadas 7 vezes), dor de garganta todos pacientes.20 Embora na UBS Vila Municipal(5 vezes), tosse (5 vezes), amigdalite (3 vezes), a porcentagem geral de depressão tenha sido umobesidade (2 vezes) e febre (2 vezes), de um total pouco mais baixa, esses dados ainda são condi-de 39 queixas – Figura 6. zentes. Em Psiquiatria, foram computadas 22 Como todo estudo, este trabalho teve li-queixas no total, sendo 7 de depressão, 5 de an- mitações e possíveis vieses. Salienta-se que asiedade, 3 de insônia, 1 de retardo mental, 1 de área da Queixa Principal (motivo da consulta) dotranstorno bipolar e 1 de esquizofrenia – Figura 7. paciente, nem sempre coincidiu com a área do Com a análise dos dados, pode-se afir- diagnóstico - as queixas de clínica geral podemmar que os três principais motivos de consulta ter tido diagnóstico de problemas pneumológicos,de categorias diferentes no período estudado fo- por exemplo.ram acne e eczema (em Dermatologia), cefaléia Nem todos os pacientes apresentaram(em Clínica) e depressão (em Psiquiatria). 1,6% uma só queixa. As queixas desses indivíduos fo-dos atendimentos neste período foram devidos à ram dispostas cada uma em sua área respectiva.acne, e a mesma porcentagem foi de consultas O número total de queixas também foi uma li-por eczemas. Cefaléia constituiu 2,8% dos aten- mitação, uma vez que representa uma amostradimentos nesta UBS no período em questão, as- pequena em relação a população.sim como as queixas de depressão, que também Um dos fatores que pode ter influenciadoforam citadas em 2,8% das consultas. os resultados encontrados foi o de disponibilida- Essa porcentagem obtida de consultas de- de variada de serviço nas diferentes áreas. Porvidas à Dermatologia encontradas nessa UBS con- exemplo: metade das consultas foram feitas nacordam com os resultados obtidos por um estudo terça-feira pela manhã, dia em que há presençabrasileiro que mostra que aproximadamente 10% de um dermatologista na UBS, o que pode ter in-dos usuários que procuraram atenção médica em terferido em uma quantidade de consultas maiorUnidades Básicas de Saúde o fez por uma derma- do que seria o esperado. Assim como a preva-tose, e 25% dos usuários atendidos apresentou lência de problemas psiquiátricos (e outros) podeuma queixa ou achado dermatológico que exigi- ter sido afetada por não haver um psiquiatra naram orientação e/ou conduta médica.17Embora UBS nesses dias de atendimento. As consultasnossos dados apontem para quase o dobro da in- para puericultura, que foram inseridas em clínicaformação citada, em ambos os estudos fica evi- médica, não representam a totalidade dos aten-dente a grande quantidade de procura por servi- dimentos de acompanhamento as crianças, uma 10 RAM - Revista Acadêmica de Medicina - 1º Semestre de 2012 - Pelotas/RS
  11. 11. vez que a grande maioria dessas consultas são ufpel.org.br/proesf/relatorios/ne/anexo%202.2.6%20-%20 estudo%20de%20demanda.pdf – Acessado em 20/10/11feitas pela equipe de Nutrição da UBS, e por isso (6) Teixeira, Ricardo Rodrigues. Humanização e Atenção Pri-não foram totalmente contabilizadas nesse estu- mária à Saúde. Ciência & Saúde Coletiva 10(3): 585-597,do. 2005. (7) Campos, Carlos Eduardo Aguilera. Estratégias de Avalia- Conclusões ção e Melhoria Contínua da Qualidade no Contexto da Atenção Primária à Saúde. Revista Brasileira Saúde Materno Infantil, A partir da elaboração do seguinte estudo Recife, 5 (Supl. 1): S63-S69, Dezembro, 2005.foi possível concluir que, na UBS Vila Municipal (8) Capilheira, Marcelo F.; Santos, Iná S. Epidemiologia da– Pelotas, RS, há uma maior quantidade de aten- Solicitação de Exame Complementar em Consultas Médicas.dimentos de indivíduos do sexo feminino, o que, Revista de Saúde Pública 2006; 40(2):289-97. (9) Hering, Fabiana Reginatto; Tavares, Mario. Auditoria emde acordo com outros estudos, já era de se espe- Saúde: Avaliação da Atenção Primária em Saúde Através darar, dada a maior expectativa de vida da mulher Solicitação de Exames Complementares no Município de Gra-e maior preocupação com consultas preventivas. vataí. 27 de Junho de 2008. Trabalho de conclusão de cursoEm relação aos Exames Complementares, pode- apresentado como requisito parcial para obtenção do Certifica- do de Especialização em Saúde Pública. Universidade Federalse observar que os exames laboratoriais foram os do Rio Grande do Sul. Faculdade de Medicina. Departamentomais solicitados, e que a faixa etária predominan- de Medicina Social.te das solicitações dos exames, em geral, foi a de (10) Girotto, Edmarlon; Silva, Poliana Vieira. A Prescrição de26 a 50 anos de idade. Já a Prescrição de Medica- Medicamentos em um Município do Norte do Paraná. Revista Brasileira de Epidemiologia 2006; 9(2):226-34.mentos apontou que em 73% dos atendimentos (11) Laurenti, Ruy; Jorge, Maria Helena Prado de Mello; Go-foram receitados medicamentos e dentre estes tlieb, Sabina Léa Davidson. Perfil Epidemiológico da Mor-destaca-se a prescrição de anti-inflamatórios em bi-Mortalidade Masculina. Ciência & Saúde Coletiva 2005;24% dos casos. A Hipertensão mostrou-se pre- 10(1):35 a 46. (12) Parahyba, Maria Isabel. Desigualdades de Gênero emvalente em 28,50% dos indivíduos atendidos em Saúde entre os Idosos do Brasil. Trabalho apresentado no XVconsulta médica, principalmente na faixa etária Encontro de Estudos Populacionais, ABEP, realizado em Ca-que vai dos 29 a 50 anos e, por uma diferença xambú, MG – Brasil, de 18 – 22 de Setembro de 2006.pequena, predominantemente em mulheres. Das (13) Gomes, Romeu; Nascimento, Elaine Ferreira do; Araújo, Fábio Carvalho de. Por que os homens buscam menos os ser-queixas principais, destacaram-se as áreas da Me- viços de saúde do que as mulheres? As explicações de homensdicina de Dermatologia, Clínica Médica e Psiquia- com baixa escolaridade e homens com ensino superior. Cader-tria, tendo sido possível, através da comparação no de Saúde Pública, volume 33, número 3. Rio de Janeiro.com outros estudos, comprovar-se a crescente Março de 2007. (14) Paiva, Daniela Cristina Profitti de; Bersusa, Ana Aparecidaprocura da população por áreas que demonstram Sanches; Escuder, Maria Mercedes L. Avaliação da assistên-uma maior preocupação com a prevenção e saúde cia ao paciente com diabetes e/ou hipertensão pelo Programamental. Saúde da Família do município de Francisco Morato, São Paulo, Para aqueles que atendem é de extrema Brasil. Caderno de Saúde Pública, Rio de Janeiro, 22(2): 377- 385, Fevereiro, 2006.importância o conhecimento da população alvo (15) Epidemiologia da Hipertensão Arterial - http://departa-que solicita consulta médica. O desenvolvimento mentos.cardiol.br/dha/vdiretriz/03-epidemiologia.pdf - Aces-de melhores estratégias para solucionar proble- sado em 01/11/11mas nos atendimentos deve ser um dos grandes (16) Cadernos de Atenção Básica: Hipertensão Arterial Sis- têmica e Diabetes Mellitus – Protocolo. Caderno 7. Brasília –pilares de estudos de demanda como este. Além 2001.disso, a implantação de metas com o objetivo de (17) Oliveira, Tatina Federige; Monteguti, Carolina; Velho,tornar o atendimento mais igualitário entre os Paulo Eduardo Neves Ferreira. Prevalência de problemas der-sexos, assim como melhorar o atendimento em matológicos durante uma clínica assistencial no interior do Brasil. Anais Brasileiros de Dermatologia. 2010; 85(6): 947-9.áreas com maiores queixas e, por conseqüência, (18) Bernardes CA; Velho, PENF; Morcilio, AM. Avaliação damaior procura, são questões que além de traze- freqüência dos diagnósticos dermatológicos na Unidade Básicarem um desafio à saúde pública, devem inspirar de Saúde São Jose, Campinas-SP. Faculdade de Ciências Médi-médicos a aprimorar seus conhecimentos a fim de cas. Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP. (19) Cordeiro, Quirino; El Khouri, Marcelo; Ota, Daniela;que a comunidade seja melhor atendida. Ciampi, Daniel; Corbett, Carlos Eduardo. Lombalgia e cefaléia como aspectos importantes da atenção primária à saúde em Referências uma comunidade da região amazônica brasileira. ACTA FISATR 2008; 15(2): 101-105.(1) Rede de Pesquisa em Atenção Primária em Saúde - http:// (20) Arantes, Victor Daniel. Depressão na Atenção Primária.www.rededepesquisaaps.org.br/entenda/index.php - Acessa- Rev. Bras. Med. Fan. e Com. Rio de Janeiro, Vol. 2, número 8.do em 27/09/11 Janeiro/Março, 2007.(2) Departamento de Atenção Básica - http://dab.saude.gov.br/atencaobasica.php - Acessado em 17/10/11(3) Oliveira, Carla Braga; Frechiani, Janaína Menezes; Silva,Fátima Maria; Maciel, Ehtel Leonor Noia. As ações de educa-ção em saúde para crianças e adolescentes nas unidades bási-cas da região de Maruípe no município de Vitória. Ciênc. saúdecoletiva vol.14 no.2 Rio de Janeiro Mar./Apr. 2009(4) Elias, Paulo Eduardo; Ferreira, Clara Whitaker; Alves, Ma-ria Cecília Góis; Cohn, Amélia; Kishima, Vanessa; Junior , Ál-varo Escrivão; Gomes, Adriana; Bousquat, Aylene. AtençãoBásica em Saúde: comparação entre PSF e UBS por estratode exclusão social no município de São Paulo. Ciência & SaúdeColetiva, 11(3):633-641, 2006.(5) Centro de Epidemiologia da UFPEL - http://www.epidemio- RAM - Revista Acadêmica de Medicina - 1º Semestre de 2012 - Pelotas/RS 11
  12. 12. 12 RAM - Revista Acadêmica de Medicina - 1º Semestre de 2012 - Pelotas/RS
  13. 13. ARTIGOS A TELEMEDICINA NO ENSINO DA DERMATOLOGIA The Telemedicine in the Teaching of Dermatology IELO, Rebeca Moraes ¹ NEUGEBAUER, Maria Gertrudes Fernandes Pereira ² CASTRO, Alessandra Rodrigues Moreira de ³ Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas Resumo Verrugas virais representam 10% das consultas dermatológicas sendo que 90% são verrugas vulgares ou plantares. São causadas pela infecção e proliferação do Papilomavírus humano (HPV) cujo único reservatório é o ser humano. Acomete principalmente crianças e adolescentes. Situam-se geralmente no dorso de mãos, pés, dobras periungueais, cotovelos e joelhos. Tendo em vista a estru- tura nacional de saúde e a dificuldade de atendimento especializado, o tratamento cirúrgico, pode ser considerado uma intervenção de difícil acesso a um paciente do Sistema Único de Saúde (SUS). Para isso ações como a Telemedicina contribuirão significativamente para o diagnóstico precoce e possível tratamento. A Rede Universitária de Telemedicina da UFPel (RUTE) é uma ferramenta utilizada para o ensino de Dermatologia à acadêmicos e residentes de medicina, encontrando-se acessível à pacientes da Rede Básica de Saúde. A ação possibilita aproximar a teoria da prática, bem como integrar profis- sionais e estudantes da saúde de dois níveis de atenção. Neste caso, um paciente atendido em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), através da telemedicina, com verrugas na pele, foi avaliado, por médico especialista, lotado no Hospital Escola da UFPel (HE-UFPel/FAU). A sessão foi apresentada por uma acadêmica de medicina do 4º semestre para acadêmicos da disciplina de dermatologia. Palavras-Chave: Telemedicina. Dermatologia. Ensino. Tecnologia. Integralidade. Abstract Warts caused by virus represent 10% of dermatological consultations, being 90% common or plantar warts that are caused by infection and proliferation of human papillomavirus (HPV) whose only res- ervoir is the human being, affecting mainly children and adolescents. Generally located on the back of the hands, feet, periungual folds, elbows and knees. Given the structure of national health and dif- ficulty in access to medical specialist, surgical treatment may be considered an intervention of difficult access to a patient of “Sistema Único de Saúde”(SUS). In this actions like telemedicine can contribute significantly to the early diagnosis and possible treatment. The University Network of Telemedicine UF- Pel (RUTE) is a tool for teaching dermatology to medical students and residents, accessible to patients of the Primary Health Network, enabling approximate theory of practice, and integrate health profes- sionals and students of two levels of care. In this case, a patient seen at a Basic Health Unit (BHU), through telemedicine, with warts on the skin, was evaluated by a physician specialist from University Hospital of University Federal of Pelotas (HE-UFPel/FAU). The section was presented by a fourth se- mester academic of Medicine for the students of Dermatology. Keywords: Telemedicine. Dermatology. Education. Technology. Completeness. ¹ Acadêmica do 4º semestre do curso de Graduação de Medicina da Universidade Federal de Pelotas UFPel(RS) Brasil. ² Médica dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia(SBD); Mestrado pela UCPel; Docente da Disciplina de Dermatologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Coordenadora da Área de Dermatologia do Projeto RUTE do Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas/Fundação de Apoio Universitário(RS)Brasil. ³ Pedagoga; Mestre em Política Social; Gerente de Educação e Pesquisa do Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas/Fundação de Apoio Universitário (HE-UFPel/FAU), Pelotas; Coordenadora Geral do Projeto RUTE do Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas/Funda- ção e Apoio Universitário(RS)Brasil. RAM - Revista Acadêmica de Medicina - 1º Semestre de 2012 - Pelotas/RS 13
  14. 14. Introdução conexão entre as equipes lotadas em ambas às unidades de saúde, foram encaminhadas e ava- Segundo dados da Sociedade Brasileira de liadas as imagens fotográficas, conforme mostraDermatologia, 63,5% dos especialistas da área a Figura 1, e história clínica da paciente, sendoatuam na região sudeste do Brasil, sendo 12% possível então estabelecer um diagnóstico e con-na região Sul, conforme apresentado no estu- duta terapêutica. O caso foi apresentado em umado Perfil do Dermatologista no Brasil¹. Tal fato é sessão de Teledermatologia da UFPel (RUTE) parajustificado pela forte tendência de profissionais alunos do 7º e 8º semestres da disciplina de Der-concentrarem-se nas capitais, devido a vários fa- matologia (Figura 2), estando ainda conectadastores, dentre eles, o aporte tecnológico que está outras equipes, também vinculadas a UFPel, lo-concentrado nos grandes centros e a baixa remu- calizadas no ambulatório da UFPel e demais UBSneração de algumas localidades, o que reflete na (outras duas) com a presença de alunos. Duranteescassez da oferta desses serviços. Como medida a sessão o caso foi discutido com toda a equi-paliativa para a falta de profissionais o paciente pe conectada no momento, onde foram avaliadosmuitas vezes necessita ser atendido pelo médico os possíveis diagnósticos diferenciais. No final dageneralista, que se encontra lotado nas Unidades apresentação o especialista concluiu o diagnósticoBásicas de Saúde (UBS). No entanto, no ensino de verruga vulgar, sendo então dada a orientaçãoda área médica dificuldades também são perce- e conduta terapêutica adequada.bidas e vivenciadas, quando na prática falta es-trutura de recursos humanos para dar assistênciaàs necessidades do paciente, o que trás para odebate, que atender a um dos principais desafiosdo Sistema Único de Saúde, a integralidade nasaúde², ainda é um grande desafio. Na busca deminimizar essas questões, e qualificar o ensinoacadêmico, o curso de medicina da UniversidadeFederal de Pelotas (UFPel), vem desenvolvendotécnicas que qualifiquem o ensino e a assistência,através da aplicação de recursos tecnológicos,como a Telemedicina. A Telemedicina aplicada à área da Derma-tologia, hoje é uma tecnologia que traz resultadossignificativos para pacientes que necessitam des-ses cuidados³. Segundo a Organização Mundial deSaúde, “a telemedicina compreende a oferta de Figura 1 – Imagem registrada pela acadêmica, na UBS da lesão apresentada na sessão de Telemedicinaserviços ligados aos cuidados com a saúde, noscasos em que a distância é um fator crítico; (...)assim como para fins de pesquisas e avaliações”4.No Hospital Escola da UFPel essa prática ocorresemanalmente a acadêmicos dos 7º e 8º semes-tres, em que o paciente é atendido pela UBS, porum médico generalista, sendo o caso encaminha-do para análise e discussão do médico especialistada área de Dermatologia através da teleconsulta. Métodos e Casuística V.T.F., feminino, 17 anos, natural de Pelo-tas, foi à consulta na Unidade Básica de Saúde(UBS) Centro Social Urbano (CSU) Areal, comqueixa de lesões papulosas, com superfície ás-pera e presença de pontos enegrecidos em sua Figura 2 – Sessão de Teledermatologia com a participação desuperfície, localizadas em um dos joelhos e nos acadêmicos de medicina dos 7º e 8º semestres e especialistapés, sentindo ainda dor, ardência e prurido nasmesmas, relatando também, sentir constrangi-mento com a aparência das lesões. Sem antece- Resultados e Discussãodentes familiares de lesões iguais ou parecidas. O ensino de Dermatologia, bem como deNão houve tratamentos convencionais anteriores. outras áreas, pode ser otimizado quando os aca-A mesma procurou atendimento em busca de dêmicos correlacionam à teoria aprendida na li-diagnóstico e tratamento adequados. A paciente teratura com a prática 3,5. Na UFPel a Derma-foi previamente atendida pela acadêmica do 4º tologia integra aulas teóricas convencionais, comsemestre e pelo professor da UBS – CSU. Após sessões de Teledermatologia, onde casos clínicos 14 RAM - Revista Acadêmica de Medicina - 1º Semestre de 2012 - Pelotas/RS
  15. 15. são apresentados através de imagens e históriaclínica dermatológica, e dessa forma os acadê- Referências 1. Machado, Maria Helena Machado, Vieira, Ana Luiza Stiebler,micos de medicina podem adquirir prática clíni- (coords.). Perfil dos Dermatologistas no Brasil: relatório final/ca devido ao contato com casos complexos e/ou coordenado por Maria Helena Machado, Ana Luiza Stieblercotidianos de Dermatologia. O diagnóstico atra- Vieira, Rio de Janeiro: Sociedade Brasileira de Dermatologia:vés da Telemedicina é dado pelo especialista após 2003. 2. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria-Executiva. Mais saú-analisar o caso e as imagens, acelerando o inicio de: direito de todos : 2008 – 2011 / Ministério da Saúde,do tratamento fazendo com que um paciente, no Secretaria-Executiva. – 2.ed. – Brasília: Editora do Ministériocaso, com dificuldade de acesso ao Dermatologis- da Saúde, 2008. 100 p.: il. – (Série C. Projetos, Programas eta, oriundo do SUS, tenha seu problema resolvido Relatórios). 3. Castro, A.R.M. Inovação Tecnológica na Saúde: Rede Uni-em um curto prazo, quando comparado aos de- versitária de Telemedicina – RUTE / Alessandra Rodriguesmais casos encaminhados ao ambulatório de es- Moreira de Castro. – Pelotas: UCPEL, 2010.114f. Dissertaçãopecialidades, por exemplo. No caso em questão, (mestrado) – Universidade Católica de Pelotas, Pós-Graduaçãotrata-se de verrugas vulgares. Essas, são doenças em Política Social, Pelotas, BR-RS, 2010. 4. Rede Universitária De Telemedicina − RUTE. O que é tele-virais e uma das mais prevalentes entre todas as medicina.Disponível em: <http://rute.rnp.br/sobre/telemedi-verrugas cutâneas, se caracterizando por lesões cina/> Acesso em: 05 nov. 2007a. In: CASTRO, A.R.M. Inova-papulares de superfície dura e rugosa, querató- ção Tecnológica na Saúde: Rede Universitária de Telemedicinatica onde as vezes apresentam pequenos pontos – RUTE / Alessandra Rodrigues Moreira de Castro. – Pelotas: UCPEL, 2010.114f. Dissertação (mestrado) – Universidade Ca-enegrecidos em sua superfície, que caracterizam tólica de Pelotas, Pós-Graduação em Política Social, Pelotas,capilares trombosados. É contagiosa e não cul- BR-RS, 2010.tivável e se apresenta mais em dorso de pés e 5. Soirefmann, Mariana et al. Cybertutor: um objeto de en-mãos, dobras periungueais, joelho e cotovelos. sino na Dermatologia. An. Bras. Dermatol. [online]. 2010, vol.85, n.3, pp. 400-402. ISSN 0365-0596. http://dx.doi.São causadas pelo Papilomavírus Humano (HPV) org/10.1590/S0365-05962010000300021.que possui tropismo por células escamosas e ini- 6. Miot, Hélio Amante; Paixao, Maurício Pedreira and Wen,ciam a infecção nas células basais epiteliais quan- Chao Lung. Teledermatologia: passado, presente e futuro.do há pequenos traumas. Após a infecção, ocorre An. Bras. Dermatol. [online]. 2005, vol.80, n.5, pp. 523- 532. ISSN 0365-0596. http://dx.doi.org/10.1590/S0365-uma proliferação das células escamosas provo- 05962005000600011.cando diversas lesões na pele, o que durante adiscussão desse caso levou há outras hipótesesdiagnósticas, como molusco contagioso entre ou-tros, porém o padrão de verruga vulgar foi identi-ficado nas lesões desse paciente confirmando seudiagnóstico. A infectividade do vírus é variável,de acordo com a carga viral e a imunidade do in-dividuo. O contágio é direto de pessoa a pessoaou por autoinoculação. O período de incubação dovírus no hospedeiro não é devidamente conheci-do. Os tratamentos mais usados são tratamentostópicos, criocirurgia, cirurgia mais raramente. Conclusão Estudos mostram que o uso de tecnologiasaplicadas no ensino convencional traz diversasvantagens3,4,5.Em alguns casos, à exemplo daDermatologia, a facilidade no envio de dados clí-nicos e imagens fotográficas digitais por rede deinternet, permite que pacientes sejam atendidosde longa distância6, além de possibilitar que aca-dêmicos e residentes de medicina vivenciem a te-oria associada à prática. A área de Dermatologiapor tratar de doenças cutâneas que são passiveisde serem fotografadas, facilita o acesso do ma-terial, por um especialista para estabelecimentorápido do diagnóstico e tratamento3,6. Com isso,um caso simples que poderia esperar meses paraser solucionado, é diagnosticado rapidamente,minimizando os impactos que normalmente sãogerados pela má distribuição de profissionais es-pecialistas e pela estrutura de saúde que muitasvezes é ineficaz e precária. Sem dúvida, a Tele-medicina, oferece um grande potencial para o en-sino, a pesquisa, a resolubilidade da assistência ea integralidade da saúde. RAM - Revista Acadêmica de Medicina - 1º Semestre de 2012 - Pelotas/RS 15
  16. 16. ARTIGOS FIBROSSARCOMA DA GLÂNDULA TIREÓIDE - RELATO DE CASO Fibrosarcoma of the Thyroid Gland – Case Report NIMEROSKY, Laura Salles1 RAMOS, Suelyn Cristina Portalupi1 VIGIL, Tiago Hansel Basile1 DORNELLES, Caroline Machado Rotta1 GOMES, Luciano Niemeyer2 Universidade Federal de Pelotas Resumo O Fibrossarcoma é uma neoplasia maligna mesenquimal derivada do tecido conjuntivo fibroso, caracterizado pela proliferação de fibroblastos imaturos ou presença de células fusiformes anaplásicas indiferenciadas. Dentre os sarcomas humanos o fibrossarcoma é responsável por 1 a 3 % dos casos. São excepcionalmente raros na glândula tireóide. Relatamos aqui o caso de uma paciente do sexo feminino, 75 anos com história de aumento da glândula tireóide com dois meses de evolução. Foi encaminhada ao serviço de atendimento oncológico do SUS na Santa Casa de Pelotas e aos exames diagnosticou-se nódulo neoplásico na glândula. Após tireoidectomia total foi confirmado um fibros- sarcoma de Grau II ao exame anatomopatológico. Procedeu-se com radioterapia adjuvante. A doença recidivou e a paciente veio a falecer sete meses após o diagnóstico. PALAVRAS-CHAVE: Fibrossarcoma, tireóide, sarcoma. Abstract The fibrosarcoma is a malignant mesenchymal neoplasm derived from fibrous connective tis- sue, characterized by the proliferation of immature fibroblasts or presence of undifferentiated anaplas- tic spindle cells. Among the human sarcomas, fibrosarcoma is responsible for 1-3% of cases. They are exceptionally rare in the thyroid gland. We report here the case of a female patient, 75 years with a history of thyroid gland enlargement with two months of evolution. The patient was referred to oncol- ogy care service SUS at Santa Casa de Pelotas and diagnosed with neoplasia in the gland. After total thyroidectomy, a fibrosarcoma grade II was confirmed in histopathologic examination. Proceeded with radiotherapy. The disease recurred and the patient died seven months after diagnosis. KEYWORDS: Fibrosarcoma, thyroid, sarcoma. ¹ Acadêmica do Curso de Medicina UFPel 2 Cirurgião Oncológico Santa Casa de Misericórdia de Pelotas/Orientador 16 RAM - Revista Acadêmica de Medicina - 1º Semestre de 2012 - Pelotas/RS
  17. 17. Introdução com importante atividade mitótica, tratando-se de neoplasia maligna, possivelmente mesenqui- O fibrossarcoma é uma neoplasia maligna mal (sarcoma) (anexos 3 e 4). Posteriormente,mesenquimal derivada do tecido conjuntivo fibro- e ainda com as mesmas amostras, foi realizadoso, caracterizado pela proliferação de fibroblastos o exame de imunoistoquímica (Nº I11-000169)imaturos ou presença de células fusiformes ana- com um painel de anticorpos monoclonais ou po-plásicas indiferenciadas. Dentre os sarcomas hu- liclonais (DAKO corp., Novocastra e Biocare) e vi-manos o fibrossarcoma é responsável por 1 a 3 % sualizado com Universal HRP- Polymer Kit- MACHdos casos. Ocorre mais frequentemente em teci- 4 (Biocare) (anexo 5). À análise obteve-se resul-dos moles profundos das extremidades, sendo as tado negativo para todos os reagentes, excetocoxas e os joelhos os locais mais acometidos1,2. com a Vimentina (clone V9) e com o marcadorSão excepcionalmente raros na glândula tireói- Ki-67 o qual indicou atividade mitótica modera-de, com poucas publicações na literatura médica. da, de 20%, tratando-se então de uma neopla-São tumores agressivos, que ocorrem em crian- sia mesenquimal maligna, tipo sarcoma, provávelças bem como em adultos, mais frequentemente fibrossarcoma. Ficou excluída a possibilidade dedos 30 aos 55 anos. Existe uma tendência nesse carcinoma sarcomatóide. Em 27/07/2011, umatipo de neoplasia de surgir em sítios de cicatrizes segunda análise anatomopatológica comprovou oprévias ou locais de trauma, assim como em sítios diagnóstico de fibrossarcoma de tireóide de graude irradiação prévia1,3,4. Recorrem em mais de II (Nº B11-002476) (anexo 6).50% dos casos e evoluem com metástases em Com tais resultados a paciente em ques-mais de 25% dos casos. Alguns autores acredi- tão foi encaminhada à radioterapia adjuvante, notam que os sarcomas tireoideanos são carcinomas período de 03/08/11 à 15/09/11, de megavol-anaplásicos com diferenciação sarcomatosa5. Não tagem com dose de 60 Gy dirigida ao leito ope-foi encontrado nenhum outro caso de Fibrossar- ratório pescoço, com margens. Após a radiote-coma de tireóide na literatura brasileira, portanto, rapia iniciou com quadro de disfagia leve e dordevido à raridade desta patologia e à falta de pro- em região cervical. À tomografia da região cer-tocolos específicos para seu tratamento, torna-se vical (16/11/2011) evidenciou-se recidiva da le-importante o relato e a descrição de sua evolução. são com infiltração nos tecidos moles adjacentes Relato do Caso a traquéia, sem linfadenopatias. Foi então enca- minhada à quimioterapia com Doxorrubicina iso- O paciente aqui descrito apresentava na lada. Nessa época foi submetida a gastrostomiaépoca do diagnóstico 75 anos. Do sexo feminino, devido à intensidade da disfagia que a impediaaposentada. Histórico de carcinoma epidermóide de alimentar-se. Foi realizado apenas um cicloem 2008. O tumor, em dorso da mão esquerda, quimioterápico dos seis previstos, devido a pio-foi diagnosticado e devidamente excisionado com ra do quadro clínico da paciente. Passou então amargens e sem complicações posteriores. No pri- apresentar dispnéia grave sendo necessária umameiro semestre de 2011, procurou auxílio médico traqueostomia em Janeiro de 2012. O quadrono ambulatório de cirurgia oncológica da Santa evoluiu para uma insuficiência respiratória devidoCasa de Misericórdia de Pelotas, referindo nódulo às metástases pulmonares, comprovadas com Rxcervical à direita, indolor, com crescimento rápido Tórax, de 23/11/2011, o qual evidenciou nódu-nos últimos dois meses e de consistência endure- los metastáticos esparsos nos pulmões, levando acida. paciente a óbito em 10/01/2012. À ecografia de tireóide (Nº 23681.225/2011)foi evidenciada presença de lesão delimitada, com Discussãotextura heterogênea, incluindo pequenas calcifi- O caso aqui relatado, de fibrossarcoma decações no interior, medindo cerca de 3,6 cm de tireóide, é extremamente raro e com pouca noti-diâmetro, localizada junto ao aspecto inferior da ficação teórica4. Tal patologia consta em poucastireóide medialmente e de etiologia a esclarecer. publicações na literatura médica e nenhuma foiSem evidências de anormalidades nos lobos da encontrada na literatura Brasileira. Os sinais clí-tireóide, assim como adenomegalias nas cadeias nicos da doença são inespecíficos e no caso emântero-laterais do pescoço (anexo 1). À punção questão houve apenas o crescimento de massapor agulha fina (PAAF) obteve-se resultado incon- cervical, seguindo-se de disfagia com o avançarclusivo (Nº C11-5567/2011) (anexo 2). Realizou da doença.exames pré-operatórios que não demonstraram Segundo Elellis e cols (2004), a classifica-alterações nos demais sistemas. ção TNM para tumores de tireóide mais recente A paciente foi, então, submetida à tireoi- ainda não abrangia o fibrossarcoma. Diferente-dectomia total, sendo que no transoperatório mente, a American Joint Committee on Câncermostrou lesão invasiva, endurecida em lobo direi- (AJCC) preconiza o uso do sistema GTNM de sar-to, com comprometimento macroscópico da cáp- comas para classificar esse tipo de tumor. No re-sula tireoidiana. Para o exame anatomopatológico lato de um tumor semelhante, Titi e cols (2007)foram enviadas três amostras, as quais exibiram, consideraram uma massa com história de 2 anosna primeira análise, datada de 17/06/2011, proli- de crescimento como tendo um crescimento re-feração de células fusiformes e outras epitelióides, lativamente rápido comparativamente a outros RAM - Revista Acadêmica de Medicina - 1º Semestre de 2012 - Pelotas/RS 17
  18. 18. casos. Entretanto, a paciente aqui mencionada marcada pelo anticorpo Ki-67, pôde-se detectarapresentou o aparecimento e crescimento tumo- um nível de aproximadamente 20%, sendo classi-ral em apenas 2 meses, chegando a 3,6 cm. ficada como moderada, o que pode ter influencia- Conforme publicação de Cormier e Pollock do consideravelmente no desfecho do caso.(2004) o prognóstico nesse tipo de neoplasia estáintimamente relacionado com o grau histológico Conclusõesdo tumor, que compreende celularidade, diferen-ciação celular, atividade mitótica e necrose. A ava- O fibrossarcoma primário de tireóide é umaliação histológica da amostra revelou proliferação entidade rara, de escasso material na literaturade células fusiformes e outras epitelióides com médica. Pode-se encontrar alguma dificuldade noimportante atividade mitótica, classificando assim diagnóstico pela baixa incidência e por possívelo tumor como fibrossarcoma de grau II (anexos semelhança no padrão de crescimento em relação3, 4 e 6). A porcentagem de recidivas varia entre a outros tumores. O uso de meios diagnósticos,34% a 63% em 1 a 5 anos, variando conforme o como a análise imunoistoquímica é fundamentalgrau histológico do tumor6. para a classificação específica. Apesar de ter sido A disseminação neste tipo de neoplasia adequadamente abordada com cirurgia, radio-ocorre mais frequentemente por via hematogê- terapia e quimioterapia, a paciente no presentenica, acometendo primordialmente pulmões e os- caso evoluiu ao óbito com doença local e a distân-sos2. Portanto, o esvaziamento das cadeias linfo- cia, confirmando a agressividade de tal patologia.nodais regionais não é preconizado4. No caso aquitratado, contudo, foi realizada a tireoidectomia Referênciastotal com margens adequadas, por profissionais 1. Fisher C, Van den Berg E, Molenaar WM: Adult fibrosarco-habilitados, e mesmo assim houve uma rápida re- ma. Tumours of Soft Tissue and Bone. Ed. Fletcher DM, Unnicidiva da lesão e invasão local. Foram diagnostica- KK, Mertens F. IARC Press Lyon 2002, 100–101.das metástases pulmonares após 4 meses, suge- 2. Weiss SW, Goldman JR: Fibrosarcoma in Soft Tissue Tu- mors. 4th Ed. Weiss SW, Goldman JR. Mosby. St Louis, Lon-rindo um tumor de agressividade elevada, sendo don, Philadelphia,Sydney, Toronto 2001, 409–436.assim, com um prognóstico mais reservado. A 3. Elellis RA, Williams ED: Thyroid and parathyroid tumours.queda no prognóstico também associa-se a tumo- In: Tumours of endocrine organs. Ed. Delellis A, LIoyd RV,res com mais de duas mitoses por campo de alta Heitz PU, Eng C.IARC Press Lyon 2004, 51. 4. Titi S, Sycz K, Umiński M: Primary fibrosarcoma of thepotência, à carência de fibras colágenas, a focos thyroid gland--a case report. Polish journal of pathology.Offi-de necrose, bem como, à excisões inadequadas cial journal of the Polish Society of Pathologists (Pol J Pathol),da lesão4. Outro fator prognóstico relevante é a Poland,2007, 58, 1, 59-62.idade do paciente. Crianças menores de 10 anos 5. Thompson LD, Wenig BM, Adair CF, Shmookler BM, Heffess CS. Primary smooth muscle tumors of the thyroid gland. Can-apresentam o melhor prognóstico7,2, já em indiví- cer. 1997;79(3):579-87.duos com mais de 50 anos o prognóstico passa a 6. Agarwal K, Singh S, Pathania OP. Primary renal fibrosarcoma:ser mais reservado. Podemos relacionar também A rare case report and review of literature,2008,51,3,409-410.aos fatores definidores de prognóstico o tamanho 7. Cormier J, Pollock R. Soft Tissue Sarcomas . http://onlineli- brary.wiley.com/doi/10.3322/canjclin.54.2.94/full. Acesso eme a localização tumoral. 11 de maio de 2012. Nas décadas de 50 e 60 o fibrossarcoma 8. Fletcher CDM. Soft tissue tumors. Fletcher CDM.Diagnosticera considerado um diagnóstico comum, pois era histopathology of tumors. 2nd ed. Hong Kong:Churchill Livin-classificado simplesmente como um sarcoma pro- gstone; 2000,1473-540.dutor de colágeno. Atualmente, os critérios para odiagnóstico desse tipo de sarcoma são mais rígi-dos, e, com o advento da imunoistoquimica e deestudos da microscopia eletrônica, o fibrossarco-ma tornou-se uma entidade rara8. Os sarcomas somente podem ser diferen-ciados através da imunoistoquímica. A análise doexame imunoistoquímico (anexo 5) da pacienteaqui relatada documentou positividade para vi-mentina (clone V9), concordando com as literatu-ras de fibrossarcoma já publicadas. Em contrapon-to, documentou-se negatividade para Desmina,Citoqueratina 7, Queratina (Ae1/Ae3), Queratinade alto peso molecular, Actina, CD-31, CD-34,Calcitonina, Tireoglobulina, Proteína S100, CD-117(oncoproteina) e TTF-14,6. Dessa forma é feitoo diagnóstico diferencial de outras neoplasias ti-reoidianas, bem como de outros sarcomas, comopor exemplo o leiomiosarcoma e o carcinoma sar-comatóide. Exclui-se assim, também, a possibili-dade lesões benignas como a miosite ossificante ea fasciite nodular. Quanto a atividade proliferativa 18 RAM - Revista Acadêmica de Medicina - 1º Semestre de 2012 - Pelotas/RS
  19. 19. ARTIGOS LASER DE ARGÔNIO NO TRATAMENTO DE LESÕES VASCULARES DA FACE Argon Laser treatment on facial vascular lesions CARVALHAL, Maria Lucia1 CASTAGNO, Octavia Carvalhal2 MARTINATO, Geraldo3 Resumo Lasers de diversos tipos são usados com sucesso em várias áreas da medicina. O laser de ar- gônio é eficaz no tratamento de lesões vasculares de retina e pequenas lesões vasculares cutâneas como telangectasias, hemangiomas , e manchas “vinho do porto”. Sete pacientes com dez lesões vas- culares faciais e idades variando de 51 a 79 anos, foram submetidos a três sessões (0-15 e 30 dias) de fotocoagulação com laser de argônio verde puro HGM-PC EDO acoplado a lâmpada de fenda com spot de 200 micra 0.2-0.3 segundos e potência de 0.8 a 2.0 watts, e avaliados após 15-30 e 60 dias. Os pacientes aplicaram anestesia tópica (creme de lidocaína 23% e tetracaína 7%) uma hora antes do procedimento. Ao final de 60 dias, 60% das lesões haviam desaparecido por completo, e 40% apre- sentaram melhora significativa. Não houve complicações ao paciente. Este estudo mostra que mesmo laser de argônio acoplado a lâmpada de fenda para tratamento de lesões de retina, e uso corrente em oftalmologia, pode ser usado para tratamento de pequenas lesões vasculares superficiais da face. UNITERMOS: Laser argônio; lesões vasculares cutâneas; telangectasias; hemangiomas. Abstract Lasers are used in several medical fields. Argon lasers are used to treat retinal and small cu- taneous vascular lesions such as telangectasias, hemangiomes and port wine stains. Seven patients with ten facial vascular lesions, 51 to 79 years old, were submitted to three photocoagulation sessions (0, 15 and 30 days) with a HGM-PC EDO argon laser mounted on an ophthalmological slit-lamp with 200 micra spot 0.2-0.3 seconds and 0.8 to 2.0 watts. Topical anesthesia was applied (23% lidocaine plus 7% tetracaine cream) one hour before the procedure. After 60 days, 60% of the lesions disap- peared, and 40% had a partial recovery. There were no complications. This study shows that a slit- lamp mounted argon laser, currently used to treat retinal lesions in ophthalmology, may be effectively used to treat small facial vascular lesions. KEY- WORDS: Argon laser; cutaneous vascular lesions; telangectasias; hemangiomes. 1 Médica oftalmologista. Diretora da Clínica Oto-oftalmológica e aluna do Curso de Pós-Graduação em Medicina Estética da Sociedade Brasileira de Medicina Estética – Rio Grande do Sul. 2 Acadêmica de medicina da Universidade Católica de Pelotas. 3 Professor orientador do Curso de Pós-Graduação em Medicina Estética da Sociedade Brasileira de Medicina Estética – Rio Grande do Sul. RAM - Revista Acadêmica de Medicina - 1º Semestre de 2012 - Pelotas/RS 19
  20. 20. Introdução ro aparelho de laser de ruby foi apresentado por Theodore Maiman apenas em 1960. Diversas es- A evolução extraordinariamente rápida pecialidades médicas interessaram-se pelo uso dedos lasers na medicina e cirurgia ocorreu dentro lasers a partir dos trabalhos de Kumar Patel quede quatro décadas desde que o primeiro laser de inventou o laser de CO2 em 196412. Em 1975, orubi, foi usado no tratamento de doenças cutâne- surgimento de fibras ópticas simplificou a trans-as. Nos anos 60 e 70, o argônio e lasers de CO2 missão do laser, tornando os equipamentos maisde onda contínua (CW) foram usados para cor- eficientes e confiáveis13. A teoria da fotodermóli-tar ou coagular lesões superficiais da pele1,2,3,4. se seletiva, proposta por Anderson e Parrish, emMais modernamente, com a introdução dos lasers 1983, levou ao desenvolvimento de lasers pulsa-de neodimium ND-YAG, CO2 fracionado, argônio dos de alta energia capazes de destruir seletiva-pulsado, hérbio fracionado, e diodo, os resultados mente células e suas organelas.dos tratamentos a laser em dermatologia estética Nos aparelhos de laser, energia elétricamelhoraram muito5,6,7,8. atua sobre a matéria contida na caixa de res- Os lasers de argônio pulsados tem uma sonância, e cercada por espelhos que amplificamluz verde visível entre 488 e 514 nm. Como os a energia eletromagnética a ser eliminada. Essaespectros de absorção da oxihemoglobina e da matéria, ou meio ativo do laser, pode ser sólidamelanina são nesse comprimento de onda, tanto (rubi, YAG, neodímio), líquida (selênio ou fósfo-lesões vasculares como pigmentadas podem ser ro), ou gasosa (hélio, argônio ou kriptônio). Atratadas. A luz é absorvida pelo tecido e conver- energia amplificada é eliminada de forma contí-tida em calor que realiza a fotocoagulação dos nua ou pulsada com comprimentos de ondas es-vasos situados 1-2 mm da derme superior. Os pecíficos para cada meio.tecidos adjacentes, como colágeno, derme e epi- O espectro de luz visível compreende osderme podem ser afetados pelo calor produzindo comprimentos de onda entre 0,4 e 0,8 nm; acimapequena injuria; as glândulas sebáceas e sudorí- de 0,8 nm têm-se as ondas invisíveis a visão hu-paras são mais resistentes a energia do argônio e mana do infravermelho (lasers de CO2); e abaixoauxiliam a uma rápida cicatrização da ferida9. Os de 0,4 nm tem-se o ultravioleta (excimer laserlasers pulsados são mais seletivos e não deixam para cirurgia de córnea)14.cicatrizes no tratamento de telangiectasias de O feixe de laser pode produzir efeitosface, podendo ocorrer em 25% dos casos discreta térmico (fotocoagulação e fotovaporização), io-hipopigmentação no local se o feixe atingir a me- nizante e fotoquímico. O efeito térmico, obtidolanina, já que ambas tem o mesmo comprimento com diversos tipos de lasers (argônio, kriptônio,de onda. CO2, etc) surge quando laser é absorvido pelo Telangiectasias são pequenos vasos dilata- tecido e produz elevação de temperatura localdos, superficiais medindo de 0.5 a 1 mm de diâ- entre 10-20ºC, ocorrendo fotocoagulação emmetro. Podem se desenvolver em qualquer lugar conseqüência à desnaturação das proteínas. Ado corpo, mas são mais comuns na face, na asa absorção do laser depende do seu comprimentonariz e dorso do nariz, região malar e mento. Po- de onda e coloração predominante do tecido. Di-dem ser classificadas em simples ou linear, arbo- versos pigmentos são capazes de absorver laserriforme, aracneiforme e puntiforme ou papulosa. e têm sido extensamente estudados em relação àO argônio é utilizado em dermatologia estética no retina (Tabela I). Fotovaporização ocorre quandotratamento dessas lesões vasculares, seu feixe uma maior densidade de energia laser é absorvi-causa coagulação dos vasos quando utilizamos da pelo tecido, e produz uma variação de tempe-uma potencia de 08 à 1.2 watts e pulsos de 0.2 ratura superior a 100ºC (ao atingir a temperaturaà 0.3 s10. O procedimento é simples e pode ser de ebulição da água). A vaporização tecidual for-realizado com anestesia tópica local11. ma um disco interno de necrose e um anel exter- Os diversos tipos de lasers (Light Amplifi- no de coagulação. O efeito ionizante decorre decation by Stimulated Emission of Radiation) com- irradiação extremamente elevada com curtíssimopartilham propriedades semelhantes, e decorrem tempo de exposição e pequeno ponto de impac-do trabalho de muitos investigadores, a partir do to. Nesse caso, a rápida expansão do plasma criaprincípio de teoria quântica, descrita por Albert ondas acústicas e de choque que produzem foto-Einstein em 1917. Quando luz, ou qualquer outra disrupção, incisando o tecido independentementeforma de radiação eletromagnética, interage com da absorção do laser ou pigmentação. É o casoa matéria, pode haver transferência de energia. dos aparelhos de laser que visam cortar tecidosAté então acreditava-se que a energia era contí- (Neodimio-YAG laser) . O efeito fotoquímico ocor-nua. Einstein propôs que energia luminosa existi- re com muito elevada energia de lasers de com-ria apenas em pequenas unidades, chamadas de primento de onda curto (ultravioleta). É usadoquanta. Pela explicação desse “efeito fotoelétri- para romper as ligações moleculares, produzindoco”, e não pela posterior e mais conhecida Teoria incisões muito precisas (excimer laser na cirurgiada Relatividade, ganhou o prêmio Nobel de Fí- da córnea)15.sica em 1921. Embora os fundamentos teóricos O efeito obtido é função da elevação dado funcionamento do LASER tenham sido descri- temperatura ao nível do local de impacto, que de-tos por Einstein no início do século XX, o primei- pende da quantidade de energia por unidade de 20 RAM - Revista Acadêmica de Medicina - 1º Semestre de 2012 - Pelotas/RS
  21. 21. superfície, e da absorção dos fótons pelo tecido dado para não lesar ou perfurar estruturas maisirradiado (essa absorção varia com o tipo de teci- profundas. Essa fase é útil no tratamento seletivodo e sua pigmentação). A quantidade de energia de tumores.depende da superfície de impacto, da duração da Fase 4: A elevação acima de 100ºC leva à ebuli-exposição e da potência do feixe de laser. ção da água tecidual. Com temperatura superior As definições físicas do laser envolvem a 125ºC há oxidação completa de proteínas e li-diversos conceitos16. Energia, em termos físicos, pídeos, restando apenas partículas de carbono. Orepresenta essencialmente a capacidade de tra- tecido torna-se preto, levando a temperatura abalho, e sua unidade é chamada de Joule. Essa elevar-se ainda mais rápido (pois o preto absorveunidade de energia dividida pelo tempo em se- todos os comprimentos de onda visíveis).gundos chama-se Watts, assim: 1 Watt = 1 Joule Fase 5: Carbonização é o sinal de que a última/ 1 segundo. A potência ou intensidade do laser fase (ablação tecidual) está começando. O cirur-é medida em Watts ou Joules/segundo. Contudo, gião pode observar o tecido sendo vaporizado. a densidade de potência (DP) é representada porWatts dividido pela área em centímetros quadra- Material e Métodosdos; assim: DP= Watts / cm2. A densidade de Pacientes com lesões cutâneas de facepotência (DP= potência / superfície) de energia como telangectasias, aranhas vasculares, e rosá-do laser varia de acordo com o efeito desejado: cea foram submetidos a fotocoagulação com lasercoagulação entre 100-500 Watts/cm2; vaporiza- de argônio e os resultados avaliados com fotogra-ção, acima de 1000 Watts/cm2 ; e corte rápido fias seriadas em antes do procedimento e apósse maior de 5000 Watts/cm2. O efeito tecidual da 30 e 60 dias. Utilizou-se um aparelho de laser deaplicação do laser apresenta diversas fases (Tabe- Argônio PC-EDO ( HGM Medical Lasers Inc, Saltla II): Lake, EUA), acoplado à uma lâmpada de fenda Topcon SL-3, com o pa- ciente confortavelmente sentado e sob anestesia local. Na pele foi utilizado creme de lidocaína 23% com tetracaína 7% (feito na Farmácia da Universi- dade Federal de Pelotas), uma hora antes do proce- dimento, com bandagem oclusiva. O uso da lâmpa-Fase 1: Aquecimento dos tecidos de 43ºC a 50ºC da de fenda permite uma fotocoagulação precisapermite a alteração das hélices de colágeno, de decorrente da amplificação do tamanho da lesãoforma que bordas opostas de tecido podem se e controle do spot do laser. Permite ainda avaliarfundir. A partir de 45ºC as enzimas degradam-se. danos microscópicos da epiderme.Um pequeno branqueamento do tecido sinaliza o Foram realizados dez procedimentos eminício da próxima fase. sete pacientes com idades variando de 51 a 79Fase 2: Elevando-se a temperatura acima de 50ºC, anos. Uma avaliação cuidadosa procurou excluircomeça a desnaturação de proteínas; e acima de os pacientes de fototipos maiores que V ( classifi-60ºC há morte celular. A coagulação está comple- cação de Fitzpatrick) para prevenir hiperpigmen-ta quando se observa coloração uniforme branco- tação pós-laser. Os parâmetros usados incluíramacinzentada no tecido. Essa fase finaliza com o spot de 200 micras, 0.2 a 0.3 segundos, e po-início do enrugamento tecidual. tência de 0.8 à 2.0 watts. Após cada procedimen-Fase 3: O tecido progressivamente encolhe e res- to habitualmente ocorre hiperemia imediata queseca. A temperatura de 90-100ºC degrada as es- é minimizado com compressas geladas e poma-truturas de colágeno e elastina. É necessário cui- das com corticóide. Os pacientes foram submeti- RAM - Revista Acadêmica de Medicina - 1º Semestre de 2012 - Pelotas/RS 21
  22. 22. dos a reaplicações de laser de argônio em 15 e 30 autor e pelos pacientes. Considerou-se resultadodias, com intensidade variável de acordo com a “ruim”, quando a lesão permaneceu inalterada;existência de lesão remanescente. Os resultados “regular”, quando houve uma redução leve na le-finais foram avaliados em 60 dias. são; “bom”, quando houve redução significativa Resultados da lesão; e “ótimo”, quando a lesão desapare- ceu por completo. Ao final de 60 dias, segundo Sete pacientes com dez lesões vasculares a avaliação do paciente 80% das lesões tratadasfaciais foram submetidos a três sessões (0-15 e haviam desaparecido, enquanto que o próprio au-30 dias) de fotocoagulação com laser de argônio tor considerou resultados ótimos em 60% e bonsverde puro HGM-PC EDO acoplado a lâmpada de em 40% dos casos (Tabela III). Não houve com-fenda com spot de 200 micra 0.2-0.3 segundos plicações ao paciente e o procedimento foi beme potência de 0.8 a 2.0 watts, e avaliados após tolerado por todos. As figuras 4 a 8 apresentam15-30 e 60 dias. Em cada sessão foram feitos os resultados obtidos em alguns pacientes com200-400 impactos. Os resultados ao final de 60 telangectasias.dias foram avaliados de forma independente pelo 22 RAM - Revista Acadêmica de Medicina - 1º Semestre de 2012 - Pelotas/RS

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