Temasem educacaofisicaadaptada

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Temasem educacaofisicaadaptada

  1. 1. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADAwww.sobama.org.br 1
  2. 2. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADA Organizadora: Ruth Eugênia Cidade Capa e Layout: Wilson M. Voitena Diagramação: Wilson M. Voitena Revisão: Ruth Eugênia Cidade CATALOGAÇÃO NA FONTE Coordenação de Processos Técnicos. Sistema de Bibliotecas. UFPR Sociedade Brasileira de Atividade Motora Adaptada Temas em educação física adaptada / Sociedade Brasileira de Atividade Motora Adaptada. - [S.L.] : SOBAMA, 2001. 101 p. Temas apresentados no IV Congresso Brasileiro de Atividade Motora Adaptada, Curitiba 30 de outubro a 03 de novembro de 2001. 1. Educação física para deficientes. 2. Deficientes físicos. 3. Atividade motora adaptada. I Título CDD 796.0196 CDU 796-056.262 www.sobama.org.br
  3. 3. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADATEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADA CURITIBA DEZEMBRO 2001 www.sobama.org.br 3
  4. 4. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADA4 www.sobama.org.br
  5. 5. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADA DIRETORIA DA SOBAMA GESTÃO 2000/2001 Presidente Ruth Eugênia Cidade e Souza Vice-Presidente Jane Gonzalez Secretária Geral Verena Junghähnel Pedrinelli 1.ª Secretária Patrícia Silvestre de Freitas Tesoureira Áurea Célia Cordeiro Bittencourt 1.ª Tesoureira Sônia Maria Toyoshima Lima Conselho Fiscal Presidente Ana Paula da Silva Braga Viana Membros Sônia Ribeiro - Angela Teresinha Zuchetto Conselho Consultivo Membros Francisco Camargo Netto - Marli NabeiroSidney de Carvalho Rosadas - Vicente Matias Cristino www.sobama.org.br 5
  6. 6. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADA6 www.sobama.org.br
  7. 7. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADAIV CONGRESSO BRASILEIRO DE ATIVIDADE MOTORA ADAPTADA Curitiba - Paraná 30 DE OUTUBRO A 03 DE NOVEMBRO 2001 DIRETORIA DO CONGRESSO PRESIDENTE DO CONGRESSO Ruth Eugênia Cidade VICE-PRESIDENTE Claudio Portilho Marques SECRETÁRIA EXECUTIVA Leonor Demário TESOUREIRA Áurea Bittencourt COMISSÃO CIENTÍFICA M.Sc. Claudio Portilho Marques Dr. Iverson Ladewig M. Sc. Neiva Leite Dr. Raul Osiecki M.Sc. Ruth Eugênia Cidade M. Sc. Vera Moro APOIO Wilson Voitena - Daniela Raquel Cava - Sandra Fernandes www.sobama.org.br 7
  8. 8. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADA8 www.sobama.org.br
  9. 9. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADA APRESENTAÇÃO É com imensa satisfação que transformamos em realidade maisum dos projetos desta Gestão: reunir em um livro os diferentes temas queforam tratados no IV Congresso Brasileiro de Atividade Motora Adaptada,realizado em Curitiba, de 30 de Outubro a 03 de Novembro de 2001. O conteúdo desta publicação é o resultado das reflexões e dis-cussões que aconteceram durante as atividades especiais (Encontro PréCongresso e Mini-Fóruns) do IV Congresso. O intuito desta obra é registrare divulgar a riqueza e diversidade das contribuições que estes profissio-nais trouxeram para debater durante o Evento. Essa realização é especial, pois é um marco significativo no pro-cesso de amadurecimento da própria Sociedade Brasileira de AtividadeMotora Adaptada - SOBAMA, e, de certa forma, revela o estágio de de-senvolvimento da área. Sendo assim, temos o desejo de que esses textospossam ser úteis a toda a comunidade acadêmica e profissional envolvi-da com a Atividade Motora Adaptada. Ruth Eugênia Cidade Presidente da SOBAMA Gestão 2000/2001 www.sobama.org.br 9
  10. 10. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADA10 www.sobama.org.br
  11. 11. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADA ÍNDICEA EDUCAÇÃO FÍSICA E OS ESPORTES ADAPTADOSNA POLÍTICA DE ATENDIMENTO COMUNITÁRIONAS UNIVERSIDADESM.Sc. Maria Teresa da Silva 14ESPORTES NA NATUREZA: POSSIBILIDADES PARAO DEFICIENTE VISUALM.Sc. Mey de Abreu van MunsterDr. José Júlio Gavião de Almeida 20RECURSOS HUMANOS E O ESPORTE PARAPORTADORES DE DEFICIÊNCIA MENTALM.Sc. Maria Teresa K. LeitãoM.Sc. Vagner Roberto Bergamo (Colaborador) 27INCLUSÃO E ESPORTE: Um caminho a percorrer.M.Sc. Sônia Maria Ribeiro 33EDUCACÃO FÍSICA E A ESCOLA INCLUSIVAM.Sc. Sonia Maria Toyoshima LimaOrientador Dr. Edison Duarte. 38LAZER E A PESSOA COM DEFICIÊNCIAEsp. Márcia Ortiz 47EVOLUÇÃO QUANTITATIVA DAS PESQUISASAPRESENTADAS NOS CONGRESSOS DEEDUCAÇÃO FÍSICA E CIÊNCIAS DO DESPORTOSDOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA (1991 - 2000)Dr. Francisco Camargo NettoM.Sc. Jane da Silva Gonzalez 55EDUCAÇÃO FÍSICA , JOGO E DEFICIÊNCIA MENTALMs. Valéria Manna Oliveira 59VELHICE BEM-SUCEDIDA: ATUALIZANDO OCONCEITO DE VELHICE.Dra.Silene Sumire Okuma 64 www.sobama.org.br 11
  12. 12. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADAAVALIAÇÃO DOS ATLETAS PARAOLÍMPICOSBRASILEIROS / SYDNEY 2000Dr. Marco Túlio de Mello 74A INICIAÇÃO E O ACOMPANHAMENTO DOATLETA DEFICIENTE VISUALDr. José Júlio Gavião de AlmeidaProf. Ciro Wincler de Oliveira Filho 81ENCONTRO PRÉ-CONGRESSO DE PROFESSORESDE EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADA DE INSTITUIÇÕESDE ENSINO SUPERIOR: RELATOM.Sc. Ruth Eugênia CidadeM.Sc. Verena J. PedrinelliM.Sc. Patrícia S. Freitas 86Os textos são de responsabilidade dos Autores.12 www.sobama.org.br
  13. 13. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADAwww.sobama.org.br 13
  14. 14. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADAA EDUCAÇÃO FÍSICA E OS ESPORTES ADAPTADOS NA POLÍTICADE ATENDIMENTO COMUNITÁRIO NAS UNIVERSIDADES Maria Teresa da Silva Unicastelo / Unib / Uniban - SP Iniciaremos nosso discurso com uma reflexão sobre o que nosparecem ser, na realidade, os atendimentos comunitários levados a efeitopelas Universidades. Esta Instituição tem tres funções básicas que são oensino, a pesquisa e os trabalhos de extensão. O atendimento comunitá-rio está inserido neste último segmento uma vez que por extensão enten-demos ser todo e qualquer atendimento a pessoas que não sejam alunosda Universidade. Para reforçar nossa afirmativa, emprestaremos umadefinição da Profa. Eunice Durham da PUC/Minas, no Encontro Nacionalde Universidades, em 1999: “Extensão: compartilhar, tornar disponíveisrecursos da Universidade para um público que não é, simplesmente, in-terno”. Isto, porém, não pode ser confundido com o atendimento pelo aten-dimento. Este trabalho deve estar muito bem estruturado e interligado comos outros segmentos que citamos inicialmente: ensino e pesquisa. Casoisto não aconteça, corremos o risco de transformar a Universidade emuma ONG, ou seja, fazermos um atendimento com objetivos e procedi-mentos diferenciados Segundo o Prof. Sérgio Haddad, presidente da As-sociação Brasileira de ONGs - ABONG - também no Encontro Nacionalde Universidades em 1999, “A Universidade integra um conjunto deatividades indissolúveis, ou seja, a pesquisa, o ensino e a extensão, e asONGs não”. Para melhor situarmos o leitor sobre o Encontro citado, infor-mamos que o mesmo foi realizado nos dias 12, 13 e 14 de maio de 1999em Belo Horizonte, numa promoção conjunta entre a PUC Minas e oUNICEF, cujo tema foi “Políticas e ações de extensão universitária para apromoção dos direitos da infância e da adolescência”. Participaram desteevento representantes de 34 Universidades públicas, 3 de Universidadesparticulares, entre elas a UNICASTELO / SP, representantes do BNDES,União Européia e UNICEF. Deste Encontro foram encaminhadas algumassugestões e recomendações sobre os atendimentos comunitários aosórgãos competentes, como por exemplo:• que a concepção de extensão formulada pelas universidades guarde seu caráter ético e plural; que a extensão seja entendida como expressão de parte do compromisso social da universi dade; que a extensão comunitária seja entendida como proces so educativo/formador alicerçado na democracia e no respeito aos princípios que aregem: autonomia, liberdade e igualdade14 www.sobama.org.br
  15. 15. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADA de direitos; que a extensão universitária seja entendida como um meio de construir, socializar e publicizar o conhecimento produzido pela universidade. A Faculdade de Educação Física da UNICASTELO / SP mantémeste tipo de atendimento desde 1993, já se encaixando, desde seu início,no que se disicutiu e concluiu o Encontro em questão e nosso objetivo aseguir será dar uma visão dos nossos projetos. Para tanto apresentare-mos o Projeto como um todo e em seguida especificaremos a EFEA.ASSOCIAÇÃO BENEFICENTE E CULTURAL DINDA Mais conhecida como ABC Dinda, ou Projeto Dinda, esta Associ-ação teve seu trabalho efetivado oficialmente no início de 1999, emborasuas atividades tenham tido início em 1993. É mantida pela AssociaçãoItaquerense de Ensino ou, UNICASTELO, e tem várias ramificações. Éuma Associação civil, sem fins lucrativos, de caráter beneficente e filan-trópico, dirigido por uma diretoria que, segundo o Estatuto, deve ser eleitaa cada 3 anos. A princípio pode parecer uma contradição aos objetivosque defendemos do atendimento comunitário, porém, a criação destaAssociação nestes moldes foi uma exigência legal para a sua continuida-de. Vale salientar que todos estes trabalhos foram idealizados e são dirigi-dos até a presente data pela Diretora da Faculdade de Educação Física,Profa. Irene Hernandes Rodrigues.OBJETIVOS• Promover o interesse pela vida em grupo e a prática da cidada nia;• Assegurar o direito à prática de atividades físicas, esportivas, cognitivas e sociais de forma integrada;• Propiciar oportunidade para fortalecer a família e a comunidade em geral, através da observação e participação em um ambiente de igualdade e respeito;• Ampliar as possibilidades de um futuro trabalho profissional;• Ampliar possibilidades de caminharem para uma vida mais dig na em sociedade.DIRETRIZES• Educação para todos; Orientação pedagógica; Atividades físicas www.sobama.org.br 15
  16. 16. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADA e esportivas; Arte-educação.PROJETOS DESENVOLVIDOS• Educação física e esportes adaptados;• Universidade livre da terceira idade;• Apoio pedagógico - atendimento a crianças e adolescentes com idade entre 7 e 14 anos que vivem em situação de risco pessoal e social na região de Itaquera em São Paulo;• Alfabetização de adultos;• Futebol - atendimento aos guardadores de carro das redondezas da Universidade;• Brinquedoteca;• Escolas de aplicação: GO, GRD, futebol de campo, futsal, bas quete;• Capacitação profissional - duração de um ano;• Projeto Bolsa/Escola em parceria com o Governo do Estado de SP (duração: 6 meses);• Participação na Universidade Solidária (uma vez por ano);• Ação Comunitária (anual).PROJETO EDUCAÇÃO FÍSICA E ESPORTES ADAPTADOS (EFEA) Parte integrante do Projeto Dinda, sob a Coordenação da Profa.Maria Teresa da Silva, foi criado em abril de 1994 com os objetivos queregem o trabalho de extensão da Universidade ou seja, a) atendimento àcomunidade portadora de deficiência; b) extensão universitária e c) de-senvolvimento científico. Integração. Trabalhamos, ainda, as questõessociais e familiares de nossos alunos, juntamente com outros profissio-nais, por entendermos que um atendimento para ser eficiente deve abran-ger outras áreas que não somente a sua específica.I - ATENDIMENTO À COMUNIDADE Iniciamos com uma turma de portadores de deficiência mental euma de portadores de deficiência auditiva, tendo esta população sidocontatada nas escolas estaduais da região de Itaquera, zona leste da ci-dade de São Paulo. Tinhamos, então um grupo de 30 crianças. Com acontinuidade, conseguimos hoje atingir a média de atendimento de 100alunos por ano portadores de deficiência, na sua maioria, portadores dedeficiência mental e de múltiplas deficiências. Não existe nenhuma normalimitando a participação de nenhum grupo específico, sendo que atende-mos quem nos procura. O que nos limita são apenas as condi16 www.sobama.org.br
  17. 17. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADAções de espaço e mão de obra, o que determina o número de vagas.II - ENSINO Neste segmento, procuramos incentivar nossos acadêmicos aatuarem na área com um conhecimento mínimo que é transmitido no cur-so de graduação. Na disciplina EFEA, hoje ministrada nos 7º e 8º semes-tres, é exigido um trabalho prático de 20 horas onde o aluno terá a oportu-nidade de conviver com portadores de deficiência e conhecer mais deperto o que é desenvolvido teoricamente e constatar o potencial destapopulação. Nossa experiência mostra que este procedimento traz umamudança de conceitos na maioria dos futuros professores o que poderátrazer como consequência uma maior aceitação de alunos portadores dedeficiência, auxiliando na inclusão dos mesmos. No nosso projeto temosatendido uma média de 30 alunos/estagiários por ano e, esporadicamen-te, atendemos alunos de outras universidades. Temos também o grupo demonitores que são alunos que cursando do 3º semestre em diante e quese interessam em trabalhar com esta população. Estes monitores ficamfixos pelo período de um a três anos, dependendo de quando ele inicia,sendo desligado ao se formar, no 8º semestre, dando lugar a outro aluno.III - DESENVOLVIMENTO CIENTÍFICO Quanto ao desenvolvimento científico, temos tido um crescimen-to do número de trabalhos e seminários efetuados tanto pelo grupo envol-vido como também por outros alunos que buscam informações e fazempesquisas conosco. Destes trabalhos, conseguimos que alguns sejam pu-blicados e estamos observando um crescimento também nesta área, comenvolvimento de professores de outras disciplinas e outros cursos da Uni-versidade, sendo que em alguns casos foi efetivado um trabalhointerdisciplinar o que faz com que nossos conhecimentos, e responsabili-dades, aumentem gradativamente. Alguns destes trabalhos estão publi-cados em Anais de Congressos, Simpósios e Encontros Científicos, sen-do que a Dissertação de Mestrado da Coordenadora deste Projeto trazuma parte desenvolvida no mesmo.AMPLIAÇÃO DO PROJETO Dentro de nossas possibilidades, temos conseguido ampliar nossotrabalho, buscando sempre atender às necessidades de nossos alunos e,porque não dizer, às nossas próprias em busca de novos conhecimentose desafios. www.sobama.org.br 17
  18. 18. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADA• No segundo semestre de 1998, foi criado o projeto Desenvolvi mento Desportivo Adaptado- DDA, com o objetivo de participa ção em competições esportivas, a princípio em parceria com o SESI, e a partir de 2000, assumimos o mesmo independente de parcerias. A Unicastelo é hoje um Núcleo do Programa Olimpía das Especiais Brasil e pretendemos que esta iniciativa consiga atingir, além dos objetivos de competição, também os objetivos de um trabalho de extensão.• Apoio pedagógico - criado em 1999, teve como objetivo principal auxiliar os alunos do projeto de EFEA, que não conseguiam va gas nas escolas e, até a presente data, temos conseguido aten der uma média de 15 alunos por ano, onde procuramos desen volver novas estratégias de ensino especial com utilização, tam bém, dos recursos da Educação Física.• Oficina - Para que os alunos, agora os adultos, pudessem pros seguir com suas atividades, uma vez que existem poucos lugar- es que os aceitem, criamos no segundo semestre de 2000, a Oficina que tem por objetivo principal o desenvolvimento profis- sional de adultos, visando, na sequência, até uma colocação no mercado de trabalho.INTERDISCIPLINARIDADE Temos consciência que o trabalho feito por apenas uma área doconhecimento é parcial, não atendendo a todas as necessidades do por-tador de deficiência. Conseguimos, então, a participação de profissionaise alunos das outras faculdades da Universidade que atendem tanto aosnossos alunos como seus responsáveis, uma vez que acreditamos quese a família não for assistida e não participar das atividades de seus fi-lhos, nosso trabalho não terá o êxito esperado. Estes nossos parceirossão das Faculdades de: Educação Física, Psicologia, Odontologia,Fonoaudiologia, Direito, Pedagogia, Fisioterapia e Farmácia.CONCLUSÃO Com esta estrutura, temos conseguido atingir todos os nossosobjetivos bem como estarmos sempre buscando novos desafios. Umaconquista importante que gostariamos de deixar registrado é que hoje, naUnicastelo, nossos alunos especiais não são vistos como pessoas queinspirem medo ou constrangimento. Ao contrário, são respeitados, valo-rizados e amados, participando da vida da Universidade como qualqueroutro aluno. E esta aceitação é fruto de um trabalho de sete anos, o que18 www.sobama.org.br
  19. 19. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADA nos permite afirmar que a tão falada e desejada Inclusão do portador dedeficiência não se dará por decreto, ela será uma conquistada com umtrabalho sério e persistente, respeitando-se também o não portador dedeficiência. É preciso que se trabalhe a conscientização, que se promo-va um aumento no conhecimento geral da população sobre estas pes-soas. Só se tem medo do que não se conhece. Quando os potenciaisdestas pessoas forem conhecidos e quando as pessoas não se acha-rem melhores do que as outras, então sim, poderemos dizer que aexclusão estará por um fio. www.sobama.org.br 19
  20. 20. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADAESPORTES NA NATUREZA: POSSIBILIDADES PARAO DEFICIENTE VISUAL Mey de Abreu van Munster José Júlio Gavião de Almeida Universidade Estadual de Campinas Com o propósito de refletir sobre a prática de esportes na natu-reza, enquanto possibilidades para pessoas com deficiência visual, eas possíveis implicações desta no processo de inclusão social,deparamo-nos com algumas indagações: O que estamos chamandode “esportes na natureza”? De que tipo de prática estamos falando?Quais as possíveis contribuições das referidas práticas para a pessoaportadora de deficiência visual? Como tais modalidades podem ser sig-nificativas e/ou atribuir significado à vida de pessoas portadoras de de-ficiência? É possível visualizar perspectivas de atuação profissional en-volvendo esportes na natureza e as diferentes áreas dentro da Educa-ção Física? A partir destes questionamentos passaremos a discorrersobre as relações entre Esportes na Natureza, Pessoa Portadora deDeficiência e Educação Física. A pescaria pode ser considerada um esporte na natureza? E umatrilha na mata percorrida dentro de um jipe 4x4? E quanto a uma simplescaminhada ou um banho de cachoeira? Dada a diversidade de ambientesque podem ser utilizados como “cenário” e as conseqüências desta apro-priação nem sempre consciente da natureza, visto o emprego de umaenorme variedade de equipamentos e tecnologia para viabilizar as maisdiferentes proezas, e constatadas as diferentes formas de relação entrehomem e natureza, torna-se difícil a tarefa de conceituar o que estamoschamando de “esportes na natureza”. As atividades esportivas que acontecem em contato com ele-mentos da natureza, no meio aéreo, aquático ou terrestre, têm sido ape-lidadas por diferentes termos como esportes de ação, esportes radi-cais, esportes de aventura, eco-esportes, esportes na natureza etc. Tor-na-se necessário fazer algumas considerações à respeito da impreci-são terminológica aqui apresentada. Com relação aos “esportes radicais”, já existem alguns estudosacadêmicos que discutem o tema com bastante propriedade. SegundoFernandes (1998, p.99), os esportes radicais apresentam duas caracte-rísticas que os distinguem: “(...) o comportamento diferenciado expresso pelos indivíduos, ou seja, um comportamento que confronta valores antes esta belecidos frente aos desafios proporcionados por estas práti cas, e também o fato de funcionarem como meio de produzir adrenalina.”20 www.sobama.org.br
  21. 21. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADA A autora aponta ainda para a preocupação em fugir dos meca-nismos de controle social impostos pela natureza, e por outro lado, a pre-ocupação em vencer os limites impostos pela mesma. Afirma que “paraum esporte ser considerado radical não basta somente o desafio ou ocontato com a natureza. É necessário o comportamento diferenciado doindivíduo nesta prática.” No mesmo sentido, ao comentar o elemento “radical” no âmbitoesportivo, Uvinha (2001, p. 26) destaca o gosto pelo risco e pela aventuramanifestado por seus praticantes, e a relação direta entre a referida mo-dalidade e a cultura adolescente, por meio da busca pela inovação e pelaquebra com o tradicional, ou ainda como “uma ferramenta importante nabusca de sua identidade, como um espaço extremamente significativo noqual ele pode experimentar a vida em grupo, a expressão de sentimentos,o gosto pela aventura, elementos estes característicos, porém não exclu-sivos desta fase da vida.” Uvinha (2001) descreve detalhadamente os aspectos como lin-guagem, vestimenta, hábitos e outros elementos sobre os quais éconstruída a identidade de um grupo de skatistas, reforçando a observa-ção de Fernandes (2001) quanto ao comportamento diferenciado dos pra-ticantes dos esportes radicais. Nos esportes na natureza o que se busca é a essência de cadaser humano, a preservação da individualidade e o respeito às diferençasde cada um, sem a imposição de um determinado estereótipo de compor-tamento. Além disso, embora a presença do desafio seja um elementocomum entre esportes radicais e esportes na natureza, optamos por estaúltima denominação devido ao fato de muitas modalidades de esportesradicais acontecerem em meio urbano, como é o caso do skate, bike trial,patins in line, bungee jump e a própria escalada esportiva. O elementoque mais nos interessa nesta relação não é o “radical”, mas sim a nature-za, pela “experiência sensível” que proporciona àqueles que entram emcontato com ela. Para Bruhns (2001, p. S97), a “experiência sensível” é conseqü-ência da fusão de sensações e emoções que afloram durante o contatocom a natureza: “Uma experiência de contemplação, filtrada por valores e con cepções de vida pode emergir, bem como um sentimento de união pelo pertencimento a um cosmo comum e uma fusão, através das relações de composição, fundamentadas numa ética do respeito e não dominação.” O termo “esporte-aventura” também tem sido bastante difundi- www.sobama.org.br 21
  22. 22. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADAdo, inclusive academicamente, mas também se revela inadequado aosnossos objetivos. Ao analisar as possibilidades sociais do esporte,Tubino (1998, p.66) identifica nove correntes de esporte, entre as quaisdestacamos: “Os esportes da natureza, como o nome já diz, são aqueles compromissados com a convivência com o meio ambiente (Ex: os esportes de inverno, vôo livre, caminhadas, corrida de orien tação, etc.). Os esportes de aventura são aqueles em que o risco está presente. (Ex: motocross, enduros, bungee jump, montanhismo, etc.).” Embora concordemos com a diferenciação entre estas duaspossibilidades sociais proposta pelo autor, não acreditamos que o ele-mento que as diferencie seja a presença do risco, uma vez que a práticade esportes na natureza também envolve tal aspecto simplesmente poracontecer num ambiente imprevisível. Os esportes na natureza acontecem predominantemente no queParlebás (1987) denomina de “meio selvagem”. Neste ambiente, o prati-cante está sujeito a variações e alterações do meio, tendo que manter umdiálogo constante com o espaço. Ele deve perceber indícios, adaptar-seàs condições impostas pela natureza e estar atento aos possíveis obstá-culos naturais. “As práticas selvagens requerem um ajuste à novidade euma orientação para a adaptabilidade frente ao imprevisto.” (Parlebás,1987, p. 14) Quando ocorre interação com um ambiente imprevisível, torna-se necessário antecipar a presença do elemento risco, que entre outrosfatores, aumenta conforme a instabilidade do meio. Ao proporem umataxionomia para as atividades de aventura na natureza, Betrán e Betrán(1995) ressaltam que a maioria das modalidades consideradas envolverisco simulado ou fictício, o que denominam de “sensação de risco”, emcontrapartida a situações de risco real, também presentes em determina-das modalidades esportivas na natureza. Consideram ainda o respaldotecnológico como um aspecto atenuante para tal fator, sem contudo extra-ir a sensação de risco que motiva a participação do praticante. Com relação a utilização dos termos “risco” e “aventura”, osautores advertem quanto ao fato de tais elementos serem consideradoscomo inibidores da adesão de um público diferenciado pela faixa etáriaou condições físicas e/ou orgânicas especiais. Se a tecnologia permite calcular e controlar o risco, uma avalia-ção prudente acerca das exigências da modalidade proposta, necessitadiscernimento entre riscos desejáveis e desnecessários. Dessa forma,ao lidar com pessoas portadoras de necessidades especiais, torna-se22 www.sobama.org.br
  23. 23. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADAimprescindível cercar-se de alguns cuidados, para não incorrer em ris-cos desnecessários. A simples utilização de óculos de proteção emtrilhas ou numa pescaria, por exemplo, pode evitar trauma ocular porperfuração de galhos de árvore ou anzol. Conhecer o interesse, as condições de saúde e necessidadesindividuais dos praticantes (como utilização de medicamentos ou colírios)podem auxiliar na prevenção de acidentes e contra-indicações. Lembra-mos que o excesso de cuidados ou a superproteção também não sãosaudáveis. É preciso permitir a conquista da liberdade, ainda que super-visionada, para que a pessoa portadora de deficiência visual reconheçae se conscientize de seus próprios limites. Retomando as considerações terminológicas, é possível afir-mar que os esportes de aventura diferenciam-se em sua concepçãodos esportes na natureza pela busca do extremismo, reforçando a idéiade que “aventura é para poucos”. Um exemplo típico são as famosascorridas de aventura, onde, independentemente dos motivos pelos quaisos indivíduos buscam tal desafio, a extenuação do corpo leva ao limitedas forças físicas e mentais. Ao discorrer sobre as corridas de aventura, Marinho (2001) cha-ma a atenção para o aspecto da desigualdade de acesso a esta modali-dade, que por vezes pode consistir uma prática elitista, por voltar-se auma clientela selecionada e privilegiada. Para que tais modalidades se tornem acessíveis, é necessárioestreitar as relações entre a pedagogia e os esportes na natureza. Diferentemente do que sugerem Betrán e Betrán (1995, p.121),preferimos entender as modalidades esportivas na natureza não en-quanto “atividades físicas” de aventura na natureza (AFAN), devido ao“caráter de maior ou menor gasto energético ao realizar estas práticas epor sua aplicação dentro do grupo de atividades de tempo livre”, masatribuindo às mesmas o status de “esporte”, segundo a concepção dePaes (2002, p.90) acerca deste fenômeno: “A riqueza do esporte está na sua diversidade de significados e re-significados, podendo, entre outras funções, atuar como facilitador na busca da melhor qualidade de vida do ser huma no, em todos os segmentos da sociedade.” Segundo o autor, o esporte deve estar alicerçado em uma pro-posta pedagógica que considere, além dos aspectos técnicos relativos àmodalidade envolvida, a importância de intervir junto ao educando quan-to a aspectos relativos a valores e modos de comportamento. Dessaforma, a prática do esporte deve transcender a questão da metodologia,considerando também sua função educacional. www.sobama.org.br 23
  24. 24. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADA Torna-se necessário visualizar o esporte enquanto alternativapara todos os cidadãos, diferenciado-o daquilo que Paes (2002, p.91)denomina de “prática esportivizada”: “Trata-se de uma prática que se vale dos fundamentos e gestos técnicos de diferentes modalidades, sem nenhum compromis so com os objetivos do cenário em questão.” Limitada à simples execução e repetição de movimentos, a prá-tica esportivizada de atividades na natureza torna-se mercadoria de con-sumo rápido de sensações e emoções, sem permitir maiores reflexõese a internalização de valores e atitudes. Em cachoeiras turisticamenteexploradas, o mito da natureza intocada cede espaço (e haja espaçopara tantas cordas dependuradas em seus flancos!) a pacotes expres-sos de “aventura enlatada”, incluindo uma rápida instrução e garantia deadrenalina, que resultam na ruptura da relação ética e de parceria entreHomem e natureza. Dentro de um referencial metodológico, é possível conferir trata-mento pedagógico às modalidades esportivas na natureza, por meio deatividades de sensibilização para a vivência e educativos relativos às téc-nicas necessárias para a aprendizagem da modalidade. Exercícios diver-sificados, contextualizados e em grau de complexidade progressivo,atividades de sensibilização à natureza e os jogos cooperativos, podemconstituir alternativas para um bom embasamento para esta etapa, poissão características necessárias para uma experiência significativa em mo-dalidades esportivas na natureza. Num segundo momento, segundo abordagem sócio-educativa,é importante propor uma reflexão acerca da experiência vivenciada atra-vés dos esportes na natureza, reavaliando atitudes e despertando novosvalores a partir das relações humanas dentro do grupo e com a natureza. Assim, acreditamos que o esporte na natureza possa vir a sercompreendido enquanto fenômeno sócio-cultural de múltiplas possibilida-des, cujas dimensões sociais podem abranger a educação, o lazer e orendimento, cujas referências principais são, respectivamente, a forma-ção, a participação e a performance (Tubino, 1998). Tubino (1998, p.66) apresenta ainda duas outras dimensõessociais do esporte: “Além disso, as pessoas da terceira idade e os portadores de deficiência física também passaram a disputar competições de rendimento, de lazer e educacionais. O Esporte-Educação, o Esporte-Lazer, o Esporte de Rendimento, o Esporte para Tercei ra Idade e o Esporte para Pessoas Portadoras de Deficiências passaram a ser conhecidas como as dimensões sociais do esporte.”24 www.sobama.org.br
  25. 25. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADA Particularmente, não conseguimos visualizar uma justificativapara que as duas últimas “categorias” (Esporte para Terceira Idade eEsporte para Pessoas Portadoras de Deficiências) não estejam incluí-das nas três primeiras, uma vez que todo trabalho voltado para terceiraidade e pessoas portadoras de deficiência possuem seus objetivoscentrados na formação, participação e/ou performance. As pessoas portadoras de deficiência visual devem ter seusdireitos e deveres encarados como os de quaisquer outras. Desta for-ma, devem ter garantida também a possibilidade de acesso às modali-dades esportivas desenvolvidas na natureza. Se o esporte na natureza envolve desafio, as pessoas cegas ecom baixa visão têm o direito de decidir se querem enfrentá-lo ou não. Seenvolvem risco, devem ser tomados cuidados especiais com a seguran-ça, não específicos por se tratar de pessoas que não enxergam ou enxer-gam pouco, mas por envolver seres humanos em quaisquer condições.Se contemplam objetivos de formação humana, devem envolver tratamentopedagógico e educativos que as diferenciem de práticas esportivizadas epossibilitem o crescimento pessoal, independentemente das característi-cas pessoais. Se pretendem a participação, deve favorecer as relaçõesinter/intrapessoais e sociais, independentemente da condição do ser hu-mano. Concluindo, se inicialmente nossa proposta era refletir sobre aprática de esportes na natureza, o desafio proposto é o de criar reflexos apartir desta, para que se possa caminhar na perspectiva de uma mudançade paradigma social. É necessário que não nos conformemos em ser sim-ples reflexo do sistema social no qual estamos inseridos, mas que crie-mos o nosso próprio reflexo, por nossa identidade e nossas atitudes, paraa construção de uma sociedade mais humana e inclusiva.Referências BibliográficasBETRÁN, Alberto Olivera; BETRÁN, Javier Olivera. Propuesta de unaclassificación taxonómica de las atividades físicas de aventura en lanaturaleza. Apunts: Educacion Física y Deportes, 1995 (41) p. 108-123.BRUHNS, Heloísa Turini. Esporte e natureza: a experiência sensível.Motriz, Revista de Educação Física – UNESP. Rio Claro, v.7. n.1, p. S93-S98, 2001.FERNANDES, Rita de Cássia. Esportes radicais: referências para umestudo acadêmico. Conexões: educação, esporte, lazer. Campinas, v.1,n.1, p. 96-105, 1998.MARINHO, Alcyane. Lazer, natureza e aventura: compartilhando emoçõese compromissos. Revista Brasileira de Ciências do Esporte. Campinas, www.sobama.org.br 25
  26. 26. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADAv.22, n.2, p.143-153, 2001.PAES, Roberto Rodrigues. A pedagogia do esporte e os esportes coletivos.In: ROSE JR., Dante de. Esporte e atividade física na infância e na ado-lescência: uma abordagem multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed, 2002,p.89-98.PARLEBAS, Pierre. Perspectivas para una Educación Fisica moderna.Espanha: Unisport, 1987.TUBINO, Manoel José Gomes. O esporte como fenômeno social impor-tante do século XX e do início do século XXI. In: CONGRESO DEEDUCACIÓN FÍSICA E CIENCIAS DO DEPORTE DOS PAISES DELINGUA PORTUGUESA, 6. Acoruña, 1998. Actas... Galícia: Acoruña, 1998.UVINHA, Ricardo Ricci. Juventude, lazer e esportes radicais. São Paulo:Manole, 2001.26 www.sobama.org.br
  27. 27. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADARECURSOS HUMANOS E O ESPORTE PARA PORTADORES DEDEFICIÊNCIA MENTAL M.Sc. Maria Teresa K. Leitão 1 ; M.Sc. Vagner Roberto Bergamo (Colaborador)2 Normalmente as habilidades esportivas com portadores de defi-ciência mental são trabalhadas em locais tradicionais como instituições,escolas inclusivas ou com classes especiais, centros esportivos públicose pouco difundidos em clubes e academias particulares. Essas atividades são desenvolvidas por professores de edu-cação especial (muito provavelmente pelo fato de que grande parte dasatividades são desenvolvidas na escola especial), fisioterapeutas,terapeutas ocupacionais, alunos/estagiários, ex-atletas, familiares dosalunos e também por professores de educação física, sendo que osobjetivos que são desenvolvidos nessas atividades são os mais varia-dos, que englobam desde a aquisição de habilidade motora básica,melhora do repertório motor, melhora na imagem corporal, mais partici-pação nas atividades familiares, maior reconhecimento da sociedade,auto-estima mais elevada e também, como esporte competitivo. Existem ainda, dois formatos de aplicação das habilidades es-portivas para portadores de deficiência mental, sendo que um delesprivilegia a “performance” esportiva em termos de resultado e o outroprivilegia a ”performance” independente de seu nível de comprometi-mento cognitivo ou motor. No primeiro caso, o formato segue as regras do esporte “conven-cional”, no qual os alunos com melhor desempenho é que representarãosua entidade (instituição/escola, clube) num evento esportivo, como porexemplo, o nadador mais rápido ou o time com mais pontos, sendo que aexigência de um especialista para realizar o trabalho e a exigência da“performance” são importante fatores de exclusão social. No segundo caso, trata-se do programa Olimpíadas Especiaisque é um movimento global iniciado em 1968 nos Estados Unidos porEunice Kennedy Shriver, utilizado em mais de 150 países. Também se-gue as regras do esporte “convencional”, porém as competições sãodivididas em esporte regular (somente para portadores de deficiência),esporte unificado (não portadores de deficiência participando como par-ceiros nos esportes coletivos e em duplas nos esportes individuais) e oesporte adaptado (provas de habilidades de menor complexidade). Não desmerecendo o primeiro, vamos nos deter mais no se-gundo caso por ser objeto de pesquisa mais aprofundado do doutoradoe por estarmos trabalhando diretamente com ele. www.sobama.org.br 27
  28. 28. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADA As Olimpíadas Especiais tem como missão proporcionar trei-namento de no mínimo 08 semanas e competições esportivas durantetodo o ano em 23 modalidades olímpicas, para portadores de deficiên-cia mental a partir dos 08 anos de idade, não importando seu nível decomprometimento intelectual e motor ou seu nível de habilidade, procu-rando dar oportunidade de desenvolvimento das aptidões e troca deexperiências, por meio de um trabalho motivante, consistente e contí-nuo, criando com isso, o hábito da prática esportiva (Special OlympicsInternational, 1997). O que mais difere do outro formato, no entanto, está relacionadocom a filosofia do programa que propõe a participação e dar a todos igual-dade de condições, pois cada um compete em um mesmo grupo comaqueles de igual nível de habilidade e é premiado pelo que conseguiurealizar, enfatizando o esforço de todos. Também, os participantes sãodenominados “atletas” . Essa filosofia enfatiza a inclusão quando valoriza o talento doatleta e não somente o atleta com talento. Além disso, todos aqueles queconquistam o primeiro lugar em suas provas entram para um sorteio quedefine os participantes da próxima competição, desde aquele campeãoda prova de habilidades individuais até aquele campeão com maior“performance” motora. Apesar de algumas críticas quanto à essa formade escolha, é a mais justa, pois valoriza todos os níveis de habilidade etodos têm chances iguais. Nesse sentido, o formato desse programa tem sido visto comode grande importância no processo de inclusão e reconhecimento socialsendo que a diferença e a exclusão ficam bem menos acentuadas, poisproporciona aos atletas portadores de deficiência, o entendimento de suashabilidades e o respeito às diferenças individuais. Não é necessário tam-bém para participar das Olimpíadas Especiais, que os atletas estejamfreqüentando qualquer instituição especializada. Outro ponto importante é que o programa dá ênfase para oenvolvimento de voluntários e familiares e nos cuidados com a saúde doatleta, como pilares de sustentação e apoio para todo o trabalho desen-volvido. São oferecidos regularmente cursos e seminários de treina-mento aos profissionais para que eles possam atuar de maneira com-patível com o programa, nos quais são discutidos alguns princípios taiscomo: as possibilidades de participação transcendem os limites degeografia, nacionalidade, filosofia política, idade, sexo, raça ou religião;os atletas deverão passar, assim que possível, aos programasdesportivos da escola e da comunidade; se incentivará as famílias dosatletas para que desempenhem um papel ativo no programa e tomem28 www.sobama.org.br
  29. 29. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADA parte no treinamento; é de responsabilidade do técnico proporcionaraos atletas especiais um treinamento seguro e intenso, preparando-ostambém para competições locais, municipais, estaduais, nacionais einternacionais.Porém, é importante que todos que estejam atuando como técnicos te-nham um amplo conhecimento da filosofia do programa, das característi-cas da deficiência mental, do esporte que está sendo treinado, de nutri-ção e de preparação física e psicológica para que, além de promover asaúde, o comprometimento com a continuidade da prática esportiva e odomínio do mecanismo das modalidades, possam evitar lesões secundá-rias decorrentes de uma prática esportiva equivocada ou não respeitarema vontade do atleta. Neste caso, o trabalho de voluntários e familiares favorece o pro-cesso de inclusão, mas não garante o amplo conhecimento, principal-mente no que se refere à aplicação da filosofia.Preocupados em verificar o perfil dos profissionais atuando com o progra-ma de treinamento, foi realizada uma pesquisa no 1º semestre desse ano,através de e-mails com mais de 80 núcleos internacionais de OlimpíadasEspeciais, sendo que houve respostas de 56 desses núcleos incluindo 25estados americanos que constituem um núcleo independente o que nãoocorre com outros países. Como informação, encontramos desde núcleos treinando to-das as modalidades (Massachussets – EUA) até aqueles que treinamapenas 05 (Nepal e Uganda). No que se refere ao número de treinado-res, os núcleos do Canadá (7412), Nova Iorque - EUA (5500) e Holanda(4500) são os que mais técnicos têm. Na Fig 1 podemos ter idéia da relação entre número de treina-dores (parte de baixo) número de professores de Educação Física (meio)e o número de familiares/outros profissionais envolvidos (cima). Parafacilitar a compreensão, as respostas foram divididas por região. www.sobama.org.br 29
  30. 30. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADA No caso da Turquia e Nepal, podemos verificar que a maiorparte dos profissionais que atuam são formados em Educação Física.Na Polônia e Itália, há uma divisão igualitária e em Mônaco e Eslovêniaos dados são quase igualitário com relação aos formados e não forma-dos. Já nos outros países, existe uma participação muito maior de fami-liares e outros profissionais não professores de Educação Física, comopor exemplo na Nova Zelândia e Suíça. Na Fig 2 podemos comparar os países das Américas, incluindoaí os Estados Unidos agora como um único núcleo para podermos teruma dimensão mais real. Consta novamente nesses dados, o predomínio de familiarese outros profissionais, com exceção de Paraguai e Brasil. Nos Estados Unidos a diferença é bem evidente e, de acordocom as informações, não há em nenhum núcleo estadual, prevalênciade professores de Educação Física. Como os EUA fundamentam quequalquer pessoa pode trabalhar com Olimpíadas Especiais e têm umacultura de trabalho voluntário muito desenvolvida, não há preocupaçãoem vincular esses técnicos com a Educação Física. Já no Brasil é seguido um princípio diferente, por iniciativa pró-pria, como discutiremos a seguir (Fig 3).30 www.sobama.org.br
  31. 31. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADA Atualmente são desenvolvidos trabalhos em 13 modalidadesesportivas, sendo 11 de verão e 2 de inverno, com 365 técnicos cadas-trados e que todos eles são professores de Educação Física. Constamainda dois familiares, porém, eles atuam com auxiliares supervisiona-dos por professores. Por que existe essa preocupação, no Brasil, de que todos sejamda área de Educação Física? Podemos citar como uma das razões o fato terem sido profes-sores de Educação Física que fundaram o programa no Brasil estando,inclusive, de acordo com os parâmetros atuais que regulamentam aprofissão. A profissão, apesar de pouco utilizada nos outros núcleos, noBrasil tem uma força maior pois tem a disciplina Educação Física Espe-cial no currículo, que abre caminhos para atividades dessa natureza,além de dar conta de trabalhar todos os aspectos (físicos, pedagógicose psicológicos) envolvidos no treinamento dos atletas especiais, tendouma nova visão de inclusão e respeito não só no que se refere aospadrões técnicos e táticos. Se temos problemas no Brasil com alguns professores emrelação à resistência na aplicação da filosofia e identidade das Olimpía-das Especiais, nas competições internacionais podemos verificar que oBrasil é um dos poucos países que respeita integralmente a filosofia,pois quando se monta a equipe nacional, há uma supervisão do traba-lho diário com os professores. A partir daí, o que poderia ser feito para conseguirmos maisatletas e principalmente mais professores? www.sobama.org.br 31
  32. 32. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADA É preciso, além de desmistificar o trabalho com portadores dedeficiência mental junto aos professores, que haja maior divulgação doprograma principalmente nas escolas inclusivas e que se mostre a efi-ciência desse formato de competição por níveis de habilidades nos clu-bes, nas prefeituras e nas academias, promovendo um compromissocom o respeito às individualidades, a responsabilidade com o esporteque treinam. Ampliando as possibilidades de todos, aprendendo sobre aque-les que são diferentes mas que podem inspirar o mundo com a lição deque todos temos qualidades para contribuir, não importando nossaslimitações e que cada um descubra que tem o poder de fazer a diferen-ça.Referências BibliográficasBRUNET, F., BUI-XUÂN, G., DEJEAN, O. (1997). Étude “activités physique,santé, qualité de vie”. Enquête sur les bénéfices des activités physiquessur la santé et la qualité de vie des personnes déficientes intellectuelles.11éme Symposium international sur l´activité physique adaptée SIAPA.Québec, Canadá.FERREIRA, J.R. (1993). A exclusão da diferença: a educação do portadorde deficiência. Piracicaba: Unimep.FREITAS, P.S., CIDADE, R.E.A (1997). Noções sobre educação física eesporte para pessoas portadoras de deficiência: uma abordagem paraprofessores de 1º e 2º graus. UBERLÂNDIA, MG: Gráfica Breda.LAMBERT, J-L. [199-]. Enseignement spécial et handicap mental.Bruxelles, Belgium: Pierre Mardaga éditeur.SHERRILL, C. (1998). Adapted physical activity, recreation andsport:crossdisciplinaryand lifespan. New York:WCB/McGraw-Hill.SPECIAL OLYMPICS INTERNATIONAL, INC. (1997). Tennis - Special Olym-pics Sports Skill Program. S/L.http;//www.specialolympics.com -http://www.olimpiadasespeciais.com.br32 www.sobama.org.br
  33. 33. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADAINCLUSÃO E ESPORTE: Um caminho a percorrer. Prof M.Sc. Sônia Maria Ribeiro Universidade da Região de Joinville Na última década o movimento inclusivo no Brasil, vem sendointensificado. As pesquisas, que possuem este tema como objeto de es-tudo, não ficam restritas apenas ao contexto educacional, expandindo-separa investigações na área social, profissional, e mais recentemente nolazer e esporte. A realização de debates, encontros, seminários, apontam paraa importância de encontrarmos mecanismos práticos que atendam asmetas da inclusão e consequentemente permita aos profissionais en-frentar o desafio maior que ela nos impõe : trabalhar com a diversidadehumana. Considerando a complexidade que gira em torno da inclusão, eque a mesma é hoje uma realidade social, seria incoerente deixarmos aresponsabilidade da inclusão para as políticas públicas, municipal, esta-dual e federal, e a elas atribuir a responsabilidade do viés que vem ocor-rendo na construção de uma sociedade inclusiva. Na busca da criação e manutenção de escolas e comunidadesrealmente inclusivas, as crianças e os professores devem enxergar-secomo agentes ativos para as mudanças, dispondo-se a enfrentar e de-safiar os estereótipos e o comportamento opressivo e discriminatórioque ainda persiste em nosso meio social. (Sapon-Shevin, 1999) Analisando as condições pelas quais as pessoas com neces-sidades especiais perpassaram durante várias décadas, sendo atémesmo desprezadas, fica possível compreender o porque que determi-nadas atitudes ainda são possíveis de serem encontradas em nossasociedade. Embora, essas atitudes estigmatizantes sirvam comoreferencial de algo que queremos mudar, elas podem ser o ponto departida para a compreensão da dificuldade que a sociedade apresenta,até hoje, em lidar com a diferença. Dificuldade, esta, que necessita sereliminada, uma vez que a sociedade vive na diversidade. E neste ponto, cabe uma questão. Será que mesmo com todaesta gama de diversidade, com as quais nos deparamos diariamente,existe uma tolerância no nível de aceitação das diferenças? É fato que ahomogeneidade possibilita um grau de previsibilidade, que por sua vezgera tranqüilidade, e quanto mais propicio um espaço diversificado, aprevisibilidade diminui, e aí surge a insegurança. Um indivíduo comvisão parcial, ou cego; um indivíduo surdo, outro que usa cadeira derodas; quando colocados em um mesmo ambiente vão gerar reações www.sobama.org.br 33
  34. 34. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADAdiferentes, porque cada um cria situações diferentes, em função dascaracterísticas motoras que possuem, das necessidades individuais edas experiências já vividas. Neste caso a insegurança poderá ser minimizada através deinformações sobre as limitações que o grupo apresenta, além da iden-tificação do potencial existente. O que nos permite dizer que a inclusão é um movimento querealmente oportuniza a participação efetiva de todos os membros da soci-edade? O movimento unilateral, na qual a integração foi conduzida,enfatizava que a pessoa com necessidade educacional especial deve-ria adaptar-se à sociedade, para poder fazer parte da mesma, ou sejaser “normal”. Para Doré (1997:174) integração é o processo pelo qual setenta sobrepor à inadaptação um regime escolar o mais próximo possí-vel do regime estabelecido para crianças ditas normais. Associa-se aintegração ao processo de normalização. O avanço provocado pela inclusão encontra-se no movimentobilateral, onde tanto a pessoa como a sociedade buscam meios deresolver os problemas, buscando conjuntamente a equiparação de opor-tunidade para todos, respeitando as necessidades de cada um. Inclusão é o processo pela qual a sociedade se adapta para po-der incluir, em seus sistemas sociais gerais, pessoas com necessidadeseducacionais especiais e, simultaneamente, estas se preparam para as-sumir seus papéis na sociedade. (Sassaki,1997:41) Como a inclusão passou a ser um desafio para todos os segui-mentos da sociedade, os profissionais da Educação Física, tambéminseridos nesse contexto, vêem-se diante de uma situação, que até en-tão não era discutida, sendo portanto, inédita e que merece atenção. Aoutilizar o termo inédita, não estou me reportando as atividades da educa-ção física, esporte, lazer e recreação para pessoas com necessidadeseducacionais especiais, pois neste caso não existe inclusão. O queocorre é a oportunidade de grupos de pessoas que apresentam neces-sidades especiais participarem entre si de algumas atividades ofereci-das pela Educação Física. Deste modo, para que haja uma preparação adequada, é im-portante que os profissionais envolvidos nesse processo conheçam osPrincípios da inclusão.Figura 01: Princípios da Inclusão, baseado em Sassaki (1997)34 www.sobama.org.br
  35. 35. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADA A proposta do sistema inclusivo, está oportunizando a participa-ção de pessoas com necessidades especiais em ambientes até entãoexclusivos apenas aos “normais”, sendo assim, é importante que o pro-fissional de educação física compreenda o processo pelo qual o fenô-meno da inclusão ocorre, e como a Educação, pelo fato de estar pratica-mente há dez anos trabalhando com ensino inclusivo, tem procuradoviabilizar de forma mais efetiva tal fenômeno. Nesse desencadear, cabe nesse momento, tecer alguns co-mentários sobre o esporte com suas dimensões sociais, para a buscada viabilização do esporte como atividade inclusiva. A leitura sobre esporte remete para momentos de compreen-são histórica da sociedade como um todo, uma vez que as atividadesesportivas fizeram e ainda fazem parte do processo de construção dohomem no seu meio cultural. Ao esporte foi atribuído várias facetas, orasendo exclusivo da classe dominante, somente aos burgueses era per-mitido a prática do esporte. Em outro momento, sendo apresentadocomo atividade popular, garantindo a todos o acesso à prática esportiva. Quando se busca uma definição para esporte é comum encon-trar três componentes fazendo parte deste: o esforço muscular, a com-petição e a institucionalização. O esforço muscular refere-se a atividadefísica; a competição refere-se a rivalidade e a institucionalização supõeque os acontecimentos esportivos acontecem segundo normas especí-ficas e reconhecidas, e fazem com que sua organização sejapossível.(Brigatti,1994) O século XX foi marcado por constantes estudos, tanto por pro-fissionais da área de Educação Física, Psicologia, Sociologia entre ou www.sobama.org.br 35
  36. 36. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADAtros, visando compreender a extensão e as formas pelas quais o espor-te se consolidou como um dos fenômenos de destaque deste século. Tubino (1992), ao fazer um estudo sobre o esporte enquantofenômeno social, apresenta três formas de manifestações esportivas:a) esporte-educação : esporte como manifestação educacional, e indis-pensável na formação e no processo de emancipação dos jovens; b)esporte- participação ou esporte-popular: é referenciado como o princí-pio do prazer lúdico, o uso do tempo livre, e tem como finalidade o bem-estar social dos seus praticantes; c) esporte-performance ou de rendi-mento: é uma das mais antigas concepções do esporte, é o esporteespetáculo, praticado apenas pelos talentos esportivos. Diante do exposto, quando o termo inclusão no esporte é utiliza-do, o mesmo refere-se a participação de pessoas com e sem necessi-dades especiais, com metas e objetivos semelhantes, em quaisquerdestas dimensões. A participação conjunta na busca da inclusão, gera uma situa-ção que necessita reflexão. Como proporcionar a prática do esportepara pessoas que possuem, habilidades, realidade(familiar e social),cultura, limitações físicas, cognitivas, comportamental, entre outras, tãovariadas? Certamente, apenas oportunizar a prática da atividade esportivanão garantirá automaticamente a inclusão. Para que esta ocorra, é im-portante que todos os envolvidos estejam fazendo parte do objetivo daatividade, seja ele educacional, lazer ou rendimento. A existência deobjetivos pessoais que atendam as características, interesses ou aindaas necessidades individuais, tornará o esporte interessantes para to-dos. O respeito as diferenças poderá gerar fontes de análises inte-ressantes e complexas por parte de todos os presentes, criando mo-mentos propícios para discussões sobre como lidamos com a diversi-dade e como tornar possível e produtiva, para ambos, esta convivência. Os profissionais que atuam diretamente com esporte, seja daeducação física ou áreas afins, não devem ser indiferentes as diferen-ças existentes, ou ignorar a diversidade que os cerca. Ao contrário, deve-rão conhecer as características do grupo, até mesmo para diagnosticarse o espaço, onde a prática se realizará, está preparado para receberum grupo diversificado. Alguns itens merecem atenção, acessibilidade arquitetônicagarantida à todos em todos os espaços, sensibilização dos recursoshumanos, adequação dos recursos materiais, sensibilização detodos(pais, responsável, professores, alunos/esportistas) sobre a pro-posta inclusiva. Este último, evitará o constrangimento de algum partici-36 www.sobama.org.br
  37. 37. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADApante se sentir deslocado durante as atividades. Tem-se pela frente um longo caminho a percorrer, para que ainclusão possa ocorrer em todas as dimensões do esporte, no entantoeste caminho poderá tornar-se mais fácil se todos os envolvidos busca-rem informações, não apenas nos livros, mas com as pessoas envolvi-das diretamente no trabalho de inclusão e principalmente com o indiví-duo que tem algum tipo de limitação. Ele poderá ter, ou até mesmo ser aresposta para muitas perguntas.Referências BibliográficasBrigatti, Maria Elisete. O termo esporte: perspectivas históricas. In. II En-contro Nacional de História do Esporte, Lazer e Educação Física. Anaisdo Encontro-1994. DEF/UEPG-FEF/UNICAMP, 1994.Doré, Robert, et alli. A integração escolar: os principais conceitos, osdesafios e os fatores de sucesso no secundário. In: Mantoan, MariaTeresa Eglér. A integração de pessoas com deficiência: contribuiçõespara uma reflexão sobre o tema. São Paulo: Memnon: Editora SENAC,1997.Sapon-Shevin, Mara. Celebrando a diversidade, Criando a Comunidade:O currículo que honra as diferenças, baseando-se nelas. In: Stainback,Susan. Inclusão: um guia para educadores. Porto Alegre: Artes MédicasSul,1999.Sassaki, Romeu Kazumi. Inclusão - Construindo uma sociedade paratodos. Rio de Janeiro: WVA, 1997.Tubino, Manoel José Gomes. As dimensões sociais do esporte. SãoPaulo: Cortez: Autores Associados, 1992. www.sobama.org.br 37
  38. 38. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADAEDUCAÇÃO FÍSICA E A ESCOLA INCLUSIVA Autora: Sonia Maria Toyoshima Lima (Universidade Estadual de Maringá), Doutoranda na Universidade Estadual de Campinas - Orientador Prof. Dr. Edison Duarte. Através do tema proposto e da participação efetiva de diferentespessoas, desde graduandos, professores, coordenadores de escolase até representante do ministério público federal, nos possibilita apontaralguns fatos ao qual nos deparamos e defrontamos no processo dedebate e embates ocorridos na temática sobre a escola inclusiva. Inicialmente relembramos que a busca de uma escola inclusi-va não limita-se a política Nacional, mas a um fator Mundial. Processoesse deflagrado com diferentes intervenções políticas sociais, que orasão utilizadas de forma ditatorial, e ora que procuram buscar soluçõespara delinear algo novo com fundamentação nas bases escolares. Identificamos que o texto constitucional de 1988, menciona noArt.205, a educação como direito de todos e dever do Estado e da família.No Art. 206, verificamos princípios eminentemente democrático, cujosentido é nortear a educação, citando: a igualdade de convicções não sópara o acesso, mas também para a permanência na escola; a liberdadede aprender, ensinar e divulgar o pensamento; o pluralismo de idéias econcepções pedagógicas; a coexistência de instituições públicas e pri-vadas; a existência de ensino público gratuito e a gestão democrática doensino público. A linha mestra estabelecida pela Constituição é detalhada naLei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (9394/96) que vemratificar normas sobre a igualdade de oportunidades para todas pesso-as, inclusive às com deficiência. Idéias essas que também são descri-tas na Declaração Mundial, na Declaração de Direitos Humanos, naConstituição Federal promulgada em 1981, no Estatuto da Criança edos Adolescentes, dentre outros. Ferreira (1998) e Omote (1996) apontam que a lei sinaliza alte-rações importantes nas políticas de atendimento educacional, proporci-onando discussões que vem contribuir para um repensar educacional. Alguns participantes do fórum com seus anseios e expectativasdescreveram: “que confusão!”; “como irão ficar as pessoas que possuideficiência mais severas?”; “como fazer se os professores não estãopreparados?”; “como fazer se a conscientização também deverá ocorrercom pais, familiares, diretores, enfim de toda sociedade, sobre a impor-tância da não discriminação?”; “a escola atual já tem dificuldade deincluir e atender alunos com dificuldades, como poderá ela dar conta de38 www.sobama.org.br
  39. 39. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADAatender adequadamente a todos?”; “espero que não seja somentemodismo”; “falta um projeto político pedagógico com uma abordagemclara e objetiva”; “eu acredito na inclusão e acho válido, se não for ape-nas uma lei no papel”; Diagnosticamos que a proposta do ensino inclusivo tem mui-tos adeptos, várias pessoas com objeção, e alguns adversários. Mas,consideramos que o paradigma, vem deflagrar uma reflexão políticosocial e educacional, principalmente no que concerne a uma sociedadeque tenha ações contra o preconceito. O momento histórico em favor da integração da criança comdeficiência, inicia segundo Bank-Milkkelsen, (1980) nos países nórdi-cos quando se questionaram as práticas sociais e escolares de segre-gação. No Brasil conforme descreve Will (1986) citado por Saint-Laurent(1997), o movimento inicia-se na década de 80, tendo seu transcorrerhistórico até os dias de hoje. A efetivação ocorre na Conferência Mundial sobre Educaçãopara Todos, em 1990, que a seguir desencadea em Salamanca, naEspanha, em 1994, na Conferência Mundial sobre necessidadeseducativas especiais, a proposição de promover a Educação para To-dos, analisando fundamentalmente, as mudanças de políticas neces-sárias para favorecer o enfoque de uma educação integradora, sobretu-do às com necessidades educacionais especiais. A Declaração de Salamanca, cujos princípios norteados são: oreconhecimento da diferenças, o atendimento às necessidades de cadaum, a promoção da aprendizagem, o reconhecimento da importância daescola para todos e a formação de professores com a perspectiva deum mundo inclusivo, onde todos têm direito a participação na socieda-de, em busca da realização do mais alto nível de democracia. O repensar político, social, cultural e educacional do assuntoem questão podem ser constatados nos escritos de Januzzi (1992),Ferreira (1992, 1993), Stainback & Stainback (1992,1999), Bueno (1993),Glat 1995,1998), Mazzota (1996), Omote (1996), Skliar (1997), Sassaki(1997), Mantoan (1997,1999), Carmo (2001) entre outros, tendo comolinha mestre, o direto de acesso a escola e ao conhecimento voltadopara todos os indivíduos. A efetivação e os desejos quanto a uma educação voltada paratodos, dimensionam novos paradigmas, como o de integrar e incluir.Uma das opções de integração escolar conforme descreve Werneck(1997), denomina-se mainstreaming, ou seja, “corrente principal” e seusentido é análogo a um canal educativo geral, que em seu fluxo vai www.sobama.org.br 39
  40. 40. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADAcarregando todo tipo de aluno com ou sem capacidade ou necessidadeespecífica. Esse processo de integração se traduz por uma estruturaintitulada sistema de cascata, que segundo Glat (1995), deve favorecer o“ambiente o menos restrito possível”, onde o aluno, em todas as etapasda integração, passa a transitar no “sistema” da classe regular ao ensi-no especial. A outra opção de inserção, segundo Mantoan (1999-a) é a inclu-são que questiona não somente as políticas e a organização da educa-ção especial e regular, mas também o conceito de mainstreaming. Aidéia de escola inclusiva, conforme a autora acima citada, deporta ovocábulo integração, uma vez que o objetivo é incluir um aluno ou umgrupo de alunos que já foram anteriormente excluídos; a meta primordi-al da inclusão ainda segundo Mantoan (1999-b), é a de não deixar nin-guém no exterior do ensino regular, desde o começo3 . A escola inclusiva propõem um modo de se constituir o sistemaeducacional onde se considera as necessidades de todos os alunos eas mesmas são estruturadas em virtude dessas necessidades. A mudança de perspectiva educacional não se limita a benefici-ar somente os alunos que apresentam dificuldades na escola, masapoia professores, alunos, pessoal técnico-administrativo e comunida-de, como bem menciona Stainback & Stainback (1999). Outra abordagem interessante da inclusão é a do caleidoscó-pio. Esta imagem foi assim descrita: “o caleidoscópio precisa de todosos pedaços que o compõem. Quando se retira pedaços dele, o desenhose torna menos complexo, menos rico. As crianças se desenvolvem,aprendem e evoluem melhor em um ambiente rico e variado” (Forest &Lusthaus, (1987), citado por Mantoan, (1999-b), reconhecendo sobre aimportância e a valorização de todos. Entendemos que por trás de quem manuseia o caleidoscópioemerge pessoas, pessoas que possui inseridos em seu ser aspectosdo contexto político, econômico, social, cultural e educacional que po-dem ou não propiciar a concretização da escola para todos em nossosistema social e educacional. Portanto, travar um embate contra uma sociedade que aindapossui características excludente e separatista, que ainda marca a efici-ência e a competição, e que traz consigo o estigma segregacionista faz-se necessário. É necessário considerar as diferenças como algo ine-rente às relações humanas, é respeitar, aceitar e valorizar as limitaçõesde cada ser humano como cidadão de nosso meio social.40 www.sobama.org.br
  41. 41. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADA A educação para todos é um dos inalienáveis direitos cívicos,onde o conceito de igualdade expresso na frase “igualdade de oportuni-dades”, deflagra mais um fator de crise que sinaliza à busca de diferen-tes práticas pedagógicas, principalmente quanto as relações sociais. Para compreender e reconhecer as diferenças, identificar que otempo não é igual para todos, e que todos têm direitos, é necessário quese abandone os rótulos, as classificações, os conceitos existentes, e ospreconceitos formulados. É refletir e concretizar ações em busca doexercício pleno da cidadania de todo e qualquer indivíduo. É ultrapassara tradição conteudista, onde a transmissão de conhecimentos científi-cos estabelecem-se como prontos e inquestionáveis, é considerar queos alunos não são “tábulas-rasas”. Principalmente considerarmos a alteridade como pleno emnossa apropriação do saber, em nossas práticas de ensino e que aheterogeneidade diz respeito ao eu e o outro, a nós e ao nosso mundo,enquanto processo de um constante transformar. Tal reflexão deve ir além da organização de subsídios e o de-senvolvimento de uma escola que satisfaça apenas o consumo, a repe-tição de informações, mas, para a que se preocupa em cultivar umareflexão crítica sobre a realidade social, renovando o conhecimento paraultrapassar o conservadorismo. A educação inclusiva implica na criação de alternativasmetodológicas que contenha em seus princípios a operacionalização demeios para proporcionar a compactuação das experiências tanto individu-ais, quanto coletivas. E para verificar que esse entendimento é perceptivo as pesso-as que participavam do debate, retornamos aos seus escritos a qualverificamos que os mesmos estão igualmente relevando sobre essasquestões, alguns mencionam “as diferenças devem ser compreendi-das como individualidades e o intercâmbio entre pessoas diferentes,possibilita o aprendizado de sistema, pensamentos, ações de todosparticipantes”; “espero perfeita integração entre todos na escola: alunosx alunos, alunos x professores, alunos x funcionários, alunos x direção....sem discriminação”; “...o ensino inclusivo será uma oportunidade daspessoas portadoras de necessidades especiais de mostrar suaspotencialidades”; “espero que esta inclusão favoreça não somente aosportadores de necessidades especiais, mas também a todos os outrosalunos, pois a convivência com pessoas é muito importante no cresci-mento total do ser humano”; “espero que aconteça mesmo que sejaainda um processo longo”; “visto que a escola é um dos meios maiseficazes para o combate de atitudes discriminatórias, criar uma verda-deira sociedade para o desenvolvimento das relações sócio afetivas é www.sobama.org.br 41
  42. 42. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADAimportante”; “minha visão do ensino inclusivo é preparar para o mundo”;“que o ensino inclusivo venha comportar todas as diferenças, respeitan-do a maneira de aprender de todos seus limites”; “o ensino inclusivopode e deve fazer parte da sociedade, de suas funções educacionais,sociais, políticas quanto para a sociedade aprender a respeitar e a lidarcom pessoas portadoras de deficiência como com qualquer pessoa”;“sabemos que possuímos nossos limites e dificuldades e isso irá propor-cionar um crescimento pessoal de todos”. A inclusão é igualmente um motivo que leva ao aprimoramentoda capacitação profissional dos professores, constituindo um motivopara que a escola se modernize em prol de uma sociedade a qual nãodeverá haver espaço para preconceitos, discriminação, barreiras soci-ais e/ou culturais. Essas questões também entraram em pauta em al-guns escritos mencionando: “os professores e demais funcionários daescola não estão preparados para tal procedimento”; “os professoresnão estão preparados para esse tipo de intervenção”; “...uma idéia mui-to boa e essencial, porém, ainda estamos imaturos para aplicá-la. Apessoa portadora de deficiência necessita ser inserida na sociedade deuma maneira geral, principalmente na escola, mas nossos professoresnão estão preparados para educá-los. Inclusão sim, mas com qualida-de”; “a proposta é muito boa, mas devemos ver se a estrutura da escolasão adequadas”; “espero que a escola inclusiva saia do discurso, por-que na prática isso não acontece”; “vejo o ensino inclusivo como promis-sor na educação atual, mas esperamos estar capacitados à trabalhar esaber trabalhar com o ensino inclusivo”. Para corroborar com os enunciados e a reflexão do grupo, bus-camos os escritos de Mialaret(1981, p.147) onde menciona que aindanão exploramos de forma satisfatória todas as possibilidades que osprogressos da ciência nos oferecem. No entanto, numerosas investiga-ções têm contribuído com um conjunto apreciável de resultados, faltan-do-nos interrelacionar e trocar as experiências que permitam integrar osresultados obtidos de forma mais sólida, com perspectivas mais efetivas,fatos esses também debatidos entre os participantes do mini-fórum,trocas que enfatizamos como relevante no paradigma em questão. Admitimos que a natureza conflitante do campo de formaçãoprofissional justifica-se pelo fato de a própria sociedade apresentar ten-dências contraditórias, mas necessitamos legitimar a estrutura das com-petências sobre a prática docente. E a Educação Física/Educação Física Adaptada? Será que amesma vem acompanhando o processo de evolução das novas tendên-cias educacionais?42 www.sobama.org.br
  43. 43. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADA Ao emergir nesse universo, rebuscamos momentos históricosonde a Educação Física, de origem higienista e militarista, é tambéminicialmente demarcada por uma ordem técnica, de caráter fortementebiológico e desportivo. Bracht (1992), Castellani Filho(1988), Soares(1994), Guiraldelli Jr. (1989), entre outros, discutem esse aspecto, apon-tando para a necessidade de analisá-la criticamente, econtextualizadamente, uma vez que a busca pela eficiência e pelo rendi-mento, acabam por privilegiar uma camada de sujeitos aptos ao exercí-cio e ao esforço físico intensivo. Consideramos que o processo de transformação na EducaçãoFísica também tem o transcurso evolutivo que percorre de forma parale-la, podendo ser constatados modificações desde o âmbito da nomen-clatura, até às formas metodológicas de trabalho a qual muitas lutas emobilizações também têm sido realizadas para uma conscientizaçãodesse novo paradigma social. Mas estratégias de ação para organizar, estruturar e efetivardiscussões e reflexões sobre a escola para todos ainda são andarestitubiantes, mas que poderá caminhar em prol de um mundo com maisdignidade e alteridade. Sentimos a necessidade de que devemos proporcionar maioressubsídios teóricos e práticos, para respaldar a ampliação nesse contextode conhecimento, pois identificamos entre os participantes do fórum quemuitos se mantém ansiosos em não possuir muito claro sobre a forma docomo desenvolver atividades no paradigma em questão. Principalmentequando refletimos que além da concepção na promoção de mudança noensino para a formação de futuros seres humanos, devemos construirações especialmente nas relações com o mundo. Portanto vale ressaltar e reforçar que as nossas práticas peda-gógicas deverão conter uma aprendizagem ativa e cooperativa para avalorização das capacidades. Somente assim conseguiremos buscarnovos instrumentos de ações pedagógicas para uma práxis reflexiva embusca da autonomia do ser humano. Agir nesse tema paradigmático é permear no repensar sobreconceitos, preconceitos, nos valores políticos e sociais, é mergulhar naorganização e reorganização em busca dos direitos de todo ser huma-no. Mesmo sabendo que o desfrutar da sombra frondosa de uma árvoredar-se-á muito mais tarde. O importante é reconhecer que estamos se-meando em diferentes terrenos, onde algumas sementes florescerão eoutras não; mas que as copas das que florescerem fornecerão frutos.Diz uma participante “sei que dessa sombra não desfrutarei, mas pre-tendo auxiliar nesse semear”. Mas ainda ficam muitas dúvidas, angustias, indagações e ex- www.sobama.org.br 43
  44. 44. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADApectativas, mencionam alguns participantes “penso que o ensino inclu-sivo ainda não preenche as expectativas no que se refere a qualidade dotrabalho desenvolvido. O professor não está ainda preparado. A escolanão está ainda adequada. Será que a pessoa com deficiência não seráprejudicada nesse momento de transição????”; “a expectativa é de quese consolide como uma proposta que vença as contradições estruturaisda escola tradicional vencendo barreiras culturais”; “a expectativa é quepossa iniciar uma atitude mais humana na sociedade em que vivemos,transformando os valores vigentes estagnados, que atenda a diversida-de dos homens, que solidifique o partilhar e cooperar nas relações so-ciais, sem ostentar a ‘caridade’, mas o respeito as particularidades”;“possibilitar a sociedade a convivência respeitando os limites, desen-volvendo cidadão mais sociável, numa sociedade tão exclusiva. Envolto a tantos questionamentos e dúvidas uma certeza te-mos, a de que estamos trabalhando para minimizar a discriminação embusca dos direitos humanos. Finalizo com os dizeres de um participan-te, fazendo minhas as palavras dele, comentando que a responsabilida-de é de todos nós. Vida mais feliz e justa para todos. Vamos ser umagente vigente.Referências BibliográficasBANK-MILKKELSEN, N,E. The normalization principle. In: FLYNN, R. J.;NITSH, L. E. Normalization, social integration and community services.Baltimore, MD: University Park Press, 1980.BRACHT, V. Educação Física e aprendizagem social. Porto Alegre:Magister, 1992.BRASIL. Secretaria de Educação Especial. Política Nacional de Educa-ção Especial Brasília: MEC/SEESP, 1994.BRASIL, Ministério da Educação e Cultura. Parecer nº215/87. ConselhoFederal de Educação. 1987.CARMO, A. A.CASTELANI FILHO, L. Educação física no Brasil: a história que não seconta. São Paulo: Papirus, 1988.FERREIRA, J. R. Notas sobre a evolução dos serviços de especial noBrasil. In: Revista Brasileira de Educação Especial. Unimep. v.1, n.1,1992.______. A exclusão da diferença: a educação do portador de deficiência.Piracicaba: Unimep, 1993.GLAT, R. A integração social dos portadores de deficiência: uma reflexão.Rio de Janeiro: Sette Letras, 1995.44 www.sobama.org.br
  45. 45. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADA______Capacitação de professores: pré-requisito para uma escola aber-ta à diversidade. In: III CONGRESSO IBERO-AMERICANO DE EDUCA-ÇÃO ESPECIAL. Diversidade na educação: desafio para o novo milênio.Foz do Iguaçu, 1998.GUIRALDELLI JUNIOR, P. Educação Física da licenciatura no Brasil: as-pectos legais, institucionais e curriculares. São Paulo: Loyola, 1988.JANNUZZI, G. A luta pela educação do deficiente metal no Brasil. Campi-nas: Editora Autores Associados, 1992.MANTOAN, M. T. E. Inclusão escolar de deficientes mentais: que forma-ção para professores? In: A integração de pessoas com deficiência: con-tribuições para uma reflexão sobre o tema. São Paulo: MEMNON, 1997.______ Integração x Inclusão: escola (de qualidade) para todos. Depar-tamento de Metodologia de Ensino. Laboratório de Estudos e Pesquisasem Ensino e Reabilitação de pessoas deficiente – LEPED/ UNICAMP, 1999-a. Mimeo______ Educação escolar de deficientes mentais: problemas para a pes-quisa e o desenvolvimento. Departamento de Metodologia de Ensino.Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Reabilitação de pesso-as deficiente – LEPED/UNICAMP, 1999-b. MimeoMAZZOTA, M. J. S. Educação especial no Brasil: história e políticas públi-cas. São Paulo: Cortez, 1996.MIALARET, Gaston. A formação dos professores. Tradução de JoaquimF. Machado. Livraria Almedina, Coimbra, 1981.MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CIÊNCIA. Declaração de Salamanca elinha de ação sobre necessidades educativas especiais. ConferênciaMundial sobre necessidades educativas especiais: acesso e qualidade.Salamanca: Organização das Nações Unidas para a Educação a Ciênciae a Cultura, Espanha, 1994.MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CIÊNCIA. A Educação especial na for-mação de profissionais. In: Revista Brasileira de Educação Especial.Piracicaba, v .1, n.2, 1994.OMOTE, S. et. al. Dificuldades e perspectivas para habilitação em Educa-ção Especial. in: Revista Brasileira de Educação Especial. São Paulo:Universidade Metodista de Piracicaba, v.II, n.4, 1996.SAINT-LAURENT, L. A educação de alunos com necessidades especiais.In: MANTOAN, M. T. E. A integração de pessoas com deficiência: contri-buições para uma reflexão sobre o tema. São Paulo: Memnon, 1997.SASSAKI, R. K. Inclusão/ construindo uma sociedade para todos. Rios deJaneiro: WVA, 1997.SKLIAR, C. Educação & exclusão: abordagens sócio-antropológicas emeducação especial. Porto Alegre: Mediação, 1997. www.sobama.org.br 45
  46. 46. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADASOARES, C. L. Educação Física: raízes européias e Brasil. São Paulo:Campinas, 1994.STAINBACK, W.; STAINBACK, S.; STEFANICH, G; ALPER, S. A Aprendiza-gem nas classes inclusivas, e o currículo? In: STAINBACK, W., et al.Curriculum considerrations in inclusive classrooms: facilitating learningfor all students. Baltimore: Brookes, 1992.WERNECK, C. Ninguém mais vai ser bonzinho na sociedade inclusiva.Rio de Janeiro: WVA, 1997.WILL, M. C. Educating students with learning problems: a sharedresponsability. Except Children, v.42, p.411-5, 1986.46 www.sobama.org.br
  47. 47. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADALAZER E A PESSOA COM DEFICIÊNCIA Márcia Ortiz A sala lotada. Mais de 60 pessoas registravam olhos atentos amovimentos e palavras. Era uma platéia formada por profissionais pro-fessores de universidades, estudantes, basicamente vindos da educa-ção física. Uma grande parte com experiência profissional na temática:lazer relacionado com a pessoa com deficiência. Fazendo parte desta,duas pessoas com deficiência: uma com deficiência visual e outra, físi-ca. Sugeri uma atividade para que pudéssemos iniciar aquele nossoencontro de uma forma dinâmica:-Gostaria que muitos de vocês dissessem seu nome e com a mesma letrainicial deste nome, enunciassem um momento de lazer particular – umdos seus melhores momentos de lazer!!! Assim, ao mesmo tempo em que eu aprendia o nome de todos(eu jurei decorar!!!) eu os conhecia um pouco ... Iniciei dando exemplo domeu próprio nome: - “Márcia ... Mergulhar no mar”. Aos poucos foram surgindo diferentes nomes e, atrelados aeles, conforme o sugerido, ações de lazer. Inicialmente as pessoas mos-travam-se acanhadas por revelarem algo de si perante todos ou quemsabe, por ter de se colocar em público. Com a exposição dos primeiros,encorajaram-se outros e outros e, por fim todos levantavam a mão semexitar, ansiosos para não perderem a oportunidade de participar:- “Menescal... música (escutar)” - “Ana .... alpinismo” -“Renata .... rapel” Algumas sensações eram despertas no grupo. Por vezes, ou-via-se algum barulho negando ou de acordo com a idéia apresentadapela Maria ou pelo João....- “Neno... namorar” (acredito que pelo Ah!!!! expressado, o grupo comonuma resposta unânime, concordou com o Neno) O quadro negro estava repleto das sugestões ora apresenta-das pelos sujeitos. Em seguida sugeri que fizéssemos um exercícioindividualmente, percebendo a sensação de nossos corpos medianteesta ou aquela situação de lazer ali transcrita. Muitos fecharam os olhoscomo que para perceber melhor a emoção em seus corpos. (Pergunteise seria necessário ler o que estava escrito no quadro para a pessoacom deficiência visual, porém ela disse que conseguiria recordar o quehavia sido dito por muitos). Falamos naquele momento de algumassituações descritas que não se apresentavam como lazer para cada umde nós:- “Nunca num momento de lazer eu escalaria uma montanha!” – falou um.- “Eu jamais considero ir ao shopping lazer!” - disse outro.-“Ah! Pode ser para você. Decididamente para mim isto não é lazer”. Re- www.sobama.org.br 47
  48. 48. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADAtrucou um.-“Isto é demais! Como você não percebe?” Defendeu-se o outro. Descobrimos em nossos corpos desconfortos e alegrias, me-dos e coragens, desejos e falta de apetite, emoção e razão; opostos quede certa forma, não estão previstos em nossos momentos de lazer.Chegamos então, a uma conclusão:- “É muito difícil traduzir, definir ou conceituar lazer! O que é lazer paramim não necessariamente é lazer par o outro”. Comentei. Inúmeras são às vezes que discutimos lazer como substantivomasculino. Isto ou aquilo! Esta ou aquela atividade, neste tempo, com esteconteúdo, com esta “atitude” ou aquela satisfação, depende do senti-mento que traz a alma. MARCELLINO foi citado justificando o comentá-rio: ”Aquilo que pode ser altamente atraente e prazeroso para determina-da pessoa, não raro significa tédio ou desconforto para outro indivíduo”.Cada um percebe que tem um gosto. Para cada um o lazer tem umsignificado diferente e, o que é lazer para um definitivamente pode nãoser para outro. Bom, já sabíamos que tínhamos um árduo trabalho pelafrente: como falar de algo que nem bem ao certo conceituamos ou defi-nimos? Ao ser convidada para estar no congresso da SOBAMA, pensei:são tantas coisas a falar. A cada dia mudava de idéia e pensava emabordar algo diferente, gostaria de algo que realmente pudesse tornar-se significativo na minha fala. Lazer, um substantivo masculino segundo AURÉLIO BUARQUEDE HOLANDA FERREIRA: tempo disponível; descanso, folga. Muitos:BLASCOVI-ASSIS, BRUHNS, DUMAZEDIER, MARCELLINO, SASSAKI,entre outros, discorrem sobre o assunto com êxito. Pontos de vista quepor vezes se somam ou se distanciam... Todos importantes. Pensei abor-dar a formação do profissional que lida com lazer e a pessoa com defici-ência. Pontuar os aspectos da cultura do ócio!?? Falar do papel da mídianum contexto histórico!??? Descartei estas idéias abrindo um parênte-ses: como falar de mídia e lazer para a pessoa com deficiência quando atv, jornais e outros veículos mostram preferencialmente problemas de aces-so, de falta de incentivo, de dificuldades, cenas piegas? Lazer que é bom,quase nada! A mídia traz sempre a pessoa com deficiência como coitadi-nho ou super herói. Comentamos um pouco a respeito disto: é importantetratar este assunto sem extremismos para se formar uma opinião públicacondizente com a realidade vivida. Mas será que o dia-a-dia rende boasmatérias neste sensacionalismo que nutre toda nossa cultura de infor-mação? Eu já sabia então, do que eu não estava disposta a falar...Ponto48 www.sobama.org.br
  49. 49. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADApara mim!!! Mas meu problema continuava. Foi quando me peguei comum livro do JOSÉ ÂNGELO GAIARSA: A Família De Que Se Fala E AFamíliaDe Que Se Sofre: o livro negro da família, do amor e do sexo. Onosso corpo era apontado como sendo o maior parque de diversões doUniverso...Fui criando relações deste texto com meus anseios e aborda-gens pessoais de lazer... Era isso!!! A excitação vivida, vivenciada numparque de diversões (então, corpo) leva ao prazer..... O prazer nos dá asensação de algo bom, que faz a gente se sentir bem, em paz com avida, sem trazer ou levar nenhum pensamento (não naquele momento!)relacionado com o trabalho ou com o ter que fazer. Falava de prazer puro,de gostar de realizar, de desfrutar... de puro gozar ....Espera aí... Pareceque falávamos sobre sexo! O mini-fórum não era sobre sexo para apessoa com deficiência!!! E também, não podemos reduzir o prazer asexo. Até porque a gente sabe que neste assunto nem tudo é prazer!Então voltávamos a estaca zero? Não! Ao falarmos em sentir prazertocávamos num ponto primordial: o prazer sentido e experimentado pelaação...Então o que nos faltava? Destacamos o sentir como: desenvolvera capacidade de perceber. As sensações e movimentos, a liberdadeespontânea de sensações nos leva a um estado de espírito. Nós so-mos o próprio lazer enquanto corpo; percebemos, sentimos lazer emnossa alma. Portanto, temos aí o lazer como uma expressão não verbal,sem conceitos: “LAZER: EU SINTO!!!” O sentir é tão, ou mais importanteneste meio, do que propriamente as atividades desenvolvidas, organi-zadas, vivenciadas.... Conversávamos, enfim! O sentir espontâneo traz atenção ao momento vivido, neste caso,funciona como a cognição que deriva de um corpo e de suas experiênci-as sensório-motoras. Ao mesmo tempo nos leva a experimentar o lazerem sua plenitude. Propus ainda, o lazer em forma adjetiva, jamais subs-tantivo masculino. A proposta veio para que pudéssemos nos dizerenlazerados nesta ou naquela situação!!!! Dividi com o grupo a idéia dacriação desta nova palavra. Citei MARCELLINO: “o lazer considera o aspecto como a satis-fação provocada pela atividade. Enquanto estabelece atividades desen-volvidas num tempo liberado das obrigações sociais, familiares, religio-sas e profissionais. Não é possível entender o lazer isoladamente, semrelação com outras esferas da vida social. Ele influencia e é influenciadopor outras áreas de atuação, numa relação dinâmica”. Assim como o lazer, a deficiência também vem sendo tomadacomo uma problemática de estudos de diferentes profissionais, só queneste caso, a maioria é proveniente das áreas da saúde e da educação.Poucos são, no entanto, os trabalhos que relacionam lazer e deficiência,pois em geral, as preocupações ficam voltadas para aspectos médicos www.sobama.org.br 49
  50. 50. TEMAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADAe educacionais isoladamente, não se considerando, neste último caso,o lazer como um meio para o desenvolvimento ou como uma necessida-de e um direito do indivíduo. Desta vez havia citado BLASCOVI-ASSIS. A atual legislação propõe a inclusão da pessoa deficiente nosdiferentes ambientes, sugere uma nova abordagem de lazer, e lança-nos a outros espaços de convívio social. O lazer oferece oportunidades privilegiadas, com a possibilida-de da escolha das atividades com caráter desinteressado, nas quais aspessoas inseridas no contexto possam perceber diferenças e seme-lhanças e “refletir a sua realidade num processo de entendimento edesenvolvimento pessoal e social que o lazer enseja. O lazer é um cam-po de atividade em estreita relação com as demais áreas de atuação dohomem”. Novamente trouxe uma contribuição de MARCELLINO para ogrupo. Foi aí que iniciamos a falar da experiência de uma das iniciati-vas que acontecem em Natal / RN: há 06 anos o Projeto: “Viva a Diferen-ça!” propõe incluir pessoas com deficiências na sociedade através dolazer. Promovemos passeios para clubes, praias, piscinas, hotéis eparques para ampliar o espaço social da pessoa com deficiência, ofere-cendo atividades lúdicas com a participação de familiares, profissionaisde saúde e educação e da comunidade em geral. Justificamos nossaação com MARCELLINO que em sua obra Estudos do Lazer: uma intro-dução cita que, “no teatro, no turismo, na festa etc... estão presentesoportunidades privilegiadas, porque espontâneas, de tomada de contato,percepção e reflexão sobre as pessoas e realidade nas quais estãoinseridas” Falamos de como tudo começou: Muitos pais de crianças deficientes que tinham seus filhos comoalunos regulares das minhas aulas de natação, queixavam-se ao se-rem questionados, sobre a falta de programação no fim de semana edas dificuldades encontradas em seus momentos de lazer. Eu sabia daimportância do lazer na e em família. Sentia a necessidade da realiza-ção de uma programação social para que os pais fossem estimuladosa levar seus filhos às praias e outras piscinas. Nascia em janeiro de1996, um projeto denominado ”QUER NADAR COMIGO?” que teria anatação como forma de integrar socialmente a pessoa com deficiência.O 1º encontro aconteceu em fevereiro/96 na Praia de Ponta Negra econtou com pouco mais de 25 pessoas, dentre estas, apenas 02 pesso-as com deficiência. Não era fácil convencer os pais a levarem seusfilhos para locais públicos de lazer. Ainda mais numa sexta-feira! Emmarço/96 acontecia o 2º encontro, e o cenário escolhido foi um passeio50 www.sobama.org.br

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