UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA           FACULDADE DE COMUNICAÇÃO           PRODUÇÃO EM COMUNICAÇÃO E CULTURA          DANI...
DANILO PESTANA GUERREIRO       REDES SOCIAIS LOCATIVAS: USOS E POSSIBILIDADES DO FOURSQUARE                               ...
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“Mr. Watson, come here. I want to see you”       Alexander Graham Bell, 10 de março de 1876                               ...
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GUERREIRO, Danilo Pestana. Redes sociais locativas: usos e possibilidades do Foursquare.64 f. il. 2011. Monografia – Facul...
SUMÁRIOINTRODUÇÃO ...........................................................................................................
INTRODUÇÃOA partir do momento em que os dispositivos tecnológicos se tornam cada vez menores e,consequentemente, mais port...
recompensas virtuais - por emblemas (badges) e por status (mayorships) - e as recompensasreais (specials). Após esta conte...
locais previamente cadastrados. Todo conteúdo é gerado pelo usuário que, ao pesquisar umlocal e identificando que não está...
informação, como vimos acima, mas também formas “locativas” de sociabilidade. Grandeparte dessas redes sociais móveis perm...
traz a opinião de seus contatos sobre todo tipo de ambiente, desde empresas particulares aespaços públicos. Alguns aplicat...
do corpo humano. Em uma ligação de uma pessoa da cidade A para outra da cidade B, seentende aqui que uma parte física está...
2.1 MAPAS “SOCIAIS” 	  O Google frequentemente aprimora funções no Google Maps10 com o intuito de tornar abusca em mapas m...
O mecanismo de busca que saiu na frente foi o Bing da Microsoft, quando integrou asatualizações do Foursquare na sua base ...
Assim, ao buscar no Maps, também se teriam informações personalizadas. Por exemplo, aopesquisar por “restaurante chinês pi...
O site mostrava as oportunidades para os ladrões, indicando quem não estava em casa.Desta forma, as novas tecnologias de g...
evento South by Southwest (SXSW) em Austin no Texas - EUA, que reúne trabalhosinovadores no campo da interatividade, músic...
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2.3 BADGESO ganho de badges (medalhas virtuais) é uma maneira de recompensar os usuários pelautilização do Foursquare. À m...
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forma de distinção na rede, devemos analisar o conceito de gamificação.Para Gabe Zichermann & Joselin Linder (2010) o conc...
2.6. FOURSQUARE FOR BUSINESSO Foursquare possui, no site oficial, uma plataforma destinada aos comerciantes (Merchantplatf...
pela primeira vez. Como as specials aparecem também para quem está por perto, essa é umamaneira para atrair um novo client...
fidelidade. Aqui, é possível premiar os clientes constantemente depois que realizarem umnúmero estabelecido de visitas. Ou...
negociação de produtos e serviços de valor com outros” (Kotler, 2000, pg. 30), pode-se dizerque o Foursquare é uma ferrame...
 Outra grande marca que possui ação contínua no Foursquare é a Heineken. A cervejaria,utilizando a API22 de geolocalização...
http://www.spoleto.com.br/foursquareOutra ação brasileira aconteceu durante a campanha “Promoção de Verdade” criada pelaag...
O Estado da Pensilvânia, por exemplo, foi um dos pioneiros na parceria com o Foursquare e oramo turístico. Eles trabalham ...
No Brasil, foi criado o perfil Visit Brasil, que publica diversas dicas e informações, em inglês,sobre os principais ponto...
http://foursquare.com/schwarzeneggerNa última eleição nos Estados Unidos, a agência Proximity resolveu produzir toda acamp...
relacionados à politica americana, como a transmissão de discursos, reuniões, audiência, etc.A atuação no Foursquare não s...
bairros, dentre outros. Além de fazer check-ins em reuniões de partido, assembleias e outroslocais estratégicos. Assim, o ...
O Wall Street Journal é o que possui, até então, a melhor atuação jornalística no Foursquare.Possui três badges específica...
O Jornalismo ainda pode ser explorado de outras maneiras no Foursquare, seja para obterinformações sobre lugares para a pr...
 http://foursquare.com/harvard e http://foursquare.com/asuOs campi universitários são locais interessantes para o uso do F...
3.7 EsportesA principal utilização do Foursquare no mundo dos esportes (leia-se: ligas esportivas, times,lojas de artigos ...
Foursquare. No dia do jogo decisivo entre os times Lakers e Celtics quem fizesse um check-incom shout “Go Lakers!” ou “Go ...
http://foursquare.com/redskinsdotcomAssim como a NFL, a National Hockey League (NHL) também possui atuação noFoursquare. A...
enorme potencial para se promover junto ao Foursquare, ou com semelhantes aplicativospróprios.3.8 ModaA Marc Jacobs esteve...
A Lucky Magazine, famosa revista de estilo dos Estados Unidos, entrou no Foursquare com oobjetivo de ser um completo guia ...
Já a Louis Vuitton adotou uma estratégia que vai de encontro ao tradicional check-in naslojas. A ideia da marca foi a de p...
Com a intenção de explorar ainda mais as possibilidades de uso do Foursquare com aindústria da moda foi desenvolvido o apl...
http://www.brooklynmuseum.org/community/foursquareO Museu Metropolitano de Arte de Nova Iorque também realizou parceira co...
organização. A ação terminava quando o valor chegasse a 10 mil dólares.Outra campanha chamada 86/Project também converteu ...
3.11 CONSIDERAÇÕESEssas tipologias mostram como as redes sociais locativas, exemplificada aqui com oFoursquare, em seus di...
4. COMO E POR QUE AS PESSOAS USAM O FOURSQUARE?Para entender melhor como o Foursquare é utilizado pelos seus usuários, est...
não queira ter seu endereço revelado. Outro entrevistado falou sobre sua presença em umgrande evento, South-by-Southwest (...
A descoberta de novas pessoas também é uma motivação. Um entrevistado disse que teminteresse em conhecer novas pessoas que...
Cinco participantes mencionaram que ganhar pontos, badges e mayorships são as motivaçõespara se utilizar o Foursquare. Den...
As questões sobre privacidade e formas de apropriação do sistema reforçam a relaçãomobilidade, localização e sociabilidade...
Redes sociais locativas: usos e possibilidades do Foursquare
Redes sociais locativas: usos e possibilidades do Foursquare
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Essa monografia busca ratificar a tese de que as novas tecnologias digitais entraram na fase da mobilidade e da geolocalização, permitindo a formação de redes sociais e a apropriação do espaço urbano pela produção de informações sobre esses locais e o incremento de redes de
sociabilidades baseadas na localização.

Para entender este fenômeno, neste trabalho serão
abordadas a dinâmica, a utilização e as possibilidades das redes sociais locativas trazendo o enfoque na ferramenta Foursquare.

A pesquisa apresenta os desdobramentos deste aplicativo,
que abrangem sua relação com a prática social e com diversos campos sociais, como marketing, turismo, jornalismo etc.

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  1. 1. UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA FACULDADE DE COMUNICAÇÃO PRODUÇÃO EM COMUNICAÇÃO E CULTURA DANILO PESTANA GUERREIROREDES SOCIAIS LOCATIVAS: USOS E POSSIBILIDADES DO FOURSQUARE Salvador 2011.1
  2. 2. DANILO PESTANA GUERREIRO REDES SOCIAIS LOCATIVAS: USOS E POSSIBILIDADES DO FOURSQUARE Monografia apresentada como requisito à obtenção do grau de bacharel em Comunicação Social com habilitação em Produção em Comunicação e Cultura pela Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia. Orientador: Prof. Dr. André Lemos Salvador 2011.1     2  
  3. 3. AReynildo, pelo esforço e dedicação.   3    
  4. 4. AGRADECIMENTOSFoi com surpresa e euforia que recebi a notícia. Tudo começou na tarde do dia 26 de janeirode 2007. No momento da divulgação do resultado, perco sinal da internet. Nervoso, saio decasa em busca de um lugar para voltar a acessar a rede. Ainda no caminho, recebo a ligaçãode minha tia: “Você passou!”.Antes do vestibular, foram muitos meses de estudos. Graças ao tio e companheiro Reynildo, oque parecia complicado foi se tornando fácil.Já na faculdade, encontrei amigos. Com eles, vivi experiências agradáveis e inesquecíveis:finais de semana em Guarajuba, reuniões de estudo para provas, conversas descontraídas emSão Lázaro, viagens etcAqui, aproveito a oportunidade para agradecer pessoas queridas, a quem devo minha gratidão:pai Nelson, mãe Rose, irmão Diego, avós Maria e Memeu, tias Nice, Lili, Xanda e Sueli, tiosReynam e Nem, primos Tiago e Morgana, namorada Lene, amigas Cláudia e Iale, amigosAndré “Cabeça", Rafael Grilo, Lucas Reis e Tereza Barretto, professores Sérgio Sobreira,Maurício Tavares, José Mamede e ao orientador André Lemos.Para finalizar, um agradecimento especial, àqueles que me acompanharam durante asmadrugadas: Adorno, Horkheimer, McLuhan, Hall e Kant.Obrigado a todos.     4  
  5. 5. “Mr. Watson, come here. I want to see you” Alexander Graham Bell, 10 de março de 1876     5  
  6. 6.   6    
  7. 7. GUERREIRO, Danilo Pestana. Redes sociais locativas: usos e possibilidades do Foursquare.64 f. il. 2011. Monografia – Faculdade de Comunicação, Universidade Federal da Bahia,Salvador, 2011. RESUMOEsta monografia busca ratificar a tese de que as novas tecnologias digitais entraram na fase damobilidade e da geolocalização, permitindo a formação de redes sociais e a apropriação doespaço urbano pela produção de informações sobre esses locais e o incremento de redes desociabilidades baseadas na localização. Para entender este fenômeno, neste trabalho serãoabordadas a dinâmica, a utilização e as possibilidades das redes sociais locativas trazendo oenfoque na ferramenta Foursquare. A pesquisa apresenta os desdobramentos deste aplicativo,que abrangem sua relação com a prática social e com diversos campos sociais, comomarketing, turismo, jornalismo etc.Palavras - chave: redes sociais locativas, mobilidade, geolocalização, foursquare.     7  
  8. 8. SUMÁRIOINTRODUÇÃO ...................................................................................................................... 091. REDES SOCIAIS LOCATIVAS ....................................................................................... 101.1 MAPAS “SOCIAIS” ........................................................................................................ 15 2. O FOURSQUARE .............................................................................................................. 182.1 O QUE É FOURSQUARE? .............................................................................................. 192.3 O PRINCÍPIO BÁSICO: CHECK-IN ............................................................................... 192.4 BADGES ........................................................................................................................... 212.4 MAYORSHIPS ................................................................................................................. 212.5 ASPECTOS LÚDICOS .................................................................................................... 222.6 FOURSQUARE FOR BUSSINES ................................................................................... 243. TIPOLOGIA ....................................................................................................................... 263.1 PESSOAL ......................................................................................................................... 263.2 MARKETING .................................................................................................................. 263.3 TURISMO ........................................................................................................................ 293.4 POLÍTICA ........................................................................................................................ 313.5 JORNALISMO ................................................................................................................. 343.6 EDUCAÇÃO .................................................................................................................... 363.7 ESPORTES ...................................................................................................................... 383.8 MODA .............................................................................................................................. 413.9 CULTURA ........................................................................................................................ 443.10 ONGs .............................................................................................................................. 453.11 CONSIDERAÇÕES SOBRE A TIPOLOGIA ............................................................... 474. COMO E POR QUE AS PESSOAS USAM O FOURSQUARE? ..................................... 484.1 ENTREVISTA EM PROFUNDIDADE COM EARLY-ADOPTERS................................ 484.2 POR QUE AS PESSOAS USAM FOURSQUARE? ....................................................... 504.4 POR QUE AS PESSOAS NÃO FAZEM CHECK-IN EM TODOS OS LUGARES? ..... 524.4 POR QUE AS PESSOAS FAZEM CHECK-IN EM CASA? .......................................... 534.5 PESQUISA QUANTITATIVA......................................................................................... 535. ESTUDO DE CASO – BARES E RESTAURANTES DE SÃO PAULO.......................... 556. CONSIDERAÇÕES SOBRE AS PESQUISAS E O ESTUDO DE CASO........................ 59CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................. 60REFERÊNCIAS....................................................................................................................... 61   8  
  9. 9. INTRODUÇÃOA partir do momento em que os dispositivos tecnológicos se tornam cada vez menores e,consequentemente, mais portáteis, são “aderidos” ao corpo humano e nos acompanhamdurante toda a trajetória pela cidade. Realizar uma ligação só era possível de um telefone fixoe plugado a um fio. Para conectar-se à Internet era necessário um desktop ligado por um caboà linha telefônica. Hoje, abolimos os fios e os dispositivos ganham o affordance1 damobilidade. Desta forma, permite que, ao caminharmos pela cidade, possamos telefonar,enviar mensagens de textos e acessar qualquer conteúdo da rede mundial de computadores.Uma vez móveis e conectados, se percebe a utilização das novas tecnologias da informaçãopara obter informações sobre o “aqui e agora”. A pergunta “Onde tem uma lanchonete naregião?”, antes questionada a quem por ventura passasse na rua ou então buscada previamenteem casa ou com amigos, hoje, é respondida com apenas dois cliques em um aparelho napalma da mão. Desta maneira, não estamos somente na era da mobilidade, mas também dageolocalização2.Com a tríade conexão – mobilidade - geolocalização, percebemos também a formação deredes sociais3 e uma vez que os locais se tornam “acessíveis”, vimos surgir um novo tipo deapropriação desses lugares. Sendo assim, a presente monografia busca ratificar a hipótese deque as novas tecnologias da informação entraram na fase da mobilidade e da geolocalização,permitindo a formação de redes sociais e estas, ao produzirem e distribuírem conteúdoshiperlocalizados, se apropriam do espaço urbano.Neste trabalho será estudado mais detalhadamente o Foursquare, pois além de ser a principalrede social locativa do momento, é uma ferramenta que ilustra bem a tese que defendo.No primeiro capítulo, serão abordados por meio de uma perspectiva teórica os conceitosessenciais para o entendimento do trabalho. Na segunda parte, será apresentado o que é oFoursquare e como se dá a sua utilização. Em seguida, há uma explicação sobre as                                                                                                                1 O conceito de affordance foi particularmente desenvolvido por James Gibson na década de 70 e pode definir-se como a qualidade de um objeto é o que define o seu potencial de ação.2   É a especificação geográfica de um ponto no mapa. Nos dispositivos móveis, dá-se através da localizaçãotransmitida via GPS e metadados (dados sobre, por exemplo, coordenadas da localização de um indivíduo).3 Uma rede social é constituída de nós (indivíduos) conectados por laços sociais (WATTS, 2003:75).   9  
  10. 10. recompensas virtuais - por emblemas (badges) e por status (mayorships) - e as recompensasreais (specials). Após esta contextualização da ferramenta, será apresentada uma tipologia dosusos e possibilidades nas seguintes áreas: marketing, turismo, política, jornalismo, educação,esportes, moda, cultura e ONGs.O trabalho segue abordando três pesquisas (qualitativa, quantitativa e entrevista emprofundidade com early-adopters) que busca entender a motivação e o modo de utilização doFoursquare. Por fim, será apresentado um estudo de caso de nove bares/restaurantes da cidadede São Paulo que ilustrará e confirmará algumas proposições.1. REDES SOCIAIS LOCATIVASEstar em movimento e, ao mesmo tempo, conectado à Internet configura a dinâmica dasociedade atual. O acesso às redes sociais móveis promete ser uma forte tendência para ospróximos tempos, principalmente aquelas que utilizam sistemas de geolocalização. Éimportante ressaltar o aumento nas vendas de smartphones no mundo e a forte presença dapopulação nas redes sociais online. Não seria audacioso nem ingênuo pensar que daqui aalguns anos os celulares, ou melhor, os DHMCMs4, (LEMOS, 2007) serão a forma primáriade acesso à Internet para a maioria das pessoas.As redes sociais baseadas em serviços de localização são, geralmente, aplicativos utilizadosem smartphones, desde que possibilitem acesso à Internet e ao GPS5. Assim como qualqueroutra rede social online, se caracteriza pela interação entre pessoas que possuem interesses,objetivos e valores em comum. A diferença se observa no compartilhamento dos locais emque se encontram. Essas redes funcionam com os seguintes objetivos: fazer o usuário postarna rede o lugar onde se encontra, ter acesso e se comunicar com pessoas, conhecidas oudesconhecidas, que estão no mesmo local, compartilhar e encontrar informações interessantessobre determinado ambiente, jogar, ver dicas postadas por pessoas com interesses parecidos,entre outros.A maioria desses aplicativos é colaborativa, ou seja, não traz informações ou uma lista de                                                                                                                4  Dispositivo Híbrido Móvel de Conexão Multirredes. Doravante, será mencionada apenas a sigla.5 Sistema de posicionamento global (do inglês Global Positioning System) é um sistema de navegação porsatélite que fornece a um aparelho receptor móvel a posição do mesmo, desde que o receptor se encontre nocampo de visão de quatro satélites GPS. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema_de_posicionamento_global   10  
  11. 11. locais previamente cadastrados. Todo conteúdo é gerado pelo usuário que, ao pesquisar umlocal e identificando que não está cadastrado, pode marcá-lo no mapa. Assim, os demaisusuários que forem ou estiverem próximos ao local passarão a visualizá-lo e, a partir daí,poderão produzir comentários sobre os mesmos. Esses comentários são hiperlocalizados, ouseja, indexados por coordenadas georeferenciadas (latitude, longitude) através dos GPS.Para Aurigi (2008) a adição de comentários, de tips, ou qualquer outra informação audiovisual(alguns aplicativos permitem adicionar áudios e imagens) aos locais, configura um espaçourbano aumentado. Aurigi, no entanto, não levou em consideração que as cidades sempreforam aumentadas, pois há placas, outdoors, relógios, indicadores climáticos etc. Para ele,essa adição de conteúdos digitais cria uma nova camada no espaço urbano e, desta forma, nãoé mais possível separar os espaços físicos dos virtuais, pois eles constituem um “terceirolugar”. Lemos (2006) vai chamar esse espaço, em sentido mais amplo, de “territórioinformacional” e Santaella (2008) de “espaço intersticial”.O território informacional permite acesso informacional em um lugar físico. Essa nova“camada” da cidade permite a qualquer usuário que tenha acesso ao “território” (senhas pararedes 3G ou Wi-Fi) adicionar informações aos mapas e ressignificá-los. Percebe-se, então, umdos três princípios da cibercultura: a liberação do polo emissor (LEMOS, 2003).Anteriormente, o uso do espaço urbano somente era possível para consumo (com poucaspossibilidades de produzir informação sobre eles). O mesmo se aplica aos mapas. Paraproduzi-los era preciso que a pessoa detivesse conhecimento técnico sobre cartografia. “Acartografia-cadastro é uma tecnologia privilegiada das diversas formas de governo econstituição dos estados, regulando seus processos internos” (BRUNO, 2010, p.160). Asredes sociais locativas permitem que qualquer indivíduo possa produzir discursos einformações sobre os lugares, desde que tenha acesso a essas tecnologias.Nesse sentido, McCullough (2008) vai questionar sobre quem tem o direito de fazermarcações na cidade. Para ele, esta produção de conteúdo, permitida pelas redes sociaislocativas, emerge entre a autoridade dos meios de massa e a rebeldia do graffiti. McCulloughentende essas marcações como as novas epígrafes, que servirão para entender contextospassados, desde que o suporte digital ainda esteja disponível.Estas redes sociais permitem, não apenas o “uso” do espaço urbano em termo de produção de   11  
  12. 12. informação, como vimos acima, mas também formas “locativas” de sociabilidade. Grandeparte dessas redes sociais móveis permite que as pessoas criem um perfil e uma lista deamigos para compartilharem, entre outros dados, suas localizações e informaçõesrelacionadas. Os usuários podem acompanhar, na tela do aplicativo, as pessoas de sua rede e,em alguns casos, escolher receber um sinal ou um e-mail avisando sobre a localização deles.Dessa maneira, poderão fazer um esforço para encontrá-los (ou não), caso estejam por perto.Porém, nas redes sociais locativas, as interações se dão baseadas em informação de contextoslocais que são levadas em consideração no processo interativo.Podemos dizer que nesse processo de interação, as redes sociais vão constituir laços fortes efracos. Para Granovetter (1973), laços fracos se caracterizam por relações dispersas, que nãotraduzem proximidade e intimidade. Já os laços fortes são aqueles que se caracterizam pelocontato íntimo e próximo, pela intencionalidade em criar e manter uma conexão entre aspessoas de seu círculo social.Dessa forma, esses aplicativos, diferentes das outras redes sociais online conhecidas (Orkut eFacebook, por exemplo), incitam os seus participantes, através da divulgação de suaslocalizações atuais interagir face-to-face com outros usuários. Essas ferramentas fortalecem oslaços fracos e permitem que essa interação presencial aconteça não só por causa dalocalização, mas, muitas vezes também, pelos gostos e interesses semelhantes. Esse poder desegmentação é uma base para a criação de laços fortes futuros. É o caso do aplicativo baseadoem localização StreetSpark6, que analisa os locais que o usuário frequenta, o que curte noFacebook, dentre outras informações. Quando uma pessoa que compartilha os mesmosinteresses e frequenta os mesmos locais estiver próxima, o aplicativo a indicará. Desta forma,segundo Goffman (1996, p. 19) (...) podemos apreciar a importância do capital da informação que o indivíduo inicialmente possui ou adquire a respeito dos companheiros, já que é com base nesta informação inicial que o indivíduo começa a definir a situação e a planejar linhas de ação em resposta.Além da possibilidade de tornar sua localização pública, o usuário também pode fazercomentários sobre os locais visitados, fazendo desse tipo de rede social um guia informal que                                                                                                                6 Disponível em http://www.streetspark.com/   12  
  13. 13. traz a opinião de seus contatos sobre todo tipo de ambiente, desde empresas particulares aespaços públicos. Alguns aplicativos ainda expõem comentários sobre estabelecimentospróximos, o que pode facilitar ao flâneur7 encontrar um bom café ou uma lanchonete quandoestiver nas redondezas. E, é claro que a escolha do estabelecimento vai ser baseada na opiniãodos amigos e de outras pessoas que lá estiveram.Com isso, as redes sociais locativas podem alterar a trajetória do sujeito na cidade, seja paraencontrar um amigo ou ao aceitar uma indicação de outro local para ir. Sobre essareconfiguração da rota, permitida pelas novas tecnologias digitais e pelos territóriosinformacionais, Bruno Marzloff (2006) vai afirmar que essas tecnologias e as cidades têmuma relação imbricada e que “aqueles que praticam mais a cidade são também aqueles quepercorrem mais a Internet”.O acesso às redes sociais locativas e aos territórios informacionais configura uma novaexperiência de mobilidade pela cidade. Uma vez que a informação pode servir para umatomada de decisão “aqui e agora”, se percebe, então, uma valorização para conteúdoshiperlocalizados. Para Julieta Leite (2008, p.108) o espaço virtual e o espaço urbano entramem sincronia uma vez que as formas de interação entre a cidade e o ciberespaço são dirigidas pelo conteúdo da informação e pelo contexto físico dos indivíduos. Terminais eletrônicos conectam os indivíduos uns aos outros, mas conectam também os indivíduos às informações presentes no ambiente. Tais interações caracterizam novos tipos de laços sociais, elas se apoiam na comunicação cujo conteúdo é um instante, um acontecimento, um lugar.Dessa forma, as redes sociais locativas permitem ao usuário produzir informação sobre sualocalidade e socializar. O instrumento mais usado para isso são os celulares, ou os DHMCM.Esses dispositivos são portáteis e praticamente aderidos ao corpo. A relação mídia e corpotorna-se mais simbiótica. Com isso, esse dispositivo não pode ser encarado como um simplesobjeto, mas como um “quasi-objeto” e o mesmo acontece com o corpo humano, que não émais o sujeito, mas também um “quasi-sujeito” (LATOUR, 1993).Também pela teoria de McLuhan, é possível compreender os DHMCMs como uma extensão                                                                                                                7 O flâneur é, por definição, um ser dotado de imensa ociosidade e que pode dispor de uma manhã ou tarde parazanzar sem direção, visto que um objetivo específico ou um estrito racionamento do tempo constituem a antítesemesma do flâneur. (WHITE, 2001, p.48)   13  
  14. 14. do corpo humano. Em uma ligação de uma pessoa da cidade A para outra da cidade B, seentende aqui que uma parte física está presente na cidade A e uma presença virtual está em B(LEE apud ADAMS 1995, p.270). Assim, o aparelho celular tornou possível a extensão e“divisão” do corpo humano.Ainda levando em consideração essas novas tecnologias e a teoria de McLuhan, a realidadeaumentada8, utilizada em algumas redes sociais locativas (como o Zagat9), seria identificadacomo uma extensão do olho humano. Na procura por um restaurante, por exemplo, o usuário,ao ligar a câmera e ao apontar para a rua, visualizará informações adicionais como: acessoprévio ao cardápio, saber quais pessoas estão lá naquele momento, qual a distância dorestaurante etc. Esse recurso, por ser mais corporal, ajuda pessoas que geralmente seconfundem ao utilizarem mapas convencionais, que requerem um maior esforço mental, porassim dizer.Conclui-se, então, que as novas tecnologias da informação entraram realmente na fase damobilidade e geolocalização. Isso gera maior procura por conteúdos localizados com fins deprodução de informação sobre esses lugares e também como fonte de sociabilidade. A partirdo momento em que esses serviços se difundem, se percebe a formação de redes sociais eestas começam a realizar uma apropriação social do espaço urbano, produzindo e distribuindoinformações sobre lugares em uma rede de pessoas.                                                                                                                  8 Realidade Aumentada é a inserção de objetos virtuais no ambiente físico, mostrada ao usuário, em tempo real,com o apoio de algum dispositivo tecnológico, usando a interface do ambiente real, adaptada para visualizar emanipular os objetos reais e virtuais (Kirner, 2007).9 Disponível em http://www.zagat.com   14  
  15. 15. 2.1 MAPAS “SOCIAIS”  O Google frequentemente aprimora funções no Google Maps10 com o intuito de tornar abusca em mapas mais amigável. Em 2005, lançou a opção Earth, que permite a visualizaçãodos mapas em 3D, oferecendo mais detalhes aos locais pesquisados. Ainda em 2005, oGoogle adquiriu, o que podemos chamar da primeira rede social locativa, o Dodgeball. Esteserviço foi criado em 2000 pelo atual co-fundador do Foursquare, o Dennis Crowley. Atravésde mensagens de textos via celular, o usuário avisava a todos os amigos cadastrados onde eleestava. Desta forma, os amigos poderiam encontrá-los ou mesmo somente saber onde osamigos estavam. Em 2009, o Dogdeball se transformou no Google Latitude11.Depois de algumas mudanças, o Latitude começou a permitir que os usuários fizessem check-ins nos locais e incluiu os status de “Regular”, “VIP” e “Guru”, a depender do número de idasao local. Apesar de todos os aprimoramentos, este serviço ainda não emplacou.Após perceber que os usuários, ao acessar o mecanismo de busca por dispositivos móveis,queriam informações geolocalizadas, o Google lançou, em 2010, o “Near me now”. Estaopção visa facilitar a busca por estabelecimentos próximos. Um ponto negativo é que osusuários não veem os comentários dos seus amigos em relação aos locais. Isso é umadesvantagem, pois as pessoas preferem confiar no amigo a uma informação genéricadisponibilizada, muitas vezes, pelo proprietário do estabelecimento, quando o mesmo faz ocadastro no Google Places12.                                                                                                                10 Disponível em http://maps.google.com.br11 Disponível em www.google.com.br/latitude12 Disponível em http://www.google.com/places   15  
  16. 16. O mecanismo de busca que saiu na frente foi o Bing da Microsoft, quando integrou asatualizações do Foursquare na sua base de dados. Desde 2010, o serviço de mapas do Bingoferece o “Everywhere”, um aplicativo que permite ver em tempo real as atualizações doFoursquare pelo Bing Maps13. Outro site que oferece serviço semelhante é o Fourwhere14. Aopesquisar por um endereço, estabelecimento ou qualquer outro local, a ferramenta mostra asdicas e os números de check-ins realizados pelas pessoas que ali estiveram. Disponível em http://fourwhere.comO Google mudou mais uma vez os algoritmos que dão relevância para um site, tornando osresultados do mecanismo de busca mais personalizados. O Google Social Search analisadados dos usuários no Reader15, Buzz16, chat do Gmail e de outras plataformas como oTwitter, o Friendfeed etc. Desta forma, prioriza dados já compartilhados pelo usuário ou pelasua rede de contatos.Uma tendência é que, posteriormente, o Google Maps também venha a se tornar mais social,uma vez que o Google integre informações das redes sociais locativas a sua base de dados.                                                                                                                13 Disponível em http://www.bing.com/maps14 Disponível em http://fourwhere.com15 Disponível em http://www.google.com.br/reader16 Disponível em http://www.google.com/buzz   16  
  17. 17. Assim, ao buscar no Maps, também se teriam informações personalizadas. Por exemplo, aopesquisar por “restaurante chinês pituba salvador”, seriam apontados os estabelecimentosmais frequentados pelos amigos do usuário, juntamente com os comentários dos mesmos.Outro exemplo: supunha que o internauta foi convidado para um aniversário na casa de umamigo, na qual ele não sabe o endereço. Ao pesquisar no Maps, veria onde seus amigos, quetambém foram à festa, estão naquele momento.Estes tipos de “mapas sociais”, como o Everywhere do Bing, Google Latitude etc, ao tornarbuscável a relação pessoa+localização, nos remete para um aspecto importante: a privacidade.O compartilhamento de localização pode ser relacionado então com o termo “vigilânciadistribuída”, proposto por Fernanda Bruno (2010): (...) trata-se de uma vigilância que tende a tornar-se incorporada em diversos dispositivos, serviços e ambientes que usamos cotidianamente, mas que exerce de modo descentralizado, não hierárquico e com uma diversidade de propósitos, funções e significações (...) Nota-se que em certos casos ela se exerce misturada a dispositivos que não são prioritariamente voltados para a vigilância, sendo assim uma função potencial ou um efeito secundário de dispositivos que são projetados inicialmente para outras finalidades – comunicação, publicidade, geolocalização etc.Para complementar essa discussão sobre a privacidade, não se pode deixar de falar sobre osite “Please, Rob me” que gerou discussões sobre a utilização do Foursquare. O serviçofuncionava com o seguinte princípio: se uma pessoa fez check-in em determinado local,supõe-se que ela não esteja em casa. Isso implica que sua residência está livre para a ação deladrões. Desta forma, o site alertava os criminosos sobre possíveis oportunidades de roubo.Esta brincadeira irônica visava alertar as pessoas quanto aos perigos de expor suaslocalizações. O serviço já não está mais disponível e o site, atualmente, traz uma mensagemde alerta sobre o excesso do compartilhamento de informação.   17  
  18. 18. O site mostrava as oportunidades para os ladrões, indicando quem não estava em casa.Desta forma, as novas tecnologias de geolocalização (LBS17, GPS), junto com as redes semfio, contribuem também para o conceito de “geovigilância”, definida como um “um tipo devigilância concernente a localizações e distribuições através de territórios espaciais”(CRAMPTON, 2003 p. 137 apud BRUNO, 2010). Desta forma, confirmamos em Lemos(2010) que mais movimento significa também maior possibilidade de controle, vigilância e monitoramento de pessoas, informações e objetos. As mídias locativas, onde localização e mobilidade significam possibilidades de produção de sentido no espaço e nos lugares, são também instrumentos de controle, monitoramento e vigilância de lugares, espaços e indivíduos, agora enredados em bancos de dados moduláveis, sensores ubíquos e onipresentes, redes sem fio fluidas e inteligentes, dispositivos de localização “atentos às coisas”. Não esqueçamos que essas tecnologias têm origem militar. Toda mídia locativa, por seu caráter intrínseco associando mobilidade e localização, pode ser usada para monitorar movimentos, vigiar pessoas e controlar ações no dia a dia. (LEMOS, 2010 p. 71)No capítulo seguinte será apresentado o objeto de análise deste trabalho: o Foursquare. Serãoabordados as funcionalidades do aplicativo, os aspectos lúdicos e a aproximação com oconceito de gamificação, além da plataforma de gerenciamento de ofertas paraestabelecimentos comerciais.2. O FOURSQUAREDennis Crowley e Naveen Selvadurai construíram uma primeira versão do Foursquare nooutono de 2008. A ferramenta foi oficialmente lançada em março de 2009 no consagrado                                                                                                                17 Serviço baseado em localização, em língua inglesa location-based service.   18  
  19. 19. evento South by Southwest (SXSW) em Austin no Texas - EUA, que reúne trabalhosinovadores no campo da interatividade, música e cinema. O crescimento foi rápido.De acordo com o site oficial18, em abril de 2011 o Foursquare já passava de oito milhões deusuários em todo o mundo. A cada dia são adicionados, em média, 35 mil novos perfis. Aindasegundo o site, o número de check-ins por dia ultrapassa 2,5 milhões. Em 2010, foramrealizados mais de meio bilhão de check-ins no mundo todo.A empresa possui duas sedes, uma em Nova Iorque (NY) e outra em São Francisco (CA) ejuntas possuem mais de 60 funcionários. Os principais investidores do Foursquare são asempresas Union Square Ventures, O’Reilly AlphaTech Ventures e Andreessen Horowitz.Além desses investidores, mais de 250 mil clientes utilizam a plataforma de marketing doFoursquare.2.1 O QUE É O FOURSQUARE?Segundo o site oficial, “o Foursquare é uma plataforma móvel baseada em localização quetornam as cidades mais fáceis para se locomover e mais interessantes de se explorar.” Maisdo que uma plataforma móvel baseada em localização, o Foursquare é uma rede sociallocativa, um game social, um guia da cidade, um “personal tracking”, um “cartão” defidelidade/recompensas de estabelecimentos etc.Através do “checking-in” via aplicativo no smartphone, por SMS ou no site mobile, usuárioscompartilham suas localizações com os amigos e ganham pontos e medalhas virtuais por isso.O Foursquare se torna, assim, um guia do mundo real, por permitir que os usuários cadastremlocais e adicionem informações sobre eles. Para marcas e comerciantes, o Foursquare pode seruma ferramenta para obter, engajar e fidelizar clientes.2.2 O PRINCÍPIO BÁSICO: CHECK-IN“O que está acontecendo agora?” e “O que você está pensando agora?” são as perguntaspresentes no Twitter e no Facebook, respectivamente, para estimular as atualizações dos seus                                                                                                                18 Disponível em https://foursquare.com/about   19  
  20. 20. usuários. Se o Foursquare tivesse uma pergunta, esta seria “Onde você está agora?”.O Foursquare estimula que seus participantes façam check-ins onde quer que estejam. Parouem uma cafeteria? Em um museu? No cinema? – check-in. Esta é a essência do aplicativo. Éatravés dos check-ins que os usuários compartilham suas localizações para as suas redes decontatos. Esta rede pode ser ampliada uma vez que há a possibilidade de compartilhar tantono Twitter quanto no Facebook. A cada check-in realizado pelos contatos, o usuário recebeuma notificação alertando onde eles estão - opção esta que pode ser alterada.No entanto, não é só para compartilhar as suas localizações que os usuários fazem check-ins.Existe a opção off–the-grid, na qual a localização não é divulgada. O outro motivo é aobtenção de pontos, badges (medalhas virtuais), mayorships (status ganho por quem maisfrequenta determinado local) e recompensas (caso o estabelecimento ofereça algumavantagem para que se realize check-in no local).Ao encontrar um local no Foursquare, o usuário tem a possibilidade de saber quem são aspessoas que lá estão no momento e quais são as dicas e demais informações (Tips) deixadaspor quem já esteve no local. Essas tips podem ser segmentadas entre as deixadas por todos ousomente pelos amigos. Há ainda a possibilidade de marcar em uma lista (to-do list) o que ousuário pretende fazer/comprar/usar em determinado local, com base nas tips deixadas. Comisso, o Foursquare estimula que o usuário conheça um novo ambiente, adentre porque osamigos lá estão ou retorne para cumprir itens da to-do list. Tudo, claro, associado aos check-ins.   20  
  21. 21. 2.3 BADGESO ganho de badges (medalhas virtuais) é uma maneira de recompensar os usuários pelautilização do Foursquare. À medida que se estabelece uma relação de jogo, as badges setornam uma forma para diferenciar-se dos “adversários”. Ganha mais badges quem maisparticipa. A depender do usuário, este pode ser um dos principais incentivos para que seutilize o Foursquare continuamente.A primeira badge que os usuários recebem é a Newbie (novato), que é desbloqueada assimque é realizado o primeiro check-in. A segunda badge, provavelmente a ser ganha é a Local,quando se realiza três check-ins em um mesmo lugar, na mesma semana. Após estas, apróxima poderá ser a Adventurer, para aqueles que realizarem dez check-ins em lugaresdiferentes. A partir daí, o ganho de badges vai ser organizado de acordo com a participaçãodo usuário.À medida que o Foursquare vem se popularizando, novas badges são criadas. Cidades comoNova Iorque e São Francisco, por exemplo, possuem badges especificas para quem realizacheck-ins em determinados locais da cidade. Empresas como a Starbucks, MTV e Bravotambém possuem badges próprias. Assim, quanto mais pessoas usarem o Foursquare, maisbadges serão criadas para que se atenda cada público-alvo.2.4 MAYORSHIPSSer mayor (prefeito) no Foursquare indica que o usuário é o mais ativo em número de check-ins de um local. Para ser mayor, no entanto, é preciso ter um perfil com foto e ter o maiornúmero de check-ins durante sessenta dias. Só é contabilizado, apenas, um check-in por dia.Perfis marcados como managers (gerentes) ou como employees (empregados) de um local,não tem permissão para ganhar o título.Uma vez ganho o badge de mayor, se o usuário não mantiver uma frequência de checks-ins,poderá perder o título para outra pessoa. Além deste estímulo competitivo de “roubar” oucontinuar mayor que o game já traz, diversas empresas começaram a premiar seus clientesmais “fiéis”, ou seja, os mayors, com ofertas e recompensas palpáveis. Atualmente, já épossível encontrar nas principais capitais do mundo benefícios para os mayors em vários   21  
  22. 22. estabelecimentos.   Vaga reservada para o mayor do local. A Starbucks e o desconto de U$1,00 no Frappuccino.2.5. ASPECTOS LÚDICOSA utilização do Foursquare visando um ganho, seja badges, mayorships ou qualquer outrarecompensa intangível, remete à teoria dos usos e gratificações e ao conceito de gamificação.A primeira, proposta na década de 1940, vai dizer que o efeito da mídia está associado aocontexto de satisfações de quem consome o produto. Apesar de ser elaborada com base nosmass media, esta teoria pode ser aplicada também no contexto do Foursquare. Vejamos emMcQuail (1994, p.320) quando ele elenca algumas motivações que orientam o indivíduo nabusca de satisfações para algumas necessidades na mídia: Aquisição de informação e dicas; Redução de insegurança pessoal; Aprendizado sobre a sociedade e o mundo; Suporte para valores pessoais e discernimento; Criar empatia com problemas alheios; Criar base para o contato social; Sentir-se conectado com os outros; Escapar [evasão] de problemas e preocupações; Atingir um mundo imaginário; Ocupar o tempo; Experimentar liberação emocional; Aquisição de estrutura para o cotidiano.Desta forma, além dos ganhos de badges e mayorships, outras gratificações estão relacionadasà utilização do Foursquare, bem como o consumo dos mass media, proposto por McQuail(1994). Porém, se o foco do usuário for a recompensa de emblemas ou status virtuais como   22  
  23. 23. forma de distinção na rede, devemos analisar o conceito de gamificação.Para Gabe Zichermann & Joselin Linder (2010) o conceito de gamificação é a utilização dosaspectos dos jogos em algo que não é necessariamente videogame. Segundo o pensamentodeles, ao se pontuar as ações dos usuários, diferenciá-los através de um leaderboard e darrecompensas, já caracteriza a gamificação. Quando questionado no Quora19 sobregamification, Thijs de Vries, desenvolvedor de games e estudante da área, publicou oseguinte: From my perspective gamification is the concept where game mechanics are applied to things that are typically not seen as a game. Of course, when you apply game mechanics to things that are not a game, you would merely have mechanics. But lets still call them game mechanics, since they are derived from games. Game mechanics are mechanics which can persuade or motivate people to perform certain actions at a certain time.20O Foursquare, além das já citadas recompensas em forma de badges e mayorships, possui umleaderboard, que é atualizado a cada check-in realizado. São diversas as formas de pontuar.Se tornar o mayor de um local: 5 pontos; realizar check-in três vezes em um mesmo localdurante a semana: 2 pontos; retornar a um local depois de três meses: 2 pontos etc. Essamecânica de jogo incita os participantes a utilizar ainda mais a ferramenta no intuito de venceros desafios propostos. Recompensas tangíveis, como obter descontos em estabelecimentos,também são uma forma de estimular os usuários, como será descrito no capítulo a seguir.   Leaderboard do Foursquare.                                                                                                                19 Plataforma online de perguntas e respostas. Disponível em http://www.quora.com20 De acordo com minha perspectiva gamificação é um conceito em que mecânicas de jogos são aplicados paracoisas que tipicamente não são vistas como um jogo. É claro que quando você aplica mecânicas de jogo paracoisas que não são jogos, você teria apenas mecânicas. Mas, vamos continuar chamando-os de mecânicas dejogo, já que provem de jogos. Mecânicas de jogo podem persuadir ou motivar pessoas a realizar certas ações emdeterminados momentos.   23  
  24. 24. 2.6. FOURSQUARE FOR BUSINESSO Foursquare possui, no site oficial, uma plataforma destinada aos comerciantes (Merchantplatform), na qual o proprietário daquele local pode elaborar ofertas especiais em troca docheck-in dos clientes. Para ter permissão em executar esta função, basta acessar a “avenida”no Foursquare e alegar que é o verdadeiro gerente daquele estabelecimento (claim yourvenue). Depois de passar por um processo de confirmação, o Foursquare dará o direito paraque ofertas possam ser criadas naquele endereço. Atualmente, o Foursquare traz a opção desete tipos de ofertas diferentes. Abaixo, uma lista com as possibilidades oferecidas.Friends Special: a ideia desta oferta é premiar um grupo de amigos e fazer com que oestabelecimento seja mais frequentado. O comerciante limita a quantidade de amigos que umusuário deverá ter em comum para poder desbloquear a special.Swarm Special: limita-se um número alto de pessoas que se deseja recompensar. Se essesclientes fizerem check-in em um curto período de tempo, a oferta é desbloqueada para todos.Esta special só é válida uma vez por dia.Flash Special: escolhe-se uma quantidade de ofertas a serem oferecidas no dia. Quem forrealizando check-in, vai sendo recompensado. Ao se atingir o limite, o Foursquare só reativaráa special no próximo dia.Newbie Special: recompensará somente os usuários que estão visitando o estabelecimento   24  
  25. 25. pela primeira vez. Como as specials aparecem também para quem está por perto, essa é umamaneira para atrair um novo cliente.Check-in Special: disponível para todos os check-ins realizados. É uma maneira derecompensar sempre os usuários por cada ida ao estabelecimento. Aqui, podem ser elaboradasofertas para um produto ou serviço especifico.Mayor Special: é uma maneira de premiar o cliente mais fiel dos últimos 60 dias, estimular acompetição e, consequentemente, atrair os usuários com maior frequência.Loyalty Special: esta opção é para quem deseja utilizar o Foursquare como um cartão de   25  
  26. 26. fidelidade. Aqui, é possível premiar os clientes constantemente depois que realizarem umnúmero estabelecido de visitas. Outra maneira é premiar uma única vez depois que os clientesrealizarem um número de check-ins. Por fim, é possível recompensar o cliente que frequentouuma quantidade de vezes em determinado período de tempo.3. TIPOLOGIA: ESTUDO SISTEMÁTICO DOS TIPOS DE USOS DO FOURSQUAREEsta tipologia pretende apontar as diversas maneiras de utilizar o Foursquare e para quaispropósitos. Foram catalogados 10 tipos, a saber: Pessoal, Marketing, Turismo, Política,Jornalismo, Educação, Esportes, Moda, Cultura e ONGs. Aqui, além de relatar as açõesconcretas, serão sinalizados também caminhos estratégicos e tendências para os próximostempos.3.1 PessoalO primeiro e mais básico tipo de uso do Foursquare é o pessoal, que vai ao encontro dadinâmica base do aplicativo. Aquele em que pessoas se cadastram, criam um perfil, adicionamamigos a sua rede de contatos, marcam lugares no mapa, realizam check-ins, deixam dicas eganham badges. É a partir desse primeiro tipo de utilização que surgem os demais.3.2 MarketingA partir do conceito de que marketing é um “processo social por meio do qual pessoas egrupos de pessoas obtêm o que necessitam e o que desejam com a criação, oferta e livre   26  
  27. 27. negociação de produtos e serviços de valor com outros” (Kotler, 2000, pg. 30), pode-se dizerque o Foursquare é uma ferramenta fortemente relacionada com essa área.Ao identificar as potencialidades do Foursquare - relacionamento com o público-alvo,estratégia de PDV, propaganda, promoção de vendas etc - diversas marcas passaram a incluiresta mídia em seus compostos de marketing.A sorveteria Tasti D-Lite foi a primeira empresa a enxergar o Foursquare como uma boaestratégia para agregar valor ao programa de fidelidade da marca, o “TastiRewards”. Após secadastrar no programa, o usuário passa a adquirir pontos extras por cada check-in que fizernas lojas e não somente por cada dólar gasto em produtos. Além disso, outras promoções sãooferecidas instantaneamente ao fazer check-in nas lojas. Atualmente, mais de nove filiais daTasti D-Lite em Nova Iorque possuem ofertas especiais.A famosa rede de cafeteria americana Starbucks, que possui forte presença em sites de redessociais, foi a segunda empresa a dar recompensas em troca dos check-ins. Além de ser umadas pioneiras em oferecer badges próprias, como por exemplo, a “Barista”, para quem realizacheck-ins em cinco lojas diferentes. A empresa também foi a primeira a oferecer descontosaos mayors em âmbito nacional. A Starbucks é atualmente a marca com maior número decheck-ins nos Estados Unidos. Segundo estudo21 realizado pela Advertising Age e Trendrr,em 03 de janeiro de 2011, foram feitos 146 mil durante sete dias de análise.                                                                                                                21 Disponível em http://adage.com/article/adagestat/exclusive-ranking-retail-foursquare-check-data/147965   27  
  28. 28.  Outra grande marca que possui ação contínua no Foursquare é a Heineken. A cervejaria,utilizando a API22 de geolocalização do aplicativo, criou um programa de fidelidade em seusite. Basta o usuário se cadastrar e, automaticamente, cada check-in em bares, cafés erestaurantes da Holanda, que vendam a bebida, equivale a dez pontos. Estes podem sertrocados depois por brindes e ingressos para shows. https://www.heineken.nlNo Brasil, a principal iniciativa é da rede de culinária italiana, Spoleto. A empresa premiatoda sexta-feira os mayors das sete lojas cadastradas no projeto “Spoleto + Foursquare”.                                                                                                                22 API, de Application Programming Interface (ou Interface de Programação de Aplicações) é um conjunto derotinas e padrões estabelecidos por um software para a utilização das suas funcionalidades por outros. Fonte:http://foldoc.org/Application+Program+Interface   28  
  29. 29. http://www.spoleto.com.br/foursquareOutra ação brasileira aconteceu durante a campanha “Promoção de Verdade” criada pelaagência Y&R para a Perdigão. Focada nas mídias digitais, parte da promoção utilizava oFoursquare. A empresa cadastrou pontos de venda da marca em São Paulo e também outroscinco locais ligados à gastronomia. Pistas sobre quais eram esses locais eram dadas nodecorrer da campanha. Quem descobrisse o lugar e se tornasse o mayor, ganhava um kit deprodutos para um jantar a dois.  Como visto, os usos para o marketing são diversos e a utilização do aplicativo pode ajudar aaprimorar as estratégias de comunicação de uma marca. A ferramenta, por exemplo, permitevisualizar estatísticas acerca das lojas ou de outros locais, o que possibilita conhecer o perfildos clientes/visitantes. Informações como quem são os clientes mais fiéis, quem passourecentemente no estabelecimento, quem divulgou o nome da empresa e/ou fez comentáriospositivos/negativos nas redes Twitter e Facebook, se quem frequenta mais o espaço sãohomens ou mulheres, quais os dias e horários em que são realizados mais check-ins, dentreoutros. Com essas informações disponíveis, o proprietário ou o publicitário conhece melhor oseu target e, assim, poderá planejar estratégias mais assertivas.3.3 TurismoTodo turista deseja conhecer os lugares mais interessantes da cidade em que está visitando. OFoursquare possibilita que os usuários compartilhem informações sobre determinados locais –restaurantes, hotéis, cinemas, monumentos históricos - auxiliando visitantes e os própriosmoradores. Dessa forma, o aplicativo pode ser considerado um valioso guia turístico informal.Algumas cidades, estados, hotéis, reconhecendo o potencial da ferramenta, já começaram autilizá-la profissionalmente, tornando-se parceiras do Foursquare e engajando os usuários paraa contribuição espontânea, através do incentivo das badges especiais.   29  
  30. 30. O Estado da Pensilvânia, por exemplo, foi um dos pioneiros na parceria com o Foursquare e oramo turístico. Eles trabalham com o intuito de divulgar informações extras aos turistas comorotas, pontos históricos, indicações dos melhores restaurantes e lojas. As informações foramfornecidas pela Secretaria de Turismo da Pensilvânia e pelas contribuições dos usuários.Dessa forma, três badges foram criadas: a PA Shooflyer (3 check-ins em restaurantesrecomendados), PA Retail Polka (3 check-ins em lojas recomendadas) e a PA 4 Score & 7 (3check-ins em locais históricos recomendados).http://foursquare.com/visitpaA prefeitura de Chicago também usa o Foursquare para divulgar dicas sobre turismo,disponibilizando badges exclusivas que tem relação com roteiros turísticos da cidade: oChicago Blues, para amantes de Blues; o Chicago-Style Hot Dogs, para apreciadores docachorro-quente da cidade; e o Chicago Film Locations, para conhecer os locais onde foramgravadas cenas de famosos filmes. Para incentivar a participação, foram tambémdisponibilizadas aos visitantes, curiosidades históricas sobre cada um dos pontos turísticos eenquetes de cultura geral com perguntas sobre filmes populares filmados na própria cidade.Ainda é possível ler recomendações e dicas elaboradas pela página oficial e por outrosusuários que fizeram check-ins nos locais. http://foursquare.com/explorechicago   30  
  31. 31. No Brasil, foi criado o perfil Visit Brasil, que publica diversas dicas e informações, em inglês,sobre os principais pontos turísticos do país.Muitas outras iniciativas envolvendo Foursquare e turismo estão em andamento, porém, até omomento, todas seguem um mesmo padrão. Quando não há uma badge própria, apenaspublicam resenhas sobre os estabelecimentos e informações turísticas, como um guia dacidade.Na medida em que mais locais são cadastrados, o Foursquare se potencializa para ser o guiamais completo de uma cidade. As dicas deixadas por visitantes também ganham extremaimportância, pois são, na maioria das vezes, imparciais e espontâneas. Com isso, pela própriadinâmica da ferramenta e pela prática de como se configura o comportamento do turista nacidade, a utilização do Foursquare no turismo é um dos usos que mais tende a crescer.3.4 PolíticoO primeiro político a utilizar o Foursquare foi o Deputado Federal de Arkansas, PatrickKennedy. Logo após, outros foram criando seus perfis, como foi o caso do Governador daCalifórnia, Arnold Schwarzenegger. Ambos utilizam o aplicativo para postar informaçõessobre suas agendas políticas e adotam também a dinâmica da ferramenta, divulgandocomentários pessoais sobre bares e restaurantes.   31  
  32. 32. http://foursquare.com/schwarzeneggerNa última eleição nos Estados Unidos, a agência Proximity resolveu produzir toda acampanha de marketing e lançar como candidato aquele que fosse o mayor da prefeitura deChicago. A ação chamada de “The Foursquarian Candidate” possuía um site com um rankingatualizado em tempo real dos possíveis candidatos. Quem teve sua campanha lançada foi MattJakubowski, após realizar 780 check-ins na prefeitura.http://foursquariancandidate.comNas eleições de Novembro de 2010, nos Estados Unidos, o Foursquare, juntamente comoutras empresas, criou um hotsite interativo das eleições e a badge “I Voted”. Os usuários,para desbloquear a badge deveriam fazer check-in e um shout com a hashtag #ivoted. Emtempo real, o site contabilizava o número de pessoas que votaram por estado. Ao final do dia,mais de 50 mil check-ins foram feitos por, aproximadamente, 23 mil avenidas diferentes. http://elections.foursquare.comOutro uso relacionando o Foursquare com o campo político vem sendo realizado pela rede deTV a cabo americana CSPAN. Esse veículo traz em sua programação os assuntos   32  
  33. 33. relacionados à politica americana, como a transmissão de discursos, reuniões, audiência, etc.A atuação no Foursquare não seria diferente. A descrição da página convida os usuários asegui-los para que possam receber informações sobre instituições e processos políticos deWashington e de outras capitais. A CSPAN publica notícias sobre os principais locaispolíticos americanos e ainda adiciona vídeos e outros conteúdos relevantes para seu público-alvo.  http://foursquare.com/cspanNo Brasil, há tímidas atuações políticas no Foursquare. A vereadora de Salvador, VâniaGalvão, foi uma das pioneiras no uso da ferramenta. Sua atuação ainda é restrita, com poucoscheck-ins e nenhuma dica postada sobre locais. É a atual mayor da Câmera Municipal deSalvador.                                      http://foursquare.com/vaniagalvaoNa política, ainda existem muitas outras possibilidades de uso. Um exemplo seria a utilizaçãodo aplicativo como cartão de ponto, onde os representantes políticos poderiam dar check-instodos os dias em seus gabinetes, sinalizando o horário de entrada e saída, comprovando assimsua assiduidade. O político poderia também marcar obras importantes realizadas em seumandato – hospitais, escolas, pontes - e postar comentários sobre a importância daquele feito.Na lista “To Do”, poderia divulgar sua agenda: discursos, palestras, visitas a escolas, creches,   33  
  34. 34. bairros, dentre outros. Além de fazer check-ins em reuniões de partido, assembleias e outroslocais estratégicos. Assim, o Foursquare poderia se configurar como uma espécie deaccountability digital. Em suma, se bem utilizado, o Foursquare se torna uma estratégia viávelpara o marketing político.3.5 JornalismoInformações (sugestões, comentários) baseadas na localização e notícias hiperlocalizadas sãoos principais usos do Foursquare por alguns veículos de comunicação. As empresas pioneirasforam o National Post e Metro News, ambas do Canadá, e Financial Times e The Wall StreetJournal, dos Estados Unidos.A principal ação do National Post foi realizada durante o período do Toronto InternacionalFilm Festival, em 2010. Com o objetivo de fazer uma cobertura mais completa do evento, ojornal utilizou o Foursquare para divulgar dicas e informações sobre locais pouco conhecidospelos participantes.http://foursquare.com/nationalpostA principal atuação do Metro News no Foursquare é como guia da cidade. Diversos bares,restaurantes e espaços de entretenimento receberam dicas do jornal. Ele também possui umabadge própria que pode ser desbloqueada caso o usuário realize check-in pela manhã, em trêslocais indicados pelo perfil oficial.   34  
  35. 35. O Wall Street Journal é o que possui, até então, a melhor atuação jornalística no Foursquare.Possui três badges específicas: Urban Adventurer (check-in em cinco bairros de NovaIorque); a Banker Badge (três check-ins no distrito financeiro) e a Lunch Box (dois check-insem restaurantes avaliados pelo jornal). O veículo ainda publica hard news relacionadas aoslocais da cidade. O primeiro exemplo disto foi o check-in na Times Square e o shoutnoticiando que a avenida deveria ser evacuada porque uma embalagem suspeita foiencontrada.O Financial Times também realizou uma estratégia interessante no Foursquare. Com oobjetivo de aproximar o jornal do público jovem e bem segmentado, o jornal mapeou algunspontos importantes como a London School of Economics, London Business School, HarvardUniversity, alguns cafés do centro financeiro etc. Após realizar check-in nesses locais, osusuários recebiam o direito de acessar, gratuitamente, parte do conteúdo online do jornal. Estainiciativa foi bastante assertiva, pois utilizando o Foursquare, o veículo atrai o jovem –camada social majoritária nas mídias sociais – e se relaciona com um público altamentesegmentado e influente para o seu negócio.No Brasil, o único veículo jornalístico que possui atuação no Foursquare é O Globo. Comoestratégia de divulgação e relacionamento com seus assinantes, o jornal levou ao Foursquare oClube do Assinante onde publica dicas e ofertas exclusivas dos estabelecimentos parceiros.   35  
  36. 36. O Jornalismo ainda pode ser explorado de outras maneiras no Foursquare, seja para obterinformações sobre lugares para a produção de uma matéria ou para localizar uma fonteestratégica. Sabe-se que hoje as pessoas realizam check-in para dizer onde estão, mas poderãorealizar também com o objetivo de acessar notícias hiperlocalizadas.3.6 EducaçãoA iniciativa de algumas universidades em incluir o Foursquare na presença online dainstituição, com destaque para Harvard University e Arizona State University, tem envolvidomilhares de alunos, professores, funcionários e visitantes. Com base na ideia do “Explore thecampus”, os usuários tem deixado comentários com dicas, curiosidades, marcos históricos edivulgação de eventos da universidade.Ao perceber o engajamento desses usuários nos campi universitários, o próprio Foursquareresolveu criar o “Foursquare for Universities”. Inicialmente produzido para escolas parceiras,em três meses reuniu mais de 100 universidades e mais de 25 mil college badges foramdesbloqueadas. Assim como aconteceu com o Facebook, a repercussão foi intensa e outrasescolas quiseram participar do “Foursquare on Campus Program”. Dessa forma, o aplicativorecebeu pedidos de mais de 1.200 universidades. Com o aumento da demanda, o Foursquareaboliu a ideia de parceria e, atualmente, todas as universidades do mundo podem cadastrarsuas páginas.As colleges badges são cinco: Bookworm Bender (para quem realizar check-in na bibliotecaou em área de estudo após meia-noite); Smells Like School Spirit (check-ins em cinco áreas deesportes); Quad Squatter (10 check-ins em área de lazer); Munchies (check-in em cincorefeitórios de jantar diferentes) e a College Explorer (check-in em 10 locais do campus).     36  
  37. 37.  http://foursquare.com/harvard e http://foursquare.com/asuOs campi universitários são locais interessantes para o uso do Foursquare. A ferramenta podeser um bom guia para localizar prédios, salas, refeitórios e ficar a par dos eventos no campus.Além disso, muitos early-adopters podem ser encontrados nas universidades, que são opúblico-chave para ajudar a disseminar novas tecnologias.A Universidade de Nebraska-Licoln, por exemplo, realizou uma campanha para bater, dentroda própria instituição, o recorde do maior “College Swarm” do Fourquare. A ideia eraconseguir que 1.000 pessoas fizessem check-ins em um mesmo ponto da universidade. Açõescomo esta ajudam a tornar a ferramenta mais conhecida.Como diversos usos e atuações tem surgido dentro das universidades, o Foursquare criou umprograma para embaixadores. Para participar basta preencher um cadastro simples no GoogleDocs e dizer como podem fazer um uso melhor e mais divertido do Foursquare na suauniversidade. Se aceito no programa, o embaixador poderá receber brindes e camisetas.   37  
  38. 38. 3.7 EsportesA principal utilização do Foursquare no mundo dos esportes (leia-se: ligas esportivas, times,lojas de artigos esportivos, canais televisivos etc) foi a criação da primeira promoted trendingvenue, a “Super Bowl Sunday”, em 06 de fevereiro de 2011. Tratava-se de uma avenidafictícia que seria promovida mundialmente durante todo o período do jogo final da NationalFootball League (NFL). Quem estivesse assistindo à partida e realizasse um check-in com umshout citando o time para qual estivesse torcendo (“Go Packers!” ou “Go Steelers!”), ganhariauma badge exclusiva. Aqueles que realizaram check-in no próprio estádio, dia e horário dojogo, puderam desbloquear mais uma badge especial. Para motivar ainda mais as pessoas arealizarem o check-in na “Super Bowl Sunday”, cada uma das três badges vinham com umcódigo promocional que garantia 20% de desconto na loja oficial da NFL.Após o evento, esta pioneira promoted treding venue recebeu visitas de mais de 125 países ese tornou, no período de quatro horas, a avenida com maior número de usuários (134.434) echeck-ins (218.661) de todos os tempos. Superando o Aeroporto de São Francisco, que atéentão era o local mais acessado do Foursquare.A final da National Basketball Association (NBA) também contou com uma ação no   38  
  39. 39. Foursquare. No dia do jogo decisivo entre os times Lakers e Celtics quem fizesse um check-incom shout “Go Lakers!” ou “Go Celtics!”, desbloquearia badges exclusivas dos seus times.Outras iniciativas envolvendo Foursquare e esportes foram encontradas. Como exemplo,temos a loja “Sports Authority” que resolveu premiar todos os mayors das suas mais de 400lojas com cupons de descontos no valor de $10 dólares. Além da special offer, o perfil oficialda loja vem divulgando dicas, curiosidades e informações relevantes sobre estádios, parques elocais relacionados a esportes de diversas cidades dos Estados Unidos.http://foursquare.com/sportsauthorityO time de futebol americano Redskins também realizou ações no Foursquare. A equipe criouuma partner badge que pode ser desbloqueada de duas formas: check-in no estádio FedExField em dia de jogo ou três vezes em bares listados previamente pelo perfil oficial que fazema transmissão ao vivo. Ao ganhar a badge, os usuários concorrem a pares de ingressos. Operfil publica também ofertas e informações de outros eventos, mas, divulga, principalmente,dicas de lugares em Washington para assistir aos jogos, preços das bebidas, as melhoresopções do cardápio e descrição do ambiente.   39  
  40. 40. http://foursquare.com/redskinsdotcomAssim como a NFL, a National Hockey League (NHL) também possui atuação noFoursquare. A NHL cadastrou dicas e informações das mais de trinta arenas dos EstadosUnidos pertencentes à liga. Na descrição do perfil oficial, incentivam as pessoas a não apenasirem aos jogos, mas que provem que estão neles, utilizando o Foursquare.http://foursquare.com/nhlPercebido o uso do Foursquare com os esportes, a ESPN e a Major League of Baseball(MLB) lançaram seus próprios aplicativos de compartilhamento de localização. O “ESPNPassaport” possui lógica muito parecida com o Foursquare: os usuários fazem check-indurante as partidas, possui ranking dos usuários mais presentes nos estádios e podem publicarfotos em outras redes sociais online. O principal diferencial é permitir que os usuárioscomentem a partida em tempo real. O aplicativo pensado pela MLB permite que osinternautas se comuniquem entre si dentro do estádio e revejam lances, além de acessaremoutras informações do campeonato. Percebe-se, então, que o mundo dos esportes possui um   40  
  41. 41. enorme potencial para se promover junto ao Foursquare, ou com semelhantes aplicativospróprios.3.8 ModaA Marc Jacobs esteve entre as pioneiras da indústria da moda a utilizar o Foursquare emestratégias digitais, por criar uma badge própria para a semana de moda de Nova Iorque, a“Fashion Victim” (2010). A marca ainda premiou quatro pessoas com ingressos para o desfile,por terem desbloqueado a badge efetuando check-in em uma das lojas.A primeira campanha de mídia social da marca de luxo Jimmy Choo em abril de 2010 tevecomo base o Foursquare. Um par de seus sapatos fazia check-in em vários pontos luxuosos deLondres. Aquele que primeiro encontrasse o pacote antes dele seguir para o próximo pontoera premiado com um par. A ativação foi realizada também no Twitter e no Facebook.   41  
  42. 42. A Lucky Magazine, famosa revista de estilo dos Estados Unidos, entrou no Foursquare com oobjetivo de ser um completo guia de compras móvel. Os editores de moda da revista visitaramdiversas lojas deixando dicas e alertando para ofertas. Algumas dessas lojas foramclassificadas como favoritas. O usuário que fizesse check-in nestes espaços, desbloquearia a“Lucky Elite Shooper Badge”.http://foursquare.com/luckymagazineA Mercedes-Benz Fashion Week também esteve presente no Foursquare em parceria com operfil Frappuccino da Starbucks. Quem realizasse check-in nos “locais da moda” cadastradospoderiam ganhar cafés grátis e até mesmo ingressos para o evento, além de desbloquear umabadge exclusiva, a “Coffee Fashionably”.http://foursquare.com/frappuccinoA fim de fazer com que seus clientes percebam o compromisso cultural da marca, a HugoBoss realizou uma estratégia paralela com o Foursquare para promover o Prêmio Hugo Boss2010, evento realizado a cada dois anos em parceira com o Museu Solomon Guggenheim, emNova Iorque. O usuário que realizasse check-in em uma das lojas, recebia um catálogo daexposição e participava do sorteio de ingressos. Além disso, o perfil criou um guia das artesde Nova Iorque, publicando informações sobre diversas obras e pontos culturais da cidade.http://foursquare.com/hugoboss   42  
  43. 43. Já a Louis Vuitton adotou uma estratégia que vai de encontro ao tradicional check-in naslojas. A ideia da marca foi a de produzir conteúdo relevante sobre diversos pontos turísticosdo Reino Unido para os usuários que estivessem em viagem. http://foursquare.com/louisvuitton_hqA segunda temporada do reality show Supermodelme, na qual doze modelos asiáticasconcorrem pelo prêmio final e pela chance de se tornarem top models reconhecidas, possuitambém uma atuação no Foursquare. Duas badges foram criadas, a Superconnected e aSuperStyle. Para consegui-las, o usuário deve, primeiramente, seguir o perfil daSupermodelme e assistir aos episódios da série. Cada episódio trará pistas dos locais emCingapura onde deverão fazer o check-in. Quem conseguir as badges estará participando dosorteio de câmeras fotográficas, descontos em lojas de moda e outros prêmios. Esta foi aprimeira parceria do Foursquare na Ásia.http://foursquare.com/supermodelmeNo Brasil, a primeira empresa de moda a realizar uma promoção no Foursquare foi a grifeKhelf, com o tema “Check in dos Sonhos”. A campanha premiava com mil reais em compraso mayor que tivesse feito mais check-ins em alguma das lojas.   43  
  44. 44. Com a intenção de explorar ainda mais as possibilidades de uso do Foursquare com aindústria da moda foi desenvolvido o aplicativo FashionSquare. A ideia é compartilhar aexperiência de ida ao Shopping com os amigos, fazer check-in nas lojas preferidas, postardicas de itens e ofertas, além de mostrar a todos o que acabou de comprar. Ainda é possívelcriar lista de desejos e também colecionar badges. Para utilizá-lo, basta possuir cadastro noFoursquare.3.9 CulturaDiferente de todas as páginas cadastradas no Foursquare, o Museu do Brooklyn em NovaIorque criou, dentro do seu próprio site, o “Foursquare Community”, que se trata de umawebpage customizada utilizando a API do aplicativo. Nesta página é possível visualizar osantigos mayors, saber qual é a atual oferta especial e ver quem são as pessoas que possuem a“BK Art Star”, badge própria do Museu. A seção das dicas também é um diferencial. Épossível ler recomendações do próprio Museu e de estabelecimentos próximos. Com a opçãode visualizar tudo em um mapa.   44  
  45. 45. http://www.brooklynmuseum.org/community/foursquareO Museu Metropolitano de Arte de Nova Iorque também realizou parceira com o Foursquare.Foi produzida a bagde “Met Lover” e há uma oferta especial cadastrada na avenida do PetrieCourt Café, para aqueles que realizarem o primeiro check-in no Museu.A página da Bienal de Veneza 2010 no Foursquare tem o propósito de cadastrar dicasculturais da cidade. São informações sobre artes, cinema, arquitetura, dança, música e teatro.Até o momento, apenas quatro dicas foram postadas.No Brasil, a principal ação é Catraca Livre, um projeto de jornalismo educativo e cultural. Oobjetivo consiste em divulgar atividades culturais gratuitas ou a preços populares em SãoPaulo. A atuação no Foursquare segue a mesma lógica. Na página, são postadas dicas sobre oslugares onde ocorrem esses eventos.http://foursquare.com/catracalivre    3.10 ONGsDurante uma semana do mês de dezembro de 2009, o Foursquare juntamente com a Pepsi,realizou uma campanha de arrecadação para a ONG CampInteractive. Cada ponto ganhopelos usuários do Foursquare no ranking de Nova Iorque era revertido em U$0,04 para a   45  
  46. 46. organização. A ação terminava quando o valor chegasse a 10 mil dólares.Outra campanha chamada 86/Project também converteu check-ins em dinheiro. A ideiaconsistiu em fazer com que as pessoas jantassem fora de casa e realizassem check-in nosrestaurantes parceiros do projeto. Cada convidado rendia U$0,86. O valor total foi doado paraum centro de comida comunitário da cidade de Atlanta.No SXSW, um dos principais eventos de tecnologia do Texas, em março de 2010, cada check-in realizado foi revertido em U$0.25 que foram pagos pela PayPal e pela Microsoft para aFundação Save the Children. O valor total máximo arrecadado foi de 15 mil dólares, emmenos de 48 horas.No Brasil, a ONG Um Teto para meu País (UTPMP) realiza há três anos a ação “GrandeColeta”, na qual tem o objetivo de arrecadar doações para ajudar na construção de casas deemergência e planos de habitação social para beneficiar famílias que vivem em situação depobreza. Em junho de 2011, a UTPMP resolveu mapear no Foursquare todos os 50 pontos decoleta da cidade de São Paulo, geralmente esquinas e cruzamentos de grande fluxo depessoas.   46  
  47. 47. 3.11 CONSIDERAÇÕESEssas tipologias mostram como as redes sociais locativas, exemplificada aqui com oFoursquare, em seus diversos tipos de utilização, reforçam a ideia que a mobilidade e ageolocalização permitem a produção de conteúdos sobre os lugares e, consequentemente,estimulam a sociabilidade.Dentre todos os campos analisados, o marketing é o que deve ganhar mais força nos próximostempos. As agências de publicidade e estabelecimentos comerciais encontram no Foursquarediversas possibilidades para atrair/atingir públicos-alvo cada vez mais segmentados.No próximo capítulo, vamos entender as formas de utilização dos usuários e quais são asmotivações para que eles façam ou não check-ins nos locais. Para isso, serão analisadas umaentrevista em profundidade com early-adopters e uma pesquisa qualitativa mais ampla.   47  
  48. 48. 4. COMO E POR QUE AS PESSOAS USAM O FOURSQUARE?Para entender melhor como o Foursquare é utilizado pelos seus usuários, esta parte dotrabalho se baseará no documento “I’m the Mayor of My House: Examining Why People UseFoursquare - a Social-Driven Location Sharing Application”. Este documento é o resultadode uma grande pesquisa realizada em maio de 2011 por Janne Lindqvist, Justin Cranshaw,Jason Wiese, Jason Hong and John Zimmerman da Carnegie Mellon University - Pittsburgh(PA).A pesquisa foi realizada em três etapas: entrevistas em profundidade com seis early-adopters,pesquisa qualitativa com 18 usuários e, por ultimo, pesquisa quantitativa com 218 usuários.4.1 ENTREVISTA EM PROFUNDIDADE COM EARLY-ADOPTERSNa entrevista em profundidade foram levantadas diversas motivações para o uso doFoursquare. A primeira delas foi a possibilidade do “Personal Tracking”. Para osentrevistados, saber por ondem eles passaram é algo interessante. Um deles disse que otracking manual, como é o caso do Foursquare, em que o usuário escolhe o local que querrealizar o check-in, é mais interessante do que o tracking automático, na qual o sistema traça orastro no mapa de todos os locais que o usuário passa. Para ele, o tracking do Foursquare émelhor, pois há possibilidade de marcar somente os locais que a pessoa consideraimportantes, como uma espécie de curadoria.Todos os entrevistados revelaram ser relutantes em fazer check-ins em locais de rotina, comoo trabalho, seus próprios lares, casas de amigos ou outros ambientes que todos já esperam queeles estejam lá. Para um dos participantes, o ato de fazer check-in significa dizer: “este lugar éinteressante”. Dois entrevistados disseram que aeroportos são locais interessantes para sefazer check-in nas redes sociais locativas, porém, mais importante que sinalizar que está noaeroporto de origem é dizer que está no aeroporto de destino. Com isso, indica para oscontatos daquela cidade que se encontra disponível para encontros.Dois entrevistados compartilharam experiência de realizar check-ins em locais privados epúblicos. Um disse que, apesar de não se importar em dizer onde está, não faz check-ins emcasa de amigos. Segundo ele, esta é uma forma de proteger o amigo, pois possa ser que ele   48  
  49. 49. não queira ter seu endereço revelado. Outro entrevistado falou sobre sua presença em umgrande evento, South-by-Southwest (SXSW), onde realizou, freneticamente, diversos check-ins, com o intuito de sinalizar aos amigos em que parte do evento estava, sendo uma formapara ser encontrado com facilidade.Desta maneira, percebemos que essa forma de tracking manual e personalizado, permitidopelas redes sociais locativas, nos remete à questão da mobilidade e a uma certa visão local,aonde o percurso do usuário é quase uma narrativa qualificada (já que escolhida) do dia-a-dia.Essa narrativa pode ser contada ao acessar o histórico de check-ins realizados pelo usuário.O site utilizado foi o Memolane.23 O aplicativo utilizado foi o Weeplaces.24Outra questão levantada foi o compartilhamento da localização para conhecimento doparceiro. Dois entrevistados disseram que se envolveram em um relacionamento à distância.Com isso, eles encontraram no check-in uma forma de manter uma consciência passiva deonde está o outro.                                                                                                                23 Disponível em http://memolane.com24 Disponível em http://www.weeplaces.com   49  
  50. 50. A descoberta de novas pessoas também é uma motivação. Um entrevistado disse que teminteresse em conhecer novas pessoas que compartilham os mesmos interesses e que estejampróximas. Três dos seis entrevistados já tiveram experiências de interagir com novas pessoassimplesmente porque elas estavam próximas.Não só conhecer novas pessoas, mas reencontrar os amigos também foi colocado em pauta nadiscussão. Três dos entrevistados já se encontraram com amigos, que eles não sabiam queestavam próximos, mas pela utilização do Foursquare isso foi possível. Um disse ter visto aproximidade do amigo e o convidou para uma xícara de café. O outro entrevistado disse quechegou em uma cidade vizinha e iria almoçar sozinho quando viu que um amigo tambémestava na cidade. Assim almoçaram juntos.Dois participantes disseram que o aspecto de game do Foursquare é uma motivação para queeles e seus amigos participem. Um deles contou uma situação que conseguiu tirar o mayor deum usuário que ele conhecia pessoalmente.Saber onde os amigos estão, mesmo que não possam interagir ou chegar lá naquele momento,são interesses de três entrevistados. Um contou que já foi a um shopping que nunca tinha ido,pois viu um amigo fazendo check-in lá. Outro contou que acompanhou as atualizações de umamigo que realizou uma viagem pela Tailândia.Como visto nessas últimas motivações e propósitos para a utilização, percebemos a relaçãodireta do aplicativo com as formas de relacionamento entre pessoas. Aqui, vimos amobilidade, as informações hiperlocalizadas e os compartilhamentos locais estimulando asociabilidade.4.1.1 POR QUE AS PESSOAS USAM FOURSQUARE?Na pesquisa qualitativa, 14 participantes disseram que o principal benefício para utilizar oFoursquare são os amigos, no sentido de saber por onde estão indo e o que estão fazendo.Para um participante, conhecer novos lugares é o principal benefício que o faz utilizar oFoursquare. A opção de ter acesso ao histórico de locais por onde passou, foi comentadocomo um benefício, uma vez que fica mais fácil lembrar e retornar ao local.   50  
  51. 51. Cinco participantes mencionaram que ganhar pontos, badges e mayorships são as motivaçõespara se utilizar o Foursquare. Dentre eles, um falou que existem badges que só sãodesbloqueadas em locais específicos e que isso o motiva a ir ao local. Outros cinco disseramque ganhar descontos é o principal atrativo. Outros dois comentaram que as tips deixadaspelos usuários são bem úteis, uma vez que as levam em consideração para saber se irão entrarou evitar o local.Quando os participantes foram questionados sobre assuntos relacionados à privacidade, ogrupo ficou divido. Uma metade disse se preocupar com essas questões e a outra metade disseque não se importava. O grupo que disse não ter preocupações pareceu conhecer bem ofuncionamento do Foursquare, sendo capazes de compartilhar com outros somente o que lhesfor conveniente e de diversas maneiras, dependendo do local ou da situação. Um participantedisse que não tem o endereço de sua residência mapeado no Foursquare, além dissomencionou que não se acha tão importante para que as pessoas o vigiem. Muitos dosparticipantes disseram que só aceitam em sua lista de contatos seus amigos verdadeiros, jáconhecidos.Outros três disseram não associar a conta do Foursquare com o Twitter e/ou Facebook. Umparticipante complementou dizendo que a sua forma de se prevenir é não tornar todos oscheck-ins visíveis. Dois outros membros da pesquisa chegaram à conclusão que se a pessoatem preocupações com a privacidade, elas, primeiramente, não deveriam nem fazer parte deredes como Facebook ou Twitter. Um tipo de uso interessante que foi relatado na pesquisa éa realização do check-in no momento em que se sai do local, ao invés do momento em quechegou.  Com a parte do grupo que tem preocupações em relação a questões de privacidade, pareceuhaver certo desalinhamento na maneira de como eles entendiam o Foursquare, bem como aspossibilidades de controlar a exposição. Por exemplo, um participante disse que fica comreceio, pois estranhos podem rastreá-lo. Outro disse que pessoas para qual ele não querrevelar sua localização, tem a possibilidade de localizá-lo ao entrar no seu perfil doFoursquare. Um participante disse não conhecer os controles de privacidade da ferramenta.Por fim, um deles disse “todos ficam sabendo onde você está, quando você faz um check-in”.O integrante pareceu não entender que a lógica desta rede social locativa é justamente essa.   51  
  52. 52. As questões sobre privacidade e formas de apropriação do sistema reforçam a relaçãomobilidade, localização e sociabilidade. As próprias relações sociais já implicam em se perderum pouco da privacidade e do anonimato. Atrelando isso à mobilidade e ao compartilhamentode localização desperta ainda mais a ideia da insegurança nos usuários. Lemos (2010) explicaque antes, as ameaças à privacidade eram visíveis: ou imobilidade ou quebra de fronteiras materiais bem nítidas (casa, trabalho, corpo, prisão, hospital, escola...). Agora, a vigilância locativa é invisível e sutil já que é o próprio usuário que, na maioria das vezes, produz deliberadamente os dados (data e capta), sentindo-se produtor livre de informação em mobilidade. A violação de fronteiras é agora não mais material, mas eletrônico-digital, trafegando pelas membranas porosas dos novos territórios informacionais. (LEMOS, 2010 p.81)  4.1.2 POR QUE AS PESSOAS NÃO FAZEM CHECK-IN EM TODOS OS LUGARES?As pessoas entrevistadas demostraram algumas razões pela quais não fazem check-in emtodos os locais. Dentre estas, a autorepresentação. Para os participantes, não fazer check-in emestabelecimentos de fast-food é uma forma de autorepresentação. Um participante disse “eunão faço check-in em fast-foods. É embaraçoso, para mim, ser visto lá”. Outro disse “eu nãofaço check-in na McDonald’s para nem lembrar que eu estive lá. Eu também não me sintototalmente orgulhoso para dizer que estive lá”. Ainda com essa ideia, uma participante disse“eu nunca fiz check-in em restaurantes como McDonalds, Burguer King, Taco Bell etc. Euacho que ninguém se impressionaria com os check-ins de lugares como esses”. No entanto,entre os pesquisados, um disse ser o mayor da McDonald’s. Consultórios médicos e bancostambém foram citados como locais em que não fazem check-ins.Dois participantes disseram não fazer check-in em locais que considerem como chatos, semgraça. Esse foi o motivo pelo qual um participante não fazia check-in em casa. Outrocomentou que não realiza check-in no trabalho pelo mesmo motivo. “É um lugar chato parafazer check-in. Eu vou lá todos os dias”. Outro motivo levantado foi a preocupação em não“poluir” os murais do Facebook com muitas atualizações sobre localização.Como visto, podemos afirmar que realizar check-in em fast-foods é algo que grande parte dosentrevistados diz evitar. Com isso, percebe-se mais uma vez a questão da autorepresentação eda narrativa qualificada, já que lugares que possam causar algum tipo de constrangimento   52  

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