23 lacan seminário 23 o sinthoma (1)

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Seminário 23, O Sinthoma

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23 lacan seminário 23 o sinthoma (1)

  1. 1. Jacques Lacan o SEMINARIO livro 23 o sinthoma Texta estabelecida par Jacques-Alain Miller ISBN 978-85-7110-987-2 111111111111111111111111111111 9 788571 109872 Por dez vezes um senhor de cabelo branco (lllIl rece no palco. Por dez vezes respira e sunphcl Por dez vezes desenha lentamente estrnnlHI arabescos multicoloridos que se enodam Ol1lrl si e aos meandros e volutas de sua fala altonlll damente emaranhada e solta. Ha uma multldfo a contemplar medusada 0 homem-enigma 0 (I receber 0 ipse dixit, aguardando uma ilumhl11 yaO que se faz esperar. Non lucet, falta luz la dentro, e os Theodore procu ram f6sforos. Entretanto, ruminam, cuicumqu( in sua arte perito credendum est, quem provOll ser habil em seu oficio merece credito. A parth de que ponto alguem fica louco? a pr6prio mo~ tre coloca a questao. Isso era antigamente. Eram os misterios d( Paris ha trinta anos. Assim como Dante pegando a mao de Virgflle> para avanyar pelos cfrculos do Inferno, Lacan pegava a de James Joyce, 0 ilegivel irland~H, e, seguindo esse franzino Comandante dos In credulos, entrava com um passo pesado e titu- beante na zona incandescente onde ardem e s retorcem mulheres-sintomas e homens-devac:· tay6es. Uma trupe equivoca assistia aos trancos e bar- rancos: seu genro, um escritor desgrenhado, entao jovem e igualmente ilegivel; dois mJ:l· tematicos dialogantes; e um professor lion comprovando a seriedade daquilo tudo. Algum Pasifae discreta zanzava atras das cortinas. Riam, meus .caros! Por favor. Zombem! Nossll ilusao camica esta ai para isso. Assim, nao berao nada do que se desenrola aos seus olh arregalados: 0 questionamento mais meditado, mais lucido, mais intrepido da arte sem similnr que Freud inventou, e que conhecemos sob () pseudanimo de psicanalise. Jacques-Alain Miller ~~ ~g1~:~i~. Jacques Lacan, o SEMINARIO
  2. 2. CAMPO FREUDIANO NO BRASIL Coleyao dirigida par Jacques-Alain e Judith Miller Assessaria brasileira: Angelina Harari Jacques Lacan o SEMINARIO o sinthoma Texto estabelecido par Jacques-Alain Miller ~~ ZAHARJorge Zahar Editor Rio de Janeiro
  3. 3. Titulo original: Le Seminaire de Jacques Lacan Livre XXIII: Le sinthome 0975-1976) Tradu~ao autorizada da primeira edi~ao francesa, publicada em 2005 por Editions du Seuil, de Paris, Fran~a, na cole~ao Le Champ Freudien, dirigida por Jacques-Alain e Judith Miller Copyright © 2005, Editions du Seuil Copyright da edi~ao brasileira © 2007: Jorge Zahar Editor Ltda. rua Mexico 31 sobreloja 20031-144 Rio de Janeiro, R] tel.: (21) 2108-0808 1 fax: (21) 2108-0800 e-mail: jze@zahar.com.br site: www.zahar.com.br Iivro 23 o sinthoma 1975-1976 Todos os direitos reservados. A reprodu~ao nao-autorizada desta publica~ao, no todo ou em parte, constitui viola~ao de direitos autorais. (Lei 9.610/98) [Edi~ao para 0 Brasil] Cet ouvrage, publie dans Ie cadre du programme d' aide it la publication, beneficie du soucien du Ministere fran~ais des Affaires Etrangeres. Tradw;:ao: SERGIO LA1A Este livro, publicado no ambito do programa de ajuda it publica¢o, comou com 0 apoio do ministerio Frances das Rela~6es Exteriores. Revisao: ANDRE TELLES As figuras das p.217-8 foram retiradas do livro Nauds, de Alexei Sossinsky, publicado em 1999 por Editions du Seuil, e reproduzidas com a gemil autoriza~ao do autor. CIP-Brasil. Cataloga~ao-na-fome Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ. Lacan, Jacques, 1901-1981 o Seminario, livro 23: 0 sinthoma, 1975-1976/Jacques Lacan; texro esrabelecido por Jacques-Alain Miller; [tradu~ao Sergio Laia; revisaoAndre Telles].- Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2007. -(Campo Freudiano no Brasil) Tradu~ao de: Le Seminaire de Jacques Lacan, LivreXXIII: Le simhome (I975-1976) Anexos ISBN 978-85-7110-987-2 1.Joyce, James, 1882-1941. 2. Simoma (Psicanalise)- Discursos, conferencias, etc. 3. Psican:ilise- Discursos, conferencias, etc. I. Miller,Jacques, Alain, 1944-. II. Ti- tulo. Ill. Titulo: 0 sinthoma. IV:Serie. CDD: 150.1952 CDU: 159.964.2
  4. 4. I. Do uso logico do sinthoma ou Freud com Joyce 11 II. Do que faz fUfO no real 27 III. Do no como suporte do sujeito 44 IV. Joyce e 0 enigma da raposa 59 v. Joyce era louco? 75 VI. Joyce e as falas impostas 88 VII. De uma falicia que testemunha do real 101 VIII. Do sentido, do sexo e do real 115 IX. Do inconsciente ao real 125
  5. 5. Do usa L6GICO DO SINTHOMA 1 OU FREUD COM}OYCE Joyce, essepobre-diabo 2 sobrecarregado de pai o corpo: 0 dizer e a forma opai e um sinthoma Do n6 borromeano de quatro De uma arte que desfaz a verdade do sinthoma Sinthoma e uma maneira antiga de escrever °que p'oste.riormente f0 escrito sintoma. 1No original, sinthome, grafia antiga para a palavra symptome ("sinroma"), datada de 1503 (d. Ie Robert. Dictionnaire alphabetique et analogique de la langue franraise. Pa- ris, Societe du Nouveau Lime, 1974). (NT) . 2No original here, traduzivel como "mised.vel", "pobre-diabo", "joao-ninguem". A opc,:aopor "pobre-diabo" visa tirar proveiro das associac,:oespossiveis enrre a Figurado diabo e a do heretico, uma vez que mais adianre, nesta mesma lic,:ao,Lacan ira se val '1' das ressonancias, irreproduzlveis em porrugues, entre here e heretique ("hen~ti 0"). (NT.)
  6. 6. Essa manei~a marca um~ data, aquela da inje<;:aodo grego no que e.u chamo ~e mmha lalingua , a saber, 0 frances. De fato, se me permi- t! essa .modlfica?ao da ortografia, e porque Joyce, no primeiro capitulo de Ulzsses,almejava hellenise, injetar, da mesma forma, tambem a lin- g.ua helena, mas em que? Nao se sabe, pois nao se tratava do gaelico, amda que se tratasse da Irlanda. Joyce devia escrever em ingles, sem duvida, mas, como foi dito em Tel Que4 por alguem que, espero, esteja neste audit6rio, Philippe 501- le~s, el~ escre~eu em ingles de uma tal maneira que a lingua inglesa nao eXlste malS. Ess.a lingua j~ ti~~a, certamente, pouca consistencia, 0 que nao quer dlZer que seja fanI escrever em ingles, mas, pela sucessao de obras que esc:eveu em i~gles, Joyce acrescentou esse algo que faz 0 mesmo a.utor dlZer que sen~ necessario escrever l'elangua/ 5uponho que, as- Slm, ele Frocur~ d~s~gnar alguma coisa como essa ela<;:aoque, dizem- nos, esta no pnnClplO de nao sei qual sinthoma que em p' . ., slqUlatna, chamamos de mania. A mania e, de modo efetivo, 0 que se assemelha a ultima obra de Joy~e, Finnegans 1Vtzke,aquela que ele segurou por muito tempo para atralr-Ihe a aten<;:aogeral. ,E a proposit~ des~a.obra que me deixei ser levado a inaugurar Joyce a tltulo de urn SlI~POSlO,a partir de uma ardorosa solicita<;:ao de Jac- ~ues Aubert, aqUl prese~te .e igu~mente ardoroso. Foi tambem por lSSOque, por fim, me delxel desvlar do projeto, que lhes anunciei 0 ana passado, de intitular 0 5eminario deste ana como 4 5 6.C. , , . onten- tel-me com 0 quatro, e me alegro com isso porque com 0 4 5 6. . b" ) , , , eu tena sucum Ido. o que n~o quer dizer que 0 quatro do qual se trata seja menos pe- sado para mlm. I It:rdo de Freud, muito a minha revelia, por ter enunciado de modo propicio 0 que podia ser extrafdo com boa logica da lengalenga daque- I 'S que ele chamou de seu bando, e que nao tenho necessidade de no- mear. Trata-se daquela cambada que acompanhava as reuni6es de Viena, e da qual se pode dizer que ninguem seguiu a via por mim chamada de boa logica. Para ser curto e grosso, direi que a natureza se especifica por nao ser una. Dai, para aborda-Ia, 0 procedimento 16gico. Pelo procedimento de chamar de natureza 0 que voces exduem pelo simples fato de ter in- teresse em alguma coisa, alguma coisa que se distingue por ser nomea- da, a natureza nao se arrisca a nada senao a se afirmar como uma miscelanea de fora-da-natureza. Esse enunciado tern a seguinte vantagem: se voces acham, e mes- mo esperam, que 0 chamado homem se coloque acima do que parece ser a lei da natureza na medida em que nao ha para ele rela<;:aonatural- mente sexual - esse naturalmente, portanto, com restri<;:6es-, e por- que tal enunciado lhes permite afirmar logicamente que este nao e urn privilegio do homem, 0 que acaba por se verificar. Entretanto, cuidado para nao dizerem que 0 sexo nao tern nada de natural. Tentem antes saber 0 que se passa em cada caso, da bacteria ao passaro, uma vez que eles tern nomes. Ja fiz alusao tanto a urn quanto a outro. Observamos de passagem que na Cria<;:ao, dita divina apenas por se referir a nomea<;:ao, a bacteria nao e nomeada. Ela tampouco e no- meada quando Deus, bufoneando 0 homem suposto original, pro- p6e-Ihe come<;:ar por dizer 0 nome de cada bestiola. Dessa primeira bobagem, temos apenas a pista para conduir que Adam, como a pronuncia inglesa de seu nome suficientemente 0 indi- ca - alusao a fun<;:aode indice de Peirce - era uma Madam, de acordo com 0 joke que Joyce justamente faz sobre isso. Epreciso com efeito supor que Adao so nomeou os animais na lin- gua daquela que chamarei de Evida. Tenho direito de chama-Ia assim, posto que em hebreu, se e que 0 hebreu seja mesmo uma lingua, seu nome quer dizer a mae dos vivos. E a Evida logo soltou bem essa lingua uma vez que, depois do suposto nomear empreendido por Adao, sera a primeira a se servir dela para falar com a serpente. I~~~dll<;:~aadotada,} partir ~a p.ublica<;aode Outros escritos (Jorge Zahar Editor, . ), P b 0 t~rmo lalangue , cnado por Lacan a partir da jun<;aodo artigo fa ("a") (om 0 su stan,tlvo langue ("lingua"). (N.T.) No onglllallelan!f.~es, pal:vra criada par Sollers e retomada par Lacan, na ual 0 ter- 1110 pllllallangues( IlDguas ) funde-se a l't!fan (" 1-"" . 'b' q " ". I"" a e a, a movlmento su Ita e espon- I.IIW, 0 JlllpU so , a expansividade"). (N.T.)
  7. 7. ., A Cri~<;:aodita d~vinase reduplica, portanto, pelo falat6rio do que ja charnel deftlasser, pelo qual a Evida faz da serpente 0 que voces me permitem chamar de tranca-bunda [serre-ftssesJ,posteriormente desig- nado como falha ou, melhor, falo - posto que de fato e necessario urn para dar 0 passo-em-ftlso, 0 necessario-passo, 0 necessario-nao6. Trata-se da faha, 0 sin, e e uma vantagem que meu sinthomecome- ce com ele. Em ingles, quer dizer pecado, a falta primordial. Dai a ne- cessidade de que nao cesse a falha que sempre aumenta, exceto ao sofrer 0 cessada castra<;:aocomo possive!. Esse possivel, eu disse tempos atras que e 0 que cessade se escrever. Ao ve-Ios assim tao numerosos, acho que inclusive ha alguns que ja es- tao acostumados a ouvir 0 que invento. Mas de modo algum notaram, e sequer eu mesmo 0 fiz, que e preciso colocar uma virgula. 0 possivel e 0 que cessa,virgula, de se escrever.Ou, melhor, que cessaria, de tomar o caminho de se escrever, no caso em que adviria, enfim, 0 discurso que evoquei, 0 tal discurso que nao seria da ordem do semblante. E impossivel a verdade tornar-se urn produto do savoir-ftire 7? Nao. Mas ela, entao, sera apenas meio-dita, e encarnando-se em urn sig?ificante de indice 1 ali onde e preciso pelo menos dois para que, assl~, apare<;:aa unica A-Mulher- mitica, no sentido de que 0 mito a ~azsmgular, trata-se de Eva, de que falei ha pouco - por jamais ter sido mcontestavelmente possuida, uma vez que pode provar do fruto da arvore proibida, a arvore da Ciencia. A Evida, portanto, nao e mais mortal que S6crates. A-mulher da qual se trata e urn outro nome de Deus, e e por isso que, como eu disse muitas vezes, ela nao existe. Nota-se, aqui, 0 lado sagaz de Arist6teles, que nao quer que 0 sin- gular figure em sua logica. Ora, ao contrario do que ele admitia na sua tallogica, convem dizer que Socrates nao e homem, posto que aceita 1I11ll"l" 'I" para que a cidade viva. Ele aceita isso, e urn f~to. Alem disso, e III"' cssario dizer que, nessa ocasiao, ele nao quer OUVIrsua mulher. fa- 1.11. Daf, minha'f6rmula sobre a mulher, e que renovo, se posso dlz~r ,Isill1, para uso de voces, servindo-me desse me pantes que e a OpOSI- 1.,10, descartada por Arist6teles, ao universal do pan, destacada por Illim no Organon. Nao consegui reencontra-l~, mas certamente eu ~ Ii nesse liv:o, a ponto de que minha filha, aqUlpresente, 0 notou e ha pouco me )ura- va que a reencontraria. A mulher s6 e toda sob a .forma pela qual 0 cquivoco toma de nossa lalingua 0 que ela tern de ptcante, sob.a forma do mas issonao, tal como se diz tudo, mas issonao. Essa era efeuvamen- lC a posi<;:aode S6crates. 0 mas isso nao eo que introduzo sob meu tf- wlo desse ano como sinthoma. Por urn instante, pela insrancia da letra tal como esbo<;:adaate ago- ra - e nao esperem nada melhor, pois 0 que sera mais efica~,nao .fara nada melhor do que deslocar 0 sinthoma ou m.esmo, como )a.o dl~se8 multiplici-io -, pela ~nsranciapresente, ha 0 smthoma masdzaqumo que escrevo como qUlserem. Vocessabem que Joyce babava por essesant'homem. No que se re- fere a filosofia, jamais se fez nada melhor, e preciso dizermos bem. as coisas- nada mais verdadeiro do que isso.Ainda assim, Joyce nao tlfa muito proveito dessa coisa a que ele atribui urn alto pre<;:o,ou seja, ao que ele chama de Belo. Consultem, so~re is~o,0 tra~alh~ de Ja~ques Aubert, e vao ver que hi no sinthomasdzaqumo urn nao sel 0 ~ue cha- mado por ele de claritas, substituido por Joyce por alguma cOlsacomo o esplendor do Ser, e e bem esse 0 ponto fraco do qual se trata. Sera uma fraqueza pessoal? 0 esplendor do Ser nao ~e at~nl?e.E e de fato dai que Joyce faz decair 0 sinthoma de seu masdzaqumzsmo. Ao contrario do que pode parecer aprimeira vista, 0 distanciamento de Joyce quanto a polftica produz 0 que chamarei de sint'home rule 9. Esse Home rule, 0 Freeman'sJournal 0 representava como 0 sol nascen- do atras do Banco da Irlanda. Joyce, como por acaso, 0 faz nascer no 5 No original parletre, palavra criada por Lacan a partir da junc;:aode parler ("falar") e rtre ("ser"). (N.T.) (,Ern frances, essas tres express6es podem ser extraidas do substantivo compos to fitut- /JlIS, cnado por Lacan e que homofonicamente remete a fitux pas ("passo em falso"), ll1astambem "necessario-passo" e "necessario-nao", respectivamente porque fitute a mnjugac;:ao do verbo fitlloir ("ser preciso", "ser necessario") na terceira pessoa do sin- gllbr 'pm e urn adverbio de negac;:ao.(N.T.) 'I':xpr 's~ao francesa, datada de 1617, formada por savoir ("saber") efitire ("fazer"), p,II':' d 'slgnar a habilidade, 0 jeito para se obter exito grac;:asIIac;:6esque sao, ao mesmo "'II'pO, 1l131dveise precisas. (N.T.) BNo original, sinthome madaquin, hom6fono de Saint Thomas d'A1uin ("5ao Tomas de Aquino"). Lacan, a seguir, extrai outras vers6es d~ssa ~omofo~la. (NT.) 9Transcrito tal como no original, rrata-se de uma Junc;:aode smt (parte do ter.mo "sinthoma") com home rule, expressao que, em ingles, significa "govemo proprIo", "autonomia", mas que tambem pode a1udir, por se tratar de Joyce, 11 luta pela lllde- pendencia da Irlanda frente ao dominio ingles. (N.T.)
  8. 8. noroeste, 0 que nao e comum para urn nascer do sol. Mesmo cons ide- rando como ess~ tema range em Joyce, trata-se, ainda assim, do sintho- ma que rota, 0 slllthoma com rodinhas que Joyce junta com 0 Outro. E certo q.ue es~es do is term os podem ser nomeados de outro modo. Eu os nomelO aSSlm em func;:ao das duas vertentes que se ofereciam a arte de ~oyce: do qual nos ocuparemos este ana em razao do que ha pouco dlsse, llltroduzi e nao pude fazer nada melhor que nomear com o nome que ele merece, que the e conveniente, deslocando-Ihe a orto- grafia. ~as e u~ fato qU~oJoyce faz uma escolha e, nisso, como eu; e urn h.eretlCo. POlShae.resis e realmente 0 que especifica 0 heretico. E pre- CISOescolher a VIa por onde to mar a verdade Ai d . lh' . n a malS porque a esco ~ a, uma. vez d felta, nao impede ninguem de submete-Ia a confir- mac;:ao, ou sep, e ser heretico de uma boa maneira. .....A boa m~aneira ~ aquela que, por ter reconhecido a natureza do ~l~th?~a, ~ se pnva de usar isso logicamente, isto e, de usar isso ate atlllgu seu rea1) ate se fartar. - ~. I I Joyc,e fez isso, mas, e claro, no olhometro, pois pior do que ele nos nao podlamos comec;:ar. Ser nascido em Dublin com urn pai beAbadod . . h . . .' e Cartelnn a e malS ou men os Femano, IstO e, fanatico, de duas familias, pois e assim ue acontece com todos quando se e filho de duas fam.flias, e quando se~re macho porque se te~ urn pedacinho de pau. Naturalmente, perdoem- me por esse termo, e p~eClso mais que isso. Mas como ele tinha 0 pau urn po~~o mo~e, se ass1m ~osso dizer, foi sua arte que supriu sua fir- meza faII~a. E e se.mpre aSSlm. 0 falo e a conjunc;:ao do que chamei de essepar~sz~a, ou sep, 0 pedacinho de pau em questao, com a func;:ao da fala. E e lllSSOque sua arte e 0 verdadeiro fiador de seu falo. Mora iss~, digamos que se tratava de urn pobre-diabo, e mesmo de ~m pobre-dlabo-heretico [pauvre-heretique]. So na Universidade ha JOYClanoque goza de sua heresia. Mas foi Joyce quem deliberadamen- IoTermdoem la~~hmde~ivado do grego hdiresisque designa a a~ao de fazer uma escolha e se tra uz por eresla". (N.T.) , II '1'Ii~ quc essa corja se ocupasse dele. 0 incrlvel e que ele 0 canse- 1',11111, • dc urn modo fora de serie. Isso dura, e ainda vai durar. Ele 0 '1'11'1 i,l, nomeadamente, por trezentos anos. Ele disse - Quero que os ""i/ll'I'Jitdrios se ocupem de mim por trezentos anos-, e os tera, conquan- III I) 'us nao nos pulverize. Esse pobre-diabo [ce here] - 0 h de here, por ser aspirado em fran- I s, l1ao permite dizer cet here, mas, sim, ce here, 0 que chateia todo llundo e e por isso que se diz Iepauvre here-, esse pobre-diabo e con- I l'hido camo urn heroi. Stephen Hero foi 0 titulo dado expressamente 11:1ra 0 livro em que ele prepara A Portrait of the Artist as a YlJungMan. Bern que que ria mostrar para voces pelo menos a edic;:ao que se dcve ter, mas 0 chato e que eu nao trouxe 0 livro. E diflcil encontra-Io, por isso especifico-Ihes a maneira como devem insistir. Nicole Sels, aqui presente, me enviou uma missiva - uma carta, tal como se diz- cxtremamente precisa na qual me explica em duas paginas que e im- possivel, agora, encontrar esse texto seguido de seu aparato Crltico rea- lizado por urn certo numero de pessoas, todas universitarias. Escrever sobre Joyce e, alias, urn modo de entrar na Universidade. A Universi- dade absorve os joycianos, confere-Ihes graus, eles ja se encontram em born lugar. Em suma, voces nao vao encantrar 0 ... - nao sei como pronunciar, e Jacques Aubert quem vai me dize-Io. Sera Beebeou Bibz? Ele abre a lista com urn artigo sobre Joyce particularmente capri- chado, em seguida voces tern Hugh Kenner que, a meu ver, fala bas- tante bem de Joyce, talvez por causa do tal san Tomas de Aquino, e ha outros. Lamento que nao possam dispor desse livro. Na verdade, eo caso de dizer que, de minha parte, e uma mancada diminuir assim os caracteres dessa notinha. Seria preciso que voces combinassem com Nicole Sels para ela lhes fazer uma serie de fotoco- pias. Como penso que, entre voces, nao ha muitos que estejam prepa- rados para falar ingles, sobretudo aquele de Joyce, poucos van se interessar por isso, mas, evidentemente, havera emulac;:ao, uma emu- lac;:ao,meu Deus, legitima.
  9. 9. Um retrato do artista. 0 artista, deve-se escreve-lo enfatizando 0 0 que se encontra em do. The, com certeza, nao e exatamente para nos 0 nosso artigo definido. Mas podemos confiar em Joyce. Se ele diz the, e certamente porque pensa que, de artista, ele e 0 unico, que, aqui, ele e singular. As a fOung Man. E muito suspeito. Em frances, as poderia ser'tra- duzido por comme [como]. Dito de outra forma, trata-se do como- mente. o Frances indica isso. Quando falamos e usamos urn adverbio, quando dizemos real-mente, mental-mente, heroica-mente, 0 acrescimo desse mente ja e, em si, indicativo de que mentimos. Ha mentira indi- cada em todo adverbio. Nao e por acaso que ela esta af. Ao interpretar- mos, de~emos pres tar atenc;:ao nisso. Alguem que nao esra muito longe de mim comentava que a lingua, na medida em que designa a instrumento da fala, que era tambem a lingua que continha as papilas ditas gustativas. Pais bern, eu the retor- quirei: nao e a toa que 0 que se dizcondimente [ce qu'on dit ment]. Voces tern a bondade de achar isso divertido, mas nao e engrac;:ado porque, afinal de contas, temos_ap.enaS-O.-eq,uiYQcocomQ..g£~a o sinthoma. Acontece que me dou ao luxo de supervisionar, como se diz, urn certo numero de pessoas que se autorizam por si mesmas, segundo mi- nha formula, a ser analistas. Ha duas etapas. Ha aquela em que elas sac como a rinoceronte. Fazem mais ou menos qualquer coisa, e sem- pre dou-lhes minha aprovac;:ao. Com efeito, sempre tern razao. A se- gunda etapa consiste em tirar proveito desse equivoco que poderia libe- rar algo do sinthoma. Com efeito, e unicamente~lo e uivoco que a interpretac;:ao a e- ra. E precise que haja alguma coisa no significante que ressoe. Esurpreendente que isso nao tenha ocorrido aos filosofos ingleses. Eu os chamo assim porque nao sao psicanalistas. Acreditam ferreamen- te que a fala nao tern efeito. Estao errados. Imaginam que ha pulsoes, e isso quando se dispoem a nao traduzir Trieb par instinct. Nao imagi- nam que as pulsoes sao, no corpo, 0 eco do fato de ue ha urn dizer. ~ - - --- - --- - -.----.. Esse dizer, para que ressoe, para que consoe, outra palavra do sin- thoma masdaquino, e precise que 0 corpo the seja sensfvel. E urn fato '1"1 I Ic' 0 (. Porque a corpo tern alguns orificios, dos quais a mais im- 111I11.llltt' (0 ouvido, porque ele nao pode se tapar, se ~errar, se fechar. . ( ponde a que charnel de voz.III11 t'S.~C vies que, no corpo, res . () 'mbarac;:oso e que, certamente, nao ha apenas a ouvldo, e que a 1.111.11 Ihe faz uma eminente concorrencia. More geometrico, por causa da forma, cara a Platao, a individuo se '111('.~ 'nta como troncho, como urn corpo. E esse corpo te~ uma ~o- It IIcia tal de cativac;:ao que, ate certo ponto, os cegos devenam.ser ~n- vl'jados. Como urn cego, ainda que saiba braile, pode l~r Eu~ltdes. oespantoso e que a forma s6libera 0 saco OU,se voces qUlserem, a holha, pois e alguma coisa que incha. o obsessivo e mais apegado a isso que qualquer outro, porque, d· algum lugar e me lembraram disso recentemente,'omo eu lsse em , de e como a ra que quer ser tao gorda quanto 0, boi. ~rac;:as a uma .f~- bula, ja sabemos os efeitos disso. Sab~m~s que e partlcularmente dlft- cil arrancar 0 obsessivo dessa ascendencla do olhar. osaco, tal como configurado na teoria dos conjuntos fundada por C tor manifesta-se ou mesmo demonstra ser - se toda d~1:.ra- an " l' rc;:aoe sustentada ~monstrar 0 im,aginario que e a l~? ~a - me- ecedor de ser conotado por uma mistura de 1 e de 0, umco supo~te :dequado ao que confina 0 conjunto va~io que se imf6~ nessa teor:a. Daf nossa inscric;:ao 51' cuja leitura espeClfico como 5 mdlce 1. Ela nao .. m mas 0 indica como podendo nada conter, como po-constltUl 0 u , den do ser urn saco vazio. Nem por isso urn saco vazio permanece ~~ sa~o, ou seja, isso que s6 e imaginavel pela ex-sistencia e pela conslstencla que 0 cor~o ,ten:' de ser pote. E precise apreender essa ex-sistencia e essa conslstenc~a como reais, posto que apreende-las e 0 real. E a que a palavra Begriff qucrd~u . o imaginario mostra aqui sua homogeneldade co~ o. r~a~, e essa homogeneidade apenas e apreendida porque 0 numero e ~m~no, 1ou O. Isso significa que ele suporta 0 2 somente porque 0 1 nao e 0 0, por- que eIe ex-siste ao 0, mas disso consiste para nada. _ Epor isso que a teoria de Cantor deve ~eto.mar 0 par. Mas, entao, 0 conjunto the e terceiro. Do conjunto pnmelro ao que e 0 Outro, a
  10. 10. jun<;:ao nao se faz. Com efeito, e por isso que 0 simbolo a remete ao imaginario. o sfmbolo tern 0 fndice 2, indicando que faz urn par, isto e, intro- duz a divisao no sujeito, qualquer que seja, pdo que se enuncia ai de fato. Pois esse fato permanece suspenso ao enigma da enuncia<;:ao, que e apenas fato fechado em si - 0 fato do fato, como se escreve, 0 fastigio do fato ou 0 fato do fastigio, como se diz. Esses fatos sao de fato iguais. Equfvoco e equivalente, 0 fato e, por isso, limite do dito. o inaudito e que os homens viram muito bem que 0 simbolo so podia ser uma pe<;:aquebrada, e isso, se assim posso dizer, desde sem- pre. Mas 0 inaudito e tambem que des nao tenham visto na epoca, na epoca desse desde sempre, que isso comportava a unidade e a reciproci- dade do significante e do significado - e, como conseqiiencia, origina- riamente, 0 significado nao quer dizer nada, e apenas 0 signa de arbitra- gem entre dois significantes para a escolha deles - signa de arbitragem e, por isso, nao do arbitrario. Para dize-lo em ingles, e e assim que Joyce 0 escreve, so ha umpirea partir do imperio, do imperium sobre 0 corpo, como tudo que carrega essa marca des de 0 ordalio. o 1 confirma aqui sua separa<;:aocom rda<;:ao ao 2. Ele constitui 0 3 apenas por for<;:amento imaginario, aquele que imp6e a uma vonta- de sugerir que urn moleste 0 outro, sem estar ligado a nenhum deles. '11111 pidos, mas, sim, porque eles ja sao distintos, de modo que e preci- ',II ."Ipor urn quarto que, nessa ocasiao, e 0 sinthoma. Digo que e preciso supor tetridico 0 que faz 0 la<;:oborromeano - d· ~ .11 em suma 0 perversao quer dizer apenas verslio em lre~ao ao paz -, , ., sintoma ou urn sinthoma, se qUlserem. Estabelecer 0 la<;:o pal e urn, . r ~ enigmatico do imaginario, do simbolico e do real Imp lCa ou supoe a ex-sistencia do sintoma. . . ., . A configuta<;:ao seguinte, a esquerda, esquematlza 0,Im:gmano, ~ simbolico e 0 real como separados uns dos outros. Voces tern a POSSI- bilidade de liga-los. Com 0 que? Com 0 sinthoma, 0 quarto. Para que Fosse expressamente estabelecida a condi<;:ao de que, a partir de tres aneis, fizessemos uma cadeia tal que 0 rompimento de apenas urn, 0 do meio, se posso dizer de modo abreviado, tornasse os outros dois, quaisquer que sejam eles, livres urn do outro, foi preciso que per- cebessemos que isso estava inscrito no brasao dos Borromeus. Portanto, 0 no dito borromeano ja estava la sem que ninguem tra- tasse de tirar conseqiiencia disso. E de fato ai que jaz 0 que incita ao erro de pensar que esse no seja uma norma para a rela<;:aode tres fun<;:6esque so existem uma para ou- tra em seu exerdcio no ser que, ao fazer no, j,ulga ser homem. A per- versao nao e definida porque 0 simbolico, 0 imaginario e 0 real estao s Os tr~sanhs separados e, depois, ligadospelo sinthoma, 0 quarto A partir de quatro, voces tern a seguinte rela<;:ao:sejam ~qui, por exemplo, 0 imaginario, 0 real, 0 sintoma, que noto com urn, s~gma, eo . b'll'co Todos sao cambiaveis de urn modo que, espero, vallhes pa- Slm 0 . . 'd 2 1 recer simples. Dito expressamente, 1 a 2 pode ser mvertl 0 em a , enquanto 3 a 4 pode ser invertido em 4 a 3. 11A palavra france~~ perversion,,("per;:,rsao") admire homofonias com pere ("pai"), vers ("em dite<;:aoa ) e vemon ( versao ). (N .T.)
  11. 11. /r~ ~/IS I .R,L S 1 2 3 4 2 1 4 3 Combinat6ria I R L S Encontramo-nos na situadio e de 2 com 1 0 Y lh que 0 la<;:ode 1 com 2, e mesmo , tern no seu rnelO se as 0 dO A 1 0 o L S Co' Sim posso Ize- 0, 0 3 eo 4, IStOe eo. omo 0 smtorna e 0 slmb 1 b imagi ' 0 t E 00 aca am presos entre 0 real e 0 nano. u 0 mostro para voc' 0 1 es com esta SImp es configura<;:ao: N/b. 0 orromea1'lode quatro, configurando smtoma e simb 1 I" , .Ow entre rea e tmagmarto Voces veem, a esquerda, quatro f, 0 0 , P asso qu 'd' 0 I 0 1.os estIcados peIo R malUsculo, ao e, a Irena, 0 se combma ~ 1 d 0 do sobre 'b 1 boom e es e certa maneIra, passan- . 0 sim 00 e so 0 Silltoma. Do d . 0 melD sint 'b 1 Ito e outra maneIra, os dOis do , oma e Sim 0 0, apresenta"-- d 1 d term os e t "ll-se eta mo 0 que urn dos dois x remos os toma ern seu con. . P assa sobr 1 '0 Junto, enquanto 0 outro extrema eaqueequeestaemClma b 1 ' 0 - sob essa fc' e so aque e que esta embaIxo. E orma que e apresentado 0 1 0 R ao Io a..<;:oque exgressel peIa oposi<;:aodo Icrcscento aqui ainda uma figura diferente, simetrica, que voces "III ~11l regularmente tentando fazer 0 no borromeano de quatro. o complexo de Edipo e, como tal, urn sintoma. E na medida em que 0 Nome-do-Pai e tambem 0 Pai do Nome, que tudo se sustenta, o que nao torna 0 sintoma menos necessario. o Outro do qual se trata manifesta-se em Joyce, uma vez que ele, no final das contas, e sobrecarregado de pai. Na medida em que esse pai, como se verifica em Ulisses, para subsistir, deve ser sustentado, Joyce, atraves de sua arte - essa arte que, des de 0 recondito dos tem- pos, aparece-nos sempre como nascida do artesao -, nao apenas faz sua familia subsistir, como vai torna-la, se podemos dizer assim, ilus- tre. Ele torna ilustre, nesse mesmo vies, 0 que chama em alguma parte de my country, ou, melhor, a alma incriada de minha rara, tal como en- contramos no final de Um retrato do artista. E essa a missao que Joyce se da. Nesse sentido, anuncio 0 que sera minha interroga<;:ao deste ana so- bre a arte. Em que 0 artiffcio pode visar expressamente 0 que se apresenta de infcio como sintoma? Em que a arte, 0 artesanato, pode desfazer, se as- sim posso dizer, 0 que se imp6e do sintoma? A saber, a verdade. Configurei a verdade em meus dois tetraedros: Nesse caso, onde esta a verdade? Disse que, no discurso do mestre, ela estava como que suposta no sujeito, S barrado. Este, como dividi-
  12. 12. do, esta ainda sUje~toa fantasia. E em 5 barrado, no nive1da verdade, que devemos conslderar 0 meio-dizer. Nessa etapa, 0 suje~to~6pode se representar pe10significante indi- ce ~, 51' Qu~nto ~aoslglll~ca~lte.tndice 2, 52' ai e 0 artesao que, por melD da con)un<;:aode dOls slglllficantes, e capaz de praduzir 0 que chamei de objeto pequeno a. Ha pouco, ilustrei esse 52 pe1a re1a<;:aocom 0 ouvido e 0 olho, e mes~~ evocando a boca fechada. Mas configurei-o igualmente pe1a duphcldade do simbolo e do sintoma. . ~ ~: medida em que 0 discurso do mestre reina que 0 52se divide. A dlVlsaoem questao e aque1ado simbolo e do sintoma. Essa divisao ~eposso dize~as~im, e refletida na divisao d~ sujeito. rorgue 0 sUk:it~ e 0 qu~ urn slglllfica~te.represe::ta para u~_~utra significante, temos necess.lda.de''por~ua mSlstencia, aeIllostrar quel no sintoma, urn des- ses dOiSslglllficantes tet:!!seu sup-Otteno simb6lico. - Nesse sentido, na articula<;:aodo sintoma com o'simbolo direi que ha apenas urn falso fura. ' . 5~P?~ a consistencia de qualquer uma dessas fun<;:oes- simb6lico, Imagmar~oe real- co~o fazendo urn circulo supoe urn fura. Mas, no caso do slmbolo e do smtoma, e de outra coisa que se trata. I ) 'III(' 1:'1.rum aqui e <> conjunto de urn desses dois circulos dobra- h, ,,1111' Cl Olltro.Mas iSSGe urn falso fura. Para que tenhamos alguma II I 'I'I(' P()~S;ser qualificada como fura verdadeiro, eprecise enqua- II II, I Illgir UITI dessescirculos por alguma coisa, uma consistencia que , 111,.1" 'arjuntos, parecida com uma bolha de ar [soufflure], 0 que, em l"I'lIll1gia,chamamos de tora. Pierre 50ury - para chama-lo por seu 11111 lit', 1150 sei se ele esra aqui - 0 configurau muito bem. Furo verdadeiro obtido a partir dofalso Juro ao se cingir um dos circulos dobrados Isso e 0 mesmo que dizer que, para que 0 furo subsista, se mante- nha, basta simplesmente imaginar aqui uma reta, conquanto seja infi- nita. Ela fad 0 mesmo papel. Ao longo do ano, teremos de retomar 0 que e esse infinito. Tere- mos de falar de novo do que e uma reta, em que e1asubsiste, em que ela e, se e possivel dizer assim, parente de urn circulo. Certamente vou precisar voltar ao circulo. Ele tern uma fun<;:ao bem conhecida da policia. 5erve para circular. E par isso que a policia conta com urn apoio que nao data de ontern. Hegel viu muito bem
  13. 13. sua funyao. Para a policia, trata-se simplesmente de girar em drculos. Essa forma, certamente, nao e 0 que esti em questao. Paro, hoje, neste faro: apenas uma adjunyao de uma reta infinita ao falso furo faz esse furo subsistir borromeanamente. Do QUE FAZ FURO NO REAL A quarta rodinha Uma geometria interdita ao imagindrio o encontro com Chomsky Nenhuma esperanra de sair da debilidade De uma arte que substancializa 0 sintoma Assim, isso nao vai durar, voces sao muito numerosos. Enfim, espero obter de voces ainda assim 0 que obtive do publico dos Estados Uni- dos, onde acabo de passar quinze dias.
  14. 14. La, pude me d;u conta de urn certo numero de coisas e, em parti- cular, se entendi bern, de uma certa lassidao que e sentida principal- mente pelos analistas. Meu Deus, so posso dizer como fui muito bem tratado la, 0 que nao quer dizer grande coisa, nao e mesmo? Para empregar urn termo do qual me sirvo para me referir ao homem, la me senti sobretudo su- gada [humeJ. au, ainda, se preferirem, la eu fui aspirado - aspirado em uma especie de turbilhao que so encontra seu correspondente no que evidencio pelo meu no. Aqueles que ja estao aqui ha algum tempo, puderam ver ou, melhor, ouvir que nao foi por acaso, mas pouco a pouco, passo a passo, que acabei por exprimir pela fun<;:aodo no 0 que de infcio antecipei como o triplice do simbolico, do imaginario e do real. a no e feito no espirito de urn novo mos, modo ou costume, geo- metricus. Continuamos, com efeito, a principio, cativados por uma geometria que qualifiquei na ultima vez como comparavel ao saco, isto e, a superffcie. Pensar no no, coisa que acontece mais comumente com os olhos fechados, podem tentar, e muito diffcil. Nao nos encontramos. As- sim, nao estou muito certo de te-lo colocado corretamente diante de voces, embora haja, a meu ver, toda aparencia que 0 fiz. Parece-me que ha uma falha. Com efeito, ha uma falha aqui. E isso mesmo. 0 erro e tambem 0 que convem suprimir. Esse no de quatro, voces bem sabem, parte disso. Em urn no bor- romeano, voces tern esta forma: Ha uma outra maneira de desenhar e de duplicar essa forma do- brada, fazendo com que as duas se enganchem uma na outra:
  15. 15. .Ha uma terceira maneira em que se usa isso, tal como ja lhes mos- trel eventualmente uma vez, e que nao deixa de constituir por si urn circulo fechado. Em compensa~ao, sob as duas formas que lhes apresentei anterior- mente, os do is circuitos do meio saD manipulaveis de uma tal maneira que urn pode se liberar do outro. Por isso, os dois circulos desenhados aqui em vermelho podem constituir urn no borromeano, ou seja, aquele em que a sec~ao de qualquer urn libera todos os outros. A anali~e, em suma,_e a redu~ao da inicia~ao a sua realidade, isto e .ao fato ~~ gue £!:o£.riamente falando, qao hi inicia~ao~ Em anali;e: todo ~u~elto conta 0 seguinte:_ele e sempre-.e-nada mais do que ~ma SupOSI~ao. . Contudo, a experiencia demonstra-nos que ~ssa suposi~ao esta sem- ~' J r .pre entregue a~--;'lI:!echamarei de uma ambiguidade. Quero dizer qu~, c _~ como tal, .2 sULelto sempre e nao someQte duplo, mas dividido. Tra- ta~ d~ dar conta do que, ~essa divisao, instaura 0 real. A esse respeito, convem retomar Freud, uma vez qu~ ele foi 0 gran- de desbravador dessa apreensao. ~a quarta capa do ultimo volume de Erich Fromm publicado pela Gallll~)ard, p~de~,~eler 0 que se enuncia como apsicandlise apreendida atraves de seu paz. Portanto, em que Freud, se Ii corretamente, urn bur- gues, .e ~m burgues reple.to de preconceitos, atingiu alguma coisa que COnStltUI0 valor de seu dlzer, e que nao e certamente pouca coisa, uma vez que se trata da perspectiva de dizer a verdade sobre 0 homem? Dai eu ter feito essa corre~ao, 0 que nao foi para mim sem algum custo, sel10dificuldade: so hi verdade n.a medida em que ela apenas Rode ser dita pda_metade, tal qual 0 sujeito que ela comporta. Para ex- primi-Io conforme 0 enunciei, a verdade so pode se meio-dizer. Parto de minha condi~ao, aquela de trazer para 0 homem 0 que a Escritura enuncia nao como uma ajuda para ele, mas como uma ajuda contra ele. Por essa condi<;:ao,tento me balizar, e e 0 que verdadeiramente me conduz, de urn modo que valeria notar, a considera<;:ao do no. Esta e constituida por tgna geometria que podemos chamar deJn- terdita ao i~ginari~ pois so e imaginada atraves de todos os tipos de 'resistencias, e mesmo de dificuldades. E isso que substantifica 0 no na medida em que ele e borromeano. Uma das coisas que mais me impressionou quando estava naAme- rica foi meu encontro, de minha parte totalmente intencional, com Chomsky. Fiquei embasbacado, e the disse isso. 0 que me fez perce- ber toda a disrancia a que estava dele foi que ele simplesmente afirmou no meu ouvido uma ideia da qual me dei conta de que era a sua. Nao posso dizer que seja refutavel, pois se trata da ideia mais comum, mas ela me parece precaria. Essa ideia parte da considera<;:ao de alguma coisa que se apresenta como urn corpo, concebido como dotado de orgaos. Essa concep<;:ao implica que 0 orgao seja urn instrumento, instrumento de captura ou de apreensao, e nao hi nenhuma obje~ao de principio a que 0 instru- mento se apreenda ele mesmo como tal. E assim que a linguagem, en- tre outras coisas, e considerada por Chomsky como determinada por urn fato genetico. Em suma, a linguagem e, ela mesma, urn orgao. Foi nesses termos mesmo que ele se expressou para mim. Parece-me absolutamente instigante - e 0 exprimi pelo termo em- basbacado - que se possa retornar com a linguagem sobre ela mesma como orgao. Com efeito, para mim, a menos que se admita essa verda- de de principio - que a linguagem estiligada a alguma cois~ q~ no real faz furo -, nao e simplesmente dificil, mas impossivel considerar seu manejo. 0 metodo de observa~ao nao poderia partir da lingua- gem sem que ela aparecesse como fazendo furo no que pode ser situa- do como real..E por essa fun<;:ao de furo que a linguagem opera seu dominio sobr~Q.~l. Nao e ficil para mim impor-Ihes essa convic~ao com to do 0 peso que ela tern. Ela me parece inevitivel, uma vez que nao ha verdade possivel como tal, exceto ao se esvaziar esse real. Alias, a linguagem come 0 real.
  16. 16. Para falar como Chomsky, vejam 0 que diz respeito ao real genetico. A linguagem permite aborda-Io em termos de signos ou, dito de outra forma, de mensagens. 0 gene molecular foi reduzido ao que deu reno- me a Crick e Watson, ou seja, a essadupia helicede onde se sup6e partir essesdiversosniveis de organizayaodo corpo atravesde urn certo mlme- ro de etapas: de inicio, a divisao,0 desenvolvimento, a especializayaoce- lular, depois, a especializayaoa partir de hormonios, que sao igualmente elementos sobre os quais se veiculam outros tipos de mensagens para a dire<;:aoda informayao organica. Ha toda uma subutilizayao do que diz respeito ao real, no que conceme a tais mensagens. I Entretanto, isso ainda e apenas urn veu lanyado sobre 0 que consti- ~uia efidcia da linguagem, isto e, sobre 0 fato de que a linguagem nao e, ela mesma, uma mensagem, mas que se sustenta apenas pela funyao do que chamei de furo no real. I Par isso, ha a via de nosso novo mos geometricus, isto e, da substan- cia que resulta da efidcia pr6pria da linguagem, e que e suportada pela funyao do furo. Para exprimi-Io nos termos desse famoso n6 borromeano em que me fio, digamos que ele repousa inteiramente sobre a equivalencia de uma reta infinita com urn circulo. o esquema do n6 borromeano e 0 que se encontra aesquerda. Ele e tao borromeano quanto meu desenho mais conhecido, a direita. Assim, parece que obtemos 0 mesmo n6 borromeano quando substituimos os tres circulos pelo par farmado por duas retas supostas infinitas e urn circulo. Para dar conta corretamente do n6 borromeano, convem portanto ~ublinhar que e a Rartir de tres que sua exigencia eSRecialmentese ori- gina. ~cifra tres e 0 limiar,~12osso dizer assimJ da exigencia w612ria do n6. -Com uma manipulayao muito simples, e possivel tomar paralelas essastres retas infinitas. Para isso, bastara tomar maleavel 0 que e pr6- prio do circulo ja dobrado, 0 circulo vermelho. A partir de tres, precisamos definir 0 ponto no infinito da reta como nao se prestando a falhar de modo algum no que podemos cha- mar de concentricidade delas. Coloquemos aqui os tres pontos no in- finito completando as retas:
  17. 17. Podemos igualmente inverter essas posi<,:6ese fazer com que essa primeira reta no infinito envolva as outras em vez de ser envolvida. A caracterfstica desse ponto no infinito e, como poderfamos exprimir, nao poder ser situado de nenhum lado. Mas, a partir do numero tres, e exigivel 0 seguinte, configurado de urn modo imajado. Voces veem bem as raz6es pelas quais eu tive de tra<,:araqui os circulos com uma cor diferente, ao passo que antes eu colocara em vermelho as tres retas completadas por seu ponto no infinito: Quanto a esses circulos, nao hi urn que, ao ser envolvido por urn outro, nao acabe envolvendo 0 outro. E 0 que constitui a propriedade do no borromeano, com a qual eu os familiarizei muitas vezes. Na ter- ceira dimensao, se podemos dizer assim, 0 no borromeano consiste nessa rela<,:aoque faz com que 0 que eenvolvido com rela<,:aoa um des- ses circulos acabe envolvendo 0 outro. Por isso e exemplar essa figura que comumente voces veem sob a forma da esfera armilar, usada para os sextantes. Para tra<,:i-lo de ma- neira clar~, 0 circulo cinza-claro iri sempre se ajustar da seguinte ma- neira em torno do circulo que, aqui, desenhei em rosa, enquanto 0 circulo vermelho, segundo 0 ajuste da distancia que separa os eixos dos dois outros, deve estar assim: Hi uma diferen<,:aentre essa disposi<,:ao comum em toda manipu- la<,:aoda esfera armilar e a disposi<,:ao que se segue. 0 circulo cin- za-claro, que aparece aqui no meio, nao poderi ser ajustado, porque ele envolve 0 circulo vermelho e e envolvido pelo circulo rosa. Vou desenhar de novo, pois esse desenho esti errado. Vejam como o circulo rosa se encontra situado em rela<,:aoao circulo cinza-claro e ao circulo vermelho.
  18. 18. , <"Nao cremos n.Qobjeto, mas constatamos 0 desejo e, dessa consta- /"" ta<;:aodo (desejo, induzimos a causa como objetivada. , , b •.. "o desejo de conhecer encontra obstaculos. Para encarQar e.sse0 s-.a-a " taculo, inventei 0 no. Com 0 no, e preciso dar duro. Quero dlZerque *" ~penas 0 no e 0 suporte concebivel de uma rela<;:aoentre 0 que quer que seja e 0 que quer que seja. Se, 2Qr urn !ado, 0 no e abstrato, ele, deve, entretanto, ser pensado e cot.!cebigoc0!!l0 coE,geto. , Se voces me veem hoje bastante cansado devido a essa experiencia americana, fui, entretanto, recompensado, como lhes disse, pois pude provocar 0 que chamarei de agitarlio e em~r~o, com essas fig~ras que voces veem aqui mais ou menos substanclahzadas pelo es~nto, pel~ desenho. Apesar disso, 0 sentido [sentt] como rr;ental, ? sen.tl~~ntal, e debil, porque sempre e, por algum vies, redutlvel ao Imagmano. A imagina<;:aode consistencia vai diretamente ao impossivel da fra- tura, mas e por isso que a fratura pode sempre ser 0 real-,o r~alc~mo impossivel. Nem por isso ele e menos compativel com a dlta Imagma- <;:ao,e inclusive a constitui. Como ponto de partida, assinalo que nao espero de maneira alg~- ma sair da debilidade. Como qualquer urn, saio dela apenas na medl- da dos meus recursos. Isto e, como certo-de-nao-sair-do-Iugar' - 0 certo desse lugar nao sendo assegurado por nenhum progresso verifica- vel, exceto com 0 passar do tempo. De maneira fabulatoria, afirmo que, tal como eu 0 penso (je Iepense] em meu levepenso [pen-se], real, mentindo efetivamente, nao aparece sem comportar realmente 0 furo que nele subsiste, na medida em que sua consistencia nao passa daquela do conjunto do no que ele faz com o simbolico e 0 imaginario. Esse no, qualificavelde borromeano, e insoluvel se~~e se dissolva o mito do sujeito - do sujeito como nao suposto, isto e,.como real.- que ele nao torna mais diverso do que cada corpo que a~na!g5~..fal,!S- ser, cujo corpo so tern estatuto respeitayel no sentido cO~llm da J2..ala- vra, gra<;:asa esse no. Mesmo minhas hesita<;:6esaqui sao significativas. Elas manifestam a faha de jeito com a qual e necessariamente manipulado 0 que diz res- peito ao no borromeano, tipico mesmo do no. p car~t<:!fundamental desE.~tiliza<;:aodo no e ilusgar a triplicida- de que resulta de uma consistencia que so e afetada pelo imaginario, de urn furo como fundamental proveniente do simbolico, e de uma ex-sistencia ue, Q.0~sua vez-,-pertenceao real e e i-;:;-clusive--;~a~rac;:- ristica fundamenta,l. - - Esse metodo, posto que se trata de metodo, apresenta-se como sem esperan<;:a- sem esperan<;:ade romper de maneira nenhuma 0 no constituinte do simbolico, do imaginario e do real. Desse ponto de vista, falemos de maneira lUcida, esse metodo recusa 0 que constitui uma virtude, e mesmo uma virtude dita teologal. E nesse aspecto que nossa apreensao analitica do que diz respeito ao no e 0 negativo da re- ligiao. Nao se cre mais no objeto como tal. Por isso, nego que 0 objeto possa ser apreendido por algum orgao. Quando 0 orgao e ele mesmo percebido como urn instrumento, urn instrumento separado, ele e, por isso, concebido como urn objeto. Na concep<;:aode Chomsky, 0 objeto nao e abordado senao por urn I objeto. Em contrapartida, pela restitui<;:aodo sujeito como tal, na me- dida em que ele mesmo so pode ser dividido pela opera<;:aoda lingua- I gem, a analise encontra sua difusao. ( A analise encontra sua difusao em fun<;:aode questionar a ciencia ( como tal- ciencia na medida em que faz de urn objeto urn sujeito, en- quanto e 0 sujeito que e, em si, dividido. 1 Tradu<;:aocriativa para sur-place. Em frances, sur-place significa simples~ente "no lugar", mas Lacan, logo em seguida, vai destacar a consonancla da pnmeua sllaba des- se termo (sur-) com 0 subsrantivo sur ("certo"), para jogar com 0 que se faz prese~te na sua concep<;:aode debilidade: a rigidez e 0 imobilismo com rela<;:aoao que econsldera- do cerro. (NT.)
  19. 19. 'visar por sua arte a restabelece-Io como tal, a ponto de estar 0 mais pr6ximq possivel dele? Joyce acaba por ter visado por sua arte, de-maneira privilegiada, 0 quarto termo chamado de sinth0!!l~. Retomarei meu discurso na pr6- xima vez abordando esse ponto. Esse quarto termo, voces 0 veem configurado de diversas manei- ras, seja na segunda figura do n6 borromeano, pela rodinha vermelha encontrada bem no final a direita, ou igualmente tambem pela rodi- nha preta ou ainda do seguinte modo: Depois dessa tentativa extenuante, uma vez que hoje estou muito can- sado, espero de voces 0 que recebi mais facilmente na America do que em outro lugar, a saber, que alguem me fa<;:auma pergunta, qualquer uma, a prop6sito de hoje. Portanto, espero que uma voz se levante, qualquer uma. Entao, 0 que pode lhes parecer passivel de discussao no que apre- sentei hoje? W - 0 que 0 levou a crer que encontraria alguma coisa em Chomsky? E uma coisa que jamais me passaria pela cabe~a. Foi exatamente por isso que fiquei embasbacado, com certeza. Mas a gente sempre tern esse tipo de fraquez~, urn resto .de esperan<;:a, nao e? Como Chomsky lida com a lingi.iistlca, eu podIa esperar en- contrar nele uma pitada de apreensao do que mosuo com rela<;:aoao simb6lico, isto e, que este conserva alguma coisa do furo, mesmo quan- do esse furo e falso. E impossivel, por exemplo, 1].aoqualificar de falso furo Q-£>_nj~nto co~stituido-pelo sintoma e pelo simb6lico. Mas, por outro lado, eyor ~nganchado na linguagem que 0 sintoma subsiste, ao ~e.!los :e jl!lgamos p-oder modificar-alguma_cQ]..ia no sin~oma..p.el<U!!.an1f~uL'!.ao dita interR~tativ~, isto e, jogando_~om 0 sentldo. . Mais precisamente, 0 que me deixou embasbacado f01 C~om~~y assimilar 0 real a alguma coisa que, a meu ver, e da ordem do simboh- co, isto e, confundir 0 sintoma e 0 real. E sempre 0 mesmo circulo dobrado. Aqui, ele se encontra em uma posi<;:aoespecial, a saber, duas vezes infletido, isto e, preso quatro ve- zes, se a gente pode dizer assim, a ele mesmo. Na segunda figura do n6 de quatro, por duas vezes urn ou outro dos circulos extremos encaixam a argola configurada por urn ou ou- tro dos circulos dobrados. Em toda a primeira figura, em compensa- <;:ao,por quatro vezes 0 circulo rosa ou 0 circulo cinza-claro encaixam o circulo vermdho ou 0 preto, posto que, com certeza, e de encaixe que se trata essencialmente. Em todo caso, e a partir de Joyce que abordarei esse quarto termo, uma vez que de completa 0 n6 do imaginario, do simb6lico e do real. o problema to do reside nisto - como uma arte pode pretender de .maneira divinat6ria substancializar 0 sinthoma em sua consistencia, ~Ill9~m em sua ex-sistencia e em seu furo? -- I Esse quarto termo, a respeito do qual eu simplesmente quis lhes mostrar hoje que e essencial ao n6 borromeano, como alguem pode W - Obrigado. Sendo americano ... Sim voce e americano. E the agrade<;:o. Simplesmente constato, mais u~a vez, que nao existe senao urn americano para interrogar.
  20. 20. Enfim, nao P3sS0 di,z~r0 quanto me senti mimado, se assim posso di- zer, porque na Amenca en~ontrei pessoas que, de algum modo, me testemunharam que meu dlscurso nao era vao. que YOUtentar substancializar. Foi muito apropriad~ evocar 0 tal mito da !amela. 0 tom e este mesmo, e eu the agrade<;:o.E nesse fio que es- .f pero contmuar. w - Pare~e=meimfossivel ~~uem conceber que Chomsky, educado na ~ecente tradlrao nasclda da loglca matemdtica que ele apreendeu com QUine e Goodmann em Harvard ... Y. - Quando 0 senhor filou da libido no texto da lamela, disse que ela e assinaldvel por um trajeto de invaginap'io de vai-e-volta. Ora, essa imagem me parece hoje poder Juncionar como aquela da corda, tomada em um fenomeno de ressonancia, que ondula, que ftrma uma barriga que abaixa e levanta, e constitui nos. x - A proposito dessa alternancia do corpo com a fila. Como voce filou dura~te ~ma hora e meia, e depois manifestou 0 desejo de ter um cO':!tat~malS dlreto co~ a!gu~m, perguntei-me se, de um modo mais gera!' nao ha uma alter~ancla do dlscurso e do corpo na vida de um sujeito. Sem a lmguag~m, ~era que esseJuro nao existiria em virtude de um engaja- mento fiS1COdlreto com essereal?Estou filando do amor e do gozo. E e:atame~te disso que se trata. Ainda assim, e muito dificil, nesse caso, ?~Oconslderar 0 real como urn terceiro. Digamos que 0 que pos- so sollcltar como resposta e da ordem de urn apelo ao real nao como li- gado ao corpo, mas.com~ ~iferente. Longe do corpo, existe a possibili- dade,do que charnel, na ultIma vez, de ressonancia, ou consonancia. E no ll1v~ldo real que essa co~sonancia pode ser achada. Em rela<;:aoa esses polos que 0 corpo e a lmguagem constituem, 0 real eo que faz acordo. Nao, mas nao e a toa que, em uma corda, a metifora advenha do que faz no. 0 que tento e descobrir a que se refere essametifora. Se hi uma corda vibrante de barrigas e de nos, e na medida em que nos refe- rimos ao no. Quero dizer que usamos a linguagem de urn modo que vai mais longe do que 0 que e efetivamente dito. Sempre reduzimos 0 alcance da metafora como tal. Ou seja, ela acaba reduzida a uma me- tonfmia. Y. - Quando 0 senhor passa do no borromeano ~ ara 0 de p!:"a- tro, em que 0 sintoma eintroduzido, 0 no !zorrQ.meano e tres como ta!, desaparece... E exata~epx~isso._Nio-ha mais um-n6.-E-s.usJentado <t!2enasp~lQ sintoma. , Jf - H~ pouco 0 senhor disse que Chomsky fizia da linguagem um orgao, e que lSSOlhe deixou embasbacado. Eu me perguntava se isso nao acontec~u porque, no seu caso, eda libido que 0 senhor fiz um orgao. Pen- so no mlto da lamela. Pergunto-me se essenao eo viespelo qual ainda se pode captar que hd alma. Mesmo uma defasagem entre linguagem e orgao sopode ser recuperada no sentido de uma arte se 0 orgaoftr cortado no ni- vel em que 0 senhor 0 coloca, no da libido. Y. - Nessa perspectiva, a esperanra de tratam.!ntQ no que c~ andlise parece serproblemdtica. .f ..5 >- Nao hi nenhuma redu<;:aoradical do quarto termo, mesmo_ll~J- ('" ) lise, post~ que Freud pode enunciar, nio se sabe po.!:qual vi~,;gue i.-<-"(of uma Urve;drangung, urn recalcamento que jamais,e anul~do. gga ?a- ,k tureza mesma do simb6lico comportar essefuro. E essefuro que VIS9, ;Qilete reconhe<;:oa propria Urverdrangung. A libido, como seu nome indica, so pode fazer parte do furo, bem co~o de outros modos sob os quais 0 corpo e 0 real se apresentam. E eVI~entemente por .meio disso que tento retomar a fun<;:aoda arte. Esta de certo modo l.mplicado com 0 que ficou em b;a~co com; quar- to termo. Quando dlgo que a arte pode atingir inclusive 0 sintoma, eo Y. - 0 senhor fila do no borromeano dizendo que ele nao .constitui um modelo. Pode esclarecer isso? o no borromeano nio constitui urn modelo na medida em que tern alguma coisa diante da qual a imagina<;:aodiminui. Quero dizer
  21. 21. que ela resiste, como tal, a imagina<;:ao do n6. A abordagem matemati- ca do n6 na t6pologia e insuficiente. Ainda assim, posso lhes con tar minhas experiencias nessas ferias. Isso constitui urn n6, mas nao urn n6 entre do is elementos, pois ha apenas urn s6. Eo no mais simples, aquele que voces podem fazer com qualquer corda. Eo mesmo n6 que 0 n6 borromeano, ainda que nao tenha 0 mesmo aspecta. Obstinei-me a pensar no que eu havia, digamos, achado. A saber, que se pode demonstrar que, com esse n6, tal como ele e mostrado, ex-siste urn n6 borromeano. Basta pensar que voces podem colocar 0 mesmo n6 em uma super- ficie subjacente e em uma superficie sobrejacente a essa dupla super- ficie sem a qual nao podedamos escrever nada concernente aos nos. E muito facil, atraves de uma escrita, fazer passar a cada etapa urn n6 hom6logo sob 0 n6 subjacente e sobre 0 n6 sobrejacente, realizando, com facilidade, urn n6 borromeano. Isso e facil de imaginar, ainda que nao seja imaginado de repente, posta que foi necessario que eu fizesse esse achado. Mas haveria possibilidade de realizar, com esse n6 de tres, urn n6 borromeano com quatro n6s de tres? Passei quase dois meses que- brando a cabe<;:acom esse objeto. E e assim mesmo que ele deve ser nomeado. Nao consegui demonstrar que ex-siste urn modo de enodar quatro n6s de tres de uma maneira borromeana. Pois bern, isso nao prova na- da. Nao prova que ele nao ex-siste. Ainda ontem a noite, s6 pensava em conseguir demonstrar-Ihes que ele ex-siste. 0 pior e que nao encontrei a razao demonstrativa de que ele nao ex-siste. Eu, simples mente, fracassei. , atro n6s de treS, como n'ue eu nao possa mostrar que 0 no com qu '-<: S' . e eu demonstrasse borromeano, ex-siste, nada pro~ao ena pre~lso qu, urn real seria que ele nab pode ex-sistir, e aSSlm, po.r e~se Impos:lveh1, , borro- o d real constltUldo por nao aver no assegurado. Tratar-s~-la 0 , de treS Demonstri-Io, seria meano que se constltua com quatro nos . tocar urn real. 0 modo de dizer qu:ea:;:;e~~~~~r~i~~u~::~ :~s;~~s~::IQ:~~:d~:rUque nao e ai que toparemos com urn real. , 10 mas e urn fato que - e desespero para encontra- , na};~~::~~e~:o:rar nada dele. Assim, a rela<;:ao~ntreftmo:~;;:o~:~ monstrar est:Lnitidamente separad~: Uma vez que lSSO oss trado, seria faci1 mostri-Io para voces. Z _ Hapouco 0 senhor disse que, na perspectiva de Chomsky, a/lin- . ' , _ h falou da mao. Por que essapa avra guagem pode ser um orgao, e 0 se;" ~r 'ue ainda nao e tecnico a-o?H.a'sob essapalavra a referencza a um obJeto q , I' m . . " etgnoraa mgua- no sentido cartesiano do termo? Ou seJa,~d:~:~;:~!:utra teoria da tec- ?A mao esta aipara mostrar a necesstgem. nica diferente da de Chomsky? d - - no ata de aper- Sim apesar da existencia dos apertos e mao, a ~~o, tar, na; conhece a outra mao. Esse e 0 meu proposltoo
  22. 22. pontos que acabo de marcar. Disse-Ihes que havia feito 0 achado de que tres nos de tres se enodam entre si borromeanamente. Disse-Ihes tambem, atraves de uma explicac;:ao, como isso era ple- namente justificavel. Em seguida, disse que me empenhei, durante do is meses, em fazer ex-sistir, para esse no mais simples, urn no borro- meano de quatro nos de tres. Disse-Ihes, enfim, que 0 fato de nao ter conseguido faze-Io ex-sistir nao provava nada senao minha falta de jei- to. Lembro-me de lhes ter dito, para terminar, que acreditava que esse no devia existir. A noite - era tarde, pois sai urn pouco atrasado, devido a meus com- promissos -, tive a boa surpresa de ver aparecer a minha porta aquele a que chamam de Thome, para dizer seu nome, que vinha me trazer - e lhe agradec;:o imensamente - a prova, fruto de sua colaborac;:ao com Soury, de que 0 no borromeano de quatro nos de tres de fato existe. Lembrem-se desses nomes, Sourye Thome. Isso certamente justifica minha obstinac;:ao, mas nao torna menos lastimavel minha incapacidade. Colltudo, nao foi com sentimentos mistos - mista de lastima pela minha impotencia e de satisfac;:aopelo sucesso obtido - que recebi a notlcia da resoluc;:ao desse problema. Meus sentimentos foram pura e simplesmente de entusiasmo, e creio ter mostrado algo assim para eles quando os encontrei algumas noites depois. Nao conseguiram me contar como fizeram aquele achado. Porque foi urn achado, e espero nao ter errado ao transcrever 0 fruto desse achado nesse papel que esti no quadro. 0 que eles elaboraram foi re- produzido por mim, devo dizer, quase textualmente. No plano, 0 tra- jeto e ligeiramente diferente. Se esti assim como lhes apresento, e para que percebam, talvez urn pouco melhor que na figura mais completa, como ele e feito. Considerando essa figura, cada urn pode ver que, elidido 0 no de tres preto, os tres outros nos de tres estao livres. Com efeito, como 0 no de tres rosa esta sob 0 no de tres vermelho, basta'fetira-Io do verme- lho para que 0 no de tres cinza-claro mostre-se igualmente livre. Estive com Soury e Thome durante muito tempo. Eles nao me re- velaram a maneira como obtiveram esse no. Penso, alias, que nao ha apenas uma unica maneira. Talvez, da proxima vez, eu lhes mostre como e possivel obte-Io de outra maneira. Do N6 COMO SUPORTE DO SUJEITO Soury e Thome Noe no Persona!idade eparanoia Sinthoma e inconsciente Sentido e gozo Se as analises fossem levadas tao a serio . meu Seminario isso sl'm serlo . quanta me dedlco a preparar . '" a mUlto melh nam melhores resultados. or, e certamente elas da- Para tanto, seria necessario que tiv' , . mas e da ordem do sentimental de ue ;~emos na a~altse - como eu, ~e urn risco absoluto. q ava outro dla - 0 sentimento Outro dia lhes falei do no de tres d . que ele e abtido do no b ' que e~enho aSSlm, e voces veem orromeano ao se Juntar as cordas nesses tres
  23. 23. mo:::~~ de~~es diz:r por que eu buscava esse no, gostaria de come- ~ p co malS esse pequeno acontecimento que alias d queno nao tern nada. ' , , e pe- Nao creio que 0 suporte dessa pesquisa seja aquela inquietante es- tranheza abordada por Sarah Kofman em urn artigo noravel intitula- do "Abutr'e vermelho" e que nao tern outra referencia senao os Elixires do diabo celebrados por Freud. E uma referencia que ela retoma depois de ja te-Ia mencionado uma vez em Quatro romances analiticos, livro integral mente assinado por ela enquanto esse artigo esta, juntamen- te com os de cinco outros colaboradores, em urn livro intitulado Mi- mesis e que vale a pena ser lido. Na verdade, Ii apenas 0 primeiro, 0 terceiro e 0 quinto artigos, uma vez que, devido a prepara<;:ao deste Seminario, tinha outras coisas a fazer. 0 primeiro, referente a Wittgens- tein e ao barulho provocado por seu ensino, e realmente noravel e 0 Iide cabo a rabo. A inquietante estranheza, incontestavelmente, provem do imagi- , nario, e a geometria espedfica, original, que e a dos nos, tern como ~1 efeito exorciza-Ia. Mas que haja alguma coisa que permita exorciza-la e certamente, em si mesma, estranho. Onde you colocar aquilo de que se trata? Para especifici-Io no es- quema que Ihes forneci 0 ana passado, e em algum lugar por aqui: Nesse esquema, 0 imaginario desdobra-se segundo 0 modo dos dois drculos, 0 que pode ser notado com urn desenho. Direi que urn desenho nada nota, na medida em que, ao ser planificado, fica enig- matico. Portanto, indico aqui, na articula<;:ao do imaginario do corpo, alguma coisa como uma inibi<;:aoespedfica que se caracterizaria espe- cialmente pela inquietante estranheza. Eis onde me permitirei notar, pelo menos provisoriamente, 0 lugar da tal estranheza.
  24. 24. . A cogita<;:ao dessa nova geometria faz com que a imagina<;:ao expe- -" • II. • • • nmente uma reslstencla que me ImpresslOna par te-la eu mesmo experi- mentado. Ouso dizer, em bora no final das contas nao tenha a teste- munho de Soury e Thome, que eles foram especialmente cativados pel~ que, em.meu ensino, me levou a explorar a n6, e mesmo a impos a mlm sob a lmpacto da conjun<;:ao do imaginario, do simb6lico e do real. Se eles foram pegos par essa minha elucubra<;:ao, certamente nao foi par acaso. Digamos que sao dotados para isso. oestranho - e, a esse respeito, permito-me trair a que eles me con- fidenciaram - e que avan<;:am falando urn com a outro. Isso me SUf- preendeu, considerando a que voces sabem a respeito do que profiro sobre 0 diaIogo. Nao lhes fiz logo essa observa<;:aoporque, na verdade, essa confidencia me parecia muito preciosa. E certo que nao e comum pensar a dois. o fato entretanto e que, falando urn com 0 outro, eles chegam a resultados que nao sao notaveis apenas por esse sucesso, pois 0 que eles comp6em sobre 0 n6 borromeano ha muito tempo me parece mais que interessante. E urn trabalho, do qual esse achado certamente nao e o coroamento, pois eles farao outros. Nao acrescentarei 0 que sobretu- do Soury pode me dizer sobre 0 modo como ele pensa 0 ensino. Tra- ta-se de uma questao que, a seguir meu exemplo citado ha pouco, acho que se resolvera, certamente tao bem quanto posso faze-Io, do mesmo modo escabroso. ofato de que um achado possa, portanto, ser conquistado no dia- logo - alias, nao sei se este especialmente 0 foi -,0 fato de que 0 diaIo- go se verifique especialmente fecundo nesse dominio confirma-se por ele ter .me faltado. Quero dizer que, durante os dois meses em que quebrel a cabe<;:apara achar 0 quarto n6 de tres e a maneira como ele podia se enodar borromeanamente aos outros tres, eu procurei sozi- nho, contando apenas com minha cogita<;:ao. . Pouco importa. Nao insisto. E hora de dizer em que essa busca era lmportante para mim. Os tres drculos do n6 borromeano sao, como drculos, todos tres equivalentes, constituidos de alguma coisa que se repete nos tres. Isso nao pode delxar de ser considerado. Entretanto, nao e por acaso, mas como resultado de uma concen- tra<;:aoque seja no imaginario que eu coloque 0 suporte do que e a consistencia, assim como fa<;:odo furo 0 essencial do que diz respeito ao simb6lico e 0 real sustentando especialmente 0 que chamo de a ex-sistencia. Do fato de que dais estejam livres um do outro - trata-se da pr6- pria defini<;:ao do n6 borromeano -, que sustento ,a ~x-sistencia ~o te~- ceiro e, especial mente, daquela do real em rela<;:aoa hberdade do lmagl- nario e do simb6lico. Ao sistir [sistir] fora do imaginario e do simb6lico, a real colide, movendo-se especialmente em algo da ordem da limi- ta<;:ao.A partir do momenta em que ele esra borromeanamente en9- dado aos outros dois, estes lhe resistem. Isso quer dizer que a real s6 tem ex-sistencia ao encontrar, pelo simb6lico e pelo imaginario, a re- tenc;:ao. Claro que nao e um mero acaso eu formular isso dessa forma, mas e espantoso, uma vez que convem dizer a mesma coisa para os outros dais. E igualmente na medida em que ex-siste ao real que 0 imaginario encontra 0 que the detem e que, nesse casa, e mais perceptivel. Por que, entao, coloco essa ex-sistencia precisamente onde ela pode pare- cer mais paradoxal? Porque preciso mesmo distribuir esses tres modos, e e justamente por ex-sistir que 0 pensamento do real e suposto. Mas que resulta dai senao precisarmos conceber esses tres termos articulando-se entre si? Se sao tao analogos, para empregar esse termo, nao podemos supor que seja em razao de uma continuidade? Eis 0 que nos leva diretamente a fazer 0 n6 de tres. Com efeito, da maneira como esses tres se equilibram, se superp6em, nao e preciso muito es- for<;:opara unir os pontos da sua planifica<;:ao e que lhes darao conti- nuidade. Mas para que alguma coisa, que e preciso dizer que seja da ordem do sujeito - uma vez que 0 sujeito e apenas suposto -, encontre-se, em suma, sustentada no n6 de tres, sera que basta que 0 n6 de tres se eno- de, ele mesmo, borromeanamente a tres? Minha questao incic!ia justa- mente nesse ponto. Nao nos parece que 0 minimo em uma cadeia borromeana e sem- pre constituido por um n6 de quatro? Essa busca era extremamente lmportante para mim pela seguinte razao.
  25. 25. Quero d~zer que basta p~ar essa corda rosa para que voces perce- barn que 0 clrculo preto, aqUl enodado pela corda vermelha, manifes- tara, sendo puxado pela corda cinza-claro, a forma vislvel de uma cadeia borromeana. , ~om efeito, parece que, para atingirmos a cadeia borromeana, 0 mlmmo e essa rela<;ao de 1 com 3 outros. Ora, ja temos a prova de que quatro nos de tres como este _ pois este, ao se apresentar sob uma forma aberta, nem pOl' isso deixa de ser urn no de tres - vao se compor borromeanarnente uns com os outros. Assim, partiremos, do seg~i~te: e sempre em tres suportes, que ne.sse cas~ chamaremos de subJetlvos, isto e, pessoais, que urn - ua.rto val se apolar. Se voces se lembrarem do modo com que introduzi esse quarto elemen~o ~m rela<;ao aos tres elementos, cada urn deles supos- tamen.te constltumdo alguma coisa de pessoal, g-Quarso_sera 0 que enungg este ana como 0 sinthoma. Nao e a toa que escrevi essas coisas em uma certa ordem, a saber, RSI, SIR, IRS. E justamente a isso que meu titulo do ana passado res- pondia, RSI. R S I SIR IRS Os mesmos Soury e Thome ressaltaram que, a partir do momenta em que 0 no borromeano e orientado e colorido, dois deles sao de nature- za diferente. Essa dualidade do no borromeano, a qual frz uma alusao expressa nesse Seminario, ja pode ser ressaltada no plano. Serei breve, indicando-Ihes somente em que sentido fa<;oa expe- riencia disso. Expus-lhes a equivalencia das tres rodinhas de barbante. E notavel que a dualidade do no so aparece se nenhuma dessas rodinhas tiver sua identidade marcada. Marcar a identidade de cada uma, cada uma como tal, seria marca-Ias com a primeira letra. Assim, dizer R, Ie S ja e intitular cada urn como real, imaginario e simbolico. Mas 0 fato nota- vel e que a orienta<;ao das rodinhas so e eficaz para situar a distin<;ao dos nos se a diferen<;a dessas rodinhas for marcada pela cor. o que se marca assim pela cor nao ea diferen<;a de uma em rela<;ao it outra, mas sua diferen<;a, se assim posso dizer, absoluta, na medida em que e a diferen<;a comum as tres. Somente se alguma coisa for in- troduzida para marcar a diferen<;a entre as tres, e nao a diferen<;a das rodinhas tomadas duas a duas, e que surgira, como conseqiiencia, a distin<;ao de duas estruturas de no borromeano. Qual desses dois nos e 0 verdadeiro, no que concerne a maneira pela qual se enodam 0 imaginario, 0 simbolico e 0 real, quanto ao que e suporte do sujeito? A pergunta merece ser colocada. Reportem-se as minhas precedentes alus6es a dualidade do no borromeano para apre- cia-Ia, po is hoje so posso evoca-la rapidamente.
  26. 26. Considerando·agora 0 no de tres, e notivel constatar que ele nao co~port~ veStigio algu~ des~a diferen<;:a. Mas, dado que ele homoge- neiza 0 no borromeano, IStOe, que nos 0 coloquemos em continuida- de 0 imaginirio, 0 simbolico e 0 real, nao surpreende que vejamos que hi apenas urn so. ~spero que muita gente esteja tomando nota, pois isso e importan- tissimo para estimuli-Ios a verificar do que se trata, a saber, explicita- mente, que, do no de tres, hi apenas uma especie. Sera isso verdadeiro? Sim, se introduzirmos a cor. Nao, se introdu- zirmos a orienta<;:ao. Todos sabem que hi do is nos de tres, uma vez que ele e dextrogiro ou levogiro. Portanto, coloco-Ihes urn problema- qual e 0 la<;:oentre as duas especies de nos borromeanos e as duas espe- cies de nos de tres? Se 0 no de tres, qualquer 9...ueele seja, e de fato 0 suporte de toda es- pecie de suj~ito, comojnte.rrogi-Io? Como interrogi-Io de modo qu~ se trate efenvamente de urn sujego? Houve uma epoca, antes de eu enveredar pela anilise, em que eu avan<;:avapor urn caminho determinado, 0 da minha tese Da psicose paran6ica e.m.suas relaroes, eu dizia, com a personalidade. Se por muito tempo reSIsn que ela Fosse novamente publicada foi simplesmente porque a psicose paran6ica e a personalidade nao tern, como tais rela- sao, pela simples razao de que saD a mesma coisa. ,-- . Na medida em que urn sujeito enoda a tres 0 imaginirio, 0 simbo- / (. lr:o. e 0 re~, el~ ~ suportado apenas pela continuidade deles. 0 imagi- ~nano, 0 slmbolrco e 0 real saD uma unica e mesma consistencia e e nisso que consiste a psicose paranoica. ' , Se ~dmitirmo~ 0 que enuncio hoje, poderiamos deduzir que a tres paranoicos po~ena ser enodado, a titulo de sintoma, urn quarto ter- I mo que serra situado como personalidade, precisamente na medida e~ que seria distinta em rela<;:aoas tres personalidades precedentes, eo sllltoma delas. Isso significa que ela tambem seria paranoica? Nada indica isso no caso - mais que provivel, certo - em que e por urn numero indefinido de nos de tres que uma cadeia borromeana pode ser constituida. Quan- to a essa cadeia que, portanto, nao constitui mais uma paranoia a nao ser que ela seja comum, a possivel flocula<;:ao terminal de quatro ter- mos nessa tran<;:aque e a tran<;:asubjetiva nos di a possibilidade de su- por que, na totalidade da textura, haja alguns pontos eleitos que se revelam como 0 fim do no de quatro. E e de fato nisso que consiste, propriamente falando, 0 sinthoma. . , . Trata-se do sinthoma nao na medlda em que e de p~J:.sonahdaJ.e, mas na.medida em que, em rela<;:aoaos tn~S_oU1!gs, se t:;.specifi~apor, ser sinthoma e neuroticQ. Dessa forma, temos utll£anorama do que e da ~rdem do inconscient~. I I E na medida em que 0 sinthoma 0 especifica que hi urn termo que, mais especialmente, vincula-se a ele.? termo ~ue.tem urr:a rela- I <;:aoprivilegiada com 0 que e da ordem do slllthoma e 0 lllconSClente. No esquema precedente de quatro nos de tre~ enodados borromea- namente, voces veem que hi uma resposta particular do :ermelho ao cinza-claro e que, do mesmo modo, hi uma resposta partICular do ro- sa ao preto. Acontece a mesma coisa nesse esquema do no borromea- no de quatro rodinhas. A cor, para retomar 0 termo do qual me servia hi pouco, permite distinguir, nesse conjunto de quatro, dois vermelhos, cada u~ ~ar~a- do com uma cor. Temos, a esquerda, urn par vermelho-rosa, a dIre Ita, cinza-claro-vermelho. Existe par na medida em que hi urn la<;:odo sinthoma com alguma coisa de particular. E na medida em que 0 sinthoma ypita a se li~r ao incoEs£i~nte e_o im~ginirio s~ liga ao real que ~4tmo~ coll2 alguma colsa da qu~ su~ge o sint oma.
  27. 27. Essas foram as coisas dificeis '" El que eu quena enunclar hOJepara voces razao ~u~:~cle~;:;~~amente urn c~mple~ento que lhes indique ~ ~ , . a pouco, ao no de tres, uma forma aberta que nao e a que eu tmha d~senhado primeiro como circular. ' .Retornemos, em pnmeiro lugar, ao esquema do ana assado e c~Jo centr~ ha tres campos e urn deles eu ja havia notado !c,mo Ji. m seJa,gozo ao Gutro barrado. I 0 que significa isso? ' ou Os tres campos centrais do esquema RSI EsseA barrado qt,lerdizer flue nao ha Outro do 0 d ~ . b.t.l· I '-= utro, que na a se opoe ao slm u lCO, ugar do Outro como tal P- .-- , d - ---' or consegumte tam- p~uc~ a.gozlo 0 ~utro. JA, 0 gozo do Outro do Outro, nao e~os;i- ve pe a sImp es razao de que nao existe. 7°jO, dai re~ulta que restam apenas os dois outros termos. Ha por ~md a ~, 0 :endt1d~,qU,e.seproduz na articulac;:aodo campo pl~nifica- - o 0 CHCU0 0 slmbohco com 0 cireulo do ima inario H' - ;;m o b la 6 d l?'0 gozo dital0~o falo, na medida em que ~le sai da r~1;fr~o~ _ ICOcom 0 re . -)"--- QgQ.~to mico nao e certamente, ern-simesIllQ,-ogO-l-Q..p.eniano. IEm frances, gozo ejouissance e, portanto e a lerra] d' rando 0 valor de "form j " d ' que eSlgna esse rermo. Conside- mas" e "grafos" _ foramu~anreI·sdsasnoras;6es djeLacan - rao presenres em seus "mare- , as as mesmas erras are h 0 • entre elas e as palavras que Ihes sa- d ' nos casos em que a dlferen<;:a to A 0 correspon entes em po t A]/A' . n.utre barre, refere-se entao a "g d 0 b r ugues: ,jOUlSSancede , , ozo 0 urro arrado". (N.T.) o gozo peniano advem a prop6sito do imaginario, isto e,do goz:o do duplo, da imagem especular, do gozo do corpo. Ele constitui pro- priamente as diferentes objetos que ocupam as hiancias das quais 0 corpo e 0 suporte imaginario. p gozo mico, em_contrapartida, si- tua-se na conjunc;:aodo simbolico com 0 real. Isso na medida em que, no sujeito que se sustenta no falasser,que e 0 que designo como sendo o inconsciente, ha a capacidade de conj.!:!gara fala.e 0 que concern~ a urn certo gozo, aquele dito do falo, experjmentado...como_parasirariQ, devido a essa propria fala, devido ao falasser. Portanto, inscrevo_aqui 0 gozo faIico contrabalanc;:ando0 que con- .or; cerne ao sentido. Eo lugar do que e em consciencia designado pdo fa-~9 B lasser como Roder. ,l , --- ,o1P( ConcIuo com alguma coisa cuja leitura lhes sugeri. o que prevalece e 0 faro de que as tres rodinhas participam do imaginario como consistencia, do simbolico como furo, e do real co- mo lhes sendo ex-sistente. Portanto, as tres rodinhas se imitam. Com a ressalva de que elas nao simplesmente se imitam, como tambem, por causa do dito, comp6em-se em urn no de tres, ou no tri- plo. Dai minha preocupac;:ao- apos ter feito 0 achado de que tres nos de tres se enodam borromeanamente - com 0 enodamento de quatro desses nos de tres. Constatei que, seos tres nos mantiverem-se livres entre des, urn no triplo, que roma parte em uma plena aplicac;:aode sua textura, ex-siste, de e efetivamente 0 quarto. Ele se chama 0 sinthoma.
  28. 28. JOYCE E 0 ENIGMA DA RAPOSA Ronrom de verdades primeiras Oreal niio tem sentido Mentalidade e adorafiio do corpo Joyce enraizado em seu pai, mesmo renegando-o Fazer emenda de sinthoma egozo ~6 se e res onsivel na medida de seu savoir-faire. Que e 0 savoir-faire? E a arte, 0 artificio, 0 que di a arte da qual se e capaz urn valor notivel, porque nao hi Outro do Outro para operar 0 Jufzo Final. Pelo menos sou eu quem 0 enuncio assim. Isso quer dizer que hi alguma coisa da ~al n~o podemos gozar. Chamemos isso de 0 gozo de Deus, estando af inclufdo 0 sentido de gozo sexual. A imagem que se faz de Deus - admitindo-se que ele ex-siste - im- plica ou nao que de goza do que cometeu? Responder que de nao ex-siste resolve a questao, devolvendo-nos 0 §rdo de urn ens~o ~uja essencia e inserir-se na realidade - primeira aproxima<;:ao da pala- vra real, que tern urn outro senti do em meu vocabulirio -, nessa reali- dade limitada que se atesta pela ex-sistencia 40 ~o. E isso. Eis 0 tipo de coisa que, em sum a, eu lhes trago nesse inicio de ano. Eo que chamarei de verdades primeiras. Nada mal para urn inicio de ano. Nao significa, certamente, que eu nao tenha trabalhado no intervalo que nos separou hi mais ou me- nos tres semanas. Trabalhei em uns tro<;:osdos quais voces tern uma amostra no quadro.
  29. 29. Como podem ver, esse e urn no borromeano Na~o ' d h h b' ' 0 e menos que 0 que esen 0 a Itualmente, e que e acochambrado assim: Ded~odo nao desprezivel, 0 primeiro difere do segundo apenas ~a.me 1 a em que 0 segundo pode se distender de maneira que haja juO~~:~.tremos como rodinhas, e que a do meio seja aquela que fa<;:aa A diferen<;:a e a seguinte. Suponham que ttes elementos como a mediana se un am de maneira circular, Estao vendo, espero, como isso pode ser feito sem que haja necessidade de eu desenha-Io no quadro. E tao simples como aquele que desenhei primeiro ou, ainda, como este aqui. Eo mesmo no. J ~ Naturalmente, nao me contento com isso. Passei minhas feria~ 9 c e1ucubrando muitos outros, na esperan<;:a de encontrar urn born que .~ servisse de s,upo,rte adequado ao que comecei hoje a Ihes contar como ..•. . ~ verdades pnmelras. '. " E, coisa surpreendente, isso nao e evidente. Nao que eu creia ter errado encontrar no no 0 que suporta nossa consistencia. No entanto, isso ja e urn sinal de que.eu nao posso deduzir esse no de uma cadeia, a
  30. 30. saber, de algtyna coisa que nao e de modo algum da mesma natureza. Cadeia, link em ingles, !lao e a mesn.!a coisa _q!lI~_.n.9. Mas retomemos 0 ronrom das verdades ditas por mim primeiras. E claro que 0 proprio esbo<;o do que chamamos de pensamenro tudo que faz sentido, com orta, desde que mostre sua cara, .!!ma refe- !encia, uma gravita<;ao ao ato sexual, por menos evidente que seja esse ato. A propria palavra ato implica a polaridade ativo-p.a.s.siYQ,....Q£I.1!.~j~ e engajar-se em urn falso sentido. Eo que chamamos de conhecimen- I-to,com ~a ambigffidade =- 0 ativo e0 que conhecemos, mas imagina- mos que, esfor<;ando-nos para conhecer, somos ativos. oconhecimento, portanto, desde 0 inicio, mostra 0 que ele e _ en- .ganoso. E justameme por isso que tudo deve ser retomado desde 0 ini- l CiOa partir da opacidade sexual. Digo opacidade considerando que, primeiramente, nao percebemos que 0 sexual nao funda em nada qualquer rela<;ao. Isso implica, ao bel-prazer do pensamento, que, nesse senti do em que responsabilidade quer dizer nao-resposta ou resposta pela tangen- te, nao ha responsabilidade senao sexual, e todo 0 mundo, afinal de contas, tern esse sentimento. Por outro lado, 0 que chamei de savoir-ftire vai bem mais alem, e inclui 0 artificio - que imputamos a Deus de modo totalmente gratui- to, tal como Joyce insiste, porque e urn tro<;o que the titilou em algu- ma parte 0 que nos chamamos de pensamento. Nao foi Deus que consumou esse tro<;o que chamam de Universo. Imputam a Deus 0 que e 0 afazer do artista que, como todos sabem, tern no oleiro 0 primeiro modelo. Dizem que ele moldou _ alias, com que? - esse tro<;o que chamam, nao por acaso, 0 Universo. Isso quer dizer apenas uma unica coisa: ha Urn, Yad'lun, mas nao se sabe onde. E mais do que improvavel que esse Urn constitua 0 Universo. o Outro do Outro real, isto e, impossivel, e a ideia que tern os do artificio, visto que ele e urn fazer que nos escapa, isto e, que trans borda em muito 0 gozo que podemos ter dele. Esse gozo bem fininho mes- mo e 0 que chamamos de espirito. Tudo isso implica uma no<;ao do real. Claro que precisamos tor- na-Ia distinta do simbolico e do imaginario. 0 unic,9 ~borrecimento- e mesmo 0 caso de dize-Io, voces logo verao a razao -i que, ness~cQfl- texto, 0 reaLfa<;a sentido,_ainda q~ se eX12lorarem 0 Que uero dizer c:om essa no<;ao de real, pare<;a que 0 real se funda PQr nao ter sentido , por excluir 0 sentido ou, mais exatamente, Ror se decalltaLMuer ex;- ,....'J cluido dele. "b Ih digo ;- Conto~fhes isso tal como 0 penso. E para que sal am que .es . . ~ A forma mais desprovida de senti do d~ que, entre tanto. seAm~aglpa 1 . A ' Vi-,~ nada nos forra a lmagmar a conslstenCla. "fe a conslstenCla. epm, ~ d h d Tenho a ui urn livrinho, de urn certo Robert M. A ams, c. ama ~ < ) dqS bot E' urn estudo - sem 0 subtitulo, como sena pOSSI-Surface an ')1m . '''Ul "H ' el saber disso? - sobre The Consistency of James Joyces, 'Ys~es.. , a ~ele uma especie de pressentimento da ~isti~<;ao entre 0 lmagma~~~ ' bo'II'COPara prova-Io, urn capitulo mtelro que tern urn pont o slm , b !?" interroga<;:ao no titulo: "Surface or Sym o. . " , o ue uer dizer co-'.!§istencia? Quer dizer 0 ~~man tern J~n...tQ,-f.c: "q .~L....I -;--qUI' simbolizada e1a superftcle. Com efelto, po-por ISSOgue e a e, a , _ ., bres de ~~, so temos ideia da consistenc~a pelo que COnStltUIsac~ ou tra o. E a primeira ideia que fazemos dISSO.Mesmo 0 c~rp~, nos 0 p I d u saco urn monte de orgaos. Emsentimos como pe e, reten 0 em se 'd d d outros termos, essa consistencia mostra a corda. Mas a capaCl a e e abstra<;ao imaginativa e tao fraca que ~ssa c~rda - essa corda mostrada como residuo da consistencia - exclUl 0 no. '" Ora e nesse ponto que posso, talvez, acrescentar a Ulllca pltada de , h' I em ma cor-sal da qual, afinal de contas, me recon ,e<;ore~po?save - da 0 no e tudo 0 que ex-siste, no senudo e.ropno do termo., ' N~-;Por nada ou melhor, nao foi sem causa oculta que uve de fa- cilitaraum acesso a ~sse no come<;ando pela cadeia, o~de ha eleme~tos distintos. Esses elementos, de alguma ~anei~a, conslstem na ,cor.. a ~ ma reta ue devemos supor mfilllta para que 0 no nao s ~~s~~:~,:u como; que chamei de rodinha de barbante, isto e, uma , I sma por uma emenda.corda que se Junta com e a me .,' d" " , A . A esar dlsso e preClso Isun-o no nao consUtul a conslstenCla. p '_ , . . A ' no 0 no ex-siste ao_.demento corda, a~orda-con-gUlr cons...1stencl~ . _ sistencia. , 'd s Portanto, urn no pode ser feito. Eis por que optel por c~r~,;,r~_ elementares. Pro cedi assim porque me pareceu que e~a 0 m~ls 1 au, . a1'd de - nao ha necessidade de dlZer maIS, a sentz-co vlStOque a ment 1 a I m;ntalidade propria do falasser -, a mentalidade, uma ~ez qu; e e a cardo - a ment-alidade enquanto mente e urn ato.sente, sente seu r: , h' f 1ft o ue e urn fato? E justa~ente ele uem 0 faz. So a ato pe 0 a 0 de 0 f~;sser 0 diz;;'- Nao hi outros fatos senao ~qu:l,e~3~? fala;ser ~econhece como tais dizendo-os. So ha fato pelo artlficlO. E e urn ato
  31. 31. que ele mense, isto e, que ele instaura falsos fatos e os reconhece porque tern mentalidade, isto e, amor-pr6prio. ' o amor-pr6prio e0 principio da imagina<;:ao. 0 falasser adora seu corpo, porque cre que 0 tern. Na realidade, ele nao 0 tern, mas seu cor- p~ e sua unica ~onsistencia, consistencia mental, e claro, pois seu corpo sa1fora a todo mstante. Ja e urn grande milagre que ele subsista duran- te 0, tempo de sua consuma<;:ao, que e de fato, pelo fato de dize-lo, ine- xoravel. Nada pode ser feito, ela nao e reabsorvivel. o corpo deceno nao se evapora e, nesse sentido, ele econsistente, ~rata~se,d.efato constatado ~esmo nos animais. E precisamente 0 que e ant1patlCO para ~ me~talr~a~e: porque ela cre nisso, ter urn corpo para adorar. E a r71zdo 1magmano. Eu 0 penso, isto e, eu 0 fa<;:openso, ~o?oeu ~ enssoufto Uepanse ...je !efiis panse, doncje !'essuir]. Em suma, e 1SS0. E 0 sexual que mente la dentro, ao ficar se relatando demais. , Na. f~ta?a abstra<;:ao imaginaria acima citada, aquela que se reduz a c~ns1stenc1~, 0 c~ncreto, 0 unico que conheciamos, e sempre a ado- ra<;:aosexual, 1sto e, 0 engano [fa meprise], dito de Outro modo 0 des- prezo ~!e mepris], pois 0 que adoram e suposto nao ter ne~huma mental1dade, confir 0 caso de Deus. . Isso nao e verdadeiro para 0 corpo considerado como tal- quero d1zer adorado, posto que a adora<;:ao e a unica rela<;:aoque 0 falasser tern com seu corpo - senao quando ele adora assim urn outro, urn ou- tro corpo. Isso e s.empre suspeito, pois compona 0 mesmo desprezo _ desprezo verdadeuo, posto que se trata de verdade. Como dizia 0 Outro, que e a verdade? Que e dizer 0 verdadeiro so- bre 0 verdadeiro e que me criticavam por nao dizer no inicio de urn tempo em que eu falava besteira. E faz~r 0 que fiz efet.ivamente, e nada mais - ~guir 0 rastro do real, que conS1ste e que_eX-S1steapenas no n6. Fun<;:aoda pressa. Preciso me apressar. ~~.c;,~ensac;;aodos verbos "ser", "enxugar" e "sofrer", conridos no verbo "essuyer'. Naturalmente, nao chegarei ao final, ainda que nao tenha ficado vendo 0 tempo passaro Mas atar 0 n6 imprudentemente quer dizer simplesm~nte ir urn pouco rapido. o n6 que lhes fiz, para come<;:ar,sob uma ou outra dessas formas, talvez seja urn pouco insuficiente. E inclusive por essa razao que bus- quei 0 n6 onde havia mais cruzamentos. Mas vamos nos ater ao prin- cipio, que e preciso, em suma, ter encontrado. A esse principio, fui conduzido ela rela<;:aosexual, istoi,pela hi~- teria, uma vez que ela e a U tima realidade perceptivel, a ultima, 0 hysteron, no que diz respeito a rela<;:aosexual. Freud percebeu isso muito bem. Foi ai que ele aprendeu 0 b-a-ba, 0 que nao 0 impediu de colocar a questao was will das Weib?- Agora, de todo modo, you lhes dar urn bocadinho para mastigar . Queria ilustrar isso com alguma coisa que pudesse servir de supone, e e realmente disso que se trata na questao. Outrora, ja lhes falei do enigma. Eu 0 escrevi: E maiusculo indice e minusculo, Ee. Trata-se da enuncia<;:ao e do enunciado. Urn enig- ma, como 0 nome indica, e uma enuncia<;:ao da qual nao se acha 0 enunciado. Voces encontracao urn no livrinho do quallhes falei ha pouco, Sur- fice and Symbol. Como ele e editado pela Oxford University Press, e mais faci! de encontrar do que esse famoso Portrait of the Artist as a lOung Man e que voces podem ainda assim obter, com a condi<;:ao de nao exigirem ter no final to do 0 criticism que Chester Anderson teve 0 cui dado de the acrescentar. Porranto, e nesse R.M. Adams que encon- tracao alguma coisa que tern seu valor. Nos primeiros capitulos de Ulisses,Stephen vai falar como profes- sor para esse povinho que constitui uma classe, no Trinity College, se bem me lembro. Stephen e 0 Joyce que Joyce imagina. E como Joyce nao e bobo, ele nao 0 adora, longe disso. Basta que ele fale de Stephen para ca<;:oar.Nao esta muito longe de minha posi<;:aoquando falo de mim ou, em todo 0 caso, do que lhes tagarelo.
  32. 32. Em que consiste 0 enigma? 0 enigma e uma arte que chamarei de entrelinhas, pa'ra fazer alusao acorda. Nao haveria por que as linhas do que esta escrito nao serem enodadas por uma segunda corda. Com tudo 0 que pude consumir de hist6rias da escrita, e mesmo de teorias da escrita - tern urn fulano chamado Fevrier q~e fez a hist6- ria da escrita, ha Olltro chamado Guelb que, por sua vez, fez uma teoria da escrita -, comecei a sonhar. (7' ~ A-es.crita me interessa, p'0sto que r..enso que e Qor meio desses pe- o·}f' ',~W .9-~Lnho§..de escrita que ~mente, entramos no real, a saber, gue ,/' paraf!12s de imaginar.j escrita Cle-letrinhas matematicas e 0 ~_ .Qorta a real. Mas, Deus meu,-como isso se deu? - eu me perguntei. En- tao, cheguei a alguma coisa que me parece, digamos, verossimil, dizen- do-me que a escrita pode ter sempre alguma coisa a ver com a maneira como escrevemos 0 n6. Urn n6 se escreve correntemente assim. Isso ja da urn S. fJ rrata-s~guma coisa ue tern, mesmo assim,.J.JlIla.J:cla.<;ML..tnill_ '!.!o estE~ita...com a ins ran cia da ktra..taLcomo..a..s.us.tentu, E ainda da urn corpo verossimil a beleza. 0 citado Hogarth, que muito se interrogou sabre a beleza, achava que ela tinha sempre alguma coisa a ver com essa dupla inflexao. Claro que isso e uma besteira. Mas, enfim, isso tenderia a vincular a beleza a alguma coisa diferente do obsceno, isto e, ao real. Em sum a, de bela s6 haveria a escrita. Por que nao? Retorn;mos a Stephen, cujo nome ta~bem co~e<;:~ por.um S. Stephen e Joyce na medida em que deC1f~aseu proeno e.Olg~a. Ele nao vai longe porque cre em todos as seus s1Otomas. E multo Imp res- sionante. Come<;:apar crer em sua ra<;:a.Quanto a come<;:ar,de fato ele ~o~e- <;:oubem antes, cuspiu uns trechinhos, ate mesmo poemas, e na.~ e ? que fez de melhor. Mas, caramba, ele ~re em coisas como a consczencza incriada de minha rafa. Encontramos ISSOno final de Um retrato do ar- tista. E evidente que isso nao vai lODge. A ,. Em compensa<;:ao, de termina bem. Vou ler para voces a ultima fra- se de Portrait of an Artist- vejam a lapso que fiz, uma vez que de se acreditava the Artist. . 27 april - Old ftther, old artificer, stand me now and ever zn good stead. Mantenha-me quentinho agora e sempre. . E a seu pai que de dirige essa prece, seu pai que, justa.~en~e, se dls- tingue par ser - ah - 0 que podemos chamar de urn pallOdlgno" ~m pai carente, aquele que, em to do 0 Ulisses,de se p6e a buscar de vanas formas sem encontra-lo em qualquer grau. . Evidentemente, ha urn pai em algum lugar, e que e Bl?om, urn pal que procura par urn filho, mas Stephen the op6e urn muz:o pouco para mim. Depois do pai que tive, ja estou farto. Chega de pal. Sobretudo porque 0 Bloom em questao nao e tentado~. ~ Mas, enfim, e singular que haja essa gravlta<;:aoentre as pensam~n- tos de Bloom e as de Stephen ao longo de todo 0 romance, a ponto 10- elusive de Adams, cujo nome respira mais judeidade que Bloom, ficar muito impressionado com alguns pequenos in~i~ios que ,de~cob~e.. Ele descobre, singularmente, que e por demals 1OVer?SSImI!atnbUlr a Bloom urn conhecimento de Shakespeare que maOlfestamente ~le nao tern. Alias, esse conhecimento nao e for<;:osamente a m~lhor VI~, embora seja por ai que Stephen va. E com efeito ~ura SuposI<;:aoatn- buir a Shakespeare rda<;:6es com urn certo ~erbonsta que morava na mesma esquina que ele em Londres. Que ISSOpasse p~la. cabe<;:ade Bloom, eo que Adams sublinha como ultrapassando os !Imites do que lhe pode ser justamente imputado. Na verdade, ha to do urn capitulo de Surftce and Symbol que trata unica e estritamente disso. A ponto de culminar em urn Blephen - considerando que ha pouco cometi urn lapso - Blephen e Stumm, tal
  33. 33. como se pod;; encontrar no texto de Ulisses. Isso mostra, de modo ma- nifesto, que eles saD feitos nao apenas do mesmo significante, mas ver- dadeiramente da mesma materia. Ulisses testemunha que Joyce permanece enraizado em seu pai, aincla que 0 renegando. E efetivamente isso que.e ~el}sintoma. Eu disse que Joyce era 0 sintoma. Toda sua obra e urn longo testemu- nho disso. Exilese verdadeiramente a aproximac;:ao de alguma coisa que e para ele 0 sintoma. 0 sintoma central, claro, e 0 sintoma feito da carencia pr6pria da relac;:ao sexual. Mas e preciso que essa carencia tome uma forma. Ela nao toma uma forma qualquer. Para Joyce, essa forma e aquela que 0 enoda a sua mulher, a tal Nora, em cujo reino ele elucubra Exiles. Foi traduzido como Les exites-~Os exilados], ao passo que quer dizer mesmo Les exils [Os exilios]{IfxiliJ, nao poderia haver termo melhor para exprimir a nao-relac;:ao, e e justamente em torno dessa nao-rela- c;:aoque gira tudo 0 que hi em Exiles. f.. nao-relac;:ao e que nao ~§vqdadeiramente 11!..zjoalg~~a que ele tome uma-mulh..er-ent;re-outras como ~lllulhq Uma-mu- lher-entre-outras e igualmente aquela que tern relac;:aocom outro ho- mem qualquer. E e precisamente outro homem qualquerque se trata no personagem que ele imagina e para 0 qual, nessa data de sua vida, ele sabe descobrir a escolha da uma-mulher em questao e que nao e outra senao Nora. o Retrato termina com a consciencia incriada de minha rara, a pro- p6sito da qual ele invoca 0 artificier por excelencia que seria seu pai, mas esse artificiere ele, e ele que sabe, que sabe 0 que tern a fazer. Mas crer que haja uma consciencia incriada de qualquer rac;:ae uma grande ilusao. Ele tambem cre que hi urn book o/himself Que ideia essa, fazer de si urn livro! Isso s6 pode ocorrer verdadeiramente a urn reles poeta, a urn poeta bugre. Por que, em vez disso, ele nao disse que e urn n6? Ulisses, vamos Ii, para que ele possa ser analisado, pois e sem duvi- da 0 que faz urn certo Schechner. Enquanto sonhava, acreditei que ele se chamava Checher, era mais fici! de escrever. Nao, ele se chama Schechner, e lamentivel, ele nao e de mod~ algu;n sech<. ::le ac.ha que e analjsta porque leu muitos livros anaHtlc~s. E uma ll~sao m.ulto difundida, justamente entre os analistas. E, ass,l~, ele an~lsa Ulzsses. Ao contririo de Surftce and Symbol, essa anilise de Ulzsses,n~tural- mente exaustiva - porque nao conseguimos parar quando an~lisamos 1 · . h ~'~ - da uma impressao absolutamente ternficante. urn Ivnn 0, nao e. , . ., . , A esse respeito Freud fez apenas artigos, ~ arngos 111~ltados. Alias, ex- ceto quanto a Dostoievski, ele nao analisou, propnamente falando, romances. Fez uma pequena alusao ao Rosmersholm, de Ibsen. Mas, enfim ele se conteve. . Iss~ real mente nos faz pensar que a imaginac;:ao do ro:nanCl~:a, quero dizer aquela que reina em Ulisses, e para se j~gar n.o hxo. Alias, ~ 'de modo algum meu sentimento. Mas e preclso, em todo este nao e . . E caso, se obrigar a ir juntar nesse Ulissesal~umas verdades pnmelras. e isso que eu abordava a prop6sito do emgma. ~ Eis 0 que 0 caro Joyce, sob a forma de Stephen, propoe a seus alu- nos como enigma. Euma enunciac;:ao. The cock crew o gala cacarejou The sky was blue o ceu azulou The bells in heaven Sinos de bronze W'erestriking eleven Soaram onze Tis time for this poor soul A hora da pobre alma TO go to heaven , h 3 Ir pro ceu c egou . ' . ue de pensava ser 0 nome de Sche- 2 Lacan joga, aqUl, com as ressonanclas entre 0 q . "" (N T ) "Ch h r" - e 0 termo sechi, que pode ser traduzldo como seco. .... ~~~;adu aoeecme ortugues desses versos extraldo~ de Ulissese de Bernardma da Silvel~ p' h .C;; Cf fames Joyce, Ulisses.Rio de Janeiro: ObJet1va, 2005, p.31. Para a re ~:re~:i:l~~'ori~inal ingles, ver no final deste Seminario a nota de leitura escnta por Jacques Aubert correspondente a essa passagem. (NT.)
  34. 34. AdivinhellYqual e a resposta. E aquela que Joyce fornece depois de toda a classe entregar os pontos - The fox burying his grandmother un- der the bush. Ou seja - A raposa enterrando sua avo sob urn arbusto. Isso e 0 mesmo que nada. Do lado da coerencia da enuncia<;:ao acerca da qual fa<;:o-lhesnotar que esta em versos, que se trata de urn poema, de uma sequencia, que e uma cria<;:ao,e incontesravel que essa fox, essa raposinha que enterra sua avo sob urn arbusto, e real mente uma coisa miseravel. Mas 0 que isso pode ecoar, nao direi para as pes- soas que estao nesse ;ecinto, mas para aqueles que, aqui, saD analistas? A analise e isso. E a resposta a urn enigma, e uma resposta, convem inclusive dize-Io a partir desse exemplo, completamente besta. E jus- tamente por isso que e preciso conservar a corda. Quero dizer que cor- remos 0 risco de tartamudear, se nao soubermos onde a corda termina, ou seja, no no da nao-rela<;:ao sexual. .0 senti do resulta de urn camp 0_entre a ima inario e 0 simbolico, e _evidente. Preciso lhes mostrar. Com certeza, aqui no centro,_o_p~q'ye- .no a, a causa do desejo. Se pensamos que nao ha Outro do Outro, ou pelo menos que nao hi gozo desse Outro do Outro, precisamos de fato fazer em alguma parte a sutura entre esse simbolico que se estende ali, sozinho, e esse I imaginirio que esta aqui. E uma emend a do imaginario e do saber in- /' conscient~. Tudo isso para obter u~ sentido, 0 que e objeta da respos- I! ta do anahsta ao exposto, pelo anallsando, ao longo de seu sintoma. Quando fazemos essa emenda, fazemos ao mesmo tempo uma ou- tra, precisamente entre 0 que e simbolico e 0 real. Isso quer dizer que, por algum lado, ensinamos a analisante a emendar, a fazer emenda entre seu sinthoma e 0 real parasita do gozo. 0 que e caractedstico de nossa oper~<;:ao, tomar esse gozo possivel, e a mesma coisa que 0 que escreverei como gou[o-sentido [j'ouis-sens]. Eo a mesma coisa que ouvir urn sentido. Esquema com duas emendas {forma aberta do no de tres} Eo de suturas_e emendas q~~~trata '2..aanali~. Mas co~vem dizer qu~ devemos considerar as inscancias como realmente separadas. Ima- ginario, simbolico e real nao se confundem. Encontrar urn sentido implica saber qual e 0 no, e emenda-Io bem gra<;:asa urn artificio. sera que nao e abusar fazer urn no com a que 'chamarei de cadein6 [chafnoeud] borromeano? Eo com essa pergunta, que deixarei pendente, que me despe<;:o. Eo hora de nos separarmos. Agora, nao deixei tempo para a caro Jacques Aubert falar, ele a quem pensava deixar falar livremente 0 resta da sessao. Mas da proxima vez, considerando a que escutei dele, posta que teve a bondade de me tele- fonar sexta-feira, creio que ele podera lhes informar a que esta em questao acerca de Bloom. o men cion ado Bloom nao esta em pior situa<;:ao que urn outro para sacar alguma coisa da analise, posta que e urn judeu. A maneira como ele percebe a suspensao entte os sexos faz com que nao pass a se- nao se interrogar para saber se e urn pai au uma mae. 0 que certamen- te tern mil irradia<;:6esno texto de Joyce e que, do ponto de vista de sua mulher, ele tern os sentimentos de uma mae. Ele acredita que a carrega em seu ventre. Enfim, esse e de fato 0 pior desvario que se pode experi- mentar diante de alguem a quem se ama.
  35. 35. E por q~e naG? E precise efetivamente explicar 0 amor. Explica-Io como urn tIpO de loucura e a primeira coisa que aparece. Deixo-os neste ponto. Espero que, para essa sessao de volta as au- las, voces nao tenham ficado muito decepcionados. Voces deve~ achar - suponho, se nao forem muito retardados para isso - que fiquel embara<;:ado com Joyce tal como urn peixe com uma ma<;:a. . Cl~r~ que isso tern aver - posso dize-Io porque, nestes dias, sinto ~ssodla:~a~ente ~ com minha falta de pritica, digamos, com minha lll~xpenenCla da llllgua em que ele escreve. Nao que eu seja totalmen- te 19norante em ingles, mas justamente porque Joyce escreve 0 ingles ~om refin~mentos particulares que fazem com que a lingua (no caso, a lllglesa) ~eja por ele desarticulada. Nao devemos achar que isso come- <;:aem Fmnegans Vtlke. Muito antes, especial mente em Ulisses,ele tern uma forma de picar as frases que ja vai nesse sentido. E verdadeira- mente urn processo exercido no sentido de dar a lingua em que ele es- creve urn Olltro uso, em todo caso urn uso bem distante do comum. Isso faz parte de seu savoir-ftire. A esse respeito ja citei urn artigo de Sollers, nao seria mal se verificassem sua pertinencia. Dai ,r~sulta que ~sta manha passarei a palavra a alguem que tern uma pratIca ~em maJOr que a minha, nao somente com a lingua ingle- sa mas espeClalmente com Joyce. Trata-se de Jacques Aubert. Para na~ me alongar, you the passar imediatamente a palavra, ja que ele se dlSPOSa reveza-Ia comigo. Vou escuta-Io com toda a consi- dera<;:ao que assimilei de sua experiencia com Joyce. As reflex6es _ pequenas, uma vez que, pelo contririo, nao the aconselho a ser breve- que terei a acrescentar serio feitas, espero, com todo 0 respeito que lh.e devo pelo fato de me haver introduzido ao que chamei de Joyce 0 Szntoma. Venha, caro Jacques. Fiquei aqui. Vamos come<;:ar. [Exposir;iioem anexo, p.167s.]. ( Agrade<;:o a Jacques Aubert pelo seu esfor<;:o. o autor de Surface and Symbol, cujo nome citei na ultima vez, ro- tula a arte de Joyce nos seguintes termos: inconceivably private jokes, jokes inconcebivelmente privados. No mesmo texto aparece uma pala- vra que tive de procurar no dicionario, eftsooneries. Nao sei se e uma palavra com urn. Voces a conhecem? Nao lhes diz nada? Sao coisas adia- das para breve, after soon. Em Joyce, e s6 disso que se trata. Os efeitos nao s6 sac adiados para breve, como sac 0 mais freqiientemente des- concertantes. E essa e tambem a arte de Jacques Aubert. Ele os fez seguir urn des- ses fios de tal maneira que os manteve em suspense. Tudo isso eviden- temente nao deixa de fundar 0 que ten to dar consistencia no n6. Percebi que eu ja fazia referencia a esse deslizamento de Joyce em meu Seminario Mais, ainda, e fiquei estupefato. Perguntei a Jacques Aubert se era esse 0 motivo do seu convite para eu falar de Joyce, ele me afirmou que esse Seminario ainda nao havia sido publicado na- quele momento, de modo que nao pode ser isso que 0 incitou a me apresentar esse furo no qual me arrisco, sem duvida com alguma pru- dencia, a prudencia tal como a defini. o furo do n6 nao me faz menos questao. S6 e possivellocalizar a duplicidade do n6 borromeano, que nao e urn n6, mas uma cadeia, quero dizer que s6 e possivellocalizar que ha do is se esses circulos, as rodinhas de barbantes, forem coloridas. E a Soury e a Thome que devo essa indica<;:ao, que, naturalmente, eu ja percebera. Se a qualidade colorida distingue cada uma dessas rodinhas das duas outras, podemos, com a ajuda desse rabisco, fazer com que haja do is n6s. Se as rodinhas sac incolores, se nada as distingue, tampou- co nada distingue urn n6 do outro. Esses dois enunciados sac equiva- lentes. Voces me dirao que, na planifica<;:ao, ha urn que e lev6giro e outro que e dextr6giro. Mas ai esta 0 cerne do que e questionavel na planifi- ca<;:ao.A planifica<;:ao implica urn ponto de vista especifico, e sem du- vida nao e gratuito que a no<;:aode direita e esquerda seja intraduzivel no simb6lico.

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