Um quebra cabeça chamado obesidade ii

2.101 visualizações

Publicada em

Na nossa prática clínica, um dos maiores desafios do tratamento clínico da obesidade são as tão temidas comorbidades relacionadas ao excesso de peso. Indo de encontro à diversas teorias, engana-se quem não caracteriza a obesidade como sinônimo de doença. Há evidências científicas suficientes que confirmam que a obesidade vai muito além do excesso de peso, trazem consigo diversas comorbidades. As famosas comorbidades são doenças desencadeadas ou agravas pelo excesso de peso. Existem inúmeras comorbidades relacionadas à obesidade, seria quase impossível citar todas de forma detalhada.

Esse texto foi construído com o objetivo de auxiliar a montar mais um quebra cabeça da obesidade, desta vez com novas peças. Nesse momento, o olhar é totalmente biológico, traçando os efeitos deletérios da doença na saúde do indivíduo. Abarcou-se desde a Síndrome Metabólica (principal desafio da prática clínica nesse início de século), Cardiovasculopatias à Disfunção Psicossocial.

Faltam peças, elas não se encaixam. Infelizmente essa é uma das limitações da ciência que os profissionais se depara. Porém aparece a força e possibilidades do conjunto, no qual o trabalho da equipe multidisciplinar minimizam os limites de cada profissional singular e potencializam as possibilidades terapêuticas como um todo.

0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
2.101
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
375
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
26
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Um quebra cabeça chamado obesidade ii

  1. 1. WWW.OBESIDADEEMAGRECIMENTO.BLOGSPOT.COM.BR Um Quebra Cabeça Chamado Obesidade II Obstáculos Diagnósticos e Desafios Terapêuticos Por Psicóloga Daniela Souza A obesidade é uma doença complexa, multicausal sobre a qual os númerosepidemiológicos apontam dados alarmantes. Problema suficiente para constituir umproblema de saúde pública, sendo um dilema para toda a equipe que acompanha oindivíduo obeso. Diariamente, especialistas são desafiados no manejo do paciente portador deobesidade. Contribuindo com o fato, existem diversas barreiras que limitam a boa conduçãono diagnóstico e tratamento desse grupo de doentes, desde a ausência de material desuporte apropriado ou limitações de exames convencionais durante a internação. Entreessas limitações, encontram-se até mesmo fatores como a desinformação, mitos epreconceitos que rodeiam a doença, advindos inclusive de profissionais de saúde envolvidosno atendimento. A própria literatura é extremamente escassa na documentação destasbarreiras diagnósticas e terapêuticas, valendo-se muitas vezes de relatos informais emrelação aos obstáculos enfrentados no dia-a-dia diante de seus pacientes obesos. A obesidade pode ser definida como o grau elevado de armazenamento de gordura noorganismo associado a riscos à saúde, devido a sua relação com complicações metabólicas.A base da doença é o processo indesejável do balanço energético positivo, resultando emum ganho de peso. Além do grau do excesso de gordura, a sua distribuição regional nocorpo interfere nos riscos associados ao excesso de peso. O excesso de gordura abdominalrepresenta maior risco do que o excesso de gordura por si só (WHO,1998). O índice de massa corporal (IMC) é uma medida que relaciona peso e altura, temexcelente correlação com a quantidade de gordura corporal e é largamente usado emestudos epidemiológicos e clínicos. O IMC é calculado dividindo-se o peso corporal pelaaltura elevada ao quadrado. Embora o IMC permita uma avaliação bastante rápida e prática da obesidade, éimperativo lembrar que esse índice possui algumas limitações, de modo que pessoas muitomusculosas, edemaciadas, ou a presença de cifose importante, podem apresentar IMCfalsamente elevado. Esses fatores, porém, são facilmente avaliáveis durante o exame clínicodo paciente. Classificação da obesidade recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) IMC Denominação Risco de Complicações 18,5 – 24,9 Peso Saudável 0 25-29,9 Sobrepeso Baixo 30-34,9 Obesidade grau I Moderado 35-39,9 Obesidade grau II Alto 40 Obesidade grau III Elevadíssimo Está bem estabelecido que o padrão de distribuição de gordura corporal podeestabelecer um prognóstico de risco para a saúde mais fidedigno que a própria classificaçãodo grau de obesidade pelo IMC. No tipo andróide ou central de distribuição de tecidoadiposo a gordura está distribuída preferencialmente ao nível do tronco, com deposiçãoaumentada em região intra-abdominal visceral. No tipo ginóide ou periférico, a gorduraacumula-se mais na região dos quadris, nádegas e coxas, um padrão mais feminino de Psicóloga especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e Obesidade e Emagrecimento, atuando no tratamento clínico e cirúrgico da obesidade. Autora do blog: www.obesidadeemagrecimento.blogspot.com.br Contato: daniela.souzao@yahoo.com.br
  2. 2. WWW.OBESIDADEEMAGRECIMENTO.BLOGSPOT.COM.BRdistribuição. Assim, indivíduos com circunferência abdominal (medida no maior perímetroentre a última costela e a crista ilíaca) elevada apresentam aumento de tecido adiposovisceral, intimamente ligado a risco cardiovascular e à síndrome metabólica (Bray, 1992apud Mancini, 2001). Diante disso, as duas referências citadas (IMC e Circunferência Abdominal) devem serregistradas, principalmente devido ao risco elevado de doenças associadas. É importante oconhecimento das comorbidades mais frequentes para permitir o diagnóstico precoce e otratamento destas condições, e para identificar os pacientes que podem se beneficiar com aperda de peso. Isso permitirá a identificação precoce e avaliação de risco, de forma que asintervenções adequadas possam ser realizadas para reduzir a mortalidade associada. 1. Síndrome Metabólica De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (2006), a Síndrome Metabólica(SM) é um transtorno complexo representado por um conjunto de fatores de riscocardiovasculares usualmente relacionados com a deposição central de gordura e resistênciaà insulina. É importante destacar a associação da SM com todo o sistema cardiovascular,aumentando a mortalidade geral em cerca de 1,5 vezes e o risco cardiovascular em cercade 2,5 vezes. A síndrome associa fatores de risco bem estabelecidos, como hipertensão arterial,arterosclerose e diabetes, com a deposição central de gordura e a resistência à insulina, aSíndrome Metabólica já ganha a dimensão como um dos principais desafios da práticaclínica nesse início de século. Estudos, em diferentes populações, revelam prevalênciaselevadas da SM, dependendo do critério utilizado e das características da populaçãoestudada, variando as taxas de 12,4% a 28,5% em homens e de 10,7% a 40,5% emmulheres (Sociedade Brasileira de Cardiologia, 2006). O estudo da SM tem sido dificultado pela ausência de consenso na sua definição e nospontos de corte dos seus componentes, com repercussões na prática clínica e nas políticasde saúde. Componentes da síndrome metabólica segundo o NCEP-ATP III* (Sociedade Brasileira de Cardiologia, 2006) Obesidade abdominal por meio de Homens > 102cm circunferência abdominal Mulheres > 88cm Triglicerídeos ≥ 150mg/dL HDL Colesterol Homens < 40mg/dL Mulheres < 50mg/dL Pressão Arterial ≥ 130mmHg ou ≥ 85mmHg Glicemia de jejum ≥ 110 * National Cholesterol Education Program’s Adult Treatment Panel III in SociedadeBrasileira de Cardiologia, 2006. 2. Doença Cardiovascular A epidemia de obesidade é a maior responsável por várias doenças e suas implicaçõesna saúde incluem principalmente o aumento do risco de doenças cardiovasculares: Mortesúbita (arritmia ventricular); Cardiomiopatia associada à obesidade; Hipertensão; Doençacoronariana; Doença cerebrovascular; Doença vascular periférica; Edema de extremidades;Veias varicosas; Trombose venosa profunda; Trombose de veia renal; Embolia pulmonar(Mancini, 2001). Psicóloga especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e Obesidade e Emagrecimento, atuando no tratamento clínico e cirúrgico da obesidade. Autora do blog: www.obesidadeemagrecimento.blogspot.com.br Contato: daniela.souzao@yahoo.com.br
  3. 3. WWW.OBESIDADEEMAGRECIMENTO.BLOGSPOT.COM.BR O National Cholesterol Education Program (NCEP), a American Heart Association(AHA), a Sociedade Européia de Cardiologia e a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC)têm assinalado a implicação fundamental da obesidade, da dieta e da inatividade física norisco cardiovascular (Bruno, 2006). Percebe-se uma nítida relação entre o IMC e o aumento de risco cardiovascularconforme relatos na literatura. Pacientes com obesidade podem apresentar com frequênciauma mobilidade muito comprometida e podem não apresentar queixas sugestivas decardiopatia, parecendo assintomáticos, mesmo que apresentem doença cardiovascularimportante. Hipertensão leve a moderada ocorre em 50-60% dos obesos e hipertensão grave em5-10%. O mecanismo exato de desenvolvimento da hipertensão arterial em pacientesobesos provavelmente envolve uma interação entre fatores genéticos, hormonais, renais ehemodinâmicos. A hiperinsulinemia, característica da obesidade, pode contribuir ativando osistema nervoso simpático (com aumento do nível basal de noradrenalina e aumento daresposta da mesma a variações posturais e exercício isométrico) e levando à retenção desódio. A hipertensão e a vasoconstrição levam à redução do fluxo sangüíneo no músculoesquelético, levando à piora da resistência à insulina e perpetuando o processo. Com oaumento da adiposidade, há um aumento do número de células intersticiais e da matrizextracelular renal, com compressão de vasa recta e túbulos renais. Isso acarreta umaumento da pressão hidrostática do fluido intersticial e redução e lentificação do fluxosangüíneo medular, aumentando ainda mais a reabsorção de sódio (Mancini, 2001). 3. Diabetes Melito Tipo 2 Segundo a Sociedade Brasileira da Diabetes (2007), o diabetes mellitus tipo 2 (DM2) éa forma presente em 90%-95% dos casos e caracteriza-se por defeitos na ação e nasecreção da insulina. Em geral ambos os defeitos estão presentes quando a hiperglicemia semanifesta, porém pode haver predomínio de um deles. A maioria dos pacientes com essaforma de DM apresenta sobrepeso ou obesidade, e cetoacidose raramente desenvolve-seespontaneamente, ocorrendo apenas quando associada a outras condições como infecções. Como foi visto, a obesidade tem sido apontada como um dos principais fatores derisco para o diabetes tipo 2. Estima-se que entre 80 e 90% dos indivíduos acometidos poresta doença são obesos e o risco está diretamente associado ao aumento do índice demassa corporal. A grande variação da prevalência do diabetes em diferentes nações temsido atribuída a uma combinação de diferenças genéticas e fatores ambientais, como dieta,obesidade, sedentarismo e desenvolvimento intra-uterino (Sartorelli & Franco, 2003). Há evidências bem fundamentadas da relação entre a qualidade da alimentação e osriscos de desenvolver o diabetes mellitus. Tem sido demonstrada uma correlação positivaentre a prevalência do diabetes e o alto consumo de gorduras saturadas e ao baixo teor defibras da dieta (Sartorelli & Franco, 2003). Torna-se importante também citar o estágio intermediário entre a homeostase normalda glicose e o diabetes, que é a intolerância à glicose ou tolerância à glicose prejudicada oudiminuída. Ambos caracterizam-se pela resistência à insulina, significando uma diminuiçãona capacidade da insulina em estimular a utilização de glicose, seja com deficiência noreceptor de insulina ou com defeito em algum mecanismo pós receptor durante suautilização (Pereira et al, 2003). O quadro de diabetes se desenvolve em obesos após período de intolerância à glicose,quando a glicemia se mostra acima dos valores normais, o que conduz, na maioria doscasos, a um estado de hiperinsulinemia. Uma das explicações para o desenvolvimento da Psicóloga especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e Obesidade e Emagrecimento, atuando no tratamento clínico e cirúrgico da obesidade. Autora do blog: www.obesidadeemagrecimento.blogspot.com.br Contato: daniela.souzao@yahoo.com.br
  4. 4. WWW.OBESIDADEEMAGRECIMENTO.BLOGSPOT.COM.BRresistência periférica à ação da insulina nos indivíduos obesos estaria relacionada à maioringestão de lipídios, comum na dieta de pessoas obesas, que não seria acompanhada poraumento imediato de sua oxidação, mas o excesso de ácidos graxos livres (AGL) seriaestocado em diferentes tecidos, além das células adiposas (Pereira et al, 2003). 4. Aterosclerose O excesso de peso, principalmente acúmulo de gordura na região abdominal, do tipocentral, está associado a um maior risco de doença aterosclerótica. Geralmente, essesindivíduos apresentam: dislipidemia (TG elevado, HDL-C baixo, padrão tipo B da LDL),resistência à insulina e hipertensão arterial o que caracteriza a síndrome metabólica(Giannotti, 2002). Segundo Giannotti, 2002, a aterosclerose é uma doença multifatorial, lenta eprogressiva, resultante de uma série de respostas celulares e moleculares altamenteespecíficas. A etiologia multifatorial dessa enfermidade é amplamente reconhecida. Osfatores de aquisição ou agravamento da doença classificam-se em dois níveis: Fatores nãomodificáveis (hereditariedade, sexo, idade) e fatores modificáveis (obesidade, diabetesmellitus, pressão arterial elevada, aumento da concentração plasmática do colesterol e dostriglicerídeos, tabagismo, sedentarismo e os fatores denominados psicossociais). 5. Doenças Respiratórias A apneia obstrutiva do sono (SAOS) é a doença respiratória mais frequente ecomplicada do paciente obeso. Esta se caracteriza por episódios de obstrução total (apneia)ou parcial (hipopneia) da via aérea durante o sono, sendo o sobrepeso um importante fatorde risco para essa condição. Cerca de 5% dos pacientes com obesidade grau III apresentamsíndrome da apneia obstrutiva do sono. Um aumento de peso de 10% em 4 anos estáassociado a um aumento de seis vezes no risco de desenvolver a síndrome da apneiaobstrutiva do sono (SAOS) (Melo, 2011). Os principais fatores predisponentes são: sexo masculino e obesidade. O problemapode ser agravado pela ingestão de álcool à noite ou de sedativos. A presença e hipertensãoarterial, acúmulo de gordura em região abdominal e cervical, policitemia, hipoxemia e/ouhipercapnia, hipertrofia de ventrículo direito e, obviamente, a observação de episódios deapneia durante o sono, reforçam a presença de SAOS. A confirmação diagnóstica é feita porpolissonografia em laboratório de sono (Melo, 2011). Como foi visto, há uma estreita relação entre a SAOP e Obesidade. Segundo Melo(2011), estudos epidemiológicos prospectivos demonstraram que doenças do sonopredispõem à obesidade. Além disso, a Obesidade é o maior fator de risco para odesenvolvimento de apneia do sono, que está presente em 40% dos obesos sem queixassugestivas, em 55% dos adolescentes submetidos à cirurgia bariátrica e em 71% a 98%dos obesos mórbidos. A SAOS potencialmente resulta em uma série de complicações,incluindo hipertensão pulmonar, insuficiência cardíaca direita, hipertensão arterial sistêmicaresistente. 6. Doenças do Trato Digestório  Colecistopatias - As doenças mais comuns da vesícula biliar são a colelitíase (acúmulode cálculos na vesícula biliar), a colecistite (inflamação na vesícula biliar) e o câncer devesícula biliar, porém este muito raro. Estudos mostram uma íntima relação entre litíase Psicóloga especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e Obesidade e Emagrecimento, atuando no tratamento clínico e cirúrgico da obesidade. Autora do blog: www.obesidadeemagrecimento.blogspot.com.br Contato: daniela.souzao@yahoo.com.br
  5. 5. WWW.OBESIDADEEMAGRECIMENTO.BLOGSPOT.COM.BRbiliar e obesidade. A associação de litíase biliar e obesidade mórbida ocorre em 50% dospacientes estando associada tanto com o grau de sobrepeso como com a velocidade deperda de peso durante tratamentos mais agressivos. Mulheres com IMC >45 apresentamum risco sete vezes maior de litíase quando comparadas com mulheres com IMC <24 kg(Mancini, 2001).  Doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA) - A DHGNA representa um espectrode distúrbios que vão desde a esteatose à esteatohepatite e, finalmente, cirrose ehepatocarcinoma. A patogênese da DHGNA permanece parcialmente conhecida e o estresseoxidativo ligado à obesidade é um dos mecanismos possivelmente envolvidos. A DHGNAestá associada à obesidade, dislipidemia, hipertensão e resistência à insulina, oscomponentes da SM, que aumentam o risco cardiovascular. Ela afeta entre 15% e 30% dapopulação em geral, e tem uma prevalência de cerca de 70% em pessoas com diabetes tipo2. (Melo, 2011). 7. Osteoartrose (OA) A obesidade está fortemente relacionada a um risco aumentado de OA do joelho e auma associação moderada com OA do quadril. Podendo acometer aqueles pacientes que sãometabolicamente normais, a presença de OA realça a capacidade da obesidade promoveroutras doenças em vários órgãos e sistemas, indicando que a obesidade é uma condiçãopatológica e quase sempre associada a outras doenças secundárias, sejam metabólicas ounão (Melo, 2011). A relação entre a OA de quadril e joelho e obesidade foi verificada no RotterdamStudy. Após uma confirmação radiográfica de OA no início do estudo, 3.585 pacientes foramseguidos por uma média de 6,6 anos. O IMC > 27 kg/m2 foi associado a um risco 3,3 vezesmaior de OA e de progressão da OA no joelho, mas não no quadril (Melo, 2011). 8. Neoplasias A associação entre obesidade e câncer é confirmada em vários estudos prospectivos.Segundo o INCA, 2007, câncer e obesidade são duas das principais epidemias globais daatualidade. Quando se encontram num mesmo indivíduo, os efeitos são nocivos: aobesidade é o segundo maior fator de risco evitável para o câncer, perdendo apenas para otabagismo, e a mortalidade da doença é maior entre essa população. O instituto alerta que o excesso de peso é um fator de risco modificável para o câncer.A obesidade e o sobrepeso aumentam o risco de surgimento de diversos cânceres, como oadenocarcinoma de esôfago, pâncreas, vesícula biliar, intestino grosso, rins, endométrio(um tipo de câncer do útero) e câncer de mama na pós-menopausa. Segundo aOrganização Mundial de Saúde (OMS), até um terço dos casos de câncer de cólon, mama,rins e no sistema digestivo é atribuído ao excesso de peso e a pouca atividade física. Alémdisso, a obesidade aumenta o risco de metástase e retorno do câncer, principalmente os demama e próstata. Os fatores que explicam o aumento de cânceres em obesos são diversos,mas os principais são a alta produção de hormônios pelo tecido gorduroso, comoestrogênios, insulina e leptinas que aumentam e aceleram o processo cancerígeno(Rodrigues, 2012). 9. Doenças Psiquiátricas Psicóloga especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e Obesidade e Emagrecimento, atuando no tratamento clínico e cirúrgico da obesidade. Autora do blog: www.obesidadeemagrecimento.blogspot.com.br Contato: daniela.souzao@yahoo.com.br
  6. 6. WWW.OBESIDADEEMAGRECIMENTO.BLOGSPOT.COM.BR Segundo Segal et al. (2002), a obesidade não é classificada como umtranstorno psiquiátrico. Apesar da obviedade da afirmação, ela se faz necessária, dado quea obesidade foi, por muito tempo, compreendida como uma manifestação somática de umconflito psicológico. Estudos de larga escala na comunidade sugerem que não há diferençassignificativas no funcionamento psicológico entre pessoas obesas e não-obesas. Vários autores referem complicações psicológicas associadas à obesidade. Travado etal. (2002) por exemplo, cita Stunkard e Wadden (1992), que referem a distorção daimagem corporal, baixa auto-estima, discriminação/ hostilidade social, sentimentos derejeição e exclusão social, problemas funcionais e físicos, história de abuso sexual, perdasparentais precoces, história familiar de abuso de álcool, ideação suicida, problemasfamiliares/conjugais, sentimentos de vergonha e auto-culpabilização, agressividade/ revolta,insatisfação com a vida, isolamento social, absentismo, psicossomatismo, entre outros. Osmesmos autores também citam em diversos estudos a baixa qualidade de vida, a queacresce a co-morbidade frequente desta população. 10. Outras Doenças Associadas à Obesidade Além das doenças acima, uma série de outras doenças, que podem acometer qualquerórgão ou sistema, foi reconhecida como associada ao aumento de peso. Podem ser citadas adoença do refluxo gastroesofágico, a asma brônquica, insuficiência renal crônica,infertilidade masculina e feminina, disfunção erétil, síndrome dos ovários policísticos, veiasvaricosas e doença hemorroidária, hipertensão intracraniana idiopática (pseudotumorcerebri), doenças dermatológicas, disfunção cognitiva e demência (Melo, 2011). Com a exposição acima das inúmeras doenças desencadeadas e/ou agravadas com oexcesso de peso, percebe-se que a obesidade vai muito além de um simples excesso depeso. O emagrecimento é uma necessidade que vai além da estética e de valores sociais.Os prejuízos à saúde do indivíduo exigem do indivíduo a noção de urgência. E é nessemomento que, muito assustados, buscam ajuda. O principal objetivo do tratamento é a modificação do estilo de vida e adesão àterapêutica traçada. Nessa situação, uma das funções do profissional é acolher essademanda e fazer com que ele circule por essa equipe. Cabe à esta um bom manejo clínicodiante da necessidade do estabelecimento do diagnóstico e diferentes estratégiasterapêuticas. Este somatório implica na conscientização do indivíduo sobre seu estado desaúde, em seu engajamento nos processos de mudança, para sua adesão aos tratamentosdisponibilizados, proporcionando uma vida mais saudável ao indivíduo. Psicóloga especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e Obesidade e Emagrecimento, atuando no tratamento clínico e cirúrgico da obesidade. Autora do blog: www.obesidadeemagrecimento.blogspot.com.br Contato: daniela.souzao@yahoo.com.br
  7. 7. WWW.OBESIDADEEMAGRECIMENTO.BLOGSPOT.COM.BR REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRAY, G.A. Pathophysiology of obesity In: MANCINI, Marcio C. Obstáculos Diagnósticos e DesafiosTerapêuticos no Paciente Obeso. Arq Bras Endocrinol Metab, vol 45, nº 6, Dezembro 2001. Disponível em:http://www.scielo.br/pdf/abem/v45n6/a13v45n6.pdf. Acesso em: 18 de Maio de 2012. BRUNO, Maria Lucia. Três formas de intervenção para a adesão ao tratamento dietético daobesidade em cardiologia: estudo comparativo. Biblioteca Digital USP, São Paulo, 2006. Disponível em:http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5160/tde-16102006-145427/pt-br.php. Acesso em: 18 deMaio de 2012. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. Diretriz Brasileira de Diagnóstico e Tratamento daSíndrome Metabólica. Arquivos brasileiros de Cardiologia, vol. 84, Abril, 2006. Disponível em :http://www.scielo.br/pdf/abc/v84s1/a01v84s1.pdf. Acesso em: 18 de Maio de 2012. SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. Diretrizes da Sociedade Brasileira da Diabetes: Tratamentoe acompanhamento do Diabetes Mellitus, 2007. Disponível em:http://www.anad.org.br/profissionais/images/diretrizes_SBD_2007.pdf. Acesso em: 18 de Maio de 2012. GIANOTTI, A. Prevenção da doença coronária: perspectiva psicológica em um programamultiprofissional. Psicol. v. 13, nº 1, 2002. INSTITUTO NACONAL DO CANCER, Alerta para o câncer entre pessoas com sobrepeso e obesas,2007. Disponível em: http://www.inca.gov.br/releases/press_release_view.asp?ID=1613. Acesso em: 18de Maio de 2012. MANCINI, Marcio C. Obstáculos Diagnósticos e Desafios Terapêuticos no Paciente Obeso. Arq BrasEndocrinol Metab, vol 45, nº 6, Dezembro 2001. Disponível em:http://www.scielo.br/pdf/abem/v45n6/a13v45n6.pdf. Acesso em: 18 de Maio de 2012. MELO, Maria Edna. Doenças Desencadeadas ou Agravadas pela Obesidade. Associação Brasileirapara o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica, Maio, 2011. Disponível em:http://www.abeso.org.br/pdf/Artigo%20-%20Obesidade%20e%20Doencas%20associadas%20maio%202011.pdf. Acesso em: 18 de Maio de 2012. PEREIRA, Luciana O.; FRANCISCHI, Rachel P. de & LANCHA JR., Antonio H.. Obesidade: hábitosnutricionais, sedentarismo e resistência à insulina. Arq Bras Endocrinol Metab. vol.47, n.2, 2003. Disponívelem: http://www.scielo.br/pdf/abem/v47n2/a03v47n2.pdf. Acesso em: 18 de Maio de 2012. RODRIGUES, Victor Hugo. Obesidade e Câncer. Jornais e Revistas Clipping SVS. Minas Gerias,2012. Disponível em http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/050607052012.pdf. Acesso em: 18 deMaio de 2012. SARTORELLI, Daniela S. & FRANCO, Laércio J. Tendências do diabetes mellitus no Brasil: o papelda transição nutricional. Cad. Saúde Pública, , vol.19, suppl.1, 2003. Disponível em :http://www.scielo.br/pdf/csp/v19s1/a04v19s1.pdf . Acesso em: 18 de Maio de 2012. SEGAL, A., CARDEAL, M. V. & CORDÁS, T. A. Aspectos psicossociais e psiquiátricos da obesidade.Revista de Psiquiatria Clínica, vol. 29, São Paulo, 2002.Disponível em: http://www.hcnet.usp.br/ipq/revista/vol29/n2/pdf/81.pdf. Acesso em: 18 de Maio de2012. TRAVADO, L., PIRES, R., MARTINS, V., VENTURA, C., & CUNHA, S. Abordagem psicológica daobesidade mórbida: caracterização e apresentação do protocolo de avaliação psicológica. AnálisePsicológica, vol. 3, Portugal, n. XXII, n.2004. Disponível em: http://repositorio.chlc.min-saude.pt/bitstream/10400.17/448/1/An%C3%A1l%20Psic%202004%20533.pdfAcesso em: 18 de Maio de 2012. World Health Organization. Report of a WHO consultation on obesity. In: Obesity – Preventing andManaging the Global Epidemic. World Health Organization, Geneva, 1998.Psicóloga especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e Obesidade e Emagrecimento, atuando notratamento clínico e cirúrgico da obesidade.Autora do blog: www.obesidadeemagrecimento.blogspot.com.brContato: daniela.souzao@yahoo.com.br

×