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positiva ao contacto físico com os seus semelhantes, sendo que esses contactos entre si, sãoprovavelmente, tanto no homem ...
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  1. 1. Ficha D2 Desenvolvimento e socialização: a relação mãe-bebé www.espanto.info A relação mãe-bebé: a sua importância no desenvolvimento E tudo começa no útero… “Estudos feitos sobre o campo sensorial e comportamental do feto modificaram bastante a visãodo universo intra-uterino. Sabemos que este ambiente oferece muitos estímulos acústicos para o bebéprovenientes do corpo da mãe (batimentos cardíacos, voz, ruídos da digestão) e também do mundoexterno. Resultados de pesquisas sugerem que o feto é capaz de se familiarizar com sons repetidos dafala materna e que os mesmos são associados à segurança e tem efeito tranquilizador. A criança que se está formando no útero não está tendo apenas os seus aspectos físicos formados.A sua personalidade também já está sendo moldada. Esta primeira morada é muito marcante; tudo o queacontecer à mãe - de bom e de mau - nos níveis físico, mental e emocional, fará parte da vivência econstituição do bebé. Um susto, uma ansiedade põem em acção o sistema nervoso autónomo da mãe eestas mudanças podem ser perturbadoras para o feto. Durante os meses iniciais a qualidade das primeiras conversas depende da maneira pela qual ospais comunicam com o bebé. É importante enquanto se fala, olhá-lo bem de frente e segurar a sua nucafirmemente para que ele se sinta protegido. Nesta interacção com o bebé é interessante aprimorar estevínculo afectivo associando à fala, carícias, beijos, toques e olhares com a finalidade de manter contactoe demonstrar afecto. Tudo isto facilitará o relacionamento futuro.” http://www.viasaude.com.br/artigos/dialogo.htm A vinculação mãe-filho e o nascimento psicológico do ser humano A relação mãe-filho, tão importante para o desenvolvimento do ego da criança, inicia-se bem cedo.Neumann salienta que sendo o ser humano incapaz de ser independente logo após o nascimento,diferentemente dos demais animais, prorroga sua fase embrionária para além do nascimento. A faseembrionária compreende, então, os 9 meses intra-uterinos e mais 1 ano pós-uterino. Nesta fase, a criançavive o inconsciente da mãe, está ligada à mãe fisicamente e psicologicamente, dependendo dela para tudo.Após esta fase, a criança inicia o seu processo de desligamento da mãe, juntamente com a formação efortalecimento do ego. Para a Psicanálise, a consciência surge a partir do inconsciente, primeiramente como pequenossinais fugazes, depois como pequenas ilhas que surgem ao longo do oceano até formar um arquipélago. Na relação mãe-filho, nos primeiros meses, a qual Neumann chamou de “relação primal mãe-filho”, a criança vive e experimenta o corpo da mãe como sendo ela mesma e o mundo. Não possuiconsciência capaz de discernimento, percepção e controle do seu próprio corpo. Salienta Neumann: “Para a criança nessa fase, a mãe não está nem dentro nem fora; para a criançaos seios não fazem parte de uma realidade separada de si e externa; o seu próprio corpo não éexperimentado como seu. Mãe e filho continuam tão interligados como na fase uterina, como se formasseuma unidade; só que a unidade que formam é dual.” É necessário haver uma base sólida edificada com confiança e segurança durante a relação mãe-filho, onde o ego poderá encontrar o caminho do desenvolvimento sadio. Embora este desenvolvimento ocorra gradualmente, há uma forte tendência, na criança, de manter-se nesta relação simbiótica com a mãe, porque depende dela materialmente e psicologicamente. Umaruptura abrupta nesta relação causará danos irreparáveis ao desenvolvimento da criança. Aausência da figura materna poderá provocar uma perda de contacto com o mundo e deficiências naformação do ego. Para Neumann “A relação primal mãe-filho é a expressão de uma capacidade derelacionar-se de maneira total, como fica dramaticamente demonstrado pelo facto de que, para umacriança, a sua falta pode provocar distúrbios emocionais de ordem tal que culminam em apatia, em idiotiae até mesmo a morte. A perda da mãe representa muitíssimo mais do que apenas a perda de uma fonte dealimentos. Para um recém-nascido – até mesmo quando continua a ser bem alimentado – equivale à perdada vida. A presença de uma mãe amorosa que fornece alimentação insuficiente não é de forma alguma tão Ficha D2 - Página 1 de 4
  2. 2. desastrosa quanto à de uma mãe pouco afectuosa que fornece alimento em abundância.” A qualidade do amor na relação primal mãe-filho estabelecerá a qualidade das relações doindivíduo com o mundo interno e externo quando a criança se desligar da mãe. O que conta nesta relaçãoé a qualidade do amor e não a quantidade de amor que a mãe dispensa ao filho. O amor em excesso epossessivo sufoca e gera Outros factores, não menos importantes, influenciam a qualidade da relação primal mãe-filho, porexemplo; se a criança foi desejada ou não, se o sexo era o desejado ou não, se a mãe tem um complexo deinferioridade em relação ao seu próprio sexo, etc. Vanilde Gerolim Portillo http://www.portaldomarketing.com/Artigos/Relacionamento%20mae%20filho.htm Consequências da privação do contacto materno O problema relativo à separação mãe-filho durante os primeiros anos da infância vem sendo postoem foco no últimos tempos, merecendo menção particular o trabalho de Margaret Ribble, que após oitoanos de estudos em vários países, frequentando hospitais e outras instituições para crianças, comoorfanatos, divulgou em 1943 os resultados das suas pesquisas, dos quais se conclui que o amor e aassistência da mãe constituem a melhor medicina para a criança. Em sua interessante publicação "TheRights of Infants", esta autora nos mostra como certas doenças físicos atingem preferentemente criançasde alguns lares abastados ou internados em hospitais, não obstante estarem cercados de todos os cuidadosde ordem física, enquanto poupam, em geral, aquelas outras de lares pobres, mesmo sem condiçõessatisfatórias de higiene, mas assistidas por uma mãe suficientemente boa. As observações nesse sentido hoje avolumam-se e usa-se mesmo a denominação de "criançacarenciada" ou "criança carente", para designar os pequenos seres desprotegidos da sorte, carenciados nãono sentido das conhecidas vitaminas ou dos sais minerais, e sim com carência de amor. Esse conceito seaplica não apenas à criança separada da mãe, mas também àquela que, vivendo no seio da família, possuimãe ou pessoa que a substitui, incapaz de cuidá-la afectuosamente. O bebé carenciado apresenta como características: ausência de sorriso diante de uma fisionomiahumana, diminuição do interesse e da capacidade de reacção, vivacidade quase nula, desenvolvimentopsicomotor nitidamente inferior em relação aos outros lactentes. Crianças de menos de seis mesesinternadas em instituições podem apresentar aspecto infeliz, apatia, relativa imobilidade, falta de sucçãodos objectos, falta de apetite, estagnação no ganho de peso, ausência de reacções a estímulos (sorriso ouvocalização), predisposição a episódios febris, evacuações frequentes, palidez, perturbações do sono.Vários autores observaram a rapidez com que os sintomas criados pela hospitalização ("hospitalismo")desaparecem quando a criança passa a receber carinho e afecto. O importante, entretanto, é que a carência de afecto não se restringe a provocar efeitos imediatos nacriança, senão que, quando muito intensa e prolongada acarreta determinadas perturbações na esferapsicológica que só serão evidenciadas na sua plenitude na idade adulta, perturbações essas muitas vezesirreversíveis, como é o caso de certas desordens da personalidade. Hoje há unanimidade de ponto de vista no que se refere ao seguinte: a criança privada de afeiçãomaternal revela, quase sempre, um retardamento físico, intelectual e social, e muito provavelmenteapresentará distúrbios da personalidade no curso ulterior da vida. Seria impossível enumerar a farta massade observações e experiências, muitas delas com estatísticas comprovantes. Tanto o quociente intelectual(Q.I.) como o quociente de desenvolvimento (Q.D.) dessas crianças mostra-se consideravelmente maisbaixo que das demais ou das que serviram como testemunhas nos estudos efectuados. As repercussões da falta de cuidados maternais variam em função da intensidade da privação.Quando parcial, pode acarretar grande ansiedade, necessidade excessiva de afeição e poderosos desejosde vingança, fonte, por sua vez, de sentimentos de culpa e de estados depressivos. Tais emoçõescostumam ser demasiado intensas para serem bem elaboradas pela criança, a quem falta maturidadefisiológica e psicológica. Assim, tais reacções emocionais geralmente acabam provocando perturbaçõessignificativas na estrutura psíquica, capazes de levar à formação de sintomas neuróticos e/ou àinstabilidades mais graves no funcionamento mental. Quando total, a carência afectiva leva adeformações mais graves sobre o desenvolvimento da personalidade e pode comprometer definitivamentea faculdade de estabelecer contactos afectivos. Ficha D2 - Página 2 de 4
  3. 3. Em realidade, é na infância que se estabelecem os nexos afectivos, que se formam os padrõesindividuais de reacção emocional responsável pela estruturação da personalidade adulta. Numerosascrianças carenciadas caminham para a criminalidade. Autores que estudaram a delinquências observaramque a ausência de laços afectivos satisfatórios durante a primeira infância predispõe a criança a reagir demaneira anti-social. Danilo Perestrello http://www.decio.tenenbaum.com/psicologiamedica/textos/separacao_mae_filho.htm A necessidade de afecto “Spitz concluiu através das suas experiências que a privação de contacto físico em crianças, portempo prolongado, poderá levar ao enfraquecimento e até à morte. É o que Spitz chamou de privaçãoafectiva e sugere que a forma mais eficaz de suprir essas carências é através da intimidade física.Berne cita um fenómeno semelhante observado em adultos quando submetidos à privação sensorial, emque o indivíduo pode apresentar psicose passageira ou distúrbios mentais temporários, como é o caso deindivíduos condenados a longos períodos em solitárias, sendo este o castigo mais temido até mesmo pelosprisioneiros endurecidos pela brutalidade física. Cita também, na sua obra "Sexo e Amor", p. 158, oisolamento total como sendo uma das formas mais eficazes, usada como tortura, para obter confissões.A privação emocional e sensorial poderá produzir modificações no organismo, continua Berne, citandoque se parte do "sistema reticular" não for suficientemente estimulado, as células novas podem degenerar-se. Assim sendo, pode-se estabelecer uma ligação biológica da privação afectiva e sensorial às alteraçõesdegenerativas e morte. A partir dessas observações, Berne estabeleceu uma ligação em que a fome deestímulos ou de relacionamento pode ser comparada à fome de comida em termos de sobrevivência doorganismo. Segundo Berne, tanto biologicamente como psicológica e socialmente, estas fomes estão ligadas devárias formas. Cita os termos tais como desnutrição, saciedade, voracidade, jejum, apetite e outros, comosendo facilmente transferíveis do campo da nutrição para o das emoções. À medida que a criança se vai desenvolvendo, vai-se processando também a separação da sua mãe,terminando assim, a fase de estreita intimidade com ela. Daí para frente o seu destino e sobrevivênciaestarão constantemente em jogo. Um aspecto é a mudança social em termos de intimidade física no estiloinfantil para o estilo adulto, e, o outro aspecto é a luta constante para consegui-lo de volta. Ou seja, háuma mudança de modo que ele aprenderá a se satisfazer com outras formas de contato físico mais subtis.Contudo, o anseio de continuar recebendo contacto físico (como recebia quando criança) permanece. Harry F. Harlow em seu laboratório experimental, criou umaimitação de uma macaca feita com uma armação de arame e outraimitação também de armação de arame, porém, esta última foi forradacom pano felpudo e macio. Na imitação de arame puro, ele colocou oalimento (biberon) e na forrada de pelo não colocou nenhum tipo dealimento. Observou que os filhotes de macacos preferiam aninharem-se na armação forrada de pelo, indo até à outra apenas para saciarem afome. O resultado desta e de outras experiências, permitiram Harlowconcluir que a variável contacto reconfortante suplementa a variável amamentação. Harlow observou também, que os macacos rhesus com mães reais, demonstravam comportamentos social e sexual mais adiantados dos que os criados com mães substitutas, de arame com pelo, e que estes últimos apresentavam comportamentos sociais e sexuais normais se diariamente tivessem oportunidade de brincar no ambiente estimulador dos outros filhotes. Harlow menciona que não se deve subestimar o papel desempenhado pelo relacionamento dos filhotes entre si, como determinante dos ajustamentos na adolescência e idade adulta. Harlow também sugere que a afectividade dos filhotes entre si seja essencial para que o animal possa responder de maneira Ficha D2 - Página 3 de 4
  4. 4. positiva ao contacto físico com os seus semelhantes, sendo que esses contactos entre si, sãoprovavelmente, tanto no homem quanto no macaco, factores preponderantes na identificação dos papéissexuais.” José Silveira Passos http://www.josesilveira.com/teoriacariasspitzharlow.htm O início da socialização Quando os chamamentos da criança são atendidos, ela experimenta sensações agradáveis, sente-seamada, segura, desejada. Estes sentimentos são um excelente começo de vida, funcionam como motoresdo desenvolvimento de capacidades essenciais para o sucesso social, tais como a autoconfiança, ainiciativa, a independência e a responsabilidade. Na comunicação que se estabelece entre filho e mãe está já em embrião o esforço de comunicaçãocom o meio ambiente. O sorriso da criança, a imitação de sons e os gestos em direcção às coisas sãoformas incipientes de interacção com o universo social, inicialmente concentrado e reduzido à figura damãe. Segundo Spitz, entre as três e as seis semanas, o bebé sorri para outras pessoas e ao ouvir a vozhumana. Trata-se, segundo ele, da primeira manifestação de sociabilidade do bebé. A atmosfera afectiva e estimulante em que se procura desenvolver a sensibilidade da criança é umaexigência das últimas décadas, na medida em que necessidades sociais impuseram uma nova estrutura edinâmica à estrutura familiar. Tal como o pai, a mãe tem uma ocupação profissional que não podeabandonar para se dedicar inteiramente, como no passado, aos cuidados maternais. Aliás, a decisão de ser mãe implica já uma série de factores que, em tempos idos, não faziamqualquer sentido. A decisão de ter um filho é um forte investimento por parte do casal, na medida em quetem de reorganizar a sua vida económica, profissional, social e afectiva, de modo a criar condiçõesfavoráveis a que a entrada do filho no mundo seja um acontecimento gratificante quer para este quer paraos progenitores. Esta questão é hoje crucial porque o papel que a mulher desejaria desempenhar como mãe entra emconflito com outros papéis sociais que tem de desempenhar. A responsabilidade de criar, cuidar e educarum filho tem de ser partilhada pelo pai e pela mãe, havendo mesmo casos em que os cuidados matemossão assumidos mais pelo pai do que pela mãe. Em função disto, quando se fala na relação mãe-filho, tem de entender-se como uma relação entre acriança e um adulto significativo, aquele que lhe proporciona as experiências precoces mais estimulantese positivas, que com ele passa mais tempo e lhe dispensa maior atenção e afecto. M.A. Abrunhosa e M. Leitão Actividades: 1. A relação mãe-filho é fundamental para o desenvolvimento do ser humano. Explique porquê, tendo em conta os dados apresentados nesta ficha. 2. A vinculação afectiva do bebé com a mãe é uma necessidade básica do ser humano. Quais as consequências de uma ausência de vinculação mãe-filho? 3. É conhecido o ditado de origem bíblica “nem só de pão vive o homem”. Tendo em conta o sentido deste ditado comente o texto “a necessidade de afecto”. Ficha D2 - Página 4 de 4

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