INICIAÇÃO COMO RITO DE PASSAGEM
Jan Duarte
Em todas as sociedades primitivas, determinados momentos na vida de seus membro...
Todas essas cerimônias, no entanto, marcavam pontos de desprendimento. Velhas atitudes eram abandonadas e novas deviam ser...
A idéia aqui, portanto, não era a de rito de passagem simplesmente como transição de um período para outro da vida, mas ta...
O que se vê, no entanto, não é isso. A idéia da iniciação, por ser mal compreendida, é comumente descrita como uma espécie...
Uma jornada iniciática não pode partir de preceitos estabelecidos. Muito pelo contrário: ela deve começar justamente pela ...
As alegorias do livro de Jó
• O mito era o método favorito e universal de ensinar nos tempos arcaicos.
• "O Mito é o pensa...
• Essa passagem, como todas as outras em que se poderia encontrar alusões mais tênues a um "Paladino", "Libertador" ou "Vi...
• Os três haviam tentado confundir Jó com alegações e argumentos gerais e ele lhes solicitou uma consideração dos seus ato...
• "Quem pode descobrir a superfície de sua vestimenta? e quem entrará no meio da sua boca? Quem pode abrir as portas do se...
Cerimonia de Maior Idade
A Maioridade na Antiga
Hélade
O que é Hélade
Hélade
Definições da Web
antigo nome da região hoje conhecida como Grécia
http://pt.wiktionary.org/wiki/Hél...
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• A tendência moderna a homogeneizar o desenvolvimento de gêneros é antiética à abordagem helênica antiga. Os papéis de ...
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• • A continuação da espécie humana;
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• A passagem geracional e as três fases de passagem podem ser encontradas em ritos de passagem de todas as fases da vida (...
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• Parte Dois: Os Ritos Históricos de Passagem para a Idade Adulta
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Cerimonia de maior idade e iniciação no Bethel União de Uberaba n°09 Das Filhas de Jó

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Cerimonia de maior idade e iniciação no bethel união de uberaba n°09

  1. 1. INICIAÇÃO COMO RITO DE PASSAGEM Jan Duarte Em todas as sociedades primitivas, determinados momentos na vida de seus membros eram marcados por cerimônias especiais, conhecidas como ritos de iniciação ou ritos de passagem. Essas cerimônias, mais do que representarem uma transição particular para o indivíduo, representavam igualmente a sua progressiva aceitação e participação na sociedade na qual estava inserido, tendo portanto tanto o cunho individual quanto o coletivo. Geralmente, a primeira dessas cerimônias era praticada dentro do próprio ambiente familiar, logo em seguida ao nascimento. Nesse rito, o recém-nascido era apresentado aos seus antecedentes diretos, e era reconhecido como sendo parte da linhagem ancestral. Seu nome, previamente escolhido, era então pronunciado para ele pela primeira vez, de forma solene. Alguns anos mais tarde, ao atingir a puberdade, o jovem passava por outra cerimônia. Para as mulheres, isso se dava geralmente no momento da primeira menstruação, marcando o fato que, entrando no seu período fértil, estava apta a preparar-se para o casamento. Para os rapazes, essa cerimônia geralmente se dava no momento em que ele fazia a caça e o abate do primeiro animal. Ligadas, portanto, ao derramamento de sangue, essas cerimônias significavam a integração daquela pessoa como membro produtivo da tribo: ao derramar sangue para a preservação da comunidade (pela procriação ou pela alimentação), ela estava simbolicamente misturando o seu próprio sangue ao sangue do seu clã. Variadas cerimônias marcavam, ainda, a idade adulta. Entre os nativos norte-americanos, algumas tribos praticavam um rito onde a pele do peito dos jovens guerreiros era trespassada por espetos e repuxada por cordas. A dor e o sangue derramado eram, dessa forma, considerados como uma retribuição à Terra das dádivas que a tribo recebera até ali. Outras cerimônias seguiam-se, ao longo da vida. O casamento era uma delas, e os ritos fúnebres eram considerados como a última transição, aquela que propiciava a entrada no reino dos mortos e garantia o retorno futuro ao mundo dos vivos.
  2. 2. Todas essas cerimônias, no entanto, marcavam pontos de desprendimento. Velhas atitudes eram abandonadas e novas deviam ser aceitas. A convivência com algumas pessoas devia ser deixada para trás e novas pessoas passavam a constituir o grupo de relacionamento direto. Muitas vezes, a cada uma dessas cerimônias, a pessoa trocava de nome, representando que aquela identidade que assumira até então, não mais existia - ela era uma nova pessoa. Nos tempos atuais e nas sociedades modernas, muitos desses ritos subsistiram, embora muitos deles esvaziados do seu conteúdo simbólico. Batismo e festas de aniversário de 15 anos, por exemplo, são resquícios desse tipo de cerimônia, que hoje representam muito mais um compromisso social do que a marcação do início de uma nova fase na vida do indivíduo. No entanto, a troca do símbolo pela ostentação pura e simples, acaba criando a desestruturação do padrão social. Tomando o batizado cristão como exemplo, poderia-se perguntar quantas pessoas que batizam os seus filhos são, realmente, cristãs. Quantas pretendem realmente cumprir a promessa solene, feita em frente ao seu sacerdote, de manter a criança na fé dos seus antepassados? Obviamente, nas sociedades primitivas, tais promessas eram obrigações indiscutíveis e sagradas. Rompê-las era colocar em risco a própria sobrevivência da tribo como unidade coerente, o que não era, ao menos, cogitável. A Iniciação dos Xamãs e Heróis Ao lado dos ritos que abordamos, de certa forma institucionalizados e regulados pela família e pela sociedade, haviam outros ritos específicos, que poderiam configurar uma categoria distinta de passagem ou iniciação. Embora pudessem acontecer depois de alguma preparação, era comum que esses ritos ocorressem espontâneamente, a partir de uma casualidade que era então tida como propiciada pelos deuses. Estes eram os ritos de iniciação dos xamãs ou dos heróis. Muitas pessoas, após passarem incólumes por algum tipo de experiência traumática, que poderia ter provocado a sua morte, eram consideradas como pertencendo a uma classe especial. Estados semicomatosos induzidos por doenças, picada de animais peçonhentos, etc, eram normalmente considerados como modificadores da pessoa, que retornaria desses estados possuindo uma nova e mais clara visão do mundo. Essas pessoas, geralmente, eram alçadas à condição de xamãs pela tribo. Por um outro lado, o contrário também poderia acontecer: dentro do processo normal de treinamento de um xamã, chegava-se a um ponto em que determinadas provas deveriam ser enfrentadas, para que o treinando comprovasse a sua capacidade de enfrentar seus medos e seus próprios limites físicos e mentais. Isolamento, frio, fome, às vezes extremos, eram utilizados nesse sentido.
  3. 3. A idéia aqui, portanto, não era a de rito de passagem simplesmente como transição de um período para outro da vida, mas também como de um estado de consciência para outro. Ou seja: essa forma de rito não depreendia uma idade ou ocasião específica, e nem ao menos uma cerimônia específica. Poderia acontecer a qualquer momento da vida, por acaso ou por escolha própria, e tinha um cunho de transformação de personalidade mais profundo, geralmente associado a uma missão a cumprir, após a iniciação. O caráter de morte e renascimento nesses ritos era profundamente marcado. Vê-se tal caráter em diversas lendas de heróis mitológicos, como, por exemplo, no mito egípcio de Osíris, que possui todas as características associadas ao processo das iniciações míticas. Osíris era uma divindade civilizadora - a ele era atribuída a invenção da escrita e o desenvolvimento da agricultura. No mito, seu corpo é despedaçado e espalhado por todo o Egito; em seguida sua esposa Ísis empreende uma longa busca pelos seus pedaços, e reúne-os para que ele gere com ela seu filho Hórus, que irá prosseguir seu trabalho civilizador. Há de se notar que Ísis, além de esposa, era irmã de Osíris, ou seja: a idéia é que os dois, na verdade, eram duas faces distintas de uma mesma pessoa. Osíris representa o aspecto de nossos conhecimentos prévios que hão de ser desfeitos, ao passo que Ísis representa a parte de nós que realiza a busca e a reconstrução. Note-se, também, que Osíris (o conhecimento), após ser reconstruído, não permanece existindo, mas apenas cumpre a função de gerar em Ísis um novo ser, filho da fusão entre as duas partes. A mensagem, portanto, é: aquele que busca o conhecimento deverá morrer (perder a individualidade, desfazer-se), recolher suas partes através de um árduo e longo trabalho e, por fim, transformar-se em um novo ser, com uma missão a cumprir. O Significado das Iniciações no Paganismo O termo iniciação tem sido bastante mal compreendido dentro do paganismo atual. Confunde-se iniciação com "início", e muitos julgam que a iniciação seria uma espécie de cerimônia de admissão em certas vertentes do paganismo. Contrapõe-se a figura do iniciante à do iniciado, o que é correto apenas em parte. Na realidade, há de se encarar o paganismo, se não como uma religião (já que essa palavra geralmente implica dogma e sistematização), pelo menos como uma forma de manifestação da religiosidade natural do ser humano. Dessa maneira, não faria sentido um ritual específico para que uma pessoa pudesse praticá-lo, da mesma maneira que nenhuma condição é pré-estabelecida para que alguém frequente uma igreja. Por um outro lado, para a maioria das pessoas, adotar essa forma pagã de religiosidade significa romper, de qualquer maneira, com velhos dogmas e sistemas, ou seja: é uma forma de passagem. Já que a própria concepção pagã, como descrevemos no início deste texto, preconiza a marcação das passagens com celebrações específicas, a idéia da existência de uma cerimônia de iniciação (ou várias) estaria portanto justificada.
  4. 4. O que se vê, no entanto, não é isso. A idéia da iniciação, por ser mal compreendida, é comumente descrita como uma espécie de ritual mágico, que pode ser realizado sozinho e que transformaria as pessoas em bruxos. Isso é, pura e simplesmente, uma deturpação da idéia. O rito de passagem tem suas próprias funções, como vimos: ele marca transições, marca o assumir de novos hábitos e responsabilidades e marca a aceitação de uma pessoa por um determinado grupo. Não se poderia esperar, no entanto, que essas transformações fossem efetivadas sem uma preparação específica. Voltando às sociedades tribais, podemos observar que os jovens, no decorrer de sua vida, são constante e cotidianamente preparados para os momentos de seus ritos de passagem. Apenas como exemplo, o futuro caçador passa por vezes anos acompanhando os grupos de caça, assumindo funções progressivamente mais importantes nesses grupos, até finalmente chegar a abater, sozinho, a sua primeira presa. Quando isso acontece, ele passa pela cerimônia que marca a sua aceitação pelo grupo dos caçadores, tendo provado que é digno de fazer parte desse grupo. Assim, a idéia de uma cerimônia de iniciação dentro do paganismo, se admitida como necessária, há de ter essas mesmas características. Passar por essa cerimônia significa que o iniciado adquiriu conhecimento e prática, e por isso mesmo tornou-se digno de fazer parte de um grupo. Logo, isso não pode ser nem um ato prévio nem um ato solitário. É incongruente tanto dizer-se que novas atitudes serão assumidas sem que tenhamos nos preparado para isso, quanto nos admitirmos num "grupo" do qual apenas nós fazemos parte. As Jornadas Iniciáticas Uma vez compreendido que a iniciação é o resultado de um processo mais ou menos longo de compreensão, conhecimento e prática, que leva a uma mudança de status pessoal por marcar uma mudança de hábitos; que ela é a culminância de um processo e não o processo em si, há de se entender como esse processo se dá. Um processo de iniciação é um processo de trabalho da personalidade, que envolve, como dissemos, a desconstrução de padrões pré-estabelecidos e a construção de novos padrões, que passarão a nortear a nossa conduta e existência. Vemos uma representação desse processo nos arcanos maiores do tarô: cada um deles representa um passo, um degrau, um conhecimento específico que se deve adquirir, ao longo de um caminho iniciático. Esse caminho é, no tarô, percorrido pelo Louco, que justamente por isso é o arcano sem número, podendo se encontrar, portanto, em qualquer uma das posições, ou estágios do caminho. O Louco representa a própria desconstrução. Consideramos louco tudo aquilo que não é estruturado, tudo aquilo que é, de certa forma, caótico ou vazio. No entanto, a real estruturação apenas pode surgir do caos; caso contrário, o que se dá é apenas uma reformulação, ou mesmo apenas um ajuste. É emblemática a frase que surge em praticamente todas as cosmogonias, com ligeiras variações: no princípio era o caos.
  5. 5. Uma jornada iniciática não pode partir de preceitos estabelecidos. Muito pelo contrário: ela deve começar justamente pela eliminação de todo e qualquer conceito que possa, de alguma forma, direcionar ou influenciar o caminho de quem se propõe a empreendê-la. Note-se que o Louco se encontra, justamente, à beira do abismo. O próximo passo, que ele já começou a dar, o lançará no desconhecido, sem nenhum ponto de apoio, deixando para trás tudo aquilo que é sólido. Lançar-se no abismo (domínio do Ar e, portanto, dos inícios) significa, também, mergulhar na própria consciência, ir ao fundo de si mesmo, atirar-se ao fundo do poço de nossa personalidade. Ao atingirmos o fundo do poço, só existe um caminho de saída: para cima. Logo, apenas ao atingi-lo poderemos empreender a escalada; construir, degrau por degrau, a escada que nos levará das profundezas escuras de volta ao Sol, para que possamos, novamente, ver o Mundo. Esse é, portanto, o teor da jornada iniciática, da qual a cerimônia de iniciação, o rito de passagem, marca simplesmente a culminância do processo. Por isso mesmo, em sua celebração, o rito busca reprisar os episódios da jornada, refazer a desconstrução e reconstrução da personalidade, representar em momentos aquilo que, por vezes, levou anos. No decorrer de nossa vida, podemos passar por diversos processos desse tipo, conscientes ou não, orientados ou não. O final de cada um desses processos é apenas o início do próximo. Um exemplo disso nos é dado pela própria vida, a grande jornada iniciática em si, que encerra todo o processo cíclico de nascimento, aprendizagem, morte e renascimento. Somos matéria bruta ao nascermos e, ao longo dos anos, adquirimos o conhecimento que nos dá, na velhice, a clara visão do mundo, tão decantada como a sabedoria que surge com a idade. O próximo passo, no entanto, é novamente o mergulho no abismo, no
  6. 6. As alegorias do livro de Jó • O mito era o método favorito e universal de ensinar nos tempos arcaicos. • "O Mito é o pensamento não-manifestado da alma. O traço característico do mito é converter a reflexão em história (uma forma histórica). Como na epopéia, também no mito predomina o elemento histórico. Os fatos (os eventos externos) constituem freqüentemente a base do mito e neles se entretecem as idéias religiosas." • Toda a alegoria de Jó é um livro aberto para quem compreende a linguagem pictórica do Egito, tal como ela está registrada no Livro dos mortos. Na Cena do Julgamento, Osíris aparece sentado em seu trono, segurando em uma das mãos o símbolo da vida, "o garfo da atração", e, na outra, o leque báquico místico. Diante dele estão os filhos de Deus, os quarenta e dois assessores dos mortos. Um altar está imediatamente diante do trono, coberto de oferendas e rematado pela flor do lótus sagrado, sobre a qual se podem ver quatro espírito. Na porta de entrada, permanece a alma que está prestes a ser julgada, a quem Thmei, o gênio da Verdade, está recebendo a conclusão da provação. Thoth, segurando um junco, registra os procedimentos no Livro da Vida. Hórus e Anubis, diante da balança, inspecionam o peso que determina se o coração do morto equilibra ou não o símbolo da verdade. Num pedestal está um prostituta - o símbolo do Acusador. • A iniciação nos mistérios, como todas as pessoas inteligentes sabem, era uma representação dramática das cenas do mundo subterrâneo. Assim se desenvolve a alegoria de Jó. • Vários críticos têm atribuído a autoria desse livro a Moisés. Mas ele é mais antigo do que o Pentateuco. • Satã é chamado no texto de um "Filho de Deus", membro do conselho que se apresenta diante de Deus, a quem induz a tentar a fidelidade de Jó. Nesse poema, mais claramente do que em qualquer outro lugar, vemos corroborado o significado da denominação Satã. É um termo para o ofício ou o caráter de acusador público. Satã é o Typhon dos egípcios, que grita suas acusações no Amenti; um ofício tão respeitável quanto o do promotor público em nossa época; e se, apesar da ignorância dos primeiros cristãos, ele se tornou posteriormente idêntico ao Diabo, isso não se faz com a sua conivência. • O Livro de Jó é uma representação completa da iniciação antiga e das provas que geralmente precedeu tão agusta cerimônia. O neófito se vê privado de tudo a que dava valor e afligido por uma doença abominável. Sua esposa o exorta a amaldiçoar Deus e a morrer; não há mais esperança para ele. Três amigos aparecem em cena para visitá-lo; Elifaz, o temanita culto, pleno do conhecimento "que os sábios receberam dos seus pais (...) as únicas pessoas a quem a terra foi dada"; Baldad, o conservador, que toma as coisas como elas vêem e que opina que a aflição de Jó é conseqüência de suas culpas; o Sofar, inteligente e habilidoso em "generalidades", mas de sabedoria superficial. Jó responde corajosamente: "Se eu errei, meu erro ficará comigo. Vós vos engrandeceis e me argüis com as minhas calamidades; mas foi Deus quem me aniquilou. (...) Por que me perseguis e não estais satisfeitos com minha carne destruída? Mas eu sei que meu Paladino vive e que num dia futuro ficará no meu lugar; e embora minha pele e tudo que a rodeia sejam destruídos, mesmo sem minha carne eu verei Deus. (...) Vós direis: `Por que o molestamos?', pois a raiz da matéria está em mim!"
  7. 7. • Essa passagem, como todas as outras em que se poderia encontrar alusões mais tênues a um "Paladino", "Libertador" ou "Vindicador", foi interpretada como uma referência direta ao Messias; além disso, esse versículo está traduzido da seguinte maneira nos Septuaginta: • "Pois eu sei que é eterno • Aquele que há de me libertar na Terra • Para restaurar esta minha pele que sofre estes males" etc. • Na versão do rei James, como foi traduzida, ela não guarda semelhança alguma com o original. Tradutores artificiosos deram "Eu sei que meu Redentor viverá", etc. E os Septuaginta, a Vulgata e o original hebraixo devem ser considerados como a inspirada Palavra de Deus. Jó refere-se a seu próprio espírito imortal que é eterno e que, quando viu a morte, o libertará desse pútrido corpo terreno e o vestirá com um novo revestimento espiritual. Nos Mistérios báquicos e eleusinos, no Livro dos mortos egípcios e em todas as outras que tratam de assuntos ligados à iniciação, esse "ser eterno" tem um nome. Para os neoplatônicos era o Nous, o Augoeides; para os budistas é Agra; e, para os persas, Feroher. Todos eles são chamados de "Libertadores", "Paladinos", "Metatrons", etc. Nas esculturas mítricas da Pérsia, o feroher é representado por uma figura alada que volteia no ar sobre seu "objeto" ou corpo. É o Eu luminoso - o Âtman dos hindus, nosso espírito imortal, o único que pode redimir nossa alma, e o fará, se o seguirmos em vez de sermos arrastados pelo nosso corpo. Portanto, nos textos caldaicos, lê- se "Meu libertador, meu restaurador", isto é, o Espírito que restaurará o corpo decaído do homem e o transformará numa vestimenta de éter. E é esse nous, augoeides, Feroher, Agra, Espírito dele mesmo, que o triunfante Jó verá sem sua carne - isto é, quando tiver escapado da sua prisão corporal -, e ao qual os tradutores chamam "Deus". • Não só existe a mínima alusão no poema de Jó a Cristo, como também se provou que todas as versões feitas por tradutores diferentes, que concordam com a do rei James, foram escritas com base em Jerônimo, que tomou estranhas liberdades em sua Vulgata. Ele foi o primeiro a enxertar no texto esse versículo de sua própria criação: • "Eu sei que meu Remidor vive, • E que no último dia eu me erguerei da terra, • E serei novamente recoberto de minha pele, • E em minha carne verei meu Deus". • Tudo o que lhe deve ter parecido uma boa razão para crer que ele o sabia, mas que outros não sabiam, e que, além disso, encontravam no texto uma idéia bastante diferente - isso só prova que Jerônimo decidira, com mais uma interpolação, reforçar o dogma de uma ressurreição "no último dia", e com a mesma pele e os mesmos ossos que possuía na terra. Trata-se na verdade de uma agradável perspectiva de "restauração". Por que não ressuscitar também com as mesmas roupas com que o corpo morre? • E como poderia o autor do Livro de Jó saber algo do Novo Testamento quando ignorava o Velho? Há uma ausência total de alusões a qualquer um dos patriarcas; foi sem dúvida obra de um Iniciado, pois que uma das três filhas de Jó recebeu um nome mitológico decididamente "pagão". O nome Keren happuch é traduzido de varas maneiras. Na Vulgata tem "chifres de antimônio"; e em LXX tem "chifre de Amalthea", a preceptora de Júpiter e uma das constelações, emblema de "chifre da plenitude". A presença no Septuaginta dessa heroína de fábula pagã mostra a ignorância dos transcritores em relação ao seu significado, bem como da origem esotérica do Livro de Jó. • Em vez de oferecer consolo, os três amigos do sofrido Jó tentam fazê-lo acreditar que merece sua desventura como uma punição por algumas transgressões extraordinárias que praticou. Respondendo veementemente a todas essas imputações, Jó jura que, enquanto tiver alento, manterá a sua causa.
  8. 8. • Os três haviam tentado confundir Jó com alegações e argumentos gerais e ele lhes solicitou uma consideração dos seus atos específicos. Então surgiu o quarto: Eliú, o filho de Baraquel, o buzita, da estirpe de Ram. • Eliú é o filho do hierofante; começa com uma repreensão e os sofisma de Jó se desvanecem com a areia que o vento do oeste leva. • "E Eliú filho de Baraquel, disse: `Os grandes homens nem sempre são sábios (...) há um espírito no homem; o espírito que está em mim me constrange. (...) Deus fala uma vez, uma segunda, embora o homem não perceba. Num sonho; numa visão noturna, quando o sono profundo cai sobre o homem, em cochilos na cama; então ele abre os olhos dos homens e lhes dá suas instruções. Ó Jó, ouve-me; cala-te e eu te ensinarei a SABEDORIA." • E Jó diante das falácias dogmáticas de seus três amigos, no amargor do deserto, exclama: "Não há dúvida de que vós sóis o povo e a sabedoria morrerá convosco. (...) Todos vós sóis uns cosoladores miseráveis. (...) Certamente falarei ao Todo-poderoso e com Deus desejo conversar. • Enquanto o neófito se satisfazia com sua própria sabedoria mundana e irreverente compreensão da Divindade e Seus desígnios e enquanto dava ouvidos às sofisticarias perniciosas dos seus conselheiros, o hierofante se mantinha calado. Mas, quando essa mente ansiosa estava pronta para os conselhos e as instruções, sua voz se fez ouvir e ele fala com a autoridade do Espírito de Deus que o "constrange": • "Certamente Deus não ouvirá em vão, nem o Todo-poderoso verá as causas de cada um. (...) Ele não respeitará aqueles que se dão por sábios". • Magnífica lição para o pregador da moda, que "miltiplica palavras sem conhecimento"! Esta magnífica sátira profética deve ter sido escrita para prefigurar o espírito que prevalece em todas as denominações dos cristãos. • Jó escuta as palavras de sabedoria e então o "Senhor" responde a Jó "fora do redemoinho" da Natureza, a primeira manifestação visível de Deus: "Pára, Jó, pára! e considera as maravilhosas obras de Deus; só por meio delas podes conhecer Deus. `Com efeito, Deus é grande, e não o conhecemos', Ele que `faz pequenas as gotas d'água; mas elas vertem segundo o vapor"; não segundo o capricho divino, mas segundo leis estabelecidas e imutáveis; lei que "transferiu os montes e não é conhecida por eles; que move a terra; que ordena ao Sol e o Sol não nasce; e que selou as estrelas; (...) que faz coisas grandes e incompreensíveis, e maravilhosas, que não têm número. (...) Se ele vier a mim, eu não o verei; e se for, eu não o perceberei!" • Então, "Quem é este que obscurece os conselhos com palavras desprovidas de conhecimento?", diz a voz de Deus por meio de Seu porta-voz -, a Natureza. "Onde estava tu quando eu lançava os fundamentos da terra? dize-mo, se é que tens compreensão. Quem deu as medidas para ela, se é que o sabes? Quando os astros da manhã contavam todos juntos, e quando todos os filhos de Deus estavam transportados de júbilo? (...) Estavas presente quando eu disse aos mares: `Até aqui podes vir, mas além daqui; até aqui tuas orgulhosas ondas poderão rolar'? (...) Sabes quem obriga a chuva a cair sobre a terra, onde não havia homem algum; no deserto, onde não havia homem algum? (...) Acaso poderás reunir as doces influências das Plêiades ou impedir a evolução de Orion? (...) Poderás enviar os raios, que possam ir e vos dizer `Aqui estamos'?" • "Então Jó respondeu ao Senhor." Ele compreendeu quais são os seus caminhos e os seus olhos estão abertos pela primeira vez. A Sabedoria Suprema desceu sobre ele; e, se o leitor ficar confuso diante deste PETROMA final da iniciação, pelo menos Jó, ou o homem "afligido" em sua cegueira, entendeu então a impossibilidade de caçar "Leviatã cravando-lhe um arpão no nariz". O Leviatã é a CIÊNCIA OCULTA, em que se pode pôr a mão, "não mais do que isso", e cujo poder e cuja "proporção conveniente" Deus não quer esconder.
  9. 9. • "Quem pode descobrir a superfície de sua vestimenta? e quem entrará no meio da sua boca? Quem pode abrir as portas do seu rosto? Em roda dos seus dentes está o seu orgulho, e eles estão selados. O seu espirro é resplendor do fogo e os seus olhos como as pestanas da aurora". Que "faz brilhar uma luz atrás de si", para que se aproxime dele os que não têm medo. E então eles também verão "todas as coisas altas, pois ele é rei apenas sobre todo os filhos da soberba". • Jó, agora à guisa de retratação, responde: • "Eu sei que podes todas as coisas, • E que nenhum pensamento se te esconde. • Quem é este que fez uma exibição de sabedoria arcana • Sem nada saber dela? • Por isso falei sobre o que não compreendia • Coisas que estavam acima de mim, as quais não conhecia. • Ouve! suplico-te e eu falarei; • Perguntar-te-ei, e me responderás: • Eu te ouvi com meus ouvidos, • E agora te verei com meus olhos, • Por isso me repreendo a mim mesmo, • E me penitencio no pó e na cinza?" • Ele reconheceu seu "paladino" e se converteu de que havia chegado a hora da sua vindicação. Imediatamente o Senhor ("os sacerdotes e os juizes", Deuteronômio, XIX, 17) disse aos seus amigos: "Minha ira se voltou contra ti e contra teus dois amigos, porque não me haveis falado retamente diante de mim, como meu servo Jó . Então "o Senhor voltou-se para a penitência de Jó" e "lhe deu em dobro tudo quanto ele havia tido". • Assim, no julgamento [egípcio], o morto invoca quatro espíritos que residem no Lago de Fogo e é purificado por eles.
  10. 10. Cerimonia de Maior Idade
  11. 11. A Maioridade na Antiga Hélade
  12. 12. O que é Hélade Hélade Definições da Web antigo nome da região hoje conhecida como Grécia http://pt.wiktionary.org/wiki/Hélade
  13. 13. • • • A primeira percepção que recebemos quando estudamos os antigos ritos de passagem helênicos para a idade adulta é a maneira intricada, sutil e equilibrada na qual as estruturas da vida cívica, social, familiar e religiosa eram integradas umas com as outras. É possível que isso seja devido a essa abordagem civilizada e receptiva à estrutura e à ordem dentro de cada faceta da vida helênica de que específicos ritos de passagem eram necessários para desenvolver as qualidades essenciais para assimilar uma jovem pessoa dentro de uma bem-sucedida vida adulta. A abordagem antiga à proximidade dos Deuses em todos os aspectos da vida e do mundo endossava estruturas cívicas, sociais e familiares com uma natureza sagrada que está tristemente perdida no mundo moderno. Os papéis da idade adulta eram reflexões santificadas da natureza e todos eram esperados de assumir o jugo do mundo adulto no devido tempo, na época apropriada. Porém, para aceitar esse fardo da responsabilidade e deveres adultos, requeria-se maturidade. • • Os antigos Helenos pareciam entender que a maturidade não é uma consequência natural nem de puberdade fisiológica nem da culminação da educação de alguém [como é a ideologia do mundo moderno]. A maturidade surge da aceitação da estrutura e das responsabilidades e deveres inerentes que são parte de preservar, continuar e avançar tal estrutura. • • Os ritos de passagem associados com a maioridade e aceitação da responsabilidade adulta são, portanto, os rituais e procedimentos que preparam um adolescente para isso e assim catalisam a maturidade necessária para emocionalmente, intelectualmente e espiritualmente aceitar as consequências naturais de alcançar a maturidade sexual. • • Muitos desses ritos associavam a transição da infância à idade adulta com a transição da vida à morte. Tornar-se um adulto é a morte da criança. Aceitar responsabilidades e deveres adultos é a morte da vida que conhecíamos e amávamos como crianças. A maturidade é a morte da existência puramente física da infância e a transição para um mundo profundo de espírito, intelecto e emoção. O sucesso desses ritos de passagem dependia inteiramente de o quão pronta a criança estava para aceitar a maturidade em doses uniformes por um período de tempo. • • É importante notar que não havia uma clara diferenciação social ou de gênero (além da simbólica) entre crianças pequenas macho e fêmea. As distinções de gênero só eram introduzidas pela puberdade na Atenas iônica e na Esparta dórica, na idade de sete anos, devido aos programas cívicos separados desenvolvidos para meninos e meninas. As razões para isso são simples; indiferente de região ou tribo, havia um reconhecimento cívico e societário de que meninos e meninas amadureciam em idades diferentes e de formas diferentes. Isso é evidente na estrutura familiar, social e cívica, que representa a aceitação da maturidade feminina acontecendo a uma idade bem anterior do que sua contraparte masculina. Uma garota era considerada pronta para gerar filhos e criar seus pequenos durante a adolescência, enquanto um garoto só era considerado um adulto completo pronto para ter sua própria família por volta da idade de trinta anos ou mais. •
  14. 14. • • A tendência moderna a homogeneizar o desenvolvimento de gêneros é antiética à abordagem helênica antiga. Os papéis de gênero e as funções do adulto eram extremamente bem definidas e delineadas na antiga família helênica, no ambiente social e dentro do estado. Níveis avançados de maturidade eram necessários para qualquer adolescente aceitar seu novo status adulto graciosamente. Os desejos individuais eram secundários à primazia da família, da tribo e do estado. Os conceitos religiosos e filosóficos de virtude e ética ecoavam, clarificavam e refinavam a concepção da maturidade [e do autocontrole] necessária para viver uma boa vida dentro da estrutura cívica e social. • Por isso, a ideologia que apoia os ritos de passagem não pode ser vista fora do contexto da estrutura familiar, social e cívica da época. Compreender isso nos oferece uma percepção maior das antigas filosofias helênicas assim como das ideias relativas à virtude e ética de indivíduos e estado, e da importância de um bem maior e beneficente ao definir papéis e funções familiares, sociais e cívicos. Nem a filosofia nem a religião podem ser propriamente entendidas sem o contexto da estrutura da cultura helênica antiga. • • A morte da criança e o nascimento do novo adulto é um processo gradual que é realizado peal aceitação de certos papéis, deveres e responsabilidades dados a idades específicas que não foram determinados pelas necessidades ou desejos do adolescente individual, mas sim por expectativas da família e pelos costumes sociais, reforçados pela lei cívica. O chamado da ética filosófica pelo controle de desejos individuais pelo bem de algo maior pode ser mais bem compreendido com o contexto do sistema de valores social e cívico. A virtude helênica é simultaneamente trazida em perspectiva como aquela que serve tanto ao bem maior do Estado helênico e do povo helênico quanto às unidades familiares coletivas e individuais dentro de uma tribo ou região. Dentro desse contexto, a filosofia é o exame da verdadeira natureza humana e da compreensão, aceitação e avanço disso. Remover a filosofia e ideologia helênicas do contexto do ‘Hellenismos’ (cultura e povo helênicos antigos) é, portanto, perder a função e o propósito de tal filosofia. • • Nunca se pretendeu que a questão da aceitação da maturidade em nome do bem individual e coletivo significasse o subjugo do indivíduo pelo bem de algum ideal humanitário global. Seu objetivo principal era a promoção da aceitação intelectual do benefício da maturidade [e, assim, da razão] tanto para o individual quanto para o coletivo, dentro de uma estrutura social e cívica locais. • • O gênero trágico do teatro está intimamente relacionado ao conceito do herói de culto ancestral e histórico. Muitas das tragédias ilustram a transição de um status individual do herói de um estado a outro. Um tema comum dessas transições de status do gênero trágico ilustram as consequências da não aceitação da ordem natural da vida e o sofrimento resultante que ocorre devido à falta de completude do rito de passagem para a maturidade e a vida adulta. •
  15. 15. • Os trabalhos que sobreviveram relativos à transição do status da infância à idade adulta exemplificam os procedimentos costumeiros e rituais da transição bem-sucedida, assim como as consequências de uma transição malsucedida. O estudo desses textos oferece uma compreensão criteriosa dentro da estrutura genérica dos ritos de passagem em geral. • • • Parte Um: Ritos Gerais de Passagem • • a. Geracional e Fases de Passagem • • Para identificar o valor das sutilezas dos ritos de passagem dos antigos Helenos, é útil ter um entendimento básico dos elementos primários do que abrange um rito de passagem em geral. As cerimônias que marcam esses acontecimentos memoriais na vida e as ideologias que os apoiam são os costumes que corporificam a aplicação prática do sistema de valores de não apenas da família, tribo e Estado, mas também da própria religião. • • Os elementos rituais e os axiomas ou doutrinas que eles incorporam e expressam são, primeiro de tudo, os procedimentos para reconhecer ou catalisar uma mudança para o status de um indivíduo no mundo. • • Há três maiores acontecimentos memoriais na vida de qualquer pessoa: nascimento, maturidade e morte. Essas fases da vida formam a base para uma série de rituais que introduzem um indivíduo dentro os papéis e responsabilidades necessários ao crescimento e progressão naturais. Em essência, esses ritos de passagem se consistem de um grupo de rituais altamente criteriosos baseados no reconhecimento pragmático da verdadeira natureza do masculino e feminino da espécie humana. Esses costumes e valores ritualizados são raramente completados em uma única cerimônia, mas antes são constituídos de uma coleção de ritos que são executados a vários estágios de desenvolvimento dentro de um papel particular. • • Todos esses ritos de passagem são baseados no simples e importante axioma de que ‘cada geração é uma continuação da geração anterior’. Essa verdade essencial é amparada por muitos dos mitos e ensinamentos da religião helênica. A passagem geracional acontece em cinco níveis diferentes embora interconectados:
  16. 16. • • A continuação da espécie humana; • • A continuação de um Oikos (lar, linhagem e riqueza familiar); • • A continuação da tribo; • • A continuação do estado (e da identidade cívica); • • A continuação da psique (alma). • • Cada rito de passagem consiste de três diferentes fases de passagem ou mudança, que ocorre em uma ordem específica e de acordo com uma antiga fórmula para catalisar a transformação do status de um indivíduo de um estágio de desenvolvimento a outro. Qualquer uma das fases de passagem pode consistir de um ou mais rituais e costumes planejados para auxiliar o indivíduo a aceitar a mudança graciosamente e integrá-la positivamente dentro de suas vidas. Os ritos de passagem são diferentes das iniciações rituais voluntárias porque eles refletem e expressam os processos naturais e inevitáveis da vida. • • Essas fases de passagem são: • • 1. Separação: Os ritos de separação forma a primeira fase de qualquer rito de passagem. • Esses rituais e ensinamentos são planejados para marcar ou começar o processo de separação de um estado particular de ser ou de um status particular na vida. Os ritos marcam o final de uma fase da vida e abrem o indivíduo para o novo papel e responsabilidades que são uma consequência do marco que eles alcançaram. Nenhum rito de passagem está completo nem é bem-sucedido até que o indivíduo tenha sido devidamente separado do seu estado anterior de existência. • 2. Transição: (Também conhecido como a fase liminar). Essa fase de qualquer rito de passagem literalmente se refere aos inícios, fronteiras, bordas e limites de construções binárias. • Uma construção binária se refere a qualquer sistema que usa duas situações ou condições alternativas. Portanto, a fase liminar de qualquer rito de passagem consiste dos costumes rituais que informam, desenvolvem e tornam possível a transição de um indivíduo a um novo estado de ser. • 3. Incorporação: A fase final de qualquer rito de passagem consiste dos rituais designados a incorporar e integrar o indivíduo em seu novo papel, completo com funções e responsabilidades aperfeiçoadas. •
  17. 17. • A passagem geracional e as três fases de passagem podem ser encontradas em ritos de passagem de todas as fases da vida (nascimento, maturidade e morte) de uma maneira significativa, e o tema principal delas é a 'Anthropopoeis' ou 'o ato de fazer/tornar-humano'. Isso é realizado pelo desenvolvimento do indivíduo através da conservação e herança da genealogia, cultura, costumes, cidadania e religião do seu coletivo. • • b. As Fases de Passagem para a Idade Adulta • • Os ritos associados com o alcançar a puberdade, desenvolver a maturidade e assumir os papéis e responsabilidades da idade adulta participam da passagem geracional da seguinte maneira: • • Na continuidade da espécie humana através da maturidade sexual e do processo de procriação; • • Na continuidade do Oikos (lar) através: a) da perpetuação de uma linhagem genealógica através do casamento e produção de uma prole legítima, e b) da preservação de um lar ou prosperidade familiar através do rito de nascimento de um herdeiro; • • Na continuidade da tribo através da aceitação dos jovens adultos como membros da tribo em pleno funcionamento; • • Na continuidade do estado (e identidade cívica) através: a) do ato de tornar-se cidadão do estado, b) de proprietários de terras que pertencem à jurisdição do estado, c) de pais de futuros cidadãos, e d) de protetores do estado em tempos de guerra; • • Na continuidade da psyche (alma) através: a) da participação no processo procriativo e na produção de crianças, e b) no comprometimento cívico de uma maneira virtuosa e benéfica que desenvolva e refine a alma. • • Os costumes e rituais dos ritos de passagem para a vida adulta participam nas três fases de passagem da seguinte maneira: • • 1. Separação: Cada rito de passagem para a idade adulta (maturidade sexual, aceitação tribal, casamento, cidadania, herança e serviço militar) tem um elemento da fase de separação dentro dos seus procedimentos e costumes. Cada faceta da vida adulta a que uma jovem pessoa deve se submeter, e assumir deveres e responsabilidades por ela, separa-lhe um pouco mais da sua infância. A maturidade sexual é a primeira e a mais significativa dessas fases de separação, uma vez que o estado do corpo da criança passa por uma transição física para a idade adulta. A aceitação tribal também age como um rito de separação no qual o jovem adulto se afasta da sobrepujante influência da família e entra no ambiente tribal, onde a sua própria individualidade será desenvolvida pela influência de pessoas de fora da sua família imediata.
  18. 18. • O casamento requer uma fase de separação para a noiva, que deve se separar de sua família para se tornar uma parte inteira do oikos (lar) do seu marido. Da mesma forma que as noivas são separadas de suas famílias pelo casamento, os jovens rapazes são separados de seus lares para assumir seus deveres militares. Tornarem-se cidadãos é tanto um ato de separação como de incorporação no qual se destaca o jovem adulto da irresponsabilidade e liberdade concedidas às crianças. O ato de separar o jovem adulto da sua infância é crucial para desenvolver maturidade e aceitar responsabilidades. A separação da criança da sua família, portanto, é também a liberação do novo adulto dentro da autonomia e senso de dever necessários a ser incorporado com êxito ao mundo adulto. Em um sentido religioso, esses ritos de separação incluem a partida dos Deuses que presidem a infância. A separação dos garotos e garotas adolescentes um do outro é também significante, já que esse é o rito de separação que irá também ser resolvido através da reincorporação dos homens e mulheres através do casamento. • 2. Transição: A passagem transicional da infância para a idade adulta se refere à deliberada e mensurada transferência de poder da família para o jovem adulto. O rito inteiro de passagem para um garoto irá começar por volta dos quatorze anos e continuar até que ele esteja com aproximadamente trinta ou trinta e cinco anos. Enquanto as fases de transição masculinas podem ser medidas em idade, o rito de passagem para as garotas é determinado pela ocorrência de eventos. Os ritos de transição femininos começam com a transformação da puberdade, desenvolvem-se com as mudanças necessárias para adaptar-se à vida de casada (e a um novo lar) e culminam com a transição para a maternidade. Depois de gerar suas primeiras crianças, as jovens mulheres são percebidas como tendo completado plenamente seu potencial feminino e lhes é concedido o status de adulta completa. Tanto para garotos quanto para garotas, os rituais de transição são eventos que lhes introduzem em seus novos papéis em épocas determinadas: a) pelo crescimento natural; b) pelo alcance de uma idade prescrita; ou c) pelo destino. Os rituais que acompanham esses ritos introduzem os jovens adultos nos grupos sociais que preservam e continuam aspectos particulares da estrutura da sociedade adulta tanto no contexto familiar quanto no cívico. Os ritos de transição marcam os acontecimentos memoráveis de mudança da criança para o adulto, assim como degraus da escada da juventude para a maturidade. • 3. Incorporação: A incorporação dos jovens adultos para seus novos grupos de iguais provém os adolescentes com guias e modelos de papéis experienciados para serem assimilados com êxito dentro de seus novos papéis. A passagem de incorporação primeiramente toma a forma de rituais que dão as boas-vindas ao adolescente dentro de seu novo status de adulto, embora sejam as experiências aprendidas de suas novas identidades e papéis na vida real que irão provar serem seus agentes últimos de maturidade. Essas experiências e papéis específicos de gênero auxiliam os jovens adultos a negociar a reincorporação da sociedade masculina e feminina que acontece pelo casamento. • • As funções, os ritos de 'maioridade' e o agente de maturação da experiência e tempo não são apenas o processo de 'formar seres humanos', mas são mais especificamente os costumes que transformam os garotos e garotas em homens e mulheres helênicos. • •
  19. 19. • Parte Dois: Os Ritos Históricos de Passagem para a Idade Adulta • • Ritos são passados de geração a geração e objetivam preparar uma criança que entra nas suas identidades adulta e cívica ao cultivo das qualidades masculinas e femininas e às funções dentro de suas psiques. Essas qualidades irão transformar as faculdades espirituais, intelectuais e emocionais dos adolescentes que, por sua vez, irão suportar as mudanças biológicas ocorrendo dentro de seus corpos. Os costumes masculinos e femininos são diferentes uma vez que a anatomia, os papéis, as funções, as responsabilidades e deveres de homens e mulheres adultos diferiam tanto na família quanto no estado. Porém, apesar das diferenças nos rituais, a formula básica para o rito de passagem (passagem geracional e as três fases da passagem) é preservada dentro tanto dos ritos masculinos quanto os ritos femininos de maioridade. • • É importante notar que o objetivo de qualquer rito de maioridade é suprir a criança com toda a informação e guia necessários à realização: a) delas mesmas como homens ou mulheres adultos (ou seja, desenvolvendo qualidades espirituais, intelectuais e emocionais masculinas e femininas apropriadas); b) de seus papéis dentro da futura unidade familiar seja como maridos, genros e pais, seja como esposas, noras e mães; c) de seus papéis dentro da tribo para garantir a continuação das linhagens e costumes tribais, assim como o direito de tribos específicas de possuir e governar sua terra ancestral; d) de seus papéis dentro do estado como cidadãos; e e) de seus papéis como membros adultos da religião através da aceitação de orientação espiritual dos Deuses que presidem sobre seus novos papéis e cuja influência irá auxiliá-los em aceitar o destino assinalado a eles pela lei natural. • • Esses ritos de maturidade funcionam simultaneamente como uma fase de passagem para os pais do jovem adulto que deve transitar para dentro de seus novos papéis como sogros e avós. O despertar disso é um fator importante em garantir a distância, a liberdade e a responsabilidade naturais que um pai deve proporcionar a um jovem adulto que busca estabelecer a si mesmo como cidadão com a sua própria família. Devido à natureza geracional desses ritos, é responsabilidade de cada geração prover a orientação necessária para as próximas e futuras gerações. •
  20. 20. • Os Ritos Femininos de Passagem para a Idade Adulta. • • • Ao começo da menstruação, começam os ritos de passagem à idade adulta para as garotas do mundo antigo. O status de mulheres adultas nas várias cidades-estados tinha uma influência muito grande em determinar a forma do papel ideal e as funções femininas na família, sociedade e dentro da estrutura cívica. A função natural e o propósito da feminilidade eram divinamente prescritos como aqueles de esposa e mãe das futuras gerações. Por isso, o treino matriarcal e a preparação para a idade adulta estava de acordo com as expectativas religiosas, sociais e cívicas para as mulheres dentro da estrutura das leis e dos sistemas de valores de qualquer cidade-estado ou região em particular. • • Onde a linhagem e a estirpe eram altamente valorizadas por uma tribo que governava uma região, os ideais de feminilidade domesticada passiva predominavam, e as mulheres estavam mais inclinadas a ser limitadas na sua liberdade cívica. Em outras regiões, onde a força e o heroísmo eram valores cívicos primários da tribo, as mulheres eram educadas e treinadas de uma maneira igual a suas contrapartes masculinas, embora com uma função cívica e social diferente. Assim, nenhum rito feminino de passagem no mundo antigo pode ser visto sem o contexto do status cívico e social das mulheres em uma região em particular e durante períodos específicos do tempo. Tal como com os homens, os ideais e valores do estado e/ou da tribo em qualquer dado momento ditavam e determinavam a natureza dos ritos de passagem da infância para a maturidade. Ainda assim, apesar dos detalhes específicos do papel e função das mulheres nas várias regiões, a fórmula e o propósito básicos de um rito de passagem permaneciam os mesmos. • • Da puberdade até a época de seu casamento, uma garota era chamada de ‘Parthenos’ para indicar seu status como virgem ou donzela. O status da virgindade era o primeiro rito de separação de uma garota da sua infância. Ela se colocava no limiar da idade adulta devido à sua habilidade física de gerar filhos. Ela não era mais uma criança, mas também não era uma mulher. Os Antigos Helenos só concediam o status de ‘Gynaike’ (mulher) a alguém que tivesse suportado o parto e dado à luz uma criança. A época de transição física e emocional das donzelas era quando elas passavam por mudanças hormonais que iriam lhes conduzir à completa maturidade e fertilidade sexual. Como uma donzela, ela estava então totalmente integrada dentro dos cuidados de mulheres adultas cuja responsabilidade era a de prepará-la para seu novo status como alguém elegível para o casamento através de sua incorporação à sociedade das donzelas. • • A segunda fase do rito de passagem dela seria através do casamento, após o qual ela seria chamada ‘Nymphe’ (a noiva). Uma vez casada, a garota era separada de seu estado de donzela por meio da fase de transição da consumação sexual. Isso era simultaneamente um ato de reincorporação ao mundo dos homens, do qual ela foi separada durante os primeiros anos da puberdade pela introdução de papéis de gênero. Esse ato de incorporação reintroduz a moça à sociedade masculina em seu novo papel como esposa. Assim também ela será incorporada à família e às associações tribais do marido, enquanto assume os deveres domésticos, sociais e cívicos, e as responsabilidades condizentes com seu novo status. • •
  21. 21. • Ritos Femininos Iônicos de Maturidade na Atenas Clássica • • Uma das razões centrais de as meninas iônicas em Atenas se casarem tão jovens e entrarem na maturidade tão cedo é a percepção iônica da menstruação e das mudanças no comportamento que muitas garotas sofrem ao entrar na puberdade. O comportamento emocional e hormonal era visto como aflições médicas de garotas se aproximando e incorporando as mudanças na menarca. O tratamento médico prescrito para essas aflições era normalmente a relação sexual ou a gravidez. Podemos entender melhor essa perspectiva e sua influência sobre a idade na qual as mulheres iônicas deveriam se casar e gerar filhos através das palavras do famoso médico/clínico Hipócrates: • • Mas quando a carne está produzindo, rapidamente o sangue menstrual flui pela estreita passagem das veias e a parte do corpo não fica em perigo. Mas quando o sangue menstrual flui lentamente, as veias e a parte do corpo ficam em perigo e a garota se torna propensa à selvageria e à loucura. E quando o útero é preenchido com o sangue menstrual, há calafrio, com febre. A essas febres chamam de ‘febres errantes’. • • A cura médica e psicológica para essas ‘febres errantes’ era o intercurso marital e a maternidade. Por isso, a maturidade sexual de jovens garotas era frequentemente marcada por ritos que as preparavam para a o casamento e a gravidez. Outra aflição da ‘maioridade’ feminina era a da histeria, a qual, por uma perspective antiga, estava conectada com o útero e um diagnóstico de ‘fluxos menstruais bloqueados’. A cura médica prescrita para tal condição era a gravidez. • • Como consequência das ideias relativas à menstruação e das curas para os 'distúrbios' advindos dela, as garotas adolescentes enfrentavam o prospecto de um casamento prematuro. O casamento iria efetivamente removê-las do lar familiar, incorporá-las em uma nova família e deixá-las transformadas em mulheres adultas sexualmente ativas e mães. Os ritos de maioridade para garotas adolescentes (especialmente para garotas iônicas em Atenas) era assim em última instância o processo pelo qual elas deveriam aceitar seus destinos como esposas e mães. Essa aceitação de sua natureza feminina adulta era vista como 'aquilo que faria a carne produzir' (tomando as palavras de Hipócrates) e curá-las de seus distúrbios menstruais. • • A aceitação da natureza adulta de alguém e todos os deveres e obrigações que essa aceitação trazia é a chave vital para todos os ritos de passagem de ‘maioridade’. A identidade da garota é transformada na de uma mulher adulta. Essa é a jornada da qual não há volta para o feminino e era normalmente simbolizada pela nova noiva queimando a rola da carroça que a carregara do seu lar familiar até a casa de seu marido onde os filhos dela seriam criados. •
  22. 22. • Ritos Femininos Dóricos de Maturidade em Esparta • • Os dóricos, em particular os dóricos espartanos, institucionalizaram os jogos atléticos para garotas que estavam chegando à maioridade e desencorajavam o uso dos cosméticos e ornamentos. Acreditava-se que o exercício ajudava a suportar a dor do parto assim como garantia a produção de crianças saudáveis. As garotas ficavam nuas durante o treino e os jogos atléticos, embora essa nudez não fosse um espetáculo público ou intencionalmente erótico. Plutarco registra uma ocasião na qual um solteirão observava essas garotas nuas se exercitarem e a qual foi considerada uma ofensa grave pelos espartanos adultos. • • Uma vez que a perfeição militar era de primária importância na sociedade espartana, as mulheres eram altamente valorizadas como 'mães de futuros hoplitas'. Diferente das mulheres iônicas, que normalmente estavam casadas e com filhos aos quatorze anos de idade, as jovens mulheres dóricas só eram encorajadas a ter filhos no final da adolescência (por volta dos dezenove anos), devido à alta taxa de sobrevivência de mães e de crianças saudáveis produzidas se a gravidez ocorresse depois que o crescimento adolescente estivesse completo. • • No entanto, a educação dada às garotas começava bem antes da adolescência [aos sete anos de idade] e diferia vastamente da educação dada aos garotos. Ser alfabetizado (saber ler e escrever) não era uma exigência padrão na educação nem de homens nem de mulheres, uma vez que não era pré- requisito para a proeza militar. O propósito principal da educação era, portanto, sustentar a perfeição militar de Esparta. Como os garotos eram educados para se tornarem hoplitas (soldados), assim as garotas eram educadas de uma maneira apropriada para se tornarem mães de hoplitas. • • A educação da garota era regida pelo Estado e era uniforme para todas as meninas de uma idade específica. A uniformidade da educação garantia que todas as garotas fossem treinadas para ser o mesmo tipo de mãe. Desenvolviam-se nessas garotas a força física, emocional e espiritual, combinadas com a saúde, para que elas pudessem ser duronas o suficiente para criar [e frequentemente enterrar] os futuros hoplitas de Esparta. A educação delas continuava até que estivessem com dezoito anos de idade, quando, a partir dessa idade, as jovens eram consideradas núbeis (prontas para o casamento). Todos os filhos nascidos do casamento pertenciam ao oikos (lar) do marido, e o controle da esposa e o governo sobre esse lar só era adquirido através dos filhos que ela gerava. O conceito de casamento em um sentido espartano não incluía ideologia ou moralidade que abrangesse uma prática de monogamia nem para o marido nem para a esposa. Xenofonte e Plutarco ambos registram que não era incomum para um homem sem filhos se aproximar do marido de uma mulher [que já tivesse gerado uma criança] e pedisse que ele lhe permitisse procriar com a esposa. • • Parece provável que as mulheres cujos maridos são inférteis poderiam tão facilmente quanto solicitar procriação de outro homem. Era dever de uma esposa espartana administrar os negócios financeiros do lar. Assim, a responsabilidade econômica das finanças familiares recaía unicamente sobre os ombros das esposas espartanas, cujos deveres incluíam o pagamento de encargos cívicos. Um desses encargos cívicos era o pagamento exigido de taxas de rancho (refeitório militar) pelos lares espartanos. A inabilidade da falta de pagamento dessas taxas de rancho resultava na perda da cidadania para os homens espartanos. Consequentemente, a própria preservação da cidadania repousava sobre as habilidades das esposas espartanas em administrar os negócios financeiros de suas famílias. •
  23. 23. • Ritos Femininos Argivos de Maturidade • Argos (Grécia) – Wikipédia, a enciclopédia livre • https://pt.wikipedia.org/wiki/Argos_(Grécia) • A região de Argos é denominada de Argólida, e seus habitantes são chamados de Αργεῖοι, Argīvī em latim, ou argivos em português. O nome é pré-grego ...Nome - História - Habitantes célebres - Referências • • Exemplos das consequências de garotas que continuavam a resistir em aceitar suas naturezas adultas (isto é, casamento e filhos) existem dentro do legado da literatura helênica antiga. A personagem secundária de Io no ‘Prometeu Acorrentado’ de Ésquilo explora a histeria e a jornada de autodescoberta de uma jovem garota a aceitar sua iminente identidade feminina adulta e as expectativas de sua família e as expectativas e responsabilidades cívicas. Como Prometeu, que é atado ao sofrimento por seu roubo do fogo divino, Io irá sofrer diariamente até que sua natureza heroica (como Héracles no mito de Prometeu) possa aceitar as implicações inerentes ao rito de passagem de donzela a mãe. Sua aceitação completa da sua nova identidade irá sinalizar o fim da fase de transição e o começo de sua incorporação na sociedade feminina adulta. Até que a incorporação esteja totalmente aceita, o segundo estágio de passagem transicional irá continuar. Do Prometeu Acorrentado e da personagem Io, é claro que uma passagem transicional estendida irá frequentemente resultar em padrões de comportamentos espirituais, emocionais e físicos errantes. • • O relato de Io em ‘Prometeu Acorrentado’ encontra seu catalisador para a mudança (e o crescimento) na forma da Deusa Hera. A influência da ira de Hera em um mito ou peça normalmente indica uma competição (Agon) ou um esforço ao qual o herói ou heroína deve suportar e sobrepujar a fim de receber a aprovação da Deusa. É significativo que a ira da Deusa transforme Io em uma vaca, uma vez que este é um animal sagrado a Hera. Assim como Hera também é a Deusa patrona das mulheres e do casamento. • • A transição para a maturidade sexual e os ritos de passagem que auxiliam as garotas com esse processo também aconteciam sob o patronato do culto de Hera de Argivo (Argos). No Heraion, acontecia um rito de passagem no qual uma garota na maturidade sexual era colocada em uma área solitária e confinada, pintada de branco, e se referiam a ela como uma 'vaca'. •
  24. 24. • • Esse ritual contém todos os quatro aspectos de um rito de passagem no qual a garota deve passar por uma experiência similar a aquela pela qual Io passou por desejo de Hera. Esta é uma forma de passagem geracional tanto por o mesmo rito de passagem ser usado de geração em geração como por o modelo divino de papéis e funções de gênero ser herdado por cada geração de jovens garotas se tornando mulheres. • • A garota é mantida em reclusão e separada de sua família e de ambientes familiares. Esta é a fase de separação do rito de passagem. • • A garota é pintada de branco e entra no estado do mundo da mulher sob a influência da Deusa Hera sob cujos cuidados a garota é passada quando ela entra no casamento. Essa garota pintada de branco simultaneamente era simultaneamente transformada no sagrado animal de Hera ao mesmo tempo em que era transformada de uma criança a uma donzela núbil. Essa é a fase de transição do rito de passagem. • • Depois do rito, a garota retorna à sua família para preparar-se para o seu future casamento e maternidade. Suas responsabilidades se tornam aquelas de uma mulher qualificada e autorizada (“empoderada”) com o dever divino de aceitar a identidade de uma mulher adulta com tudo o que isso implica. A responsabilidade adulta irá agora ser esperada dela e, quando ela heroicamente se erguer a este desafio e aceitar sua nova maturidade dentro da família e do Estado, ela irá se tornar integrada à sociedade adulta. Essa é a fase final do rito de passagem: incorporação. • • Embora o ritual da sua maioridade esteja complete, a garota deve ainda enfrentar o verdadeiro rito de passagem no mundo real. Bem semelhante ao fato de Io, na forma de uma vaca, ser perseguida por Zeus na forma de um touro; a jovem garota é pintada de branco e chamada de vaca, mas para a sua transformação de Parthenos (donzela) a Nymphe (noiva) ser completa, ela deve ser “entourada” (isto é, perder sua virgindade). Isso alinha a jovem garota diretamente a Hera como a Deusa Vaca de Mulheres e Casamentos, cujos epítetos expressam os estágios da vida feminina. Esses epítetos são Hera Pais (a criança); Hera Ataurote (a não-‘entourada’, referindo-se à virgindade); Hera Azuges (a desatrelada, referindo-se a não casada); Hera Nymphomene (a noiva); Hera Zeugia (a atrelada, referindo-se à casada) e finalmente Hera Teleia (aquela que está completa, perfeita e realizou o seu propósito). • • Baseado na simbologia paralela dos epítetos de Hera, do mito de Io e do ritual argivo, é possível que esse rito de passagem em particular fosse dado à garota antes de um casamento iminente. O noivo então representaria Zeus como a garota representaria Hera, e seu casamento seria um rito de passagem geracional que reencenaria e refletiria o Hieros Gamos (casamento sagrado) entre Zeus e Hera. •
  25. 25. • Conclusão: Ritos Contemporâneos de Passagem • • Muito da ideologia dos ritos helênicos de passagem representa uma antítese ao pensamento do Novo Mundo. Os sucessos da Segunda Onda Feminista e outros Movimentos Igualitários em homogeneizar os papéis de gênero de homens e mulheres dentro do Estado e da sociedade farão com que a clara distinção entre papeis de gênero pareçam irreconciliáveis dentro do mundo moderno. E, certamente, o pensamento da Segunda Onda Feminista é em muitas formas contrário à ideologia dos antigos ritos de passagem. É apenas na Terceira Onda Feminista e no Feminismo Cultural específico que as diferenças entre as qualidades e características essencialmente masculinas e femininas podem ser positivamente exploradas e celebradas mais uma vez. • • Em um cenário contemporâneo, esses ritos de passagem se focariam em preparar os jovens garotos e garotas para o papel que eles desempenharão dentro da família e do Estado (incluindo as leias e costumes da época). Esses papéis são flutuantes, devido a uma economia instável e a sistemas políticos mutáveis. O importante é oferecer a informação e orientação necessárias e apropriadas a esses adolescentes. Porém, os próprios ritos deveriam ser deixados sem mudanças, e apenas a informação, orientação, funções e responsabilidades deveriam ser atualizadas para se adequar ao século XXI da Era Comum e além. • • A estrutura da passagem geracional e as fases de passagem deveriam permanecer inalteradas uma vez que são fórmulas iniciatórias para catalisar a maturidade em jovens helenos. Os atos simbólicos dentro dos ritos de passagem deveriam também ser preservados como um ato de passagem geracional e permanecer como uma forma respeitada de memória ancestral. • • Fontes: • 1. Rites of Passage in Ancient Greece: Mark William Padilla • 2. Sophokles' Philoktetes: translated by Gregory MacNamee • 3. Euripidis' Ion: translated by George Theodoridis • 4. Religion in the Ancient Greek City: Louise Bruit Zaidman,Pauline Schmitt Pantel, Paul Cartledge • 5. The Ancient Greeks: A Critical History: JV Fine • 6. Religions of the Ancient World: Sarah Iles Johnston • 7. Art, Culture and Cuisine: Phyllis Pray Bober • 8. Figures of Speech, Men and Maidens: Gloria Ferrari • 9. The Ancient Greeks; A New Perspective: Stephanie Lynn Budin • 10. Spartan Women: Sarah B. Pomeroy
  26. 26. • 11. Marcello Lupi, L'ordine delle generazioni. Classi di eta e costumi matrimonali nell'antica Sparta. Pragmateiai: Collana di studi e testi per la storia economica, sociale e amministrava del mondo antico. Bari: Edipuglia, 2000. Pp. 228. ISBN 88-7228- 237-3. • 12. Xenophon: The Constitution of Sparta • 13. The Unmovable Spartans: Robin Fowler • •
  27. 27. Filhas de Jó Bethel União de Uberaba Av. Santos Dumont, 2650 Uberaba/MG (34) 99814-5376 Guardiã Tia Viviane Chagas Felizardo Guardião Associado: Tio Regis Santana
  28. 28. Conheça as Filhas de Jó Internacional
  29. 29. Somos uma organização paramaçônica com o intuito de unir jovens moças com idade entre 10 e 20 anos, visando o aperfeiçoamento do caráter. Nossas lições são inspiradas nos ensinamentos bíblicos sobre a vida de Jó, sua fé em Deus perante aos desafios e provações pelos quais teve de passar. O nome da nossa instituição refere-se às três filhas de Jó: Kézia, Jemima e Keren-Happouk, que são citadas na Bíblia como as "mulheres mais justas de toda a Terra". Estamos presentes em vários países: Canadá, Austrália, Estados Unidos, Filipinas e Brasil. Nossa fundadora, a senhora Ethel T. Wead Mick, carinhosamente chamada por nós de Mãe Mick, era esposa de maçom e membro da Ordem Internacional da Estrela do Oriente, na cidade de Omaha, estado de Nebraska, EUA. Ela percebeu a importância dos ensinamentos recebidos de sua mãe desde a sua infância, especialmente as belas lições de literatura encontrados no Livro de Jó. Decidiu então dedicar parte de seu tempo e talento para tornar possível para todas as moças compartilharem este privilégio que ela tinha. Após anos de estudos e considerações minuciosas, com grande ajuda de seu marido, Dr. Willian H. Mick, e outros colaboradores, surgiu em 1920 a Ordem Internacional das Filhas de Jó. Organização essa que, anos seguintes, teria seu nome modificado para Filhas de Jó Internacional. Funcionamento do Bethel (significa "local sagrado", portanto é a morada de Deus). Todo o funcionamento de um Bethel é regulado por uma Constituição, um Regulamento e um Estatuto, e na parte ritualística por um Ritual, adornos, paramentos e símbolos. Todos os detalhes relativos às seções ritualísticas e reuniões do Bethel, bem como o comportamento dos seus membros, estão estabelecidos e detalhadamente contidos na sua Constituição, que é a lei maior e geral de todos os Betheis. As reuniões são realizadas de acordo com um Ritual, devendo tal palavra ser entendida como o conjunto de procedimentos para realização de um evento. Nada em nosso Ritual vai de encontro às leis brasileiras e nem a qualquer religião. -
  30. 30. Membros de um Bethel: O Bethel possui o Conselho Guardião, formado por maçons, suas esposas, mães e pais de Filhas de Jó, irmãs (maiores de 20 anos) de Filhas de Jó e Membros de Maioridade (são Filhas de Jó que possuem mais de 20 anos) da Ordem que ajudam as Filhas de Jó na realização de seus trabalhos e por esse Conselho passam todas as decisões que as moças venham tomar. Tem o dever de apoiar os membros e participar de todos os eventos e trabalhos ligados à área administrativa, constitucional e ritualística do Bethel, sem interferir nos mesmos. - Cargos de um Bethel: - Os Cargos escolhidos por votação são: Honorável Rainha Primeira Princesa Segunda Princesa Guia Dirigente de Cerimônias - E os cargos nomeados pela Honorável são: Capelã Secretária Tesoureira Musicista Bibliotecária Primeira Mensageira Segunda Mensageira Terceira Mensageira Quarta Mensageira Quinta Mensageira Primeira Zeladora Segunda Zeladora Guarda Interna Guarda Externa Coral
  31. 31. Membros do Conselho Guardião: Guardiã do Bethel Guardião Associado do Bethel Guardiã Secretária Guardiã Tesoureira Guardiã Musicista Guardiã Diretora de Épocas Atividades Desenvolvidas: As Filhas de Jó desenvolvem várias atividades ao longo de cada gestão administrativa (gestões estas que duram seis meses cada). As principais são: filantropia, eventos para arrecadação de fundos, cerimônias públicas para divulgação da Ordem e comemoração de datas especiais e eventos de integração (como retiros e confraternizações). As próprias Filhas de Jó ficam responsáveis por toda a elaboração, organização e execução de todas as atividades, sendo sempre assistidas pelo Conselho Guardião do Bethel. A Ordem Internacional das Filhas de Jó é uma Religião? A Ordem das Filhas de Jó não é uma religião. Para ser Filha de Jó não é necessário ser de uma religião específica, bastando acreditar em Deus e nas sagradas escrituras, sejam elas concretizadas na forma da Bíblia, Alcorão, Torá ou outra. Todas as religiões são respeitadas e "convivem" de forma harmônica. O que é preciso para ser uma Filha de Jó? 1º: Ter entre 10 anos completos e 20 anos incompletos. Se tiver 20 anos completos ou mais, poderá participar do Conselho Guardião do Bethel, que é o grupo de adultos que dá o suporte para as Filhas de Jó em cada Bethel, desde que preencha o 2º requisito, que se segue: 2º - Possuir parentesco com Maçom, Filha de Jó ou Membro de Maioridade das Filhas de Jó, parentesco este advindo de sangue (ser filha, irmã, neta), lei ou casamento. Aqui, ressalto que não existe a possibilidade de "apadrinhamento" ou "indicação" de Maçom, Filha de Jó ou Membro de Maioridade que supra esse parentesco. Se não tiver o parentesco, ainda que distante, não pode ser iniciada
  32. 32. Grande Bethel MG Organização sem fins lucrativos Fundação em 2000 Endereço Belo Horizonte Minas Gerais é o Estado brasileiro com o maior número de Bethéis, e assim, de Filhas de Jó. É neste contexto que surgiu, perante Carta Outorgada pelo Supremo Conselho Guardião em 08 de abril de 2000, o Grande Conselho Guardião de Minas Gerais da Ordem Internacional das Filhas de Jó, com o objetivo de ser soberano em sua Jurisdição em todos os assuntos pertinentes aos Bethéis, Conselhos Guardiões de Bethéis, e seus próprios assuntos sujeitos às provisões das leis do Supremo Conselho. Por ser o primeiro e único Grande Conselho do país, houve a necessidade da instalação de seu comitê, o GrandeBethel do Estado de Minas Gerais da Ordem Internacional das Filhas de Jó, fundado em 13 de maio de 2000 na cidade de Belo Horizonte. A Ordem Internacional das Filhas de Jó chegou em Minas Gerais em 1994, sendo instalado o primeiroBethel do Estado na cidade de Belo Horizonte. Atualmente o Estado possui aproximadamente 56 Bethéis, e o Grande Bethel do Estado de Minas Gerais, o qual foi fundado com a extinção do Bethel Jurisdicional de Minas Gerais e foi o primeiro a ser instalados no Brasil. O Grande Bethel é constituído por Filhas de Jó de diversos Bethéis do Estado e tem como objetivo: * Aproximar as Filhas do Estado de Minas Gerais; * Tratar do desenvolvimento de liderança, promoção do interesse, bem estar e crescimento da Ordem; * Formar uma organização que auxiliará as Filhas de Jó na representação da Ordem de acordo com as instituições maçônicas; * Auxiliar na instalação de novos Bethéis, reuniões e ou cerimônias de iniciação em Bethéis quando solicitados; * Padronizar a ritualística da Ordem. grandebethelminasgerais@yahoo.com.br
  33. 33. TRILHA DA APRENTAÇÃO Carmina Burana - O Fortuna, Imperatrix Mundi Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. • Carmina Burana (latim; em português: "Canções da Beuern" , sendo "Beuern" uma abreviação de Benediktbeuern) é o nome dado a poemas e textos dramáticos manuscritos do século XIII[1] As peças são em sua maioria picantes, irreverentes e satíricas e foram escritas principalmente em latim medieval, algumas partes em médio-alto-alemão e alguns com traços de Francês antigo ouprovençal. Há também partes macarrônicas, uma mistura de latim vernáculo, alemão ou francês. • Os manuscritos refletem um movimento europeu "internacional", com canções originária de Occitânia, França, Inglaterra, Escócia,Aragão, Castela e do Sacro Império.[2] • Vinte e quatro poemas do Carmina Burana foram musicalizados por Carl Orff em 1936; a composição de Orff rapidamente se tornou popular, o movimento de abertura e de fecho "O Fortuna", tem sido utilizada em filmes e eventos se tornando a peça clássica mais ouvida desde que foi gravada
  34. 34. •A cantata • O compositor alemão Carl Orff musicou alguns dos Carmina Burana, compondo uma cantata homônima. Com o subtítulo "Cantiones profanae cantoribus et choris cantandae", a obra, por suas características, pode ser definida também como uma "cantata cênica". Estreou em junho de 1937, em Frankfurt e faz parte da trilogia "Trionfi" que Orff compôs em diferentes períodos, e que compreende os "Catulli carmina" (1943) e o "Trionfo di Afrodite" (1952). • A cantata é emoldurada por um símbolo da Antiguidade — a roda da fortuna, eternamente girando, trazendo alternadamente boa e má sorte. É uma parábola da vida humana exposta a constante mudança, mas não apresenta uma trama precisa. • Orff optou por compor uma música inteiramente nova, embora no manuscrito original existissem alguns traços musicais para alguns trechos. Requer três solistas (uma soprano, um tenor e um barítono), dois coros (um dos quais de vozes brancas), pantomimos, bailarinos e uma grande orquestra (Orff compôs também uma segunda versão, na qual a orquestra é substituída por dois pianos e percussão). • A obra é estruturada em prólogo e duas partes. No prólogo há uma invocação à deusa Fortuna na qual desfilam vários personagens emblemáticos dos vários destinos individuais. Na primeira parte se celebra o encontro do Homem com a Natureza, particularmente o despertar da primavera - "Veris laeta facies" ou a alegria da primavera. Na segunda, "In taberna", preponderam os cantos goliardescos que celebram as maravilhas do vinho e do amor(“Amor volat undique”), culminando com o coro de glorificação da bela jovem ("Ave, formosissima"). No final, repete-se o coro de invocação à Fortuna ("O Fortuna, velut luna”)
  35. 35. Roda da fortuna, no codex dos Carmina Burana. Os carmina burana (do latimcarmen,ìnis ‘canto, cantiga; ebura(m), em latim vulgar 'pano grosseiro de lã’, geralmente escura; por metonímia, designa o hábito de frade ou freira feito com esse tecido) são textos poéticos contidos em um importante manuscrito do século XIII, o Codex Latinus Monacensis, encontrados durante a secularização de 1803, no convento de Benediktbeuern - a antiga Bura Sancti Benedicti, fundada por volta de 740 por São Bonifácio, nas proximidades de Bad Tölz, na Alta Baviera. O códexcompreende 315 composições poéticas, em 112 folhas de pergaminho, decoradas com miniaturas. Atualmente o manuscrito encontra-se na Biblioteca Nacional de Munique. Carmina Burana - O Fortuna, Imperatrix Mundi
  36. 36. Cerimonia de Maior Idade Realizada no Templo da Loja Maçonica Vinte de Agôsto Uberabense n°179 -GOMG Uberaba 07 de novembro de 2015 da E.`. V.`.
  37. 37. CONTRIBUIÇÃO COMISSÃO PARA MAÇONICA DA LOJA MAÇONICA ESTRELA UBERABENSE N°0941 – GOBMG - 2015 DA E .`. V .`. ¨ Tenho os meus ideais o meu modo de pensar e os meus planos, embora ainda me falte a capacidade de traduzir tudo isto em palavras¨. O Diário de Anne Frank

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