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ORDEM DEMOLAY

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  1. 1. Yan Walter Carvalho Cavalcante Caderno de EstudoCaderno de EstudoCaderno de EstudoCaderno de Estudo HistóricoHistóricoHistóricoHistórico Teresina – PI Verão de 2009
  2. 2. Yan Walter Carvalho Cavalcante 2 Yan Walter Carvalho Cavalcante 2ª Edição – Revisada e Ampliada Caderno de Estudo Histórico
  3. 3. Caderno de Estudo Histórico 3 "A história é um simples pedaço de papel impresso; o principal, ainda, é fazer história, e não escrevê-la" (Otto Von Bismarck)
  4. 4. Yan Walter Carvalho Cavalcante 4 Aos que admiram, prezam e valorizam todos que nos antecederam. Com apreço, O autor.
  5. 5. Caderno de Estudo Histórico 5 Este trabalho é, em especial, para Cândido Sales e Daniel Santos que colaboraram com a realização deste, incentivando-me.
  6. 6. Yan Walter Carvalho Cavalcante 6 SUMÁRIO Capítulo 1: Fundamentos da Sociedade Medieval.............................................................. Pág 7 • A Idade Média • A Igreja Medieval • Trovadorismo • Castelos Medievais • A Igreja Medieval • Cruzadas Capítulo 2: A Ordem dos Templários............................................................................... Pág 14 • Aspectos Gerais • Os Monges Guerreiros • A Ordem Prospera • A Terra Santa perdeu-se • De Guerreiros a Banqueiros • Guardas das Sagradas Relíquias • O Julgamento dos Templários • Os Grãos Mestres da Ordem dos Templários • Jacques DeMolay, o último Grão-Mestre Templário • A Ordem dos Templários ainda existe...? Capítulo 3: Simbologia Templária & DeMolay................................................................ Pág 28 • O Cavaleiro Medieval • Adoração ao demônio pelos Cavaleiros • Templo do Conhecimento Oriental • Fazedores de Reis • Guardiões do Santo Graal, o Cálice Sagrado • América do Norte, Ilha Oak e os Templários • Simbolismo da Iniciação DeMolay e o Triângulo Inicial Capítulo 4: Ordem DeMolay............................................................................................. Pág 35 • A Origem da Ordem • Os Primeiros Anos da Ordem • A Maçonaria e a Ordem DeMolay • A Ordem DeMolay no Brasil Capítulo 5: Biografias....................................................................................................... Pág 41 • Frank Sherman Land • Louis Gordon Lower • Frank Marshall ANEXOS.......................................................................................................................... Pág 46 • Perdão do Papa aos Templários • Texto do livro “A linhagem do Santo Graal” • “A Cruzada do Descobrimento” Revista Super Interessante • “Guerreiros de Cristo” Revista Super Interessante • Acusações aos Templários • Prólogo do livro “O Último Templário” • O Pergaminho de Chinon • “A Ordem DeMolay no Brasil” por Alberto Mansur
  7. 7. Caderno de Estudo Histórico 7 Capítulo 1: Fundamentos da Sociedade Medieval A Idade Média A Idade Média teve início na Europa com as invasões germânicas (bárbaras), no século V, sobre o Império Romano do Ocidente. Essa época estende-se até o século XV, com a retomada comercial e o renascimento urbano. A Idade Média caracteriza-se pela economia rural, enfraquecimento comercial, supremacia da Igreja Católica, sistema de produção feudal e sociedade hierarquizada. Estrutura Política Prevaleceu na Idade Média as relações de vassalagem e suserania. O suserano era quem dava um lote de terra ao vassalo, sendo que este último deveria prestar fidelidade e ajuda ao seu suserano. O vassalo oferecia ao senhor, ou suserano, fidelidade e trabalho, em troca de proteção e um lugar no sistema de produção. As redes de vassalagem se estendiam por várias regiões, sendo o rei o suserano mais poderoso. Todos os poderes jurídico, econômico e político concentravam-se nas mãos dos senhores feudais, donos de lotes de terras (feudos). Sociedade Medieval A sociedade era estática (com pouca mobilidade social) e hierarquizada. A nobreza feudal (senhores feudais, cavaleiros, condes, duques, viscondes) era detentora de terras e arrecadava impostos dos camponeses. O clero (membros da Igreja Católica) tinha um grande poder, pois era responsável pela proteção espiritual da sociedade. Era isento de impostos e arrecadava o dízimo. A terceira camada da sociedade era formada pelos servos (camponeses) e pequenos artesãos. Os servos deviam pagar várias taxas e tributos aos senhores feudais, tais como: corvéia (trabalho de 3 a 4 dias nas terras do senhor feudal), talha (metade da produção), banalidades (taxas pagas pela utilização do moinho e forno do senhor feudal). Economia Medieval A economia feudal baseava-se principalmente na agricultura. Existiam moedas na Idade Média, porém eram pouco utilizadas. As trocas de produtos e mercadorias eram comuns na economia feudal. O feudo era a base econômica deste período, pois quem tinha a terra possuía mais poder. O artesanato também era praticado na Idade Média. A produção era baixa, pois as técnicas de trabalho agrícola eram extremamente rudimentares. O arado puxado por bois era muito utilizado na agricultura. Religião na Idade Média Na Idade Média, a Igreja Católica dominava o cenário religioso. Detentora do poder espiritual, a Igreja influenciava o modo de pensar, a psicologia e as formas de comportamento na Idade Média. A igreja também tinha grande poder econômico, pois possuía terras em grande quantidade e até mesmo servos trabalhando. Os monges viviam em mosteiros e eram responsáveis pela proteção espiritual da sociedade. Passavam grande parte do tempo rezando e copiando livros e a Bíblia.
  8. 8. Yan Walter Carvalho Cavalcante 8 Educação, cultura e arte medieval A educação era para poucos, pois só os filhos dos nobres estudavam. Esta era marcada pela influência da Igreja, ensinando o latim, doutrinas religiosas e táticas de guerras. Grande parte da população medieval era analfabeta e não tinha acesso aos livros. A arte medieval também era fortemente marcada pela religiosidade da época. As pinturas retratavam passagens da Bíblia e ensinamentos religiosos. As pinturas medievais e os vitrais das igrejas eram formas de ensinar à população um pouco mais sobre a religião. Podemos dizer que, no geral, a cultura medieval foi fortemente influenciada pela religião. Na arquitetura destacou-se a construção de castelos, igrejas e catedrais. As Cruzadas No século XI, dentro do contexto histórico da expansão árabe, os muçulmanos conquistaram a cidade sagrada de Jerusalém. Diante dessa situação, o papa Urbano II convocou a Primeira Cruzada (1096), com o objetivo de expulsar os "infiéis" (árabes) da Terra Santa. Essas batalhas, entre católicos e muçulmanos, duraram cerca de dois séculos, deixando milhares de mortos e um grande rastro de destruição. Ao mesmo tempo em que eram guerras marcadas por diferenças religiosas, também possuíam um forte caráter econômico. Muitos cavaleiros cruzados, ao retornarem para a Europa, saqueavam cidades árabes e vendiam produtos nas estradas, nas chamadas feiras e rotas de comércio. De certa forma, as Cruzadas contribuíram para o renascimento urbano e comercial a partir do século XIII. Após as Cruzadas, o Mar Mediterrâneo foi aberto para os contatos comerciais. As Guerras Medievais A guerra na Idade Média era uma das principais formas de obter poder. Os senhores feudais envolviam-se em guerras para aumentar suas terras e o poder. Os cavaleiros formavam a base dos exércitos medievais. Corajosos, leais e equipados com escudos, elmos e espadas, representavam o que havia de mais nobre no período medieval. Peste Negra ou Peste Bubônica Em meados do século XIV, uma doença devastou a população européia. Historiadores calculam que aproximadamente um terço dos habitantes morreram desta doença. A Peste Negra era transmitida através da picada de pulgas de ratos doentes. Estes ratos chegavam à Europa nos porões dos navios vindos do Oriente. Como as cidades medievais não tinham condições higiênicas adequadas, os ratos se espalharam facilmente. Após o contato com a doença, a pessoa tinha poucos dias de vida. Febre, mal-estar e bulbos (bolhas) de sangue e pus espalhavam-se pelo corpo do doente, principalmente nas axilas e virilhas. Como os conhecimentos médicos eram pouco desenvolvidos, a morte era certa. Para complicar ainda mais a situação, muitos atribuíam a doença a fatores comportamentais, ambientais ou religiosos. Revoltas Camponesas: as Jacqueries Após a Peste Negra, a população européia diminuiu muito. Muitos senhores feudais resolveram aumentar os impostos, taxas e obrigações de trabalho dos servos sobreviventes. Muitos tiveram que trabalhar dobrado para compensar o trabalho daqueles que tinham morrido na epidemia. Em muitas regiões da Inglaterra e da França estouraram revoltas camponesas contra o aumento da exploração dos senhores feudais. Combatidas com violência por partes dos nobres, muitas foram sufocadas e outras conseguiram conquistar seus objetivos, diminuindo a exploração e trazendo conquistas para os camponeses.
  9. 9. Caderno de Estudo Histórico 9 Arte Medieval Durante a Idade Média (século V ao XV), a arte européia foi marcada por uma forte influência da Igreja Católica. Esta atuava nos aspectos sociais, econômicos, políticos, religiosos e culturais da sociedade. Logo, a arte medieval teve uma forte marca temática: a religião. Pinturas, esculturas, livros, construções e outras manifestações artísticas eram influenciados e supervisionados pelo clero católico. Estilo Românico Este estilo prevaleceu na Europa no período da Alta Idade Média (entre os séculos XI e XIII). Na arquitetura, principalmente de mosteiros e basílicas, prevaleceu o uso dos arcos de volta-perfeita e abóbadas (influências da arte romana). Os castelos seguiram um estilo voltado para o aspecto de defesa. As paredes eram grossas e existiam poucas e pequenas janelas. Tanto as igrejas como os castelos passavam uma idéia de construções “pesadas”, voltadas para a defesa. As igrejas deveriam ser fortes e resistentes para barrarem a entrada das “forças do mal”, enquanto os castelos deveriam proteger as pessoas dos ataques inimigos durante as guerras. Com relação às esculturas e pinturas podemos destacar o caráter didático-religioso. Numa época em que poucos sabiam ler, a Igreja utilizou as esculturas, vitrais e pinturas, principalmente dentro das igrejas e catedrais, para ensinar os princípios da religião católica. Os temas mais abordados foram: vida de Jesus e dos santos, passagens da Bíblia e outros temas cristãos. Estilo Gótico O estilo gótico predominou na Europa no período da Baixa Idade Média (final do século XIII ao XV). As construções (igrejas, mosteiros, castelos e catedrais) seguiram, no geral, algumas características em comum. O formato horizontal foi substituído pelo vertical, opção que fazia com que a construção estivesse mais próxima do céu. Os detalhes e elementos decorativos também foram muitos usados. As paredes passaram a ser mais finas e de aspecto leve. As janelas apareciam em grande quantidade. As torres eram em formato de pirâmides. Os arcos de volta-quebrada e ogivas foram também recursos arquitetônicos utilizados. Com relação às esculturas góticas, o realismo prevaleceu. Os escultores buscavam dar um aspecto real e humano às figuras retratadas (anjos, santos e personagens bíblicos). No tocante à pintura, podemos destacar as iluminuras, os vitrais, painéis e afrescos. Embora a temática religiosa ainda prevalecesse, observa-se, no século XV, algumas características do Renascimento: busca do realismo, expressões emotivas e diversidade de cores. Trovadorismo Podemos dizer que o trovadorismo foi a primeira manifestação literária da língua portuguesa. Surgiu no século XII, em plena Idade Média, período em que Portugal estava no processo de formação nacional. O marco inicial do Trovadorismo é a “Cantiga da Ribeirinha” (conhecida também como “Cantiga da Garvaia”), escrita por Paio Soares de Taveirós no ano de 1189. Esta fase da literatura portuguesa vai até o ano de 1418, quando começa o Quinhentismo. Na lírica medieval, os trovadores eram os artistas de origem nobre, que compunham e cantavam, com o acompanhamento de instrumentos musicais, as cantigas (poesias cantadas). Estas cantigas eram manuscritas e reunidas em livros, conhecidos como Cancioneiros. Temos
  10. 10. Yan Walter Carvalho Cavalcante 10 conhecimento de apenas três Cancioneiros. São eles: “Cancioneiro da Biblioteca”, “Cancioneiro da Ajuda” e “Cancioneiro da Vaticana”. Os trovadores de maior destaque na lírica galego-portuguesa são: Dom Duarte, Dom Dinis, Paio Soares de Taveirós, João Garcia de Guilhade, Aires Nunes e Meendinho. No trovadorismo galego-português, as cantigas são divididas em: Satíricas (Cantigas de Maldizer e Cantigas de Escárnio) e Líricas (Cantigas de Amor e Cantigas de Amigo). Cantigas de Maldizer: através delas, os trovadores faziam sátiras diretas, chegando muitas vezes a agressões verbais. Em algumas situações eram utilizados palavrões. O nome da pessoa satirizada podia aparecer explicitamente na cantiga ou não. Cantigas de Escárnio: nestas cantigas o nome da pessoa satirizada não aparecia. As sátiras eram feitas de forma indireta, utilizando-se de duplos sentidos. Cantigas de Amor: neste tipo de cantiga o trovador destaca todas as qualidades da mulher amada, colocando-se numa posição inferior (de vassalo) a ela. O tema mais comum é o amor não correspondido. As cantigas de amor reproduzem o sistema hierárquico na época do feudalismo, pois o trovador passa a ser o vassalo da amada (suserana) e espera receber um benefício em troca de seus “serviços” (as trovas, o amor dispensado, sofrimento pelo amor não correspondido). Cantigas de Amigo: enquanto nas Cantigas de Amor o eu-lírico é um homem, nas de Amigo é uma mulher (embora os escritores fossem homens). A palavra amigo nestas cantigas tem o significado de namorado. O tema principal é a lamentação da mulher pela falta do amado. Castelos Medievais Durante a Idade Média (séculos V ao XV) a Europa foi palco da construção de milhares de castelos. Nesta época da história, as guerras eram muito comuns. Logo, os senhores feudais, reis e outros nobres preocupavam-se com a proteção de sua residência, bens e familiares. Durante os primeiros séculos da Idade Média (até o século XI, aproximadamente), os castelos eram erguidos de madeira retirada das florestas da região. Seu interior era rústico e não possuía luxo e conforto. A partir do século XI, a arquitetura de construção de castelos mudou completamente. Eles passaram a ser construído de blocos de pedra. Tornaram-se, portanto, muito mais resistentes. Estes castelos medievais eram erguidos em regiões altas, pois assim ficava mais fácil visualizar a chegada dos inimigos. Um castelo demorava, em média, de dois a sete anos para ser construído. Em volta do castelo medieval, geralmente, era aberto um fosso preenchido com água. Esta estratégia era importante para dificultar a penetração dos inimigos durante uma batalha. Os castelos eram cercados por muralhas e possuíam torres, onde ficavam posicionados arqueiros e outros tipos de guerreiros. O calabouço era outra área importante, pois nele os reis e senhores feudais mantinham presos os bandidos, marginais ou inimigos capturados. Como o castelo medieval era construído com a intenção principal de proteção durante uma guerra, outros elementos eram pensados e elaborados para estes momentos. Muitos possuíam passagens subterrâneas para que, num momento de invasão, seus moradores pudessem fugir. O castelo era o refúgio dos habitantes do feudo, inclusive os camponeses (servos). No momento da invasão inimiga, todos corriam para buscar abrigo dentro das muralhas do castelo. A ponte levadiça, feita de madeira maciça e ferro, era o único acesso ao castelo e, após todos entrarem, era erguida para impedir a penetração inimiga.
  11. 11. Caderno de Estudo Histórico 11 Por dentro, o castelo medieval era frio e rústico, ao contrário do luxo mostrado em muitos filmes sobre a Idade Média. Os cômodos eram enormes e em grande quantidade. O esgoto produzido no castelo era, geralmente, jogado no fosso. Grande parte destes castelos medievais ainda existem na Europa, porém foram transformados em hotéis, museus ou pontos turísticos. Em cidades do interior da França, Itália, Alemanha, Portugal, Espanha e Inglaterra podemos encontrar vários exemplos destes interessantes tipos de construção antiga. A Igreja Medieval No ano de 391, a religião cristã foi transformada em religião oficial do Império Romano. A partir deste momento, a Igreja Católica começou a se organizar e ganhar força no continente europeu. Nem mesmo a invasão dos povos bárbaros (germânicos) no século V atrapalhou o crescimento do catolicismo. Durante a Idade Média (século V ao XV) a Igreja Católica conquistou e manteve grande poder. Possuía muitos terrenos (poder econômico), influenciava nas decisões políticas dos reinos (poder político), interferia na elaboração das leis (poder jurídico) e estabelecia padrões de comportamento moral para a sociedade (poder social). Como religião única e oficial, a Igreja Católica não permitia opiniões e posições contrárias aos seus dogmas (verdades incontestáveis). Aqueles que desrespeitavam ou questionavam as decisões da Igreja eram perseguidos e punidos. Na Idade Média, a Igreja Católica criou o Tribunal do Santo Ofício (Inquisição) no século XIII, para combater os hereges (contrários à religião católica). A Inquisição prendeu, torturou e mandou para a fogueira milhares de pessoas que não seguiam às ordens da Igreja. Por outro lado, alguns integrantes da Igreja Católica foram extremamente importantes para a preservação da cultura. Os monges copistas dedicaram-se à copiar e guardar os conhecimentos das civilizações antigas, principalmente, dos sábios gregos. Graças aos monges, esta cultura se preservou, sendo retomada na época do Renascimento Cultural. Enquanto parte do alto clero (bispos, arcebispos e cardeais) preocupava-se com as questões políticas e econômicas, muitos integrantes da Igreja Católica colocavam em prática os fundamentos do cristianismo. Os monges franciscanos, por exemplo, deixaram de lado a vida material para dedicarem-se aos pobres. A cultura na Idade Média foi muito influenciada pela religião católica. As pinturas, esculturas e livros eram marcados pela temática religiosa. Os vitrais das igrejas traziam cenas bíblicas, pois era uma forma didática e visual de transmitir o evangelho para uma população quase toda formada por analfabetos. Neste contexto, o papa São Gregório (papa entre os anos de 590 e 604) criou o canto gregoriano. Era uma outra forma de transmitir as informações e conhecimentos religiosos através de um instrumento simples e interessante: a música. A Igreja Católica Hoje Atualmente, a Igreja Católica é muito diferente do que era na Idade Média. Hoje, ela não tem mais todo aquele poder e não pratica atos de violência. Pelo contrário, posiciona-se em favor da paz, liberdade religiosa e do respeito aos direitos dos cidadãos. O papa, autoridade máxima da Igreja, pronuncia-se contra as guerras, terrorismo e atos violentos. Defende também a união das pessoas, principalmente dos países mais ricos, na luta contra a pobreza e a miséria.
  12. 12. Yan Walter Carvalho Cavalcante 12 As Cruzadas Traçar a notável história dos Templários leva-nos a uma viagem pela Europa com a história no século XI no tempo das Cruzadas. Nesse tempo, o que conhecemos agora como países da Europa não tinham emergido ainda. O continente era uma amálgama de reinos menores, cada um com seu governo próprio. Muitas das disputas contínuas entre reinos eram iniciadas por "guerrinhas". Não era um bom lugar para viver. Especialmente se você fosse um camponês. Mesmo assim o povo era unido por uma religião comum: A religião Cristã. Todos, dos nobres nos seus castelos aos camponeses nas suas rudimentares habitações, conformados à diária, semanal e anual adoração. O papa, sendo a cabeça da igreja, era representante de Deus na terra. Tinha suficiente poder para desafiar reis e imperadores. A palavra do Papa era lei. E esta podia alcançar a mais insignificante aldeia na Grã Bretanha rural, através de uma rede vasta de padres. Durante séculos uma sucessão de papas ousaram ter uma guerra de palavras com as casas reais de Europa numa tentativa de criar um império cristão unificado. Em 1095 os ferozes turcos de Seljuk, guerreiros nômades recentemente convertidos ao Islão, tinham avançado a Leste e tinham estabelecido a sua própria capital a uma distância de 100 milhas de Byzantium (conhecida como Constantinopla, hoje Istambul), a capital do império romano oriental cristão. instalado o pânico, o Imperador Alexius de Byzantium emitiu uma mensagem ao papa Urbano II, pedindo-lhe ajuda. Urbano compartilhava o sonho do predecessor de um reino cristão que se estenderia da costa atlântica até à ocidental Terra Santa, unificado sob a batuta papal. O apelo de Alexius para a ajuda serviu perfeitamente as suas finalidades. Urbano, entretanto, não estava satisfeito com a idéia de unicamente defender Byzantium. Não, este ambicioso papa queria libertar a própria Cidade Santa de Jerusalém, que fora ocupada pelos muçulmanos desde os meados do século VII. Aqui estava uma oportunidade de demonstrar o seu poder aos reinos da Europa. Uma oportunidade única de auto-promover o seu nome. Numa extraordinária excursão de diplomacia, Urbano visitou inicialmente o sul e ao oeste da França, espalhando a notícia de um grande convênio a ser realizado em Clermont, uma cidade no centro-sul da França. Assistiram à reunião centenas de personalidades. No dia final, Urbano levantou-se para fazer um discurso. Traçando um retrato terrível da crueldade dos turcos, apelou para que todos os cristãos se esquecessem das suas discussões com o companheiro cristão, e que respondessem à apaixonada chamada para uma grande Cruzada para libertar Jerusalém. O apelo foi rapidamente remetido através da Europa pela rede da igreja. Desta maneira, o papa contornou os monarcas dos países europeus e apelou diretamente aos nobres, e aos seus súditos. Àqueles que viam a guerra como um ato anti-cristão, Urbano explicou que as palavras da Bíblia tinham sido mal interpretadas. Embora o sexto mandamento indique claramente, não matarás, agora era somente um pecado matar cristãos. Matar muçulmanos era perfeitamente aceitável. Além disso, Urbano prometia que qualquer um que morresse na batalha estaria perdoado de todos os seus pecados nesta vida e na seguinte seria garantido um
  13. 13. Caderno de Estudo Histórico 13 bilhete para o céu. Mas advertiu também que quem desertasse seria excomungado pela sua covardia. De entre os cavaleiros de guerra da Europa, muitos dos quais não estavam particularmente bem financeiramente, a oportunidade de pilhar as cidades ricas do leste era irresistível. E com a benção de Deus! De todos os cantos, cavaleiros e camponeses — freqüentemente com as famílias inteiras a reboque — marchavam através da Europa com destino a Byzantium. A primeira Cruzada estava em marcha. Os livros escolares pintavam um retrato romântico da primeira Cruzada: cavaleiros nas suas lindas armaduras lutavam contra os árabes infiéis em nome de Deus. Na realidade, nada podia estar mais longe da realidade. O mundo árabe era relativamente calmo e civilizado naquela época. A um cavalheiro árabe esperava-se que fosse um poeta e um filósofo assim como um guerreiro. Tinham calculado corretamente a distância da terra à lua. E um árabe tinha sugerido mesmo que se fosse possível dividir o átomo, libertaria suficiente energia para destruir uma cidade do tamanho de Bagdad. Além disso, a própria Jerusalém era uma cidade multicultural. Os judeus, os muçulmanos e os cristãos viviam harmoniosamente. Era permitido aos cristãos em peregrinações a Jerusalém atravessar os lugares Santos. Em contraste com o bando de Europeus bárbaros que atingiam o Oriente Médio, eram um monte de selvagens em fúria. Queimava-se, pilhava-se, violava-se e destruia-se à sua maneira através da Europa e dos Balcãs. Quem chegou primeiramente a Byzantium na resposta à chamada de Alexius para a ajuda foi um conjunto de 15 000 vagabundos, conduzido por um monge carismático chamado Pedro o hermita. O imperador ficou horrorizado. Esperava talvez uma ou duas centenas de cavaleiros armados do papa. Certamente não iria deixar entrar Pedro e os seus desordeiros bárbaros na sua cidade. Foram seguidos por milhares de Francos e de povos germânicos, includindo cavaleiros e seus seguidores. Alexius enviou-os a todos desordeiramente através do Bósfarus na Turquia. Estava feliz por vê-los pelas costas. Quando os Cruzados chegaram à Turquia do norte, o massacre começou. A cidade de Lycea foi capturada e loteada. Os relatórios diziam que bebés tinham sido retalhados. Os idosos eram sujeitos a todos os tipos de tortura. Infelizmente, a maioria dos habitantes de Lycea eram realmente Cristãos. Os distúrbios continuaram para Sul até à Terra Santa. Após os confrontos com os Turcos os Cruzados regressavam ao campo de batalha com cabeças de muçulmanos enfiadas nas lanças. Numa ocasião fizeram prisioneiros de guerra transportar as cabeças dos seus próprios colegas. Cinquenta milhas ao sul de Antioch, quando capturaram a cidade Marrat, os cruzados deram-se inclusive ao canibalismo. Como Radulph de Caen, observou. "As nossas tropas cozinham pagãos adultos na panela. Enfiam as crianças no espeto e devoram-nas grelhadas". Estes não foram os agentes de Deus. Foram tão somente um bando de carniceiros sanguinários. Eventualmente, em Junho de 1099, eles chegam a Jerusalém, a qual foi sitiada e capturada em Julho. Os primeiros a pôrem os pés nas muralhas da Cidade Santa foram dois irmãos flamengos. Por essa proeza tornaram-se heróis legendários. Eles eram tão famosos quanto Neil Armstrong o é hoje. Os Cruzados infringiram medonha carnificina nos indefesos habitantes, massacrando Judeus e Muçulmanos nos seus locais de culto. Foi afirmado que o sangue jorrava pelas pernas dos cavaleiros. Mas os Cruzados foram julgados por terem sido estonteantes de sucesso. A Cidade Santa tinha sido recapturada aos infiéis.
  14. 14. Yan Walter Carvalho Cavalcante 14 Capítulo 2: A Ordem dos Templários Aspectos Gerais Com o objetivo de proteger as rotas de peregrinação, os Cavaleiros Templários construíram, em menos de 200 anos, um império econômico sem igual na Idade Média. Os anos de glória e a queda violenta e injusta desta ordem de monges guerreiros deram vazão ao surgimento de várias lendas e histórias sobre esses cavaleiros, que foram a vanguarda da espiritualidade cristã da época. A ordem dos monges guerreiros, que se tornou uma das mais poderosas e controversas organizações na história da Europa medieval, era conhecida com uma variedade de nomes: Pobres Soldados de Cristo e do Templo de Salomão, Milícia de Cristo ou, mais comumente, Cavaleiro Templários. Em 200 anos, a partir de seu objetivo de proteger as rotas de peregrinação, eles construíram um império econômico que pode ser considerado a primeira multinacional européia. Devendo obediência apenas ao papa, os Templários desenvolveram arrojadas técnicas de construção, trouxeram tecnologias dos muçulmanos e se tornaram mais ricos do que vários reinos, emprestando dinheiro para príncipes, bispos e reis. Famosos por sua bravura nas batalhas travadas nas Cruzadas, foram destruídos em menos de uma década por um rei que, não por acaso, era altamente endividado com a Ordem. Para o historiador Ricardo da Costa, professor da Universidade Federal do Espírito Santo, os templários podem ser considerados os fundamentalistas da época. "Eles estavam na vanguarda da espiritualidade cristã. Ser um padre e ao mesmo tempo combater o infiel era considerado o máximo para a época". Não havia nada mais heróico que o galopar do cavalo de um Templário, em meio ao som dos estandartes desfraldando, trombetas bradando e o fragor das armas, onde o campo de batalha transformava-se em um poço de honras e riquíssimos seqüestros, porém isso esfriou com a sanção da igreja, onde surgiu as poesias Cavalheirescas, regras de cortesia, conduta e moral, elaborando-se assim um rigoroso ritual, com significados simbólicos, nos quais, desde criança, o futuro cavaleiro já se submetia. Os cavaleiros eram nobres, mas nem todo nobre era cavaleiro, pois era necessária uma cerimônia especial, para a qual o cavaleiro se preparava dos sete aos doze anos, onde aprendia a cavalgar e manejar a lança e a espada (era denominado pajem), depois era promovido à escudeiro e vivia ao lado do seu senhor, acompanhando-o nas batalhas e usufruindo de suas vitórias e derrotas. O escudeiro poderia receber as esporas de cavaleiro, pelo seu comportamento em batalha ou por uma festa realizada na corte. Na noite anterior da cerimônia, o “iniciado” passava a noite (esta noite era chamada de “VIGÍLIA D’ARMAS”) orando em pé ou de joelhos e ouvindo os sermões de cavaleiros lembrando-o das suas futuras obrigações, ao alvorecer, tomava um banho como libertação simbólica de seus pecados e vestia uma túnica branca (símbolo da pureza) e uma camisa vermelha (como sangue que os outros cavaleiros já derramaram) e um gibão ou calças negras (lembrando que a morte estava sempre por perto). Só então era conduzido à igreja, onde o mais velho cavaleiro lhe entregava a espada e o sacerdote perguntava: “por que motivos queres tornar-se cavaleiro? Para ficar rico? Vai-te não és digno”. O jovem ajoelhado jurava sobre a espada, que se manteria fiel a Deus, seus princípios, sua dama ou seu padrinho, o padrinho lhe entregava seu paramento (esporas de ouro, cota de malha, lança, etc.), e lhe dava uma bofetada no rosto ou uma pancada com a base larga da espada nos ombros e dizia as “palavras da consagração”: Em nome de Deus, de São Miguel e de São Jorge, sagro-te cavaleiro.
  15. 15. Caderno de Estudo Histórico 15 Porém poucos cavaleiros foram fiéis a ideologia não escrita da cavalaria: generosidade, fidelidade, defesa dos fracos contra o abuso dos poderosos. Não ferir o cavalo de um inimigo, não atacar muitos contra um, não se gabar das façanhas em batalha e servir a mulher amada, eram as bases do cavalheirismo. E muitas vezes o cavaleiro se apaixonava por uma mulher que jamais viu e só tinha ouvido falar, cortava o cabelo em sinal de dedicação, e acorria ao castelo da nobre dama, na esperança de vencer um torneio e receber um olhar ou um sorriso de sua musa. Também existia a FRATERNIDADE D’ARMAS, onde dois cavaleiros faziam um pacto que só seria desfeito com a morte, onde eles ou trocavam suas armas ou executavam um ritual de fidelidade: a partir deste momento, vestiam se igual, combatiam juntos e corriam os mesmos riscos, ajudando-se mutuamente. É nisso que se embasa o ritual da ordem DeMolay, onde os princípios da cavalaria estão mais fortes do que nunca, os antigos estandartes podem ser vistos em qualquer encontro que tenha mais de um capítulo, o respeito e a veneração à mulher é o mesmo, o respeito e a cortesia são, sem sombra de dúvida, o cartão de visita de um DeMolay. Para muitos uma reunião DeMolay nada mais é do que uma versão do século XX das histórias da “Távola Redonda” do rei Arthur, a própria cerimônia de posse do Mestre Conselheiro Nacional é inspirada na coroação dos Reis da Bretanha. No Grau Iniciático, o jovem, já em sua Iniciação, percorre a marcha dos cavaleiros cruzados, rumo a Terra Santa, buscando as mesmas virtudes básicas para sua coroação, na Terra Santa de Jerusalém (oriente do capítulo), no Grau Iniciático, é feita a aceitação do Neófito à “Fraternidade D`Armas”, passando a possuir os segredos que unem o DeMolay a todos outros irmãos no mundo inteiro. Os Monges Guerreiros Quando as notícias de sucesso por parte dos cruzados chegavam à Europa havia uma grande exaltação. Dos locais mais remotos do continente, peregrinos punham-se em marcha rumo à Terra Santo esperando ver a cidade onde tantos episódios da vida de Jesus Cristo se tinham desenrolado. Mas estas peregrinações começavam a criar consideráveis problemas para os governadores de Outremer — o nome Francês para ‘terras do ultramar ou além-mar’. Um reino Cristão tinha sido rapidamente estabelecido para delinear os territórios conquistados durante a primeira Cruzada. Mas não trouxe a paz para a região. Os Cristãos continuavam cercados por estados Islâmicos hostis. Os Turcos e os Muçulmanos que perderam muitas das suas terras para os Cristãos, não estavam dispostos a simplesmente desistir. Em cinqüenta anos os Turcos Sarracenos tinham feito severas investidas no Novo Reino. Havia ataques contínuos e assaltos às habitações Cristãs. Os descontraídos Peregrinos viajando por terra desde a costa até Jerusalém eram particularmente alvos fáceis. Num único incidente em 1119, por exemplo, um grupo de peregrinos fora cercado por bandidos Sarracenos e foram mortos cerca de 300. E em 1120, guerras entre Sarracenos podiam ser observadas na parte exterior das muralhas de Jerusalém. Mas nesse tempo, muitos dos cruzados originais tinham regressado com as suas riquezas saqueadas para a Europa. Agora que a missão do Papa para recapturar a Cidade Santa estava completada, o seu trabalho estava feito. Na Europa, as suas famílias esperavam- nos para os receber como heróis conquistadores. Isto fez com que muito poucos soldados hábeis ficassem para defender os novos residentes e seus visitantes peregrinos. O palco estava traçado para a emergência de Monges Guerreiros. Duas novas Ordens militares tinham aparecido com a Igreja, centradas em Jerusalém. Uma das quais os Hospitaleiros — Cavaleiros de S. João — cujo objetivo pacífico original se
  16. 16. Yan Walter Carvalho Cavalcante 16 inclinou para os doentes e feridos em Outremer. As ambulâncias atuais de S. João descendem diretamente da Ordem dos Cavaleiros Hospitalares. O objetivo consideravelmente mais perigoso de proteger os peregrinos dos ataques Sarracenos era levada a cabo por Hugues de Payen, um nobre Francês que chegou acuando da primeira cruzada. Em 1119, de Payen oferecia os seus humildes serviços ao primeiro rei de Jerusalém Baldwin I. Ele, juntamente com mais oito colegas cavaleiros, devotaram-se a policiar as rotas usadas pelos peregrinos. Em face disto, o cenário tornava-se absurdo. Que chances teriam nove homens contra um ataque Sarraceno? Mas eventualmente os nove fizeram um trabalho extraordinário. De fato, Baldwin estava tão impressionado com os seus esforços que lhes ofereceu a mesquita de Al-Aqsa. E esta mesquita tinha sido construída num local que antes fora ocupado pelo próprio Templo Sagrado de Salomão. Conseqüentemente, foi esse o nome que Hugues de Payen deu à nova Ordem: A Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão — Cavaleiros Templários. Eram ‘pobres’ cavaleiros porque eles eram também monges. Tinham feito os votos usuais de pobreza, castidade e obediência para com os seus superiores. Eram freqüentemente ilustrados em pares cavalgando um único cavalo. Ou eram realmente pobres, ou simplesmente representava a sua nobre pobreza, o desconhecimento do significado é total. A noção heróica de nove destemidos monges guerreiros valentemente defendendo os peregrinos em viagem contra as investidas Muçulmanas não deixou de apreender a imaginação das pessoas nesse tempo. Hoje, o conceito de homem de Deus manejando espadas sangrentas no campo de batalha é inconcebível. Mas nesse tempo, uma selvagem campanha dos cruzados para capturar a Terra Santa era perfeitamente aceitável. A terrível carnificina infringida os Muçulmanos durante a própria cruzada, tinha ela própria sido abençoada pelo Papa em nome de Deus. Alguns começaram a imaginar os Templários com uma reverência romântica e ofereciam-se como novo recrutas. A Ordem cresceu; lentamente no início, depois mais célere. Eram treinados como guerreiros, e tornavam-se grandes cavaleiros de guerra. As suas atividades também variavam. Do papel principal de proteger os peregrinos, gradualmente se tornaram vistos como defensores militares da Terra Santa. O fundador da Ordem e seu primeiro Grande Mestre, Hughes de Payen, era evidentemente um homem de uma habilidade impressionante. Desde o seu humilde início, os Cavaleiros Templários sobre a sua orientação tornaram-se numa organização disciplinada de profissionais de elevada destreza, com uma eficiente estrutura de comando. Enquanto a Ordem era pequena, todos os cavaleiros obedeciam a um único Mestre. Posteriormente, outros passos foram dados na criação de uma hierarquia, com papéis mais específicos. O Grande Mestre era responsável por toda a Ordem. Abaixo deste, diversos Mestres eram eleitos para cada uma das províncias onde os Templários permaneciam. Para cada Cavaleiro no terreno, havia ao lado deste dois ou três "sargentos". Estes eram homens que ainda não tinham um compromisso definitivamente firmado com os Templários. Poderiam ser guerreiros — 'sargentos-de-armas' — ou podiam servir de uma maneira mais pacífica em certas Casas ou Conventos dos Templários. Mantendo o compromisso de pobreza, os cavaleiros usavam roupa simples, que contrastava com o ornamento dos cavaleiros nesse tempo. Usavam uma cobertura lisa de cor branca — posteriormente adornada com a famosa cruz vermelha — que significava a sua pureza e dedicação. Em campanha, os templários nos seus cavalos de guerra usavam armaduras de malha metálica. Os seus sargentos usavam armadura mais leve e podiam combater em terra se necessário fosse.
  17. 17. Caderno de Estudo Histórico 17 Na sua primeira formação os Cavaleiros Templários não criavam grande excitação. Havia a tendência nesse tempo para novas Ordens aparecerem e desaparecerem, de acordo com as necessidades do momento. De regresso a casa, os Cavaleiros Templários recebiam o apoio do mais poderoso professor de moral da Europa desse tempo. Esse homem era Bernard de Clairvaux. E o apoio e evangelização de Bernard, levou a que se constituíssem como uma ordem com a benção do Papa em 1129. Tendo começado a serem vistos na Europa como novos heróis em conseqüência dessa medida. E então a lenda dos Cavaleiros Templários começa... A Ordem Prospera Em meados do século XII, o controle cristão na Terra Santa encontrava-se fragilizado, em 1147, o rei Alemão Conrad III e Luis VII da França, apelavam a uma segunda Cruzada para fortalecer o reino cristão no Oriente. O Papa Eugenius III deu a esta campanha a sua benção e Bernard de Clairvaux clamava apoios com os seus sermões. Na altura da segunda Cruzada, os Templários da Europa estavam em situação de enviar várias centenas de Cavaleiros para Outremer. A experiência adquirida ao proteger peregrinos ser-lhe-ia de capital importância para proteger a massiva armada Européia na sua movimentação através da Terra Santa. Os Templários, ganharam a confiança dos líderes reais das cruzadas, com o apoio financeiro e militar. E combatem ferozmente durante a campanha. Mas esta segunda Cruzada tornar-se-ia um desastre. Os Franceses e Alemães sofreram graves perdas nas suas batalhas com os Turcos. Em fins de Janeiro de 1148, os cruzados estavam severamente enfraquecidos e praticamente sem cavalos. Luis VII já tinha o que chegasse. Este regressou a casa, assumindo a grande responsabilidade pela campanha dos Templários. Se bem que, para lá dos desastres que ocorreram durante a segunda Cruzada, os Europeus sobreviveram intatos, e era claro que os Templários estavam ali para ficar. Estes, eram ricos em propriedades, e ganharam grande parte de território pela conquista. Nos terrenos desertos do Oriente Médio estabeleceram uma cadeia de fortificações. Por volta de 1180 os Cavaleiros do Templo tinham uma rede de castelos para se defenderem contra invasões e agir como depósitos de mercadorias e pontos de passagem. Estes castelos eram construídos de maneira pessoal, e eram os mais fortes do mundo. Novos recrutas chegavam da Europa para orientar essas fortificações. Eram também a armada mais disciplinada e organizada daquele tempo e não tinham dificuldade em recrutar novos homens de calibre superior para a Ordem. Por volta de 1180, havia cerca de 600 cavaleiros no Oriente, juntamente com 2000 ‘sargentos’ e talvez 5000 cavalos de guerra. E cada combate travado, por menor que fosse, aumentava-lhes a experiência. Os Cavaleiros eram guerreiros dedicados, conduzidos pela mais severa disciplina monástica. Não tinham qualquer medo de morrer. E para simbolizar a sua dedicação para morrer como mártires em defesa da Terra Santa, a sua original vestimenta branca era adornada pela então famosa cruz vermelha. Mas a maré da guerra estava mudando. Nos anos de 1170, o grande líder Sarraceno Saladino conseguiu unir os setores rivais do Islão numa só força. À volta do reino cristão de Jerusalém, Saladino governava as terras do Egipto para Sul e efetivamente conduzia também a Síria na parte Norte. Os anos de tolerância entre os cristãos e muçulmanos no Médio Oriente tinham chegado ao fim. Agora era a guerra aberta. E era uma guerra que Saladino estava progressivamente ganhando. A ajuda do Ocidente mostrava-se muito vagarosa na sua chegada. Os habitantes de Outremer estavam por conta própria.
  18. 18. Yan Walter Carvalho Cavalcante 18 Os próprios muçulmanos desenvolveram a sua própria seita de monges guerreiros. Os Assassinos eram o equivalente muçulmano dos Templários ou os Hospitaleiros. Mas, os Assassinos eram ainda mais fanáticos. Assim como tomando lugar em todas as operações militares, eram especialistas treinados para atingirem pessoas singulares. A palavra ‘Assassin’ é a forma inglesa de Hashishyun, que quer dizer ‘comedores de hashish’. Era relatado que o seu primeiro líder, conhecido como ‘O Velho das Montanhas’ tinha por hábito usar drogas para escolher objetivos e descrevia visões do paraíso, antes de enviar os seus homens em missões sinistras. Os Assassinos eram fanaticamente leais ao seu Mestre. O sobrinho de Ricardo Coração de Leão, Henrique de Champagne, visitou uma vez uma fortaleza Assassina na Síria na tentativa de negociar um tratado de paz com os muçulmanos. Para impressionar o visitante com a absoluta obediência dos seus homens, este ordenou a vários Assassinos um por um a atirarem-se para a morte das muralhas do castelo. Conta-se que Henrique ficou visivelmente perturbado com esta cena suicida que tinha presenciado. Estas fortificações Assassinas estavam implantadas através das montanhas do atual Líbano e Síria e constituíam uma constante ameaça para as fronteiras Nordeste do reino cristão. Mas os Assassinos também não eram amigos de setores rivais islâmicos, os quais eram atacados pelo menos tantas vezes quantas os Cristãos. Em 1173, o rei Amalric I de Jerusalém recebeu uma mensagem do próprio Velho das Montanhas, propondo-lhe a paz. Amalric entendeu que tal proposta não só deixava mais seguras as fronteiras, como também abria fissuras no próprio Islão cada vez mais espalhado. Aceitou fazer a paz com os Assassinos. Os Templários tinham por esse tempo assumido papeis adicionais. A sua honestidade e integridade eram contudo inquestionáveis. E eram os melhores guerreiros no reino. Ambas qualidades ideais para transportarem dinheiro dentro do reino. Eram, de fato, o ‘carro blindado’ medieval. Eram também os coletores de impostos perfeitos. Ninguém se atrevia a enfrentar um Cavaleiro do Templo. Amalric, no seu tratado com os Assassinos, apressadamente disse aos Templários para pararem de receber impostos no território dos Assassinos. Mas os Templários não gotavam que ninguém fizesse promessas em seu nome — mesmo sendo o rei. Abdullah, o agente Assassino, foi emboscado no caminho quando regressava das negociações com Amalric. Foi morto por um Templário com um só olho de nome Walter de Mesnil. Amalric estava furioso. O seu bem traçado plano de paz com os Assassinos tinha sido sabotado. Este incidente serve para ilustrar o elemento de desconfiança que começou a partir daí a tingir a impecável reputação dos Templários. Eles podiam agir independentemente do rei. Isto, argumentavam alguns, era típico da arrogância dos Templários, juntando-lhes vagas acusações de subornos. Eram altamente suspeitos do que exatamente os Templários tinham debaixo da sua manta de secretismo. Mas ultimamente Amalric e outros oponentes dos Templários tinham que engolir a sua ira e tolerar os Cavaleiros. Eram sem dúvida alguma a força de combate suprema em Outremer. Sem a sua experiência de combate — a sua bravura, plano táctico e disciplina de guerra — o reino nunca poderia sobreviver. Sem os Templários e as outras Ordens militares, a ocupação Cristã do Oriente Médio teria rapidamente sucumbido. A Terra Santa Perdeu-se Como uma máquina da guerra, a Ordem tinha-se tornado tão temida pelo inimigo que Saladino, o qual raramente era misericordioso com os prisioneiros de guerra, fazia questão de executar todo o Templário ou Hospitaleiro que lhe viessem ter às mãos. Tinha vindo a respeitar as insígnias do estandarte de batalha dos Templários — uma cruz vermelha de oito-
  19. 19. Caderno de Estudo Histórico 19 pontos num fundo branco. E teve boa razão para assim o fazer. Em 1177, por exemplo, numa força de 300 cavaleiros, conduzida pelo rei de Jerusalém, Baldwin IV, derrotou um exército maciço de 26.000 turcos, curdos, árabes, sudaneses e marmelukes. Este período da rápida expansão para os cavaleiros chega ao fim com a batalha de Hattin em 1187. Tendo-se a batalha dado perto do mar de Galiléia em Israel moderno, esta foi uma das batalhas mais dramáticas de toda a história mundial. O exército de Saladino de 60 000 homens saiu vitorioso do encontro com 25.000 cristãos. Durante os dois dias da batalha, Saladino usou o terreno e o clima brilhantemente em seu favor. Atacou as forças cristãs em deserto aberto, no calor flamejante, em terreno sem água. Ajustou o ataque ao favor do vento de modo que a fumaça densa adicionada à sua miséria e servido como a tampa para suas tropas. As flechas choveram severamente para debaixo dos Europeus prostrados. 230 cavaleiros morreram na batalha, ou foram executados imediatamente após. Estas execuções eram uma medida do respeito de Saladino para com os cavaleiros. Indubitavelmente trariam ricas recompensas ou mesmo preços elevados nos mercados de escravos por onde passassem as suas vidas. Ao fim de um ano, Acre e Jerusalém tinham caído. Saladino apagou todos os traços do Templários demolindo todos os seus edifícios. Logo o único posto cristão principal era o porto de Tyre. Embora a terceira Cruzada (1189-92), que trouxe Ricardo Coração de Leão à Terra Santa, conseguisse recapturar Acre, os cristãos nunca conseguiram reconquistar Jerusalém. O cervo saiu simplesmente do reino de Outremer. Acre transformou-se na nova capital, e os Templários moveram de lá os seus quartéis. Mas quando Saladino morreu em 1193, as seitas islâmicas rivais recomeçaram as suas querelas. Os cristãos lutavam para reconquistar território, e suas fortunas desvaneceram-se. Haviam algumas vitórias, mas haviam também algumas derrotas terríveis. Muitos Templários cairam na batalha de la Forbie (perto de Ghaza, em Israel moderno) em 1244, que somente 33 cavaleiros foram deixados em todo Outremer. O fim estava perto. Em meados de 1250, uma nova dinastia se tinha erguido no Egipto. Os Mamelukes, ex-escravos de combate dos Sarracenos, levantram-se sob o comando do Sultão Baybars, um homem cuja barbaridade e sangue-frio era equivalente aquele dos primeiros cruzados. Fortificação após fortificação, cidade após cidade, cairam para os egípcios. Os habitantes fujiram, e todo o Templário que sobrevivesse às batalhas era decapitado. Em 1270, os Templários deixaram de ser uma presença significativa na Terra Santa. E em 1291, após a queda dramática de Acre, os últimos Europeus deixaram o Oriente Médio. Os restantes Templários escaparam com seus tesouros e relíquias religiosas para Chipre, onde colocaram o seu quartel General em Limassol. Aí, tentaram se reagrupar, antes de confrontar o inimigo uma vez mais em Outremer. A maré da opinião popular na Europa, entretanto, começou a inverter-se contra eles inexoravelmente. De Guerreiros a Banqueiros No espaço de uma dúzia de anos desde a fundação da ordem, tinha sido dado aos Templários lotes expressivos da terra europeia. Rapidamente tiveram que estabelecer uma estrutura administrativa para lidar com todas essas benesses. Conforme, cada região de Europa foi dividida em províncias, cada uma com o seu próprio mestre, e cada província foi dividida em "baillies". O trabalho das casas Europeias dos Templários devia fornecer o dinheiro e os bens para a guerra no leste. Um terço da renda — em dinheiro — era pago por estas casas da Europa para suportar o esforço da guerra. No fim do século XIII, havia várias centenas de casas dos Templários na Europa. A vasta maioria estavam situadas no que é agora a França moderna, mas haviam também fortes implantações em Portugal e na Espanha Ocidental, e uma certa emergência na Inglaterra e
  20. 20. Yan Walter Carvalho Cavalcante 20 Itália. Tanto como 9.000 terras arrendadas de Templários desde a costa atlântica à Polônia Oriental, e da Escandinávia à Sicília. Num curto espaço de tempo, os Templários encontravam-se num papel inesperado. Tornaram-se nos primeiros Banqueiros Internacionais do Mundo. A moeda nesses dias era ouro ou prata e valia simplesmente o seu próprio peso, quer fossem dinars árabes ou solidi italianos. Vamos supor que você planejou uma viagem de Inglaterra a Itália. Você ficaria relutante em transportar dinheiro em moeda consigo. Isso seria demasiado arriscado. Mas com a sua rede de casas e dos castelos, os Templários poderiam dar-lhe uma nota (a nota de banco original) como prova que você tinha depositado uma determinada quantidade em dinheiro num dos seus centros na Inglaterra. E apresentando essa mesma nota numa casa de Templários em Itália, ser-lhe-ia devolvida essa mesma quantidade de dinheiro. Inicialmente os Templários estavam menos "aptos" com as transações financeiras dentro da Europa do que da Europa com a Terra Santa. Coletavam impostos em Outremer e asseguravam que tais impostos alcançavam com segurança os seus destinos. No século XII, emprestaram dinheiro aos cruzados assim como aos reis. Agiam também como agentes para pagamentos de compensações e transferência mais segura dos fundos para a guerra na Terra Santa. Pelo décimo terceiro século, os Templários possuíam uma frota no mediterrâneo. Originalmente, isso era para o transporte dos peregrinos de Marselha ou da Rochelle para a Terra Santa, mas transportavam também bens para venda ou revenda no Oriente Médio. E na viagem de retorno podiam trazer escravos ou outras especiarias orientais exóticas para a Europa. O movimento do dinheiro e facilidades de crédito deve ter crescido juntamente com este transporte de peregrinos. Eram precisamente esses peregrinos que necessitavam o seu dinheiro protegido, e que tiravam partido de facilidades de crédito na própria Terra Santa. Ficavam muito mais felizes usando os Templários para estas operações do que algumas das casas de operação bancária rivais que surgiram rapidamente na competição. Os Templários podiam oferecer um melhor serviço em todo o local. Podiam protegê-lo assim como ao seu dinheiro. E seus votos da pobreza fizeram-nos totalmente dignos de confiança. Reis e nobres de toda a Europa tiraram rapidamente vantagem da garantia dos Templários pela segurança e honestidade. O Rei Henrique II de Inglaterra depositou muitos dos seus artigos de valor nos Templários de Londres, fundados em 1185. Em 1204-5 o rei João deixou mesmo as jóias da coroa nos seus cofres, assim como o seu sucessor Henrique III em 1261 durante a revolta dos Barões. Forneceram empréstimos — para os quais eram tirados dividendos — às casas reais. Em Inglaterra, as próprias jóias da coroa foram usadas colateralmente para garantir um particularmente grande empréstimo ao rei Henrique. Eram também os banqueiros do Papa na Terra Santa, e os impostos coletados em seu interesse. Na Espanha, a Ordem teve um monopólio virtual no dinheiro emprestando. Na França, os Templários eram os banqueiros da família real durante mais de um século, e na Inglaterra jogavam um papel similar durante os reinos de João e de Henrique III. Porque Inglaterra era uma fonte particularmente rentável dos Templários, não é nenhum exagero dizer-se que colocaram as "pedras nas fundações" de Londres para se transformar no principal mercado financeiro internacional que é hoje. Em muitas partes da Europa foram concedidas isenções de taxas locais e nacionais, dos pedágios, das demandas arbitrárias pelo barão ou pelo rei local. É impossível calcular-se a riqueza dos Templários. Mas considere-se o fato que em meados do século XII a renda das suas propriedades inglesas somente, eram avaliadas em £5 200 — o que equivaleria hoje a cerca de £8-12 milhões. E lembre-se, isto apenas na Inglaterra. A vasta maioria das suas propriedades estavam situadas na França e outras partes do continente.
  21. 21. Caderno de Estudo Histórico 21 A sua participação na política era uma extensão natural do seu envolvimento nos casos financeiros das casas nobres e reais da Europa. Tendo em conta que os Templários vinham tendencialmente dos extratos superiores da sociedade, tinham uma rede "já feita" dos amigos e dos parentes em lugares de evidência. Há muitos exemplos dos papéis de influência que jogaram em eventos da política. Quando o rei João morreu em 1216, o seu filho Henrique tinha nove anos. Assim, por diversos anos a Inglaterra foi governada por um comitê. Este comitê incluiu o mestre do Templo, e era encabeçado por um seu grande amigo pessoal. Em 1259, o parlamento inglês usou o Templo de Londres como seu lugar de reunião. E mais cedo, em 1164, o mestre dos Templários da Inglaterra, Richard de Hastings, tinha tentado usar a sua influência para reconciliar Henrique II com o seu "turbulento" padre, Becket de Thomas. Histórias similares podem ser relatadas em outros locais da Europa. Em Aragão (parte da Espanha moderna), quando o rei James I ainda criança recebeu o trono em 1213, os nobres Aragoneses escolheram o Mestre Templário local para tomar conta da criança no Templo de Monzón. Este se tornou o seu conselheiro durante todo o seu reinado. Assim como providenciando serviços financeiros e políticos na Europa, os membros da Ordem estavam também disponíveis para as cruzadas. Tendo a Guerra Santa no oriente sido perdida, jogavam um papel principal nas guerras internas contra os Mouros na Espanha. Mas o papel dos Templários no Ocidente era bastante diferente daquele exercido no Oriente. No Ocidente eram agricultores, agentes de viagens e financeiros. No Oriente eram guerreiros temidos. Guardas das Sagradas Relíquias Além das propriedades, enormes reservas de dinheiro, os Templários eram também ricos em relíquias. As relíquias eram os restos das pessoas ou coisas que tinham sido caracterizadas nas histórias do Novo Testamento. Uma relíquia popular era naquele tempo um pedaço de madeira da cruz verdadeira — a cruz em que Jesus foi crucificado. Outra, era a cabeça de S. João Batista, que foi decapitado após ter sido enfeitiçado pela sedutora dança de Salomé. Os povos na idade média tinham uma adoração desesperada por relíquias, que veneravam com admiração. Mas como seria de esperar, havia uma abundância de fraudes. Diversas cabeças de João Batista estavam em circulação. E havia bastante lascas da madeira da verdadeira cruz que davam para fazer uma enormidade de crucifixos! Os Templários tinha em sua posse a coroa dos espinhos, tirada da cabeça de Cristo. Tiveram também o corpo da mártir Santa Eufêmia de Chalcedon (julgava-se ter poderes de cura divinos). Tiveram uma cruz feita de um banho usado supostamente por Jesus, uma cruz de bronze feita da bacia que Jesus usava para lavar os pés dos seus discípulos na última ceia, e uma coleção apreciável de outras relíquias. O escritor popular Ian Wilson, no seu livro best- seller The Turin Shroud, levantou a questão que eles compraram também o lençol em que Cristo foi envolvido no seu túmulo na Terra Santa. Mas a relíquia mais estimada era o próprio Santo Graal — o cálice que Jesus usou na última ceia. Era comentado que tinha sido descoberto enterrado no velho templo de Salomão em Jerusalém. No princípio do século XIII o poeta alemão Wolfram von Eschenbach visitou Outremer especialmente para aprofundar o estudo da Ordem. É verdadade, admitiu ele. "Os Templários possuíam certamente o Santo Graal". Este foi mais tarde corroborado por Trevrizent, que declarou: "é sabido que muitos formidáveis guerreiros repousam em Munsalvaesche com o Santo Graal". A verdade remanescerá provavelmente sempre em mistério uma vez que todos os casos de Templários foram conduzidos em segredo. Todo o membro da Ordem que revelasse os procedimentos das reuniões dos Templários era punido com a expulsão. Eram proibidos de
  22. 22. Yan Walter Carvalho Cavalcante 22 fazer cópias das estátuas dos Templários e das regras da Ordem, para não caírem nas mãos erradas. Era esta não mais do que uma aplicação do princípio de que nas épocas de guerra,'Conversas descuidadas custam vidas?' Ou guardavam algum segredo mais sinistro? Muitos de seus contemporâneos acreditaram no último. O Julgamento dos Templários Era sexta-feira, 13 de Outubro de 1307. Um dia fatal para os Templários, e lembrado supersticiosamente ainda nos nossos dias como a azarenta ‘sexta-feira 13’. Ao fim da tarde, agentes do rei Filipe IV atacaram. Num assalto fulminante, acusaram e prenderam Templários por toda a França. A data tinha sido escolhida pela coincidência da visita à França de vários líderes Templários, incluindo o próprio Grande Mestre Jacques de Molay. Mas quando os agentes entraram no Templo em Paris, sede dos Templários, descobriram que todos os documentos e, mais importante ainda para Filipe, o tesouro tinha sido removido. Os agentes também tentaram capturar a frota Templária, a maior da Europa, que estava atracada em La Rochelle. Mas uma vez mais se frustrou a intenção — a frota tinha já partido. Até hoje a vasta riqueza dos Templários nunca foi encontrada. Nem tão pouco foi descoberto para que porto a frota seguiu — ou onde atracou. Mas os Templários não tentaram esconder-se, e na manhã seguinte, vários milhares tinham sido feitos prisioneiros. Juridicamente falando, essas prisões eram ilegais. Os Templários respondiam unicamente ao Papa. Mas o atual Papa, Clemente V, devolveu essa condição para Filipe. O rei Francês que transferiu o assento papal de Roma para Avignon na França, pediu que isso lhe fosse cedido. Filipe esteve também por trás da morte suspeita do precedente Papa, deixando assim o trono papal livre para Clemente. Inevitavelmente, o Papa toma o partido de Filipe. E com apoio papal, ataques similares foram feitos aos Templários através da Europa. Iriam ser todos levados a julgamento. Aqueles que acatavam as acusações levadas contra eles eram abandonados com uma mísera pensão, deixados na miséria ou ainda como pedintes. Qualquer um que recusasse era encarcerado para toda a vida. Mais de 120 foram queimados na fogueira. Após as torturas, confissões e execuções, Clemente V aboliu oficialmente a Ordem dos Cavaleiros Templários a 22 de Março de 1312. O Grande Mestre patriarca, Jacques de Molay, foi um dos que confessou. Mas a 14 de Março de 1314, enquanto ele era exibido no exterior da catedral de Notre-Dame em Paris para ouvir a sua sentença de prisão perpétua, De Moley discursou uma dramática declaração: "Penso verdadeiramente" — proferiu ele, "Que neste solene momento eu deva proferir toda a verdade. Ante o céu e a terra, e com todos vocês aqui como minha testemunha, eu admito que sou culpado da mais grotesca das iniqüidades. Mas essa iniqüidade foi eu ter mentido ao ter admitido as grotescas acusações emitidas contra a Ordem. Declaro que a Ordem está inocente. A sua pureza e santidade estão acima de qualquer suspeita. Eu admiti de fato que a Ordem era culpada. Mas unicamente assim agi para evitar contra mim as terríveis torturas — A vida foi-me oferecida, mas pelo preço da infâmia. Por este preço, a vida não vale a pena ser vivida." Como publicamente retratou a sua confissão, Jacques de Molay, o último de 22 Grandes Mestres da Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e Templo de Salomão, foi queimado vivo antes de um insulto popular em Paris. E enquanto expirava, amaldiçoou o rei Francês e o Papa. Disse que no prazo de um ano seriam chamados a prestar contas pela perseguição aos Templários. Apenas um mês depois, o Papa Clemente V faleceu, aparentemente de causas naturais. A 29 de Novembro do mesmo ano, Filipe IV morreu também num acidente a cavalo enquanto caçava. Teriam assim os Templários poderes ocultos? Teria realmente efeito a praga de de Molay?
  23. 23. Caderno de Estudo Histórico 23 Mas porque terá tudo isso acontecido? Que fizeram os Templários? Nos julgamentos, eles eram acusados de heresia — de participar em práticas obscenas, cuspindo na imagem de Cristo e adorando ídolos (especialmente uma cabeça chamada Baphomet). Eram acusados de bruxaria. Foram ainda acusados de homossexualidade. Para tentar compreender as razões pela qual os Templários caíram em desgraça, precisamos de retroceder no tempo. Já mencionamos acusações de arrogância e avareza espalhadas pela sua história. Foram fundados com uma nobre causa — defender a Terra Santa. Mas a Terra Santa já tinha sido tomada. Eles tinham falhado, para além de todas as despesas e perda de vidas — e o povo ressentia isso mesmo. Argumentavam que os Templários se encontravam demasiado ocupados tratando dos seus próprios negócios, ou combatendo Ordens rivais, para que pudessem manter uma defesa segura na Terra Santa. Talvez eles tenham até colaborado com o inimigo. Mas este ressentimento era dirigido não só ao Templários, mas também aos Hospitaleiros e aos Cavaleiros Teutónicos, os quais eram igualmente 'culpados' pela perda de Outremer. Então que haveria de tão terrível acerca dos Templário, para estimular as hostilidades do rei Filipe IV? E isto para além do fato deste ter já fortes relações com a Ordem. Jacques de Molay era padrinho do seu filho. E quando Filipe se viu confrontado com uma sublevação popular em 1291 em Paris, o rei escolheu o Templo como refúgio. Eram também os banqueiros reais. Em primeiro lugar, havia a resistência própria a mudanças. Através da sua história houve chamadas para a unificação com os Hospitaleiros. Os Templários objetaram sempre. Mas recentemente o influente escritor Ramon Hull renovou a chamada para a unificação. Este tinha em mente um rei guerreiro cavalgando à frente das ordens unificadas expulsando os Muçulmanos para fora de Espanha e da Terra Santa. Isto era música pra os ouvidos do Rei. Via-se a si próprio tal qual esse rei guerreiro. Sugeriu mesmo ao Papa que os reis Franceses deveriam ser os Mestres desta Ordem unificada, com acesso livre aos ganhos extras de todas as Ordens! Portanto não restam dúvidas pela constante resistência dos Templários à unificação. Em 1305 Filipe candidatou-se inclusivamente, a juntar-se à Ordem. Mas os Templários breve perceberam que um homem com a sua enorme ambição nunca estaria satisfeito enquanto não tivesse disposto de tudo. Rejeitaram a sua candidaura, sem qualquer explicação. Eles tinham recusado o rei! Como governante de um maior e mais poderoso reino que os seus predecessores, Filipe considerava-se a si próprio quase divino. Como se atreviam eles a recusá-lo! Para uma satisfatória explicação contudo, deveremos ter em conta uma razão muito simples: ganância. Filipe encontrava-se quase falido. tinha herdado dívidas enormes do seu pai e das guerras contra a Inglaterra e Flandres. Um dos conselheiros mais próximos do rei, William de Nogaret, sugeriu a que a solução mais simples para solucionar a crise financeira de Filipe era confiscar o máximo que pudesse da fortuna dos Templários. O desonesto William tinha já sido excomungado em 1304 por ter feito parte na tentativa de rapto do Papa Bonifácio VIII. A esta altura, estava meramente cumprindo ordens do rei Filipe. O Rei vinha olhando para ele próprio como o chicote contra a heresia e o purificador do reino. Em 1306, tinha expulsado os Judeus da França, remetendo-lhes vagas acusações de sacrilégio e bruxaria. Se William pudesse fornecer provas que também os Templários eram heréticos e bruxos — e que a sua fé cristã estava em perigo de ser poluída — então poderia legitimamente avançar. Não eram os Templários, então, notoriamente secretos? Havia muitas considerações a cerca do seu ‘grande segredo’. O que era? Para eles que amealharam tantas riquezas ao longo de dois séculos, supostamente devia ser algo de muito poderoso — talvez mesmo oculto.
  24. 24. Yan Walter Carvalho Cavalcante 24 William apoiava um rancoroso renegado Templário de nome Esquin de Florian de Béziers, que tinha sido expulso da Ordem. Esquim já se tinha aproximado do rei de Aragão, oferecendo-lhe a venda do ‘grande segredo’ dos Templários. Ao mesmo tempo tinha-os acusado de blasfemia e todo o tipo de práticas escandalosas. William tinha forjado tudo isso. Com a ajuda de Esquin, arranjava maneira de colocar espiões nas Casas Templárias. A plataforma estava montada para as grandes detenções. E, como William esperava, para o melhoramento das finanças do rei. Mas o plano correu mal. Depois de terem terminado todos os seus julgamentos, o Papa entregou todas as propriedades e bens aos Templários que estes poderiam reaver não do rei Francês, mas sim dos Hospitaleiros! Jacques DeMolay, o último Grão-Mestre Templário Jacques DeMolay (Vitrey, 1243/1244 ou 1249/1250 - Paris, 18 de Março de 1314) nasceu no Condado da Borgonha e pertencia a uma família da pequena nobreza franca. Em 1265 foi recebido na Ordem do Templo, na pequena cidade de Beaune por Hubert de Pérraud que detinha o cargo na ordem de visitador da França. Foi o 23º Grão-mestre dos cavaleiros templários e oficialmente o seu último, quando foi queimado vivo na Ile de la Cité, pequena ilha localizada no meio do Rio Sena, em Paris. Pouco ou nada se sabe da sua juventude, só começando a ter maior evidência depois do seu ingresso na ordem e no capítulo de emergência em Chipre, efetuado devido à morte de Guillaume de Beaujeu, caído heroicamente na defesa de Acre, para eleger um sucessor. Jacques DeMolay assume o mestrado da ordem em 1295, não se sabendo no entanto a data exata da sua eleição. Será eleito em detrimento de outra figura de peso dentro da ordem, Hugues de Pérraud, sobrinho do visitador do templo em França, Hubert de Pérraud. No inicio do seu mestrado é conhecido pela sua ação a favor de uma nova cruzada, desenvolvendo uma campanha diplomática na França, Catalunha, Inglaterra e na Itália junto ao papado. Esta campanha visou não só resolver problemas internos que a ordem tinha, como também problemas locais, sendo resolvidas diversas disputas entre a ordem e bispos e também no sentido de pressionar as coroas e a Igreja a uma nova cruzada. Organiza a partir da ilha de Chipre ataques contra as costas egípcias e síria para enfraquecer os mamelucos, providencia apoio logístico e armado à Pequena Arménia, chega a intentar uma aliança com o Canato da Pérsia sem resultados visíveis. Outro assunto que será discutido durante o seu mestrado na ordem será o da fusão entre as duas maiores ordens militares, a do Templo e a do Hospital numa só. A Ordem do Templo com a perda de Acre começava a ser questionada quanto à razão da sua existência, as suas funções de proteger os peregrinos e de defender a Terra Santa tinham cessado quando retiraram para a ilha de Chipre. Os Grãos Mestres da Ordem dos Templários Hugh de Payens 1118-1136 Everard des Barres 1146-1149 Andre de MonthBard 1153-1156 Philip de Milly 1169-1171 Arnold de Toroga 1179-1184 Robert de Sable 1191-1193 Philip de Plessiez 1201-1208 Pedro de Montaigu 1219-1230 Richard de Bures 1245-1247 Reynald de Vichiers 1250-1256 William de Beaujeu 1273-1291 Robert de Craon 1136-1146 Bernard de Tremelai 1149-1153 Bertrand de Blanquefort 1156-1169 Odo de St Amand 1161-1179 Gerard de Ridfort 1185-1189 Gilbert Erail 1193-1200 Armand de Perigord (?)- 1244 William de Sonnac 1247-1250 Thomas Bernard 1256-1273 Tibald de Gaidin 1291-1293 Jacques DeMolay 1293-1314
  25. 25. Caderno de Estudo Histórico 25 Jacques DeMolay em Maio de 1307 em Poitiers, junto do papa Clemente V conseguira apresentar uma defesa contra esta fusão e ela não se realizara. Na sexta-feira de 13 de Outubro de 1307, os templários no reino da França são presos em massa por ordem de Filipe, o Belo. O grão-mestre Jacques de Molay é capturado em Paris. Imediatamente após a prisão, Guillaume de Nogaret proclama publicamente nos jardins do palácio real em Paris as acusações contra a ordem. Esta manobra régia impedira o inquérito pontifício pedido pelo próprio grão-mestre, o qual interno à Igreja, discreto e desenvolvido com base no direito canônico, emendaria a ordem das suas faltas promovendo a sua reforma interna. A prisão, as torturas, as confissões do grão-mestre, criam um conflito diplomático com a Santa Sé, sendo o papa o único com autoridade para efetuar esta ação. Depois de uma guerra diplomática face ao processo instaurado contra a ordem entre Filipe, o Belo e Clemente V, chegam a um impasse, pois estando o grão-mestre e o Preceptor da Normandia, Geoffroy de Charnay sob custódia dos agentes do rei, estão no entanto protegidos pela imunidade sancionada pelo papa e absolvidos não podendo ser considerados heréticos. Em 1314 o rei pressiona para uma decisão relativa à sorte dos prisioneiros. Já num estado terminal da sua doença, com violentas hemorragias internas que o impedem de sair do leito, Clemente V ordena que uma comissão de bispos trate da questão. As suas ordens seriam a salvação dos prisioneiros ficando estes num regime de prisão perpétua sob custódia apostólica e assegurando ao rei que a temida recuperação da ordem não será efetuada. Perante a comissão Jacques de Molay e Geoffroy de Charnay proclamam a inocência de toda a ordem face às acusações dirigidas a ela, a comissão pára o processo e decide consultar a vontade do papa neste assunto. Ao ver que o processo estava ficando fora do seu controle e estando a absolvição da ordem ainda pendente, Filipe, o Belo decide um golpe de mão para que a questão templária fosse terminada, ordena o rapto de Jacques de Molay e de Geoffroy de Charnay, então sob a custódia da comissão de bispos, e ordena que sejam queimados na fogueira na Ile de la Cité pouco depois das vésperas em 18 de Março de 1314. Com isso Jacques DeMolay passou a ser conhecido como um símbolo de lealdade e companheirismo. Ele preferiu morrer a entregar seus companheiros. A Ordem dos Templários continua viva... ? O destino da Ordem dos Templários será sempre uma questão de discussão. O que sobreviveu foi a lenda dos Templários. Na literatura e, mais recentemente, nas películas são retratados como os guerreiros heróicos dos cristãos que lutam de encontro às forças desconhecidas e do mal. Outros trabalhos sérios da história perpetuaram também esta lenda dos Templários. Como vimos no anterior capítulo, Jacques de Molay amaldiçoou o rei Francês e o Papa antes de ser queimado na fogueira. Uma vez que a sua praga estava de encontro a figuras ditatoriais da autoridade, ressuscitou na altura da Revolução Francesa. Quando os súditos praguejavam em relação aos donos de propriedades aristocráticos, dispunham o rei Louis XVI à morte. Isto foi visto por muitos como o preenchimento final da praga dos Molays. Louis foi o último rei a governar a França desde então. Algures na Europa, onde muitos Templários escaparam da supressão, a ordem ajustou as suas posições. Os Templários Portugueses mudaram simplesmente o seu nome — como um negócio moderno muda o nome a fim de evitar débitos precedentes. Tornaram-se nos
  26. 26. Yan Walter Carvalho Cavalcante 26 Cavaleiros de Cristo, posteriormente famosos pelas suas explorações na África e nas Índias ocidentais. O famoso rei D. Henrique, o Navegador, era um grande mestre da Ordem, e exploradores como Vasco da Gama eram membros. O sogro de Cristóvão Colombo era um Grande Mestre, e Columbo navegou através do Atlântico com a familiar cruz dos Templários brasonada nas suas velas. A Ordem de Cristo sobreviveu até 1830. Igualmente na Alemanha, Espanha e outras partes da Europa onde a purga aos Templários não foi tão bem sucedida, há abundantes indícios que estes se juntaram a outras Ordens — os Hospitaleiros ou os Cavaleiros Teutónicos na Alemanha, ou a Ordens militares locais na Espanha. Mais misterioso foi o destino dos Templários ingleses, escoceses e irlandeses. Um levantamento pode ser feito — e foi feito certamente, por Michael Baigent e Richard Leigh, no The Temple and the Lodge, para quem um expressivo número deles fugiu para o norte, mais precisamente para a Escócia. O rei escocês, Robert the Bruce, era especialmente benevolente para com os Templários e nunca dissolveu os Templários Escoceses. Encontrava- se também desesperadamente necessitado de cavaleiros hábeis para as suas campanhas contra a Inglaterra. Mas se a Escócia foi o destino final destes cavaleiros, juntamente com a sua frota e possivelmente o seu tesouro, o que aconteceu com eles? Sem dúvida, muitos deles com o passar dos anos pura e simplesmente esqueceram os seus passados de cavaleiros. Outros, entretanto, podem ter ajudado a fundar a Maçonaria. A organização semi-secreta, que permeia a sociedade em todos os níveis hoje, reconhece explicitamente uma linhagem direta dos Cavaleiros Templários. A Escócia era um dos lugares principais onde um tipo particular da Maçonaria — Templária nos seus mitos e rituais; mística em toda a sua orientação primeiramente despertou e floresceu. A Maçonaria só foi fundada formalmente em meados do século XVII. Mas no final do século XVII o visconde de Dundee era ainda o Grande Mestre dos Templários na Escócia. Além disso, no final do século XVI, havia ainda 500 registros de propriedades pertencentes aos Templários. Parece assim que os Templários e os Hospitaleiros se fundiram na Escócia. E também sabemos ao certo que os Hospitaleiros sobreviveram, porque estão entre nós ainda hoje como os Cavaleiros de Malta e da Brigada da Ambulâncias de S. João. Além dos Maçônicos, existe uma outra organização misteriosa que deve ser mencionada: o Prieuré de Sion. Este cabal Francês é investigado no best-seller explosivo: The Holy Blood and the Holy Grail.. O autor reivindica que esta organização, que existe indubitavelmente, tem uma história longa, inclusive, antes do estabelecimento do Templários. Julga-se que foi este Prieuré de Sion que fundou originalmente os Templários, com o intuito de restaurar uma linhagem antiga dos reis franceses conhecidos como a dinastia de Merovingian. E a esta dinastia é dito ter uma linhagem fantástica. Os seus membros seriam descendentes diretos do próprio Jesus Cristo! O livro, publicado em 1982, oferece novas evidências para tornar este cenário plausível. Esta evidência foi descoberta em documentos originais antigos descobertos na França, numa biblioteca onde as autoridades tentaram arduamente impedir que fossem encontrados. Isto altera toda a nossa compreensão e conhecimento da vida de Cristo como se encontra descrito no Novo Testamento. Jesus, pode não ter morrido na cruz. Poderá ter sobrevivido, ter casado com Maria Madalena e esta lhe ter dado filhos. E das crianças de Jesus, os reis de Merovingian — e através delas um número de outras famílias reais europeias — serão descendentes. Não menos impressionante era uma reivindicação de que os anteriores líderes da ordem de Sion incluíam os famosos cientistas britânicos Robert Boyle e Sir Isaac Newton, os escritores franceses Victor Hugo e Jean Cocteau, o artista italiano Leonardo da Vinci, e um número de outros distintos Europeus.
  27. 27. Caderno de Estudo Histórico 27 Qualquer sobrevivência anterior dos Templários aos dias de hoje não seria tão direta quanto a sobrevivência do Hospitaleiros. Mas é ainda possível que haja hoje em dia pessoas que estejam na posse das tradições e dos segredos dos Templários. Não circulam com armadura de cavaleiro. Não registram qualquer diferença em relação aos cidadãos anônimos. Podem ser massons. Ou podem pertencer a alguma casta mais esotérica, encontrando-se talvez uma vez por mês para praticarem qualquer ritual mágico. Talvez estejam à espera de uma época em que a cristandade necessite uma vez mais ser defendida de uma ameaça exterior. O que é feito do seu tesouro? Será que existe algures ou foi meramente usado? Existe de fato um verdadeiro tesouro — dinheiro ou valores — ou é meramente um tesouro metafórico? Um ‘grande segredo’ de qualquer espécie? Talvez, caso fosse um tesouro verdadeiro, tenha sido enterrado ou perdido, esperando por uma descoberta acidental de um detector de metais. Ou ainda encontra-se depositado num cofre de um Banco Suiço qualquer anônimo, esperando ser posto em uso nos tempos vindouros. Estas são questões que têm intrigado os historiadores, investigadores e afins há quase 900 anos. Estes são os equívocos para os quais são necessárias respostas. A verdade a cerca dos lendários Cavaleiros do Templo irá provavelmente continuar a ser um dos maiores mistérios de todos os tempos.
  28. 28. Yan Walter Carvalho Cavalcante 28 Capítulo 3: Simbologia Templária & DeMolay O Cavaleiro Medieval Para se tornar um Cavaleiro, o homem deveria inicialmente um Pagem, que era um servo geral dos Cavaleiros. Depois, pela sua dedicação se tornava um escudeiro, que era um servo particular de um Cavaleiro e o auxiliava em trabalhos mais específicos do Oficio, e então um dia era chamado a se tornar um Cavaleiro. Raimundo Lúllio ressalta que o Cavaleiro não somente lutava em termos materiais, mas também em termos espirituais. Assim, cada uma de suas armas simbolizava um princípio que o cavaleiro deveria dominar, a saber: Espada: o cavaleiro devia vencer e destruir os inimigos para manter a justiça, e justiça é dar a cada um o seu direito, por isso a espada do cavaleiro significa que o cavaleiro com a espada mantêm a cavalaria e a justiça. Lança: significa a verdade, porque verdade é coisa direita e não se torce ; e verdade vai diante da falsidade. E o ferro da lança significa a força que a verdade tem sobre a falsidade; se o pendão significa que a verdade se demonstra a todos, e não há poder de falsidade nem de engano; e verdade é a base da esperança, e assim das outras coisas que são significadas de verdade pela lança do cavaleiro. Chapéu: significa a vergonha, é o meio que está entre as coisas baixas e as coisas altas. Cota de Malha: significa castelo e muro contra vícios e faltas; porque assim como castelo e muro estão contidos em volta para que homem não possa entrar, assim cota de malha é encerrada por todas as partes e tampada para que dê significado à nobre coragem de cavaleiro para que não possa entrar nela traição nem orgulho nem deslealdade nem nenhum outro vício. Calça de ferro: significa a certeza, mantendo seguros seus pés e suas pernas, assim como seus pensamentos. Esporas: significam diligência e esperteza e ânsia com que possa manter honrada sua ordem; porque assim como com as esporas esporeia o cavaleiro seu cavalo para que se cuide e que corra o mais velozmente que possa, assim diligência faz cuidar as coisas que convêm ser, e esperteza faz o homem guardar de ser surpreendido, e ânsia faz procurar o arnês e a despesa que é mister à honra de cavalaria. Gojeteira: significa a obediência; porque cavaleiro que não é obediente a seu senhor nem à ordem de cavalaria, desonra seu senhor e vai-se da ordem de cavalaria. Logo, assim como a gorjeira envolve o colo do cavaleiro para que esteja defendido de feridas e golpes, assim obediência faz estar o cavaleiro dentro dos mandamentos de seu senhorio maior e dentro da ordem de cavalaria, para que traição nem orgulho nem injúria nem outro vício não corrompa o sacramento que o cavaleiro tem feito a seu senhor e a cavalaria. Maça: é dada ao cavaleiro para significar força de coragem; porque assim como a maça é contra todas as armas, e dá e fere de todas as partes, assim a força de coragem defende cavaleiro de todos os vícios e fortifica as virtudes e os bons costumes pelos quais o cavaleiro mantém a honra de cavalaria. Escudo: é dado ao cavaleiro para significar ofício de cavaleiro, porque assim como o escudo mete o cavaleiro entre si e seu inimigo, assim o cavaleiro é o meio que está entre rei e seu povo. E assim como o golpe fere antes no escudo que em o corpo do cavaleiro, assim cavaleiro deve parar seu corpo diante de seu senhor se algum homem desejar pendurar ou ferir seu senhor. Sela: significa segurança de coragem e carga de cavalaria; porque assim como pela sela cavaleiro está seguro sobre seu cavalo, assim segurança de coragem faz estar de cara o
  29. 29. Caderno de Estudo Histórico 29 cavaleiro na batalha, pela qual segurança sucede ventura amiga de cavalaria. E por segurança são menosprezadas muitas covardes presunções e muitas vãs semelhanças, e são refreados muitos homens que não temem passar avante no lugar onde coragem nobre faz estar seguro o corpo do cavaleiro. E tanto é grande a carga de cavalaria que por ligeiras coisas não se devem mover os cavaleiros. Cavalo: tem por significado a nobreza da coragem e para que seja mais alto montado a cavalo que outro homem, e que seja visto de longe, e que mais coisas tenha debaixo de si, e que antes seja em tudo o que se convém à honra de cavalaria que outro homem. Ao cavalo é dado freio e às mãos do cavaleiro são dados reinos, a significar que cavaleiro, pelo freio, refreie sua boca de parlar feias palavras e falsas, refreie suas mãos, que não dê tanto que haja de querer, nem seja tão ardente que de seu ardor expulse a sensatez. E pelos reinos, entenda que ele se deixe conduzir até qualquer parte a ordem de cavalaria o deseje empregar e enviar; e quando for mister, alargue suas mãos e faça despesa e dê segundo o que se convém à sua honra, e seja ardoroso e não hesite seus inimigos, e quando hesitar de ferir, deixe fraqueza de coragem. E se disso o cavaleiro faz o contrário, seu cavalo, que é besta e que não possui razão, segue melhor a regra e o ofício de cavalaria que o cavaleiro. Testeira: significa que todo cavaleiro não deve fazer de armas sem razão; porque assim como a cabeça do cavaleiro vai primeiro, diante do cavaleiro, assim o cavaleiro deve levar diante a razão em tudo o que faz; porque obra que seja sem razão possui tanta vileza em si que não deve existir diante de cavaleiro. Logo, assim como a testeira guarda e defende a cabeça do cavaleiro, assim razão guarda e defende cavaleiro de blasfêmia e de vergonha. Além desses aspectos, Lúllio ressalta que todo cavaleiro deve saber as sete virtudes que são raiz e princípio de todos os bons costumes e são vias e carreiras da celestial glória perdurável. Análoga as sete virtudes dos DeMolay, as sete virtudes do cavaleiro medieval eram três teologais e quatro cardeais. As teologais são fé, esperança, caridade. As cardeais são justiça, prudência, fortaleza, temperança. Segundo o autor, sem fé não pode ser bem acostumado porque, pela fé vê o homem espiritualmente a Deus e suas obras crendo nas coisas invisíveis. É pela fé que o homem se torna servidor da verdade. A Esperança é virtude que relembra de Deus na batalha, pela esperança que têm em Deus recebem socorro e ajuda de Deus, que vence a batalha por razão da maior esperança e confiança que os cavaleiros têm no poder de Deus do que em suas forças e em suas armas. Caridade é virtude que ajusta uma virtude com outra e separa um vício do outro; e caridade é amor do qual pode ter todo cavaleiro e todo homem tanto quanto dele haja mister para manter seu ofício. E como cavalaria tem princípio de justiça, qual cavaleiro que está acostumado a fazer coisas tortas e injúrias cuida estar na ordem de cavalaria? Desfazer cavaleiro é como romper a correia da espada por trás e lhe é levada a espada, para significar que não torna útil cavalaria . Logo, se cavalaria e justiça se convêm tão fortemente que cavalaria não pode ser sem justiça, aquele cavaleiro que faz injúria a si mesmo e é inimigo da justiça desfaz a si mesmo e renega e menospreza a ordem de cavalaria. Prudência é virtude pela qual o homem tem conhecimento do bem e do mal, e pela qual o homem tem sabedoria para ser amante do bem e a ser inimigo do mal; e prudência é ciência pela qual o homem tem conhecimento das coisas vindouras com as coisas presentes; e prudência é quando, por algumas cautelas e maestrias, sabe o homem se esquivar dos danos corporais e espirituais. Fortaleza é virtude que está em nobre coragem contra os sete pecados mortais, que são carreiras pelas quais vai-se aos infernais tormentos que não têm fim: glutonia, luxúria, avareza, preguiça, acídia, soberba, invídia, ira. Temperança é virtude que está no meio de dois vícios: um vício é pecado pelo excesso de grandeza, o outro é pecado por pouco excesso de quantidade. E por isso, entre muito e pouco convém estar a temperança, em tão conveniente quantidade que seja virtude; porque se não fosse virtude, entre muito e pouco não haveria meio termo, e isso não é verdade.
  30. 30. Yan Walter Carvalho Cavalcante 30 Adoração ao demônio pelos Cavaleiros A idéia de que os Cavaleiros Templários fossem adoradores do demônio nasceu a partir das torturas impostas pela Inquisição. Para Filipe o Belo confiscar as possessões Templárias, eles deveriam ser culpados de heresia. Então, usando técnicas que mais tarde foram aperfeiçoadas durante os julgamentos que culminaram por volta de 1600, os Cavaleiros foram torturados até assinarem confissões. O fato de que tantos retiraram suas confissões tão logo as torturas cessaram não foi considerado sinal de inocência. O senso que prevalecia na época era de que as pessoas falavam a verdade sob tortura, o tesoureiro Templário foi citado por dizer, “Sob tortura, eu teria confessado ter matado Deus”. Sob tal tortura, os Templários confessaram todo tipo de crimes. Nas suas iniciações eles, supostamente cuspiam na Cruz, negavam que Cristo era o filho de Deus e prometiam realizar todos os desejos sexuais de seus irmãos. Eles foram acusados de trocar beijos nas nádegas ou no umbigo (beijo na boca era, na época, normal mesmo entre homens). Eles também confessaram idolatrias. Diversas, porém não muitas, mencionavam uma cabeça, feita de metal ou madeira, que algumas vezes era referida como Baphomet. No fim, embora um grande número de Templários tenha sido queimado como hereges, as acusações contra a Ordem como um todo, fracassaram. No fim o Papa dissolveu a Ordem com a desculpa de que as acusações por si só preveniriam as pessoas de se juntarem a elas. Tinha, portanto sobrevivido sua utilidade. Para assegurar que sua atitude vingaria, o Papa disse que qualquer um que aderisse à Ordem no futuro seria excomungado e marcado como herege. À parte das confissões, de novo, a maioria dos Templários voltou atrás após a tortura, haviam poucas evidências que os Templários haviam se desviado do catolicismo da época. Uma teoria é que durante suas iniciações, eles recriavam a negação de Cristo como parte do Ritual. Foi isso que se tornou a base de algumas das acusações contra ele. Baphomet nunca foi encontrado. Templo do Conhecimento Oriental Desde que os Templários originalmente se instalaram no Templo de Salomão, a história daquele local se ligou aos Templários. Também, no Oriente Médio em geral e na Terra Santa em particular, havia uma conduta através da qual fluía a riqueza de conhecimento do Oriente, certamente parte deste veio através das mãos dos Templários. A maioria das idéias sobre essa sabedoria do Oriente que os Templários possuíam eram suposições baseadas em fatos escassos. Porém, alguns pequenos retalhos do conhecimento realmente surgem. Os Templários desenharam um grande número de suas igrejas de acordo com a planta circular do Templo de Salomão. É esta a “Sublime Arquitetura” que encontra seu caminho na mitologia dos Maçons, onde certos grupos reivindicam descendência dos Cavaleiros Templários. As igrejas circulares são usadas como suposições de serem um evidência externa da sabedoria importada do Oriente. O infame Baphomet que os Templários supostamente adoravam tem outra explicação. Aparentemente, uma forma francesa medieval muito comum de se pronunciar Mohammad era
  31. 31. Caderno de Estudo Histórico 31 “Baphomet”. Então, podemos supor que os Templários haveriam se tornado o que mais combatiam, seguidores do Islã. Acople a isso os acordos feitos durante a guerra entre os Templários e Saladino, ou os templários e os Assassinos e você de repente tem um canal de sabedoria do Oriente. Na época de sua perseguição final, alguns Templários em pequenos enclaves na Espanha e Egito buscaram refúgio e se converteram ao Islã. Preserva-se uma certeza, o Templo de Salomão foi a união das três maiores forças humanas, os Templários, a Maçonaria e a Alquimia. Fazedores de Reis Quando Filipe o belo e o Papa Clemente combinaram prender os Templários na França, eles também tentaram fazer os mesmos acordos em outros países. Eduardo II na Inglaterra prendeu alguns dos mais altos membros do Templo e até mesmo permitiu que alguns deles fossem torturados. Mas nenhum confessou nada. A Alemanha e a Espanha meramente converteram seus membros para outras ordens e por este meio desmoronaram o Papa. Na Escócia, porém, Robert de Bruce estava preparando uma guerra de independência contra Eduardo. Bruce já estava excomungado e ele precisava de soldados e de fundos. Bruce flagrantemente e deliberadamente ignorou o Papa e espalhou a noticia de que os Templários seriam bem vindos (Rito Escocês Antigo e Aceito). Enquanto isso, na França, nem todos os Templários haviam sido presos. Da esquadra naval Templária nada mais se ouvia. Supostamente, o “Tesouro Templário”, a principal parte do numerário, não foi capturada por Filipe o Belo, podendo ter sido contrabandeada até a frota. Poderia a esquadra toda ter se refugiado na Escócia? Bruce tinha lutado contra Eduardo I e Eduardo II por anos. As coisas estavam a seu lado, quando em 1314 Eduardo II concentrou um grande exército, reunindo ao menos o dobro do número de homens de Bruce, ainda mais composto por grande numero de cavaleiros montados, dos quais Bruce dispunha de apenas um punhado. Os dois exércitos se depararam em Bannockburn, a poucas milhas do castelo de Sterling. A força escocesa era, em sua maioria, composta por soldados paupérrimos armados com estacas, além de arqueiros. A batalha persistiu o dia todo, com a Inglaterra tendo problemas em quebrar as divisões de Bruce. Os ingleses ainda eram uma força combatente, ainda que muito frustrados, quando de repente novas tropas vieram substituir as que estavam em campo. Os ingleses então entraram em pânico e fugiram do campo. Isso é normalmente creditado à um grupo de seguidores do acampamento que utilizavam armas rústicas, faziam estandartes de folhas e cobriam-se de trapos. Parece um pouco inacreditável que o exército inglês seria derrotado por essa força bisonha. Ainda, desde que os ingleses tinham resistido aos ataques dos soldados pés-descalço de Bruce em batalha anterior, por que um ataque do mesmo causaria pânico? Porém, o que aconteceria se essa “força bisonha” fosse um pequeno contingente de Cavaleiros Templários, refugiando-se com Robert de Bruce? Um grupo dos mais altamente treinados e motivados cavaleiros em toda a Cristandade lutando em uma batalha que já estava indo mal providenciariam o pânico pelo qual o exército inglês passou. Guardiões do Santo Graal, o Cálice Sagrado Wolfram von Eschenback escreveu seu poema Percival em 1220. Os cavaleiros que guardavam o Cálice Sagrado, o castelo do Graal e a família do Graal eram Templários. Isso foi escrito quando as fortunas Templárias, econômicas e espirituais, estavam em seu auge. Com certeza, os Templários não existiam durante os tempos do Rei Arthur( período no qual a lenda do Graal aparece). Eschenback, estava tentando nos dizer que o Graal(onde quer que estivesse), ainda estava com nós, na época em que estava escrevendo e guardado pelos Templários.
  32. 32. Yan Walter Carvalho Cavalcante 32 Aqui não há espaço para se aprofundar, mas nos livros de Michaale Baigent, Richard leigh e Henry Lincoln uma trama bizarra ocorre. Os Cavaleiros Templários estão em seu centro com o Santo Graal,(de sang raal, ou devemos dizer a Santa Descendência). Isso significa a descendência de Cristo, a qual os Templários deveriam proteger. E isso, aliado à ganância de Filipe IV, teria trazido-lhes a decadência. Tudo é revelado na pequena vila de Rennes-Le-Chateau na França, escondido em estranhas inscrições ao redor da cidade. Do que esse segredo é composto é o principal mistério. Basta dizer, esse é o melhor dos mitos Templários. América do Norte, Ilha Oak e os Templários Um novo mito tem crescido sobre os Cavaleiros Templários baseado no livro de Andrew Sinclair, “A Espada e o Graal”. Basicamente, no tempo da perseguição, Sinclair propõe que os últimos dos Templários fugiram com o tesouro para a Escócia. Lá, tomaram parte na fundação da família St. Clair, que depois se tornou Sinclair. Os Sinclair construíram a Capela Rosslyn (possível ligação entre os templários e a Maçonaria). Isso torna, mesmo que temporariamente (ou eternamente?) o local aonde repousou o Santo Graal, o qual era parte do Tesouro Templário. Então aparecem dois venezianos, os irmãos Zeno. Os Sinclair, que agora haveriam se tornado os Grão-Mestres da Ordem, queriam uma nova terra para estabelecer o perfeito governo Templário. Então com o dinheiro e com a Força militar dos Templários e as habilidades de navegação dos Zenos, eles rumaram para o Ocidente. A evidência é mais abrangida na Narrativa de Zeno e em um mapa atribuído à Voppel e Vavassatore o qual mostra a Nova Scotia (Nova Escócia, ainda existente no Canadá) com a figura de um cavaleiro coroado. Isso também é sustentado pela evidência de visitantes europeus na Nova Inglaterra (Canadá). Isso inclui a Torre de Newport, em Newport Rhode Island (EUA), o Knight Westford (uma escultura de um Cavaleiro europeu armado, incluindo uma espada cruciforme, um emblema Templário comum em túmulos), (para maiores informações leia o livro). Mas, o que aconteceu com o tesouro? Vamos assumir que depois de escapar da França com o tesouro, comprar terras na Escócia, sustentar o convite de Robert de Bruce para o reinado, construir e sustentar os St. Calir e custear uma pouco vitoriosa expedição para Novo Mundo, ainda havia tesouro restando. Então, assim que a fracassada colônia morre, ao invés de voltar à Europa com o tesouro, os Templários americanos decidiram ficar. Construíram um inacreditável “Poço de Dinheiro” na Ilha de Oak na Nova Escócia. Marcaram o local usando simbolismo arcano envolvendo pedras deitadas no formato de uma cruz. Essa é a idéia para explicar tanto o local final da deposição do tesouro Templário quanto a origem do “Poço de Dinheiro” da Ilha Oak. Simbolismo da Iniciação DeMolay e o Triângulo Inicial Ao iniciar-se a Cerimônia do Grau Iniciático, iremos notar que os Oficiais do Capítulo formam um triângulo com o ápice voltado para o Oriente. O triângulo simboliza os Ternários ou tríades Sagradas, conceito comum à maioria das Religiões(Exemplo: A Tríade Hindu Brahma-Shiva-Vishnu, ou a Tríade Taoísta Yang-Ying-Tao, bem como a Cristã Pai-Filho- Espirito Santo).No Ritual DeMolay, o Triângulo além de ser um símbolo honorifico à Maçonaria, representando a mesma e o respeito de deferência dos DeMolays por ela, com seu ápice voltado para o Oriente, representa o Ternário masculino, evolutivo. É o emblema do anseio do Espirito em se libertar da matéria, o anseio dos Jovens DeMolay pela “Luz que vem do Oriente”. O oriente é o Ponto Cardeal onde nasce o Sol, o Oriente simboliza a iluminação e a Fonte da Vida; Voltar-se para o Oriente ou caminhar em direção a ele significa voltar-se espiritualmente para o Ponto Focal da Luz divina; Daí nasce a palavra Orientação. Demonstra

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