264965293 historia-das-religioes

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  1. 1. A História das Religiões Todos os direitos reservados por 1 Instituto Teológico Internacional Av. Itaberaba 1323 - CEP 02734-000 São Paulo – São Paulo
  2. 2. A História das Religiões Todos os direitos reservados por 2 Instituto Teológico Internacional Av. Itaberaba 1323 - CEP 02734-000 São Paulo – São Paulo Conhecereis a VERDADE e a verdade vos libertará. Jo 8.32
  3. 3. A História das Religiões Todos os direitos reservados por 3 Instituto Teológico Internacional Av. Itaberaba 1323 - CEP 02734-000 São Paulo – São Paulo Conversei com Jesus sobre a frase das escrituras atribuída a Ele "Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará", disse a Jesus que achei essa frase muito vaga e que precisava conhecer mais profundamente o seu significado. O conhecimento vem de Jesus por intermédio do Espírito Santo que vive em todos que afirmam e creem que Jesus Cristo é o seu salvador e redentor, pois está escrito, ninguém pode afirmar que Jesus é o Senhor, se o Espírito Santo não viver nele. O Espírito Santo, pouco a pouco foi me ensinando o significado da frase, mas o maior ensinamento foi na prática que Jesus me deu. Eu estava há algum tempo com os documentos do carro atrasados e rodava por aí pela necessidade de realizar meu trabalho comercial. Vez ou outra via aquelas barreiras da polícia militar e pensava, meu Deus me protege, não permita que apreendam meu carro e ao mesmo tempo pedia também que ele me permitisse ganhar os recursos suficientes para regularizar a situação. Aquilo foi me sobressaltando durante meses a fio, toda semana era um susto novo, era pura emoção ver Jesus agindo em minha vida. Pois então, um belo dia, vejo a barreira ao longe, aquela apreensão me aperta o peito e de repente ouço claramente na minha mente: Vou te mostrar o que significa aquela frase "conhecereis a verdade e a verdade vos libertará", você tem duas opções: Dizer a verdade ou mentir. O policial acena e me manda parar, chega até minha janela e diz: Por favor, o documento do veículo e o seu documento. Pego minha carteira e digo: Qual o seu nome? Antônio, diz ele, e eu, Antônio, meus documentos estão aqui, mas os documentos do carro estão vencidos há algum tempo. Ele diz: Porque seu Humberto? E digo: Sinceramente, por falta de dinheiro, fiquei um tempo sem ganhar o suficiente e tive que optar entre sustentar a minha família e pagar certas despesas, mas assim que regularizar meus ganhos, vou licenciar o carro. Antônio olhou pra mim e disse: Seu Humberto, vai embora, assim que o Sr. puder, por favor, regularize isso. Disse obrigado e fui embora. Jesus veio em minha mente e disse, entendeu o significado? Nunca tenha receio de dizer a verdade em qualquer circunstância, pois a verdade liberta. Quer ser livre em todos os aspectos? NÃO TENHA MEDO DE DIZER A VERDADE NUNCA. Humberto Manhani
  4. 4. A História das Religiões Todos os direitos reservados por 4 Instituto Teológico Internacional Av. Itaberaba 1323 - CEP 02734-000 São Paulo – São Paulo INDICE CAPITULO I: BABEL Pg 6 CAPITULO II: HISTÓRIA DO JUDAISMO Pg 17 CAPITULO III: HISTÓRIA DO CRISTIANISMO Pg 22 CAPITULO IV: HISTÓRIA DO CATOLICISMO Pg 32 CAPITULO V: A ESCATOLOGIA DAS RELIGIÕES Pg 56 CAPITULO VI: RELIGIÃO, SEITAS E HERESIAS Pg 64 1. O que é uma seita? 2. O líder de uma seita 3. Como se comportam as seitas? 4. Algumas seitas podem variar grandemente 5. Quem é vulnerável a entrar para uma seita? 6. Técnicas de recrutamento 7. Por que alguém seguiria uma seita? 8. Como as pessoas são mantidas na seita? 9. Como podemos tirar alguém de uma seita? 10. Aprendendo com as seitas
  5. 5. A História das Religiões Todos os direitos reservados por 5 Instituto Teológico Internacional Av. Itaberaba 1323 - CEP 02734-000 São Paulo – São Paulo Introdução Desde os primórdios, os homens acreditavam que os fenômenos naturais, como por exemplo, as trevas, o calor, o frio, a vida e a morte, eram controlados por deuses e espíritos. Segundo suas crenças, esses espíritos eram capazes de habitar as rochas, as árvores ou os rios, sendo que cada um deles possuía uma função diferente do outro. Os crédulos acreditavam receber sua benevolência por meio de oferendas, como: canções, danças, sacrifícios e magia. Ao analisarmos a história das civilizações antigas, como as do Egito, China, Grécia e Roma, percebemos que estas eram politeístas, ou seja, possuíam vários deuses, que, em sua grande maioria, eram temidos por seus adoradores, que sempre se esforçavam para não os ofender ou irritar. Sacerdotes, especialmente treinados para interpretar a vontade divina, ensinavam ao povo como viver conforme a vontade dos deuses e também como homenageá-los. Esta atividade permitia que os sacerdotes obtivessem um grande poder. Grande parte das religiões acredita numa existência após a morte, onde os bons são recompensados e os maus punidos. Este é o motivo que fazia com que os egípcios embalsamassem os corpos dos faraós. Já nos funerais do homem primitivo, assim como os de chefes de tribos escandinavas, existia a demonstração de crença numa outra existência. A ideia de uma força superior às demais, como o deus Sol, a deusa Lua, Zeus ou Odin, formou uma fé comum a muitos povos; contudo, foram os hebreus (e depois os judeus) que introduziram a crença num único Ser Supremo (Jeová), criador de todo o Universo. Posteriormente surgiu o Cristianismo, onde a partir dos ensinamentos de Jesus Cristo, Filho de Deus, conforme se encontra escrito no Novo Testamento, o homem conhece o evangelho. A religião cristã baseia-se no amor ao próximo. As religiões orientais são em grande parte bem antigas e seguidas por inúmeros povos, entretanto, uma mesma religião toma rumos diferentes de acordo com o país e costumes de seus fiéis.
  6. 6. A História das Religiões Todos os direitos reservados por 6 Instituto Teológico Internacional Av. Itaberaba 1323 - CEP 02734-000 São Paulo – São Paulo CAPITULO I BABEL NINRODE E SEMÍRAMIS GÊNESIS 10:6-12: Vemos aqui o texto ressaltando a figura de Ninrode. O nome Ninrode vem da raiz “marad” e significa: “ele se rebelou”. Alguns estudiosos do hebraico dizem que literalmente Ninrode significaria: “vamos nos rebelar”, na 1ª pessoa do plural. Quando lemos no texto os adjetivos atribuídos a Ninrode, podemos nos enganar: “Ninrode, o qual foi o primeiro a ser poderoso na terra”; “ele era poderoso (valente) caçador diante do Senhor”. Deus não gosta destes adjetivos para seus filhos: valente, poderoso; são completamente contrários ao princípio bíblico.  II Coríntios 12:9; o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.  II Coríntios 12:10; porque quando estou fraco, então é que sou forte.  Joel 3:10; diga o fraco, eu sou forte.  I Samuel 2:4; os fracos são cingidos de força. Quando reconhecemos nossa fraqueza, então é que estaremos fortes, pois o poder de Deus nos sustentará e atuará em nossa vida. O Senhor se alegra com o homem de coração humilde e espírito quebrantado. Poderoso diante do Senhor pode significar: “em oposição ao Senhor”, “em desafio à”, “em desafio ao Senhor”. Como se não bastassem esses adjetivos, vemos ainda em Gênesis 10:10 outra citação contra a figura de Ninrode: “o princípio de seu reino foi Babel”. Deus não estava estabelecendo um reino com Noé? E que reino é esse de Ninrode? O que era Babel? À que cidade Babel deu origem? Babel deu origem à cidade de Babilônia. O que é Babilônia? Apocalipse 17:1-5 V.5; “a mãe das prostituições (das meretrizes) e das abominações da terra”. Mãe significa: aquela que deu origem à. Babilônia é a mãe das abominações da terra, a mãe das prostituições (meretrizes) da terra.
  7. 7. A História das Religiões Todos os direitos reservados por 7 Instituto Teológico Internacional Av. Itaberaba 1323 - CEP 02734-000 São Paulo – São Paulo Estamos vendo em Gênesis, bem no começo da Bíblia, a cidade de Babilônia sendo fundada (na região do Iraque de hoje), e vemos lá em Apocalipse, nos últimos capítulos da Bíblia, Babilônia sendo julgada. O que mostra isso? Mostra que o espírito de Babilônia esteve presente o tempo todo, o tempo todo na história da humanidade. Se estudarmos a história como Babilônia física foi destruída (a antiga cidade, hoje são apenas ruínas) e compararmos com a destruição de Babilônia descrita na Bíblia, com as profecias em Isaías 13:19-22, Isaías 46 e 47, Jeremias 51 e 52, veremos que essa destruição descrita na Bíblia, ainda não aconteceu até hoje. Ninrode foi poderoso caçador de homens; caçador de homens são escravagistas. Podemos dizer isso se estudarmos a história. Ninrode foi o fundador de Babilônia, a primeira cidade com muralhas. Ele foi a primeira tentativa de Satanás de exercer um domínio mundial na terra, ele foi um tipo de anticristo. Mostrando uma profunda rebeldia a Deus, Ninrode chefiou a construção de uma cidade e de uma torre. A torre era a tradução de tudo que se passava naquele coração em oposição a Deus. A torre de Babel era um “zigurate”. Zigurates eram torres, geralmente com 7 andares, que eram construídas para adoração do céu e seus astros. A torre de Babel serviu de modelo para todos os zigurates da antigüidade. A astrologia já existia nessa ocasião; carta astral, prognósticos através dos astros, não são coisas modernas, são práticas muito antigas. Os zigurates eram construídos para adoração do céu, consulta à lua, ao sol, às estrelas. Por isso vemos constantemente as expressões “deus sol”, “deusa lua”. O nome Babilônia e da torre de Babel, era “Bab-Ilu”, que na língua dos caldeus significa “portão dos céus” ou “portão dos deuses”. Deuteronômio 18:9-14; essas práticas já existiam, por isso, Deus as proibiu na Lei mosaica. Dt 17:3. Então entra uma personagem, uma mulher de nome Semíramis. Por muitos séculos Semíramis foi considerada uma lenda, mas após descobertas arqueológicas na região, muitas tábuas foram encontradas, provando-se a existência histórica de Semíramis. A enciclopédia britânica dá Semíramis como uma personagem histórica, atribui a ela a fundação de Babilônia e diz ser ela a 1ª suma sacerdotisa de uma religião.
  8. 8. A História das Religiões Todos os direitos reservados por 8 Instituto Teológico Internacional Av. Itaberaba 1323 - CEP 02734-000 São Paulo – São Paulo Pesquisadores cristãos gastaram suas vidas inteiras pesquisando a história nesses locais, suas lendas e religiões. A história babilônica relata: Semíramis era casada com Ninrode e após a morte dele, estando ela grávida, deu à luz a Tamuz. Semíramis reivindicou que este filho era a re-encarnação de Ninrode. Ela havia muito provavelmente escutado a profecia do Messias de Gênesis 3:15, e reivindicou que seu filho fora concebido de maneira sobrenatural; Semíramis reivindicou que Tamuz era a semente prometida, o “Salvador”. Quando Tamuz era moço e sai para uma caçada na mata, é morto por um porco selvagem. Então, esta é a lenda que os babilônicos criam, Semíramis reúne as mulheres de Babilônia e vão jejuar e chorar por Tamuz. Depois de 40 dias de jejum e clamores, Tamuz volta à vida e Semíramis passa a ser adorada como a doadora da vida. Desenvolveu-se então em Babilônia uma religião do culto chamado “culto à mãe com a criança”, em que a mãe era adorada pois trouxe o filho à vida novamente; o poder era dela. Rapidamente essa religião espalhou-se pelo mundo. Foi levada pelos fenícios (grandes navegadores) e esse culto instalou-se em várias partes do mundo. Os nomes de Semíramis e Tamuz mudavam de acordo com a língua do local: - Na Fenícia; eram chamados de “Ashtar e Baal”. - No Egito; Isis e Horus. - Na Grécia; Afrodite. - Na Ásia; Cibele e Deoius. Quando os medo-persas invadiram Babilônia, introduziram em Babilônia o culto ao fogo; este era o culto principal dos medo-persas. Então os sacerdotes de Babilônia fugiram e instalaram-se na Ásia menor, instalaram-se em Pérgamo. Com o surgimento do Império Romano o culto da mãe e a criança foi levado de Pérgamo para Roma e lá em Roma Semíramis e Tamuz passaram a chamarem-se Vênus e Cupido. Então, no Império Romano antes de Constantino ser coroado imperador (ele foi coroado em 312 d.C.), houve uma guerra civil na qual as forças de Constantino foram confrontadas com as forças do general Maxcêncio; aquele que vencesse seria proclamado imperador. Isto tudo está na historia. Constantino sofrendo várias derrotas, conclamou os cristãos para o apoiarem, com a promessa de cristianizar o Império Romano. Os cristãos o apoiaram e na última batalha Constantino vence e é coroado imperador.
  9. 9. A História das Religiões Todos os direitos reservados por 9 Instituto Teológico Internacional Av. Itaberaba 1323 - CEP 02734-000 São Paulo – São Paulo O imperador romano tinha duas coroas, a coroa de imperador político e a outra que o coroava como “Pontifix Maximus”, o cabeça religioso do império. Muitos romanos tornaram-se cristãos para agradar o imperador; o cristianismo agora era a religião oficial do Império Romano. Mas aos pouco foi acontecendo um sincretismo do cristianismo com o paganismo, pois o povo começou a sentir falta do “ver”. As imagens dos deuses antigos romanos foram novamente sendo introduzidas, porém agora com nomes cristãos. Nesse sincretismo, Vênus e Cupido, que eram Semíramis e Tamuz, passaram a ser chamados de “Maria e o menino Jesus”. Babilônia deu origem a tudo isso, é só conferirmos na história. A enciclopédia britânica diz o seguinte: “Não há dúvida de que o cristianismo tem o seu background, o seu fundamento, no paganismo quanto a adoração da mãe com a criança”. Imagens da mãe com a criança, foram encontradas séculos antes de Jesus nascer neste planeta. Quando esse sincretismo foi feito, os festivais antigos começaram a voltar. Na Grã- Bretanha, o principal festival voltou (está até hoje), é o festival de “Easter”. Esse festival foi “sincretizado” com a páscoa; até hoje páscoa em inglês é chamada de “Easter” e não de “pass-over”, que é o significado exato da páscoa bíblica. A palavra “Easter” vem do nome de uma deusa pagã, a deusa da luz do dia e deusa da primavera. Easter não é senão uma forma mais moderna de Eostre, Ostera, Astarte ou Ishtar. É o mesmo festival que por 40 dias comemorava-se o que aconteceu com Tamuz; por 40 dias chorava-se por Tamuz. Esse festival terminava com troca de ovos enfeitados e coloridos, simbolizando a vida a partir da morte, como aconteceu com Tamuz. O coelho foi associado a esse festival, como símbolo de fertilidade. Assim, tanto o coelho de páscoa como os ovos de páscoa eram símbolos de significado sexual, símbolos de fertilidade. No catolicismo romano, ainda hoje, comemora-se a quaresma, inclusive até bem pouco tempo com jejum muito incentivado, significando nada mais do que “aqueles 40 dias que se jejuaram e clamaram por Tamuz”. No Antigo Testamento a Bíblia mostra que o povo de Israel também foi contaminado com a religião que se originou lá na Babilônia. Uma princesa Fenícia chamada Jezabel, levou para dentro de Israel o culto a Astarote e Baal. Jezabel casou-se com o rei Acabe de Israel. I Reis 16:29-33 Jezabel levou esse culto para dentro de Israel e Deus vai mostrar para o profeta Ezequiel.
  10. 10. A História das Religiões Todos os direitos reservados por 10 Instituto Teológico Internacional Av. Itaberaba 1323 - CEP 02734-000 São Paulo – São Paulo Ezequiel 8: Deus foi mostrando ao profeta as coisas que o povo de Israel estava praticando dentro do santuário, e ainda fala: “te mostrarei coisas piores que o povo está fazendo”. V.13 e 14; “… chorando por Tamuz”, ou seja, comemorando aquele festival. V.16; homens de costas para o templo, adorando o sol. O sol é um dos símbolos de Tamuz. Jeremias 44:14-19 V.14; Jeremias estava dizendo ao povo, caso não se convertessem de seus pecados, seriam levados cativos. Neste período o povo de Israel estava sendo levado cativo para Babilônia. Qual foi a resposta do povo a Jeremias? V.15 a 19; “rainha do céu”, era um título de Semíramis. O que o povo de Israel estava fazendo? Adorando a “rainha do céu”. Quando Jeremias chamou o povo para sair disso, o povo diz: “nós não vamos obedecer ao Senhor; vamos continuar oferecendo incenso à rainha do céu, porque é ela quem tem nos abençoado”. Está escrito isso na sua Bíblia? No catolicismo romano existe uma reza chamada salve rainha. Maria é frequentemente chamada de “rainha dos céus”. Mas Maria, a mãe de Jesus Cristo, não é a rainha dos céus. O povo que fica seguindo à Semíramis, nunca verá à Maria. Rainha dos céus foi um título da deusa-mãe que foi adorada séculos antes de Maria ter nascido. A deusa-mãe era Semíramis, (Ishtar, Astarte, Astarote). Em várias passagens a Bíblia mostra a adoração a Astarote e Baal.  Juizes 2:11-13  I Samuel 7:3-4  I Samuel 12:10  I Samuel 31:9-10  I Reis 11:4-6 Todas as falsas religiões do mundo foram oficializadas em Babilônia. O que Caim começou, o caminho que inaugurou, Ninrode oficializou em Babilônia. Por isso, quando chegamos lá em Apocalipse 17:5 está escrito: “Babilônia a grande meretriz, a mãe, aquela que deu origem a todas as abominações da terra”. Todas as religiões, o espiritismo com a reencarnação, tudo que tem prognósticos, etc., tiveram suas origens em Babilônia.
  11. 11. A História das Religiões Todos os direitos reservados por 11 Instituto Teológico Internacional Av. Itaberaba 1323 - CEP 02734-000 São Paulo – São Paulo  Isaías 47:12-14; condenação de adivinhos e feiticeiros.  Isaías 8:19-20 Deus dá um grito: “À Lei e ao Testemunho“! Em outras palavras: “leiam a Bíblia“! Ninrod - (neto de Cão) começou a se destacar. Ninrod vem do heb. marad = "rebelar-se". A tradução literal do seu nome poderia ser: "vamos nos revoltar". Gn 10: 8,9 - "Cuche também gerou a Ninrod, o qual foi o primeiro a ser poderoso na terra. Ele era poderoso caçador diante do Senhor; pelo que se diz: Como Ninrod, poderoso caçador diante do Senhor." Dentro do contexto bíblico, expressões como: "valente", "poderoso" não tem boa conotação. Compare: Sl 51.17, Is 57.15, II Co 12.9,10. Ninrod foi a primeira tentativa de satanás de formar um ditador mundial. Ele foi o primeiro tipo de Anticristo. Ele fundou um reino EM OPOSIÇÃO ao reino de Deus e chefiou a construção de uma torre (Babel ) para a adoração dos astros, e de uma cidade - Babilônia - onde se originou todo o sistema anti-Deus. Todas as religiões falsas do mundo têm sua origem em Babilônia. Ap 17: 5 - "E na sua fronte estava escrito um nome simbólico: A grande Babilônia, a mãe das prostituições e das abominações da terra. " Gn 10: 10 - "O princípio de seu reino foi Babel, Ereque, Acade e Calné, na terra de Sinar." Deus havia planejado um reino, um governo, mas quando lemos Gn 10: 10, vemos claramente que outro reino estava sendo formado em oposição ao de Deus. Gn 11: 4 - "Disseram mais: Eia, edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo cume toque no céu, e façamos-nos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra." Demonstrando sua profunda rebeldia contra Deus, Ninrode chefiou a construção de "uma cidade e uma torre cujo topo chegue até aos céus..." O sentido literal destas palavras, revela que era uma torre para a adoração dos astros, a lua, o sol, as estrelas, e a história também mostra isto. Babel foi o modelo de todos os zigurates - o último degrau de um zigurate (geralmente havia 7) , era considerado a "entrada do céu".
  12. 12. A História das Religiões Todos os direitos reservados por 12 Instituto Teológico Internacional Av. Itaberaba 1323 - CEP 02734-000 São Paulo – São Paulo Usando betume na construção da torre de Babel, junto com tijolos (no lugar de pedras) feitos por eles mesmos (OBRAS), eles mostraram sua rejeição a Deus, pois o betume era símbolo de expiação (é a mesma palavra de Lv 17: 11). Com isto estavam declarando que não precisavam da salvação de Deus, pois podiam fazer a sua própria salvação. Toda religião falsa tem seus próprios métodos para chegar a Deus, cometendo portanto o mesmo erro, e se desviando do "ÚNICO CAMINHO QUE É O SENHOR JESUS CRISTO". Jo 14.6. A confusão das línguas é uma maldição sobre a raça humana, mas ainda não é o juízo de Deus; este se dará na tribulação. Desde que foram espalhadas, as nações estão entregues a seus próprios caminhos, sem se lembrarem que Deus tem o total controle da história e que um dia se cumprirá o: Sl 2: 2,4 - "Os reis da terra se levantam, e os príncipes juntos conspiram contra o Senhor e contra o seu ungido, dizendo: Rompamos as suas ataduras, e sacudamos de nós as suas cordas. Aquele que está sentado nos céus se rirá; o Senhor zombará deles." Este período termina com a intervenção e a vitória de Deus sobre as trevas, para continuar o Seu plano redentor para o homem. Ninrod - Semiramis - Tamuz A Enciclopédia Britânica cita Semiramis como uma personagem histórica a quem se atribui a fundação de Babilônia e a primeira suma-sacerdotisa de uma religião. Ela era casada com Ninrode e a Bíblia diz que Ninrode é o fundador de Babilônia. Apoc 17:5 - "E na sua fronte estava escrito um nome simbólico: A grande Babilônia, a mãe das prostituições e das abominações da terra." Vemos então que em Babilônia se originaram as abominações e as prostituições espirituais. Semiramis esperava um filho quando Ninrode morreu. Quando o filho nasceu, ela declarou que o menino - que se chamou Tamuz - era a reencarnação de Ninrode. Aí estava fundado a base do espiritismo, com a reencarnação, que tem mancado quase que a totalidade das falsas religiões existentes no mundo. Satanás estava adulterando a verdade sobre "a semente da mulher" para desviar o homem quando a verdadeira semente viesse!
  13. 13. A História das Religiões Todos os direitos reservados por 13 Instituto Teológico Internacional Av. Itaberaba 1323 - CEP 02734-000 São Paulo – São Paulo Quando Tamuz era moço e estava caçando nas matas, foi morto por um porco selvagem. Semiramis então, com todas as mulheres que serviam na sua religião, choraram e jejuaram por 40 dias, no final dos quais, de acordo com a lenda babilônica, Tamuz foi trazido de volta à vida. Isto foi uma demonstração do poder da mãe. Ela começou a ser adorada com o título de "rainha dos céus" ou "deusa mãe". O símbolo desta religião foi a imagem da mãe com a criança nos braços conhecido como "o mistério da mãe com a criança". Rapidamente esta religião se estendeu pelo mundo. Os nomes eram outros, de acordo com as diferentes línguas, mas o culto à mãe com o filho era o mesmo.  Ashtarot e Baal na Fenícia.  Ishtar ou Inanna na Assíria  Isis e Osiris no Egito.  Afrodite e Eros na Grécia.  Venus e Cupido em Roma. Quando os medo-persa dominaram Babilônia, os sacerdotes de lá tiveram que fugir (os medo-persas adoravam o fogo), e se estabeleceram em Pérgamo, na Ásia Menor. Pérgamo se tornou o centro do culto da mãe com o filho. Daí foi levado para Roma com os nomes de Venus e Cupido. No tempo de Constantino, ele teve que medir forças políticas com o Gal. Maxêncio para se tornar imperador. Os imperadores do império romano portavam 2 coroas: a de imperador e a de pontifex maximus (sumo-sacerdote); isto significava autoridade política e religiosa. Constantino, para obter o apoio dos cristãos, prometeu cristianizar o império, se vencesse. Os cristãos o apoiaram e numa última batalha, no ano 312, ele venceu e, como imperador e pontifex maximus, declarou o cristianismo a religião oficial do império. Muitos se tornaram "cristãos" para agradar o imperador. Para um povo que adorava centenas de deuses, isto não era difícil! Mas estes nunca "nasceram de novo", e bem cedo começou a se formar um sincretismo do cristianismo com o paganismo. As imagens pagãs foram sendo reintroduzidas com nomes cristãos. Venus e Cupido passaram a se chamar "Maria e o menino Jesus". Ela foi honrada como a 'rainha dos céus" e se tornou a mediatrix entre deus e os homens. Exatamente como era na religião babilônica. Os velhos festivais e feriados foram re-introduzidos no chamado "cristianismo", se fixando cada vez mais com o passar do tempo.
  14. 14. A História das Religiões Todos os direitos reservados por 14 Instituto Teológico Internacional Av. Itaberaba 1323 - CEP 02734-000 São Paulo – São Paulo A festa de Ashtarot (o nome fenício de Semiramis) ou Ishtar ou Inanna como era chamada na Assíria. Em Nínive se tornou "Easter" para os anglo-saxãos na Bretanha, e é comemorado até hoje com este nome. Uma princesa fenícia - Jezabel - introduziu este culto em Israel e o vemos claramente na Bíblia: Tamuz - Ez 8: 14,18 - "Depois me levou `entrada da porta da casa do Senhor, que olha para o norte; e eis que estavam ali mulheres assentadas chorando por Tamuz. Então me disse: Viste, filho do homem? Verás ainda maiores abominações do que estas. E levou-me para o átrio interior da casa do Senhor; e eis que estavam `a entrada do templo do Senhor, entre o pórtico e o altar, cerca de vinte e cinco homens, de costas para o templo do Senhor, e com os rostos para o oriente; e assim virados para o oriente, adoravam o sol. Então me disse: Viste, filho do homem? Acaso é isto coisa leviana para a casa de Judá, o fazerem eles as abominações que fazem aqui? pois, havendo enchido a terra de violência, tornam a provocar-me à ira; e ei-los a chegar o ramo ao seu nariz. Pelo que também eu procederei com furor; o meu olho não poupará, nem terei piedade. Ainda que me gritem aos ouvidos com grande voz, contudo não os ouvirei." O sol no céu era também o símbolo de Tamuz - o filho da rainha dos céus. Jr 44: 14,19 - "De maneira que, da parte remanescente de Judá que entrou na terra do Egito a fim de lá peregrinar, não haverá quem escape e fique para tornar à terra de Judá, à qual era seu grande desejo voltar, para ali habitar; mas não voltarão, senão um pugilo de fugitivos. Então responderam a Jeremias todos os homens que sabiam que suas mulheres queimavam incenso a outros deuses, e todas as mulheres que estavam presentes, uma grande multidão, a saber, todo o povo que habitava na terra do Egito, em Patros dizendo: Quanto à palavra que nos anunciaste em nome do Senhor, não te obedeceremos a ti; mas certamente cumpriremos toda a palavra que saiu da nossa boca, de queimarmos incenso à rainha do céu, e de lhe oferecermos libações, como nós e nossos pais, nossos reis e nossos príncipes, temos feito, nas cidades de Judá, e nas ruas de Jerusalém; então tínhamos fartura de pão, e prosperávamos, e não vimos mal algum. Mas desde que cessamos de queimar incenso à rainha do céu, e de lhe oferecer libações, temos tido falta de tudo, e temos sido consumidos pela espada e pela fome. E nós, mulheres, quando queimávamos incenso à rainha do céu, e lhe oferecíamos libações, acaso lhe fizemos bolos para a adorar e lhe oferecemos libações sem nossos maridos?" Todas as religiões falsas do mundo tiveram sua origem em Babilônia!
  15. 15. A História das Religiões Todos os direitos reservados por 15 Instituto Teológico Internacional Av. Itaberaba 1323 - CEP 02734-000 São Paulo – São Paulo A torre de Babel foi o monumento da rebelião e blasfêmia. Ao usarem betume para unir os tijolos, feitos por eles mesmos no lugar de pedras, estavam declarando sua total independência de Deus. Gn 11: 3 - "Disseram uns aos outros: Eia pois, façamos tijolos, e queimemo-los bem. Os tijolos lhes serviam de pedras e o betume de argamassa." A palavra betume, no hebraico, é a mesma palavra usada para expiação, a tradução é: cobertura, cobrir, e este era exatamente o resultado das expiações do Velho Testamento, que apontavam para o sangue de Jesus Cristo. A arca que é um tipo de Jesus Cristo como Salvador, foi betumada por fora e por dentro. Gn 6: 14 - "Fazei para ti uma arca de madeira de gôfer; farás compartimentos na arca, e a revestirás de betume por dentro e por fora." Gn 11: 5,9 - "Então desceu o Senhor para ver a cidade e a torre que os filhos dos homens edificavam, e disse: Eis que o povo é um e todos têm uma só língua; e isto é o que começam a fazer; agora não haverá restrição para tudo o que eles intentarem fazer. Eia, desçamos, e confundamos ali a sua linguagem, para que não entenda um a língua do outro. Assim o Senhor os espalhou dali sobre a face de toda a terra; e cessaram de edificar a cidade. Por isso se chamou o seu nome Babel, porquanto ali confundiu o Senhor a linguagem de toda a terra, e dali o Senhor os espalhou sobre a face de toda a terra." Se Deus não interrompesse aqui, o pecado deste povo cresceria de tal maneira que uma medida muito mais drástica seria necessária. A maldição das línguas ainda não é juízo sobre a raça humana, este se dará na tribulação. Desde que foram espalhadas, não há lugar para Deus nas nações, elas fazem e seguem seu próprio caminho e usam a terra como se não fosse de Deus. Mas virá o dia (e está perto) em que se cumprirá e Jesus Cristo estabelecerá o Seu reino e reinará com "vara de ferro". Sl 2: 2,4 - "Os reis da terra se levantam, e os príncipes juntos conspiram contra o Senhor e contra o seu ungido, dizendo: Rompamos as suas ataduras, e sacudamos de nós as suas cordas. Aquele que está sentado nos céus se rirá; o Senhor zombará deles." No final deste período, vemos claramente que Deus, mais uma vez foi vitorioso sobre as trevas para continuar Seu plano que redime o homem e que, no final, libertará o mundo que hoje está nas mãos de satanás.
  16. 16. A História das Religiões Todos os direitos reservados por 16 Instituto Teológico Internacional Av. Itaberaba 1323 - CEP 02734-000 São Paulo – São Paulo O homem - a raça humana - já havia rejeitado a Deus: Na área da Palavra - no tempo de Adão e Eva. Na área da Adoração - no tempo de Caim e Abel, e agora na área do Governo. O resultado desta rejeição é o estado caótico em que o mundo se encontra em todas as áreas: política/social/econômica-financeira/espiritual/intelectual, etc. Mas, apesar de rejeitado pelo homem, Deus continua a buscar o homem que Ele ama. Deus não rejeitou o homem! Jo 3: 16 - "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." Rm 5: 8 - "Mas Deus dá prova do seu amor para conosco, em que quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós." O programa de Deus para a raça humana em geral (como um todo) ficou suspenso, porque a raça humana, como um todo, O rejeitou... Então, Deus introduz um novo programa, até ali desconhecido - este programa poderia ser desenvolvido através de indivíduos que respondessem ao Seu chamado - não dependia mais da raça, de nações; mas de indivíduos. Deus iria agir a partir de um indivíduo para formar um canal para abençoar a terra - uma nação formada e separada por Ele para abençoar as nações que O rejeitaram. Deus vai chamar um homem para formar uma família, para então, formar esta nação.
  17. 17. A História das Religiões Todos os direitos reservados por 17 Instituto Teológico Internacional Av. Itaberaba 1323 - CEP 02734-000 São Paulo – São Paulo CAPITULO II HISTÓRIA DO JUDAISMO O judaísmo é a primeira religião monoteísta a aparecer na história. Tem como crença principal a existência de apenas um Deus, o criador de tudo. Para os judeus, Deus fez um acordo com os hebreus, fazendo com que eles se tornassem o povo escolhido e prometendo-lhes a terra prometida. Atualmente a fé judaica é praticada em várias regiões do mundo, porém é no estado de Israel que se concentra um grande número de praticantes. Os livros sagrados dos judeus A Torá ou Pentateuco, de acordo com os judeus, é considerado o livro sagrado que foi revelado diretamente por Deus. Fazem parte da Torá: Gênesis, o Êxodo, o Levítico, os Números e o Deuteronômio. O Talmude é o livro que reúne muitas tradições orais e é dividido em quatro livros: Mishnah, Targumin, Midrashim e Comentários. Os cultos judaicos são realizados num templo chamado de sinagoga e são comandados por um sacerdote conhecido por rabino. O símbolo sagrado do judaísmo é o memorá, candelabro com sete braços. A história do povo de Israel começa com Abraão, aproximadamente em 2.100 a.C. Ele morava na Mesopotâmia quando o Senhor o chamou e ordenou-lhe que andasse sobre a terra. Gn 12.1-9; 13.14-18. Andou por toda a terra de Canaã que seria futuramente a terra escolhida por Deus para seu povo habitar. Obediente e temente ao Senhor, Abraão foi honrado por Deus, como o Pai de um povo inumerável. Gn 15.4-6. Nasceu Isaque (Gn 21.1-7), deste veio Jacó (Gn 25.19- 26; 25.29-34; 27.27-30) e gerou a José (Gn 30.22-24), que mais tarde seria vendido como escravo ao faraó (Gn 37), rei do Egito. José era fiel a Deus (Gn 39.2-6,21-23) e não foi desamparado pelo Senhor. Tornou-se um homem querido pelo faraó (rei do Egito) e foi promovido a governador do Egito. Gn 41.37-46. Trouxe os seus familiares de Canaã onde havia uma grande fome. Gn 46.1-7. Do faraó receberam terras, para que as cultivassem. Gn 47.5-12. Assim os israelitas começaram a prosperar. Ali foram abençoados por Deus de uma forma extraordinária: prosperaram tanto e se tornaram tão ricos e tão numerosos que assustaram o reino egípcio.
  18. 18. A História das Religiões Todos os direitos reservados por 18 Instituto Teológico Internacional Av. Itaberaba 1323 - CEP 02734-000 São Paulo – São Paulo Resultado: foram subjugados militarmente e submetidos à escravidão. Ex 1.7-14. O faraó ainda não estava satisfeito. Pretendia interromper de forma definitiva sua expansão: decidiu que todos os varões que nascessem nas famílias israelitas deveriam ser mortos. Ex 1.15,16,22. E assim foi feito, e de forma cruel. Às meninas, no entanto, era dado o direito à vida. Um desses bebês, Moises, foi escondido por seus pais dos soldados egípcios. Os pais conseguiram isso durante três meses. Quando a vida do bebê passou a correr perigo iminente, seus pais o colocaram numa cesta e o soltaram no rio Nilo. Ex 2.1- 10. A filha do faraó viu o cestinho descendo nas águas e o choro do bebê. Ela tratou de resgatá-lo e o menino ganhou o nome de Moisés, ou Moschê, que pode significar "retirado" ou "nascido das águas". Ex 2.5-9. A mãe de Moisés tornou-se sua ama (Ex 2.9), ele cresceu e estudou dentro do reino egípcio, sempre muito bem tratado, apesar da filha do faraó saber que ele era filho de hebreus. Um dia, enquanto ainda vivia no reino, Moisés foi visitar seus "irmãos" hebreus e viu um deles ser ferido com crueldade por um egípcio. Irado, Moisés matou o egípcio e escondeu seu corpo na areia. Mas as notícias correram rapidamente: o faraó soube do crime e decidiu mandar matar Moisés. No entanto, ele conseguiu fugir para a terra de Midiã. Ex 2.15. Foi ali que ele conheceria sua mulher, filha do sacerdote Reuel , chamada Zípora. Ela lhe deu um filho, que ganhou o nome de Gerson (que significa "hóspede"). Ex 2.21,22. "Porque sou apenas um hóspede em terra estrangeira", diz Moisés. Ex 2.22. Passaram-se os anos, o faraó que perseguia Moisés morreu, mas os israelitas (ou hebreus) continuavam sob o jugo egípcio. Diz a Bíblia que Deus se compadeceu do sofrimento de seu povo e ouviu o seu clamor. Ex 2.24. Deus apareceu para Moisés pela primeira vez numa sarça em chamas (Ex 3), no monte Horebe. E lhe disse: "... Eis que os clamores dos israelitas chegaram até mim, e vi a opressão que lhes fazem os egípcios. Vai, te envio ao faraó para tirar do Egito os israelitas, meu povo“. Ex 3.9-10.
  19. 19. A História das Religiões Todos os direitos reservados por 19 Instituto Teológico Internacional Av. Itaberaba 1323 - CEP 02734-000 São Paulo – São Paulo Em companhia de Arão, seu irmão voltou para o Egito e contatou o faraó. Este parecia inabalável na decisão de manter os hebreus escravos. Ex 5.1-5. Após ser atingido por dez pragas enviadas diretamente por Deus. Ex 7-12. Permitiu que o povo finalmente fossem libertos, comeram a páscoa e partiram em direção ao deserto. Ex 12.37-51. Era aproximadamente 3 milhões de pessoas. Começava a caminhada em direção a Canaã. A Bíblia fala em 600 mil (homens, sem contar as mulheres e crianças, eram aproximadamente 3 milhões de pessoas) andando pelo deserto durante 40 anos, em direção à terra prometida. Ex 12.37. Nasce o Judaísmo Nas quatro décadas da caminhada no deserto Deus falou diretamente com Moisés (Ex 14.15 ...) e deu todas as leis a serem seguidas por seu "povo eleito". Ex 20.1-17. Os dez mandamentos, o conjunto de leis sociais e penais, as regras dos alimentos, os direitos sobre propriedades... Enfim, tudo foi transmitido por Deus a Moisés, que retransmitia cada palavra ao povo que o seguia. Era o nascimento do Judaísmo. A caminhada não foi fácil. O povo rebelou-se diversas vezes contra Moisés e contra o Senhor. A incredulidade e a desobediência dos israelitas eram tamanhas que, algumas passagens, Deus pondera em destruí-los e a dar a Moisés outro povo (a primeira vez que Deus "lamenta" ter criado a raça humana está em Gn 6.6). Mas Moisés não queria outro povo. Clamou novamente a Deus para que perdoasse os erros dos israelitas (Ex 32.9,10). Porém todos os adulto que saíram do Egito, exceto Calebe e Josué morreram no deserto. Moisés resistiu firme até à entrada de Canaã, infelizmente não pode entrar, apenas contemplou a terra (Dt 34.4,5) e foi levado por Deus. Josué tomou a direção do Povo e tomaram posse da terra Prometida. "Eis a terra que jurei a Abraão, Isaque e a Jacó dar à tua posteridade. Viste-a com os teus olhos, mas não entrarás nela (disse Deus). E Moisés morreu." (Dt 34. 4,5). "Não se levantou mais em Israel profeta comparável a Moisés, com quem o Senhor conversava face a face." Dt 34.10. Foram grandes e difíceis batalhas, até tomarem posse por completo de Canaã. Inicialmente o povo era dirigido pelos juizes (Gideão, Eli, Samuel, etc). Mas inconformados com esta situação e querendo assemelhar-se aos demais reinos pediram para si reis, Deus os atendeu. I Sm 8.5.
  20. 20. A História das Religiões Todos os direitos reservados por 20 Instituto Teológico Internacional Av. Itaberaba 1323 - CEP 02734-000 São Paulo – São Paulo Levantou-se Saul o primeiro rei, que foi infiel ao Senhor (I Sm 10.24), em seguida Davi tornou-se rei, este sim segundo o coração do Pai. II Sm 2.1-7. Salomão foi o terceiro rei, homem muito sábio e abençoado, construiu o primeiro Templo. Após estes, muitos outros reis vieram, alguns fieis outros infiéis. Muitas vezes tornaram- se um povo sem Pátria. Inclusive nos últimos dois milênios eram um povo disperso pela terra. Somente em 1948 foi restabelecido o Estado de Israel. Jesus e os seus familiares pertenciam ao povo judeu. Também os seus Apóstolos. Sendo tão grande o patrimônio espiritual comum aos Cristãos e aos Judeus, deve existir um maior conhecimento entre ambos e uma estima mútua. Os símbolos do Judaísmo - O Muro das Lamentações – em Jerusalém, é o que resta do templo de Herodes, destruído pelos romanos no ano 70 d.C. Aqui os hebreus vêm rezar. É o único lugar sagrado de todo o Judaísmo. - O Candelabro dos sete braços – A "Menorah" é o símbolo do Judaísmo. O 7 é para os Judeus o número da plenitude, da perfeição. - A Sinagoga – É o lugar de oração, de estudo e de reunião. - O Rabino – Os hebreus não têm sacerdotes. O Rabino é só um mestre, um guia espiritual para os fiéis na interpretação da Bíblia. - O Sábado – É o dia semanal festivo dos judeus. Começa ao pôr-do-sol de Sexta- feira e vai até ao pôr-do-sol de Sábado. É um dia dedicado à oração e ao descanso. Etapas importantes da vida de um Judeu - A Circuncisão – Aos oito dias depois do nascimento, todo o rapaz hebreu é circuncisado e nesta altura é-lhe dado o nome. A circuncisão simboliza a Aliança entre Yavhé e Abraão. - Aos treze anos, o rapaz hebreu torna-se membro da comunidade e, por isso, está sujeito aos direitos e aos deveres que a Bíblia lhe indica. Vida Religiosa - O estudo da Torá é o principal dos deveres de um judeu. No livro da Lei estão contidas as 613 obrigações que todo o hebreu piedoso deve observar.
  21. 21. A História das Religiões Todos os direitos reservados por 21 Instituto Teológico Internacional Av. Itaberaba 1323 - CEP 02734-000 São Paulo – São Paulo - Quando ora, o hebreu tem a cabeça coberta com o «Talith», um xaile com franjas brancas e pretas, e tem presos à testa e no braço direito as «filactérias», pequenas bolsas que contem orações da Torá escritos em pergaminho. Livro Sagrado - Os textos sagrados judaicos são: a Bíblia dos hebreus, que inclui o Torá (o Pentateuco, os cinco primeiros livros bíblicos: Gênesis, Êxodo, Números, Levítico e Deuteronômio), os Profetas e outros livros; o Talmude, formado pelo conjunto de ensinamentos do Judaísmo, além de tratar-se de um guia de leis religiosas e civis. Credo - «Escuta, Israel, o Eterno é Um só» Esta oração resume a fé hebraica: acredita na existência de um só Deus. O Judaísmo é uma religião fortemente monoteísta. - A visão que o Judaísmo tem da vida é otimista, porque o Deus criou o homem livre e responsável. O cumprimento sem reservas das suas obrigações duras e rigorosas da Torá exprime a submissão humana a Deus e simboliza o respeito pela Aliança. - Os hebreus esperam a vinda do Messias. Virá um tempo – «os dias do Messias» – em que reinarão a paz, a justiça e a fraternidade. Terminarão todas as formas de idolatria e o Eterno será Um e o Seu Nome será Um». As Festas (principais) - O dia do perdão – «Yom Kippur» – festa de jejum e de expiação. Cada judeu deve estender ao seu inimigo a mão da reconciliação, esquecendo as ofensas e pedindo desculpas. - A festa da Páscoa – «Pessah» – recorda a saída do povo hebraico do Egito, guiado por Moisés. Prolonga-se por oito dias. - A festa do Pentecostes – «Shavuot» – recorda a Dom da Torá (Dez Mandamentos), dada por Deus a Moisés, no monte Sinai. Lembrando que, no judaísmo houve o surgimento de várias vertentes, como a Ortodoxa, a Conservadora e a Reformista. A Conservadora, apesar de tomar como sagradas as tradições judaicas, encerra uma ideologia que permite novas interpretações dos textos sagrados. Os seguidores da vertente Reformista submetem as tradições judaicas à reavaliações, de geração a geração.
  22. 22. A História das Religiões Todos os direitos reservados por 22 Instituto Teológico Internacional Av. Itaberaba 1323 - CEP 02734-000 São Paulo – São Paulo CAPITULO III HISTÓRIA DO CRISTIANISMO O cristianismo é uma das chamadas grandes religiões. A religião cristã surgiu na região da atual Palestina no século I. Essa região estava sob domínio do Império Romano neste período. Criada por Jesus, espalhou-se rapidamente pelos quatro cantos do mundo, se transformando atualmente na religião mais difundida. Jesus foi perseguido pelo Império Romano, a pedido do imperador Otávio Augusto (Caio Júlio César Otaviano Augusto), pois defendia ideias muito contrárias aos interesses vigentes. Defendia a paz, a harmonia, o respeito um único Deus, o amor entre os homens e era contrário à escravidão. Enquanto isso, os interesses do império eram totalmente contrários. Os cristãos foram muito perseguidos durante o Império Romano e para continuarem com a prática religiosa, usavam as catacumbas para encontros e realização de cultos. CONTEXTO DO NASCIMENTO DO CRISTIANISMO Período Interbíblico Esse período teve a duração de aproximadamente 450 anos. Normalmente se faz referência a esse tempo como uma época em que Deus esteve em silêncio para com o seu povo. Nenhum profeta de Deus se manifestou ou, pelo menos, nenhum deixou escrito que tenham sido considerados canônicos. O Império Persa - Final do AT O Antigo Testamento termina com as palavras de Malaquias, o qual profetizou entre 450 e 425 a.C.. Nesse tempo, a Palestina estava sob o domínio do Império Persa, o qual se estendeu até o ano 331 a.C.. Embora o rei Ciro tenha autorizado os judeus a retornarem do exílio, o domínio Persa continuava sobre eles. De volta à Palestina, o povo judeu passou a ter um governo local exercido pelos sumo sacerdotes, embora não houvesse independência política. Eram comuns as disputas pelo poder.
  23. 23. A História das Religiões Todos os direitos reservados por 23 Instituto Teológico Internacional Av. Itaberaba 1323 - CEP 02734-000 São Paulo – São Paulo O Império Grego - 335 a 323 a.C. Paralelamente ao Império Persa, crescia o poder de um rei macedônico, Felipe, o qual empreendeu diversas conquistas na Ásia menor e ilhas do mar Egeu, anexando a Grécia ao seu domínio. Desejando expandir seu território, entrou em confronto com a Pérsia, o que lhe custou a vida. Foi sucedido por seu filho, Alexandre Magno, que também ficou conhecido como Alexandre, o Grande, o qual havia estudado com Aristóteles. A mitologia grega, com seus deuses e heróis parece ter inspirado o novo conquistador. Alexandre tinha 20 anos quando começou a governar. Seu ímpeto imperialista lhe levou a conquistar a Síria, a Palestina (332 a.C.) e o Egito. No Egito, Alexandre construiu uma cidade em sua própria homenagem, dando-lhe o nome de Alexandria, a qual se encontrava em local estratégico para o comércio entre o Mediterrâneo, a Índia e o extremo Oriente. Alexandre se denominou então "Rei da Ásia" e passou a exigir para si o culto dos seus subordinados, de conformidade com as práticas babilônicas. Quanto aos judeus, Alexandre os tratou bem e teve muitos deles em seu exército. Após a sua morte, o Império Grego foi divido entre os seus generais, dentre os quais nos interessam Ptolomeu, a quem coube o governo do Egito, e Seleuco, que passou a governar a Síria. O Governo dos Ptolomeus - 323 a 204 a.C. A Palestina ficou sob o domínio do Egito. Os descendentes de Ptolomeu foram chamados Ptolomeus. Eis os nomes que se sucederam enquanto a Palestina esteve sob o seu governo: > Ptolomeu I (Sóter) - 323 a 285 a.C. > Ptolomeu II (Filadelfo) - 285 a 246 a.C. – Durante o seu governo foi elaborada, em Alexandria, a Septuaginta, tradução do Antigo Testamento para o grego. Filadelfo foi amável com os judeus. > Ptolomeu III (Evergetes) – 246 a 221 a.C. > Ptolomeu IV (Filópater) - 221 a 203 a.C. O Governo dos Selêucidas - 204 a 166 a.C. Os reis da Síria, descendentes do general Seleuco, foram chamados Selêucidas. Nesse período a Palestina esteve sob o domínio da Síria. Eis a relação dos selêucidas do período:
  24. 24. A História das Religiões Todos os direitos reservados por 24 Instituto Teológico Internacional Av. Itaberaba 1323 - CEP 02734-000 São Paulo – São Paulo > Antíoco III - O Grande – 223 a 187 a.C. > Seleuco IV (Filópater) – 187 a 175 a.C. > Antíoco IV (Epifânio) - 175 a 163 a.C. Em Israel, o governo local era exercido por Onias, o sumo sacerdote. Contudo, Epifânio comercializou o cargo sacerdotal, vendendo-o a Jasão por 360 talentos. Epifânio se esforçou para impor a cultura e a religião grega em Israel, atraindo sobre si a inimizade dos judeus. Tendo ido ao Egito, divulgou-se o boato da morte de Epifânio, motivo pelo qual os judeus realizaram uma grande festa. Ao tomar conhecimento do fato, o rei da Síria promoveu um grande massacre, matando 40 mil judeus. O Governo dos Macabeus - 167 a 37 a.C. Surge no cenário judaico uma importante família da tribo de Levi: os Macabeus. Em 167, o macabeu Matatias se recusa a oferecer sacrifício a Zeus. Outro homem se ofereceu para sacrificar, mas foi morto por Matatias, o qual organiza um grupo de judeus para oferecer resistência contra os selêucidas. Tal movimento ficou conhecido como a Revolta dos Macabeus. A Palestina continuou sob o domínio da Síria. Contudo, a Judéia voltou a possuir um governo local, exercido pelos Macabeus. Ainda não se tratava de independência, mas já havia alguma autonomia. O Império Romano – 37 a.C. e todo o período do Novo Testamento. Sendo nomeado por Roma como rei da Judéia, Herodes passou a governar um grande território. Contudo, sua insegurança e medo de perder o poder o levaram a matar Aristóbulo, irmão de Mariana, por afogamento. Depois, matou a própria esposa e estrangulou os filhos. A violência de Herodes provocou a revolta dos judeus. Para apaziguá-los, o rei iniciou uma série de obras públicas, entre as quais a construção (reforma) do templo, que passou a ser conhecido como Templo de Herodes. No tempo do nascimento de Cristo, o Imperador era Augusto, o qual instituiu o culto a si mesmo por parte dos seus súditos. Em algumas regiões havia a figura do rei. Naquele mesmo período o rei da Palestina era Herodes. Esta região teve sua divisão política alterada diversas vezes, sendo até governada por mais de um rei em determinados momentos. Além do rei, havia em algumas épocas e lugares a figura do procurador, ou governador.
  25. 25. A História das Religiões Todos os direitos reservados por 25 Instituto Teológico Internacional Av. Itaberaba 1323 - CEP 02734-000 São Paulo – São Paulo Na província da Judéia havia uma instituição local chamada Sinédrio, o qual era formado por 71 membros e presidido pelo sumo sacerdote. O Sinédrio era o supremo tribunal local e tinha poderes para julgar questões civis e religiosas, uma vez que as duas coisas eram tratadas pela mesma lei. Tais autoridades tinham até mesmo a prerrogativa de aplicar a pena de morte contra crimes cometidos na comunidade local. A polícia recebia ordens do Sinédrio. Havia ainda outro tipo de província. Eram aquelas conquistadas há mais tempo e já pacificadas. Os habitantes desses lugares tinham cidadania romana. Era o caso do apóstolo Paulo, que nasceu em Tarso, e tinha o direito de ser considerado cidadão romano. Tal prerrogativa proporcionava diversos direitos, principalmente tratamento respeitoso e especial nas questões jurídicas. Um cidadão romano não podia, por exemplo, ser açoitado. Paulo foi submetido a açoites, mas seus algozes ficaram atemorizados quando souberam que tinham espancado um cidadão romano (Atos 16.37-38). Com base no mesmo direito, Paulo apelou para César quando quis se defender das acusações que lhe eram feitas (Atos 25.10-12). Imperadores Romanos no Período do Novo Testamento > César Augusto Otaviano - ano 27 a.C. a 14 d.C. - Nascimento de Jesus - Início do culto ao Imperador. (Lc.2.1) > Tibério Júlio César Augusto - 14 a 27 - Ministério e Morte de Jesus. (Lc.3.1). > Gaio Júlio César Germânico Calígula - 37 a 41 - Quis sua estátua no templo em Jerusalém. Morreu antes que sua ordem fosse cumprida. > Tibério Cláudio César Augusto Germânico - 41 a 54 - Expulsou os judeus de Roma. (At.18.2). > Nero Cláudio César Augusto Germânico - 54 a 68 - Começa perseguição de Roma contra os cristãos. Paulo e Pedro morrem (At. 25.10; 28.19). > Sérvio Galba César Augusto 68 - Cerco a Jerusalém. > Marcos Oto César Augusto - 69 – mantém o cerco a Jerusalém. > Aulus Vitélio Germânico Augusto - 69 - mantém o cerco a Jerusalém. > César Vespasiano Augusto - 69 a 79 – Tinha sido general de Nero. Coloca seu filho Tito como general. No ano 70, determina a destruição de Jerusalém. > Tito César Vespasiano Augusto - 79-81. > César Domiciano Augusto Germânico - 81 a 96 - Exigia ser chamado Senhor e Deus. Grande perseguição. O apóstolo João ainda vivia durante o governo de Domiciano.
  26. 26. A História das Religiões Todos os direitos reservados por 26 Instituto Teológico Internacional Av. Itaberaba 1323 - CEP 02734-000 São Paulo – São Paulo O AMBIENTE DO NASCIMENTO DO CRISTIANISMO O Cristianismo nasceu na pequena Palestina, então sob o jugo romano; ela estava dividida em províncias que a grosso modo, eram: Judéia, ao sul; Samaria, no centro; e Galiléia ao norte. A cidade principal de toda essa região era Jerusalém; e em 63 a.c. ela foi subjugada por Pompeu, general romano. E a região chamada Palestina foi conquistada pelos romanos em 64 a.C. Segundo o Evangelho de Mateus e o de Lucas, Jesus nasceu em Belém, uma cidadezinha cerca de 08 quilômetros ao sul de Jerusalém; ela é chamada Belém da Judéia (ou Belém de Judá), porque há uma outra Belém, chamada Belém de Zabulon, mencionada em Josué 19:16, cerca de 11 km a noroeste de Nazaré, na Galiléia, e é identificada com a atual Beith Lahm; e é a mesma Belém do juiz Abesã (ou Ibsã) que julgou Israel sete anos, mencionada em Juízes 12:8-10. Belém de Judá é a terra da Casa de Davi (I Samuel 16:4); em Miquéias, em 5:1, ela é honrada como a terra da origem da dinastia de Davi e, portanto, do descendente de Davi que reinará sobre Israel. A DIÁSPORA Nos dias do Novo Testamento, a população judaica encontrava-se dispersa por vários lugares. Além da própria Palestina, havia inúmeros judeus em Roma, Egito, Ásia Menor, etc. Atos 2.9-11; Tiago 1.1; I Pedro 1.1. Tal dispersão, que recebe o nome de Diáspora, tem razões diversas, começando pelos exílios para a Assíria e Babilônia, e se completando por interesses comerciais dos judeus, e até mesmo em função das dificuldades que se verificavam em sua terra natal. Esse quadro se apresenta como cumprimento claro dos avisos divinos acerca da dispersão que viria como conseqüência do pecado de Israel. Dt 28.64. Assim, o judaísmo acabou se dividindo em função da distribuição geográfica. Havia o judaísmo de Jerusalém, mais ligado à ortodoxia, e o judaísmo da Diáspora, ou seja, praticado pelos judeus residentes fora da Palestina. Se até na Palestina, os costumes gregos se impunham, muito mais isso ocorria na vida dos judeus em outras regiões. Isto fez com que eles se preocupassem com o futuro de suas tradições e sua religião. Tomaram então providências para que o judaísmo não sucumbisse diante do helenismo, como a tradução do Velho Testamento do hebraico para o grego, chamada Septuaginta. Para muitos judeus conservadores, o judaísmo era propriedade nacional e não devia ser propagado entre outros povos. Já os judeus da Diáspora se dedicaram a conquistar gentios para a religião judaica.
  27. 27. A História das Religiões Todos os direitos reservados por 27 Instituto Teológico Internacional Av. Itaberaba 1323 - CEP 02734-000 São Paulo – São Paulo Tal fenômeno recebe o nome de proselitismo. Os novos convertidos eram chamados prosélitos. Mateus 23.15 Atos 2.9-11; 6.5; 13.43. Essa prática difusora da religião também foi adotada por judeus de Jerusalém, mas em escala bem menor. As Sinagogas O surgimento das sinagogas é normalmente atribuído ao período do exílio babilônico, quando os judeus deixaram de ter um templo para adorar e sacrificar. O fato indiscutível é que nos dias do Novo Testamento, tais locais de oração, ensino e administração civil eram muito valorizados. Em qualquer localidade onde houvesse 10 judeus, podia ser aberta uma sinagoga. Em cidades grandes poderia haver várias, como era o caso de Jerusalém. A liderança da sinagora era exercida pelo rabi (mestre), o qual era eleito pelos membros daquela comunidade. Quando, seguindo-se à conquista de Alexandre, o helenismo mudou a mentalidade do Oriente Médio, alguns judeus se apegaram ainda mais tenazmente do que antes à fé de seus pais, ao passo que outros se dispuseram a adaptar seu pensamento às novas idéias que emanavam da Grécia. Por fim, o choque entre o helenismo e o judaísmo deu origem a diversas seitas judaicas: Os Fariseus Os fariseus eram os descendentes espirituais dos judeus piedosos que haviam lutado contra os helenistas no tempo dos Macabeus. O nome fariseu, “separatista”, foi provavelmente dado a eles por seu inimigos, para indicar que eram não- conformistas. Pode, todavia, ter sido usado com escárnio porque sua severidade os separava de seus compatriotas judeus, tanto quanto de seus vizinhos pagãos. A lealdade à verdade às vezes produz orgulho e ate mesmo hipocrisia, e foram essas perversões do antigo ideal farisaico que Jesus denunciou. Paulo se considerava um membro deste grupo ortodoxo do judaísmo de sua época. Fp 3.5. Saduceus O partido dos saduceus, provavelmente denominado assim por causa de Zadoque, o sumo sacerdote escolhido por Salomão (I Rs 2.35), negava autoridade à tradição e olhava com suspeita para qualquer revelação posterior à Lei de Moisés. Eles negavam a doutrina da ressurreição, e não criam na existência de anjos ou espíritos. At 23.3. Eram, em sua maioria, gente de posses e posição, e cooperavam de bom grado com os helenistas da época. Ao tempo do N.T. controlavam o sacerdócio e o ritual do templo. A sinagoga, por outro lado, era a cidadela dos fariseus.
  28. 28. A História das Religiões Todos os direitos reservados por 28 Instituto Teológico Internacional Av. Itaberaba 1323 - CEP 02734-000 São Paulo – São Paulo Essênios O essenismo foi uma reação ascética ao externalismo dos fariseus e ao mudanismo dos saudceus. Os essênios se retiravam da sociedade e viviam em ascetismo e celibato. Davam atenção à leitura e estudo das Escrsturas, à oração e às lavagens cerimoniais. Suas posses eram comuns e eram conhecidos por sua laboriosidade e piedade. Tanto a guerra quanto a escravidão era contrárias a seus princípios. O mosteiro em Qumran, próximo às cavernas em que os Manuscrito do Mar Morto foram encontrados, é considerado por muitos estudiosos como um centro essênio de estudo no deserto da Judéia. Os rolos indicam que os membros da comunidade haviam abandonado as influências corruptas das cidades judaicas para prepararem, no deserto, “o caminho do Senhor”. Tinham fé no Messias que viria e consideravam-se o verdadeiro Israel para quem Ele viria. Escribas Os escribas não eram, estritamente falando, uma seita, mas sim, membros de uma profissão. Eram, em primeiro lugar, copista da Lei. Vieram a ser considerados autoridades quanto às Escrituras, e por isso exerciam uma função de ensino. Sua linha de pensamento era semelhante à dos fariseus, com os quais aparecem freqüentemente associados no N.T. Herodianos Os herodianos criam que os melhores interesses do judaísmo estavam na cooperação com os romanos. Seu nome foi tirado de Herodes, o Grande, que procurou romanizar a Palestina em sua época. Os herodianos eram mais um partido político que uma seita religiosa. EXPANSÃO DO CRISTIANISMO APOSTÓLICO A difusão do Cristianismo inicia-se no seio da comunidade judaica de Jerusalém. A seguir, devido a perseguição à Igreja movida por Saulo, e a morte do primeiro mártir, Estevão (At 7.54-60, 8.1-3). De perseguidor, Paulo torna-se seguidor e grande difusor, e através dele a mensagem do Evangelho ganha projeção mundial, não só geograficamente pelo seu trabalho missionário, mas também culturalmente pela sua exposição da mensagem cristã dentro dos conceitos gregos.
  29. 29. A História das Religiões Todos os direitos reservados por 29 Instituto Teológico Internacional Av. Itaberaba 1323 - CEP 02734-000 São Paulo – São Paulo Seu vigoroso pensamento formado por elementos tanto judeus quanto não judeus, possibilitou ao Espírito Santo fazer de suas cartas uma boa nova para toda a humanidade. “... a palavra da verdade do evangelho, que já chegou até vós, como também está em todo o mundo e já vai frutificando..." (Col 1.5b,6a). O Cristianismo conquista os judeus dispersos por todo o Império Romano, ganhando as províncias orientais - o Egito, a Ásia Menor e a Grécia. Convertendo os judeus de Alexandria, Éfeso, Antióquia, Corinto e outros centros lança as primeiras bases para se fazer ouvir pelos pagãos. Próximo ao ano de 90 d.C. morria João, o último dos doze apóstolos. Mas o alicerce estava lançado. Roma, o mundo e a História, jamais seriam os mesmos. A pequena semente de mostarda começava a brotar e crescer, para dar alívio e cura a um mundo mergulhado na idolatria, na violência, no homossexualismo, no infanticídio, na vazia especulação filosófica, no negro ocultismo. "Enquanto o grande corpo (do Império Romano) foi invadido pela violência aberta, ou solapado pela lenta decadência, uma religião humilde e pura, gentilmente insinuou-se para dentro da mente dos homens, cresceu em silêncio e obscuridade, recebeu novo vigor da oposição, e finalmente erigiu a triunfante bandeira da cruz, sobre as ruínas do Capitólio”. O sangue dos cristãos também é semente Não tardaria e este grupo de pessoas entraria em conflito cada vez maior com o sistema existente. Sua vida pura, sua fé incomum, seu zelo, perturbaram o paganismo. Acusações de todos os tipos eram lançadas sobre os cristãos. Quando no ano de 68 d.C. Roma foi incendiada, provavelmente pelo próprio Imperador Nero, que para desviar a culpa de si, lançou-a sobre os cristãos, iniciando uma onda de perseguição e morte sobre a Igreja de Roma. “Em primeiro lugar prenderam os que se confessavam cristãos, e depois pelas denuncias destes, uma multidão inumerável, os quais todos não tanto foram convencidos de haverem tido parte no incêndio, mas de serem inimigos do gênero humano. O suplício destes miseráveis foi ainda acompanhado de insultos, porque ou os cobriam com peles de animais ferozes para serem devorados pelos cães, ou foram crucificados, ou os queimaram de noite para servirem como de archotes e tochas ao público. Nero ofereceu seus jardins para este espetáculo...”. Isto seria apenas o início de uma longa série várias perseguições, em sua maioria promovidas pelo estado no intuito de apagar a chama que se acendera no Pentecoste. Domiciano, Trajano, Adriano, Antonino Pio, Marco Aurélio, Décio.
  30. 30. A História das Religiões Todos os direitos reservados por 30 Instituto Teológico Internacional Av. Itaberaba 1323 - CEP 02734-000 São Paulo – São Paulo Todos eles tiveram, na destruição da Igreja Cristã, parte de sua política. Os cristãos foram queimados, crucificados, decapitados, lançados às feras do Coliseu. Mas como no Egito, "quanto mais os afligiam... tanto mais se multiplicavam e se espalhavam" (Ex 1.12). Apesar de submetido a duras perseguições, por parte dos romanos e dos judeus, o Cristianismo adquire, no decorrer dos séc. II e III, grande força política que se consolida no governo de Constantino (306-337), primeiro imperador cristão. Em Antióquia, pela primeira vez, os discípulos foram chamados cristãos (At 11, 26), designação que os próprios seguidores de Cristo só começam a aplicar a si mesmos por volta do séc. II. O número de mártires crescia à medida em que as conversões aumentavam e o império se sentia contestado. Inicialmente considerado pelos romanos como um simples ramo do judaísmo (At 18,14-16), o cristianismo foi aos poucos suscitando a hostilidade dos judeus e cresceu o bastante para assinalar diferenças e evocar toda sorte de perseguições. Surgiram então os Atos dos mártires, documentos que narravam os padecimentos e morte dos cristãos condenados e que se destinavam à leitura nas comemorações anuais em sua honra, como ato de culto público. Tomavam como base as informações oficiais dos julgamentos e os testemunhos pessoais. Entre os Atos conhecem-se o Martírio de Policarpo (115), Atos de Justino e seus companheiros (163-167) etc. Realmente, os ideais de Jesus espalharam-se rapidamente pela Ásia, Europa e África, principalmente entre a população mais carente, pois eram mensagens de paz, amor e respeito. Os apóstolos se encarregaram de tal tarefa. A religião fez tantos seguidores que no ano de 313, da nossa era, o imperador Constantino concedeu liberdade de culto. No ano de 392, o cristianismo é transformado na religião oficial do Império Romano. Na época das grandes navegações (séculos XV e XVI), a religião chega até a América através dos padres jesuítas, cuja missão era catequizar os indígenas. Portanto, o nascimento do cristianismo se confunde com a história do império romano e com a história do povo judeu. Na sua origem, o cristianismo foi apontado como uma seita surgida do judaísmo e terrivelmente perseguida. Porém, rapidamente, a doutrina cristã se espalhou pela região do Mediterrâneo e chegou ao coração do império romano.
  31. 31. A História das Religiões Todos os direitos reservados por 31 Instituto Teológico Internacional Av. Itaberaba 1323 - CEP 02734-000 São Paulo – São Paulo A difusão do cristianismo pela Grécia e Ásia Menor foi obra especialmente do apóstolo Paulo, que não era um dos 12 e teria sido chamado para a missão pelo próprio Jesus. As comunidades cristãs se multiplicaram. Surgiram rivalidades. Em Roma, muitos cristãos foram transformados em mártires, comidos por leões em espetáculos no Coliseu, como alvos da ira de imperadores atacados por corrupção e devassidão. Desvios de percurso e situações históricas determinaram os rachas que dividiram o cristianismo em várias confissões (as principais são as dos católicos, protestantes e ortodoxos). Atualmente, encontramos três principais ramos do cristianismo:  Catolicismo,  Protestantismo  e Igreja Ortodoxa.
  32. 32. A História das Religiões Todos os direitos reservados por 32 Instituto Teológico Internacional Av. Itaberaba 1323 - CEP 02734-000 São Paulo – São Paulo CAPITULO IV HISTÓRIA DO CATOLICISMO A igreja católica, que conhecemos hoje, é o resultado de alterações feitas a partir da igreja primitiva. No ano 311, Constantino ascendeu ao posto de Imperador. Este apoiou o cristianismo e o transformou em religião oficial do Império Romano. Então a Igreja de Roma iniciou a sua longa história de sincretismo religioso com as doutrinas e práticas pagãs da religiosidade romana, bem como a sua aliança com o Estado romano. Constantino convocou em 325 d.C. o Concílio de Nicéia onde surgiu o catolicismo romano influenciado por doutrinas pagãs. Foi exatamente a partir daí que teve início a Igreja Católica Apostólica Romana, a antiga igreja de Roma, agora "sob nova direção". Durante o período em que o catolicismo foi absorvido pelo império romano os assuntos religiosos sofreram ingerências dos imperadores romanos, tanto nas questões administrativas quanto teológicas. I. Cristianização do Império Romano No ano 363 AD todos os governadores professaram o Cristianismo e antes de findar o quarto século o Cristianismo, foi virtualmente estabelecido como religião do Império. O cristianismo, perseguido sob Diocleciano (284-305), elevado à igualdade aos cultos pagãos no reino de Constantino (306-337) e proclamado religião oficial com Teodósio (394-395), dominaria em quase todas as suas realizações. Tertuliano (160-220 d.C) escreveu: "Nós somos de ontem e, todavia, enchemos o vosso império, vossas cidades, vilas, ilhas, tribos, campos, castelos, palácios, assembléias e o senado." 1. Conversão de Constantino Era o mês de outubro do ano 312. Um jovem general, a quem todas as tropas romanas da Bretanha e da Gália eram fiéis, marchava em direção a Roma para desafiar Maxêncio, outro postulante ao trono imperial. Segundo o relato da história, o general Constantino olhou para o céu e viu um sinal, uma cruz brilhante, na qual podia ler: "Com isto vencerás". O supersticioso soldado já estava começando a rejeitar as divindades romanas a favor de um único Deus.
  33. 33. A História das Religiões Todos os direitos reservados por 33 Instituto Teológico Internacional Av. Itaberaba 1323 - CEP 02734-000 São Paulo – São Paulo Seu pai adorava o supremo deus Sol. Seria um bom presságio daquele Deus na véspera da batalha? Mais tarde, Cristo teria aparecido a Constantino em um sonho, segurando o mesmo sinal (uma cruz inclinada), lembrando as letras gregas chi (?) e rho (?), as duas primeiras letras da palavra Christos. O general foi instruído a colocar esse sinal nos escudos de seus soldados, o que fez prontamente, da forma exata como fora ordenado. Conforme prometido, Constantino venceu a batalha. Esse foi um dos diversos momentos marcantes do século IV, um período de violentas mudanças. Se você tivesse saído de Roma no ano 305 d.C. para viver anos no deserto, quando voltasse certamente esperaria encontrar o cristianismo morto ou enfrentando as últimas ondas de perseguição. Em vez disso, o cristianismo se tornou a religião patrocinada pelo império. Depois de ter tomado o poder em 284, Diocleciano, um dos mais brilhantes imperadores romanos, começou uma enorme reorganização que afetaria as áreas militar, econômica e civil. Durante certo período de tempo, ele deixou o cristianismo em paz. Uma das grandes idéias de Diocleciano foi a reestruturação do poder imperial. Dividiu o império em Oriente e Ocidente, e cada lado teria um imperador e um vice-imperador (ou césar). Cada imperador serviria por vinte anos e, a seguir, os césares assumiriam também por vinte anos e assim por diante. No ano 286, Diocleciano indicou Maximiano imperador do Ocidente, enquanto ele mesmo continuava a governar o Oriente. Os césares eram Constancio Cloro (pai de Constantino) no Ocidente e Galério no Oriente. Galério era radicalmente anticristão (há informações que ele atribuiu a perda de uma batalha a um soldado cristão que fez o sinal da cruz). É bem provável que o imperador do Oriente tenha assumido posições anticristãs por instigação de Galério. Tudo isso era parte da reorganização do império, de modo que a lógica era a seguinte: Roma tinha uma moeda única, uní sistema político único e, portanto, deveria ter uma única religião; os cristãos, porém, estavam em seu caminho. A partir do ano 298, os cristãos foram retirados do exército e do serviço civil. Em 303, a grande perseguição teve início. As autoridades planejaram impor severas sanções sobre os cristãos, que começariam a ser implantadas na Festa da Termi- nália, em 23 de fevereiro. As igrejas foram arrasadas, as Escrituras confiscadas, e as reuniões proibidas. No início, não houve derramamento de sangue, mas Galério logo se encarregou de mudar essa situação. Quando Diocleciano e Maximiano deixaram seus postos (de acordo com o planejado), em 305, Galério desencadeou uma perseguição ainda mais brutal. De modo geral, Constantino, que governava o Ocidente, era mais indulgente.
  34. 34. A História das Religiões Todos os direitos reservados por 34 Instituto Teológico Internacional Av. Itaberaba 1323 - CEP 02734-000 São Paulo – São Paulo Porém, as histórias de horror do Oriente eram abundantes. Até o ano 310, a perseguição tirou a vida de milhares cristãos. Contudo, Galério foi incapaz de esmagar a igreja. Estranhamente, em seu leito de morte, ele mudou de idéia. Em outro grande momento, no dia 30 de abril de 311, o feroz imperador desistiu de lutar contra o cristianismo e promulgou o Édito de Tolerância. Sempre político, insistiu em que fizera tudo para o bem do império, mas que "grande número" de cristãos "persiste em sua determinação". Desse modo, agora era melhor permitir que eles se encontrassem livremente, contanto que não atentassem contra a ordem pública. Além disso, declarou: "Será tarefa deles orar ao seu Deus em benefício de nosso Estado". Roma precisava de toda a ajuda que pudesse obter. Galério morreu seis dias depois. O grande plano de Diocleciano, no entanto, começava a ruir. Quando Constancio morreu, no ano 306, seu filho Constantino foi proclamado governador por seus soldados leais. Maximiano, porém, tentou sair do exílio e governar o Ocidente outra vez com o filho, Maxêncio (que terminou tirando o próprio pai do poder). Enquanto isso, Galério indicava um general de sua confiança, Licínio, para governar o Ocidente. Cada um desses futuros imperadores reivindicava um pedaço do território ocidental. Eles teriam de lutar por ele. Constantino, de maneira astuta, forjou uma aliança com Licínio e lutou contra Maxêncio. Na batalha da Ponte Mílvia, Constantino saiu vitorioso. Naquele momento, Constantino e Licínio montaram um delicado equilíbrio de poder. Constantino estava ansioso para agradecer a Cristo por sua vitória e, desse modo, optou por dar liberdade e status à igreja. No ano 313, ele e Licínio emitiram oficialmente o Edito de Milão, garantindo a liberdade religiosa dentro do império. "Nosso propósito", dizia o édito, "é garantir tanto aos cristãos quanto a todos os outros a plena autoridade de seguir qualquer culto que o homem desejar". Constantino, imediatamente, assumiu o interesse imperial pela igreja: restaurou suas propriedades, deu-lhe dinheiro, interveio na controvérsia donatista e convocou os concilios eclesiásticos de Arles e de Nicéia. Ele também fazia manobras para obter poder sobre Licínio, a quem finalmente depôs, em 324. Assim, a igreja passou de perseguida a privilegiada. Em um período de tempo surpreendentemente curto, suas perspectivas mudaram por completo. Depois de séculos como movimento contracultural, a igreja precisava aprender a lidar com o poder. Ela não fez todas as coisas de maneira correta. A própria presença dinâmica de Constantino modelou a igreja do século IV, modelo que ela adotou daí em diante. Ele era um mestre do poder e da política, e a igreja aprendeu a usar essas ferramentas.
  35. 35. A História das Religiões Todos os direitos reservados por 35 Instituto Teológico Internacional Av. Itaberaba 1323 - CEP 02734-000 São Paulo – São Paulo A visão de Constantino foi autêntica ou ele foi apenas um oportunista, que usou o cristianismo para benefício próprio? Somente Deus conhece a alma. Embora tenha falhado na demonstração de sua fé em várias ocasiões, o imperador certamente assumiu um interesse ativo no cristianismo que professava, chegou até mesmo a correr risco pessoal em certos momentos. Ε certo que Deus usou Constantino para fazer com que as coisas acontecessem para a igreja. O imperador afirmou e assegurou a tolerância oficial à fé. 2. O edito de tolerância, 313 Por este edito, Constantino concedeu "aos cristãos e a todos os outros plena liberdade de seguir a religião que a cada um aprouvesse", o primeiro deste gênero na História. E foi adiante: favoreceu de todos os modos os cristãos; deu-lhes os principais cargos; isentou ministros cristãos de impostos e do serviço militar; incentivou e ajudou a construção de igrejas; fez do cristianismo a religião de sua corte; expediu uma exortação geral, 325, a todos os súditos para que abraçassem o cristianismo; e porque a aristocracia romana persistisse em seguir suas religiões pagãs, mudou a capital para Bizâncio e denominou-a Constantinopla, "Nova Roma", capital do novo império cristão. 3. Os benefícios da cristianização do Império Romano 3.1. As perseguições acabaram. 3.2. Em muitos lugares os templos pagãos foram dedicados ao culto cristão. 3.3. Constantino estabeleceu o Domingo como dia de descanso e adoração. 3.4. Foi abolida a crucifixão como gênero de pena capital. 3.5. O infanticídio foi reprimido. 3.6. As lutas de gladiadores foram proibidas. 3.7. Foi abolida a escravidão. 3.8. Foi abolida os combates de gladiadores. 3.9. O primeiro templo cristão foi construído em (222-35). 3.10. Depois do edito de Constantino, muitos templos foram construídos. 4. A Fundação de Constantinopla O Imperador Constantino compreendeu que a cidade de Roma estava intimamente ligada à adoração pagã, cheia de templos e estátuas pagãs. Ele desejava uma capital sob os auspícios da nova religião. Na nova capital, a igreja era honrada e considerada, não havia templos pagãos.
  36. 36. A História das Religiões Todos os direitos reservados por 36 Instituto Teológico Internacional Av. Itaberaba 1323 - CEP 02734-000 São Paulo – São Paulo II. A paganização da Igreja Apesar de os triunfos do Cristianismo haverem proporcionado boas coisas ao povo, contudo a sua aliança com o Estado, inevitavelmente devia trazer, como de fato trouxe, maus resultados para a igreja. Com a conversão do imperador Constantino em 312, a situação da igreja mudou drasticamente. Os cristãos saíram da posição de perseguidos e tornaram-se membros de uma religião respeitável que desfrutava apoio oficial. Contudo, à medida que grandes multidões começaram a entrar na igreja, ficou mais difícil distinguir entre os que tinham compromisso verdadeiro com Cristo e os que queriam apenas tomar parte da religião popular. A fé se transformou em uma coisa fácil e a sinceridade foi prejudicada. Ao longo de sua história muitas doutrinas estranhas continuaram a penetrar no catolicismo romano. Fazendo que cada vez mais ela se distanciasse de sua origem. Doutrina Católica Ano  Culto aos santos 370 d.C.  Oração pelos mortos e o sinal da cruz 400 d.C.  Exaltação a Maria e a condição de "mãe de Deus" 431 d.C.  Começo do papado 500 d.C.  A doutrina do purgatório 593 d.C.  Doutrina do purgatório 600 d.C.  A adoração da cruz, imagens e relíquias 786 d.C.  A canonização dos santos mortos 995 d.C.  Veneração das relíquias 1000 d.C.  Canonização dos santos 1000 d.C.  O celibato do sacerdócio 1079 d.C.  Missa paga 1100 d.C.  Culto aos anjos 1100 d.C.  Santa Inquisição 1186 d.C.  Os sete sacramentos 1215 d.C.  A transubstanciação 1215 d.C.  A confissão auricular 1216 d.C.  Venda de indulgências 1515 d.C.  Adoração à hóstia 1220 d.C.  Proibição da leitura da Bíblia 1229 d.C.  A Igreja Católica declara que somente nela há salvação 1303 d.C.  Oração da Ave Maria 1317 d.C.  Inserção oficial dos livros apócrifos na Bíblia 1546/7d.C.  Imaculada conceição de Maria 1845 d.C.  Infalibilidade papal 1870 d.C.  Assunção de Maria 1950 d.C.
  37. 37. A História das Religiões Todos os direitos reservados por 37 Instituto Teológico Internacional Av. Itaberaba 1323 - CEP 02734-000 São Paulo – São Paulo A união entre a Igreja e o Estado e o cristianismo sendo a religião oficial do império fizeram com que as formas litúrgicas fossem substituídas por cultos mais elaborados cheio de pompa. Das pequenas e salas das casas dos irmãos onde se celebravam os estudos bíblicos e o culto ao Senhor, deram lugar aos grandes e ricamente ornamentados templos. Esses eram, geralmente, construídos nos suposto lugares de residência do mártir ou santo. Deu-se início a paganização da igreja e começou a ser introduzido muitas heresias e a doutrina apostólica sofreu profunda e radical mudança. 1. Outros prejuízos da cristianização do Império Romano 1.1. As Igrejas eram mantidas e controladas pelo Estado. 1.2. Os ministros eram privilegiados, mas eram controlados pelo Estado. 1.3. Iniciaram-se as perseguições aos pagãos (não cristãos). 1.4. Falsas conversões (muitos se convertiam para fugir da perseguição). 1.5. Não havia nenhum critério (exigência) para se tornar cristão. 1.6. Aceitavam o cristianismo para assim obterem influência social e política. 1.7. Os cultos aumentaram em esplendor, porém eram menos espirituais. 1.8. As festas pagãs tiveram seus lugares na Igreja, mas, com outros nomes. 1.9. A adoração a Vênus/Diana foi substituída pela adoração a virgem Maria. 1.10. Imagens dos mártires nos templos, como objeto de reverência e culto. Evidentemente esta união foi à pior calamidade que já sobreveio à mesma Igreja. O desígnio de Cristo era vencer por meios puramente espirituais e morais. Até ao tempo de Constantino as conversões eram voluntárias, por uma genuína mudança do coração e da vida. Agora, porém, as conversões forçadas enchiam as igrejas de gente não regenerada. Entrou na Igreja o espírito militar da Roma Imperial, mudando-lhe a natureza e tornando-a uma organização política e fazendo-a precipitarem-se no milênio das abominações papais. Como resultado deste promíscuo casamento da igreja com o estado, cristãos zelosos dessa época, com freqüência, optavam por lutar contra o comprometimento de sua fé afastando-se do mundo. Antão (um erimita - um dos principais fundadores das comunidades monásticas) buscou fazer isso e foi viver em uma caverna. De acordo com Atanásio, seu biógrafo, durante doze anos Antão foi cercado por demônios que assumiam formas de vários animais estranhos e que, em alguns momentos, o atacavam, e, em determinada ocasião, quase o mataram. Eles estavam tentando trazer Antão de volta ao mundo dos prazeres sensuais, mas Antão sempre se levantava de maneira triunfante.
  38. 38. A História das Religiões Todos os direitos reservados por 38 Instituto Teológico Internacional Av. Itaberaba 1323 - CEP 02734-000 São Paulo – São Paulo Para se afastar ainda mais do mundo, Antão se mudou para um forte abandonado, onde viveu vinte anos sem ver rosto humano. Sua comida lhe era jogada por cima do muro. As pessoas ouviam sobre sua impressionante autonegação e suas batalhas com os demônios. Alguns admiradores ergueram casas rudes próximas ao forte, e, de modo relutante, ele se tornou conselheiro espiritual delas, dando-lhes orientação sobre jejum, oração e obras de caridade. Antão certamente se tornou um modelo de autonegação. A REFORMA PROTESTANTE DO SÉCULO XVI 1. Antecedentes – final da Idade Média 1.1 Os Estados Nacionais Nos séculos que antecederam a Reforma Protestante, a Igreja não vivia em um vácuo, mas sim em um contexto político e social mais amplo com o qual tinha múltiplas interações. No final da Idade Média, houve o surgimento dos chamados “estados nacionais”, as modernas nações européias, o que representou uma grande ameaça às pretensões do papado. Na Alemanha (Sacro Império Romano), Rudolf von Hapsburg foi eleito imperador em 1273. Em 1356, um documento conhecido como Bula de Ouro determinou que cada novo imperador seria escolhido por sete eleitores (quatro nobres e três arcebispos). Havia descentralização política, isto é, o poder dos príncipes limitava a autoridade do imperador, e forte tensão entre a igreja e o estado. Na França, houve o fortalecimento da monarquia com Filipe IV, o Belo (1285- 1314). Esse rei enfrentou com êxito o poder da Igreja e dos papas e preparou a França para tornar-se o primeiro estado nacional moderno. Na Inglaterra, o parlamento reuniu-se pela primeira vez em 1295. Esse país teve um grande rei na pessoa de Eduardo I (†1307), que subjugou os nobres e enfrentou com êxito o papa na questão de impostos. 1.2 O Declínio do Papado Este período começa com o pontificado de BonifácioVIII (1294-1303), um papa arrogante e ambicioso que entrou em confronto direto com o rei Filipe IV acerca de impostos e da autoridade papal. Bonifácio publicou três famosas bulas: Clericis Laicos, na qual reclama que os leigos sempre foram hostis ao clero; Ausculta Fili (“Escuta, filho”), dirigida ao rei francês, e Unam Sanctam (1302),
  39. 39. A História das Religiões Todos os direitos reservados por 39 Instituto Teológico Internacional Av. Itaberaba 1323 - CEP 02734-000 São Paulo – São Paulo denominada “o canto do cisne do papado medieval”. Irritado com as ações papais, Filipe enviou suas tropas, o papa foi preso e faleceu um mês após ser libertado. Seguiu-se um período de crescente desmoralização do papado. Clemente V (1305- 1314), um papa francês, transferiu a Cúria, ou seja, a administração da Igreja, para Avinhão, ao sul da França, no que ficou conhecido como o “Cativeiro Babilônico da Igreja” (1309-1377). Em toda parte, cresceram as críticas às extravagâncias e ao luxo da corte papal. João XXII (1316-1334) mostrou-se eficiente na cobrança de taxas e dízimos para cobrir essas despesas. Finalmente, ocorreu o chamado “Grande Cisma”, em que houve dois e posteriormente três papas rivais em Roma, Avinhão e Pisa (1378-1417). Diante dessa situação constrangedora, surgiu em toda a Europa um clamor por “reformas na cabeça e nos membros”. 1.3 O Movimento Conciliar Durante o “Grande Cisma”, cada papa considerou-se o único legítimo e excomungou o rival. Assim, houve a necessidade de um concílio para resolver a crise. O Concílio de Pisa (1409) elegeu um novo papa, mas os outros dois recusaram-se a serem depostos, resultando em três papas ao mesmo tempo. João XXIII, o segundo papa pisano, convocou o Concílio de Constança (1414-1417), que depôs os três papas, elegeu Martinho V como único papa, decretou a supremacia dos concílios sobre o papa e condenou os pré-reformadores João Wycliff, João Hus e Jerônimo de Praga. O Concílio de Basiléia (1431-1449) reafirmou a superioridade dos concílios. Finalmente, o Concílio de Ferrara-Florença (1438-1445) tentou a união com a Igreja Ortodoxa (frustrada pela conquista de Constantinopla pelos turcos em 1453) e reafirmou a supremacia papal. Essa tentativa fracassada de tornar a Igreja mais democrática e governá-la através de concílios ficou conhecida como conciliarismo. 1.4 Movimentos dissidentes Outro aspecto desse período de efervescência foi o surgimento de alguns movimentos dissidentes no sul da França que despertaram forte oposição da Igreja Católica. Um deles foi o dos cátaros (em grego = “puros”) ou albigenses (da cidade de Albi), surgidos no século 11. Caracterizavam-se por um sincretismo cristão, gnóstico e maniqueísta, com um dualismo radical (espiritual x material) e extremo ascetismo. Foram condenados pelo 4° Concílio Lateranense em 1215 e mais tarde aniquilados por uma cruzada. Para combater esses e outros hereges, a Inquisição foi oficializada em 1233.
  40. 40. A História das Religiões Todos os direitos reservados por 40 Instituto Teológico Internacional Av. Itaberaba 1323 - CEP 02734-000 São Paulo – São Paulo Outro movimento foi liderado por Pedro Valdo ou Valdes († c.1205), de Lião, cujos seguidores ficaram conhecidos como “homens pobres de Lião”. Tinham um estilo de vida comunitário, ensinavam as Escrituras no vernáculo (enfatizando o Sermão do Monte), incentivavam a pregação de leigos e de mulheres, negavam o purgatório. Condenados pelo Concílio de Verona em 1184, foram muito perseguidos, refugiando-se em vales remotos e quase inacessíveis dos alpes italianos. Mais tarde, abraçaram a Reforma Protestante, sendo assim uma das poucas Igrejas protestantes anteriores à Reforma do Século 16. 1.5 Primeiros Movimentos de Reforma Nos séculos 14 e 15, surgiram alguns movimentos esporádicos de protesto contra certos ensinos e práticas da Igreja Medieval. Um deles foi encabeçado por João Wycliff (1325?-1384), um sacerdote e professor da Universidade de Oxford, na Inglaterra. Wycliff atacou as irregularidades do clero, as superstições (relíquias, peregrinações, veneração dos santos), bem como a transubstanciação, o purgatório, as indulgências, o celibato clerical e as pretensões papais. Seus seguidores, conhecidos como os lolardos, tinham a Bíblia como norma de fé que todos devem ler e interpretar. João Hus (c.1372-1415), um sacerdote e professor da Universidade de Praga, na Boêmia, foi influenciado pelos escritos de Wycliff. Definia a igreja por uma vida semelhante à de Cristo, e não pelos sacramentos. Dizia que todos os eleitos são membros da igreja e que o seu cabeça é Cristo, não o papa. Insistia na autoridade suprema das Escrituras. Hus foi condenado à fogueira pelo Concílio de Constança. Seus seguidores ficaram conhecidos como Irmãos Boêmios (1457) e foram muito perseguidos. Foram os precursores dos Irmãos Morávios, que veremos posteriormente, outro grupo protestante cujas raízes são anteriores à Reforma do século 16. Outro indivíduo incluído entre os pré-reformadores é Jerônimo Savonarola (1452-1498), um frade dominicano de Florença, na Itália, que pregou contra a imoralidade na sociedade e na Igreja, inclusive no papado. Governou a cidade por algum tempo, mas finalmente foi excomungado e enforcado como herege. 1.6 Movimentos Devocionais Além dos movimentos que romperam com a Igreja, houve outros que permaneceram na mesma por se concentrarem na vida devocional, sem críticas aos dogmas católicos. Um deles foi o misticismo, bastante forte na Inglaterra, Holanda e especialmente na Alemanha (Reno). Os principais místicos dessa época foram Meister Eckhart (†1327); Tauler (†1361)
  41. 41. A História das Religiões Todos os direitos reservados por 41 Instituto Teológico Internacional Av. Itaberaba 1323 - CEP 02734-000 São Paulo – São Paulo e os “Amigos de Deus”, Henrique Suso (†1366) e mais tarde o célebre teólogo e líder eclesiástico Nicolau de Cusa (1401-1464). O misticismo dava ênfase à união com Deus, ao amor, à humildade e à caridade, e produziu uma belíssima literatura devocional. Outro importante movimento foi a Devoção Moderna, que se manteve forte durante todo o século 15. Suas ênfases recaíam sobre a espiritualidade, a leitura da Bíblia, a meditação e a oração. Também valorizava a educação, criando ótimas escolas. Foi um movimento leigo, para ambos os sexos, e também exerceu grande influência sobre os reformadores protestantes. Os participantes eram conhecidos como Irmãos da Vida Comum. A obra mais importante e popular produzida por esse movimento foi o belíssimo livreto devocional A Imitação de Cristo (1418), escrito por Thomas à Kempis. 1.7 Os humanistas bíblicos O interesse pelas obras da Antiguidade levou ao estudo da Bíblia nas línguas originais pelos chamados humanistas bíblicos. Os principais deles foram o italiano Lorenzo Valla (†1457), estudioso do Novo Testamento; o inglês John Colet (†1519), estudioso das epístolas paulinas; o alemão Johannes Reuchlin (†1522), notável hebraísta; o francês Lefèvre D’Étaples (†1536), tradutor do Novo Testamento; e o holandês Erasmo de Roterdã (1466?-1536), “o príncipe dos humanistas”, que publicou uma edição crítica do Novo Testamento grego com uma tradução latina, talvez a obra mais importante publicada no século 16, que serviu de base para as traduções de Lutero, Tyndale e Lefèvre e muito influenciou os reformadores protestantes. Esse retorno às Escrituras muito contribuiu para a Reforma do Século 16. 1.8 Situação Geral O final da Idade Média foi marcado por muitas convulsões políticas, sociais e religiosas. Entre as políticas destacou-se a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), entre a Inglaterra e a França, na qual tornou-se famosa a heroína Joana D’Arc. Houve também muitas revoltas camponesas, o declínio do feudalismo, a expansão das cidades e o surgimento do capitalismo. No aspecto social, havia fomes periódicas e o terrível flagelo da peste bubônica ou peste negra (1348). As guerras, epidemias e outros males produziam morte, devastação e desordem, ou seja, a ruptura da vida social e pessoal. O sentimento dominante era de insegurança, ansiedade, melancolia e pessimismo. Isso era ilustrado pela “dança da morte”, gravuras que se viam em toda parte com um esqueleto dançante.
  42. 42. A História das Religiões Todos os direitos reservados por 42 Instituto Teológico Internacional Av. Itaberaba 1323 - CEP 02734-000 São Paulo – São Paulo Na área religiosa, houve a erosão do ideal da cristandade ou “corpus christianum”, a sociedade coesa sob a liderança da igreja e dos papas. A religiosidade era meritória, com missas pelos mortos, crença no purgatório e invocação dos santos e Maria. Ao mesmo tempo, havia grande ressentimento contra a igreja por causa dos abusos praticados e do desvio dos seus propósitos. Isso é ilustrado pela situação do papado no final do século 15 e início do século 16. Os chamados papas do renascimento foram mais estadistas e patronos das artes e da cultura do que pastores do seu rebanho. A instituição papal continuou em declínio, com muitas lutas políticas, simonia, nepotismo, falta de liderança espiritual, aumento de gastos e novos impostos eclesiásticos. Como papa Alexandre VI (1492-1503), o espanhol Rodrigo Borja foi um generoso promotor das artes e da carreira dos seus filhos César e Lucrécia; Júlio II (1503-1513) foi um papa guerreiro, comandando pessoalmente o seu exército; Leão X (1513-1521), o papa contemporâneo de Lutero, teria dito quando foi eleito: “Agora que Deus nos deu o papado, vamos desfrutá-lo”. 2. A Reforma Protestante – 1ª Parte 2.1 O contexto social e religioso Vimos, no final da seção anterior, alguns elementos que caracterizavam a sociedade européia às vésperas da Reforma. Havia muita violência, baixa expectativa de vida, profundos contrastes socioeconômicos e um crescente sentimento nacionalista. Havia também muita insatisfação, tanto dos governantes como do povo, em relação à Igreja, principalmente ao alto clero e a Roma. Na área espiritual, havia insegurança e ansiedade acerca da salvação em virtude de uma religiosidade baseada em obras, também chamada de religiosidade contábil ou “matemática da salvação” (débitos = pecados; créditos = boas obras). Foi bastante inusitado o episódio mais imediato que desencadeou o protesto de Lutero. Desde meados do século 14, cada novo líder do Sacro Império Romano era escolhido por um colégio eleitoral composto de quatro príncipes e três arcebispos. Em 1517, quando houve a eleição de um novo imperador, um dos três arcebispados eleitorais (o de Mainz ou Mogúncia) estava vago. Uma das famílias nobres que participavam desse processo, os Hohenzollern, resolveu tomar para si esse cargo e assim ter mais um voto no colégio eleitoral. Um jovem da família, Alberto, foi escolhido para ser o novo arcebispo, mas havia dois problemas: ele era leigo e não tinha a idade mínima exigida pela lei canônica para exercer esse ofício. O primeiro problema foi sanado com a sua rápida ordenação ao sacerdócio.
  43. 43. A História das Religiões Todos os direitos reservados por 43 Instituto Teológico Internacional Av. Itaberaba 1323 - CEP 02734-000 São Paulo – São Paulo Quanto ao impedimento da idade, era necessária uma autorização especial do papa, o que levou a um negócio altamente vantajoso para ambas as partes. A família nobre comprou a autorização do papa Leão X mediante um empréstimo feito junto aos banqueiros Fugger, de Augsburgo. Ao mesmo tempo, o papa autorizou o novo arcebispo Alberto de Brandemburgo a fazer uma venda especial de indulgências, dividindo os rendimentos da seguinte maneira: parte serviria para o pagamento do empréstimo feito pela família e a outra parte iria para as obras da Catedral de São Pedro, em Roma. E assim foi feito. Tão logo foi instalado no seu cargo, Alberto encarregou o dominicano João Tetzel de fazer a venda das indulgências (o perdão das penas temporais do pecado). Quando Tetzel aproximou-se de Wittenberg, Lutero resolveu pronunciar-se sobre o assunto. 2.2 Martinho Lutero (1483-1546) Martinho Lutero nasceu em 1483 na pequena cidade de Eisleben, na Turíngia, em um lar muito religioso. Seu pai trabalhava nas minas e a família tinha uma vida confortável. Inicialmente, o jovem pretendeu seguir a carreira jurídica, mas em 1505 defrontou-se com a morte em uma tempestade e resolveu abraçar a vida religiosa. Ingressou no mosteiro agostiniano de Erfurt, onde se dedicou a uma intensa busca da salvação. Em 1512, tornou-se professor da Universidade de Wittenberg, onde passou a ministrar cursos sobre vários livros da Bíblia, como Gálatas e Romanos. Isso lhe deu um novo entendimento acerca da “justiça de Deus”: ela não era simplesmente uma expressão da severidade de Deus, mas do seu amor que justifica o pecador mediante a fé em Jesus Cristo (Rom 1.17). No dia 31 de outubro de 1517, diante da venda das indulgências por João Tetzel, Lutero afixou à porta da igreja de Wittenberg as suas Noventa e Cinco Teses, a maneira usual de convidar-se uma comunidade acadêmica para debater algum assunto. Logo, uma cópia das teses chegou às mãos do arcebispo, que as enviou a Roma. No ano seguinte, Lutero foi convocado para ir a Roma a fim de responder à acusação de heresia. Recusando-se a ir, foi entrevistado pelo cardeal Cajetano e manteve as suas posições. Em 1519, Lutero participou de um debate em Leipzig com o dominicano João Eck, no qual defendeu o pré-reformador João Hus e afirmou que os concílios e os papas podiam errar. Em 1520, a bula papal Exsurge Domine (= “Levanta-te, Senhor”) deu-lhe sessenta dias para retratar-se ou ser excomungado. Os estudantes e professores da universidade queimaram a bula e um exemplar da lei canônica em praça pública.
  44. 44. A História das Religiões Todos os direitos reservados por 44 Instituto Teológico Internacional Av. Itaberaba 1323 - CEP 02734-000 São Paulo – São Paulo Nesse mesmo ano, Lutero escreveu várias obras importantes, especialmente três: À Nobreza Cristã da Nação Alemã, O Cativeiro Babilônico da Igreja e A Liberdade do Cristão. Isso lhe deu notoriedade imediata em toda a Europa e aumentou a sua popularidade na Alemanha. No início de 1521, foi publicada a bula de excomunhão, Decet Pontificem Romanum. Nesse ano, Lutero compareceu a uma reunião do parlamento, a Dieta de Worms, onde reafirmou as suas idéias. Foi promulgado contra ele o Edito de Worms, que o levou a refugiar-se no castelo de Wartburgo, sob a proteção do príncipe-eleitor da Saxônia, Frederico, o Sábio. Ali, Lutero começou a produzir uma obra-prima da literatura alemã, a sua tradução das Escrituras. 2.3 A Reforma na Alemanha A partir de então, a reforma luterana difundiu-se rapidamente no Sacro Império, sendo abraçada por vários principados alemães. Isso levou a dificuldades crescentes com os principados católicos, com o novo imperador Carlos V (1519- 1556) e com o parlamento (Dieta). Na Dieta de 1526, houve uma atitude de tolerância para com os luteranos, mas em 1529 a Dieta de Spira reverteu essa política conciliadora. Diante disso, os líderes luteranos fizeram um protesto formal que deu origem ao nome histórico “protestantes”. No ano seguinte, o auxiliar e eventual sucessor de Lutero, Filipe Melanchton (1497-1560), apresentou ao imperador Carlos V a Confissão de Augsburgo, um importante documento que definia em 21 artigos a doutrina luterana e indicava sete erros que Lutero via na Igreja Católica Romana. Os problemas político-religiosos levaram a um período de guerras entre católicos e protestantes (1546-1555), que terminaram com um tratado, a Paz de Augsburgo. Esse tratado assegurou a legalidade do luteranismo mediante o princípio “cujus regio, eius religio”, ou seja, a religião de um príncipe seria automaticamente a religião oficial do seu território. O luteranismo também se difundiu em outras partes da Europa, principalmente nos países nórdicos, surgindo igrejas nacionais luteranas na Suécia (1527), Dinamarca (1537), Noruega (1539) e Islândia (1554). Lutero e os demais reformadores defenderam alguns princípios básicos que viriam a caracterizar as convicções e práticas protestantes: sola Scriptura, solo Christo, sola gratia, sola fides, soli Deo gloria. Outro princípio aceito por todos foi o do sacerdócio universal dos fiéis. 2.4 Ulrico Zuínglio (1484-1531) Ulrico Zuínglio recebeu uma educação esmerada, com forte influência humanista. Inicialmente, foi sacerdote em Glarus (1506) e em Einsiedeln (1516).

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