Tcc violencia entre professores e alunos

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Tcc violencia entre professores e alunos

  1. 1. WWW.CURSORAIZES.COM.BR 1 ALESSANDRA SOARES FABIANA FARIASA VIOLÊNCIA ENTRE PROFESSORES E ALUNOS NAS ESCOLAS PÚBLICAS DO MUNICÍPIO DE TOBIAS BARRETO ANO DE 2008 Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Curso de Graduação em Pedagogia como requisito parcial à obtenção do grau de Licenciado em Pedagogia. Universidade Vale do Acaraú – UVA/ORE Orientador: Prof. Darlei Possamai TOBIAS BARRETO, 2009 WWW.CURSORAIZES.COM.BR
  2. 2. WWW.CURSORAIZES.COM.BR 2 ALESSANDRA SOARES FABIANA FARIAS A VIOLÊNCIA ENTRE PROFESSORES E ALUNOS NAS ESCOLAS PÚBLICAS DO MUNICÍPIO DE TOBIAS BARRETO ANO DE 2008 Este trabalho de conclusão de curso foi julgado adequado à obtenção do grau deLicenciado em Pedagogia e aprovada em sua forma final pelo Curso de Graduação emPedagogia da Universidade Vale do Acaraú – UVA/ORES Tobias Barreto – SE, 23 de maio de 2009. ______________________________________________________ Prof. Darlei Possamai Universidade Estadual do Vale do Acaraú - UVA WWW.CURSORAIZES.COM.BR
  3. 3. WWW.CURSORAIZES.COM.BR 3 Dedico este trabalho à minha querida mãe, companheira de todos os momentos, bons e ruins; muito obrigado mãe querida, você é a pessoa que mais amo neste mundo.WWW.CURSORAIZES.COM.BR
  4. 4. WWW.CURSORAIZES.COM.BR 4 AGRADECIMENTOS Em primeiro lugar, à minha família que tanto amo. Agradeço também aosamigos queridos, que a todo o momento me incentivam e orientam na jornada dabusca – por intermédio do conhecimento e sabedoria – por uma vida melhor; amigosque me proporcionam momentos sublimes de alegria e companheirismo verdadeiro. Agradeço por fim à sabedoria, o homem que busca incessantemente asabedoria e procura caminhar ao seu lado é detentor da maior riqueza encontradano mundo, pois é por meio desta que o homem consegue alcançar todos os seussonhos e objetivos, é como o toque de Midas, tudo que a sabedoria toca, torna-seouro. WWW.CURSORAIZES.COM.BR
  5. 5. WWW.CURSORAIZES.COM.BR 5 “(...) ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção”. (Freire, 1997.)WWW.CURSORAIZES.COM.BR
  6. 6. WWW.CURSORAIZES.COM.BR 6 RESUMO O presente artigo discute a relação entre os conceitos de violência e autoridade nocontexto escolar e, particularmente, na relação professor-aluno nas escolas públicas da cidadede Tobias Barreto no estado de Sergipe. Para tanto, contrapõe uma leitura de cunhoinstitucional da violência escolar às abordagens clássicas da temática, demonstrando a tese deque há um quantum de violência "produtiva" embutido na ação pedagógica.Palavras-chave: violência escolar, relação professor-aluno, autoridade docente WWW.CURSORAIZES.COM.BR
  7. 7. WWW.CURSORAIZES.COM.BR 7 SUMÁRIOCAPÍTULO I: INTRODUÇÃO 08CAPÍTULO II: INDISCIPLINA ESCOLAR E A RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNOSOB A PERSPECTIVA MORAL 11 2.1 A RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNO 12 2.2 VIOLÊNCIA CONTRA OS PROFESSORES 14 2.3 AMBIENTE ESCOLAR NA CIDADE DE TOBIAS BARRETO 15CAPÍTULO III: CONCLUSÃO 18REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 21 WWW.CURSORAIZES.COM.BR
  8. 8. WWW.CURSORAIZES.COM.BR 8 INTRODUÇÃO Nos últimos anos, a sociedade brasileira entrou no grupo das sociedades maisviolentas do mundo. No Brasil, a principal “ação errada”, que antecede a violência é odesrespeito conseqüente das injustiças sociais ou não. Considerando que esse o âmbito em que os professores estão educando e formandocrianças, adolescentes e jovens, questionamos-nos sobre valores morais transmitidos a eles eque são incorporados ou que formam a identidade desses indivíduos. Posições apresentadaspor Piaget e Aquino, expõe que os pais têm muita responsabilidade sobre as dificuldades e/ouproblemas apresentados pelos filhos e que, em investigações ou tratamentos, é quase semprepresente, em crianças ou adultos em situações problemáticas, a presença de lembrançasfamiliares negativas. Mesmo defendendo que a escola deva lidar com o indivíduo como um todo, nãodefendemos que ocupe o lugar integral da família na formação do indivíduo. Porém, temosciência de que essa determinação sobre limites da ação e papel da família e da escola nãoesteja bem definida e, além disso, que mesmo que a família não esteja cumprindo seu papel, aescola deve cumprir o seu. No dicionário o conceito de indisciplina, é "todo ato ou dito contrário à disciplina queleva à desordem, à rebelião". A disciplina enquanto "regime de ordem imposta ou livrementeconsentida que convém ao funcionamento regular de uma organização", ou normasestabelecidas. A violência, por sua vez, seria caracterizada por qualquer "ato violento que, nosentido jurídico, provocaria, pelo uso da força, um constrangimento físico ou moral". Menin e Escola Zandonato expõem que a violência na escola encontra-se em relaçõesconflituosas e danosas entre professores e alunos e dos alunos entre si. Essa violência,segundo as autoras, seria resultado do reflexo e da reprodução de outras violências que noscercam. A discussão entre a relação de violência e poder, não pode ser uma regra nacompreensão da origem da violência, pois nem toda ação violenta é advinda da falta de poder. A falta do poder gera a necessidade de controle pela coação, com o que concordamos;não podemos, entretanto, ser condizentes em dizer que todos que têm o poder, portanto, nãousam de violência. WWW.CURSORAIZES.COM.BR
  9. 9. WWW.CURSORAIZES.COM.BR 9 CANDAU, LUCINDA e NASCIMENTO (1999) expõem a visão de outros autoresque relacionam a violência a fatores como a organização social, pela existência dasdesigualdades sociais e, principalmente, pela forma como são estabelecidas as relações depoder que intensificam as diferenças. Segundo GUIMARÃES, há três perspectivas de violência institucional no caso daescola: a dos poderes instituídos ou utilitários que neutraliza as diferenças individuais eobjetiva a homoneigização; a violência anônima, observada nas reações brutais comodepredação e agressividade entre alunos; a violência banal, caracterizada pela resistênciapassiva através de comportamentos de ironias, chacotas, etc. A escola, enquanto espaço de violência e de indisciplina, é percorrida por ummovimento ambíguo: de um lado, pelas ações que visam ao cumprimento das leis e dasnormas determinadas pelos órgãos centrais, e, de outro, pela dinâmica dos seus gruposinternos que estabelecem interações, rupturas e permitem a troca de idéias, palavras esentimentos numa fusão provisória e conflitual. A indisciplina como resposta a uma prática institucional conflituosa é ressaltada soboutro aspecto que, também, aponta para um enfoque institucional, definindo a indisciplinacomo elemento ambíguo por demonstrar ódio, raiva e, como “forma de interromper o controlehomogeneizador da escola”. Seguindo uma perspectiva piagetiana, defende que se disciplina for entendida como“comportamentos regidos por um conjunto de normas, a indisciplina poderá ser traduzir deduas formas: 1) a revolta contra estas normas; 2)o desconhecimento delas”. Enquanto revoltacontra as normas, a indisciplina traduz-se como forma de desobediência insolente; e, no casode desconhecimento das normas, traduz-se pela desorganização das relações. LEPRE situa a indisciplina no desrespeito às regras necessárias à boa convivênciasocial. Das respostas apresentadas pelas professoras, emergem cinco categorias: 1. Indisciplina como problema pessoal do aluno 2. Indisciplina como insubordinação às regras impostas 3. Indisciplina como resultado da falta de afeto 4. Indisciplina como falta de limites das crianças 5. Indisciplina como uma dificuldade para se relacionar com as regras. As professoras, no momento da entrevista, negavam ter alunos indisciplinados em suaclasse e conclui que há uma resistência em reconhecer e assumir esta situação porrelacionarem o fato de haver indisciplina na classe com incompetência do professor. WWW.CURSORAIZES.COM.BR
  10. 10. WWW.CURSORAIZES.COM.BR 10 O objetivo desse artigo é de eliminar a violência e a indisciplina, ou de colocá-las parafora do campo escolar, fazendo com que se perca a compreensão da ambigüidade dessesfenômenos que restauram a unicidade grupal e instalam uma tensão permanente. O confronto da escola com essas leis obriga à negociação, à adaptação. Quanto maiora sua capacidade em assumir e controlar a violência, mais a escola dará ao conjunto umamobilidade que permitirá driblar e agir com tolerância. Entretanto, entendemos a relação professor-aluno como um dos focos que contribuempara a existência de comportamentos indisciplinados e optamos por investiga -lá, seja comoum dos pólos, seja como fator mediador. A escola, como espaço institucional responsável pela educação, ao deparar-se com aindisciplina interferindo em seu objetivo maior - promover a educação - deve manifestar apreocupação em encontrar caminhos que apontem para a solução ou amenização desteproblema. Porém, os professores geralmente situam a origem da indisciplina no aluno, na falta delimites dada pelos pais, na dificuldade em respeitar regras, na falta de afeto ou em problemaspessoais não definidos. Defendemos que se a escola estabelece o fator moral como preponderante nofenômeno da indisciplina, é preciso que se tenha claro que o ideal é a construção da disciplina– como respeito ás normas e ás pessoas - como conseqüência do desenvolvimento de umamoral autônoma, construída com base na cooperação. O conceito de indisciplina, portanto, é o de apresentação de comportamentos dedesrespeito ao outro e ás regras construídas em princípios de justiça que acreditamos estarincluído nas perspectivas moral e institucional. WWW.CURSORAIZES.COM.BR
  11. 11. WWW.CURSORAIZES.COM.BR 11 CAPÍTULO II: INDISCIPLINA ESCOLAR E A RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNO SOB A PERSPECTIVA MORAL É através da educação que o homem aperfeiçoa-se e evolui. Se a educação é permeadapor relações entre diferentes gerações e, na escola, entre professor e aluno é estreito o vínculoentre indisciplina e essa relação. Quando a escola primária passou a ser defendida como pública, obrigatória e gratuita,passa a expor a necessidade de criar o homem disciplinado, com respeito ás regrassocialmente estabelecidas e representadas pelo professor. O impor limites agirá como obtenção de um respeito mudo aos adultos, necessário naeducação de crianças. Limites esses, que devem ser impostos por pais e professores. A moral que fundamenta a disciplina, portanto, é fundada no respeito sem restriçõesao adulto e às regras sociais; permitindo e até exigindo o controle e a imposição de limitesatravés de condutas coercitivas e punitivas. Piaget e Durkheim, enfocam na necessidade da formação de um ser autônomo, mas,diferentemente deste, condena a imposição de regras para a construção da autonomia. A educação familiar pode ser corrompida devido aos problemas encontradossocialmente e, dessa forma, a educação escolar é a que tem mais possibilidades sobre educarmoralmente, pois “reúne duas coisas: a instrução e a cultura moral”. O papel da educaçãoescolar, portanto, é o de instruir e disciplinar. Educar, do ponto de vista kantiano, não é tão simples; especialmente, educarmoralmente, pois a educação deve ser aquela que leva o homem a agir corretamente. Em relação à construção da autonomia em ambiente escolar, para Piaget, é essencialque o objetivo seja o de desenvolver seres moralmente autônomos e indica que se o objetivofor a formação de indivíduos à ordens impostas, à opressão e à arbitrariedade, basta umambiente de obediência onde impere as sanções punitivas; mas, se o objetivo for a formaçãode indivíduos autônomos, as relações humanas devem ser fundamentadas em princípios decooperação e reciprocidade. A escola é um espaço onde a educação é legitimada. É neste espaço que a educaçãopode se dar com vista à cooperação, posto que é na escola onde os relacionamentosinterpessoais são uma constante, a educação é como “um processo de emancipação dohomem”, ou seja, de “aperfeiçoamento”. WWW.CURSORAIZES.COM.BR
  12. 12. WWW.CURSORAIZES.COM.BR 12 Discutindo a disciplina como respeito à normas ou regras, é inegável a importância e anecessidade da existência das regras para garantir a eficácia da prática educativa e a harmonianas relações; mas, nem toda regra tem relação com a moralidade. Desta forma, considerar o princípio de justiça e estabelecer as regras de formacoletiva, construídas em um ambiente cooperativo, é a base para o desenvolvimento depropostas pautadas na educação moral, objetivando o pleno desenvolvimento do educando. Na ânsia de resolver situações de conflitos, muitas vezes professores impõem regras,agem de forma repressora, coercitiva e não propiciam o desenvolvimento da autonomiamoral. Como palco da relação entre indisciplina e desenvolvimento moral, a escola também éo ambiente que pode possibilitar a resolução dos conflitos que se apresentam, justamente naforma de lidar com conflitos nas situações cotidianas. A forma como a escola e o professorvão gerir o trabalho sobre as relações pessoais, seja em momentos conflituosos ou não,interfere no resultado advindo dessas situações, tendo como conseqüência a possibilidade demediar e minimizar os conflitos nas relações inter - pessoais ou de não provocar mudanças e,até mesmo, de agravar as situações. A função da educação é a formação da humanidade, desde que se cumpra algunsprincípios visando ao responsável pela educação, ao lugar onde ela acontece e à “verificaçãoempírica de seus êxitos e fracassos”.2.1 A RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNO A escola não é tão-somente reprodutora de características externas a ela, mas tambémgera formas de relações que lhe são intrínsecas. Certamente, a rede de relações que seconstitui não é somente definida pela escola, mas pelas diferentes instituições nas quais o sersocial está envolvido. A forma com que a escola está organizada contribui e, até, é responsável pelaindisciplina escolar. Indicam que as causas da indisciplina escolar residem tanto naorganização da própria escola enquanto instituição, quanto nas relações interpessoais frutosdessa organização. Outro aspecto ressaltado por AQUINO (1998) é o da abordagem psicologizante, queaponta os casos de indisciplina como conseqüência de “falhas” do indivíduo em suapersonalidade ou até de identidade. WWW.CURSORAIZES.COM.BR
  13. 13. WWW.CURSORAIZES.COM.BR 13 Neste aspecto, portanto, a escola é disciplinarizadora e tem o poder de dominar,levando à submissão. Porém, os fatos que estão presentes na escola nos apontam para umoutro aspecto, a resistência. Podemos entender que o poder que é usado para controlar e reprimir é,desta forma,legitimado pelo seu uso e, conseqüentemente, cria forças de resistência. O poder apresenta,assim, uma dimensão negativa, em que a tensão entre as forças envolvidas é constante. Por sua vez, AQUINO (2001) aponta a fragilidade do professor em lidar com essarealidade, pois parece haver perdido sua teia de proteção considerando-se abandonado,sozinho e sendo responsabilizado por diversos problemas encontrados na escola hoje. O confronto do professor como autoridade frente à não obediência tem se tornadomotivo de sérias preocupações e deixado o professor sem ação. Não é raro nos depararmoscom professores saudosos do tempo em que se tinha respeito na escola e em que os alunoseram educados, pois a família era severa, rigorosa na educação. A crítica de AQUINO (2001) está se referindo às posturas dos professores e dasescolas que não demonstram preocupação com o desenvolvimento moral, mas se restringemàs orientações dogmáticas em que o poder de decisão e de julgamento sobre as regras, sobre oque é certo ou errado, o que pode ou não ser realizado, o que é bom ou ruim, o que é justo ounão, é dos professores e da direção escolar. A solução pode estar na forma como se dá a relação professor – aluno, ou seja, nosvínculos que se estabelecem nas relações cotidianas para que a tarefa central de reposição erecriação do legado cultural aconteça. Aponta, como solução, o desenvolvimento de umtrabalho fundado no resgate da moralidade discente, através da relação com o conhecimento,uma vez que todo trabalho a ser desenvolvido “pressupõe a observância de regras, desemelhanças e diferenças, de regularidades e exceções”. O professor e a escola têm por objetivo central a transmissão e recriação doconhecimento construído socialmente. O grande problema, segundo AQUINO (2001), é que oprofessor mantém-se rígido em seu lugar de autoridade. Desta forma, GUIMARÃES (1996) defende a necessidade do espaço para que o alunose manifeste; de oportunidade para que ele estabeleça trocas; de situações em que, através daconvivência em grupo, ele possa construir e estabelecer relações. O professor deveria sersomente mediador e não único orientador e direcionador de comportamentos, atitudes,“ditador” de padrões. WWW.CURSORAIZES.COM.BR
  14. 14. WWW.CURSORAIZES.COM.BR 14 Assim, também, a relação professor-aluno como resultado da importação de efeitos deviolência que lhe são externos institui-os e dá certo olhar mais “produtivo” sobre o cotidianoescolar contemporâneo (AQUINO, 1998). Em suma, do ponto de vista institucional, todoexercício de autoridade é violento e essa violência é pré-determinada pela relação assimétrica;porém, essa violência é considerada produtiva na medida em que toda intervençãoinstitucional objetiva a transformação de determinada matéria apropriada pelo objeto. No casoda escola, pelo conhecimento gerado na ação pedagógica. Fica claro que a idéia a ser defendida neste caso é a de que há necessidade, também,de um trabalho pautado na reciprocidade e, conseqüentemente, na cooperação, na colaboraçãoporque o professor, além de um educador, é um aprendiz. No entanto, mesmo que o aluno e o professor sejam parceiros no fazer pedagógico, énecessário preservarmos a distinção de papéis entre aluno e professor; ou seja, embora oprofessor possa aprender com seus alunos, o dever de ensinar continua sendo o do professorcomo, o do aluno, de aprender, pois este é o objetivo da procura à educação escolar. AQUINO (1998) defende a idéia de que o professor é o responsável em apresentar omundo ao seu aluno, contribuindo para preservar o patrimônio cultural, instruindo seus alunosquanto aos conhecimentos acumulados e, contribuindo para a transformação das novasgerações.2.2 VIOLÊNCIA CONTRA OS PROFESSORES As manchetes de jornais denunciam sistematicamente a ocorrência de inúmerosacontecimentos que podem ser traduzidos pelo aumento da violência praticada contra apopulação em geral. Muitos desses atos protagonizados por adolescentes ou mesmo jovensadultos que deveriam estar na Escola, lugar privilegiado de trabalho sobre valores queapontem para o bem da sociedade, para a paz e a vida fraterna. No entanto sabemos que existeuma grande dívida social dos governos que, apesar de discursos inflamados e de tentativasinócuas, pouco têm se empenhado na busca de ações concretas que apontem soluções, mesmoa médio e longo prazo, para tornar efetiva a inclusão social e a redução da marginalidade e dapobreza. O fenômeno da violência, tendo como pano de fundo a escola, apresenta situaçãomuito semelhante ainda que com causas distintas. Se na escola pública faltam professorespara o atendimento pleno dos alunos, faltam investimentos em recursos pedagógicos, faltampropostas de formação continuada para os professores, o que não acontece na escola privada. WWW.CURSORAIZES.COM.BR
  15. 15. WWW.CURSORAIZES.COM.BR 15Mas a violência, embora motivada muitas vezes por forma diversa, também é um graveproblema nas escolas particulares. Mais do que nunca, as instituições de ensino privadas, naatualidade, estão entregues à lógica liberal; logo, só se pode temer o pior de uma livreconcorrência escolar. Diretores autodenominam-se "gestores escolares", gabam-se de tersucesso no projeto de suas instituições porque seus alunos "são vistos e respeitados comoclientes". Ora, cliente é quem contrata um serviço ou adquire, mediante um valor, um bem ouproduto; a educação, portanto, passou a ter – equivocadamente, por certo – essa definição.Desse modo, temos o seguinte quadro: o contratante ou comprador desse produto ou serviço éo aluno ou, em outra hipótese, seus pais; de qualquer modo, segundo a lei do comércio,"cliente sempre tem razão". Será possível estabelecer, nesses parâmetros, uma relaçãopedagógica saudável entre professor e aluno? Não será justamente por isso que encontramos,cada vez mais, professores insatisfeitos com seu trabalho, infelizes, mas resignados porque"na escola particular é assim mesmo..."? A familiarização com a agressividade e a violênciaas tornam, como analisam psicólogos e sociólogos, matéria do cotidiano, corriqueiras a pontode serem consideradas "normais". Entretanto, a proliferação indiscriminada desses comportamentos mostra que a escolaperdeu - ou vem perdendo - o poder normativo e ignora ou negligencia os recursospedagógicos para o estabelecimento de limites entre o que é aceitável e o que ultrapassa essacondição. O professor, nesse contexto, é destituído de autoridade e autonomia, e essa lacuna dámargem para que o aluno mesmo ou sua família, em sala de aula, no espaço da escola ou foradela, arbitre sobre o que é justo ou injusto, certo ou errado, segundo sua visão pessoal. Aviolência é, assim, relativizada em seu valor de transgressão, e seus autores não se sentemtransgressores: pelo contrário, agem com tranqüilidade, não se julgando fora dos princípios daboa educação ou da ética, pois se conduzem de acordo com o que estipulam ser o preceitocorreto e legítimo.2.3 AMBIENTE ESCOLAR NA CIDADE DE TOBIAS BARRETO Os estabelecimentos de ensino, por suas direções, dentro das suas prerrogativas legais,deverão atuar no sentido de prevenir e reprimir condutas discentes e/ou de pais e demaistomadores de serviços educacionais configuradoras de violência física, psicológica ou moralcontra seus professores. Estes, por sua vez, deverão colaborar com as ações necessárias para aeficácia da atuação preconizada pelas direções. WWW.CURSORAIZES.COM.BR
  16. 16. WWW.CURSORAIZES.COM.BR 16 Vimos que através desse parágrafo que os alunos tem que ter limites, coisas que nãoanda acontecendo nas escolas públicas da cidade de Tobias Barreto, pois os alunos queremmandar nos professores e na própria instituição. Fazendo dela não um ambiente saudável maissim um ambiente muito violento. É dessa forma que as escolas públicas não têm professores suficientes para poderensinar, pois os mesmos ficam estressados e até mesmo depressivo, e muitos até desistemdessa profissão, pois eles não tem autonomia dentro da própria sala de aula. Dessa formasurgindo vários conflitos entre eles e os alunos. Mas talvez a violência maior que sofre oprofessor seja não autorizar as iniciativas necessárias para o encaminhamento adequado doproblema. Preferem os professores suportar essas situações que muitas vezes geramtranstornos emocionais e somatizações, pois temem a demissão motivada por uma avaliaçãoequivocada das direções de que os problemas são superados com o afastamento do professor. Isto denota uma postura de escolas que ainda acreditam que a educação se dá demaneira linear, sem conflitos e que, portanto, não investem na diversidade de interesses dealunos, professores, coordenações, enfim de todos os segmentos da comunidade escolar.Diversidade saudável, sim, possível geradora de conflitos que possibilitam o crescimentopessoal na autoria da resolução de problemas e busca de soluções. Para os educadores, a violência é concebida como o desrespeito ao outro e consigomesmo. O desrespeito ao outro, se traduz na transposição dos direitos individuais. Já odesrespeito dirigido a si mesmo, seria o primeiro passo para poder praticar o descaso e aafronta ao outro: Professora – o que é violência? De uma forma geral começa com o desrespeito né. Agora no caso do aluno, ou mesmo do ser humano em si, eu acho que ele começa desrespeitando. [...] Ele não conhece o que é a palavra respeito, e isso vai gerando, vai aumentado esse desrespeito e ele vai se tornando uma pessoa até agressiva. Eu acho que são níveis da violência, eu penso na violência assim, eu acho que ela vai tendo níveis. Em conformidade com o discurso dos alunos, outro fator desencadeador de constantesconflitos entre os alunos, está relacionado às relações amorosas estabelecidas entre osestudantes, no discurso abaixo às meninas foram apresentadas como principais atuantes destesconfrontos: Professora - É, dentro dessa escola! Hoje em dia está muito comum isso. Cada caso que você vê, são meninas que brigam por causa de namorado, isso é um tipo também de violência, elas se agridem de puxar o cabelo, de xingar, de se ofender e de bater mesmo umas nas outras por causa desse um menino que em comum elas estão já apaixonadas por ele né. Elas se dizem apaixonadas, e o menino às vezes sai WWW.CURSORAIZES.COM.BR
  17. 17. WWW.CURSORAIZES.COM.BR 17 com uma, ou às vezes nem saiu, mas conversou com aquela menina e a outra já se sentiu ofendida e vai tirar satisfações. No que tange os conflitos entre alunos e professores há uma relação entre violência eindisciplina, para ele o aluno indisciplinado é aquele que não confere sentido à escola, assim aviolência seria uma espécie de resposta à angústia experimentada no ambiente escolar. Destemodo, o aluno indisciplinado pratica a violência por desrespeitar o direito daqueles que vêemsignificado na escola, ao mesmo tempo em que age com violência contra si mesmo, por nãoperceber a importância dos conteúdos escolares: Professor - o que eu vejo é que o aluno, hoje, e não sei com a gente poderia datar esse hoje, mas ele não ta vendo mais um sentido na escola, ele não vê nada nisso aqui que vai servir para ele no mundo lá fora. Então a gente tem que trabalhar com ele isso daí né, a importância de vir pra uma escola, que nem na 8° série eu falei assim “é importante vocês aprenderem geografia porque isso vai cooperar, do ponto de vista do conteúdo, para que vocês possam ter uma visão mais crítica das coisas, porém, nosso objetivo não é só ensinar vocês pra passar de ano e sim pra aprender, como se pesquisa, como se trabalha. Se eles não entendem isso começa a indisciplina, a violência. Então a violência seria também uma falta de respeito consigo e com outro. Ao que parece, não há um consenso que diferencie atos considerados violentos doscomportamentos tidos como indisciplinados. De tal modo, que esta dificuldade tem trazidoconseqüências para as formas de atuação destes profissionais. Os pais são constantementeconvocados à escola para responder pelas condutas inadequadas de seus filhos no interior dainstituição. A policia também é acionada para resolver conflitos entre os jovens e seus pares, eentre eles e a equipe escolar. Professor- o diretor conversa com ele, as vezes a conversa não adianta, a gente convoca os pais pra ficarem ciente do que os filhos fazem na escola, como é que eles agem aqui dentro e se for o caso os pais são convidados a assistirem aulas com o filho. E dependendo da situação a polícia é convocada chegando a acontecer até um boletim de ocorrência Os depoimentos acima indicam que os educadores encontram dificuldades de açãofrente ao problema da indisciplina e da violência. Na ausência de recursos pedagógicos paralidar com as situações de conflitos e confrontos, a equipe escolar recorre constantemente àfamília, à polícia e ao afastamento do aluno da instituição escolar. WWW.CURSORAIZES.COM.BR
  18. 18. WWW.CURSORAIZES.COM.BR 18 CAPÍTULO III: CONCLUSÃO No decorrer desta pesquisa, procuramos estabelecer as possíveis implicações entreindisciplina escolar e a relação professor-aluno. Acreditamos que esta concepção está incluídanas perspectivas moral e institucional. Consideramos o desenvolvimento moral do ser humano a partir de situaçõesharmoniosas ou na mediação dos conflitos. Ao considerarmos a perspectiva institucional como vertente explicativa, analisamospapéis institucionais do aluno e do professor, responsáveis por desenvolver papéis de acordocom o lugar institucional que ocupam. Assim, antes de atitudes individuais seremconsideradas pessoais, são institucionais. As implicações entre indisciplina escolar e relação professor-aluno puderam serconstatadas em diferentes situações observadas nas escolas. Das instituições observadas na cidade de Tobias Barreto podemos fazer a seguinteanálise. Nas escolas as regras são impostas pela professor(a) ou pela direção escolar, ou seja,os alunos não têm participação na construção das mesmas. Desta forma, elimina-se qualquerpossibilidade de interação em um ambiente democrático. A necessidade de exercer a autoridade e o perigo da total ausência de disciplina sãodiscutidas por diferentes autores como De LA TAILLE (1996), MACEDO (1996), VINHA(2003), LEPRE (1999), PIAGET (1923/1994), entre outros. Segundo os autores, as regras nasescolas são necessárias para que se possa desenvolver uma proposta pedagógica eficaz. A perspectiva institucional nos indicará que na constituição de toda instituição éconcreta a existência de práticas que se repetem e se legitimam sendo, segundo AQUINO(1996), “um continente de relações sociais específicas, sempre em confronto pela apropriaçãode um objeto”, que é no caso da educação escolar, o conhecimento. A autonomia só aparece com a reciprocidade, quando o respeito mútuo é bastanteforte, para que o indivíduo experimente interiormente a necessidade de tratar os outros comogostaria de ser tratado. Apesar da construção de um sentimento de “nós” nos alunos, este não é fruto derelação de cooperação ou de respeito mútuo e, portanto, não atinge os objetivos de umaeducação moral, na perspectiva piagetiana. WWW.CURSORAIZES.COM.BR
  19. 19. WWW.CURSORAIZES.COM.BR 19 Não é somente a educação escolar, porém, responsável pela educação e, portanto, estessujeitos poderá ter oportunidades de sentir a necessidade de manifestarem-se de forma maisativa, expressando descontentamento. Essa postura do professor parte da concepção de que para ser considerado “bonzinho”é necessário permitir quaisquer ações, não controlar a sala, mas que também “não ensinam”. A escola pode não atender às expectativas criadas pelos alunos ou por seus pais quantoao seu poder transformador da realidade social e, ao mesmo tempo, não demonstra através dasações da professora, acreditar neste poder. O desafio lançado às escolas parece ser o de descobrir formas de relacionamento comos alunos que criem novas significações no universo destes, através de uma (re) construção daidentidade escolar que atenda às expectativas dos alunos e de seus pais e, ao mesmo tempo,cumpra seu papel social de disseminadora de conhecimentos científicos construídos pelahumanidade. A perspectiva moral compreende os indivíduos envolvidos na relação professor-alunocomo seres em desenvolvimento, como pessoas que se interagem numa relação humana,social. A perspectiva institucional compreende os indivíduos envolvidos na relação professor-aluno como atores institucionais em que não se desvinculam os papéis de professor e dealuno. De acordo com o enfoque dado pela perspectiva moral, o distanciamento profundoentre professor e aluno não é benéfico, pois a interação entre pares e entre adulto e criançadeve privilegiar a solidariedade, a cooperação, a troca. A professora coloca-se como detentorado saber científico através da manipulação dos conteúdos, da transmissão pacífica deconteúdos e da moral, através da determinação do que é correto, do que é justo. Quando aigualdade do grupo é resultado de respeito unilateral da criança para com o adulto, cria-seuma dependência maior do que se possa parecer, segundo PIAGET (1998), em que “àestrutura do grupo é, na verdade, mais dependente da autoridade do que pareceria”. A construção desse ambiente pressupõe uma parceria entre professores e alunos nagestão do ambiente escolar, respeitando aspectos que não podem ser decididos por estes doissujeitos, como os que fazem alusão a outras classes e outros professores e às questõesburocráticas, entre outras que não dependem somente da resolução que eles tomarem. Oprofessor como o profissional da relação deve respeitar determinações e cumprir tarefas quesão inerentes à sua profissão, que determina o papel que ele desempenhar na relação ensinoaprendizagem. WWW.CURSORAIZES.COM.BR
  20. 20. WWW.CURSORAIZES.COM.BR 20 Sob a perspectiva institucional percebemos que está criada a incompetência dos papéisda escola como instituição e, conseqüentemente, do professor como sujeito desta e, daincompetência dos alunos. Ambos, professor e alunos não parecem responder aos anseios eexpectativas quanto a seus papéis. Concluindo, do ponto de vista moral, a indisciplina e a relação professor-aluno sãoindissociáveis posto que é na relação pessoal que nos desenvolvemos moralmente. Dependendo da forma como se desenvolve essa relação, podemos obtercomportamentos desejados através de ações de cooperação, solidariedade, reflexões sobresituações conflitantes para a formação do conceito de justiça. Portanto, está clara a existênciade ligações entre a indisciplina e as relações interpessoais, conseqüentemente, da relaçãoprofessor-aluno. A escola tem um papel fundamental na indisciplina de seus alunos, com a relaçãoprofessor e aluno, mas hoje a escola exclui, marginaliza, não acredita no potencial do seualuno e não cumpre o seu papel. Fica claro para nós que a escola não pode serresponsabilizada por tudo, mas que tem sim um papel importante neste fenômeno. WWW.CURSORAIZES.COM.BR
  21. 21. WWW.CURSORAIZES.COM.BR 21REFERÊNCIASAQUINO, Julio R. Groppa. A desordem na relação professor-aluno: indisciplina,moralidade e conhecimento. In: ______.Indisciplina na escola: alternativas teóricas epráticas. São Paulo: Summus, 1998.______. Moralidade e indisciplina: uma leitura possível a partir do referencialpiagetiano. In: AQUINO, J. R. G., (Org.) Indisciplina na escola: alternativas teóricas epráticas. São Paulo: Summus, 1998.CANDAU, Vera M.; LUCINDA, Maria da C.; NASCIMENTO, Maria das G. Escola eviolência. Rio de Janeiro: DP&A, 1999.DE LA TAILLE, Escola Yves. A educação moral: Kant e Piaget. In: MACEDO, Lino de.Cinco estudos de Educação Moral. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1996.GUIMARÃES, M. Indisciplina e violência: ambigüidade dos conflitos na escola. In:AQUINO, Julio R. G. (Org.). Indisciplina na escola: alternativas teóricas e práticas. SãoPaulo: Summus, 2001.PIAGET, Jean. O juízo moral na criança. Trad. Elzon Lenardon. 2 ed. São Paulo: Summus,1998. WWW.CURSORAIZES.COM.BR

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