Tudo era claro:céu, lábios, areias.O mar estava perto,fremente de espumas.Corpos ou ondas:iam, vinham, iam,dóceis, leves -...
No quadrado aberto da janela o mar cintilacoberto de escamas e brilhos como na infância. Omar ergue o seu radioso sorrir d...
Vinha do sul ou de um verso de Homero.Como dormir, depois de ter ouvidoo mar o mar o mar na sua boca?Eugénio de Andrade, i...
Eurydice perdida que no cheiroE nas vozes do mar procura Orpheu:Ausência que povoa terra e céuE cobre de silêncio o mundo ...
Quando eu morrer voltarei para buscarOs instantes que não vivi junto do marSophia de Mello Breyner Andresen
Como o rumor do mar dentro de um búzio O divi-no sussurra no universo Algo emerge: primordialprojeto.Sophia de Mello Breyn...
Bastava-nos amar. E não bastava o mar.Joaquim Pessoa
Raça de marinheiros que outra coisa vos chamarsenhoras que com tanta dignidade à hora que ocalor mais apertar coroadas de ...
Atravessara o verão para te verdormir, e trazia doutros lugaresum sol de trigo na pupila;às vezes a luz demora-seem mãos f...
E no teu rosto aberto sobre o mar cadapalavra era apenas o rumor de um bandode gaivotas a passar.Eugénio de Andrade, in Os...
Chove. Uma rapariga desce a rua.Os seus pés descalços são formosos.São formosos e leves: o corpo altoparte dali, e nunca s...
Não tenho mãos para o azul. Sonho com o marque não está longe mas não vejo arder. Só asombra parece estar em casa debaixo ...
Mar sonoro, mar sem fundo,mar sem fim,A tua beleza aumenta quandoestamos sósE tão fundo intimamente a tuavozSegue o mais s...
Foi no mar que aprendi o gosto da forma belaAo olhar sem fim o sucessivoInchar e desabar da vagaA bela curva luzidia do se...
Na luz oscilam os múltiplos naviosCaminho ao longo dos oceanos friosAs ondas desenrolam os seus braçosE brancas tombam de ...
Estou deitado sobre a minha ausência,como poderia estar deitado se existisse.Amanhã as ondas imitar-me-ão na praia.José Lu...
Tal como nós temos coração, intestinos, rins, fígado……o mar tem peixes.Afonso Cruz, “2 de Julho”, in O livro do ano, Alfag...
Semana da leitura 2013 aescd
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Poemas sobre o mar de autores portugueses

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  1. 1. Tudo era claro:céu, lábios, areias.O mar estava perto,fremente de espumas.Corpos ou ondas:iam, vinham, iam,dóceis, leves - sóritmo e brancura.Felizes, cantam;serenos, dormem;despertos, amam,exaltam o silêncio.Tudo era claro,jovem, alado.O mar estava perto.Puríssimo. Doirado.Eugénio de Andrade,in Mar de Setembro
  2. 2. No quadrado aberto da janela o mar cintilacoberto de escamas e brilhos como na infância. Omar ergue o seu radioso sorrir de estátua arcaica.Toda a luz se azula. Reconhecemos nossa inataalegria: a evidência do lugar sagrado.Sophia de Mello Breyner Andresen, in Ilhas
  3. 3. Vinha do sul ou de um verso de Homero.Como dormir, depois de ter ouvidoo mar o mar o mar na sua boca?Eugénio de Andrade, in O outro nome da terra
  4. 4. Eurydice perdida que no cheiroE nas vozes do mar procura Orpheu:Ausência que povoa terra e céuE cobre de silêncio o mundo inteiro.Assim bebi manhãs de nevoeiroE deixei de estar viva e de ser euEm procura de um rosto que era o meuO meu rosto secreto e verdadeiro.Porém nem nas marés, nem na miragemEu te encontrei. Erguia-se somenteO rosto liso e puro da paisagem.E devagar tornei-me transparenteComo morte nascida à tua imagemE no mundo perdida esterilmente.Sophia de Melo Breyner Andresen,in No Tempo dividido
  5. 5. Quando eu morrer voltarei para buscarOs instantes que não vivi junto do marSophia de Mello Breyner Andresen
  6. 6. Como o rumor do mar dentro de um búzio O divi-no sussurra no universo Algo emerge: primordialprojeto.Sophia de Mello Breyner Andresen, in O Nome das coisas
  7. 7. Bastava-nos amar. E não bastava o mar.Joaquim Pessoa
  8. 8. Raça de marinheiros que outra coisa vos chamarsenhoras que com tanta dignidade à hora que ocalor mais apertar coroadas de graça e majestadeentrais pela água dentro e fazeis chichi no mar?Ruy Belo, "Verão", in Todos os Poemas, Assírio & Alvim
  9. 9. Atravessara o verão para te verdormir, e trazia doutros lugaresum sol de trigo na pupila;às vezes a luz demora-seem mãos fatigadas;não sei em qualde nós explodiu uma súbitajuventude, ou cantava:era mais fresco o ar.Quem canta no verão espera ver o mar.Eugénio de Andrade, in O Peso da Sombra
  10. 10. E no teu rosto aberto sobre o mar cadapalavra era apenas o rumor de um bandode gaivotas a passar.Eugénio de Andrade, in Os Amantes do dinheiro
  11. 11. Chove. Uma rapariga desce a rua.Os seus pés descalços são formosos.São formosos e leves: o corpo altoparte dali, e nunca se desprende.A chuva em abril tem o sabor do sol:cada gota recente canta na folhagem.O dia é um jogo inocente de luzes,de crianças ou beijos, de fragatas.Uma gaivota passa nos meus olhos.E a rapariga – os seus formosos pés –canta, corre, voa, é brisa, ao vero mar tão próximo e tão branco.Eugénio de Andrade
  12. 12. Não tenho mãos para o azul. Sonho com o marque não está longe mas não vejo arder. Só asombra parece estar em casa debaixo dos meusramos: canta baixinho enquanto se descalça.Eugénio de Andrade, in Com o sol em cada sílaba
  13. 13. Mar sonoro, mar sem fundo,mar sem fim,A tua beleza aumenta quandoestamos sósE tão fundo intimamente a tuavozSegue o mais secreto bailar domeu sonho,Que momentos há em que eusuponhoSeres um milagre criado sópara mim.Sophia de Mello Breyner Andresen, in Dia do Mar
  14. 14. Foi no mar que aprendi o gosto da forma belaAo olhar sem fim o sucessivoInchar e desabar da vagaA bela curva luzidia do seu dorsoO longo espraiar das mãos de espumaPor isso nos museus da Grécia antigaOlhando estátuas frisos e colunasSempre me aclaro mais leve e mais vivaE respiro melhor como na praiaSophia de Mello Breyner Andresen, in O Búzio de Cós e outros poemas
  15. 15. Na luz oscilam os múltiplos naviosCaminho ao longo dos oceanos friosAs ondas desenrolam os seus braçosE brancas tombam de bruçosA praia é longa e lisa sob o ventoSaturada de espaços e maresiaE para trás fica o murmúrio Das ondas enroladas como búzios.Sophia de Mello Breyner Andresen, in No Tempo Dividido (1954)
  16. 16. Estou deitado sobre a minha ausência,como poderia estar deitado se existisse.Amanhã as ondas imitar-me-ão na praia.José Luís Peixoto, in A Criança em Ruínas
  17. 17. Tal como nós temos coração, intestinos, rins, fígado……o mar tem peixes.Afonso Cruz, “2 de Julho”, in O livro do ano, Alfaguara

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