Pesquisa científica

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Pesquisa científica

  1. 1. PESQUISA CIENTÍFICAA pesquisa científica é a realização de um estudo planejado, sendo o método de abordagem do problema o quecaracteriza o aspecto científico da investigação. Sua finalidade é descobrir respostas para questões mediante aaplicação do método científico. A pesquisa sempre parte de um problema, de urna interrogação, uma situação para aqual o repertório de conhecimento disponível não gera resposta adequada. Para solucionar esse problema sãolevantadas hipóteses que podem ser confirmadas ou refutadas pela pesquisa. Portanto, toda pesquisa baseia-se emuma teoria que serve como ponto de partida para a investigação. No entanto, lembre-se de que esta é uma avenidade mão dupla: a pesquisa pode, algumas vezes, gerar insumos para o surgimento de novas teorias, que, para seremválidas, devem apoiar-se em fatos observados e provados. Além disso, até mesmo a investigação surgida danecessidade de resolver problemas práticos pode levar à descoberta de princípios básicos.Os critérios para a classificação dos tipos de pesquisa variam de acordo com o enfoque dado, os interesses, campos,metodologias, situações e objetos de estudo.Os principais tipos de pesquisas são: + básica ou fundamental; + grupal; + aplicada; + bibliográfica; + histórica; + de ciência da vida e física; + descritiva; + social; + experimental; + tecnológica ou aplicada; + individual; + mono e interdisciplinar.Quanto à forma de abordagem, a pesquisa pode ser qualitativa ou quantitativa.Pesquisa qualitativaNa abordagem qualitativa, a pesquisa tem o ambiente como fonte direta dos dados. O pesquisador mantém contatodireto com o ambiente e objeto de estudo em questão necessitando um trabalho mais intensivo de campo. Neste caso,as questões são estudadas no ambiente em que eles se apresentam sem qualquer manipulação intencional dopesquisador. A utilização deste tipo de abordagem difere da abordagem quantitativa pelo fato de não utilizar dadosestatísticos como o centro do processo de análise de um problema, não tendo, portanto, a prioridade de numerar oumedir unidades. Os dados coletados nessas pesquisas são descritivos, retratando o maior número possível deelementos existentes na realidade estudada. Preocupa-se muito mais com o processo do que com o produto. Naanálise dos dados coletados não há preocupação em comprovar hipóteses previamente estabelecidas, porém nãoeliminam a existência de um quadro teórico que direcione a coleta, a análise e interpretação dos dados.Pesquisa quantitativaEste tipo de abordagem está relacionado ao emprego de recursos e técnicas estatísticas que visem quantificar osdados coletados. No desenvolvimento da pesquisa de natureza quantitativa devem-se formular hipóteses e classificar arelação entre as variáveis para garantir a precisão dos resultados, evitando contradições no processo de análise einterpretação.
  2. 2. 2 TIPOS DE PESQUISAA Pesquisa Científica visa conhecer cientificamente um ou mais aspectos de determinado assunto. Para tanto deve sersistemática, metódica e crítica. O produto da pesquisa científica deve contribuir para o avanço do conhecimentohumano. Na vida acadêmica, a pesquisa é um exercício que permite despertar o espírito de investigação diante dostrabalhos e problemas sugeridos ou propostos pelos professores e orientadores.a) Pesquisa bibliográficaEsta pesquisa tem como objetivo explicitar e construir hipóteses acerca do problema evidenciado, aprimorando asidéias, fundamentando o assunto em questão abordado na pesquisa. Para tanto, esse tipo de pesquisa envolve umlevantamento bibliográfico, o qual deverá ser feito em diversas fontes, buscando consultar obras respeitáveis eatualizadas.A pesquisa bibliográfica é desenvolvida através de livros, publicações em periódicos e artigos científicos. Nestapesquisa é importante que o pesquisador verifique a veracidade dos dados obtidos, observando as possíveisincoerências ou contradições que as obras possam apresentar.Os demais tipos de pesquisa também envolvem o estudo bibliográfico, pois todas as pesquisas necessitam de umreferencial teórico. Para a pesquisa bibliográfica é interessante utilizar as fichas de leitura que facilitam a organizaçãodas informações obtidas.b) Pesquisa de campoA pesquisa de campo é uma forma de coleta que permite a obtenção de dados sobre um fenômeno de interesse, damaneira como este ocorre na realidade estudada. Consiste, portanto, na coleta de dados e no registro de variáveispresumivelmente relevantes, diretamente da realidade, para ulteriores análises. A pesquisa de campo abrange: a) pesquisa bibliográfica; b) determinação das técnicas de coleta de dados e determinação da amostra; c) registro dos dados e de análises.Podemos citar os seguintes tipos de pesquisa de campo:- quantitativo-descritivo: pesquisa empírica cuja principal finalidade é o delineamento ou análise das características de fatos ou fenômenos, a avaliação de programas ou o isolamento de variáveis principais ou chave;- exploratório: pesquisa empírica cujo objetivo é a formulação de questões ou de um problema, com tripla finalidade: desenvolver hipóteses, aumentar a familiaridade do pesquisador com um ambiente, fato ou fenômeno, para realização de uma pesquisa futura mais precisa, ou modificar e clarificar conceitos;- experimental: pesquisa empírica cujo objetivo principal é o teste de hipótese que diz respeito a relações causa e efeito. A grande vantagem da pesquisa de campo é a obtenção de dados diretamente na realidade. Sem em nenhummomento desmerecer a pesquisa teórica, em uma ciência factual, é na pesquisa de campo que as teorias propostaspodem ser validadas ou refutadas. Assim, com a utilização de técnicas de amostragem estatística, a pesquisa decampo permite o acúmulo de conhecimento sobre determinado aspecto da realidade, conhecimento esse que pode sercomprovado e utilizado por outros pesquisadores.A principal desvantagem da pesquisa de campo é o pequeno grau de controle sobre a coleta de dados e apossibilidade de que fatores, desconhecidos para o investigador, possam interferir nos resultados. No caso depesquisas baseada em questionários, formulários e entrevistas, outro limitador seria o procedimento apresentar menorgrau de confiabilidade pela possibilidade de os indivíduos falsearem as respostas. Há, entretanto, vários recursos quepodem ser utilizados para aumentar as vantagens (e diminuir as desvantagens) desse método, como lançar mão dospré-testes, utilizar instrumental mais completo etc. Fonte: www.jjsoares.com
  3. 3. 3c) Pesquisa experimentalEste tipo de pesquisa é mais utilizado nas ciências naturais, por utilizarem o método experimental. Requer uso deequipamentos, laboratórios, técnicas e instrumentos que possam indicar um resultado concreto. Porém, são utilizadasem estudos de grupos selecionados, assim como, possibilita o levantamento de situações econômicas de umadeterminada faixa do mercado consumidor.“A pesquisa experimental se caracteriza por manipular diretamente as variáveis relacionadas com o objeto de estudo.Neste tipo de pesquisa, a manipulação das variáveis proporciona o estudo da relação entre as causas e efeitos de umdeterminado fenômeno. Através da criação de situações de controle, procura-se evitar a interferência de variáveisintervenientes. Interfere-se diretamente na realidade, manipulando-se a variável independente a fim de observar o queacontece com a dependente.” (CERVO & BERVIAN, 2004, p.68).A pesquisa experimental consiste em determinar um objeto de estudo, selecionar as variáveis que seriam capazes deinfluenciá-lo, definir as formas de controle e de observação dos efeitos que a variável produz no objeto.Os objetos de estudo podem ser líquidos, bactérias, ratos ou grupos sociais, estudo de comportamento, aprendizageme produtividade.d) Pesquisa documentalPesquisa documental é a forma de coleta de dados em relação a documentos, escritos ou não, denominados fontesprimárias. Livros, revistas jornais, publicações avulsas e teses são fontes secundárias. Assim, documento é uma fontede dados, fixada materialmente e suscetível de ser utilizada para consulta, estudo ou prova. Quanto à forma, osdocumentos podem ser classificados como (a) manuscritos; b) impressos sem periodicidade: livros, folhetos, catálogos,processos, pareceres, enfim, uma vasta gama de fontes; (c) periódicos: revistas, boletins, jornais. anuários e demaisdocumentos de divulgação periódica; (d) microfilmes e vídeos que reproduzem outros documentos; e (e) mapas,planos, documentos fotográficos, documentos magnéticos, informatizados.Fontes de documentosOs arquivos públicos abrangem documentos oficiais, tais como leis, ofícios, relatórios, publicações parlamentares:atas, debates, projetos de leis; documentos jurídicos, oriundos de cartórios: registros de nascimentos e mortes,desquites e divórcios, escrituras de compra e venda, falências e concordatas e outros.Os arquivos particulares correspondem aos domicílios particulares: memórias, autobiografias, diários etc.; instituiçõesde ordem privadas, tais como bancos, empresas, partidos políticos, igrejas, associações, em que se encontram: atas,registros, memórias, comunicados, etc.Há ainda outras fontes, por exemplo, as instituições públicas. como delegacias e postos voltados ao trabalho, registrosou alistamentos.Fontes estatísticasAs fontes estatísticas são efetuadas por órgãos específicos e especializados, como IBGE, o Instituto Gallup, o InstitutoBrasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope). Devemos considerar também órgãos específicos que mantêmbanco de dados especializados, como a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), Juntas Comerciais e outras, comoos Conselhos federal e regionais de atividades profissionais regulamentadas e as Universidades.Fontes bibliográficasAs fontes bibliográficas fornecem ao pesquisador diversos dados, exigindo manipulação e análises diferenciadas.Caracterizam-se como fontes desse tipo:- imprensa escrita: em forma de jornais e revistas, deve ser independente, ter conteúdo e orientação sem tendência, bem como difusão e influência – a análise deve ser feita de forma independente e, por fim, deve-se verificar se há grupo de interesse envolvido;- meios audiovisuais: esta mídia deve ser analisada com base nos mesmos itens especificados para a imprensa escrita;- material cartográfico: estes meios bibliográficos são específicos, de acordo com a linha de pesquisa e atualização no projeto, não havendo grandes restrições quanto a seu emprego;- publicações: livros, teses, dissertações, monografias, publicações avulsas, pesquisas, entre outros, formam o Fonte: www.jjsoares.com
  4. 4. 4 conjunto de publicações básicas para pesquisas científicas.e) Pesquisa ex-post-factoA pesquisa ex-post-facto analisa situações que se desenvolverão naturalmente após algum acontecimento. É muitoutilizada nas ciências sociais, pois permite a investigação de determinantes econômicos e sociais do comportamentoda sociedade em geral. Estuda-se um fenômeno já ocorrido, tenta-se explicá-lo e entendê-lo.f) Estudo de casoO estudo de caso refere-se ao estudo minucioso e profundo de um ou mais objetos. O estudo de caso pode permitirnovas descobertas de aspectos que não foram previstos inicialmente. Restringe-se o estudo a um objeto que pode serum indivíduo, família, grupo.Por lidar com fatos/fenômenos normalmente isolados, o estudo de caso exige do pesquisador grande equilíbriointelectual e capacidade de observação (‘olho clínico’), além de parcimônia (moderação) quanto à generalização dosresultados.g) Pesquisa-açãoA pesquisa – ação acontece quando há interesse coletivo na resolução de um problema ou suprimento de umanecessidade (...). Pesquisadores e pesquisados podem se engajar em pesquisas bibliográficas, experimentos, etc.,interagindo em função de um resultado esperado.Nesse tipo de pesquisa, os pesquisadores e os participantes envolvem-se no trabalho de forma cooperativa. Apesquisa-ação não se refere a um simples levantamento de dados ou de relatórios a serem arquivados. Com apesquisa-ação os pesquisadores pretendem desempenhar um papel ativo na própria realidade dos fatos observados. TÉCNICAS DE PESQUISA E COLETA DE DADOSO planejamento é primordial para o desenvolvimento da pesquisa científica. Assim, definidos tema, objeto, problema,tipo e campo de pesquisa, a etapa seguinte é a coleta de dados, que também deve ser planejada.Após a definição do projeto, o desenvolvimento da pesquisa parte da coleta de dados e informações, tecnicamentelevantados, analisados e interpretados visando sua correta utilização conforme o objetivo da pesquisa.Entenda-se por técnica o conjunto de preceitos ou processos utilizados por uma ciência ou arte. No caso de pesquisasde campo, é necessário analisar e interpretar os dados obtidos, mediante técnicas estatísticas para a devidaelaboração do relatório de sustentação do trabalho científico. Cabe ainda à técnica o encadeamento lógico do trabalhoa ser apresentado, cuja redação deverá ser concisa, clara e objetiva, visando facilitar o entendimento pelo leitor.Definidos as fontes de dados e o tipo de pesquisa, devem-se abordar as técnicas de pesquisas e a coleta de dados.Normalmente, faz-se urna pesquisa bibliográfica prévia, de acordo com a natureza da pesquisa, passando-se emseguida aos detalhes desta, determinando-se as técnicas a serem utilizadas na coleta de dados, a fonte daamostragem, que deverá ser significativa, isto é, representativa e suficiente para apoiar conclusões, e as técnicas deregistro desses dados e as de análise posterior.Dentre as técnicas de pesquisa e coleta de dados destacamos as seguintes: Fonte: www.jjsoares.com
  5. 5. 5 • observação direta intensiva: • observação direta extensiva: observação, entrevista, questionário, formulário, medidas de opinião e de atitudes, história de vida, discussão em grupo análise de conteúdo, testes, sociometria, pesquisa de mercado FASES DA PESQUISAPara a elaboração de uma pesquisa científica é imprescindível conhecer os procedimentos e percursos a seremrealizados, desde o início até sua finalização e a divulgação dos novos conhecimentos desenvolvidos. Assim, entende-se que urna pesquisa pode ser dividida em quatro grandes fases:1ª) antecede a realização da pesquisa, é denominada fase da formulação e do planejamento da pesquisa;2ª) momento da realização propriamente dita da pesquisa, com a coleta de dados e busca de informações sobre o tema escolhido, chama-se fase de desenvolvimento e execução da pesquisa;3ª) formulação da redação do texto final da pesquisa, é identificada como fase de redação do texto final do estudo;4ª) o pesquisador divulga os resultados conseguidos com o estudo praticado para a comunidade científica e aos profissionais de sua área de atuação, intitula-se de fase de exposição do trabalho final.Cada uma dessas fases é formada por procedimentos e passos, que devem ser seguidos sistematicamente para obom andamento da pesquisa. Veja agora quais são eles.1 Formulação e Planejamento da PesquisaEssa etapa é composta pela escolha do assunto, levantamento do material bibliográfico, elaboração do problema deinvestigação e delimitação das questões que determinam os objetos de estudo, com a investigação das produçõesbibliográficas relacionadas ao assunto estudado e posterior recolhimento dessas fontes de informação.Isso possibilita o primeiro contato com o material bibliográfico e permite a organização e formulação de sínteses deleitura, o que facilita a composição da revisão de literatura a que se propôs, tornando possível verificar a viabilidade eas limitações do estudo, com a indicação de suas variáveis e hipóteses da pesquisa e, conseqüentemente, aestipulação dos objetivos e a definição do método e dos processos a empregar no trabalho (amostra, instrumentos,procedimentos e técnicas de pesquisa).1.1 Escolha do assunto ou do tema da pesquisaA escolha do tema é a primeira etapa de um trabalho monográfico. Essa escolha deve levar em consideração algunspré-requisitos como a capacidade e a formação do pesquisador, as experiências e vivências profissionais, osconhecimentos anteriores, a relevância da pesquisa, ou seja, se o trabalho merece ser investigado cientificamente.Outros fatores de interesse são os recursos materiais, econômicos e pessoais necessários à execução da pesquisa.O pesquisador deve escolher um tema adequado às suas possibilidades, com material bibliográfico suficiente,disponível e atual e também que não seja muito complexo, entendendo que o trabalho depende muito do tempodisponível que o pesquisador tem para realizar a pesquisa.O assunto de pesquisa também deve ser aplicável. Ao pesquisar um tema que não pode ser aplicado em situaçõesreais, o estudo tende a perder em significado, tornando-se árduo e maçante para o pesquisador.Há quem acredita que uma monografia deve trazer assuntos que nunca foram pesquisados, algo inédito, complexo eextenso; na verdade, um trabalho monográfico é o primeiro contato do pesquisador com uma pesquisa, sendoconsiderado mais simples do que se pensa. O aprofundamento do tema de pesquisa enfocando aspectos novos e quenão foram pesquisados pode tornar-se objeto de dissertações de mestrado ou teses de doutorado.1.2 Delimitação do tema de pesquisa: o enfoque específico do estudoSegundo Cervo e Bervian (2004), delimitar o assunto significa selecionar um tópico ou a parte dele que desperta maiorinteresse por parte do pesquisador, como também da comunidade acadêmica e profissional, indicando assim sobreque ponto de vista o assunto será focalizado. Fonte: www.jjsoares.com
  6. 6. 61.3 Formulação do problema de pesquisa:Após a escolha do tema e delimitado seu campo de atuação, deve-se "transformar" o tema em uma questão básica.Acredita-se que é mais importante para o desenvolvimento da ciência saber formular problemas do que encontrarsoluções (BERVIAN, 2004).Durante a pesquisa, é examinado, avaliado e analisado criticamente o que se estipulou e criou, ou seja, a delimitaçãode um problema sobre o tema estudado. É uma questão, uma dúvida que se apresenta à nossa consideração para serrespondida e solucionada.O problema envolve uma dificuldade teórica ou prática para a qual se procura solução, isto é, o questionamento doassunto, a pergunta de seu trabalho a qual você busca responder. A formulação de perguntas e o levantamento dehipóteses fazem que o pesquisador penetre no conhecimento científico buscando material bibliográfico para oaprimoramento de seu estudo.O pesquisador deve ler o que já foi escrito e publicado sobre o assunto, fazendo com que essa atividade o auxilie nomomento de escolha do material para o início de seu trabalho.Deve-se ter o cuidado de respeitar as próprias tendências, referências, aptidões, tempo e recursos materiais efinanceiros disponíveis para a escolha da questão básica de estudo. Enfrentar um problema de pesquisa para o qualnão se está preparado é fadar-se ao fracasso e à perda irremediável de tempo.É preciso não confundir tema com problema. O tema é o assunto geral que é abordado na pesquisa e tem caráteramplo. O problema focaliza o que vai ser investigado dentro do tema da pesquisa.Além disso, é necessário também esclarecer o que é uma problemática e um problema. Uma problemática pode serconsiderada como a colocação dos problemas que se pretende resolver dentro de certo campo teórico e prático. Ummesmo tema (ou assunto) pode ser enquadrado em problemáticas diferentes.A título de exemplo, a Industrialização da Cidade de Contagem em Minas Gerais pode ser enquadrada emproblemáticas de Economia, Administração, História, Medicina, Meio Ambiente, Educação, Ciências Contábeis,Educação Física, Química e tantas outras.O problema não surge do nada, mas é fruto de leitura e/ou observação do que se deseja pesquisar. Nesse sentido, oaluno deve fazer leituras de obras que tratem do tema no qual está situada a pesquisa, bem como observar – direta ouindiretamente – o fenômeno (fato, sujeitos) que se pretende pesquisar para, posteriormente, formular questõessignificativas sobre o problema.A formulação mais freqüente de um problema na literatura sobre metodologia da pesquisa ocorre, de maneira geral,em forma de uma questão de pesquisa ou interrogação.Por exemplo: - Como melhorar o nível de vida na região industrial de Contagem sob o enfoque ambiental? - Quais as soluções de preservação do meio ambiente adotadas pelas empresas da região industrial de Contagem? - Quais benefícios e incentivos seriam recomendados para reduzir o turnover (índice de rotatividade) da alta administração das empresas da região industrial de Contagem?Obs.: PROBLEMA é uma interrogação que o pesquisador faz diante da realidade.Assim, uma vez formulado o problema de pesquisa, o pesquisador tem mais claro os caminhos que deve percorrer,pois já delimitou o ponto de partida e de chegada do seu estudo.1.4 Definição dos objetos de estudoO objeto de estudo pode ser caracterizado corno um desdobramento da pergunta básica do estudo, ou seja, os itensque serão pesquisados para solucionar o problema de pesquisa.Deve-se extrair os referidos objetos de pesquisa da própria questão central do estudo: com o problema formulado,pode-se verificar o direcionamento da pesquisa por meio dos objetos de estudo levantados a partir do desdobramentoda questão delimitada corno problema de pesquisa. Fonte: www.jjsoares.com
  7. 7. 71.5 Definição dos objetivosEsse é o momento de definir com precisão o que se pretende com o trabalho. O objetivo do estudo vincula-sediretamente à própria significação da tese proposta pelo pesquisador e à colocação de propósitos que estãodiretamente relacionados com o problema de pesquisa. É neste momento que se define o tipo e a natureza dotrabalho, os métodos a serem empregados e as obras e documentos a serem estudados.O pesquisador precisa estar atento para verificar se, ao concluir seu trabalho, conseguirá atingir o objetivo indicado.Outro aspecto relevante na definição dos objetivos diz respeito aos resultados que o estudo pode alcançar e não-metas externas, que podem ser atingidas ao se empregarem os pressupostos teóricos ou as práticas pedagógicas ede treinamento que alicerçaram e fundamentaram a revisão de literatura da pesquisa.Uma das características dos objetivos de pesquisa: sua definição por verbos no infinitivo, como diagnosticar, verificar,observar, analisar; examinar; identificar, distinguir, constatar, comprovar, comparar, entre outros.1.6 Levantamento de material bibliográficoApós a delimitação dos objetos de estudo da pesquisa, o pesquisador iniciará a fase de levantamento dos materiaisexistentes sobre o tema ou das questões que determinam os objetos de estudo. O levantamento bibliográfico é umapanhado geral sobre os principais documentos e trabalhos realizados a respeito do tema escolhido, abordadosanteriormente por outros pesquisadores, para a obtenção de dados para a pesquisa. Essa bibliografia deve ser capazde fornecer informações e contribuir com a pesquisa. O levantamento é realizado de acordo com um dos dois tipos depesquisa, dependendo do tema escolhido: o método de pesquisa documental e o método de pesquisa bibliográfico.As fontes mais apropriadas e que devem ser consultadas em primeiro lugar são: - - livros e revistas científicas; - monografias, dissertações e teses de autores que estudaram assuntos que se aproximem de seu tema de pesquisa; - publicações avulsas; - documentos, arquivos públicos e particulares, fotos, imagens; - revistas, jornais, apostilas, resenhas, artigos etc.O pesquisador deve sempre consultar o ano de publicação dos materiais — aconselha-se que o prazo não sejasuperior a dez anos de publicação. Por exemplo, se o trabalho está sendo realizado em 2007, deve-se utilizardocumentos que foram publicados a partir de 1997, mesmo assim, dependendo do tipo de pesquisa, analisar se esseperíodo não é muito longo .O pesquisador, no momento de selecionar e catalogar o material bibliográfico a estudar, não deve ler, do início ao fim,todos os documentos e obras que cheguem às suas mãos. Quando se encontra um livro ou artigo que pode contribuircom a pesquisa, deve-se iniciar o processo de localização e busca dos assuntos referentes aos objetos de estudo peloíndice e resumo, se houver, para verificar o que se fala a respeito do tema na obra ou documento consultado e quecapítulos versam sobre o tema do estudo.Após essa consulta o pesquisador deverá consultar as páginas de referências bibliográficas para verificar que fontesbibliográficas o autor do documento original consultou, o que permitirá o levantamento de mais fontes de consultasobre a área temática investigada no estudo, possibilitando a verificação e análise de várias premissas, conceitos epensamentos sobre os objetos estudados no trabalho.O estudo da literatura ajudará na organização do trabalho e servirá de suporte no momento do direcionamento eplanificação da pesquisa, possibilitando que o pesquisador faça um recorte do que será importante ou não nas etapasdo trabalho, como também no levantamento da hipótese da pesquisa. Isso permite a definição do método a serutilizado e, conseqüentemente, dos procedimentos e instrumentos para a investigação científica.1.7 Compilação das obras e trabalhos sobre o tema: Fonte: www.jjsoares.com
  8. 8. 8Essa é a fase em que o pesquisador procura se apropriar dos textos que abordam o assunto que pretende pesquisar;assim, deve adquirir livros e revistas científicas, fotocopiar teses e dissertações e materiais necessários à pesquisa,como leis, documentos e fotos.1.8 Fichamento:Nesse momento, após a leitura dos textos relacionados à área temática investigada, o pesquisador deverá elaborarfichas no computador ou mesmo à mão, anotando a síntese dos conceitos e pressupostos sobre o tema abordado, quesão apresentados pelos autores estudados. O fichamento é uma forma de investigar que se caracteriza pelo ato defichar (registrar em fichas) todo o material necessário à compreensão de um texto ou tema. É uma parte importante naorganização da pesquisa de documentos, permitindo um fácil acesso aos dados fundamentais para a conclusão dotrabalho. O fichamento facilitará a procura do pesquisador, que terá ao seu alcance as informações coletadas nasbibliotecas públicas ou privadas, na Internet, ou mesmo em acervo próprio ou de amigos, evitando que consulte maisde uma vez a respeito de um determinado tema, uma vez que não consegue guardar em sua memória todos os dadosaos quais teve acesso. O importante é que eles estejam bem organizados e de acesso fácil para que os dados não sepercam. A ficha é composta com cabeçalho, referência bibliográfica, corpo ou texto-conteúdo, indicação da obra(quem deve lê-la) e o local (onde a obra se encontra).1.9 Levantamento das limitações da pesquisa (somente para pesquisa direta de campo e laboratorial):As limitações de uma pesquisa são possíveis influências que podem ou não ser controladas pelo pesquisador. Essaslimitações do estudo devem ser explicadas ao leitor, pois uma informação explícita desse gênero não só fornece umdado importante, como também protege o pesquisador contra críticas óbvias e contra a própria indiscrição. Como oinvestigador domina os dados da pesquisa em qualquer projeto, começa-se a perceber claramente várias relações quenão podem ser comprovadas com os dados que possui. Se, porém, afirma que seus dados se referem somente a umconjunto de dados, mais limitados, indicando que as extrapolações e generalizações são indesejáveis e impossíveis elimitando-se a objetivos e análise que as informações coletadas permitem, evita equívocos que comprometem, e àsvezes, invalidam toda a pesquisa.Segundo Thomas e Nelson (2002, p. 64), "não existe estudo perfeito”. O pesquisador deverá ter habilidade paracontornar algumas situações que ocorrem no decorrer do estudo, fazendo que sua pesquisa se torne o mais autênticapossível. Dois fatores podem ser apontados como meios que favorecem o dimensionamento e o direcionamento dapesquisa: a elaboração ou construção de hipóteses e a indicação das variáveis da pesquisa, explicitados a seguir.1.9.1 Construção de hipótese(s)A hipótese é uma possível resposta ao problema da pesquisa e orienta a busca de outras informações. A hipótesepode ser definida como uma suposição que antecede a constatação dos fatos. Sua função é proporcionar explicaçõespara certos fatos e, ao mesmo tempo, orientar a busca de outras informações em relação à área temática estudada.A hipótese pode também ser entendida como as relações entre duas ou mais variáveis, e é preciso que pelo menosuma delas já tenha sido fruto de conhecimento científico.Nas hipóteses não se busca estabelecer unicamente uma conexão causal (se A, então B), mas a probabilidade dehaver uma relação entre as variáveis estabelecidas (A e B), relação essa que pode ser de dependência, de associaçãoe também de causalidade.Tal como o problema, a formulação de hipóteses prioriza a clareza e a distinção.“É preciso não confundir hipótese com pressuposto, com evidência prévia. Hipótese é o que se pretende demonstrar enão o que já se tem demonstrado evidente, desde o ponto de partida. [...] nesses casos não há mais nada ademonstrar, e não se chegará a nenhuma conquista e o conhecimento não avança” (SEVERINO, 2006, p. 161).Assim, a elaboração das hipóteses servirá como um guia na tarefa de investigação e auxiliará na compreensão eelaboração dos resultados e conclusões da pesquisa, atingindo altos níveis de interpretação.A pesquisa pode confirmar ou refutar a(s) hipótese(s) levantada(s).HIPÓTESES NÃO são perguntas, mas SIM AFIRMAÇÕES.Alguns autores utilizam a expressão “questões norteadoras” em vez de hipóteses. Fonte: www.jjsoares.com
  9. 9. 91.9.2 Indicação das variáveis da pesquisa (somente para pesquisa direta de campo e laboratorial)E o que são variáveis? São características observáveis do fenômeno a ser estudado e existem em todos os tipos depesquisa. No entanto, enquanto nas pesquisas quantitativas elas são medidas, nas qualitativas elas são descritas ouexplicadas. As variáveis têm características sociais, econômicas, ideológicas, demográficas, estatísticas, matemáticas,mercadológicas etc.Para Lakatos e Marconi (2007, p. 139), “uma variável pode ser considerada como uma classificação ou medida; umaquantidade que varia; um conceito operacional que contém ou apresenta valores; ou ainda, um aspecto, propriedadeou fator, discernível em um objeto de estudo e passível de mensuração.”Todas as variáveis que interferem no objeto que será estudado deverão ser controladas para não comprometer ouinvalidar a pesquisa. Estudo mais aprofundado deve ser visto em Lakatos e Marconi (2007, p. 139-155) sobre variáveisindependentes e dependentes, fixidez (fixas) ou alterabilidade das variáveis, variáveis moderadoras e de controle,variáveis extrínsecas e componentes, variáveis intervenientes e antecedentes.RESUMO DAS ETAPAS DA PESQUISA:1 Preparação da pesquisa: decisão ou contratação, especificação dos objetos, elaboração de um esquema,constituição de uma equipe de trabalho, levantamento de recursos, cronograma.2 Definição dos elementos da pesquisa: Escolha do tema, levantamento de dados, formulação do problema,definição dos termos, construção de hipóteses, indicação de variáveis, delimitação da pesquisa, amostragem, seleçãode métodos e técnicas, organização do instrumental de observação, testes dos instrumentos e procedimentos.3 Execução da pesquisa: coleta de dados, análise e interpretação dos dados, representação dos dados econclusões.4 Elaboração do relatório da pesquisa: elaboração do relatório para comunicação dos procedimentos e resultadosda pesquisa. O relatório de pesquisa pode ser: a) relativo a contratação de pesquisa junto aos institutos especializadosb) relativo a pesquisa realizada por pesquisadores da própria empresa; c) relatório de estágio supervisionado do cursosuperior de graduação; d) monografia para conclusão de curso superior de Graduação (título de bacharel);e) monografia para conclusão de curso de pós-graduação lato sensu em nível de Especialização (título deespecialista); f) dissertação para conclusão de curso de pós-graduação stricto sensu em nível de Mestrado (título demestre); g) tese para conclusão de curso de pós-graduação stricto sensu em nível de Doutorado (título de doutor). Fonte: www.jjsoares.com
  10. 10. 10 BIBLIOGRAFIAANDRADE, Maria Margarida de. Introdução à Metodologia do Trabalho Científico. 7. ed. – 2. reimpr. São Paulo:Atlas, 2006.CERVO, Amado; BERVIAN, Pedro. Metodologia Científica. 5. ed. São Paulo: Prentice Hall, 2004.GIL, Antônio Carlos. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. 4. ed. – 9. reimpr. São Paulo: Atlas, 2007.LAKATOS, Eva M.; MARCONI, Marina A. Fundamentos de Metodologia Científica. 6. ed. – 4. reimpr. São Paulo:Atlas, 2007.MARCONI, Marina A.; LAKATOS, Eva M. Técnicas de Pesquisa. 6. ed. – 2. reimpr. São Paulo: Atlas, 2007.SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do Trabalho Científico. 22. ed. – 7. reimpr. São Paulo: Cortez, 2006. Fonte: www.jjsoares.com

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