Novembro de 2011    Leme/SP
Há um ano, em 20 de março de 2009, a cidade deSão Paulo deu um importante passo no sentido de combatero racismo, o preconc...
Para tanto é preciso informar a sociedade, discutirsobre o assunto, tendo sempre em mente que o racismo é umadoença social...
Uma das grandes conquistas da população negranos últimos anos foi a criminalização da ação do racismopela Constituição Fed...
setembro de 1990; 8.882, de três de junho de 1994; e 9.459, de 13de maio de 1997.         Mesmo assim em outubro de 2006, ...
Em diversos estados da federação já foram implantadosserviços com finalidades semelhantes, executados pelosmunicípios ou a...
É uma atitude que ocorre quando se atribuem a umgrupo em determinados aspectos negativos em razão de suascaracterísticas f...
Tanto o racismo como o preconceito racial não seconfunde com a discriminação racial. O preconceito e o racismosão atitudes...
É ação, é o comportamento de forma a prejudicaralguém, isto é quando o racista ou o preconceituoso externa-liza sua atitud...
2- Um comerciante foi preso em flagrante sob acusação de racismo. Aprisão ocorreu após o comerciante xingar um garoto de 1...
b) OstensivoÉ aquele que choca, fere as pessoas. Exemplo: O uso abusivode poder que muitos policiais utilizam quando abord...
"É o fracasso das instituições e organizações emprover um serviço profissional e adequado às pessoas porcausa de sua cor, ...
"O racismo institucional determina a inércia dasinstituições e organizações frente às evidências dasdesigualdades raciais"...
trabalho, seja na contratação ou nas oportunidades depromoção, a valorização da aparência em detrimento dascapacidades e e...
É contra a lei os órgãos públicos discriminarem racialmente namaneira em que levam a cabo as suas funções. Exemplos de órg...
É importante saber que ao reagir a qualquer formade ofensa racial duas coisas acontecem:• O discriminador se surpreenderá;...
racismo cordiais expressos na sociedade, consolidado pelosmeios de comunicação.         Isso acontece principalmente com a...
que foi brutalmente escravizado, impondo-se comoreferência o europeu, o homem branco, o proprietário esenhor dos escravos....
Assim, brasileiros negros ou afros-descendentesmediante a sua auto -imagem, incluindo os aspectos daidentidade cultural re...
• Local de trabalho;• Ao comprar ou alugar uma casa ou apartamento;• Na escola ou colégio;• Compra ou uso de bens e serviç...
Sociedade• Atuar na mudança das crenças e tabus e valores culturaisenvolvendo a população negra;• Afirmar novas formas de ...
Indivíduo• Promover novas atitudes que favoreçam a quebra do ciclo dadiscriminação racial;• Promover a elevação da auto es...
Racismo é uma "doença Social que atinge tanto quem sofrequanto quem pratica". Todos os afrodescendentes devem ficarsempre ...
BENTO, Maria Aparecida Silva. Cidadania em preto e branco, São Paulo, Ática, 2006.Departament for International Developmen...
Prefeitura do Município de LemeSecretaria de Assistência e Desenvolvimento Social
Cartilha pioneirismo no combate ao racismo
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

Cartilha pioneirismo no combate ao racismo

2.666 visualizações

Publicada em

0 comentários
1 gostou
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
2.666
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
4
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
64
Comentários
0
Gostaram
1
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Cartilha pioneirismo no combate ao racismo

  1. 1. Novembro de 2011 Leme/SP
  2. 2. Há um ano, em 20 de março de 2009, a cidade deSão Paulo deu um importante passo no sentido de combatero racismo, o preconceito e a discriminação racial, ao criar oprimeiro Centro de Referência de Combate ao Racismo. Pormeio da oferta de acolhimento, atendimento eencaminhamento jurídico e psicossocial para casosdenunciados de discriminação, o centro cumpre uma lacunaexistente no aparato de serviços específicos na cidade de SãoPaulo. O centro é uma importante porta aberta para que asdenúncias cheguem, mas é preciso avançar.Hoje, se por um lado temos um aparato legal quecriminaliza toda e qualquer forma de discriminação racial,por outro vemos que é necessário um trabalho deconscientização, para que haja uma clara compreensão quequalquer forma de racismo é desumana e cruel. Para tanto é preciso informar a sociedade, discutirsobre o assunto, tendo sempre em mente que o racismo é umadoença social que atinge, igualmente, a vítima e o autor daofensa.
  3. 3. Para tanto é preciso informar a sociedade, discutirsobre o assunto, tendo sempre em mente que o racismo é umadoença social que atinge, igualmente, a vítima e o autor daofensa.O poder público não pode virar as costas a este problema.Para nós da Secretaria de Participação e Parceria, a luta poruma sociedade mais justa e igualitária, passa,necessariamente, pelo enfrentamento dos seus problemascruciais.Nada melhor, neste sentido, do que ouvir a comunidade. Foipor este motivo que, pela primeira vez, demos posse aoConselho de Gestão da Cone. Criado em 1992, o Conselhoque representa a comunidade negra, na organização daPrefeitura, nunca havia saído do papel.Agora, juntos, Secretaria, Coordenadoria e Conselho,estamos mais fortes para lutarmos pela justiça social.Contamos colaborar com este processo, lançando estacartilha. Ricardo Montoro Secretário de Participação e Parceria
  4. 4. Uma das grandes conquistas da população negranos últimos anos foi a criminalização da ação do racismopela Constituição Federal, tipificando como inafiançável eimprescritível, a prática do racismo (art. 5º, XLII). No Brasil, diversas normas nacionais einternacionais de combate à discriminação racial estão emvigor, dentre elas:a) a Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todasas Formas de Discriminação Racial, adotada pelaResolução nº 2.106-A (XX) da Assembléia Geral dasNações Unidas, em 21 de dezembro de 1965, foi ratificadapelo Brasil em 27 de março de 1968 e se encontra em vigor;b) o Decreto nº 62.150, de 19 de janeiro de 1968, promulgoua Convenção nº 111 da OIT sobre Discriminação emMatéria de Emprego e Ocupação, adotada pela ConferênciaInternacional do Trabalho em sua 42ª sessão, a 25 de junhode 1958; ec) a Lei Federal n° 7.716, de cinco de janeiro de 1989 quedefine os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor eas leis que a alteraram, Leis Federais nºs 8.081, de 21 de
  5. 5. setembro de 1990; 8.882, de três de junho de 1994; e 9.459, de 13de maio de 1997. Mesmo assim em outubro de 2006, o Estado brasileiro foiresponsabilizado pela Comissão Interamericana de DireitosHumanos da Organização dos Estados Americanos – OEA pordiscriminação racial (Relatório nº 66/06 do caso nº 12.001, deSimone André Diniz, datado de 21 de outubro de 2006), a qualreconheceu que o sistema judicial brasileiro não estava preparadopara tratar de litígios raciais. Entre as recomendações destinadasao Brasil foi sugerida a criação de instâncias para que os casos dediscriminação racial pudessem ser apurados corretamente. Em São Paulo, apesar da Constituição Municipal tercomo princípio a "defesa da igualdade e o combate a qualquerforma de discriminação em razão de nacionalidade, condição elocal de nascimento, raça, cor, religião, origem étnica, convicçãopolítica ou filosófica, deficiência física ou mental, doença, idade,atividade profissional, estado civil, classe social e sexo", muitoscasos de preconceitos e discriminação acontece. Em 20 /03/08, o município deu um grande salto napromoção da igualdade racial com a instalação do Centro deReferência em Direitos Humanos na Prevenção e Combate aoRacismo, serviço público de grande relevância para a cidade.
  6. 6. Em diversos estados da federação já foram implantadosserviços com finalidades semelhantes, executados pelosmunicípios ou através de parcerias com outros órgãos públicos ouentidades privadas. A presente publicação demonstra a preocupaçãoconstante da SMPP-CONE em oferecer aos cidadãos afro-descendentes a oportunidade de exercerem a sua cidadania comconhecimento dos direitos no sentido de derrubar barreiras pordesconhecimento ou falta de informação. Muitos afrodescendentes e negros têm dificuldades emconseguir uma participação igualitária na sociedade por terempouco ou nenhum acesso à informação e não saberem como sedefender. A igualdade de oportunidades passa necessariamente,pela tomada de consciência dos direitos. Maria Aparecida de Laia Coordenadora SMPP-CONE
  7. 7. É uma atitude que ocorre quando se atribuem a umgrupo em determinados aspectos negativos em razão de suascaracterísticas físicas ou culturais. O racismo foi criado para justificar a dominação deuns sobre outros com a finalidade de satisfazer interesses deum indivíduo ou grupo de forma a hierarquizar a relaçãoentre as pessoas.Exemplo: Podemos citar a escravidão, a intolerância àsreligiões de matrizes africanas. É uma atitude negativa sofrida por indivíduo ougrupo por alguém que tem como padrão de referência o seupróprio grupo racial. É pré-julgamento a respeito de algo que não temconhecimento.Exemplo: Podemos citar a subestimação dos alunos cotistas.
  8. 8. Tanto o racismo como o preconceito racial não seconfunde com a discriminação racial. O preconceito e o racismosão atitudes, são modos de ver às pessoas ou grupos raciais. Racismo e preconceito não são coisas equivalentes,embora no dia-a-dia as pessoas não as separam. O racismo é maisamplo que o preconceito. O racismo enaltece as características dogrupo racial, considerados superiores. Há diversas formas de racismo, mas podemos citar trêscomo básicas:• Racismo pessoal ou individual: Ocorre quando uma pessoa secrê superior a outra em função de sua raça;• Racismo institucional: Esse é um racismo que diz respeito àsinstituições, Estados e ou governos que entendem que umdeterminado grupo racial deve ter preferência em relação a outrosgrupos em matéria de acesso aos benefícios gerados pelo estado epor outras instituições e organizações. Esse racismo se manifestaem normas, práticas e comportamentos discriminatóriosadotados no trabalho cotidiano;• Racismo cultural: Ocorre quando um determinado gruporacial entende que a sua herança cultural se sobrepõe emimportância à de outros grupos.
  9. 9. É ação, é o comportamento de forma a prejudicaralguém, isto é quando o racista ou o preconceituoso externa-liza sua atitude em manifestação ou ação, ocorre àdiscriminação. Tratar de maneira "menos favorável" umapessoa que está na mesma situação ou numa situaçãoparecida. A discriminação viola direitos de cidadania.Manifesta-se de diferentes formas e em diversos lugares.Exemplos:1- Mãe Oya de Nirê foi vítima de discriminação racial após ter efetuadoo pagamento de produtos adquiridos no Super Mercado Wal Mart. Osseguranças deste estabelecimento realizaram uma abordagem grosseiraacusando-a de ter roubado a mercadoria, expondo-a de maneiravexatória e desrespeitando sua condição de idosa. Acertadamente, MãeOya de Nirê dirigiu-se à Delegacia do bairro, onde sua fala parece nãoter sido considerada, pois a ocorrência foi registrada como cons-trangimento. Felizmente, este fato chegou ao conhecimento doadvogado do Instituto do Negro Padre Batista que não mediu esforçosem seus argumentos e a ação de denúncia foi devidamentecaracterizada. O Super Mercado Wal Mart foi condenado por racismotendo que pagar multa cabível ao crime.
  10. 10. 2- Um comerciante foi preso em flagrante sob acusação de racismo. Aprisão ocorreu após o comerciante xingar um garoto de 13 anos de "preto , safado, vagabundo". O menino jogava bola com outroadolescente no pátio da republica pertencente ao comerciante onde amãe alugava um quarto.Assim que a mãe, empregada doméstica ,chegou, encontrou o filho chorando num canto do quarto. Ao perguntaro que ocorreu , a mãe do adolescente ficou revoltada e denunciou para obatalhão de policia. ( Diário de Cuiabá , 15/07/07).Podemos ter 3 tipos de discriminação, segundo o professorHelio Santos:a) PadrãoÉ aquela discriminação do dia-dia, que a sociedade jáassimilou. São discriminações que passam desapercebidas.Exemplo: A falta ou o número reduzidos de atores negros(as) nos meios de comunicação, participando, sobretudo, detelenovelas como protagonistas;• Na discriminação padrão: Deve reagir imediatamente e deforma firme e discreta.
  11. 11. b) OstensivoÉ aquele que choca, fere as pessoas. Exemplo: O uso abusivode poder que muitos policiais utilizam quando abordamjovens negros.• Na discriminação ostensiva. Deve reagir imediatamente,de forma firme e indiscreta.c) SofisticadoEsse é o mais difícil de ser identificado, porque ele é sutil eaparece de diversas formas e em diversas circunstâncias.Exemplos:1- Muitas crianças negras são mantidas em abrigos, privadas doconvívio familiar, até completarem a maioridade, por não terem o perfilque os adotantes exigem.2- Em pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz, em parceriacom a Prefeitura do Rio de Janeiro, com 10 mil mulheres após o parto,2001,conclui-se que as mulheres negras sofreram discriminação: 11%delas não receberam anestésico e receberam menos informações duranteo pré natal que as mulheres brancas dentre outras questões.(FolhaOnline,26/05/2002).• Na discriminação sofisticada. Deve reagir imediatamente, firme,porém sem exceder.
  12. 12. "É o fracasso das instituições e organizações emprover um serviço profissional e adequado às pessoas porcausa de sua cor, cultura ou origem étnica". "O racismo institucional pode ser visto ou detectadoem processos, normas, atitudes ou comportamentos quedenotam discriminação adotados no cotidiano do trabalhoresultante de preconceito, ignorância, falta de atenção ou deestereótipos racistas que colocam grupos étnicosdiscriminados em situação de desvantagem no acesso abenefícios gerados pelo Estado e por demais instituições eorganizações".Exemplo : "caso do funcionário negro da USP , acusado e espancadopor seguranças do supermercado Carrefour e ainda por cimahumilhado por policiais militares": "Você tem cara de quem tempassagem (pela polícia). No mínimo, umas 3 passagens. Tua cara nãonega, negão", afirmou o funcionário da USP, reproduzindo o que teriadito um dos homens.
  13. 13. "O racismo institucional determina a inércia dasinstituições e organizações frente às evidências dasdesigualdades raciais". Ainda em relação à Discriminação Institucional, afala do professor Milton Santos é emblemática, "Costuma-se dizer que uma diferença entre os Estados Unidos e oBrasil é que lá existe uma linha de cor e aqui não. Em simesma essa distinção é pouco mais do que alegórica, poisnão podemos aqui inventar essa famosa linha de cor.Mas a verdade é que, no caso brasileiro, o corpo dapessoa também se impõe como uma marca visível e éfrequente privilegiar a aparência como condiçãoprimeira de objetivação e de julgamento, criando umalinha demarcatória, que identifica e separa". (Folha deSão Paulo, domingo, 7 de maio de 2000) A Discriminação Institucional, na maioria dasvezes, ocorre de forma sutil, disfarçada, ninguém fala, nãoestá escrito, mas acontece. É comum, nas relações de
  14. 14. trabalho, seja na contratação ou nas oportunidades depromoção, a valorização da aparência em detrimento dascapacidades e esta é uma prática que afeta e colocam emprejuízo aqueles que não apresentam a aparência impostacomo padrão, a tal da "boa aparência". Esse tipo de exclusão ganhou novos formatos àmedida que foram criados mecanismos legais visandoproibir a discriminação e à medida que pessoas e gruposintensificaram a lutam pela igualdade de direitos.- profissionais negros são discriminados por colegas de trabalho e porusuários de serviços;- profissionais e usuários negros são alvos de piadas e comentáriosracistas;- usuários recusam ser atendidos por profissionais negros ;- profissionais negros em cargos de chefias encontram resistência porparte da equipe como desrespeitos, boicotes...- autoritarismo exacerbado na relação com subordinados negros.- Durante " blitze" policiais , os cidadãos negros são abordados de formamais violenta e desrespeitosa do que cidadãos não negros.
  15. 15. É contra a lei os órgãos públicos discriminarem racialmente namaneira em que levam a cabo as suas funções. Exemplos de órgãos efunções que estão incluídas nisto são:• A Polícia (operações, de "detenção e revista");• Nas autoridades locais como exemplo, inspeções de saúde eambiental);• O serviço de prisões (disciplina nas prisões); e.• (Alfândega nas inspeções fiscais e buscas).Além disso, os órgãos públicos também têm o dever de, ao efetuar as suasfunções, considerar como podem:• Eliminar discriminação racial;• Promover a igualdade de oportunidades e boas relações raciais. Alguns órgãos públicos devem também ter uma Política deIgualdade Racial ou uma Comissão para a Igualdade Racial, como porexemplo, em instituições educacionais, de saúde, de trabalho e queestabeleça como as suas políticas correspondem a promover a igualdadede oportunidades.
  16. 16. É importante saber que ao reagir a qualquer formade ofensa racial duas coisas acontecem:• O discriminador se surpreenderá;• O discriminado ficará bem consigo mesmo e preservarásua auto – estima. A discriminação racial vai refletirdiretamente em três setores fundamentais na vida dapopulação negra;• Comunicação, que inviabiliza os negros em todos os meiosde comunicação. Fortalece à idéia de uma sociedadepuramente branca que ajuda a construir preconceitoscontra os negros e suas culturas;• Polícia, para quem todo negro é suspeito. Com base empesquisas, estudos e noticiários, a violência, na cidade de SãoPaulo, tem endereço, cor e idade. Muitos jovens negrosmoradores da periferia têm sua vida ceifada e seus fami-liares ainda sofrem com o descaso quando reivindicamjustiça;• Auto-estima, dos próprios negros, que pode assumir comose fosse verdade às idéias e os conceitos pregados pelo
  17. 17. racismo cordiais expressos na sociedade, consolidado pelosmeios de comunicação. Isso acontece principalmente com aqueles que nãodesenvolveram sua identidade étnico-racial. Ter auto -estima elevada é ter uma imagem positiva de si próprio, évalorizar-se, é se gostar, mas esta não é uma característicainata, ou seja, não nascemos com auto - estima elevada oucom baixo auto estima. A formação da auto - estima é umprocesso que se inicia na infância e vai sendo modelada deacordo com as referências e contatos que temos e fazemos,partindo, na maioria das vezes, da família e estendendo-se àescola, à comunidade, ao trabalho, entre outros espaços. De acordo com SANTOS, no Brasil, "Ser negrosignificou e ainda significa ser inferior aos demais membrosde nossa sociedade – ter menos escolaridade e emprego,menos acesso à cultura e ao status ".(SANTOS, 2002). Historicamente, o negro foi considerado como umser inferior, criou-se uma imagem negativa sobre este povo,
  18. 18. que foi brutalmente escravizado, impondo-se comoreferência o europeu, o homem branco, o proprietário esenhor dos escravos. Não foi fácil mudar a condição deescravos para homens livres e não é fácil desconstruir aimagem negativa dos negros que parece ter ficado comoherança. Este é um processo que, apesar de caminhar apassos lentos, é uma conquista diária, é uma recusa àherança que nos foi deixada.Segundo BENTO,"A ampliação da autoconsciência e também daconsciência sobre o racismo, por influência doMovimento Negro e da convivência com outros negros ebrancos anti-racistas, tem feito com que os negrostenham cada vez mais orgulho de sua raça". (BENTO,2006:46). Exemplo: Um nissei filho de pais japoneses tem uma identidade nipo-brasileira. O fato de ele se identificar enquanto nissei, não só o diferenciados demais, como lhe permite associar-se a um determinado grupo dereferência, a colônia nipônica.
  19. 19. Assim, brasileiros negros ou afros-descendentesmediante a sua auto -imagem, incluindo os aspectos daidentidade cultural reconhecem a si próprios como dacomunidade negra. Desenvolver esse componente de identidade étnico-racial será importante para a sua caminhada pela vida, ten-do auto-confiança, orgulho de si mesmo, segurançaenquanto a sua imagem, facilidade de expressão e sucessopessoal e sólido. A identidade étnico-racial segundo Santos ,"é achave que propicia não só o brio, mas também a auto -afirmação do indivíduo de ascendência negra". PREPARE SEU FILHO PARA DESENVOLVER A AUTO-ESTIMA EMRELAÇÃO A SUA IDENTIDADE ÉTNICO- RACIAL.
  20. 20. • Local de trabalho;• Ao comprar ou alugar uma casa ou apartamento;• Na escola ou colégio;• Compra ou uso de bens e serviços; e• Por parte das autoridades públicas por exemplo, a PolíciaProcure preservar todos os detalhes do caso, horários, data,nome da pessoa ,local, e situação. Anote o endereço e telefonedas pessoas que testemunharam o fato. Uma estratégia de prevenção deve ser voltada paradar visibilidade ao problema da discriminação, descons-truindo a ideia de que a discriminação racial é algo natural,reforçando a noção de que a discriminação é sócio-cultural epor isso pode ser eliminada da sociedade.Neste sentido a estratégia de prevenção deve envolver:
  21. 21. Sociedade• Atuar na mudança das crenças e tabus e valores culturaisenvolvendo a população negra;• Afirmar novas formas de concepções e modelos deigualdade de oportunidades;• Incentivar atitudes de respeito e justiça;• Incentivar o reconhecimento e a intolerância frente àsdiferenças.Instituições /Serviços / Comunidade• Promover modelos de não discriminação racial;• Buscar a adoção e respeito à legislação anti-racista;• Garantir a punição dos que promovem a discriminação e oracismo;• Promover o acesso aos serviços adequados e apoioinstitucional às vitimas do racismo e da discriminaçãoracial;• Promover Ações Afirmativas.
  22. 22. Indivíduo• Promover novas atitudes que favoreçam a quebra do ciclo dadiscriminação racial;• Promover a elevação da auto estima da população negra; e• Estimular atitudes de responsabilidade nas relações sociaisentre os diferentes grupos étnicos.Pense no que você pretende fazer ? Tente sempre resolver o assunto primeiro com a pessoa ou coma organização que o (a) discriminou (a). Se o problema foi com aorganização você deve fazer uma declaração por escrito ou usar oprocedimento de queixa da organização. Se o problema for com umprestador de serviços, você deve escrever-lhes com detalhes da queixa edo que quer que seja feito. Caso você não obtenha o que deseja, podelevar o caso a:• Delegacia de Crimes Raciais e registrar um boletim de ocorrência;• Centro de Referência de Direitos Humanos na Prevenção e Combateao Racismo;• SOS Racismo da sua cidade;• Outras organizações que tratem dessa questão como conselhos,coordenadorias, ONGs.
  23. 23. Racismo é uma "doença Social que atinge tanto quem sofrequanto quem pratica". Todos os afrodescendentes devem ficarsempre atentos aos seus direitos e não permitir que sejam violados. Não aceitar, em hipótese alguma, nenhum tratamentodiferenciado, que coloque em prejuízo o seu interesses e direitos, ouhumilhação, por ser negro, de quem quer que seja. Existem leis eficientes para impedir que isto aconteça. A Leide Direitos Humanos (Human Rights Act 1998), que só pode serusada contra autoridade pública por exemplo, em relação à polícia, aCâmara Municipal; não pode ser usada para empresas privadas.Essa lei protege as pessoas de uma grande variedade de discriminação,inclusive tipos de discriminação que não são abrangidos por outrasleis sobre discriminação. Na dúvida de estar sendo discriminado, reaja, pois a chancede um negro sentir no ar o preconceito e estar enganado em suaavaliação segundo professor Hélio Santos é," quase nula neste País".Como atenta a professora Flávia Piovesan,"combater adiscriminação é medida emergencial à implementação do direito aigualdade ." Para combater este mal, é imprescindível a criação demecanismos preventivos que promovam a discussão sobre estatemática, objetivando desconstruir idéias racistas que foram e sãodisseminadas e estão arraigadas no imaginário da sociedadeindistintamente.
  24. 24. BENTO, Maria Aparecida Silva. Cidadania em preto e branco, São Paulo, Ática, 2006.Departament for International Development –DFID, Identifição e abordagem do racismo institucional Ações Afirmativas e Combate ao Racismo nas Américas – SECAD. PIOVESAN Flávia. Direitos Humanos e o Direito Constitucional Internacional. PIOVESAN Flávia. Ordem Jurídica e Igualdade Étnico – Racial SANTOS Hélio. A busca de um caminho para o Brasil.SANTOS, Gislene Aparecida dos . A invenção do "ser negro": um percurso das idéias que naturalizaram a inferioridade dos negros, SP, Educ/Fapesp, RJ, Pallas, 2002. SANTOS Milton. Folha de São Paulo, domingo, 7 de maio de 2000
  25. 25. Prefeitura do Município de LemeSecretaria de Assistência e Desenvolvimento Social

×