A utilização da MTC nos Níveis de Atenção em Saúde

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Esta apresentação de slides foi desenvolvida para o curso introdutório em Medicina Tradicional Chinesa, na Comunidade de Práticas . Acesse: https://cursos.atencaobasica.org.br/courses/16683
Material produzido pelo Ministério da Saúde (Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares) e Instituto Communitas.

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A utilização da MTC nos Níveis de Atenção em Saúde

  1. 1.  A Utilização da MTC nos Níveis de Atenção em Saúde CURSO INTRODUTÓRIO EM MEDICINA TRADICIONAL CHINESA
  2. 2. ESTRUTURA DA APRESENTAÇÃO • Objetivo da Apresentação • Crise da Atenção à Saúde e MTC • MTC, integralidade e pluralidade terapêutica • MTC e os níveis de atenção • MTC na Atenção Básica • MTC na Média e Alta Complexidade • Aplicabilidade da MTC na Atenção Básica • Considerações Finais • Referências
  3. 3. OBJETIVO DA APRESENTAÇÃO Conhecer as possibilidades de uso da Medicina Tradicional Chinesa (MTC) nos níveis de Atenção à Saúde, com enfoque na Atenção Básica (AB)
  4. 4. CRISE DE ATENÇÃO À SAÚDE • Perda gradativa do papel milenar terapêutico da medicina como arte de curar → investigação cada vez mais sofisticada de patologias, sem igual consideração pelos sujeitos doentes e por sua cura. (LUZ, 2005) •Vivemos a “crise da medicina” → deteriorização da relação médico-paciente e mercantilização do cuidado (paciente = consumidor de bens médicos)
  5. 5. CRISE DE ATENÇÃO À SAÚDE •Enfoca-se na doença e não no doente •O indivíduo e suas aflições desaparecem •Ficam as normas e os procedimentos, a uniformização das condutas e o esclarecimento parcial de sua saúde (DUPAS, 2006).
  6. 6. CRISE DE ATENÇÃO À SAÚDE Porém... •A doença é um processo subjetivo construído em contextos socioculturais, experienciado pelo sujeito e não simplesmente um processo biológico envolvendo um conjunto de sintomas físicos (LANGDON,2003)
  7. 7. CRISE DE ATENÇÃO À SAÚDE •A doença é vivida por um sujeito com expressão, que sente, sonha e exprime uma “doença do doente”, distinguindo-se radicalmente da construção Biomédica da doença. Esta, por sua vez, tenta interromper os sintomas. Mas... Os sintomas existem para serem interrompidos ou entendidos e tratados em sua lógica e complexidade? (DUPAS, 2006)
  8. 8. CRISE DE ATENÇÃO À SAÚDE •Neste contexto de crise de atenção à saúde, as pessoas tendem a buscar práticas terapêuticas mais humanizadas, com uma compreensão mais holística de corpo e de doença •Favorecendo, assim, a busca (pelos pacientes e profissionais) por práticas integrativas e complementares (PICs) e, especialmente, pela Medicina Tradicional Chinesa (MTC) e suas infinitas possibilidades terapêuticas
  9. 9. MTC, INTEGRALIDADE E PLURALIDADE TERAPÊUTICA •A inserção da MTC na prática profissional tende a expandir o conhecimento do profissional, aumentando o leque de possibilidades diagnósticas e terapêuticas •MTC → há interação complexa de fatores físicos, sociais, mentais, emocionais e espirituais, concebendo um olhar amplo sobre o processo saúde-doença e desenvolvendo um “cuidado integrador”
  10. 10. MTC, INTEGRALIDADE E PLURALIDADE TERAPÊUTICA •A Biomedicina convive com outras medicinas, tal como MTC = PLURALIDADE TERAPÊUTICA (HELMAN, 2009) •Assim, torna-se um desafio à gestão pública em saúde o desenvolvimento de políticas que considerem esta característica cultural de múltiplas abordagens de cuidados à saúde
  11. 11. MTC, INTEGRALIDADE E PLURALIDADE TERAPÊUTICA •Sabe-se que a MTC é facilmente ofertada nos serviços privados de saúde, restringindo o acesso aos cidadãos de maior poder aquisitivo •Por isso reforça-se a necessidade de implantação no SUS para evitar o desenvolvimento de políticas públicas que, conforme Cunha (2005), permitam a pluralidade terapêutica para os “ricos” (fora do SUS), enquanto que aos pobres restará somente o rigor (e os limites) da ciência cartesiana
  12. 12. MTC E OS NÍVEIS DE ATENÇÃO Para a inserção da MTC nos níveis de atenção e nas Redes de Atenção a Saúde é necessário considerar o redirecionamento do modelo de atenção à saúde com ênfase na ATENÇÃO BÁSICA COMO COORDENADORA DO CUIDADO E ORDENADORA DA REDE
  13. 13. MTC E OS NÍVEIS DE ATENÇÃO NOVO MODELO DE ORGANIZAÇÃO EM REDE
  14. 14. MTC E OS NÍVEIS DE ATENÇÃO Consonante com a PNPIC: Estruturação e fortalecimento da atenção em MTC- Acupuntura no SUS, com incentivo à inserção em todos os níveis do sistema, com ênfase na Atenção Básica
  15. 15. MTC NA ATENÇÃO BÁSICA •A MTC na AB contribui para a ampliação da clínica ao utilizar técnicas que promovem o movimento de cura e a participação do próprio paciente neste processo •Na AB pode ser muito importante, porque um conjunto de sintomas “inexplicáveis” para a Biomedicina, que não se encaixa nas classificações diagnósticas e explicações fisiopatológicas, pode ter, para o modelo explicativo da MTC, por exemplo, um diagnóstico óbvio, possibilitando uma conduta eficaz (CUNHA, 2005)
  16. 16. MTC NA ATENÇÃO BÁSICA •A MTC pode ser utilizada como um recurso para o profissional generalista, que irá eleger o recurso terapêutico mais adequado, dependendo não somente da sua vontade, mas também da vontade e do momento do paciente, podendo associar terapêuticas •Na medida que o profissional mantém vínculo a uma população fixa, irá acumular as informações necessárias ao diagnóstico da MTC, podendo utilizar técnicas muitas vezes de efeito mais rápido e bem menos iatrogênicas1 do que a proposta similar da Biomedicina (CUNHA, 2005) 1.Segundo Illich (1981), iatrogenia é processo no qual a tecnologia médica causa dano à saúde humana
  17. 17. MTC NA ATENÇÃO BÁSICA •Estratégia de Saúde da Família (ESF): A MTC é útil para ampliação do arsenal terapêutico dos profissionais da ESF, que poderão adotar técnicas da MTC (acupuntura, auriculoterapia, automassagem, técnicas corporais, etc) conforme projeto terapêutico construído com/para o paciente •Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF): Os profissionais do NASF poderão apoiar suas equipes na educação permanente e matriciamento com técnicas de MTC
  18. 18. Conheça algumas experiências de inserção da MTC na Atenção Básica: Campinas - SP: https://saudeintegrativa.wordpress.com/ Florianópolis - SC: http://www.picfloripa.blogspot.com.br/ São Paulo - SP: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/saude/atencao_basica/medicinas_tradicionais/ MTC NA ATENÇÃO BÁSICA
  19. 19. MTC NA MEDIA E ALTA COMPLEXIDADE •CENTROS DE REFERÊNCIA E AMBULATÓRIOS ESPECIALIZADOS A MTC poderá estar concentrada em Centros de Referência e/ou Ambulatórios Especializados, juntamente com outras PICs, de forma integrada e referenciada à Atenção Básica, oferecendo: - Atendimento individual - Atendimento de Grupos - Educação popular sobre MTC - Educação permanente - Apoio Matricial
  20. 20. MTC NA MEDIA E ALTA COMPLEXIDADE Conheça algumas experiências de inserção da MTC em Centros de Referência e/ou Ambulatórios Especializados Recife: http://ucisguilhermeabath.blogspot.com.br/ João Pessoa: http://www.joaopessoa.pb.gov.br/centro-de-praticas-integrativas-comemora-dois-anos-de- atividades-com-programacao-especial/ Pindamonhangaba (SP): http://www.pindamonhangaba.sp.gov.br/saude/cpic.asp Macae (RJ): http://www.macae.rj.gov.br/noticias/leitura/noticia/nucleo-municipal-de-saude-integrativa- oferece-tratamentos-diferenciados
  21. 21. REDE HOSPITALAR A MTC poderá estar na Rede Hospitalar, favorecendo a recuperação de pacientes deste nível de atenção Serviços ambulatoriais e pronto-atendimentos podem se beneficiar com técnicas da MTC, especialmente acupuntura MTC NA MEDIA E ALTA COMPLEXIDADE
  22. 22. MTC NA MEDIA E ALTA COMPLEXIDADE Conheça algumas experiências de inserção da MTC na Rede Hospitalar Hospital São Paulo (HSP-HU/Unifesp): pronto-atendimento e ambulatório com acupuntura http://www.hospitalsaopaulo.org.br/noticias/item/170-hospital-sao-paulo-oferece-servico- inedito-em-pronto-atendimento-de-acupuntura
  23. 23. APLICABILIDADE DA MTC NA AB Experiências no SUS têm demonstrado algumas possibilidades de aplicabilidade da MTC na Atenção Básica, destacamos: - Acolhimento - Atendimentos individuais - Atendimentos em Grupos - Cuidado da Equipe
  24. 24. ACOLHIMENTO •Técnicas da MTC, tal como auriculoterapia, parecem úteis como uma primeira intervenção terapêutica já no acolhimento APLICABILIDADE DA MTC NA AB •As queixas principais do usuário já serão consideradas e tratadas, enquanto seguem os encaminhamentos demandados pelo acolhimento •Trata-se, neste caso, principalmente: sintomas ansiosos e dores em geral
  25. 25. ATENDIMENTO INDIVIDUAL •A MTC tem potencial em ampliar as ferramentas diagnósticas e terapêuticas dos profissionais, construindo o projeto terapêutico, com o próprio usuário e os demais profissionais, com possibilidades a ampliar a resolubilidade da Atenção Básica APLICABILIDADE DA MTC NA AB
  26. 26. ATENDIMENTO INDIVIDUAL •Queixas e sintomas comuns na AB podem facilmente serem tratados individualmente com acupuntura, auriculoterapia e/ou encaminhados para grupos de práticas corporais e automassagem •Os exemplos mais comuns de queixas tratadas em atendimento individual são dores agudas e crônicas, insônia, transtornos de ansiedade e outros transtornos emocionais APLICABILIDADE DA MTC NA AB
  27. 27. ATENDIMENTO EM GRUPOS Grupo de Tratamento do Fumante: Técnicas da MTC, como auriculoterapia e automassagem são úteis como terapia complementar, com resultados bastante positivos para controle da ansiedade e compulsão APLICABILIDADE DA MTC NA AB Veja o vídeo com esta experiência: https://www.youtube.com/watch?v=u0bkRIbn3EM
  28. 28. ATENDIMENTO EM GRUPOS Grupo de Gestantes •A auriculoterapia é útil para controlar sintomas comuns do período gestacional, como azia, náuseas, insônia e dores nas costas •As práticas corporais da MTC, como Qi Gong, Lian Gong ou Tai chi chuan auxiliam no equilíbrio físico-emocional da gestante, preparando-a para o parto e puerpério APLICABILIDADE DA MTC NA AB
  29. 29. ATENDIMENTO EM GRUPOS Grupo de Dor Crônica: •As práticas da MTC são muito úteis no tratamento do paciente com dor crônica APLICABILIDADE DA MTC NA AB •Em geral utiliza-se auriculoterapia e acupuntura em pontos específicos da dor referida, complementados com práticas corporais e orientação de automassagem
  30. 30. ATENDIMENTO EM GRUPOS Grupo de Alimentação Saudável - Tratamento da Obesidade: •As práticas da MTC são muito úteis como terapia complementar na redução do peso e na compulsão alimentar APLICABILIDADE DA MTC NA AB •A auriculoterapia pode ser utilizada no controle da ansiedade, aumento da saciedade e redução da fome em pacientes com indicação de perda de peso •Técnicas corporais da MTC podem auxiliar no equilíbrio psico-físico deste grupo
  31. 31. SAÚDE DO TRABALHADOR – CUIDANDO DA EQUIPE APLICABILIDADE DA MTC NA AB •As técnicas da MTC são benéficas para o equílibrio de cada membro da equipe e, quando aplicadas conjuntamente, antes do início do turno de trabalho (práticas corporais), tendem a facilitar a integração e harmonização da equipe, bem como fortalecer o equilíbrio individual •É comum que a sobrecarga de trabalho física e emocional de nossos trabalhadores promova seu adoecimento
  32. 32. CONSIDERAÇÕES FINAIS •A inserção da MTC nos níveis de atenção tende a ampliar a resolubilidade do SUS, fomentando a integralidade em saúde e fortalecendo a Atenção Básica como coordenadora do cuidado e ordenadora da Rede •A MTC na Atenção Básica amplia as possibilidades diagnósticas e terapêuticas dos profissionais, configurando uma ação de ampliação da clínica, do acesso e da qualificação dos serviços, na perspectiva da integralidade da atenção à saúde da população
  33. 33. REFERÊNCIAS Andrade JT, Da Costa LFA. Medicina complementar no SUS: práticas integrativas sob a luz da antropologia médica. Saude Soc 2010; 19(3):497-508. Barros NF. A construção da Medicina Integrativa: um desafio para o campo da saúde. São Paulo: Hucitec; 2008. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Portaria 971 – Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no Sistema Único de Saúde; Diário Oficial da União 2006; 03 mai. CUNHA, G. T. A construção da clínica ampliada na Atenção Básica. São Paulo: Hucitec; 2005. De Simoni CL, Benevides I, Barros NF. As práticas Integrativas e Complementares no SUS: realidade e desafios após dois anos de publicação da PNPIC. Rev Bras Saude Fam 2008; IX:72-6.
  34. 34. REFERÊNCIAS DUPAS, G. O mito do Progresso. São Paulo: UNESP, 2006. HELMAN, C. Cultura, saúde e doença. 5 ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 2009. LANGDON, E. J. Cultura e os Processos de Saúde e Doença. In: Annais do Seminário Cultura, Saúde e Doença( L. S. Jeolão e M. Oliveira, org.). Londrina, Ministério da Saúde; Universidade Estadual de Londrina e Secretaria Municipal de Ação Social/Prefeitura Municipal de Londrina. p.91-107, 2003 Levin JS, Jonas WB, organizadores. Tratado de medicina complementar e alternativa. São Paulo: Manole, 2001. Luz MT. Cultura contemporânea e medicinas alternativas: novos paradigmas em saúde no fim do século XX. Physis 2005; 15: 145-176. McWhinney IR. Manual de medicina de família e comunidade. 3ª.ed. Porto Alegre: Artmed; 2010.
  35. 35. REFERÊNCIAS SANTOS, M. C; TESSER, C. D. Um método para a implantação e promoção de acesso às Práticas Integrativas e Complementares na Atenção Primária à Saúde. Ciên. Saúde Coletiva, v.17, n.11, p.3011-3024, 2012 Sousa IMC, Vieira ALS. Serviços Públicos de saúde e medicina alternativa. Cien Saude Colet 2005; 10: 255-266. Tesser CD, Luz MT. Racionalidades Médicas e integralidade. Cien Saúde Colet 2008; 13 (1): 195-206. Tesser CD, Barros NF. Medicalização social e Medicina alternativa e complementar: pluralização terapêutica do sistema único de saúde. Ver Saúde Pública 2008; 42 (5): 914-920. Tesser CD. Práticas complementares, racionalidades médicas e promoção da saúde: contribuições poucos exploradas. Cad Saúde Pública 2009, 25(8):1732-1742.
  36. 36. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

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