VERDADE E INFÂNCIA ROUBADA
Crianças foram seqüestradas e escondidas nos centros clandestinos
da repressão, política. Foram arrancadas do convívio com...
Houve crianças que assistiram ao assassinato de seus pais, outras
não conheceram seus pais assassinados cujos corpos não f...
Crianças torturadas
Ao depor como testemunha na Justiça Militar do Ceará, a
camponesa Maria José de Souza Barros, de Jaqua...
Orandina Ghilardini (esposa de Luiz Ghilardini, assassinado em
5/01/1973) testemunhou, em depoimento ao GTNM/RJ, que em
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(...) nós fomos levados para uma prisão que não sei onde era,
só sei que ficava no subsolo. Chegando lá me tiraram de pert...
(...) nós fomos levados para uma prisão que não sei onde era,
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Verdade e Infância Roubada

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Comissão da Verdade do Estado de SP "Rubens Paiva"

Depoimentos de crianças presas e torturadas na ditadura militar

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Verdade e Infância Roubada

  1. 1. VERDADE E INFÂNCIA ROUBADA
  2. 2. Crianças foram seqüestradas e escondidas nos centros clandestinos da repressão, política. Foram arrancadas do convívio com seus pais e suas famílias, foram enquadradas como “elementos subversivos” pelos órgãos de repressão e banidas do país. Foram obrigadas a ficar em orfanatos, morar com parentes distantes, a viver com identidade falsa, na clandestinidade, impedidas de conviver, crescer e conhecer os nomes de seus pais. Levadas aos cárceres da ditadura militar foram confrontadas com seus pais nus, machucados, recém saídos do pau-de-arara ou da cadeira do dragão. Foram encapuzadas, intimidadas, torturadas. Algumas foram torturadas antes de nascer, nasceram nas prisões e cativeiros. Sofreram torturas físicas e psicológicas.
  3. 3. Houve crianças que assistiram ao assassinato de seus pais, outras não conheceram seus pais assassinados cujos corpos não foram entregues aos seus familiares para que fosse feito o sepultamento. Crianças que não tiveram o contato direto com os agentes da repressão, mas seus familiares foram atingidos, o que causou a elas sentimento de dor, de perda, de medo e humilhação. A ditadura não poupou as crianças, sacrificou-as como forma de ampliar e perpetuar os efeitos das torturas a elas próprias e a seus pais.
  4. 4. Crianças torturadas Ao depor como testemunha na Justiça Militar do Ceará, a camponesa Maria José de Souza Barros, de Jaquara, contou, em 1973: (...) e ainda levaram seu filho para o mato, judiaram com o mesmo, com a finalidade de dar conta de seu marido; que o menino se chama Francisco de Souza Barros e tem a idade de nove anos; que a polícia levou o menino às cinco horas da tarde e somente voltou com ele às duas da madrugada mais ou menos; (...) (Brasil Nunca Mais, página 43, 19ª. edição, Editora Vozes, 1985, Petrópolis/RJ)
  5. 5. Orandina Ghilardini (esposa de Luiz Ghilardini, assassinado em 5/01/1973) testemunhou, em depoimento ao GTNM/RJ, que em 4 de janeiro de 1973, sua casa na Rua Guararema, 62, no de Janeiro, foi invadida por 13 homens armados, que ali mesmo começaram as torturas. Ela, seu filho de 8 anos (Gino Ghilardini) e Luiz Ghilardini foram colocados em cômodos separados e espancados. Foram levados encapuzados, em viaturas diferentes, para um local que presume fosse o DOI-CODI/RJ. Gino Ghilardini confirmou o relato da mãe e acrescentou:
  6. 6. (...) nós fomos levados para uma prisão que não sei onde era, só sei que ficava no subsolo. Chegando lá me tiraram de perto de minha mãe e ainda encapuzado fui levado a uma sala, chegando lá, começaram a fazer perguntas. Perguntavam se o meu pai viajava e o que Le fazia e eu, muito assustado, nada respondia, mas eu ouvia meu pai ali perto gemendo, eu escutava, mas não podia fazer nada. Só sei que sentia muito medo. Gino foi transferido para o quartel onde ficou durante três dias e depois foi levado para o SAM (Serviço de Atendimento ao Menor) no bairro Quintino, no Rio de Janeiro. (Dados extraídos do Dossiê Ditadura : Mortos e Desaparecidos Políticos no Brasil – 1964-1985. IEVE – Instituto de Estudos Sobre A Violência do Estado / Imprensa Oficial – São Paulo/SP, 2009)
  7. 7. (...) nós fomos levados para uma prisão que não sei onde era, só sei que ficava no subsolo. Chegando lá me tiraram de perto de minha mãe e ainda encapuzado fui levado a uma sala, chegando lá, começaram a fazer perguntas. Perguntavam se o meu pai viajava e o que Le fazia e eu, muito assustado, nada respondia, mas eu ouvia meu pai ali perto gemendo, eu escutava, mas não podia fazer nada. Só sei que sentia muito medo. Gino foi transferido para o quartel onde ficou durante três dias e depois foi levado para o SAM (Serviço de Atendimento ao Menor) no bairro Quintino, no Rio de Janeiro. (Dados extraídos do Dossiê Ditadura : Mortos e Desaparecidos Políticos no Brasil – 1964-1985. IEVE – Instituto de Estudos Sobre A Violência do Estado / Imprensa Oficial – São Paulo/SP, 2009)

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