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1
• Realismo
• Naturalismo
• Parnasianismo
2
Prosa
Poesia
3
 O Realismo é um movimento literário que
surgiu na Europa, na segunda metade do
século XIX, influenciado pelas
transformações que ali se operavam no
âmbito econômico, político, social e
científico.
 segunda fase da Revolução Industrial
 Apesar dos benefícios trazidos à
burguesia, a condição social do
proletariado era cada vez pior.
A Revolução Industrial muda a
face da Europa
4
Do mesmo modo que a Revolução Francesa
influenciou o surgimento da mentalidade
romântica, a Revolução Industrial está
diretamente associada ao nascimento da
estética realista.
Naturalismo
Realismo
5
Paradoxo capitalista: Desenvolvimento e miséria
Novos pensadores - Realismo
6
Malthus Adam Smith Marx
REALISMO
Novos pensadores - Naturalismo
7
Augusto
Comte
Darwin
Naturalismo
Hypolyte Taine
8
 Motivados pelas ideias do socialismo
científico, defendidas por Karl Marx e
Friedrich Engels, os operários procuram
organizar-se politicamente. Fundam então
associações trabalhistas e passam a agir
melhores condições de trabalho e de vida.
Positivismo, de Augusto Comte para o qual
o único conhecimento válido é o
conhecimento positivo, ou seja, provindo
das ciências;
9
 Determinismo, de Hippolyte Taine, que
defende que o comportamento humano é
determinado por três fatores: o meio, a raça e
o momento histórico;
Todo acontecimento é
uma consequência
necessária de um
acontecimento ou de
uma série de
acontecimentos
anteriores.
10
 Darwinismo: evolucionismo;
o comportamento humano é
regido pelas normas que
regem os animais.
Zoomorfismo: ser humano =
animal A lei da seleção
natural, de Charles Darwin,
segundo a qual a natureza ou
o meio selecionam entre os
seres vivos as variações que
estão destinadas a
sobreviver e a perpetuar-se,
sendo eliminados os mais
fracos.
11
O EVOLUCIONISMO DE DARWIN
12
O EVOLUCIONISMO DE DARWIN
Ora, enquanto o nosso planeta,
obedecendo à lei fixa da
gravitação, continua a girar na
sua órbita, uma quantidade
infinita de belas e admiráveis
formas, originadas de um
começo tão simples, não cessou
de se desenvolver e desenvolve-
se ainda!
Origem das Espécies
A viagem de Darwin a bordo do Beagle
13
14
O EVOLUCIONISMO DE DARWIN
Darwin elaborou a teoria da
seleção natural, defendendo
que a concorrência entre as
espécies eliminaria os
organismos mais fracos,
permitindo à espécie evoluir,
graças às heranças genéticas
favoráveis dos indivíduos
mais fortes e mais aptos
15
O EVOLUCIONISMO DE DARWIN
A teoria da evolução abrange
também a espécie humana e é
apoiada pela Paleontologia,
ciência que estuda os fósseis, e
que demonstra existirem
espécies intermediárias entre
as fósseis e as vivas.
16
O EVOLUCIONISMO DE DARWIN
Darwin demonstrou cientificamente
que os seres humanos e os macacos
têm um antepassado em comum –
questionando assim a criação do
mundo baseada no Gênesis bíblico, e
colocando em discussão a existência
de Deus, o que criou um escândalo na
sociedade da época.
17
“Desta forma, voltando a
olhar para o trabalho de
minha vida, posso dizer que
iniciei muitas coisas e sugeri
outras, das quais disporá o
futuro. Não posso, porém,
predizer o que chegarão a
fazer”.
18
A PSICANÁLISE DE FREUD
Sigmund Freud (1856-
1939), médico
neurologista, lançou-se
no caminho para a
fundação da Psicanálise
estudando os efeitos da
cocaína com o psiquiatra
Meynert, em 1883.
19
Aos poucos, elaborou sua teoria do inconsciente,
que tem como principais noções:
A PSICANÁLISE DE FREUD
1 – Inconsciente; 5 - Sonho
2 – Censura; 5.1 – Id;
3 – Recalcamento; 5.2 – Ego;
4 – Libido; 5.3 – Superego.
20
21
22
A PSICANÁLISE DE FREUD
Energia que move os
instintos da vida,
determinando as funções
criadoras e ativas do
individuo,
particularmente do
impulso sexual.
23
A PSICANÁLISE DE FREUD
Freud escandalizou o
mundo afirmando
que a libido é inata e
que, portanto, as
crianças também a
apresentam.
24
A PSICANÁLISE DE FREUD
Para ele, o impulso
sexual é o centro das
tendências afetivas.
25
A PSICANÁLISE DE FREUD
Os sonhos veem disfarçados
para atravessarem a
censura e serem aceitos pela
consciência.
26
A PSICANÁLISE DE FREUD
Freud também definiu os
sonhos como os guardiões
do sono, porque a
liberação do inconsciente
quando dormimos é de
tal forma intensa que
não a suportaríamos,
sendo necessário o sonho
para que não acordemos.
27
A PSICANÁLISE DE FREUD
Em sua segunda teoria do aparelho psíquico, Freud
dividiu o psiquismo humano em três partes:
28
• Enquanto no domínio da Física, da Química, da
Biologia e da Medicina ocorrem avanços
significativos, são lançados os fundamentos de
três novas disciplinas: a Sociologia, a
Antropologia, a Psicologia.
 Os escritores, diante desse quadro de
mudança de ideias e da sociedade, sentem a
necessidade de criar uma literatura sintonizada
com a nova realidade, capaz de abordá-la de
modo mais objetivo e realista.
29
 As descobertas científicas, as ideias de
reformas políticas e de revolução social
exigiam dos escritores, uma literatura de
ação, comprometida com a crítica e a
reforma da sociedade / uma abordagem
mais profunda do ser humano, visto agora à
luz dos conhecimentos das correntes
científico-filosóficas da época.
30
O Realismo procura, na literatura, atender às
necessidades impostas pelo novo contexto
histórico-cultural. Suas atitudes mais
frequentes são o combate a toda forma
romântica e idealizada de ver a realidade; a
crítica à sociedade burguesa e à falsidade de
seus valores e instituições (Estado, Igreja,
casamento, família); o embasamento no
materialismo, o emprego de ideias científicas;
a introspecção psicológica das personagens; as
descrições objetivas e minuciosas; a lentidão
na narrativa; a universalização de conceitos.
31
 Os três movimentos tiveram ciclo na
França, com a publicação do romance
realista Madame Bovary (l857), de Gustave
Flaubert; do romance naturalista Thérèse
Raquin, de Émile Zola (l867), e das
antologias parnasianas Parnasse
contemporain (a partir de 1866).
32
 Introspecção Psicológica: vê o ser humano
"por dentro"
 Universalização: temas universais
 Objetivismo: vê o mundo como ele é.
 Observação e análise: fatos presentes
 Descritivismo: confere veracidade à obra.
 Reformismo Crítico: criticar para reformar;
mostra as realidades.
Características Gerais
Realismo /Naturalismo:
33
 Ironia: em relação ao comportamento
humano.
 Realismo - criado para combater o
Romantismo - disseca a sociedade (mostra
problemas em todas as classes);
 Observação e análise psicológica:
 Personagens esféricas
 Descrições psicológicas
 Pessimismo psicológico
 Pessimismo filosófico
 Sutileza
   Continua....
34
 Romance de revolução
 Análise psicológica
 Preocupação moral
 Pequeno número de personagens
Características Realismo
35
 Todo naturalista é realista, mas nem todo
realista é naturalista.
 Podemos falar de Naturalismo como uma
tendência dentro do Realismo, tendência que
se baseia numa concepção
predominantemente materialista do homem e
da sociedade.
Diferenças entre Realismo e Naturalismo
36
 A distinção entre Realismo e Naturalismo
nem sempre é muito nítida, exceto nos textos
em que se exagera a segunda tendência.
Pode-se identificar como particularidades do
estilo naturalista:
 O romance experimental substitui o estudo
do homem abstrato e metafísico pelo homem
natural, sujeito a leis físico-químicas e
determinado pela influencia do meio.
37
Início marcado com a Questão
Coimbrã (1865), liderada por
Antero de Quental, e estende-se
até 1890, quando Eugênio de
Castro publica a obra "Oaristos",
dando início ao Simbolismo.
Durante 25 anos de predomínio
da estética Realista, Portugal
foi governado por D. Luís I
e, em seguida por D. Carlos I.
Realismo em Portugal
38
Antônio Feliciano de Castilho Antero de Quental
Questão Coimbrã
39
 Conferências do Cassino Lisbonense
 D. Luís chamou os progressistas para formarem governo.
Em 1889, com a morte de D. Luís, tem inicio o governo de
D. Carlos. Nesse período país atravessava uma grave crise
econômica. Os bancos e as empresas estavam falidos, o
desemprego aumentava em grande escala e, por isso, as
classes trabalhadoras eram submetidas a duríssimas
condições de trabalho em troca de salários miseráveis.
A carruagem de terceira
classe(1863-65)
Daumier, Honoré (1808-1879)
40
 A poesia desse período é dividida, pela
maioria dos críticos literários em três grupos:
 poesia revolucionária ou "Realista"- reflete os
ideais revolucionários da geração de 70 (ver
Questão Coimbrã) e é comprometida com uma
causa social. Os principais representantes
foram: Guerra Junqueiro, Teófilo Braga e
Antero de Quental.
 poesia do cotidiano - tratava de temas
simples do dia-a-dia. Até então esses temas
eram vistos com não poéticos. O principal
representante foi Cesário Verde·
41
 poesia metafísica ou filosófica -
Representada por Antero de Quental.
 "a poesia de veleidades parnasianas" - que,
segundo ele "sem constituir tendência filiada
ao Parnasianismo francês, realizava uma
poesia entre formalista e lírica ou satírica".
Os principais representantes são: João Penha,
Antônio Feijó, Guilherme Azevedo etc.
 Já o romance e o conto foram, como a poesia,
uma espécie de arma de denúncia social e
ataque à burguesia, ao clero e à monarquia.
Prof. Claudia
Ribeiro
42
ANTERO DE QUENTAL
Nasceu na ilha de S. Miguel, Açores e desde de
jovem destacou-se pelas suas opiniões
revolucionárias e pela forma de estar na vida.
Lutador e muito congruente com os seus ideais
socialistas.
Antero espalhou saber pela poesia, filosofia e
política.
Estudou direito em Coimbra, onde brilhou como
líder estudantil.
Foi o guia espiritual da geração de 70, um
agitador político a “full-time”, que se afirmou
pelo desejo de intervenção e renovação da vida
política e cultural portuguesa. 43
• Tinha uma personalidade complexa, que
oscilava entre a euforia e a mais profunda
depressão, acabando em suicídio.
44
Análise da obra
A poesia de Antero de Quental apresenta três faces
distintas:
• A das experiências juvenis, em que coexistem
diversas tendências
• A da poesia militante, empenhada em agir
como “voz da revolução”
• E a da poesia de tom metafísico, voltada para
a expressão da angustia de quem busca um
sentido para a existência.
45
 A oscilação entre uma poesia de combate,
dedicada ao elogio da ação e da capacidade
humana, e uma poesia intimista, direcionada
para a análise de uma individualidade
angustiada, parece ter sido constante na
obra madura de Antero, abandonando a
posição que costumava enxergar uma
sequência cronológica de três fases.
 Antero atinge um maior grau de elaboração
em seus sonetos, considerados dos melhores
da língua e comparados aos de Camões e
aos de Bocage.
Obras
46
• Sonetos de Antero, 1861,
• Raios de extinta luz 1892
• Primaveras românticas, 1872
• Odes modernas, 1865 (na origem
da polêmica Questão Coimbrã)
• Sonetos, 1886.
• Prosas
47
48
O Brasil, durante o período de passagem do
Romantismo para o Realismo, sofreu
inúmeras mudanças na história econômica,
política e social. O Realismo encontrou no
Brasil uma realidade propícia para a
ascensão da literatura, já que escritores
como Castro Alves e José de Alencar
haviam “preparado o terreno”.
49
O ano de 1881 é o marco inicial do
Naturalismo no Brasil, com a
publicação do romance O Mulato, de
Aluísio Azevedo, e do Realismo, no
mesmo ano, com a publicação de
Memórias Póstumas de Brás Cubas,
de Machado de Assis.
50
AUTORESDO REALISMO/NATURALISMOBRASILEIRO
Romance realista
• Machado de Assis
• Raul Pompéia (com
características tanto do
Realismo quanto do
Naturalismo)
Romance naturalista
• Social
• Aluísio de Azevedo
Urbano
Júlio Ribeiro
Obras:
* Padre Belchior de Pontes
* A Carne
Adolfo Caminha
* O Bom Crioulo
51
MACHADO DE ASSIS
52
Não se pode enquadrar Machado de Assis nos estreitos limites da
prosa realista e naturalista de seu tempo. Há na sua obra:
Elementos clássicos: equilíbrio, concisão, contenção lírica e
expressional;
Resíduos românticos: algumas narrativas convencionais quanto
ao enredo;
Aproximações realistas: atitude crítica, objetividade, temas
contemporâneos; Procedimentos impressionistas: a técnica
impressionista, a recriação do passado através da memória, das
"manchas" de recordação, e
Características centrais da ficção machadiana
A despreocupação com as modas dominantes
53
• Antecipações modernas: a estrutura
fragmentária não-linear, o gosto pelo elíptico
e
alusivo, a postura metalinguística de quem
escreve e se vê escrevendo, as "obras
abertas", sem conclusão necessária,
permitindo várias leituras ou interpretações.
• Isso para ficarmos apenas num inventário
superficial de algumas constantes da prosa.
Há também o formalismo parnasiano na
poesia madura, o teatro, as crônicas na
54
O Polígrafo
• Machado de Assis incursionou por quase
todos os gêneros literários praticados no seu
tempo. Se não logrou toda a excelência que
atingiu nos contos e nos romances, jamais
decaiu para níveis da subliteratura e mesmo
o teatro, tido como a produção "menor"de
Machado, tem momentos bem realizados.
• *Polígrafo: aquele que escreve sobre vários assuntos.
55
Na fase realista, Machado põe de lado a
ingenuidade romântica descobrindo no ser
humano civilizado o egoísmo, a luxúria e a
vaidade.
O humor machadiano é irônico, amargo, até
cruel, marcado pelo extremo pessimismo
frente às atitudes do homem do século XX.
Na luta pelo poder, as personagens de
Machado de Assis se perdem entre as falsas
convenções e a moral duvidosa.
MACHADO DE ASSIS – Características das obras
56
O enredo, a ação e o tempo da narrativa
não deixam de ser lineares na narrativa
machadiana. Subordinados ao interesses
da análise, os fatos só têm sentido em
função do exame de consciência humana.
O narrador é um ser de forte personalidade
que opina e até ironiza as atitudes das
personagens .
MACHADO DE ASSIS – Características das obras
57
• Os fatos e as ações não seguem um fio lógico ou
cronológico; obedecem a um ordenamento interior,
são relatados à medida que afloram à consciência ou à
memória do narrador, num processo que se aproxima
do impressionismo associativo.
Ruptura com a
narrativa linear
58
É comum, na ficção machadiana, que o
narrador interrompa a narrativa para, com
saborosa e bem-humorada bisbilhotice,
comentar com o leitor a própria escritura do
romance, fazendo-o participar de sua
construção, ou ainda para dialogar sobre
uma personagem, refletir sobre um episódio
do enredo ou tecer suas digressões sobre os
mais variados assuntos.
Org. metalingUística do disc. narrativo
59
Universalismo
Machado captou na sociedade carioca do século XIX
os grandes temas de sua obra. O seu interesse jamais
recaiu sobre o típico, o pitoresco, a cor local, o
exótico, tão ao gosto dos românticos. Buscou, na
sociedade do seu tempo, o universal, a essência
humana, os grandes temas filosóficos: a essência e a
aparência, o caráter relativo da moral humana, as
convenções sociais e os impulsos interiores, a
normalidade e a loucura, o acaso, o ciúme, a
irracionalidade, a usura, a crueldade.
60
• A forma de revolta de Machado era o rir, quase sempre um
riso amargo que exteriorizava o desencanto e o desalento
ante a miséria física e moral de suas personagens:
• Tu, minha Eugenia, é que não as descalçaste nunca; foi aí pela
estrada da vida, manquejando da perna e do amor, triste como
os enterros pobres, solitária, calada, laboriosa, até que vieste
também para esta outra margem... O que eu não sei é se a tua
existência era muito necessária ao século. Quem sabe? Talvez
um comparsa de menos fizesse patear a tragédia humana."
A ironia, o humor negro
61
Psicologismo
A ação e o enredo perdem a
importância para a
caracterização das personagens.
Os acontecimentos exteriores são considerados
somente à medida que revelam o interior, os
motivos profundos da ação, que Machado
devassa e apresenta detalhadamente.
62
Pessimismo
• O pessimismo de Machado foi a decorrência lógica de
sua lucidez. Depois de constatar as várias perversões da
natureza humana e a degradação dos valores das elites
brasileiras, sem que, em troca, vislumbrasse qualquer
alternativa em outro grupo social, em outro sistema
político, sem consolo religioso ou ideológico, restou-lhe
somente a visão desencantada. O final de Memórias
póstumas é o mais conhecido epílogo de um romance
em toda a nossa história literária.
63
“MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS”
• Publicado em 1881,
Memórias Póstumas de Brás
Cubas, além de inaugurar o
Realismo brasileiro,
apresenta as mais radicais
experimentações na prosa
do país até então. Narrado
por um defunto e utilizando
recursos narrativos e
gráficos inusitados, Machado
surpreende a cada página
com sua ironia cortante.
64
• Enredo:
Na abertura do livro, uma dedicatória escrita
sob a forma de um epitáfio anuncia o
narrador desse romance inusitado: Brás
Cubas, um defunto-autor que começa
contando detalhes do seu funeral. Depois de
algumas digressões, ele retoma a ordem
cronológica dos acontecimentos, relatando a
infância e a primeira paixão da adolescência,
aos 17 anos, pela cortesã Marcela. Presenteia
tanto a amada que o pai, irritado com o gasto
excessivo, manda-o estudar Direito em
Coimbra, Portugal.
A OBRA DE MACHADO DE ASSIS
“MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS”
65
• A infância de Brás Cubas, como a de todo membro
da sociedade patriarcal brasileira da época, é
marcada por privilégios e caprichos patrocinados
pelos pais. O garoto tinha como “brinquedo” de
estimação o negrinho Prudêncio, que lhe servia de
montaria e para maus-tratos em geral. Na escola,
Brás era amigo de traquinagem de Quincas Borbas,
que aparecerá no futuro defendendo o humanitismo,
misto da teoria darwinista com o borbismo: “Aos
vencedores, as batatas”, ou seja: só os mais fortes e
aptos devem sobreviver.
A OBRA DE MACHADO DE ASSIS
“MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS”
66
• Na juventude do protagonista, as benesses ficam por
conta dos gastos com uma cortesã, ou prostituta de
luxo, chamada Marcela, a quem Brás dedica a célebre
frase: “Marcela amou-me durante quinze meses e
onze contos de réis”. Essa é uma das marcas do
estilo machadiano, a maneira como o autor trabalha
as figuras de linguagem. Marcela é prostituta de luxo,
mas na obra não há, em nenhum momento, a
caracterização nesses termos. Machado utiliza a
ironia e o eufemismo para que o leitor capte o
significado. Brás Cubas não diz, por exemplo, que
Marcela só estava interessada nos caros presentes
que ele lhe dava. Ao contrário, afirma
categoricamente que ela o amou, mas fica claro que,
naquela relação, amor e interesse financeiro estão
intimamente ligados.
67
• Apaixonado por Marcela, Brás Cubas gasta enormes
recursos da família com festas, presentes e toda sorte
de frivolidades. Seu pai, para dar um basta à situação,
toma a resolução mais comum para as classes ricas
da época: manda o filho para a Europa estudar leis e
garantir o título de bacharel em Coimbra.
• Brás Cubas, no entanto, segue contrariado para a
universidade. Marcela não vai, como combinara,
despedir-se dele, e a viagem começa triste e lúgubre.
• Em Coimbra, a vida não se altera muito. Com o
diploma nas mãos e total inaptidão para o trabalho,
Brás Cubas retorna ao Brasil e segue sua existência
parasitária, gozando dos privilégios dos bem-nascidos
do país.
68
• Em certo momento da narrativa, Brás Cubas tem seu
segundo e mais duradouro amor. Enamora-se de
Virgília, parente de um ministro da corte, aconselhado
pelo pai, que via no casamento com ela um futuro
político. No entanto, ela acaba se casando com Lobo
Neves, que arrebata do protagonista não apenas a
noiva como também a candidatura a deputado que o
pai preparava.
• A família dos Cubas, apesar de rica, não tinha
tradição, pois construíra a fortuna com a fabricação de
cubas, tachos, à maneira burguesa. Isso não era
louvável no mundo das aparências sociais. Assim, a
entrada na política era vista como maneira de
ascensão social, uma espécie de título de nobreza
que ainda faltava a eles.
69
• Marcela: amor da adolescência de Brás.
• Eugênia: a “flor da moita”, nas palavras de Brás, já
que era filha de um casal que ele havia flagrado,
quando criança, namorando atrás de uma moita; o
protagonista se interessa por ela, mas não se dispõe
a levar adiante um romance, porque a garota era
coxa.
• Virgília: grande amor de Brás Cubas, sobrinha de
ministro, e a quem o pai do protagonista via como
grande possibilidade de acesso, para o filho, ao
mundo da política nacional.
A OBRA DE MACHADO DE ASSIS
“Personagens”
70
• Lobo Neves: casa-se com Virgília e tem carreira
política sólida, mas sofre o adultério da esposa com
o protagonista.
• Quincas Borba: teórico do humanitismo, doutrina à
qual Brás Cubas adere, morre demente.
• Dona Plácida: representante da classe média, tem
uma vida de muito trabalho e sofrimento.
• Prudêncio: escravo da infância de Brás Cubas,
ganha depois sua alforria.
71
• Lobo Neves: casa-se com Virgília e tem carreira
política sólida, mas sofre o adultério da esposa com
o protagonista.
• Quincas Borba: teórico do humanitismo, doutrina à
qual Brás Cubas adere, morre demente.
• Dona Plácida: representante da classe média, tem
uma vida de muito trabalho e sofrimento.
• Prudêncio: escravo da infância de Brás Cubas,
ganha depois sua alforria.
72
A OBRA DE MACHADO DE ASSIS
“DOM CASMURRO”
Em Dom Casmurro, Machado
de Assis explora temas polêmicos –
adultério, suicídio e religião –
apresentados por um observador
arguto, o qual procura escancarar e
interpretar o mundo que o cerca. O
romance é publicado em 1899 e é
composto por 148 capítulos curtos.
Neste livro, Machado de Assis sonda
e analisa a sociedade do Rio de
Janeiro do século XIX.
73
A narração é feita em primeira pessoa – em
que a personagem é o próprio narrador- e o
leitor é convidado a vasculhar a mente
intrincada desse protagonista que, aos
poucos, vai revelando seu interior.
74
Em Dom Casmurro, o amor, o ciúme e o
caos psicológico são revelados apenas
parcialmente ao leitor. A mente deste
personagem, corroída pelo ciúme, provoca
sequelas que recheiam a narrativa de
ambiguidades , parcialidade e unilateralidade.
Assim, Bentinho – que está a procura do tempo
perdido – quer atar as duas pontas da vida,
revivendo no presente o que já faz parte do
passado. Como um “Otelo” à brasileira, Bentinho
transfere para o leitor o encargo de decidir se
Capitu é inocente ou culpada.
A OBRA DE MACHADO DE ASSIS
“DOM CASMURRO”
75
“DOM CASMURRO”
PERSONAGENS PRINCIPAIS
DOM CASMURRO – o Bentinho, tímido e
ingênuo que se espantava com as atitudes de
Capitu, torna-se um homem amargo, descrente
e ensimesmado. Torna-se um casmurro. Agora,
velho, mora no Engenho Novo, numa casa que
mandou construir idêntica à da sua Mata-
cavalos, onde passara a infância.
76
CAPITU – amiga e vizinha de Bento desde
pequena, tem personalidade forte e a
capacidade de sair–se bem em qualquer
circunstância. Ajuda Bentinho a se livrar do
seminário, casa-se com ele e se torna a
personagem central da narrativa. Morena,
longos cabelos, olhos perturbadores, “ de
ressaca” , que , na opinião de Bentinho,
arrastam e destroem . Nunca admitiu a culpa a
ela imputada pelo marido, mas também nunca
fez grande esforço para desmenti-lo.
“DOM CASMURRO”
PERSONAGENS PRINCIPAIS
77
ESCOBAR- amigo que Bentinho conheceu no
seminário. Alegre, despachado, conversador,
consentiu sair do seminário com Bentinho, propondo
que D. Glória, para não quebrar a promessa,
colocasse lá um substituto . Casou-se com Sancha,
amiga de Capitu. Frequentava constantemente a casa
dos amigos e deu à filha o nome de Capitu, em
homenagem à amiga. Bentinho estranhava algumas
de suas visitas inesperadas a Capitu, justo quando
ele, Bentinho estava fora.
Escobar morreu afogado e o olhar que Capitu
lançou ao seu cadáver, na saída do enterro, deu a
Bentinho a certeza do adultério de Capitu.
“DOM CASMURRO”
PERSONAGENS PRINCIPAIS
78
“DOM CASMURRO”
PERSONAGENS PRINCIPAIS
EZEQUIEL – filho de Capitu e Bentinho, recebeu o nome de
Escobar – que também era Ezequiel . A gravidez de Capitu
demorou muito a acontecer, causando até certos embaraços
e constrangimentos ao casal quando diante de Sancha e
Escobar. Logo Bentinho começou a notar que o menino
tinha trejeitos muito semelhantes aos de Escobar. Isto e
mais a semelhança física que Bentinho foi percebendo com
o correr dos anos vão confirmando as suspeitas do “pai”.
Bentinho, no auge da crise, pensa em envenenar Ezequiel e
a si mesmo, mas resolve apenas mandar Capitu e o filho
para a Suíça, onde ela morre. No último encontro com
Ezequiel – já adulto – Bentinho confirma as semelhanças e
a certeza do adultério. Ezequiel acaba morrendo no Oriente
Médio, durante uma excursão .
79
“Quincas Borba”
• Enredo: O romance conta a vida de
Rubião, um pacato professor que se
torna rico da noite para o dia ao
receber uma herança deixada pelo
filósofo Quincas Borba.
Rubião passa a viver na Corte do
Rio de Janeiro, num ambiente a que
não estava acostumado e que muito
o deslumbra. Torna-se amigo de um
casal, Cristiano Palha e Sofia.
Rubião acaba sendo traído pelo
casal Palha e Sofia, pois estes
estorquem seu dinheiro.
Rubião morre pobre e solene.
80
“Quincas Borba”
• “Quincas Borba” é um romance
de Machado de Assis que narra a
história de Rubião, um professor
que se torna enfermeiro de um
velho rico e herda toda sua
herança. Ingênuo, o mineiro é
enganado por um casal carioca,
chegando ao fim da história
louco e pobre.
81
A OBRA DE MACHADO DE ASSIS
“Memorial de Aires”
É o último romance escrito por
Machado de Assis, publicado no
mesmo ano de sua morte,1908.
Está organizado como uma
série de entradas em um diário
e, como Memórias Póstumas de
Brás Cubas, não tem um
enredo único, mas se compõe
de vários episódios e anedotas
que se interpermeiam.
Prof. Claudia
Ribeiro

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Realismo e naturalismo brasil e portugal [salvo automaticamente]

  • 1. 1
  • 2. • Realismo • Naturalismo • Parnasianismo 2 Prosa Poesia
  • 3. 3  O Realismo é um movimento literário que surgiu na Europa, na segunda metade do século XIX, influenciado pelas transformações que ali se operavam no âmbito econômico, político, social e científico.  segunda fase da Revolução Industrial  Apesar dos benefícios trazidos à burguesia, a condição social do proletariado era cada vez pior.
  • 4. A Revolução Industrial muda a face da Europa 4 Do mesmo modo que a Revolução Francesa influenciou o surgimento da mentalidade romântica, a Revolução Industrial está diretamente associada ao nascimento da estética realista. Naturalismo Realismo
  • 6. Novos pensadores - Realismo 6 Malthus Adam Smith Marx REALISMO
  • 7. Novos pensadores - Naturalismo 7 Augusto Comte Darwin Naturalismo Hypolyte Taine
  • 8. 8  Motivados pelas ideias do socialismo científico, defendidas por Karl Marx e Friedrich Engels, os operários procuram organizar-se politicamente. Fundam então associações trabalhistas e passam a agir melhores condições de trabalho e de vida. Positivismo, de Augusto Comte para o qual o único conhecimento válido é o conhecimento positivo, ou seja, provindo das ciências;
  • 9. 9  Determinismo, de Hippolyte Taine, que defende que o comportamento humano é determinado por três fatores: o meio, a raça e o momento histórico; Todo acontecimento é uma consequência necessária de um acontecimento ou de uma série de acontecimentos anteriores.
  • 10. 10  Darwinismo: evolucionismo; o comportamento humano é regido pelas normas que regem os animais. Zoomorfismo: ser humano = animal A lei da seleção natural, de Charles Darwin, segundo a qual a natureza ou o meio selecionam entre os seres vivos as variações que estão destinadas a sobreviver e a perpetuar-se, sendo eliminados os mais fracos.
  • 12. 12 O EVOLUCIONISMO DE DARWIN Ora, enquanto o nosso planeta, obedecendo à lei fixa da gravitação, continua a girar na sua órbita, uma quantidade infinita de belas e admiráveis formas, originadas de um começo tão simples, não cessou de se desenvolver e desenvolve- se ainda! Origem das Espécies A viagem de Darwin a bordo do Beagle
  • 13. 13
  • 14. 14 O EVOLUCIONISMO DE DARWIN Darwin elaborou a teoria da seleção natural, defendendo que a concorrência entre as espécies eliminaria os organismos mais fracos, permitindo à espécie evoluir, graças às heranças genéticas favoráveis dos indivíduos mais fortes e mais aptos
  • 15. 15 O EVOLUCIONISMO DE DARWIN A teoria da evolução abrange também a espécie humana e é apoiada pela Paleontologia, ciência que estuda os fósseis, e que demonstra existirem espécies intermediárias entre as fósseis e as vivas.
  • 16. 16 O EVOLUCIONISMO DE DARWIN Darwin demonstrou cientificamente que os seres humanos e os macacos têm um antepassado em comum – questionando assim a criação do mundo baseada no Gênesis bíblico, e colocando em discussão a existência de Deus, o que criou um escândalo na sociedade da época.
  • 17. 17 “Desta forma, voltando a olhar para o trabalho de minha vida, posso dizer que iniciei muitas coisas e sugeri outras, das quais disporá o futuro. Não posso, porém, predizer o que chegarão a fazer”.
  • 18. 18 A PSICANÁLISE DE FREUD Sigmund Freud (1856- 1939), médico neurologista, lançou-se no caminho para a fundação da Psicanálise estudando os efeitos da cocaína com o psiquiatra Meynert, em 1883.
  • 19. 19 Aos poucos, elaborou sua teoria do inconsciente, que tem como principais noções: A PSICANÁLISE DE FREUD 1 – Inconsciente; 5 - Sonho 2 – Censura; 5.1 – Id; 3 – Recalcamento; 5.2 – Ego; 4 – Libido; 5.3 – Superego.
  • 20. 20
  • 21. 21
  • 22. 22 A PSICANÁLISE DE FREUD Energia que move os instintos da vida, determinando as funções criadoras e ativas do individuo, particularmente do impulso sexual.
  • 23. 23 A PSICANÁLISE DE FREUD Freud escandalizou o mundo afirmando que a libido é inata e que, portanto, as crianças também a apresentam.
  • 24. 24 A PSICANÁLISE DE FREUD Para ele, o impulso sexual é o centro das tendências afetivas.
  • 25. 25 A PSICANÁLISE DE FREUD Os sonhos veem disfarçados para atravessarem a censura e serem aceitos pela consciência.
  • 26. 26 A PSICANÁLISE DE FREUD Freud também definiu os sonhos como os guardiões do sono, porque a liberação do inconsciente quando dormimos é de tal forma intensa que não a suportaríamos, sendo necessário o sonho para que não acordemos.
  • 27. 27 A PSICANÁLISE DE FREUD Em sua segunda teoria do aparelho psíquico, Freud dividiu o psiquismo humano em três partes:
  • 28. 28 • Enquanto no domínio da Física, da Química, da Biologia e da Medicina ocorrem avanços significativos, são lançados os fundamentos de três novas disciplinas: a Sociologia, a Antropologia, a Psicologia.  Os escritores, diante desse quadro de mudança de ideias e da sociedade, sentem a necessidade de criar uma literatura sintonizada com a nova realidade, capaz de abordá-la de modo mais objetivo e realista.
  • 29. 29  As descobertas científicas, as ideias de reformas políticas e de revolução social exigiam dos escritores, uma literatura de ação, comprometida com a crítica e a reforma da sociedade / uma abordagem mais profunda do ser humano, visto agora à luz dos conhecimentos das correntes científico-filosóficas da época.
  • 30. 30 O Realismo procura, na literatura, atender às necessidades impostas pelo novo contexto histórico-cultural. Suas atitudes mais frequentes são o combate a toda forma romântica e idealizada de ver a realidade; a crítica à sociedade burguesa e à falsidade de seus valores e instituições (Estado, Igreja, casamento, família); o embasamento no materialismo, o emprego de ideias científicas; a introspecção psicológica das personagens; as descrições objetivas e minuciosas; a lentidão na narrativa; a universalização de conceitos.
  • 31. 31  Os três movimentos tiveram ciclo na França, com a publicação do romance realista Madame Bovary (l857), de Gustave Flaubert; do romance naturalista Thérèse Raquin, de Émile Zola (l867), e das antologias parnasianas Parnasse contemporain (a partir de 1866).
  • 32. 32  Introspecção Psicológica: vê o ser humano "por dentro"  Universalização: temas universais  Objetivismo: vê o mundo como ele é.  Observação e análise: fatos presentes  Descritivismo: confere veracidade à obra.  Reformismo Crítico: criticar para reformar; mostra as realidades. Características Gerais Realismo /Naturalismo:
  • 33. 33  Ironia: em relação ao comportamento humano.  Realismo - criado para combater o Romantismo - disseca a sociedade (mostra problemas em todas as classes);  Observação e análise psicológica:  Personagens esféricas  Descrições psicológicas  Pessimismo psicológico  Pessimismo filosófico  Sutileza    Continua....
  • 34. 34  Romance de revolução  Análise psicológica  Preocupação moral  Pequeno número de personagens Características Realismo
  • 35. 35  Todo naturalista é realista, mas nem todo realista é naturalista.  Podemos falar de Naturalismo como uma tendência dentro do Realismo, tendência que se baseia numa concepção predominantemente materialista do homem e da sociedade. Diferenças entre Realismo e Naturalismo
  • 36. 36  A distinção entre Realismo e Naturalismo nem sempre é muito nítida, exceto nos textos em que se exagera a segunda tendência. Pode-se identificar como particularidades do estilo naturalista:  O romance experimental substitui o estudo do homem abstrato e metafísico pelo homem natural, sujeito a leis físico-químicas e determinado pela influencia do meio.
  • 37. 37 Início marcado com a Questão Coimbrã (1865), liderada por Antero de Quental, e estende-se até 1890, quando Eugênio de Castro publica a obra "Oaristos", dando início ao Simbolismo. Durante 25 anos de predomínio da estética Realista, Portugal foi governado por D. Luís I e, em seguida por D. Carlos I. Realismo em Portugal
  • 38. 38 Antônio Feliciano de Castilho Antero de Quental Questão Coimbrã
  • 39. 39  Conferências do Cassino Lisbonense  D. Luís chamou os progressistas para formarem governo. Em 1889, com a morte de D. Luís, tem inicio o governo de D. Carlos. Nesse período país atravessava uma grave crise econômica. Os bancos e as empresas estavam falidos, o desemprego aumentava em grande escala e, por isso, as classes trabalhadoras eram submetidas a duríssimas condições de trabalho em troca de salários miseráveis. A carruagem de terceira classe(1863-65) Daumier, Honoré (1808-1879)
  • 40. 40  A poesia desse período é dividida, pela maioria dos críticos literários em três grupos:  poesia revolucionária ou "Realista"- reflete os ideais revolucionários da geração de 70 (ver Questão Coimbrã) e é comprometida com uma causa social. Os principais representantes foram: Guerra Junqueiro, Teófilo Braga e Antero de Quental.  poesia do cotidiano - tratava de temas simples do dia-a-dia. Até então esses temas eram vistos com não poéticos. O principal representante foi Cesário Verde·
  • 41. 41  poesia metafísica ou filosófica - Representada por Antero de Quental.  "a poesia de veleidades parnasianas" - que, segundo ele "sem constituir tendência filiada ao Parnasianismo francês, realizava uma poesia entre formalista e lírica ou satírica". Os principais representantes são: João Penha, Antônio Feijó, Guilherme Azevedo etc.  Já o romance e o conto foram, como a poesia, uma espécie de arma de denúncia social e ataque à burguesia, ao clero e à monarquia. Prof. Claudia Ribeiro
  • 43. Nasceu na ilha de S. Miguel, Açores e desde de jovem destacou-se pelas suas opiniões revolucionárias e pela forma de estar na vida. Lutador e muito congruente com os seus ideais socialistas. Antero espalhou saber pela poesia, filosofia e política. Estudou direito em Coimbra, onde brilhou como líder estudantil. Foi o guia espiritual da geração de 70, um agitador político a “full-time”, que se afirmou pelo desejo de intervenção e renovação da vida política e cultural portuguesa. 43
  • 44. • Tinha uma personalidade complexa, que oscilava entre a euforia e a mais profunda depressão, acabando em suicídio. 44 Análise da obra A poesia de Antero de Quental apresenta três faces distintas: • A das experiências juvenis, em que coexistem diversas tendências • A da poesia militante, empenhada em agir como “voz da revolução” • E a da poesia de tom metafísico, voltada para a expressão da angustia de quem busca um sentido para a existência.
  • 45. 45  A oscilação entre uma poesia de combate, dedicada ao elogio da ação e da capacidade humana, e uma poesia intimista, direcionada para a análise de uma individualidade angustiada, parece ter sido constante na obra madura de Antero, abandonando a posição que costumava enxergar uma sequência cronológica de três fases.  Antero atinge um maior grau de elaboração em seus sonetos, considerados dos melhores da língua e comparados aos de Camões e aos de Bocage.
  • 46. Obras 46 • Sonetos de Antero, 1861, • Raios de extinta luz 1892 • Primaveras românticas, 1872 • Odes modernas, 1865 (na origem da polêmica Questão Coimbrã) • Sonetos, 1886. • Prosas
  • 47. 47
  • 48. 48 O Brasil, durante o período de passagem do Romantismo para o Realismo, sofreu inúmeras mudanças na história econômica, política e social. O Realismo encontrou no Brasil uma realidade propícia para a ascensão da literatura, já que escritores como Castro Alves e José de Alencar haviam “preparado o terreno”.
  • 49. 49 O ano de 1881 é o marco inicial do Naturalismo no Brasil, com a publicação do romance O Mulato, de Aluísio Azevedo, e do Realismo, no mesmo ano, com a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.
  • 50. 50 AUTORESDO REALISMO/NATURALISMOBRASILEIRO Romance realista • Machado de Assis • Raul Pompéia (com características tanto do Realismo quanto do Naturalismo) Romance naturalista • Social • Aluísio de Azevedo Urbano Júlio Ribeiro Obras: * Padre Belchior de Pontes * A Carne Adolfo Caminha * O Bom Crioulo
  • 52. 52 Não se pode enquadrar Machado de Assis nos estreitos limites da prosa realista e naturalista de seu tempo. Há na sua obra: Elementos clássicos: equilíbrio, concisão, contenção lírica e expressional; Resíduos românticos: algumas narrativas convencionais quanto ao enredo; Aproximações realistas: atitude crítica, objetividade, temas contemporâneos; Procedimentos impressionistas: a técnica impressionista, a recriação do passado através da memória, das "manchas" de recordação, e Características centrais da ficção machadiana A despreocupação com as modas dominantes
  • 53. 53 • Antecipações modernas: a estrutura fragmentária não-linear, o gosto pelo elíptico e alusivo, a postura metalinguística de quem escreve e se vê escrevendo, as "obras abertas", sem conclusão necessária, permitindo várias leituras ou interpretações. • Isso para ficarmos apenas num inventário superficial de algumas constantes da prosa. Há também o formalismo parnasiano na poesia madura, o teatro, as crônicas na
  • 54. 54 O Polígrafo • Machado de Assis incursionou por quase todos os gêneros literários praticados no seu tempo. Se não logrou toda a excelência que atingiu nos contos e nos romances, jamais decaiu para níveis da subliteratura e mesmo o teatro, tido como a produção "menor"de Machado, tem momentos bem realizados. • *Polígrafo: aquele que escreve sobre vários assuntos.
  • 55. 55 Na fase realista, Machado põe de lado a ingenuidade romântica descobrindo no ser humano civilizado o egoísmo, a luxúria e a vaidade. O humor machadiano é irônico, amargo, até cruel, marcado pelo extremo pessimismo frente às atitudes do homem do século XX. Na luta pelo poder, as personagens de Machado de Assis se perdem entre as falsas convenções e a moral duvidosa. MACHADO DE ASSIS – Características das obras
  • 56. 56 O enredo, a ação e o tempo da narrativa não deixam de ser lineares na narrativa machadiana. Subordinados ao interesses da análise, os fatos só têm sentido em função do exame de consciência humana. O narrador é um ser de forte personalidade que opina e até ironiza as atitudes das personagens . MACHADO DE ASSIS – Características das obras
  • 57. 57 • Os fatos e as ações não seguem um fio lógico ou cronológico; obedecem a um ordenamento interior, são relatados à medida que afloram à consciência ou à memória do narrador, num processo que se aproxima do impressionismo associativo. Ruptura com a narrativa linear
  • 58. 58 É comum, na ficção machadiana, que o narrador interrompa a narrativa para, com saborosa e bem-humorada bisbilhotice, comentar com o leitor a própria escritura do romance, fazendo-o participar de sua construção, ou ainda para dialogar sobre uma personagem, refletir sobre um episódio do enredo ou tecer suas digressões sobre os mais variados assuntos. Org. metalingUística do disc. narrativo
  • 59. 59 Universalismo Machado captou na sociedade carioca do século XIX os grandes temas de sua obra. O seu interesse jamais recaiu sobre o típico, o pitoresco, a cor local, o exótico, tão ao gosto dos românticos. Buscou, na sociedade do seu tempo, o universal, a essência humana, os grandes temas filosóficos: a essência e a aparência, o caráter relativo da moral humana, as convenções sociais e os impulsos interiores, a normalidade e a loucura, o acaso, o ciúme, a irracionalidade, a usura, a crueldade.
  • 60. 60 • A forma de revolta de Machado era o rir, quase sempre um riso amargo que exteriorizava o desencanto e o desalento ante a miséria física e moral de suas personagens: • Tu, minha Eugenia, é que não as descalçaste nunca; foi aí pela estrada da vida, manquejando da perna e do amor, triste como os enterros pobres, solitária, calada, laboriosa, até que vieste também para esta outra margem... O que eu não sei é se a tua existência era muito necessária ao século. Quem sabe? Talvez um comparsa de menos fizesse patear a tragédia humana." A ironia, o humor negro
  • 61. 61 Psicologismo A ação e o enredo perdem a importância para a caracterização das personagens. Os acontecimentos exteriores são considerados somente à medida que revelam o interior, os motivos profundos da ação, que Machado devassa e apresenta detalhadamente.
  • 62. 62 Pessimismo • O pessimismo de Machado foi a decorrência lógica de sua lucidez. Depois de constatar as várias perversões da natureza humana e a degradação dos valores das elites brasileiras, sem que, em troca, vislumbrasse qualquer alternativa em outro grupo social, em outro sistema político, sem consolo religioso ou ideológico, restou-lhe somente a visão desencantada. O final de Memórias póstumas é o mais conhecido epílogo de um romance em toda a nossa história literária.
  • 63. 63 “MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS” • Publicado em 1881, Memórias Póstumas de Brás Cubas, além de inaugurar o Realismo brasileiro, apresenta as mais radicais experimentações na prosa do país até então. Narrado por um defunto e utilizando recursos narrativos e gráficos inusitados, Machado surpreende a cada página com sua ironia cortante.
  • 64. 64 • Enredo: Na abertura do livro, uma dedicatória escrita sob a forma de um epitáfio anuncia o narrador desse romance inusitado: Brás Cubas, um defunto-autor que começa contando detalhes do seu funeral. Depois de algumas digressões, ele retoma a ordem cronológica dos acontecimentos, relatando a infância e a primeira paixão da adolescência, aos 17 anos, pela cortesã Marcela. Presenteia tanto a amada que o pai, irritado com o gasto excessivo, manda-o estudar Direito em Coimbra, Portugal. A OBRA DE MACHADO DE ASSIS “MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS”
  • 65. 65 • A infância de Brás Cubas, como a de todo membro da sociedade patriarcal brasileira da época, é marcada por privilégios e caprichos patrocinados pelos pais. O garoto tinha como “brinquedo” de estimação o negrinho Prudêncio, que lhe servia de montaria e para maus-tratos em geral. Na escola, Brás era amigo de traquinagem de Quincas Borbas, que aparecerá no futuro defendendo o humanitismo, misto da teoria darwinista com o borbismo: “Aos vencedores, as batatas”, ou seja: só os mais fortes e aptos devem sobreviver. A OBRA DE MACHADO DE ASSIS “MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS”
  • 66. 66 • Na juventude do protagonista, as benesses ficam por conta dos gastos com uma cortesã, ou prostituta de luxo, chamada Marcela, a quem Brás dedica a célebre frase: “Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis”. Essa é uma das marcas do estilo machadiano, a maneira como o autor trabalha as figuras de linguagem. Marcela é prostituta de luxo, mas na obra não há, em nenhum momento, a caracterização nesses termos. Machado utiliza a ironia e o eufemismo para que o leitor capte o significado. Brás Cubas não diz, por exemplo, que Marcela só estava interessada nos caros presentes que ele lhe dava. Ao contrário, afirma categoricamente que ela o amou, mas fica claro que, naquela relação, amor e interesse financeiro estão intimamente ligados.
  • 67. 67 • Apaixonado por Marcela, Brás Cubas gasta enormes recursos da família com festas, presentes e toda sorte de frivolidades. Seu pai, para dar um basta à situação, toma a resolução mais comum para as classes ricas da época: manda o filho para a Europa estudar leis e garantir o título de bacharel em Coimbra. • Brás Cubas, no entanto, segue contrariado para a universidade. Marcela não vai, como combinara, despedir-se dele, e a viagem começa triste e lúgubre. • Em Coimbra, a vida não se altera muito. Com o diploma nas mãos e total inaptidão para o trabalho, Brás Cubas retorna ao Brasil e segue sua existência parasitária, gozando dos privilégios dos bem-nascidos do país.
  • 68. 68 • Em certo momento da narrativa, Brás Cubas tem seu segundo e mais duradouro amor. Enamora-se de Virgília, parente de um ministro da corte, aconselhado pelo pai, que via no casamento com ela um futuro político. No entanto, ela acaba se casando com Lobo Neves, que arrebata do protagonista não apenas a noiva como também a candidatura a deputado que o pai preparava. • A família dos Cubas, apesar de rica, não tinha tradição, pois construíra a fortuna com a fabricação de cubas, tachos, à maneira burguesa. Isso não era louvável no mundo das aparências sociais. Assim, a entrada na política era vista como maneira de ascensão social, uma espécie de título de nobreza que ainda faltava a eles.
  • 69. 69 • Marcela: amor da adolescência de Brás. • Eugênia: a “flor da moita”, nas palavras de Brás, já que era filha de um casal que ele havia flagrado, quando criança, namorando atrás de uma moita; o protagonista se interessa por ela, mas não se dispõe a levar adiante um romance, porque a garota era coxa. • Virgília: grande amor de Brás Cubas, sobrinha de ministro, e a quem o pai do protagonista via como grande possibilidade de acesso, para o filho, ao mundo da política nacional. A OBRA DE MACHADO DE ASSIS “Personagens”
  • 70. 70 • Lobo Neves: casa-se com Virgília e tem carreira política sólida, mas sofre o adultério da esposa com o protagonista. • Quincas Borba: teórico do humanitismo, doutrina à qual Brás Cubas adere, morre demente. • Dona Plácida: representante da classe média, tem uma vida de muito trabalho e sofrimento. • Prudêncio: escravo da infância de Brás Cubas, ganha depois sua alforria.
  • 71. 71 • Lobo Neves: casa-se com Virgília e tem carreira política sólida, mas sofre o adultério da esposa com o protagonista. • Quincas Borba: teórico do humanitismo, doutrina à qual Brás Cubas adere, morre demente. • Dona Plácida: representante da classe média, tem uma vida de muito trabalho e sofrimento. • Prudêncio: escravo da infância de Brás Cubas, ganha depois sua alforria.
  • 72. 72 A OBRA DE MACHADO DE ASSIS “DOM CASMURRO” Em Dom Casmurro, Machado de Assis explora temas polêmicos – adultério, suicídio e religião – apresentados por um observador arguto, o qual procura escancarar e interpretar o mundo que o cerca. O romance é publicado em 1899 e é composto por 148 capítulos curtos. Neste livro, Machado de Assis sonda e analisa a sociedade do Rio de Janeiro do século XIX.
  • 73. 73 A narração é feita em primeira pessoa – em que a personagem é o próprio narrador- e o leitor é convidado a vasculhar a mente intrincada desse protagonista que, aos poucos, vai revelando seu interior.
  • 74. 74 Em Dom Casmurro, o amor, o ciúme e o caos psicológico são revelados apenas parcialmente ao leitor. A mente deste personagem, corroída pelo ciúme, provoca sequelas que recheiam a narrativa de ambiguidades , parcialidade e unilateralidade. Assim, Bentinho – que está a procura do tempo perdido – quer atar as duas pontas da vida, revivendo no presente o que já faz parte do passado. Como um “Otelo” à brasileira, Bentinho transfere para o leitor o encargo de decidir se Capitu é inocente ou culpada. A OBRA DE MACHADO DE ASSIS “DOM CASMURRO”
  • 75. 75 “DOM CASMURRO” PERSONAGENS PRINCIPAIS DOM CASMURRO – o Bentinho, tímido e ingênuo que se espantava com as atitudes de Capitu, torna-se um homem amargo, descrente e ensimesmado. Torna-se um casmurro. Agora, velho, mora no Engenho Novo, numa casa que mandou construir idêntica à da sua Mata- cavalos, onde passara a infância.
  • 76. 76 CAPITU – amiga e vizinha de Bento desde pequena, tem personalidade forte e a capacidade de sair–se bem em qualquer circunstância. Ajuda Bentinho a se livrar do seminário, casa-se com ele e se torna a personagem central da narrativa. Morena, longos cabelos, olhos perturbadores, “ de ressaca” , que , na opinião de Bentinho, arrastam e destroem . Nunca admitiu a culpa a ela imputada pelo marido, mas também nunca fez grande esforço para desmenti-lo. “DOM CASMURRO” PERSONAGENS PRINCIPAIS
  • 77. 77 ESCOBAR- amigo que Bentinho conheceu no seminário. Alegre, despachado, conversador, consentiu sair do seminário com Bentinho, propondo que D. Glória, para não quebrar a promessa, colocasse lá um substituto . Casou-se com Sancha, amiga de Capitu. Frequentava constantemente a casa dos amigos e deu à filha o nome de Capitu, em homenagem à amiga. Bentinho estranhava algumas de suas visitas inesperadas a Capitu, justo quando ele, Bentinho estava fora. Escobar morreu afogado e o olhar que Capitu lançou ao seu cadáver, na saída do enterro, deu a Bentinho a certeza do adultério de Capitu. “DOM CASMURRO” PERSONAGENS PRINCIPAIS
  • 78. 78 “DOM CASMURRO” PERSONAGENS PRINCIPAIS EZEQUIEL – filho de Capitu e Bentinho, recebeu o nome de Escobar – que também era Ezequiel . A gravidez de Capitu demorou muito a acontecer, causando até certos embaraços e constrangimentos ao casal quando diante de Sancha e Escobar. Logo Bentinho começou a notar que o menino tinha trejeitos muito semelhantes aos de Escobar. Isto e mais a semelhança física que Bentinho foi percebendo com o correr dos anos vão confirmando as suspeitas do “pai”. Bentinho, no auge da crise, pensa em envenenar Ezequiel e a si mesmo, mas resolve apenas mandar Capitu e o filho para a Suíça, onde ela morre. No último encontro com Ezequiel – já adulto – Bentinho confirma as semelhanças e a certeza do adultério. Ezequiel acaba morrendo no Oriente Médio, durante uma excursão .
  • 79. 79 “Quincas Borba” • Enredo: O romance conta a vida de Rubião, um pacato professor que se torna rico da noite para o dia ao receber uma herança deixada pelo filósofo Quincas Borba. Rubião passa a viver na Corte do Rio de Janeiro, num ambiente a que não estava acostumado e que muito o deslumbra. Torna-se amigo de um casal, Cristiano Palha e Sofia. Rubião acaba sendo traído pelo casal Palha e Sofia, pois estes estorquem seu dinheiro. Rubião morre pobre e solene.
  • 80. 80 “Quincas Borba” • “Quincas Borba” é um romance de Machado de Assis que narra a história de Rubião, um professor que se torna enfermeiro de um velho rico e herda toda sua herança. Ingênuo, o mineiro é enganado por um casal carioca, chegando ao fim da história louco e pobre.
  • 81. 81 A OBRA DE MACHADO DE ASSIS “Memorial de Aires” É o último romance escrito por Machado de Assis, publicado no mesmo ano de sua morte,1908. Está organizado como uma série de entradas em um diário e, como Memórias Póstumas de Brás Cubas, não tem um enredo único, mas se compõe de vários episódios e anedotas que se interpermeiam. Prof. Claudia Ribeiro