Talionis apresenta: 
 
 
Shayla Black
Possua-me a Meia-Noite
Irmandade do Caos 03 
 
A linda bruxa Sabelle Rion não de...
 
  Shayla Black
Irmandade do Caos 03
 
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Shayla black irmandade do caos 03 - possua-me a meia-noite (talionis)

  1. 1.     Talionis apresenta:      Shayla Black Possua-me a Meia-Noite Irmandade do Caos 03    A linda bruxa Sabelle Rion não deixa de pensar na misteriosa nuvem negra que estava  absorvendo a vida de seu irmão Bram. Entretanto, cada vez que cruza com o intenso olhar de Ice  Rykard experimenta uma atração inexplicável, explosiva e absolutamente proibida pelo que  sempre foi o inimigo acérrimo de Bram. Já o malvado Mathias e seu exército estão empenhados  em recuperar o Livro do Caos, sem se importar com o sangue que derrame pelo caminho. Sabelle  terá que defender o poderoso pertence com sua própria vida, e Ice perdidamente apaixonado  pela bruxa, jurará protegê‐la com a sua. O dever exige que ela o rejeite os homens capazes de  influenciar o Conselho mágico diante do iminente levante. O destino da comunidade mágica  pende por um fio, mas o que fará Sabelle? Renunciará ao ardente desejo que sente ou voltará às  costas a sua família por um homem que parece irresistível?    Disp em Esp: Kalosis Digital  Envio do arquivo: Δίκη  Revisão Inicial: Cris Reinbold  Revisão Final: J. Gameiro  Formatação: Greicy  Capa: Élica  Talionis   
  2. 2.     Shayla Black Irmandade do Caos 03   ** Essa tradução foi feita apenas para a leitura dos membros do Talionis. **    2 Comentário  da  Revisora  Cris  Reinbold:  Um  minuto  de  felicidade,  uma  eternidade  de  lembranças. Por que tem que se perder tão cedo o que se custou tanto para sentir? Pode o amor  transpassar barreiras sociais e mostrar ao mundo que todos somos iguais?    Comentário  do  Revisor  J.  Gameiro:  Muitas  vezes  nos  separamos  pelas  barreiras  que  a  sociedade nos impõe mas existe sempre pessoas que lutam contra tudo isso e vão revirar todos os  preconceitos e lutam por aquilo que mais amam. Se por vezes sentimos que já não há quem lute  contra o impossível ao fim deste livro se convencerá que ainda há quem faça tudo por amor.      CAPÍTULO 1      Sabelle Rion ouviu o sussurro da morte, sentiu seu fôlego na nuca. Bram — dizia— veem  comigo. Aferrou a mão de seu irmão, tentando desesperadamente retê‐lo no plano dos mortais.  Desde sua transição, aos vinte e quatro anos, sempre teve a habilidade de fazer que outros  sentissem o que ela queria com apenas tocá‐los. Nos últimos sessenta anos, aperfeiçoou a técnica.  Muito  poucos  eram  imunes  a  seu  contato.  Mas  não  sabia  se  Bram  podia  sentir  as  vibrações  curativas que estava enviando.  Amaldiçoou aquela fumaça negra que envolvia a seu irmão, arrebatando pouco a pouco a  vida e, muito temia, que também a magia. E amaldiçoou Mathias por atacar Bram com ele.  Com muita dificuldade conteve as lágrimas, enquanto apertava os punhos com tal força que  espetou as unhas nas palmas.  No dia anterior, lutaram contra o malvado mago, que acabava de retornar de um exílio de  várias  centenas  de  anos.  De  noite,  Conrad  o  Curandeiro  e  sua  tia  Millie  examinaram  Bram.  Nenhum  dos  dois  sabia  o  que  era  aquela  fumaça  mortífera  nem  o  tipo  de  dano  que  poderia  infligir... Nem tampouco como acabar com ele.  A única coisa que sabiam era que estava arrebatando a vida da pessoa que Sabelle mais  amava no mundo.  — Posso entrar?  Sabelle se voltou e olhou por cima do ombro. Lucan, o melhor amigo de seu irmão, estava na  porta.  Depois  de  que  Mathias  sequestrasse  sua  companheira,  Anka,  e  a  obrigasse  a  cortar  o  vínculo  com  ele,  Sabelle  se  ocupou  de  proporcionar  a  Lucan  energia  vital  através  do  sexo,  enquanto ele tinha a mente extraviada por causa de seu devastador duelo. Bram brindou a seu  amigo apoio, segurança e um teto. Não era à toa que agora Lucan queria devolver o favor.  — Claro.  — Alguma mudança? — Perguntou, acariciando o ombro de Sabelle.  O gesto a surpreendeu. Lucan nunca a tocou enquanto Anka e ele estavam juntos. Podia ser  que, para ele, sua amizade tivesse mudado depois de saber que sua anterior companheira estava 
  3. 3.     Shayla Black Irmandade do Caos 03   ** Essa tradução foi feita apenas para a leitura dos membros do Talionis. **    3 nos braços de outro e que Sabelle proporcionou a energia sexual necessária para mantê‐lo com  vida?  O olhou de lado mordendo o lábio. Era muito bonito. Seu cabelo, castanho‐escuro, roçava os  largos ombros e tinha uns arrebatadores olhos azuis, rodeados por espessos cílios, que atrairiam a  qualquer mulher. E sua boca... Lucan beijava maravilhosamente. Sabelle sabia de primeira mão.  Pouco a pouco, para o final do luto, sua agressividade foi cedendo e terminou beijando‐a. Sabelle  ficou assombrada ao comprovar como era hábil. Algum dia, os dois precisariam um companheiro.  Converter na companheira de Lucan resolveria muitos problemas.  Sacudiu a cabeça tentando esclarecer a mente. O gesto de seu amigo não implicava nenhum  significado  oculto,  tão‐somente  queria  reconfortá‐la.  Lucan  seguia  albergando  profundos  sentimentos por Anka. E Sabelle não podia pensar em seu futuro quando seu amado irmão estava  a um passo da outra vida.  — Nenhuma mudança — respondeu.  Lucan tomou pelos ombros e a insistiu a levantar‐se e olhá‐lo.  — Vem comer algo. A preocupação a está deixando exausta.  Ela se afastou.  — Não posso deixá‐lo aqui sozinho. E se acordar e precisa de mim?  —  Descansa  cinco  minutos.  Olivia  e  Sydney  estiveram  cozinhando  comida  humana.  Demoraram horas em preparar tudo. Fizeram por você.  Os olhos arderam por causa das lágrimas que estiveram à espreita todo o dia e lhe fez um nó  na garganta. Embora apenas fizesse umas semanas que conhecia aquelas mulheres, considerava‐ as já grandes amigas. As circunstâncias as uniram. Bram criou a Irmandade do Caos, um grupo de  guerreiros, em sua maioria mágicos, desejosos de lutar para defender de Mathias à comunidade  mágica. Olivia e Sydney eram as companheiras de dois desses guerreiros, e não só se mantiveram  firmes junto a seus homens, mas também junto a todo o grupo. Sabendo que aquela não era sua  guerra, arriscaram a sua vida em uma tentativa de liberá‐los daquele câncer. Seus esforços por  ajudá‐la comoveram Sabelle.  — Cinco minutos — conveio com reticência.  Lucan assentiu e a atraiu para si.  — Preocupo‐me com você. Não pode carregar você sozinha com todas as responsabilidades  de Bram.  Ela o olhou desesperada.  — Tenho que tentá‐lo. Esforçou‐se muitíssimo para construir tudo isto...  — Ninguém permitirá que caia. Veem vê‐lo. Todos estão embaixo, esperando.  Todos? Certo que todos não.  — Shock também?  Lucan apertou a mandíbula.  — Ninguém quer ver esse traidor.  E menos ele, pois Shock era quem estava com sua antiga companheira.  Comovia‐a que todos os guerreiros da Irmandade estivessem ali em sinal de respeito a seu 
  4. 4.     Shayla Black Irmandade do Caos 03   ** Essa tradução foi feita apenas para a leitura dos membros do Talionis. **    4 irmão, mas muito temia que só uma pessoa seria capaz de ajudar seu amado Bram.  — Alguém está procurando à misteriosa companheira de Bram? A energia de Emma...  — Talvez pudesse curá‐lo. Sei. Mas é muito difícil encontrar uma mulher do qual não se sabe  mais do que seu nome de batismo. Sydney vai chamar Aquarius, que parece que a conhece.  Sabelle negou com a cabeça.  — Aquarius diz que não sabe onde está. A casa de Emma está vazia; seu celular, desligado. A  loja em que trabalhava está fechada com tijolos. Bram já olhou tudo isso. Está claro que não quer  que a encontrem.  — Sim, mas à luz dos acontecimentos, Sydney se mostrou disposta a falar com Aquarius uma  vez mais.  Sabelle implorou para que a mulher pudesse ser de ajuda. Se não... A sombria possibilidade  enchia de angústia seu coração. Conteve como pôde um novo acesso de lágrimas. Negava chorar.  Era uma perda de tempo que não servia para nada. Já teria tempo para derrubar quando estivesse  a sós. Agora havia muito em jogo.  Lucan acariciou a bochecha com o polegar.  — É uma das mulheres mais valentes que conheço, Bela. Bram é meu melhor amigo. Deixa  que a ajude. Apoie‐se em mim.  Era uma oferta tentadora. Lucan era um mago poderoso e um guerreiro muito forte, mas  ainda não passou um  mês do desaparecimento da sua companheira e, se por acaso isso fosse  pouco,  acabava  de  se  inteirar  de  que  Anka  procurou  refúgio  nos  braços  de  seu  inimigo.  Seu  coração se quebrou em mil pedaços. Antes de poder ajudá‐la, tinha que recuperar‐se.  Sabelle esboçou um sorriso.  — Estou bem, mas igualmente agradeço isso.  — Deixa que a ajude. Não tive tempo de expressar mi... — Suspirou e deixou a frase no ar—  Obrigado. Sei o que fez um sacrifício tremendo para me salvar. Sei que arriscou sua vida ao deitar  com uma besta enlouquecida para me proporcionar a energia necessária para que me curasse e  sobrevivesse. — Lucan afundou os dedos entre seus cabelos loiros— Lembro ter estado com você.  Lembro seu medo. Sua determinação. Sua ternura.  Lembrava? Maldição. Aquilo complicava muito as coisas. Embora tampouco podia dizer que  ela tivesse esquecido os momentos passados com ele, seu calor, sua dureza, sua obstinação. O  inesperado  desejo.  Chegou  a  conhecê‐lo  como  amante  e  não  estava  segura  do  que  sentia  a  respeito. Mas certamente, não era o momento de pensar nisso.  — Lucan, eu...  A  interrompeu  roçando  brandamente  a  boca  com  a  sua.  Uma  carícia  suave,  mas  firme.  Dolorosamente doce. Limitou a posar os lábios sobre os dela e a sentir seu contato. A inspirar seu  fôlego. Logo levantou a cabeça.  — Estarei aqui para o que necessite.  Por quê? Amizade? Gratidão? Paixão?  Embora normalmente tentava não ler os pensamentos de outros, esta vez farejou um pouco  nos de Lucan. Este sentia amizade, claro, mas também imensa gratidão, um leve toque de paixão e 
  5. 5.     Shayla Black Irmandade do Caos 03   ** Essa tradução foi feita apenas para a leitura dos membros do Talionis. **    5 muita confusão. Sabelle se identificava com todos esses sentimentos.  Saiu de sua mente e dedicou um sorriso apagado.  — Depois de você.  Lucan agarrou pela mão e a conduziu ao salão do andar de baixo. Como ele disse, todos  estavam  ali.  Marrok  ficou  em  pé,  tão  corpulento  e  amedrontador  como  sempre.  Posou  uma  enorme mão no cocuruto escuro de Olivia, sua companheira, sentada a seu lado. Sabelle sentiu  uma  pontada  de  inveja.  Desejava  com  desespero  encontrar  o  amor  e  o  afeto  que  eles  compartilhavam. Entre a veia protetora de Bram e sua própria obrigação de terminar uma união  vantajosa, Sabelle se perguntava se o encontraria alguma vez.  — Está bem? — Perguntou Sydney com suavidade.  A  ruiva  estava  de  pé  junto  a  seu  companheiro,  Caden,  outro  dos  magos  guerreiros  da  Irmandade. Lucan e Caden trocaram um olhar fraternal que Sabelle não teve forças para tratar de  decifrar.  — Sim — respondeu— Cheira muito bem. Obrigado por ter cozinhado.  — Sente‐se e come algo antes de voltar para junto de Bram. — Sydney pôs um prato nas  mãos e assinalou o aparador repleto de comida. Galinha assada, pedaços de pescado de carne  branquíssima, havia inclusive boi a Wellington, assim como todo um leque de verduras e pães de  diferentes tipos. O gesto a comoveu tanto que os olhos se encheram novamente de lágrimas.  —  Muitíssimo  obrigado.  —  Sabelle  sorveu  pelo  nariz  e  piscou  várias  vezes  seguidas  para  evitar chorar.  —  Come  —  a  insistiu  Lucan,  empurrando‐a  brandamente  para  a  comida.  Logo  agarrou  o  prato que Sydney estendia e permaneceu com gesto protetor atrás de Sabelle.  Esta se serviu umas poucas colheradas de comida sem olhar sequer o que era. A seu modo  de  ver,  eram  só  nutrientes  que  a  ajudariam  a  seguir  cuidando  de  Bram.  O  resto  não  tinha  importância.  Os  outros  se  serviram  atrás  dela.  Sabelle  se  sentou  em  seu  lugar  habitual  e  Lucan  a  sua  esquerda. Marrok e Olivia fizeram o mesmo no outro extremo da mesa, e Caden e Sydney ao lado  de  Lucan.  O  membro  mais  recente  da  Irmandade,  Tynan  O’Shea,  sentou  frente  à  Marrok  com  gesto  áspero  e  começou  a  bicar  sem  vontades.  Seus  vingativos  pensamentos  e  sua  pena  atravessaram com virulência as barricadas mentais de Sabelle. A dor causada pelo assassinato, às  mãos de Mathias, de quem teria sido sua companheira tirou o apetite. Sabelle o compreendia  perfeitamente.  Ao  lado  desta,  a  cadeira  que  presidia  a  mesa,  a  que  Bram  ocupava,  estava  vazia.  Tomar  consciência de que possivelmente o seu irmão não voltaria a se sentar ali, foi como se lhe dessem  um murro no estômago. Baixou o garfo e ficou olhando o prato, impreciso por causa das lágrimas.  — Sabelle. — Simon Northam, duque do Hurtsgrove, aproximou‐se da mesa lentamente.  Até a criação da Irmandade, Bram e Duke apenas se conheciam, mas, apesar de seu elevado  lugar social na esfera humana, Duke demonstrou ser um sólido membro do grupo de primeiro  momento.  Sabelle demorou um segundo em engolir as lágrimas e em levantar o olhar. Nasceu no seio 
  6. 6.     Shayla Black Irmandade do Caos 03   ** Essa tradução foi feita apenas para a leitura dos membros do Talionis. **    6 da família Rion, e todo mundo esperava que desse o exemplo, deixasse a um lado seus medos e  seguisse em frente. Bram seria o primeiro em exigir. Devia ser forte por ele.  — Estou bem.  Duke  assentiu  com  a  cabeça.  Seu  sempre  bem  penteado  cabelo  castanho  parecia  inusualmente descuidado. Depositou o prato na mesa e sentou no lugar de Bram. Sabelle conteve  o impulso de levantar e repreender por seu atrevimento. Não podia ocupar o lugar de seu irmão!  — Prefere sentar você aqui? — Perguntou com suavidade.  O aborrecimento de Sabelle passou imediatamente. Respirou profundamente e deixou que a  sensatez prevalecesse. O grupo precisava um líder, e o fato de que Duke se sentou no lugar de  Bram indicava que estava disposto a assumir a tarefa.  —  Não.  Eu  não  sou  um  guerreiro,  e  bastante  trabalho  vai  ter  já  com  os  assuntos  do  Conselho.  Duke dedicou um olhar de afeto, que transmitiu também uma silenciosa promessa de apoio,  e logo olhou a outros ocupantes da mesa. Deviam por mãos à obra. Mathias estava debilitado,  mas  isso  não  significava  que  o  tivessem  vencido.  A  Irmandade  do  Caos  tinha  que  permanecer  unida e ficar mais forte.  Duke ia dizer algo quando chegou o último dos componentes da Irmandade e se sentou bem  de frente dela.  Ice.  Sabelle notou seu intenso olhar verde cravado nela.  OH,  Deus.  Apesar  de  seu  aspecto  ameaçador  e  que  todo  mundo  considerava  que  estava  louco, desde que se uniu à Irmandade, Ice teve um comportamento impecável; ao menos com ela.  Era muito trabalhador e educado. Não perdia os estribos... Quase nunca. Mas a forma em que a  transpassava  com  o  olhar  constantemente  e  o  desejo  descarado  que  via  em  seu  semblante  a  desconcertavam. Ice era um mistério que parecia impelida a resolver.  Sua  concentrada  expressão  fez  que  Sabelle  se  perguntasse  o  que  estaria  pensando.  Era  estranho, mas Ice era uma das poucas pessoas cuja mente não podia  ler. Tentou  sem êxito, e  saber o que rondava a cabeça do guerreiro a estava deixando louca. Quando, em uma ocasião, Ice  a  rodeou  com  seus  braços  para  tratar  de  curar  a  amiga  de  Sydney,  Aquarius,  que  estava  gravemente ferida, a sensação foi aterradora. Abrasadora. Proibida.  Sabelle  não  só  nasceu  na  classe  dos  Privilegiados,  mas  também,  dentro  da  comunidade  mágica,  formava  parte  da  elite;  o  mais  próximo  à  realeza  nesse  mundo.  Os  Rion  eram  descendentes diretos de Merlín, o mago maior de todos os tempos. Enquanto que Ice... Bom, os  Rykard eram Despossuídos, gente que todo mundo rechaçava e de quem desconfiava, sobre tudo  de Ice. Como se isso não complicasse a atração que ambos sentiam, Bram o odiava com todas suas  forças.  Era impossível que não houvesse nada entre os dois.  — Ocorre algo? — Perguntou Lucan, entrelaçando seus quentes dedos com os dela, gélidos.  O garfo de Ice se chocou com o prato produzindo um ruído metálico. Tinha a mandíbula  apertada e uma expressão de raiva. À Sabelle não precisou lhe ler a mente para perceber sua 
  7. 7.     Shayla Black Irmandade do Caos 03   ** Essa tradução foi feita apenas para a leitura dos membros do Talionis. **    7 hostilidade.  Usava  grafite  no  rosto  enquanto  olhava  sua  mão  entrelaçada  com  a  de  Lucan.  Ela  conteve o fôlego e sua primeira reação foi afastar a mão, mas não fez. De nada serviria fomentar a  atração  que  sentia  por  um  homem  ao  que  nunca  poderia  conseguir.  Era  melhor  deixar  que  pensasse que importava outra pessoa.  Apertou a mão de Lucan em sinal de agradecimento e sentiu a força física e mental que seu  amigo transmitia.  — Estou bem. — Sabelle ficou desconcertada ao ver que todos os presentes os olhavam, e  se ruborizou— De verdade. Vamos comer todos.  Durante um longo momento, a estadia sumiu em um profundo silêncio. Ninguém dizia nada  e o ambiente era certamente doloroso. Frequentemente, era Bram quem mantinha a conversa ou  a  dominava  por  completo.  Aquele  silêncio  só  servia  para  lembrar  a  todos  que  talvez  isso  não  voltasse a acontecer.  De repente, Duke pigarreou e se dirigiu ao grupo:  —  Ninguém  pode  substituir  Bram,  mas  alguém  tem  que  assumir  a  liderança  do  mesmo,  enquanto ele se recupera. Algum voluntário?  Marrok negou com a cabeça.  — Eu não conheço ninguém na comunidade mágica nem saberia como ajudá‐los em caso de  necessidade.  Careço  de  dotes  diplomáticos  de  Bram.  Se  por  mim  fosse,  os  que  tantos  impedimentos põem a nossa causa teriam que as ver com minha espada.  — Por isso é guerreiro, não político — comentou Olivia, sua companheira americana, com  um sorriso.  O amor que se professavam os encerrava em uma borbulha em que só havia lugar para eles  dois.  — Eu farei se assim quiserem os restantes — se ofereceu Caden— Mas acredito que sua  experiência seria mais vantajosa nos maus tempos que aí vêem.  Embora agradada pelo generoso oferecimento de Caden, Sabelle estava de acordo com ele.  — Eu ajudei Bram a formar a Irmandade — interveio Lucan. E engolindo saliva, acrescentou  — Mas acabo de sair de meu duelo. Ainda não controlo minhas mudanças de humor.  Era verdade. Sabelle nunca o vira com os sentimentos tão a flor da pele. Seus gestos e suas  expressões  revelavam  muito.  Muito  para  deixar  em  suas  mãos  os  assuntos  diplomáticos  da  comunidade naquele momento.  — Eu estou aqui menos de uma semana — Disse Tynan. Os olhos do jovem eram da cor de  uma nuvem de tormenta a ponto de explodir.  Uma metáfora perfeita pensou Sabelle. Tynan era como uma bomba relógio.  Todo mundo falou, exceto Ice.  Sabelle inspirou insegura, enchendo‐se de coragem para olhá‐lo. O seguia com o olhar fixo  nela, intensa, abrasadora, fazendo sentir a tensão de sempre no estômago. Estava tremendo?  — Quem ia escutar um demente? — Espetou Ice, arqueando uma sobrancelha com atitude  desafiante.  Duke pigarreou de novo. 
  8. 8.     Shayla Black Irmandade do Caos 03   ** Essa tradução foi feita apenas para a leitura dos membros do Talionis. **    8 — Então, está decidido. Retomaremos os treinamentos. Marrok?  — Sim. Amanhã ao amanhecer. Todos.  Caden revirou os olhos.  — Outra vez vou levantar em plena noite. Genial. Acabo de deixar os marinhe, sabem?  — Uma idiotice sua. Eles são mais amáveis — brincou Duke para, seguidamente, ficar sério—  Teremos que redobrar a segurança. Não sei no que estado se encontram as defesas mágicas que  pôs Bram, estando ele tão fraco como está.  — Não muito bem — admitiu Sabelle, que percebia que as seguranças se debilitaram em  algum momento, igual a seu irmão.  — Depois de jantar levantaremos uma nova rede de segurança mágica. O êxito de nossa  companhia depende em grande medida desta casa. Precisamos um lugar onde poder reunir, nos  reagrupar, riscar planos estratégicos. Parece mal a alguém?  Todos negaram com a cabeça.  Bem. Outro assunto resolvido. Agora só faltava decifrar o que era aquela força que estava  roubando a vida de seu irmão.  —...Conte‐nos de seu estado — acrescentou Duke.  Sabelle custou um momento em compreender que estava perguntando por Bram. Não tinha  nada novo que contar.  — Está descansando, mas segue enfraquecendo. Nem Conrad nem minha tia Millie sabem o  que  é  o  que  tem  nem  como  curá‐lo.  A  única  forma  que  me  ocorre  de  parar  seu  mal  é  que  encontremos Emma.  —  Tornei  a  ligar  para  Aquarius  —  explicou  Sydney—  Assim  que  saiba  algo  dela,  direi.  Encontraremos à garota.  O qual não era garantia de nada. Até no caso de que a encontrassem, faltaria convencê‐la de  que cuidasse do homem que tomou como companheiro em uma noite de paixão para logo ir sem  dizer adeus antes sequer de que amanhecesse.  O silêncio, interrompido tão‐somente pelo tinido dos garfos e os graves suspiros, apoderou‐ se novamente do grupo.  Sabelle bloqueou a entrada de todos os pensamentos que pôde e aguentou na mesa um  pouco mais. Revolvia‐lhe o estômago com apenas em cheirar a comida.  Levantou‐se para ir, mas Lucan a parou agarrando‐a pelo cotovelo. Ice grunhiu e fulminou o  outro mago com o olhar por atrever a tocá‐la. Desejava‐a com força, e Sabelle voltou a sentir seu  próprio desejo. Seguro que Ice suspeitava seus verdadeiros sentimentos. Ficar a sós com ele seria  muito perigoso.  —  Não  me  diga  que  terminaste  —  Disse  Lucan,  olhando  com  a  testa  franzido  seu  prato  virtualmente cheio.  — Sim — respondeu ela, dobrando o guardanapo — Tenho que voltar para junto de Bram.  Muito obrigado, senhoras — acrescentou, dirigindo‐se a Sydney e Olivia.  Um som de campainhas ressonou por toda a casa antes que desse tempo para soltar de  Lucan.  Um  cartão  de  visita  mágica.  Alguém  estava  pedindo  permissão  para  entrar:  Anka 
  9. 9.     Shayla Black Irmandade do Caos 03   ** Essa tradução foi feita apenas para a leitura dos membros do Talionis. **    9 MacTavish, a ex‐companheira de Lucan.  O mago ficou tenso e em seu rosto se refletiu uma mistura de fúria e desejo. Sabelle notou  como sua dor atendia o peito, uma dor aguda e espantosa, como quando alguém se afoga. Era  evidente  que  o  que  Lucan  pudesse  sentir  por  ela  empalidecia  em  comparação  com  o  amor  arrebatador que ainda sentia por Anka.  Marrok saiu do salão a grandes passos e se perdeu corredor abaixo. Sabelle o ouviu abrir a  porta principal.  — Está sozinha. — Uma vez seguros de que nem Shock nem Mathias e seus anarki seguiram  à bruxa até ali, Sabelle desfez os últimos feitiços de segurança que protegiam a casa e deixou que  Anka entrasse no salão.  O primeiro que viu foi que a saúde de Anka melhorou em relação à última vez que a viu,  embora ainda não estivesse bem por completo. Perguntou se na cama de Shock estaria obtendo  toda a energia que precisava.  Lucan  não  podia  afastar  o  olhar  de  sua  antiga  companheira.  Seus  pensamentos  estavam  vermelhos de desespero, e Sabelle sentiu muita lástima por ele. Compreendia muito bem o que  era desejar alguém que estava fora de seu alcance.  Anka  o  olhou  e,  depois,  olhou  a  mão  que  tinha  ainda  sobre  a  de  Sabelle.  A  dor  cruzou  fugazmente seu rosto antes de dirigir seu ambarino olhar para a mesa e logo posar em Duke.  — Eu gostaria de ver Bram.  Duke vacilou um instante. Dirigiu um rápido olhar a Lucan, que respondeu negando com a  cabeça de maneira quase imperceptível.  — Não está aqui — mentiu Duke.  De  maneira  que  a  hipótese  geral  era  que,  ao  deitar  com  um  mago  ao  que  todos  consideravam  do  lado  do  inimigo,  tampouco  podia  confiar  nela.  Os  pensamentos  de  Anka  revelavam que, se refugiou em Shock, era porque ele era quem melhor poderia protegê‐la e o que  menos exigências. teria respeito a que passou pelas mãos de Mathias.  A bruxa se afastou a espessa cabeleira dourada dos magros ombros. Embora sua assinatura  mágica seguia compartilhando os tons da de Lucan, estava quebrada, o que indicava que acabava  o vínculo que os unia.  — É como se desaparecesse da face da Terra — comentou Anka com patente frustração—  Levo chamando desde que anoiteceu.  — Está ocupado com assuntos do Conselho. Para que o busca? — Perguntou Duke.  Anka apertou os lábios e, depois de olhar a Lucan com gesto indeciso, dirigiu a Duke e disse:  — Esta tarde, Shock me contou algo que me pareceu muito preocupante. Eu... Eu não podia  guardar isso logo que aqui há tantas pessoas às quais... Avaliam.  Duke indicou que se sentasse ao final da mesa e ela assim fez. Sabelle e Lucan a imitaram.  Este  não  soltou  o  braço  de  Sabelle;  precisava  apoiar  em  alguém.  Pode  que  considerasse  conveniente aproximar‐se dela, que não esperava nada em troca, mas seu coração pertencia a  Anka.  — Segundo Shock, os anarki têm intenção de atacar esta noite, a meia‐noite. 
  10. 10.     Shayla Black Irmandade do Caos 03   ** Essa tradução foi feita apenas para a leitura dos membros do Talionis. **    10 Eram pouco mais das oito.  Sabelle penetrou na mente de Anka um pouco mais. A bruxa não mentia e também era certo  que  levava  horas  tratando  de  entrar  em  contato  com  Bram.  Esteve  rechaçando  as  mensagens  entrantes e requerimentos de todo tipo porque não sabiam como se encarregar delas. Maldição.  Duke ficou gelado.  — Está segura? Esta noite?  — Por que teríamos que acreditar? — Perguntou Ice, impassível.  Os olhos ambarinos de Anka jogavam faíscas.  — Estou arriscando minha vida ao vir avisar.  Sabelle não coube dúvida de que era verdade; bastou vendo a apaixonada expressão de seu  rosto. E a admirou por ter tanta guelra. Mas havia algo que não compreendia.  —  Por  que  entrou  na  cama  de  Shock  quando  trabalha  para  o  monstro  que  a  violou?  —  Espetou Lucan com absoluto desprezo— Especialmente se tinha intenções de apunhalá‐lo pelas  costas.  — Está claro que você tampouco esteve sozinho — respondeu ela, fulminando com o olhar.  Os pensamentos de Anka deixaram descoberta sua dor durante um momento, até que recuperou  a compostura e, finalmente, agarrou as mãos sobre a mesa, diante de si— Você não compreende  o que Mathias fez comigo.  — Sei o que fez — respondeu Lucan em tom pesaroso— Não sabe quanto lamento não ter  estado ali para protegê‐la.  — O que Mathias me fez mudou por completo. Eu... Eu não me lembro de todos os detalhes  de nossa relação; não posso retomar minha vida a seu lado e ser sua alegre companheira. Não  posso fingir que as sequelas não existem...  — O passado não importa. Nada do que esse homem possa fazer muda a meus olhos —  assegurou Lucan— O que está fazendo com Shock...  — Espera que seja a mesma mulher de antes que me sequestrassem. Mas não sou. E não  posso mudar isso, nem sequer por você — atalhou ela.  — Acredita que não vou poder com isso? Ou acaso já não confia em que possa proteger?  Anka mordeu o lábio.  — Agora não posso falar deste assunto.  — De acordo — respondeu Lucan, levantando‐se com tal brutalidade que a cadeira caiu para  trás e ricocheteou no chão. Saiu do salão feito uma fúria, fechando a porta.  Anka se levantou também, disposta a ir atrás dele, mas então pensou melhor. A forma em  que ficou olhando a porta pela que ele saiu manifestava sua tristeza e sua confusão. Sabelle a  observou com o coração em um punho.  Duke pigarreou e disse:  — Sinto muito. Continua.  A bruxa parecia a ponto de começar a chorar.  — Lamento causar tantos problemas.  — Absolutamente. Que mais pode nos contar sobre o ataque? Quantos anarki virão? Por 
  11. 11.     Shayla Black Irmandade do Caos 03   ** Essa tradução foi feita apenas para a leitura dos membros do Talionis. **    11 onde se aproximarão? O que procuram?  —  Muitos.  Shock  não  especificou  quantos.  Não  sei  como  pretendem  entrar.  Talvez  ele  conheça alguma entrada... — Sua voz quebrou em um soluço.  Era evidente que ver seu anterior amante ao tempo que traía o atual não estava parecendo  fácil.  Sabelle também se perguntou por que Anka estava com Shock. Agora compreendia que sua  baixa posição social e suas escassas expectativas o convertiam em uma alternativa «fácil» para ela  em uns momentos tão difíceis.  — Querem o Livro do Caos — resmungou Anka.  Sabelle fechou os olhos com força. Maldita Morgana Le Fay por ter criado uma arma pela  que havia magos dispostos a lutar e morrer. Os mil e quinhentos anos nos quais esteve escondido,  fez com que a lenda que o rodeava, aumentasse a vontade de algumas pessoas, em fazer algo  como lhe jogar a luva.  — Mathias não pode fazer uso dele — assinalou Sabelle— E sabe. Não é mulher.  Anka assentiu.  — Sua intenção é levar também uma de vocês.  — A ela não levará — Disse alguém, com uma firmeza esmagadora.  Sabelle se voltou para a taxativa voz: Ice. O guerreiro a estava olhando com uma atitude  protetora tangível como uma carícia. Engoliu saliva.  — Pois claro que não — assegurou Duke— Sabelle é muito importante para nossa causa.  Ice rodeou a mesa a grandes passos e plantou a escassos centímetros dela, exsudando calor  por todos os poros de seu corpo.  — Não a levará enquanto eu viva.  Duke se voltou para Sabelle com expressão interimplorativa, mas esta o ignorou. A atitude  protetora de Ice era muito similar a que um mago teria para sua companheira. Era natural que  Duke tivesse curiosidade. A união entre Ice e ela seria, como pouco, chocante.  Fazia muito que se levantava um rumor que Ice estava louco. Muitos diziam que tinha um  gênio de mil demônios. Sabelle desconhecia o porquê e ela pessoalmente não viu nele nenhum  comportamento errático. Entretanto, Bram teve o trabalho para mantê‐la afastada do guerreiro,  ao  que  parecia  como  um  mal  necessário.  Os  serventes  o  evitavam,  evitavam  seus  olhos  desafiantes que se burlavam em silêncio de seu medo. Mas quando a olhava, seu desafio cobrava  uma aparência bem diferente.  Sabelle olhou Duke com nervosismo, rezando por saber o porquê que tanto ele como outros  atribuíram o comportamento possessivo de Ice a sua suposta demência. Fossem quais fossem seus  motivos, ela não podia aceitar nada do que ele oferecesse, por mais que desejasse fazê‐lo.  — Não vai acontecer nada — Sussurrou ao mago, enchendo‐se de coragem para voltar um  pouco e olhá‐lo por cima do ombro.  Mas ele permaneceu altivo a seu lado, tão perto que Sabelle estava segura de que podia  ouvir  os  batimentos  de  seu  coração  e  perceber  o  aroma  que  desprendia  seu  corpo,  uma  almiscarada  combinação  de  salvia,  cedro  e  terra.  Uma  essência  que  cada  vez  fazia  que 
  12. 12.     Shayla Black Irmandade do Caos 03   ** Essa tradução foi feita apenas para a leitura dos membros do Talionis. **    12 afrouxassem os joelhos.  — Obrigado, Anka — Disse ela, olhando à outra bruxa— Tomaremos medidas para proteger  a casa e o diário.  —  Há  mais  —  repôs  Anka,  voltando‐se  para  Duke  —  Shock  disse  também  que  Mathias  decidiu que a maneira mais rápida de subir ao poder é entrar no Conselho.  Sabelle sentiu que o coração dava um salto.  — Agora mesmo não há nenhuma vaga no Conselho. Não houve há décadas.  Os pensamentos de Anka penetraram em seu cérebro e afogou um grito ao compreender a  espantosa realidade. Voltou para olhar Duke, quem, de repente, tinha uma expressão grave.  — Pensa assassinar um membro do Conselho? — Perguntou Sabelle com voz trêmula.  — O plano é começar com um, e no final...  Mathias  tramava  matá‐los  a  todos.  Do  que  outra  forma  ia  fazer  se  não  com  o  controlo  absoluto do Conselho? Isso significava que se não se fixou antes em seu irmão como objetivo,  Bram estava agora em sua lista.  Sabelle notou que dobravam os joelhos e revolvia o estômago. As monstruosas revelações  chegavam uma atrás de outra. Sentiu que falhavam as forças.  Mas antes que tocasse o chão, umas fortes mãos a ajudaram a ficar em pé e uns braços de  aço a levantaram. Sabelle olhou a seu salvador, embora já sabia que ia se encontrar com uma  cabeça rapada e uns intensos olhos verdes que pareciam chegar até sua alma.  Ice a sentou em sua cadeira com extrema doçura.  — Está extenuada. Já basta.  Estava claro que seus esforços não estavam dando fruto, porque Bram não melhorou nem  um ápice e Mathias estava urdindo um plano para acabar com a Irmandade, roubar o Diário e  matar aos membros do Conselho. Ninguém fez o suficiente.  — Está segura? — Perguntou a Anka com voz fraca.  A ex‐companheira de Lucan assentiu, mordendo o lábio.  — Vim correndo dizer isso. Sei que não têm motivos para confiar em mim. Minha associação  com  Shock  não  inclui  Mathias,  asseguro  isso.  Depois  do  que  me  fez,  confio  em  que  vá  para  o  inferno, e farei o que seja para ajudar, inclusive passar informação.  Passar informação proveniente de seu atual amante a seu antigo amante e seus amigos.  — Agradecemos tudo o que possa nos contar — assegurou Sabelle.  A expressão de Duke não revelava já suspicacia alguma.  — Tome cuidado.  Com um triste sorriso e um olhar para a escada pela que se foi Lucan, Anka saiu da casa e se  teletransportou.  Sabelle fechou a porta e, com as poucas forças que ficavam, retornou à mesa.  — Precisamos um plano. Imediatamente.  Duke assentiu.  —  Têm  que  recolher  suas  coisas.  Todos.  Caden,  Sydney  e  você,  vão  procurar  Lucan.  Tranquilizem e digam que Anka se foi. Ice, pode se encarregar de transportar as armas? Que ajude 
  13. 13.     Shayla Black Irmandade do Caos 03   ** Essa tradução foi feita apenas para a leitura dos membros do Talionis. **    13 Tynan. Não podemos permitir que caiam em mãos de Mathias.  A aura de autoridade que emanava dele contribuiu a que a sala se esvaziasse rapidamente,  embora Ice se atrasou um momento para dar uma última olhada em Sabelle.  Logo, Duke a conduziu à biblioteca próxima e fechou a porta.  — Quanto pode demorar em levantar novas medidas de segurança com nossa magia?  — Não acredito que possamos fazê‐lo em tão poucas horas. A magia de Bram é complicada.  Posso deixar entrar gente conhecida, como Anka, e desfazer os feitiços que eu mesma levantei ao  redor da casa, mas, até que ele não desperte, não tenho nem ideia de como desarticular seus  escudos protetores, embora estejam debilitando.  — Não podemos reforçá‐los de alguma forma?  — Só com as indicações e a permissão de Bram. Calculo que poderíamos demorar vários  dias.  — Não temos vários dias. — Duke amaldiçoou para si com frustração.  — Em efeito — respondeu ela, caminhando para cima e para baixo da sala.  — Então teremos que abandonar a casa.  Sabelle  apertou  os  lábios  tremendo.  Aquele  lugar  cheio  de  lembranças  era  seu  lar.  Bram  adorava aquela casa. Seu isolamento, sua beleza. E agora ela não sabia como salvá‐la para ele.  Estava perdendo o controlo de sua vida.  — Sei que é uma grande responsabilidade para você — Murmurou Duke, como se falasse  com um menino.  — Não tente tranquiliza‐me. Estou bem — respondeu Sabelle, as costas erguida de raiva e  determinação — O importante é proteger o diário.  — Olivia, Sydney ou você podem pegá‐lo e sair daqui. Qualquer mulher pode transportá‐lo.  Sabemos que sua magia fará que desapareça se alguém o pegue, e que voltará imediatamente  para sua última proprietária ou ao lugar onde esta o tenha deixado.  — Eu o pegarei — se ofereceu.  — Sabelle...  —  Olivia  ainda  não  se  transformou  e  Marrok  é  humano  e  mortal.  Se  os  comparsas  de  Mathias o matassem, Olivia ficaria literalmente sem defesa.  Duke suspirou com aborrecimento.  — Estou de acordo. É um guerreiro legendário, mas é humano e não tem poderes mágicos.  Mathias desfrutaria muito o destroçando. E Sydney também é humana.  —  Assim  é.  —  E  ainda  por  cima  carecia  da  habilidade  de  Marrok  no  campo  de  batalha.  Converteu na nova cronista da comunidade mágica, o que a transformava em um branco seguro. A  isso terei que unir o fato de que seu companheiro, Caden, acabava de completar sua transição à  magia  e  ainda  não  dominava  suas  habilidades,  por  isso  entregar  o  diário  para  sua  defesa  não  parecia muito inteligente.  E, a julgar por sua expressão, Duke pensava o mesmo.  — Não posso deixar que você vá sozinha.  — Duke... 
  14. 14.     Shayla Black Irmandade do Caos 03   ** Essa tradução foi feita apenas para a leitura dos membros do Talionis. **    14 — Se tiver intenção de pegar o diário e levar longe daqui, precisará a segurança de pelo  menos um guerreiro. Eu levarei seu irmão e me assegurarei de que esteja bem cuidado.  — Não! — A mera ideia de que a separassem de Bram, de não saber de primeira mão se  estava vivo ou morto, ou se a precisava para algo, aterrorizava— Bram vem comigo.  — Seja razoável.  — E você tenha um pouco de compaixão. É virtualmente o único parente vivo que fica. —  Sua egoísta mãe, sempre ausente, não contava.  Duke esfregou a testa.  — Está fazendo isso muito difícil.  —  Você  vai  com  Caden  e  Sydney.  Se  assegure  de  que  continuem  os  comunicados.  É  necessário que a comunidade esteja informada. Envia Tynan com Marrok e Olivia. Também fará  falta segurança mágica.  — Isso deixa Lucan e a Ice.  Sabelle  tomou  ar  e  amaldiçoou  por  ter  caído  em  sua  própria  armadilha.  Ficar  a  sós  com  qualquer dos dois podia ser perigoso. Confiava plenamente na capacidade de Ice para protegê‐la,  pelo que não estava tão segura era de encontrar a força para resistir a ele.  — Que me acompanhe Lucan.  — Já ouviu o que ele mesmo disse de suas mudanças de humor. Visto seu comportamento  com Anka, não seria difícil que tivesse uma recaída. Você proporcionou energia. Se retornasse ao  estado raivoso do duelo, poderia negar a ter sexo com outra pessoa que não fosse você, e obrigar  a isso. Não podemos correr o risco. Que Ice acompanhe também.  Por  muito  que  Sabelle  desejasse  ser  autossuficiente,  pensar  que  ela  sozinha  poderia  proteger  o  diário,  cuidar  de  seu  irmão,  lutar  com  um  mago  que  podia  recair  na  dor  de  um  profundo duelo, e ainda por cima lutar contra um exército de anarki, era uma loucura.  — Bram não quer que me aproxime de Ice.  — Acredito que ainda gostaria menos que morra. Sabelle, o relógio corre. Temos que ir já.  Maldição!  — Certo, que me acompanhem os dois. Mas terá que dizer que se comportem. Nego‐me a  fazer de árbitro em cima.  — Feito.  — Vou pegar umas coisas e o diário. Diga a Lucan e a Ice que desçam Bram e me esperem no  vestíbulo. Estarei pronta em meia hora.  Furiosa e aterrorizada, saiu correndo para o escritório de Bram, onde estava oculto o Livro  do Caos. Malditos fossem todos. A quantidade de atenção que requeria todos aqueles homens era  exaustiva. Como demônios ia dirigir a tensão existente entre os três? Por um lado, a possibilidade  de que Lucan sofresse uma recaída e, por outro, o desejo de Ice, sem esquecer as expectativas que  Bram depositou nela. Já o pensaria, mais tarde. Nesses momentos não podia se preocupar com  isso.  Sabelle pegou o diário e se atrasou um momento no escritório. Deu uma olhada ao redor,  rememorando as inumeráveis ocasiões em que viu ali a seu irmão, e se perguntou se voltaria a vê‐
  15. 15.     Shayla Black Irmandade do Caos 03   ** Essa tradução foi feita apenas para a leitura dos membros do Talionis. **    15 lo curado e em plenas faculdades.  Engoliu o nó de medo que se formou na garganta e se encaminhou para a porta, sentindo o  passo dos minutos, que anunciava o iminente perigo.  De  repente,  o  chão  tremeu  sob  seus  pés,  e  uma  gigantesca  explosão  retumbou  em  seus  ouvidos. As paredes se estremeceram e a fumaça encheu o ar, fazendo‐a tossir. Caiu de joelhos,  aferrando o diário contra seu peito, e saiu engatinhando para o corredor, também invadido pela  fumaça.  Duke  se  aproximou  com  passo  inseguro  a  uma  das  janelas  da  parte  da  frente  da  casa  e  olhava para fora com o semblante horrorizado.  — Vamos. Estão nos atacando.      CAPÍTULO 2      Quando o céu retumbou, e Ice ouviu o grito de uma mulher, se gelou o sangue. Sabelle!  Tynan  e  ele  não  terminaram  de  esconder  as  armas  quando  ouviram  os  primeiros  sons.  Estavam atacando. Diante da situação de escolher entre proteger a equipe e salvar Sabelle, não  havia escolha possível.  Depois de recolher algumas armas, Ice conjurou uma corrente de água que o cobria até a  coxa e alagou o resto. Logo deu meia volta e saiu pela escada em direção ao primeiro andar da  enorme casa. Ao chegar à cima, percorreu com o olhar o imenso corredor, entre a densa poeirada  causada pelo desmoronamento do teto.  — Sabelle! — Chamou, percorrendo com furiosos passos o escritório de Bram, a biblioteca, o  corredor, esmagando vidros quebrados com as grossas botas. Todas as salas estavam desertas.  Duke entrou então cambaleando pela porta principal, com a testa ensanguentada.  — Os anarki invadirão a casa em menos de cinco minutos. Leve Sabelle e o diário daqui. Que  acompanhe Lucan.  Ice  assentiu  com  a  cabeça  amaldiçoando  entre  dentes.  Irritava  ter  que  deixar  que  Lucan  fosse  com  eles,  mas  seu  medo  era  maior  que  sua  irritação.  Em  que  pese  não  teve  nunca  um  contato  íntimo  com  Sabelle,  ela,  era  tudo  para  ele.  Ice  nunca  compreendera  muito  bem  o  premente  impulso  de  um  mago  por  emparelhar  até  que  a  viu.  Bastou  vê‐la  uma  vez  para  compreender.  Embora  existisse  a  possibilidade  de  que  fosse  de  Lucan  algum  dia,  de  maneira  nenhuma  estava disposto a sacrificá‐la por Mathias.  — Levo um momento rouco, mas não responde a minhas chamadas. Sabe onde está?  —  Sinto  muito...  —  Duke  deixou  a  frase  pela  metade  e  saiu  correndo  para  o  fundo  da  mansão.  Ice colocou a mão na boca e voltou a chamar:  — Sabelle! 
  16. 16.     Shayla Black Irmandade do Caos 03   ** Essa tradução foi feita apenas para a leitura dos membros do Talionis. **    16 — Aqui em cima.  Nesse momento produziu uma tremenda explosão, e, a não ser por sua voz de sereia, Ice  não a teria ouvido. Subiu de dois em dois os degraus e foi abrindo as portas de todas as salas a seu  passo. Encontrou‐a em uma decorada com suntuosas sedas de cor dourada.  Teve  que  reprimir  a  vontade  de  tomá‐la  em  seus  braços;  não  faria  graça  e  tampouco  permitiria.  A bruxa colocou jeans e um pulôver cor creme apertado e estava colocando várias coisas em  uma mochila negra.  — Estou pronta.  — Tem o Livro do Caos?  Sabelle assinalou a mochila e, passando apressadamente junto a ele, saiu do quarto.  Quanto mais perto dela estivesse, mais segura estaria. Segurou pelo braço e a conduziu para  a escada, mas Sabelle escapou dele e começou a correr pelo corredor.  Ice saiu atrás dela.  — Aonde demônios...? Temos que ir!  — Não irei a nenhum lugar sem meu irmão — respondeu a jovem por cima do ombro.  Deu vontade de dizer que, por ele, o casulo altivo de Bram podia apodrecer ali mesmo, mas  Sabelle  esbanjaria  um  tempo  precioso  discutindo  e  tratando  de  descer  seu  irmão  pela  escada  embora  fosse  com  um  carrinho  de  mão.  Quanto  mais  tempo  permanecessem  ali,  mais  perigo  correria.  — Maldição — resmungou Ice, pisando nos calcanhares.  O quarto de Bram, com seus pesados cortinados, a madeira escura e os luxuosos damascos  era  uma  ode  à  opulência.  Ice  não  desperdiçou  tempo  em  negar  com  a  cabeça,  irritado.  Nesse  preciso  momento,  Sabelle  estava  tentando  fazer  levitar  seu  irmão  mediante  um  feitiço  para  realizar a evacuação. Era muito mais fácil o carregar no ombro.  Com  uma  imprecação,  Ice  surgiu  airadamente  junto  a  ela  e,  agarrando  o  peso  morto  de  Bram entre os braços, o carregou ao ombro como um saco.  — Tome cuidado! Está muito doente.  Como se ele não soubesse. Com a mão livre, agarrou Sabelle e começou a correr.  — Venha, vamos!  Uma nova explosão fez retumbar toda a casa. Encontravam‐se já a meio caminho da escada,  quando a porta principal começou a gemer e a tremer de forma intermitente diante do ataque do  que devia ser o equivalente mágico de um aríete. Os anarki estavam lançando energia para a casa  toda, de maneira coletiva, tentando reduzir seus escudos mágicos. E Ice sabia que não demoraria  em conseguir.  Fosse uma maré de vozes fazia coro junto. O fodido exército de Mathias completo estava ali,  e à Irmandade teria muita sorte para conseguir poder escapar com vida. Ice não se importava  grande  coisa  o  que  pudesse  acontecer  a  ele,  mas  Sabelle  sim  importava.  Para  a  comunidade  mágica era importante pô‐la e o diário a salvo.  Ao pé da escada, o mago a empurrou para o interior de uma sala do fundo da casa. 
  17. 17.     Shayla Black Irmandade do Caos 03   ** Essa tradução foi feita apenas para a leitura dos membros do Talionis. **    17 — Vá dar uma olhada às janelas de trás. Os anarki nos rodearam?  Ela ficou olhando fixamente, com um véu de medo em seus preciosos olhos de cor azul. Mas  se armou de coragem e foi cumprir a tarefa, evitando os projéteis enquanto um novo golpe fazia  tremer a casa. Era uma mulher elogiável, e se tivesse mais tempo, Ice diria.  Mas no momento se limitou a depositar o corpo inconsciente de Bram no chão e colocar em  posição defensiva junto à porta principal, de cara à violenta ameaça do exterior. Marrok, Olivia e  Tynan desceram a escada correndo. Marrok viu Sabelle no fundo da casa e pediu a Olivia que fosse  com ela. O guerreiro imortal e Tynan se colocaram então junto a Ice para confrontar o iminente  ataque.  Duke saiu dando tropeções do escritório de Bram e também os uniu.  — Informei ao Conselho que estão nos atacando.  Aqueles velhos grosseiros não moveriam um dedo, mas a fé que Duke tinha na nobreza da  classe dominante era compreensível, tendo em conta seu título e sua educação.  — Onde estão Lucan e Caden? — Bramou então Duke.  Ice encolheu os ombros. Não era problema dele. O único que importava naquele momento  era proteger a porta o tempo necessário para que Sabelle pudesse escapar dali com o diário.  — Não vejo nenhum anarki atrás — gritou a bruxa.  Isso não significava que não estivessem ali. Podiam se esconder, mas se esperavam muito  mais para pôr a salvo às mulheres e sair da casa, o maldito exército de Mathias estaria por toda  parte. E a fuga seria então impossível.  Caden e Sydney apareceram na escada de sua direita, seguidos por um instável Lucan que se  apertava com força uma ferida no ombro.  — O que aconteceu? — Perguntou Duke.  — Um pedaço de vidro. Já curará alguém quando estivermos a salvo — sugeriu Caden.  As instâncias de Caden, Sydney se uniu às outras mulheres. Na porta de trás, Sabelle brandiu  sua varinha disposta a brigar, e Ice se voltou um pouco de maneira que pudesse ver ambas as  portas com apenas mover um pouco a cabeça. Não iria ser a Sabelle que lutaria!  Duke levantou as cortinas de cor creme que cobriam as janelas a ambos os lados da porta. O  número de encapuzados negros não fazia mais que aumentar. Começaram a estender por todo o  perímetro da casa, escapando como formigas. Em questão de segundos, se uniram mais, e mais,  até que as centenas passaram a serem milhares.  Lucan  e  Caden  trocaram  um  olhar  e  colocaram  junto  a  seus  companheiros  de  batalha.  A  porta gemeu e estilhaçou. Ice não queria que Sabelle estivesse perto do inferno que ia se desatar  de um momento para outro.  — Leve Sabelle, o diário e Brian. Lucan me ajudará a defender a porta. Assim que esteja  preparado, enviarei — insistiu Duke.  Mas em vez disso, Lucan saiu correndo para Sabelle.  Começar a discutir então era um luxo que não podiam permitir, mas Ice teve que morder a  língua para conter.  — Está bem. 
  18. 18.     Shayla Black Irmandade do Caos 03   ** Essa tradução foi feita apenas para a leitura dos membros do Talionis. **    18 —  A  princípio  nos  dividiremos  para  despistá‐los,  reduzir  seu  número  e  fazer  que  nos  persigam em várias direções — explicou.  Duke com gesto sombrio e preocupado— Agora o diário é o mais importante. Temos que  evitar que caia em mãos de Mathias como é.  — Contactarei com vocês assim que esteja em um lugar seguro. Aonde vão?  Duke fez uma careta de dor quando a porta se estilhaçou um pouco mais e começou a entrar  fumaça cinza. O mesmo tipo de fumaça que estava matando Bram pouco a pouco.  Os guerreiros lançaram um grito, amaldiçoaram e começaram a retroceder à medida que a  traiçoeira  fumaça  subia  pelas  paredes  e  serpenteava  pelo  chão.  Era  mais  que  provável  que  o  próprio Mathias estivesse ali.  — Vai já! — Gritou Duke.  Ice não esperou que lhe dissessem duas vezes. Com Bram no ombro, começou a correr para  a porta detrás e colocou a mão com apresso nas costas de Sabelle para insistir que se movesse.  — Pegue na sua mochila, saia e fique sempre na zona de sombra. Temos, como muito, dois  minutos.  Ela assentiu com gesto trêmulo, mas não se deixou apanhar pelo pânico.  — E Lucan?  A quem merda importa? Depois de perder sua companheira, o muito idiota acreditava que  podia utilizar Sabelle porque era formosa, boa e uma solução prática?  ―Atrás de nós.  Ela assentiu e agarrou suas coisas.  — Estamos a salvo no momento. Bram estará conosco.  Era bom saber. Mesmo assim, quando Ice abriu a porta, viu que os anarki estavam também  pela  parte  detrás  do  imenso  imóvel.  Não  via  nenhum  por  ali,  mas  sim  os  ouvia  atacar  as  debilitadas defesas mágicas da casa de Bram, devorando a distância que os separava dos membros  da Irmandade, situados em linha de defesa atrás da porta detrás.  Ice apressou Sabelle em direção ao terraço, ocultando entre as sombras que proporcionava  a cornija, e pegou a ela por trás, protegendo com seu próprio corpo. O frio de dezembro deu boas  vindas, mas pareceu bem notar o arrepio gelado na pele. Estava começando a nevar. Confiava em  que  aqueles  idiotas  de  anarki  estivessem  passando  um  mau  momento.  E  ele  estava  mais  que  disposto a acelerar o processo como ocorresse ameaçar sua Sabelle.  Maldição, não é sua. Ice fez calar a irritante voz que habitava em sua cabeça a tempo que  rodeava a bruxa com um braço para conduzi‐la para o canto do terraço e depositava Bram a seus  pés  se  por  acaso  necessitava  as  duas  mãos  para  lutar.  Rodeados  de  concreto  pelas  costas  e  a  ambos  os  lados  poderia  defendê‐la.  De  costas  a  ela,  empurrou  contra  a  parede  e  estudou  o  terreno em busca de possíveis ameaças. Viu Marrok, Olivia e Tynan sair da casa. Avançaram só uns  poucos  passos  antes  que  este  último  agarrasse  o  casal  e  se  teletransportasse  longe  dali  com  ambos. Sydney e Caden fossem os seguintes a sair.  Onde demônio estava Lucan? O muito casulo tinha dez segundos para sair ou Ice o deixaria  ali para que se virasse sozinho. 
  19. 19.     Shayla Black Irmandade do Caos 03   ** Essa tradução foi feita apenas para a leitura dos membros do Talionis. **    19 Duke saiu coxeando pela porta, arrastando consigo um Lucan ferido, sangrando da cabeça  aos pés.  As  suas  costas,  Sabelle  conteve  um  gemido  de  estupor  e  tratou  de  correr  até ele.  Ice  se  voltou e a esmagou sem piedade com seu corpo contra a parede, ocultando no canto que formava  o ângulo do edifício.  — É que não ouve os anarki? Os temos quase em cima. Não acreditará que vou deixar que  ficasse em perigo por cuidar do MacTavish.  — Mas talvez necessite...  — É um mago com experiência e está rodeado de gente que pode se ocupar dele. Escapará.  — Mas eu o estive cuidando desde que Anka...  O rosto de Ice deve ter refletido a fúria que sentia e a imensa força de vontade que estava  empregando para anulá‐la. Sabia que Sabelle se ofereceu em sacrifício voluntário a MacTavish, e o  fato em si acendia um fogo de ciúmes e ódio no interior de Ice. Lucan seguia amando Anka, mas  utilizava o corpo de Sabelle, seu doce e sedoso corpo, para satisfazer suas necessidades. E ela o  animava a fazê‐lo. Estaria apaixonada por ele? Ice sabia que a bruxa nunca poderia ser dele, mas  antes preferia arder no inferno que ficar de braços cruzados vendo como Lucan a utilizava.  — Preferiria que MacTavish morresse ou que o diário caísse em mãos de Mathias?  Sabelle inspirou profundamente e o tato de seus peitos contra seu torso esteve a ponto de  ser sua ruína. Mas aquele não era momento nem lugar.  — Tem razão. Eu... Eu não sei no que estava pensando. — Ao exaltar, seu fôlego formou  uma  nuvem  de  bafo  ao  entrar  em  contato  com  o  ar  frio.  Ice  morria  por  beijá‐la,  mas  não  se  atreveu.  — Ice! — A voz de Duke penetrou a fria escuridão.  Maldição O mago cravou em sua todo‐poderosa senhoria um olhar de irritação e arqueou  uma sobrancelha.  — Os anarki entraram na casa. A fumaça cinza está por toda parte. Leve Sabelle longe daqui.  Lucan está muito ferido, e mais que ajudar, estorvaria. Eu o levarei a casa de Caden e Sydney.  Era a melhor ideia que ouviu em todo o dia.  — Vamos, princesa.  Rodeou Sabelle pela cintura. Ela o segurou pelos pulsos e perguntou ofegante:  — Aonde?  Ice conhecia numerosos lugares remotos entre Londres e sua terra natal e poderia encontrar  infinidade de lugares que proporcionariam um bom esconderijo durante todo o tempo que fosse  necessário.  — Onde não estejam eles.  Segurando‐a com mais força, Ice tentou não pensar no bem que se amoldava seu corpo ao  dele, no oscilante que pareceu seus seios contra seu torso, no fácil que pareceria colocar a mão  debaixo de seu traseiro e insistir que o rodeasse com as pernas enquanto ele a montava...  Isso não vai ocorrer, repreendeu.  Concentrou então no Wye Valley, nas montanhas galesas, e teletransportou ali os três. A 
  20. 20.     Shayla Black Irmandade do Caos 03   ** Essa tradução foi feita apenas para a leitura dos membros do Talionis. **    20 escuridão e uma intensa sensação de grávida desorientação se apoderou de Ice, mas seguia sendo  consciente de seu braço ao redor da cintura de Sabelle e do corpo desta grudado ao seu enquanto  carregava sobre o ombro o peso morto de Bram.  Pisaram em chão firme no final de um momento, concretamente em meio de um arvoredo  com um riacho próximo. As luzes da cidade próximo brilhavam na distância.  Ice ajudou Sabelle a ficar em pé e a conduziu em direção oposta.  — Está bem?  Ela  assentiu  à  luz  prateada  da  lua,  seu  rosto  e  seus  seios  emoldurados  por  uns  resplandecentes cachos de cabelo dourados que pareciam quase brancos.  — Onde estamos?  Não era boa ideia pensar em seus seios nesse momento; nunca, melhor dizendo.  — Herefordshire. Conheço bem. Vamos.  Ice  reequilibrou  o  peso  de  Bram  sobre  seu  ombro  e,  pegando  pela  mão,  internaram  na  espessura. Se a memória não falhava, havia uma casa abandonada em uma colina próxima. Seria  fácil defender e proporcionaria refúgio para passar a noite. Depois de restabelecer a comunicação  com Duke e os outros, marcariam um ponto de encontro.  Não  avançaram  mais  que  uns  quantos  passos  quando  ouviu  que  algo  se  movia  muito  depressa a suas costas.  — Onde estão? — Trovejou uma grave voz de homem — Encontrem. O feitiço que Rhea pôs  sobre o diário nos diz que se transportaram até aqui. Dissemine!  Mathias. Merda e mil vezes merda. O muito idiota o seguiu. A coisa não pintava nada bem.  Ice não sabia quem era essa Rhea, mas estava claro que jogou algum tipo de feitiço e os  anarki conheceriam a localização exata do diário cada vez que alguém se teletransportava com  ele.  A pergunta era: poderia seguir o feitiço se moviam a pé?  Sabelle afogou um grito de estupor apenas audível e Ice oprimiu a mão com mais força e  apertou o passo, confiando em que pudesse segui‐lo. Em caso de que não fosse assim, a levaria  nos braços. Faria o que fosse com tal de pôr ela e o diário a salvo. Certo que ele tinha as pernas  mais longas, Sabelle aguentou o passo. A adoração que Ice já sentia pela linda bruxa aumentou  ainda mais.  Ziguezaguearam entre as árvores em silêncio, avançando para a casa abandonada. Embora  já não pudessem ficar ali. O mais provável era que os anarki a revistassem. Teriam que seguir em  movimento.  Menos mal que a escuridão cobria seus rastros no barro e que nevou. Dirigiram para a colina  situada para o lado oeste do vale. Ice ouviu que vários magos os perseguiam, amaldiçoando em  voz alta cada vez que tropeçavam com um ramo.  — Está certo que saíram nesta direção? — Perguntou um.  —  Não  sei.  Se  teletransportaram  e  localizaremos  —  assegurou  Mathias—  Essa  puta  não  poderá escapar. Quando a encontrarmos, será um prazer despi‐la e me assegurar de que saiba  quem comanda aqui. 
  21. 21.     Shayla Black Irmandade do Caos 03   ** Essa tradução foi feita apenas para a leitura dos membros do Talionis. **    21 Sobre meu cadáver, disse Ice com fúria.  A conversa deixou clara uma coisa: enquanto se movessem a pé, a menos que os anarki os  divisassem, não poderiam localizar o diário. Passou fugazmente pela cabeça escondê‐lo em uma  árvore e teletransportar para outro lugar, mas era um risco muito grande. Teriam que continuar.  Sabelle  tropeçou  na  escuridão  e  chocou  com  ele.  Ice  rodeou  a  cintura  para  impedir  que  caísse. Devia estar cansada, mas não parecia seguro baixar o ritmo.  — Acredita que pode seguir um pouco mais? — Sussurrou ele.  — Farei — respondeu ela entre ofegos.  Ice não estava seguro de poderia, mas rogou que pudesse tirar forças de fraqueza.  Sem  dizer  uma  palavra,  tirou  a  mochila  que  levava  nas  costas  e  a  pendurou  no  ombro.  Levava Bram sobre o outro, mas, igual com o diário, não se atrevia a deixar o mago atrás e que o  inimigo o encontrasse e o utilizasse contra eles.  Ice suava profusamente e o coração martelava contra as costelas. Os pulmões iriam explodir  e as coxas ardiam, mas não podiam parar.  Por fim chegaram à colina que os tiraria do vale. Ice se sentia capaz de sair dali, procurar um  carro na cidade mais próxima e afastar até um lugar onde pudessem estar seguros.  Justo nesse momento, a lua apareceu entre as nuvens, iluminando todo o vale. As árvores a  ambos os lados eram escassas e estavam muito separados entre si. Ice caiu de repente na conta  de que o pulôver de Sabelle resplandecia na escuridão sem a mochila tampando as costas. Merda!  Teriam que improvisar, e rápido. Se fosse outra pessoa, melaria de barro da cabeça aos pés,  incluído seu sedoso cabelo dourado. Mas Sabelle Rion? Seguro que não sabia sequer o que era o  barro. E, de qualquer maneira, não tinham tempo. Ouviu que seus perseguidores eram mais que  antes e que pisavam nos calcanhares.  Embora soubesse que Sabelle aguentasse e pudessem fugir em direção norte, paralelos ao  rio, temia que dessem de cara com outra partida de anarki. O mesmo iam pela direção sul. Para  este havia uns escarpados e para oeste estava o rio.  Estavam literalmente presos.  Pensa  —  ordenou  que—  Pensa!  Se  não  podiam  pôr  para  correr  em  nenhuma  direção  e  tampouco podiam teletransportar, como demônio ia manter a salvo o diário e Sabelle?  — Ice — ofegou em seu ouvido— Sei que não deveríamos parar para descansar, mas talvez  pudessem nos refugiar na copa de uma árvore. Possivelmente divisemos um esconderijo de cima.  Ice se voltou para ela boquiaberto de surpresa, e com o coração cheio de gratidão.  — Parece perfeito.  Deu uma frenética olhada a seu redor até que deu com uma robusta árvore que tinha alguns  ramos  baixos.  Ajudou‐a  subir  e  passou  a  mochila.  Ouvia  que  os  anarki  estavam  cada  vez  mais  perto.  Muito  já.  Talvez  pudesse  teletransportar  até  um  ramo  no  alto  da  árvore  antes  que  os  comparsas  de  Mathias  dessem  com  ele.  Talvez,  mas  não  queria  correr  o  risco  de  perder  o  equilíbrio ao aterrissar. Necessitava algo que servisse de distração, algo que os enviasse a procurar  em outra parte.  — Ice! — Vaiou Sabelle. 
  22. 22.     Shayla Black Irmandade do Caos 03   ** Essa tradução foi feita apenas para a leitura dos membros do Talionis. **    22 Os perseguidores estavam muito perto. Tinha que tomar uma decisão já.  Com  um  silencioso  grunhido,  arrumou  a  carga  que  levava  no  ombro  e  subiu  a  seguinte  árvore. Não estava muito bem oculto, mas, entre a escuridão e as roupagens negras de Bram,  confiou em que pudesse enganar Mathias e a seus esbirros.  Assim e tudo, necessitava algo com que distrair.  — Tome cuidado — Sussurrou Sabelle com obrigação— Está muito doente.  Mas não estava morto ainda, como sem dúvida estaria Mathias o encontrava.  Uma  olhada  à  bruxa  fez  que  se  detivesse  reconsiderar  a  situação.  Seu  pulôver  branco  brilhava como um farol à luz da lua, e uma árvore desprovida de folhagem não proporcionava  excessiva camuflagem precisamente.  — Me dê meu pulôver — Sussurrou com tom premente.  Ela retraiu automaticamente.  — O que?  Estavam muito perto. Ouviam já suas imprecações e seus passos sobre o tapete de folhas  mortas.  Não  acreditava  que  estivessem  a  mais  de  alguns  metros  de  distância.  Em  questão  de  segundos os descobririam.  — Seu pulôver. Deem isso.  Sabelle olhou o torso e compreendeu em seguida. Sem pensar mais, cruzou os braços pela  frente da cintura e tirou o objeto.  Ice tentou não pensar no que levaria ou deixaria de levar debaixo. Vislumbrou muita pele  dourada, e amaldiçoou sua situação. Não só era uma tentação, mas também não aguentaria muito  com aquele frio sem nada em cima. Era evidente que seguiam sem ter tempo de sua parte.  — Em seguida volto. Se os anarki encontrarem, pega o diário e se teletransporte a algum  lugar onde possa obter ajuda.  — E deixar Bram e você? Não. — Cruzou os braços.  Para ser uma princesa, era tremendamente teimosa.  — Prometa isso.  Ela negou com a cabeça.  — Agora ― pediu em um sussurro que o vento levou.  —  Que  fodido  frio  faz!  —  Exclamou  um  dos  magos  que  os  perseguiam,  a  uns  cinquenta  metros à esquerda de onde se encontravam— Odeio o inverno.  Ice se escondeu atrás do tronco não sem antes dirigir a Sabelle um olhar suplicante.  — Por favor — articulou em silêncio.  No final, ela revirou os olhos em sinal de aceitação e assentiu.  Com  o  pulôver  enrolado  em  torno  da  mão,  Ice  tratou  de  não  pensar  em  que  estaria  manchando com seus sujos dedos. Ou em que podia notar seu aroma de pêssego subindo por suas  fossas nasais.  — Voltarei para buscá‐la — disse, movendo os lábios sem emitir som.  Conseguiu teletransportar‐se para uma pequena árvore, ao outro lado do rio, confiando em  que isso desse um pouco de vantagem, mas não tinha nem um pingo de graça deixá‐la ali sozinha. 
  23. 23.     Shayla Black Irmandade do Caos 03   ** Essa tradução foi feita apenas para a leitura dos membros do Talionis. **    23 De cócoras no chão enlameado, percebeu o aroma da chuva que caiu recentemente. O coração  batia a um ritmo vertiginoso, idêntico ao de seus pensamentos. Tenho que voltar para Sabelle.  Tenho que voltar para Sabelle.  Não via nenhum anarki daquele lado do rio. Todos permaneciam perto dela, de Sabelle, que  tão valente se mostrou quando a deixou na árvore. Sua mudança de posição deveria bastar para  distraí‐los e atraí‐los para aquele lado do rio.  Levantou o  braço para o ramo que tinha mais perto e se agarrou a ele para levantar‐se.  Logo, jogou uma perna por cima e estendeu sobre o ramo para um nó no que confluíam vários  ramos mais e colocou ali o pulôver de Sabelle. Depois, baixou ao chão de um salto e correu para  esconder‐se junto à árvore mais próxima.  Felizmente, não se ouviam gritos procedentes do outro lado do rio. Não havia sinais de que a  tivessem descoberto. Agora.  Subiu à velha árvore tratando de conter sua preocupação e procurou angustiado entre os  brotos jovens um ramo a que se segurar. Fixou em que tinha em cima e se dirigiu para ele.  — Por aqui! — Ouviu que alguém dizia ao longe— Acredito que vi algo!  Era hora de afastá‐los dali.  Inclinou para a parte exterior do ramo e, soltando um grito feroz, deu um salto e aterrissou  sobre a frágil madeira, no centro. O áspero rangido ressonou no ar como um uivo selvagem.  — Ouço‐os! — Clamou Mathias— Do outro lado do rio. Vou por eles!  Ice corria entre as árvores agitando ramos e fazendo o máximo de ruído possível enquanto  ouvia a sanguinária horda mudar o rumo da perseguição. Corria enfiando as botas no chão com  força, esmagando ramos seca a sua passada.  Por fim ouviu que os anarki foram para lá e pensou que, com um pouco de sorte, quando se  precavessem de que se tratava de uma artimanha, Sabelle e ele estariam muito longe.  Depois,  se  teletransportou  para  o  outro  lado  do  rio,  à  base  da  árvore  na  qual  Sabelle  esperava encolhida. Teve a precaução de colocar o longo cabelo dourado de forma que cobrisse  todas  as  costas  e  só  o  cocuruto  captasse  o  resplendor  da  lua.  Toda  encolhida,  tanto  para  se  esquentar como para se esconder, abraçando os joelhos contra o peito. Estava tremendo.  Ice se agarrou a um dos resistentes ramos baixos e estirou o braço para o que tinha em cima,  subindo até chegar junto a Sabelle.  — Vamos? Acreditaram na força — Sussurrou ela.  Ice levantou um dedo para indicar que fizesse silêncio, se por acaso deixassem algum anarki  de guarda a esse lado do rio. Não podiam arriscar‐se a fazer algo que delatasse sua posição ou  proporcionasse  aos  comparsas  de  Mathias  a  oportunidade  de  pegar  o  diário.  Já  que  qualquer  mulher que possuísse o poder e a paixão necessários podia fazer realidade seu mais íntimo desejo  com apenas escrevê‐lo em suas páginas em branco, embora esse desejo fosse desencadear o caos  absoluto, não podiam deixar que Mathias se aproximasse do diário.  Em equilíbrio sobre os ramos que flanqueavam Sabelle, desceu até onde estava e a estreitou  entre  seus  braços.  A  jovem  inspirou  bruscamente  e  ficou  tensa,  mas  em  seguida  se  obrigou  a  relaxar.  Ice  a  acomodou  em  seu  colo,  apertando‐a  contra  seu  peito  para  esquentar.  Ela  se 
  24. 24.     Shayla Black Irmandade do Caos 03   ** Essa tradução foi feita apenas para a leitura dos membros do Talionis. **    24 aconchegou contra ele. Os dentes batiam de frio.  Ice  tratou  de  não  prestar  atenção  à  suavidade  daquele  corpo,  a  como  seus  polegares  roçavam  a  curva  inferior  daqueles  preciosos  seios  cada  vez  que  Sabelle  respirava  nem  a  sua  maravilhosa fragrância. Ordenou mentalmente a sua ereção que descesse, mas quando ela estava  perto, era impossível. Sua mera presença o excitava. Sempre. Desde que a viu pela primeira vez.  Poderia se acostumar a ela. Não sabia com segurança quanto tempo estariam sozinhos, quantas  horas ou quantos dias passariam até que ficassem em contato com Duke e o resto da Irmandade.  O fato de que não pudessem teletransportar sem ser detectados alterava todos seus planos.  Mas as circunstâncias eram as que eram. Não tinha mais remédio que trabalhar com o que  tinham.  O  que  sim  preocupava  a  Ice  era  o  assunto  da  energia.  O  que  ia  fazer  quando  precisasse  recarregar  sua  magia  através  do  sexo?  A  mulher  que  subministrava  sua  dose  de  energia  se  encontrava a várias centenas de quilômetros, enquanto que Sabelle estava ali mesmo, em seu  colo.  Impossível. Teria que procurar a maneira de enfurecê‐la de tal modo que derrubasse sobre  ele  toda  sua  fúria.  Além  de  com  sexo,  os  magos  podiam  alimentar  sua  magia  com  a  energia  produzida por uma briga, embora não era uma energia excelente. Preferiria cortar um braço a  fazer mal, mas era melhor enfurecê‐la a sujá‐la com suas carícias.  —  Não  se  mova  —  Disse  ao  ouvido.  Por  todos  os  Santos,  até  seu  cabelo  desprendia  um  aroma  delicioso—  Acredito  que  os  distraí,  mas  quero  estar  seguro  de  que  não  fica  por  aqui  nenhum anarki antes que partamos para a cidade situada ao norte.  Sabelle assentiu com a cabeça.  — Obrigado por atuar no momento preciso. Estavam muito perto.  Ice  se  estremeceu  ao  pensar  no  que  escórias  como  os  anarki  poderiam  ter  feito  com  a  mulher mais valiosa de toda a comunidade mágica.  Estreitou‐a  com  mais  força  entre  seus  braços  e  aspirou  profundamente  à  fragrância  que  desprendia. Ninguém, e menos ainda Mathias, tocaria um só cabelo daquela cabeça.  Mas para manter essa promessa, tinham que sair daquele lugar com vida.      CAPÍTULO 3      Passaram três minutos de delicioso silêncio, quebrado de vez em quando pelos ruídos dos  anarki  do  outro  lado  do  rio,  revisando  cada  árvore  em  sua  busca.  Levantou  uma  névoa  e  a  temperatura  baixou.  Ice  temia  que  começasse  a  chover.  Ele  poderia  suportá‐lo,  mas  Sabelle...  Amaldiçoou sua situação. Tinha que encontrar um lugar para proteger‐se, e logo.  Desceu da árvore sem fazer ruído e tirou o pulôver marrom que usava, ignorando o frio de  começo  de  dezembro.  Ficaria  muito  grande  e  tinha  o  seu  cheiro.  Esperava  que  Sabelle  não  se  importasse. Não tinha nada melhor para oferecer. Uma acertada metáfora de sua relação. 
  25. 25.     Shayla Black Irmandade do Caos 03   ** Essa tradução foi feita apenas para a leitura dos membros do Talionis. **    25 — Toma — disse, entregando o pulôver— Ponha isso.  — Você vai congelar.  Ice  fixou  o  olhar  nela.  E  isso  a  quem  importava?  Seguro  que  Sabelle  sabia  que  o  que  ocorresse não preocupava a ninguém.  — Não temos tempo para discutir. Ponha.  Ela agarrou o pulôver a contra gosto, ainda morno do corpo de Ice enquanto este observava  com perverso orgulho como vestia. Ficava enorme, quase se perdia dentro, mas o simples feito de  que seu pulôver estivesse tocando seu corpo fez que ficasse mais duro que uma rocha.  Maldito idiota estúpido. Vestiu para sobreviver; não significa que estampou seu selo e seja  propriedade particular sua.  Pegou punhados de barro e melou o torso com ele. Pensou que camuflar era boa ideia se  por acaso os viam fugir. Fez uma careta ao notar o lodo frio, no corpo, mas o aplicou da forma  mais uniforme possível. Sabelle observava pasma.  Com um sorriso irônico, Ice pegou Bram e o desceu da árvore com cuidado. Por muito que  odiasse a aquele idiota, sabia que tanto sacudir para cima e para baixo não o devia beneficiar, mas  era inevitável. Já era ruim que nenhum deles se precaveu de que, durante o breve tempo que o  Livro do Caos esteve em mãos de Mathias, antes que Sydney o roubasse, o mago ordenou a uma  das bruxas a seu serviço que escrevesse no diário.  Depois  de  colocar  Bram  sobre  o  ombro,  estendeu  a  mão  para  ajudar  Sabelle  a  descer.  Agarrou‐a pela cintura e ela deslizou lentamente ao longo de seu corpo até ficar de pé diante dele.  Maldição cheirava tão bem que dava vontade de comer. Notou um crescente desejo de pêssego.  Aquela bruxa de cabelo dourado era uma suculenta fruta tão linda que até os dentes doíam ao vê‐ la; os dentes e todo seu corpo da cintura para baixo.  Deixa de pensar na princesa. Procura um lugar seguro para ela!  Consciente de que não tinham tempo a perder, Ice a pegou pela mão. Detestava tocá‐la sujo  de barro.  — Coloque o cabelo dentro do pulôver, princesa. Vamos ter que fugir a toda velocidade.  Ela fez o que pedia e então Ice se agachou e puseram a correr. Procurando mantê‐lo mais  perto do chão possível, dirigiram para o norte, longe do rio. Longe de Mathias.  Passo a passo foram saindo do vale. Ice notou que Sabelle começava a ofegar. Ainda ficavam  pelo menos três quilômetros para estar de tudo fora do vale e rezou para que aguentasse. Podia  empregar sua magia para transportá‐los e Bram, mas já que Mathias e seus comparsas seguiam a  pista por ter teletransportado, tinha medo de utilizar seus poderes estando tão perto do diário; ao  menos até que averiguassem o que escreveu nele a bruxa de Mathias.  —  Está  fazendo  muito  bem.  Segue  assim.  Eu  estou  com  você  —  a  animou,  dando  um  carinhoso apertão na mão.  — Não colocarei em confusões — respondeu Sabelle, devolvendo o apertão.  Ice se voltou e a olhou. Estava correndo para salvar sua vida e ainda se preocupava com ele?  Aquela mulher era assombrosa. Como podia pertencer ao mesma linhagem que Bram? E ainda  mais, como podiam ter o mesmo pai? Os seus olhos, ela era toda uma princesa. Em troca Bram 
  26. 26.     Shayla Black Irmandade do Caos 03   ** Essa tradução foi feita apenas para a leitura dos membros do Talionis. **    26 não era nenhum príncipe encantado.  Continuaram avançando, embora mais lentamente do que teria gostado, mas mesmo assim  Sabelle não parava. Com cada passo, Ice ia ganhando confiança. Sorriu de orelha a orelha ao ver  que se aproximavam dos subúrbios de uma cidade. Conseguiram escapar, sem um só arranhão e  com o diário.  Mas em seguida percebeu que se precipitou. Entre os arbustos de ambos os lados da estrada  viu que três magos embelezados com túnicas vigiavam o passo de entrada à cidade. Merda!  — Como nos localizaram? — Perguntou Sabelle com a respiração entrecortada, muito perto  dele.  — Não acredito que o fizeram — respondeu Ice— Não parece que estejam nos procurando.  Suspeito que só vigiam a estrada por precaução.  Não tinha nada claro como foram parar dali. Com anarki pela frente, por atrás, a ambos os  lados e sem possibilidade de teletransportar...  Sabelle inspirou profundamente.  —  Por  que  não  teletransportamos  você  até  a  cidade  e  consegue  um  carro?  Assim  poderíamos...  — Quer que roube um carro?  — A menos que tenha um próprio, sim.  Toda a vida considerou pouco mais que um vagabundo e um ladrão, assim que a sugestão  não  caiu  muito  bem.  A  verdade  era  que  nunca  roubou,  mas  estava  claro  que  circunstâncias  desesperadas requeriam medidas desesperadas.  — Não tenho carro.  — Pois então pega um e vá até a igreja que há no final do caminho. Eu esperarei lá. Não  acredito que seja difícil evitar que me vejam se rodeio o escarpado.  Além do detalhe do roubo, era um bom plano exceto por um detalhe:  — Não sei dirigir. Permaneceremos juntos e...  — E nos pegarão tentando procurar a maneira de sair desta cidade. Não.  Traçaremos os  papéis — Disse Sabelle quase grudada a sua bochecha.  Ele apertou os dentes para conter a vontade de voltar, beijá‐la e pronunciar as palavras que,  certo, seriam o maior engano de sua vida. Sabelle o intrigava e atraía além de toda lógica. Uma  Rion  unida  pelo  sagrado  vínculo  a  um  Rykard?  Parecia  o  título  de  um  daqueles  espantosos  programas de televisão que viam os humanos.  — Me dê à mochila com o diário.  Ice fez o que pedia e Sabelle a colocou no chão, aos pés dele. Dessa forma, quando se fosse,  o diário ficaria onde ela o deixara o que permitiria a Ice escapar em caso de necessidade, porque,  com sorte, o diário ficaria oculto.  — Fique aqui e não faça ruído — Disse Sabelle, ficando em pé.  Ice a pegou pelo pulso e puxou‐a.  — Aonde demônio acredita que vai?  — Roubar um carro e levá‐lo até a igreja. Vê as luzes no final do caminho? — Perguntou, 
  27. 27.     Shayla Black Irmandade do Caos 03   ** Essa tradução foi feita apenas para a leitura dos membros do Talionis. **    27 assinalando um ponto a sua direita, que resplandecia na névoa.  — Sim, mas...  — Levarei ali o carro, depois me teletransportarei aqui de novo e então vamos até a igreja  com o diário.  Ice  ficou  olhando‐a  com  fixidez,  consciente  do  esforço  que  estava  custando  que  não  desprendesse a mandíbula de pura estupefação diante da sugestão. Sabelle ia roubar um carro?  — Pode fazê‐lo?  —  Dirigir?  Sim,  claro.  Bram  tem  quatorze  carros.  Eu  gosto  de  escapulir  com  um  dos  conversíveis e dirigir só para sentir o frescor da brisa no rosto e meu cabelo flutuando ao vento.  Ice não teve problema em imaginar. O certo era que adoraria vê‐la com o cabelo solto, em  busca de liberdade. E inclusive gostaria mais vê‐la com o cabelo estendido sobre o travesseiro  enquanto ele se afundava nas profundidades de seu corpo...  A quem demônios queriam enganar? Nesse momento estava o mais perto de Sabelle que  poderia estar em toda sua vida. A primeira vez que a viu, Bram não permitiu sequer que apertasse  a mão. A metade do tempo, Sabelle o olhava sem decidir se era só um homem estranho ou se  verdadeiramente era um tipo aterrador. E agora estava disposta a roubar um carro para ajudá‐lo a  escapar?  Sim,  fazia  também  por  seu  irmão  e  pelo  diário,  Ice  entendia.  Mas  bem  poderia  ter  deixado que se virasse sozinho depois de pegar um carro e sair fugindo. Entretanto, falava como  se formassem uma equipe, como se estivessem juntos naquela aventura.  Merda, inclusive com isso se excitava. Ou, melhor dizendo, excitava‐se ainda mais.  Voltou para Sabelle, os rostos de ambos perigosamente perto um do outro, e assentiu.  — Vai.  Queria beijá‐la na bochecha, mas não se atreveu. Estava seguro de que não gostaria e só  serviria para tentá‐lo ainda mais com algo que nunca poderia ter.  — Me espere aqui.  Ice assentiu. Detestava a ideia de deixá‐la ir sozinha, mas não havia mais remédio.  — Meia hora. Se não voltar então, irei buscá‐la.  — Se não voltar então, teletransporte para casa de Duke. Mande Olivia ou Sydney pegar o  diário. Não perca tempo me procurando. — Quando ele abriu a boca para protestar, Sabelle o  interrompeu negando bruscamente com a cabeça— Não discuta.  Ice amaldiçoou para si, sentindo já como o medo apertava a garganta.  — Tome cuidado.    ***    Era perto de meia‐noite. Sabelle se encontrava em uma cidade escocesa desconhecida, com  um irmão cuja saúde se deteriorou ainda mais nas últimas horas, a julgar pela tosse e os gemidos  de dor que aumentavam de forma intermitente. Estava a sós com Isdernus Rykard, um homem  que inspirava medo apesar de fazê‐la arder e estremecer de desejo por dentro.  Um homem ao que jamais poderia ter. 
  28. 28.     Shayla Black Irmandade do Caos 03   ** Essa tradução foi feita apenas para a leitura dos membros do Talionis. **    28 O relógio de pé do vestíbulo deu as doze badaladas e Sabelle engoliu saliva. Caminhava para  cima e para baixo do quarto de chãos de madeira da estalagem onde se hospedaram, retorcendo  as mãos com nervosismo enquanto ouvia a ducha e imaginava a água quente deslizando sobre os  músculos e as veias do forte e varonil corpo de Ice.  Certo. Se concentre em Bram! Disposta a dedicar toda sua atenção a seu irmão, foi a outro  quarto que alugaram para ver como estava.  A tarde passou voando. Fugir de Mathias e os anarki foram uma verdadeira agonia. Subir às  árvores e esconder entre os arbustos foi angustiante, embora a ajudou muito em sentir a presença  protetora  de  Ice  a  seu  lado.  Menos  mal  que  seu  plano  funcionou.  O  alívio  dele  quando  a  viu  aparecer no final meia hora com o carro a desconcertava. De verdade se preocupava com ela,  além  de  sua  própria  sobrevivência?  Enquanto  dava  voltas  ao  assunto  se  deslizaram  entre  os  anarki.  Coberto  de  barro  e  sem  dizer  nada,  Ice  foi  guiando  para  o  sudeste,  um  pouco  além  da  fronteira com Monmouth, onde encontrou aquela encantadora estalagem de pedra nos subúrbios  da cidade. Naquela época, não era muito habitual ter visitas, mas Sabelle utilizou suas habilidades  de sereia para convencer o dono de que tinham uma reserva e pagaram adiantado.  Uma vez no quarto, fecharam portas e janelas e levantaram feitiços de segurança. Não os  seguiram até ali, ao menos que eles soubessem, mas era melhor acautelar.  Depois, como estava coberto de barro, Ice pediu a ela para tomar banho primeiro.  Embora a comunidade mágica o tachasse de louco e perigoso, até o momento, em repetidas  ocasiões tinha antepor a segurança e a comodidade dela à sua própria, o que não deixava de ser  surpreendente, tendo em conta o muito que odiava Bram.  Por outro lado, sempre que estava perto, o corpo de Ice enviava sinais inequívocos de que a  desejava.  Sabelle  tomou  banho  e  se  vestiu  rapidamente,  e  logo  acomodou  Bram  em  uma dos  dois  quartos da estalagem. A fumaça que rodeava a seu irmão era mais denso e mais escuro que antes.  Opressor, asfixiante. Preocupava sua respiração fatigante. Sua assinatura mágica estava diluindo,  o  que  significava  que  estava  esgotando  a  vida  e  que  morreria  a  menos  que  encontrassem  a  maneira de acabar com aquele espantoso feitiço.  Sabelle fechou a porta, levada pela frustração. Detestava aquela sensação de impotência,  ver como Bram se ia consumindo pouco a pouco sem que ela pudesse fazer nada.  Ajoelhou junto à cama, pegou sua mão inerte entre as suas e começou a rezar com a cabeça  encurvada. Aquele não era seu irmão. Bram era um homem vital, decidido e surpreendente em  tudo  o  que  fazia,  além  de  ser  a  única  figura paterna  que  Sabelle conhecera.  Deus  sabia  que  a  egoísta de sua mãe não se preocupou nunca por ela, além do benefício que pudesse tirar do fato  de  que  o  sangue  de  Merlin  corresse  por  suas  veias.  Se  perdesse  Bram,  disser  que  ficaria  destroçada seria muito pouco. Ela sempre sonhou que ele estaria a seu lado quando tivesse um  companheiro, quando nascessem seus filhos, ao longo de toda sua vida. Compartilharam muitas  risadas e também muitas brigas, mas também se ajudaram mutuamente. O vínculo fraternal que  os unia, já por si só, estreitou ainda mais da volta de Mathias. Bram abraçou apaixonadamente a 
  29. 29.     Shayla Black Irmandade do Caos 03   ** Essa tradução foi feita apenas para a leitura dos membros do Talionis. **    29 luta contra o depravado mago que pretendia estender o mal por toda a comunidade mágica. Se  Bram morria, não sabia como ia arrumar para terminar o que ele começou.  Os olhos começaram a arder de novo. O esgotamento físico e o medo se apoderaram dela.  Dois minutos. Só permitiria dois minutos. Depois, adotaria outra vez sua expressão decidida. Ice  não gostaria que começasse a chorar. Não tinham tempo para tolices.  De repente, a porta do dormitório se abriu bruscamente e Sabelle viu o guerreiro na soleira.  Levantou  de  um  salto,  afogando  um  grito  de  surpresa,  consciente  de  que  as  lágrimas  sulcavam suas bochechas e sem poder afastar o olhar do corpo de Ice. Coberto tão‐somente com  uma  toalha,  esquadrinhou  com  olhar  inquieto  no  quarto  em  busca  de  algum  sinal  de  perigo.  Pequenos  rastros  de  água  desciam  como  uma  carícia  pelos  tendões  do  pescoço,  os  imensos  ombros, que ocupavam virtualmente todo o oco da porta, o torso, que sem dúvida seria capaz de  suportar o peso de um ônibus, e seus bem formados abdominais, que a toalha cobria em parte,  enrolada precariamente sobre seus esbeltos quadris. Deus santo!  Ao não ver indícios de presença de anarki no quarto, Ice dirigiu seu olhar angustiado para  ela.  Seus  olhos  verdes  eram  como  duas  chamas  vermelhas  vivas  e  Sabelle  sentiu  um  estremecimento como se tivesse recebido uma descarga.  — O que acontece? — Bramou.  — Eu... Eu... — Sabelle não encontrava as palavras.  — Ouvi a porta bater. Entrou alguém? Está em perigo?  Tremendo, afastou o olhar de seu largo torso, que subia e descia com sua agitada respiração.  — Não. — Respondeu finalmente, engolindo saliva— Eu sinto. Estou sozinha. É que isto é...  Muito frustrante. Bram está piorando.  Os  olhos  começaram  a  arder  de  novo  diante  da  proximidade  de  mais  lágrimas,  mas  não  queria  mostrar  fraqueza  diante  de  Ice.  Talvez  seu  corpo  a  desejasse,  mas  a  forma  em  que  a  chamava  princesa,  quase  com  desprezo,  dizia  que  não  devia  descuidar.  Esconderia  sua  vulnerabilidade para não dar mais motivos de brincadeira posteriores.  Entretanto, e apesar de sua determinação, uma grossa lágrima rodou por sua bochecha e  caiu sobre a bata de seda de cor negra que encontrou no quarto. A secou.  Ice atravessou a estadia com grande rapidez, estendeu a mão para ir pegar a sua, mas parou  antes de tocá‐la. Os músculos de seus bíceps tatuados ondularam a causa do esforço que teve que  fazer para conter. Deu uma olhada rápida a Bram e apertou os lábios com gesto grave.  — Ocorre alguma forma de curá‐lo?  Sabelle se sentiu ainda mais esmagada sob o peso da laje que usava sobre o coração.  — Não — respondeu ela— pude contatar com Duke e outros enquanto tomava banho?  — Não me atrevi. Se também os seguiram, estabelecer contato por meios mágicos antes de  estar totalmente a salvo poderia parecer muito perigoso para todos nós. E não usava o celular  quando os anarki nos atacaram.  — Eu tampouco. O telefone da estalagem só pode ser usado para chamar a recepção. Já vi.  Amanhã teremos que procurar outro telefone.  Ice assentiu e retrocedeu. 

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