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Irmandade do Caos 01
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TenteTenteTenteTente----me com a Escuridãome com a Escuridãome com ...
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Comentário da Revisora Cris Reinbold: Podemos dizer, veja bem “dizer” que pert...
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suas pernas, brilhante de umidade. Seu sorriso luminoso o incitava a acariciar...
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Para que incomodar em negá-lo? Seria desperdiçar tempo e saliva.
Sentia como s...
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Um golpe seco contra a janela da parte dianteira da cabana o sobressaltou. Era...
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—Que demônios quer? Diga e vai de uma vez — exigiu, retornando a seu quarto pa...
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Seu inoportuno convidado colocou uma mão no seu ombro e, imediatamente, Marrok...
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Aguçou a vista esporeada pela curiosidade de conhecer o que proporcionava o fu...
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Mathias abriu os olhos como pratos.
A seu redor, as velas piscaram. Seus segui...
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Mathias esquadrinhou o patriarca dos MacKinnett e, com um sorriso demoníaco, ...
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Ele rogou que aquilo fosse só uma fanfarronada e se sentiu bravo com Bram por...
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Fazer vida social era o último ao que Marrok pensava dedicar agora que Morgan...
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—Levarei aonde você queira — respondeu Bram. Logo fez uma breve pausa e acres...
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cínico grunhido. Uma escultura de barro de Pegasus ocupava virtualmente todo ...
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falar do poder que certamente teria adquirido ao longo dos séculos. Parecia m...
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Entretanto, seu olhar não parecia exatamente erótico, mas ela ruborizou de to...
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Maldita fosse. Não a conhecia de nada e a estava tocando. Por que não tinha m...
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—Isto é muito estranho — comentou Bram— O que passou?
—Não sei.
Bram a olhou ...
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—Quanto mais profundo o toque, mais eu posso mergulhar em sua mente.
Em outra...
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—Fui ver esta manhã porque quero te dar uma mão, não porque ache que é capaz ...
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—Para quando tenho que levar a Londres um taciturno guerreiro imortal. Ou aca...
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—Meu avô me deixou algumas coisas. Uma em particular desenhada por ele precis...
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O qual resultava preocupante. Entre os objetos ocultos de sua mãe, havia uma ...
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Era um bom amigo. Gostava de paquerar com ela, mas paquerar era para ele como...
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Com um rápido giro de pulso fechou a porta. Ela não podia afastar os olhos do...
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A lógica advertiu a Olivia que só uma estúpida subiria em um táxi com um comp...
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—Eu amo a arte. —Sorriu— Quando é bem feita, é capaz de te transportar a outr...
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Sua resposta não resultou precisamente tranquilizadora. Olivia não conseguia ...
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Olivia olhou Marrok interrogativamente. Por que retrocedia cada vez que se ro...
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O atalho estava flanqueado por uma fileira de esplêndidos sicômoros9
muito an...
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Os olhos encheram de lágrimas ao contemplar seu entristecedor talento e a for...
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Olhou angustiada a sua redor em busca de algo com o que se defender, mas ness...
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Seus dedos se enroscaram em torno de seu pulso como cinco grampos de fogo, e ...
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—De maneira que fingindo amnésia, né? Não importa. Li a maldição um milhar de...
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—Pela enésima vez digo que não sou Morgana. Sou Olivia Gray, conhecemos hoje ...
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Marrok a desejava como um demente. Saber não a levava a nenhuma parte. Mas po...
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Viu entreabrir os olhos com sabedoria, apenas duas ranhuras tão estreitas com...
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—Só te peço um simples toque — pressionou.
A dor fazia patente no rosto dele....
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  1. 1. TWKliek Shayla Black Irmandade do Caos 01 Shayla Black TenteTenteTenteTente----me com a Escuridãome com a Escuridãome com a Escuridãome com a Escuridão Série Irmandade do Caos 01 Marrok de Cadbury era um guerreiro fiel e leal da corte do rei Arthur, até que a poderosa Morgana le Fay, uma antiga amante rejeitada, recorre à bruxaria e cria o Livro do Caos e o condena à imortalidade e a não sentir jamais prazer sexual. Quinze séculos depois, Marrok é um escultor e vive em Londres. Apesar de ter recuperado o Livro do Caos, não é capaz de abri-lo para quebrar a maldição, até que conhece Olivia Gray, uma bruxa que descende de Morgana. Marrok e Olivia iniciam uma intensa e apaixonada relação que se vê turvada com a aparição de um bruxo desumano que retornou do exílio e está recrutando um exército do mal. Quando descobre que Marrok e Olivia têm o Livro do Caos, só seu amor poderá salvá-los. Disp em Esp: Kalosis Tbém foi feito do Inglês Envio do arquivo: Gisa Revisão Inicial: Cris Reinbold Revisão Final: Sarah Gomes Formatação: Greicy Capa: Elica Leal TWKliek
  2. 2. TWKliek Shayla Black Irmandade do Caos 01 2 Comentário da Revisora Cris Reinbold: Podemos dizer, veja bem “dizer” que perto dos outros livros da Shayla este é “quase” um florzinha, tem cenas morninhas, mas nada tão quentes como nos outros, mas isso não quer dizer que o livro não seja bom, só e mais centrado na historia em si, na guerra do Bem contra o Mal, onde guerreiros mágicos lutam para defender o Bem e seus amores. É um livro legal. Comentário da Revisora Sarah Gomes: A história muito boa, com exceção de alguns diálogos que foram meio rasos, mas deu um pontapé interessante para a série, que já quero acompanhar. Vale à pena ler, tem cenas bem fortes também, que da vontade de chorar. Ou seja, como tudo na vida, não é perfeito, mas você não consegue largar... Ops o Ice é meu!!! CAPÍTULO 1 Dias atuais, Inglaterra. Junto às luxuriosas margens de um lago, uma mulher acenou. Parecia familiar, embora Marrok de Cadbury nunca tivesse visto sua face em sua vida. A mulher estava rodeada de grama de uma viva cor verde e de flores multicoloridas. A suas costas, elevava uma paisagem urbana. Mas não foi nenhuma dessas coisas o que atraiu seu olhar, a não ser sua perigosa beleza e sua nudez absoluta. O cabelo negro caía sobre os pálidos ombros, ondulando sob a curva de um seio generoso coroado por um rosado mamilo, ao tempo que emoldurava uma marca de nascimento que ele conhecia muito bem. Já não possuía as madeixas platinadas em que certo tempo afundou as mãos. Sua nova face era delicada — maçãs do rosto proeminentes, nariz arrebitado, lábios cheios— mas aquela sereia não podia se esconder dele. Negros cílios flutuavam sobre olhos violeta que há muito assombrava seus pesadelos. Morgana. Um desejo incomensurável se apoderou dele, um soco direto nas vísceras. Necessidade endureceu seu pau. Ele a queria como nunca desejou antes, com aterrador desespero. Merda! Seria ele tão idiota para deixá-la arrastá-lo para mais desgraça? Um ódio corrosivo mesclou com o arrebatador desejo. Tratou de afastar o olhar, mas seus olhos percorreram com deleite a estreita cintura, os quadris arredondados, a tenra carne entre
  3. 3. TWKliek Shayla Black Irmandade do Caos 01 3 suas pernas, brilhante de umidade. Seu sorriso luminoso o incitava a acariciar como uma vez o desafiava a dar meia volta e afastar. Marrok não fez nenhuma das duas coisas. Não podia. Morgana o enfeitiçava mais agora do que tinha naquela tormentosa noite de prazer compartilhado uma eternidade atrás. A marca em forma de morango que tinha entre os seios devolveu a sua memória o momento em que, banhados pela pálida luz da lua, sucumbiu à tentação e fodeu com ela até deixá-la sem sentido. Por esse erro, ele pagou muito caro. Durante os últimos quinze séculos. A bruma formava redemoinhos a seu redor como a névoa mística da lenda, como se a estivesse acariciando. Embora ela fosse letal, resultava cativante com aquele novo aspecto. Nesses tempos, a ciência tinha uma palavra para definir sua obsessão, mas dava igual. O único que importava era conseguir que aquela puta o liberasse do inferno que estava vivendo. Morgana o chamou curvando sedutoramente um dedo. Marrok apertou os dentes. Se cedesse só conseguiria prolongar a tortura. Mas seu corpo o traia, se aproximando, seu pênis inchando dolorosamente. Praguejando, ele fechou os olhos. Se para conseguir a liberdade tinha que resistir a ela, muito temia que estivesse condenado para sempre. Abriu os olhos ao sentir que uma nova onda de desejo o percorria. Desejar era um luxo, mas o que sentia por aquela mulher era uma necessidade irrefreável. A sensação era tão nova como a primeira respiração de um bebê... e tão bem-vinda como com uma praga. E provavelmente ilusória, apenas mais um dos truques de Morgana. Embora cravasse as unhas em suas coxas, ela o assombrava com seus olhos suplicantes. Marrok quase cedeu à insuportável urgência de tocá-la. Então ela agitou sua mão. Repentinamente apertou seus seios nus no ornamentado livro de cor vermelha que Marrok sabia que, para ele, era a diferença entre a vida e a morte, e retrocedeu. “Não!” Lançou sobre ela. Caíram ao chão em uma confusão de respirações entrecortadas, braços e pernas. O livro caiu a seu lado com o enlouquecedor cadeado firmemente fechado. Antes que ele pudesse agarrá-lo, Morgana enlaçou seus braços ao redor do seu pescoço e se arqueou para ele, distraindo-o com suas exuberantes curvas. —Marrok, me faça amor. A súplica açulava sua febril luxúria. Ansiava afundar profundamente dentro dela. Mas tinha que resistir a essa mulher fatal. De alguma forma. —Liberte-me— ele rosnou. Ela apertou ainda mais e se contorcia contra sua ereção. Por Deus, ela estava molhada. Ele estava queimando por ela, que sentia que poderia explodir. Não faltava muito para esquecer como ela foi traiçoeira. —Abra o livro! —Você me quer— o sussurro dela o fazendo estremecer.
  4. 4. TWKliek Shayla Black Irmandade do Caos 01 4 Para que incomodar em negá-lo? Seria desperdiçar tempo e saliva. Sentia como se raios atravessassem sua pele à medida que ela contorcia debaixo dele. Como um tolo ele empurrou contra ela e gemeu. A necessidade de possuí-la por completo gritando através dele. Mais tarde recordaria todos os motivos que tinha para não fazer. Marrok baixou as mãos até suas coxas e as separou ainda mais. —Se me tentar assim, vai tomar tudo o que te dê. Tudo o que te dê. —Tudo. Seus mamilos abrasaram o torso ao roçarem quando ele levantou suas pernas com os braços. Marrok despiu em um abrir e fechar de olhos e se derreteu equilibrando-se e, sua entrada. Gemendo, enterrou o rosto em seu pescoço perfumado. Incrível. Inevitável. Embriagadora como nunca. Marrok tinha jurado nunca mais voltar a tocar Morganna —uma promessa que manteve por séculos— mas agora... ele tinha que estar dentro dela. —Tudo... — ela encorajou. No instante em que dispunha a penetrá-la, ela agarrou o livro. Encadeado pelo desejo, ele não pôde se mover, nem sequer para arrebatá-lo de suas mãos. Morgana o desbloqueou com um ligeiro movimento de sua pálida mão. A capa se abriu, deixando ver de soslaio as páginas ao tempo que ela desvanecia. —Dêem-me isso— gritou Marrok à névoa. A bruxa e o livro desapareceram. Havia tornado a utilizar seus poderes contra ele. O desejo seguia crepitando dentro dele, mas continuava estando maldito. Desolação reduziu-o, deixando sua alma sangrando. —Eu sou a chave —A tênue súplica de Morgana flutuava no vento— Encontre-me. Marrok levantou, reprimindo um selvagem uivo. Devia caçá-la. Reconheceu o perfil de Londres na paisagem que elevava atrás do lago. Ali a encontraria. Sua tortura não acabaria até que tivesse esse livro e saboreasse o sabor de sua carne. Em torno dele, algo chocalhou. Marrok sentou-se assustado com um grito sufocado, sua cama amarrotada e os olhos exagerados. Ofegando, esquadrinhou ao redor. As paredes nuas, a cama de madeira esculpida, uma espada junto a sua mão e uma Glock sob o travesseiro. Estava em sua cabana, não em uma clareira envolto na névoa. E Morgana não estava ali. O livro! Marrok percorreu o quarto com os olhos. O tomo encadernado em pele descansava sobre sua mesinha. O veículo de sua tortura interminável, a chave de sua liberdade, estava ainda ali, ainda fechado. Não havia passado de um sonho. Ou talvez uma mensagem. Isso fazia séculos, mas houve um tempo em que Morgana desfrutou muito saindo de seu exílio para acossá-lo em sonhos. Não pareceu sensato ignorá-lo: a bruxa retornou ao reino mortal em forma de uma etérea beleza de cabelo castanho, capaz de abrir o ferrolho do livro e roubá-lo. Levantou, decidido a encontrar à feiticeira com seu novo aspecto. Só ela podia pôr fim à agonia de sua existência imortal. Se apegaria a ela como uma sombra e a torturaria até que proporcionasse o que mais ansiava na vida: a morte.
  5. 5. TWKliek Shayla Black Irmandade do Caos 01 5 Um golpe seco contra a janela da parte dianteira da cabana o sobressaltou. Era o mesmo som que o despertou. Não recebeu visitas em toda uma década e preferia que assim fosse. As visitas eram algo inesperado e inoportuno. Marrok escondeu o livro sob as pranchas soltas do chão de seu quarto, agarrou sua espada e saiu ao corredor. Ao dobrar a esquina do mesmo, o coração acelerou com a espera da batalha iminente. O sol da manhã penetrava através da janela, iluminando as bolinhas de pó e projetando a sombra de um ser humano sobre o reluzente chão de madeira. Se quem quer que fosse que tocou ali veio para roubar o livro, o receberia com derramamento de sangue. Marrok agachou, preparado para atacar. A sombra desapareceu e imediatamente ouviu um som de pegadas sobre o cascalho. Aproximou em silencio à porta segurando sua arma. —Olá, aberração da natureza — o saudou uma familiar voz masculina de fora, batendo na porta com os nódulos ao mesmo tempo— Está aí? Marrok suspirou bravo e abriu bruscamente a porta para receber um pesadelo quase tão desagradável como o que o despertou. De alvoroçado cabelo loiro dourado, finas sobrancelhas, travessos olhos azuis e um deslumbrante sorriso hollywoodiano que desmentia o incomensurável poder do mago: Bram Rion. Adeus à paz. —Você me chama aberração? Vindo de você, é um elogio. —Se hoje for seu dia de decapitações, não conte comigo. — Bram dedicou um daqueles radiantes sorrisos com que, durante os últimos quatrocentos anos, assanhou a todos no âmbito da magia para que fizessem as coisas como ele queria. Marrok franziu a testa e apoiou a espada contra a parede que tinha mais perto. O outro permaneceu fora. —Vais permitir que atravesse o círculo mágico que protege seu lar ou vai deixar-me aqui, em cima do tapete? —E o que se fizer? —desafiou Marrok, arqueando uma sobrancelha. Não faltava vontade. O presumido mago que tinha na frente, às vezes fazia graça, mas sabia que não era sensato confiar nele. —Se não me deixa passar, ficará sem saber o que vinha para contar. E é muito suculento... Bram não partiria até que tivesse revelado o que queria, embora Marrok importasse bem pouco suas fofocas. Tinha que encontrar Morgana com seu novo aspecto, e obrigá-la, coagi-la ou suplicar que abrisse o maldito livro e o liberasse. —Passa — resmungou finalmente. Bram entrou na casa e fechou a porta atrás de si. —Que má cara tem. Dormiu vestido? Marrok olhou as calças enrugadas. —Veio até aqui para ocupar o lugar de minha mãe? —Se fizer falta uma... —encolheu os ombros e dedicou uma piscada de olhar.
  6. 6. TWKliek Shayla Black Irmandade do Caos 01 6 —Que demônios quer? Diga e vai de uma vez — exigiu, retornando a seu quarto para pegar uma camiseta e uns jeans limpos, depois do qual saiu ao corredor e entrou no banheiro. Bram o seguiu, mas ficou fora quando fechou a porta no nariz. Já limpo e vestido, Marrok voltou para o espelho para pentear. O reflexo devolveu o olhar de uns olhos cansados, repletos de angústia, raiva e luxúria insatisfeita. Era certo que tinha muita má cara. —Falar com você — respondeu o mago do outro lado da porta— Sabe que só algo tremendamente importante poderia me trazer até o Bosque do Terror. —Importante para a esfera da feitiçaria, suponho. O que não implicava necessariamente que fosse para ele. —Tendo em conta que sou o único amigo que tem, também é importante para você. —Eu não tenho amigos. —Marrok imaginou Bram apertando com força a mandíbula. Sorriu. —Está bem, como quer — respondeu o feiticeiro— Digamos por que sou o único ser vivo que conhece sua imortalidade e ainda fala com você. Ele soltou um grunhido e agarrou a escova de dente. —Não me interessa. Tenho que sair para caçar. —O mercado da zona resulta muito civilizado para sua educação medieval? Marrok abriu com brutalidade a porta do banheiro e ficou olhando como se fosse um parasita. —Tão em falta andam de comediantes em seu círculo que se contentam com você? Bram suspirou. —Vim por uma razão. Embora fosse certo que ao mago adorava discutir com ele, Marrok sabia que o olho direito dos feiticeiros não teria ido vê-lo se não tivesse motivos para isso. —Certo. Não vai parar de encher o saco até que me conte isso, assim a que veio? —Tive uma visão. Uma visão. A Marrok, estar no mesmo lugar que algo ou alguém relacionado com a magia dava urticária, mas ter Bram perto era como ter lepra. —Por que me conta isso? Seguro que terão a algum xamã1 para este tipo de coisas. —Porque quando se tornar real, irá envolver você. —Eu não me envolverei em nada — respondeu ele, golpeando o outro com o ombro ao passar a seu lado em direção à cozinha. —Toda a comunidade mágica sabe. Ouviu falar do Livro do Caos? —Não. —É conhecido também como Diário do Julgamento Final. 1 Xamã é o sacerdote ou sacerdotisa do xamanismo que entra em transe durante rituais xamânicos, manifestando poderes sobrenaturais e invocando espíritos da natureza, chamando-os a si e incorporando-os em si. Este contato em êxtase permite a recepção de orientações e ajudas dos espíritos para resolver ou superar situações que desafiem as pessoas e seus grupos sociais.
  7. 7. TWKliek Shayla Black Irmandade do Caos 01 7 Seu inoportuno convidado colocou uma mão no seu ombro e, imediatamente, Marrok sentiu uma pressão em sua testa, que em seguida, que se estendeu às têmporas. Amaldiçoou para si. Aquele idiota estava tratando de ler sua mente. Se soltou com um puxão e levantou mentalmente um muro protetor entre ambos. Bram retrocedeu surpreso, com expressão dúbia. Estava claro que os humanos não estavam acostumados a pôr dificuldades na hora de ler a mente, mas Marrok não sobreviveu séculos sem aprender alguns truques. —Não ouvi falar desse maldito livro nem com um nome nem com outro. E não te ocorra voltar a me tocar nem tratar de se colocar em minha cabeça ou o fatio em dois. —Teria graça que o tentasse, humano — bufou o outro com desdém— Alguma vez viu o livro? É pequeno, de cor vermelha e com incrustações douradas. E muito antigo. Isso soava... Mas afugentou o pensamento antes que Bram pudesse captá-lo. Não queria jogar mais lenha no fogo. —Você sabe algo — disse o mago— Todos os feiticeiros o conhecem como Livro do Caos. Forma parte de nosso acervo cultural. Pensei que talvez tivesse ouvido falar dele, porque foi criado pela Nêmese2 de meu avô. —Eu não conhecia Merlin. Por que teria que conhecer seus inimigos? —Bom, porque Morgana foi sua amante. Marrok esboçou uma careta de desgosto. —Confunde a satisfação de um desejo passageiro com uma relação de verdade. —É imortal por sua culpa. O amaldiçoou com o livro, verdade? “Pelas chamas do inferno, como pode saber?” —Não sei do que fala. —Você esta mentindo. —Cai fora! —Marrok saiu a grandes pernadas para a porta, abriu e fez um gesto ao mago para que se fosse. —Espera um momento... —Bram o olhou fixamente— Quero contar minha visão. —Sobre o que? —Sobre o futuro. Olhe. —Pode guardar suas visões, inseto aborrecido. O outro ignorou seus insultos, agarrou pelo braço e agitou uma mão diante de seu rosto. Diante de Marrok, apareceu de repente uma imagem e, sem poder evitar, precipitou em seu interior. Era de noite. Viu uma casa em ruínas e totalmente às escuras que em seus dias teria sido esplêndida. Algumas pessoas se dirigiam para lá, algumas vestidas com túnicas cinza debruadas de vermelho. Outras usavam roupas normais e o olhar estranhamente vazio. 2 Aqui Nêmeses tem o sentido de rival, a que se opunha a Merlin, pois nos contos do Rei Artur Morgana batalha contra Merlin pelo poder sobre o Rei.
  8. 8. TWKliek Shayla Black Irmandade do Caos 01 8 Aguçou a vista esporeada pela curiosidade de conhecer o que proporcionava o futuro, mas então retrocedeu estupefato. As pessoas vestidas com túnicas arrastavam os outros para a casa puxando de cordas rodeadas ao redor do pescoço. A excitação que sentiam os das túnicas era palpável no ambiente. —Quem são esses que vão vestidos como monges? —perguntou. —Asseguro que não são religiosos. São anarki. Marrok deu um coice. Apesar de viver em completo isolamento, estava a par da situação de medo e caos que se vivia depois da chegada destes ao poder, dois séculos atrás. Uma vez dentro da desmantelada mansão, viu um homem com túnica e o rosto oculto, que aguardava em uma sala vazia, rodeado de velas piscando. Abatia sobre o corpo imóvel de um homem nu, de uns trinta anos se houvesse sido humano. —Quem é esse homem inconsciente? —Mathias d'Arc. Inclusive um guerreiro curtido na batalha como ele estremeceu para ouvir o nome. Na comunidade mágica, Mathias eram como Genghis Khan3 , Calígula, Drácula e Hannibal Lecter4 em um. Inteligente, hedonista, ambicioso, cruel. Completamente malvado. Um mago de incomensurável poder, desprovido de consciência, Mathias não seria feliz até escravizar ou acabar com todo aquele que encontrasse em seu caminho. —O que tramam os anarki? —Observe. Outros foram entrando na sala envolta em sombras, formando um círculo ao redor das velas, e empurraram a alguns dos detentos ao interior do círculo, junto a Mathias, que, a julgar pelo imóvel que permanecia, parecia morto. O mago da túnica, que esteve esperando, situou junto à cabeça de Mathias e levantou os braços. —Nós, os despossuídos levamos séculos esperando este momento. Os privilegiados escutarão nosso clamor e experimentarão autêntico terror até que nos dêem o que nos foi negado. Até que não se dissolvam as leis da “Ordem Social” que proíbem que todo aquele de natureza e linhagem “pouco recomendáveis” desfrutem de uma alta posição, viveremos em permanente estado de guerra, dor e morte. Não sabem que nós, os leais, estivemos esperando a salvação. Esta noite, nossa paciência será recompensada. Vivas de alegria se elevaram de entre os seguidores embelezados com túnicas. Outros guardavam silêncio. Ao longe, em algum lugar da enorme casa, ouviram as badaladas de um relógio, soou doze vezes. Todos os pressente pareceram conter o fôlego. E depois silencio. 3 Genghis Khan nasceu cercado de lendas xamânicas sobre a vinda de um lobo cinzento que devoraria toda a Terra. Ainda jovem, enfrentou a rejeição de sua família por seu próprio clã, mas voltaria para conquistar sua liderança, vencer seus rivais de clãs distintos e unificar os povos mongóis sob seu comando. Estrategista brilhante, com hábeis arqueiros montados à sua disposição, venceu a grande muralha da China, conquistou aquele país e estendeu o seu império em direção ao oeste e ao sul 4 Personagem de filme americano estrelado por Anthony Hopkins.
  9. 9. TWKliek Shayla Black Irmandade do Caos 01 9 Mathias abriu os olhos como pratos. A seu redor, as velas piscaram. Seus seguidores afogaram uma exclamação. O líder se ajoelhou diante dele e, com um sussurro reverencial, disse: —Voltou! —Meus leais anarki... —A voz de Mathias soava débil e exausta— Minha letargia enganou os Irmãos, mas vocês crêem em mim. De verdade pensavam que estava morto? —É claro que sim — respondeu o líder. —Excelente. Passaram todos à outra vida? —Os poucos dias de que caísse em seu profundo sonho. —Como se chama? —Zain Denzell. —Seu pai me serve fielmente — disse Mathias com um sorriso— Me trouxe o que necessito? Zain assentiu com entusiasmo e dirigiu para os entorpecidos seres vestidos de rua que estavam no centro do círculo. Então, agarrou um homem barrigudo de meia idade e a uma garota jovem de cachos loiros, que usava um vestido de algodão, e os empurrou à frente. —Perfeito. São os MacKinnett? — perguntou Mathias. —Assim é. O irmão membro do Conselho e sua delicada sobrinha que ainda não viveu a transformação. Deve estar morto de fome. Ele assentiu. —Eu que o diga. Faz que levem a garota a meu quarto. Reunirei com ela em breve. Um dos embelezados com túnica fez o que pedia. Marrok observava com o fôlego contido. Respirando fatigosamente pelo aparente esforço, Mathias ficou de lado, de cara ao homem chamado MacKinnett, estendeu a mão e estalou os dedos diante dele. O outro pestanejou várias vezes e afogou uma exclamação de surpresa ao tempo que abria os olhos, alarmado. —OH, Meu Deus! É você! — gritou, tratando de retroceder. —Sou eu, sim — respondeu Mathias d'Arc com um tênue sorriso. Outras duas pessoas embelezadas com túnicas se aproximaram. —Seguramos? —perguntou um deles, ansioso por servir a seu amo. —Sim. Devemos demonstrar que a ordem dentro da comunidade mágica está trocando. MacKinnett resistiu enquanto Mathias ficava pesadamente em pé. Depois, o agarrou pela garganta. —Não! —bramou o homem— Por favor... —Se cale! Se não fosse porque não fica energia, eu mesmo o castigaria. Sua ira e seu medo me proporcionarão um pouco. Sua sobrinha, com seu corpo jovem e viçoso, proporcionará muito mais. Seguro que é deliciosa. —Não, suplico — sussurrou isso MacKinnett—. Aurora é uma garota doce, com toda a vida pela frente. Não conhece o perigo nem o medo... —Então me ocuparei de que receba uma boa educação.
  10. 10. TWKliek Shayla Black Irmandade do Caos 01 10 Mathias esquadrinhou o patriarca dos MacKinnett e, com um sorriso demoníaco, posou a mão no torso do homem. Este começou a gritar imediatamente. Dos poros de sua pele emanou um fino filme de sangue que se filtrou através de sua camisa amarela. Empalideceu por completo enquanto esperneava e agitava frenético. Então, pôs os olhos em branco e a seguir se derrubou para frente, morto. Zain tirou a camisa com um gesto da mão e sua marca estendeu por todo o torso, como uma trilha de úlceras infectadas. —Um trabalho bem feito — elogiou Mathias a Zain— Agora vou sair a meus aposentos para recuperar forças com a garota. Seu medo e sua raiva me encherão de energia. —Meu Deus, pensa matá-la igual tem feito com seu tio? —perguntou Marrok, horrorizado. —Morrer como ele seria uma bênção. O que a garota vai ter que suportar será pior. Muito pior. Marrok observou o círculo de seguidores vestidos com túnicas. —É que ninguém vai ajudá-la? —Quem? Os Despossuídos da comunidade mágica a estão “castigando” por ser uma Privilegiada. Mathias a utilizará para recarregar sua magia e para que sirva de castigo exemplar a outros. Marrok retrocedeu horrorizado e levou a mão à espada. Nunca foi partidário da violação nem a tortura de inocentes, nem sequer em tempo de guerra. Alguém tinha que parar aquele monstro. Mas quando levantou, Bram puxou ele e o obrigou a sentar de novo. —Não pode participar de minha visão. Ainda não ocorreu. Olhe, há mais coisas que ver. —A garota dos MacKinnett é uma domadora — comentou Zain a Mathias— Proporcionará grande quantidade de energia. —Excelente. Se encarregue de que os mortos sejam entregues amanhã a suas famílias. Já é hora de que os Privilegiados saibam que seu pior pesadelo retornou. —Me Ocuparei disso. —E o que passa com o outro assunto? —Ainda estamos procurando. —Devo ter esse livro. Com ele, meu poder seria quase ilimitado. —Os anarki farão tudo o que tenham que fazer. Juro isso. A visão ficou negra. Bram soltou devagar Marrok, que piscou várias vezes ao voltar para o presente. —Pelas chamas do inferno! E diz que ainda não ocorreu? —voltou para o mago olhando com intensidade. —Ainda não. Marrok suspirou aliviado. —Então, é possível que não aconteça. —Esquece que não me equivoquei em toda minha vida.
  11. 11. TWKliek Shayla Black Irmandade do Caos 01 11 Ele rogou que aquilo fosse só uma fanfarronada e se sentiu bravo com Bram por tê-lo feito presenciar aquele horror. —E o que faz pensar que todo isso possa me importar? —O problema chamará a sua porta muito em breve. —Porque Mathias d'Arc procura esse ditoso Livro do Caos que você acha que está em meu poder? —Sim. Nenhum outro livro proporcionaria nem a metade de poder. Com ele, o único que terá que fazer será anotar seus desejos em uma página em branco para fazer que se cumpram inclusive o próprio Dia do Julgamento Final. Talvez o mago estivesse dizendo a verdade... Ou possivelmente tivesse criado aquela cena horrível com o fim de manipulá-lo e convencê-lo de que entregasse o livro e assim poder empregá- lo para seus próprios fins. Todo mundo sabia que Bram era um inseto ambicioso. Antes de poder usar o livro, Mathias d'Arc teria que abrir o cadeado. Claro que, tendo em conta seu imenso poder, talvez pudesse fazer. —Estou seguro de que compreenderá como é importante encontrar e proteger o livro — continuou o feiticeiro— vai ajudar-me? —Ele é mago, igual a você. Lance um conjuro para que não possa fazer mal a ninguém. —Um bonito pensamento, mas a magia não funciona assim. Mathias provém de uma poderosa linhagem com uma acusada tendência a produzir sociópatas. Alimenta-se do medo e a dor de outros, inclusive do prazer forçado, já viu. Tudo isso o fortalece. E, se retornasse, teria defendido mágica inimaginável. Peço isso, por favor, me dê o livro. Marrok o agarrou pelo pescoço de seu elegante pólo Ralph Lauren e o estampou contra a parede. Não se confiava um cabelo dele. Como neto que era de Merlin, possuía genes mágicos muito poderosos, e Marrok não estava de acordo com a teoria de que o inimigo de seu inimigo fosse seu amigo. —Deixa de me falar do livro ou saberá o que é ter minha espada no ventre! Bram escapou dele e estirou a pólo sem alterar. —Tomarei como um não. Embora seja uma pena. Muitas pessoas vão morrer. Mas claro, para você, a morte é uma bênção, não é assim? —Até no caso de que o livro estivesse em meu poder, por que teria que lhe dar isso. —Porque com isso te economizaria muita dor. Mathias virá por você assim que averigue que o tem. —Cruzou o salão, deixou-se cair em uma fofa poltrona e apoiou os pés sobre a mesa. Marrok apertou a mandíbula. —Eu não sei nada. —Se faça de tolo se quer — sorriu brevemente— mas o livro não é o único motivo de minha visita. Quero que conheça alguém. É a proprietária de uma galeria de arte que acaba de abrir suas portas.
  12. 12. TWKliek Shayla Black Irmandade do Caos 01 12 Fazer vida social era o último ao que Marrok pensava dedicar agora que Morgana retornou de seu exílio. —Não. —É uma oportunidade única. Chama Um Toque de Magia. —Baixou os pés ao chão, inclinou para frente e apoiou os cotovelos nos joelhos— É um lugar fresco e acaba de abrir suas portas... —Não me interessa nada do que me conta. O que preciso é que me leve a Londres. —Você? Pensa enfrentar à civilização? Voluntariamente? — Bram ficou boquiaberto. —Procuro uma mulher. —Pretende pôr outra vez a prova os limites de sua maldição? Como podia saber o mago tudo isso? Prepotente intrometido. Com grande esforço, Marrok reprimiu a vontade que tinha de arrancar sua cabeça. —Fecha essa boca antes que a feche eu. Bram soltou uma gargalhada. —A última mulher que levou a cama, desapareceu durante dois dias. Isso faz uma década, não é assim? —Nenhuma palavra mais. Bram cruzou os braços e sorriu. —Ouvi que é o assombro dos humanos, e que deixa envergonhados incluso a homens com poderes mágicos, mas que nunca está completamente satisfeito... não é assim? Marrok se negava a admitir diante do feiticeiro que não obtinha satisfação no sexo, independentemente das mulheres que levasse para cama, dos orgasmos que proporcionasse ou do perto que estivesse ele de obter um. Isso daria material para atormentá-lo ainda mais. —Quando conhecer Olivia Gray pode que queira provar a sorte outra vez. Ela já ama a suas esculturas e é muito atraente. Sua assinatura mágica é... interessante. —É da sua espécie? Então, nego-me! Eu procuro uma mulher em particular. —Interessante. De verdade conhece alguém? Faz anos que não sai deste lugar. Tirou de algum chat de “garotas quentes”? E voltou a segurar o ombro. Marrok notou que tentava penetrar de novo em sua cabeça, mas conseguiu escapar dele, dirigiu-se imediatamente a sua espada, agarrou-a e varreu o ar com ela ameaçadoramente. —Deixa já sua invasão infernal! Bram retrocedeu. —Me fale dessa mulher. Talvez possa te ajudar. O único que o feiticeiro poderia fazer por ele seria empurrá-lo ao inferno. —Sei que aspecto tem, mas desconheço o nome que utiliza agora. Encontrarei. —Hum. Um antigo amor? “Antigo amor, antiga inimizade.” —Me leve a Londres.
  13. 13. TWKliek Shayla Black Irmandade do Caos 01 13 —Levarei aonde você queira — respondeu Bram. Logo fez uma breve pausa e acrescentou— depois de que conheça Olivia. Está muito interessada em sua arte e prometi que o apresentaria. Marrok reprimiu com muita dificuldade sua frustração e desejou que o mago elegesse outro dia para ficar difícil. Ou, melhor ainda, que escolhesse a outro alvo. Seu sonho, a profecia que podia liberá-lo, por fim chegou: Morgana estava em Londres. E ele estava decidido a conseguir que o deixasse em liberdade. —Me levar à contra gosto te diverte, mas hoje não estou de humor para jogos. —Essa é minha oferta. Aceita ou deixa. —Bram encolheu os ombros com expressão impertinente— A menos que queira me entregar o livro. Marrok apertou a manga da espada e o olhou arqueando uma sobrancelha. Não se desfaria do maldito Livro do Caos até que não averiguasse como utilizá-lo para pôr fim à maldição. Segundo Morgana, havia uma forma, e ele estava decidido a encontrá-la. Além disso, deixar aquela endemoninhada coisa em mãos de um mago era como pôr o lobo ao cuidado do galinheiro. —Suponho que isso é um não. —Bram sorriu tenso— Nesse caso, espero que desfrutes de seu encontro com a senhorita Gray. Mostrei algumas fotos de algumas de suas peças e ficou muito impressionada. Acertei uma reunião com ela esta manhã. Não demore. Pode fazer o que quiser o resto do dia. —Quando Marrok tratou de negar novamente, outro insistiu— Vamos, seguro que tem alguma peça que possa vender. Era certo. Nos últimos três meses esculpiu as melhores de sua vida. Dirigiu a vista para uma escultura de madeira que representava ao rei Artur em pleno combate de morte com Mordred, seu grande inimigo. Merlin e Morgana apareciam em segundo plano, lançando conjuros para ajudar seu campeão. Atravessou a sala em direção à escultura, observando fixamente o perfeito retrato de Morgana. Medo, fúria e uma chama de desejo oprimiram o estômago. Como foi tão estúpido para se envolver com aquela bruxa? Mas logo poria fim a aquele assunto. Iria a sua busca esse mesmo dia e exigiria respostas, embora tivesse que retorcer aquele precioso pescoço. Não estava seguro de onde começar a procurar, mas por algum motivo sabia que aquela sensação, sua ameaçadora presença, guiaria. Afastou a vista da escultura e voltou para a porta. —Um quarto de hora. —Estupendo. Mas até que me entregue o livro, vou ser seu melhor amigo — disse Bram sorrindo de orelha a orelha. Assim que Bram estacionou a três quadras de Oxford Street, Marrok saiu do sufocante limites do carro. Os guerreiros não viajavam em armadilhas mortais motorizadas. Na lúgubre manhã cinza, avançaram em direção a um pequeno estabelecimento com um rótulo arroxeado que dizia Um Toque de Magia. Marrok esquadrinhou através da vidraça com um
  14. 14. TWKliek Shayla Black Irmandade do Caos 01 14 cínico grunhido. Uma escultura de barro de Pegasus ocupava virtualmente todo o espaço. Estudou a peça com olho perito. A obra tinha simetria, mas carecia de movimento, de vida. Quando Bram abriu a porta, uma campainha eletrônica avisou de sua chegada. Uma onda de almiscarado incenso bateu os sentidos de Marrok incluso ainda fora da galeria. Isso e as notas de uma apaixonada balada e um abrasador formigamento por toda a pele. Uma mulher esteve ali pouco antes. Sabia pela tentadora mescla de suave perfume e o aroma natural que flutuava no ar. Inspirou fundo e o invadiu o aroma de pêssego e baunilha. Um tilintar de contas da cortina que separava a volta da loja atraiu sua atenção. Viu então uma mulher oculta depois do montão de caixas que levava entre os braços. Fixou em seu alvoroçado cabelo escuro e em seu delicado perfil antes que voltasse para depositar as caixas sobre o mostrador que ocupava toda a parede traseira. O familiar de seus movimentos fez que contivesse o fôlego. Marrok queria que desse a volta para poder ver o rosto, mas ela procedeu a abrir as caixas, balançando ao ritmo da música celta que enchia a estadia. Sentiu o embate do desejo. —Olivia? —chamou Bram por cima da música. A mulher voltou e sorriu ao mago. Marrok sentiu como se um punho invisível o batesse. —Obrigado por vir, Bram. — Seu inequívoco acento americano ressonou na cabeça de Marrok fazendo que desaparecesse a música— Sei que está ocupado. Recebeu a mensagem que te deixei a semana passada? —Sim. Sinto muito. Não ouvi nada mais a respeito de seu pai. Voltarei a perguntar. O investigador não contou nada novo? Os ombros dela se afundaram. —Não, só encontrou o endereço de um louco que afirma ter quase quinhentos anos. Seguirei olhando. Mudei a Londres para encontrá-lo e não penso me dar por vencida. Então voltou a cabeça e olhou Marrok como se acabasse de dar conta de que não estavam sozinhos. A acolhedora expressão de seu rosto desapareceu de repente. Tampou os carnudos lábios com a mão e ficou olhando como se tivesse visto um fantasma. O próprio Marrok tampouco podia sair de seu assombro. Maçã do rosto delicada queixo ligeiramente bicudo e aqueles malditos olhos que não podia tirar da cabeça: os olhos de Morgana no sonho que teve aquela mesma manhã. Adquirir consciência disso sacudiu todos os seus nervos. Olivia olhou Bram. —Este é...? —É obvio. Já disse que traria isso. O mago o empurrou para ela. Em circunstâncias normais, Marrok teria grunhido diante do contato, mas nesse momento toda sua atenção se centrava em Olivia. Melhor dizendo, em Morgana. A mulher que podia terminar com a maldição. Não acreditava que pudesse adotar a forma de alguém tão formosa como a de seu sonho, mas subestimou seu oponente. Só esse detalhe a convertia em um ser ainda mais letal, por não
  15. 15. TWKliek Shayla Black Irmandade do Caos 01 15 falar do poder que certamente teria adquirido ao longo dos séculos. Parecia muito jovem, apenas vinte anos. Embora sua juventude só fosse uma ilusão, o fazia sentir como um ancião. Bram se voltou para ele. —Marrok, esta é Olivia Gray. Ela ficou quieta um segundo. Então afastou a mão da boca e mordeu o lábio inferior. O gesto parecia quase natural para ser uma vacilação deliberada, mas Morgana nunca mostrava vulnerabilidade a não ser que esta formasse parte de uma armadilha. Finalmente, estendeu a mão. Marrok ficou olhando fixamente, temeroso ao mesmo tempo em que desejoso de tocá-la. Começou a suar. Como se estivesse rindo dele. Mas os séculos ensinaram a jogar seu jogo. Com um sorriso de tubarão, tomou a mão entre as suas. Uma corrente elétrica atravessou a palma e subiu por seu braço, sacudindo até a alma. Nesse preciso instante, seu membro ficou duro como uma pedra. Lançou uma calada imprecação. Um mero roce bastou a Morgana para enfeitiçá-lo, igual em seu sonho. Só que mais potente ainda. Olivia abriu muito os olhos e o gesto o encheu de satisfação. —Senhorita Gray. Ela retirou a mão rapidamente. —Eu... Prazer em conhecê-lo. Bram me falou de você. Bom, de seu talento — esclareceu — as fotos que vi são impressionantes. Morgana nunca mostrou nenhum interesse por seu trabalho, só importou sua reputação no campo de batalha e no quarto. Aquele fingido interesse o pôs furioso. Que joguinho trazia aquela bruxa entre mãos? Ruborizada, ela olhou Bram. —Onde está a peça que trouxe? —perguntou a Marrok. Tão concentrado estava em Morgana que esqueceu. —Em seu carro. O olhar do mago moveu de Marrok a Olivia e outra vez de volta a Marrok. —Irei procurar enquanto vocês dois se conhecem melhor. A campainha da porta sublinhou ruidosamente a partida de Bram, mas Olivia não afastou o olhar de Marrok em nenhum momento. O coração retumbava no peito. Aquele homem a olhava como se a conhecesse, como se pudesse ver dentro dela. Como se soubesse que essa mesma manhã sonhou com ele; que a viu nua e úmida de desejo, suplicando que a tocasse. Quando o penetrante escrutínio masculino descendeu à parte baixa de seu corpo, Olivia teve a inconfundível sensação de que Marrok sabia que foi objeto de suas fantasias eróticas.
  16. 16. TWKliek Shayla Black Irmandade do Caos 01 16 Entretanto, seu olhar não parecia exatamente erótico, mas ela ruborizou de todos os modos, e notou um delicioso formigamento em certas partes de seu corpo. Era evidente que seu interesse não era correspondido. A maior parte dos homens não se sentia atraídos por uma mulher de aspecto tão estranho como o seu. Com o cabelo quase negro e os olhos de um azul violáceo, parecia uma extra tirada de um espetáculo de Halloween. Duvidava muito de que fosse ocorrer o contrário com alguém tão espetacular como Marrok. Mediria ao redor de um metro noventa e cinco, tinha uns ombros tão largos como um armário roupeiro e tão musculosos que pareciam a ponto de arrebentar as costuras da camiseta negra. Os braços penduravam a ambos os lados do torso, com uns enormes punhos apertados a cada extremo. Um alvoroçado arbusto de cabelo escuro emoldurava um rosto atormentado, de maçãs do rosto marcadas, acentuadas por um cavanhaque pulcramente recortado e uns insondáveis olhos azuis cinzentos. Esboçava um meio sorriso, como se soubesse que a punha nervosa. Olivia conteve a vontade de brincar com os braceletes que usava no pulso. Marrok era um artista temperamental. Ponto. E ela era a proprietária de uma galeria de arte, seu sonho desde que era uma adolescente irascível que levava uma vida nômade com sua fria e excessivamente protetora mãe. Se quisesse manter aquele lugar flutuando, seria melhor que deixasse de sonhar acordada e centrasse nos negócios. —Eu gostaria de exibir aqui suas esculturas de madeira — disse— Acredito que tem muito talento. Posso te ajudar a ganhar uma boa soma. Ele arqueou uma sobrancelha escura de maneira inquietante. —Não me interessa o dinheiro. “De verdade?”, perguntou ela. —O prestígio então? O reconhecimento. É isso o que busca? Marrok aproximou, abatendo ameaçador sobre ela. Se sua intenção era intimidá-la com seu tamanho, estava conseguindo. Cada um de seus bíceps era tão grosso como sua própria coxa. —Não procuro reconhecimento — respondeu com um tom rouco e perigoso. Nunca foi tão consciente de estar a sós com um homem. Claro que tampouco antes sonhou que estava nua e excitada por uma brincadeira como aquela e depois conheceu em pessoa. Mas estava ali por questão de negócios. Tinha que concentrar. Reprimiu um calafrio e endireitou os ombros. —Algo quererá em troca de seu trabalho. Diga-me o que é e... —Já sabe o que quero. Ele segurou com suas mãos grandes e cálidas seus quadris e uma inesperada onda de energia explodiu dentro de Olivia como se tivesse recebido uma descarga elétrica aterradora, sexual. Não podia dizer a sério. Jogou a cabeça para trás. Os olhos claros de Marrok, emoldurados por aquelas escuras pestanas, atraíam sem que pudesse evitá-lo. Seu aroma, tosco e selvagem, foi direto a seus joelhos.
  17. 17. TWKliek Shayla Black Irmandade do Caos 01 17 Maldita fosse. Não a conhecia de nada e a estava tocando. Por que não tinha medo? Ou por que não a incomodava aquele desejo selvagem não correspondido? —Não, não sei. —Você mente. Marrok apertou os dedos e a aproximou ainda mais a ele. Seus corpos roçavam, seu calor penetrou no corpo de Olivia. Ele estava...? Sim, duro. “Deus bendito.” Depois de tudo, o desejo possivelmente sim fosse correspondido. Estupefata, elevou a mão e a posou no torso masculino com intenção de detê-lo. Foi como se houvesse tocado uma parede de rocha, só que aquela estava vivinha e abanando o rabo. Todo ele estava duro. —Basta — sussurrou. Marrok apertou os lábios convertendo em uma ameaçadora linha. —Basta do que? —De me tocar. —”De me confundir” —Não faça. Ele a soltou. Quase por arte de magia, seus sentidos se liberaram do feitiço que os mantinha submetidos. A energia se precipitou fora de seu corpo e o sentido comum e a fúria retornaram. —Estamos falando de negócios. —Olivia tentou se mostrar como uma profissional séria em vez de como uma virgem tremente— Ofereço a metade dos benefícios por vender aqui sua obra. Mas isso não te dá direito a que ponha as mãos em cima. Francamente, sentia bastante surpreendida de que ele queria fazê-lo. Marrok cruzou os braços e ficou olhando pensativo. —Te tocar foi um engano. É obvio que foi, pensou Olivia. A campainha da porta a sobressaltou. Voltou à cabeça e viu que era Bram. Amaldiçoou por não ter chegado sessenta segundos antes. —Aqui está — disse o mago com tom vitorioso, sustentando entre as mãos uma escultura de madeira que ela não via bem de tudo— tive que olhar por todo o carro até que acordei que a tínhamos guardado no porta-malas. Nenhum dos outros dois respondeu. Olivia sabia que deveria se aproximar e ver a obra, mas não podia deixar de olhar Marrok com receio. Ele tampouco afastava a vista dela, abrasadora. Em seus olhos havia fúria e algo mais, talvez desejo. A combinação resultava tempestuosa, potente, inexplicável, impossível. Olivia deu um passo atrás. —Já conhece minha oferta. Trato feito? —perguntou. Marrok se inclinou sobre ela. —Antes me deitaria com o diabo. Confio mais nele. Girou então sobre seus calcanhares, atravessou a estadia e abriu a porta de par em par. O som da campainha ficou silenciado pela portada. Olivia deu um coice ao vê-lo sair daquela forma. Franziu a testa. O teria enganado algum dono de galeria no passado? Ou talvez incomodasse que, por um momento, houvesse sentido atraído por ela? Já não deveria doer essa possibilidade, mas assim era.
  18. 18. TWKliek Shayla Black Irmandade do Caos 01 18 —Isto é muito estranho — comentou Bram— O que passou? —Não sei. Bram a olhou escrutinador e entregou a escultura. —Irei falar com ele. Não se preocupe. Olivia ia dizer que o deixasse correr, mas então viu a escultura. Um cervo. Era como se a criatura fosse mover as patas para dar seus primeiros e torpes passos de um momento a outro. Seus comovedores olhos a deixara atônita. Marrok tinha um talento imenso. E aquilo só era uma pequena amostra. Fechou a boca. Faria as vontades do amante das artes. Não importava o muito que a turvasse sua presença. Felizmente, estava acostumada às manias dos artistas. Tinha que fazer alguma exposição ou, do contrário, seu negócio iria logo a banca rota. Necessitava o dinheiro para ficar na Inglaterra e pagar o detetive que estava procurando seu pai que nunca conheceu. Descobriria o que era o que motivava Marrok e então trabalharia com ele, por difícil que fosse. —Perfeito. Quero voltar a vê-lo o antes possível. CAPÍTULO 2 —Que diabos esta acontecendo com você? — gritou Bram, correndo atrás dele. Marrok voltou. Onde estava sua fodida espada quando a necessitava para trespassar um bruxo astucioso? —Você Sabia. Sabia idiota sangrento. —Que Olivia era uma le Fay? Sim. —Não uma le Fay qualquer, a não ser Morgana em uma embalagem diferente. Bram se calou. —Isso não poderia dizer. Morgana me precedeu, assim não posso dizer como era. No momento, o único que sei a partir de sua assinatura mágica é sua linhagem. —Assinatura mágica? —É como... sua aura, mas especificamente para sua magia. A maioria dos bruxos que passaram a transformação pode vê-la. A assinatura de Olivia é bastante débil. Parece-me, tem menos de vinte e cinco anos, a idade em que uma bruxa alcança seu poder. Se for o caso, não posso ler nela como faria normalmente. —Se coloque em sua mente como tentou fazer comigo. Averigua quem é. O mago negou com a cabeça. —Com esse método só posso ler os pensamentos que tenha nesse momento concreto. E a menos que esteja justamente pensando em que não é Morgana, não serviria de nada. Só poderia ver algo mais, se eu fosse... intimamente tocá-la. —E isso o que quer dizer?
  19. 19. TWKliek Shayla Black Irmandade do Caos 01 19 —Quanto mais profundo o toque, mais eu posso mergulhar em sua mente. Em outras palavras, se Bram se enterrasse até o cabo em uma mulher, ele poderia discernir sua história de vida. Deveria ter resultado tentadora a ideia de deixar Bram tombar com o diabo, entretanto, o pensamento o pensamento, deu vontade de esmagar a cara do bruxo. Embora odiasse Morgana em sua nova forma, não podia negar, ele a queria toda para si mesmo. —Não ponha um dedo nela — Marrok rosnou. —Não tinha intenção. É uma garota encantadora, mas não me interessa. E pinçar na mente de uma mulher supõe averiguar também como um homem pode ganhá-la, sexualmente falando. Dizia a sério? Podia averiguar a forma de convencer uma mulher de que se deitasse com ele? Não era de estranhar que Bram fosse o maior sedutor do mundo mágico. —Quando seus pensamentos não dizem o que quer saber, simplesmente escuta suas fantasias e as torna devassas para você? —Totalmente. —O mago dirigiu uma de seus característicos sorrisos— Passei muito tempo aperfeiçoando a técnica. —Não se meta na mente de Morgana. —Marrok, não acredito que seja Morgana. Porque sua assinatura seria tão fraca? Meu avô me contou que você poderia vê-la chegando a um quilômetro e meio de distância, de um roxo fundido e iridescente. —Tolices. Quando foi a última vez que viu um le Fay vivo e andando? Bram assentiu dando a razão. —Faz várias centenas de anos, é verdade. Mas seu filho teve centenas de amantes humanas que tiveram outros tantos filhos. É possível que... —Mas igualmente provável que seja Morgana com outro aspecto. Há muito tempo, corre o rumor de que pode mudar de forma. Talvez ela se transformou em uma bruxa jovem e silenciou sua assinatura. —Em condições normais diria que não, mas com ela tudo é possível. —Bram suspirou— Se tiver voltado e busca chamar sua atenção, só pode ser por um motivo. O Livro do Caos. No passado, essa foi sua maior fonte de poder. Quando Merlin a desterrou, séculos atrás, o livro fechou misteriosamente e permaneceu assim até o presente. —O Livro do Caos tem poderes extraordinários. Marrok sabia de primeira mão. Levava séculos tentando, sem êxito, abrir o condenado livro. Tentou retalhá-lo, queimá-lo, destruí-lo, mas aos poucos minutos se regenerava de novo, borbulhante de poder. Como podia um objeto albergar tanta magia tanto tempo depois de que sua ama tivesse abandonado o mundo físico? —Você o tem, Marrok. O entregue para mim e economize a agonia que sem dúvida vem em sua direção. Eu o protegerei. —Cai fora — respondeu, e afastou pela calçada a grandes pernadas. Bram o seguiu.
  20. 20. TWKliek Shayla Black Irmandade do Caos 01 20 —Fui ver esta manhã porque quero te dar uma mão, não porque ache que é capaz de pedir ou aceitar ajuda. —Homem sábio. Bram pulou na sua frente. Marrok se viu obrigado a parar ou colidiria com o bastardo. —O livro tem que estar custodiado por alguém com poderes mágicos. Se caísse em mãos equivocadas, poderia significar a morte para toda bruxa, mago e crianças. Você não tem a habilidade necessária para protegê-lo. Quinze séculos como guardião do ditoso livro dizia o contrário. Marrok o necessitava e à mulher da família le Fay para abri-lo e pôr fim à maldição. Depois, consideraria a possibilidade de entregar a Bram... Quando as rãs criassem cabelo. —Se Morgana readquire o livro — continuou Bram— ela poderia começar séculos de sofrimento e torturas. E se minha visão se torna realidade e é Mathias quem o consegue, os planos de Morganna seriam agradáveis em comparação. Bram se dirigiu ao carro novamente. Marrok o seguiu e sentou a seu lado, com os punhos cerrados. Odiava essas engenhocas. Onde havia um bom cavalo quando se queria ir de um lado a outro? Pior, Bram dirigindo provocaria um ataque cardíaco inclusive ao guerreiro mais intrépido. Afivelou seu cinto de segurança. Bram arqueou uma de suas sobrancelhas douradas. —Você não pode morrer, porque se incomoda? —Não conduz frequentemente, verdade? —Não — admitiu com ironia— Prefiro teletransportar. —Nota-se. Bram jogou sua loira cabeça para trás e soltou uma gargalhada. —Duas piadas em um dia. Eu poderia ficar inconsciente pelo choque. —Infelizmente, recuperaria. O motor ficou em marcha e com ele as notas de uma canção de rock que encheram violentamente o carro. Uma áspera voz de homem cantava um estribilho sobre o animal em que se converteu. Marrok fez uma careta de asco. Bram não fez caso e separou da calçada. Não dirigia um modelo qualquer, a não ser uma Ferrari 599 GTB Fiorano de cor vermelha5 . Não havia nada de discreto sobre Bram. —Veículo legal para alguém quem não gosta de dirigir. —Se tiver que fazer, por que não com estilo? —Pode aparecer e desaparecer quando tiver vontade, para que necessita um carro? Bram sorriu. 5
  21. 21. TWKliek Shayla Black Irmandade do Caos 01 21 —Para quando tenho que levar a Londres um taciturno guerreiro imortal. Ou acaso preferiria que o teletransportasse? —Pelo sangue de Cristo, nay! —Exato. E os humanos também ficam nervosos quando aparecemos e desaparecemos. Não é a melhor forma de manter em segredo que somos magos... —Pode baixar essa algazarra? —perguntou, fazendo um gesto para o elegante aparelho de som do carro. —A música? É rock, homem velho. —Dá dor de cabeça. Como pode pensar com esse barulho gritando em sua cabeça? Bram baixou a música um pouco, muito pouco. Continuando, parou em um semáforo vermelho e Marrok ficou surpreso ao ver a seriedade com que o olhou. —Mathias retornará logo e devemos tomar medidas. Já adverti os MacKinnett. Tolos. Acreditam que pelo fato de pertencerem aos Privilegiados ninguém ousaria prejudicá-los. Marrok estremeceu a medida que a visão do mago o bombardeava novamente, o perseguindo. Lançando o elegante veiculo vermelho, Bram chiou para longe da luz vermelha. —Nossa principal tarefa é proteger o livro. A raça mágica, e talvez até a raça humana, está em perigo. É claro, jogar em sua raça, também, assim teria uma razão pessoal para se envolver. Idiota trapaceiro... —A possibilidade de que Mathias retorne resulta inquietante. Entretanto, se o que busca for informação sobre o livro, a senhorita Gray sabe muito mais dele que eu. —Marrok fez uma pausa— Talvez deveria me deixar falar com ela. —Acaba de ir de sua galeria dando uma portada. —Insanidade temporária — respondeu Marrok encolhendo os ombros. —Está bem. Fala com ela, mas tome cuidado. Se resultar que é Morgana, sua magia... —É potente, aye. Mas também é a sua. —Não o bastante para competir com um antigo poder milenar. Além disso, preferiria não me enredar com Morgana. As relações do meu avô teve com ela poderiam a predispor a não gostar de mim. E conforme assinalam os escritos de Merlin, ela é uma puta assustadora. Não era um bom presságio que Bram tivesse um saudável respeito pelos poderes de Morgana. Marrok amaldiçoou sua natureza lasciva que o levou a deitar com a bruxa no passado. —Para falar com ela necessito algum modo de neutralizá-la. Não posso suportar que me jogue outra maldição. Por muito que abomine ser imortal, passar o resto da eternidade convertido em sapo ou algo igualmente repugnante atrai ainda menos. Observando o trafego atentamente, Bram tamborilou com o polegar no volante ao tempo que outra, dor de cabeça, canção de rock alternativo iniciava.
  22. 22. TWKliek Shayla Black Irmandade do Caos 01 22 —Meu avô me deixou algumas coisas. Uma em particular desenhada por ele precisamente para Morgana. Alguma coisa com pedra laggagh6 . Pode fazer uso dela. —O que significa isso? —Eu não sou tão bom com a antiga língua como deveria. Déficit de atenção nos assuntos maçantes. —Suspirou— Segundo as notas de Merlin, essa pedra a debilita. No minuto em que a toca, ela irá bloquear sua magia. Mas existem efeitos colaterais. —Desagradáveis para ela? Bram franziu o cenho. —Eu diria que sim. —Perfeito. O que importava a ele que Morgana sofresse um pouco, depois do inferno que fez passar ao longo de tantos séculos? Bram jogou um severo olhar de lado. —Tome cuidado. Se Olivia resulta ser na realidade Morgana, será uma adversária perigosa. E afinal sei que utilizou o diário para o amaldiçoar, não tenho nenhuma dúvida que vai recusar entregá-lo até que tenha esgotado todas as esperanças de pôr fim a sua encantadora maldição. —Eu nunca disse que tenho o livro. Bram lançou-lhe um tenso sorriso e colocou algo na sua mão. —Segue fingindo que não tem, então. Mas se mudar de opinião ou necessita minha ajuda, lança isto ao ar e pronuncia meu nome. —É uma pedra — observou Marrok, olhando— Está louco? —Não demore muito para me chamar. Estamos correndo contra tempo. Amaldiçoando, Olivia lutava com as chaves que fechavam a porta da frente da Um Toque de Magia. Pequeno dia mais desastroso teve. Na realidade, toda sua vida foi um constante desastre. Ela prendeu seu celular a orelha com um sorriso irônico. —Estou bem, Bram. Só um pouco cansada. Despertei às duas da manhã e já não pude voltar a dormir. E tampouco comi em todo o dia. Agora a exaustão atormentava ela, suas garras perfurando profundamente. —Lamento ouvir — murmurou o mago— Segue preocupada com seu pai? —Sim. Toda a vida acreditou que seu pai morreu antes que ela nascesse. Mas depois da recente morte de sua indiferente mãe, Bárbara, Olivia vasculhou seus pertences e descobriu que era mentira. Armada com seu nome, último endereço conhecido e uma fotografia de seu pai em que se via que ela herdou seus incomuns olhos, decidiu averiguar a verdade. Havia pessoas que encontravam parentes desaparecidos com muito menos. Mas a busca resultou infrutífera, até contando com Bram e um detetive. Era como se ele tivesse evaporado. 6 Do gaélico morro, colina, cume, seria algo como a pedra da colina.
  23. 23. TWKliek Shayla Black Irmandade do Caos 01 23 O qual resultava preocupante. Entre os objetos ocultos de sua mãe, havia uma carta sem abrir que seu pai escreveu quase vinte anos atrás e enviou de Londres. Bárbara não se incomodou em dizer do que se tratava, maldita fosse. Embora tampouco a surpreendia. Foi uma mulher fria e insensível a todos os níveis. “Tem um teto sob sua cabeça, jovenzinha, porque eu cumpro meu dever. Cumpra você com os seus. Tire melhores notas, limpe seu quarto e não me toque.” Sua querida mãe escondeu todas as pistas sobre seu pai. Mas não importava. Bárbara sempre utilizou tudo àquilo que servisse para que Olivia se sentisse mais isolada ou desgraçada. Na carta, Richard Gray suplicava que ela e sua filha retornassem para ele. A comovedora nostalgia que se percebia em suas palavras a fez chorar. Ele queria ver Olivia, conhecê-la, amá-la. A ela. Ela não era um fardo para ele. Assegurava que as protegeria. Mas do que? Seria isso, o que queira que temesse o que agora impedia de encontrá-lo? Conhecê-lo, no mínimo satisfaria sua curiosidade, e, com sorte, talvez pudesse ajudá-la a superar seu medo de deixar que as pessoas se aproximassem. Rogava a Deus que não fosse muito tarde para encontrá-lo. —Estou em um beco sem saída — continuou— Tenho uma nova direção a seguir, mas se isso tampouco dá resultado, terei que ir pensando em outra coisa. É do mais frustrante. Para piorar as coisas, o negócio não ia muito bem, e muito temia que fosse perder sua adorada galeria. Um Toque de Magia era seu espaço, seu centro vital, ao que recorrer quando todo o resto ia mal. Era sua maior conquista ate hoje. Mas já não tinha dinheiro para seguir pagando o detetive. Se finalmente quebrava, teria que tomar uma decisão: ficar em Londres ou retornar aos Estados Unidos. “Retornar para que?”, perguntou uma vozinha interior. Em Londres tinha umas pequenas raízes. Não mais mudar de cidade a cada três meses e ser a garota nova constantemente, como ocorreu quando estava com sua mãe. Na Inglaterra se sentia como... em casa, embora o apartamento no que vivia fosse pequeno, não estivesse ansiosa pelo próximo inverno congelante e detestava a comida. É que os ingleses não acreditavam no poder de uma boa enchilada7 ? Mas valia a pena viver ali pela sensação de história, de permanência, morria por isso. —Tenho a impressão de que logo aparecerá. Não se renda. —Não me renderei enquanto exista uma mínima probabilidade de encontrá-lo. —Essa é a atitude. —Bram transmitiu calor através do telefone— As garotas americanas não deixam de me impressionar com sua tenacidade. 7 Enchilada é uma panqueca de milho mexicana, muito condimentada, recheada de carne de vaca, feijões ou frango e que leva por cima molho de piripíri e queijo ralado.
  24. 24. TWKliek Shayla Black Irmandade do Caos 01 24 Era um bom amigo. Gostava de paquerar com ela, mas paquerar era para ele como respirar. Olivia nunca tomava a sério seus sorrisos nem suas palavras encantadoras. Além disso, os homens normalmente não se sentiam atraídos por ela nesse sentido. Exceto, talvez, o taciturno e sexy artista que conheceu essa manhã. “Taciturno e sexy?” Marrok foi rude. Um asno. Mas por um momento teria jurado que a desejava. Idiota ou não, saber isso a fez sentir vertigem e desencadeou uma queda de desejo quente dentro dela. Um toque dele, e seu corpo se ascendeu como uma árvore de Natal. Patético. Desde que Marrok saiu batendo a porta da galeria essa manhã, uma dor estranha tinha importunado seu corpo. Exaustão arrastou-a para baixo, estava claro que necessitava uma boa parte de sono ou cafeína, algo. —Olivia — prosseguiu Bram— Te chamava por causa de Marrok. Não te surpreenda se tiver notícias dele. Acredito que se sente mal pelo que fez passar esta manhã. —Me alegro. Tinha intenção de chamá-lo amanhã. —E deixar a libido fora da conversa— É muito temperamental, mas wow, seu talento... —Já sabia que te entusiasmaria. É um homem estranho e difícil de tratar, mas dê uma oportunidade. Ela puxou do pomo da porta e tratou de fazer girar a chave. Nada. Alguns dias, aquela velha fechadura se empenhava em emperrar. Esse era uns desses dias. Então, um forte barulho a fez suspirar. —Farei. Tenho que desligar. Estou ficando sem bateria e não consigo fechar a maldita porta. Ficaram de chamar no final de uns dias e desligaram. Olivia seguiu tratando de fechar. Nada. Estava emperrada. —Condenada porta! —exclamou, apartando o cabelo dos olhos. —Falar com ela serve de algo? Olivia girou com a voz profunda e inesperada. Através da escuridão uma figura masculina se elevava próxima. Marrok. Embora as sombras ocultassem grande parte de seu rosto em mistério, fragmentos de desejo alfinetaram através dela. Ele permanecia imóvel enquanto lampejos de pálida luz refletiam em seus olhos de lobo. Uma apertada camiseta negra agarrava-se a seus largos ombros e os gastos jeans ao longo das duras coxas. —Assustou-me — disse ela com um tom ligeiramente acusador. Com ele tão perto, o esgotamento deixou de ser um problema. De repente, seu corpo vibrava de energia. —E não pela primeira vez, acredito. —Saiu de entre as sombras. A luz da lua minguante banhava de prata os duros planos de seu rosto— Esta manhã também assustou. Peço desculpas. Cortou a distância entre ambos tão silenciosamente que Olivia compreendeu como conseguiu aproximar sem que se desse conta e retirou as chaves das suas mãos.
  25. 25. TWKliek Shayla Black Irmandade do Caos 01 25 Com um rápido giro de pulso fechou a porta. Ela não podia afastar os olhos dos planos das suas costas largas, a ondulação de seus ombros. O que sentiria ao acariciá-los sob suas mãos enquanto ele a penetrava? A pergunta a deixou atônita. Era completamente inapropriada. Absolutamente ridícula. Claro, ele estava duro antes, sim, mas provavelmente era uma reação involuntária. Não havia muitas probabilidades de que houvesse sexo entre eles. Sua cabeça estava claramente em suas calcinhas. Marrok girou e depositou as chaves novamente em suas mãos. Poderia ele ter visto o rubor que lhe subia com tão pouca luz e que cobria as bochechas quentes? —Reconsiderei sua oferta — disse ele de repente. Ela levantou a vista bruscamente e o olhou. Nenhuma explicação a respeito do ocorrido pela manhã, nem garantias de que não voltaria a ocorrer. Embora aquele homem fosse capaz de fazer saltar seus alarmes internos e de acender seu corpo ao mesmo tempo, era também sua melhor opção para conseguir o dinheiro que necessitava se quisesse seguir procurando seu pai. Trabalhar em uma galeria de arte enquanto ainda estudava na universidade, deu experiências necessárias para tratar com esses artistas egocêntricos. E Marrok tinha PROBLEMAS escrito sobre todo ele. Mas ela poderia lidar com o que ele jogasse em seu caminho. —Então, já não faço par com o diabo? Ele teve a decência de mostrar envergonhado. —Nay. Nay? O que havia com sua gíria arcaica? —Certo. Nós podemos conversar. —Consultou o relógio e acrescentou— Tenho tempo para uma taça de café. Marrok negou com a cabeça. —Quero mostrar minha coleção inteira, trabalho que ninguém jamais viu. O íntimo sussurro que empregou mandou uma mistura de calafrios por todo o corpo. A insinuação de que queria mostrar algo que nunca antes mostrou a ninguém bateu em seus olhos de touro como marchand8 ... e como mulher. —Está bem — respondeu com voz tremula— Onde? Ele fez uma pausa e Olivia teve a impressão de que a estava estudando atentamente, esquadrinhando suas reações. —Meu flat. Justo nesse momento, um táxi apareceu pelo extremo da rua e parou junto à calçada. Marrok abriu a porta e a convidou a entrar com um gesto da mão. —Tinha um táxi esperando, confiando em que aceitaria meu convite. 8 Marchand é um termo de origem francesa que designa o profissional que tem como atribuição intervir no processo de distribuição da produção de um artista.
  26. 26. TWKliek Shayla Black Irmandade do Caos 01 26 A lógica advertiu a Olivia que só uma estúpida subiria em um táxi com um completo desconhecido para ir com ele a sua casa. Afinal, o que sabia na realidade sobre ele? Apenas uma hora antes a agarrou pelos quadris e depois a insultou. Mordeu o lábio. Bram pediu que desse uma oportunidade. E, em seus sonhos, ela sabia intimamente a sensação de suas mãos espalhando suas coxas... “Pare ai.” A porta do táxi estava aberta. Olivia hesitou. Se Marrok tinha intenção de machucá-la, não a levaria a sua casa com um taxista como testemunha, certo? Possivelmente inclusive compartilhava a casa com outros três artistas mortos de fome. Subiu ao táxi e fugiu para à janela, enrugando o nariz ao perceber o acre odor de fumaça que flutuava no interior do carro. Marrok subiu a seguir. Sua presença ocupava três quartos do assento traseiro. O aroma de madeira, terra e macho substituiu a fumaça. Desprendia a classe de aroma que encantaria aspirar toda a vida. Não foi inteligente, mas se inclinou mais perto e desenhou uma profunda respiração aproximou. Todo seu ser cobrou vida com um zumbido de energia através dela, como quando entrava no Starbucks para tomar um café pela manhã. Os acinzentados olhos azuis de Marrok brilharam quentes com luxúria. Então ele desviou o olhar, abrindo e fechando os punhos. Estava agitado por algo. Sentiria ele também a tremenda atração que havia entre os dois? O corpo dela respondeu florescendo com um puxão de desejo. “Esquece. Mantêm no terreno profissional.” —Quanto tempo esta em Londres? —perguntou Marrok rompendo o silêncio enquanto o táxi se afastava a grande velocidade. —Seis meses. Quase sete agora — respondeu Olivia— E você? —Pare como se sempre. O bate-papo deveria tê-la tranquilizado, mas em vez disso, sentia cada vez mais inquieta. —E tem aberto a galeria você sozinha? —inquiriu ele baixando o vidro e aspirando uma baforada do fresco ar outonal. —Sim. Estou convencida de que suas obras serão um excelente complemento. —Já falaremos disso quando vir o resto da coleção. —Estou segura de que vou adorar. Tem muito talento. Ele encolheu os ombros e não disse nada. —Expõe em algum outro lugar? —Não. Ele relaxou os punhos e voltou a apertá-los. —Por que uma galeria de arte? Por que algo tão complexo como abrir seu próprio negócio em vez de aceitar um trabalho em outra parte?
  27. 27. TWKliek Shayla Black Irmandade do Caos 01 27 —Eu amo a arte. —Sorriu— Quando é bem feita, é capaz de te transportar a outro lugar, de evocar emoções desconhecidas. Quando sua vida é uma porcaria, ela permite que escape para um mundo totalmente novo. Quero dizer, que mulher não se viu saindo do mar convertida em uma deusa ao contemplar O Nascimento de Vênus de Botticelli? Ou contemplou o Renoir Bal au Moulin de Galette, Montmartre, e não pode imaginar a si mesmo rindo e dançando com a linda multidão, sentido livre e vivo? A arte é como... uma limpeza para a alma. Em troca, um trabalho administrativo... —Enrugou o nariz— Trabalhei nisso um verão quando estava na universidade. Mandaram-me embora porque ficava adormecida e não me dava bem seguindo ordens. Prefiro um negócio pequeno como este, que vende grande arte sobre a vida real para as pessoas que precisa rodear-se de sua beleza. Como seu cervo. É deslumbrante. —Ouvi que dizia ao Bram que tinha vindo a Londres para procurar a seu pai. Você sozinha? Olivia hesitou. Compreendia que Marrok fizesse perguntas sobre sua filosofia artística, afinal estavam tratando a possibilidade de que ele expusesse seu trabalho em sua galeria. Ela não tinha ideia de porque se interessava em sua vida pessoal. Havia lhe tocado antes e ao parecer se excitou, para em seguida insultá-la e sair. Seria possível que estivesse interessado nela? Fosse como fosse, o assunto de seu pai era muito pessoal: era algo que tocava diretamente o coração. Os laços existentes entre pais e filhas em geral eram especiais, e Olivia não podia evitar desejar que fosse assim o seu caso. A Marrok não pensava contar mais que uns poucos dados básicos, sendo como era um desconhecido. —Sim. Ele e minha mãe viviam separados. Não o conheço. O que mais desejava no mundo era conhecê-lo. —Então, vive sozinha? Ela o olhou com receio. Aquilo deixou de ser um bate-papo corriqueiro para matar o tempo. Por que interessavam essas coisas? Não podia ser que... Mas a julgar pela forma em que a olhava, aguardando sua resposta, qualquer um diria que estava mais interessado do que teria cabido esperar. —Quanto ainda falta? —perguntou em vez de responder, à medida que foram deixando atrás os subúrbios de Londres. —Já não muito. —Supunha que viveria em um apartamento no centro de Londres. Por que vive nos subúrbios? Marrok voltou para ela e dedicou outro daqueles penetrantes olhares que lhe fazia sentir como se devesse proteger sua própria alma. —É uma longa história. Fosse como fosse, o melhor seria limitar a conversa ao âmbito profissional. —Antes falava a sério. Acredito de verdade que sua obra será um êxito em minha galeria. As pessoas ficarão encantadas com suas peças. Alegro-me de que tenha mudado de opinião. —Eu também estarei depois de que falemos.
  28. 28. TWKliek Shayla Black Irmandade do Caos 01 28 Sua resposta não resultou precisamente tranquilizadora. Olivia não conseguia sacudir de cima a ideia de que falavam de duas coisas totalmente distintas. —Estou muito contente com as outras obras que tenho expostas. O que lhe parecem? Ele arqueou as sobrancelhas e disse: —Prefiro não dizer nada a respeito. Sua resposta raiava o egocentrismo. Chateou um pouco, mas supôs que tinha razão. O silêncio que instalou entre eles enquanto o táxi se afastava da tênue luz das luzes das zonas residenciais estava pondo a prova seus nervos. Quando deixaram atrás a última das pitorescas casas familiares dos subúrbios, a ansiedade atendeu a boca do estômago. Aonde demônios a levava? —Fica muito? —perguntou de novo, afastando a vista da campina desabitada que passava a toda velocidade pelo vidro, para olhar de esguelha seu anguloso perfil. —Dez minutos. “Está bem...” Olivia olhou pela janela. O tétrico nevoeiro noturno e a estranha atitude de Marrok a estavam pondo paranoica. Inspirou profundamente para acalmar, colocou a mão na bolsa e aferrou a seu spray de pimenta. Uns agônicos minutos mais tarde, Marrok disse ao taxista que parasse à entrada de um estreito caminho de terra. A inquietação de Olivia redobrou. Depois de pagar o condutor, ele saiu e estendeu a mão para ajudá-la. Um estremecimento de incerteza percorreu o corpo. O que sabia daquele homem na realidade? —Vamos, desce já! —ladrou o taxista com uns dentes sujos, enormes em seu magro rosto. —Pegue minha mão — apressou Marrok. —Tenho outras corridas, assim vá. —Espere um minuto! —Olivia jogou uma olhada ao taxímetro. Marrok negociou um bom preço pela viagem: trinta libras, mas arruinada como estava, não levava tanto dinheiro em cima nem o tinha no banco. Tampouco tinha cartão de crédito. Embora quisesse retornar a Londres, a viagem suporia um dilema. —Vá em frente! —enxotou o taxista. —Vêem comigo. —Acalmada voz de Marrok dissolveu o molho de nervos que oprimiam o estômago. Se ela queria ver suas esculturas em pessoa, tinha que ser corajosa. Muito devagar, estendeu o braço e posou a mão na palma dele. Um fluxo de fogo, quente e rápido como um raio, percorreu os dedos descrevendo um atalho de fogo até o centro de seu peito. A sensação foi tão intensa que esteve a ponto de cair ao sair do carro. Mas antes que pudesse afastar a mão, ele retirou a sua. O táxi se afastou deixando uma nuvem de pó atrás de si.
  29. 29. TWKliek Shayla Black Irmandade do Caos 01 29 Olivia olhou Marrok interrogativamente. Por que retrocedia cada vez que se roçavam? Às vezes tinha a impressão de que a desejava, mas outras em troca parecia que não pudesse suportar sua presença. “Se concentre nos negócios. E saia daqui.” —Aonde esta me levando? —exigiu. —A minha casa. Olivia olhou a seu redor, às árvores quase mortas, com seus esquálidos ramos desprovidos de folhas. Uma paisagem horripilante. Silenciosa. Presságios mordendo em seu estomago. —Não parece como se alguém vivesse aqui. Eu faço, na floresta. Em outras palavras, ele vivia onde ninguém poderia ouvi-la gritar. As lanternas do taxi desapareceram. Tarde demais para voltar atrás. —É um desses psicopatas que vai me cortar em pedacinhos? Ele parou um momento. —Entendo que pense assim nos tempos atuais, mas não. Necessito silêncio e tranquilidade para trabalhar e isso é impossível em Londres. Sem dizer nada mais, pôs a andar pelo deserto caminho de terra esperando claramente que o seguisse. Ao tênue resplendor da luz da lua, Olivia ficou olhando suas enormes costas afastando e saiu correndo atrás dele. Não saberia dizer se Marrok era um de tantos artistas extravagantes ou estava louco de atar. Não percebia ameaça por sua parte, mas decididamente havia algo estranho nele. Uma premonição, algo ao que em geral não fazia caso, dizia que aquele homem estava a ponto de mudar sua vida para sempre. Seguiu, acelerando o passo diante de suas largas pernadas, até que o alcançou. —Não estou confortável com isto. Me leve para minha casa. Ele não a olhou nem diminuiu o passo, mas sim seguiu avançando pelo caminho, agora convertido em um estreito atalho não pisado. —Não tenho carro. —O que? —chiou ela— E como espera que retorne logo à cidade? —Bram virá dentro de um momento. Isso a tranquilizou. Bram Rion, apesar de seus ares de sedutor, demonstrou ser de confiar desde que se conheceram, fazia poucos meses. A carta de seu pai mencionava seu nome e dizia que fosse a ele em busca de ajuda. De modo que assim que chegou a Londres foi buscá-lo e ficaram amigos. O caminho de terra mostrava rastros recentes de pneus. Seguro que se Marrok esperava que seu amigo fosse a sua casa, não estaria pensando em fazer algo horrível.
  30. 30. TWKliek Shayla Black Irmandade do Caos 01 30 O atalho estava flanqueado por uma fileira de esplêndidos sicômoros9 muito antigos, que se estendiam indefinidamente em ambos os lados para o que parecia um bosque infranqueável. Olivia observou, não sem certa apreensão, os ramos nus que se abatiam sobre ela. Cinco silenciosos minutos mais tarde chegaram a uma clareira e, diante de sua vista, apareceu uma casinha de campo. Seu telhado inclinado, suportava um estilo Tudor marcado por encantadoras janelas divididas por mullions10 . No alpendre dianteiro havia uma cadeira de balanço iluminada por um pequeno abajur. Fixou na cuidadosa gravura da madeira dos braços e nas folhas de hera esculpidas no respaldo. Cada entalhe era uma nova faceta de seu talento. Sua tremenda habilidade para trabalhar a madeira a emocionou. Por mais estranho que pudesse ser aquele homem, Olivia soube imediatamente que podia fazer ganhar uma fortuna a ambos. Quase vertiginosa, subiu a tudo correr os degraus e acariciou com o dedo o respaldo da cadeira de balanço. —É preciosa. —Não é mais que uma cadeira. Sinto-me aí para ver amanhecer. Ela imaginou facilmente, contemplando o amanhecer com ar pensativo, com seus fortes traços banhados pela luz dourada. Marrok se aproximou dela e a tomou pelo cotovelo. Um formigamento percorreu o braço quando se voltou para ele, mas fixou a vista na porta enquanto abria. —Há muitas mais esculturas dentro. Vêem. Olivia tomou ar, atravessou a soleira e ficou muda. O interior era totalmente rústico. Pisos nus de madeira, tratados com cera da mesma cor carvalho que as paredes, deste modo nua. Estava claro que não gostava dos adornos. Tão somente alguma lâmpada ocasional. E suas esculturas. Marrok era simples ao dizer que tinha mais dentro. Podia contar por centenas, e Olivia se viu rodeada por elas: um falcão preparado para elevar o voo por aqui, uma égua e seus potros jogando na pradaria por lá. Todas as superfícies do salão estavam ocupadas por peças de diversos tamanhos, da menor das criaturas, como um gatinho brincalhão, até um centauro de metro e meio de alto, com as patas dianteiras levantadas. Eram tão formosas que não sabia o que dizer. Inclusive o mobiliário, de linhas deliciosas, estava fabricado com a habilidade de um artesão. Olivia adorou as livrarias, algumas guarnecidas com fluídas volutas e arcos, outras de austeras linhas retas. Havia além grande quantidade de cadeiras, todas elas com detalhes de arrebatadora beleza, construídas em todos os estilos, desde renascentista até moderno, preciosas e feitas por Marrok. Possuía as mãos de um mestre... e o coração de um poeta. 9 O sicômoro é o mesmo que falso-plátano, isto é, uma árvore grande, ornamental, da família das aceráceas, originária da Europa. 10 E a barra que separa os vidros de uma janela.
  31. 31. TWKliek Shayla Black Irmandade do Caos 01 31 Os olhos encheram de lágrimas ao contemplar seu entristecedor talento e a forma em que expressava suas emoções. —Meu Deus, isto é incrível. Parece como se todas estas peças tivessem vida própria. Jamais vi uma arte como a sua. —Já basta! —Fechou de uma portada e a agarrou pelos braços. Tinha os lábios apertados em uma magra e séria linha— Deixa de fingir, Morgana. Estamos sozinhos e já estou farto de seus jogos. Ela liberou um de seus braços, mas ele voltou a segurar com força. Estava assustada. —Eu não sou... Eu não sou Morgana. Meu nome é Olivia, recorda? Os olhos de Marrok brilhavam cheios de ódio. —Você acredita que sou tão tolo para acreditar nisso. Sei perfeitamente quem é. —Me solte! Não conheço nenhuma Morgana e não sei do que fala. —Tive um sonho — respondeu ele com um grunhido— Você estava nele. Nua. Queria que entrasse em seu corpo. Então abriu o maldito livro e desapareceu. Não finja. “Deus bendito.” Era o sonho. Seu sonho. Marrok teve o mesmo sonho? Impossível. Mas acabava de descrever com todo detalhe. Estava ficando doente. —Me solte! Está me assustando. Juro que não sei do que me fala. Agarrou pelos pulsos e os segurou às costas com uma de suas enormes mãos. Então, colocou a mão livre no decote em forma de “V” da blusa dela e, apesar das resistências de Olivia, rasgou com um brusco puxão, deixando à vista seu sutiã de renda cor rosa. Uma gélida onda de terror se apoderou dela. —Não! Não me toque, seu bastardo! Seguiu retorcendo, tratando de escapar enquanto ele cravava seu ardente olhar em seu decote. O medo e a fúria de Olivia se acenderam quando o viu percorrer com os olhos a renda que cobria seus peitos e fixar no fechamento frontal do sutiã. Em seu olhar viu de novo o desejo agônico que observou já dentro do táxi. Baixou a vista e olhou dissimuladamente a braguilha de seu jeans. Ai, Deus, estava duro outra vez! Era a ideia de saber que exercia tanto poder sobre ela o que o excitava? Podia violá-la. Certamente sobrava força para ela. —Agrada saber que reajo diante de seu corpo? —perguntou ele com voz gutural. —Não — respondeu Olivia, embora de certo estranho modo sim a agradava. Sabia que aquilo não era sensato, mas não podia evitá-lo. “Pensa com a cabeça. Mantém a calma”, ordenou mentalmente enquanto apoiava o peso do corpo no pé esquerdo. Observou o rosto sombrio de Marrok. Este não moveu seu olhar nunca deixou seus seios. Contou até três e levantou o joelho para golpeá-lo na virilha. Mas ele foi mais rápido e parou o golpe com a palma da mão. Depois, agarrou a perna e rodeou com ela o quadril, e Olivia soube que estava perdida. Agora sua ereção pressionava contra seu sexo. Chocante, sentiu-se ficar úmida. Encharcada, mesmo enquanto a cólera a embargava.
  32. 32. TWKliek Shayla Black Irmandade do Caos 01 32 Olhou angustiada a sua redor em busca de algo com o que se defender, mas nesse momento, Marrok soltou os pulsos e levantou o queixo para obrigá-la a olhá-lo. —Lembro perfeitamente de você, Morgana. De seus truques. De seus jogos incitantes. Lembro de cada milímetro de seu corpo, inclusive dessa marca de nascimento em forma de morango que tem entre os seios. —E, ao dizê-lo, soltou de um puxão o fechamento do sutiã, deixando à vista a supracitada marca. Olivia estava atônita. Como sabia onde a tinha e qual era sua forma? Sabia pelo sonho? Marrok percorreu o rosto e os seios com olhar furioso, e então a soltou de tudo. Ela esteve a ponto de cair. —Não pode mentir pra mim. Olivia colocou o sutiã com mãos trementes e cobriu como pôde com a blusa rasgada. —Como sabia que tinha...? Ele arqueou ambas as sobrancelhas de maneira ameaçadora. —Acariciei cada centímetro de seu corpo. Faz mais de quinze séculos, sim, mas recordo perfeitamente. Mais de quinze séculos? Isso queria dizer para o quinto século ou sexto? —Eu só tenho vinte e três anos — respondeu ela, e logo parou um momento, tratando de dar com uma explicação lógica— Acha nas reencarnações e coisas pelo estilo? —Oxalá. Você assegurou de que não pudesse morrer. Você e o Livro do Caos asseguraram de que vivesse este inferno indefinidamente. Era evidente que se tratava de um tipo perigoso e que estava como uma cabra. E ela estava apanhada ali com ele, em metade de nenhuma parte. Retrocedeu. —Eu não... Não sei nada desse livro. Confunde-me com quem quer que seja essa Morgana. Pode que tenhamos a mesma marca de nascimento, mas... —Por sua culpa perdi meu título de cavalheiro. — aproximou mais a ela, fulminando com o olhar— Arthur me desterrou por ter te tocado. Mas sua ânsia de vingança não ficou satisfeita até que me jogou em cima a maldição da imortalidade e a solidão infinita. Acreditava ser imortal? Certamente, alguém que pensasse levar na terra quinze séculos, deveria considerar. Além disso, acreditava que foi um dos cavalheiros do rei Arthur e que ela era uma mulher chamada Morgana. Como Morgana le Fay, a meio-irmã de Arthur? E que esta o converteu em um ser imortal depois de deitar com ela. Nem toda sua fértil imaginação poderia ter imaginado algo tão fantástico. Olivia tragou com dificuldade o nó que formou na garganta. O que deveria fazer para acalmar a um louco delirante? —E qual foi o horrível pecado que cometi? —prosseguiu Marrok— Insultei sua vaidade ao seguir com minha vida antes que fartasse de me ter em sua cama? —Olhe, digo isso de verdade. É óbvio que me pareço com essa mulher, mas eu não te conhecia até esta manhã. Não sei nada de...
  33. 33. TWKliek Shayla Black Irmandade do Caos 01 33 Seus dedos se enroscaram em torno de seu pulso como cinco grampos de fogo, e cortaram seu discurso. Ele a arrastou para mais perto. —Você sabe tudo, incluindo a forma de me liberar dessa droga de maldição. Colocou a mão no bolso dos jeans, mas Olivia não esperou para ver o que planejava fazer. Deu meia volta e saiu disparada para a porta; estava fechada e sem chave. Marrok correu atrás dela e a apanhou com seu próprio corpo contra a folha de madeira, pressionando por trás com seu membro ereto e quente. Agarrou um braço e colocou um bracelete de aspecto medieval ao redor do pulso, fechado com um pequeno cadeado de prata. Continuando, retrocedeu e a olhou com gesto triunfal. —Ametistas, como seus olhos, engastadas em prata pura. Uma debilitadora combinação. Merlin o fabricou para você. Enquanto tenha, não poderá fazer magia. Assegurei que não possa tirar do pulso. Magia? Olivia ficou olhando o pesado bracelete de prata debruado de gemas de cor arroxeado e atirou dele dissimuladamente. Não se moveu nem um ápice. —Marrok, eu não sou essa tal Morgana. —estremeceu-se ao sentir um repentino enjoo— me solte, maldito seja! Ele a olhou, furioso. —A pulseira permanece, assim como você, até que você me liberte. Atravessou a sala e foi por um corredor. Olivia aproveitou para correr para as portas de cristal da parte traseira, mas não deu tempo de às alcançar, voltou e a agarrou com uma mão enquanto com a outra aferrava contra o peito um quadrado de cor vermelha. —Nunca teve a mais mínima decência, tem por uma vez. —Com os olhos chamejantes, levantou um livro encadernado em couro de cor vermelha— Abre e escreve a revogação da maldição para que possa morrer por fim. CAPÍTULO 3 —Quer morrer? —Estava louco e ainda por cima tinha impulsos suicidas. A coisa pintava muito mal— Escuta, não sei para que serve este livro. Chama Bram e deixa que vá para casa. Fúria picava por seu rosto. Marrok se aproximou ainda mais a ela Olivia retrocedeu com o coração palpitando com força, e desejando que fosse por causa do terror. Mas não era assim. Uma conexão invisível, junto com o poder que emanava daquele livro, ressonava em sua cabeça e se estendia por todo seu corpo. —Sabe perfeitamente como funciona o livro. —Jamais o vi antes. Coloque de uma vez na cabeça que me confunde com outra pessoa. Eu não sou Morgana.
  34. 34. TWKliek Shayla Black Irmandade do Caos 01 34 —De maneira que fingindo amnésia, né? Não importa. Li a maldição um milhar de vezes antes que o condenado livro fechasse. Pode que, se a ouvir, recorde as palavras: “Sob a lua de meia-noite me amou e meu corpo fez voar. Mas quando o sol saiu foi, me deixando ofegante, sem olhar atrás. Eu te amaldiçoo com a eternidade, e com intermináveis noites de necessidade. Encontra a chave que libere seu negro coração ou prepare um inferno para viver, por muito que suplique que ponha fim. Inclusive inventou uma suposta maldição que pesava sobre ele. Aquilo pintava realmente mal. —Com umas poucas palavras condenou a uma eternidade solitária, sem satisfação sexual, nem fim. Abre o livro e acaba com isto. Por Deus bendito. Como ia arrumar para sair daquela cabana sem que fora em uma bolsa de plástico e sem aparecer nas notícias? Marrok estava louco de atar. Como podia considerá-lo sexualmente tão atrativo? Por que sentia aquela forte conexão, por que desejava pegar a ele? Seu corpo o desejava com um apresso desconhecido. Sua presença fazia que se sentisse enjoada, como se tivesse bebido uma taça a mais. “Se concentre!”, repreendeu mentalmente. —Lamento que Morgana... Amaldiçoou. É uma puta. Mas eu não sou ela. Deixe que vá. —Não posso. Cavou a mão contra sua nuca e a aproximou tanto a ele que Olivia notou seu fôlego nos lábios. Estremeceu sem poder remediar. Os olhos de Marrok brilhavam cheios de ferocidade e de um insondável desejo. O que sentiria ao fazer amor com um homem tão centrado nela e só nela? Vá ideia idiota. Deveria estar concentrando em escapar, não nas eróticas sensações que provocavam suas mãos. —Escuta, não sei em que classe de mundo imaginário vive, e sou consciente de que a falta de sexo pôs de mau humor, mas eu não sou Morgana, nem tampouco a resposta a seus problemas. Olivia olhou ao redor em busca de uma arma e então se lembrou do spray de pimenta que levava na bolsa. Colocou a mão nele e apalpou o pote com uma imensa sensação de alívio. Aquilo o debilitaria e daria a oportunidade de escapar dali. Tirou, apontou e apertou tudo em um fluido movimento, mas Marrok agachou, agarrou-a pelo braço e a fez girar, prendendo a suas costas. O spray de pimenta dissipou no ar fazendo que ardessem os olhos enquanto tirava o pote das mãos. Leu a etiqueta com uma imprecação e o lançou ao longe, onde tilintou ao bater o chão. —De maneira que uma poção moderna? Terminaram as tuas ou é que tornou muito preguiçosa para fabricar? Ela lutou de novo tentando liberar, mas era inútil. Os braços de Marrok eram como barrotes de aço.
  35. 35. TWKliek Shayla Black Irmandade do Caos 01 35 —Pela enésima vez digo que não sou Morgana. Sou Olivia Gray, conhecemos hoje e está louco. Solte-me! Retorceu, mas só conseguiu que ele a estreitasse contra si com mais força, rodeando com seu corpo quente e duro. Reprimindo uma onda de desejo, deu um pisão com o sapato de salto que usava. Marrok lançou uma maldição e sacudiu o pé ferido. —Já basta! —choramingou Olivia— Não sou a mulher que busca. Lutou um pouco mais, conseguindo só que sua pele hipersensível esfregasse com o sólido corpo dele. Um lânguido desejo fluiu por suas veias como uma perniciosa droga ao sentir a tremenda ereção masculina roçar a parte baixa das costas. —Os dois sabemos que não é verdade —espetou Marrok com amargura— Graças a você, não encontro satisfação com nenhuma mulher. Seria diferente com você, Morgana? É isso o que tenho que descobrir? Acreditava que levando à cama reverteria a maldição? Estava perdida. Sobre tudo vendo como todo seu corpo palpitava de vontade de ir para cama com ele. —Maldito seja, repito que não sou Morgana. Se deitar comigo não vai mudar nada. Coloque isso na cabeça! “Por muito que tremam os joelhos quando estou perto de você.” Ele apertou ainda mais contra ela. —A maldição diz que te deixei ofegante. Seria muito próprio de você que o castigo durasse até que voltasse para dar o que deseja. Assim fácil? —Não, não, não! Tire as mãos de cima. —Se voltar para sua cama me liberta, eu vou tocar em você onde e como eu quiser. Evitei durante todo um século, até que... O que te ocorreu? Morreu depois de que Merlin baniu você desse reino? Mas não mais. Eu estarei em você, ao seu redor e dentro de você. —Não se eu puder evitar! —Marrok queria liberdade, ter um orgasmo. A presença dela ali era da mais oportuna. Por mais excitada que estivesse não podia esquecer essa circunstância — Não é não em qualquer século, amigo. —Depois de um passeio duro, você vai me libertar, Morgana? Certamente já se cansou de brincar jogar comigo. Ou talvez te excita saber que me afeta mais do que nunca? —Arqueou os quadris empurrando sua ereção de aço contra ela. Olivia sentiu uma onda de fogo líquido percorrê-la por dentro. Como podia ser? Deveria estar aterrorizada, fora de sua mente. —Não tem nada que dizer? —continuou ele— Ou está muito ocupada saboreando a vitória de saber que te desejo ainda mais do que te odeio? Repetir que não era Morgana não a levaria a nenhuma parte. Tinha que tratar de convencê- lo por outra via. As palavras dele e a escultura de um anjo justo a seu lado deram uma ideia. Sua lógica se rebelava, mas seu corpo aprovava o plano. Era uma loucura, mas não ficava outra saída. Teria que ter pressa.
  36. 36. TWKliek Shayla Black Irmandade do Caos 01 36 Marrok a desejava como um demente. Saber não a levava a nenhuma parte. Mas por que não utilizar esse desejo em benefício próprio? Estava tentando enganar um louco; em um caso assim, tudo valia. Deixou que abrisse a blusa. Reprimindo um calafrio, voltou-se para Marrok, assegurando de que a escultura do anjo ficasse à mão. Ele era muito mais alto e Olivia notava seu membro excitado contra o ventre. Deus bendito. A sensação de perigo e o desejo a invadiram de forma implacável. Notou como palpitava em seu interior a estranha conexão existente entre os dois. “Se controle!” Até no caso de que fosse um homem cordato, abandonar-se a aquela intensa química a assustaria. Olivia não tinha virtualmente nenhuma experiência com o sexo, nem com o contato físico em geral. Sua mãe sempre a evitou como se tivesse uma enfermidade contagiosa. O mesmo que quase todos outros. Isso a fez sentir toda sua vida como um monstro. Jamais teria imaginado que alguém como Marrok pudesse fixar nela. Mas notar a pressão de seu corpo contra o seu a impelia a aprender tudo sobre o sexo, especialmente se, com ele, cumpria a promessa do desejo que sentia fluir por suas veias. “Não!” Tinha que ir dali antes que sucumbisse a aquela loucura e Marrok a engolisse em corpo e alma. Estremeceu diante da ideia de tão insuportável intimidade. Mas embora era um jogo perigoso, se queria escapar, não tinha muitas mais alternativas. Teria que seduzi-lo e, quando estivesse distraído, bater na cabeça com a escultura e escapar. Ignorando em todo momento sua peremptória necessidade de contato físico. —Tão terrível é que me deseje? —perguntou com voz enrouquecida pelo desejo, mas tremente ao mesmo tempo. —Não jogue comigo — advertiu ele com uma ameaçadora calma—. Tenta-me, me toque uma só vez, e liberarei todo meu desejo insatisfeito sobre você. Pensa que nestes quinze séculos aprendi mil formas de fode-la. “Ai, Deus.” Olivia se sentiu desfalecer por ouvi-lo. Seu sexo palpitava incontrolável. Sentia cãibras. Balançou contra ele e segurou seu bíceps para não cair. Quando sentiu que uma corrente de fogo subia pelos braços, afastou as mãos, mas a sensação seguia queimando os dedos. “Que demônios está acontecendo aqui?” —Por que esta elaborada charada de ter um encontro através de Bram? Sabia como me encontrar. A que joga? —O que te faz pensar que estou jogando? —De donzela assustada a bruxa sedutora em um segundo? Me subestima Morgana. Não sabe quanto. —Não sente curiosidade? —Olivia aproximou tanto como foi capaz, estava tão perto que notava o abrasador calor que emanava dele— Marrok deixa de lutar contra seus desejos. Eu já tenho feito.
  37. 37. TWKliek Shayla Black Irmandade do Caos 01 37 Viu entreabrir os olhos com sabedoria, apenas duas ranhuras tão estreitas como a tensa linha de sua boca apertada. Por que não acreditava nela? Disse o que queria ouvir, certo? —Deseja a liberdade. Diz seu rosto. E também dizia que parecia uma fúria. Olivia fez uma careta e preparou para receber o ataque, mas Marrok limitou a franzir o cenho. Entretanto, ela seguia sentindo atraída apesar de tudo. O que estava ocorrendo? Não importava. Sua liberdade, possivelmente até sua vida, dependiam dela. Tinha que concentrar, fingir que o desejava. Bom, na realidade não tinha que fingir só deixar levar por aquela estranha conexão com ele, abandonar ao inexplicável desejo que despertava à fantasia de fazer amor com um homem que de verdade a desejava ela e só ela. —Você não esta me lendo corretamente — para um ronronar enquanto cavava o cabelo com os dedos. Marrok percorreu os lábios, o corpo inteiro com seu penetrante olhar. Viu apertar a mandíbula. Tinha toda sua atenção fixa nela. Olivia posou uma tremente mão sobre o amplo e quente torso, e ele ficou tenso imediatamente, como se sentisse sua mesma corrente sexual em seu interior. A parte dela que estava aterrada desejou sair correndo. Mas não podia; não quando tinha que esperar o momento oportuno para fazer; não quando se sentia mais viva do que nunca. O coração de Marrok pulsava a um ritmo diabólico sob sua palma. Seu receoso e atento olhar indicava que ainda não estava preparado para se render. Sua ereção, pelo contrário, proclamava que seu corpo estava mais que disposto. —Você vê esse desejo que não posso negar? — E, ao dizer, apertou os seios contra o torso dele, que inalou bruscamente. Olivia estava entusiasmada — Se não deixar que o toque, se não me tocar, vou consumir neste fogo. Morro de vontade de saber o que podemos fazer sentir mutuamente. Marrok esticou sob suas mãos. Fechou os olhos e de seus lábios escapou uma imprecação sussurrada. —Não me faça isto —disse com voz áspera— Libere deste inferno e vai. “Agarra a escultura e bate!” Entretanto, não podia fazer. A agonia dele passou a ser também sua agonia. Dava muita pena. —Marrok, abre os olhos. Olhe-me. Ele fez, embora com reticência. Algo saltou entre os dois. Olivia parou um segundo e tomou ar tremente. De repente, assaltou um novo temor, não por sua segurança física, a não ser emocional. Desde que morreu sua mãe, sentiu-se muito vulnerável. Sua frágil couraça rachou. A solidão e a dor pela falta de carinho mesclavam com a raiva, e o peso às vezes resultava entristecedor. Dada a intensidade com que estava reagindo diante de Marrok, o pouco que este a tratasse com ternura, poderia mostrar sua alma. Abrir-se a ele era um convite à autodestruição, mas tinha que seguir adiante com seu plano.
  38. 38. TWKliek Shayla Black Irmandade do Caos 01 38 —Só te peço um simples toque — pressionou. A dor fazia patente no rosto dele. —Nada em você é simples. Detestava olhar aqueles olhos atormentados e mentir. Coisa estranha, tendo em conta que era sua prisioneira. Então se inclinou sobre ela e seus lábios se aproximaram. Olivia não podia controlar os nervos. Continuando, ele posou a bochecha contra a sua. Sua barba incipiente raspava a pele, mas o pior foi que o gesto apelou a sua compaixão. Olivia cavou a palma contra a pele áspera da outra bochecha enquanto Marrok a segurava pela nuca com uma de suas grandes mãos e afundava os dedos em seu cabelo. A escultura do anjo estava ali mesmo, era a arma perfeita. Mas contra toda lógica, sentiu que se derretia. Custava respirar diante da surpreendente ternura dele. Jamais teria imaginado que aquele homem imponente pudesse expressar seu desejo silenciosamente, como estava fazendo. Notava na forma em que a acariciavam seus dedos, em cada entrecortado fôlego. —Me beije — suplicou Olivia de repente. Notou como os dedos de Marrok ficavam rígidos entre seu cabelo. —Deveria fazer esperar meia eternidade, igual esperei por você. —É isso o que de verdade quer seguir esperando? Ele parou e então retrocedeu para olhá-la nos olhos. Silêncio. —Que Deus me ajude. Olivia o viu aproximar, sentiu seu fôlego e seu calor, e não fez nada para detê-lo. Não queria fazer. Marrok capturou seus lábios na próxima pulsação. Parecia... inevitável como os lábios dele tomaram sua vontade. O formigamento que causavam suas mãos entre seus cabelos, a luxúria descarnada de seu toque, a aspereza de sua barba incipiente contra sua face... tudo nele era rude. Tudo exceto o contato de seus lábios sobre os dela. Depois de um vacilante primeiro contato, Marrok cobriu a boca com a sua de novo, uma exploração mais profunda essa vez, mais possessiva, que fez que dobrassem os joelhos. Ouviu clichês de beijos capazes de conseguir tal coisa, mas sempre pensou que era um exagero. Agora sabia melhor. Marrok atraiu-a para ele, exortou os lábios separados, e varreu a sua boca, deslocando o beijo de persuasivo para exigente. Uma peremptória necessidade chocou-se contra ela e seu mundo cambaleou. Cada pincelada de seus lábios derramava seu potente sabor masculino que saturava seus sentidos. Aferrando-se a seus ombros se uniu a aquele beijo, faminta por mais. Ele era como uma montanha, compacto e grande. Sólido. Entretanto, não fez uso de seu tamanho ou sua força superior para empurrá-la ainda mais. Afundou a mão ainda mais em seu cabelo e a aproximou ainda mais. Olivia tentava reter aquele momento surrealista quando outra vertiginosa investida de desejo a alagou. Aquilo estava acontecendo de verdade? A forma em que Marrok abatia sobre ela, tentando pegá-lo mais

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