Um Milhão de Desejos Secretos
C. L. Parker
Lanie Talbot vive UM DILEMA TERRÍVEL.
A mãe está entre a vida e a morte e precisa desesperadamente de ser operada.
Dispost...
Noah
"O que eu queria era a mesma mulher na minha cama todas as noites e todas as
manhãs, uma pessoa para me receber quand...
Million Dirty Secrets
Traduzido do inglês por Fátima Veríssimo
Título Original
MlLLION DlRTY secrets
© 2013, CL. Parker
To...
Este livro é dedicado à minha irmã, Jessica Neidlinger. Ela foi a primeira a plantar a
semente da escrita na minha cabeça ...
PRÓLOGO
Eu sou uma escrava sexual — uma pessoa mantida em servidão como propriedade de
outra, completamente subserviente a...
1
Os sacrifícios que fazemos
Lanie
— Tens a certeza de que queres fazer isto? — perguntou-me a minha melhor amiga
ninfoman...
de ter estado internada em hospitais tantas vezes que o meu pai, Mack, tinha perdido o
emprego. Ele recusara-se a deixá-la...
algumas das mulheres — eu própria incluída — participavam voluntariamente, mas outras
deviam alguma coisa a Scott. Vender ...
alinhavam ao longo do corredor. Eram muito diferentes umas das outras, algumas com
um ar altivo e outras que pareciam já t...
Voltei-me para a porta, obrigando-me a entrar antes de perder a coragem e recuar.
Pensei na minha mãe e percebi que não po...
daquele tipo. E é evidente que eu não queria que os meus pais descobrissem. Eles
morreriam de desgosto se soubessem, o que...
comum uns com os outros era dinheiro — e montes dele.
A primeira sala estava ocupada por um xeique que usava óculos escuro...
isto, comecemos o leilão em um milhão de dólares e que ganhe o filho da mãe mais
sortudo — terminou ele com um enorme sorr...
— Dois milhões de dólares? - perguntei atônita. Tentei arrancar o cotovelo do seu
aperto porque aquele tratamento bruto nã...
ir ao extremo de comprar uma companheira, quando era evidente que poderia ter quem
quisesse. Mas depois ele abriu a boca, ...
2
O problema do reflexo do vômito
Lanie
— Estás a fazer-me perder o meu tempo, Delaine, e aparentemente o meu dinheiro.
- ...
Homem Misterioso invadiu os meus pensamentos e de repente sentime mais arrojada.
Fechei os lábios à volta da glande e chup...
- Então, o que estás a dizer é que achas que eu tenho uma pila grande, e que isso
pode ser uma coisa bastante espetacular?...
- Não, Hillsboro - foi a minha curta resposta.
Olhei pela janela e vi as luzes da cidade a passar. As ruas estavam cheias ...
meus lábios quando ele se afastou abruptamente.
— Ah, lar doce lar — disse ele quando o carro parou.
Fui arrancada da névo...
Ele voltou-se e começou a subir as escadas, deixando-me de novo para trás.
- Parece que concordamos em alguma coisa, Sr. C...
isso enfiei as mãos por baixo do casaco e toquei-lhe no peito. Depois, subi-as para os
ombros para obrigar o casaco a desl...
perceber de onde é que ela vinha porque parecia sair de todos os lados.
- Não! Eu... eu não sei. Quero dizer... eu não...
...
regalar os olhos com aquela brasa era consolação suficiente.
Noah lançou-me novamente aquele risinho irritantemente sensua...
— Chegou o momento da tua primeira lição. Eu vou ensinar-te a chupar um membro
como deve ser.
Admito que engoli em seco. E...
testículos baloiçavam para trás e para a frente e eu quis ver como eram. Por isso,
estiquei a outra mão e peguei-lhes com ...
dentes ao lado de um homem que acabara de conhecer e sobre quem não sabia
absolutamente nada, que acabara de foder a minha...
3
Ação na banheira
Noah
Na manhã seguinte acordei com o corpo ainda pesado do sono e o membro duro como
a merda de uma roc...
empresa teria de retribuir à comunidade, por isso as obras de caridade tinham-se tornado
uma parte do que fazíamos como de...
qual é o seu lugar, dizia ele. «Há demasiadas ratas no mundo para estarmos presos a
uma mulher.»
Ele tinha-me dito que hom...
estava grávida com o filho de outro homem.
Isso não me agradava absolutamente nada.
Sentado naquela cabina, completamente ...
Fechei a torneira da banheira quando esta ficou cheia e voltei para o quarto. Puxei o
lençol para trás e passei as mãos pe...
Eu murmurei como sinal de reconhecimento e empurrei as ancas para ela, e sei que
não estava a imaginar coisas; ela também ...
feixe de nervos. A sua cabeça caiu para trás de encontro à banheira, abrindo ainda mais
o pescoço para mim. Eu retirei os ...
a manipular o outro. Senti as suas paredes a apertarem se à volta dos meus dedos e
percebi que estava quase.
Os meus dedos...
4
Agente dupla galdéria
Noah
Não consegui parar de sorrir muito satisfeito comigo mesmo durante toda a viagem
para o empre...
informação durante um dos seus discursos retóricos, que eu me esforçava normalmente
por ignorar. Polly era o yin do yang d...
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  1. 1. Um Milhão de Desejos Secretos C. L. Parker
  2. 2. Lanie Talbot vive UM DILEMA TERRÍVEL. A mãe está entre a vida e a morte e precisa desesperadamente de ser operada. Disposta a tudo para conseguir pagar-lhe o transplante de coração, Lanie esquece o sonho de ir para a universidade e decide vender o seu bem mais precioso: a virgindade. Num clube supersecreto de Chicago, ela deixa-se ir a leilão, disputada por dois multimilionários: um xeique e um jovem herdeiro americano. O charmoso Noah acaba por vencer, pagando dois milhões de dólares por ela. "Compra" a virgindade de Lanie, e muito mais: durante dois anos, ela terá de obedecer a todos os caprichos do seu novo "senhor". A estudante entrega-se, relutante. Não percebe o que levou Noah a "comprá-la": afinal ele tem tudo, é riquíssimo, sensual, disputado pelas mais belas mulheres de Chicago. No entanto, o milionário tem as suas razões secretas: não quer compromissos, jurou a si próprio nunca mais sofrer por uma mulher... Mas a química entre ambos não para de crescer. E a cada novo encontro, a cada nova noite de paixão, desperta entre eles o desejo por algo mais, a procura de uma intimidade que vai muito para além do prazer físico e por mais que Noah tente proteger-se, por mais que Lanie saiba que está presa a um contrato sem sentido, o amor rompe todas as barreiras. "Este livro tem cenas escaldantes. A química está toda lá, os avanços e recuos, as punições e os momentos de ternura... Estou desejosa de pôr as mãos no próximo livro, pois este deixa-nos à beira do precipício... E como odeio (amo, amo, amo) esta sensação de não saber como as coisas acabam!"
  3. 3. Noah "O que eu queria era a mesma mulher na minha cama todas as noites e todas as manhãs, uma pessoa para me receber quando eu chegasse a casa após um longo e cansativo dia de trabalho, ansiosa por me agradar. Alguém que satisfizesse todas as minhas necessidades, sem compromissos. Sim, eu sabia que era a fantasia de todos os homens e que não era provável que acontecesse à maioria, mas eu tinha dinheiro suficiente para comprar essa fantasia. E comprei." Lanie "Eu tinha a certeza de que naquele momento devia parecer uma gatinha assustada, porque era assim que me sentia, mas ainda assim olhei-o nos olhos, pois o meu orgulho não me permitiu baixar a cabeça. Ou talvez tenha sido o medo que me fez mantê-lo debaixo de olho e estar atenta a quaisquer movimentos súbitos. Mas provavelmente, foi porque o homem era um espécime verdadeiramente lindo, e amaldiçoei a mulher carente que existia em mim por ser tão fraca."
  4. 4. Million Dirty Secrets Traduzido do inglês por Fátima Veríssimo Título Original MlLLION DlRTY secrets © 2013, CL. Parker Todos os direitos reservados. 1° edição / Janeiro de 2014 ISBN: 978-989-23-2516-3 Depósito Legal n.°: 367860/13 [Uma chancela do grupo LeYa] Rua Cidade de Córdova, n.° 2 2610-038 Alfragide Tel. (+351) 21 427 22 00 Fax. (+351) 21 427 22 01 Iuadepapel@leya.pt editoraluadepapel.blogs.sapo.pt www.luadepapel.pt Um Milhão de Desejos Secretos é uma obra de ficção. Nomes, personagens, lugares e incidentes são um produto da imaginação da autora ou são usados ficcionalmente. Qualquer semelhança com pessoas, vivas ou morras, acontecimentos ou lugares é mera coincidência.
  5. 5. Este livro é dedicado à minha irmã, Jessica Neidlinger. Ela foi a primeira a plantar a semente da escrita na minha cabeça e regou e cuidou dessa semente para vê-la crescer e transformar-se na autora que sou hoje. Devo-te todo o meu sucesso, Jess. Não literalmente, é claro. Ah! Amo-te pelo que és e por tudo o que me fazes ser.
  6. 6. PRÓLOGO Eu sou uma escrava sexual — uma pessoa mantida em servidão como propriedade de outra, completamente subserviente a uma influência dominadora. Tecnicamente, suponho que "puta" seria um termo mais apropriado para descrever o que eu sou. É que eu tornei-me completamente disponível para um homem, se bem que apenas um homem, em troca de dinheiro. Isto incluiu a minha lealdade, a minha discrição e a utilização do meu corpo de qualquer maneira que lhe apetecesse, mas não se limitou a isso. A ironia é que não fui obrigada a entrar nesta vida; fui eu que a escolhi. Bem, a verdade é que não tive outra opção, nem se me apresentou uma oportunidade melhor a tempo, mas ainda assim escolhi-a. Ele não me obrigou. Não me procurou. Eu não fui raptada nem brutalmente espancada até me submeter. Aceitei de boa vontade. E fiz tudo isto para salvar uma vida. Chamo-me Delaine Talbot, mas podem chamar-me Lanie. Esta é a minha história.
  7. 7. 1 Os sacrifícios que fazemos Lanie — Tens a certeza de que queres fazer isto? — perguntou-me a minha melhor amiga ninfomaníaca pela milésima vez desde que eu tinha atravessado as portas do clube noturno onde ela trabalhava... e atuava... como acompanhante. Dez era o meu refúgio. Ela amparava-me quando a vida se tornava demasiado séria, e neste momento estava muito para lá de séria. Dez era o diminutivo de Desdemona, que, numa tradução livre, significava "do diabo". Ela tinha mudado o nome no dia em que fizera 18 anos porque os pais se tinham recusado a autorizar a mudança antes. A sério, quando ela nascera os pais tinham-lhe chamado Princesa, mas se outra pessoa que não eles tentasse chamar-lhe aquilo seguia-se uma verdadeira luta de bar. Dez era linda de morrer, o tipo de miúda com seios generosos que é retratada em todos os romances: cabelos compridos pretos e sedosos figura de ampulheta, pernas que nunca mais acabavam e o rosto de uma deusa. O único problema é que se comportava como uma motard. E também gostava de fazer a rodagem a todos os modelos. Como eu disse uma ninfomaníaca. Mas eu amava-a como se ela fosse sangue do meu sangue. E, tendo em conta o que eu estava disposta a fazer pelo sangue do meu sangue, era dizer muito. - Não, não tenho a certeza., Dez, mas tem de ser. Por isso, para de me perguntar antes que me faças mudar de idéia e eu saia daqui a correr como a gata assustada que ambas sabemos que sou — disse-lhe eu bruscamente. Dez nunca dava muita importância ao meu drama, pois divertia-se o mais que podia. Céus, como se divertia. E não sentia um pingo de vergonha por isso. - E estás mesmo disposta a entregar a tua virgindade a um perfeito desconhecido? Sem romance? Sem copos, sem jantar, sem 69? — As suas perguntas incessantes estavam a enervar-me, mas eu sabia que ela estava a fazer aquilo porque me amava e queria ter a certeza de que eu tinha ponderado tudo. Nós tínhamos analisado minuciosamente todos os prós e contras e eu estava convencida de que não nos tinha escapado nada. Porém, o que mais me preocupava era o facto de estar a mergulhar de cabeça numa situação completamente desconhecida. - Em troca da vida da minha mãe? Sem pestanejar - respondi enquanto a seguia pelo corredor escuro que levava à cave do Foreplay, o clube noturno onde ela trabalhava. Foreplay: o sítio onde a minha vida mudaria. O ponto de não retorno. Faye, a minha mãe, tinha uma doença terminal. Ela sempre tivera um coração fraco, mas o seu estado fora piorando progressivamente com o passar dos anos. Ela quase morrera durante o meu parto, mas conseguira recuperar disso e de inúmeras outras operações e tratamentos. Agora, não havia como recuperar. A sua luz estava a apagar-- se depressa de mais. Nesta fase o seu estado era tão fraco e frágil que ela estava acamada, mas não antes
  8. 8. de ter estado internada em hospitais tantas vezes que o meu pai, Mack, tinha perdido o emprego. Ele recusara-se a deixá-la sozinha para ajudar uma estúpida fábrica a cumprir as suas metas de produção. Eu nunca o culpei por isso. Ela era a sua mulher, e ele levava muito a sério o seu dever de marido. Ele tinha de cuidar dela, como ela teria cuidado dele se os papéis estivessem invertidos. Mas o facto de ele ficar sem trabalho significou o fim do seguro de saúde. Também significou que fomos obrigados a mexer na pequena conta poupança que o meu pai tinha conseguido amealhar para a velhice. Logo, um seguro de saúde era um luxo que os meus pais não podiam pagar. Uma situação fantástica, não vos parece? E as coisas tinham piorado ainda mais. A doença de Faye tinha avançado até ao ponto em que ela precisaria de um transplante de coração para continuar a viver. Aquela notícia tinha-nos afetado a todos, mas foi Mack quem mais sofreu. Eu observava o meu pai todos os dias. Como a sua principal preocupação era a mulher, ele não cuidava de si mesmo e estava a emagrecer. E as olheiras escuras e olhos vermelhos mostravam claramente que também não dormia tanto quanto deveria. Seja como for, ele fazia sempre boa cara quando estava com a minha mãe. Ela tinha aceitado a sua morte iminente, mas o meu pai... ainda tinha esperança. O problema é que a esperança estava a diminuir. A sua alma estava a definhar ao ver a mulher morrer um pouco mais a cada dia que passava. Acho que um pedaço dele ia com cada pedaço dela. Uma noite, entrei no quarto depois de a minha mãe ter adormecido profundamente. Ele estava afundado na sua cadeira reclinável com a cabeça nas mãos e os seus ombros estremeciam enquanto soluçava desesperadamente. Ele não queria que ninguém o visse assim. Mas eu vi. Nunca o tinha visto tão abatido e não consegui deixar de pensar que quando a minha mãe morresse ele não duraria muito tempo. Eu não tinha qualquer dúvida de que o meu pai ia morrer, literalmente, de desgosto. Eu tinha de fazer alguma coisa. Estava desesperada para melhorar a nossa situação. Para os pôr melhor. Dez era a minha melhor amiga. A melhor de todas. Desde sempre que eu partilhara tudo com ela, por isso ela estava a par de toda a situação. Tempos desesperados pediam medidas desesperadas, e ao ver como eu estava transtornada ela acabara por me falar sobre o negócio mais escandaloso que era feito em segredo no Foreplay. Scott Christopher, o proprietário, era aquilo a que se podia chamar um empresário agressivo. Basicamente, era um chulo, mas não um simples chulo de rua. Não, ele tinha encontrado uma forma de esvaziar os bolsos de quem os tinha mais cheios. Ele geria uma operação com muita classe, um leilão onde mulheres eram vendidas a quem pagasse mais. O Foreplay podia ser a fachada do seu negócio, mas era o leilão que lhe pagava as contas. Aparentemente, o clube era um local onde se faziam grandes festas de associações de estudantes, em que as miúdas procuravam o seu próximo engate e ficavam tão bêbedas que nem se lembravam ilos seus nomes, o que era o disfarce perfeito para o requintado estabelecimento que existia na cave. Pelo que percebi,
  9. 9. algumas das mulheres — eu própria incluída — participavam voluntariamente, mas outras deviam alguma coisa a Scott. Vender o corpo era a solução de último recurso para lhe pagar. Ainda que isso significasse que iam perder a liberdade. Dez contou-me que os clientes eram sempre homens com grandes contas bancárias. Até os magnatas mais ricos do mundo gostavam das fantasias mais perversas - fantasias que não queriam ver tornadas públicas. Pela quantia certa, eles podiam encontrar mulheres dispostas a tudo e nunca teriam de se preocupar com a possibilidade de o seu segredo ser revelado. No entanto, era uma questão de sorte — eu podia acabar com uma pessoa simpática e bondosa ou com um verdadeiro tirano que gostava de dominar a sua propriedade. Se a história servisse de indicador, eu acabaria com o último. Eu não tinha tido exatamente a melhor das sortes na vida, por isso porque é que haveria de acreditar que os poderes que mandavam em nós me concederiam algum favor agora? A doença da minha mãe tinha implicado um sacrifício constante não apenas do meu pai, mas também meu. Não que eu estivesse ressentida, mas em vez de ir para a universidade tinha ficado em casa com ela para que o meu pai pudesse trabalhar. Agora que ele não tinha emprego, eles não viam qualquer motivo para eu me sentir obrigada a ficar com eles. Eu nunca me tinha sentido obrigada. Ela era minha mãe e eu amava-a. Além disso, ainda não tinha decidido o que queria fazer com a minha vida. Seria lógico pensar que uma mulher de 24 anos teria a sua vida organizada, mas não, nem por isso. Podia ter sido um golpe bastante baixo da minha parte dar-lhes esperança, mas, como já disse, esperança era uma coisa que não abundava na nossa casa e não lhes faria mal nenhum se eu lhes desse alguma. Assim, consegui convencer a minha mãe e o meu pai de que tinha conseguido uma maravilhosa bolsa de estudos com todas as despesas pagas na Universidade de Nova Iorque. Sim, sei bem que era uma coisa que só por milagre aconteceria neste ponto da minha vida, mas os meus pais não sabiam e isso fez toda a diferença do mundo. Estar tão longe de casa significava que não poderia visitá-los tantas vezes como gostaria e, por muito que me custasse estar longe da minha mãe moribunda durante tanto tempo, era absolutamente necessário para que o meu plano resultasse. Se eu tivesse sorte, eles nunca saberiam. Mas lembram-se do que eu disse acerca da minha sorte, certo? Eu tinha concordado com Scott que aceitaria viver com o meu "dono" durante um período de dois anos. Nem mais, nem menos. Depois disso, seria livre para viver a minha vida. Exatamente que tipo de vida seria nessa altura era ainda uma incógnita, mas eu tinha de me manter otimista. De qualquer maneira, dois anos era um pequeno preço a pagar para garantir mais tempo para a minha mãe e, no fundo, também para o meu pai. O som do baixo que se ouvia da música do clube, lá em cima, ecoava nas paredes e apossou-se dos batimentos do meu coração, mas eu tentei desesperadamente não querer estar lá em cima a afogar-me em bebida e diversão, como todas as pessoas que não faziam a mínima ideia da organização secreta que existia por baixo dos seus pés. As mulheres que estavam aqui em baixo afogavam-se numa coisa completamente diferente. Aproximámo-nos do porteiro do clube, que tinha uma lista VIP numa prancheta. Ele sabia quem éramos e porque estávamos ali, por isso deixou-nos entrar imediatamente. Eu quase perdi a coragem quando passámos pela multidão de mulheres que se
  10. 10. alinhavam ao longo do corredor. Eram muito diferentes umas das outras, algumas com um ar altivo e outras que pareciam já ter feito aquilo antes, embora talvez fosse a primeira vez que chegavam à liga principal. Cada mulher tinha um número colado no estômago nu e estavam todas diante de um espelho que forrava a parede em frente. - É um espelho sem estanho - explicou Dez. - Cada cliente que entra tem uma ficha com todas as raparigas que vão ser leiloadas hoje. Depois, elas são trazidas para aqui como gado e exibidas para os ricaços. Isto dá-lhes uma oportunidade para verificarem a mercadoria e poderem decidir que rapariga desesperada é que poderão querer licitar. - Bolas, Dez, obrigadinha. Isso não me faz sentir nada mal. - Oh, cala-te. Sabes que não falei por mal - disse ela, num esforço para me lazer sentir melhor. Tu és boa de mais para este gênero de coisas e sabes bem. Tu não és elas. - Fez um gesto para as outras mulheres que estavam no corredor. — Mas eu percebo. Estás a fazer isto pela Faye e isso só pode ser a coisa mais altruísta que já vi. Aquelas outras mulheres podiam muito bem ter uma Faye em casa, pensei enquanto desviava o olhar para não estabelecer contacto visual. Chegámos ao fundo do corredor e Dez bateu à porta. Uma voz gritou, mandando-nos entrar, mas quando Dez se desviou e apontou para a porta eu entrei em pânico. Percebi que dali a instantes começaria a hiperventilar. - Ei, olha para mim. - Dez obrigou-me a olhar para ela. - Tu não tens de entrar ali. Podemos dar meia volta agora mesmo e sair daqui. - Não, não podemos - respondi-lhe, com o corpo sacudido por estremecimentos apesar de todos os meus esforços para acalmar os nervos. - Eu não posso entrar ali contigo. Daqui em diante, estás por tua conta — disse ela, incapaz de esconder a tristeza e a preocupação. Eu acenei e baixei a cabeça para ela não ver as lágrimas que me enchiam os olhos. De repente, Dez apertou-me contra o peito e quase me tirou todo o ar dos pulmões. - Tu consegues fazer isto. Que diabo, talvez até venhas a ter bom sexo no meio de tudo isto. Nunca se sabe. Do outro lado daquele vidro pode estar um Don Juan à espera para te arrebatar. - Ah! Não é provável - trocei eu, conseguindo sorrir um pouco antes de me soltar do seu abraço seguro. - Eu vou ficar bem. Certifica-te apenas de que o cretino que ficar comigo cumpre o nosso acordo. Se não cumprir, espero bem que mandes o FBI para aqui de armas em punho. - Tu sabes que sim, miúda. E sabes o meu número de telefone, por isso é melhor ligares-me para me manteres a par do que está a acontecer, senão vou atrás de ti. Agora tenho de voltar para o bar antes que perca o emprego e as informações privilegiadas sobre ti. Mas não te esqueças que até gosto de ti e essas merdas. - Dez não era nada lamechas, mas eu sabia que aquilo era código para amo-te. Ela beijou-me na face e disse: - Dá cabo deles, miúda - antes de me dar uma palmada no rabo e afastar-se. Ela não me enganou. Eu vi como ela curvou os ombros e esfregou os olhos com as pontas dos dedos quando pensou que eu não podia vê-la. - Eu também gosto de ti - disse eu baixinho, porque ela já não me podia ouvir.
  11. 11. Voltei-me para a porta, obrigando-me a entrar antes de perder a coragem e recuar. Pensei na minha mãe e percebi que não podia voltar atrás. Por isso, abri a porta e entrei naquele escritório para finalizar os termos do meu contrato. O escritório de Scott era do tipo que eu esperaria num padrinho da máfia. Um carpete fofo forrava o chão, no teto havia um lindo lustre, vitrinas iluminadas expunham diversas coisas que presumi que custavam uma fortuna e quadros enchiam as paredes. Música clássica saía de colunas invisíveis numa tentativa de me induzir uma falsa sensação de segurança. A música e a decoração elegante transmitiam a ilusão de um estabelecimento fino, o que podia fazer a clientela sentir-se mais à vontade, mas eu não tive ilusões. Podia vestir-se um porco de fato e gravata, mas não era por isso que deixava de ser um porco. Scott estava sentado à secretária com um cigarro numa mão e um copo baixo de uísque na outra. Tinha os pés em cima da secretária e estava muito recostado na cadeira enquanto os seus dedos regiam uma orquestra invisível, como se não tivesse uma única preocupação no mundo. Ele virou-se para me olhar e sorriu antes de se sentar direito e apagar o cigarro num cinzeiro de mármore. - Ah, Sra. Talbot. Não sabia se nos honraria com a sua presença esta noite. Eu endireitei os ombros, estiquei o queixo e olhei-o nos olhos. Este negócio era meu e, até o dinheiro trocar de mãos, quem controlava era eu. Não estava disposta a deixar Scott Christopher pensar que era mais do que um simples intermediário. - Eu disse que viria e aqui estou. Ele levantou-se e dirigiu-se para mim, sem sequer tentar esconder 0 facto de que estava a observar-me da cabeça aos pés. - Isso é muito bom. Se não tivesses aparecido, talvez eu fosse obrigado a mandar uma equipa à tua procura. Tu vais fazer-me ganhar muito dinheiro esta noite. - Podemos confirmar os termos do meu contrato, por favor? - perguntei com um suspiro. Não confiava nele e tinha bons motivos para isso. Ele vendia seres humanos para ganhar dinheiro e não sentia quaisquer remorsos. Como é que eu podia confiar numa pessoa que ganhava a vida desta forma? Se tivesse tido outra alternativa, certamente não estaria ali naquele momento. - Certo - disse ele, voltando para a secretária e abrindo um dossiê com o meu nome escrito com tinta preta na capa. — Posso garantir-te pessoalmente que a clientela desta noite não terá qualquer problema com discrição. Na verdade, é um pré-requisito para todas as pessoas que visitam o meu estabelecimento. Eles são os grandes ricaços, a elite máxima de cavalheiros... um verdadeiro grupo pragmático com tanto dinheiro que nem sabem o que fazer com ele. Os motivos para estarem interessados neste tipo de mercadoria que eu negoceio só a eles dizem respeito, e desde que eles paguem eu não quero saber. O único alívio que eu senti ao concordar com isto, para além de estar a salvar a vida da minha mãe, foi saber que alguém com bastante dinheiro garantiria o pagamento necessário para a cirurgia de que ela necessitava e manteria a boca calada. Ninguém com tanto dinheiro queria que o mundo soubesse que se tinha envolvido num esquema
  12. 12. daquele tipo. E é evidente que eu não queria que os meus pais descobrissem. Eles morreriam de desgosto se soubessem, o que anularia completamente o que eu estava a tentar fazer por eles. O outro benefício, ou pelo menos esperei que fosse, era que alguém que podia pagar isto também seria bastante refinado para não transformar a minha vida num verdadeiro inferno. Eu não era ingênua; sabia que havia pessoas taradas, com alguns fetiches doentios, mas ainda assim mantive a esperança. - Presumo que continuas de acordo com a minha comissão de 20 por cento? — perguntou ele, a mexer nos papéis. - Boa tentativa. Combinámos 10 por cento - disse eu, nada divertida com esta tentativa de me enganar. - Certo, certo. Dez por cento. Foi isso que quis dizer. - Ele piscou-me o olho de uma maneira que fez a minha pele arrepiar-se e empurrou o contrato pela secretária e estendeu-me uma caneta. -Assina aqui... e aqui. Eu rabisquei a minha assinatura trapalhona por cima das linhas que ele indicou, plenamente consciente de que estava a desistir dos próximos dois anos da minha vida. Era um pequeno preço a pagar. Pouco depois, fui levada para outra sala onde me mandaram despir e vestir o biquíni mais reduzido que eu já tinha visto. A verdade é que deixava pouco ou nada à imaginação, e pensei que o objetivo devia ser precisamente esse. Os homens queriam ver a mercadoria antes de pagarem uma fortuna. Eu percebia, mas isso não me fez sentir menos exposta e vulnerável. Depois uma cabeleireira e uma maquilhadora fizeram o seu trabalho, deixando-me elegante e, surpreendentemente, nada reles. Em seguida, Scott colou o sortudo número 69 no meu estômago. Eu mantive a cabeça bem erguida quando me juntei às outras mulheres diante do espelho sem estanho. A parte pior foi que, enquanto só Deus sabia quem ou o que estava do outro lado do espelho a observar--me, eu não podia ver nada. No entanto, podia ver-me. Eu não era nada convencida, mas tive de admitir que tinha bom aspeto em comparação com as outras mulheres. Nunca me tinha considerado linda de morrer, mas era atraente. Os meus cabelos louros eram compridos e grossos. Os meus olhos não eram nada de especial, de um azul suave, mas de vez em quando enchiam-se de vida. Isso acontecia antes de a doença da minha mãe ter piorado, Eu não tinha um corpo perfeito, mas não era demasiado gorda nem demasiado magra e tinha curvas onde sempre imaginara que eram os lugares certos. No geral, achava que era vistosa. Uma por uma, as mulheres foram retiradas da sala. Primeiro, pensei que significava que tinham sido selecionadas e sentime como a miúda gorda no ginásio que era sempre a última a ser escolhida. Mas depois chamaram o meu número e eu dirigi-me para a mesma porta preta por onde tinha visto as outras desaparecerem antes. Quando entrei, fui levada para o centro da sala. A minha volta, havia áreas menores com paredes de vidro. Cada sala tinha um candeeiro de mesa fraco, um telefone e uma cadeira estofada de veludo vermelho. Era óbvio que a única coisa que os ocupantes das salas tinham em
  13. 13. comum uns com os outros era dinheiro — e montes dele. A primeira sala estava ocupada por um xeique que usava óculos escuros, um grande turbante branco e um fato completo. Duas das mulheres que tinham estado anteriormente no corredor estavam ao seu lado, a enchê-lo de beijos ao mesmo tempo em que lhe esfregavam os órgãos genitais e o peito. Embaraçada, desviei os olhos e deparei-me com um homem noutra sala. Era um homem enorme, grande como uma casa. Fez-me lembrar de imenso Jabba, o Hutt. Lembrei-me de uma fotografia da princesa Leia acorrentada ao seu lado e senti um arrepio. Nunca me tinha imaginado como a princesa Leia quando era criança, e certamente não ia começar agora. Na sala seguinte havia um homenzinho minúsculo com dois enormes guarda-costas parados ao seu lado. Os homens tinham as mãos cruzadas à frente do corpo e imaginei que era a posição em que deviam parecer mais relaxados. O homenzinho tinha as pernas delicadamente cruzadas e estava a beber uma bebida frutada com uma sombrinha espetada. Tinha o casaco branco casualmente pousado sobre os ombros, como se fosse fixe de mais para vesti-lo. Calculei que o gênero masculino fosse mais o seu tipo. Não me parecia que fosse muito ameaçador. Provavelmente, estava ali para arranjar uma miúda gira e manter publicamente as aparências enquanto enfiava secretamente alguém pela porta das traseiras, se é que me estão a perceber. Olhei para a última sala e suspirei no meu íntimo quando vi que a luz estava apagada. Aparentemente, quem ali estivera já tinha feito a sua seleção e saído, o que não me deu muita esperança em relação à fauna que restava. E depois uma luzinha cor de laranja piscou na sala às escuras, como se alguém tivesse acabado de dar uma passa num cigarro. Olhei com mais atenção e vislumbrei as linhas tênues de um corpo descontraidamente sentado na cadeira. A figura inclinou-se ligeiramente para frente para reajustar a posição e pude vê-lo melhor, mas não o suficiente para perceber alguma coisa. -Cavalheiros - disse Scott, batendo uma palma quando se veio colocar atrás de mim. - Esta é a encantadora Delaine Talbot, o artigo número 69 da nossa lista esta noite. Acredito que todos têm as especificações, mas deixem-me realçar alguns dos seus melhores atributos. » Primeiro, e antes de mais, ela veio ter conosco por sua iniciativa. Obviamente, ela é espetacular à vista, o que pode tornar a vida infinitamente mais fácil para aqueles que quiserem uma companhia para frequentar eventos sociais. Ela é jovem, mas não demasiado jovem, por isso os vossos amigos e família acharão mais credível que tenham um relacionamento tradicional, se esse tipo de coisa for importante. É culta e educada, tem os dentes todos e goza de boa saúde. E não tem problemas com drogas, o que significa que não haverá um período de desintoxicação para adiar o que pretendem fazer com ela... e a ela. » E, provavelmente, o bem mais valioso de todos é que a sua inocência está completamente intacta. Esta, meus caros cavalheiros, é uma virgem de nível A. Imaculada, intocada... pura como neve acabada de cair. Perfeita para ensinar, não? Dito
  14. 14. isto, comecemos o leilão em um milhão de dólares e que ganhe o filho da mãe mais sortudo — terminou ele com um enorme sorriso falso. Voltou-se para me piscar o olho e depois se desviou. A plataforma em que eu estava no meio da sala começou a mover--se e, embora não estivesse exatamente a voar, ainda assim apanhou--me desprevenida e cambaleei um pouco antes de recuperar o equilíbrio. E continuei a andar à roda enquanto começou o processo do leilão. Não havia sons audíveis de vozes, apenas um zumbido ocasional quando as luzes por cima das portas se iluminavam. Eu via os homens a pegar no telefone que tinham ao seu lado e falar para o bocal antes de a sua luz se acender, por isso presumi que seria o método de fazer licitações. Eu não fazia ideia do valor das licitações. Só esperava receber dinheiro suficiente para pagar a cirurgia de Faye. Passado algum tempo, o xeique e o tipo minúsculo desistiram, deixando Jabba, o Hutt e o Homem Misterioso a competir. É claro que eu não fazia ideia de como era o Homem Misterioso, mas tinha de ser melhor do que afogar-me numa poça de Jabba, o Hutt. A licitação entre os dois começou a abrandar e eu estava a ficar cada vez mais tonta por girar na plataforma. Na verdade, eu só queria que aquilo acabasse para poder conhecer o meu destino e cumpri-lo. Secretamente, ainda estava a torcer pelo misterioso desconhecido. A luz de Jabba, o Hutt foi a última a piscar e eu percebi que a licitação estava do lado do Homem Misterioso, mas ele não estava a responder. Comecei a entrar em pânico quando Scott voltou para a sala e parou ao meu lado. Sorriu para Jabba, o Hutt e depois lançou um olhar interrogador na direção do Homem Misterioso. Eu sabia que a expressão dos meus olhos indicava claramente que eu estava a implorar-lhe, e não sabia se faria alguma diferença para ele, mas tinha de tentar. Os segundos arrastaram-se horrivelmente. Tudo parecia mover-se em câmara lenta e eu estava tonta e confusa. Sabia que ia desmaiar a qualquer momento se não levasse oxigênio para o cérebro, mas estava a conter a respiração, a rezar para que o Homem Misterioso viesse salvar-me e que eu não lamentasse ter desejado que ele fosse o vencedor. — Parece que temos um ven... — começou Scott, mas parou abruptamente quando a luz sobre a sala do Homem Misterioso se acendeu e se ouviu o zumbido. Inspirei uma golfada de ar muito necessário e senti o cérebro a formigar com a sensação de vida. A minha cabeça disparou na direção de Jabba, o Hutt. Suspirei, aliviada, quando ele abanou a cabeça e acenou uma mão num sinal de desistência antes de se levantar com dificuldade para apagar a luz na mesa. — Tem um novo dono, Menina Talbot — arrulhou Scott, um pouco perto de mais do meu ouvido. - Não quer vir conhecer o seu amo? — Eu não vou chamar-lhe amo — sibilei furiosa, num tom de voz suficientemente alto para ser ouvido apenas por Scott enquanto ele me obrigava a descer da plataforma. — Vais chamar-lhe o que ele quiser que lhe chames se queres os fantásticos dois milhões que ele acabou de pagar por ti — retorquiu ele, pegando-me no cotovelo e levando-me para a sala do Homem Misterioso.
  15. 15. — Dois milhões de dólares? - perguntei atônita. Tentei arrancar o cotovelo do seu aperto porque aquele tratamento bruto não fazia parte do acordo e estava a irritar-me profundamente. No entanto, cie agarrou-me de novo, desta vez com mais firmeza, e empurrou me paia a Irente. — O quê? Não basta? És uma coisinha gananciosa, não és? — Sem me dar oportunidade para responder, ele abriu a porta de vidro da sala do Homem Misterioso e entrou comigo a reboque. O cheiro a fumo de cigarro atacou o meu olfato, mas estranhamente, não senti repulsa. — A Menina Delaine Talbot. - Scott apresentou-me à figura ainda amortalhada em escuridão. - Parabéns pela vitória, Sr. Crawford. Tenho a sensação de que ela vai valer cada tostão. — Envie o contrato para a minha morada — disse uma voz grossa e rouca das sombras. A ponta incandescente do cigarro brilhou e iluminou tenuemente as suas feições antes de ele desaparecer de novo. -E tire as mãos da minha propriedade, por amor de Deus. Não estou disposto a pagar por mercadoria danificada. Scott soltou imediatamente o aperto e eu esfreguei o sítio na parte de trás do braço, sabendo que na manhã seguinte haveria ali uma nódoa negra. — Como queira. — Scott fez uma vénia pouco cerimoniosa. — Pode demorar o tempo que quiser na sala, mas tenha cuidado... ela é arisca. Eu não sabia o que era esperado de mim, por isso fiquei desajeitadamente parada durante o que me pareceu uma eternidade. Quando estava quase convencida de que ele pretendia passar ali os dois anos inteiros, ele suspirou finalmente e apagou o cigarro. A luz acendeu-se, cegando-me momentaneamente porque os meus olhos se tinham acostumado à escuridão. Quando se ajustaram à claridade, olhei para ele. O meu estômago apertou-se e juro que o meu coração deixou de bater uma... ou duas... talvez três vezes. Ele era lindíssimo. E estava a ser verdadeiramente difícil para mim não o comer com os olhos. Ele deixou-se ficar sentado a sorrir afetadamente enquanto eu o observava. Usava um fato feito por medida, completamente preto. Não tinha gravata e os botões de cima da camisa estavam desapertados, revelando a clavícula e deixando entrever um peito escultural com alguns pelos. Os meus olhos seguiram os tendões esticados do seu pescoço até ao maxilar saliente, escurecido pelo início de uma barba. Os seus lábios eram suculentos c tinham um tom perfeito de cor-de-rosa escuro, o nariz era direito e perfeito e os olhos... meu Deus, os olhos. Eu nunca tinha visto um castanho tão intenso e infundido de tantas tonalidades diferentes nem um homem com pestanas tão compridas. Ele tinha os cabelos castanhos escuros cortados muito curtos, mais compridos em cima e espetados na frente. Muito possivelmente, era o homem mais belo que eu já tinha visto. Ele ergueu a mão e passou os dedos compridos pelos cabelos. Eu não percebi se foi por estar furioso com o meu olhar intenso ou por hábito, mas ainda assim foi um gesto sensual. Comecei a perguntar a mim mesma porque é que uma pessoa como ele precisaria de
  16. 16. ir ao extremo de comprar uma companheira, quando era evidente que poderia ter quem quisesse. Mas depois ele abriu a boca, lembrando-me que não era um encontro de contos de fadas e que eram esperadas coisas de mim - coisas que eu teria de fazer, quer quisesse quer não. — Bem, vamos yer se vales o que paguei por ti — disse ele com um suspiro, desapertando as calças e tirando o membro enorme. Eu olhei-o, embasbacada, pois achei que ele não esperava que eu perdesse a minha virgindade com ele num lugar horrível como este. Quer dizer, eu sabia que lhe pertencia, mas a sério? - De joelhos, Delaine, ou anulo o negócio e podes ir para casa com o monte de banhas que está na outra sala. Ele parecia querer-te muito — disse ele com um sorriso sensual enquanto acariciava o seu glorioso membro. - Mostra-me um pouco de gratidão. Problema número um: eu nunca tinha feito um broche em toda a minha vida.
  17. 17. 2 O problema do reflexo do vômito Lanie — Estás a fazer-me perder o meu tempo, Delaine, e aparentemente o meu dinheiro. - Quer que eu... Aqui? Agora? — perguntei nervosa. - Por acaso gaguejei? — perguntou o Homem Misterioso com uma sobrancelha erguida. Eu caí de joelhos diante dele e engoli o nó que se tinha formado na minha garganta. Felizmente o chão estava frio, pois só então reparei como o pequeno espaço tinha ficado extremamente quente. O calor saiu de mim em ondas e percebi que devia estar mais vermelha do que um tomate. Respirações curtas e rápidas eram vitais para me manter controlada e não vomitar no colo dele. Provavelmente, isso não cairia muito bem. Ele suspirou furioso, e isso só fez o meu coração bater mais depressa. — Ponha-me na sua boca, Menina Talbot. Eu inclinei-me para frente, peguei no seu membro e percebi que nem sequer conseguia agarrá-lo todo com a mão. Santo Deus! Ele não podia esperar verdadeiramente que eu conseguisse enfiar uma coisa daquelas na boca. Cometi o erro de levantar os olhos para ele. A sua testa estava franzida de expectativa e o maxilar mexia quase imperceptivelmente. Por uma fração de segundo, ele pareceu quase tão nervoso como eu. Eu abanei mentalmente a cabeça, pois devia ser um grande disparate, e voltei a concentrar-me na tarefa que tinha em mãos, que era definitivamente uma tarefa e uma coisa que era suposto eu fazer. Tenho a certeza de que parecia estúpida a observar o seu membro, a tentar descortinar a melhor maneira de fazer aquilo. Todas aquelas vezes cm que dormira em casa de Dez e ela insistira para que eu treinasse coisas como beijar e fazer broches de repente não me pareceram tão disparatadas. E claro que eu sabia fazer com uma banana, mas as bananas que usávamos teriam de ter sido injetadas com muitos esteroides para se compararem com o membro do Homem Misterioso. Havia um salpico de uma coisa húmida na ponta e eu não sabia bem o que fazer com aquilo, por isso abri a boca e lambi com a ponta da língua. Ouvi-o arfar vagamente e tomei isso como um sinal positivo, por isso beijei-o, mas o beijo não foi nada sensual. Foi mais como beijar a cabeça careca do meu tio Fred e ao mesmo tempo não foi nada como beijar a cabeça careca do meu tio Fred. Jesus, eu não fazia a menor ideia do que estava a fazer e a minha atrapalhação estava a levar a minha mente para um sítio muito tonto. Era o meu mecanismo de defesa. Eu tive consciência disso, mas não mudou o facto de que estava a acontecer num momento muito inadequado. Fechei os olhos e expirei lentamente, a tentar encontrar aquele lugar muito pequeno dentro de mim onde eu era uma megera desavergonhada. Uma imagem do rosto do
  18. 18. Homem Misterioso invadiu os meus pensamentos e de repente sentime mais arrojada. Fechei os lábios à volta da glande e chupei um pouco. Depois, abri mais a boca e meti tudo o que pude, que não foi muito. Como já disse, aquela coisa era enorme. Tive praticamente a certeza de que iria ficar com um grave problema de trismo. — Vá lá, tu consegues fazer melhor do que isso - desafiou-me ele. Eu continuei a avançar até a ponta do seu membro bater no fundo da minha garganta e eu pensar que os cantos da boca iam rasgar-se. Isto teria sido muito mais fácil se eu tivesse uma daquelas bocas de cobra que se soltam para engolir a sua presa. E foi mais ou menos nessa altura que comecei a rezar para não deslocar o maxilar. Recuei e avancei novamente, mas acho que desta vez o meu reflexo de vômito decidiu que não ia colaborar. Quando me engasguei involuntariamente com ele, o reflexo desencadeou uma reação em cadeia. Na minha pressa para reprimir o vômito e não vomitar em cima dele, os meus dentes morderam a pele sensível do seu membro. Ele gritou de dor e empurrou-me para longe antes de, praticamente, trepar pelas costas da cadeira para fugir de mim e da minha boca assassina. - Raios partam! - gritou ele, e depois começou a inspecionar-se. Eu nem sequer tinha rasgado a pele, que mariquinhas. - Só podes estar a gozar comigo! Alguma vez chupaste uma pila antes? — A raiva desfigurou lhe o rosto, mas, mesmo a fazer cara feia, ele era lindo. - Porque este foi sem dúvida o pior broche que já me fizeram. Era oficial: eu odiava-o. - Desculpe. Eu nunca... - Tu nunca fizeste um broche? - perguntou ele, incrédulo. Eu abanei a cabeça. — Jesus Cristo! — murmurou ele enquanto passava as mãos pelo rosto e respirava fundo. A sua insensibilidade perante esta situação, ou talvez a sua hipersensibilidade a ela, provocou-me. Muito embora soubesse que talvez fosse melhor ficar calada —, porque, sejamos realistas, ele podia fazer comigo o que quisesse - eu não estava disposta a aguentar. - O senhor e a sua gloriosa e colossal pila podem beijar-me o rabo! — gritei com a maior ênfase que consegui, mas ainda não tinha terminado. — Eu posso não ser o tipo de miúda que anda por aí a enfiar pilas na boca o dia inteiro... tenho a certeza de que não teria pago dois milhões de dólares por mim se fosse... e peço desculpa se o magoei, mas mesmo que fosse experiente neste tipo de coisa, eu... Simplesmente, não é possível que alguém consiga enfiar uma coisa tão grande pela garganta abaixo. O senhor é um fenômeno da natureza, mas pelo menos eu tentei, seu idiota! — Eu e o meu cérebro sem filtro tínhamos obviamente acabado de sofrer de um terrível caso de verborreia. Provavelmente, eu ia perder o contrato e arruinar tudo. Ele ficou sentado a olhar para mim. O seu rosto passou da surpresa à raiva e depois ele pareceu ficar confuso e talvez até um pouco sem palavras. Abriu e fechou a boca algumas vezes, como se estivesse prestes a dizer alguma coisa e depois se tivesse arrependido. Outro momento passou antes de ele virar a cabeça para o lado e depois novamente para mim.
  19. 19. - Então, o que estás a dizer é que achas que eu tenho uma pila grande, e que isso pode ser uma coisa bastante espetacular? - perguntou com um sorriso presunçoso. Eu sentei-me em cima dos tornozelos e cruzei os braços no peito, completamente mortificada de embaraço porque, sim, acho que, tecnicamente, era o que eu tinha acabado de dizer. Mas não ia admitir uma segunda vez. — Tens alguma experiência sexual? Abanei novamente a cabeça. Ele suspirou e passou mais uma vez os dedos pelos cabelos. Parecia estar a mil quilômetros de distância, provavelmente a pensar se ia ou não ficar comigo. E depois, por fim, enfiou-se nas calças e levantou--se, agigantando-se sobre mim. — Vamos embora. — Para onde? - Eu estava pronta para lhe implorar que não me vendesse ao Jabba, o Hutt. — Vamos para casa - foi à resposta curta. — Não está zangado? - Levantei-me atabalhoadamente e corri para acompanhar os seus passos compridos quando ele saiu intempestivamente da sala. — Oh, estou extremamente irritado, mas estou a esforçar-me muito para não estar. — Ele continuou a percorrer o corredor sem me lançar um único olhar por cima do ombro. - Suponho que, se analisar o lado positivo da coisa, isto significa que posso ensinar-te a fazer as coisas como gosto. Mas neste momento tenho um tesão do tamanho do Texas e não estou propriamente encantado com isso. Onde estão as tuas coisas? — Numa sala ao fundo do corredor. Não dissemos mais nada um ao outro enquanto voltávamos para a sala onde eu tinha mudado de roupa e deixado as minhas coisas, incluindo o telemóvel. Ele ficou do outro lado da porta enquanto eu tirei as ligaduras que deviam passar por roupa e vesti o meu top e a minha saia. Depois de estar vestida e de me sentit menos exposta, ele levou-me pela saída das traseiras do Foreplay, a porta que eu tinha presumido que seria destinada apenas a este tipo de clientes. Quando chegámos ao parque de estacionamento, o Homem Misterioso dirigiu-se para uma limusina onde um homem baixo de cabelos louros estava parado à porta de fato preto e boné de motorista. — Sr. Crawford. — O homem cumprimentou-o com um aceno de cabeça e um rosto inexpressivo enquanto abria a porta de trás. - Samuel — disse ele por sua vez enquanto punha a mão no fundo das minhas costas e me empurrava para o interior do veículo. - Vamos para casa e esta noite não saímos mais. - Sim, senhor - disse o motorista quando o Sr. Crawford, isto é, o Homem Misterioso, deslizou para o enorme banco de trás da limusina e se sentou ao meu lado. Não que não houvesse muito espaço. No entanto, provavelmente espaço pessoal era um luxo que eu não teria muito nos próximos dois anos. Segundos depois, o carro seguia pelas ruas de Chicago. O Sr. Crawford expirou fundo e ajeitou-se no banco enquanto mexia nas calças. Nota para mim: não te metas com o Texas. Sorri um pouco para mim mesma. - Vives em Chicago? - perguntou ele, quebrando o silêncio.
  20. 20. - Não, Hillsboro - foi a minha curta resposta. Olhei pela janela e vi as luzes da cidade a passar. As ruas estavam cheias de pessoas despreocupadas que pareciam não ter um único problema no mundo. Pensei que em circunstâncias diferentes, e se o mundo não me odiasse, a mim e à minha família, eu poderia ser como uma delas. Mas não era. - Porque é que estás a fazer isto, Delaine? Eu não estava preparada para divulgar essa informação e certamente não fazia parte do meu contrato. Preferia não ficar muito íntima do homem que acabara de me comprar. - Porque é que o senhor está a fazer isto? - retorqui. Aparentemente, o meu filtro cerebral continuava avariado. A cara feia voltou e uma parte de mim arrependeu-se de ter sido atrevida com ele quando pensei em como ele me poderia castigar. Mas apenas uma pequena parte de mim. - Tens noção de que agora eu sou o teu dono, certo? É bom que não te esqueças do teu lugar. Eu não sou uma pessoa cruel por natureza, mas a tua língua comprida e a tua atitude desagradável estão a pôr o meu autodomínio à prova — avisou-me com uma expressão severa. Eu tinha a certeza de que naquele momento devia parecer uma gatinha assustada, porque era assim que me sentia, mas ainda assim olhei-o nos olhos, pois o meu orgulho não me permitiu baixar a cabeça. Ou talvez tenha sido o medo que me fez mantê-lo debaixo de olho e estar atenta a quaisquer movimentos súbitos. Mas provavelmente, foi porque o homem era um espécime verdadeiramente lindo, e amaldiçoei a mulher carente que existia em mim por ser tão fraca. — Escuta, eu sei que esta situação não é ideal para ti, e provavelmente tens os teus motivos, assim como eu tenho os meus — começou ele. - Mas a realidade é que estamos presos um ao outro nos próximos dois anos, por isso será muito mais fácil para ambos se pudermos pelo menos tentar darmo-nos bem. Não quero estar sempre a discutir contigo. Eu não vou discutir contigo. Tu vais fazer o que eu disser, e ponto final. Se não quiseres contar-me nada sobre a tua vida pessoal, tudo bem. Não vou perguntar. Mas tu pertences-me e eu não vou tolerar insubordinação, Delaine. Estamos esclarecidos? Eu semicerrei os olhos e cerrei os dentes. — Perfeitamente. Farei o que me mandar, mas não espere que goste. Ele sorriu com uma expressão maliciosa e depois pousou a mão na minha coxa nua. Lentamente, começou a acariciar a minha pele e os seus dedos subiram por baixo da saia. Ele inclinou- se para mim até eu sentir a sua respiração quente a percorrer-me o pescoço e a minha pele a arrepiar-se com a sensação. — Oh, eu acho que vais gostar muito, Delaine. — A sua voz rouca fez-me sentir coisas que eu devia estar demasiado repugnado para sentir, e depois ele pressionou os lábios mesmo por baixo da minha orelha num beijo sensual enquanto os dedos compridos faziam pressão no meu centro. O meu corpo estúpido e traiçoeiro reagiu e eu derreti--me nas suas mãos mais que capazes. Acho que um pequeno gemido pode ter escapado dos
  21. 21. meus lábios quando ele se afastou abruptamente. — Ah, lar doce lar — disse ele quando o carro parou. Fui arrancada da névoa induzida pelo meu Homem Misterioso e olhei pelas janelas de vidros escuros. A casa nem sequer era uma casa. Era gigantesca. Uma mansão. Aposto que ele poderia enfiar uma cidade inteira lá dentro. Se eu não soubesse já, diria que ele estava a tentar compensar, mas obviamente não era nada disso. O Sr. Crawford - céus detestava referir-me a ele por aquele nome saiu da limusina e estendeu a mão para me ajudar. Eu declinei a oferta e saí sozinha. O acesso era de ladrilhos, enorme e circular com uma fonte de pedra no centro, iluminada com suaves luzes brancas. Colunas de água subiam no ar e caíam como chuva no lago de vidro. Quando me voltei para olhar para o que me rodeava, só vi relva perfeitamente cortada e arbustos ornamentais esculpidos com o formato de veados. Credo, o Eduardo Mãos de Tesoura vivia aqui? - Por aqui, menina - disse Samuel, tirando-me a mala das mãos e chamando a minha atenção para a casa. Estátuas de cimento, também com o formato de veados, adornavam as colunas de cada lado da escadaria que conduzia ao alpendre. Tinham as cabeças baixas, como se estivessem a posicionar os enormes chifres para a batalha, e um casco levantado no ar. Eu juraria que ouvi um ligeiro arquejo de um veado, mas era evidente que eles não estavam vivos. Altas colunas brancas ladeavam a entrada da casa e estendiam-se desde o enorme alpendre até ao primeiro andar. Samuel abriu as portas duplas para nós entrarmos e o Homem Misterioso convidou-me com um gesto para passar antes dele. Os chãos eram de mármore e os tetos altos e em forma de abóbada. Porém, o que chamou verdadeiramente a minha atenção foi a escadaria. Estava centrada na entrada e estendia-se até um patamar antes de se dividir em duas secções que seguiam para direções opostas da casa. Parecia um daqueles cenários em que a princesa surge no cimo da escadaria e espera para ser anunciada à multidão boquiaberta que se encontra lá em baixo antes de descer graciosamente para cumprimentar os seus convidados. Mas o que aconteceria comigo? Provavelmente, tropeçaria no primeiro degrau e o meu corpo enrolar-se-ia numa bola enquanto eu rebolava pelas escadas abaixo e caía com um ruído seco no fundo. E não seria gracioso. Nada gracioso. - Que é que te parece? - perguntou o Homem Misterioso enquanto gesticulava com os braços muito abertos. Obviamente, sentia orgulho na sua casa. - Eh, não é má. Para quem gosta de coisas pretensiosamente exageradas — respondi com um encolher de ombros entediado. Na verdade, estava impressionada. Muito impressionada. - Eu herdei a casa. E não sou pretensioso — disse ele. — Vou levar--te para cima para vestires uma coisa mais confortável e podermos dormir um pouco. Foi um longo dia e tenho a impressão de que o dia de amanhã vai ser ainda mais longo... e provavelmente todos os dias dos próximos dois anos da minha vida.
  22. 22. Ele voltou-se e começou a subir as escadas, deixando-me de novo para trás. - Parece que concordamos em alguma coisa, Sr. Crawford — disse eu. Ele parou abruptamente e voltou-se para me olhar com uma expressão irritada nos olhos. - É Noah - disse ele num tom solene, continuando depois a subir as escadas. - Só os criados é que me chamam Sr. Crawford. - E eu não sou uma criada? Está a pagar-me para aqui estar, tal como lhes paga a eles — provoquei-o. - Acredita que eles não ganham nem pouco mais ou menos o que tu vais receber. - Ele virou no patamar e seguiu pela escadaria do lado direito. — E tu serás a minha companheira quase constante nos próximos dois anos. As pessoas têm de acreditar que nós somos um casal a sério. Não é provável que isso aconteça se continuares a chamar- me Sr. Crawford. - Muito bem, Noah - disse eu, a experimentar a sonoridade. -Qual é o meu quarto? - perguntei quando chegámos a um comprido corredor adornado com grandes quadros nas paredes. - Nós estamos no fundo do corredor - disse ele, ainda a avançar à minha frente. - Espera. Nós? - Tu vais partilhar a minha cama. Este ponto não ficou claro para ti? - Mas nós nem sequer discutimos os termos do contrato - lembrei-lhe. Ele abriu a porta ao fundo do corredor e eu entrei atrás dele. No segundo em que atravessei a soleira da porta ele aproximou-se e prendeu-me com o seu corpo. - Os termos são bastante simples - disse ele enquanto os seus lábios afloravam a pele do meu pescoço. - Tu pertences-me e eu posso fazer contigo o que quiser. Ele encostou os lábios aos meus e beijou-me com firmeza, mas eu não retribuí o beijo. Os seus movimentos suavizaram-se e ele roçou os lábios nos meus, tentando fazer-me reagir. - Beija-me, Delaine. - Pressionou as ancas para frente e aquela coisa nas suas calças empurrou suavemente a minha parte mais feminina. - És capaz de gostar. Não me ocorreu que ele poderia ter razão, mas sabia que já estava a abusar da minha sorte com ele e que ele podia não estar disposto a continuar a aturar as minhas tretas. A minha mãe precisava daquela cirurgia e eu tinha a certeza de que enquanto estivéssemos juntos seríamos muito mais íntimos do que isto, por isso não tinha outra alternativa a não ser aguentar e ceder à sua vontade. Respirei fundo, com o peito encostado ao dele, e depois abri os lábios e deixei que o seu lábio inferior se colocasse entre os meus. Ele gemeu e reposicionou-se para que a coxa ficasse entre as minhas pernas, as mãos nas minhas ancas e a cabeça inclinada para o lado para ter melhor acesso. Eu deixei-o intensificar o beijo quando a sua língua lambeu o meu lábio e soube instantaneamente que nunca me arrependeria. Não que já tivesse beijado muitos tipos antes ou fosse uma espécie de especialista, mas as coisas que aquele homem sabia fazer com a língua... Pousei as mãos nos seus bíceps, sentindo o músculo que se fletia por baixo do casaco. Queria estar mais perto e pensei que ele apreciaria que eu tomasse alguma iniciativa, por
  23. 23. isso enfiei as mãos por baixo do casaco e toquei-lhe no peito. Depois, subi-as para os ombros para obrigar o casaco a deslizar pelos braços. Ele apanhou-o com uma mão e pousou-o na cadeira ao nosso lado antes de me agarrar novamente as ancas e me puxar para mais perto de si. Eu entrelacei as mãos atrás do seu pescoço e enrolei a língua na sua, chupando muito suavemente. Ele gemeu para dentro da minha boca e depois afastou-se inesperadamente, deixando-me com os olhos fechados, a cabeça inclinada para o lado, as mãos ainda suspensas no ar e os lábios franzidos do beijo. Foi um bocado como aquele momento embaraçoso em Dirty Dancing, quando Baby ainda estava a tentar apanhar o ritmo e johnny a deixou sozinha numa sala cheia de desconhecidos. - Estás a ver? Eu dissete que ias gostar - declarou ele com um meio sorriso. Não era justo ele ficar ali parado, impávido e sereno, enquanto eu estava prestes a rebentar uma veia de tanto desejar que o meu corpo não explodisse! - Não te preocupes, faremos isso mais vezes, mas negócios antes do prazer - disse ele, recuando dois passos. — Os termos do contrato: eu vou transferir o dinheiro anonimamente para a conta que especificaste como pediste. Espero que sejas discreta relativamente aos pormenores da nossa relação, e eu farei o mesmo. Para todos os efeitos, a minha família e colegas acreditarão que nos conhecemos durante uma das minhas muitas viagens de negócios e que estamos profundamente apaixonados. Tu vais acompanhar-me a vários eventos sociais e vais comportar-te como a senhora de boas maneiras que se espera que sejas. Em minha casa, vais partilhar a minha cama e estarás disponível de todas as formas físicas que eu precisar. E devo avisar-te que tenho uma imaginação prodigiosa. Esqueci-me de alguma coisa? Provavelmente, mas a minha cabeça ainda estava atordoada com o beijo e eu não conseguia pensar bem, por isso limitei-me a acenar. - Bom - disse ele, deitando-se na cama extragrande (eu começava a perceber uma tendência em todas as coisas excessivamente grandes que rodeavam aquele homem) e apoiando-se nos antebraços. - Agora, despe-te. - Como? - eu fiquei praticamente engasgada. - Delaine, nós vamos ver-nos muitas vezes nus. Por isso, talvez seja bom esqueceres essa parte do pudor e da timidez. - Ele olhou-me de cima a baixo e lambeu os lábios sugestivamente. Os seus olhos cruzaram-se com os meus e a expressão daqueles penetrantes olhos cor de avelã quase me fez cair de joelhos. - Tu mostras-me a tua e depois eu mostro-te o meu. Era um bom acordo, certo? Eu descalcei-me, peguei na bainha da camisola e puxei-a rapidamente pela cabeça. - Mais devagar - disse ele num tom rouco, fazendo-me parar. Eu revirei os olhos porque aquilo era um enorme clichê. - Gostarias de pôr música para eu poder lazer um strip-tease para ti, é isso? - Agora estás a perceber - disse ele com um piscar de olho, e depois rastejou pela cama e pegou num comando à distância que estava em cima da mesa de cabeceira. Carregou num botão e começou a ouvir-se música sensual, embora eu não conseguisse
  24. 24. perceber de onde é que ela vinha porque parecia sair de todos os lados. - Não! Eu... eu não sei. Quero dizer... eu não... - Estou só a brincar - disse ele, desligando a música e voltando para o seu lugar na cama. — Talvez noutra altura. Eu expirei profundamente e depois corri o fecho na parte de trás da saia e deixei-a cair no chão antes de sair de dentro dela. - Para aí. — Noah levantou-se da cama e dirigiu-se para mim. Inibida, cruzei um braço à frente do peito e o outro sobre o estômago antes de baixar os olhos para o chão. Ele andou em círculo à minha volta e senti os seus olhos em mim, a percorrer todo o meu corpo. E depois senti o seu toque quando ele parou atrás de mim e pressionou o peito contra as minhas costas. Ele passou a parte de trás das pontas dos dedos pelos meus braços até chegar às minhas mãos e depois pegou nas duas e afastou-as do meu corpo. - Não te escondas de mim. — Os seus lábios tocaram na curva do meu pescoço. Ele recuou um pouco e deixou as minhas mãos caírem ao longo do corpo antes de voltar a subir os dedos pelos meus braços e ombros e descer pelas minhas costas. Só parou quando chegou ao fecho do meu sutiã, que desapertou antes de eu dar por isso. Deslizou os dedos por baixo das alças e empurrou-as lentamente pelos meus ombros até elas escorregarem pelos braços, expondo os seios. Senti novamente o calor do seu corpo contra o meu e a sua respiração quente espalhou-se pela minha pele quando ele expirou lentamente. Ele depositou uma fila de beijos quentes por todo o meu pescoço e ombro, deixando um rasto de logo atrás deles. Eu estremeci, mas tive quase a certeza de que o estremecimento se deveu às suas atenções e não ao frio. O meu corpo estava a aquecer a tal ponto que temi que pudesse incendiar-se. E depois senti as suas mãos nas minhas ancas. Os dedos mergulharam por baixo do elástico das minhas cuecas e ele começou a descê-las, oh tão lentamente, biquei rígida, sem saber o que lazer. - Descontrai. Só te quero ver. Toda - disse ele num tom tranquilizador. Respirei fundo e tentei relaxar um pouco. No entanto, não foi propriamente fácil porque, como já disse, o homem era lindo e em circunstâncias normais eu quereria atirar- me a ele. E depois as minhas cuecas caíram até aos tornozelos. Fiquei ali nua como uma idiota, completamente exposta e vulnerável ao homem que acabara de me comprar para seu prazer pessoal. — Estás a ver? Não foi assim tão mau, pois não? — Esperou por urna resposta que eu não tinha de dar, e ele sabia. - É a minha vez. Podes ficar de costas para mim ou podes virar-te e observar. Eu sabia o que ele estava a fazer. Estava a obrigar-me a escolher. Mas não havia grande escolha. Se eu ficasse onde estava, pareceria uma menina assustada. E se me voltasse pareceria que queria isto tanto quanto ele. Para ele, era uma situação vencedora; para mim, seria presa por ter cão e presa por não ter. Por isso, voltei-me. Se ia perder, queria o prêmio de consolação. E naquele momento
  25. 25. regalar os olhos com aquela brasa era consolação suficiente. Noah lançou-me novamente aquele risinho irritantemente sensual, claramente feliz com a minha decisão. Em segredo, eu também estava satisfeita. Observei-o a desapertar lentamente cada botão da camisa com os dedos ágeis. Eram grossos e compridos e, bem, super incríveis, como acredito que Dez diria. Ele puxou os ombros para trás e despiu a camisa, revelando uma camisola interior de alças muito sensual. Aquilo já era de mais. Eu estava aqui por um motivo. Aproximei-me quando ele pegou na bainha da camisola e imobilizei lhe as mãos. Ele ergueu uma sobrancelha interrogativa para mim e eu imitei a sua expressão, desafiando- o para me parar. Mas ele não fez nada. Eu pousei as mãos nas suas ancas e subi-as pelos lados, agarrando a camisola e arrastando-a pelo seu torso. Noah ergueu os braços, deixando-me passá-la pela cabeça, e eu atirei-a para o chão. Bem, tentei atirá-la para o chão, mas ele foi rápido e apanhou-a a meio da queda, pousando-a cuidadosamente nas costas da cadeira com o casaco e a camisa formal. Antes de ele poder olhar-me de novo, as minhas mãos começaram a desapertar o cinto das suas calças. Sem o retirar, desabotoei o botão das calças e depois o fecho. - Ansiosa? - perguntou com um sorriso matreiro. A minha única resposta foi olhá-lo nos olhos e descer as calças. Por baixo das calças? Boxers de fazer crescer água na boca. Boxers vermelhos. Boxers vermelhos onde vivia um soldado muito orgulhoso que usava um capacete. Ora, eu já tinha visto o seu maravilhoso membro de perto antes, mas havia alguma coisa na forma como o homem enchia um par de boxers que mexeu verdadeiramente comigo. Viam-se pormenores suficientes do que estava por baixo, ao mesmo tempo em que se mantinha um elemento de mistério; um cesto cheio de coisas boas à espera de ser desembrulhado, se quiserem. Noah prendeu os polegares no elástico dos boxers sem deixar de manter contacto visual comigo o tempo todo, e despiu-os. Só quando ele os apanhou do chão e se virou de costas para mim é que eu me permiti observá-lo mais minuciosamente. Ele dirigiu-se para um par de portas do outro lado do quarto que eu presumi que seria um roupeiro e eu deixei os olhos deambular pelos seus ombros fortes e pelas costas musculosas até... - Estás a observar o meu rabo, não estás? — perguntou ele sem se voltar. Eu mexi a cabeça para olhar para outro lado antes que ele pudesse apanhar-me. - Hmm, claro que não. — É claro que a minha voz falhou, obrigando-me a pigarrear. - Sim, pois - disse ele, fechando as portas do roupeiro. Dirigiu-se para o casaco, tirou um maço de cigarros e um isqueiro do bolso interior e depois se sentou no sofá ao lado da janela, ainda completamente nu. Eu não sabia o que devia fazer, por isso fiquei a vê- lo acender um cigarro e pousar o isqueiro e o maço na mesa ao seu lado. Eu estava hipnotizada com a forma como os seus lábios faziam amor com o cigarro a cada passa de nicotina. Ele desceu a outra mão, pegou no membro e começou a acariciá- lo enquanto os seus olhos percorreram o meu corpo. — Vem cá — disse ele, chamando-me com um aceno da cabeça para trás. Eu hesitei ao ver o membro endurecer diante dos meus olhos. Sem vergonha absolutamente nenhuma, ele nunca deixou de se acariciar enquanto falava comigo.
  26. 26. — Chegou o momento da tua primeira lição. Eu vou ensinar-te a chupar um membro como deve ser. Admito que engoli em seco. E com bons motivos, tendo em conta a primeira tentativa. Mas era o funeral do seu pénis. Sabendo que não tinha outra escolha, dirigi-me para onde ele estava sentado e ajoelhei--me entre as suas pernas abertas à espera de mais instruções. — Percebeste mal. Quero que te sentes no sofá. - Ele apagou o cigarro no cinzeiro que estava em cima da mesa antes de se levantar e puxar-me para cima. Eu sentei-me no sofá onde Noah me colocou e ele ficou mesmo à minha frente. Todo ele. — Agora, vou foder a tua boca, Delaine. É a forma mais fácil que conheço de te mostrar. Depois de veres o que gosto, deverá ser mais fácil para ti da próxima vez. Espero que aprendas depressa. Ele pegou no membro com uma mão e pôs a outra na minha nuca, empurrando-me para frente até a ponta tocar nos meus lábios. — Beija-o. E não tenhas medo de usar a língua. Eu abri a boca e enrolei a língua à volta da ponta, deixando os lábios fecharem-se sobre ela. Ele gemeu. — Foda-se, isso é tão bom. Continua. Agora chupa um pouco. Eu achatei a língua e pus a ponta toda na boca, chupando-a como se fosse um chupa-chupa. Eu podia fazer isto. Além disso, ouvir as instruções fez-me querer fazer um bom trabalho. — Põe a mão à volta da base e aperta um pouco. Eu fiz o que ele tinha mandado e senti-o endurecer ainda mais na minha boca. Ele empurrou a minha cabeça para frente para entrar mais fundo e as suas ancas avançaram e depois recuaram em sintonia com os meus movimentos. — Oh, céus, sim. Assim mesmo - gemeu ele, entrando até bater no fundo da minha garganta. Corno eu não queria que houvesse uma repetição do que acontecera no Foreplay, subi a mão para ele não poder avançar mais. Noah enrolou os dedos nos cabelos da minha nuca e moveu--me lentamente para trás e para frente. Quando a minha boca se acostumou à invasão, ele acelerou o movimento. O quarto estava em silêncio, com exceção dos ruídos molhados de sucção que eu fazia e dos gemidos roucos que escapavam da sua garganta enquanto se via a foder a minha boca. Ele pôs um pé em cima do sofá e as ancas impulsionaram o membro para dentro e para fora. O seu ritmo aumentou e ele começou a gemer a cada arremetida. Eu estava vergonhosamente molhada entre as coxas e horrorizada ao pensar que poderia estragar o seu sofá. Gemi com a emoção de saber que lhe dava prazer e deve ter sido uma coisa boa porque ele também gemeu e investiu com mais força. - Foda-se! Quando vi essa tua boca boa para foder percebi que serias excelente nisto. — A sua voz continuava ofegante e rouca, e ele continuava a investir na minha boca, e eu queria que ele me tocasse porque, que diabo, ele era sensual. Quanto mais ele gemia, suspirava e até grunhia, mais confiante eu me sentia. Os seus
  27. 27. testículos baloiçavam para trás e para a frente e eu quis ver como eram. Por isso, estiquei a outra mão e peguei-lhes com cuidado. - Merda, merda, merda! Vais-me fazer vir. Eu queria muito que ele se viesse, mas não sabia o que era suposto fazer em relação a isso. - Oh... céus - gemeu ele, fodendo a minha boca mais depressa. Dedos compridos puxaram os meus cabelos e empurraram a minha cabeça para frente e depois para trás, para ir de encontro às suas arremetidas. O seu aperto era tão forte que devia ter doído, mas na verdade só me excitou ainda mais. - Vamos ver se consegues engolir. - A sua voz soou rouca e, antes de eu poder assimilar o que ele queria dizer, ele entrou profundamente na minha boca até tocar uma vez mais no fundo da minha garganta. Um gemido gutural saiu do seu peito e depois um líquido espesso e quente invadiu a minha garganta. Eu quase me engasguei até controlar os meus instintos e começar a engolir. Estaria a mentir se dissesse que sabia melhor do que chocolate ou rebuçados de frutas ou outra coisa maravilhosa desse gênero. Mas também não era terrível. O senso comum disseme que eu devia estar completamente enojada, mas, tendo em conta a reação que acabara de lhe provocar — este completo desconhecido que tinha pago dois milhões de dólares para me ter como sua escrava sexual para poder fazer o que quisesse -, foi tolerável. Ele saiu da minha boca e sorriu. - Foi um broche do caraças. Eu limpei os restos de líquido da boca com as costas da mão e fiz todos os possíveis para parecer repugnada, porque ele não precisava de saber que eu até tinha gostado. Mas ele só se riu. - Há elixir na casa de banho. Afastou-se de mim e deu-me a mão, levantando-me do sofá e levando--me para outro par de portas. Entrámos os dois e ele tirou um frasco de elixir de baixo do lavatório e entregou-me. Eu pus um pouco no copo e bochechei enquanto ele pegou numa toalha e se limpou. Mesmo flácido, o seu membro era surpreendente. - Toma — disse ele, pegando numa escova de dentes nova, ainda na embalagem. Lavámos os dentes na bancada com dois lavatórios num silêncio constrangedor. O seu reflexo não parava de me sorrir à volta da escova de dentes e eu tive a certeza absoluta de que ele estava a gostar de ver os meus seios a estremecer com os movimentos que eu fazia para escovar os dentes. Eu já não conseguia suportar a sua expressão presunçosa, por isso desviei os olhos e observei a casa de banho. Era uma casa de banho desenhada para um rei e a peça central do espaço era a banheira. Era um jacuzzi suficientemente grande para pelo menos quatro pessoas e tinha uma torneira de bronze numa extremidade. Dois degraus levavam à abertura e havia mais dois no interior da banheira. Dentro da banheira havia bancos até sensivelmente ao meio de cada lado, que funcionavam como uma zona de sentar. Aposto que ele poderia fazer uma festa dentro daquela coisa. Perguntei a mim mesma se alguma vez teria feiro. For algum motivo, apelei eu me est k ar a mão c bani lhe na mu a por aquele pensamento. Que raio se passava comigo? Estava ali nua como tinha vindo ao mundo, a lavar os
  28. 28. dentes ao lado de um homem que acabara de conhecer e sobre quem não sabia absolutamente nada, que acabara de foder a minha boca em grande, e apetecia-me dar- lhe um estalo por ter feito uma orgia selvagem na sua banheira gigantesca... na minha cabeça. O seu membro devia ter-me empalado o cérebro porque aquela reação não estava a fazer qualquer sentido. Contendo uma necessidade quase irreprimível de cuspir a minha pasta de dentes no seu rosto, cuspi-a no lavatório. A minha boca estava limpa, mas eu ainda me sentia suja. - Vamos para a cama - disse ele depois de cuspir e de passar a boca por água. Eu lancei lhe um olhar mortífero, mas saí da casa de banho atrás dele. - Hum, desculpa - disse eu, parando quando ele se dirigiu para a cama. — Eu ainda estou nua. Onde estão as minhas coisas? - Eu durmo nu, e agora tu também vais dormir. — Ele puxou a roupa para trás e deitou-se na cama. Eu bufei e depois atravessei furiosamente o quarto para o outro lado da cama e deitei- me, tendo o cuidado de ficar o mais perto da ponta que consegui sem cair da cama. - Vem cá, Delaine. Ele só podia estar a brincar. Não bastava eu ter de dormir nua? Não bastava ele estar a dormir nu? Não bastava termos acabado de lavar os dentes nus depois de ele foder a minha boca nu e me obrigar a pensar nele a fazer orgias selvagens, nu na banheira? Agora também queria que nos deitássemos aconchegados, nus? - Já disse... vem cá. — O seu braço estendeu-se no espaço que nos separava e prendeu-me pela cintura, puxando-me para o seu peito. -Assim está melhor - disse ele enquanto encostava o rosto ao meu pescoço. — È melhor dormires um pouco. Vais precisar. Como é que eu conseguiria dormir com aquela coisa gigantesca encostada ao meu rabo?
  29. 29. 3 Ação na banheira Noah Na manhã seguinte acordei com o corpo ainda pesado do sono e o membro duro como a merda de uma rocha, entalado numa coisa quente e macia. A minha mão tocou em algo inequivocamente feminino e espetado e apertei para ver se era verdadeiro. Detesto mamas falsas e, embora tivesse visto as de Delaine através da tira de pano que ela usava no clube - e depois as tivesse visto a sério quando a mandara despir-se para mim na noite anterior —, era impossível saber ao certo até as apalpar. A indústria da cirurgia cosmética estava a progredir rapidamente, mas nunca podia comparar-se a um par de mamas verdadeiras perfeitas nas nossas mãos. E não se enganem: estas eram verdadeiras e inegavelmente perfeitas. Passei o polegar pelo mamilo e adorei a forma como ele endureceu com o meu toque. Delaine podia ter uma boca atrevida — céus, que boca que ela tinha —, mas desconfiei que quando sentisse o meu toque usaria essa boca para me implorar mais em vez de testar até que ponto conseguia irritar-me num segundo. Lamentavelmente saí da cama e não pude deixar de reparar que ela gemeu em protesto. Ela continuava a dormir profundamente e o mais certo era não se ter apercebido do que estava a fazer. Se estivesse acordada, tenho a certeza de que teria ficado aliviada. Esse facto devia ter-me feito sentir um imbecil - afinal de contas, eu, um completo desconhecido, estava a fazer-lhe coisas que ela não queria lazer -, mas tinha sido ela que se candidatara a isto. Além disso, havia sinais de que era muito possível que ela gostasse de ser obrigada a libertar a fera sexual que tinha mantido presa durante toda a sua vida. Eu tinha visto a expressão nos seus olhos quando ela tinha o meu membro na boca na noite anterior. Ela tinha adorado, o que era uma coisa boa pois eu planeava enfiá-lo ali muitas mais vezes. Fui para a casa de banho e pus um banho quente a correr no meu enorme jacuzzi. Era a primeira vez que ia usá-lo desde que os tinha encontrado ali. Eu era o principal acionista da empresa do meu pai, a Scarlet Lotus. A minha mãe, Elizabeth, que fora budista, tinha dado o nome à empresa. A flor de lótus começa como uma semente na lama no fundo de uma massa de água e cresce gradualmente até chegar à superfície para florir. A cor vermelha simboliza amor, paixão, compaixão e todos os assuntos do coração. O meu pai, Noah Sênior, achara que o nome se adequava bem à empresa. A Scarlet Lotus era uma empresa para onde as pessoas podiam trazer as suas ideias únicas - ideias que lhes eram queridas, mas que não tinham capital para pôr em prática - e vê-las crescer até florescerem. Mediante uma participação nos lucros, a Scarlet Lotus ajudava as pessoas a concretizarem os seus sonhos. A minha mãe insistira que a
  30. 30. empresa teria de retribuir à comunidade, por isso as obras de caridade tinham-se tornado uma parte do que fazíamos como desenvolvimento de ideias. Os meus pais tinham falecido num acidente de carro há quase seis anos, deixando-me tudo: o dinheiro, a casa e todas as ações da empresa que tinha pertencido ao meu pai. Nada disso poderia jamais substituídos e eu não merecia nada do que tinha recebido. Harrison Stone, o sócio do meu pai, reformara-se há três anos e entregara todas as ações ao seu único filho, David. David e eu tínhamos sido melhores amigos enquanto crescíamos. Dado o sucesso dos nossos pais, era praticamente impossível dizer quem era nosso amigo porque gostava genuinamente de nós e quem andava conosco apenas pelo nosso dinheiro. David e eu tínhamos aprendido da pior maneira que só podíamos contar um com o outro. Andávamos sempre metidos em sarilhos, a picarmo-nos mutuamente para fazermos os disparates mais ridículos. É claro que os nossos pais resolviam sempre as nossas trapalhadas; não queriam que os herdeiros da fortuna da Scarlet Lotus fossem notícia nos jornais sensacionalistas. Seria muito mal para os negócios. Além disso, ninguém no seu juízo perfeito colocaria as suas preciosas ideias nas mãos de um par de rufias com fama de só fazerem asneiras. Aos 22 anos e acabado de sair da faculdade, eu nunca tinha pensado que teria de assumir as rédeas. Nessa altura David já trabalhava com o pai e estava a aprender o negócio. Juntos éramos invencíveis e depressa passámos a ser tema de conversa no mundo empresarial. Quando nos tornámos sócios, como os nossos pais, já sabíamos que nos dávamos bem. Pelo menos era o que pensávamos. Afinal, David nunca tinha concordado com a quantidade de dinheiro que a empresa "desperdiçava" em obras de caridade. Ele era um filho da mãe ganancioso e pensava que encher os bolsos era muito mais importante do que ajudar os menos afortunados. Porém, tinha sido a paixão da minha mãe, e consequentemente a do meu pai, por isso eu não cederia. Além disso, eu sentia-me verdadeiramente bem a retribuir um pouco. Cerca de um ano antes, eu tinha viajado para Nova Iorque para uma reunião com uma agência especializada em projetos comunitários para manter os miúdos fora das ruas. Quando regressei, encontrei David no jacuzzi com Julie, a minha namorada de há dois anos. Para ser preciso, ele estava a ir-lhe ao cu enquanto ela gritava: «A tua pila é maior que a do Noah!”.». Era mentira. Eu apanhei-os em flagrante, por isso vi com os meus próprios olhos. De qualquer maneira, naquele momento eu não estava propriamente preocupado com isso. Estava apaixonado pela Julie e David sabia. Bem, eu pensava que estava apaixonado por ela. Ele também sabia que eu tinha planeado pedi-la em casamento quando voltasse daquela viagem e tinha feito todos os possíveis para me fazer mudar de idéias. David era um cretino chauvinista. Ele acreditava verdadeiramente que a única coisa para que as mulheres serviam era para saciar os seus desejos sexuais. «Mantém-nas permanentemente nuas e de joelhos ou de costas e garante que sabem
  31. 31. qual é o seu lugar, dizia ele. «Há demasiadas ratas no mundo para estarmos presos a uma mulher.» Ele tinha-me dito que homens como nós não podiam confiar em mulher nenhuma porque elas não passavam de um bando de vacas interesseiras; ou queriam uma conta bancária bem gorda ou queriam um membro bem gordo. Ele achava que eu era estúpido por me ter apaixonado, que isso me tornava vulnerável e fraco. Ele tinha razão. Eu fiquei com o coração partido depois de o ter apanhado com Julie, mas o seu nariz, rótula do joelho e três costelas também. Ele tinha fodido com ela apenas para provar que tinha razão. E, embora a nossa amizade tivesse chegado ao fim, a sociedade continuou. Não que eu não tivesse tentado comprar a sua parte. Tentei, mas ele recusou-se a vender. E nem pensar que eu ia desistir da empresa que o meu pai e a minha mãe tinham trabalhado tanto para construir. Por isso, engoli um sapo e ia trabalhar todas as manhãs com a cabeça bem erguida e tratava dos negócios como sempre. Aprendi a minha lição e recusei-me a deixar que uma mulher voltasse a aproximar-se o suficiente para me magoar. No entanto, sentia-me sozinho. E era ligeiramente viciado em mulheres. É claro que tinha tido casos com várias, mas afastava-me sempre quando elas começavam a aproximar-se de mais. O sexo era uma forma muito terapêutica de libertar as minhas frustrações, mas as mulheres não pareciam querer ficar comigo apenas para isso. Algumas tinham dito que compreendiam que era apenas sexo para mim, mas acabavam por se tornar pegajosas e queriam que eu sentisse coisas que eu não sentia nem queria sentir, por isso tinham de ir. Eu podia ter casos pontuais de uma noite, mas era como jogar roleta russa com o meu membro, mesmo com um preservativo, e eu tinha-me afeiçoado bastante a ele durante a minha jovem vida, muito obrigado. O que eu queria era a mesma mulher na minha cama todas as noites e todas as manhãs, uma pessoa para me receber quando eu chegasse a casa após um longo e cansativo dia de trabalho, ansiosa por me agradar. Alguém que satisfizesse todas as minhas necessidades, sem compromissos. Sim, eu sabia que era a fantasia de todos os homens e que não era provável que acontecesse à maioria, mas eu tinha dinheiro suficiente para comprar essa fantasia. E comprei. E tinha sido isso que me levara até Delaine. No meu mundo, havia sempre conversas entre homens. Ouvimos dizer que as mulheres passam o tempo inteiro a coscuvilhar, mas os homens são iguais. A diferença é que não somos tão óbvios. Uma tarde, estava a jogar golfe com um investidor da Scarlet Lotus e ouvi falar no leilão. Pesquisei o pouco que pude sobre o lugar e depois de falar com o proprietário o meu interesse aumentou. Obviamente, não queria possuir alguém contra a sua vontade, mas Scott assegurara-me de que as mulheres da "ementa" estavam ali voluntariamente e que naquela noite específica haveria uma virgem. Eu queria uma virgem. Tinha medo de doenças ou de gastar uma quantia astronômica numa mulher para descobrir que ela
  32. 32. estava grávida com o filho de outro homem. Isso não me agradava absolutamente nada. Sentado naquela cabina, completamente às escuras porque não queria ser reconhecido, deixei ir todas as raparigas em exposição sem uma única licitação. Isto é, até ela subir ao pódio. Delaine Talbot. Eu já tinha lido as suas especificações e o contrato que ela propusera e estava intrigado. Naturalmente, tinha perguntado a mim mesmo o que levaria uma mulher aparentemente sensata como ela a fazer uma coisa tão bizarra, mas contive a curiosidade porque, como já disse, não queria compromissos. Ela estava a oferecer dois anos no contrato e era precisamente o que me convinha. Dois anos a vir-me constantemente como me apetecesse seria tempo suficiente para esquecer tudo ou encontrar outra pessoa. E quando ela se fosse embora eu poderia citar o motivo mais velho do mundo: «Fomo-nos distanciando». Quando vi Delaine, percebi que teria de a possuir. Não só o contrato era ideal como ela era um espécime perfeito. Ela parecia tão íntegra como as suas especificações, não demasiado voluptuosa nem com uma aparência falsa. Eu tinha hesitado no fim do leilão, sem saber ao certo se queria levar aquilo adiante, mas depois ela lançara--me um olhar, como se estivesse a implorar-me em silêncio para a manter longe do alcance do monte de banhas asqueroso que estava na outra sala. Eu posso ter sentido um pouco de pena dela, o que deveria provavelmente ter sitio o primeiro sinal de que isto era má ideia. No entanto, acabei por lazer a última licitação. O segundo sinal tinha surgido quando ela se ajoelhou e enterrou os dentes no meu membro. Aquilo doeu como o caraças e indicou-me sem sombra de dúvida que eu tinha mordido mais do que podia mastigar — o que era irônico porque quem tinha mordido era ela, mas não interessa. A questão é que ela nem sequer tinha feito um broche em toda a sua vida. A sério? Eu sabia que ela era virgem, mas pela minha experiência a maioria das virgens fazia outras coisas para se virem sem quebrar o selo, por assim dizer. E o maior sinal? Aquela merda daquela boca atrevida. Isto era um acordo de negócios. Era marado e eu nunca tinha feito nada daquilo antes, mas ainda assim era um acordo de negócios. Eu tinha todas as intenções de cumprir a minha parte do contrato e esperava que ela fizesse o mesmo. No entanto, para ser franco, aquela sua atitude desagradável até me excitava. Acho que não conseguiria ficar tão teso com uma pessoa que fosse completamente subserviente a todos os meus caprichos. Ela tinha fogo e gelo a correr pelas veias e não ia facilitar-me a vida. E era precisamente isso que ia tornar a coisa ainda mais excitante para mim. Normalmente eu não era um imbecil, mas levava os negócios muito a sério. Além disso, era um filho da mãe com tesão e ela mostrara-se muito promissora quando eu lhe fodera a boca para submetê-la, tendo até pegado nos meus tomates sem ter sido mandada. Ensiná-la a fazer as coisas como eu gostava delas e ver a sua sexualidade a desabrochar e florescer ia ser uma coisa maravilhosa. E eu tinha um lugar na primeira fila.
  33. 33. Fechei a torneira da banheira quando esta ficou cheia e voltei para o quarto. Puxei o lençol para trás e passei as mãos pela pele cremosa do seu rabo. Tecnicamente, agora era o meu rabo. Ela mexeu-se um pouco no sono e as suas sobrancelhas franziram-se. — Horas de levantar, Delaine — disse eu em voz baixa. — Hmm? — murmurou ela, mas não tentou abrir os olhos. Eu aproximei-me mais do seu ouvido. — Levanta esse rabo, senão enfio o meu membro nele disse eu mais assertivamente e depois passei a ponta do dedo no buraco e fez um pouco de pressão para realçar as minhas palavras. Ela levantou-se imediatamente da cama, parecendo tonta e confusa até os olhos se focarem e olhar para mim. Eu vi literalmente o momento em que ela percebeu onde estava e porque é que estava ali. Tinha os cabelos embaraçados e cheios de nós e o pouco de maquilhagem que usava estava borrada debaixo dos olhos. - São horas do meu banho — disse-lhe eu. - E depois? Que é que isso tem a ver comigo? - retorquiu ela, deitando-se de novo na cama e tapando-se com o lençol. E adivinhem o que aquela boca atrevida me fez naquele preciso momento? Isso mesmo. Fiquei com uma ereção que parecia titânio instantâneo. Peguei no seu corpo minúsculo e pendurei-a no ombro, levando-a para a casa de banho. Ela pontapeou em protesto e bateu-me no rabo nu, mas mal sabia ela que só estava a incentivar-me. Atirei-a para a banheira e ri-me quando ela aterrou com estrondo. A água subiu e molhou-lhe os cabelos, fazendo-os cair molemente no seu rosto. Ela parecia um animal afogado. Mmm... rata molhada. - Por que raio é que fizeste isso? — gritou ela, atirando os cabelos para trás. - Porque tu me vais dar banho e eu não quero ouvir nenhum comentário em relação a isso - respondi, entrando também na banheira. Ela tentou afastar-se de mim, mas eu agarrei-lhe os antebraços e puxei-a até ela ficar sentada de pernas abertas no meu colo. O meu membro estava entalado entre nós e ela arquejou quando percebeu que eu já estava duro para ela. - Muito bem. Assim... - disse eu, empurrando para cima para que ela pudesse sentir todo o meu comprimento — sabe muito melhor. Não achas? Ela encolerizou-se. - Odeio-te mesmo a sério. - A sério que não me importo — retorqui. — Agora, lava-me o cabelo e tenta ser sensual. Fia bufou, mas pegou no frasco de champô. Eu fechei os olhos e desfrutei da sensação da sua pequena vagina quente sobre o meu tesão palpitante, enquanto ela me massajava o escalpe com os dedos. Reparei que ela estava a arranhar a minha pele com as unhas, provavelmente para eu não querer que ela voltasse a fazer isto, mas só teve o efeito contrário. Eu adorava as coisas à bruta e ela nem sequer estava a arranhar a superfície.
  34. 34. Eu murmurei como sinal de reconhecimento e empurrei as ancas para ela, e sei que não estava a imaginar coisas; ela também fez pressão. A sua respiração tornou-se mais superficial e percebi que ela estava a tentar manter a compostura e não deixar perceber que estava excitada. E depois ela inclinou-se para a frente, começando a passar os meus cabelos por água com o chuveiro manual, e as pontas dos seus mamilos começaram a roçar nos meus lábios. Eu abri os olhos para espreitar e vi os seus lindos seios empoleirados mesmo diante do meu rosto, por isso espetei a língua e lambi-lhe o mamilo. - Oh, céus - disse ela, ofegante, e recuou imediatamente. — Nem pensar — ralhei eu. — Traz essas mamocas lindas para aqui, Delaine. Ainda não terminaste. Os meus cabelos ainda têm champô. Ela semicerrou os olhos para mim, mas voltou a subir para o meu colo. Ouvi-a inspirar fundo enquanto se inclinava novamente para a frente, com as costas curvadas para manter os seios longe do meu rosto, mas eu pus as mãos nas suas costas e puxei-a para a frente, prendendo o mamilo entre os lábios ao mesmo tempo. Ela arquejou uma vez mais e eu sorri à volta do seu mamilo enquanto a minha língua rodopiava. Pus a outra mão no outro seio e massageei-o, com o polegar a percorrer o alto duro, enquanto empurrava novamente as ancas para ela. O seu corpo descontraiu e ela inclinou-se para mim, enquanto eu chupei o mamilo e depois deixei os dentes arranhar suavemente a pele sensível. Ela deixou de passar os meus cabelos por água. Eu percebi porque o chuveiro estava molemente pendurado nas suas mãos e agora ela estava a arquear as costas e a empurrar a mama para a minha boca. Eu gemi c soltei o mamilo com barulho para dar atenção ao outro. Como uma serpente, a minha língua lambeu rapidamente o mamilo duro como uma pedra e depois enfiei-o bruscamente na boca. Ergui as suas ancas e sentei-a melhor no meu colo para o meu pénis ficar mesmo na sua entrada. Quando empurrei um pouco para frente, ela ficou tensa e apertou as mãos nos meus ombros. - Calma, eu não vou entrar - garanti-lhe. - Só quero que me sintas aí. Mexi-me um pouco para a frente, para aplicar mais pressão, e depois gemi audivelmente quando o meu membro quase a penetrou. - Mal posso esperar para te foder — murmurei para a sua pele. Tirei-a de cima de mim e reposicionei-nos para que ela ficasse sentada ao meu lado porque se não o fizesse ia penetrá-la naquele momento e queria prolongar a antecipação e brincar mais um pouco. Inclinei-me para frente para me encostar a ela e beijei-lhe o pescoço sofregamente, enquanto uma mão a segurava na nuca e a outra percorria a parte interna da sua coxa. - Alguma vez sentiste um orgasmo, Delaine? - deslizei os dedos pelas pregas suaves do cimo das suas coxas e ouvi-a engolir em seco antes de proferir um não engasgado. - Mmm - murmurei no seu ouvido. - Eu sou o primeiro em tudo. Não fazes ideia de como isso é incrivelmente sensual. Os meus dedos mergulharam entre as suas pregas e acariciei-a, evitando o pequeno
  35. 35. feixe de nervos. A sua cabeça caiu para trás de encontro à banheira, abrindo ainda mais o pescoço para mim. Eu retirei os dedos, voltando a descê-los pelo interior da sua coxa até chegar à parte de trás do joelho para passar a sua perna por cima de uma das minhas coxas, e voltei lenta e tortuosamente para cima pela sua perna. - Vou-te fazer vir, Delaine — sussurrei no seu ouvido. Os altos dos seus seios estavam salientes fora da água, revelando mamilos perfeitos a cada respiração entrecortada. Acariciei-a levemente desde a entrada até ao clitóris, voltando para trás com mais pressão. Ela estava imóvel, com exceção da respiração, e eu chupei levemente a parte sensível por baixo da orelha. - Não faz mal gostares do meu toque. Não vejo porque é que eu devo ser o único a obter prazer com o nosso arranjinho. - Mergulhei um dedo dentro dela. As suas paredes cerraram-se à minha volta e eu inspirei. Raios, tu és apertada. Acho que o simples pensamento de enfiar o meu membro nesse buraco apertado pode ser suficiente para me fazer vir com tanta intensidade que vou perder a cabeça. Entrei e saí de dentro dela com um dedo enquanto o polegar começou a fazer círculos em volta do clitóris. - Gostavas de ver isso, Delaine? — perguntei, com a voz grossa de luxaria. — Gostavas de me ver perder a cabeça, enquanto o pensamento de estar dentro de ti me faz vir? Ela não respondeu, mas a forma como os seus olhos se semicerraram e as ancas começaram a mover-se para a frente para ir ao encontro das investidas do meu dedo disseram-me tudo o que eu precisava de saber. Inseri outro dedo e ela gemeu, pondo a cabeça de lado para olhar para mim. E depois ela beijou-me. Delaine chupou o meu lábio inferior entre os seus antes de enfiar a língua dentro da minha boca para acariciar a minha. Eu recuei porque gostava de controlar, mas mantive os meus lábios sobre os seus. - Toca no teu peito - sussurrei. - Ajuda-me a fazer-te sentires--te bem. No fundo eu não precisava da sua ajuda, mas queria que ela se abrisse mais e explorasse a sua sexualidade. Além disso, ver uma mulher tocar-se era extremamente sensual. Vi-a pôr a mão em concha no seio e apertar o mamilo com o dedo indicador e o polegar. - Raios, isso é perfeito — gemi, enfiando os meus dedos com mais força e mais depressa dentro dela. Retirei os dedos e acariciei lhe as pregas até conseguir manipular o clitóris, passando suavemente os dedos para frente e para trás no duro feixe de nervos. Depois, mergulhei- os rapidamente dentro dela e rodeios, encontrando o seu ponto especial. - Mais — gemeu ela contra a minha boca antes de exigir com mais um beijo ardente. Parecia que eu tinha uma pessoa muito elétrica nas mãos - definitivamente, uma mulher para ser fodida. Mexi o corpo e virei-me para ela, soltando o beijo e mergulhando a cabeça até a minha boca estar debaixo de água a chupar o seu mamilo duro enquanto ela continuava
  36. 36. a manipular o outro. Senti as suas paredes a apertarem se à volta dos meus dedos e percebi que estava quase. Os meus dedos entraram e saíram, movendo-se em espiral para tocar no seu ponto G. Olhei-a por detrás das minhas pestanas e vi que ela estava a observar-me. Tinha a boca aberta e arqueou as costas quando um gemido começou baixinho no seu peito e, finalmente, escapou pelos seus lábios. As paredes da sua rata apertaram-se contra os meus dedos e ela tentou juntar as coxas, mas eu prendi um joelho entre as minhas pernas e mantive-a imóvel. - Tu estás a vir-te com os meus dedos, Delaine. Meus. E esta sensação que estás a ter agora vai ser muito mais intensa quando for o meu pénis - disse-lhe, e depois reclamei a sua boca aberta com a minha. Ela reagiu imediatamente, devorando avidamente a minha boca até o orgasmo terminar e ela não passar de uma massa de felicidade pós--orgástica nas minhas mãos. Quando retirei os dedos, levantei-me imediatamente e saí da banheira, com o membro ainda duro como uma barra de ferro e água a escorrer da ponta. - Termina o teu banho - disse-lhe eu descontraidamente, enrolando-me numa toalha. — Tenho de ir trabalhar. Fica à vontade, mas quero que estejas à minha espera à porta quando eu voltar, às seis horas. Compreendes? Ela voltou a semicerrar os olhos - obviamente, não tinha gostado da minha mudança de atitude -, mas acenou afirmativamente. Eu podia ter-lhe proporcionado o momento mais íntimo da sua vida, mas ambos precisávamos de recordar que isto era apenas um acordo de negócios. - Claro que sim, patrão - disse ela sarcasticamente, e depois fez--me continência. - Ei, sabes aquele pequeno pedaço de céu que acabei de te dar? Bem, se quiseres sentir isso mais vezes, em vez de eu me limitar a usar o teu corpo para meu prazer, então sugiro que tenhas cuidado com essa boca atrevida — avisei-a, passando a ponta do dedo pelo seu lábio inferior. -Claro que eu podia enfiar alguma coisa nela para te manter calada. -Sabia que a tinha irritado e, como queria irritá-la ainda mais, curvei-me sobre a banheira e disse: - Onde está o meu beijo de despedida, mulher? Ela inclinou-se relutantemente paia a frente e eu beijei-lhe a ponta do nariz e não a boca. - Porta-te bem hoje - disse eu com um sorriso trocista e depois saí a dançar a valsa para o quarto, sabendo que ela estava a observar novamente o meu rabo. Antes de chegar à porta, parei e fleti uma nádega de cada vez e depois olhei por cima do ombro e pisquei-lhe o olho. Como suspeitava, ela tinha a boca aberta. Quando os seus olhos se despregaram finalmente do meu rabo e olhou para mim, Delaine pegou na esponja e atirou-na. Eu saí do caminho quando ela aterrou no chão com um barulho molhado. - Odeio-te! - gritou ela. - Talvez, mas é óbvio que adoras o meu rabo! - gritei eu em resposta, a rir. Ia ser muito divertido foder com ela.
  37. 37. 4 Agente dupla galdéria Noah Não consegui parar de sorrir muito satisfeito comigo mesmo durante toda a viagem para o emprego. Saber que Delaine estaria à minha espera em casa quando eu regressasse tornaria sem dúvida o meu dia um pouco mais suportável. Ou insuportável, tendo em conta que provavelmente passaria o dia inteiro a pensar em todas as coisas picantes que queria fazer com a minha miúda de milhões de dólares, e que ela me fizesse. Mesmo aquele milionésimo de segundo de pensamento obrigou-me a ajeitar aquele tesão desconfortável que parecia ter decidido passar a residir nas minhas calças. Mas eu era um empresário e os negócios vinham antes do prazer. Por isso, no segundo em que Samuel me abriu a porta e eu saí para o passeio junto da porta giratória de vidro da entrada da minha segunda casa, o meu sorriso desapareceu. O Crawford de rosto de pedra tinha entrado no edifício. Eu era conhecido como autoritário no escritório. Empregados que trabalhavam na empresa desde o tempo do meu pai tinham ficado chocados ao ver o seu turbulento filho metamorfosear-se num astuto empresário. Todavia, o mundo dos negócios era frio e cruel, e para uma pessoa se manter à tona tinha de estar sempre alerta ou sujeitava-se a ficar sem os tomates ao primeiro sinal de fraqueza. Mason, o único homem em quem eu confiava neste lugar, cumprimentou-me quando eu entrei. Mason Hunt era o meu braço direito, o meu secretário particular e, provavelmente, o mais parecido que eu tinha com um amigo. Ele e a mulher, Polly, tomavam conta de quase todos os aspetos da minha vida. Mason apoiava-me no escritório e Polly cuidava da minha vida pessoal. Ela geria a minha casa, controlando todos os empregados e despesas, para que eu nunca tivesse de me incomodar com essa tarefa. As criadas, jardineiros e cozinheiros entravam e saíam antes de eu chegar a casa, e eu estava grato por isso. Polly também comprava as minhas roupas e garantia que eu estava fantástico para os negócios e para o lazer aos olhos da sociedade. Multitarefas extraordinária. Ela era verdadeiramente boa no que fazia, e Mason também. Trabalhavam juntos como uma máquina bem oleada. Eu gostava de pensar que tinha tido alguma influência na aproximação do casal. Afinal de contas, cuidar de mim diariamente significava que os seus caminhos tinham de se cruzar com bastante frequência. Apesar das suas diferenças, eles complementavam-se. Mason era um tipo descontraído e fixe alto, sulista e nunca era visto sem as suas botas de cowboy preferidas. Polly era uma coisinha hiperativa que nunca parava quieta. Baixa e extremamente social, aparentemente nunca usava a mesma roupa duas vezes. Não que eu tivesse reparado, mas recebi esse fragmento de
  38. 38. informação durante um dos seus discursos retóricos, que eu me esforçava normalmente por ignorar. Polly era o yin do yang de Mason, por isso parecia inevitável que acabariam juntos. - Hunt — cumprimentei-o, enquanto nos dirigíamos lado a lado para o meu elevador. Sim, eu tinha um elevador privado. Não suportava estar preso numa caixa minúscula com mais 20 pessoas à minha volta, cada uma com uma água-de-colónia diferente ou a tossir e a espirrar na porcaria do elevador. Mason enfiou a chave na fechadura e abriu as portas para eu poder entrar à sua frente. Eu pousei a pasta e sentei-me no sofá de veludo vermelho que se estendia ao longo da parede interior. O teto e as paredes estavam espelhados para que o pequeno espaço parecesse maior. Maior era sempre melhor. - Então, como é que correu? - perguntou ele, quando carregou no botão para o quadragésimo andar e se sentou na outra ponta do sofá. Eu estava solteiro há bastante tempo e Polly tentava incansavelmente convencer-me a sair com mulheres que considerava serem adequadas para mim. Para travar as suas tentativas, eu acabara por ceder e dizer-lhe que andava secretamente com uma pessoa que tinha conhecido durante uma das minhas viagens a Los Angeles. Ela acreditara e parará de fazer de casamenteira, mas depois começara a insistir que queria conhecer a mulher misteriosa. Normalmente, eu fazia "o olhar" a uma pessoa e ela esquecia o assunto, mas não Polly. Ela não se sentia absolutamente intimidada por mim. Eu tinha- lhe dito que ia convidar a minha senhora misteriosa para vir viver comigo ontem à noite - só para o caso de encontrar alguma coisa que me agradasse no Foreplay e decidisse efetuar a compra, o que tinha acontecido. — Ela aceitou - respondi. — Eu disse-lhe para deixar todas as suas coisas e ela veio comigo ontem à noite. Agora, está lá em casa. — O quê? Isso é fantástico! — disse ele, entusiasmado, enquanto me batia no ombro dando-me os parabéns pelo importante passo que eu tinha dado. — Sim, estou bastante entusiasmado com isto — disse eu com um sorriso, porque era verdade. O meu membro endureceu levemente para provar a veracidade daquela afirmação. O resto da subida foi feita no meio de uma conversa de circunstância. Mason nunca bisbilhotava os meus assuntos pessoais a não ser que Polly ameaçasse fazer greve de sexo se ele não tentasse pelo menos arrancar-me alguma informação. Eu atirava-lhe um osso de vez em quando, para o manter fora da casota do cão, mas ele nunca insistia. Hoje não foi exceção. Ele sabia que ela estava lá, mas eu não tinha dito a nenhum deles quem ela era. Mason recordou-me que Polly iria a minha casa depois do almoço para tratar das compras e dar ordens aos empregados. Aquilo assustou-me. Delaine e eu não tínhamos discutido os pormenores da história que íamos contar aos meus conhecidos, nem sequer se ela queria ser tratada pelo seu verdadeiro nome. Eu sabia que as criadas manteriam a boca fechada e fariam o seu trabalho, mas Polly não.

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