Johanna Lindsey
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MALLORY 09
Di...
Mallory 09
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Prólogo
"Saindo de casa para visitar sua família".
Boyd Anderson encontrou algo claramente penoso nessa frase...
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ramalhete de mulheres não o satisfazia quando parecia agradar a Drew. O que na verdade
desejava era ter uma m...
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Com a frente de seu braço, a mulher passou uma mão sobre sua face, expulsando o
gorrinho de sua cabeça. Tinha...
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Ela deixou de lançar comida às aves. Ele, também ouviu um som que chamou sua
atenção a outro lugar. De sua po...
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mão tocando um de seus seios e o braço envolto ao redor de seu traseiro, seu corpo
respondeu, e o único em qu...
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abordagem do navio ainda não foi levantada; os últimos fornecimentos ainda estavam
sendo carregados. E Katey ...
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A nota foi entregue por um menino desalinhado que ignorava que se encontrava na
casa equivocada. O engano não...
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- Todos sabemos, onde Jack preferiria ficar. - havia Georgina comentado. - Salvo que
Roslynn sugeriu que pode...
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o que havia em Katey Tyler que o fez retorcer-se durante a viagem. Tendo em conta que
não era o tipo de mulh...
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comprou a ela um autêntico cavalo.
- E não foi convidada a observar? - adivinhou ele.
- Sim, mas achei que s...
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A viagem em carruagem foi aterradora. Era uma velha carruagem e os assentos nem
sequer tinham estofamento. P...
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tanto rouca, tinha mostrado que era a de uma mulher. Mas isso não diminuiu o medo de
Judith.
Nesse momento o...
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administrar sua primeira loja em Edimburgo, já que ele ignorava tudo sobre o
funcionamento de uma loja. Tinh...
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Anthony Malory, se a moça não era devolvida imediatamente.
- Por favor, por favor, diga a seu pai que eu não...
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tinha seguido por toda parte durante sua breve viagem de compras à cidade, mas não
havia dito uma só palavra...
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ocupado. Se estivesse trancada, teria que considerar descer a escada para queixar-se ao
hospedeiro. Se se ab...
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soltar-se, pois aparentemente a menina se esforçara em soltar-se. Mas Katey viajava
preparada para os contra...
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Nesse momento a doce voz da menina interrompeu seus pensamentos.
- A mulher me desmontou de meu novo cavalo ...
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uma beleza com seu cabelo negro como o carvão e olhos verdes esmeraldas. Mas embora
Katey se parecesse a ela...
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móveis fora de seu celeiro. Oh, e tínhamos um açougueiro, embora ele não fosse em
realidade um açougueiro, s...
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Katey suspirou. Isso era o que sempre quis que fizesse sua mãe, tinha trazido à luz o
assunto ao menos uma v...
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mais alto, por ser nossa casa de dois andares, e que minha criada arriscou a vida e suas
extremidades para s...
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Katey se ruborizou, ao ouvir o desse modo.
- Tive que lhe contar sobre o ladrão. Ele foi muito real. Somente...
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com sua própria filha. Foi algo muito cruel, e não estou segura de querer estreitar uma
relação com pessoas ...
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Só porque compreendia o que o homem estava passando, Boyd não tentou explicar
nada a Anthony, simplesmente p...
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fora de sua mente e seus sonhos.
Tinha-lhe feito passar duas semanas desejando o inferno nessa viagem faz um...
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- Eu irei - ofereceu-se Boyd imediatamente.
Ignoraram-no ou possivelmente não o escutaram. Estava limpando a...
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CAPÍTULO 6
Katey fez com que se detivessem uma vez que Judith se escondera debaixo de uma
manta no chão. Não...
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atrás, no caminho como lhe falei. Percebeu que estávamos na mesma estalagem que ela
ontem à noite. E não se ...
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quem Katey sentiria saudades horrivelmente.
Judith não interveio enquanto as escutava, mas como fazem os men...
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- Deveria saber que imaginaria algo assim - resmungou Grace entre dentes com
desagrado.
Katey ignorou sua cr...
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alguma vez fora. Sentia-se agradecido de que um Malory, e mais ainda um que em
realidade admirava, reconhece...
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Johanna lindsey família mallory 09 - sem mais alternativa que a sedução

  1. 1. Johanna Lindsey SSSeeemmm mmmaaaiiisss aaalllttteeerrrnnnaaatttiiivvvaaa qqquuueee aaa SSSeeeddduuuçççãããooo MALLORY 09 Disponibilização/Tradução: Denise Ferreira Revisão: Edith Suli Revisão Final: Danyela Formatação: Gisa PPRROOJJEETTOO RREEVVIISSOORRAASS TTRRAADDUUÇÇÕÕEESS Quando a jovem filha de Sir Anthony Malory é sequestrada do Hyde Park em Londres, o sequestrador erroneamente manda a nota de resgate ao lar do irmão de Sir Anthony, James. Mas com James e sua esposa, Georgina, no Caribe, a nota é recebida por seu hóspede, o irmão mais novo de Georgina, Boyd Anderson. Na busca pela menina com Anthony, o notório, e bonito capitão americano tem toda a intenção de fazer pagar ao temerário bandido, mas dificilmente esperava encontrar à deliciosa Katey Tyler, recente passageira de seu navio, no centro do complô. Depois da morte de sua mãe, a vivaz Katey Tyler abandona a tediosa cidadezinha de Gardener, Connecticut, a procura de aventuras e romantismo, em um grande giro turístico pela Europa. Uma noite na estalagem em que se hospeda, escuta uma penosa choramingação no quarto contíguo e acha uma garotinha atada e amordaçada. Depois de libertar a pequena, acha melhor levá-la de volta a sua família, em Londres. Mas Katey não esperava ser capturada por um alto e bonito americano e que a culpassem de sequestrar à menina que resgatou. Mas Katey desperta a atenção de Boyd Anderson, e não sabe que vai experimentar mais aventura e paixão que uma dama encontraria em uma viagem, e que ao conhecer os Malory sua vida nunca mais voltará a ser aborrecida. Uma grande quantidade de surpresas espera Katey, da alarmante verdade sobre a curta vida de sua mãe até incluir um homem que ganhará o afeto de uma mulher com todas as razões para desprezá-lo; mas quem pode resistir à sedução e a paixão que lhe oferece.
  2. 2. Mallory 09 2 Prólogo "Saindo de casa para visitar sua família". Boyd Anderson encontrou algo claramente penoso nessa frase. Mas certo. Nos últimos oito anos, cada vez que navegou para Bridgeport, Connecticut, com a esperança de encontrar em casa e fazer uma visita a um de seus quatro irmãos mais velhos, nenhum deles estava alguma vez ali. Viu-se obrigado a navegar a outros portos para encontrá-los. Todos eles capitães, os irmãos de Boyd navegavam ao redor do mundo, mas estavam acostumados a voltar para casa ansiosamente porque sua única irmã, Georgina, estaria ali os esperando. Mas Georgina se casara com um inglês, Lorde James Malory, e agora vivia do outro lado do oceano de Connecticut, e era ali aonde Boyd tinha que navegar se queria vê-la. Essa não era uma boa razão para que Boyd se expusesse a possibilidade de assentar-se ele mesmo em Londres? Ainda não tomou uma decisão definitiva, mas se inclinava perigosamente por esta opção devido a um bom número de razões, mas sobre tudo porque o clã Anderson ia a Londres, aonde sua irmã vivia, com mais frequência do que retornavam a casa. E Georgina não era o único Anderson que se havia aparentado com o clã Malory. O irmão mais velho de Boyd, Warren tinha surpreendido à família fazendo o mesmo ao casar-se com Lady Amy Malory. Embora Warren ainda navegasse no mínimo a metade de cada ano, levando a sua família com ele, ele passava a outra metade em Londres de modo que seus meninos pudessem conhecer seus muitos primos, tias e tios, tias avós e tios avós, e seus avós. Criar raízes seria uma grande mudança na vida de Boyd. Significava deixar o mar para sempre depois de ter navegado desde que tinha dezoito anos de idade. Agora tinha trinta e quatro. Seu navio, o "Oceanus" se convertera em seu lar por quinze anos! Ninguém sabia melhor quanto teria preferido uma casa que não se balançasse. Também estava considerando deixar o mar por outras razões. Ao ver a Georgina e a seu irmão Warren felizmente casados com membros do clã Malory, Boyd desejara cada vez com mais ardor esse tipo de felicidade para ele. Isso não significava casar-se com uma mulher Malory, mesmo se restasse alguma em idade casadoura. Infernos, não. Isso significaria enfrentar com uma sólida parede de opositores Malory, o que não era apetecível. Mas ele desejava uma esposa. Estava preparado. E se sua associação com o clã Malory lhe tinha ensinado alguma coisa, era que o casamento podia ser uma coisa maravilhosa. Era só que não encontrou ainda à mulher correta. Estava muito cansado de relações efêmeras e intrascendentes com mulheres. Seu irmão Drew podia ainda adorar ter um amor em cada porto, mas Drew era uma pessoa despreocupada que facilmente formava pequenos vínculos e dessa forma tinha mulheres para as quais retornar ao redor de todo mundo! Mas isso não era fácil para Boyd. Não gostava de fazer promessas que não manteria, nem tomar decisões apressadas, ao menos não quanto às importantes como escolher à futura senhora de Boyd Anderson. E não gostava de distribuir seus afetos entre muitas mulheres. Seria ele um romântico? Não sabia, mas compreendia que paquerar um variado
  3. 3. Mallory 09 3 ramalhete de mulheres não o satisfazia quando parecia agradar a Drew. O que na verdade desejava era ter uma mulher a seu lado pelo resto de sua vida. E sabia por que não estava nem sequer perto de encontrá-la. Viajando tanto como o fazia, realizava breves e impessoais cortes. Precisava passar mais tempo com uma mulher que o atraísse, conseguir conhecê-la realmente. Mas quando um marinheiro passava mais que alguns dias em algum porto? Se ele se assentasse em Londres, teria todo o tempo que necessitasse para encontrar a essa mulher especial destinada só a ele. Estava ali fora. Ele sabia. Só precisava estar em um lugar o suficiente para encontrá-la e cortejá-la. Boyd dirigiu o olhar para os moles cheios e ao povoado de Bridgeport ao longe e sentiu uma pontada de tristeza. Esta poderia ser a última vez que estaria ali. A grande casa em que os Anderson cresceram estava vazia desde que Georgina se fora. Tinha amigos e vizinhos a quem ele tinha conhecido toda a vida e sentiria saudades, mas a família se encontrava onde o coração estava, e Georgina foi o coração de sua família desde que seus pais morreram. O capitão de Boyd, Tyrus Reynolds, uniu-se a ele no trilho. Boyd não capitaneava seu navio e nunca o fez. Sua família pensava que era de espírito muito livre para querer tomar esse tipo de responsabilidade, embora sempre tivesse navegado com seu navio. Ele nunca os tinha feito desentender-se dessa noção, embora não fosse correta. - Se não tivesse tanta pressa por chegar à Inglaterra - queixou-se Tyrus, - poderíamos ao menos nos ter desviado um pouco para um dos portos sulinos, para um carregamento de algodão em lugar de receber passageiros a bordo. Boyd sorriu abertamente para o homem mais velho a quem chamava amigo assim como também capitão. Boyd estava a uns seis pés por debaixo dele, mas Tyrus era muito mais baixo e tinha um temperamento resistente. - Não considera um grupo de passageiros um bom carregamento? - perguntou Boyd. Tyrus bufou. - Quando tenho que entretê-los durante toda a viagem? E lutar com suas queixas! O rum e o algodão não se queixam. - Mas obtemos o mesmo lucro, se todas as cabines estão cheias. E não é a primeira vez que recebemos a bordo passageiros. Só está de mau humor porque se lembra da última vez quando aquela avó esteve tentando seduzi-lo com todas suas forças. Tyrus gemeu. - Não me lembre isso. Nunca lhe mencionei, mas na verdade conseguiu entrar dentro de minha cabine e foi diretamente para minha cama. Levei um susto quando despertei e a encontrei encolhida a meu lado. Boyd estalou em risadas. - Espero que não se tenha aproveitado dela. O bufido do Tyrus foi muito mais significativo desta vez. Boyd fez que olhava para outro lado para que Tyrus não observasse seu franco sorriso. Maldição desejaria ter visto isso, mas simplesmente imaginá-lo fez querer rir outra vez. Os olhos de Boyd ficaram cativados por umas brilhantes cores lavanda e rosa no cais inferior se fixaram na mulher alta que vestia uma saia lavanda e uma blusa rosada. As mangas da blusa estavam arregaçadas. Era pleno verão e definitivamente um dia quente.
  4. 4. Mallory 09 4 Com a frente de seu braço, a mulher passou uma mão sobre sua face, expulsando o gorrinho de sua cabeça. Tinha o cabelo negro, mas ele já o tinha visto na longa trança que lhe caía por suas costas. Desejou que ela se virasse em lugar de simplesmente lhe dar uma vista de sua parte posterior, que não era nada desprezível. O gorrinho caiu a seu ombro, enganchou-se pelas fitas de seda atadas ao redor de seu pescoço, mas ela não se incomodou em acomodá-lo em sua cabeça porque estava fascinada no que fazia. Estava assombrado. Ela alimentava às gaivotas e a cada outra ave na área que notasse a comida que levava na cesta em seu braço. Não havia nada de mal nisso. Ele mesmo alimentava às aves e outros animais selvagens em algumas ocasiões. Mas o fazia em no de um mole cheio! Um bando de aves a rodeava, e continuavam chegando mais. Estava se tornando um estorvo. As pessoas tinham que passar seu bando. Alguns se detiveram brevemente a observá-la, felizmente, sem bloquear sua paisagem. Um carregador experimentou afugentar as aves para tirá-las de seu caminho, mas elas se aproximaram mais a sua benfeitora. O carregador lhe disse algo. Ela se virou e lhe sorriu. E Boyd ficou encantado pela vista frontal dela. Não era exatamente bonita. Mas para seus olhos era deliciosa. Jovem, provavelmente no início dos vinte. A pele ligeiramente bronzeada pelo sol do verão, um rosto esbelto, belo, e covinhas quando ela sorria. E tinha muito busto. Meu Deus, curvas essas que usualmente só apareciam em seus sonhos mais agradáveis! - Feche a boca, moço, está babando - observou Tyrus. - Talvez teremos que adiar nossa partida. Tyrus seguiu seu absorto olhar. - Demônios se o faremos, e, além disso, acredito que é um de nossos passageiros. Vi- a no convés mais cedo. Irei comprovar com Johnson se quiser. Ele registrou aos passageiros para esta viagem. - Por favor, faça isso - aceitou Boyd sem afastar a vista dela. - Se disser que sim, terei que beijá-lo. - Assegurar-me-ei de não lhe mencionar isso - comentou Tyrus, rindo-se enquanto se afastava. Boyd continuou observando a jovem, desfrutando da vista. Que ironia tão grande que acabasse de pensar na necessidade de encontrar uma esposa e aqui estava uma candidata perfeita. Era o destino? E demônios, ela tinha algumas curvas notavelmente deliciosas. Tinha que conhecê-la. Se não era uma passageira, então possivelmente teria que ficar e deixar que o "Oceanus" navegar sem ele. E se era uma passageira, tinha o pressentimento de que ia ser a viagem mais agradável de sua vida. Mas não desceria ao mole ainda. Junto com a excitação que sentia vinha um pouco de nervosismo. O que ocorreria se só era doce aos olhos? O que aconteceria se tivesse um mau temperamento? Meu Deus, isso seria muito cruel. Isso não poderia ser assim. Alguém que se tomava o tempo para alimentar às aves selvagens tinha que ter um pouco de compaixão. E a compaixão usualmente ia de mãos dadas com bondade e uma boa disposição. É óbvio que era assim, reconfortou-se a si mesmo. Condenação! Não esperaria acertar à primeira, não é verdade?
  5. 5. Mallory 09 5 Ela deixou de lançar comida às aves. Ele, também ouviu um som que chamou sua atenção a outro lugar. De sua posição no navio, pôde ver um pássaro ferido descansando sobre a parte superior de uma pilha alta de caixas de madeira. Tinha-o notado ali mais cedo, mas não percebera estava ferido ou ele teria descido para recolhê-lo e ver se Phillips, o médico de bordo, podia ajudá-lo antes de sua travessia. Boyd gostava dos animais, e sempre tentava ajudar aos necessitados. Quando menino, havia trazido para casa a cada animal perdido que encontrou, muitos para exasperação de sua mãe. Aparentemente esta jovem era de temperamento parecido, já que agora ia em busca do pássaro que emitia gorjeios de dor. Boyd acreditava que o pássaro causava revoo porque estava tratando de descer até a comida que ela pulverizava e não podia. Duvidava que a jovem pudesse ver o pássaro de sua localização no mole, mas ela já estava rodeando as caixas de madeira, buscando-o, até que finalmente ergueu o olhar. Boyd se apressou até os moles. Sabia que ela ia tentar subir por essas caixas de madeira para alcançar à ave, o que seria perigoso. As caixas de madeira estavam empilhadas a grande altura, pelo menos o dobro de sua altura, e em lugar de estar amarradas quando deveriam, estavam empilhadas em uma pirâmide, com as maiores ao fundo para que a pilha tivesse menos probabilidade de perder o equilíbrio. Boyd chegou muito tarde. Ela já subiu a terceira caixa de madeira, seus dedos colocados na beira, e tinha alcançado ao pássaro. Agora tentava persuadi-lo com rogos a entrar na cesta. Boyd controlou sua língua, assustado de que se dissesse algo, ela se distraísse e cairia. Pela mesma razão, não tentou subir e tirá-la bruscamente. Mas não estava disposto a deixar que se machucasse. Não se iria até que estivesse no chão, outra vez, sem nenhum ferimento. O pássaro, atraído com enganos pela comida da cesta, finalmente entrou nela. A jovem tinha conseguido subir com o cesto pendurado no braço, mas agora que a cesta tinha a um ocupante vivo, não ia ser tão fácil descer. Ela devia ter notado isso porque desceu o olhar para seus pés. - Não se mova - gritou Boyd. - Me dê um momento e tomarei essa cesta por você, então a ajudarei a descer. Ela voltou sua cabeça e olhou para baixo para ele. - Obrigada! - Respondeu ela, deslumbrando-o com seu sorriso. - Não tinha idéia de que isto ia ser muito mais difícil do que a princípio parecia. Ele usou um barril pequeno e vazio quando um ponto de apoio para alcançar o topo da primeira caixa de madeira. Não precisou ir um pouco mais alto para tomar a cesta das mãos dela, logo simplesmente saltou de retorno até deixá-la a um lado. Mas ela não esperou por sua ajuda. Ela baixava pela segunda caixa de madeira quando escorregou e veio abaixo. Boyd se moveu rapidamente e a apanhou entre seus braços. Seus olhos se abriram com surpresa. Também os dele. Que bênção tão inesperada. Ele parecia não poder mover-se. Baixou o olhar para as profundidades de uns escuros olhos verdes esmeralda. Meu Deus, seus olhos o tinham enganado. Era muito mais bonita de perto. E ao sustentá-la encolhida em seus braços dessa forma, com os dedos de uma
  6. 6. Mallory 09 6 mão tocando um de seus seios e o braço envolto ao redor de seu traseiro, seu corpo respondeu, e o único em que podia pensar era em beijá-la. Enervado por desejar a uma mulher de uma maneira tão intensa e rapidamente, desceu-a imediatamente. Longe dele. Ela endireitou sua saia de cor de lavanda antes de voltar o olhar para ele. - Muito obrigada, senhor. Isso foi aterrador. - Não foi nada. Com uma acolhedora inclinação de cabeça ela se apresentou. - Sou Katey Tyler. - Boyd Anderson. Possuo o "Oceanus". - De verdade? Bem, possuo uma das cabines nele, ao menos até que cheguemos a Inglaterra. - Ela sorriu abertamente. Meu Deus, essas adoráveis covinhas outra vez. Seu corpo não se acalmava. Estava surpreso de que inclusive fosse capaz de conversar, se a isso lhe pudesse chamar assim. Que diabos lhe tinha levado a mencionar que era o dono do navio? Ele nunca fizera isso! Cheirava a jactância ou tentar causar uma impressão muito boa. - É Katey diminutivo do Catherine? - perguntou ele. - Não, a minha mãe gostava das coisas simples. Disse que era melhor deixar de lado Catherine já que sabia que no final me ia chamar Katey, e me chamou dessa forma. Ele sorriu. Parecia-se com uma Katey de certa forma. As mangas enroladas, o cabelo recolhido em um penteado informal, escalando caixas de madeira no cais! Boyd teve um muito, mas muito forte sentimento de ter encontrado a sua futura esposa. - Levarei a ave - propôs Boyd. - Nosso doutor pode atendê-la. - Que idéia tão perfeita! Acho que quebrou a asa direita. Ia procurar a um moço que gostaria de cuidar dele. O sorriso de Boyd se fez mais marcado. Era bela e tinha um coração compassivo. -Não lhe posso dizer como estou contente, senhorita Katey Tyler, de que vá navegar conosco. Ela piscou com certa indecisão. - Obrigada. Você não pode imaginar quanto estive esperando com antecipação isto. Oh! De repente ela se foi correndo. Boyd deu a volta e a viu correndo para um menino que vagava pela beira do mole. Devia ter uns poucos anos. O menino se agachava temerariamente, olhando a água, e corria o perigo de cair. Mas agora estava em mãos da Katey que percorria com o olhar os arredores, provavelmente procurando os pais do menino, e em um instante ela entrou na multidão. Boyd começou a segui-la, mas desistiu de fazê-lo. Ela poderia pensar que estava muito ansioso. Tinha parecido alarmada quando expressou seu prazer de navegar com ela. Foi muito direto, possivelmente até incorreto? Bem, ele não estava exatamente acostumado às formas de cortejar. Mas estava seguro que podia ser tão encantador quando seu irmão Drew se se propunha. Depois dos muitos sarcasmos do Phillips a respeito de como desperdiçava suas habilidades médicas em um saboroso sanduíche, Boyd retornou ao convés. A rampa de
  7. 7. Mallory 09 7 abordagem do navio ainda não foi levantada; os últimos fornecimentos ainda estavam sendo carregados. E Katey Tyler estava a bordo. Seus olhos, e logo seus pés, dirigiram-se diretamente para ela. Estava em pé na amurada perto da rampa, e contemplava o povoado como ele fez mais cedo. Deteve-se logo atrás ela. - Reencontramo-nos. Ele a tinha sobressaltado, possivelmente com o tom rouco de sua voz. Ela se virou tão velozmente, que se chocou contra ele. Estava parado tão perto, cheirando o perfume a lilás de seu cabelo, que ela não pôde evitar a colisão. Ruborizou-se enquanto tentava afastar-se mas não pôde com o corrimão atrás dela. Resistente a perder o contato, Boyd retrocedeu um passo para lhe dar seu espaço. - Não provém de Bridgeport, não é verdade? - disse ele. - Como soube? - Porque sou de Bridgeport. Acredite-me, se você tivesse vivido aqui, eu teria retornado a casa mais frequentemente. Suas palavras e seu sorriso poderiam ter sido muito atrevidos porque estava obviamente sobressaltada. Ela desceu o olhar, então começou a voltar-se para o mole, mas alguma outra coisa atraiu sua atenção. - Quem teria pensado que seriam tão problemáticas. - Comentou uma jovem de cabelos cor cenoura enquanto se aproximava deles, segurando em cada mão a umas crianças de poucos anos. - Vamos ter que estar pendentes delas se as subirmos outra vez a coberta. Katey se inclinou e tomou a uma das meninas e o colocou em seu quadril, quem começou a brincar com seu cabelo. Boyd não podia distinguir se o nenê era um menino ou uma menina. - Não é uma má idéia, Grace. Nesta idade são muito curiosas - assinalou Katey. - Bem, aqui, dêem-me, pô-las-ei embaixo da coberta antes que naveguemos. - São seus? - perguntou Boyd logo que a outra mulher partiu com as duas meninas. Ele estava brincando, mas Katey lhe dirigiu um olhar carrancudo em seu bonito rosto. Então seus olhos se abriram e disse: - Sim! Na verdade, não me ocorreu mencioná-lo, mas estou casada e em caminho a me encontrar com meu marido na Inglaterra. Deveria ir e ajudar a minha criada. Esses dois podem ser uns diabos. Foi embora correndo. Boyd ficou aí parado, aniquilado. Tyrus se aproximou dele, golpeando ruidosamente uma mão em seu ombro. - Não é sempre o mesmo? As boas já estão casadas. Boyd negou com a cabeça e gemeu. Ia ser uma viagem longa. CAPÍTULO 1 Londres, Inglaterra, 1826
  8. 8. Mallory 09 8 A nota foi entregue por um menino desalinhado que ignorava que se encontrava na casa equivocada. O engano não era culpa dele. Não lhe tinham informado que em Londres existiam muitas casas que pertenciam aos Malory. Ele se dirigiu à primeira que lhe indicaram, agradado pelo fato de que logo teria umas quantas moedas em seu bolso. E tal como lhe instruíram foi correndo antes que Henry pudesse interrogá-lo. Henry e Artie, duas velhas e perebentas focas, compartilharam o trabalho de mordomo na casa do James Malory desde que deste se retirou de sua vida no mar e ambos se retiraram com ele. Mas recentemente James havia tornado por pouco tempo ao mar, para resgatar a seu cunhado Drew Anderson, que se tinha metido em uma embrulhada, quando - segundo um de seus tripulantes que tinha conseguido escapar-, piratas tinham capturado seu navio no porto londrino! Com ele a bordo! Henry e Artie tinham jogado uma moeda a cara ou coroa que para ver quem navegaria com o James para o resgate. Henry tinha perdido. Henry lançou a nota sem lê-la sobre uma montanha de cartas e convites que enviavam algumas pessoas que desconheciam que os Mallory deste ramo particular da família não estavam em sua residência. Um mordomo comum nunca teria deixado que a bandeja sobre a mesinha do vestíbulo transbordasse de convites e cartas. Mas nos oito anos desde que Henry e Artie compartilhavam o trabalho, nenhum deles tinha aprendido como ser um correto mordomo. Essa tarde quando Boyd Anderson retornou à casa Malory em Berkeley Square, encontrou a nota em sua bandeja, junto com algumas outras cartas que deslizaram da grande pilha junto a ela. Usualmente ele não tinha sua própria bandeja em casa de sua irmã Georgina, mas isso se devia a que usualmente suas visitas eram de uma ou duas semanas, nunca duravam várias semanas como esta visita. Nem tampouco era a primeira vez que o correio da Georgina se confundia com o seu. Apesar de pensar muito nisso em, Boyd ainda não tomava a decisão de instalar-se na Inglaterra. Mas essa não era a razão pela qual ainda estava ali. Não tinha retornado ao mar porque estava fazendo a sua irmã um favor. Embora Georgina se havia aparentado com a grande família Malory e a qualquer de seus numerosos parentes por afinidade teria dado muito gosto encarregar-se de suas crianças enquanto ela estava fora, a filha de sete anos da Georgina, Jacqueline, negou-se a unir-se a seus jovens irmãos gêmeos na casa de campo de sua prima Lady Regina Éden, porque não queria estar longe de sua melhor amiga e prima, Judith. Os outros Mallory em Londres poderiam ter cuidado dela, mas já que Boyd se hospedava em sua casa londrina, Georgina lhe pedira que vigiasse ao Jacqueline até que retornasse da navegação. Teria preferido acompanhá-los no resgate. Isso teria sido algo muito bom com o que incomodar a seu irmão Drew. Mas ele, em realidade, fez a Georgina outro favor, ao não continuar insistindo em ir, já que seu marido não se dava bem com nenhum de seus irmãos, incluindo a ele. Esse homem nem sequer se dava bem com seus próprios irmãos. E não havia forma de que ele e James Malory não se enfrentassem a golpes se terminassem juntos em um navio. Além disso, o olhar na cara de James quando Boyd tinha sugerido os acompanhar, Boyd estava contente de ter uma desculpa para ficar depois de tudo.
  9. 9. Mallory 09 9 - Todos sabemos, onde Jack preferiria ficar. - havia Georgina comentado. - Salvo que Roslynn sugeriu que poderia estar grávida outra vez, pelo que neste momento necessita paz e tranquilidade em seu lar, o que não seria o caso com o Judy e Jack em casa. Quando estiver preparado para navegar será o suficientemente oportuno deixá-la ali. Roslynn Malory acabou não estando grávida. Boyd terminou não navegando quando esperava. E Jack, quando seu pai a tinha renomado em seu nascimento, era suficientemente feliz onde estava, já que conseguia visitar sua prima Judith com tanta frequência quando gostava. De qualquer maneira, Boyd não estava exatamente preocupado por Drew. Georgina se tinha preocupado bastante por todos eles. Mas Boyd conhecia muito bem a seu irmão e não tinha dúvida que sairia bem sem importar o problema no qual se envolvera, muito antes que Georgina e seu marido chegassem para ajudá-lo. Demônios, considerando quanto tempo estavam fora, começava a suspeitar que nem sequer tinham conseguido alcançar o navio do Drew! Georgina não esperara que Boyd ficasse tanto tempo em Londres. Ninguém, nem sequer ele mesmo o esperara. Mas quando seu navio, o "Oceanus", retornou de sua curta travessia, em lugar de partir com ele, enviou-o fora outra vez. E pensou muito mais em deixar de navegar para sempre. O negócio familiar dos Anderson, a naval Skylark, agora contava também com um escritório em Londres. Embora sua família tivesse evitado a Inglaterra por longos anos devido à velha guerra e o rancor que tinha surgido dela, estavam outra vez firmemente arraigados no comércio com os ingleses. De fato, agora que a Inglaterra era a central para todas suas rotas recém adquiridas, o escritório londrino tinha crescido grandemente nos últimos oito anos. Boyd não podia imaginar-se assumindo o controle dela. Ficar na Inglaterra? Deus, por que não o fez ainda? Porque por estranho que parecesse, amava o mar. E odiava o que lhe fez. Georgina o tinha iniciado na sociedade londrina mais de uma vez em suas visitas. Inclusive tinha um armário com um guarda-roupa mais apropriado para um cavalheiro na casa dela, especialmente para suas estadias londrinas, já que os ingleses vestiam com um pingo de elegância extra a dos marinheiros! Não levava as gravatas com excessivos vincados ou os punhos de camisa em forma de laço como alguns faziam. De fato, seguiu o exemplo de seu cunhado James,… camisa de boa feitura, e o pescoço aberto. E tinha algumas jaquetas de veludo com as quais vestir-se - para os acontecimentos sociais de noite. Em sua longa visita tinha recebido convites para bailes e soirées dos conhecidos da Georgina que sabiam que ainda estava na cidade, e ocasionalmente os aceitou. Não procurava desesperadamente uma esposa, mas se a mulher correta aparecesse, esse seria o incentivo para assentar-se. Ele tinha pensado que já a encontrou. Katey Tyler teria sido a mulher perfeita para ele se ela não estivesse já casada! Deus, como a deixou penetrar em sua mente uma vez mais? A primeira vez que acontecera, levou dias e uma boa rajada de bebida para poder tirá-la de novo. Mas só por pouco tempo. Ela rondava em seus pensamentos a maior parte do tempo. Sabendo que não podia tê-la devido a já ter um marido o fazia desejá-la até mais! Não podia deixar claro
  10. 10. Mallory 09 10 o que havia em Katey Tyler que o fez retorcer-se durante a viagem. Tendo em conta que não era o tipo de mulher que cativava seus olhos. Em primeiro lugar era muito alta, de fato era algumas polegadas menor que ele. Ele preferia sentir-se alto no referente a suas mulheres, e a senhora Tyler não o fez sentir-se assim quando paravam frente a frente. Mas isso não tinha importância. Um olhar a suas exuberantes e abundantes curvas e nada mais tinha importância. Ela poderia falar muito sobre nada em especial. Isso era uma façanha notável. Até mais notável, ele não o tinha achado nada incômodo! Suas covinhas frequentemente faziam parecer que estava sorrindo mesmo que não o fizesse. E ela se contradizia muito, o que podia ser realmente confuso, mas ele em realidade achou isso muito cativante. Fazia ela parecer fascinantemente distraída. Seu nariz era magro, quase fino, suas sobrancelhas bem finas, sua boca... não podia pensar em sua boca sem se desesperar. Nenhuma mulher o tinha afetado tanto como esta antes, ou permaneceu em seus pensamentos por tanto tempo. Entretanto, Gabrielle Brooks tinha capturado seu interesse. Que alívio foi, saber que não era um caso perdido depois de tudo! Ela podia ter banido Katey de sua mente, bem, essa foi originalmente sua esperança. Gabby tinha chegado a Londres quase ao mesmo tempo que ele e se convertera em hóspede da Georgina e James porque seu pai, um velho amigo do James, tinha-lhe pedido que a patrocinassem para a temporada. Uma coisa bonita, Gabby poderia ter feito que seus pensamentos se voltassem para matrimônio se Drew não se tivesse fixado nela. Não é que seu despreocupado irmão tivesse a intenção de colocar os grilhões, como o fez o inglês. Mas também Gabby parecia fascinada com o Drew, assim é que Boyd deixo de pensar nela quando sua possível esposa. Além disso, era a filha de um pirata, como resultou ser ela também, e Boyd teria dado muito trabalho deixar passar esse simples fato. Os piratas eram os Nêmeses dos marinheiros honestos. Ele percorreu com o olhar os dois convites em sua bandeja que de fato estavam dirigidos a ele e cuidadosamente afastou os outros quatro que estavam dirigidos a sua irmã. Abriu a nota dobrada porque não sabia para quem ia dirigida. Teve que lê-la duas vezes antes de entender o que significava. E então subiu as escadas gritando o nome de sua sobrinha. Quando encontrou Jacqueline em seu quarto, a cor voltou para suas faces e seu coração lentamente retornou a sua pulsação normal. Ele leu a nota outra vez. "Tenho a sua filha. Comece a reunir sua fortuna se quer recuperá-la. Informarei o lugar de entrega". Boyd guardou de um golpe a nota em seu bolso, decidindo que obviamente foi entregue à casa equivocada. Perguntou-se se algum dos vizinhos da Georgina tinha filhas. Não sabia, mas ele teria que levar essa nota às autoridades. - O que se passa, tio? Percorrendo com o olhar a expressão desolada do Jack, Boyd respondeu: - Poderia lhe perguntar o mesmo. Ela começou a encolher os ombros, mas então suspirou e disse: - Judy monta seu primeiro cavalo hoje em Hyde Park. Não um pônei, o tio Tony
  11. 11. Mallory 09 11 comprou a ela um autêntico cavalo. - E não foi convidada a observar? - adivinhou ele. - Sim, mas achei que só o tio Tony deveria compartilhar isso com ela. Esteve esperando isso com expectativa. Boyd conseguiu reprimir um sorriso. Sua sobrinha tinha só sete anos, mas algumas vezes o assombrava com seu profundo entendimento e sua consideração para com outros. Obviamente desejava estar no parque observando a sua melhor amiga montar seu primeiro autêntico cavalo, mas em lugar disso teve em conta os sentimentos do pai da menina. Boyd estava informado da excursão e tinha temido que Jack se sentisse ignorada. De fato tinha considerado comprar para ela também um cavalo, mas então percebeu que sua irmã poderia ter um ataque se o fizesse. Embora foi a provável reação do James o que lhe fez desistir da idéia. Se Sir Anthony estava esperando com expectativa ver a excitação de sua filha ao montá-la em seu primeiro cavalo, James provavelmente o esperava com a mesma emoção. - Além disso - acrescentou Jacqueline. - Judy vem de visita esta noite para passar o fim de semana, assim escutarei... Ela não terminou a frase porque Henry entrou precipitado e completamente sem fôlego, como se tivesse subido correndo as escadas tal como Boyd o fez. Sem dizer o que havia lhe trazido acima com tal pressa, deu uma olhada à menina da casa e logo indicou a Boyd de que saísse ao corredor. Henry sabia que as crianças pequenas tinham orelhas grandes, e esta era uma coisa em que devia estar absolutamente seguro de que Jack não escutasse sem intenção. - Um mensageiro acaba de vir de parte de Sir Anthony - sussurrou Henry urgentemente na orelha de Boyd. - Pediu que cada homem da casa vá e o ajude a procurar a sua filha, ela desapareceu no parque. - Por todos os infernos - disse Boyd, e acompanhou Henry escada abaixo antes de mostrar ao lobo do mar a nota. Agora tinha sentido. A nota não foi entregue à casa equivocada nessa rua, simplesmente na casa Malory equivocada, o que era frequente com oito diferentes residências Malory na cidade. - Não vai ser necessário fazer uma busca - disse Boyd com desagrado. - Mas preciso levar esta nota a Sir Anthony imediatamente. - Demônios, o capitão ficará furioso por não ter podido estar aqui para ajudar. Boyd não duvidou que o capitão ao que Henry se referia era James Malory. Os dois irmãos mais novos Malory eram muito próximos, tal como Boyd era próximo ao Drew e Georgina, sendo eles os três últimos em nascer em sua família. - Nesse caso terei que representá-lo - disse Boyd saindo precipitadamente da casa. CAPÍTULO 2
  12. 12. Mallory 09 12 A viagem em carruagem foi aterradora. Era uma velha carruagem e os assentos nem sequer tinham estofamento. Possivelmente o tivessem quando a carruagem era nova, mas faz quantos séculos depois disso? Ambas as janelas estavam abertas aos elementos. Qualquer vidro que poderia ter estado ali fazia muito tempo que se havia quebrado e retirado. Um simples tecido foi cravada com tachinhas sobre cada abertura para ao menos impedir que entrasse o vento, assim como também deixava fora a maior parte da luz do dia. Ao menos não havia probabilidade de congelar-se já que estavam a princípios de outubro. Judith estava agradecida por ter uma coisa menos a que temer. Ainda assim não tinha chorado. Seguia dizendo-se a si mesma que era uma Malory e os Mallory eram feitos de uma matéria mais forte. E, além disso, seus olhos lhe arderiam se chorasse. Sabia que o fariam. E suas mãos estavam atadas assim não poderia enxugar as lágrimas. Mas era difícil retê-las e não derramá-las. O que começou como um dia emocionante se convertera em um pesadelo dos que nunca tinha imaginado. Estava alardeando no parque. Não queria que seu pai se preocupasse de que o cavalo que lhe tinha comprado fosse muito grande para ela, ou que ela não pudesse manipulá-lo corretamente. Era uma formosa égua, um cavalo magro de só dois pés mais alto que seu pônei. E tinha bom balanço no assento. Seu pai lhe tinha comprado uma sela normal, não uma sela de mulher, e lhe havia dito que faltavam a ela alguns anos mais em frente antes de que precisasse aprender a montar como uma dama. Ela só queria ver com quanta rapidez correria a égua e lhe provar que não precisava preocupar-se com ela. Mas seu breve recurso a tinha levado por uma curva no caminho, longe donde seu pai tinha estado parado observando-a e fora de sua vista. Já tinha reduzido a velocidade da égua para dobrar e retornar quando foi arrancado bruscamente dela. A égua recebeu umas palmadas e se afastou com velocidade, e Judith foi arrastada através da grossa folhagem ao lado do caminho com uma mão sobre sua boca para evitar que gritasse. E além disso uma voz a tinha ameaçado: - Faz qualquer ruído, e lhe cortarei a garganta e jogarei seu cadáver aos arbustos. Não fez nenhum ruído. Pelo contrário se desmaiou. Quando despertou, suas mãos estavam atadas, seus pés estavam atados, e sua boca amordaçada. Cair do assento ao duro chão a tinha despertado. Não tentou levantar-se para retornar ao assento, não pensou que poderia arrumar-se e o medo tomou seu lugar. Sabia que a carruagem corria imprudentemente já que seu corpo pequeno era ricocheteado por todo o sujo piso. Aonde fosse que a estivessem levando, tinha a certeza de que nunca conseguiria chegar. A carruagem ia dar tombos e romper-se com ela dentro. Mas eventualmente parou sem contratempos e a porta se abriu. Imediatamente lhe arrojaram algo, uma capa ou uma manta que a cobriu, sem lhe dar nenhum tempo para ver quem estava ali. Foi envolta com a capa de tal forma que estava coberta até a mais mínima polegada antes que a arrastassem do piso pelos pés, logo o vento a golpeou enquanto a deixavam cair sobre um ombro ossudo para ser conduzida a alguma parte. Ainda não tinha visto quem a tinha raptado, mas a voz que a tinha ameaçado, um
  13. 13. Mallory 09 13 tanto rouca, tinha mostrado que era a de uma mulher. Mas isso não diminuiu o medo de Judith. Nesse momento ouvia sons, muitos, e vozes, até um pouco de risada. E o aroma de comida era forte, fazendo que se desse conta de como estava faminta. Mas Judith mais tarde compreendeu que se desvanecera, como se já tivessem passado um portão ou uma cozinha ou um refeitório e estes ficassem atrás. Não podia ver nada através da capa, mas podia deduzir que a levavam escada acima. A pessoa que a conduzia começou a respirar mais pesadamente pelo excessivo esforço. Uma porta foi aberta. Chiou. E só então a colocaram em algo suave. Uma cama? Não lhe tiraram a capa. Tentou rebolar para tirá-la e assim poder ver outra vez. - Para com isso. - Grunhiu-lhe uma voz. - Fica quieta, calada, e não sairá ferida. Ficou quieta. E já estava em silêncio. E a porta voltou a abrir-se, mas não a deixaram sozinha. Alguém mais tinha chegado. - Pensei que fosse você quem se movia às escondidas até o quarto da taverna. -Disse um homem com um tom acusador. - Onde demônios esteve, mulher? Quando me arrastou até aqui para visitar sua tia, não disse que desapareceria por um dia inteiro. Despertei para saber que saíra esta manhã. O que devia pensar, né? Ele se tinha aproximado da cama enquanto falava, mas retrocedeu logo ofegando e virou para grunhir à mulher. - O que é isso? - Essa é sua fortuna. - Disse ela com uma risada abafada. Arrebataram-lhe a capa. A luz do abajur no quarto a cegou por um momento, mas logo que seus olhos se adaptaram, Judith ficou olhando com olhos muito abertos a um homem alto de olhos celestes e brilhante cabelo de cor cenoura. Não era nem feio nem de aparência agradável. Estava vestido decentemente, também, como a maioria da classe abastada. E observou que seu rosto se tornava pálido enquanto ficava olhando com o olhar fixo. Estava assustada, mas por alguma razão o homem parecia estar ainda mais assustado que ela. Ele voltou sua expressão horrorizada para a mulher. - Seu cabelo? Seus olhos? - Ele se engasgou. - Achou que não reconheceria a quem pertence? - Achou que trataria de escondê-lo? - Perdeu a cabeça, não há outra desculpa. - exclamou ele. - Olhe este nariz torto. Acreditava que nasci com ele? Olhe estas cicatrizes em meu rosto! Sabe quantos ossos de meu corpo quebrou esse homem? Tenho sorte de estar com vida depois da surra que me deu, e você rouba a sua filha? Como pôde fazer isto? Por quê? - Cada vez que toma umas doses tenho que escutar você choramingar sobre a fortuna que devia ter sido tua. Bem, deveria estar contente de que finalmente estou de acordo com você. Tem meu apoio, deve ser tua, nunca deveria ter ido à mãos de uma tola jovenzinha, depois de casar-se em uma família rica. Assim volta para casa onde pertence, a nós. Geordie Cameron negou com a cabeça incredulamente. Ele realmente nunca tinha lamentado casar-se com essa mulher até agora. Tinha-a contratado para fazê-la
  14. 14. Mallory 09 14 administrar sua primeira loja em Edimburgo, já que ele ignorava tudo sobre o funcionamento de uma loja. Tinha terminado sucumbindo a seus flertes e lhe pedira que se casasse com ele. Era de classe baixa, mas naquele momento de sua vida não se importou. Ele poderia ter feito algo como isso naquele tempo. Em realidade, tinha tentado obrigar à mãe dessa menina a casar-se com ele. No final, Roslynn o fizera mudar de parecer com sua generosidade. - O que um homem diz quando está como um gambá, não é usualmente o que pensa quando está sóbrio. Renunciei a essa fortuna faz anos. Meu tio avô tinha todo o direito de dar a quem quisesse, e minha prima era seu parente mais próximo, assim que a deu a ela. Ele nunca me teria dado uma parte , me odiando como o fazia. - Ainda assim, dever-te-ia... - Cale-se, mulher, e me escute. Estou lhe dizendo isso porque perdeu a cabeça. Minha prima Roslynn me deu o meio para abrir nossas lojas. Deu-me dez mil libras, as quais foram deslizadas em minha valise sem que eu soubesse, sem esperar um agradecimento por isso. Foi o suficiente para abrir três de nossas lojas, e nos mantiveram bastante bem. Não somos ricos, mas tampouco nos falta o dinheiro. E assim é como a recompensamos? - E acha que perdi a cabeça quando acaba de dizer à moça quem sou? - Você o fez no momento que mencionou essa maldita fortuna em relação a sua mãe. Ela resfolegou, e logo murmurou: - Tomei certas precauções para esconder aonde estamos. Até roubei uma velha carruagem esta manhã antes de sair para Londres, só em caso de que pudessem notar que partia precipitadamente. Mas ninguém me viu. Foi tudo muito fácil. Tinha o plano de entrar em sua casa, mas enquanto vigiava, a moça bonita saiu com seu pai. Assim pelo contrário, segui-os ao parque, um lugar muito melhor para um ataque, pensei, até que me dava conta de que o homem não permitia que se separasse de sua vista. Estava a ponto de partir quando ela caiu em minhas mãos. - Não me interessa como o fez, quero escutar quando o desfará. Levará ela de volta. - Não. - Respondeu ela rotundamente. - Já é muito tarde para isso. Antes de abandonar Londres, fiz os preparativos para que a nota seja entregue esta noite, comunicando aonde deveriam levar o resgate. A estas horas já a terão recebido. - Mas então lhe sorriu. - É a melhor coisa que alguma vez me tenha ocorrido, homem, não há quem o negue. E agora lhe estou pagando isso nos fazendo mais ricos do que umas quantas lojas poderiam fazer. Então o que importa se tivermos que partir do país por isso? - Acrescentou ela com indiferença. - Esse é um pequeno preço que pagar por uma fortuna. Consulta-o com o travesseiro. Verá que estou certa de manhã. Então levantou nos braços à menina e a colocou no piso, na esquina do quarto para que assim pudessem recuperar sua cama. Geordie imediatamente agarrou dois travesseiros da cama assim como também a manta e as pôs ao redor da menina para pô-la mais cômoda. Sua esposa riu dele. Ele apertou os dentes, esperando que o sono de uma noite lhe fizesse ver o engano que ela tolamente tinha cometido. Não gostou de pensar na possibilidade de enviar a prisão a sua esposa para salvar a vida a ambos. Pois não tinha nenhuma dúvida que o que ela tinha começado ia ser a causa de suas mortes nas mãos de
  15. 15. Mallory 09 15 Anthony Malory, se a moça não era devolvida imediatamente. - Por favor, por favor, diga a seu pai que eu não tive nada que ver com isto. - Sussurrou à menina enquanto a cobria gentilmente. - Não foi minha idéia, juro. - O que é o que estas murmurando? - exigiu sua esposa. - Nada, querida. CAPÍTULO 3 Um miado despertou Katey Tyler pela segunda vez nessa noite. Um gato? Um bebê? Era difícil de determinar exatamente o que fazia esse ruído, mas era muito irritante, e parecia vir do quarto diretamente junto ao dela. Sua cama limitava com a parede que dividia os quartos, por um momento considerou o tentar mover a cama e afastá-la o mais possível da fonte do ruído, mas era uma cama grande e não acreditava poder movê-la sem despertar a todos outros no andar. Tinham atracado a essa estalagem nos subúrbios do Northampton muito tarde na noite anterior. Não estava muito cheio assim é que Katey podia alugar também um quarto para sua camareira, Grace. Agora desejava que esse não tivesse sido o caso, porque se Grace estivesse ali, juntas teriam podido mover a cama. O melhor a fazer, seria levantar-se e ir investigar o som. Depois de tudo, não havia Katey vindo à Inglaterra para ter aventuras? Bem, não exatamente a Inglaterra, já que era meramente a primeira parada em sua volta ao mundo. Mas o objetivo de sua viagem era ver e fazer coisas novas e pôr alguma excitação em sua vida. Aventura, excitação, talvez até um pouco de romance se tivesse sorte. Do último tinha obtido mais do esperado em sua travessia no "Oceanus" da América do Norte a Inglaterra, ou o teria tido se ela não tivesse entrado em pânico e se apresentasse com uma identidade que não era realmente a sua para assim evitar o avanço dos homens ao fazer-se passar por uma mulher casada. Ela acabava de iniciar sua grandiosa excursão e não queria que terminasse imediatamente por sua atração pelo primeiro homem de aparência agradável com o que se encontrasse. E essa foi uma possibilidade muito forte ao conhecer Boyd Anderson. Quando ele a tinha segurado em seus braços ali no mole em Bridgeport, Connecticut, salvando a de uma desagradável queda das caixas de madeira sobre as que subiu, havia-se sentido tremendamente sobressaltada. Mas quando lhe sorriu! Meu Deus, havia-se sentido tão estranha por dentro que se assustou, pelo que se alegrou de encontrar a primeira desculpa para afastar-se correndo. E ainda não se acalmara desse encontro, quando um pouco mais tarde ele se aproximou dela na coberta de seu navio. O que sabia ela a respeito dos homens, depois de tudo? Ter três propostas de matrimônio de homens mais velhos em seu povoado não a tinham preparado para alguém como Boyd Anderson. Mesmo que tivesse a um moço de dezesseis anos de idade saindo em perseguição de sua carruagem quando deixava Danbury com sua mãe, não lhe tinha gerado mais sentimentos que diversão. O menino a
  16. 16. Mallory 09 16 tinha seguido por toda parte durante sua breve viagem de compras à cidade, mas não havia dito uma só palavra até que o deixaram. Nesse instante gritou atrás dela que ele seria um bom marido! Então, só tinha doze anos de idade e não fez mais que rir bobamente enquanto sua mãe revirava os olhos. Mas Boyd Anderson com seu cabelo encaracolado, de ouro e café, e esses olhos café escuro que tão facilmente a tinham fascinado, era o homem mais bonito que alguma vez tinha visto. E se ele não se aproximara dela outra vez no convés, tão pouco tempo depois de seu primeiro encontro, de que maneira tão diferente poderia ter-se desenvolvido sua viagem. Mas ele o fez. Mais ainda, aproximou-se tanto que a roçava, afligindo-a com sua masculinidade. E então aquele novo sorriso, tão sensual, roubou-lhe o fôlego e lhe produziu uma miríade de sensações novas tão instáveis que fez que entrasse em pânico. Assim não foi estranho, que se jogasse sobre a idéia que lhe desse,quando sua camareira se aproximou com os dois meninos que escoltavam a Inglaterra, e ele meio em brincadeira lhe perguntou se eram seus. Ele não se aproximou dela outra vez, assim fingir que estava casada tinha servido a seus propósitos. Tinha evitado que fizesse mais avanços. Mas, Oh, que excitante foi isso! Saber que se sentia atraído por ela, vê-lo em seus olhos, em sua expressão, cada vez que estava perto dela. Seu controle foi especialmente admirável porque ele teve a aparência de um paiol de pólvora de paixões! Pensar nisso não lhe permitiu voltar a adormecer, mas isso não era incomum. Ela lamentou ter entrado em pânico quando um homem de aparência tão agradável e masculina como Boyd tinha expresso interesse nela, mas por isso é que veio a essa viagem: pela aventura e a experiência. Na próxima vez que se encontrasse com as atenções de um homem de aparência agradável, saberia como dirigir a situação. O desagradável barulho se iniciou outra vez. Se estivesse em casa, imediatamente teria averiguado o que acontecia. Não podia suportar pensar em animais feridos, famintos, ou vítimas de abuso. Tinha açoitado ao agricultor Cantry por todo o povoado, uma vez, com a própria vara deste, logo que a tirou de sua mão quando o apanhou usando-a em seu cavalo. Os cervos comiam maçãs de sua mão, tinham tal confiança nela. E os gatos de seu vizinho deixavam regularmente ratos em seu alpendre como presente. Outra vez o som chegou até os ouvidos de Katey. Finalmente ela afastou os lençóis, vestiu o robe que deixou no pé da cama, e estava fora da porta antes até de havê-la assegurado. Estava a ponto de bater na porta do outro quarto mas se deteve bem a tempo. Realmente não queria despertar ninguém mais somente porque seu sono foi perturbado. Ela puxou seu cabelo muito negro debaixo do robe enquanto pensava o que fazer. Provavelmente era simplesmente um gato apanhado em um quarto vazio. Esta seria a segunda vez que lhe acontecia durante a viagem, se esse fosse o caso. Estava bem avançado o verão quando chegou a Inglaterra, agora era quase outono, e os donos de estalagens deixavam as janelas abertas, inclusive nos quartos vazios para mantê-los afrescos tanto como pudessem antes que o clima se tornasse muito frio. Assim, os gatos de rua encontravam seu caminho ao interior através dessas janelas abertas à procura de comida, e logo esqueciam como sair e causavam grande rebuliço por esse motivo. Experimentar se a porta estava aberta, dir-lhe-ia rapidamente se o quarto estava
  17. 17. Mallory 09 17 ocupado. Se estivesse trancada, teria que considerar descer a escada para queixar-se ao hospedeiro. Se se abrisse, o ruidoso gato provavelmente sairia correndo a toda pressa ao corredor, e seu problema estaria solucionado. A porta se abriu quando virou a maçaneta. Ela a empurrou o suficiente para que o gato saísse correndo, mas nenhum gato apareceu. Havia um resplendor laranja no quarto como um fogo extinguindo-se, ou um abajur baixo, o que indicou que o quarto estava ocupado por pessoas em vez de gatos perdidos. Ela fechou a porta silenciosamente, envergonhada por ter aberto a porta do quarto de alguém. Entretanto, não se moveu. O que tinha provocado o barulho? Um bebê? Essa foi sua outra idéia. Possivelmente os pais estavam tão acostumados ao som que não despertava. Mas ali estava outra vez, esse gemido, e estranhamente, soou mais desesperado agora. Só daria uma pequena olhada, disse-se a si mesmo enquanto reabria a porta e colocou a cabeça pela abertura para investigar o interior do quarto. Havia um abajur com uma chama tão exígua que poderia apagar-se de um momento a outro. Ali estava a cama, ocupada por um par de pessoas debaixo dos lençóis, roncando suavemente. Procurou velozmente uma cesta no chão que pudesse conter um bebê, e se o encontrasse, despertaria aos pais para que se encarregassem dele. Mas o que encontrou foi um par de grandes olhos que se cravavam nos seus, olhos que pareciam lhe suplicar, pertenciam a uma criança que estava amordaçada e sentada no chão em um canto do quarto. Não podia afirmar se era menino ou menina nem podia ver se suas mãos também estavam atadas já que uma manta as cobria, mas suspeitava que estavam, porque não fazia nenhum esforço para tirar a mordaça. O inteligente seria descer correndo as escadas para pedir ajuda. Mas Katey não se preocupou em ser sensata. Tinha que tirar a criança dali. Mais tarde se preocuparia sobre se tinha direito a interferir ou não. Uma visita ao magistrado local esclareceria isso, e se a criança fosse devolvida a seus pais, talvez o magistrado pudesse infundir o suficiente medo neles para evitar que maltratassem a seu filho outra vez. Esse mau trato a enfureceu e a levou diretamente através do quarto sem pensar nas duas pessoas dormindo na cama. Mas quando alcançou ao menino e tirou a manta, revelou o longo cabelo acobreado de uma menina, Katey viu que o mau trato era muito pior do que tinha pensado. Não só estava a garota presa de mãos e pés, mas sim uma longa tira de tecido também a assegurava ao lugar já que tinha um extremo preso ao redor de seu tornozelo e o outro atar ao redor de uma dos pés da cama. Por isso é que ela não tinha tentado rebolar ou rodar para sair dali. Katey rapidamente desatou a longa tira de tecido e recolheu à garota. Agora estava mais atenta às pessoas na cama que poderiam despertar de um momento a outro. Sussurrou um "Shh" à menina em caso que não compreendesse que a estavam resgatando e fizesse ruído outra vez, Katey andou na ponta dos pés fora do quarto e conseguiu fechar a porta atrás delas sem ter de deixar no chão à menina. Então correu para seu quarto, colocou à garota na única cadeira do quarto, rapidamente fechou sua porta, e acendeu um abajur, assim poderia ver o que estava fazendo antes de começar a soltar as cordas. As cordas eram tiras de tecido áspero, com nós que estavam muito apertados para
  18. 18. Mallory 09 18 soltar-se, pois aparentemente a menina se esforçara em soltar-se. Mas Katey viajava preparada para os contratempos menores e as emergências. Usualmente deixava os baús de roupa maiores atados em sua carruagem de aluguel se só fosse ficar por pouco tempo em um lugar, seu cocheiro passava a noite em seu interior para protegê-los. Por isso levava uma mala de mão com mudas de roupa interior, um vestido de viagem adicional, e uma pequena caixa de costura. Trouxe as pequenas tesouras da caixa de costura e cortou rapidamente as ataduras da menina. Mas uma vez libertada, a menina se dirigiu diretamente ao urinol do canto do quarto, tropeçou e tropeçou todo o caminho sem dúvida porque suas extremidades estavam intumescidas por estar presas por tanto tempo. Pobre menina! Não era estranho que tivesse emitido tais ruídos lastimosos. Katey se voltou de costas para dar à garota um momento de privacidade. Abriu a cesta do lanche que ela e Grace tinham começado a levar desde que tiveram que passar a noite com fome porque tinham atracado a uma estalagem muito tarde para jantar. - Tem fome? - perguntou ela enquanto tomava pão e cortava uma rodela de queijo. - Estou esfomeada. - Bem, venha se sentar aqui. Não é nenhum festim e está um pouco seco, mas... - Muito obrigada - interrompeu-a a menina, lhe arrebatando da mão o pão. - Se esperar um momento, preparar-lhe-ei um prato. - Não aguento a vontade - disse a garota com a boca cheia. - Realmente, isto está bem. Katey franziu o cenho. - Quando comeu por última vez? - Esta manhã. Ou foi ontem pela manhã? Não sei que horas são. Nem Katey. Podiam estar perto do amanhecer pelo que ela podia saber. Com as cortinas do quarto fechadas, não podia distingui-lo. Mas agora fixou um olhar horrorizado na moça. - Como puderam lhe fazer isto seus pais? Procedeu tão terrivelmente mal? - Meus pais nunca me tratariam assim - disse a garota, seu tom quase ofendido. Mas fez uma pausa quando viu um bolo na cesta e o agarrou antes de continuar, - se você se referir ao casal da outro quarto, nunca os tinha visto antes em minha vida. Katey achou isto altamente incerto e ia dizer isso mas controlou sua língua. A menina estava desesperadamente faminta, comendo tudo o que via. Foi amarrada e deixada no frio chão para dormir. Se os do lado eram seus pais, mereciam alguns tiros. - Então como chegou ali? A moça se sentou na cadeira junto à mesa e comeu com menos pressa. Katey via agora que era excepcionalmente bela. Seu cabelo de ouro solar estava com mechas de cobre, e embora estivesse despenteado, ainda estava limpo e brilhante. E seus olhos eram de um precioso tom azul sombrio. Tinha uma equimose em uma face. E embora o vestido de equitação em veludo rosado que tinha vestido estivesse sujo com pó e o que se parecia com uma teia de aranha enganchada à saia, não era uma roupa velha. O material tinha o brilho de um tecido novo, e se ajustava perfeitamente, pelo que devia ter sido feito especificamente para ela, o que queria dizer que devia ser rica.
  19. 19. Mallory 09 19 Nesse momento a doce voz da menina interrompeu seus pensamentos. - A mulher me desmontou de meu novo cavalo e disse que me cortaria a garganta e deixaria meu corpo nos arbustos se fizesse qualquer ruído. Não sei por que não lembro o que aconteceu depois disso, mas como despertei, estava amarrada no piso de uma velha carruagem de aluguel. E então me trouxeram a esse quarto. - Sequestraram-lhe! - Katey ficou sem fôlego. - A mulher o fez. O homem parece que é um parente de minha mãe, e lembro uma conversa a respeito de um primo que deu a ela uma boa quantidade de problemas antes que eu nascesse. Mas não foi sua idéia me trazer aqui. Ele quis me levar diretamente de volta a Londres. Parecia muito assustado de meu papai e do que lhe faria. Mas a mulher se recusou a deixar ir. Quer a fortuna que acreditam lhe darão por mim. E ela pareceu ter a palavra final. Katey começava a ter algumas dúvidas agora que sabia que havia um parente envolvido. Ele não teria deixado que a menina fosse seriamente ferida, não é? Não obstante, tinha a mantido amarrada e inclusive não a tinha alimentado! Ela percorreu com o olhar à menina outra vez, quem ainda enchia de comida sua boca, e suas dúvidas se desvaneceram. Como se atreveram a maltratar a esta menina! - Assegurar-me-ei pessoalmente que chegue a casa - prometeu Katey com um reconfortante sorriso. - Meu próximo destino é Londres. Sairemos logo ao amanhecer. - Por favor, poderíamos ir agora? - Interrompeu a menina, sua expressão se encheu de medo. - Não quero que me apanhem outra vez. Ouvi-os dizer que o ferrolho na porta estava quebrado, quando me amarraram à cama, assim é que saberão que alguém me tirou dali, que não o poderia fazer por mim mesma. - E procurarão nas cercanias - concluiu Katey com um assentimento. - Muito bem, sairemos agora. CAPÍTULO 4 A camareira de Katey, Grace Harford, resmungava a respeito de viajar pela estrada antes do amanhecer. Muito consciente do hábito da Katey de embelezar acontecimentos comuns com dramáticas histórias, não acreditou em nenhuma palavra da explicação da Katey de por que deixavam a estalagem tão antecipadamente, acompanhadas por uma garotinha. Acaso não tinham escoltado aos sobrinhos do vizinho da Katey até a Inglaterra? Não lhe pediu acaso, um hospedeiro em Escócia a Katey que escoltasse a seu jovem filho até sua mãe em Aberdeen ao escutar que ela se dirigia para lá? As pessoas olhavam a Katey Tyler com seus grandes olhos verdes, volumosas faces, e seu belo sorriso e instantaneamente confiavam nela, inclusive confiavam suas crianças. Judith Malory, como a garota se apresentou, era simplesmente outra criança que foi confiada aos cuidados da Katey para uma viagem, e era por isso, pelo que Grace estava preocupada. As pessoas tinham carinho por Katey logo que a conheciam, mas Katey não estava segura do por que. Nem sequer uma vez pensou que era porque fosse bonita. Sua mãe foi
  20. 20. Mallory 09 20 uma beleza com seu cabelo negro como o carvão e olhos verdes esmeraldas. Mas embora Katey se parecesse a ela, ninguém lhe deu muita importância à sua aparência enquanto crescia, assim que ela tampouco o fez. Em sua opinião, sua donzela com sua multidão de sardas e o cabelo vermelho encaracolado era mais atraente à vista. Katey era bastante alta com seus cinco pés e nove polegadas. Quando seu pai morreu, tinha dez anos de idade, e já era tão alta como ele, e cresceu ainda mais depois disso. Resultou ser cinco polegadas mais alta que sua mãe. Adeline tinha afirmado que Katey obteve sua estatura de seu lado da família, porque seu próprio pai foi muito alto. Agora Katey poucas vezes pensava em sua altura e só se sentia desconfortável quando estava perto de um homem mais baixo que ela, mas isso não ocorria frequentemente. O que a incomodava mais que sua altura eram suas curvas. Tinha ouvido os homens descrevê-la como uma fina e corpulenta fulana. Muitas vezes tinha apanhado aos homens cravando os olhos em seu amplo peito. Inclusive os anciões do povoado! Mas, além disso, Katey se tinha sentido a gosto no diminuto povoado de Gardener, era extrovertida e sempre estava disposta a dar uma mão se alguém o necessitasse. Até os desconhecidos se aproximavam dela. Podia estar em pé em meio de uma multidão de pessoas mas um estranho se aproximaria e pediria orientações a ela e ignoraria a outros, embora não muitos estranhos tivessem atravessado esse diminuto povoado. Mas o mesmo poderia dizer-se de seus vizinhos em Gardener. Frequentemente se aproximavam dela porque era acessível, amigável, e se não podia ajudar com algo, usualmente conhecia alguém que podia. E acrescentava um pouco de excitação a sua vidas com os contos que narrava. Katey não se surpreendia nem um pouco que Grace tivesse chegado à conclusão de que era simplesmente outra de suas histórias. Cinco anos mais velha que Katey - ela acabava de completar os vinte e dois anos-, Grace tinha chegado a viver com os Tylers dez anos atrás e se tornara insubstituível como camareira, governanta e amiga. Mas era teimosa em suas opiniões, assim Katey não tentou convencer a sua camareira do contrário. Simplesmente se recostou nos assentos da carruagem com destino a Londres, e sorriu para si mesma saboreando pela primeira vez a emocionante história que lhe tinha contado que era de fato verdadeira. Judith estava surpreendida, entretanto, e logo que a criada se afundou no assento à frente delas e voltou a dormir, a garota murmurou ao ouvido de Katey. - Por que não acreditou? - Não tem que sussurrar - respondeu Katey. - É das pessoas que dorme profundamente. Sacudindo-a é a única maneira em que a acorda. Nem sequer gritar serve. Mas sobre porque não me acreditou, bem, é um pouquinho complicado por minha própria história em sim. - Não estou cansada - disse Judith como a estimulando a contar a história. Katey sorriu abertamente à garota. - Muito bem, onde começar? Cresci no lugar mais aborrecido do que se possa imaginar. Não era um povoado em si, só uma vila. Não havia lojas além do armazém que minha família possuía. Não havia estalagem, nenhuma taverna. Tínhamos uma costureira, quem trabalhava em sua casa, e um agricultor que se interessara pela carpintaria e vendia
  21. 21. Mallory 09 21 móveis fora de seu celeiro. Oh, e tínhamos um açougueiro, embora ele não fosse em realidade um açougueiro, simplesmente um caçador que mantinha à fauna local fora do povoado. Judith, com os olhos muito abertos agora pelo interesse, perguntou: - Os animais vagavam pelas ruas? - Oh, sim. Não era tão perigoso como acha, embora há um ano, um alce destruiu ligeiramente a cerca da senhora Pellum. Provavelmente se tivesse ido pacificamente se ela não tivesse tentado persegui-lo com sua vassoura. Mas nenhum povoado poderia ser menor que Gardener. Se alguém necessitava de um doutor, ou um advogado, deviam seguir a estrada para chegar ao povoado do Danbury a vinte milhas de distância. Nenhuma nova família se mudou a nosso povoado em alguma ocasião, e os meninos se vão logo que são suficientemente maiores para fazê-lo. - Foi isso que você fez? -Bisbilhotou Judith. - Ir embora como os meninos quando eram crianças? - Não logo como teria gostado. Minha mãe estava ali, verdade, e nunca me ocorreu ir sem ela. Não tinha a ninguém mais senão a mim depois que meu pai morreu. Bem, tinha, mas sua família a tinha repudiado, assim já não contaram como família mais. - Por que fizeram isso? Katey encolheu os ombros. - Escutei-a dizer, que eram ricos aristocratas, com muita influencia na alta sociedade. Recusaram-se que se casasse com meu papai simplesmente porque era americano. Bem, possivelmente também porque era um comerciante. "Vivia do comércio" foi como o disse minha mãe. Aparentemente desaprovaram isso também. Judith não estava surpreendida. - É um tipo de esnobismo comum entre a classe abastada. Muitos deles olham por cima do ombro a quem se dedique ao comércio. - Fazem-no? Bem, isso soa como um terrível e estreito pensamento para mim. Se meu papai não tivesse sido dono da loja, nunca teria ido a Inglaterra em primeiro lugar, não teria conhecido a minha mãe, e como suporá, nunca teria nascido! Judith lhe deu um olhar que dizia claramente, "por favor não fale comigo como se fosse uma menina". Katey quase explodiu em risada. A "garotinha" realmente parecia maior que sua idade. - Devia abrir uma loja? -perguntou Judith depois. - Não, duvido que alguma vez tenha considerado essa idéia. Para sua informação, em casa tinha todos os fornecedores que necessitava para a loja no povoado próximo do Danbury, mas nunca vendeu nada interessante, só o que os agricultores locais necessitavam e produziam. Ele veio aqui a Inglaterra para ver se encontrava algo mais exótico que vender e encontrou a minha mãe em lugar disso. Assim é que ela fugiu com ele, queimou suas pontes se poderia dizer, e nunca mais voltou a ver sua família inglesa outra vez. - Pensei que reconhecia seu sotaque. - Judith lhe sorriu abertamente. - Agora tenho parentes americanos. Mas por que sua mãe não retornou a seu lar na Inglaterra quando seu pai morreu?
  22. 22. Mallory 09 22 Katey suspirou. Isso era o que sempre quis que fizesse sua mãe, tinha trazido à luz o assunto ao menos uma vez cada ano, nos últimos doze, desde que seu pai morreu, mas Adeline Tyler desprezava a sua família por lhe dar as costas, e se recusou redondamente a pôr outra vez os pés na Inglaterra. Além disso, assumiu o controle da loja e na verdade desfrutava do trabalho. Foi como mais uma bofetada no rosto para os Millards, seus parentes ingleses, que ela em pessoa estivesse no "comércio". Não é que sua família soube alguma vez disso, já que não se comunicava com nenhum deles, mas parecia que sentia uma silenciosa e oculta satisfação com a idéia. Para a curiosa menina sentada em frente a ela, Katey disse: - Quando a família de minha mãe a repudiou, ela mais ou menos os repudiou, também. E acredito que desprezava a Inglaterra por isso. Judith assentiu com a cabeça. - Mas o que tem tudo isto que ver com que sua criada duvidasse do que contou? Katey riu baixo. Tinha pensado que a menina se esquecera disso, mas como não era assim, Katey perguntou a ela. - Alguma vez esteve tão aborrecida de que cada dia passasse depois do outro, sem ter lembranças que valham a pena rememorar? - Nunca - respondeu Judith instantaneamente. - Então teve sorte, porque assim foi como transcorreu minha vida em Gardener. E não fui a única que despertava cada dia com nada mais que esperar com expectativa. Os aldeãos que ficavam eram todos anciões, e todos eles levavam uma vida sem contratempos. Parecia que isso não lhes importava, mas se algo excitante ocorria, certamente desfrutavam escutando sobre isso. Assim uma ou outra vez lhes dava algo excitante para escutar. - Mentia-lhes? Katey piscou. A menina não só era bela, era inteligente e muito perceptiva. E embora Katey nunca tivesse sonhado discutir coisas a respeito de si mesma com uma desconhecida, sentiu um vínculo incomum com a moça, provavelmente porque compartilharam a primeira e autêntica aventura da Katey em sua grandiosa viagem. - Caramba, nunca pensei nisso como em mentir. Meramente criei pequenos acréscimos, fortuitos, mais "reais" sobre coisas que presenciei. Por exemplo, quando notei o gato da senhora Cartley no alto de seu telhado, parecia como se o gato obstruiu aí, e estava muito assustado para descer. E como amo aos animais, não podia deixá-lo á em cima. Sabia que os Cartleys não estavam em casa porque foram visitar sua filha em Danbury aquela manhã e não retornariam em várias horas mais. Assim fui e escalei a grade da senhora Cartley para poder subir a seu telhado, mas quando consegui subir lá, o gato se fora! - Recuperou a coragem para saltar? - Não. - Katey riu baixo. - Desceu da mesma forma que "subiu", com uma escada! Esqueci-me de que o senhor Cartley estava reparando seu telhado desde inícios dessa semana. E deixou a escada apoiada contra a parte traseira de sua casa. A excitação se acabou, e a situação era muito insípida. Assim em lugar de mencionar isso à senhora Cartley mais tarde, disse-lhe que seu gato subiu em cima do nosso telhado, o qual é muito
  23. 23. Mallory 09 23 mais alto, por ser nossa casa de dois andares, e que minha criada arriscou a vida e suas extremidades para subir pelo velho carvalho junto a nossa casa para salvá-lo. Grace foi nomeada Heroína do Mês, o que não a importou nem um pouco, e deu a todos algo mais de que falar em lugar do clima. - Isso soa como meu primo Derek que assegurava que o peixe que apanhou neste verão tinha dois pés de comprimento, mas sua esposa nos disse mais tarde que era de só seis polegadas. Era mais interessante escutar que era um peixe gordo, mas foi certamente engraçado quando nos inteiramos que não era suficientemente grande para pegá-lo. Esse tipo de histórias são as que você conta? - Semelhante mas não exatamente. Para que compreenda, eu tinha mais ou menos sua idade quando comecei a me pôr "criativa" algumas vezes em descrever o que via ou para. Tive uma grande desilusão esse ano. Pensei que iria à escola em Danbury, onde finalmente poderia conhecer algumas outras crianças de minha idade, ainda que isso significava montar por horas a meu pônei, de ida e volta. Mas um velho professor se retirou a Gardener um ano antes, e minha mãe o convenceu de que me desse aulas em vez disso. Assim é que como vi um desconhecido roubando tomates da horta de minha mãe enquanto eu ajudava a fazer os pãezinhos para o jantar, limitei-me a observar, se ele estava tão faminto para roubar não era eu quem impediria mas como minha mãe retornou à cozinha, acreditava que me culparia pelos tomates perdidos, já que sabia que eu estava aborrecida por ficar em casa, assim é que lhe disse que afugentei a um ladrão com o pau de macarrão que estava usando. - Você ajudava na cozinha? -Comentou Judith. - Desejaria poder fazer isso, mas nosso cozinheiro só me dá um doce e me diz que vá. Katey se divertiu de que a menina estivesse mais interessada na cozinha que no ladrão. - Só tivemos uma criada, Grace - lembrou Katey, apontando com a cabeça para sua adormecida companheira. - Assim é que todos ajudávamos nas tarefas. - Na verdade sua mãe se daria conta que faltavam tomates? - perguntou Judith. - Oh, sim, sabia exatamente quantos tomates estavam em sua plantação e quantos exatamente estavam preparados para colher. Amava a sua horta. Eu, também, agora que penso nisso. Passei um bom número de horas com ela em nosso pátio traseiro. A menina não notou a melancolia que se abateu em Katey com essas lembranças. Meu Deus, tinha saudades de sua mãe. Foi um acidente tão estúpido o que levou sua vida no inverno passado, um mero escorregão em um pouquinho de gelo. Judith suspirou junto a ela. - Essa é outra coisa que não temos, legumes semeados em uma horta. Meu tio Jason tem montões de estufas em Haverston, e uma fazenda no campo, só para poder cultivar neles todo o ano. Pelo contrário, nós temos jardins em nossa casa na cidade, mas só têm flores. Cook compra toda nossa comida no mercado. Era estranho que uma menina visse suas tarefas com inveja, outra as poderia ver como um trabalho, e ainda outras pessoas as veriam como uma forma de romper a monotonia. - Assim é que mentiu a sua mãe? - disse a menina francamente.
  24. 24. Mallory 09 24 Katey se ruborizou, ao ouvir o desse modo. - Tive que lhe contar sobre o ladrão. Ele foi muito real. Somente não queria que soubesse que fiquei lá e não fiz nada para detê-lo. Mas isso causou tal comoção no povoado que os homens saíram a caçar a esse ladrão por dias inteiros. Dava-lhes algo do que falar por quase a metade do ano. Deveria ter visto como injetei "vida" neles, se souber o que quero dizer. Assim é que embora minha mãe me desse uma terrível reprimenda por arriscar a vida e me advertiu de que nunca mais fizesse outra vez uma coisa tão tola, aprendi alguma outra coisa desse incidente. Aprendi a remover o aborrecimento de nossas vidas, embora só por um momento. - Assim frequentemente embeleza os acontecimentos dos que é testemunha? - interrogou Judith. - Sim, costumo "criar" excitação como por arte de magia - disse Grace com um bocejo, enquanto se sentava direita em frente a elas. - Não frequentemente - disse Katey a sua criada. - O suficientemente frequentemente para me converter na heroína do povoado - resmungou Grace. - Desfrutou de ser a heroína... Outro motivo havia para que o povoado inteiro chorasse quando partia. E a mim meramente agitavam as mãos e me diziam adeus. Grace riu muito. - Muito bem, desfrutei dessa parte. - Não posso imaginar o que deve ser, não ter algo excitante com o que passar o tempo - comentou Judith. - Em minha família, sempre há algo interessante ocorrendo. Por exemplo, meu tio James e minha tia George partiram no mês passado para perseguir uns piratas. E ao final do verão meu primo Jeremy se casou com uma ladra que acabou sendo a filha perdida de uma baronesa. Katey piscou. Inclusive Grace a observava com a dúvida refletida em seus olhos, para logo dirigir um olhar a Katey que lhe dizia: " Tão rápido adquiriu seus maus hábitos esta jovenzinha?" E de fato soava como se a menina estivesse embelezando sua história. Katey estava a ponto de rir, mas então Judith acrescentou: - Veio aqui para conhecer seus parentes ingleses? Katey ainda não estava certa. Esse era um assunto do qual não queria discutir. Teve toda a intenção de fazê-lo durante a viagem e o esperara com emoção. E quando chegaram a Inglaterra, dirigiu-se imediatamente ao Havers, o qual, segundo sua mãe, era o povoado mais próximo à fazenda familiar dos Millard em Gloucestershire. Mas uma vez ali, abruptamente mudou de idéia. -Fez isso - respondeu Grace à garota, - mas não teve a coragem para bater a sua porta e nos dirigimos a Escócia em lugar disso. - Não é a causa de que tenhamos vindo - refutou Katey, incomodada pela franqueza de sua criada. - Simplesmente era algo que devíamos fazer enquanto estávamos aqui, e agora é algo que podemos fazer em outra ocasião ou possivelmente nunca. Provavelmente nem sequer sabem que existo. Além disso, já tínhamos planejado ir de excursão a Escócia. - Como pode não desejar conhecer sua família? - perguntou Judith assombrada. - Repudiaram a minha mãe. Nunca pude entender como se desentenderam de tudo
  25. 25. Mallory 09 25 com sua própria filha. Foi algo muito cruel, e não estou segura de querer estreitar uma relação com pessoas como essas. Judith assentiu com a cabeça, mas Grace dirigiu seu olhar fora da janela, e repentinamente disse: - Talvez devesse se animar um pouco. Há um condutor imprudente que vem baixando pela estrada, e o senhor Davis não percebeu, talvez ele não seja capaz de mover- se a tempo para evitar uma colisão. Judith olhou com cuidado fora da janela e empalideceu. - É ela! A mulher que me raptou está conduzindo essa carruagem. - Então, a história da Katey era certa? - exclamou Grace, percorrendo com o olhar da Katey a Judith. - Sim, era - respondeu Katey. - Bem, tal parece ser que diminui a velocidade - comentou Grace, vigiando a carruagem que se aproximava. - Acredito que quer falar conosco. Katey apertou os lábios. -Também eu gostaria de falar com ela, mas terei que me privar de lhe dizer o que penso. É mais importante que a levemos a casa com sua família. - Então Katey se dirigiu à menina e lhe disse: - Se agache assim não poderá vê-la se tratar de olhar pela janela. E não se preocupe. Não deixaremos que se aproxime outra vez de você. CAPÍTULO 5 Boyd nunca tinha visto sir Anthony Malory tão contrariado como o esteve no dia anterior em Hyde Park. Quando Boyd o encontrou, o homem estava fora de si pela preocupação. Mas o esperava porque alguns dos criados do Anthony com quem se cruzara lhe haviam dito quão angustiado estava o homem. Tinham encontrado o cavalo de sua filha no outro lado do parque e temiam que estivesse atirada em alguma parte entre os arbustos, ferida ou morta. Malory nem sequer deu uma oportunidade a Boyd para lhe dizer que tinha notícias. Virtualmente o arrancou fora de sua sela quando este se dirigiu a ele, ergueu-o sobre seus pés pelas lapelas da jaqueta e o sacudiu. Malory era quase seis polegadas mais alto que Boyd, pelo que era muito capaz de fazer isso. - Onde estão os homens que se supunha que traria? - Tinha gritado Anthony a Boyd. - Sei infelizmente bem que meu irmão tem pelo menos meia dúzia de lacaios em sua casa. Normalmente Boyd não permitiria que o maltratassem dessa forma e já estaria nesse momento dando uns quantos murros. Era um mau hábito que havia desenvolvido como o mais jovem de cinco irmãos, era raro conseguir triunfar sobre eles a menos que usasse os punhos. Mas na verdade sentia por este homem, sabia o que era temer por um membro da família. James, o irmão do Anthony foi o responsável pela preocupação de Boyd pela Georgina. Tinha lhe perdoado faz tempo. Quase.
  26. 26. Mallory 09 26 Só porque compreendia o que o homem estava passando, Boyd não tentou explicar nada a Anthony, simplesmente pôs a nota em sua cara. Procurou não cair a terra quando Anthony o soltou abruptamente. Logo observou cautelosamente como Anthony lia a nota. De repente Anthony parou de gritar, e uma calma estranha desceu sobre ele. Bem, não tão estranha. Enquanto que a maioria dos Andersons gritavam com força quando estavam zangados, os Mallory tendiam a reagir de forma contrária. Quando estavam calmos era o momento de preocupar-se. - Dinheiro? - Havia dito Anthony, enquanto relia a nota. - Assustam a minha filha e quase me levam a loucura por dinheiro? Podem ter todo o maldito dinheiro que queiram, mas em troca terei suas peles. Essa foi a primeira reação do Anthony à nota. Mas isso foi ontem. Levou o resto do dia para conseguir que sua esposa deixasse de chorar com a convicção que Judith estaria bem, agora que sabiam que não caíra de seu cavalo ou que estava gravemente ferida. Mas enquanto isso era terrível esperar a chegada da próxima comunicação dos raptores, e Boyd escolheu esperá-la na casa do Anthony. Boyd lhes tinha explicado: - É por minha sobrinha, Jacqueline, não quero que saiba nada até que sua filha esteja segura em casa, e em lugar de lhe mentir, preferiria evitá-la. Se não for um aborrecimento para vocês ficarei esta noite. Então Anthony já estava a caminho da loucura, porque era sua maneira de enfrentar a espera. Saltou o jantar pois não podia pensar em comida. Tampouco podia Boyd, e como várias garrafas mais foram entregues ao salão, tomou uma para ele. Nunca encontrou seu caminho para uma cama. Deitou-se em um dos numerosos sofás no salão de Sir Anthony. Na manhã seguinte, vozes o despertaram de um agradável sono sobre ela. Sonhar era o único momento em que seus pensamentos sobre a Katey Tyler eram agradáveis, e deste sonho era suave em lugar de apaixonado. Ele estava em um campo de margaridas perto de sua casa em Connecticut. Encontrou um cervo ferido ali uma vez. Agora em seu sonho era uma gaivota o que encontrou, ele sempre associaria a essa ave com a Katey. E ele se agachou para examiná-la quando a viu aproximar-se devagar, vestida de rosa e lavanda, o sol brilhava ao redor dela. Ela tinha um coelhinho pequeno na curva de um braço e um esquilo apoiado no ombro. Os esquilos poderiam ser selvagens, mas ele soube que esta não a feriria. Sua compaixão para com os animais foi a primeira coisa sobre ela que lhe havia tocado o coração. Seus sonhos revoaram de uma cena a outra sem ritmo nem razão, e agora eles estavam repousando lado a lado nesse campo, segurando as mãos. Uma paz profunda o encheu porque ela era sua, não importava quão brevemente. Apoiou-se contra ele. Com o sol atrás dela mal podia ver seu rosto, mas ele sentia seus suaves lábios em sua face. O sonho poderia ter se convertido em erótico se tivesse continuado. Seus sonhos normalmente eram sensuais e apaixonados quando ela estava neles, e isso ocorria muito frequentemente. Quando ele estava acordado, seus pensamentos sobre ela o frustravam porque estava fora de alcance, era uma mulher casada. E ele desejava a morte que ficasse
  27. 27. Mallory 09 27 fora de sua mente e seus sonhos. Tinha-lhe feito passar duas semanas desejando o inferno nessa viagem faz um mês e meio atrás. Ela não teve nenhuma idéia de quanto a desejara. Mas só porque já estava felizmente casada e em via de encontrar-se com seu marido, ele se tinha retirado. Isso foi uma das coisas mais difíceis que alguma vez fez. Realizou seu melhor esforço para evitá-la. Um fato não muito fácil a bordo de um navio. Mas embora não esperasse vê-la de novo, simplesmente não podia esquecê-la. Tão forte foi sua atração, sua personalidade, seu bonito rosto, seu sorriso, seu corpo delicioso... Foi à voz de Jeremy Malory que o arrancou de seu sonho e despertou. O filho mais velho de James, Jeremy, tinha o cabelo negro e os olhos azul cobalto que só uns quantos Mallory possuíam. Ele não se parecia em nada a seu pai, que era loiro e de olhos verdes, pelo contrário era a viva imagem de seu tio Anthony, o que era uma fonte de diversão para a maioria de sua família. O moço explicava: - Danny e eu chegamos em casa da nossa lua de mel esta manhã. Pode imaginar minha surpresa quando imediatamente nosso mordomo me levou à parte, não queria inquietar a minha esposa, e me contou que recrutou todo o pessoal desde ontem. Depois me entregou isto. Foi colocado debaixo de uma grande pedra em nossa escada de entrada. "Isto" era uma nota que Jeremy entregou ao Anthony. Aparentemente, a espera tinha terminado. - Foi entregue em uma casa equivocada? - Adivinhou Boyd enquanto se sentava e estirava seus membros. - Esta gente obviamente não conhece sua família muito bem. - Bom dia, ianque - saudou-o Jeremy, acrescentando: - Se conhecessem bem a nossa família, nunca teriam feito isto. - Bom ponto - aceitou Boyd. A família Malory não era muito grande, nem muito rica nem possuía muitos títulos. Os dois irmãos mais jovens, James e Anthony, foram uns malandros em sua juventude, nunca perderam um duelo, fosse com punhos ou pistolas, também eram conhecidos por ser bastante letais. Bastava citar a frase: "Não se volte contra um Malory pois o lamentará muito". Anthony não prestava atenção aos dois homens mais jovens enquanto observava a nota, logo a jogou sobre a mesa em frente de Boyd. - Amanhã? Realmente acreditam que posso conseguir uma fortuna em um dia? Tiraria meu banqueiro de sua cama se fosse necessário. Boyd recolheu a nota. Era muito mais detalhada que a primeira nota. Mencionava o lugar, a hora, a data, e, por último, que o pagamento devia ser entregue por alguém que não fosse um membro da família, e que Anthony não devia envolver-se ou estar perto do lugar do intercâmbio. Isto estava indicado duas vezes. Eles poderiam não conhecer bem à família, mas parecia que conheciam o Anthony Malory. Havia também várias faltas de ortografia, embora isso não fosse necessariamente pertinente. - Sabe quanto dinheiro querem? - perguntou Jeremy a seu tio. - Uma fortuna é uma fortuna. Não porei preço à vida de minha filha. - Correto - assentiu Jeremy. - A quem vais enviar para o intercâmbio?
  28. 28. Mallory 09 28 - Eu irei - ofereceu-se Boyd imediatamente. Ignoraram-no ou possivelmente não o escutaram. Estava limpando a garganta para dizê-lo mais forte quando Anthony disse: - Enviaria ao Derek, mas está visitando seu pai em Haverston esta semana. - Que tal Tio Edward? - sugeriu Jeremy. - Não, meu irmão está no norte por negócios. - Não há razão porque... - tentou novamente Boyd, mas foi ignorado outra vez. - Suponho que poderia enviar pelo Derek. Há tempo suficiente para que volte para Londres antes desta noite. - Não precisa fazer isso - disse Jeremy. - Eu irei. Anthony resfolegou a seu sobrinho. - De longe se parece comigo. Não vai. Jeremy sorriu abertamente, mas logo disse: - Bem, maldição, onde está meu pai quando se... Boyd ficou em pé muito aborrecido, interrompendo ruidosamente desta vez. - Algum dos dois ouviu uma palavra do que disse? Sou absolutamente capaz de dirigir isto. Anthony o olhou fixamente por um momento, então negou com a cabeça. - Sem ofender, ianque, mas ouvi dizer que é uma pessoa muito impetuosa. - O fato de que me tenham provocado várias vezes nos últimos minutos e não tenha perdido minha prudência, fala por si mesmo, não é certo? Além disso, tomei muito carinho por sua filha desde que Jack está debaixo de meu cuidado. - Chamou a minha irmã Jack? - disse Jeremy com uma sobrancelha levantada. - Pensava que você e todos seus irmãos odiavam o nome que meu pai lhe pôs. - Não, só odiamos a seu pai - disse Boyd com um sorriso tenso nos lábios. Jeremy riu entre dentes. Boyd não sentiu diversão. - Olhem, posso ser o mais jovem dos irmãos Anderson, Anthony, mas tenho trinta e quatro anos de idade e inclusive seu próprio irmão confiou em mim o cuidado de sua filha. Esta nota diz que não pode fazer o intercâmbio pessoalmente, e estou certo que não vai permitir que vá sua esposa ou confiar a situação a um criado ou alguém que não conheça. O resto de sua família parece estar fora da cidade. Assim estou me oferecendo. Gostaria muito de pôr meu punho em quem quer que fez isto, e me acredite, alegrar-me-á te ajudar a rastreá-los, mas primeiro acredito que trazer Judith segura para casa é o mais importante. Jeremy apontou à nota que Boyd tinha colocado outra vez na mesa. - O lugar da reunião é o primeiro cruzamento ao sul da cidade do Northampton. Sabe sequer onde está Northampton? - Não, mas mesmo nós os ianques sabemos seguir indicações - respondeu Boyd secamente.
  29. 29. Mallory 09 29 CAPÍTULO 6 Katey fez com que se detivessem uma vez que Judith se escondera debaixo de uma manta no chão. Não foi questão de escolha. A carruagem da mulher quase os tirou do caminho em seu esforço para obrigá-los a deter-se. Então desceu do assento do condutor e se deteve junto ao deles, dar palmadas na traseira pelo vento, com aspecto selvagem e procurando furibundamente algo. - Que pensa? - disse Katey indignada à mulher através da janela que tinham aberto. - Quase causa um acidente! Se está tratando de nos roubar, dê-se por avisada, tenho uma pistola em minha mão neste preciso momento. Realmente não tinha uma pistola, mas deveria tê-la, e estava decidida a comprar uma no povoado seguinte ao que chegassem. Não obstante a advertência agarrou a maçaneta da porta no caso da furiosa mulher tentar abri-la bruscamente. Mas pareceu acreditar sobre a pistola e rapidamente perdeu sua beligerância. Em lugar disso começou a choramingar sobre uma filha ingrata, voluntariosa, mentirosa, com cabelo acobreado e os olhos muito azuis, que se tinha escapado de casa. E para assegurar-se de que duvidassem da menina se lhe estavam ajudando a escapar, acrescentou: - Conta histórias fantásticas, sempre o faz. Logo que sei como lhe acreditar eu mesma. Viram-na vocês? Katey acabava de retornar de Escócia assim é que reconheceu o sotaque da mulher com bastante facilidade. Mais tarde riria porque sua mãe tivesse podido dizer o mesmo sobre ela muitas vezes. A suas costas, Grace inclusive sussurrou: - Soa como você, não é assim? Katey, ainda muito zangada para sentir diversão, ignorou a sua criada. Obviamente, não tinha ocorrido à mulher de que se tivessem à menina, saberiam que ela mentia no ponto de ser a mãe, simplesmente porque o sotaque da menina não era absolutamente escocês. Em uma tentativa de tirá-las dali logo depois, Grace tirou seu nariz fora da janela e disse à mulher: - Não vimos a nenhuma menina, mas boa sorte em sua busca. - Logo, gritou a seu condutor. - Senhor Davis, siga adiante. Mas algumas milhas mais adiante, Grace olhou pela janela outra vez e disse: - Deveria me haver mantido fora disto. Reconheceu-me. - De onde? - Da estalagem. Cruzamo-nos no corredor ontem à noite. Desci a escada para ver se podia encontrar algo que comer na cozinha. Não quis incomodá-la por nosso cesto do lanche, em caso de que já estivesse dormindo. Pude ver algo de suspeito em seus olhos ali
  30. 30. Mallory 09 30 atrás, no caminho como lhe falei. Percebeu que estávamos na mesma estalagem que ela ontem à noite. E não se afasta. Katey franziu o cenho e entrecerrou os olhos para olhar pela janela, e então ofegou: - Meu Deus, está-nos seguindo? Isto saiu de controle, não é? Grace encolheu os ombros e sorriu. - Não me preocupa isso. Está sozinha. Se o homem com quem disse que viajava estava com ela, estava fazendo um bom trabalho escondendo-se em sua carruagem. E nós temos ao senhor Davis conosco. Paga-lhe bastante para que mova o traseiro e se encarregue de qualquer problema desse tipo. O que pode fazer ela? - Eu não contaria com a ajuda do senhor Davis - disse Katey enquanto se recostava contra o assento outra vez. - Advertiu-me como os contratei a ele e sua carruagem que se queria guardas, deveria contratar alguns. Não é um tipo valente. Não lhe importou dormir com os baús, mas me perguntei mais de uma vez se na verdade tentaria impedir que alguém os levasse. - Que tenha dormido perto deles foi o suficientemente dissuasivo para evitar que alguém colocasse o nariz. - Suponho, mas me assegurarei de que tenhamos um autêntico guarda antes de começar nossa viagem pelo Continente. Com respeito a isso, penso em comprar nossa própria carruagem antes que partamos rumo à França. Grace riu muito. - Me alegro de que esteja acostumando-se a ser rica. Katey se ruborizou ligeiramente. Tinha-lhe tomado certo tempo acostumar-se a ser rica. Sua família tinha vivido suficientemente cômoda, mas possuir a única loja em um povoado pequeno certamente não lhes tinha enriquecido. Sua mãe nunca tinha mencionado a herança que recebeu de seu pai, quem morreu pouco depois de que ela deixasse a Inglaterra, antes que tivesse a possibilidade de apagar a de seu testamento. Ela não esperara esse dinheiro e não o desejou, assim nunca o havia tocado. Katey só se inteirou da herança depois de que sua mãe morreu. Ainda estava comovida pela morte do Adeline quando o advogado de Danbury veio lhe contar sobre a grande quantidade de dinheiro sem usar que tinha custodiado todos esses anos. Profundamente angustiada, a Katey simplesmente não tinha se importado. Mas então sua vizinha, a senhora Pellum, deu refúgio a duas jovens sobrinhas quando seus pais morreram, e buscava desesperadamente a alguém para as escoltar a Inglaterra, afirmando que era muito velha para criar meninas pequenas outra vez, mas que sua irmã mais nova na Inglaterra estaria feliz de tê-las. E foi então que Katey percebeu que ela já não tinha que viver em Gardener. Aceitou escoltar às sobrinhas de três e quatro anos de idade da senhora Pellum a Inglaterra. E como Katey não planejava retornar jamais a Gardener, desfez-se da maior parte de suas posses, incluindo a loja e a casa. Além de suas roupas, tudo o que tinha empacotado eram algumas pequenas lembranças de sua mãe para levar consigo. Despediu-se de todos. E embora tivesse querido a muitos de seus vizinhos em Gardener, não era especialmente próxima a nenhum deles. Se Grace, sua criada, não tivesse concordado viajar ao estrangeiro com ela, teria sido a única pessoa de Gardener a
  31. 31. Mallory 09 31 quem Katey sentiria saudades horrivelmente. Judith não interveio enquanto as escutava, mas como fazem os meninos, enganchou- se a um comentário e perguntou: - Você não ficará na Inglaterra? - Céus, não, é simplesmente o começo de uma grande viagem para nós. Navegaremos a França depois, e pensando melhor, provavelmente deveria esperar que chegássemos ali para comprar uma carruagem, assim não teremos que embarcá-la. - Não faça isso - disse Judith. - As carruagens francesas são bonitas, mas não são muito cômodas. Se você for viajar uma grande distância, quererá uma carruagem inglesa. - E você como sabe de coisas como essa, menina? -perguntou Grace com uma grande risada. - Minha mãe encomendou uma e em uma semana a achou tão incômoda que o enviou a meu tio Jason para usar como decoração em um de seus jardins. Meu pai riu e riu sobre isso, o que fez que minha mãe se incomodasse muito com ele. É a maçã da discórdia para ela, que não tem nada em que gastar seu dinheiro, porque lhe compra tudo o que ela alguma vez pudesse querer. - Mas por que lhe divertiu que não ficasse com a carruagem? - perguntou Katey. - Foi porque terminasse sendo uma peça de jardim tão cara o que ele achou tão engraçado! Katey sorriu à garota. - Bem, estou certa de que nem todas as carruagens francesas são tão incômodas como o de sua mãe foi, mas obrigado pela advertência. A menção da palavra "advertência" fez que a menina oferecesse seu próprio aviso. - Essa mulher poderia ter uma arma. A expressão de Katey se tornou séria outra vez. - Sei. Mas breve eu também terei uma, logo que alcancemos a seguinte aldeia. Provavelmente terá fome outra vez. Esperemos que nossa perseguidora tome um caminho diferente assim podemos nos deter para tomar o café da manhã. Fizeram escala na seguinte aldeia, e como Katey retornou à carruagem com uma pistola pequena metida em sua bolsa, já sabia que ainda eram observadas. - Pensa que é esperta, que não sabemos que está ali - disse Grace quando Katey se reuniu com elas. - Definitivamente nos está vigiando. Katey se sentou antes de observava com atenção a velha carruagem ao outro lado da rua, com a mulher parada atrás dela, tentando ser discreta enquanto olhava às escondidas a seu redor. - Deveríamos confrontá-la. - Não faça isso! - disse Judith alarmada. - Não poderia suportar se saísse ferida por mim. Katey pensou por um momento, e disse: - Preocupa-me que nos possa deter outra vez em um lance deserto da estrada e faça algo temerário. - Katey realmente não queria ter que usar na verdade sua pistola nova. – Também imagino uma corrida louca e perigosa através das ruas de Londres quando nos aproximarmos a sua casa e ela esteja se desesperada por nos deter.
  32. 32. Mallory 09 32 - Deveria saber que imaginaria algo assim - resmungou Grace entre dentes com desagrado. Katey ignorou sua criada e continuou: - A mulher tola obviamente não nos acreditou e está certa de que a temos e a levamos de volta a sua família. Assim que a forma mais fácil para convencer a de que está mal encaminhada é que não viajemos imediatamente a Londres. - Quer alugar um quarto na estalagem e esperá-la? - adivinhou Grace. - Isso seria o ideal, mas como vamos fazer entrar Judith quando a mulher nos observa tão de perto? Precisamos perdê-la primeiro, e a única maneira de fazer isso é convencer a de que se engana. Este povoado não está suficientemente afastado da estrada principal para que pense que não nos encaminhamos a Londres. Mas se parecesse que voltamos sobre nossos passos... - Ao norte? - interveio Grace. - Sim, talvez inclusive de volta ao Northampton, dado que não é tão longe daqui. Sei que isso é sair de nosso trajeto, mas é mais provável que pense que desperdiça seu tempo e leve sua busca a outra parte se nos vê indo na direção oposta de Londres. - Não é uma má idéia - admitiu Grace. - Sei - disse Katey, contente consigo mesma. - Inclusive podemos encontrar um quarto em uma estalagem diferente e ter um bonito almoço no quarto enquanto passamos algumas horas, só para estar seguras de que já não está na área. Eu gostaria de lhe dar tempo de abandonar a estrada, assim não nos topamos com ela outra vez mais tarde. E ainda teremos tempo em abundância para levar a casa Judith antes de anoitecer. - Isso assumindo que não nos seguirá todo o caminho de volta ao Northampton. - Bem, averiguemo-lo. Implementaram o novo plano, voltando por onde tinham vindo. Grace vigiou de perto a rota detrás delas. Era decepcionante ver que a escocesa não se deu por vencida ainda. Ainda estava lá atrás, embora a uma maior distância. E então foi um alívio vê-la deter um cavaleiro em sua mesma direção. Grace fechou a cortina sobre a janela e se recostou em seu assento com um sorriso. - Está começando a duvidar. Tal parece que começa a deter outros para lhes perguntar se viram a garota. Em pouco tempo poderíamos perdê-la de vista. CAPÍTULO 7 - Está bem, ianque - disse Anthony, - vou confiar em você para que realize o intercâmbio, mas não vou estar longe em caso de que algo saia mau. Boyd estava realmente agradado de que Anthony Malory confiasse nele. Talvez fosse porque sua família ainda o via como "o irmão mais novo", como um briguento que rapidamente se enredava em qualquer briga. Enquanto seus irmãos cresciam, eles falharam em notar que também o fizera. Sim, ainda dava boas-vindas a qualquer possibilidade de demonstrar suas habilidades, mas era muito menos impulsivo do que
  33. 33. Mallory 09 33 alguma vez fora. Sentia-se agradecido de que um Malory, e mais ainda um que em realidade admirava, reconhecesse que era capaz de dirigir uma situação tão tensa e importante como esta. Anthony não ia esperar até amanhã para que acontecesse o intercâmbio, quando podia tentar encontrar a sua filha hoje. Depois de tudo Northampton estava há tão somente umas quantas horas de rápida cavalgada. Eles poderiam ir ali e procurar em todo o povoado, antes que caísse a noite. Não era que fossem fazer algo tão óbvio. Não sabiam quantas pessoas estavam envolvidas na chantagem, e não podiam correr o risco de que os criminosos estivessem observando, à espera de uma busca desse estilo, ou controlando os caminhos. É por isso que Anthony, Jeremy e Boyd, deixaram Londres em carruagem Amarraram três cavalos na parte traseira, em caso de que precisassem mover-se mais rápido. A carruagem esconderia ao Anthony, quem seria, conforme assumiram, reconhecido, e ao Jeremy, por sua grande semelhança a Anthony. Boyd se manteve afastado deles enquanto definiam os distintos planos. - Seriam estúpidos se arrumassem um encontro em algum lugar perto de seu próprio povoado - especulou Anthony, - assim realmente duvido que vivam em algum lugar próximo ao Northampton, o que elimina o procurar de porta em porta. Mas devem estar escondendo ao Judy em alguma casa abandonada ou um celeiro, em algum lugar onde possam manter Judy sem que alguém a note. - Acham que a tenham metido às escondidas em alguma estadia? - perguntou Boyd - Pode ser - respondeu Jeremy, - é pequena, poderia fazer-se, assim não deveríamos descartar essa possibilidade. - Se estamos discutindo todas as possibilidades, poderiam tê-la feito entrar em qualquer lado, se a ameaçaram para que se mantivesse calada - apontou Boyd. - Faria o que lhe dissessem ou é o suficientemente valente para gritar por ajuda? Anthony golpeou a parede da carruagem com seu punho. - Provavelmente está muito aterrorizada para fazer algo. Jeremy tentou ignorar o arrebatamento emocional de seu angustiado tio e disse a Boyd. - É tão valente como minha irmã Jack, e muito inteligente para fazer algo idiota. Por que não checa você as pousadas? Realmente não acredito que sejam tão estúpidos para usar uma estalagem onde outras pessoas poderiam fixar-se neles, mas devemos cobrir todas as possibilidades. Meu tio e eu vamos percorrer os arredores, e procurar casas abandonadas - No caso de não serem estúpidos, mas não estou de acordo - disse Boyd. - Se fizeram isto. São completamente estúpidos. Mas sei o que tenho que fazer, e onde me tenho que encontrar com vocês para lhes contar meu progresso, assim me encarregarei agora e começarei com a busca. Com sorte terei algumas notícias para quando entrarem na cidade. Pararam tempo suficiente para que Boyd subisse no seu cavalo e se fosse. Por muito que desejassem, não podiam ir todos em cavalgada para o Northampton. Isso atrairia a atenção. A carruagem iria a uma velocidade normal, enquanto que Boyd chegaria à cidade uma ou duas horas antes.

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