JOHANNA LINDSEY CAUTIVO DE MIS DESEOS
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Johanna Lindsey
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Capítulo Um
Tinham-lhe ordenad...
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semanas transcorridas desde que abandonassem Londres o que a tinha
levado a pensar q...
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haver partido o coração. Mostrava todos os sintomas de uma mulher
traída; e quando c...
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pai estaria esperando-a quando atracassem; uma pequena mentira para
evitar preocupaç...
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Piratas! Gabrielle obteve provas irrefutáveis de que os piratas não
tinham desaparec...
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informação. Tanto ele como seus camaradas tinham que encarregar-se
primeiro de outro...
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A bandeira de quarentena ondeava nos dois navios que se
encontravam ali, o que queri...
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aventura é passando desapercebida. Sei que será difícil, porque é muito
formosa, mas...
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—se preocupa muito. Não nos passará nada. O capitão Brillaird me
assegurou isso.
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Doura assentiu.
—Esta ilha é tão remota que jamais recebeu nome. É um lugar
muito ag...
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chegados não eram muito amistosos. De fato, alguns deles a deixaram
paralisada de me...
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homem no salão, e não com um látego qualquer, a não ser com um de
nove caudas cujas ...
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desse aspecto de seu negócio. A ele lhe dava bem esse tipo de
negociação, assim como...
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salvo uma vez que seu pai a resgatou e tinha albergado a certeza de que
jamais volta...
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toque exótico ao edifício, mas os móveis eram elegantes e de um evidente
desenho ing...
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—E ela alguma vez suspeitou nada?
—Nem o mais mínimo.
—O que fazia na Inglaterra qua...
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As lágrimas se amontoaram nos olhos do Gabrielle enquanto o
rodeava com os braços pa...
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Margery nunca agarrou esse navio de volta a Inglaterra, como tinha
jurado fazer assi...
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ela não quis tirar o tema a colação. Foi então quando mencionou que logo
alcançaria ...
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—Não. Estou segura de que o teria amado com o tempo; mas se te
sou sincera, acredito...
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empreender a viagem. Mas claro, se era ele quem a levava ao Bridgeport,
privaria-a d...
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Ao ver que não dizia nada mais, Georgina franziu o cenho.
—Está-me dizendo que não p...
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—É certo —insistiu—. Estou segura de que Jeremy nos converterá
em avós pouco depois ...
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Tony chegou —acrescentou com uma careta ao escutar o ruído procedente
da planta baix...
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O verdadeiro motivo pelo que Evelyn Hillary lhe tinha pedido ao
Jeremy duas semanas ...
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conscientiza por ter um «amor» em cada porto, tal e como gostava de
dizer a sua irmã...
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Londres no dia anterior depois de assistir à bodas do Jeremy e zarparia
por volta de...
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surpreendente que lhe levou um momento fixar-se no resto de sua
pessoa.
Drew não est...
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O porto de Londres seguia sendo o mesmo hervidero de atividade
que contemplasse a pr...
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vida naquela parte do mundo suportava para ela e não tinham cansado na
conta de que ...
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Em uma ocasião, tinha-lhe perguntado por que se incomodava em
fingir que era francês...
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os dedos ensangüentados. Entretanto, tinha sido persistente e, ao final, o
pássaro t...
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sua verdadeira identidade? Observou-o com atenção, mas ele se limitou a
elevar uma s...
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estado a ponto de atirar ao homem à água. depois daquilo, tinha-lhes
pedido que foss...
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Ohr, com o semblante inexpressivo, replicou:
—Uma carta para seu senhor, para entreg...
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  1. 1. JOHANNA LINDSEY CAUTIVO DE MIS DESEOS JJoohhaannnnaa LLiinnddsseeyy XX LLOOSS MMAALLOORRYY,, 0088ºº CCAAUUTTIIVVOO DDEE MMIISS DDEESSEEOOSS En recuerdo a Birdena Doyon
  2. 2. JOHANNA LINDSEY CAUTIVO DE MIS DESEOS Johanna Lindsey OS MALORY, 08º CATIVO DE MEUS DESEJOS Capítulo Um Tinham-lhe ordenado que se escondesse e que não abandonasse seu esconderijo. Isso foi também o primeiro que lhe ocorreu fazer ao Gabrielle Brooks quando, levada pelo ruído, subiu a coberta e descobriu o motivo de tanto alvoroço. Entretanto, não foi o capitão quem lhe deu a ordem. O homem tinha uma fé cega em sua habilidade para deixar atrás ao navio que se aproximava deles. Inclusive riu a gargalhadas e bradou o punho contra a bandeira pirata que ondeava no mastro do navio que tentava abordá-los e que naquele momento podia divisar-se a simples vista. Seu entusiasmo (ou deveria dizer deleite?) tinha suposto todo um alívio para o Gabrielle. Até que o primeiro da bordo a fez a um lado e lhe ordenou que se escondesse. A diferença do capitão, Avery Dobs não parecia esperar com ânsia o iminente enfrentamento. Com o rosto tão branco como as velas adicionais que a tripulação içava a toda pressa, não se andou com muitos olhares quando a empurrou para as escadas. —Utilize um dos barris vazios de comida que há na adega. Há muitos. Com um pouco de sorte, os piratas abrirão um par deles e se esquecerão do resto ao ver que estão vazios. Direi a sua donzela que se esconda também. Vá-se! E, ouça o que ouça, não saia da adega até que alguém cuja voz reconheça vá a por você. Não havia dito «até que eu vá em sua busca». Seu pânico resultou contagioso e sua rudeza, surpreendente. Era provável que lhe tivesse deixado um moratón no braço ali onde a tinha agarrado. Uma mudança significativa, já que se tinha comportado com ela do modo mais solícito desde que começasse a travessia. Dava a impressão de estar cortejando- a, embora era improvável. Avery tinha mais de trinta anos e ela acabava de sair do colégio. Tinham sido suas maneiras solícitos, seu agradável tom de voz e a inusitada atenção que lhe tinha emprestado durante as três
  3. 3. JOHANNA LINDSEY CAUTIVO DE MIS DESEOS semanas transcorridas desde que abandonassem Londres o que a tinha levado a pensar que gostava mais da conta. Avery tinha conseguido lhe contagiar o pânico e Gabrielle baixou à carreira as escadas, em direção às vísceras do navio. Foi fácil encontrar os barris de comida que tinha mencionado; quase todos se encontravam vazios, posto que estavam a ponto de chegar a seu destino no Caribe. uns quantos dias mais e teriam chegado ao porto do Saint George, em Granada, o último paradeiro conhecido de seu pai, de onde poderia ter começado com a busca. Não conhecia muito bem ao Nathan Brooks, embora só guardava lembranças agradáveis dele; entretanto, era o único que ficava depois da morte de sua mãe. Embora nunca tinha duvidado do carinho que lhe professava seu progenitor, este jamais tinha convivido com ela durante compridos períodos de tempo. Um mês ou talvez dois, e inclusive um verão inteiro em uma ocasião; mas, depois, passavam anos inteiros até a seguinte visita. Nathan era o capitão de seu próprio navio mercante e percorria rotas comerciais muito lucrativas nas Índias Ocidentais. Enviava- lhes dinheiro e presentes extravagantes, mas em estranhas ocasiões os levava em pessoa. Tinha tentado que sua família se transladasse a uma residência mais próxima a seu lugar de trabalho, mas Carla, a mãe do Gabrielle, não tinha querido nem ouvir falar do tema. Inglaterra tinha sido seu único lar. Não ficava família no país, mas suas amizades e todo aquilo que apreciava seguiam ali e, de todos os modos, jamais tinha aprovado a ocupação de seu marido. O comércio! Sempre tinha pronunciado a palavra com repulsão. Embora não possuía título nobiliário algum, sua árvore genealógica contava com o suficiente sangue aristocrático para olhar por cima do ombro a todo aquele que se dedicasse ao comércio, incluindo a seu próprio marido. Era um milagre que se casaram. Para falar a verdade, não pareciam professar-se muito afeto quando estavam juntos. E Gabrielle nunca, jamais, mencionaria a seu pai que suas largas ausências tinham feito que Carla tomasse um... bom, nem sequer era capaz de pensar a palavra, muito menos de dizê-la em voz alta. Envergonhavam-lhe muito suas próprias conclusões. Mas, no transcurso dos últimos anos, Albert Swift se converteu em um visitante assíduo da residência familiar de dois novelo se localizada nos subúrbios de Brighton, e Carla se comportava como uma jovencita recém saída do colégio cada vez que o cavalheiro estava na cidade. Quando suas visitas cessaram e chegaram a seus ouvidos os rumores de que estava cortejando a uma herdeira em Londres, o caráter da Carla sofreu uma mudança radical. Da noite para o dia, transformou-se em uma mulher amargurada que odiava ao mundo em geral e chorava por um homem que nem sequer lhe pertencia. Ninguém sabia se Albert lhe tinha feito alguma promessa ou se ela tinha tido a intenção de divorciar-se de seu marido, mas as notícias de que o cavalheiro dispensava suas cuidados a outra mulher pareciam lhe
  4. 4. JOHANNA LINDSEY CAUTIVO DE MIS DESEOS haver partido o coração. Mostrava todos os sintomas de uma mulher traída; e quando caiu doente a princípios da primavera, coisa que piorou seu transtorno anímico, não fez intento algum por recuperar-se. As indicações do doutor caíram em saco quebrado e deixou de comer. O declive de sua mãe lhe rompeu o coração. É obvio que não aprovava a obsessão da Carla pelo Albert nem sua relutância a pôr mais empenho em salvar seu matrimônio, mas a queria muito e fez tudo o que lhe ocorreu para animá-la. Alagou sua habitação com flores que cortava por toda a vizinhança, leu-lhe em voz alta e inclusive insistiu em que o ama de chaves, Margery, passasse uma boa parte do dia velando à doente, posto que era uma mulher muito faladora e estava acostumado a fazer comentários muito divertidos. Margery já levava vários anos com elas. Ruiva e de média idade, com olhos de um azul intenso e uma infinidade de sardas, era obstinada, franco e não se deixava acovardar pela aristocracia. Também era uma mulher muito carinhosa e considerava as Brooks como se fossem da família. Gabrielle acreditou que seus esforços estavam dando frutos e que sua mãe tinha recuperado as vontades de viver. Carla havia tornado a comer e já não mencionava ao Albert. Por isso foi um golpe devastador que morrera durante a noite. Embora jamais o diria a seu pai, sua conclusão pessoal era que tinha «adoecido de pena», já que se estava recuperando da enfermidade. De todos os modos, a morte da Carla a tinha deixado completamente sozinha. Embora dispunha de uma enorme quantidade de dinheiro procedente do patrimônio familiar herdado por sua mãe, não receberia nem um só xelim até que alcançasse a maioria de idade aos vinte e um anos, e para isso ainda ficava muito. Seu pai enviava recursos com regularidade, e o dinheiro destinado aos gastos domésticos duraria bastante tempo, mas acabava de cumprir os dezoito. E, além disso, deixariam-na em mãos de um tutor. O advogado de sua mãe, William Bate, o tinha mencionado o dia da leitura do testamento. Afligida pela dor, não lhe tinha emprestado muita atenção, mas quando descobriu o nome ficou horrorizada. O tipo era um donjuán e todo mundo sabia. Segundo se rumoreaba, perseguia as criadas por toda a casa e inclusive a ela mesma chegou a lhe beliscar o traseiro durante uma recepção ao ar livre quando tinha só quinze anos... Não queria nem ouvir falar de um tutor, e muito menos de esse. Seu pai seguia vivo. Quão único tinha que fazer era encontrá-lo; assim, decidiu ficar mãos à obra. Embora primeiro teve que superar uns quantos temores, como o de atravessar em navio meio mundo ou o de deixar atrás tudo o que lhe resultava conhecido. A ponto esteve de trocar de opinião em duas ocasiões; mas, ao final, decidiu que não ficava outra alternativa. E ao menos Margery tinha acessado a acompanhá-la... A travessia tinha ido muito bem, muito melhor do que tinha antecipado. Ninguém tinha questionado os motivos pelos que viajava sem mais companhia que sua donzela. depois de tudo, gozava do amparo do capitão, ao menos enquanto durasse a viagem, e tinha insinuado que seu
  5. 5. JOHANNA LINDSEY CAUTIVO DE MIS DESEOS pai estaria esperando-a quando atracassem; uma pequena mentira para evitar preocupações desnecessárias. Nesses momentos, o fato de pensar no Nathan e em sua busca a ajudou a manter o pânico a raia durante um ratito. Lhe tinham ficado dormidas as pernas, escondida como estava dentro do barril. Não lhe tinha resultado difícil meter-se dentro. Era magra e não muito alta, com seu pouco mais de metro sessenta. O único problema era que lhe tinha parecido uma lasca nas costas ao agachar-se, justo antes de colocar a tampa do barril em seu sítio, e nem mesmo contando com o espaço suficiente poderia haver a tirado. Além disso, estava consternada pelo fato de que um navio pudesse içar uma bandeira pirata nos tempos que corriam. supunha-se que os piratas tinham desaparecido da face da terra no século XVIII, bem enforcados, ou indultados. supunha-se que navegar pelas cálidas água do Caribe era tão seguro como dar um passeio pela campina inglesa. Desde não ter estado convencida disso, jamais teria reservado uma passagem rumo a essa parte do mundo. Contudo, tinha visto a caveira e as mornas com seus próprios olhos. Tinha o estômago encolhido pelo medo e, além disso, vazio, coisa que incrementava seu mal-estar. saltou-se o café da manhã e tinha a intenção de remediá-lo à hora do almoço, mas o navio pirata tinha chegado antes de que se servisse. E disso tinham acontecido já horas. Ao menos, isso lhe parecia ali escondida dentro do barril, sem pista alguma do que ocorria na coberta. Supunha que lhes levavam bastante dianteira aos piratas; mas se os tivessem deixado atrás, não teria baixado Avery a dizer-lhe De repente, um cañonazo sacudiu o navio, seguido de outro e de outro mais, todos eles ensurdecedores. Também percebeu outros sinais do começo da batalha: o aroma da pólvora dos canhões que se filtrava até a adega, gritos roucos e algum que outro alarido. Depois, muito depois, chegou o horrível silêncio. Era impossível saber quem tinha ganho a batalha. A situação resultava do mais enervante. Seu medo aumentou com o passado do tempo. Estava segura de que logo começaria a chiar. De fato, não acabava de entender como tinha sido capaz de conter-se até esse momento. Se tivessem resultado vencedores, não teria ido Avery a procurá-la a essas alturas? A menos que estivesse ferido e que não lhe houvesse dito a ninguém onde se encontrava. A menos que estivesse morto. Seria capaz de sair de seu esconderijo para averiguá-lo? Mas e se tinham ganho os piratas? O que faziam com os navios capturados? Afundavam-nos? Os levavam para vendê-los ou os entregavam a seus homens? Nesse caso, o que faziam com a tripulação original e com os passageiros? Matavam-nos? Um chiado estava a ponto de brotar de sua garganta quando alguém arrancou de coalho a tampa do barril. Capítulo 2
  6. 6. JOHANNA LINDSEY CAUTIVO DE MIS DESEOS Piratas! Gabrielle obteve provas irrefutáveis de que os piratas não tinham desaparecido da face da terra quando um deles a tirou pelo cabelo do barril no que se escondeu, levou-a a coberta sem muitos olhares entre as gargalhadas e vítores de seus companheiros e a jogou nos pés do pirata mais feio de todo o grupo, seu capitão. Estava tão aterrada a essas alturas que nem se imaginava o que ia acontecer lhe a seguir. Embora sim estava segura de que seria horrível. A única escapatória que lhe ocorreu foi atirar-se pela amurada a menor oportunidade. O homem que a olhava tinha uma juba castanha, espaçada e muito suja que lhe chegava até os ombros, coberta por um estragado tricornio adornado com uma murcha pluma tinta de rosa e rota por dois lugares distintos. Se por acaso isso não fora o bastante estranho, também levava um colete de cetim de cor laranja gritão e um comprido lenço de encaixe ao pescoço, passado de moda um século atrás. Os objetos estavam em umas condições tão lamentáveis que sem dúvida alguma procediam dessa época. antes de que pudesse ficar em pé para atirar-se pela amurada, o homem disse: —O capitão Brillaird, a seu serviço, senhorita. —Fez uma pausa para tornar-se a rir—. Ao menos, esse é o nome que uso durante este mês. Postos a inventar nomes, bem poderia utilizar «Lunar», pensou ela. Jamais tinha visto tantos no rosto de ninguém. Presa dos tremores, não replicou ao comentário, mas seus olhos se desviaram para o corrimão do navio. —Pode esquecer-se de seus medos —acrescentou—. É muito valiosa para sofrer dano algum. —Valiosa em que sentido? —conseguiu perguntar Gabrielle, que ficou em pé muito devagar. —Como refém, claro está. Os passageiros são um negócio muito mais lucrativo que os carregamentos, que podem apodrecer-se antes de encontrar um lugar onde vendê-los. Começava a sentir um pingo de alívio, suficiente para deixar de olhar o corrimão. —O que acontece os homens? O pirata se encolheu de ombros. —Também revistam obter-se bons resgates pelo capitão e os oficiais de um navio capturado. Não sabia muito bem se o homem estava tentado acalmar a de forma deliberada ou se só gostava de falar, porque, ato seguido, procedeu a lhe dar um bate-papo sobre os reféns e seus resgates. Gabrielle descobriu assim tanto a sua família como a do Margery lhes pediria um resgate por suas pessoas. O capitão não lhe perguntou em nenhum momento se tinha família, limitou-se a assumir que assim era. Quão único tinha que lhe dizer era com quem contatar para a questão do pagamento, e o pirata não parecia estar ansioso por conseguir sorte
  7. 7. JOHANNA LINDSEY CAUTIVO DE MIS DESEOS informação. Tanto ele como seus camaradas tinham que encarregar-se primeiro de outros misteres... que incluíam o resto dos prisioneiros. Jogou uma olhada à coberta. Se algum dos membros da tripulação tinha morrido durante a luta, desfeito-se das provas antes de que a subissem a rastros. Avery jazia na coberta com uma brecha na cabeça e estava maniatado como o resto dos passageiros e oficiais, à espera de que o transladassem ao outro navio. O seu tinha sofrido danos graves e começava a fazer água. Margery também se encontrava ali, maniatada como o resto, embora era a única prisioneira que estava amordaçada. Certamente tinha sido muito eloqüente em seu desagrado para os piratas e lhes teria jogado um bom sermão por sua audácia. Quando sentia a necessidade de queixarlhe dava igual a quem ofendia. Quanto aos marinheiros, lhes deu a escolher: se unir aos piratas e fazer seu juramento ou dar uma volta pelo fundo do mar, o que queria dizer que os jogariam pela amurada para que se afogassem. Como era de esperar, a maioria aceitou a primeira proposta com relativa celeridade. Um deles, um corpulento ianque, negou-se com bastante veemência. Gabrielle se viu obrigada a contemplar, espantada, como dois piratas se aproximavam do marinheiro em questão e o agarravam dos braços para arrastá-lo até o corrimão. Soube sem nenhum gênero de dúvidas que o foram atirar pela amurada. Mesmo assim, o homem não trocou de opinião, mas sim continuou amaldiçoando-os até que lhe golpearam a cabeça contra o corrimão, deixando-o inconsciente. Os piratas prorromperam em gargalhadas. Ela não acabava de entender o que tinha de gracioso lhe fazer acreditar no homem que ia morrer quando não tinham pensado matá-lo, mas ao parecer os piratas o encontravam muito divertido. Ao marinheiro acabaram jogando-o pela amurada, mas não foi até o dia seguinte, quando avistaram terra. tratava-se de uma ilha deserta, mas terra ao fim e ao cabo. Provavelmente acabaria por morrer, mas ao menos tinha uma oportunidade. Talvez inclusive conseguisse chamar a atenção de algum navio que passasse perto para que o resgatassem. Era um destino muito melhor do que Gabrielle tinha esperado quando o homem desafiou aos piratas. Horas depois, chegaram a outra ilha que também parecia deserta. internaram-se nas cristalinas águas de uma ampla enseada. Virtualmente no centro de dita enseada se encontrava uma pequena ilhota. Entretanto, Gabrielle se deu conta, à medida que se foram aproximando, de que não se tratava de uma ilhota, mas sim de um mangue artificial, composto por um grande número de árvores mortas e novelo frondosas que se alimentavam em sua maioria do húmus acumulado sobre os tablones, que não sobre terra firme. parecia-se muito a um desordenado embarcadero, embora em realidade era uma densa selva artificial, ideada para ocultar aos olhos de qualquer navio que passasse por mar aberto os navios ancorados ao outro lado.
  8. 8. JOHANNA LINDSEY CAUTIVO DE MIS DESEOS A bandeira de quarentena ondeava nos dois navios que se encontravam ali, o que queria dizer que tinham padecido alguma enfermidade a bordo, daí que tivessem esse aspecto tão abandonado. Os piratas não demoraram muito em conseguir que seu navio apresentasse o mesmo aspecto, depois do qual baixaram os botes à água e levaram aos prisioneiros a terra. Não sem antes içar também a bandeira de quarentena. Foi então quando Gabrielle compreendeu que os navios não eram mais que uma estratagema para impedir que qualquer outro navio entrasse na enseada com intenção de investigar os motivos de sua presença na ilha. —Aonde vamos? —perguntou-lhe ao pirata que as tinha ajudado ao Margery e a ela a descer do bote. Entretanto, o aludido não pareceu sentir-se obrigado a responder. limitou-se a empurrá-la para que ficasse em marcha. Tomaram um atalho que conduzia ao interior da ilha. Não esperaram a que todos abandonassem o navio, embora, graças a Deus, Avery se encontrava no primeiro grupo que chegou à borda. Era a primeira vez que tinha a oportunidade de falar com ele desde que os capturassem. —Está bem? —perguntou-lhe ele quando ficou a seu lado. —Sim, estou bem —lhe assegurou. —Ninguém a há... meio doido? —De verdade, Avery, não sofri o menor dano. —Graças a Deus. Não se pode nem imaginar quão preocupado estava. Sorriu-lhe para tranqüilizá-lo. —vão pedir um resgate por mim. O capitão Brillaird deixou muito claro que sou muito valiosa para me fazer sofrer dano algum. —Assinalou a enorme brecha que o primeiro da bordo tinha na frente—. Que tal a cabeça? Vi-o inconsciente ontem. O homem se tocou a ferida. —Não é mais que um arranhão. Embora pelo coice que deu, Gabrielle soube que devia lhe doer. —Conforme tirei claro, o capitão também planeja pedir resgate por você. —Eu não estou tão seguro —replicou ele com um suspiro—. Não provenho de uma família rica. —Pois então falarei com meu pai quando vier a me buscar —lhe disse ela—. Estou segura de que poderá fazer algo para conseguir que o liberem. Pelo que não estava tão segura era de se poderiam localizar ao Nathan. O que aconteceria Avery e com ela se os piratas não davam com seu pai? —É muito amável de sua parte —lhe agradeceu antes de acrescentar com urgência—: Mas me escute bem, Gabrielle, por muitas garantias que lhe tenham dado, ouvi-os dizer que haverá mais gente de sua índole no lugar ao que nos dirigimos. A melhor maneira de que saia ilesa desta
  9. 9. JOHANNA LINDSEY CAUTIVO DE MIS DESEOS aventura é passando desapercebida. Sei que será difícil, porque é muito formosa, mas... —Por favor, não diga nada mais —o interrompeu ao tempo que se ruborizava—, sei muito bem que não estaremos a salvo até que percamos de vista ao último destes malfeitores. Farei todo o possível por passar desapercebida. separaram-se quando um dos piratas empurrou ao Avery para que acelerasse o passo. O primeiro indício de vida na ilha foi a torre de vigilância que deixaram atrás enquanto continuavam pelo transitado atalho. Estava construída com troncos e era o bastante alta para ter uma boa panorâmica do mar em três direções. Eles prosseguiram o caminho de ascensão às colinas que havia atrás dela. A torre estava ocupada, embora o sentinela que havia em sua diminuta choça estava dormido. Um guardião nada diligente, pensou Gabrielle quando um dos piratas atirou uma patada à base da torre para despertá-lo enquanto outro o amaldiçoava em um francês muito fluido. Margery também expressou a opinião que lhe mereciam quando chegou a seu lado. —Vagos inúteis, todos eles. Esperemos que quando chegar a ajuda, o sentinela tampouco desperte. Ao Gabrielle teria encantado compartilhar seu otimismo, mas as probabilidades de que alguém fosse em sua ajuda antes de que pagassem o resgate eram ínfimas. —Assim que encontrem a meu pai... —Se é que o fazem —a interrompeu Margery—. Que probabilidades tem que o consigam quando nem nós mesmas estávamos seguras de obtê-lo? Vamos, diga-me isso Jamais devemos empreender esta viagem. Não te adverti que seria perigoso? —Poderia haver ficado em casa —lhe recordou—. Embora se supunha que não devia ser perigoso. Teria-te acreditado que seguia havendo piratas a estas alturas se alguém lhe houvesse isso dito? Não, teria-te rido de quem fora na cara. —Isso não vem ao caso —replicou a mulher—. Agora, me escute antes de que voltemos a nos separar. Busca uma arma, algo, embora seja um garfo se encontrar algum, e não te dela separe em nenhum momento. Se um destes malnacidos tenta algo contigo, o crava na barriga, entendido? Não o duvide. —Terei-o em mente. —Será melhor que o faça, moça. Não sei o que seria de mim se chegasse a te ocorrer algo. Dava a sensação de que Margery estava ao bordo das lágrimas. Sua preocupação era major do que deixava entrever. E seu desassossego era contagioso. Ao Gabrielle teria encantado tornar-se a chorar contra o ombro de seu amiga, mas conseguiu controlar-se e reunir um pouco de coragem em benefício de ambas.
  10. 10. JOHANNA LINDSEY CAUTIVO DE MIS DESEOS —se preocupa muito. Não nos passará nada. O capitão Brillaird me assegurou isso. Isso não era de tudo certo, mas era o que Margery precisava ouvir e conseguiu lhe arrancar um débil sorriso. Pouco depois, chegaram a uma espécie de assentamento rodeado de árvores, situado no topo da colina. No centro se convocava um edifício enorme construído com pranchas de madeira, que, conforme soube depois, tinham tirado de um dos navios abordados em alta mar. O resto dos edifícios estavam dispersados pelos arredores e eram simples cabanas com telhado de cano. Posto que tinham as portas abertas, Gabrielle comprovou que muitas delas estavam cheias de cofres e caixas, e serviam como armazéns para os botas de cano longo que os piratas obtinham em suas correrias. A empurrões, colocaram ao Avery e ao resto dos reféns em uma cabana, e também a separaram do Margery, a quem se levaram a outra enquanto dizia a voz em grito: —Que não se esqueça, moça! Na barriga! —Aonde a levam? —inquiriu Gabrielle. O pirata que a empurrava para o enorme edifício central soltou uma gargalhada zombadora. —Não se paga resgate pelas criadas, mas a liberarão contigo assim que se cumpram as exigências do capitão. Você é valiosa, assim vais ficar te aqui, onde será mais fácil te vigiar. Não queremos que nenhum dos outros te manuseie e estrague o abundante resgate que pagarão por ti. — Lhe piscou os olhos um olho de forma obscena e ela foi incapaz de reprimir um estremecimento. Uma vez no interior, o pirata a conduziu a uma larga mesa que havia na enorme estadia, sentou-a em uma cadeira e depois se afastou. Uma mulher lhe pôs uma terrina de comida por diante e lhe disse com voz amável: —Espero que tenha a alguém que pague o resgate, tesouro. Eu atrasei quanto pude o momento de lhes dizer que não ficava família alguma, e por isso sigo aqui. A mulher de média idade, que se apresentou como Doura, sentou-se e manteve uma breve conversa com ela. Tinham-lhe permitido ficar na ilha para pagar seu resgate com seu trabalho. Cozinhava para os piratas e lhes oferecia outros serviços se assim o estimavam conveniente, coisa que mencionou com total despreocupação. Levava dois anos nesse lugar e tinha chegado a considerar uma deles, assim trabalhava ali por vontade própria. —Não estão aí para fazer um nome, como os piratas do século passado dos que seguro ouviste falar. De fato, trocam-se de nomeie com bastante freqüência, trocam o nome de seus navios ou inclusive conseguem embarcações novas, e se disfarçam. Estão nisto para fazer dinheiro, não para que os pendurem. passaram a operar em segredo e inclusive trocam de base cada poucos anos. —Isso é este lugar, sua base? —perguntou Gabrielle com curiosidade.
  11. 11. JOHANNA LINDSEY CAUTIVO DE MIS DESEOS Doura assentiu. —Esta ilha é tão remota que jamais recebeu nome. É um lugar muito agradável, muito em realidade. Em um par de ocasiões se viram obrigados a afugentar a alguns colonos que eram da mesma opinião. —Quem os lidera? —Ninguém. Todos os capitães têm voz e voto, mas sua autoridade se limita a suas próprias tripulações. Quando terá que decidir algo que afeta a todos, votam. —Quantos capitães usam esta base? —perguntou Gabrielle. —Cinco na atualidade. O ano passado havia seis, mas a gente morreu por causas naturais e sua tripulação se repartiu entre os cinco navios restantes. Gabrielle se mostrou surpreendida pelo fato de que um número tão reduzido ocupasse o que parecia ser um assentamento bastante grande e assim o disse à mulher. —Não querem que haja muitos homens aqui. Acreditam que quanta mais gente haja, majores serão as probabilidades de que saia uma maçã podre que revele a localização da base. A mulher partiu assim que o capitão Brillaird entrou no edifício. Ao Gabrielle ainda não haviam dito seu nome real e jamais ia ou seja o. Trocava tanto de nome que seus tripulantes se limitavam a chamá-lo «capitão», e o mesmo fazia quando lhe era necessário dirigir-se a ele. Entretanto, nesse momento o homem se limitou a tomar nota do sítio no que estava sentada para depois fazer caso omisso de sua presença durante o resto do dia... E durante os dias seguintes. Cinco dias mais tarde, ainda não lhe tinha perguntado a quem devia dirigir-se para pedir um resgate. De modo que acabou consumida pela preocupação de como explicar que, embora sabia que seu pai podia fazer frente ao resgate, não tinha nem idéia de onde encontrá-lo. Não tinha esperanças de que o capitão acreditasse, nem podia imaginá-lo que aconteceria quando chegasse o momento. Doura lhe explicou que não lhe tinham pedido a informação porque ao capitão não o fazia falta até que estivesse disposto para llevar âncora de novo, e isso era algo que ninguém sabia. A esposa do capitão vivia na ilha e levava dois meses sem vê-la. Os piratas comiam, dormiam, bebiam, jogavam, brigavam, brincavam e contavam histórias. Gabrielle dormia em uma pequena habitação situada na parte posterior do edifício principal e lhe permitiam estar no salão durante o dia, de maneira que não podia queixar-se de que sua estadia fora aborrecida. lhe desenquadrem, sim, mas não aborrecida. Levavam-lhe ao Margery durante um par de horas cada dia para que conversassem, e ficou mais tranqüila ao saber que sua antiga ama de chaves estava suportando bem o cativeiro, por mais que se queixasse sem cessar do magro jergón de palha no que se via obrigada a dormir e da mísera qualidade das comidas. Ao sexto dia de cativeiro, atracaram dois navios mais e o salão principal se encheu a transbordar com os novos tripulantes. Os recém
  12. 12. JOHANNA LINDSEY CAUTIVO DE MIS DESEOS chegados não eram muito amistosos. De fato, alguns deles a deixaram paralisada de medo com um sozinho olhar. E um dos capitães a contemplou durante tanto momento e com tanta intensidade que não ficou a menor duvida de que queria lhe fazer danifico. Alto e musculoso, parecia rondar os quarenta anos, embora custava trabalho assegurá-lo com essa espessa barba negra, tão enredada que duvidava muito que soubesse o que era um pente. A gente o chamava Pierre Lacross, embora certamente não fora francês de verdade. Havia muitos piratas que fingiam ser o que não eram e nenhum utilizava seu autêntico nome. Não obstante, descobriu que esse em particular era a exceção à regra. Realmente era francês. Tinha um forte acento que não era capaz de ocultar a vontade como o resto. Não era feio, mas o brilho cruel de seus olhos azuis arruinava o que poderia ter sido um rosto arrumado. Esse homem tinha um halo perverso, e não era a única que se precavia disso. Outros homens se separavam de seu caminho e evitavam olhá-lo aos olhos. O problema era que esses gélidos olhos azuis não deixavam de posar uma e outra vez sobre ela, até que quase pôs-se a tremer pelo medo que o pirata lhe inspirava. Tinha deixado a Inglaterra com uma inocência absoluta no que aos desejos masculinos se referia. Sua mãe jamais lhe tinha explicado o que devia esperar do leito conjugal. Sem dúvida o teria feito antes de sua primeira temporada em Londres, mas, para então, Carla estava imersa em seu romance com o Albert e, mais tarde, a traição de seu amante a deixou sumida na tristeza. Entretanto, tinha aprendido muitíssimas coisas sobre os homens graças aos piratas. Não se mordiam a língua quando ela andava perto, e adoravam espraiar-se com suas conquistas sexuais. De maneira que não teve o menor problema para compreender quais eram as pretensões do malvado capitão Pierre Lacross quando se inclinou sobre ela o dia posterior a sua chegada e lhe disse: —vou comprar te. E depois serei eu, e não meu amigo, quem dita o que fazer contigo. Desejou não compreender o que suas palavras implicavam, mas o fez. Importaria-lhe ao capitão Brillaird a procedência do dinheiro de seu resgate sempre que lhe pagassem? atreveria-se a lhe prometer mais dinheiro do que Pierre poderia pagar? Essa era a única maneira que lhe ocorria para evitar que a «possuíssem». Não tinha lugar ao que fugir embora conseguisse escapulir do edifício, não tinha forma de escapar da ilha salvo com os piratas. O capitão Brillaird seguia sendo sua única alternativa, por mais que soubesse que não a ajudaria guiado pela bondade de seu coração. Que bondade? Era um pirata! O dinheiro era sua única preocupação. Não obstante, sabia de forma instintiva que acabaria muito mau parada se Pierre lhe punha as mãos em cima, razão pela que a aterrava tanto. Além disso, teve a desgraça de presenciar a crueldade do francês quando aplicou um castigo a um membro de sua tripulação. Açoitou ao
  13. 13. JOHANNA LINDSEY CAUTIVO DE MIS DESEOS homem no salão, e não com um látego qualquer, a não ser com um de nove caudas cujas pontas metálicas arrancavam a pele como se de uma faca se tratasse. A expressão dos olhos do Pierre enquanto empunhava o látego deixava bem claro o muito que estava desfrutando. O francês começou a impacientar-se enquanto esperava a que o capitão Brillaird aparecesse, para assim poder comprá-la. sentava-se à mesa junto a ela e a atormentava lhe dizendo tudo o que pensava lhe fazer. —por que não me olha, chérie? As damas como você são muito orgulhosas. Não ficará orgulho depois de que tenha acabado contigo. me olhe! Ela se negou. Tinha evitado seu olhar desde aquele primeiro dia. —Vá-se, por favor. O pirata pôs-se a rir. —Mas o que refinada é. O que educada. Pergunto-me quanto te durará a educação depois de que te converta em meu mascote. Será um mascote obediente, chérie, ou terei que te castigar freqüentemente? —O pirata escutou o ofego que lhe escapou e acrescentou—: Já viu do que sou capaz, mas não se preocupe por sua preciosa e aristocrática pele. Jamais danificaria sua beleza. Há outras maneiras de adestrar a um mascote... Atormentava-a, mas nunca a tocava. Punha muito cuidado em não fazê-lo com tantas testemunhas no salão. Embora era evidente que isso era o que desejava. Doura lhe disse que semelhante autocontrol lhe ocasionava tal frustração que se embebedava todas as noites até cair inconsciente em qualquer sítio e que não retornava até a tarde seguinte. Foi todo um golpe de sorte para o Gabrielle que a esposa do capitão Brillaird mantivera ocupado a seu marido até que o último dos cinco capitães ancorou na enseada. O quinto capitão por fim tinha atracado à ilha. O homem entrou no edifício uma manhã, acompanhado do capitão Brillaird, ambos os desternillados da risada por algo que um deles havia dito. O recém-chegado viu o Gabrielle imediatamente. deteve-se e a observou atentamente antes de rodear os ombros de seu camarada com um braço e oferecer-se a comprá-la. Pierre não andava por ali para queixar-se de jogo sujo, aduzindo que ele tinha pensado fazê-lo primeiro. Estava convencida de que o teria feito e que inclusive se teria desatado uma briga. Entretanto, seguia dormindo a Mona da noite anterior. E ao capitão Brillaird parecia lhe dar igual quem pagasse, tal e como ela tinha suspeitado. Viu-o encolher-se de ombros antes de selar o pacto com um apertão de mãos e de que o quinto capitão lhe arrojasse uma bolsa repleta de moedas. Gabrielle estava aniquilada. Tudo tinha acontecido muito depressa. Mais tarde descobriu que o quinto capitão era um intermediário. Não era a primeira vez que comprava aos reféns que havia na ilha e os devolvia a suas famílias em troca de uma boa soma. Era um método com o que todos os envoltos ficavam satisfeitos e que permitia ao resto dos capitães retornar ao mar para capturar mais navios em lugar de ter que ocupar-se
  14. 14. JOHANNA LINDSEY CAUTIVO DE MIS DESEOS desse aspecto de seu negócio. A ele lhe dava bem esse tipo de negociação, assim como os disfarces. Quase não o reconheceu... —Que demônios faz aqui, Gabby, e onde está sua mãe? Tirou-a do assentamento imediatamente e atirou dela colina abaixo pelo atalho que levava a enseada. A maior parte de sua tripulação seguia a bordo, mas se cruzaram com dois de seus marinheiros, aos que ordenou retornar ao navio sem mediar explicações. Quando Gabrielle o obrigou a deter-se e lhe explicou que tinham que liberar também a sua ama de chaves, o capitão enviou a um dos homens em busca do Margery. Gabrielle tinha milhares de perguntas que lhe fazer, mas todas ficaram esquecidas ao recordar a perda de sua mãe. —morreu, papai. Por isso me parti da Inglaterra. vim a te buscar, para viver contigo —disse entre soluços—. Mas não nesta ilha, se não te importa —acrescentou de forma afetada. Capítulo 3 O pai do Gabrielle se sentiu em extremo envergonhado o dia que a resgatou. Sua mãe e ela não se inteiraram, nem sequer tinham chegado a suspeitar, que tinha levado uma vida coalhada de aventuras durante todos esses anos. Nathan Brooks, o pirata. Custava um pouco acostumar-se a isso. Nesses momentos parecia muito diferente. Tinha-lhe resultado muito difícil reconhecê-lo. Sempre que ia a Inglaterra a visitá-la, asseava- se, barbeava-se a barba e se cortava a larga juba que luzia nesses instantes. Esse era o único aspecto que tinha conhecido em toda sua vida daquele homem, e acreditava parecer-se com ele, ao menos no que ao cabelo e os olhos se referia. Ambos tinham o cabelo negro e os olhos de um azul claro. Entretanto, não tinha herdado sua altura, algo de agradecer se se tinha em conta que era um homem alto, de algo mais de metro oitenta; Gabrielle tinha a estatura de sua mãe, um metro e sessenta e dois centímetros. Mas esse homem não se parecia em nada ao pai que ela conhecia e amava. Para falar a verdade, seu aspecto e seu traje eram tão extravagantes como os do resto de quão piratas tinha conhecido. Inclusive levava um pequeno brinco de ouro na orelha! tirou-se a toda pressa o pendente. Um bom indício de quão envergonhado estava depois de que sua vida secreta tivesse ficado ao descoberto ante ela. Um par de horas depois de que zarpassem do porto, Gabrielle se deu conta de que o navio de seu pai tinha diminuído a marcha. Subiu à coberta para inteirar-se do que ocorria e se deu de bruces com o Pierre Lacross! Seu navio os tinha alcançado. Pierre os tinha seguido da base pirata! Ainda não lhe tinha mencionado seu nome ao Nathan. Não tinham disposto de muito tempo para falar ainda e, além disso, seguia tratando de assimilar o lhe impactem descobrimento de que seu pai era um membro da confederação pirata. Embora ao menos se havia sentido a
  15. 15. JOHANNA LINDSEY CAUTIVO DE MIS DESEOS salvo uma vez que seu pai a resgatou e tinha albergado a certeza de que jamais voltaria ou seja nada de tipejos como Pierre. Entretanto, ali estava, na coberta da jóia quebradiça, de pé junto ao Nathan e falando com ele como se fossem velhos amigos. Lhe ocorreu de repente que deviam conhecer-se desde fazia anos, já que eram dois dos cinco capitães que compartilhavam a base. O olhar ávido e frio do Pierre se cravou nela imediatamente e a deixou paralisada sobre os tablones da coberta temperada pelo sol. O pânico voltou a apoderar-se dela. Devia haver ficado pálida, porque seu pai se aproximou dela e lhe aconteceu um braço pelos ombros em um gesto protetor. —Levou-lhe isso muito logo, mon ami —disse Pierre, sem incomodar-se em ocultar a razão pela que se encontrava ali—. Queria comprá-la para mim. —Não está em venda —assegurou Nathan. —É obvio que sim. Você pagou por ela, e eu te pagarei mais. Obterá bons benefícios e ambos nos daremos por satisfeitos. —Não o entende. É minha filha —esclareceu Nathan com frieza. Pierre pareceu surpreso. produziu-se um silêncio tenso enquanto assimilava a situação e seu olhar percorria uma e outra vez a pai e filha. Deveu dar-se conta de que não poderia levar-lhe sem lutar e retrocedeu em seu empenho; soltou uma gargalhada e amaldiçoou sua má sorte com o tom mais amistoso que poderia esperar-se de alguém como ele. Dito tom pareceu convencer ao Nathan de que Lacross sabia que Gabrielle estava fora de seu alcance, mas a ela não a enganou. Tinha o pressentimento de que o pirata considerava a conversação com o Nathan uma simples demora. afastou-se em seu navio, mas muito se temia que não seria essa a última vez que ia vê-lo. Margery não se andou com olhares na hora de expressar o muito que desaprovava a ocupação de seu pai. Com todas essas olhadas reprobatorias que se dedicou a lhe lançar durante os primeiros dias, Gabrielle logo se encontrou defendendo-o. depois de tudo, era seu pai. Que fosse um pirata não significava que tivesse que deixar de querê-lo. Seu pai e ela não tiveram oportunidade de conversar até que chegaram ao porto do Saint Kitts, uma ilha de vital importância para suas rotas marítimas. Tinha uma pequena casa na praia, o bastante longe da cidade para poder ancorar o navio a pouca distância da costa e chegar a ele em expulse em caso necessário. Embora jamais tinha tido que fazê-lo. Saint Kitts era um porto inglês, e ele era um cavalheiro inglês que jamais tinha aberto fogo contra os navios ingleses. Os franceses, os alemães e os espanhóis eram outro cantar. Sua casa era bastante peculiar; parecia uma elegante casa de campo inglesa que tivesse sido adaptada ao clima quente, com habitações grandes e luminosas nas que as janelas sempre estavam abertas para deixar acontecer a brisa, sem importar a direção da que procedesse. Os brilhantes chãos de madeira polida, as enormes palmeiras plantadas em vasos de barro e as delicadas e vaporosas cortinas acrescentavam um
  16. 16. JOHANNA LINDSEY CAUTIVO DE MIS DESEOS toque exótico ao edifício, mas os móveis eram elegantes e de um evidente desenho inglês; além disso, tudo se mantinha imaculada graças ao pequeno grupo de serventes que cuidava da casa quando ele não estava ali. Os quadros que adornavam as paredes eram de bom gosto e lhe recordavam tanto aos de sua mãe que se sentiu imediatamente como em casa. O dormitório que lhe atribuíram era muito maior que o que tinha na Inglaterra. O velho armário era uma antigüidade fabricada com madeira de cerejeira e com incrustações de marfim nas portas; a cama com dossel tinha postes esculpidos e estava rodeada por uma diáfana mosquiteira branca. E o balcão tinha umas magníficas vistas ao oceano e, na lonjura, ao porto. O comilão também oferecia vistas ao oceano, e essa noite jantaram um saboroso prato local, que consistia em caranguejos cheios com um molho picante de plátano e tomate, tudo acompanhado de vinho francês. Através das janelas abertas penetrava uma fragrante brisa, assim como o relaxante som das ondas do mar. Gabrielle teve a impressão de que lhe ia encantar viver ali. Entretanto, Margery não parecia compartilhar sua opinião. passou-se tudo o jantar fulminando aos serventes com o olhar e insistindo em que embarcaria no primeiro casco de navio que a levasse a casa. logo que Margery se levou seu mau humor à cama, Nathan acompanhou ao Gabrielle a dar um passeio pela praia para que pudesse lhe fazer todas as perguntas que lhe tinham estado rondando a mente. Não pediu desculpas pelo trabalho que tinha eleito, mas sim lhe explicou os motivos que lhe tinham levado a isso. —Não era mais que um jovem marinheiro de um navio mercante quando nos fomos pique em uma tormenta —lhe disse—. Sobrevivemos muito poucos. Levávamos dias flutuando à deriva quando os piratas encontraram. Gabrielle acreditou compreender. —E se sentiu em dívida com eles por te haver resgatado, não? —Eu não o chamaria exatamente «resgate», Gabby. Em realidade, andavam curtos de pessoal. —Quer dizer que de não ter sido assim teriam passado de comprimento? —inquiriu. —Exato. E nos fizeram a oferta de costume: nos unir a eles ou voltar para água. Assim que uni a eles. —Mas não havia necessidade de que seguisse com eles, verdade? Poderia ter seguido seu próprio caminho ao chegar a porto, não é assim? —Não chegamos a porto algum, ao menos a nenhum que não pertencesse aos piratas, durante muito tempo. E para quando o fizemos... Bom, devo admitir que, a essas alturas, estava desfrutando do lindo. Encontrava essa vida emocionante. assim, não pus muitos reparos em ficar e consegui ir subindo na hierarquia até conseguir meu próprio navio. —Isso foi antes ou depois de que conhecesse mamãe? —Antes.
  17. 17. JOHANNA LINDSEY CAUTIVO DE MIS DESEOS —E ela alguma vez suspeitou nada? —Nem o mais mínimo. —O que fazia na Inglaterra quando a conheceu? Ele esboçou um sorriso ao recordá-lo. —Procurava um tesouro. O capitão desse primeiro navio me converteu em um viciado. —Procurava um tesouro na Inglaterra? —perguntou Gabrielle, atônita. __No, foi a parte que faltava de um de meus mapas o que me levou até ali. Demorei anos em descobrir que sua família, segundo os rumores, estava em posse dessa última parte. Casei-me com ela para facilitar a busca. —Não a amava nem um poquito? Seu pai se ruborizou um pouco. —Era uma mulher atrativa; mas não, meu único amor é o mar, moça. E lhe bastava tendo marido. Tinha começado a inquietar-se a esse respeito, porque seguia solteira depois de várias temporadas sociais. Eu não estava à altura de seus ideais, é obvio, e não possuía uma linhagem tão distinta como o seu, mas nnaquele tempo naquele tempo era bastante arrumado, se me permite dizê-lo. Não obstante, acredito que a ambos pilhou de surpresa que aceitasse minha proposição. O encanto se dissipou rapidamente. E se alegrou de lombriga partir. Isso explicava muitas coisas. Sempre se tinha perguntado o que tinha unido a seus pais, já que se comportavam como dois estranhos durante suas visitas. E na prática quase o eram. Teve o pressentimento de que assim como Nathan tinha utilizado o matrimônio como um meio para obter seus propósitos, também o tinha feito Carla. Queria um filho e necessitava um marido para consegui-lo. Entretanto, nenhuma só vez ao longo dos anos tinha duvidado do amor de sua mãe. Nem sequer ao final, quando se converteu em uma mulher amargurada por causa de seu amor perdido, fez-a objeto dessa amargura. —Encontrou alguma vez a parte que te faltava do mapa? — perguntou com curiosidade. —Não —murmurou seu pai—. Mas me demorei muito buscando-o. Foi concebida pouco tempo antes de que me partisse e foi a única razão pela que retornava com o passar dos anos. Jamais me arrependi. foste a alegria de minha vida, Gabby, minha única e verdadeira fonte de orgulho. Sinto o de sua mãe e também sinto que tenha tido que passar este gole sozinha. E que tenha tido que te arriscar a vir aqui para me encontrar... foi um gesto muito valente por sua parte. —Pareceu-me que não tinha outra alternativa. Guardaram silêncio para contemplar o oceano iluminado pela lua enquanto as ondas lhes acariciavam os pés. Uma brisa cálida fazia ondear seu vestido. Seu pai lhe rodeou os ombros com um braço e a estreitou contra ele. —Também lamento que lhe capturassem, mas não sinto absolutamente que esteja aqui comigo, filha. Isto é o que sempre desejei.
  18. 18. JOHANNA LINDSEY CAUTIVO DE MIS DESEOS As lágrimas se amontoaram nos olhos do Gabrielle enquanto o rodeava com os braços para lhe devolver o abraço. Por fim estava em casa, em seu verdadeiro lar. Gabrielle encontrou a vida no Saint Kitts maravilhosa. levantava-se cada manhã para desfrutar de todo um dia de sol e aventuras. Aprendeu a nadar ante a insistência de seu pai, e isso fazia quase todos os dias nas cálidas e azuis águas do Caribe. Também percorria a praia a lombos do cavalo que Nathan lhe tinha agradável, e algum que outro dia chegava a casa já de noite, depois de ter desfrutado do magnífico pôr-do-sol. adorava esse lugar, embora o calor resultasse cansativo em ocasiões. O motivo era muito simples: tudo lhe resultava novo, e a sua idade, isso o fazia fascinante. A comida era diferente; o clima era certamente muito distinto; os aldeãos eram pitorescos e amistosos; os entretenimentos, inclusive os bailes nas ruas, não se pareciam com nada que tivesse podido imaginar na Inglaterra. Inclusive descobriu que gostava de navegar e, com o tempo, adquiriu bastante destreza, dado que viajava com seu pai enquanto procurava pistas sobre um de seus numerosos mapas de tesouros. Ao final compreendeu por que tinha escolhido a vida que levava. Havia mais diversão e aventura em uma só semana que em toda uma vida de um homem normal! Talvez não aprovasse sua afeição à pirataria mas começou a vê-la de um ponto de vista diferente, sobre tudo depois de averiguar que alguns dos reféns dos que se encarregava Nathan jamais teriam retornado junto a suas famílias de não ser por sua intervenção, já que atuava como intermediário. E já não capturava navios. Passava a maior parte do tempo procurando tesouros. Estava com ele inclusive quando localizou os sinais de um de seus mapas e por fim pôde estabelecer a localização da brilhante marca vermelha que indicava onde estava escondido o tesouro. Foi muito emocionante ver como seu pai e seus homens cavavam nesse lugar da pequena ilha e encontravam o enorme cofre enterrado ali. Embora foi toda uma decepção abri-lo e encontrá-lo vazio. Claro que era de esperar. Os mapas que tinha ido recolhendo ao longo dos anos tinham passado por muitas mãos antes de cair nas suas. A maior parte deles eram difíceis de decifrar, já que o dono do tesouro que o tinha desenhado utilizava poucas marcas, as justas e necessárias para poder localizar sua bota de cano longo, mas não as suficientes para que qualquer outra pessoa que se fizesse com os mapas pudesse dar com ele. Além disso, alguns mapas tinham sido divididos para dificultar o trabalho de decifrá-los e os fragmentos se esconderam em distintos lugares ou tinham sido entregues a distintos membros de uma família e seu significado se perdeu com o passado do tempo, de forma que algumas pessoas nem sequer sabiam que os tinham. Nathan tinha dois mapas ainda incompletos.
  19. 19. JOHANNA LINDSEY CAUTIVO DE MIS DESEOS Margery nunca agarrou esse navio de volta a Inglaterra, como tinha jurado fazer assim que chegou ao Saint Kitts. Embora jamais se acostumou de tudo ao caloroso clima das ilhas, ficou porque não queria deixar ao Gabrielle só enquanto isso «pirata». Entretanto, chegou a conhecer bastante bem a algum desses piratas; ao menos aos membros da tripulação do Nathan. Ambas o fizeram. Gabrielle incluso considerava bons amigos a uns quantos. Em realidade, e por estranho que parecesse, quase todos os membros da tripulação do Nathan eram bastante decentes e honoráveis, embora possivelmente muito independentes e aventureiros para encaixar na sociedade respeitável. Nathan realizou um bom trabalho na hora de proteger a dos homens desagradáveis, como Pierre Lacross, embora ela jamais deixou de temer a esse homem, nem sequer depois de inteirar-se de que mantinha uma relação com uma pirata chamada Rede. E o viu uma vez mais em alta mar, quando seu pai e ela navegavam em busca de um tesouro. Pierre acabava de capturar um navio. Foi então quando descobriu que se Nathan não lhe tivesse tirado ao Pierre os reféns das mãos, o pirata os teria matado. antes de que se afastasse em seu navio, conseguiu encurralá-la durante um instante para lhe sussurrar longe dos ouvidos de seu pai: —Não cria que me esqueci que ti, cariñín. Já chegará nossa hora. Esse foi provavelmente o único borrão na imaculada tapeçaria que conformavam as maravilhosas experiências das que desfrutava vivendo com seu pai nas ilhas. Sabia que isso não duraria para sempre. Algum dia se casaria, e inclusive se sentia impaciente por fazê-lo. Desejava de coração aquilo que se perdeu de menina: uma família estável e carinhosa que permanecesse unida. Paquerou com alguns marinheiros arrumados, mas todos acabaram partindo; coisa que não lhe importou muito já que, durante aqueles dois primeiros anos no Saint Kitts, quão único de verdade desejava era passar tempo com seu pai e recuperar os anos que tinham estado separados. Assim seguiu durante quase três anos, até que Charles Millford retornou de seus estudos no estrangeiro. Charles, o arrumado filho de uma distinguida família inglesa que possuía uma plantação de açúcar na ilha, pareceu sentir-se bastante atraído por ela também, mas só até que descobriu quem era seu pai e lhe esclareceu com bastante grosseria por que dava por terminada sua amizade. Não porque Nathan fosse um pirata! Ninguém no Saint Kitts sabia que o era. A verdadeira causa era que os Millford o consideravam um plebeu. A família era tão arrogante para dar por sentado que ela não era o bastante boa para seu único filho por essa razão. Gabrielle ficou destroçada quando Charles lhe deu as costas depois disso, embora o ocultou muito bem. Não estava disposta a permitir que seu pai soubesse que o único homem que lhe tinha feito pensar seriamente no matrimônio não se casaria com ela por sua culpa. Entretanto, era uma ilha pequena. Nathan o averiguou de algum modo. Gabrielle teria que havê-lo adivinhado por seu repentino estado de ensimismamiento, tão estranho nele, mas posto que não lhe disse nada,
  20. 20. JOHANNA LINDSEY CAUTIVO DE MIS DESEOS ela não quis tirar o tema a colação. Foi então quando mencionou que logo alcançaria a maioria de idade e Ohr, um dos leais membros da tripulação do Nathan, escutou o comentário e assinalou: —E ainda não se casou? Nathan ficou lívido ao escutá-lo e essa mesma noite foi convocada a seu escritório. depois de ver a reação que tinha tido ao escutar o comentário do Ohr, Gabrielle supôs que ia falar lhe de suas perspectivas de matrimônio na ilha. Jamais teria adivinhado que já tinha tomado uma decisão. logo que se sentou frente a ele ao outro lado do escritório, Nathan disse: —vou enviar te de volta a Inglaterra. A reação do Gabrielle foi imediata. Nem sequer teve que pensar-lhe —No. —Não. Seu pai sorriu ao escutá-la. E foi um sorriso triste. Nem sequer tratou de discutir com ela. Dado que desejava fazê-la feliz, Gabrielle sempre estava acostumado a sair-se com a suas em todas as discussões que mantinham. Nathan explicou sem mais: —Sabe que sua mãe e eu não fazíamos bom casal. Ela pertencia à aristocracia, enquanto que eu formava parte da outra cara da moeda. Embora eu gostaria que soubesse que não tenho nada do que me envergonhar no concernente a minha educação. Cresci no Dover. Meus pais eram boas pessoas, gente trabalhadora. Mas sua mãe nunca o viu dessa forma e inventou bonitas histórias para seus amigos a respeito de meu passado e a razão pela que nunca estava em casa. Nem sequer queria que seus amigos soubessem que me dedicava ao comércio, que não era o caso, mas assim era como pensava. —Isso já sei, papai. —Sim, sei que sabe, mas, verá, tem sangue nobre nas veias procedente da linhagem de sua mãe. Entretanto, ninguém acreditará nesta parte do mundo. E, além disso, hoje me dei conta das coisas das que te privei ao te manter a meu lado, como uma temporada em Londres e todos os grandes bailes e festas que qualquer jovencita da flor e nata da aristocracia daria por sentado... tudo o que sua mãe teria desejado para ti, incluído um cavalheiro elegante como marido. Ela agachou a cabeça ao escutá-lo. —Inteiraste-te que o do Charles Millford, verdade? —Sim —respondeu ele em voz baixa—. Inclusive baralhei a idéia de desafiar a duelo ao velho Millford. Gabrielle elevou a cabeça de repente. —Não! Seu pai sorriu. —Em realidade sim, mas acreditei que seria melhor te perguntar primeiro se amas de verdade ao moço. Ela o meditou durante um instante antes de admitir:
  21. 21. JOHANNA LINDSEY CAUTIVO DE MIS DESEOS —Não. Estou segura de que o teria amado com o tempo; mas se te sou sincera, acredito que tinha vontades de me apaixonar e Charles é o primeiro homem dos que conheci aqui que me pareceu que poderia chegar a ser um bom marido. —Tanto se o tivesse sido como se não, Gabby, pensa no que acaba de dizer. Em todo o tempo que leva aqui, é o único homem ao que tomaste em consideração como possível marido. Um número irrisório, querida, quando deveria ter dúzias de jovens entre os que escolher, e isso é o que acontecerá na Inglaterra. Não, tem que retornar para reclamar sua herança e desfrutar da temporada que sua mãe sempre planejou para ti e, de passagem, para encontrar um marido adequado. Gabrielle sabia que tinha razão, que provavelmente não ficasse mais remedeio que fazê-lo. Mas casar-se com um inglês significaria voltar a viver na Inglaterra, e detestava a idéia de renunciar a sua maravilhosa vida ali. Não obstante, se tinha um pouco de sorte, acabaria por encontrar a um inglês com o suficiente espírito aventureiro para transladar-se ao Caribe por amor. Isso sim que seria perfeito e obteve que se entusiasmasse pela viagem. —Tem razão —disse—. Eu gostaria de conhecer alguém de quem pode me apaixonar e com quem pode me casar, mas como vou fazer o sem alguém que me presente em sociedade? —Não se preocupe, querida. Talvez não tenha a mesma linhagem que sua mãe, mas conheço um homem que me deve um favor e que forma parte da flor e nata da nobreza inglesa. chama-se Malory... James Malory. Capítulo 4 —Crie que ao Drew importará? —perguntou-lhe Georgina Malory a seu marido enquanto se arrumava para o jantar. —Tem intenção de perguntar-lhe inquiriu ele a sua vez. —Bom, é obvio. —Não me perguntaste nada —lhe recordou seu marido. Georgina soprou. —Como se me tivesse deixado ir sozinha... —É evidente que não, mas existia a possibilidade de que te tivesse ordenado que ficasse em casa. Georgina piscou, surpreendida. —Sério? James Malory grunhiu para seus adentros. Sua esposa tinha sofrido um aborto durante o último embaraço. Não falavam do tema, mas era tão recente como para que acessasse a todos seus desejos, mesmo que logo que suportava a presença de seus irmãos e quando, em circunstâncias normais, jamais se teria exposto sequer a idéia de navegar com um deles sem ter o controle do navio. De fato, estava considerando a possibilidade de comprar um para não ver-se obrigado a fazê-lo, embora não estava seguro de poder consegui-lo no curto espaço de tempo que sua esposa tinha disposto para
  22. 22. JOHANNA LINDSEY CAUTIVO DE MIS DESEOS empreender a viagem. Mas claro, se era ele quem a levava ao Bridgeport, privaria-a da companhia de seu irmão, e George estava desejando o ter perto. Por todos os demônios! —Já acessei, George, assim é falar por falar. trata-se de seu irmão. Você o que crie? Georgina se mordeu o lábio, embora não parecia muito preocupada. —A ocasião é perfeita, verdade? —perguntou-lhe em busca de um pouco de apóio—. Drew já tinha decidido partir dentro de um par de semanas com rumo ao Bridgeport em lugar de seguir uma de suas rotas caribenhas, assim disporá de camarotes livres e não terá que trocar seus planos para me agradar. E estou segura de que não lhe importará zarpar uma semana antes. ia ficar mais tempo em Londres só para estar comigo. James arqueou uma de suas sobrancelhas douradas ao escutá-la. Era um gesto que estava acostumado a irritar muito a sua esposa antes de que se casassem, mas a essas alturas o encontrava do mais encantador. —E se as circunstâncias fossem distintas, o teria perguntado? —quis saber. —Bom, claro que sim. É a melhor época para realizar a travessia, depois de tudo. Estamos a finais do verão, assim chegaremos antes do inverno. Inclusive a data para as bodas do Jeremy, dentro de uns dias, vem-nos de pérolas. Voltaremos para Londres das bodas com tempo de sobra para fazer a bagagem se decidimos partir na próxima semana. Me teria resultado um pouco incômodo lhe pedir ao Drew que se separasse de sua rota para me levar ao Bridgeport, mas já que vai... —Se esquece de que adora ao Jack. Faria algo por ela em caso de que fora capaz de te negar algo a ti. E, ao igual a você, está encantado com a idéia de levá-la a Connecticut para que veja com seus próprios olhos de onde procede o ramo barbárica de sua árvore genealógica. Seus irmãos levam anos insistindo em que Jack devia fazer essa viagem. De haver-se saído com a sua, a menina se teria criado ali, não aqui. Georgina passou por cima o comentário sobre o «ramo barbárica» para assinalar: —De todos os modos, não acredito que tivessem a intenção de que viajasse sendo tão pequena. Se quiser que te diga a verdade, estão desejando que se case com um norte-americano, por isso queriam que fizesse essa visita em particular quando tivesse idade suficiente para conseguir marido. —te remoa a língua, George. Casará-se com um inglês... e isso sempre que lhes permita aproximá-lo suficiente como para que possam conhecê-la. O último comentário foi apenas um murmúrio entre dentes que arrancou um sorriso a Georgina. —Bom, a idéia era que se se apaixonava por um norte-americano, não proibiria o matrimônio. Poria objeções, isso por descontado, mas posto que a menina te tem no bolso, ao final acabaria cedendo. —Agradeço-te a advertência.
  23. 23. JOHANNA LINDSEY CAUTIVO DE MIS DESEOS Ao ver que não dizia nada mais, Georgina franziu o cenho. —Está-me dizendo que não pensa permitir que se aproxime de Connecticut quando estiver em idade casadera? —Exato. A expressão carrancuda desapareceu. Inclusive soltou uma risilla. —Detesto ser eu quem lhe relatório disto, mas cada vez há mais norte-americanos que vêm de visita a Inglaterra. E pode estar seguro de que, quando chegar o momento, meus irmãos vão estar muito ocupados enviando a nossa porta a quanto homem adequado encontrem para que conheça sua adorada sobrinha. —Eu não apostaria por isso, querida. Georgina suspirou ao imaginar quão desagradável poderia voltar a situação se seu marido e seus irmãos pusessem fim à trégua. Para falar a verdade, tinham-na combinado a contra gosto. depois de tudo, não existia a menor avaliação entre eles e tinham tentado matar-se em alguma que outra ocasião. Em realidade, seus irmãos lhe tinham dado uma boa surra ao James, os cinco de uma vez. É obvio que não teriam tido êxito se se tivessem enfrentado com ele de um em um, mas o fato de que James lhes anunciasse que tinha comprometido a sua única irmã os tinha enfurecido tanto que se mostraram mais que dispostos a fazer que o enforcassem por pirataria se não acessava a casar-se com ela. Um começo pouco prometedor para o maravilhoso matrimônio de que desfrutavam nesses momentos, mas certamente não podia negar que o processo de conhecer o James Malory, ex-libertino e ex-cavalheiro pirata, tinha sido incrivelmente emocionante. Estalou a língua. —Não sei como acabamos falando do futuro matrimônio do Jacqueline com a quantidade de anos que faltam até então —se queixou— . Deveríamos estar falando das bodas do Jeremy, que se celebrará dentro de uns dias. Sabe que vem esta noite para jantar, verdade? E também saberá que necessita que o animem, não? Hei convidado também ao Percy e ao Tony, que virá com toda sua família. James se aproximou dela e a abraçou desde atrás. —Já me disse isso durante o café da manhã. O que não sabia era que estivesse nervosa, e não o negue. Desde não ser assim, não te repetiria. Reconhece-o, George. —Não estou nervosa absolutamente. Espero que Drew esteja encantado de nos levar como passageiros quando o pedir, e penso fazê-lo esta noite. —Então, o que te passa? Georgina suspirou de novo. —Deu-me de pensar que nos estamos fazendo velhos, James. —E um corno. Georgina se girou entre os braços de seu marido para lhe devolver o abraço, coisa não muito fácil dada a compleição corpulenta e musculosa do James Malory.
  24. 24. JOHANNA LINDSEY CAUTIVO DE MIS DESEOS —É certo —insistiu—. Estou segura de que Jeremy nos converterá em avós pouco depois de casar-se, e isso fará que me sinta como uma anciã! James estalou em gargalhadas. —Mas que parva é, e eu que pensava que só te punha assim quando... quando está... grávida. Santo Deus, George! Não estará grávida de novo, verdade? Sua esposa respondeu com evidente mau humor: —Não que eu saiba. Não acredito. —Nesse caso, deixa de tolices ou terei que te recordar que Jeremy é seu enteado e que, além disso, só é uns quantos anos mais jovem que você. Em todo caso, seria uma simples abuelastra. E nem te ocorra voltar a me chamar velho ou acaso está pensando servir algum anel como jantar? afastou-se dele entre gargalhadas ao recordar aquela perseguição ao redor de seu escritório a bordo do Maiden Anne, depois de que lhe dissesse que a situação lhe vinha «como anel ao dedo» e o tachasse assim de velho caduco. James lhe tinha replicado que ia fazer que se comesse esse anel, e era muito provável que a tivesse obrigado a fazê-lo. depois de tudo, tinha ferido sua vaidade e com total deliberação. Os anéis e o fato de comer os eram uma brincadeira íntima após. —Não sente saudades que esse patife necessite que o animem — conveio James—. Sua futura sogra virtualmente o jogou a patadas de sua casa e se nega a permitir que veja a noiva antes das bodas. Que me pendurem se eu teria permitido que sua família me mantivera afastado de ti depois de fixar a data. —Muito gracioso, James. Nem sequer datamos nossas bodas e sabe muito bem. Levaram-nos a altar a empurrões o mesmo dia que minha família te conheceu. —Um detalhe estupendo, mas é que os bárbaros som tão, mas tão predecibles... Georgina rompeu a rir de novo. —Será melhor que não lhes digamos que foi você quem forçou a situação aquele dia, porque estão convencidos de que foi ao contrário. —De todos os modos não acreditariam e, graças a Deus, só há um de seus irmãos pressente; a gente já é muito, mas se pode tolerar... —Jamais admitirá que meus irmãos não são tão maus como acreditava, verdade? Drew incluso salvou ao Jeremy recentemente do matrimônio forçado no que se viu metido sem comê-lo nem bebê-lo, e sem que ninguém o pedisse, além disso. —E não cria que não o agradeço. Detesto admiti-lo, mas lhe devo uma após. Mas não o recorde. Espero que o esqueça, maldita seja. —Ora! Não espera retribuição alguma. Os Anderson não são assim e você sabe. —Sinto discrepar, George. Todo mundo é assim quando a necessidade aperta. Por fortuna, tem outros quatro irmãos aos que pedir ajuda antes de pensar em um cunhado. E esse estrondo significa que
  25. 25. JOHANNA LINDSEY CAUTIVO DE MIS DESEOS Tony chegou —acrescentou com uma careta ao escutar o ruído procedente da planta baixa—. Deveria lhe dizer a nossa filha que os chiados são próprios dos porcos, não das senhoritas. Georgina esboçou um sorriso pela reação de seu marido ante o escândalo que sua filha e a do Tony estavam montando. —Não serviria de nada. Sabe muito bem que Jack e Judy são inseparáveis. Assim que passam uns quantos dias sem ver-se, não podem evitar entusiasmar-se quando se encontram. —Nem armar todo esse alvoroço infernal. —Acabo de me dar conta de uma coisa. Jacqueline está desejando empreender a viagem, mas acredito que não tem cansado na conta de que não verá o Judith durante os meses que estejamos fora. James grunhiu para seus adentros, sabendo do rumo que tinham tomado os pensamentos de sua esposa. —vais deixar lhe os gêmeos a Regam e agora quer acrescentar outro passageiro à lista? Meu irmão nunca acessará. Pode estar segura. —É obvio que sim. Terá que ter presente que a visita será educativa para as meninas. Nenhuma das duas saiu nunca da Inglaterra. —E o que tem isso que ver com que Tony sinta falta da sua única filha? —Só terá que lhe recordar que assim poderá estar um tempo a sós com o Roslynn... James a encerrou de novo entre seus braços. —E quando vou conseguir eu um pouco de tempo a sós contigo? —Isso quer? —perguntou a sua vez em um ronrono ao tempo que jogava os braços ao pescoço e se apoiava contra ele. —Sempre. —Nesse caso, pode estar seguro de que me ocorrerá algo. Capítulo 5 —Duas semanas não são nada; além disso, só ficam dois dias para as bodas. Tempo suficiente para lhe pensar isso melhor, não? Sua mãe é um gênio, se quer saber minha opinião. Talvez acabe lhe dando as obrigado. Os quatro homens ficaram olhando ao Percival Alden como se fora tolo. Algo que não era incomum. De fato, acontecia bastante freqüentemente. Estava garantido que Percy, como o chamavam seus amigos, dissesse os maiores disparates ou, pior ainda, dissesse o que não devia às pessoas equivocadas, circunstância que estava acostumado a deixar a seus amigos com a água ao pescoço. Por estranho que parecesse, nunca o fazia a propósito. Percy era assim. Nesse instante, só Jeremy Malory o olhava jogando faíscas pelos olhos a causa do comentário que acabava de fazer. Outros o estavam passando em grande, por mais que tratassem de dissimular a toda costa. Entretanto, Jeremy sofria um de seus arranques de melancolia, provocados pelo fato de que não podia ver o Danny, a mulher que lhe tinha roubado o coração, enquanto a mãe desta organizava as bodas.
  26. 26. JOHANNA LINDSEY CAUTIVO DE MIS DESEOS O verdadeiro motivo pelo que Evelyn Hillary lhe tinha pedido ao Jeremy duas semanas antes que partisse a sua casa até o dia das bodas, não era outro que seu desejo de passar um tempo a sós com sua filha Não podia reprovar-lhe havia-lhe dito a mulher e, em realidade, assim era. depois de tudo, mãe e filha tinham acontecido separadas muito tempo, já que Danny se criou nos baixos recursos de Londres desconhecendo sua própria identidade, assim como o fato de que um de seus progenitores seguia com vida, apesar de que ela acreditava mortos a ambos. E acabavam de reencontrar-se. Ser consciente desse fato não fazia que a separação resultasse mais fácil para o Jeremy. Acabava de dar-se conta de que o que sentia pelo Danny era real, e os Malory não sucumbiam ao amor de qualquer jeito. Sua família contava com alguns dos libertinos mais tornados famoso de todo Londres, entre os que se encontrava o próprio Jeremy, e nenhum deles se tomava esse sentimento à ligeira quando o experimentava. Drew Anderson era o único ocupante do salão, lugar onde os homens se reuniram depois do jantar, que não fazia nada por dissimular quão gracioso encontrava o comentário do Percy. De todos os Malory, era Jeremy quem sem dúvida lhe caía melhor, dado que tinham muitas coisas em comum, ou assim tinha sido até que seu amigo decidiu renunciar a seu celibato. Jeremy também era seu sobrinho, ou mas bem sobrinho político, mas família ao fim e ao cabo. O mais gracioso de tudo era que Jeremy, cuja tolerância ao álcool era tal que jamais se embebedou de verdade, nem sequer quando o resto levava um bom momento sob a mesa, parecia estar a ponto de bater essa surpreendente marca essa noite. Tinha chegado com uma garrafa de brandi na mão, bebeu-se outra durante o jantar e estava dando conta a passos aumentados de uma terceira. Resultava incrível que a essas alturas não se desabou no chão, mas seus olhos tinham um brilho delator que indicava que estava bêbado e, segundo os rumores, pela primeira vez em sua vida. Seu pai, James, ainda não se tinha dado conta. Seu tio Anthony estava muito ocupado evitando rir para precaver-se. Percy só se dava conta de coisas que não deveria, por isso tampouco se precaveu. Mas Drew, ao ser um Anderson em território inimigo, por assim dizê-lo, não tinha o menor problema em precaver-se da melancolia do Jeremy e de seus esforços por agüentá-la. Penas afogadas em álcool. Era muito gracioso. Embora Drew quase sentia lástima. A noiva era incrivelmente formosa e ele mesmo tinha baralhado a idéia de persegui-la quando ainda tomava por uma das criadas do Jeremy. Embora este se apressou a lhe deixar claro que a reclamava para si. E ele era da opinião de que não merecia a pena lutar por nenhuma mulher. Se não podia ter a uma em particular, outra ocuparia seu lugar. Não era suscetível, e tampouco estava ansioso por ficar apanhado por um sentimento que lhe era de tudo desconhecido. Em todos os portos nos que tinha atracado havia uma mulher esperando-o com os braços abertos. Não se tratava de que se esforçou a
  27. 27. JOHANNA LINDSEY CAUTIVO DE MIS DESEOS conscientiza por ter um «amor» em cada porto, tal e como gostava de dizer a sua irmã. Simplesmente era um homem que amava às mulheres, a todas as mulheres, e aquelas às que outorgava seus favores albergavam a esperança de que fizesse de seu porto uma escala permanente. Embora ele jamais as respirava a acreditar que chegaria a sentar cabeça. Não lhes mentia, nem os fazia promessas e, quando estava no mar, não lhes exigia mais fidelidade da que elas deviam esperar dele. Georgina e a esposa do Anthony entraram no salão antes de que Jeremy tivesse tempo de lhe dar um murro a seu amigo. «Hei aqui outra mulher deslumbrante, Roslynn Malory», pensou Drew. Conhecia a história de como Anthony se fez com a dama. naquela época, ela necessitava um marido que a protegesse de um sobressaio sem escrúpulos que pretendia lhe arrebatar sua fortuna e Anthony se ofereceu voluntário, para o mais absoluto assombro de sua família. Era outro libertino de que acreditavam que jamais se casaria. Drew ao menos tinha que lhes conceder um mérito aos Malory: tinham um gosto delicioso em questão de mulheres. E James Malory se levou a melhor peça, em sua opinião, já que tinha conseguido que a única fémina dos Anderson se apaixonasse por ele. Embora é obvio que não a merecia. Era uma opinião unânime entre os irmãos. Mas não se podia negar que a fazia feliz. Não gostava de no mais mínimo ver-se confinado em um navio com seu formidável cunhado, mas não negava que adorava a idéia de passar mais tempo com sua irmã e sua sobrinha, dado que não ia a Londres muito freqüentemente. Lástima que não pudesse deixar ao James em terra... Deveria havê-lo sugerido. Ele podia fazer-se carrego da família do James sem o menor problema, posto que também era a sua. E tinha a certeza de que seu cunhado em realidade não queria ir; devia albergar muito más lembranças de sua última visita ao Bridgeport. Não perdia nada sugerindo que ficasse, pensou. Ainda faltava uma semana para zarpar, tempo de sobra para que, ao menos, James considerasse a idéia de ficar em casa. Também havia tempo de sobra para ver como jogavam o laço ao Jeremy e para lamentar o fato de que outro solteiro contumaz engrossasse as filas dos casados. Se alguma vez chegava a cometer semelhante necedad, esperava que alguém tivesse a bem lhe pegar um tiro. Capítulo 6 Drew tinha pressa. Acabavam de lhe dizer que o navio de seu irmão Boyd, o Oceano, estava ancorado à espera de poder atracar no porto. Passariam dias antes de que lhe concedessem um sítio de atraque, já que havia um bom número de navios esperando seu turno para tal efeito. Entretanto, isso não significava que Boyd não se aproximou já até a borda em bote; e, em caso de que não o tivesse feito, já encontraria ele um para lhe fazer uma visita. Não sabia que Boyd tivesse previsto deter-se na Inglaterra, mas o momento não poderia ter sido mais oportuno. A família tinha voltado para
  28. 28. JOHANNA LINDSEY CAUTIVO DE MIS DESEOS Londres no dia anterior depois de assistir à bodas do Jeremy e zarparia por volta de Connecticut em menos de uma semana. Tinha ido aos moles esse dia para informar a seu primeiro da bordo de que partiriam antes do planejado. Em realidade, esperava ter encontrado o Oceano no Bridgeport, já que pelo general transportava açúcar e tabaco das Índias Ocidentais até os estados do norte. Tinha estado impaciente por reunir-se com seu irmão pequeno, daí que tivesse previsto navegar até seu porto de origem no Bridgeport. Se Boyd tinha ido a Inglaterra só para visitar a Georgina, talvez queria retornar ao Bridgeport com ele. Essa sim que era uma idéia agradável, sobre tudo porque seu cunhado, James, não tinha captado as indiretas e estava teimado em acompanhar a sua mulher e a sua filha. Não lhe viriam mal alguns reforços com esse Malory em particular a bordo. Georgina e Boyd eram os únicos Anderson que não capitaneavam seus próprios navios. Nunca se tinha esperado que sua irmã o fizesse e provavelmente teria que haver as visto com seus cinco irmãos de havê-lo sugerido alguma vez. Boyd não queria e ponto. adorava navegar, mas não gostava de estar ao mando. Sempre tinham suposto que se tratava de simples nervosismo e que com o tempo o superaria, que se converteria no capitão do Oceano quando estivesse preparado. Embora ao final tinha admitido que adorava viajar sem a responsabilidade de estar ao mando e, posto que pagava a seus capitães de seu próprio bolso, seus irmãos não tinham motivos de queixa. Dado que sua tripulação não necessitava ao Boyd para partir de novo, talvez se mostrasse de acordo em viajar com ele, com a Georgina e o resto de sua família no Tritón. Enquanto se abria passo através do atestado mole em direção ao escritório da Skylark, onde esperava encontrar ao Boyd em caso de que seu irmão tivesse desembarcado, não emprestou mais atenção a quão transeuntes a necessária para esquivá-los. Não obstante, resultou-lhe difícil passar por cima à mulher que estava a ponto de desabar-se diante dele. Agarrou-a do braço por puro reflexo para evitar que caísse. Em realidade, não lhe emprestou muita atenção, porque tinha postos os olhos nos dois tipos que caminhavam atrás dela e que se equilibraram para diante assim que a soltou. —me solte —lhe grunhiu ela, e assim o fez. Drew não tinha claro se os dois homens foram de verdade com ela, porque assim que a moça recuperou o equilíbrio, voltaram a ficar atrás e trataram de aparentar que não a vigiavam. Voltou a jogar uma olhada à mulher com a intenção de descobrir por que se mostrou tão reacia a agradecer sua ajuda, e se esqueceu por completo de sua escolta. Os olhos azuis mais claros que tinha visto em sua vida, rodeados de pestanas negras, olhavam-no jogando faíscas. Sua beleza lhe resultou tão
  29. 29. JOHANNA LINDSEY CAUTIVO DE MIS DESEOS surpreendente que lhe levou um momento fixar-se no resto de sua pessoa. Drew não estava acostumado a surpreender-se com facilidade. Que uma mulher despertasse sua curiosidade era normal, mas que o deixasse sem fala era algo inaudito para um homem que estava acostumado a perseguir as mais formosas damas ao longo e largo do mundo. A que tinha diante era bonita, isso sem dúvida, mas havia outras muitas que podiam lhe fazer sombra. Seu nariz era pequeno e delicado, e suas sobrancelhas apenas se arqueavam, provavelmente devido a sua expressão carrancuda. Entretanto, possuía uns carnudos lábios vermelhos como o sangue, embora não os tinha pintados. Supôs que se devia a que os tinha estado mordendo. Levava o cabelo negro recolhido em um artístico penteado. O vestido e o chapéu eram do mesmo azul que seus olhos. Vestia como uma dama à última moda, mas o intenso bronzeado que luzia sua pele era impensável em uma dama inglesa. Teria apostado algo a que a moça tinha estado em climas mais quentes não fazia muito. Seria essa pele bronzeada o que lhe tinha chamado a atenção? Ou esses pecaminosos lábios? Ou possivelmente só fora o olhar iracundo com a que o contemplava apesar de que acabava de ir em sua ajuda, pelo amor de Deus. —Deveria ter permitido que caísse a meus pés, encanto? —inquiriu. —Como diz? —esteve a ponto de lhe cair recordou—. Ou acaso o esqueceu? Sei que tenho esse efeito nas mulheres. esquecem-se de tudo assim que me vêem —acrescentou com um sorriso pícaro. Em lugar de lhe fazer esquecer o aborrecimento, como era sua intenção, seu comentário lhe arrancou um ofego de indignação, depois do qual replicou: —Tem-me feito mal no braço, caipira. —Sério? me deixe ver. Ela apartou o braço a toda pressa. —Acredito que não. Se de verdade pretendia servir de ajuda, o agradeço. Mas a próxima vez não seja tão bruto. O sorriso do Drew se desvaneceu. —Não haverá uma próxima vez, porque se se tropeça de novo, pensarei-me isso duas vezes antes de sujeitá-la —replicou—. De fato, estou seguro de que deixarei que caia. Que tenha um bom dia, senhorita. Escutou seu ofego ofendido enquanto se afastava. Foi um som agradável a seus ouvidos, mas não lhe devolveu o sorriso. «Moça ingrata...», pensou. Estava tão molesto que não sentiu o impulso de voltar a olhá-la, coisa estranha nele quando se cruzava com uma mulher formosa. abriu-se passo a cotoveladas entre suas escoltas, se de verdade o eram. Uma lástima que nenhum deles se sentisse ofendido. Capítulo 7
  30. 30. JOHANNA LINDSEY CAUTIVO DE MIS DESEOS O porto de Londres seguia sendo o mesmo hervidero de atividade que contemplasse a primeira vez que esteve ali, quando partiu da Inglaterra com rumo ao Caribe, convencida de que ia encontrar a seu pai. As embarcações recém chegadas eram as culpados da grande quantidade de carretas que transportavam mercadorias do porto aos armazéns ou diretamente ao mercado, face ao tardio da hora. Os sons e os aromas lhe resultavam quase familiares e a tinham distraído até o ponto de não ver a carreta que esteve em um tris de atropelada, nem ao homem que impediu que acabasse no chão. Se o tivesse visto antes, talvez não lhe teria surpreso tanto a súbita atração que sentiu por ele e teria podido evitar comportar-se como uma exímia estúpida. Pelo amor de Deus! Jamais se tinha comportado de um modo tão escandaloso e isso que o pobre homem só tinha querido ajudá-la! Seu navio tinha remontado o Támesis a primeiras horas da manhã, mas se tinha necessitado a maior parte do dia para transladar aos passageiros até o mole nos botes. Alegrava-lhe que fora tão tarde. Desse modo poderia passar a noite em uma estalagem e assim atrasar a entrega da carta que levava no bolso. Dois dos membros da tripulação de seu pai a seguiam a uma distância discreta: Richard e Ohr, os dois homens nos que mais confiava Nathan. Tinham viajado com ela para protegê-la e para assegurar-se de que o lorde ao que ia entregar lhe a carta acessava cumprir o favor que seu pai lhe pedia. Eram as carabinas mais incongruentes que se pudesse imaginar, mas de não ser por sua presença duvidava muito que tivesse seguido adiante com tudo aquilo. Ia à caça de um marido com toda a pompa e a pompa que caracterizava à alta sociedade londrino. Por essa razão a tinham enviado um pouco antes com suas duas carabinas: para fazer um flamejante guarda-roupa e para desfrutar das últimas rabadas da temporada veraniega. Seu pai estava negociando o resgate de dois reféns e não podia acompanhá-la, mas tinha prometido reunir-se com ela em um par de meses no máximo. Gabrielle tinha aduzido que podia esperá-lo. Ele tinha argumentado que a situação não podia esperar mais. E tinha ganho. Margery também ia com ela. Não era surpreendente que uma mulher de média idade se negou em redondo a deixá-la partir a Inglaterra sem a companhia de uma «autêntica» carabina (tal e como ela mesma havia dito); mas claro, a diferença do Gabrielle, sua donzela tinha tido saudades muitíssimo seu país natal. Tinha passado toda a travessia emocionada com a idéia de voltar por fim a casa e, logo que puseram um pé no mole, partiu à carreira em busca de um carro de aluguel. Uma tarefa farto difícil com tantas chegadas como havia esse dia; mas, conforme afirmou, não pensava admitir uma negativa como resposta e só demorou uma hora em demonstrá-lo, motivo pelo que Richard se esteve burlando dela durante todo o caminho até a estalagem. Gabrielle tentou não pensar na causa de sua repentina apreensão. Decidiu em troca recordar os anos passados com seu pai no Caribe. Até fazia pouco, nenhum dos dois se parou a pensar nas desvantagens que a
  31. 31. JOHANNA LINDSEY CAUTIVO DE MIS DESEOS vida naquela parte do mundo suportava para ela e não tinham cansado na conta de que se perderia todas as coisas que uma jovem inglesa em idade casadera devia fazer uma vez cumpridos os dezoito anos. Embora não se arrependia absolutamente. Por nada do mundo se teria perdido os maravilhosos anos compartilhados com seu pai. Os dois homens se reuniram com elas para o jantar e depois ficaram um momento para lhes fazer companhia. Ohr estava jogando às cartas com o Margery, que estava exausta pela emoção da volta a casa e não emprestava muita atenção nem à partida nem à conversação. Ohr era o membro mais antigo da tripulação de seu pai. Como todos outros, também utilizava um bom punhado de nomes falsos, mas dava a casualidade de que «Ohr» era o verdadeiro. Se estava acompanhado de algum sobrenome, não se incomodava em mencioná-lo. Quando se apresentava, a maioria da gente supunha que era um apodo náutico. Gabrielle assim o tinha acreditado. Razão pela qual o homem sempre acrescentava, sem que ninguém o perguntasse, que seu nome se escrevia com hache intercalada. O fato de que parecesse ter ascendência oriental e de que levasse o cabelo negro recolhido em uma larguísima tranca à costas evitava que ninguém lhe perguntasse abertamente sobre seus orígenes. limitavam-se a assumir, a falta de algo melhor, que «Ohr» era um nome oriental. Ultrapassava o metro oitenta e seu rosto não mostrava sinal alguma de envelhecimento. Em uma ocasião, mencionou que seu pai tinha sido um norte-americano que estava acostumado a navegar ao Longínquo Oriente. Ohr se uniu à tripulação de um navio ianque que retornava ao Ocidente com a idéia de encontrar a seu pai, mas nem sequer chegou a tentá-lo, já que se converteu em um pirata. O segundo homem que Nathan tinha enviado para protegê-la atendia no nome do Jean Paul, entre muitos outros. Entretanto, quando Gabrielle e ele se fizeram amigos, confessou-lhe em segredo que seu verdadeiro nome era Richard Allen. Isso era o único que lhe havia dito, não tinha mencionado nada a respeito de seu passado nem de seu lugar de origem, e ela não tinha insistido. Não era muito maior que ela e destacava entre os piratas não por ser alto e bonito, mas sim por sua meticulosa limpeza, tão corporal como em sua vestimenta. Seu cabelo era negro e o levava muito comprido, recolhido em uma cauda à costas. Sempre ia barbeado, salvo por um cuidado bigode. Suas roupas eram tão chamativas como as do resto, mas impecáveis, e suas botas altas sempre reluziam. Entretanto, não levava jóias vistosas, só um brinco de prata na orelha com uma espécie de brasão gravado nele. Era um homem largo de ombros, mas de constituição magra, e seus olhos verdes jamais perdiam o brilho jovial. Sempre parecia estar mostrando seus blanquísimos dente com um sorriso ou uma gargalhada. Gabrielle o encontrava muito atrativo e alegre em sua despreocupação. Richard praticava seu acento francês continuamente, embora seguia sendo tão atroz como o dia que se conheceram. Ao menos, tinha conseguido que não lhe escapassem os «Por todos os demônios do inferno!» quando se emocionava, detalhe que delatava sua verdadeira nacionalidade.
  32. 32. JOHANNA LINDSEY CAUTIVO DE MIS DESEOS Em uma ocasião, tinha-lhe perguntado por que se incomodava em fingir que era francês quando o uso dos nomes falsos era suficiente para a maioria dos piratas. Richard se tinha limitado a encolher-se de ombros enquanto afirmava que não queria ser como o resto e que estava decidido a aperfeiçoar sua caracterização antes de abandoná-la. Também lhe tinha confessado em uma ocasião que, apesar de que em certo momento tinha desejado aproximar-se dela com intenções amorosas, aterrava-lhe que Nathan o matasse se o fazia, por isso tinha conseguido resistir o impulso. Gabrielle se tinha rido. Era um jovem encantado, gracioso e cordial, mas jamais tinha considerado outra relação com ele que não fosse de amizade. Entretanto, o fato de que tivesse mantido uma relação platônica com um homem tão bonito como Richard Allen não significava que não tivesse sucumbido a umas quantas atrações românticas durante os anos passados no Caribe. Menos mal que, salvo Charles, a maioria deles tinham sido marinheiros, porque esse era o tipo de homem que jamais desejaria como marido depois de ter conhecido de primeira mão o pouco tempo que passavam em casa. Quando se casasse, seu marido deveria compartilhar a vida com ela. Essa era a visão que tinha do matrimônio. Se seu marido estivesse ausente durante meses como estavam acostumados a fazer os marinheiros e ela se passasse sozinha a maior parte do tempo, que sentido tinha o matrimônio? Sua mãe tinha sido da mesma opinião. Por isso lhe tinha repetido em incontáveis ocasione ao longo dos anos que era inútil amar a um homem que amasse o mar. A competência era feroz. —por que permitiste que te incomodasse, chérie? —perguntou-lhe Richard enquanto ela caminhava de um lado a outro da habitação. Sabia exatamente ao que se referia: ao tipo arrumado do mole. Levava toda a noite tentando tirar-se o da cabeça. Entretanto, ao carecer de uma resposta apropriada, respondeu: —Não me incomodou. —Esteve a ponto de lhe arrancar a cabeça. —Tolices. Só estava aturdida —lhe assegurou—. Se não me tivesse agarrado, a carreta me teria atirado ao chão. Mas é que me agarrou por braço com tanta força que acredito que me teria feito menos danifico de ter cansado ao chão, assim em realidade não foi de muita ajuda. Uma flagrante mentira. Richard arqueou uma sobrancelha para lhe fazer saber que não acreditava, o que fez que ela se ruborizasse e tentasse oferecer uma razão diferente, uma que fora certa. —estive muito nervosa desde que zarpamos —disse. —Icem as velas! —chiou Miss Carla. Quatro pares de olhos se cravaram no louro de brilhante plumagem verde que estava encerrado na pequena jaula de madeira onde em ocasiões «residia». O pássaro tinha sido do Nathan. Era um encanto de animal quando ia sobre seu ombro, mas considerava que todos outros eram seus inimigos. Durante o primeiro ano que Gabrielle passou no Caribe, cada vez que tentava acariciá-lo ou lhe dar de comer acabava com
  33. 33. JOHANNA LINDSEY CAUTIVO DE MIS DESEOS os dedos ensangüentados. Entretanto, tinha sido persistente e, ao final, o pássaro tinha acabado por trocar de bando, literalmente, e seu pai o tinha agradável o segundo ano de sua estadia nas ilhas. O vocabulário do louro tinha consistido até então em términos náuticos... e em comentários denigrantes sobre sua mãe. Até o nome que Nathan lhe tinha dado era um insulto deliberado para sua esposa. Tinha- lhe resultado divertido lhe ensinar frases como: «Carla é parva de arremate», «Sou uma velha fofoqueira» ou, o pior de todos, «Se me der um xelim, me sob os pololos». Nathan se tinha envergonhado tanto a primeira vez que Miss Carla chiou «Carla é parva de arremate» diante do Gabrielle que agarrou ao pássaro nesse mesmo momento e o levou a praia para afogá-lo. Ela se viu obrigada a correr detrás dele para detê-lo, embora estava segura de que não tinha intenção de matar ao animal, e depois ambos acabaram rendo do assunto. Ohr lançou o guardanapo contra a jaula, fazendo que o animal agitasse as asas com força umas quantas vezes enquanto chiava: —Carla má, Carla má! Richard soltou uma risilla afogada antes de retomar o tema que tinham entre mãos e lhe perguntar ao Gabrielle: —fica nervosa seu futuro matrimônio? Pergunta-a a devolveu à presente imediatamente. —Meu matrimônio? Não. Em realidade estou desejando conhecer todos esses arrumados jovens que estarão em Londres para a temporada. Espero me apaixonar por um deles —acrescentou com um sorriso. E era certo, mas não estava segura de querer viver de novo na Inglaterra, já que adorava as ilhas. E não lhe agradava absolutamente a idéia de viver tão longe de seu pai. Entretanto, seguia albergando a esperança de poder convencer a seu futuro marido para residir no Caribe ou, ao menos, para passar ali parte do ano. —O que passa é que lhe pedir a um completo desconhecido que me faça este favor quando meu pai tampouco o conhece muito me resulta... Bom, eu não gosto no mais mínimo —explicou—. É possível que nos dê com a porta nos narizes. —Ou isso esperava ela. —Estamos aqui para nos assegurar de que não o faz —disse Ohr em voz baixa. —Nem pensar! —exclamou Gabrielle—. Nesse caso, estaríamos obrigando-o e não se tem por costume obrigar a um lorde inglês. Algum de vós o conhece ou sabe de que modo o ajudou meu pai para que lhe peça um favor semelhante? —Eu não —respondeu Richard. —Eu sim, embora não sabia que fosse um aristocrata —respondeu Ohr—. Minha experiência com os lores, embora reduzida, diz-me que revistam ser petimetres que se vêm abaixo a menor ameaça de perigo. Gabrielle não sabia se Ohr estava brincando ou não, mas a expressão desanimada do Richard resultou do mais reveladora. «Pelo amor de Deus!», pensou, acaso Richard era um lorde inglês que ocultava
  34. 34. JOHANNA LINDSEY CAUTIVO DE MIS DESEOS sua verdadeira identidade? Observou-o com atenção, mas ele se limitou a elevar uma sobrancelha ante seu escrutínio. Era provável que ignorasse que sua reação ao comentário do Ohr tinha despertado sua curiosidade. Desprezou a questão. De todas formas, era absurda. Os ingleses podiam converter-se em piratas, mas os lores ingleses, jamais. E talvez o lorde ao que fariam uma visita ao dia seguinte fora o maior petimetre de Londres, mas isso não aliviava sua apreensão. A idéia de pedir um favor a alguém que não lhe devia nada lhe resultava mortificante. Ao final, seria ela quem ficasse em dívida com esse desconhecido, e isso não o fazia nem pingo de graça. Tinha maturado e tinha trocado muito durante os três últimos anos. Tinha descoberto que era uma pessoa engenhosa, capaz de adaptar-se a aquilo que exigissem as circunstâncias. Tinha sobrevivido a um furacão que assolou a ilha durante uma das ausências de seu pai e tanto ela como Margery tinham colaborado nas tarefas de reconstrução da cidade. Tinha passado largas temporadas, só com o Margery quando seu pai zarpava sem ela e lhe tinha gostado de muito poder tomar suas próprias decisões. adorava percorrer o mundo procurando tesouros com seu pai e jogaria muito de menos essas aventuras quando estivesse casada. Mas o que mais aborrecia era voltar a depender de outros para conseguir o que queria. assim, ver-se obrigada a pedir a ajuda desse lorde inglês atentava contra todos seus princípios. —Poderíamos seqüestrá-lo até que te encontre um marido adequado —sugeriu Richard com um sorriso. Gabrielle compreendeu que estava brincando e lhe devolveu o gesto. Se Richard tinha uma qualidade que destacasse sobre as demais, era sua facilidade para afastar da mente de qualquer os temas desagradáveis. E ela precisava deixar de pensar nesse tipo alto e bonito do mole. Por todos os Santos, mas que bonito era! Naquele momento ia escorada, como haveria dito seu pai, depois de descer do navio. Não era de sentir saudades que se pôs em ridículo desse modo. Entretanto, a situação teria sido muito mais embaraçosa se a tivesse pilhado comendo- lhe com os olhos, tal e como se descoberto fazendo antes de que ele a olhasse. Recordava sua enorme estatura e seus alvoroçados cachos quase loiros. E teria jurado que esses olhos tão escuros eram negros. Tinha um corpo estupendo, mas também era bonito. Não tinha tido intenção de ser tão brusca com ele, mas naqueles momentos tinha o coração na boca por culpa da carreta que a tinha roçado e lhe tinha feito perder o equilíbrio. Além disso, a força com a que a tinha agarrado do braço lhe tinha resultado molesta. E, se por acaso fora pouco, tinha temido que Ohr e Richard, ao ser tão sobreprotectores com ela, causassem uma cena quando se precavessem de que lhe punha a mão em cima. Temor absolutamente infundado. Já tinham saído em sua defesa um momento antes, quando um marinheiro o propinó um tranco. Tinham
  35. 35. JOHANNA LINDSEY CAUTIVO DE MIS DESEOS estado a ponto de atirar ao homem à água. depois daquilo, tinha-lhes pedido que fossem mais discretos e que caminhassem atrás dela, tal e como se supunha que faziam os serventes na Inglaterra. Quando o arrumado gigante a olhou com esses olhos escuros e uma expressão sensual perdeu a compostura. E se por acaso não bastasse com isso, o tipo esboçou um sorriso cativante que despertou algo em seu interior. Tão aturdida estava já a essas alturas que demorou um momento em entender o que o desconhecido lhe estava dizendo e sua resposta saiu com um tom muito mais seco de que teria utilizado normalmente; tão seco que o pôs à defensiva. Suspirou para seus adentros. Era muito improvável que voltasse a vê-lo de novo. Tinha conhecido a muitos ianques no Caribe para reconhecer seu acento. Estavam acostumados a visitar a Inglaterra, mas não ficar no país, e a maioria deles odiava tudo o que fosse inglês. Não fazia muito que os dois países tinham estado em guerra! assim, seria surpreendente voltar a encontrar-se com esse em particular. A vergonha que tinha sentido por causa de seu comportamento se duplicaria se voltava a vê-lo, e acabaria fazendo o ridículo de novo. Capítulo 8 Gabrielle tinha os nervos quase destroçados quando bateram na porta em Berkeley Street. A casa estava na melhor zona da cidade. Tinha- lhes levado virtualmente toda a manhã averiguar onde vivia o homem. Seu pai não lhes tinha podido dar a direção, já que não o tinha visto em quinze anos. Quão único sabia dele era que tinha retornado a Inglaterra vários anos atrás acompanhado de seu filho. Tinha tentado luzir seu melhor aspecto para o encontro, e Margery a tinha ajudado lhe engomando o vestido, mas o nervosismo o fazia pensar que não estava à altura das circunstâncias. E tinha frio. Pelo amor de Deus. Ainda era verão na Inglaterra! Mas se tinha acostumado ao clima quente do Caribe e, por desgraça, seu guarda-roupa refletia esse fato. Tinha muito poucos vestidos elegantes e inclusive esses eram de tecidos muito ligeiros. Fazia muito que se desfeito de tudo os objetos com as que abandonasse a Inglaterra porque abrigavam muito para o Caribe. Nesses momentos, seus baús estavam repletos de saias e blusas informais de brilhantes cores, e nenhuma só anágua. Tinha um moedeiro cheio de dinheiro para comprar um novo guarda-roupa, mas isso não ia ajudar a causar uma boa impressão esse primeiro dia. Esperava que ninguém estivesse em casa, que esse homem nem sequer se encontrasse no país. Se Richard e Ohr não estivessem com ela, a bom seguro que não estaria ali mordendo o lábio. Estaria a bordo do primeiro navio que zarpasse rumo ao Saint Kitts. A porta se abriu. Apareceu um criado ao outro lado. Embora talvez não fora um criado. Com uma barba grisalha e desarrumada, calças cortadas a meia perna e descalço, parecia um ilhéu em toda regra. —Quais são e o que querem ? E rapidito —disse de maus modos.
  36. 36. JOHANNA LINDSEY CAUTIVO DE MIS DESEOS Ohr, com o semblante inexpressivo, replicou: —Uma carta para seu senhor, para entregar em mão. Esperaremos dentro. Não lhe estava dando oportunidade para que se negasse. Agarrou ao Gabrielle do braço e passou ao lado do criado. —Espera um minuto, maldita seja —protestou o homem—. Onde está seu cartão de visita? —A carta é nossa... —Há algum problema, Artie? Todas as olhadas se posaram sobre a mulher que apareceu por uma das portas do amplo saguão onde se encontravam. Era da mesma estatura que Gabrielle, talvez um par de centímetros mais baixa, com o cabelo e os olhos castanho escuro. Parecia rondar os trinta anos, e seu rosto possuía a qualidade de seguir sendo excepcionalmente belo a qualquer idade. Os três visitantes ficaram tão gostados muito de sua beleza que não puderam mediar palavra, o que lhe deu ao criado chamado Artie a oportunidade de dizer: —penetraram-se, George, mas lhes darei largas agora mesmo. A mulher, George, estalou a língua e replicou: —Não há nenhuma necessidade. —Sorriu ao Gabrielle e acrescentou com amabilidade—: Sou Georgina Malory. No que posso lhes ajudar? A vergonha impediu que Gabrielle respondesse. sentia-se como uma maldita mendiga. Não lhe importava o que seu pai tivesse feito para ajudar a lorde Malory, não podia ser suficiente para esperar que essa dama a acolhesse e a amadrinhasse essa temporada. Talvez demorasse duas temporadas em encontrar um marido! A apresentação em sociedade de uma debutante era uma empresa titânica. Requeria ir a uma festa atrás de outra, fazer planos, comprar roupa nova, encontrar acompanhantes adequados e carabinas. Sua mãe e ela o tinham falado freqüentemente, antes de que Carla conhecesse o Albert. E Carla conhecia as pessoas adequadas. Tinha aguardado com impaciência a apresentação de sua filha em sociedade. naquela época, Gabrielle também o desejava, ilusão que não tinha perdido durante a viagem de volta a Inglaterra. Mas chegado o momento de pedir favores, só queria retornar ao Caribe. Richard respondeu com um encantador sorriso, e inclusive se tirou seu vistoso chapéu em sinal de respeito. —Temos uma carta para lorde Malory, senhora. Permite-me o atrevimento de sonhar que não é seu marido? —Pois o sou —disse uma voz profunda com bastante aspereza do alto das escadas—. Assim já pode apartar a vista de minha esposa ou terei que te despedaçar membro a membro. Gabrielle levantou a vista e deu um passo atrás, para a porta. Pelo amor de Deus! Jamais tinha visto um homem de compleição tão forte, nem tão ameaçador. E não se tratava só da aspereza de sua voz. Absolutamente. E tampouco era a inexpresividad de seu rosto. Era o aura

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