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A vida de Regina Ashton mud...
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CAPÍTULO 1
Os dedos que seguravam a garrafa de brandy eram longos e delicados. Selena Eddington
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- Sente-se morrer com muita freqüência, querida. Não deveria tomar tão a sério o ruído
mundano.
- Deveria ser...
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aborrecido. Tão simples como isto. Não tinha vontade de deixar o sofá e unir-se a Selena sobre o
tapete.
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disposição para terminar antes de ter em vista outra nova conquista. A decisão ia forçar-lo a andar
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desesperadas se anunciavam...
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Seu colossal egoísmo ia ser a morte dela, não cabia dúvida. Que vaidade! Simplesmente não
podia acreditar que...
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Lady Clare também pensava na idade. Tinha vinte anos, por mais horrível...
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James era o irmão louco, que mandava tudo a...
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Ela começava a suspeitar que tal homem não existia, e desesperadamente precisava
terminar com aquela busca o...
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eu irei à casa no Haverston.
- Não vejo o que pode fazer seu tio Tony que você não possa fazer. Não tenha me...
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- Não o pediria se não fosse importante, Marshall. Não demorarei mais de meia hora... bom,
certamente menos ...
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- Não é nada. Faz-me feliz os ser útil. E Selena estava feliz... algo para partir quanto antes. Já
era basta...
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vivo que possa ser gostado pelos quatro.
- Isso é absurdo -protestou ele; - penso em meia dúzia de candidato...
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- Sim, bom, não cabe dúvida de que o tio Edward teve razão. Outra vez foi uma sorte que
não me apaixonasse.
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por duzentos e cinqüenta e não quis me aproveitar de você.
Nicholas riu.
- Está desperdiçando seu talento, P...
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Nicholas podia estar manchada, mas nem sequer ele se misturaria com aquele grupo de refugos.
Embora talvez t...
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bêbado. Os gritos estalaram atrás dele, mas ele não diminuiu o galope do cavalo. A mulher que
tinha atravess...
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embora.
- Isso é cruel, Montieth.
- Não mais que o fato de que me tenha deixado por Malory.
- Mas se isso nã...
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ao seqüestrador, resgatando Reggie de... pelo que pensasse o fazer o desconhecido.
E antes, quando tinha doz...
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Tyndale o fez entrar, dobrou sua capa, tomou o chapéu e as luvas.
- Algum problema? -perguntou Nicholas, se ...
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Mas é bem algo que não me viria mal para uma mudança.
Rapidamente fechou a porta e se apoiou contra ela, e o...
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- Regina Ashton.
- Ashton? -Franziu o cenho, pensativo. - Não é esse o nome da família do conde do
Penwich?
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- Claro que poderia.
Os olhos dela faiscavam rindo. Demônios, era na verdade muito bela.
- Que idade têm? -p...
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eles. Ela não se afastou e ele sorriu. Uma veiazinha pulsava na base da garganta dela e ele sentiu
um desejo...
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- Terá valido a pena. Estava dito.
- Não dirá isso quando vir sua arma no campo da honra. Me solte, lorde Mo...
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- E eu também, se estivesse comigo. Mas ainda há tempo, sabe? Poderíamos voltar para
minha casa.
Ela moveu a...
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Envolveu-a com seus braços, sua boca se aproximou procurando a dela. Aquilo era a
paixão, uma paixão quente,...
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- Como é possível que não tenha visto?
- Não estive presente. Deixou-me em sua casa e foi ao baile. A única ...
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CAPÍTULO 7
Reggie estava sentada diante de sua penteadeira, contemplando sonhadora a pequena
equimose na bas...
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Johanna lindsey família mallory 01 - amar uma só vez

  1. 1. JJJooohhhaaannnnnnaaa LLLiiinnndddssseeeyyy AAAmmmaaarrr UUUmmmaaa SSSóóó VVVeeezzz MALLORY 01 A vida de Regina Ashton mudou para sempre na noite em que foi seqüestrada em uma escura rua de Londres e conduzida à mansão de um desconhecido. Embora a princípio tudo aquilo fosse fascinante, mais tarde se sentiu ultrajada ante a arrogância do belo sedutor que tão habilmente o ensinou ensinado a viver a paixão e a vergonha. Unida ao Nicholas pela fatalidade e pelo o escândalo, ambos demorariam um tempo para compreender seus desejos e aceitar seu ardente destino: amar uma só vez... Disponibilização/Tradução/Pesquisa: Yuna, Gisa, Mare e Rosie Revisão: Edith Suli Revisão Final: Danyela Formatação: Gisa PPRROOJJEETTOO RREEVVIISSOORRAASS TTRRAADDUUÇÇÕÕEESS
  2. 2. Mallory 01 2 CAPÍTULO 1 Os dedos que seguravam a garrafa de brandy eram longos e delicados. Selena Eddington estava orgulhosa de suas mãos. Ostentava-as assim que se apresentava a ocasião, como neste momento. Alcançou a garrafa para Nicholas, em lugar de o servir em seguida, o brandy. Isto além de tudo permitia ficar de pé ante ele que estava recostado no sofá estofado de azul; o fogo da chaminé que estava a suas costas marcava provocativamente sua figura através da tênue musselina de seu vestido de baile. Até um libertino empedernido como Nicholas Éden devia ser capaz de apreciar seu belo corpo. Um grande rubi refulgia em sua mão esquerda, que tremia ligeiramente, quando segurou seu copo, e serviu-se de brandy. Ainda exibia com orgulho o seu anel de casamento embora fizesse mais de dois anos que estava viúva. Mais rubis rodeavam seu pescoço, mas nem sequer as espetaculares gemas conseguiam desviar a atenção de seu decote, excessivamente pronunciado, que deixava lugar só a uns escassos centímetros de tecido antes da alta e ajustada cintura na moda do primeiro império, de onde caía o resto do vestido em linhas retas até seus bem torneados tornozelos. O vestido era de uma cor escura, profundo, e harmonizava maravilhosamente com os rubis e Selena. - Escuta-me, Nicky? Nicholas tinha aquela irritante expressão pensativa que cada vez era mais freqüente. Não escutava nenhuma das palavras que ela dizia: estava profundamente submerso em pensamentos nos quais certamente Selena não estava incluída. Nem sequer prestara atenção nela quando servia o brandy. - De verdade, Nicky, não é muito aduladora a maneira em que vai e me deixa quando estamos sozinhos no aposento. - Mantinha-se firme sem ceder terreno diante dele, até que Nicholas levantou a vista e a olhou. - O que acontece, querida? - Seus olhos cor de avelã brilharam de ira. Se tivesse sido capaz de demonstrar seu mau humor, inclusive se tivesse esperneado. Ele era tão provocador, tão indiferente, tão... impossível! Mas também era um partido muito bom. Procurando guardar a compostura, ela respondeu, com voz suave: - O baile, Nicky. Estive falando do baile, mas você não prestou atenção. Se quiser, mudarei de assunto, mas só se prometer que virá a me buscar cedo amanhã de noite. - Que baile? Selena conteve o fôlego. Ele não estava fingindo: verdadeiramente não sabia do que ela estava falando. - Não me provoque, Nicky. O baile dos Shepford. Já sabe quanto desejo ir. - Ah, sim - disse ele secamente. - O baile que superará a todos, embora seja apenas o começo da temporada. Ela fingiu não perceber o tom. - Além disso, sabe muito bem quanto esperei um convite da duquesa do Shepford para uma de suas reuniões. O baile será, ao que parece, o mais importante que deu em anos. Simplesmente todos os que são alguém estarão presentes. - E o que? Selena contou lentamente até cinco. - Que morrerei se perder um só minuto. Os lábios dele se curvaram com o conhecido sorriso zombeteiro.
  3. 3. Mallory 01 3 - Sente-se morrer com muita freqüência, querida. Não deveria tomar tão a sério o ruído mundano. - Deveria ser como você... Teria retirado a frase, em caso de poder fazê-lo. Sua fúria estava a ponto de estalar e isso seria desastroso. Sabia que ele deplorava todo excesso de emoção em qualquer um, embora ele mesmo se permitisse dar rédea solta a seu mau humor, o que podia chegar a ser muito desagradável. Nicholas simplesmente os de ombros. - Pode dizer que sou um excêntrico, querida, uma dessas pessoas que pouco se importa com as demais. Esta era uma grande verdade. Ignorava, inclusive insultava, a quem o desse vontade. Se tornava amigo de quem o caía nas graças, inclusive de reconhecidos canalhas desprezados pela sociedade. E nunca, nunca se submetia a ninguém. Era tão arrogante como as pessoas diziam. Embora também podia ser extraordinariamente encantador... quando queria sê-lo. Selena continha milagrosamente sua ira a ponto de explodir. - Recorda, Nicky, que prometeu me acompanhar ao baile dos Shepford. Seriamente? -disse ele com ar cansado. - Sim, fez isso - disse com tranqüilidade. - E me prometa que não vai se atrasar, quer? Ele se encolheu outra vez de ombros. - Como vou prometer algo assim, querida? Não posso prever o futuro. Ninguém pode saber se amanhã não surgirá algo para me atrasar. Ela quase lançou um grito. Nada iria retê-lo como mostrava sua pérfida indiferença, e ambos sabiam. Não podia suportar isso. Selena tomou uma rápida decisão e disse como por descuido: - Está bem, Nicky. Como é tão importante para mim e não posso contar com você, procurarei outra escolta, embora espere que vá ao baile. - Os dois podiam jogar o mesmo jogo. - Em tão pouco tempo? -perguntou ele. - Duvida que o consiga? -respondeu provocando-o. Ele sorriu e a percorreu com olhar de ternura. - Não, certamente acredito que o custará muito pouco me substituir. Selena o deu as costas antes que ele pudesse notar como o afetara essa frase. Foi um aviso? Oh, ele estava tão seguro de si mesmo! Merecia que ela rompesse a relação. Nenhuma de suas amantes o fizera jamais. Sempre era ele quem terminava. Sempre era ele quem dirigia. Como reagiria se ela o deixasse? Ia enfurecer-se? Forçaria-a? Devia meditá-lo seriamente. Nicholas Éden se sentou comodamente no sofá e viu que Selena tomava sua taça de xerez e depois se estendia no espesso tapete de pele frente ao fogo, o dando as costas. Os lábios dele se curvaram sardônicos. A pose dela era muito tentadora, e ela sabia. Selena sempre sabia o que estava fazendo. Estavam na cidade, na casa de Marie, depois de desfrutar de uma excelente comida com Marie e seu amante do momento, de ter jogado whist durante uma ou duas horas e de ter-se retirado por fim a este cômodo salãozinho. Marie e seu ardente apaixonado foram para um quarto de cima, deixando sozinhos ao Nicholas e a Selena. Quantas outras noites como esta passaram? A única novidade era que a condessa tinha um novo amante de cada vez. Vivia arriscadamente quando seu marido, o conde, estava fora da cidade. E esta noite também havia outra diferença. O aposento era igualmente romântico, o fogo ardia, havia um discreto abajur em um canto, o brandy era bom, Os criados haviam se retirado discretamente. Selena estava tão sedutora como sempre. Mas esta noite Nicholas estava
  4. 4. Mallory 01 4 aborrecido. Tão simples como isto. Não tinha vontade de deixar o sofá e unir-se a Selena sobre o tapete. Desde há algum tempo se deu conta de que estava perdendo interesse por ela. O fato de que esta noite não desejasse especialmente ir à cama com ela confirmava sua sensação de que era o momento de terminar. Esta aventura durou mais que as anteriores, quase três meses. Talvez por isso desejava deixar a Selena, apesar de não ter com quem substituí-la. Embora tampouco queria, no momento, perseguir ninguém. Selena superava em beleza a todas as damas que ele conhecia, exceto às poucas que estavam apaixonadas por seus maridos e portanto eram imunes a seu encanto. Ah, mas sua reserva de caça não se limitava às casadas aborrecidas de seus maridos, claro que não. Não tinha escrúpulos para dedicar-se também às doces ingênuas, que se tinham apresentado em sociedade há uma ou duas temporadas. Se as ternas raparigas eram propensas a sucumbir, não estavam a salvo de Nicholas. E se elas estavam ansiosas por deitar-se com ele, ele só as atendia, enquanto a aventura pudesse escapar aos olhos de seus pais. É verdade que eram as aventuras mais breves, mas também as que mais o entusiasmavam. Em sua primeira juventude, quando era como um demônio solto, tinha seduzido a três virgens. Uma, a filha de um duque, foi rapidamente casada com um segundo primo, ou com algum outro afortunado cavalheiro. As outras duas se casaram antes que os escândalos tomassem grandes dimensões. O que não quer dizer que as línguas afiadas não tivessem desfrutado com cada aventura. Mas, sem o perigo das famílias enfurecidas, as aventuras se reduziram a intrigas e comentários. A verdade era que os pais em questão tiveram medo de enfrentar a ele no terreno da honra. Até este momento já vencera a dois maridos furiosos. Não estava orgulhoso de ter deflorado a três inocentes, ou de ter ferido a dois homens, cuja única falta era a de ter esposas promíscuas. Mas tampouco se sentia culpado de algum dos casos. Se as jovenzinhas foram bastante parvas para entregar-se sem uma promessa de matrimônio, isso era problema delas. E, por outro lado, as esposas dos nobres sabiam exatamente o que estavam fazendo. Dizia-se de Nicholas que não se preocupava quem acabasse ferido quando se tratava de seus prazeres. Talvez fosse verdade, talvez não. Ninguém conhecia o suficiente a Nicholas para estar seguro. Nem sequer ele mesmo estava certo por que fazia algumas das coisas que fazia. Em todo caso, pagava por sua reputação. Os pais que possuíam títulos superiores ao seu não tomavam em conta para suas filhas. Só os mais audazes e as pessoas em busca de um marido rico tinha o nome do Nicholas em suas listas sociais. Mas ele não procurava esposa. Fazia tempo que se dava conta de que não tinha direito como o exigia seu título, a propor matrimônio a uma jovem bem educada e de linhagem. Era provável que não se casasse nunca. Ninguém se explicava por que o visconde do Montieth se resignava à vida de solteiro, de maneira que ainda havia inumeráveis esperanças de atraí-lo, de regenerá-lo. Lady Selena Eddington era uma destas esperançosas que procurava por todos os meios não demonstrá-lo, mas ele sabia perfeitamente quando uma mulher estava atrás de seu título. Casada a primeira vez com um barão, agora aspirava mais alto. Era notavelmente bela, com um cabelo negro e curto que o rodeava o rosto ovalado em delicados cachos, de acordo com a moda. Sua pele dourada fazia ressaltar seus expressivos olhos de cor avelã. Com vinte e quatro anos, divertida, sedutora, era uma mulher linda. Certamente não era culpa dela que o desejo de Nicholas se esfriara. Nenhuma mulher conseguira manter muito tempo seu interesse. Ele esperara que esta aventura se fosse desvanecendo. Todos o esperavam. O único que o surpreendia era sua
  5. 5. Mallory 01 5 disposição para terminar antes de ter em vista outra nova conquista. A decisão ia forçar-lo a andar na caçada por algum tempo no cenário social, até que alguma o atraísse, e Nicholas detestava ter que fazer isso. Talvez o baile o desse a resposta. Como se iniciava a temporada, haveria ali dúzias de mocinhas. Nicholas suspirou. Aos vinte e sete anos, depois de sete de vida agitada, perdera o gosto pelas jovens inocentes. Decidiu que essa noite não ia romper com a Selena, porque ela já estava zangada com ele, e ia soltar todo o temperamento iracundo que ele sabia que escondia em seu interior. E teria que evitá-lo. Ele deplorava as cenas passionais, porque sua própria natureza era já bastante apaixonada. As mulheres nunca tinham suportado sua cólera. Sempre terminavam em lágrimas, e isto era igualmente deplorável. Não: diria no baile. E ela não se atreveria a fazer uma cena em público. Selena levantou diante do fogo a taça de cristal cheia de xerez, e se maravilhou de que o líquido ambarino fosse exatamente da cor dos olhos do Nicholas, quando estava de bom humor. Seus olhos tiveram aquele tom mel e ouro quando começou a persegui-la, mas também eram dessa cor quando se zangava ou quando algo o agradava. Quando não sentia nada especial, estava tranqüilo ou indiferente, seus olhos eram de um marrom avermelhado, quase da cor do cobre recém lustrado. Eram sempre uns olhos perturbadores, porque inclusive quando se viam mais escuros, sempre ardiam com intensa luz interior. Sua pele era morena. O cabelo, castanho com mechas douradas, impedia que tivesse um aspecto sinistro. Levava-o na moda, quer dizer, aparentemente despenteado e naturalmente ondulado. Era detestável que este homem fosse tão bonito e que com apenas um olhar fizesse palpitar o coração de uma mulher. Ela o tinha comprovado muitas vezes. As moças se convertiam em umas tontas cheias de risinhos em sua presença. As mulheres de mais idade o convidavam descaradamente com os olhos. Não era de estranhar que aquele homem fosse tão difícil de controlar. Não cabia dúvida de que muitas formosas fêmeas se tinham jogado em cima dele desde que era adolescente, e inclusive antes. Além disso, o assentavam bem as calças justas e os fraques recortados, como se a moda tivesse sido criada para ele. Seu corpo era soberbo: esbelto e musculoso, alto e flexível, o corpo de um ávido atleta. Se ao menos não fosse assim! Então o coração de Selena não palpitaria tanto cada vez que a olhava com aqueles olhos de cor xerez. Estava decidida a levá-lo a altar, porque ele não só era o homem mais bonito que tinha visto, mas também era o quarto visconde Éden do Montieth, e rico além disso. Estava na verdade feito à medida, e ele era arrogantemente consciente disso. O que poderia fazer? Algo tinha que fazer, porque era dolorosamente óbvio que ele estava perdendo interesse por ela. O que fazer para reavivar a chama? Galopar nua pelo Hyde Park? Unir-se a um desses Sábados Negros de quem se dizia que eram desculpa para orgias? Comportar-se de maneira ainda mais escandalosa que a dele? Podia entrar no Whites ou no Brooks, o que realmente o daria impacto, porque sob nenhum pretexto se permitia que as mulheres entrassem nesses estabelecimentos. Ou talvez podia começar a ignorá-lo. Inclusive... Deus santo, claro, podia deixá-lo por outro homem! Ele não morreria. Mas sua vaidade não suportaria o golpe. Isto despertaria sua ira e seu ciúme, e então o pediria em um impulso que se casasse com ele. Devia dar resultado. De todos os modos tinha que prová-lo. Se não servia, não teria perdido nada, porque, tal como estavam as coisas, já o estava perdendo. Deu a volta para vê-lo e encontrou-o deitado no sofá, com os pés apoiados sobre o extremo de um dos braços, com as botas postas e as mãos detrás da cabeça. Estava adormecido estando com ela! Caramba, não recordava ter sido jamais tão desconsiderada. Nem sequer seu marido, nos
  6. 6. Mallory 01 6 dois anos que durou seu matrimônio, pôs-se a dormir em sua companhia. Sim, medidas desesperadas se anunciavam. - Nicholas. -Pronunciou suavemente o nome e ele respondeu em seguida. Pelo menos não estava dormido. - Nicholas, esta noite pensei muito em nossa relação. - Seriamente, Selena? Ela se contraiu ante o desinteresse que ressoava em sua voz. - Sim - prosseguiu ela corajosamente. - E cheguei a uma conclusão. Devido a sua falta de... digamos calor... me ocorre que outro saberia me apreciar mais. - Disso não há dúvida. Ela franziu o cenho. Ele levava as coisas muito bem. - Bom, ultimamente recebi várias propostas para... substituir você em meu afeto, e decidi... -Fez uma pausa antes de dizer uma mentira, depois fechou os olhos e se decidiu: -Resolvi aceitar uma. Esperou um momento antes de voltar a abrir os olhos. Nicholas não se moveu nem um centímetro no sofá, e passou um minuto até que finalmente o fez. Sentou-se lentamente, o cravando os olhos. Ela conteve o fôlego. A expressão dele era inescrutável. Recolheu a taça vazia que estava sobre a mesa e a levantou para ela. - Seriamente, querida? - Claro, naturalmente. Precipitou-se para o encher a taça, sem pensar sequer que era um gesto muito autocrático esperar que o servisse deste modo. - E quem é o afortunado? Selena se sobressaltou e derramou brandy sobre a mesa. Acaso havia um fundo penetrante em sua voz, ou ela desejava ouvi-lo? - Ele quer que nosso acordo seja muito discreto, de maneira que me perdoará que não divulgue seu nome. - É casado? Trouxe-o a taça, perigosamente cheia até o bordo, tremendo devido a seus nervos. - Não. Na verdade tenho motivos para supor que sairão grandes coisas desta relação. Como disse, ele só quer ser discreto... por agora. Selena compreendeu rapidamente que não devia ter tomado este caminho. Ela e Nicholas também foram discretos, nunca tinham feito o amor em casa dela por causa dos criados, ele não a visitava ali, e nunca tinham utilizado a casa dele em Park Lane. Mas todos sabiam que ela era sua querida. Bastou ser vista três vezes em uma reunião com o Nicholas Éden para que todos soubessem. - Não me peça que o traia, Nicky -disse com um sorriso pela metade. - Logo saberá quem é. - Então, por que não me diz agora seu nome? Acaso suspeitava que ela estava mentindo? Sabia. Seu rosto o demonstrava. Porque, quem diabos, podia substituir ao Nicholas? Os homens que ela conhecia se afastaram assim que ele se converteu em sua escolta. - Não insista, Nicholas. -Selena decidiu atacar. - Não pode se importar quem é esse homem porque, embora me doa reconhecê-lo, notei ultimamente pouco entusiasmo de sua parte. Só resta pensar que já não me quer. Era o momento em que ele podia negá-lo tudo. Mas o momento se perdeu. - O que significa tudo isto? -sua voz era aguda. - Esse maldito baile! É isso? - Claro que não -replicou ela indignada. - Ah, não? Acha que vai obrigar-me a acompanhá-la ao baile amanhã de noite me contando essa mentira? Não acredito em você, querida.
  7. 7. Mallory 01 7 Seu colossal egoísmo ia ser a morte dela, não cabia dúvida. Que vaidade! Simplesmente não podia acreditar que ela preferisse a outro. O sobrecenho moreno de Nicholas se contraiu surpreso. E Selena compreendeu horrorizada que expressara seus pensamentos em voz alta. Ficou estremecida, mas sua resolução se afirmou. - Pois, é verdade -disse com audácia, afastando-se de seu lado e voltando junto à chaminé. Selena passeava de cima abaixo diante do fogo, cujo calor quase igualava ao calor de sua ira. Ele não merecia ser amado. - Perdão, Nicky -disse depois de uns momentos, sem atrever-se a olhá-lo. - Não quero que nossa aventura termine com uma nota falsa. Na verdade foi maravilhoso... quase sempre. Oh, querido -suspirou, - é perito nestas coisas. É assim como se fazem? Nicholas quase riu. - Não o fez mal para uma aficionada, querida. - Bom -disse ela com tom mais alegre e atrevendo-se a o olhar. Caramba, seguia sem acreditar o conto. - Pode duvidar de mim, mas o tempo dirá a verdade, não? Não se surpreenda ao ver-me com meu novo acompanhante. Retornou junto ao fogo e, quando voltou a olhar, ele já fora. CAPÍTULO 2 A mansão Malory, no Grosvenor Square, estava brilhantemente iluminada, e quase todos os ocupantes estavam em seus aposentos, preparando-se para o baile dos duques do Shepford. Os criados, mais ocupados que de costume, corriam de um extremo a outro da mansão. Lorde Marshall necessitava mais amido em sua gravata. Lady Clare queria um leve refresco. Durante todo o dia tinha estado muito nervosa para comer. Lady Diana precisava de um remédio para tranqüilizar-se. Meu Deus, sua primeira temporada e seu primeiro baile: fazia dois dias que não comia. Lorde Travis necessitava que o ajudassem a encontrar sua nova camisa bordada. Lady Amy simplesmente necessitava que a animassem. Ela era a única na família que era muito jovem para assistir ao baile, inclusive um baile de máscaras, onde de todos os modos não ia ser reconhecida. Ah, era horrível ter quinze anos! A única pessoa que se preparava para o baile e que não era filho ou filha da casa, era lady Regina Ashton, sobrinha de lorde Edward Malory e prima irmã de sua grande quantidade de filhos. Naturalmente lady Regina tinha sua própria camareira para que a atendesse se necessitasse de algo, mas aparentemente não era assim, porque ninguém vira a camareira há mais de uma hora. A casa transbordava de atividade. Lorde e lady Malory tinham começado os preparativos muito mais cedo, porque foram convidados à comida formal dada para uns escassos escolhidos antes do baile. Partiram fazia pouco mais de uma hora. Os dois irmãos Malory foram acompanhar a suas irmãs e a sua prima, uma grande responsabilidade para os jovens, dos quais um acabava de deixar a universidade, e o outro ainda não. Marshall Malory não tivera muito interesse em acompanhar às mulheres da família, até hoje, quando inesperadamente uma amiga tinha pedido unir-se ao grupo na carruagem da família Malory. Era um golpe de sorte ter recebido esta petição precisamente de tal dama. Estava perdidamente apaixonado por ela desde que a tinha conhecido, no ano anterior, quando fora a sua casa para passar as férias. Não o fizera muito caso então, mas agora ele terminou os estudos e tinha vinte e um anos, era já um homem. Vamos, já podia estabelecer uma família se quisesse. E poderia pedir a determinada dama que se maioridade com ele. Oh, era
  8. 8. Mallory 01 8 maravilhoso ter chegado à maioridade! Lady Clare também pensava na idade. Tinha vinte anos, por mais horrível que isto fosse. Era sua terceira temporada e ainda não conquistara um marido... nem sequer se comprometeu! Recebera algumas propostas, mas de ninguém a quem pudesse tomar a sério. Oh, era bastante bonita, com lindos olhos, pele branca, muito loira. Este era o problema. Era simplesmente bonita. Não sonhava ser tão chamativa como sua prima Regina, e tendia a apagar-se quando estava junto a ela. E o maldito destino queria que esta fosse a segunda temporada que devia compartilhar com a Regina. Clare estava furiosa. Sua prima já devia ter-se casado. Recebera dúzias de propostas. E não é que ela não quisesse, parecia mais que disposta, tão desejosa como Clare, ou mais, de estabelecer-se. Mas, por um e outro motivo, todas as propostas tinham ficado no ar. Nem sequer com uma viagem pela Europa no ano anterior obteve um marido. Regina tinha voltado para Londres, sempre esperando encontrar marido. E este ano também ia entrar na competição a irmã de Clare, Diana. Como ainda não tinha dezoito anos, teria sido melhor que a fizessem esperar um ano mais antes de apresentá-la em sociedade. Mas os pais tinham pensado que Diana já tinha idade de divertir-se um pouco. Embora o proibissem expressamente interessar-se seriamente em algum homem. Era muito jovem para casar-se, mas podia divertir-se tudo o que quisesse. O único que faltava era que seus pais tirassem do quarto de estudos a Amy quando tivesse dezesseis anos, pensou Clare, cada vez mais zangada. Quase podia vê-lo. O ano próximo, se ela ainda não tinha encontrado marido, teria que competir com Diana e com a Amy. Amy era tão bela como Regina, com aquela cor morena que só uns poucos Malory possuíam. Clare tinha que encontrar marido essa temporada, embora o custasse a vida. Clare não estava inteirada, mas estes também eram os sentimentos de sua formosa prima. Regina Ashton contemplou sua imagem no espelho enquanto sua camareira, Meg, enrolava seu comprido cabelo negro para dissimular seu comprimento e fazer que parecesse mais na moda. Regina não via seus olhos ligeiramente oblíquos, de um surpreendente azul cobalto, ou os cheios lábios que se franziam em uma careta, ou a pele talvez muito branca, que destacava tão fortemente o escuro cabelo e as longas pestanas negras. Via homens, desfile de homens, legiões de homens - franceses, suíços, austríacos, italianos, ingleses- perguntando por que ela ainda não se casara. Certamente não era porque não o tivesse tentado. Reggie, como a chamavam, tivera tantos pretendentes para escolher, que realmente era perturbador. Havia uma dúzia com os que estava segura de ter podido ser feliz, duas dúzias dos que acreditou começar a apaixonar-se, e muitos que, por um motivo ou outro não a tinham convencido. E quando Reggie acreditava que algum era aceitável, não era esta a opinião de seus tios. Ah, por certo que era uma desvantagem ter quatro tios que a queriam tanto! Ela também adorava aos quatro. Jason, que agora tinha quarenta e cinco anos, foi chefe da família desde que tinha dezesseis, responsável por seus três irmãos e uma irmã, a mãe de Reggie. Jason tomava a sério suas responsabilidades... às vezes muito a sério. Era um homem muito severo. Edward era exatamente seu oposto, de bom humor, alegre, indulgente. Um ano mais novo que Jason, Edward se tinha casado com a tia Charlotte quando tinha vinte e dois anos, muito antes de que se casasse o tio Jason. Tinha cinco filhos, três mulheres e dois varões. O primo Travis, de dezenove anos, era da idade de Reggie e estava em meio da família. Em toda sua vida foram companheiros de jogos, assim como o único filho do tio Jason. A mãe de Reggie, Melissa, era sete anos mais nova que seus dois irmãos mais velhos. Dois
  9. 9. Mallory 01 9 anos depois do nascimento da Melissa, tinha vindo ao mundo James. James era o irmão louco, que mandava tudo ao diabo para fazer o que o dava na vontade. Tinha trinta e cinco anos agora e se supunha que nem sequer se devia mencionar seu nome. No que se refere a Jason e Edward, James não existia. Mas Reggie continuava querendo-o bem. Ligava pouco e ia vê-lo em segredo. Nos últimos nove anos só o viu seis vezes, na última fazia já mais de dois anos. Mas, para dizer a verdade, Anthony era seu tio favorito por ser tão livre, tão pouco inibido como a própria Reggie. Anthony, com seus trinta e quatro anos e sendo o mais novo da família, era mais um irmão que um tio. Também, e isso era muito divertido, era o libertino mais notável desde que seu irmão James se fora de Londres, mas, enquanto James podia ser brutal, já que tinha muito de Jason, Anthony era dotado de algumas das qualidades do Edward. Era um Dom Juan, um notável sedutor. Não o importava o que se pensasse dele; mas, a sua maneira, fazia tudo o possível para agradar a quem o interessasse. Reggie sorriu. Apesar de todos seus queridos e extravagantes amigos, apesar de todos os escândalos que floresciam a seu redor, os duelos que tivera, as apostas que fizera, Anthony era às vezes o hipócrita mais adorável no que se referia a ela. Porque se algum de seus dissolutos amigos se atrevia a olhá-la sequer de esguelha, era convidado em seguida a um combate de boxe. E até os homens mais mulherengos aprenderam a ocultar seus desejos quando ela visitava seu tio, e conformar-se com um bate-papo inofensivo. Se o tio Jason chegasse a inteirar-se de que ela tinha estado no mesmo quarto com alguns dos homens que tinha conhecido, algumas cabeças podiam rodar, especialmente a do Tony. Mas Jason nunca soube e, embora Edward o suspeitasse, nunca foi tão restritivo como Jason. Os tios a tratavam mais como a uma filha que como a uma sobrinha, porque os quatro a tinham educado desde a morte de seus pais, quando Reggie só contava dois anos. Literalmente a tinham compartilhado desde que fez seis anos. Edward vivia então em Londres, assim como James e Anthony. Os três tiveram uma grande briga com o Jason, porque este insistia em que ela seguisse no campo. Permitia-o e tolerava que vivesse seis meses do ano com o Edward, onde podia ver com freqüência aos tios mais jovens. Quando ela fez onze anos, Anthony pediu pra ficar um tempo com ela. Concederam-o os meses do verão, que eram de diversão restrita. E ele se sentiu feliz fazendo o sacrifício de transformar todos os anos sua casa de solteiro, coisa que se fazia facilmente, porque junto com o Reggie chegavam sua camareira, sua babá e sua governanta. Anthony e Reggie comiam duas vezes por semana com o Edward e sua família. Apesar do encanto daquela vida doméstica, Anthony nunca tinha sentido desejos de casar-se. Continuava sendo solteiro. Quando Reggie foi apresentada em sociedade já não era adequado que passasse parte do ano com este tio, de maneira que agora só o via de vez em quando. Ah, bom, pensava Reggie, o certo era que ela ia casar se logo. Não era o que desejava especialmente. Com muito gosto se divertiria alguns anos mais. Mas seus tios queriam que se casasse. Supunham que seu desejo era encontrar um marido conveniente e formar uma família, por acaso não era este o desejo de toda moça? O certo é que se reuniram para discutir o assunto e, apesar dela afirmar que não estava preparada para deixar o seio da família, as boas intenções deles prevaleceram sobre os protestos de Reggie, até que, finalmente, ela cedeu. A partir de então ela fizera todo o possível para só agradar, porque queria-os muito aos quatro. Apresentou pretendente atrás de pretendente, mas, um ou outro dos tios encontravam um defeito em um dos jovens. Ela continuou a busca no continente, mas já estava farta de olhar com olhos críticos a cada homem que se aproximava. Não podia fazer amigos. Não podia divertir-se. Cada homem devia ser cuidadosamente dissecado e analisado... estava materializado seu futuro marido? Era por acaso essa pessoa mágica que todos seus tios iriam aprovar?
  10. 10. Mallory 01 10 Ela começava a suspeitar que tal homem não existia, e desesperadamente precisava terminar com aquela busca obsessiva. Queria ver seu tio Tony, o único capaz de entender, de interceder ante o tio Jason. Mas Tony estava visitando um amigo no campo quando ela voltou para Londres, e não tinha retornado até a noite anterior. Reggie fora duas vezes naquele mesmo dia para o ver, mas não o tinha encontrado e finalmente o deixou uma nota. Certamente já a tinha recebido. Por que não tinha vindo? No momento em que estava pensando nisso, uma carruagem se deteve diante da casa. Ela riu com uma gargalhada alegre, musical. - Enfim! - Como? -sobressaltou-se Meg. - Ainda não terminei. Quero que não foi fácil o arrumar o cabelo. Continuo dizendo que deveria cortá-lo. Tanto você como eu ganharíamos tempo. - Não importa, Meg. -Reggie ficou de pé de um salto, fazendo com que vários grampos caíssem no chão. - chegou o tio Tony. - Né, aonde vai vestida dessa maneira? -O tom de Meg era profundamente irritado. Mas Reggie não o prestou atenção e saiu correndo do quarto; ouviu o grito de Meg: Regina Ashton!, mas não se deteve. Correu até chegar às escadas que levavam ao salão de baixo, mas ali se deu conta da escassa roupa que levava. Rapidamente se refugiou em um canto, decidida a não sair até que ouvisse a voz de seu tio. Mas não a ouviu. Em lugar disto escutou uma voz de mulher e, quando espiou vacilante do canto, ficou decepcionada ao ver que o lacaio fazia entrar uma senhora, não o tio Tony. A dama era lady Tal ou Qual, alguém a quem Reggie tinha conhecido há uns dias no Hyde Park. Caramba, onde diabos se colocara Tony? Naquele momento Meg a puxou pelo braço e a arrastou pelo corredor. Meg tomava liberdades, esta era a verdade, mas não era de estranhar, porque estava com Reggie tanto tempo como a babá Tess, quer dizer, sempre. - Nunca vi nada mais escandaloso que você ali de pé, em roupa interior! -repreendeu-a Meg enquanto empurrava ao Reggie tamborete diante da pequena penteadeira. - Teríamos que ensinar você a comportar-se melhor. - Achei que era o tio Tony. - Não é uma desculpa. - Sei, mas tenho que o ver esta noite. Já sabe para que, Meg. É o único que pode me ajudar. Escreverá ao tio Jason e finalmente poderei descansar. - E acha que seu tio Tony possa dizer ao marquês algo que o seja útil? Reggie fez uma careta. -O que vou sugerir é que eles que me encontrem um marido. Meg moveu a cabeça e suspirou. -Você não gostará do homem que escolherão para você, minha filha. -Talvez. Mas já não me importa... -insistiu ela. - Seria bom que eu pudesse escolher a meu marido, mas já sei que minha escolha não será tomada em conta se, de acordo com eles, é má. Estive-me exibindo por um ano, fui a tantas reuniões, festas e bailes que os odeio a todos. Nunca pensei chegar a dizer isto. Mas se isto fazia curto o tempo para dançar em minha primeira festa! - É compreensível, querida -disse Meg para apaziguá-la. - O único que peço é que o tio Tony compreenda e queira me ajudar. Só quero me retirar para o campo, viver outra vez tranqüilamente... com ou sem marido. Se pudesse encontrar esta noite ao homem que me convém, casar-me-ia com ele amanhã, algo para cortar esta agitação social, mas sei que não vai acontecer, de maneira que o melhor é deixar que meus tios escolham. Como os conheço, demorarão anos em fazê-lo. Nunca ficam de acordo em nada e, enquanto isso,
  11. 11. Mallory 01 11 eu irei à casa no Haverston. - Não vejo o que pode fazer seu tio Tony que você não possa fazer. Não tenha medo do marquês. Pode dirigi-lo com o mindinho quando o der vontade. Acaso já não o têm feito com freqüência? o diga como é desventurada e ele... - Não posso fazer isso! -exclamou Reggie sem fôlego. - Não posso fazer com que o tio Jason ache que me tem feito desgraçada. Nunca o perdoaria. - É de coração muito tenro para sua conveniência, minha filha - grunhiu Meg. -Pensa portanto continuar sendo desventurada? - Não. Por isso quero que o tio Tony o escreva ao tio Jason. Se eu o fizer, e ele insistir em que continue aqui, o que tirarei com isto? Mas se a carta do Tony é desprezada, saberei que o plano não dá resultado e terei tempo para pensar em outra coisa. - Bom, não há dúvida de que esta noite no baile verá lorde Anthony. - Não. Ele odeia os bailes. Não quereria assistir nem morto a um, nem sequer o faria por mim. Bom, caramba, tudo terá que esperar até amanhã...- Meg franziu o cenho e olhou para outro lado. - O que significa isso? Acaso sabe algo que eu não sei? -perguntou Reggie. Meg encolheu os ombros. - É que... provavelmente lorde Anthony irá pela manhã ao Haverston e não voltará em três ou quatro dias. Mas pode esperar esse tempo. - Quem o disse que partirá? - Ouvi que lorde Edward dizia a sua esposa que o marquês o tinha mandado chamar. Acredito que vão citar o de novo por algum outro problema em que se colocou. - Não! -E acrescentou preocupada: - Não acha que já foi, não é verdade? - De verdade que não. Meg sorriu.- Esse sem-vergonha não deve ter muita vontade de enfrentar seu irmão mais velho. Estou certo de que atrasará a partida todo o tempo que puder. - Então tenho que vê-lo esta noite. Isto é perfeito. Ele poderá convencer mais facilmente ao tio Jason em pessoa que por carta. - Mas não pode ir agora a casa de lorde Anthony -protestou Meg. - Já é quase hora de partir para o baile. - Me ajude logo a por o vestido. Tony vive a umas poucas ruas daqui. Tomarei a carruagem e retornarei antes que minhas primas estejam prontas para partir. O certo é que as outras já estavam prontas e só esperavam a Reggie quando esta correu uns minutos depois escada abaixo. Aquilo era incômodo, mas não foram dissuadi-la. Pôs a um lado a sua prima mais velha ao entrar na sala, oferecendo aos outros um vago sorriso a maneira de saudação. - Marshall, realmente detesto ter que pedir, mas necessito da carruagem uns minutos antes de que todos partamos. - Como? Ela tinha falado em murmúrio, mas a exclamação dele fez om que todos se voltassem para olhá-los. Ela suspirou. - Na verdade, Marshall, não deveria se comportar como se se estivesse pedido o mundo. Marshall, consciente de que os observavam, e surpreso de sua momentânea falta de controle, recuperou toda a dignidade que pôde e disse no tom mais razoável que conseguiu dominar: - Faz dez minutos que a esperamos, e quer que esperemos ainda mais! Três suspiros ultrajados chegaram a seus ouvidos, mas Reggie não se dignou a olhar a suas primas.
  12. 12. Mallory 01 12 - Não o pediria se não fosse importante, Marshall. Não demorarei mais de meia hora... bom, certamente menos de uma hora. Tenho que ver o tio Anthony. - Não, não e não! -exclamou Diana, que uma vez levantava a voz. - Como pode ser tão desconsiderada, Reggie? Você não é assim. Fará com que todas cheguemos tarde. Temos que partir em seguida. - Tolices -disse Reggie. - Certamente não quererão ser as primeiras, não é? - Mas tampouco queremos ser as últimas em chegar -disse Clare, caprichosa. - O baile se iniciará dentro de meia hora, e demoraremos o mesmo tempo em chegar. É tão importante que veja agora ao tio Anthony? - É um assunto pessoal e não pode esperar. Ele parte amanhã cedo para o Haverston. Não poderei falar com ele a menos que vá o ver em seguida. - Espera que retorne -disse Clare. - Por que não espera a que retorne? - Porque não posso esperar. -Ao ver que suas primas estavam todas contra ela e lady Tal por Qual igualmente agitada, Reggie se decidiu.-Bom, aceitarei uma carruagem alugada ou um coche, Marshall, se enviarem a um dos lacaios para buscá-lo. Irei reunir-me a vocês no baile assim que tiver terminado. - Impossível. Marshall estava zangado. Era muito de sua prima colocá-lo em alguma tolice de modo que ele, que era o mais velho, carregasse mais tarde com a responsabilidade. Mas desta vez não o faria, por Deus. Ele era o mais velho, sabia o que fazia e ela não ia envolvê-lo como estava acostumada a fazer. Marshall disse imperturbável. - Uma carruagem alugada? De noite? Não é seguro, e você sabe, Reggie. - Travis pode me acompanhar. - Mas Travis não deseja fazê-lo -replicou com rapidez a escolta em questão. - E não me faça caretas de menina malcriada, Reggie. Eu tampouco quero chegar tarde ao baile. - Por favor, Travis. - Não. Reggie olhou todos aqueles rostos tão pouco compreensíveis. Mas não queria ceder. - Então não irei ao baile. Além disso, não tinha vontade de ir. - Oh, não. -Marshall sacudiu gravemente a cabeça. - Conheço-a muito, querida prima. Apenas nos tenhamos ido escapulirá e irá a pé até a casa do tio Anthony. E meu pai me matará. - Sou muito inteligente para fazer isso, Marshall -replicou ela provocadora. -Enviarei outra mensagem ao Tony e esperarei que ele venha aqui. - E se não vier? - Disse Marshall. - Tem coisas mais importantes que responder a uma chamada sua assim que faça um gesto. Além disso, é provável que não esteja em sua casa. Não. Virá conosco e isto é definitivo. - Não irei. - Irá. - Pode ir em minha carruagem - todos os olhos se voltaram para a convidada. -Meu cocheiro e o lacaio estão comigo há anos e posso confiar em que a levarão sã e salva onde deseje e depois ao baile. O sorriso de Reggie foi deslumbrante. - Esplêndido... Realmente é você minha salvadora, lady... - Eddington -replicou a dama. - Nos apresentaram esta semana. - Sim, no parque, recordo. O certo é que sou muito esquecida com os nomes, conheci muita gente este último ano. Nunca o agradecerei o bastante.
  13. 13. Mallory 01 13 - Não é nada. Faz-me feliz os ser útil. E Selena estava feliz... algo para partir quanto antes. Já era bastante mau ter tido que aceitar ao Marshall Malory como acompanhante para o grande baile da temporada. Mas ele era o único entre a dúzia de cavalheiros aos que tinha enviado notas essa manhã que não a tinha rejeitado com uma ou outra desculpa. Malory, que era mais novo que ela, foi um curinga de último momento. E aqui estava ela agora, em meio de uma disputa familiar, tudo devido a esta mocinha descarada. - Bom, Marshall -disse Reggie - não pode se opor agora. - Não, suponho que não -disse ele a contra gosto- mas recorda que disse que demorará meia hora, prima. É melhor que chegue a casa dos Shepford antes que meu pai se dê conta de que não está. Do contrário, passaremos muito mal, e você sabe. CAPÍTULO 3 - Mas falo a sério. Tony - exclamou Reggie enquanto o olhava com cuidado do outro extremo da sala. - Como pode duvidar de mim? Esta é uma emergência, Tony. Ela tivera que esperar vinte minutos para que o despertassem, porque ele passou todo o dia em seu clube bebendo e jogando, depois fora a sua casa e se deixou cair na cama. Perderam-se outros dez minutos enquanto ela procurava o convencer de que se tratava de um assunto muito sério. A meia hora concedida já passou, e mal tinha começado. Marshall ia matá-la. - Vamos, gatinha. Antes de uma semana no campo, sentirá falta desta velha e alegre Londres. Se precisa descansar, diga ao menino do Eddie que está doente ou algo assim. Uns dias em seu quarto e me agradecerá por não haver tomado a sério este assunto . - Todo este ano não tive mais que uma vida de diversão -continuou Reggie, decidida. - Em minha excursão pelo estrangeiro passei de um baile a outro, e não de um país a outro. E não é só que esteja farta das contínuas diversões, Tony. Isto poderia suportá-lo. Nem sequer sugiro passar toda a temporada em Haverston, mas sim umas poucas semanas para me recuperar. É esta caçada de marido o que vai acabar comigo. De verdade. - Ninguém diz que tem que se casar com o primeiro homem que se cruze no caminho, gatinha -disse Anthony razoavelmente. - O primeiro homem? Houve centenas, Tony. Deve saber que agora me apelidam "o pescado frio". - Quem tem feito isso, meu deus? - O apelido é muito apropriado. Mostrei-me fria e cortante. Tinha que sê-lo, porque me neguei a dar esperanças a um homem quando não havia esperança. - De que diabos está falando? -perguntou Anthony bruscamente. - Que contratei a sir John Dodsley muito antes de que terminasse a última temporada. - A esse velho censurável? Para que o contratou? - Para que agisse, bom, como conseoiro, diria -confessou ela. - Esse velho censurável, como você o chama, conhece todo mundo. E também sabe tudo o que se deve saber a respeito de qualquer um. Depois que meu sexto pretendente não conseguiu passar no exame ao que o submeteram você e seus irmãos, pensei que era inútil que eu me decepcionasse ou que decepcionasse a mais cavalheiros tendo que voltar a passar por tudo isso. Paguei ao Dodsley para que se ocupe de qualquer assunto que eu possa iniciar. Possui uma lista das coisas que você e seus irmãos podem desaprovar em um homem e moveu a cabeça ante qualquer homem solteiro que conheci ultimamente. Isto me economizou tempo e não me frustrou, mas também fez que me pusessem esse apelido. É impossível, Tony. Posso satisfazer ao Jason, mas não a você... a você, mas não ao Edward. Por sorte o tio James não está aqui para dar sua opinião. Não existe um homem
  14. 14. Mallory 01 14 vivo que possa ser gostado pelos quatro. - Isso é absurdo -protestou ele; - penso em meia dúzia de candidatos que estariam muito bem. - De verdade, Tony? -perguntou ela com doçura. - De verdade, quereria que me casasse com algum deles? Ele ficou com ar ofendido, mas de repente sorriu: - Não, acredito que não. - Então compreende a dificuldade em que me encontro. - Mas não quer se casar, gatinha? - Claro que quero me casar. E não duvido que o homem que você e seus irmãos irão encontrar para mim me fará muito feliz. - Como? - Olhou-a furioso. - Oh, não, não fala sério! Não pode me jogar essa responsabilidade sobre os homens, Reggie! - De acordo, então -assentiu ela. - O deixaremos a cargo do tio Jason. - Não seja tola. Fará com que se case com um tirano como ele. - Vamos, Tony, sabe que isso não é verdade -Sorria. - Bom, terminemos -grunhiu ele. - Compreende, Tony? Deste modo não terei que estar examinando a cada homem que conheço. Quero me divertir de novo, poder falar com um homem sem ter que analisá-lo, dançar sem me perguntar se meu companheiro é um marido em potencial. As coisas chegaram a um ponto que, ante cada homem que encontro, pergunto-me: casar-me com ele? Poderei amá-lo? Será comigo tão bom e carinhoso como...? -interrompeu-se, ruborizada. - Como...? -insistiu ele. - Oh, é melhor que saiba -disse ela com um suspiro. - Comparo a cada homem com você e com meus outros tios. Não posso evitá-lo. Quase desejaria que todos vocês não me quisessem tanto. Mimaram-me de uma maneira desavergonhada. Quero que meu marido seja um compêndio de todos vocês. - Mas o que o fizemos? Estava a ponto de rir e ela se zangou. - Parece-o muito divertido, verdade? Eu gostaria que você confrontasse este problema. E se não me dão um descanso, juro que procurarei me pôr em contato com o tio James, para que me leve para longe. Ele se acalmou instantaneamente. Embora fosse quem estivesse mais perto de James, sempre se tinha mostrado furioso e não perdoava o que seu irmão fizera. - Não diga isso, Reggie -a acautelou. - Não está pensando claramente. Envolver ao James nisto piorará as coisas, em lugar de melhorar. Ela insistiu, desumana. - Então, dirá ao tio Jason que quero voltar por algum tempo para casa? Dirá a ele que estou farta de procurar um marido e que esperarei até que vocês três se ponham de acordo sobre o homem com quem vou casar me? - Vamos, Reggie, a isto Jason vai gostar tão pouco como eu. Deveria escolher por você mesma, encontrar a alguém e se apaixonar. - Tentei-o. - Seguiu um pesado silêncio. Anthony franziu o cenho. - Lorde Medhurst era um asno pomposo! - Acaso acha que não sei? Pensei que era o indicado. Bom, era para apaixonar-se! - Poderia ter aceito ao Newel, sim ao Eddie não o tivesse ocorrido que podia ser um pai detestável. -Tony seguia franzindo o cenho.
  15. 15. Mallory 01 15 - Sim, bom, não cabe dúvida de que o tio Edward teve razão. Outra vez foi uma sorte que não me apaixonasse. - Realmente é uma artista nisto de deprimir a um homem, gatinha. Só queremos o melhor para você, sabe? - Sei e quero vocês por isso. Sei que adorarei ao homem que vocês três decidam que será um perfeito marido. - De verdade? -Sorriu. - Não estou tão seguro. Se Jason consentir nisto, por exemplo, procurará um homem que não me pareça em nada. Estava brincando. Se havia alguém que desaprovaria a um marido como Tony para ela, esse era o mesmo Tony. Reggie riu. - Bom, sempre poderá converter a meu marido a seu gosto, Tony... uma vez que eu esteja casada. CAPÍTULO 4 Percival Alden gritou triunfante, ao frear seu cavalo no extremo do Green Park, do lado do Piccadilly. - Deve-me vinte libras, Nick! -exclamou quando o visconde chegou à galope atrás dele, em seu baio. Nicholas Éden fez uma careta sombria a Percy. Começaram a fazer girar em círculo seus cavalos. Os dois amigos acabavam de sair do Bolhedles, depois de terminar uma perfeita partida de cartas, quando Percy mencionou seu novo potro negro. Nicholas estava bastante bêbado para aceitar a aposta, e mandaram procurar seus cavalos. - Os dois poderíamos ter quebrado o pescoço, sabe? -disse Nicholas muito razoavelmente, embora seus olhos vissem quase dobro. - Me recorde para que não volte a repetir isto. Percy pensou que aquilo era terrivelmente engraçado e começou a rir tão forte que quase perdeu o equilíbrio. - Como se alguém pudesse impedir que fizesse o que o dá vontade, especialmente quando está bêbado! Mas não importa, velho. Provavelmente amanhã não recordará esta escapada audaz e, se a recordar, não acreditará em sua memória. Ah, onde diabos estava essa maldita lua, quando mais necessitávamos dela? Nicholas olhou a órbita de prata que emergia de um bloco de nuvens. A cabeça o dava voltas. Maldição! A corrida devia ter me limpado um pouco a cabeça. Seu olhar era vago, mas conseguiu focar seu amigo. - Quanto quer por esse cavalo, Percy? - Não quero vendê-lo. Ganharei mais corridas com ele. - Quanto? -repetiu obstinadamente Nicholas. - Paguei por ele duzentas e cinqüenta, mas... - Trezentas. - Não está à venda. - Quatrocentas. - Vamos, Nicholas -protestou Percy. - Quinhentas. - Mandarei-o ele pela manhã. Nicholas sorriu satisfeito. - Devia pedir mil -disse Percy sorrindo. - Mas sei onde posso comprar o irmão deste cavalo
  16. 16. Mallory 01 16 por duzentos e cinqüenta e não quis me aproveitar de você. Nicholas riu. - Está desperdiçando seu talento, Percy. Deveria conseguir um posto no mercado do Smithfield, vendendo carne de cavalo. - E dar a minha pobre mãe um motivo mais para amaldiçoar o dia em que teve a este filho? Não, obrigado. Continuarei como sou, me aproveitando dos que fazem boas ofertas, como você, para tirar um limpo e bonito benefício. De qualquer modo é mais divertido. E falando de diversão, não deveria se apresentar esta noite em casa do Shepford? - Maldição -grunhiu Nicholas, e todo seu bom humor desapareceu. - Para que me recordou isso? - É minha boa ação do dia de hoje. - Não me aproximaria desse lugar se não tivesse que cortar as asas a minha galinha - confessou Nicholas. - Alvoroçou-o as plumas, né? - Acredita que pensa me pôr ciumento? -perguntou Nicholas, ofendido. - Você, ciumento? -Percy soprou. - Eu gostaria de ver esse dia, de verdade eu gostaria. - Está convidado a vir e ver minha atuação. Quero dar uma boa lição a lady. E antes de terminar -disse Nicholas sombrio. - Suponho que não pensará convidar a dar um passeio o pobre tipo que o serve de acompanhante, verdade? - Deus, bater-se por uma mulher! Claro que não. Mas ela acreditará, quando em realidade o darei a bênção para que fique com ela. E ela ficará para lamentar sua loucura, porque me verá pela última vez. - É uma nova maneira de confrontar o problema murmurou Percy. - Recordarei isso para imitar você. Ouça: por que não me dá a bênção para que a receba? Lady E. é uma mulher muito bonita. Mas... - Percy olhou para o outro lado da rua. - Falando de... não é essa sua carruagem? Nicholas seguiu a direção assinalada e viu a carruagem brilhante e as tábuas pintadas de rosa e verde, que tão bem conhecia. - Impossível -murmurou. - Ela morreria antes a chegar tarde a esse baile, e já faz tempo que começou. - Não conheço ninguém mais que possua um carruagem de aspecto tão elegante -apontou Percy. - Pensei pintar as minhas com essas cores. Nicholas o lançou um olhar horrorizado e voltou a olhar à rua. - Conhecemos alguém que viva nesta rua? -perguntou a seu amigo. - Não recordo a ninguém -começou dizendo Percy. - Um momento... Acho que sei de quem é a casa junto à qual parou. A casa pertence à família Malory... como se chama?... Já sabe. Não esse louco que se foi há anos, mas sim o outro, esse que tem melhor pontaria que ninguém... Oh, já o tenho!Anthony! Lorde Anthony. Deus me valha! Espero que não queira se pôr ciumento com ele. Nem você se atreveria a se colocar contra ele, Nick. Nicholas não respondeu. Lenta, muito lentamente, deixou o parque e atravessou a rua. Se se tratava da Selena, estava realmente onde ele não podia deixar de vê-la, porque passava por ali todas as noites quando se dirigia ao clube. Despertou a sua curiosidade. Estaria Selena sentada naquela carruagem fechada, esperando que ele passasse, sem saber que ele já a deixara para trás? Tinha encontrado acompanhante para aquele maldito baile e agora queria a todo custo arrastá-lo para ele? Porque era impossível que conhecesse o Anthony Malory. Ele e seus amigos eram um grupo totalmente diferente, todos libertinos, todos desprezados pela sociedade. A reputação de
  17. 17. Mallory 01 17 Nicholas podia estar manchada, mas nem sequer ele se misturaria com aquele grupo de refugos. Embora talvez tivesse conhecido de algum modo Malory, não passaria ali precisamente esta noite. O baile dos Shepford era muito importante. Não tinha falado de outra coisa há um mês. E se tivesse ido flertar com o Malory? Nicholas se deteve ante a calçada, a três casas de distância. Percy o alcançou: parecia alarmado. - Não é uma aposta o que fiz, sabe? -disse muito gravemente. - Espero que não pense em fazer uma tolice, não é? - Estive pensando, Percy -Nicholas sorria.- Se lady E., está aí, sairá a qualquer momento. - Como sabe? - O baile. Talvez chegue tarde, mas não quererá perdê-lo, asseguro-o. Mas talvez o perca depois de tudo. Sim, não viria mal perdê-lo. Uma mulher não deve preocupar-se tanto por uma coisa até o ponto de esquecer o homem de sua vida. É uma lição que deve aprender bem, não o parece? Sim, tem que aprendê-la. Muito bem. Para que não volte a cometer o mesmo engano. - Montieth, que demônios está planejando? -perguntou Percy alarmado. Nicholas não respondeu, porque sua atenção se viu distraída por uma porta que se abria rua acima. Seu sorriso se ampliou quando Selena Eddington emergiu. Levava sobre os olhos uma máscara negra, e se cobria o rosto com as mãos, mas ele teria reconhecido em qualquer lugar aquele cabelo escuro. Levava uma longa capa bordejada de pele, fechada na garganta. A capa estava jogada para trás, revelando um maravilhoso vestido rosa. Nicholas ficou atônito. Rosa? Não era uma de suas cores preferidas. Com desprezo dizia que era a cor da inocência, condição que perdera para sempre sem lamentá-lo. Supôs que queria impressionar à duquesa de Shepford com sua juventude. Voltou-se para o homem que estava a seu lado e Nicholas reconheceu Anthony Malory. Conhecia muito bem aqueles belos traços morenos, tinha-o visto com freqüência nos clubes, embora não se podia dizer exatamente que fossem conhecidos. Selena devia achá-lo muito atraente, Nicholas teve que reconhecê-lo. Bom, que tivesse sorte. Malory era um solteiro, se se quiser, mais contumaz que Nicholas. Jamais Selena conseguiria levá-lo ante o altar. Acaso ela não se dava conta? Olhou divertido como ela abraçava ao Malory e o dava um rápido beijo. Era óbvio que ele não ia acompanhar a ao baile, porque estava vestido com uma bata de estar em casa. - Bom, o que pensa disto? -perguntou Percy, muito incômodo, aproximando um pouco mais seu cavalo. - É lady E. não é? - Sim, e a carruagem está colocado aqui, Percy, de maneira que irei pelo outro lado. Me faça o favor de entretê-lo até que dê a volta, todo o tempo que puder. - Caramba, o que pensa fazer? - O que penso fazer? Pois levar para casa Lady E. comigo. Que outra coisa vou fazer? -disse Nicholas com um risinho. - Darei a volta à maçã e cortarei pelo Mayfair, para voltar para Park Lane com ela. me espere ali. - Que o enforquem, Nicholas! -exclamou Percy. - Malory está aí, de pé! - Sim, mas não irá me perseguir pela rua a pé, verdade? E não deve ter uma arma à mão se acabar de deitar-se com ela. - Não o faça, Nick. Mas Nicholas não estava bastante sóbrio para pensar. Moveu seu corcel pela rua em direção aa carruagem, adquirindo um pouco de velocidade antes de chegar junto a ela. Depois girou ao final da rua e subiu à calçada, tomando a todos pela surpresa, ao deter-se entre a casa e a carruagem. Apoderou-se de Selena, levantou-a e a pôs atravessada sobre seu cavalo. Muito bem feito, felicitou-se a si mesmo. Não o teria realizado melhor em caso de não estar
  18. 18. Mallory 01 18 bêbado. Os gritos estalaram atrás dele, mas ele não diminuiu o galope do cavalo. A mulher que tinha atravessada sobre o animal começou a gritar, mas o pôs rapidamente na boca seu lenço de seda branca, sufocando seus gritos. Depois o amarrou os pulsos com sua gravata. Ela se revolvia com tanta força que ele corria perigo de perdê-la, de maneira que a fez dar volta até que ficou sentada diante dele, e então o jogou o capuz da capa sobre a cabeça, envolvendo-a mais. É como um saco, pensou com satisfação. Riu quando dobraram em uma esquina e se dirigiram para Park Lane. - Parece que ninguém nos segue, querida. Talvez seu cocheiro, Tovey, tenha-me reconhecido e sabe que está em boas mãos. -Voltou a rir ouvindo os sons sufocados que ela fazia sob a capa. - Se, já sei que está zangada comigo Selena. Mas se console: poderá ter um ataque de raiva quando deixar você partir... amanhã. Ela começou a lutar de novo, mas uns escassos minutos depois chegaram a sua casa da cidade em Park Lane. Percival Alden estava de pé diante da grande zona escura do Hyde Park, do outro lado da rua, e só ele viu que Nicholas jogava o vulto sobre o ombro, e se metia dentro da casa. O lacaio procurou não parecer muito surpreso. Percy os seguiu para dentro e disse: - Nem sequer tentaram seguir você. - Oh, isso significa que o cocheiro me reconheceu -disse Nicholas rindo. -Provavelmente já explicou ao Malory que a dama e eu somos amigos. - Ainda me parece incrível o que fez, Nick. Ela nunca o perdoará isso. - Já sei. Mas agora seja um bom amigo e me siga acima para acender alguMAs lamparinas antes que eu deposite minha bagagem. -Fez uma pausa para sorrir a seu criado, que tinha os olhos cravados nos pés que pendiam do ombro de Sua Senhoria. - Diga a meu lacaio que pegue minha roupa de etiqueta, Tyndale. Quero sair daqui a dez minutos. E se se alguém se apresentar, com o motivo que for, o diga que saí há uma hora para o baile do duque do Shepford. - Está bem, milordee. - Continua com a idéia de ir? -perguntou Percy atônito, quando ele e o mordomo subiam atrás de Nicholas. - Naturalmente -replicou Nicholas, - penso dançar toda a noite. Deteve-se ante um dormitório no fundo da casa, no segundo piso, não sem averiguar antes, que no quarto não houvesse nada de valor que Selena pudesse destroçar em sua fúria. Satisfeito, disse ao Tyndale que procurasse a chave e depois fez um sinal com a cabeça ao Percy para que acendesse o abajur. - Fique comportada, querida e não alvoroce muito - Bateu em seu traseiro de maneira familiar. - Se começar a gritar ou fizer tolices, Tyndale se verá obrigado a intervir. E estou seguro de que não vai gostar de passar as poucas horas seguintes, atada à cama. - Fez um gesto a Percy para que abandonasse o quarto antes de deixá-la cair sobre a cama. Depois afrouxou a atadura dos pulsos e saiu do quarto, fechando a porta com um suave clique da chave. Sabia que ela ia tirar a mordaça cedo ou tarde, mas ele não ia estar ali para ouvi-la. - Vamos, Percy. Tenho trajes de etiqueta que posso te emprestar se me quer acompanhar ao baile. Percy moveu a cabeça, confuso, enquanto seguia ao Nicholas até o primeiro piso, onde estavam seus aposentos. - Poderia acompanhar você, não tenho outra coisa que fazer, mas não entendo por que vai agora que ela não estará lá. - É o golpe final -riu Nicholas. - Não tem sentido deixar sem dançar a lady e se suas queridas amigas não o disserem amanhã que não perdi uma dança desde que cheguei até que fui
  19. 19. Mallory 01 19 embora. - Isso é cruel, Montieth. - Não mais que o fato de que me tenha deixado por Malory. - Mas se isso não o importa -apontou Percy, exasperado. - Na verdade, não me importa. De qualquer modo, é uma espécie de reação, não? A dama se sentiria exasperada se eu não fizesse nada. - Se ela pudesse escolher sua reação, Montieth, estou seguro de que não escolheria esta. -Oh, bom, é melhor isto que provocar duelo com Malory. Não o parece? - Céus, claro que sim! -Percy estava autenticamente assustado. - Não tem nenhuma possibilidade contra ele. - Acha? - murmurou Nicholas. - Bom, é provável que seja assim. Além de tudo ele tem mais prática que eu. Mas alguma vez saberemos, não é? CAPÍTULO 5 Reggie não estava assustada. Tinha ouvido o bastante para dar-se conta de que seu seqüestrador era um nobre. Supunha que foi reconhecido pelo cocheiro da carruagem que havia a trazido, de maneira que não pensava feri-la seriamente. E outra coisa fez com que Reggie sorrisse com um sorriso deliciosamente maligno. O homem tinha cometido um engano atroz. Ele acreditava que ela era outra pessoa... tinha-a chamado Selena. "Sou só eu", havia dito, como se ela pudesse reconhecer sua voz facilmente. Selena? Por que pensava este homem que ela era Selena? Simplesmente a tinha levantado na calçada, de maneira que... Deus, lady Eddington! Ele conhecia a carruagem, de maneira que acreditava que Reggie era lady Eddington. Aquilo não tinha preço. Ele iria ao baile dos Shepford e... voilá, ali encontraria lady Eddington com os primos de Reggie. Oh, como gostaria de ver a cara que ia ter o homem! Era exatamente o tipo de travessura que ela teria feito uns anos atrás. E então ele voltaria correndo a sua casa, cheio de loucas desculpas, pediria-o perdão. Suplicaria-o que não dissesse nada. Ela teria que aceitar isto, porque sua reputação estava em jogo. Iria ao baile, e simplesmente diria que se atrasara mais do que previsto com o tio Anthony. Ninguém ia nunca saber que foi seqüestrada. Depois de tirar a mordaça e as ataduras dos pulsos, deitou-se na cama, muito acomodada, desfrutando da aventura. Não era, nem de longe, a primeira. Tivera aventuras toda sua vida dos sete anos, quando se tinha caído em uma greta do gelo, no lago do Haverston, e se teria se afogado se um dos moços das cavalariças não a tivesse ouvido gritar e a tivesse tirado. No ano seguinte o mesmo moço espantou a um javali selvagem que a tinha obrigado a subir a uma árvore. O moço ficou ferido e, embora se recuperasse rapidamente, contente de narrar a seus amigos o dramático resgate, proibiram à Reggie ir ao bosque durante um ano. Nem sequer a devoção quase religiosa de seus tios para educá-la tinha podido intervir no destino, e Reggie viu mais aventura em dezenove anos que as que vêem a maioria dos homens em toda sua vida. Olhando ao redor de sua elegante prisão temporária, sorriu. Sabia que as moças sonhavam com a aventura, desejavam ser raptadas por formosos desconhecidos a cavalo, mas ela tinha vivido o episódio. Duas vezes na verdade, já que a escapada de esta noite era a segunda. Dois anos atrás, quando tinha dezessete, foi atacada no caminho a Bath por três bandoleiros mascarados e apanhada pelo mais audaz dos três. Por sorte seu primo mais velho, Derek, estava aquele dia na carruagem e montando um dos cavalos da carruagem tinha açoitado furiosamente
  20. 20. Mallory 01 20 ao seqüestrador, resgatando Reggie de... pelo que pensasse o fazer o desconhecido. E antes, quando tinha doze anos, tivera sua grande aventura marinha. Foi seqüestrada durante todo um verão, e suportou aterradoras tormentas no mar e inclusive uma incrível batalha. Bom, agora vivia outra aventura, uma aventura divertida e segura esta vez. E então se sentou muito erguida. O tio Tony! Ele estava informado disto! E subitamente deixou de ser divertido. Se descobria quem era seu seqüestrador, ia apresentar-se e derrubar a porta. As intrigas seriam intermináveis, e ela ficaria com a reputação arruinada. Anthony Malory não ia deixar que tudo terminasse tão facilmente. Desafiaria a duelo ao pobre sujeito e o mataria, tivesse cometido um engano ou não. Reggie ficou de pé e começou a caminhar descalça, pelo quarto. Oh, Deus, isto começava a complicar-se atrozmente. Continuava passeando examinando o quarto. Estava estofado em verdes e marrons apagados, e havia uns poucos móveis Chippendale modernos. Sua capa estava sobre uma cadeira, seus sapatos no chão, diante da capa, sua máscara sobre o assento de couro acolchoado. Uma única janela dava para um jardim, escuro e cheio de sombras. Arrumou o cabelo usando um espelho com cabo de folhas e flores à moda rocaille. Perguntou-se se Tyndale realmente iria atar a e amordaçá-la se começasse a gritar pedindo socorro. Era melhor não averiguá-lo. Também se perguntou por que Nick demorava tanto em descobrir seu engano. Os minutos continuavam passando no relógio de Meissen sobre o suporte. Nicholas a observava valsear nos braços de um dandy vestido de brilhante cetim verde, que chocava horrivelmente com o vestido de baile cor ameixa da Selena. Com aquelas cores o casal não podia passar desapercebido, nem sequer em um salão tão repleto. - Maldição -grunhiu Nicholas. Percy, que estava a seu lado, estava espantado. - Oh, Deus me valha, agora sim fez uma boa! Dava-me conta de que não devia iniciar isto, e agora realmente você se colocou em uma boa. - Cale-e, Percy. -Bom, essa é ela, não? Então, pelo amor de Deus, quem é o passarinho que tem preso em sua casa? Parece-me que roubou à querida do Malory. Matará você, Nick -o informou Percy. - É o mínimo que fará. Nicholas estava disposto a matar a seu excitável amigo. - Você gosta de falar e falar, né? A única coisa que vai sair de tudo isto é uma série de insultos de uma mulher enfurecida a quem nunca vi antes. Lorde Malory me não desafiará para um duelo por um equívoco tolo como este. Que mal fiz, depois de tudo? - A reputação da dama, Nick -começou Percy. - Se a história se espalhar... - Como vai se espalhar? Usa a cabeça, velho. Se for a querida do Malory não tem nenhuma reputação a perder. Mas eu gostaria de saber que fazia na carruagem de lady Eddington - suspirou, sentindo-se incompreendido e perseguido. - Suponho que o melhor é que volte para casa e a ponha em liberdade... seja quem for. - Necessita de ajuda? -Percy sorriu. - O certo é que tenho um pouco de curiosidade para saber quem é. - Não acredito que tenha muita vontade de nos receber -apontou Nicholas. - Me darei por feliz libertada só me jogar uma floreira à cabeça. - Bom, com isso pode se arrumar sozinho, obrigado. Prefiro que me conte tudo de manhã. - Sabia que iria responder assim -disse Nicholas preocupado. E Nicholas saiu galopando para sua casa o mais rápido que pôde. Já estava totalmente sóbrio e lamentava profundamente o que tinha acontecido aquela noite. Rogava que a misteriosa dama tivesse senso de humor.
  21. 21. Mallory 01 21 Tyndale o fez entrar, dobrou sua capa, tomou o chapéu e as luvas. - Algum problema? -perguntou Nicholas, se fosse o caso a lista ia ser longa. Mas não foi assim. - Nenhum, milordee. - Não fez barulho? - Nenhum. Nicholas aspirou longa e profundamente. Provavelmente ela reservava todo seu furor para quando ele se apresentasse. - Faça com que tragam a carruagem, Tyndale -disse, antes de subir a escada. No primeiro andar havia um silêncio sepulcral. Os criados habitualmente não vinham a esta parte da casa depois do anoitecer. Lucy, a bonita camareira que ultimamente tinha lançado olhares, não se aventurava escada acima se não o ordenassem, e seu lacaio, Harris, dormia na no andar térreo, esperando que seu amo voltasse muito mais tarde. Com exceção de Tyndale, ninguém estava informado da presença da dama na casa. Nicholas se deteve um momento ante a porta do quarto no qual estava Reggie, depois fez girar a chave e abriu com rapidez. Estava preparado para receber um golpe na cabeça, mas o sobressalto que teve ao vê-la pela primeira vez foi ainda mais angustiante. Ela estava na moldura da janela e o olhava de uma maneira surpreendentemente direta. Em sua expressão não havia nem acanhamento nem medo, e seu rosto era delicioso, delicado, em forma de coração. Os olhos eram perturbadores, oblíquos, ligeiramente exóticos. Uns olhos azul escuro naquele lindo rosto, muito azuis e muito limpos, como cristais de cor. Os lábios eram suaves e carnudos, e o nariz reto e fino. Um denso cerco de pestanas escuras emolduravam aqueles extraordinários olhos, sobre os quais se arqueavam graciosamente umas sobrancelhas escuras. O cabelo era negro, como as asas do corvo, e rodeava seu rosto em apertados cachos, dando a uma pele tão pura um reflexo de marfim gentil. Esta mulher era de cortar o fôlego. E a beleza não se reduzia a seu rosto. Erapequena, é verdade, mas não havia nada infantil em sua figura. Uns firmes e jovens seios se apertavam contra a leve musselina do vestido rosado. Não era um vestido muito decotado e se detinha antes de chegar a ser provocador, mas, de algum modo, era o mais tentador que ele viu em Londres. Gostaria descer um pouco a musselina rosada e ver saltar livres a aqueles preciosos seios. Sentiu outro sobressalto, porque sua virilidade se erguia contra sua vontade. Deus, desde sua primeira juventude não perdera o controle deste modo! Desesperado de não poder controlar nada, procurou algo, algo que dizer: - Olá... Seu tom implicava: No que me coloquei? E Reggie sorriu, sem pensar. Ele era esplêndido, simplesmente esplêndido. E não se tratava só de seu rosto, embora fosse notável. Tinha um magnetismo sexual que desconcertava. Era inclusive mais belo que o tio Anthony, a quem sempre tinha considerado como homem mais bonito e atraente do mundo. A comparação era tranqüilizadora. Recordava-o ao tio Tony, não só pela estatura e o aspecto, mas também pela forma como seus olhos a examinavam. Sua boca se retorceu para cima, aprovando. Com freqüência viu seu tio olhar daquela maneira às mulheres. Bom, este homem era um descarado, disse-se. Só um homem deste tipo podia ser capaz de raptar a sua querida na soleira da casa de outro homem. Possivelmente havia ficado ciumento pensando que ela e o tio Anthony eram... Oh, a situação era divertida de verdade. - Olá senhor -disse Reggie travessamente. - Já começava a me perguntar quando ia se dar conta de seu engano. Certamente levou tempo. - Estava-me perguntando se de verdade cometi um engano. Não parece ser um engano.
  22. 22. Mallory 01 22 Mas é bem algo que não me viria mal para uma mudança. Rapidamente fechou a porta e se apoiou contra ela, e os formosos olhos ambarinos a percorreram audazmente dos pés a cabeça. Por certo não era muito seguro para uma moça, estar a sós com um homem deste tipo, e Reggie se dava conta. Mas, por algum motivo, cuja profundidade não podia medir, este homem não o inspirava medo. Escandalosamente se perguntou se seria algo terrível perder com ele sua virgindade. Oh, o ocorriam de repente coisas muito perigosas! Olhou a porta fechada e a elevada silhueta dele fechando esta única saída. - Vamos, senhor, espero que não procure me comprometer mais do que já o fez. - Farei isso se me permite. Permitirá-me isso? Pense com cuidado antes de responder -disse ele, com um sorriso devastador. - Meu coração está em jogo. Ela riu, divertida. - Mentira. Os libertinos como você não têm coração. Todo mundo sabe. Nicholas estava encantado. Nada do que dizia a desconcertava? Duvidava-o. - Fere-me, linda, se comparar meu coração com o do Malory. - Jamais pensei nisso, senhor -o assegurou ela. - O coração de qualquer homem é naturalmente mais constante que o seu. Inclusive o seu - terminou secamente. Era possível que a querida de um homem pudesse dizer isto? Nicholas não podia acreditar sua boa sorte. Nem sequer tinha parecido ressentida por aquilo. Simplesmente aceitava o fato de que Malory nunca ia ser o fiel. Estaria já amadurecida para trocar de amante? - Não sente curiosidade de saber por que a trouxe aqui? -perguntou ele. Porque estava na verdade intrigado: "Porquê não estava ela perturbada?" - Oh, não -disse ela ligeiramente. - Já imagino do que se trata. - De verdade? -estava divertido, esperando alguma conclusão diferente da que ela tivesse chegado. - Achava que eu era lady Eddington -disse ela. - E não queria que fosse ao baile dos Shepford, enquanto você pensava ir e não perder uma só canção. Não é assim? Nicholas estremeceu. - Como? - Dançou todas as danças? - Nenhuma só. - Bom, deve tê-la encontrado lá. Oh, como eu gostaria de ter visto sua expressão... -ria de novo.- Ficou terrivelmente surpreso? - Sim... terrivelmente -reconheceu ele. mostrava-se incrédulo. Como demônios havia ela reconstruído tudo? O que pensou quando a transportava escada acima? - Estou em desvantagem. Parece que o disse muitas coisas. - Não se recorda? - Não com clareza - reconheceu ele, fracamente. - Receio que estava bastante bêbado. - Bom, nesse caso têm uma desculpa, não é verdade? Mas não disse tanto. Ajudou-me conhecer às pessoas envolta. Sabe? - Conhece lady Eddington? - Sim. Mas não muito, naturalmente. Conheci-a esta semana. E ela teve a amabilidade de me emprestar sua carruagem. Ele se afastou subitamente da porta e atravessou o quarto até chegar a escassa distância dela. De perto era ainda mais bonita. Ante sua surpresa, ela não retrocedeu, mas sim o olhou como se confiasse nele inteiramente. - Quem é? -perguntou ele em um murmúrio rouco.
  23. 23. Mallory 01 23 - Regina Ashton. - Ashton? -Franziu o cenho, pensativo. - Não é esse o nome da família do conde do Penwich? - Sim, claro. Conhece-o? - Não. É dono de uma terra contígüa à minha que faz anos quero comprar. Mas esse pomposo... não responde a minhas demandas. Espero que não seja parente dele. - É lamentável mas o sou, embora longínqua. Nicholas riu. - A muitas damas não pareceria lamentável ser parenta de um conde. - Seriamente? Então é porque não conhecem atual conde do Penwich. Alegra-me dizer que faz anos que não vejo esse homem, e duvido que tenha mudado. Na verdade é pomposo... Ele sorriu abertamente. - Quem são seus pais, pois? - Sou órfã, senhor. - Oh, lamento-o. - Eu também o lamento. Mas tenho pelo lado materno uma família carinhosa, que se encarregou de me educar. E agora, é justo que você diga quem é. - Nicholas Éden. - Quarto visconde do Montieth? Oh, ouvi falar de você. - Escandalosas mentiras, asseguro-o isso. - Duvido-o. -Sorriu.- Mas não tema que pense mal de você. Depois de tudo ninguém é tão mau como Tony, ou seu irmão James, inclusive, e amo muito aos dois. - Aos dois? Ao Tony e James Malory? -Estava totalmente aniquilado.-Deus, não me diga que é também a querida do James Malory! Os olhos dela se dilataram por um momento. Mordeu com força o lábio, mas não deu resultado. A gargalhada estalou, apesar de seus esforços. - Não vejo nada engraçado nisto -começou a dizer Nicholas, com frieza. - Oh, pois há algo muito engraçado , asseguro-o. Acreditou que Tony e eu... Oh, é grandioso! Tenho que contar para o Tony... não, é melhor que não o faça. Não o parecerá divertido. Às vezes os homens são tão pesados... -Suspirou.- Bom, ele é meu tio. - Se prefere chamá-lo assim... Ela riu de novo. - Não me acredita, não é verdade? - Querida senhorita Ashton... - Lady Ashton -corrigiu ela. - Bem, lady Ashton. Quero que saiba que o filho do James Malory, Derek Malory, é meu amigo íntimo. - Sei. - Sabe? - Sim, na verdade seu melhor amigo. Foram juntos ao colégio, embora terminou uns anos antes que ele. Você simpatizava com ele, coisa que não acontecia com os outros. Por isso ele tomou carinho. E eu também o quis me fazer amigo seu, embora só tivesse onze anos quando ele me contou isso e eu não o viu nenhuma vez. Onde acha que ouvi falar de você, lorde Montieth? O primo Derek falava e falava de você quando vinha para casa de férias. - Então por que não a nomeou jamais? -exclamou Nicholas. - Por que ia falar de mim? -perguntou ela. - Não tenho dúvida de que você e ele têm assuntos mais interessantes para conversar que sobre crianças de suas famílias. Nicholas franziu o cenho, pensativo. - Poderia estar inventando tudo isto.
  24. 24. Mallory 01 24 - Claro que poderia. Os olhos dela faiscavam rindo. Demônios, era na verdade muito bela. - Que idade têm? -perguntou ele. - Já não está zangado? - Acaso pareço zangado? - Oh, Deus, sim -sorriu. - Não posso adivinhar o porquê. Eu deveria estar zangada. E tenho dezenove anos, se tanto o interessa, embora não deveria tê-lo perguntado. Ele começou a sentir-se depravado de novo. Ela era encantadora. Já quase não podia agüentar mais. Queria abraçá-la, mas devia recordar o embaraçoso da situação em que estavam. - É sua primeira temporada, Regina? Ela gostou da forma como que ele havia dito seu nome - Acha então que sou quem digo ser? - Suponho que devo acreditar. - Parece que o fato desilude muito a você - replicou ela com vivacidade. - Se o interessa saber, estou destroçado. -Sua voz se tornou rouca e se permitiu o passar um dedo pela face, com suavidade, para não alarmá-la. - Não quero que seja uma moça inocente. Quero que saiba exatamente o que digo quando afirmo que quero fazer amor com você, Regina. O coração dela começou a pulsar mais rápido. - Seriamente? -murmurou. Estremeceu: não devia perder o controle.- Sim, claro, deseja - disse brincando. - Me pareceu vê-lo na expressão de seus olhos. A mão dele caiu de um lado e seus olhos se entristeceram. - É capaz de reconhecer essa expressão? - Oh, Deus, está zangado de novo -disse ela com inocência. - Maldição! -exclamou ele. - Não pode falar sério? - Se me puser séria, lorde Montieth, os dois teremos dificuldades. Seus olhos eram impenetráveis. Havia outra moça inteiramente distinta debaixo daquela efervescente superfície. Reggie se adiantou, passou em frente dele, chegou ao centro do aposento , quando se voltou para olhá-lo, o sorriso de maroto e a faísca da brincadeira estavam outra vez em seu lugar. - Esta é minha segunda temporada e conheci muitos homens tão incorretos como você - assegurou-o ela. - Não acredito. - Que existam homens tão desrespeitosos como você? - Que esta seja sua segunda temporada. Está casada? - Acha que devo estar porque me apresentei em sociedade no ano passado. Bom, no que se refere a minha família, nenhum candidato é bastante bom para mim. Uma odiosa circunstância, asseguro-o. Nicholas riu. - É uma lástima que no ano passado eu viajasse para Índias Ocidentais para inspecionar algumas propriedades que tenho lá. Se ficasse aqui a teria conhecido antes. - E teria pedido minha mão? - Teria pedido... uma parte extra de você. Pela primeira vez Reggie se ruborizou. - É muito atrevido. - Não tanto como eu gostaria de ser. "Oh, de verdade era um homem perigoso", pensou Regina. "Belo, encantador, perverso. Então, por que não sentia medo de estar a sós com Nicholas Éden? O bom senso dizia que deveria temê-lo." Observou-o contendo o fôlego quando ele avançou cortando uma vez mais o espaço entre
  25. 25. Mallory 01 25 eles. Ela não se afastou e ele sorriu. Uma veiazinha pulsava na base da garganta dela e ele sentiu um desejo envolvente de passar por ali a língua, sentir o batimento do coração. - Pergunto-me se é tão inocente como afirma ser, Regina Ashton. Ela não podia ceder ante ele, por mais que ele exercesse toda sua magia. - Sabendo qual é minha família não acredito que possa duvidar de mim, lorde Montieth. - Não se escandalizou que a trouxesse aqui - disse ele. - por que? -Examinava minuciosamente seu rosto. - Oh, suponho que vi como era divertida da situação -confessou ela, mas acrescentou: - de qualquer modo estive um momento preocupada, quando pensei que tio Tony podia descobrir onde havia me trazido e receei que viesse golpear a sua porta antes que retornasse e me deixasse livre. Teria sido uma grande comoção. E não acredito que tivéssemos podido guardar por muito tempo o segredo, e talvez teria terminado tendo que se casar comigo. E seria lamentável, porque não nos entenderíamos. - Não nos entenderíamos? -disse ele, divertido. - Claro que não -disse ela com fingido horror. - Eu me apaixonaria loucamente por você, mas você continuaria sendo um descarado de má reputação, e me destroçaria o coração. - Não há dúvida de que têm razão -suspirou ele, seguindo o jogo. - Eu seria um marido atroz. E, a propósito, é difícil que me possam obrigar a me casar. - Nem sequer no caso de ter arruinado minha reputação? A boca dele se tornou séria. - Nem sequer nesse caso. Era evidente que não gostava da resposta e ele se zangou consigo mesmo por ser tão desnecessariamente sincero. A raiva contra si mesmo fez com que os brilhantes olhos cor âmbar brilhassem mais, como se estivessem iluminados por trás com uma luz antinatural. Regina estremeceu, pensando como seria aquele homem se de verdade chegasse a zangar-se. - Têm frio? -perguntou ele, vendo que ela se esfregava os braços. atreveria-se a rodeá-la com seus braços? Reggie procurou sua capa e a jogou sobre os esbeltos ombros. - Acredito que já é hora... - Assustei-a -disse ele amavelmente. - Não era minha intenção fazê-lo. - Acredito que pude me dar conta perfeitamente de quais são suas intenções, senhor - replicou Reggie. Agachou-se para calçar os sapatos e, quando se levantou, encontrou-se entre os braços dele. Fez isso tão rapidamente que já a tinha beijado antes que ela pudesse respirar. A boca dele cheirava a brandy, doce, embriagador, Oh, ela sabia que ia ser assim, algo celestial. Nunca a tinham beijado com tanto sentimento nem tanta ousadia, tinha adaptado a pequena figura dela a dele, deixando que ela sentisse pela primeira vez o estado de um homem excitado. Ela ficou surpreendida e excitada, e seus seios fizeram cócegas ao apertar-se contra a casaca dele. O que era aquela outra sensação, tão profunda que surgia do mais fundo dela? Os lábios dele percorreram sua face, chegaram até seu pescoço, onde beijou a veiazinha palpitante, absorvendo a pele com a boca, chupando muito brandamente. - Não faça isto -conseguiu murmurar Reggie. Aquilo não parecia ser sua própria voz. - Oh, mas tenho que fazê-lo, amor, de verdade... -levantou-a entre seus braços. Não era nada divertido o que estava acontecendo agora. Seus lábios voltaram a tocar o pescoço dela e Reggie gemeu. - Me deixe, me solte -disse ela sem fôlego. - Derek odiará você. - Não me importa. - Meu tio o matará.
  26. 26. Mallory 01 26 - Terá valido a pena. Estava dito. - Não dirá isso quando vir sua arma no campo da honra. Me solte, lorde Montieth. Nicholas a depositou no chão lenta, cuidadosamente, fazendo com que o corpo dela se deslizasse provocador ao passar pelo dele. - Então se importará...? Mantinha-a apertada contra ele, e o constante calor de seu corpo perturbava-a ela. - Claro. Eu não gostaria de o ver morrer por uma escapada inofensiva... - É assim como considera a idéia de que eu o faça amor? -Riu, satisfeito. - Não me referia a isso, mas sim ao fato de me trazer aqui. Tal como estão as coisas, me levará um tempo tremendo convencer ao Tony de que deve esquecer o assunto. - Pensa me defender então? -perguntou Nicholas suavemente. Reggie se se afastou, porque não podia pensar claramente quando seu corpo estava perto do corpo dele. A capa se caiu e ele a recolheu galantemente e a entregou, com uma inclinação. Ela suspirou. - Se Tony não souber que é você quem me raptou, não mencionarei seu nome. Se souber, bom, suponho que farei todo o possível para o salvar a vida. Mas insisto em que me devolva agora a ele, antes de que faça alguma tolice, como por exemplo, informar a outros de que eu desapareci. - Ao menos me deixa a esperança -disse Nicholas, sorrindo. - Talvez eu não fosse um bom marido, mas me disseram que sou um amante excelente. Levará isso em conta? Olhou-o com desagrado. - Não quero ter um amante. - Terei que seguir você esta temporada até que mude de idéia - acautelou-se. E ela pensou que ele era incorrigível quando, finalmente, acompanhou-a até a saída da casa. Incorrigível e tentador, muito tentador. Era melhor que o tio Tony se apressasse em convencer ao tio Jason a respeito da necessidade de o encontrar um marido, porque Nicholas Éden podia representar muito bem a queda de uma moça. CAPÍTULO 6 - Lamento que não tenha podido ir ao baile. Nicholas, deteve sua carruagem umas poucas portas além da mansão do Anthony Malory. Seus olhos acariciavam o rosto de Reggie. Ela sorriu. - Apostaria que lamenta mais que lady Eddington tenha podido ir a ele. - Perderia a aposta -disse ele com um suspiro. - De qualquer modo não sei por que o fiz. A bebida, acredito. Mas agora não me importa nada. - Mentira. Estava ciumento quando achou que ela estava com o Tony. - Outro engano. Nunca fiquei ciumento em minha vida, de nada nem de ninguém. - Olhe, é um ser afortunado... - Não me acredita? - Não vejo outro motivo para querer prender sua querida esta noite. Nem sequer pensou passar a noite com ela. Ele riu. - Diz isso com um ar muito mundano. Ela se ruborizou. - Em todo caso, não lamente que eu tenha perdido o baile. Eu não o lamento. - Por me haver conhecido? -aventurou-se a dizer ele. - Me dá mais e mais esperança, amor. Ela ficou muito direita. - Lamento desiludir você, lorde Montieth, mas não é esse o motivo. Esta noite teria preferido ficar em casa.
  27. 27. Mallory 01 27 - E eu também, se estivesse comigo. Mas ainda há tempo, sabe? Poderíamos voltar para minha casa. Ela moveu a cabeça com vontade de rir. O certo é que, desde que o tinha conhecido, sentia uma ridícula necessidade de rir pela pura sorte de fazê-lo. Borbulhava. Mas sabia que devia deixá- lo agora e esquecer esta noite. - Tenho que ir -disse suavemente. - Suponho que não há mais remédio. -Os dedos dele se fecharam sobre a mão enluvada dela, mas não fez movimento algum para ajudá-la a descer da carruagem. Apertava-o a mão como se quisesse que ficasse ali.- Quero beijar você antes que vá embora. - Não. - Nada mais que um beijo de despedida. - Não. Com a mão livre o tocou a face. Não se tinha preocupado em pegar as luvas ou o chapéu antes de sair da casa, e os dedos nus estavam quentes ao contato com sua pele. Reggie não podia mover-se, e esperou sem fôlego que o roubasse o beijo que ela recusava. Fez isso, e seus lábios se apertaram contra os de Reggie em um beijo que não se parecia com nenhum que ela tivesse recebido antes. Quentes e dominantes, seus lábios provaram os dela até que Reggie sentiu que estava a ponto de explodir. - Desçamos antes que perca a cabeça -disse ele rudemente. A paixão tornava densa sua voz. Reggie estava deslumbrada quando ele a ajudou a descer da carruagem e a guiou até a casa de seu tio. - É melhor que não venha comigo -murmurou ela. As lamparinas ardiam de ambos os lados da porta, e pôde imaginar que a porta se abria e que Tony enfrentava Nicholas Éden com uma pistola na mão. - Não é necessário que me acompanhe. - Minha querida, fiz coisas muito reprováveis, mas ninguém poderá dizer que não sou um cavalheiro, e um cavalheiro deve acompanhar a uma dama até a porta de sua casa. - Tolices. É um cavalheiro só quando quer sê-lo, e agora quer se mostrar teimoso. Nicholas riu ao notar a ansiedade dela. - Teme por minha segurança? - Sim, temo. Tony é muito agradável quase sempre, mas, às vezes, não pode dominar seu caráter. Não deve vê-lo até que eu não o tenha explicado que não aconteceu nada do outro mundo. Nicholas parou e fez com que ela desse a volta para ficar frente a ele. - Se tiver tão mau caráter, não deixarei que a veja a sós. Ele queria protegê-la do Tony! Dava-o vontade de rir, mas se conteve. - Teria que entender como são as relações entre Tony e eu para saber que sou a última pessoa que deve ter medo dele. Somos muito amigos, sabe? Somos muito unidos e geralmente ele muda quando eu estou a seu lado. Sempre faz isso, inclusive renunciou meses inteiros a suas aventuras. Você deveria dar-se conta do que isto significa -terminou secamente. Ele a fez avançar, sorrindo. - Admito suas razões. Mas há um motivo em tudo o que faço, e acompanharei você até a porta de sua casa. Ela começou a protestar de novo, mas já estavam diante da porta. Ela ficou tensa, rogando que não os tivessem ouvido, que a porta não se abrisse. Voltou-se para olhar Nicholas e murmurou: - Que motivo pode ter para...? Mas ele a interrompeu, descarado. - Viu? Agora tenho um pretexto para voltar a dar-o um beijo de despedida.
  28. 28. Mallory 01 28 Envolveu-a com seus braços, sua boca se aproximou procurando a dela. Aquilo era a paixão, uma paixão quente, abrasadora, que a derretia unindo-a a ele. Nada mais importava. Naquele momento o pertencia. Nicholas terminou o beijo no momento em que a paixão quase o arrastava. Afastou-a bruscamente, mas sem soltá-la, seus dedos se cravavam nos braços dela. Manteve-a ali na distância dos braços estendidos, a respiração entrecortada, os olhos ardentes. - Desejo você, doce Regina. Não me faça esperar muito antes de reconhecer que me deseja também. Reggie demorou um momento em dar-se conta de que ele a tinha soltado e que se se afastava caminhando. Sentiu um louco desejo de correr atrás dele, mas se conteve. Não era fácil. Seu coração voava e suas pernas não o respondiam. "Controle-se, tola", repreendeu-se. "Ja a beijaram antes! Ah, mas nunca deste modo!" Reggie esperou até que Nicholas subisse a sua carruagem e então, a contragosto, virou-se, abriu a porta e entrou. O vestíbulo e o salão estavam brilhantemente iluminados, mas felizmente vazios. A porta que levava a biblioteca de Tony estava aberta e a luz surgia dali. Avançou lentamente, esperando que Tony estivesse lá e não percorrendo Londres em sua busca. Ele estava sentado diante da mesa com a cabeça entre as mãos, os dedos metidos no denso cabelo negro, como se tivesse querido arrancá-lo em mechas. Uma garrafa de brandy e um copo estavam em frente dele. Ao vê-lo tão desesperado Reggie se tranqüilizou. A culpabilidade a ajudou a recompor-se. Enquanto ela desfrutava dos momentos mais doces de sua vida, a pessoa que significava para ela mais que tudo no mundo tinha estado doente de preocupação. E ela nem sequer tinha ficado aflita. Passou o tempo, desfrutando de cada minuto com Nicholas. Como pode ter sido tão egoísta? - Tony... Ele a olhou sobressaltado. Depois a surpresa e o alívio lavaram suas belas feições. Correu para ela e a estreitou entre seus braços, apertando-a tanto que, por um momento, ela acreditou que o ia romper as costelas. - Valha-me Deus, Reggie! Estava quase louco de preocupação! Nunca me havia sentido tão mal desde que James te levou consigo para... bom, isso já não importa. -Afastou-a de si para poder olhá-la de cima abaixo. - Está bem? Não o fizeram mal? - Estou muito bem, Tony. De verdade. E também tinha muito bom aspecto. Nenhum rasgão no vestido, nem um cacho desconjurado. Mas desaparecera durante três malditas horas, e ele tinha imaginado as coisas que podiam o acontecer... -Matarei-o amanhã pela manhã a primeira hora, assim que descubra onde diabos vive! Reggie compreendeu que era por isso que não se apresentou para golpear a porta da casa de Nicholas. -Tudo foi perfeitamente inocente, Tony -começou a dizer. - Um engano... - Já sei que foi um engano, Reggie. O idiota do cocheiro me assegurou isso. Insistiu todo o tempo em que Montieth ia trazer você de volta a qualquer momento, que ele e lady Eddington eram... bom, acredito que já entende o que quero dizer. Ah, maldição... - Sim. -Reggie sorriu ante o desconforto dele. - Entendo o que quer dizer -depois começou a convencê-lo. - O pobre homem acreditou que você e sua... - Não o diga. Isso não é desculpa de qualquer modo. - Mas não pode imaginar sua cara, Tony, quando viu que se equivocou de dama? -Reggie riu. -Oh, eu gostaria de tê-lo visto. Anthony franziu o cenho.
  29. 29. Mallory 01 29 - Como é possível que não tenha visto? - Não estive presente. Deixou-me em sua casa e foi ao baile. A única coisa queria era fazer com que lady Eddington não fosse ao baile. Pode imaginar a desagradável surpresa que teve ao encontrá-la ali. Não sabia quem era a pessoa que tinha preso em sua casa. - Prendeu-a em sua casa? - Mas estive muito acomodada -assegurou ela com rapidez. - De maneira que, como vê, não permaneci com ele todo o tempo... na verdade estive muito pouco a seu lado. Não se passou nada, e me trouxe aqui de volta, sã e salva. - Não posso acreditar que o esteja defendendo. Se eu soubesse onde vive, já estaria morto. O parvo do cocheiro não sabia. Mandei um homem para fazer averiguações nos clubes, mas, por causa desse condenado baile, os clubes estavam quase desertos. Quando meu homem voltou a me informar que não tinha encontrado nada, eu já estava disposto a ir a casa do Shepford em busca de alguém que me desse a direção desse canalha. - E então o tio Edward se teria informado de que eu não estava contigo, e todo o inferno se teria aberto - terminou ela. - É uma sorte que não fez isso. Deste modo ninguém sabe que não estive toda a noite com você. Assim a única coisa que fica por fazer é decidir se ficarei aqui ou se devo voltar para casa de tio Edward. O que sugere? - Oh, não, minha filhinha -ele viu até o fundo do jogo dela. - Não conseguirá que esqueça isto. - Pois se não o esquecer prejudicará minha vida -disse ela muito seriamente. -Porque ninguém acreditará que passei três horas em casa de lorde Mondegh e saí com a virtude intacta. E estou intacta, quero que saiba. Ele a olhou furioso. - Então não o matarei. Mas o darei uma lição que na verdade necessita. - Mas se não houve dano algum. Tony -insistiu ela com paixão. - ... eu não quero que faça mal a ele. - Não quer? Por Deus, tem que me dizer por que! - Eu gosto dele - disse ela simplesmente. - Lembra-me você. Lorde Malory ficou lívido. - Matarei ele... - Basta exclamou ela. - Você nunca teria forçado uma donzela que não deseja entregar-se, e tampouco o fez ele. - Beijou-a? - Bom... - Claro que beijou você. Só um idiota não o teria feito, e ele não é tolo. Ele... - Não, não o fará -exclamou ela de novo. - Fingirá que não pôde averiguar seu nome e, quando se encontrar com ele, ignorará ele. Faça isso por mim, Tony, porque não sei se poderei perdoar você se fizer algum ferimento em Nicholas Éden. Esta noite me diverti como não me divertia há tempo... -Depois de dizer isto, suplicou: - Por favor, tio Tony... Ele ia dizer algo, mas fechou a boca apertando os dentes, fez umas caretas, suspirou pesadamente e por fim disse com doçura: - Esse homem não é para você, gatinha. Sabe, não é? - Sim, sei. Mas, se tivesse uma reputação um pouco melhor estenderia a rede para apanhá- lo. - Teria que fazê-lo sobre meu cadáver... Lançou-o o mais doce dos sorrisos: - De algum modo sabia que iria dizer isso.
  30. 30. Mallory 01 30 CAPÍTULO 7 Reggie estava sentada diante de sua penteadeira, contemplando sonhadora a pequena equimose na base de seu pescoço. A marca de amor do Nicholas Éden. Tocou a mancha. Foi uma sorte que não tirou a capa ontem à noite, ao retornar para casa de Tony. No momento teria que cobrir-se com um cachecol até que desaparecesse a marca. Era tarde esta manhã e dormiu muito mais que de costume. Sem dúvida seus primos já tinham tomado o café da manhã, e se ainda estivessem em casa, teria que contar a história que combinou com Tony. Tony tinha enviado uma mensagem a seu irmão Edward antes que ela retornasse a casa, dizendo simplesmente que Reggie não ia ao baile, depois de tudo. Só isso, sem dar razões. A história era que Tony não tinha estado em sua casa quando ela chegou, e que ela o esperara horas. Quando chegou, tiveram um bate-papo. E, como depois da conversação já era muito tarde, simplesmente tinha voltado para sua casa para deitar-se. Os criados de tio Edward podiam confirmar que tio Tony a tinha acompanhado e que na verdade ela fora diretamente deitar-se. Reggie suspirou e tocou a campainha chamando Meg; depois, rapidamente, procurou um cachecol em seu roupeiro. Tampouco Meg devia ver aquela marca de paixão. Quando desceu, meia hora depois, viu que a tia Charlotte e as primas Clare e Diana tinham visitas. Estavam na sala com as visitantes: as duas lady Braddock, mãe e filha; a senhora Faraday e sua irmã Jane; e duas damas que Reggie não conhecia. Todas fixaram os olhos nela quando entrou, e Reggie se sentiu muito incomodada pelas mentiras que ia ter que dizer. - Minha querida Regina -a senhora Faraday falava com um tom extranhamente compreensivo - está divina... sobretudo tendo em contaque... Reggie sentiu que um nó apertado se formava na boca do estômago. Não. Não era possível. Só sua consciência culpada o fazia pensar que podiam estar inteiradas da escapada de ontem à noite. Nicholas Éden, quarto visconde do Montieth, jazia jogado sobre seu amplo leito, com as mãos atrás da cabeça e sua nudez coberta só por um lençol fino. Deitou-se ali depois caminhar quase uma hora, mas não fez movimento algum para levantar-se e enfrentar o dia. Fazia muito tempo que não perdia seu habitual passeio matutino pelo Hyde Park. Não havia nada imediato que precisasse ver. Outra carta ao conde do Penwich o pedindo uma resposta a respeito da terra que cobiçava, mas isso podia esperar. De qualquer modo a carta estava destinada a ser fonte de irritação, já que o conde nunca o respondia. Também tinha combinado ficar em contato com o gerente de sua passagem naval no Southampton, para cancelar a ordem de construção de um navio. Pensou navegar novamente até as Índias Ocidentais. Mas, depois do acontecido ontem à noite, não pensava deixar Londres por nada do mundo. Ela se chamava Regina. Disse o nome em voz alta, deixando querepercutisse deliciosamente em sua língua. Regina. Doce, preciosa Regina, com o cabelo de ébano e olhos de porcelana azul. Que olhos! Bastava que fechasse os seus para vê-los sorrindo, rindo. Oh, tinham tanta vida! Regina, formosa entre as formosas, beleza sem igual. Nicholas riu ante sua fantasia. Percy ia dizer que se apaixonara dos pés a cabeça. Seria possível? Bom, não, claro que não. Mas não recordava ter desejado tanto a uma mulher como desejava Regina Ashton. Suspirou. A tia Ellie o diria que se casasse com a garota e que fosse feliz. Ela era a única, desde a morte de seu pai, que queria um pouco ao Nicholas. Talvez sua avó o tivesse querido, ou

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