Esta obra foi digitalizada/traduzida pela Comunidade Traduções e Digitalizações para
proporcionar, de maneira totalmente g...
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CCiiddaaddee ddooss AAnnjjooss CCaaííddooss
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Para Josh
Somos dois livros de uma mesma obra?
SUMÁRIO
PARTE UM – ANJOS EXTERMINADORES
Capítulo 1 – O Mestre
Capítulo 2 – Queda
Capítulo 3 – Sete Vezes
Capítulo 4 – A Ar...
PARTE UM
ANJOS EXTERMINADORES
Existem enfermidades que andam nas trevas, e
há anjos exterminadores que voam envoltos em
cortinas de imaterialidade e num...
Capítulo 1
O MESTRE
“SÓ CAFÉ, POR FAVOR.”
A garçonete levantou suas sobrancelhas desenhadas a lápis. “Você não quer
nada p...
de Halloween — um aviso oscilante que dizia Travessuras-ou-Borscht! — e um
falso vampiro de papelão chamado Conde Blintzul...
restaurante. A influência de Isabelle era visível nas mudanças na aparência dele
desde que eles tinham começado a namorar....
no Taki? Eles teriam servido sangue para você lá.”
Simon vacilou com a intensidade dela, Isabelle não era nada sutil.
Feli...
indefeso, dois aldeões indefesos, três aldeões indefesos...”
“Shh.” Isabelle terminou de enrolar sua echarpe ao redor de s...
“Por quê?”
“A saliva do vampiro tem... propriedades. Propriedades transformadoras.”
“Eco”, Simon disse.
“Não faça eco para...
suspensa. Eles não são imortais, mas eles envelhecem muito lentamente.”
“Que pena”, Simon disse, os olhando. “Eles não par...
os ombros. “Raphael não disse a você que ele queria que você ficasse longe do
clã?”
“Talvez ele tenha mudado de ideia”, Si...
fosse um tom apaziguador, “tem uma proposta a fazer para o Daylighter— “
“Seu nome é Simon. Simon Lewis.”
“Para propor ao ...
fez”, Isabelle disse distraidamente. “E talvez o sangue dele fez de você um
vampiro. Mas isso não o fez um Daylighter.” Se...
de ar frio todas as vezes que alguém entrava ou saia, e ficaram lá como estátuas.
Simon se virou para Isabelle. “Tudo bem....
se vários passos a frente dele com seus estranhos passos deslizantes. Estava
ficando tarde, mas as calçadas da cidade esta...
O interior do restaurante estava escuro, com um bar em mármore em uma
parede. Nenhum empregado ou garçom se aproximaram de...
disse, não chegando a tomá-la. “Você trabalha para ele?”
Camille Belcourt riu como uma fonte agitada. “Certamente que não!...
levar muito tempo?” Ele perguntou, olhando nitidamente para seu celular, que
dizia a ele que eram mais de dez e meia. “Eu ...
“Que adolescentes não mentem para seus pais?” Simon disse. ”Aliás, eu
não sei por que você se importa. Na verdade, eu aind...
você estava fora. Te substituindo como — como um vice-presidente ou algo
assim.”
“Ah!” Ela mordeu gentilmente seu lábio in...
hotel no Harlem Espanhol e bebendo o sangue deles para sua diversão.
Deixando seus ossos na Dumpster. Tomando estúpidos ri...
“Sim. Deus.” Ela retraiu sua mão, mas seus olhos eram cálidos. “Há muitos
segredos de nossa espécie, tantos que eu posso c...
Ela dobrou suas mãos juntas na frente dela. Ela usava um anel de prata
com uma pedra azul em seu dedo esquerdo do meio, so...
em dar a você tanto tempo quanto você precisa para ajustar suas ideias sobre isso,
e sobre mim. Mas eu não tenho tanto tem...
sua taça. ”Adeus, Simon.”
Simon se levantou. A cadeira fez um esguicho metálico enquanto ela se
arrastava no chão, muito a...
Clary, se deixando ficar com a chave, e caindo na cama às duas da manhã,
comportamento que não tinha levantado muitos come...
superprotetora mãe que ele tinha conhecido. Agora, o sapato estava calçado em
outro pé. Desde a morte de Valentine, a cont...
vampira em segredo, e embora Simon não se sentisse que não devia muito a
Camille, se houve uma coisa que ele tinha aprendi...
Capítulo 2
QUEDA
“ENTÃO, VOCÊ SE DIVERTIU COM ISABELLE HOJE À NOITE?”
Clary, com seu telefone enfiado contra sua orelha, s...
“Deixe-me dizer algo sobre garotas”, Clary se sentou sobre a viga, deixando
suas pernas balançarem no ar. As janelas em me...
ambas pensam que elas vão com você e descobrirem no casamento que você está
namorando com as duas, elas irão matá-lo.“ Ela...
dançarina.
Ela, por outro lado, se curvava como um saco de batatas tão logo o chão se
aproximava, e o fato que ela intelec...
juntos em um dos colchonetes no chão, Clary por cima dele. Ele sorriu para ela.
“Agora”, ele disse. “Está muito melhor. Vo...
sobrancelhas. “Se acariciando, pelo que vejo. Eu pensei que era para vocês
estarem treinando?”
“Ninguém disse que você tin...
treinamento sem reclamação, mas ele se esquivava de discutir os perigos de uma
vida de Caçador de Sombras com ela.
“Eu vou...
“Sei”, Isabelle disse, sua voz de repente enérgica e fria. ”Bem, como eu
digo, ele é muito doce. Mas talvez um pouco doce ...
progresso semanais de Maryse para lhe assegurar que Clary estava aprendendo e
não só, Clary supôs, provocando Jace o dia t...
casaco de pescador listrado, calças de couro, e uma boina maluca. Nos jardins
Boboli7
, Alec ainda estava usando jeans, e ...
candelabros no corredor central. Ela se agarrou a Jace, feliz por que havia pouca
luz no elevador então ela não podia ver ...
“Eu também te amo”, ela disse.
Capítulo 3
SETE VEZES
“SABE O QUE É IMPRESSIONANTE?” ERIC DISSE, BAIXANDO
suas baquetas. “Ter um vampiro na nossa banda. I...
novidades para a banda. Primeiro eles tinham pensado que ele tinha tido um
ferimento na cabeça, ou um colapso mental. Depo...
um segundo para seus olhos se ajustarem a escuridão ou a luz.
Havia um garoto em pé na entrada da garagem, as costas ilumi...
“Dane-se”, Kirk disse. “Eu não sou uma droga.”
“Sim, é.” Matt disse. “Você é uma grande droga, cabeluda —“
“Eu acho”, Clar...
Kyle entrou na garagem. Simon olhou para ele, tentando avaliar o que era
que tinha feito Clary dizer que ele era gostoso. ...
colocaria um fim nessa ideia estúpida.” Eles estavam próximos à casa de Luke;
Simon podia ver do outro lado da rua, a jane...
Ele a observou enquanto ela corria para o outro lado da rua e acima nas
escadas em frente à porta de Luke. Amanhã. Ele se ...
como um fantoche sendo puxado por suas cordas. Simon olhou ao redor
selvagemente — certo de que alguém deve ter escutado o...
Simon largou suas chaves sobre a mesa ao lado da porta. “Mãe—“
“Tudo o que você faz é contar mentiras. Eu estou cansada di...
Ele sacudiu sua cabeça.
“Então me diga”, sua mãe disse, seus lábios tremendo. “Por que as únicas
explicações que eu posso ...
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Cassandra clare os instrumentos mortais - 04 cidade dos anjos caídos

  1. 1. Esta obra foi digitalizada/traduzida pela Comunidade Traduções e Digitalizações para proporcionar, de maneira totalmente gratuita, o benefício da leitura àqueles que não podem pagar, ou ler em outras línguas. Dessa forma, a venda deste e‐ book ou até mesmo a sua troca é totalmente condenável em qualquer circunstância. Você pode ter em seus arquivos pessoais, mas pedimos por favor que não hospede o livro em nenhum outro lugar. Caso queira ter o livro sendo disponibilizado em arquivo público, pedimos que entre em contato com a Equipe Responsável da Comunidade – tradu.digital@gmail.com Após sua leitura considere seriamente a possibilidade de adquirir o original, pois assim você estará incentivando o autor e a publicação de novas obras. Traduções e Digitalizações Orkut - http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=65618057 Blog – http://tradudigital.blogspot.com/ Fórum - http://tradudigital.forumeiros.com/portal.htm Twitter - http://twitter.com/tradu_digital Skoob - http://www.skoob.com.br/usuario/mostrar/83127
  2. 2. CCC AAA SSS SSS AAA NNN DDD RRR AAA CCC LLL AAA RRR EEE CCiiddaaddee ddooss AAnnjjooss CCaaííddooss OO SS II NN SS TT RR UU MM EE NN TT OO SS MM OO RR TT AA II SS LLiivvrroo QQuuaattrroo --
  3. 3. Para Josh Somos dois livros de uma mesma obra?
  4. 4. SUMÁRIO PARTE UM – ANJOS EXTERMINADORES Capítulo 1 – O Mestre Capítulo 2 – Queda Capítulo 3 – Sete Vezes Capítulo 4 – A Arte Dos Oito Membros Capítulo 5 – Inferno Chama Inferno Capítulo 6 – Acorde O Morto Capítulo 7 – Praetor Lupus Capítulo 8 – Caminhando na Escuridão Capítulo 9 – Do Fogo para o Fogo Capítulo 10 – Riverside Drive Capítulo 11 – Nossa Espécie Capítulo 12 – O Santuário Capítulo 13 – Garota Encontrada Morta Capítulo 14 – O que os sonhos podem trazer Capítulo 15 – Beati Bellicosi Capítulo 16 – Nova York Cidade dos Anjos Capítulo 17 – Caim se Levanta Capítulo 18 – Cicatrizes de fogo Capítulo 19 – O Inferno está Satisfeito Bonus – Carta do Jace
  5. 5. PARTE UM ANJOS EXTERMINADORES
  6. 6. Existem enfermidades que andam nas trevas, e há anjos exterminadores que voam envoltos em cortinas de imaterialidade e numa natureza incomunicável; a quem nós não podemos ver, mas nós sentimos sua força e prostramos sob suas espadas. Jeromy Taylor — “A Funeral Sermon”
  7. 7. Capítulo 1 O MESTRE “SÓ CAFÉ, POR FAVOR.” A garçonete levantou suas sobrancelhas desenhadas a lápis. “Você não quer nada para comer?”, ela perguntou. Seu sotaque era forte, sua atitude desapontada. Simon Lewis não podia culpá-la, ela tinha estado, provavelmente, esperando por uma gorjeta melhor, do que a de uma que ela ia receber por uma única xícara de café. Mas não era sua culpa que vampiros não comessem. Às vezes, em restaurantes, ele pedia comida, só para manter a aparência de normalidade, mas em uma noite de Terça, quando Veselka estava quase vazio de outros clientes, não parecia valer a pena o incômodo. “Só café.” Com um encolher de ombros a garçonete tomou o menu plastificado e foi ordenar seu pedido. Simon sentou-se contra a cadeira dura de plástico e olhou ao redor. Veselka, um restaurante na esquina da Ninth Street e Second Avenue, era um de seus lugares favoritos na Lower East Side — uma antiga vizinhança coberta por murais preto e branco, onde eles deixavam você se sentar o dia todo desde que você pedisse café em intervalos de meia hora. Eles também serviam o que tinha sido uma vez seus pierogi vegetariano e borscht favoritos, mas aqueles dias ficaram para trás. Era o meio de Outubro, e eles tinham acabado de montar suas decorações
  8. 8. de Halloween — um aviso oscilante que dizia Travessuras-ou-Borscht! — e um falso vampiro de papelão chamado Conde Blintzula. Há muito tempo atrás Simon e Clary tinham achado as decorações bregas do feriado engraçadas, mas o Conde, com suas presas falsas e capa preta, não mais divertiam Simon. Simon olhou em direção a janela. Era uma noite fria, e o vento estava soprando folhas através da Second Avenue como punhados de confetes jogados. Havia uma garota caminhando na rua, uma garota em um casaco justo, com longos cabelos pretos que esvoaçavam ao vento. As pessoas se viravam para observá-la enquanto ela caminhava. Simon tinha olhado para garotas como aquela antes no passado, imaginando onde elas estavam indo, quem elas estavam se encontrando. Não caras como ele, ele sabia disso muito bem. Exceto que esta estava. A sineta da porta da frente do restaurante tocou, enquanto a porta se abria, e Isabelle Lightwood entrava. Ela sorriu quando ela viu Simon, e veio em direção a ele, retirando seu casaco e o dobrando nas costas da cadeira, antes que ela se sentasse. Sob o casaco ela vestia o que Clary chamava de “típico trajes Isabelle”: um vestido curto justo de veludo, meia-calça arrastão, e botas. Havia uma faca enfiada na beira de sua bota esquerda que Simon sabia que só ele podia ver; ainda assim, todos no restaurante estavam observando enquanto ela se sentava, jogando seu cabelo para trás. O que quer que ela estivesse vestindo chamava atenção como fogos de artifício. Linda Isabelle Lightwood. Quando Simon tinha a conhecido, ele presumiu que ela não tinha tempo para um cara como ele. Ele descobriu estar na maior parte certo. Isabelle gostava de garotos que seus pais desaprovavam, e no universo dela isso significava Seres do Submundo — elfos, lobisomens e vampiros. Eles estarem se encontrando regularmente nos últimos um ou dois meses, o deixavam atônito, mesmo que o relacionamento deles fosse limitado na maioria, a encontros não frequentes como esse. E mesmo que ele não pudesse se impedir de imaginar, se ele nunca tivesse se tornado um vampiro, se sua vida inteira não tivesse sido alterada naquele momento, eles estariam namorando? Ela prendeu um cacho de cabelo atrás de sua orelha, seu sorriso brilhante. “Você está bonito.” Simon lançou um olhar para si mesmo na superfície refletida da janela do
  9. 9. restaurante. A influência de Isabelle era visível nas mudanças na aparência dele desde que eles tinham começado a namorar. Ela o tinha forçado a jogar fora seus casacos de capuz em troca de jaquetas de couro, e seus tênis no lugar de botas da moda. Que, aliás, custavam trezentos dólares um par. Ele estava ainda usando suas características camisetas com logotipos — esta dizia O EXISTENCIALISMO FAZ ISSO INÚTIL — mas seus jeans não tinham mais buracos nos joelhos e bolsos rasgados. Ele também tinha seu cabelo maior, então ele caia em seus olhos agora, cobrindo sua testa, mas isso era mais por necessidade do que por Isabelle. Clary tinha gozado dele sobre seu novo look; mas, então, Clary tinha descoberto tudo sobre a vida amorosa incerta hilária. Ela não podia acreditar que ele estava namorando Isabelle a sério. É claro, ela também não podia acreditar que ele estava também namorando Maia, uma amiga deles que, por acaso, era uma lobisomem, de um modo igualmente sério. E ela realmente não podia acreditar que Simon não tinha dito ainda a nenhuma delas sobre a outra. Simon não tinha realmente a certeza de como isso tinha acontecido. Maia gostava de ir a casa dele e usar o seu Xbox — eles não tinham um na delegacia abandonada onde o bando de lobisomens vivia — e não foi, até a terceira ou quarta vez, que ela tinha vindo se inclinado e o beijado, se despedindo antes que ela saísse. Ele tinha gostado, e então ele tinha ligado para Clary para perguntar a ela se ele precisava dizer a Isabelle. “Descubra o que esta acontecendo entre você e Isabelle”, ela disse. “Então diga a ela.” Isso se tornou um péssimo conselho. Já havia um mês, e ele ainda não tinha certeza do que estava acontecendo entre ele e Isabelle, então ele não disse nada. E quanto mais o tempo passava, mais embaraçosa a ideia de dizer alguma coisa aumentava. Até agora ele fez isso funcionar. Isabelle e Maia não eram amigas de verdade, então raramente viam uma a outra. Infelizmente para ele, isso estava prestes a mudar. A mãe de Clary e o seu amigo de longa data, iam se casar em poucas semanas, e ambas, Isabelle e Maia, foram convidadas para o casamento, um Simon ansioso descobriu-se mais aterrorizado do que a ideia de ser perseguido pelas ruas de Nova York por um grupo de caçadores de vampiros. “Então”, Isabelle disse, arrancando ele de seu devaneio. “Por que aqui e não
  10. 10. no Taki? Eles teriam servido sangue para você lá.” Simon vacilou com a intensidade dela, Isabelle não era nada sutil. Felizmente, ninguém parecia estar escutando, nem mesmo a garçonete que retornou, colocando com barulho uma xícara de café em frente a Simon, olhou Lizzy, e saiu sem tomar o pedido dela. “Eu gosto daqui”, ele disse. “Clary e eu costumávamos vir aqui quando ela tinha aulas em Tisch. Eles têm ótimos borscht e blintzes — eles são como tortas de queijo doce — além de que fica aberto a noite toda.” Isabelle, entretanto, estava o ignorando. Ela estava olhando por cima de seu ombro. “O que é aquilo?” Simon seguiu seu olhar. “Aquele é o Conde Blintzula.” “Conde Blintzula?” Simon deu de ombros. “Ele é uma decoração do Halloween. O Conde Blintzula é para crianças. É como o Conde1 Chocula, ou o Conde da Vila Sésamo.“ Ele sorriu para a inexpressão dela. “Sabe. Ele ensina as crianças a contar.” Isabelle estava sacudindo sua cabeça. “Há um programa de TV onde crianças são ensinadas a contar com um vampiro?” “Faria sentido se você o visse”, Simon murmurou. “Há alguma base mitológica para tal paralelo”, Isabelle disse, recaindo em uma preleção do modo de ser Caçador de Sombras. “Algumas lendas afirmam que vampiros são obcecados por contagem, e que se você derramar grãos de arroz em frente a eles, eles terão que parar o que estão fazendo e contar um a um. Não há verdade nisso, é claro, não mais que aquele negócio sobre o alho. E vampiros não se importam em ensinar crianças. Vampiros são aterrorizantes.” “Obrigado”, Simon disse. “É uma piada, Isabelle. Ele é o Conde. Ele gosta de contar. Sabe. ‘O que o Conde comeu hoje, crianças? Um biscoito de chocolate, dois biscoitos de chocolate, três biscoitos de chocolate...’” Houve um sopro de ar frio enquanto a porta do restaurante se abria, entrando outro cliente. Isabelle estremeceu e alcançou sua echarpe de seda preta. “Não é realístico.” “O que você preferiria? ‘O que o Conde comeu hoje, crianças? Um aldeão 1 Count – é um trocadinho. Count significa conde mais é também um verbo to count – contar.
  11. 11. indefeso, dois aldeões indefesos, três aldeões indefesos...” “Shh.” Isabelle terminou de enrolar sua echarpe ao redor de sua garganta e se inclinou para frente, colocando sua mão no pulso de Simon. Seus grandes olhos negros estavam de repente vivos, o modo que eles apenas ficavam vivos quando ela estava caçando demônios ou pensando sobre caçar demônios. “Olhe ali.” Simon seguiu seu olhar. Havia dois homens em pé perto da prateleira de vidro que continha itens de padaria: bolos densamente confeitados, pratos de rugelach, e Danishes recheados de creme. Nenhum deles parecia como se estivessem interessados em comida. Ambos eram baixos e terrivelmente esqueléticos, tanto que seus ossos do rosto projetavam de seus rostos como facas. Ambos tinham um fino cabelo grisalho e olhos cinza pálidos, e usavam casacos acinturados que iam até o chão. “Agora”, Isabelle disse. “O que você acha que eles são?” Simon estreitou os olhos para eles. Ambos olhavam de volta para ele, seus olhos sem cílios como buracos vazios. “Eles são como gnomos maus de jardim.” “Eles são humanos subjugados”, Isabelle sibilou. ”Eles pertencem a um vampiro.” “Pertencem a um...” Ela fez um ruído impaciente. “Pelo Anjo, você não sabe nada sobre sua espécie, sabe? Você nem mesmo sabe como vampiros são feitos?” “Bem, quando uma mamãe vampiro e um papai vampiro amam muito um ao outro...” Isabelle fez uma careta para ele. “Ótimo, você sabe que os vampiros não precisam ter sexo para se reproduzirem, mas eu aposto que você realmente não sabe como isso funciona.” “Eu também sei.” Simon disse. “Eu sou um vampiro por que eu bebi um pouco de sangue de vampiro antes que eu morresse. Beber sangue mais morte é igual a vampiro.” “Não exatamente”, Isabelle disse. “Você é um vampiro por que você bebeu um pouco do sangue de Raphael, e então foi mordido por outros vampiros, e então você morreu. Você precisa ser mordido em algum ponto durante o processo.”
  12. 12. “Por quê?” “A saliva do vampiro tem... propriedades. Propriedades transformadoras.” “Eco”, Simon disse. “Não faça eco para mim. Você é quem tem o cuspe mágico. Vampiros mantêm humanos ao redor e se alimenta deles quando tem falta de sangue — como máquinas de lanche que andam”, Izzy falou com desgosto. “Você acharia que eles estariam fracos por perder sangue o tempo todo, mas a saliva vampira na verdade tem propriedades curativas. Ela aumenta sua contagem de células vermelhas do sangue, faz elas mais fortes e mais saudáveis e os faz viver mais. É claro, de vez em quando o vampiro decidirá que ele precisa mais do que um lanche, que precisa de um subjugado — e então começará a alimentar seus humanos mordidos com pequenas quantidades de sangue vampiro, só para mantê-lo dócil, manter conectado a seu mestre. Subjugados adoram seus mestres, e ama servi-los. Tudo o que eles querem é estar ao lado deles. Como você estava quando você voltou ao Dumont. Você foi atraído de volta para o vampiro cujo sangue você tinha consumido.” “Raphael”, Simon disse, sua voz fria. “Eu não sinto uma urgência para estar com ele ultimamente, deixe-me lhe dizer.” “Não, isso se foi quando você se tornou um vampiro completo. Apenas os subjugados adoram seus progenitores e não pode desobedecê-los. Você não vê? Quando você voltou ao Dumont o clã de Rafael drenou você, e você morreu, e então se tornou um vampiro. Mas se eles não o tivessem drenado, se ao invés, eles tivessem dado a você mais sangue vampiro, você eventualmente teria se tornado um subjugado.” “Isso tudo é muito interessante”, Simon disse. “Mas não explica o porquê de eles estarem olhando para nós.” Isabelle olhou de volta para eles. “Eles estão olhando para você. Talvez o mestre deles morreu e estejam procurando por outro vampiro para ser dono deles. Você poderia ter bichinhos de estimação.” Ela sorriu. “Ou”, Simon disse. “Talvez eles estejam aqui pelos hash brown2 . “Humanos subjugados não comem comida. Eles vivem de uma mistura de sangue vampiro e sangue animal. Eles os mantêm em um estado de animação 2 Uma tortinha de batata.
  13. 13. suspensa. Eles não são imortais, mas eles envelhecem muito lentamente.” “Que pena”, Simon disse, os olhando. “Eles não parecem manter suas aparências.” Isabelle se empertigou. “E eles estão vindo para cá. Eu aposto que descobriremos o que eles querem.” Os humanos subjugados se moviam como se eles estivessem sob rodas. Eles pareciam não estar dando passos tanto quanto deslizando a frente sem som. Levou a eles apenas segundos para atravessarem o restaurante; no instante que eles aproximaram da mesa de Simon, Isabelle tinha sacado o afiado punhal parecido com estilete para fora da ponta de sua bota. Ele repousava na mesa, brilhando nas luzes fluorescentes do restaurante. Ele era sombrio, prata pesada, com cruzes marcando em ambos os lados de seu cabo. A maioria das armas repelentes vampiras parecia ostentar cruzes, por suposição, Simon pensou que a maioria dos vampiros eram cristãos. Quem imaginaria que seguir uma religião minoritária poderia ser tão vantajoso? “Estão perto o suficiente.” Isabelle disse, enquanto os dois subjugados paravam ao lado da mesa, os dedos dela a milímetros do punhal. “Vocês dois, digam o que querem.” “Caçadora de Sombras.” A criatura da esquerda falou em um sussurro sibilado. “Nós não sabíamos de você nesta situação.” Isabelle levantou uma delicada sobrancelha. “E qual situação seria essa?” O segundo subjugado apontou um longo dedo cinza para Simon. A ponta da unha era amarelada e afiada. “Nós temos negócios com o Daylighter.” “Não, vocês não tem”, Simon disse. “Eu não tenho ideia de quem são vocês. Nunca os vi antes.” “Eu sou o Sr. Walker”, disse a primeira criatura. “Ao meu lado está o Sr. Archer. Nós servimos ao mais poderoso vampiro na cidade de Nova York. O chefe do grande clã de Manhattan.” “Raphael Santiago”, Isabelle disse. “Nesse caso vocês sabem que Simon não é parte de nenhum clã. Ele é um agente livre.” Sr. Walker sorriu um sorriso leve. “Meu mestre esta esperando que esta situação pudesse ser alterada.” Simon encontrou os olhos de Isabelle do outro lado da mesa. Ela encolheu
  14. 14. os ombros. “Raphael não disse a você que ele queria que você ficasse longe do clã?” “Talvez ele tenha mudado de ideia”, Simon sugeriu. “Você sabe como ele é. Genioso, caprichoso.” “Eu não saberia. Eu não tenho o visto desde aquela vez que você ameaçou matá-lo com um candelabro. Embora ele tenha levado isso numa boa. Nem vacilou.” “Fantástico”, Simon disse. Os dois subjugados estavam olhando para ele. Seus olhos eram de uma cor cinza pálida esbranquiçada, como neve suja. “Se Raphael me quer no clã, é porque ele quer algo de mim. Vocês podiam muito bem me dizer o que é.” “Nós não estamos a par dos planos de nosso mestre”, Sr. Archer disse em um tom altivo. “Então, sem chance”, Simon disse. “Eu não irei.” “Se você não quiser vir conosco, nós estamos autorizados a usar de força para levá-lo.” O punhal pareceu saltar para a mão de Isabelle; ou pelo menos, ela mal pareceu se mover, e ainda assim ela o estava segurando. Ela o girou levemente. “Eu não faria isso se fosse você.” Sr. Archer mostrou seus dentes para ela. “Desde quando as crianças do Anjo tornaram-se os guarda-costas para inferiores Seres do Submundo? Eu acharia que você está além desse tipo de negócios, Isabelle Lightwood.” “Eu não sou a guarda-costas dele”, Isabelle disse. “Eu sou a namorada dele. O que me dá o direito de chutar seu traseiro se você o incomodar. É como funciona.” Namorada? Simon ficou perplexo o suficiente para olhar para ela surpreso, mas ela estava olhando para os dois subjugados, seus olhos escuros cintilando. Por um lado ele não achava que Isabelle sequer referiu a si mesma como namorada dele antes. Por outro lado isso era característico de quão estranha sua vida tinha se tornado, de que essa era a coisa que o tinha mais surpreendido hoje à noite, além do fato de que ele tinha acabado de ter sido convocado para um encontro pelo mais poderoso vampiro em Nova York. “Meu mestre”, disse Sr. Walker, no que ele provavelmente pensou que
  15. 15. fosse um tom apaziguador, “tem uma proposta a fazer para o Daylighter— “ “Seu nome é Simon. Simon Lewis.” “Para propor ao Sr. Lewis. Eu posso prometer que o Sr. Lewis achará mais vantajoso se ele estiver disposto a nos acompanhar e ouvir meu mestre. Eu juro pela honra de meu mestre que nenhum dano acontecerá a você, Dayligher, e que caso você deseje recusar a oferta de meu mestre, você terá a livre escolha de fazê- lo.” Meu mestre, meu mestre, Sr. Walker disse as palavras com uma mistura de adoração e reverência. Simon estremeceu um pouco intimamente. Que horrível ser tão ligado a outro alguém, e não ter nenhum desejo verdadeiro por si mesmo. Isabelle estava balançando sua cabeça; ela balbuciou “não” para Simon. Ela provavelmente estava certa, ele pensou, Isabelle era uma excelente Caçadora de Sombras. Ela tinha estado caçando demônios e Seres do Submundo renegados — vampiros inferiores, bruxos praticantes de magia negra, lobisomens que tinham se tornado selvagens e comido alguém — desde que ela tinha doze anos de idade, e era provavelmente melhor no que ela fazia do que qualquer outro Caçador de Sombras em sua idade, com exceção de seu irmão Jace. E houve Sebastian, Simon pensou, que tinha sido melhor do que ambos. Mas ele estava morto. “Tudo bem”, ele disse. “Eu irei.” Os olhos de Isabelle se arregalaram. ”Simon!” Ambos subjulgados esfregaram suas mãos juntas, como vilões em histórias em quadrinhos. O gesto por si mesmo não era o que foi assustador, na verdade; foi que eles fizeram isso exatamente ao mesmo tempo e do mesmo jeito, como se eles fossem marionetes cujas cordas estavam sendo puxadas em uníssono. “Excelente”, disse Sr. Archer. Isabelle bateu a faca na mesa com um ruído e se inclinou para frente, seu brilhante cabelo escuro roçando em cima da mesa “Simon”, ela disse em um sussurro urgente. “Não seja estúpido. Não há motivo para você ir com eles. E Raphael é um idiota.” “Raphael é um mestre vampiro”, Simon disse. “O sangue dele me fez um vampiro. Ele é o meu — seja o que eles chamam isso.” “Patriarca, criador, progenitor — há um milhão de nomes para o que ele
  16. 16. fez”, Isabelle disse distraidamente. “E talvez o sangue dele fez de você um vampiro. Mas isso não o fez um Daylighter.” Seus olhos encontraram os dele do outro lado da mesa. Jace fez de você um Daylighter. Mas ela nunca diria isso em voz alta, havia apenas poucos deles que conheciam a verdade, a história inteira por trás do que Jace era, e o que Simon era por causa disso. “Você não tem que fazer o que ele diz.” “É claro que não”, Simon disse abaixando sua voz. “Mas se eu me recusar a ir, você acha que Raphael vai apenas deixar de lado? Ele não vai. Eles vão continuar atrás de mim.” Ele deslizou um olhar de lado para os subjulgados, eles pareciam como se concordassem, embora ele pudesse ter imaginado isso. “Eles vão me incomodar em toda parte. Quando eu sair, na escola, com a Clary—“ “E o que? Clary não pode lidar com isso?” Isabelle jogou suas mãos. “Ótimo. Pelo menos me deixe ir com você.” ”Claro que não”, interrompeu Sr. Archer. “Este não é um assunto dos Caçadores de Sombras. Este é um negócio das Crianças da Noite.” “Eu não irei—“ “A Lei nos dá o direito de conduzir nossos assuntos em particular.” Sr. Walker falou firme. “Com nossa própria espécie.” Simon olhou para eles. “Dê-nos um minuto, por favor”, ele disse. “Eu preciso falar com Isabelle.” Houve um momento de silêncio. Em torno deles a vida no restaurante continuava. O lugar estava em sua correria de fim de noite com o entra e sai do cinema, as garçonetes se apressavam, carregando pratos fumegantes de comida para os clientes; casais riam e conversavam nas mesas próximas; cozinheiros gritavam ordens uns aos outros atrás do balcão. Ninguém olhava para eles ou tomava conhecimento de que algo estranho estava acontecendo. Simon estava acostumado com o encantamento agora, mas ele não conseguia algumas vezes impedir o sentimento de que quando ele estava com Isabelle, ele estava preso atrás de uma parede invisível de vidro, cortado do resto da humanidade e do cotidiano e seus assuntos. “Muito bem”, disse Sr. Walker, se afastando. “Mas meu mestre não gosta de estar esperando.” Eles recuaram em direção a porta, aparentemente não afetados pela rajada
  17. 17. de ar frio todas as vezes que alguém entrava ou saia, e ficaram lá como estátuas. Simon se virou para Isabelle. “Tudo bem.” Ele disse. “Eles não irão me ferir. Eles não podem me ferir. Raphael sabe tudo sobre...” Ele gesticulou desconfortavelmente em direção a sua testa. “Isso.” Isabelle estendeu a mão através de mesa e puxou o cabelo dele para trás, seu toque foi mais clínico do que gentil. Ela fez uma careta. Simon tinha olhado para a Marca vezes o suficiente por si mesmo, no espelho, para saber bem como ela se parecia. Como se alguém tivesse dado uma fina pincelada e desenhado um simples traço em sua testa, um pouco acima e entre seus olhos. A forma disso parecia mudar algumas vezes, como as imagens se movendo encontradas em nuvens, mas ela era sempre clara e sombria e, de algum modo, parecendo perigosa, como um sinal de alerta rabiscado em outra língua. “Isso realmente... funciona?”, ela sussurrou. “Raphael acha que ela funciona”, Simon disse. “E eu não tenho nenhum motivo para pensar que isso não funcione.” Ele pegou o pulso dela e o afastou de seu rosto. “Eu estarei bem, Isabelle.” Ela suspirou. “Cada pedacinho de meu treinamento diz que isso não é uma boa ideia.” Simon apertou os dedos dela. “Vamos lá. Você está curiosa sobre o que Raphael quer, não está?” Isabelle afastou sua mão e se endireitou. “Diga-me quando você voltar. Ligue-me primeiro.” “Eu irei”, Simon ficou em pé, fechando sua jaqueta. “E você me faria um favor? Dois favores, na verdade.“ Ela olhou para ele com diversão contida. ”O que?” “Clary disse que ela estaria treinando no Instituto hoje à noite. Se você topar com ela, não diga aonde eu fui. Ela ficará preocupada sem motivo.” Isabelle rolou seus olhos. “Ok, tudo bem. Segundo favor?” Simon se inclinou e a beijou na bochecha. “Experiente o borscht antes de sair. É fantástico.” Sr. Walker e Sr. Archer não eram companhias das mais falantes. Eles levaram Simon silenciosamente através das ruas da Lower East Side, mantendo-
  18. 18. se vários passos a frente dele com seus estranhos passos deslizantes. Estava ficando tarde, mas as calçadas da cidade estavam cheias de pessoas — saindo do turno, se apressando para casa para o jantar, cabeças baixas, golas levantadas contra o frio vento congelante. Na St. Mark’s Place haviam mesas dobráveis postadas ao longo da calçada, vendendo de tudo desde meias baratas e desenhos à lápis de Nova York, a incensos de sândalo. Folhas agitavam-se no chão como ossos secos. O ar cheirava a escapamento de carro misturado com sândalo, e por baixo disso, o cheiro dos seres humanos — pele e sangue. O estômago de Simon apertou. Ele tentava manter garrafas de sangue animal o suficiente em seu quarto — ele tinha uma pequena geladeira atrás de seu guarda-roupa agora, onde sua mãe não poderia vê-la — para mantê-lo longe da fome. O sangue era nojento. Ele tinha achado que se acostumaria a ele, até mesmo começou a esperar por isso, mas pensar nisso matava sua fome, não havia nada sobre isso que ele gostasse do modo que ele uma vez tinha gostado de chocolate ou burritos vegetarianos ou sorvete de café. Ele continuava sangue. Mas estar faminto era pior. Estar faminto significava que ele podia sentir o cheiro de coisas que ele não queria cheirar — sal sobre a pele; o maduro cheiro doce do sangue exalado dos poros de estranhos. Isso o fazia sentir fome, incomodado e absolutamente errado. Se encolhendo para frente, ele enfiou seus punhos nos bolsos de sua jaqueta e tentou respirar pela boca. Eles viraram a direita na Terceira Avenida, e pararam na frente de um restaurante cuja placa dizia CLOISTER CAFÉ, JARDIM ABERTO O ANO TODO. Simon piscou com a placa. “O que nós estamos fazendo aqui?” “Este é o lugar de encontro que nosso mestre escolheu.” O tom do Sr. Walker foi suave. “Huh.” Simon estava desconcertado. “Eu acharia que o estilo de Raphael era mais, você sabe, arranjar encontros no topo de uma catedral não consagrada, ou embaixo, em alguma cripta cheia de ossos. Ele nunca me pareceu do tipo restaurante da moda.” Ambos subjugados olharam para ele. “Há algum problema, Daylighter?” Perguntou o Sr. Archer, finalmente. Simon se sentiu obscuramente repreendido. “Não. Sem problema.”
  19. 19. O interior do restaurante estava escuro, com um bar em mármore em uma parede. Nenhum empregado ou garçom se aproximaram deles enquanto iam através do salão para uma porta atrás, e através da porta para o jardim. Muitos restaurantes de Nova York tinham terraços, poucos estavam abertos até tarde durante o ano. Este estava em um jardim entre vários prédios. As paredes tinham sido pintadas em trompe l’oeil3 mostrando jardins italianos cheios de flores. As árvores, suas folhas se tornado douradas e avermelhadas com o outono, eram arranjadas com correntes de luzes brancas, e lâmpadas incandescentes espalhadas entre as mesas davam um brilho avermelhado. Uma pequena fonte jorrava musicalmente no centro do jardim. Apenas uma mesa estava ocupada, e não por Raphael. Uma mulher esguia em um chapéu de abas largas sentava-se em uma mesa próxima a parede. Enquanto Simon observava espantado, ela levantou uma mão e acenou para ele. Ele se virou e olhou atrás dele; havia, é claro, ninguém atrás dele. Srs. Walker e Archer começaram a se mover novamente; confuso, Simon os seguiu enquanto eles cruzavam o jardim e paravam a pouca distância de onde a mulher se sentava. Walker curvou-se. “Mestre”, ele disse. A mulher sorriu. “Walker”, ela disse. “E Archer. Muito bem. Obrigada por trazer Simon até mim.” “Espere um segundo.” Simon olhou da mulher para os dois subjugados. “Você não é Raphael.” “Claro que não.” A mulher removeu seu chapéu. Uma enorme quantidade de cabelo loiro prateado, brilhante nas luzes de Natal, se derramou sobre seus ombros. Seu rosto era suave, branco e oval, muito bonito, dominado por enormes olhos verdes claros. Ela usava longas luvas pretas, uma blusa preta de seda e saia justa, e uma echarpe preta amarrada ao redor de seu pescoço. Era impossível dizer sua idade — ou pelo menos que idade ela poderia ter tido quando ela foi transformada em um vampiro. “Eu sou Camille Belcourt. Encantada em conhecê-lo.” Ela estendeu uma mão enluvada. “Foi me dito que eu ia me encontrar com Raphael Santiago aqui”, Simon 3 Trompe l’oeil – é uma técnica de pintura realística que dá idéia de 3 dimensões em uma pintura.
  20. 20. disse, não chegando a tomá-la. “Você trabalha para ele?” Camille Belcourt riu como uma fonte agitada. “Certamente que não! Embora uma vez ele tenha trabalhado para mim.” E Simon se lembrou. Eu pensei que o chefe era outro alguém, ele tinha dito a Raphael uma vez, em Idris, foi como há muito tempo atrás. Camille ainda não voltou para nós, Raphael tinha respondido. Eu lidero em seu lugar. “Você é a líder dos vampiros”, Simon disse. “Do clã de Manhattan.” Ele se virou para os subjulgados. ”Vocês me enganaram. Disseram-me que eu ia me encontrar com Raphael.” “Eu disse que você ia se encontrar com nosso mestre.” Disse Sr. Walker. Seus olhos eram tão amplos e vazios, tão vazios que Simon se perguntou se eles tinham desejado realmente enganá-lo, ou eles eram simplesmente programados como robôs para dizerem o que quer que seus mestres dissessem para eles dizer, e inconscientes dos desvios do script. “E aqui está ela.” “De fato.” Camille lançou um sorriso brilhante em direção a seus subjulgados. “Por favor, nos deixe, Walker, Archer. Eu preciso falar com Simon sozinha.” Houve algo no modo que ela disse isso — ambos seus nomes, e a palavra “sozinha” — que era como um segredo íntimo. Os subjulgados se curvaram e se retiraram. Enquanto Sr. Archer se virava para se afastar, Simon captou a visão de uma marca no lado de sua garganta, um profundo hematoma, tão escuro que parecia como pintura, com dos pontos mais escuros dentro dele. Os pontos escuros eram perfurações, cercadas com carne seca e irregular. Simon sentiu um silencioso estremecer passar através dele. “Por favor”, Camille disse, e bateu no assento ao lado dela. “Sente-se. Gostaria de um pouco de vinho?” Simon se sentou, equilibrando-se desconfortavelmente na beirada da cadeira dura de metal. “Eu não bebo, na verdade.” “É claro”, ela disse, simpática. “Você é quase um novato, não é? Não se preocupe demais. Com o tempo você se treinará a se acostumar a vinho e outras bebidas. Alguns dos mais velhos de nossa espécie podem consumir comida humana com poucos efeitos prejudiciais.” Poucos efeitos prejudiciais? Simon não gostou do som daquilo. “Isso vai
  21. 21. levar muito tempo?” Ele perguntou, olhando nitidamente para seu celular, que dizia a ele que eram mais de dez e meia. “Eu tenho que ir para casa.” Camille tomou um gole de seu vinho. ”Tem? E por que isso?” Por que minha mãe está esperando por mim. Ok, não havia motivo para esta mulher precisar saber disso. “Você interrompeu meu encontro”, ele disse. ”Eu estava me perguntando o que era tão importante.” “Você ainda mora com sua mãe, não é?”, ela disse, colocando seu copo abaixo. “Bem estranho, não é, um vampiro poderoso como você se recusando a deixar o lar, para se juntar a um clã?” “Então você interrompeu meu encontro para me gozar por ainda estar morando com meus pais. Você não podia fazer isso em uma noite que eu não tivesse um encontro? Na maioria das noites, no caso de você estar curiosa.” “Eu não estou te gozando, Simon.” Ela correu sua língua sobre seu lábio inferior como se experimentando o vinho que ela tinha acabado de beber. “Eu quero saber por que você não se tornou parte do clã de Raphael.” “Que é o mesmo que o seu clã, não é? Eu tenho uma forte sensação de que ele não me queria como parte dele.” Simon disse. “Ele praticamente disse que ele me deixaria em paz se eu o deixasse em paz. Então eu tenho o deixado em paz.” “Tem”, seus olhos verdes cintilaram. “Eu nunca quis ser um vampiro”, Simon disse, meio que se perguntando por que ele estava dizendo essas coisas para esta mulher estranha. “Eu quis uma vida normal. Quando eu descobri que era um Daylighter, eu pensei que eu podia ter uma. Ou pelo menos um pouco de uma. Eu posso ir para escola, eu posso morar em casa, eu posso ver minha mãe e irmã—“ “Desde que você nunca coma na frente deles”, Camille disse. ”Desde que você esconda sua necessidade de sangue. Você nunca se alimentou em alguém puramente humano, não é? Apenas sangue ensacado. Insípido. Animal.” Ela torceu seu nariz. Simon pensou em Jace, e afastou o pensamento apressadamente. Jace não era precisamente humano. “Não.” “Você irá. E quando você o fizer, você não irá se esquecer.” Ela se inclinou para frente, e seu cabelo pálido roçou em sua mão. “Você não pode esconder seu verdadeiro eu para sempre.”
  22. 22. “Que adolescentes não mentem para seus pais?” Simon disse. ”Aliás, eu não sei por que você se importa. Na verdade, eu ainda não estou certo do porque eu estou aqui.” Camille se inclinou para frente. Quando ela o fez, a gola de sua blusa preta de seda se abriu. Se Simon ainda fosse humano, ele teria corado. “Você me deixará vê-la?” Simon podia sentir seus olhos esbugalharem. ”Ver o que?” Ela sorriu. ”A Marca, bobinho. A Marca do que Vagueia.” Simon abriu sua boca, então a fechou novamente. Como ela sabe? Poucas pessoas sabiam da marca que Clary tinha colocado nele em Idris. Raphael tinha indicado que este era um assunto de segredo mortal, e Simon tinha tratado como tal. Mas os olhos de Camille estavam muito verdes e fixos, e por alguma razão ele queria fazer o que ela queria que ele fizesse. Era alguma coisa sobre o jeito que ela olhava para ele, alguma coisa na música de sua voz. Ele estendeu e puxou seu cabelo de lado, revelando sua testa para a inspeção dela. Os olhos dela se alargaram, seus lábios se partiram. Levemente ela tocou seus dedos em sua garganta, como se checando o pulso inexistente lá. “Oh”, ela disse. “Que sortudo você é, Simon. Quão afortunado.” “É uma maldição”, ele disse. “Não uma benção. Você sabe disso, certo?” Os olhos dela cintilaram. “’E Caim disse para o Senhor, minha punição é maior do que eu posso suportar’. Isso é mais do que você pode suportar, Simon?” Simon se empertigou, deixando seu cabelo cair de volta no lugar. “Eu posso suportar isso.” “Mas você não quer.” Ela correu um dedo enluvado em torno da beira de sua taça, seus olhos ainda fixos nele. “E se eu pudesse oferecer a você um modo de tornar o que você considera como uma maldição em uma vantagem?” Eu diria que você está finalmente dando a razão que me trouxe até aqui, o que é um começo. “Estou escutando.” “Você reconheceu meu nome quando eu o disse a você”, Camille disse. “Raphael me mencionou antes, não é?” Ela tinha um sotaque, muito leve, que Simon não podia ao certo reconhecer. “Ele disse que você era a chefe do clã e ele era só estava liderando enquanto
  23. 23. você estava fora. Te substituindo como — como um vice-presidente ou algo assim.” “Ah!” Ela mordeu gentilmente seu lábio inferior. “Isso é, de fato, não inteiramente a verdade. Eu gostaria de dizer a você a verdade, Simon. Eu gostaria de te fazer uma oferta. Mas primeiro eu preciso ter sua palavra em uma coisa.” “E o que é?” “Que tudo que se passar entre nós esta noite, aqui, permaneça um segredo. Ninguém pode saber. Nem sua amiguinha ruiva, Clary. Nem igualmente suas jovens amigas. Nenhum dos Lightwoods. Ninguém.” Simon se empertigou. “E se eu não quiser prometer?” “Então você deve partir, se você quiser”, ela disse. “Mas você nunca saberá o que eu desejo falar a você. E essa será uma perda que você irá lamentar.” “Eu estou curioso”, Simon disse. ”Mas eu não estou certo de que estou tão curioso.” Os olhos dela capturaram um pequeno cintilar de surpresa e diversão e talvez, Simon pensou, até mesmo um pouco de respeito. “Nada que eu tenho a dizer a você se refere a eles. Não afetará a segurança deles, ou de seu bem-estar. O segredo é para a minha própria proteção.” Simon olhou para ela com suspeita. O que ela quis dizer? Vampiros não eram como fadas, que não podiam mentir. Mas ele tinha que admitir que ele estava curioso. ”Tudo bem. Eu guardarei seu segredo, a menos que eu ache que alguma coisa que você diga está pondo meus amigos em perigo. Os dados estão lançados.” O sorriso dela foi gelado; ele podia dizer que ela não gostou de ser desacreditada. “Muito bem”, ela disse. ”Eu suponho que eu tenho pouca escolha quando eu preciso tanto de sua ajuda.” Ela se inclinou para frente, uma mão esguia brincando com a haste de sua taça. “Até bem recente eu liderei o clã de Manhattan, feliz. Nós tínhamos belos quartos em um velho prédio pré-guerra na Upper West Side, não aquele buraco de rato de hotel que Santiago mantém meu povo agora. Santiago — Raphael, como você o chama — era meu segundo em comando. Meu companheiro mais leal — ou como eu pensava. Uma noite eu descobri que ele estava assassinando humanos, os direcionando a aquele velho
  24. 24. hotel no Harlem Espanhol e bebendo o sangue deles para sua diversão. Deixando seus ossos na Dumpster. Tomando estúpidos riscos, quebrando a Lei dos Acordos.” Ela tomou um gole de vinho. “Quando eu fui até ele para confrontá-lo, eu percebi que ele tinha dito ao resto do clã que eu era a assassina, a que quebrou a lei. Foi tudo um arranjo. Ele quis me matar, que com isso ele poderia aumentar o poder. Eu fugi com apenas Walker e Archer para me manterem segura.” “Então todo esse tempo ele alega que ele está apenas liderando até que você retorne?” Ela fez uma careta. “Santiago é um mentiroso talentoso. Ele deseja que eu volte, isso é certo — então ele pode me matar e assumir o comando do clã a sério.” Simon não tinha certeza do que ela queria ouvir. Ele não estava acostumado a mulheres adultas olhando para ele com olhos cheios de lágrimas, ou derramando suas histórias de vida para ele. “Eu lamento”, ele disse finalmente. Ela deu de ombros, um expressivo encolher de ombros que fez ele se perguntar se talvez o sotaque dela fosse francês. “Isso é passado”, ela disse. “Eu tenho estado escondida em Londres todo esse tempo, procurando por aliados, aguardando a minha hora. Então eu ouvi falar de você.” Ela levantou uma mão. “Eu não posso te dizer como; eu estou ligada por segredo. Mas no momento que eu fiz eu percebi que você era o que eu tinha estado esperando.” “Eu era? Eu sou?” Ela se inclinou a frente e tocou a mão dele, ”Raphael tem medo de você, Simon, como ele deveria. Você é um da própria espécie dele, um vampiro, mas você não pode ser ferido ou morto, ele não pode levantar um dedo contra você sem trazer a ira de Deus sobre sua cabeça.” Houve um silêncio. Simon podia ouvir o suave zumbido elétrico das luzes de Natal acima, a água chapinhando na fonte de pedra no centro do jardim, o zumbido e ruído da cidade. Quando ele falou sua voz foi suave. “Você disse.” “O que foi, Simon?” “A palavra. A ira de—“ A palavra mordeu e queimou em sua boca, como ela sempre fazia.
  25. 25. “Sim. Deus.” Ela retraiu sua mão, mas seus olhos eram cálidos. “Há muitos segredos de nossa espécie, tantos que eu posso contar a você, te mostrar. Você aprenderá que você não é amaldiçoado.” “Senhora —“ “Camille. Você deve me chamar de Camille.” “Eu ainda não entendo o que você quer de mim.” “Não?” Ela sacudiu a cabeça, e seu cabelo brilhante voou em torno de seu rosto. “Eu quero que você se junte a mim, Simon. Junte-se a mim contra Santiago. Nós iremos juntos a seu hotel infestado de ratos, no momento que seus seguidores virem que você está comigo, eles o deixarão e virão a mim. Eu acredito que eles são leais a mim sob o temor dele. Uma vez que eles nos verem juntos, este medo desaparecerá, e eles virão para nosso lado. O homem não podem contender com o divino.” “Eu não sei”, Simon disse. ”Na Bíblia, Jacó lutou com um anjo e ele venceu.“ Camille olhou para ele com suas sobrancelhas levantadas; Simon deu de ombros. “Escola hebraica.” “’E Jacó chamou o lugar de Peniel: pois eu vi Deus face a face.’ Veja, você não é o único que conhece sua escritura.“ Seu olhar estreito se foi, e ela estava sorrindo. “Você pode não notar, Daylighter, mas enquanto você carregar a Marca, você é o braço vingador dos céus. Ninguém pode se colocar perante você. Certamente não um vampiro.” “Você tem medo de mim?” Simon perguntou. Ele ficou quase instantaneamente arrependido que ele tivesse feito a pergunta. Seus olhos verdes escureceram como nuvens tempestuosas. “Eu, com medo de você?” Então ela se recuperou, seu rosto suavizando, sua expressão iluminando. “É claro que não“, ela disse. “Você é um homem inteligente. Eu estou convencida que você verá a sensatez de minha proposta e se juntará a mim.” “E o que exatamente é a sua proposta? Quero dizer, eu entendo a parte onde nós enfrentamos Raphael, mas depois disso? Eu não odeio a Raphael realmente, ou quero me livrar dele apenas por livrar dele. Ele me deixou em paz. Isso é tudo que eu queria.”
  26. 26. Ela dobrou suas mãos juntas na frente dela. Ela usava um anel de prata com uma pedra azul em seu dedo esquerdo do meio, sobre o material de sua luva. “Você acha que é isso o que eu quero, Simon. Você acha que Raphael está fazendo a você um favor em deixar você em paz, como você colocou isso. Na realidade ele está exilando você. Agora mesmo você pensa que não precisa de outros de sua espécie. Você está satisfeito com os amigos que você tem — humanos e Caçadores de Sombras. Você está satisfeito em esconder suas garrafas de sangue em seu quarto e mentir para sua mãe sobre o que você é.” “Como você—“ Ela continuou, o ignorando. “Mas e quanto à daqui a dez anos, quando você irá ter vinte e seis? Em vinte anos? Trinta? Você acha que ninguém vai notar que enquanto eles envelhecem e mudam, você não?” Simon não disse nada. Ele não queria admitir que ele não tivesse pensado em tão longe. Que ele não queria pensar a frente tão longe. “Raphael lhe ensinou que os outros vampiros são perniciosos para você. Mas não precisa ser desse jeito. A eternidade é um tempo longo para passar sozinho, sem outros de sua espécie. Outros que compreendam. Você é amigo de Caçadores de Sombras, mas você nunca pode ser um deles. Você sempre será o de fora. Conosco você pode pertencer.“ Enquanto ela se inclinava a frente, luz branca cintilou de seu anel, picando os olhos de Simon. “Nós temos centenas de anos de conhecimento que nós podemos compartilhar com você, Simon. Você pode aprender a como guardar seu segredo; como comer e beber, como falar o nome de Deus. Raphael tem cruelmente escondido esta informação de você, até mesmo levando você a acreditar que ela não existe. Existe. Eu posso te ajudar.” “Se eu primeiro te ajudar.” Simon disse. Ela sorriu, e seus dentes eram brancos e afiados. “Nós ajudaremos um ao outro.” Simon se inclinou de volta. A cadeira de ferro era dura e desconfortável, e ele de repente se sentiu cansado. Olhando para suas mãos, ele podia ver que as veias tinham escurecido, rastejando através das costas de suas juntas. Ele precisava de sangue. Ele precisava falar com Clary. Ele precisava de tempo para pensar. “Eu te assustei”, ela disse. “Eu sei. Isso é muito a se lidar. Eu ficaria feliz
  27. 27. em dar a você tanto tempo quanto você precisa para ajustar suas ideias sobre isso, e sobre mim. Mas eu não tenho tanto tempo, Simon. Enquanto eu permanecer nesta cidade, eu estou em perigo por Raphael e seu bando.” “Bando?” Apesar de tudo, Simon sorriu levemente. Camille pareceu perplexa. ”Sim?“ “Bem, é só que... ’bando’. É como dizer ‘malfeitores’ ou ‘lacaios’.” Ela olhou para ele inexpressivamente. Simon suspirou. “Desculpe. Provavelmente você não tem assistido a tantos filmes ruins quanto eu tenho.” Camille franziu a testa levemente, uma linha fina aparecendo entre suas sobrancelhas. “Eu diria que você é ligeiramente peculiar. Talvez isso seja por que eu não conheço muitos vampiros de sua geração. Mas será bom para mim. Eu sinto ao estar com alguém tão... jovem.” “Sangue novo”. Simon disse. Com aquilo ela sorriu. “Você está pronto, então? Para aceitar minha oferta? Para começarmos a trabalhar juntos?” Simon olhou para o céu. Os fios das luzes brancas pareciam apagar as estrelas. “Olhe”, ele disse. “Eu aprecio a sua oferta. Eu realmente aprecio.” Merda, ele pensou. Tinha que haver algum jeito de dizer isso sem ele soasse como se ele estivesse recusando um encontro para o baile. Eu estou realmente, realmente lisonjeado de você me pedir, mas... Camille, como Raphael, sempre falava rigidamente, formalmente, como se ela estivesse em um conto de fadas. Talvez ele pudesse tentar aquilo. Ele disse. ”Eu necessito de algum tempo para dar minha decisão. Eu estou certo que você pode entender.” Muito delicadamente, ela sorriu, mostrando só as pontas de suas presas. “Cinco dias”, ela disse. ”E não mais.” Ele estendeu sua mão enluvada para ele. Algo brilhou em sua palma. Era um pequeno frasco de vidro, do tamanho que podia manter uma amostra de perfume, só que ele parecia estar cheio de pó amarronzado. “Terra de sepultura.” Ela explicou. ”Esmague isso, e eu saberei que você está me chamando. Se você não me chamar em cinco dias, eu enviarei Walker para sua resposta.” Simon tomou o frasco e o deslizou para dentro de seu bolso. ”E se a resposta for não?” “Então eu ficarei desapontada. Mas nos separaremos amigos.” Ela afastou
  28. 28. sua taça. ”Adeus, Simon.” Simon se levantou. A cadeira fez um esguicho metálico enquanto ela se arrastava no chão, muito alto. Ele sentiu que devia dizer algo mais, mas ele não tinha ideia do que. No momento, entretanto, ele pareceu estar dispensado. Ele decidiu que preferia parecer como um daqueles estranhos vampiros modernos com péssimas maneiras do que arriscar ser arrastado de volta a conversa. Ele saiu sem dizer nada mais. Em seu caminho através do restaurante, ele passou por Walker e Archer, que estavam em pé no grande bar, seus ombros encurvados embaixo de seus longos casacos cinza. Ele sentiu a força de seus olhares sobre ele enquanto caminhava e acenou seus dedos para eles — um gesto em algum lugar entre um aceno amistoso e um despachar. Archer mostrou seus dentes — dentes humanos planos – e saiu a passos largos em direção ao jardim, Walker em seus calcanhares. Simon observou enquanto eles tomavam seus lugares nas cadeiras do outro lado de Camille; ela não olhou acima enquanto eles se sentavam, mas as luzes brancas que tinham iluminado o jardim se apagaram de repente — não uma por uma, mas todas ao mesmo tempo — deixando Simon olhando para uma desorientadora área de escuridão, como se alguém tivesse apagado as estrelas. No momento que os garçons notaram e se apressaram afora, para corrigir o problema, inundando o jardim com a pálida luz mais uma vez, Camille e seus subjugados tinham desaparecido. ●●●● Simon destrancou a porta da frente de sua casa — uma de uma longa fileira de idênticas casas de tijolos que se alinhavam em seu quarteirão no Brooklyn — e a empurrou levemente, ouvindo cuidadosamente. Ele tinha dito para sua mãe que ele estava indo ensaiar com Erik e seus outros colegas de banda para uma apresentação no Sábado. Havia sido há muito tempo quando ela simplesmente teria acreditado nele, e que teria sido assim; Elaine Lewis sempre tinha sido uma mãe tranquila, nunca impondo um toque de recolher nem a Simon ou em sua irmã ou insistisse que eles estivessem cedo em casa em dias de escola. Simon estava acostumado a ficar fora até altas horas com
  29. 29. Clary, se deixando ficar com a chave, e caindo na cama às duas da manhã, comportamento que não tinha levantado muitos comentários de sua mãe. As coisas eram diferentes agora. Ele tinha estado em Idris, o lar dos Caçadores de Sombras, por quase duas semanas. Ele tinha desaparecido de casa, sem chance de oferecer uma desculpa ou explicação. O bruxo Magnus Bane tinha entrado em cena e executado um feitiço de memória na mãe de Simon, que com isso ela não teria nenhuma lembrança de que ele tinha estado faltando. Ou pelo menos, não uma lembrança consciente. Entretanto, o comportamento dela tinha mudado. Ela estava suspeita agora, ao redor, sempre o observando, insistindo que ele estivesse em casa em certas horas. A última vez ele tinha vindo para casa de um encontro com Maia, ele tinha encontrado Elaine no saguão, sentada em uma cadeira encarando a porta, seus braços cruzados sobre seu peito e um olhar de mau disfarçando a raiva em seu rosto. Aquela noite, ele tinha sido capaz de escutá-la respirando antes que ele tivesse a visto. Agora ele podia ouvir o leve som da televisão vindo da sala de estar. Ela devia estar esperando por ele, provavelmente assistindo a maratona de uma daqueles dramas de hospital que ela amava. Simon fechou a porta atrás dele e se inclinou contra ela, tentando encontrar energia para mentir. Era difícil o suficiente não comer ao redor de sua família. Felizmente sua mãe ia trabalhar cedo e voltava tarde, e Rebecca que ia para faculdade em Nova Jersey e só vinha para casa ocasionalmente para fazer sua lavagem de roupas, não estava ao redor frequentemente o suficiente para notar nada estranho. Sua mãe estava geralmente fora de manhã na hora que ele se levantava, o café e o almoço que ela adorava preparar para ele, deixado sobre o balcão da cozinha. Ele o despejava em uma lixeira a caminho da escola. O jantar era pior. Nas noites que ela estava lá, ele tinha que empurrar a comida ao redor de seu prato, fingir que ele não estava com fome ou que ele queria levar sua comida para seu quarto, então ele podia comer enquanto estudava. Uma ou duas vezes ele tinha forçado a comida para baixo, só para fazê-la feliz, e depois passava horas no banheiro, suando e vomitando até que ela estivesse fora de seu sistema. Ele odiava ter que mentir para ela. Ele sempre tinha se sentido um pouco triste por Clary, com seu relacionamento atormentado com Jocelyn, a mais
  30. 30. superprotetora mãe que ele tinha conhecido. Agora, o sapato estava calçado em outro pé. Desde a morte de Valentine, a contenção de Jocelyn sobre Clary tinha relaxado ao ponto onde ela era praticamente uma mãe normal. Entretanto, sempre que Simon estava em casa, ele podia sentir o peso do olhar de sua mãe sobre ele, como uma acusação onde quer que ele fosse. Endireitando seus ombros, ele largou sua mochila na porta e seguiu para a sala de estar para enfrentar a ladainha. A Tv estava ligada, as notícias proclamando. O anunciante local estava reportando uma interessante história humana — um bebê descoberto abandonado em um beco atrás de um hospital. Simon estava surpreso; sua mãe odiava o noticiário. Ela o achava depressivo. Ele olhou em direção ao sofá, e sua surpresa diminuiu. Sua mãe estava dormindo, seus óculos sobre a mesa ao lado dela, um copo meio vazio no chão. Simon podia sentir o cheiro dali — provavelmente whisky. Simon sentiu angústia. Sua mãe dificilmente bebia. Simon foi para o quarto de sua mãe e voltou com um cobertor de crochê. Sua mãe ainda estava dormindo, sua respiração lenta e contínua. Elaine Lewis era uma mulher pequena, com um halo de cabelo escuro cacheado, listrado de cinza que ela se recusava a tingir. Ela trabalhava durante o dia para uma ONG ambiental, e a maioria de suas roupas tinham motivos animal nelas. Agora mesmo ela estava vestindo um vestido tingido com golfinhos e ondas, e um broche que havia sido uma vez um peixe vivo, embebido em resina. Seu olho envernizado parecia encarar Simon acusadoramente enquanto ele se inclinava para enfiar o cobertor ao redor dos ombros dela. Ela se moveu, em um espasmo, virando sua cabeça para longe dele. “Simon”, ela sussurrou. “Simon, onde você está?” Ferido, Simon soltou o cobertor e ficou em pé. Talvez ele devesse acordá- la, deixá-la saber que ele estava bem. Mas então haveria perguntas que ele não queria responder e aquele olhar no rosto dela que ela não podia suportar. Ele se virou e foi para seu quarto. Ele tinha se jogado sobre as cobertas e agarrado o telefone em sua mesa ao lado da cama, prestes a ligar o número de Clary, antes que ele até mesmo pensasse sobre isso. Ele hesitou por um momento, escutando o tom de discagem. Ele não podia falar sobre Camille; ele tinha prometido manter a oferta da
  31. 31. vampira em segredo, e embora Simon não se sentisse que não devia muito a Camille, se houve uma coisa que ele tinha aprendido dos últimos meses, era que renegar promessas feitas a criaturas sobrenaturais era uma má ideia. Ainda assim, ele queria ouvir a voz da Clary, do modo que ele sempre fazia quando ele tinha um dia difícil. Bem, havia sempre as queixas dele sobre sua vida amorosa; que pareciam diverti-la no final. Rolando na cama, ele puxou um travesseiro por cima de sua cabeça e discou o número da Clary.
  32. 32. Capítulo 2 QUEDA “ENTÃO, VOCÊ SE DIVERTIU COM ISABELLE HOJE À NOITE?” Clary, com seu telefone enfiado contra sua orelha, se manobrando cuidadosamente de uma longa barra para outra. As barras foram colocadas a vinte pés4 acima nas vigas do sótão do Instituto, onde a sala de treinamento era localizada. Andar nas barras significava te ensinar como se equilibrar, Clary as odiava. Seu medo de altura fez o negócio todo doentio, apesar do cabo flexível amarrado ao redor de sua cintura, que era supostamente para mantê-la longe de bater no chão se ela caísse. “Você já contou a ela sobre Maia?” Simon fez um fraco ruído evasivo, que Clary sabia significar “não”. Ela podia ouvir a música ao fundo, ela podia imaginá-lo deitado em sua cama, o aparelho de som tocando suavemente enquanto ele falava com ela. Ele soava cansado, aquele tipo de cansaço profundo que ela sabia que significava que seu tom leve não refletia seu estado de humor. Ela tinha perguntado se ele estava bem várias vezes no começo da conversa, mas ele tinha afastado sua preocupação. Ela bufou. “Você está brincando com fogo, Simon. Eu espero que você saiba disso.” “Eu não sei. Você realmente acha que isso é grande coisa”, Simon soou melancólico. “Eu não tive uma única conversa com Isabelle — ou Maia — sobre namorar exclusivamente.” 4 20 pés são quase sete metros de altura
  33. 33. “Deixe-me dizer algo sobre garotas”, Clary se sentou sobre a viga, deixando suas pernas balançarem no ar. As janelas em meia-lua do sótão estavam abertas, e o ar frio se derramava, resfriando sua pele suada. Ela sempre pensou que os Caçadores de Sombras treinavam em seus flexíveis trajes como couro, como isso provou, que foi para o último treinamento, que envolvia armas. Para o tipo de treinamento que ela estava fazendo — exercícios que significavam aumentar sua flexibilidade, velocidade, e senso de equilíbrio — ela vestia uma camiseta leve e calças de cordão que lembrava a ela uniformes de medicina. “Mesmo se você não teve a conversa da exclusividade, elas ainda vão estar bravas se descobrirem que você está saindo com alguém que elas conhecem, e você não mencionou isso. É uma regra de namoro.” “Bom, como era para eu saber dessa regra?” “Todo mundo conhece essa regra.” “Eu pensei que você deveria estar do meu lado.” “Eu estou do seu lado!” “Então por que você não está sendo mais compreensiva?” Clary trocou o telefone para sua outra orelha e espreitou nas sombras abaixo dela. Onde Jace estava? Ele tinha ido pegar outra corda e dito que ele estaria de volta em cinco minutos. É claro, se ele a pegasse ao telefone aqui em cima, ele provavelmente a mataria de qualquer modo. Ele raramente era responsável pelo treinamento dela — que era normalmente Maryse, Kadir, ou vários outros membros da Clave de Nova York tomando o lugar, até que um substituto para o tutor anterior do Instituto, pudesse ser encontrado — mas quando era ele, ele tomava isso seriamente. “Por que”, ela disse. ”Seus problemas não são problemas de verdade. Você está saindo com duas garotas bonitas de uma vez. Pense nisso. É como... problemas de estrelas do rock.” “Ter problemas de estrelas do rock pode ser o mais perto que vou chegar de ser uma estrela de rock de verdade.” “Ninguém mandou você chamar sua banda de Salacious Mold5 , meu amigo.” “Nós somos agora Millenium Lint6 ”, Simon protestou. Clary encolheu os ombros. “Olha, só pense nisso antes do casamento. Se 5 Salacious Mold – algo que pode ser traduzido como Molde Lascivo ou Forma Obscena. 6 Millenium Lint – Pode ser Fiapos do Milênio, Retalhos do Milênio.
  34. 34. ambas pensam que elas vão com você e descobrirem no casamento que você está namorando com as duas, elas irão matá-lo.“ Ela se levantou. “E então o casamento da minha mãe estará arruinado e ela vai te matar. Então você vai estar morto duas vezes.” “Eu nunca disse a nenhuma delas que eu estava indo ao casamento com elas!” Simon pareceu em pânico. “Sim, mas elas estão esperando isso de você. Esse é o porquê você tem um namorado. Então você tem alguém para te levar para as funções chatas.” Clary se moveu para a beira da barra, olhando abaixo para as sombras iluminadas pela pedra enfeitiçada. Havia um velho circulo de treinamento rabiscado a giz no chão; parecia como um alvo. “Além do mais, eu tenho que pular dessa barra agora e possivelmente me arremessar para minha horrível morte. Eu falo com você amanhã.“ “Eu tenho ensaio da banda as duas, lembra-se? Eu te vejo lá.” “Até mais”, Ela desligou e enfiou o telefone em seu sutiã; as leves roupas de treinamento não tinham nenhum bolso, então o que uma garota faz? “Então, você está planejando ficar ai a noite toda?” Jace entrou no centro do alvo e olhou acima para ela. Ele estava usando um traje de combate, não roupas de treinamento com Clary estava, e seu cabelo loiro se sobressaia assustadoramente contra o negro. Ele tinha escurecido levemente desde o fim do verão e era mais um dourado escuro do que claro, que, Clary pensou, combinava com ele ainda mais. Isso a fez absurdamente feliz, que ela agora tinha o conhecido mais, o suficiente para notar as pequenas mudanças em sua aparência. “Eu pensei que você viria aqui em cima.” Ela chamou. “Mudança de planos?” “Longa história.” Ele sorriu para ela. “Então? Você quer praticar arremessos?” Clary suspirou. Praticar arremessos envolvia se arremessar para fora da barra, para o espaço vazio, e utilizando o cabo flexível para segurá-la, enquanto ela se precipitava das paredes e se lançava acima e abaixo, ensinando a si mesma a girar, chutar, e mergulhar sem se preocupar com pisos duros e contusões. Ela tinha visto Jace fazer isso e ele parecia como um anjo caindo enquanto ele o fazia, voando através do ar, movimentando-se rapidamente e girando com bela graça
  35. 35. dançarina. Ela, por outro lado, se curvava como um saco de batatas tão logo o chão se aproximava, e o fato que ela intelectualmente sabia que não estava indo acertá-lo, não parecia fazer nenhuma diferença. Ela estava começando a se perguntar que não se importava que tivesse nascido uma Caçadora de Sombras; talvez fosse tarde demais para ela ser feita um, ou pelo menos um totalmente funcional. Ou talvez o dom que fazia ela e Jace o que eles eram, tinham sido de algum modo distribuído desigualmente entre eles, então ele tinha recebido toda a graça física, e ela tinha recebido — bem, nem um tanto disso. “Vamos lá, Clary”, Jace disse. ”Pule.” Ela fechou seus olhos e pulou. Por um momento ela se sentiu pendurada suspensa, livre de tudo — então a gravidade assumiu e ela mergulhou em direção ao chão. Instintivamente ela puxou seus braços e pernas, mantendo seus olhos bem fechados. O cabo puxou firme e ela ricocheteou, voando de volta acima, antes de cair de novo. Enquanto sua velocidade diminuía, ela abriu seus olhos e se descobriu pendurada no fim do cabo, cerca de dois metros acima de Jace. Ele estava sorrindo. “Legal”, ele disse. ”Graciosa como um floco de neve caindo.” “Eu estava gritando?”, ela perguntou, genuinamente curiosa. “Você sabe, no caminho abaixo.” Ele concordou. “Graças a Deus ninguém está em casa ou eles teriam pensado que eu estava te assassinando.” “Ha, Você não pode nem mesmo me alcançar.” Ela chutou uma perna e girou preguiçosamente no ar. Os olhos de Jace brilharam. “Quer apostar?” Clary conhecia aquela expressão. “Não“, ela disse, rapidamente. ”O que quer você vá fazer—“ Mas ele já tinha feito. Quando Jace se movia rápido, seus movimentos individuais eram quase invisíveis — ela viu a mão dele ir para seu cinto, e então algo piscou no ar. Ela ouviu o som de tecido rasgando enquanto a corda acima de sua cabeça era cortada. Liberta, ela caiu livre, muito surpresa para gritar — diretamente para os braços de Jace. A força o golpeou para trás e eles se deitaram
  36. 36. juntos em um dos colchonetes no chão, Clary por cima dele. Ele sorriu para ela. “Agora”, ele disse. “Está muito melhor. Você nem gritou.” “Eu não tive a chance.” Ela estava sem fôlego, e não só por causa do impacto da queda. Estar deitada em cima de Jace, sentindo seu corpo contra o dela, fazia sua boca ficar seca e seu coração bater mais rápido. Ela tinha pensado que talvez suas reações físicas a ele — as reações deles um com o outro — diminuiriam com a familiaridade, mas não tinha acontecido. Ao contrário, isso tinha ficado pior — ou melhor, ela supôs, dependendo de como você pensava sobre isso. Ele estava olhando acima para ela com olhos dourados escuros, ela se perguntava se suas cores tinham se intensificado desde seu encontro com Raziel, o Anjo, nas margens do Lago Lyn em Idris. Ela não podia perguntar a ninguém. Embora todos soubessem que Valentine tinha invocado o Anjo, ninguém além de Clary e Jace sabiam que Valentine tinha apunhalado Jace através do coração, como parte da cerimônia de invocação, e que Raziel tinha trazido ele de volta da morte. Eles tinham concordado em nunca dizer a ninguém que Jace tinha morrido, mesmo por um breve período. Era o segredo deles. Ele se aproximou e empurrou o cabelo dela para trás de seu rosto. “Estou brincando”, ele disse. “Você não é tão má. Você vai conseguir. Você devia ter visto os primeiro arremessos que Alec fez. Eu lembro que ele se chutou na cabeça uma vez.” “Claro”, Clary disse. “Mas ele tinha provavelmente onze anos.“ Ela olhou para ele. ”Acho que você sempre foi impressionante nessas coisas.” “Eu nasci impressionante.“ Ele acariciou sua bochecha com as pontas de seus dedos, levemente o suficiente para fazê-la estremecer. Ela nada disse; ele estava brincando, mas em um sentido, isso era verdade, Jace tinha nascido para ser o que ele era. “Quanto tempo você vai ficar hoje à noite?” Ela sorriu um pouco. ”Nós terminamos com o treinamento?” “Eu gostaria de pensar que nós terminamos com a parte da noite onde isso é absolutamente necessário.” Ele estendeu a mão para puxá-la para baixo, mas no momento a porta se abriu, e Isabelle veio se aproximando, os saltos altos de suas botas estalando no chão de madeira polida. Captando a visão de Jace e Clary deitados sobre o chão, ela levantou suas
  37. 37. sobrancelhas. “Se acariciando, pelo que vejo. Eu pensei que era para vocês estarem treinando?” “Ninguém disse que você tinha que entrar sem bater, Iz.” Jace não se moveu, só virou sua cabeça para o lado para olhar para Isabelle com um misto de aborrecimento e afeição. Clary, entretanto, lutava com seus pés, alisando suas roupas amassadas. “Essa é a sala de treinamento. É um lugar público.” Isabelle estava tirando suas luvas, que eram de veludo vermelho brilhante. “Eu consegui essas no Trash e Vaudeville. Promoção. Você não ama? Você não quer ter um par?” Ela meneou seus dedos na direção deles. “Eu não sei”, Jace disse. “Eu acho que elas não combinam com meu traje.” Isabelle fez uma careta para ele. “Você ouviu sobre o Caçador de Sombras morto que eles descobriram no centro da cidade? O corpo estava todo mutilado, então eles não sabem quem é ainda. Eu presumo que é onde mamãe e papai foram.” “Sim”, Jace disse, se sentando. “Eu corri até eles na saída.” “Você não me disse isso”, Clary disse. Esse é o porquê você demorou tanto conseguindo corda?” Ele concordou. “Desculpe-me. Eu não queria que você se assustasse.” “Ele quer dizer”, Isabelle disse. ”Que ele não queria estragar o clima romântico.” Ela mordeu seu lábio. ”Só espero que não seja ninguém que conheçamos.” “Eu não acho que possa ter sido. O corpo estava no rio — estado lá há vários dias. Se tivesse sido alguém que nós conhecêssemos, nós teríamos percebido que ele estava faltando.“ Jace empurrou seu cabelo para trás de suas orelhas. Ele estava olhando para Isabelle com um pouco de impaciência. Clary pensou, como se ele estivesse chateado por ela ter trazido isso à tona. Ela desejou que ele tivesse dito a ela mais cedo, mesmo que isso estragasse o clima. Muito do que ele fazia, que todos eles faziam, Clary sabia, os trazia em frequência em contato com a realidade da morte. Todos os Lightwoods estavam, em seus próprios modos, ainda enlutados pela perda de seu jovem menino, Max, que tinha morrido simplesmente por estar no lugar errado e na hora errada. Isso era estranho. Jace havia aceitado a decisão dela de deixar o segundo grau e começar o
  38. 38. treinamento sem reclamação, mas ele se esquivava de discutir os perigos de uma vida de Caçador de Sombras com ela. “Eu vou me vestir”, ela anunciou, e seguiu para a porta que dava para um pequeno vestiário anexo a área de treinamento. Ele era muito simples: paredes de madeira clara, um espelho, um chuveiro, e ganchos para as roupas. Toalhas estavam empilhadas ordenadamente no banco de madeira ao lado da porta. Clary tomou banho rapidamente e colocou suas roupas diárias — meia calça, botas, saia jeans e o novo suéter rosa. Olhando para si mesma no espelho, ela viu que havia um buraco na manga do suéter, e seu úmido e ondulado cabelo ruivo era um emaranhado desordenado. Ela nunca pareceria perfeitamente preparada como Isabelle sempre fazia, mas Jace parecia não se importar. No momento em que ela voltou a sala de treinamento, Isabelle e Jace tinham deixado o tópico de Caçadores de Sombras mortos para trás e mudado para algo que Jace, aparentemente, descobriu ainda mais assustador: o encontro de Isabelle com Simon. “Eu não acredito que ele levou você a um restaurante de verdade”, Jace estava de pé agora, empurrando os colchonetes e equipamentos de treinamento, enquanto Isabelle se inclinava contra a parede e brincava com suas novas luvas. “Pensei que a ideia dele de um encontro seria fazer você assisti-lo jogar Word of Warcraft com seus amigos nerds.” “Eu”, Clary apontou, “sou uma dos amigos nerds dele, obrigada.” Jace sorriu para ela. “Não era realmente um restaurante. Era mais para um vagão restaurante. Com sopa rosa que ele queria que eu experimentasse”, Isabelle disse pensativamente. ”Ele foi muito doce.” Clary sentiu-se instantaneamente culpada por não dizer a ela — ou Jace — sobre Maia. “Ele disse que vocês se divertiram.” O olhar de Isabelle flutuou sobre ela. Havia uma peculiar propriedade na expressão de Isabelle, como se ela estivesse escondendo algo, mas se foi antes que Clary pudesse ter certeza se tinha estado lá. “Você falou com ele?” “Sim, ele me ligou a poucos minutos atrás. Só para checar.“ Clary deu de ombros.
  39. 39. “Sei”, Isabelle disse, sua voz de repente enérgica e fria. ”Bem, como eu digo, ele é muito doce. Mas talvez um pouco doce demais. Isso pode ser chato.” Ela enfiou suas luvas em seus bolsos. “Além do mais, não é uma coisa permanente. É só por diversão por agora.” A culpa de Clary esvaiu-se. “Vocês já falaram, você sabe, namorar com exclusividade?” Isabelle pareceu horrorizada. “É claro que não.” Ela em seguida bocejou, esticando seus braços como um gato por sobre sua cabeça. “Ok, para cama. Vejo vocês depois, pombinhos.” Ela partiu, deixando uma nuvem de perfume de Jasmim no seu caminho. Jace olhou para Clary. Ele tinha começado a desafivelar sua vestimenta, que fechava em seus pulsos e costas, formando um escudo protetor sobre suas roupas. “Você tem que ir para casa?” Clary concordou relutantemente. Conseguir que sua mãe concordasse em deixá-la prosseguir no treinamento de Caçador de Sombras tinha sido uma longa e desagradável discussão em primeiro lugar. Jocelyn tinha batido o pé, dizendo que ela tinha gastado sua vida tentando manter Clary fora da cultura de Caçador de Sombras, que ela via como perigosa — não apenas violenta, ela argumentou, mas separatista e cruel. Clary argumentou que as coisas tinham mudado desde que Jocelyn tinha sido uma garota, e de qualquer modo, Clary precisava saber como defender a si mesma. “Eu espero que isso não seja só por causa do Jace”, Jocelyn tinha dito, finalmente. “Eu sei que quando você esta apaixonado por alguém, você quer estar onde eles estão e fazer o que eles fazem, mas Clary—“ “Eu não sou você”, Clary tinha dito, lutando para controlar sua raiva. ”Os Caçadores de Sombras não são o Ciclo, e Jace não é Valentine.” “Eu não disse nada sobre Valentine.” “É o que você estava pensando”, Clary disse. “Talvez Valentine tenha criado Jace, mas ele não é nada como ele.” “Bem, eu espero que não”, Jocelyn tinha dito suavemente. ”Pelo bem de todos nós.” Eventualmente, ela tinha cedido, mas com algumas regras: Clary não ia morar no Instituto, mas com Luke e sua mãe; Jocelyn receberia relatórios de
  40. 40. progresso semanais de Maryse para lhe assegurar que Clary estava aprendendo e não só, Clary supôs, provocando Jace o dia todo, ou o que quer que ela estivesse preocupada. E Clary não ia passar a noite no Instituto — nunca. “Nada de pernoitar onde seu namorado mora”, Jocelyn disse com firmeza. “Eu não me importo se é o Instituto. Não.” Namorado. Era ainda um choque, ouvir a palavra. Por tanto tempo isso tinha sido uma total impossibilidade, que Jace sequer seria seu namorado, que eles poderiam ser um ao outro nada além de irmão e irmã, e isso era muito difícil e horrível de se encarar — nunca ver um ao outro de novo, eles tinham decidido, seria melhor que aquilo, e que seria como morrer. E em seguida, por um milagre, eles tinham ficado livres. Agora isso fazia seis semanas, mas Clary ainda nunca estava cansada da palavra. “Eu tenho que ir para casa”, ela disse. ”São quase onze e minha mãe enlouquece se eu fico aqui depois das dez.” “Tudo bem”, Jace soltou seu traje, ou pelo menos a parte de cima dele sobre o banco. Ele vestia uma camiseta fina por baixo; Clary pode ver suas marcas através dela, como tinta sangrando através de papel molhado. “Eu te acompanharei.” O Instituto estava silencioso enquanto eles caminhavam através dele. Não haviam Caçadores de Sombras vindos de outras cidades ficando agora, e com Hodge e Max que se foram para sempre, e Alec com Magnus, Clary sentia como se os Lightwoods remanescentes fossem como convidados em um hotel quase vazio. Ela desejou que os outros membros da Clave viessem mais frequentemente, mas ela supôs que todos estavam dando aos Lightwoods tempo neste momento. Tempo para se lembrar de Max, e tempo para esquecer. “Então, você ouviu algo sobre Alec e Magnus ultimamente?”, ela perguntou. “Eles estão se divertindo?” “Parece que sim”, Jace pegou seu telefone em seu bolso e estendeu para ela. ”Alec continua me mandando fotos chatas. Um monte de textos como, “Eu queria que você estivesse aqui, exceto que não de verdade.” “Bem, você não pode culpá-lo. Era para ser umas férias românticas.” Ela movimentou através das fotos no telefone de Jace e riu. Alec e Magnus em pé em frente à Torre Eiffel, Alec vestindo jeans como sempre e Magnus vestindo um
  41. 41. casaco de pescador listrado, calças de couro, e uma boina maluca. Nos jardins Boboli7 , Alec ainda estava usando jeans, e Magnus estava usando um enorme manto veneziano e um quepe de gondoleiro. Ele parecia como o Fantasma da Ópera, em frente ao Prado, ele estava usando um cintilante casaco de toureiro e botas de plataforma, enquanto Alec aparecia calmamente alimentando um pombo ao fundo. “Eu vou tirar isso de você antes que você chegue a parte da India”, Jace disse, recuperando seu telefone. “Magnus em um sári. Algumas coisas você nunca se esquece.” Clary riu. Eles tinham alcançado o elevador que abriu seu portão rangendo, quando Jace empurrou o botão de chamar. Ela entrou e Jace a seguiu. No momento que o elevador começou a descer — Clary achou que ela nunca se acostumaria ao recuar inicial antes que começasse a descer — ele se moveu em direção a Clary na escuridão, e puxou ela para mais perto. Ela colocou suas mãos contra o peito dele, sentindo os músculos fortes debaixo de sua camiseta, a batida de seu coração embaixo dela. Na luz sombreada, os olhos dele brilharam. “Lamento que eu não possa ficar”, ela sussurrou. “Não se desculpe”, Havia um tom irregular em suas palavras que a surpreendeu. “Jocelyn não quer que você se torne como eu. Eu não a culpo por isso.” “Jace”, ela disse, um pouco perplexa pela amargura em sua voz, ”Você está bem?” Ao invés de responder, ele a beijou, a puxando firme contra ele. Seu corpo pressionou o dela contra a parede, o metal do espelho frio contra suas costas, as mãos dele deslizaram ao redor de sua cintura. Ela sempre amava o modo que ele a segurava. Cuidadoso, mas também não muito gentil, não tão delicado, que ela sempre sentia que ele estava mais sob controle do que ela estava. Nenhum dos dois podia controlar como eles se sentiam um sobre o outro, e ela gostava disso, gostava do modo como o coração dele martelava contra o dela, gostava do modo que ele murmurava contra sua boca quando ela o beijava de volta. O elevador veio em uma parada ruidosa e a grade abriu. Além dela, ela podia ver a nave vazia da catedral, pedras enfeitiçadas alumiando em uma fila de 7 Boboli Gardens – Fica na Itália.
  42. 42. candelabros no corredor central. Ela se agarrou a Jace, feliz por que havia pouca luz no elevador então ela não podia ver seu próprio rosto queimando no espelho. “Talvez eu possa ficar”, ela sussurrou. “Só mais um pouco.” Ele não disse nada. Ela podia sentir a tensão nele, e ela mesma se enrijecer — era mais do que apenas a tensão do desejo. Ele estava tremendo, seu corpo inteiro tremendo enquanto ele enterrava seu rosto na dobra de seu pescoço. “Jace”, ela disse. Ele então a soltou, subitamente, e deu um passo para trás. Suas bochechas estavam coradas, seus olhos febrilmente brilhantes. “Não”, ele disse. “Eu não quero dar a sua mãe nenhum motivo para não gostar de mim.” Havia um tom em sua voz. “Ela já pensa que eu sou a segunda vinda de meu pai—“ Ele se interrompeu, antes que Clary pudesse dizer: Valentine não era seu pai. Ele era geralmente muito cuidadoso ao se referir a Valentine Morgenstern pelo nome, nunca como meu pai — quando ele mencionava Valentine. Geralmente eles se afastavam do tópico, e Clary nunca tinha admitido a Jace que sua mãe se preocupava que ele fosse secretamente como Valentine, sabendo que até mesmo a sugestão o machucaria bastante. Na maioria das vezes ela fazia tudo que podia para manter os dois separados. Ele se afastou antes que ela pudesse dizer alguma coisa, e puxou aberta a grade do elevador. “Eu te amo, Clary”, ele disse, sem olhar para ela. Ele estava olhando para dentro da igreja, para as fileiras de velas iluminadas, seus reflexos dourados refletidos em seus olhos. “Mais do que eu jamais—“ Ele se interrompeu. ”Deus. Mas do que eu provavelmente deveria. Você sabe disso, não é?” Ela saiu do elevador e se virou para encará-lo. Havia uma centena de coisas que ela queria dizer, mas ele já estava olhando para longe dela, empurrando o botão que traria o elevador de volta ao piso do Instituto. Ela começou a protestar, mas o elevador já estava se movendo, as portas fechando atrás, enquanto ele chacoalhava seu caminho de volta acima. Elas fecharam com um clique e ela olhou para elas por um momento; o Anjo estava pintado na superfície dele, asas estendidas, olhos elevados. O Anjo estava pintado sobre tudo. Sua voz ecoou dissonantemente no salão vazio quando ela falou.
  43. 43. “Eu também te amo”, ela disse.
  44. 44. Capítulo 3 SETE VEZES “SABE O QUE É IMPRESSIONANTE?” ERIC DISSE, BAIXANDO suas baquetas. “Ter um vampiro na nossa banda. Isso é a coisa que realmente vai nos levar para o topo.” Kirk, abaixando o microfone, rolou seus olhos. Eric sempre estava falando sobre colocar a banda no topo, e até então nada tinha acontecido. O melhor que eles tinham feito foi uma apresentação na Knitting Factory, e apenas quatro pessoas tinham ido. E uma delas tinha sido a mãe de Simon. “Eu não vejo como isso pode nos levar para o topo se não somos permitidos dizer a alguém que ele é um vampiro.” “Que pena”, Simon disse. Ele estava sentado em uma das caixas de som, próximo a Clary, que estava absorvida enviando um texto para alguém, provavelmente Jace. “Ninguém iria acreditar de qualquer forma, por que veja — aqui estou eu. Daylight.” Ele levantou seus braços para indicar o sol se derramando através dos buracos no teto da garagem de Eric, que era o atual local de ensaio deles. “Isso dá algum impacto em nossa credibilidade.” Matt disse, puxando seu brilhante cabelo ruivo para fora de seus olhos e olhando de esguelha para Simon. “Talvez nós pudéssemos usar presas falsas.” “Ele não precisa de presas falsas”, Clary disse irritada, baixando seu celular. “Ele tem presas de verdade. Vocês as viram.” Era verdade. Simon tinha posto para fora suas presas, quando revelou as
  45. 45. novidades para a banda. Primeiro eles tinham pensado que ele tinha tido um ferimento na cabeça, ou um colapso mental. Depois que ele tinha mostrado as presas para eles, eles mudaram de ideia. Eric tinha até mesmo admitido que ele não estava particularmente surpreso. “Eu sempre soube que havia vampiros, cara”, ele tinha dito. “Porque, você sabe como há pessoas que você conhece, como sempre parecem as mesmas, mesmo quando elas estão, tipo, uma centena de anos de idade? Como David Bowie? Isso é por que elas são vampiros.“ Ele tinha deixado de lado de lhes dizer que Clary e Isabelle eram Caçadoras de Sombras. Esse não era um segredo dele para se contar. Nem eles sabiam que Maia era uma lobisomem. Eles sabiam apenas que Maia e Isabelle eram as duas garotas gatas que tinham, inexplicavelmente, concordado em namorar Simon. Eles tomaram isso no que Kirk chamava de seu magnetismo sexy de vampiro. Simon realmente não se importava do que eles chamavam isso, desde que eles nunca escorregassem e dissessem a Maia e a Isabelle de uma sobre a outra. Até agora ele tinha conseguido, com sucesso, convidá-las em apresentações alternadas, então elas nunca apareceram nas mesmas e ao mesmo tempo. “Talvez você pudesse mostrar as presas no palco?” Eric sugeriu. “Só, tipo, uma vez, cara. Um vislumbre para a multidão.” “Se ele fizesse isso, o líder dos vampiros da cidade de Nova York mataria todos vocês”, Clary disse. “Vocês sabem disso, certo?” Ela sacudiu sua cabeça na direção de Simon. “Eu não acredito que você disse a eles que é um vampiro”, ela adicionou, abaixando sua voz para que apenas Simon pudesse ouvir. “Eles são idiotas, no caso de você não ter notado.” “Eles são meus amigos”, Simon murmurou. “Eles são seus amigos, e eles são idiotas.” “Eu quero que as pessoas que eu gosto saibam a verdade sobre mim.” “Oh?” Clary disse, não muito gentil. ”Então quando você vai contar para sua mãe?” Antes que Simon pudesse responder, houve uma pancada alta na porta da garagem, e um momento depois ela deslizou, deixando que mais luz do outono se derramasse lá dentro. Simon olhou de esguelha, piscando. Era um reflexo, realmente, deixado de quando ele tinha sido humano. Não levava mais do que
  46. 46. um segundo para seus olhos se ajustarem a escuridão ou a luz. Havia um garoto em pé na entrada da garagem, as costas iluminadas pelo sol brilhante. Ele segurava um pedaço de papel em sua mão. Ele o olhou incerto, e então se voltou para a banda. “Ei”, ele disse. “Aqui é onde eu posso encontrar a banda Dangerous Stain8 ?” “Nós agora somos o Dichotomous Lemur9 ,” Eric disse, vindo a frente. “Quem quer saber?” “Eu sou Kyle”, disse o garoto, mergulhando sob a porta da garagem. Se endireitando, ele jogou para trás o cabelo castanho que caia sobre seus olhos e estendeu seu pedaço de papel para Eric. ”Eu vi que vocês estão procurando um cantor.” “Whoa”, Matt disse. “Nós colocamos esses folhetos, tipo, um ano atrás, eu me esqueci totalmente deles.” “Sim”, Eric disse. “Nós estávamos fazendo algumas coisas diferentes naquela época. Agora, na maior parte, desligamos os vocais. Você tem experiência?” Kyle — que era muito alto, Simon viu, embora de forma alguma desengonçado — deu de ombros. “Não de verdade. Mas digo que posso cantar.” Ele tinha uma dicção lenta, leve e pausada, mas a oeste do que ao sul. Os membros da banda olharam incertos um para o outro. Erik coçou atrás de sua orelha. “Você pode nos dar um segundo, cara?” “Claro”, Kyle mergulhou para fora da garagem, deslizando a porta fechada atrás dele. Simon podia ouvi-lo assobiando levemente do lado de fora. Soava como “She’ll Be Comin’ Round the Mountain.10 ” Também não estava bem afinado. “Eu não sei”, Eric disse. “Eu não tenho certeza de que podemos usar alguém novo agora. Porque, quero dizer, nós não podemos dizer a ele sobre essa coisa de vampiro, podemos?” “Não”, Simon disse. “Vocês não podem.” “Bem, pronto.” Matt deu de ombros. “É uma pena. Nós precisamos de um cantor. Kirk é uma droga. Sem ofensas, Kirk.” 8 Mancha perigosa. 9 Lêmure dicotômico. 10 Música do meio oeste do final século 19. Literalmente do velho oeste
  47. 47. “Dane-se”, Kirk disse. “Eu não sou uma droga.” “Sim, é.” Matt disse. “Você é uma grande droga, cabeluda —“ “Eu acho”, Clary interrompeu, levantando sua voz, ”que vocês deveriam deixá-lo tentar.” Simon olhou para ela. “Por quê?” “Por que ele é supergato”, Clary disse, para a surpresa de Simon. Ele não tinha estado enormemente ciente da aparência de Kyle, mas, talvez ele não fosse o melhor juiz para beleza masculina. ”E sua banda precisa de alguém com sex appeal.” “Obrigado”, Simon disse, “em nome de todos nós, muitíssimo obrigado.” Clary fez um barulho impaciente. “Sim, sim, todos vocês são caras encantadores. Especialmente você, Simon.” Ela deu um tapinha na mão dele. “Mas Kyle é gostoso como ‘whoa.’ Só estou dizendo. Minha opinião objetiva como uma mulher é que se vocês adicionarem Kyle em sua banda, vocês dobrarão sua base de fãs femininas.” “O que significa que nós teremos duas fãs femininas ao invés de uma.” Kirk disse. “Qual uma?” Matt pareceu genuinamente curioso. “A amiga da priminha do Eric. Qual o seu nome? Aquela que tem uma queda por Simon. Ela vem a todos os nossos shows e diz para todo mundo que ela é a namorada dele.” Simon piscou. “Ela tem treze anos.” “É o seu magnetismo sexy de vampiro em funcionamento, cara”, Matt disse. “As garotas não podem resistir a você.” “Ah, pelo amor de Deus”, Clary disse. “Não existe essa coisa de magnetismo sexy de vampiro.” Ela apontou um dedo para Eric. “E nem mesmo diga que Vampiro Sexy Mojo11 soa como um nome de banda ou eu—“ A porta da garagem se abriu. “Uh, caras?” Era Kyle de novo. “Olha, se vocês não querem me dar uma chance, tudo bem. Talvez vocês mudaram seu estilo, sei lá. Só me digam, e vou embora.” Eric ergueu sua cabeça de lado. “Entre e deixe a gente dar uma olhada em você.” 11 Mojo pode ser amuleto, feitiço, charme ou magnetismo. Traduzido como magnetismo sexy de vampiro.
  48. 48. Kyle entrou na garagem. Simon olhou para ele, tentando avaliar o que era que tinha feito Clary dizer que ele era gostoso. Ele era alto de ombros largos e magros, com maçãs do rosto altas, cabelo preto longo que caia sobre sua testa e abaixo em seu pescoço em cachos, e pele morena que não tinha perdido o bronzeado de verão ainda. Seus cílios longos e espessos sobre surpreendentes olhos verdes acinzentados o faziam parecer como uma bonita estrela do rock. Ele usava uma camiseta justa verde e jeans, e ambos os braços eram tatuados — sem marcas, apenas tatuagens comuns. Elas pareciam como um texto sinuoso ao redor de sua pele, desaparecendo nas mangas de sua camisa. Ok, Simon teve que admitir. Ele não era horrível. “Sabe”, Kirk disse finalmente, quebrando o silêncio. “Estou vendo. Ele é bem bonito.” Kyle piscou e se virou para Eric. “Então, vocês querem que eu cante ou não?” Eric pegou o microfone de seu suporte e o deu para ele. “Vá em frente”, ele disse. “Experimente.” ●●●● “Sabe, ele era realmente muito bom”, Clary disse. ”Eu estava meio que brincando sobre incluir Kyle na banda, mas ele realmente consegue cantar.” Eles estavam caminhando na Kent Avenue, em direção a casa de Luke. O céu tinha escurecido do azul para o cinza em antecipação ao crepúsculo, e nuvens pendiam baixas sobre o East River. Clary estava puxando uma de suas mãos com luva ao longo dos elos de uma cerca que os separava do aterro de concreto rachado, fazendo o metal chocalhar. “Você só está dizendo isso por que acha que ele é gato”, Simon disse. Ela fez um muxoxo. “Não tão gostoso. Não, como, o cara mais gostoso que eu já tenha visto.” O que, Simon imaginou, seria Jace, embora ela fosse legal o suficiente para não dizer. “Mas, honestamente, eu pensei que seria uma boa ideia tê-lo na banda. Se Eric e o resto deles não podem contar para ele que você é um vampiro, eles não podem contar para mais ninguém também. Finalmente isso
  49. 49. colocaria um fim nessa ideia estúpida.” Eles estavam próximos à casa de Luke; Simon podia ver do outro lado da rua, a janela iluminada contra o céu escuro. Clary parou em um buraco na cerca. “Se lembra quando nós matamos um bando de demônios Raum aqui?” “Você e Jace mataram alguns demônios Raum. Eu quase vomitei.” Simon se lembrou, mas sua mente não estava nisso, ele estava pensando em Camille, sentada em frente a ele no jardim, dizendo, ‘Você é amigo dos Caçadores de Sombras, mas você nunca pode ser um deles. Você sempre será o outro e o de fora’. Ele olhou de esguelha para Clary, se perguntando o que ela diria se dissesse a ela sobre seu encontro com a vampira, e sua oferta. Ele imaginou que ela provavelmente ficaria aterrorizada. O fato de que ele não podia ser ferido, não a tinha feito parar ainda de se preocupar sobre sua segurança. “Você não estaria assustado agora”, ela disse suavemente, como se lendo a mente dele. “Agora você tem a Marca.” Ela se virou para olhá-lo, ainda apoiada contra a cerca. “Alguém já notou ou perguntou sobre ela?” Ele sacudiu sua cabeça. “Meu cabelo a cobre, a maior parte, e de qualquer modo, ela apagou bastante. Vê?” Ele puxou seu cabelo de lado. Clary estendeu a mão e tocou sua testa e a escrita sinuosa da Marca lá. Seus olhos estavam tristes, como eles tinham estado naquele dia no Salão dos Acordos em Alicante, quando ela tinha entalhado a mais antiga das maldições do mundo na pele dele. “Ela dói?” “Não. Ela não dói.” ‘E Caim disse para o Senhor, Minha punição é maior do que posso suportar.’ “Sabe, eu não te culpo, sabia? Você salvou minha vida.” “Eu sei.” Seus olhos estavam brilhando. Ela baixou sua mão de sua testa e esfregou as costas de sua luva em seu rosto. ”Merda. Eu odeio chorar.” “Bem, é melhor você se acostumar.” Ele disse, e quando os olhos dela se arregalaram, ele adicionou precipitadamente. “Quero dizer, o casamento. É o que, próximo sábado? Todo mundo chora em casamentos.” Ela bufou. “A propósito, como está sua mãe e Luke?” “Insuportavelmente apaixonados. É horrível. Aliás—“ ela deu um tapinha no ombro dele. “Eu devo entrar. Te vejo amanhã?” Ele concordou. “Claro. Amanhã.”
  50. 50. Ele a observou enquanto ela corria para o outro lado da rua e acima nas escadas em frente à porta de Luke. Amanhã. Ele se perguntou há quanto tempo tinha sido desde que ele tinha ficado, mais do que uns poucos dias, sem ver Clary. Ele se perguntou sobre ser um fugitivo ou um errante sobre a Terra, como Camille tinha dito. Raphael tinha dito. ‘O sangue de teu irmão clama a mim da terra’. Ele não era Caim, o que tinha matado seu irmão, mas a maldição julgava que ele era. Era estranho, ele pensou, esperar por perder tudo, sem saber se isso aconteceria ou não. A porta se fechou atrás da Clary. Simon virou para ir a Kent, em direção a parada da linha G na Lorimer Street. Estava quase totalmente escuro agora, o céu acima, um espiral de cinza e preto. Simon escutou pneus frearem na estrada atrás dele, mas ele não se virou. Carros dirigiam muito rápido nesta rua o tempo todo, apesar das rachaduras e buracos. Não foi até que a van azul encostou ao lado dele e guinchou parando, que ele se virou para olhar. O motorista da van arrancou as chaves da ignição, desligando o motor, e jogou a porta aberta. Era um homem — um homem alto, vestido em um agasalho de capuz cinza e tênis, o capuz puxado tão baixo que ele escondia a maior parte de seu rosto. Ele saltou do assento do motorista, e Simon viu que havia uma faca longa e brilhante em sua mão. Antes Simon pensaria que ele deveria correr. Ele era um vampiro, mais rápido do que qualquer humano. Ele podia ultrapassar qualquer um. Ele devia ter corrido, mas ele estava também surpreso; ele ficou parado enquanto o homem, com a faca brilhando na mão, veio em direção a ele. O homem disse algo em uma voz baixa e gutural, alguma coisa em uma linguagem que Simon não entendeu. Simon deu um passo para trás. “Olha”, ele disse, alcançando seu bolso. “Você pode ficar com minha carteira—“ O homem investiu sobre Simon, mergulhando a faca em direção ao seu peito. Simon olhou para baixo em descrença. Tudo pareceu estar acontecendo muito lentamente, como se o tempo estivesse se esticando. Ele viu a ponta da faca próxima ao seu peito, a ponta amassando a ponta do couro de sua jaqueta — e então ela foi rente para o lado, como se alguém tivesse agarrado o braço de seu atacante e o puxado. O homem gritou enquanto ele era lançado acima no ar
  51. 51. como um fantoche sendo puxado por suas cordas. Simon olhou ao redor selvagemente — certo de que alguém deve ter escutado ou notado o alvoroço, mas ninguém surgiu. O homem se manteve gritando, se sacudindo violentamente, enquanto sua camisa se rasgava em frente, como se cortada por uma mão invisível. Simon olhou horrorizado. Imensas feridas estavam aparecendo no dorso do homem. A cabeça dele voou para trás e sangue jorrou de sua boca. Ele parou de gritar abruptamente — e caiu como se a mão invisível tivesse se aberto, o soltando. Ele bateu no chão e se quebrou como vidro estilhaçado em milhares de pedaços brilhantes que se esparramaram de um lado a outro da calçada. Simon caiu sobre seus joelhos. A faca que pretendia matá-lo, ao alcance do braço. Foi tudo o que foi deixado de seu atacante, salvo uma pilha de cristais cintilantes que já estavam começando a ser soprados no vento forte. Ele tocou um, cautelosamente. Era sal. Ele olhou para suas mãos. Elas estavam tremendo. Ele sabia o que tinha acontecido, e por que. ‘E o Senhor, porém, lhe disse, Portanto qualquer um que matar a Caim, vingança será colocada sobre ele sete vezes.’ Então isso era o que sete vezes parecia. Ele mal se levantou da sarjeta antes que se dobrasse e vomitasse sangue na rua. No momento em que ele abriu a porta, ele sabia que tinha calculado mal. Ele pensava que sua mãe estaria dormindo por agora, mas ela não estava. Ela estava acordada, sentada em um sofá de frente para a porta, seu telefone sobre a mesa ao lado dela, e ela viu o sangue sobre sua jaqueta imediatamente. Para sua surpresa ela não gritou, mas sua mão voou para sua boca. “Simon.” “Não é meu sangue”, ele disse rapidamente. ”Eu estava no Eric, e Matt teve um sangramento nasal—“ “Eu não quero ouvir isso.” O tom mordaz era um que ela raramente usava; isso o lembrou do modo que ela tinha falado durante aqueles últimos meses quando seu pai tinha estado doente, ansiedade como uma faca em sua voz. “Eu não quero ouvir mais nenhuma mentira.”
  52. 52. Simon largou suas chaves sobre a mesa ao lado da porta. “Mãe—“ “Tudo o que você faz é contar mentiras. Eu estou cansada disso.” “Isso não é verdade.” Ele disse, mas se sentiu enjoado, sabendo que era. “Eu só tenho muita coisa acontecendo na minha vida agora mesmo.” “Eu sei que tem.” Sua mãe ficou de pé; ela sempre tinha sido uma mulher magra, e ela parecia esquelética agora, seu cabelo preto da mesma cor como o dele, listrado com mais cinza do que ele tinha se lembrado, onde ele caia em torno de seu rosto. “Venha comigo, jovenzinho. Agora.” Confuso, Simon a seguiu para a pequena cozinha brilhante amarela. Sua mãe parou e apontou em direção ao balcão. “Importa-se de me explicar aquilo?” A boca de Simon ficou seca. Alinhadas ao longo da bancada como uma fileira de soldados de brinquedo, estavam as garrafas de sangue que tinham estado na minigeladeira dentro de seu armário. Uma estava meio cheia, as outras inteiramente cheias, o líquido vermelho nelas brilhando como uma acusação. Ela também tinha descoberto as sacolas vazias de sangue que ele tinha removido e cuidadosamente empurrado dentro de uma sacola do shopping antes de descarregá-las em sua lixeira. Elas também estavam espalhadas sobre a bancada, como uma decoração grotesca. “Primeiro eu pensei que as garrafas eram vinho”, Elaine Lewis disse em uma voz trêmula. “Então eu descobri as sacolas. Então eu abri uma das garrafas. É sangue, não é?” Simon não disse nada. A voz dele pareceu ter fugido. “Você tem estado agindo tão estranho ultimamente”, sua mãe continuou. “Fora toda hora, você nunca come, você mal dorme, você tem amigos que eu nunca conheci, nunca ouvi. Você acha que eu não posso dizer quando você está mentindo para mim? Posso dizer, Simon. Eu pensei que talvez você estava nas drogas.” Simon encontrou sua voz. “Então você revistou o meu quarto?” Sua mãe corou. “Eu tive! Eu pensei — eu pensei que se eu encontrasse drogas lá, eu poderia ajudá-lo, colocar você em um programa de reabilitação, mas isso?” Ela gesticulou nervosamente para as garrafas. “Eu nem mesmo sei o que pensar sobre isso. O que está acontecendo, Simon? Você entrou em algum tipo de culto?”
  53. 53. Ele sacudiu sua cabeça. “Então me diga”, sua mãe disse, seus lábios tremendo. “Por que as únicas explicações que eu posso pensar são horríveis e doentias. Simon, por favor —“ “Eu sou um vampiro”, Simon disse. Ele não tinha ideia de como ele tinha dito isso, ou mesmo o porquê. Mas lá estava. As palavras perduraram no ar entre eles como gás envenenado. Os joelhos de sua mãe pareceram ceder, e ela afundou na cadeira da cozinha. “O que você disse?”, ela respirou. “Eu sou um vampiro”, Simon disse. “Eu tenho sido um por cerca de dois meses agora. Eu lamento não ter dito a você antes. Eu não sabia como.” O rosto de Elaine Lewis era um branco giz. “Vampiros não existem, Simon.” “Sim”, ele disse. “Eles existem. Olhe, eu não pedi para ser um vampiro. Eu fui atacado. Eu não tive uma escolha. Eu mudaria isso se eu pudesse.” Ele pensou freneticamente no panfleto que Clary tinha dado a ele há tanto tempo atrás, um sobre sair do armário para seus pais. Tinha sido como uma analogia engraçada então, agora, isso não era. “Você pensa que é um vampiro”, a mãe de Simon disse entorpecida. “Você acha que bebe sangue.” “Eu bebo sangue”, Simon disse. “Eu bebo sangue animal.” “Mas você é vegetariano.” Sua mãe pareceu estar à beira das lágrimas. “Eu era. Não sou agora. Não posso ser. Sangue é do que eu vivo“, a garganta de Simon pareceu apertar. “Eu nunca machuquei ninguém. Nunca bebi sangue de ninguém. Eu ainda sou a mesma pessoa. Eu ainda sou eu.” Sua mãe pareceu lutar para se controlar. “Seus novos amigos — eles são vampiros, também?” Simon pensou em Isabelle, Maia, Jace. Ele não poderia explicar os Caçadores de Sombras e lobisomens, também. Era demais. “Não, Mas — eles sabem que eu sou um.” “Eles — eles te deram drogas? Fizeram você tomar alguma coisa? Algo que faria você ter alucinações?” Ela pareceu mal ter escutado sua resposta. “Não, mãe, isso é a verdade." “Isso não é verdade”, ela sussurrou. “Você acha que é verdade. Oh, Deus,

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