T. informativas pdf

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T. informativas pdf

  1. 1. Artigo Original Tecnologias educativas no contexto escolar: estratégia de educação em saúde em escola pública de Fortaleza-CE1 Educational technology in the school context: strategy for health education in a public school in Fortaleza-CE Tecnología educativa en el contexto escolar: estrategia para la educación en salud en una escuela pública en Fortaleza-CE Fabiane do Amaral GubertI, Ana Carolina Lobo dos SantosII, Katiana Araújo AragãoIII, Dayse Christina Rodrigues PereiraIV, Neiva Francenely Cunha VieiraV, Patricia Neyva da Costa PinheiroVI1 Tecnologia Educacional e os modelos de educação em saúde nas ações de enfermagem e promoção da saúde. CNPq.I Enfermeira. Discente do Mestrado em Enfermagem da Universidade Federal do Ceará (UFC), bolsista CAPES. Email:fabianegubert@hotmail.com.II Estudante de graduação em Enfermagem da UFC, bolsistas de iniciação científica. Email: carolina.acls@yahoo.com.br.III Estudante de graduação em Enfermagem da UFC, bolsistas de iniciação científica. Email: katian22@hotmail.com.IV Estudante de graduação em Enfermagem da UFC. Email: daysechristina@oriontelecom.com.br.V Enfermeira. PhD em Educação em Saúde; Docente do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da UFC. Diretora da Faculdade deFarmácia Odontologia e Enfermagem da UFC. Email: neivafrancenely@hotmail.com.VI Enfermeira. Doutora em Enfermagem; Docente do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da UFC. Email:neyva.pinheiro@yahoo.com.br.RESUMOO objetivo deste estudo é abordar o uso de tecnologias educativas como estratégia de educação em saúde junto aadolescentes no contexto escolar. A coleta de dados ocorreu entre abril e maio de 2007 em uma escola pública municipal nacidade de Fortaleza-CE, por meio de um ciclo de quatro oficinas educativas realizadas com 30 adolescentes. As oficinastiveram o intuito promover a reflexão/ação junto aos participantes sobre as temáticas: sexualidade, gênero, DST/AIDS emétodos contraceptivos. Estudo do tipo pesquisa-ação, de abordagem qualitativa, apoiado no Modelo Pedagógico de PauloFreire. Os resultados evidenciaram lacunas no conhecimento quanto às formas de infecção pelas DST e uso adequado demétodos contraceptivos. Outro dado refere-se às questões de gênero que parecem influenciar na qualidade de vida dosjovens do estudo. O uso de tecnologias educativas pôde despertar entre os adolescentes, um repensar sobre a vivência dasaúde sexual e reprodutiva a partir das vulnerabilidades percebidas. Recomendamos a partir dos achados, que as atividadesde prevenção às DST/AIDS no âmbito da escola, rompam com a visão heterossexista, normativa e biologicista. Nessecontexto, a Enfermeira deve produzir/readequar novas tecnologias educativas que favoreçam o processo educação em saúde,valorizando as habilidades e aspirações dos adolescentes.Descritores: Adolescência; Promoção da saúde; Tecnologia educacional; Educação em saúde.ABSTRACTThis study addressed the use of educational technology as a strategy for health education among the teenagers in the school.Data collection occurred between April and May of 2007 in a public school in the city of Fortaleza-CE, through a cycle of foureducational workshops held with 30 teenagers. The workshops had the intent to promote discussion / action from theparticipants on the themes: sexuality, gender, STD/AIDS and contraceptive methods. Study of research-action type ofqualitative approach, backed by the pedagogical model of Paulo Freire. The results showed gaps in knowledge about the waysto infection by STDs and appropriate use of contraceptive methods. Another relates to issues of gender that seem to influencethe quality of life of young people in the study. The use of educational technologies could arouse among adolescents, arethink on the experience of sexual and reproductive health from the perceived vulnerabilities. According to the findingsrecommend that the activities of STD/AIDS prevention within the school, break with the vision heterossexist, normative andbiological. In this context, the nurse should produce/readjust new technologies that support the educational process in healtheducation, valuing the skills and aspirations of adolescents.Descriptors: Adolescents; Promotion of health; Educational technology; Health Education.RESUMENEste estudio se dirigió a la utilización de la tecnología educativa como una estrategia de educación para la salud entre losadolescentes en la escuela. El estudio se llevó a cabo entre los meses de abril y mayo de 2007 en una escuela pública en laciudad de Fortaleza-CE, a través de un ciclo de cuatro talleres educativos con 30 adolescentes. Los talleres tuvieron laintención de promover el debate y acción de los participantes sobre los temas: sexualidad, género, ETS/sida y los métodosanticonceptivos. Estudio de investigación-acción tipo de enfoque cualitativo, respaldado por el modelo pedagógico de PauloFreire. Los resultados mostraron lagunas en los conocimientos acerca de las maneras a la infección por enfermedades detransmisión sexual y el uso adecuado de métodos anticonceptivos. Otro se refiere a las cuestiones de género que pareceninfluir en la calidad de vida de los jóvenes en el estudio. El uso de tecnologías de la educación podría despertar entre losadolescentes, un replanteamiento de la experiencia de la salud sexual y reproductiva de la percepción de vulnerabilidad.Según las conclusiones recomiendan que las actividades de ETS/SIDA dentro de la escuela, romper con la visiónheterossexista, normativo y biológicas. En este contexto, la enfermera debe producir/reajustar las nuevas tecnologías queapoyen el proceso educativo en la educación para la salud, la valoración de las aptitudes y las aspiraciones de losadolescentes.Descriptors: Adolescencia; Promoción de la salud; Tecnología educacional; educación en salud.Rev. Eletr. Enf. [Internet]. 2009;11(1):165-72. Available from: http://www.fen.ufg.br/revista/v11/n1/v11n1a21.htm. [165]
  2. 2. Gubert FA, Santos ACL, Aragão KA, Pereira DCR, Vieira NFC, Pinheiro PNC. Tecnologias educativas no contexto escolar: estratégia de educação em saúde em escola pública de Fortaleza-CE.INTRODUÇÃO homem deve representar um papel ativo e a mulher A escola é considerada espaço crucial para o não devem pensar muito na sexualidade, contribuidesenvolvimento de conhecimentos e habilidades para uma representação espontaneísta do sexo,junto aos seus integrantes e comunidade, visando à convertendo em uma dificuldade de negociar e segarantia de mudanças de comportamento, além de prevenir das DST, pois o sexo é relegado a algo quecongregar por um período importante, crianças e não precisa ser discutido e muito menos planejado.adolescentes numa etapa crítica de crescimento e Diante da atual política de atenção a saúdedesenvolvimento. sexual e reprodutiva de adolescentes, a maioria dos A população escolar destacando adolescentes serviços de saúde, destacando a atenção primária àentre 11 e 19 anos, adoece menos que outros grupos saúde, não possuem ações voltadas especificamenteetários e, de fato, tem taxas de morbidade e para essa população, particularmente na abordagemmortalidade mais baixas que da população em geral. da sexualidade numa perspectiva ampliada, queMas um olhar mais aprofundado evidencia aumento considere a orientação sexual, as questões deno número de infecções por DST e HIV, que gênero, vulnerabilidades e não meramente a esferaassociados a fatores socioeconômicos e culturais, biológica/reprodutiva(6).têm profundas repercussões na qualidade de vida No entanto é preciso incorporar que o conceitodessa população(1). de saúde reprodutiva está associado ao de promoção Consideramos que a adolescência é uma etapa da saúde, e em todos os aspectos do sistemacrucial do desenvolvimento do indivíduo, e marca não reprodutivo, suas funções e processos, implicandosó a aquisição da imagem corporal definitiva como que a pessoa possa ter uma vida sexual segura,também a estruturação final da personalidade. A satisfatória e liberdade para decidir sobre suaOrganização Mundial da Saúde - OMS considera a sexualidade. Isto inclui igualmente a saúde sexual,adolescência como a segunda década da vida, de 10 cuja finalidade é a melhoria da qualidade de vida ea 19 anos. Já a lei brasileira considera adolescência a das relações pessoais e não apenas a assistênciafaixa etária de 12 a 18 anos; assim, há uma relativa à reprodução e às DST. A saúde sexualdivergência entre a fixação etária do Estatuto da possibilita experimentar a sexualidade de formaCriança e do Adolescente - ECA e da OMS, também agradável e segura, baseada na auto-estima, queadotada pelo Ministério da Saúde(2). implica numa abordagem positiva da sexualidade A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - humana e no respeito mútuo nas relações sexuais(7).PNAD do ano de 2006, evidencia que quase metade Resgatando os conceitos de Educação em(49,6%) das famílias brasileiras, conta com, pelo Saúde, Naiddo e Wills(8) referem que esta é umamenos, um de seus componentes com idade de até aprendizagem sobre saúde, que envolve a14 anos. Destaca também, crescimento na taxa de capacidade permanente ou disposição para mudançaadolescentes que freqüentam a escola na última de cada sujeito. A educação em saúde também édécada, atingindo, em 2005, 81,7%(3). compreendida como atividade principal da promoção Em relação às questões sexuais e reprodutivas, da saúde para desenvolver autonomia,32,8% dos adolescentes brasileiros, com faixa etária responsabilidade das pessoas e comunidades comentre 12 e 17 anos, já haviam tido relações sexuais. sua saúde, além de ser uma prática social crítica eDestes, 61% eram homens e 39% mulheres. transformadora amplamente utilizada na prevençãoContudo, 9,5% de adolescentes entre 15 e 19 anos às DST/HIV/AIDS.(82% mulheres e 18% homens) vivenciam algum Nessa perspectiva, buscando implementar açõestipo de união, com vida sexual(4). Realidade, muitas de educação em saúde, as tecnologias são processosvezes, permeada pelo despreparo e inabilidade dos concretos que, a partir de uma experiência cotidianaadolescentes frente a essas temáticas, acrescentado e da pesquisa, podem desenvolver um conjunto deà falta de conhecimentos específicos. atividades que serão produzidas e controladas pelos Ainda nesse contexto Brandão e Heilborn(5) seres humanos, podendo ser veiculados comoreferem que a primeira relação sexual não é um artefatos ou como saberes (estruturados),evento sistematicamente planejado com sistematizados e com controle de cada passo doantecedência. A maioria dos jovens quando processo. A tecnologia, então, contribui para produzirindagados sobre suas primeiras expectativas no conhecimentos a serem socializados, para dominarmomento do primeiro intercurso sexual divergem processos e produtos, a fim de transformar aclaramente em suas opiniões. Os homens adotam a utilização empírica em uma abordagem científica(9).ideologia da masculinidade e as mulheres da As tecnologias neste estudo se referem àspassividade, ou seja, a mulher não espera que a estratégicas educacionais utilizadas para estimularprimeira relação sexual ocorra tão precocemente. comportamentos saudáveis através da aprendizagem Essa divergência, características da de habilidades para os cuidados da saúde nointeriorização dos papéis de gênero, na qual o enfrentamento do processo de saúde-doença entreRev. Eletr. Enf. [Internet]. 2009;11(1):165-72. Available from: http://www.fen.ufg.br/revista/v11/n1/v11n1a21.htm. [166]
  3. 3. Gubert FA, Santos ACL, Aragão KA, Pereira DCR, Vieira NFC, Pinheiro PNC. Tecnologias educativas no contexto escolar: estratégia de educação em saúde em escola pública de Fortaleza-CE.adolescentes, nos agravos que requerem mudanças concedidos pelos professores, com o consentimentopermanentes ou temporárias e na percepção de risco da direção da escola.e/ou vulnerabilidade frente às DST/HIV/AIDS e Para alcançarmos os objetivos propostos,gravidez precoce. registramos as informações em um diário de campo, Diante do exposto, o objetivo deste estudo é com dados pertinentes às oficinas e observação dasabordar o processo de educação em saúde através pesquisadoras. A primeira fase do estudodo uso de tecnologias educativas junto a caracterizou-se pela observação e escuta dosadolescentes no contexto escolar. Em vista disso, adolescentes a partir de uma roda de conversas paraadvogamos uma educação transformadora que, se obter uma visão do interesse do grupo eresponda às necessidades dos participantes, e, venha apresentação dos objetivos do Projeto. Porcolaborar com a experimentação de novas conseguinte, os adolescentes tiveram um debateabordagens educativas da enfermeira no âmbito sobre as temáticas que mais lhe interessavam,escolar, bem como, a criação de instrumentos voltados à Saúde Sexual e Reprodutiva. Sendotecnológicos efetivos que possam favorecer o cuidado assim, o trabalho se deu a partir do processode enfermagem em relação à saúde do adolescente. dialético entre o diálogo e elaboração das vivências relacionadas à sexualidade.MÉTODO Em seguida, passamos a desenvolver as oficinas O estudo é do tipo pesquisa-ação, numa educativas apoiadas no Círculo de Cultura,perspectiva qualitativa, apoiado no Modelo abordando as temáticas escolhidas pelosPedagógico de Paulo Freire - Ciclo de Cultura. A adolescentes. Optou-se por utilizar a metodologia depesquisa-ação é uma pesquisa social com base Oficinas em dinâmica de grupo, prática deempírica realizada em estreita associação com uma intervenção psicossocial adaptável a diversosação ou com a resolução de um problema coletivo e contextos. A Oficina tem suas bases e forma dena qual os pesquisadores e os participantes, organização originárias da pesquisa-ação, gruposrepresentativos da situação ou do problema, estão operativos e pedagogia da autonomia(11).envolvidos de modo cooperativo e participativo(10). A realização das oficinas deu-se através da O Círculo de Cultura foi utilizado com intuito de Análise da Demanda – Levantamento; Pré-análise dacontribuir para a promoção de conhecimento, Problemática do Contexto e do Grupo –reflexão e decisão dos adolescentes no ato de cuidar- Planejamento; Levantamento dos Temas-Geradoresse e serem protagonistas. Nesta perspectiva, o e Definição do Foco – Execução e Avaliação. Destamétodo de Paulo Freire permite aos participantes e forma, as oficinas educativas tiveram as seguintespesquisadores, elaborar processos de conhecimento etapas:e ação a partir de suas reais necessidades, e em 1. Levantamento: necessidades dosconjunto, articular alternativas para resolvê-los, adolescentes, tendo em vista as prioridades,facilitando o processo de cuidado(11). detectadas no momento de apresentação inicial. A definição do campo de estudo surgiu a partir Como forma de conhecermos suas expectativas,da inserção das autoras em um Projeto de Extensão os adolescentes escreveram questões queUniversitária intitulado: “AIDS: Educação e gostariam de discutir, colocando-as semPrevenção”, promovido pelo Departamento de identificação em uma caixa para debate;Enfermagem da Universidade Federal do Ceará-UFC; 2. Planejamento: ciclo de quatro oficinas, nase do projeto de pesquisa “Tecnologia Educacional e quais utilizamos técnicas de sensibilização,os modelos de educação em saúde nas ações de dinamização, comunicação e reflexão, a fim deenfermagem e promoção da saúde”, cadastrado no propiciar a formação de vínculo grupal;Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e 3. Execução: implementação das oficinas,Tecnológico-CNPQ, processo 409365/2006-8. divididas em temas centrais: Sexualidade, O estudo foi realizado numa escola pública Gênero, DST e AIDS, incluindo o uso de métodosmunicipal localizada em Fortaleza-CE. Consistiu na contraceptivos. Esta etapa baseou-se emapresentação do Projeto à direção da instituição e exposição dialogada e uso de materiaisescolha da série a ser trabalhada. Convidamos uma educativos preconizados pelo Ministério daturma de 30 alunos, com faixa etária de 14 a 18 Saúde.anos, cursando o segundo ano do ensino médio, para 4. Avaliação: desenvolvimento de umaparticiparem das atividades, por indicação da própria tecnologia leve, por meio da confecção de umescola. Cada oficina teve média de 25 a 30 material educativo - Fanzine, construído pelosparticipantes. adolescentes, levando em consideração os A coleta de dados ocorreu entre os meses de conhecimentos e habilidades adquiridos naabril e maio de 2007 a partir de encontros semanais, intervenção. O material é originado daintegrados com as atividades de aula, em momentos abreviação de fanatic magazine, semelhante aRev. Eletr. Enf. [Internet]. 2009;11(1):165-72. Available from: http://www.fen.ufg.br/revista/v11/n1/v11n1a21.htm. [167]
  4. 4. Gubert FA, Santos ACL, Aragão KA, Pereira DCR, Vieira NFC, Pinheiro PNC. Tecnologias educativas no contexto escolar: estratégia de educação em saúde em escola pública de Fortaleza-CE. uma revista, é uma publicação despretensiosa e mudanças no corpo, principalmente nas meninas, artesanal, feita com diversos materiais artísticos. segundo os próprios adolescentes. As concepções de Engloba vários temas, com especial incidência sexualidade parecem estar relacionadas ao contexto de histórias em quadrinhos(12) . cultural, visto que grande maioria possui as mesmas Para representarmos os achados do estudo, concepções a respeito e que estas são comuns entrecategorizamos os acontecimentos pertinentes à outros adolescentes que conhecem(5).implementação das oficinas educativas, por meio de Para Heilborn(14) essas concepções podem influirduas etapas: o inventário, que é o ato de isolar os sobre os sentimentos e atitudes entre meninos eelementos presentes nas falas dos adolescentes; e a meninas na primeira relação sexual. Para asclassificação, que é a divisão de forma organizada mulheres o que motiva é o amor, seguido dados elementos de mensagem(13). curiosidade, e por último o prazer, sobretudo entre Os resultados são apresentados em quatro as adolescentes de 15 anos ou menos. A autoracategorias oriundas das oficinas educativas: defende a trilogia feminina medo-dor-nervosismo,Sexualidade; Questões de gênero; Dialogando sobre sugerindo que as mulheres têm pouco ou nenhumDST e AIDS e Conhecimento dos adolescentes sobre controle sobre o acontecimento, correspondente aosmétodos contraceptivos, categoria na qual homens ao nervosismo-excitação-satisfação, queapresentamos a produção do Fanzine. exprime uma realidade inteiramente diferente. Destacamos que, o presente projeto foi Nessa perspectiva, a enfermeira deve esclareceraprovado pelo comitê de ética em Pesquisa da sobre as mudanças ocorridas, o que favorece aUniversidade Federal do Ceará-UFC, Protocolo aceitação desses, em meio às transformações daNo.08/07, atendendo a Resolução n° 196/96 do adolescência, reduzindo sentimentos de vergonha eConselho Nacional de Saúde, destacando o item IV, constrangimento em relação ao corpo. Esse fato podeno qual se refere ao termo de consentimento livre e incidir na prevenção as DST/HIV/AIDS na medida emesclarecido. que o adolescente desenvolve a auto-estima e percebe com mais atitude seu contexto deRESULTADOS E DISCUSSÃO vulnerabilidade. Diante do contexto descrito, acreditamos queSexualidade na voz dos adolescentes enfermeiro deve dialogar abertamente sobre o A estratégia inicial consistiu na formulação de assunto, não de forma moralista, mas respeitando asperguntas que contemplassem as dúvidas dos diferenças culturais e os direitos sexuais eadolescentes. A idéia teve o propósito de despertar reprodutivos dos adolescentes e expondo asos jovens a uma reflexão crítica e problematizadora, repercussões da vivência da sexualidade. Sendo apermitindo que os saberes individuais fossem enfermeira integrante da equipe de saúde da famíliacoletivizados numa experiência comum. e tendo como espaço de atuação a escola, deve Ao resgatarmos as narrativas oriundas das abordar junto a sua clientela as questões sexuaisperguntas formuladas e respondidas pelos muito além do aspecto biológico, e reconhecendoadolescentes, percebemos incertezas quanto à idade outros fatores que incidem na antecipação da vidapara a iniciação sexual. Além disso, teceram sexual, considerando o contexto socioeconômico econjecturas errôneas sobre a relação sexual e as cultural no qual estes adolescentes estão inseridos.modificações no corpo. Algumas falas dosparticipantes evidenciam inconsistências nos saberes Discutindo sobre as questões de gênerosobre estas temáticas, realidade que pode vir a ter Para despertarmos a discussão entre osinfluência na vivência da sexualidade, como adolescentes sobre a temática, foram distribuídas 11observamos nos discursos a seguir: frases, entre dois grupos divididos em meninos eA iniciação sexual aos doze anos de idade é cedo ou meninas, as quais surgiram a partir de algunstarde? depoimentos, sugeridos informalmente pelos-È cedo, porque o organismo não ta preparado; adolescentes durante as oficinas. Para instigar a-Isso depende de cada um problematização entre os adolescentes ambos-Se for por amor, porque não? receberam as mesmas frases.Porque as mulheres botam mais corpo depois da 1ª Para desenvolver no grupo uma maior percepçãorelação? quanto às questões de gênero, instruímos o grupo a-Tem gente que sabe se mulher é virgem só pelo classificar as frases como inerentes ao sexo femininocorpo ou masculino, à medida que as opiniões de meninas-Tem gente que diz: deu tanto que colocou corpo e meninos, acerca do mesmo assunto, convergiam.-Se deu com o produto, todo mundo aqui fala isso! Após a realização da dinâmica, procedemos a Percebe-se que há uma preocupação com a uma grande roda de discussão, onde os gruposidade da iniciação sexual e sua ligação com poderiam refletir sobre a temática. Os meninosRev. Eletr. Enf. [Internet]. 2009;11(1):165-72. Available from: http://www.fen.ufg.br/revista/v11/n1/v11n1a21.htm. [168]
  5. 5. Gubert FA, Santos ACL, Aragão KA, Pereira DCR, Vieira NFC, Pinheiro PNC. Tecnologias educativas no contexto escolar: estratégia de educação em saúde em escola pública de Fortaleza-CE.atribuíram à maioria das frases como pertinentes a protagonismo dessa população frente à sua vida,ambos os sexos, enquanto as meninas classificaram- fortalecendo o diálogo com os pais, escola, familiaresnas como exclusivas do sexo masculino. e a construção de políticas públicas integrais, Na divisão das falas, percebe-se que, para os voltadas para o empoderamento dos adolescentes(15).adolescentes do sexo masculino, as questões Sob esse olhar é preciso repensar essasrelativas à necessidade de terem várias relações questões, travando esse diálogo nos diversossexuais e conduzirem o ato sexual, é sinônimo de espaços da sociedade, inclusive, expandindo essavirilidade. A questão emocional foi abordada e atitude para todo o entorno escolar, por estedescrita, pelos meninos, como inaceitável e exclusiva agregar, em um grande espaço e tempo, crianças edo sexo feminino. Quanto ao uso do preservativo os adolescentes, o que conseqüentemente torna ameninos se caracterizaram como responsáveis. A escola um ambiente propício para provocarseguir, alguns dos depoimentos que refletem a mudanças em nossa sociedade.opinião dos meninos, diante de atitudes consideradas Na prática, a oficina pode estimular osinerentes ao sexo masculino. adolescentes à reflexão acerca de determinadasEstá sempre com desejo e pronto para o sexo crenças que permeiam a sexualidade, envolvendo asNão pode mostrar seus sentimentos questões de gênero, em uma dimensão, até entãoDeve tomar a iniciativa no uso do preservativo e tê-lo despercebida, em que homens e mulheres têm iguaissempre consigo direitos e responsabilidades na vida sexual e na vidaDeve começar sua vida sexual o mais cedo possível como um todo, sendo sua única diferença, Reportando às colocações feitas pelas meninas, meramente, biológica.observa-se consentimento, diante das questõesrelatadas como masculinas, com a idéia de que o Dialogando sobre DST e AIDShomem deve conduzir o ato sexual. Elas Para discutirmos sobre as DST, iniciamos com aacrescentam, também, que devido as suas apresentação de folderes veiculados pelo Programanecessidades fisiológicas serem mais proeminentes, Nacional de DST/AIDS, contendo informações sobresão os homens que devem excitar a parceira até o as doenças e formas de contágio, além de álbumclímax sexual. As adolescentes ainda referiram que o seriado ilustrado. Tais materiais, em conjunto com asuso do preservativo deve ser de iniciativa do sexo informações discutidas pelo grupo, favoreceram ooposto. processo de comunicação entre os adolescentes e as A seguir algumas narrativas das meninas: pesquisadoras acerca de DST e AIDS.Deve ser ativo durante o sexo No decorrer da discussão, observamos que osDeve tomar a iniciativa do uso do preservativo e tê-lo adolescentes possuem conhecimentos relacionadossempre consigo aos sinais e sintomas das DST, restritos à patologia,É responsável pela excitação e pelo orgasmo mas não demonstram preocupação quanto aoÉ responsável em caso de gravidez contágio e prevenção das doenças. A dificuldade deDeve sempre tomar a iniciativa da relação sexual se verem como indivíduos suscetíveis faz com que Os achados do estudo corroboram com pesquisa fiquem em situação de vulnerabilidade. Osrealizada em 406 adolescentes de 15 a 19 anos de adolescentes demonstraram, em seus discursos,idade(14), visto que as mulheres do estudo alguns entraves e inconsistências no que diz respeitomostraram-se mais vulneráveis às DST/AIDS, pois às infecções:substituíram o preservativo masculino por outros Como é feito o tratamento da sífilis e se curamétodos na última relação sexual colocando o amor totalmente?como categoria de proteção, enquanto os homens -È aquela que tem escorrimento?permaneceram utilizando largamente o condom, -A pessoa tem febre?provavelmente por estarem inseridos em -Toda DST tem escorrimento?relacionamentos não estáveis. -E pelo beijo pega? Eu acho que não Diante da realidade vivida pelos adolescentes, é -Se tratar no inicio pode ter cura, eu achonítida a ambigüidade, nos papéis de gênero, na visão Diante dos vários depoimentos e apesar dados participantes do estudo, visto que, algumas maioria dos adolescentes ter informações acerca dascolocações, inerentes a homens e a mulheres, medidas de prevenção das DST/AIDS, essedefinidas pelo grupo, foram concebidas como conhecimento ainda não parece ser suficiente paraprioritariamente masculinas, evidenciando certo assegurar comportamentos sexuais seguros. A maiorcontrole e desvalorização da sexualidade feminina, o parte desse conhecimento é proveniente daque de certa forma, aumenta sua vulnerabilidade. televisão, Internet e amigos e consiste em umNessas circunstâncias, constatamos que, são conhecimento, muitas vezes superficial, semnecessárias transformações na educação sexual dos conseguir sensibilizá-los sobre o risco das inúmerasadolescentes, com o objetivo de incentivar oRev. Eletr. Enf. [Internet]. 2009;11(1):165-72. Available from: http://www.fen.ufg.br/revista/v11/n1/v11n1a21.htm. [169]
  6. 6. Gubert FA, Santos ACL, Aragão KA, Pereira DCR, Vieira NFC, Pinheiro PNC. Tecnologias educativas no contexto escolar: estratégia de educação em saúde em escola pública de Fortaleza-CE.doenças sexualmente transmissíveis e de adoção de praticamente 100% dos jovens brasileiros (de 15 aum comportamento seguro(16). 24 anos) conhecem algum método não refletindo, no A incidência das DST/AIDS tem aumentado na entanto, no modo correto de uso.população em geral, sendo que entre adolescentes o O preservativo masculino foi o mais referidonúmero de contaminados está cada vez maior. Esse entre meninos e meninas, o que pode estarcrescimento pode ser resultado da percepção errônea relacionado tanto à sua utilização como forma deque, ainda hoje, grande parte da população tem de prevenção da gravidez como à forte influência dasnão ser vulnerável a adquirir qualquer infecção, campanhas de prevenção das DST/AIDS. Contudo, asdevido à presença da atitude que reforça a idéia e mulheres apresentaram maiores percentuais derisco que o problema DST/AIDS nunca vai acontecer conhecimento em todos os métodos pesquisados, ocomigo(17). que provavelmente reflete a tradição do uso de Outro fato remete-se a crescente feminização contracepção como exclusiva atribuição feminina.da epidemia, sobretudo, entre mulheres mais jovens Apesar dos conhecimentos, os adolescentese pobres, com menor acesso à medidas assistenciais relataram dificuldades no uso, principalmente ligadase educativas preventivas, tendo em mente, ainda, ao preservativo. Corroborando com os achados doque estudos demonstram que grande parte dos estudo no que se refere aos entraves, outra pesquisaindivíduos que vivem com HIV/AIDS, na atualidade, realizada, com jovens que usam irregularmente apossivelmente, a contraíram ainda na adolescência. contracepção, revelam atitudes negativas, tais como A prevenção da AIDS, bem sucedida (ou seja, o medo de interferência no desempenho sexual e medoque levaria à responsabilidade em relação ao auto- de que pareça haver premeditação do ato(17,20).cuidado), tem demonstrado que requer três Dentre outras implicações, dificuldades sócio-elementos: informação/educação; serviços de saúde culturais no acesso à contracepção destaca-se oe sociais, bem e ambiente de apoio. Assim, a contexto cultural, religioso, mitos e crenças.vulnerabilidade pessoal aumenta com a falta de Os resultados evidenciados no estudo apontaminformações precisas, relevantes e abrangentes; para a necessidade de um maior aporte no âmbito doincluindo a inabilidade para tratar dessas questões, Planejamento Familiar para adolescentes. Apesar daas quais, acrescentamos também, o fortalecimento intervenção ter sido em um reduzido espaço dedo acesso à serviços específicos que consigam tempo, evidenciou claramente que essa populaçãocontemplar as necessidades dos adolescentes na tem entraves quando ao uso correto e acesso aosmedida em que visam sustentar e implementar métodos contraceptivos e de prevenção.mudanças comportamentais no âmbito dessas Com intuito de avaliarmos as repercussões juntotemáticas(18). aos adolescentes e resgatando os temas abordados Acreditamos ainda que, muitas vezes, o nas quatro oficinas, seguimos com a construção dedespreparo das pessoas, em geral, de pais e de um instrumento tecnológico a partir do “olhar” doprofessores, no trato às questões ligadas à grupo. Nessa perspectiva, acreditamos que asexualidade com adolescentes, se restringe à estratégia tradicional do cuidar/cuidado no qual oausência de diálogo ligada a barreiras adquiridas e a profissional é o detentor do saber/fazer não é maisfalta de comunicação sobre sexualidade favorecendo cabível nos dias de hoje, por isso neste encontro,um maior risco de contaminação as DST/AIDS. pactuamos a criação de um material que fosse construído a partir da percepção dos adolescentes.O conhecimento dos adolescentes sobre Nesse ínterim, da construção do instrumento,métodos contraceptivos utilizamos recortes de revistas que ilustrassem os A dinâmica proposta consistiu em uma roda de sentimentos dos adolescentes. Cola, tesoura e lápis,conversas, concomitante a exposição das foram utilizados com o intuito de despertar apesquisadoras sobre os métodos, seguida de uma capacidade criativa do grupo.demonstração sobre a utilização correta do O instrumento tecnológico criado pelospreservativo masculino, a pedido dos adolescentes, participantes foi à expressão de arte através de ummomento em que puderam participar, Fanzine já citado anteriormente. Apenas 17 alunosvoluntariamente, demonstrando seus conhecimentos participaram da construção do material, comsobre o devido uso. Neste encontro, utilizou-se destaque para os desenhos referentes ao aparelhomateriais ilustrados, de autoria do Ministério da reprodutivo, por exemplo, desenhos do útero e doSaúde, contendo fotos dos métodos e as respectivas pênis, feitos a partir de recortes de revista. Oindicações sobre o uso. preservativo foi abordado em vários desenhos, como No presente estudo, a maioria dos adolescentes idéia principal da mensagem: “eu, ele e ade ambos os sexos mostrou conhecer pelo menos um camisinha”.método anticoncepcional, corroborando assim os Os desenhos puderam evidenciar que osachados da pesquisa da BEMFAM(19) que revela que participantes do estudo ainda vêm às questõesRev. Eletr. Enf. [Internet]. 2009;11(1):165-72. Available from: http://www.fen.ufg.br/revista/v11/n1/v11n1a21.htm. [170]
  7. 7. Gubert FA, Santos ACL, Aragão KA, Pereira DCR, Vieira NFC, Pinheiro PNC. Tecnologias educativas no contexto escolar: estratégia de educação em saúde em escola pública de Fortaleza-CE.sexuais e reprodutivas de forma restrita ligada imprescindível o desenvolvimento de iniciativas eprincipalmente à esfera biológica e não integrada a estratégias que incluam programas de orientaçãouma visão que contemple a sexualidade como sexual e preparação dos pais em habilidadesinerente a qualidade de vida, ao prazer e a felicidade. informativas e comunicativas.Este fato é preocupante, pois pode contribuir para Durante o estudo verificamos a necessidade deuma visão limitada da sexualidade, dificultando a criação de espaços e escuta na escola e nos serviçosadoção de práticas preventivas e a manutenção do de saúde, específicos para os adolescentes, quevínculo e do afeto. permitam o estabelecimento de um vínculo com os profissionais e educadores, proporcionando umCONSIDERAÇÕES FINAIS atendimento mais qualificado, visto que apesar de Diante do que foi exposto, percebemos que o algumas políticas públicas atuais como o Projetotrabalho de promoção à saúde sexual e reprodutiva Saúde e Prevenção nas escolas – SPE, estimularemdos adolescentes necessita integrar a idéia de essa interação, ainda não conseguiram superar ascidadania e direitos humanos, aos temas da barreiras para integração entre educação e saúde.sexualidade, gênero, diversidade sexual e DST/AIDS. O uso de tecnologias educativas foi primordial É nítida a necessidade de debatermos no desenvolvimento do processo educativo proposto,continuamente as diferenças e as relações entre os visto que tenta superar o modelo tradicional para ogêneros, conscientizando os adolescentes de que os foco da co-produção de saber e autonomia, onde ospapéis associados ao masculino ou ao feminino não adolescentes tornam-se centrais no processosão resultado da "natureza" da diferença entre os educativo. Acrescentamos ainda que as oficinassexos, mas socialmente construídos, dando conta do permitiram aos adolescentes, por meio dacontexto socioeconômico em que o sexo e as metodologia do Círculo de Cultura, a aquisição devivências de gênero acontecem. novos conhecimentos sobre as temáticas e mesmo Essa divergência entre as opiniões dos que não gerem uma mudança de comportamentoadolescentes, características da interiorização dos imediata, podem favorecer um repensar de suaspapéis de gênero, na qual o homem deve representar práticas e atitudes para o futuro.um papel ativo e a mulher não devem pensar muito No tocante ao papel do enfermeiro, é urgentena sexualidade, contribui para uma representação reformular o processo de trabalho, a partir da criaçãoespontaneísta do sexo, convertendo em uma de novos saberes que favoreçam tanto a formaçãodificuldade de negociar e se prevenir das DST, pois o profissional, quanto a capacidade de produzir esexo é relegado a algo que não precisa ser discutido readequar novos recursos tecnológicos do tipoe muito menos planejado. Assim, desconstruir certas educativos. Visto que alguns materiais produzidosnoções errôneas criadas socialmente entre os pelo Ministério da Saúde e Secretarias Municipais deadolescentes é primordial para a melhoria de sua Saúde, voltados para a prevenção dasqualidade de vida, e é a partir daí que o enfermeiro DST/HIV/AIDS, como folderes, cartilhas, cartazes edeve colaborar com a decodificação a complexidade álbuns seriados, não contemplam em sua linguagemdos sentimentos e atitudes que perpassam a saúde as especificidades de algumas populações emdessa população. situação de vulnerabilidade. Neste contexto as atividades de prevenção às Assim, reforçamos a necessidade do EnfermeiroDST/AIDS no âmbito da escola e ESF, devem romper em produzir novas tecnologias educacionais,com a visão heterossexista e normativa, visto que extrapolando as atividades de educação em saúdecomo citado anteriormente, as campanhas baseada em ações pontuais e que não reconhecempreventivas e os programas voltados a saúde sexual as verdadeiras necessidades, desejos e aspirações dee reprodutiva, ainda são mais voltados para o público seus integrantes. Nesse sentido o Fanzine seheterossexual e que se encontram em um configura como tecnologia educacional visto que arelacionamento estável. idéia de expressão através dos quadrinhos, emergiu Pontuamos a necessidade de que o Sistema através dos próprios participantes, favorecendo oÚnico de Saúde - SUS garanta em suas diretrizes, acolhimento e o vínculo entre o adolescente eescolhas preventivas para as distintas formas de enfermeira.relacionamento afetivo-sexual entre os adolescentesem diferentes contextos de relações de gênero e não REFERÊNCIASsomente na perspectiva de evitar a concepção. 1. Cerqueira MT. A Construção da Rede Latino É preciso trazer para esse debate também a Americana de Escolas Promotoras de Saúde. In:família, visto que, ela exerce papel fundamental na Ministério da Saúde; Organização Pan-Americana deformação do individuo saudável. Diante da notória Saúde. Escolas promotoras de saúde: experiênciasdificuldade existente na relação entre adolescentes e do Brasil. 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