Estratégias para vencer um debate

6.513 visualizações

Publicada em

0 comentários
2 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
6.513
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
6
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
87
Comentários
0
Gostaram
2
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Estratégias para vencer um debate

  1. 1. Um breve comentário e resumo introdutório da obra de Arthur Schopenhauer e Olavo de Carvalho: Como vencer um debate sem precisar ter razão Certa vez, lecionando Lógica Matemática para uma turma degraduação em Matemática, tive um contato maior com as obras deSchopenhauer e Carvalho, ao remeter à filosofia. Uma das obras me chamou a atenção: o livro Como vencer umdebate sem precisar ter razão, dos autores citados acima, apresenta 38estratégias sobre a arte de discutir de modo a vencer, por meios lícitos ouilícitos, conhecida como dialética erística. Não descreverei as 38 estratégias neste texto, porém farei umresumo introdutório que prepara o leitor para a leitura e compreensão dasestratégias. A referência do livro encontra-se ao final do texto. Na verdade, segundo as próprias palavras de Carvalho, trata-se deuma patifaria intelectual, cujo fim não é o uso pelos patifes, mas sim desuas possíveis vítimas, tornando os leitores aptos a reconhecer asartimanhas de um debatedor que, nada tendo a objetar seriamente àsrazões do adversário, procura apenas desmoralizá-lo ou confundir aplateia para fazer com que o verdadeiro pareça falso e o falso verdadeiro.Também ensina como se defender desse tipo de polêmica interesseiraonde o que importa não é provar, mas vencer. Destaco que muitos líderes religiosos, que raras vezes estãocomprometidos com a verdade objetiva das coisas, utilizam algumas,senão várias estratégias apresentadas no livro. Eles pretendem vencer umdebate contra quem os contrapõem, diante de uma plateia de fieis ou atémesmo de pessoas que não sigam sua fé, a fim de trazê-las a seuajuntamento. Nada contra ajuntamentos religiosos, igrejas oucomunidades que professem alguma fé – eu mesmo sou cristão – porémque as pessoas possam ter esclarecimento suficiente e não tenham umafé cega, guiada única e exclusivamente por seus líderes humanos. Quebusquem cada um sua verdade e não se deixem guiar apenas pelaeloquência dos pregadores. O livro chama a atenção para duas coisas distintas: a verdadeobjetiva de uma proposição e sua validade, não de acordo com averdade objetiva, mas na aprovação dos contendores e ouvintes. Adialética se refere a esta última. Clayton Eduardo Lente
  2. 2. Isto provém da perversidade natural do gênero humano. Se talperversidade não existisse, se fôssemos honestos, em todo debatetentaríamos fazer a verdade aparecer, sem preocupar-nos com quem elaestivesse: conosco ou com o outro. No entanto, nossa vaidade,especialmente suscetível em tudo o que diz respeito à capacidadeintelectual, não quer aceitar que aquilo que num primeiro momentosustentávamos como verdadeiro se mostre falso ou como verdadeiroaquilo que o adversário sustentava. Cada um deveria preocupar-seunicamente em formular juízos verdadeiros. Para isto, deveria pensarprimeiro e falar depois. Mas, na maioria das pessoas, associa-se àvaidade a verborragia e uma inata deslealdade. Falam antes de terpensado e quando se dão conta de que sua afirmativa era falsa e nãotinham razão, pretendem que pareça como se fosse ao contrário. Ointeresse pela verdade, que na maior parte dos casos deveria ser o únicomotivo para sustentar o que foi afirmado como verdade, cede porcompleto, dando lugar à vaidade. No entanto, até mesmo essa deslealdade (a insistência em manteruma afirmação que já parece falsa para nós mesmos) tem ainda umadesculpa. Muitas vezes, no princípio da discussão, estamos firmementeconvencidos da verdade da nossa tese, mas a argumentação doadversário parece derrubá-la e, se renunciamos de repente a defendernossa causa, com frequência acabamos notando que, apesar de tudo,tínhamos razão. Nossas provas não eram verdadeiras, mas podia existiruma que fosse adequada à nossa afirmação, só que o argumento salvadornão nos veio à mente no momento. Por esse motivo, firma-se em nós amáxima segundo a qual, mesmo quando o contra-argumento doadversário pareça justo e convincente, devemos atacá-lo, confiantes emque sua retidão é apenas aparente e em que, no curso da discussão, nosocorrerá algum outro argumento capaz de demolir a tese contrária ou dereforçar a nossa de algum modo. Somos, assim, quase obrigados ou pelomenos facilmente levados à deslealdade no discutir. Em regra geralaquele que provoca uma discussão não a faz pela verdade, mas por seuinteresse próprio. Em toda discussão, primeiramente devemos examinar o que éessencial, o que realmente acontece nela. Imagine que nós mesmos ou o adversário expôs uma tese. Pararefutá-la, há dois modos e dois métodos. Modos: ou demonstramos que a tese não está de acordo com anatureza das coisas (com a verdade objetiva) ou que não concorda comoutras afirmações do adversário (com a verdade subjetiva, relativa). Clayton Eduardo Lente
  3. 3. Métodos: Refutação direta ou indireta. A refutação direta ataca atese em seu fundamento e a indireta em suas consequências. Na refutação direta podemos atuar de duas maneiras:1. Demonstramos que os fundamentos de sua afirmação são falsos.2. Admitimos os fundamentos, mas negamos que deles se deduz aafirmação, isto é, atacamos a consequência, a forma da conclusão. Na refutação indireta também podemos atuar de duas maneiras:1. Tomamos sua tese como verdadeira e então demonstramos o que delaresultaria se, combinando-a com outra proposição aceita comoverdadeira, a adotássemos como premissa para uma dedução com a qualse chega a uma conclusão obviamente falsa, seja por contradizer anatureza das coisas ou por se opor a outras afirmações do próprioadversário.2. Refutamos a proposição universal mediante indicação direta dos casosparticulares compreendidos em seu enunciado aos quais ela não pode seaplicar. Portanto, a tese torna-se falsa. Toda discussão se reduz basicamente a isto. Destaco que o objetivo principal é se defender, conhecendo bem astécnicas possivelmente aplicadas pelos adversários a fim de evitarmossuas armadilhas. Referência: SCHOPENHAUER, A. Como vencer um debate sem precisar ter razão:em 38 estratagemas (dialética erística); Introdução, notas e comentáriospor Olavo de Carvalho; Tradução de Daniela Caldas e Olavo de Carvalho.Rio de Janeiro: Topbooks, 1997. 258 p. Clayton Eduardo Lente

×