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PrefácioA força do crack de George BushAqueles familiarizados com este tema perceberão que as páginas que seguem são muito...
E somente quanto ao tema das drogas, há muito mais do que inclui o Mercury. Também houve “pilotos de Bush”.Alguns eram com...
Capítulo 1George Bush, o capo das drogasA série publicada pelo jornal San Jose Mercury News nos dias 18, 19 e 20 de agosto...
As redes da Força Democrática Nicaragüense (FDN) que operavam na Baía de São Francisco, Califórnia, [baía emque se localiz...
A COCAÍNA CHEGA AOS BAIRROS POBRESAté antes da chegada de Blandón Reyes e Ross, a cocaína era muito pouco conhecida nas ru...
para a Colômbia, onde os carregava de cocaína para levá-la depois aos Estados Unidos, onde aterrissava em basesmilitares e...
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O Presidente George Bush em uma reunião da Parceria por uma América Livre de Drogas (Partnership for aDrug Free America), ...
Estrutura para a América Central da        Diretiva de Segurança Nacional No. 2                                           ...
Capitulo 2George Bush: o policial que cometeu ocrimeEm 7 de junho de 1986 o vice-presidente George Bush anunciou que o gov...
A Ordem Presidencial 12333, que regia todas as operações de “Inteligência no estrangeiro”,designou ao Conselho de Seguranç...
“Para cada crise potencial, assegurar que se estabeleça um grupo composto de           integrantes de diferentes organismo...
(CG).Antes que Oliver North se envolvesse na América Central e com os contras, iisto era noque estava trabalhando com Bush...
William Casey esteve a frente de dita agência: regar por todas as partes, o que chamaremos “osasteróides”.Examinaremos est...
Capítulo 9                    Acusação formal contra                    George Bush e companhiaRascunho do auto de acusaçã...
AUTO DE ACUSAÇÃO PENALO grande jurado acusa:                                        Acusação 1: Associação delituosa      ...
(X) Em agosto de 1986, BUSH tornou-se chefe da “Operação Aliança”,operação contra o narcotráfico que eraconduzida em coope...
narcotraficante importante.Para ajudar a financiar os contras, MENESES ajudou a criar e operar uma grande rede decontraban...
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Assim como Enrique Bermúdez, Marcos Aguado e outros sujeitos,conhecidos ou desconhecidos do grande jurado,premeditada e in...
(4) Mais ou menos em 6 de março de 1984, George Morales foi indiciado por contrabando de drogas.Umassemanas depois, Morale...
(19) Entre julho de 1984 e janeiro de 1986, pelo menos em oito ocasiões, Morales ordenou a diversos pilotos quevoltassem a...
(39) Em 29 de abril de 1985, GREGG escreveu ao Coronel Steele para agradecer-lhe sua ajuda a RODRIGUEZ.(40) Em 5 de janeir...
(54) Em dezembro de 1985, NORTH e Alan Fiers, Chefe da Equipe Especial para América Central da CIA,viajaram a Honduras e E...
GEORGE BUSH, O SUPER CAPO DA COCAÍNA
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GEORGE BUSH, O SUPER CAPO DA COCAÍNA

  1. 1. Tradução feita por Claudio José Ayrosa Rosière Foram traduzidos apenas o Prefácio e os Capítulos 1, 2 e 9Claudio José Ayrosa Rosière é pesquisador histórico,revisionista e escritor. Tem três livros escritos:O Mito Jesus - O Pantera (identifica o pai biológico de Jesuscomo sendo o Imperador Tibério César)O Mito Jesus - A Mulher sem Nome (Identifica MariaMadalena como sendo a neta de Herodes, Herodias, e o paiadotivo de Jesus como sendo o próprio Herodes, o Grande)O Mito Jesus - A Linhagem (identifica a Linhagem do Graaldescendente de Jesus até a atualidade) Obs. importante: Estes três livros de minha autoria foramdivulgados e recomendados pela Revista Maçônica Arte Real como pode ser confirmado aqui e aqui
  2. 2. Índice PREFÁCIO CAPÍTULO 4 A “força do crack” de George Bush A verdade sobre Mena, Arkansas... e algo mais Por Lyndon LaRouche Documentação: cartas de autoridades policiais e judiciais de Louisiana; excertos do testemunho de CAPÍTULO 1 George Morales e Gary Wayne Betzner, nas George Bush, o capo das drogas Audiências da Comissão Kerry Cronologia: A conexão dos contras com o crack Entrevistas: Celerino Castillo Documentação: alguns dos documentos legais que CAPÍTULO 5 respaldam a acusação do jornal San Jose Mercury O Departamento de Defesa faz um trato com os O caso dos homens rãs no informe da Comissão capos do narcotráfico Kerry Bush e o Cartel de Cali na Colômbia Bush entregou o Panamá ao Cartel de Cali CAPÍTULO 2 Noriega: “eu não era um obstáculo” George Bush: o policial que cometeu o crime Os Estados Unidos pagam testemunhas contra Bush assume as operações encobertas da Inteligência Noriega estadunidense Salinas, o capo mexicano das drogas, também é Perfis: homem de Bush Theodore Schackley Anos 80, a “narcodécada” de Bush Donald P. Gregg Félix Rodríguez, codinome “Max CAPÍTULO 9 Gomes” Acusação formal contra George Bush e Richard V. Secord companhia Oliver North CAPÍTULO 3 O Ponto Focal de Bush e o caso de LaRouche: existe vida nos asteróides? Billington: quem é Oliver North
  3. 3. PrefácioA força do crack de George BushAqueles familiarizados com este tema perceberão que as páginas que seguem são muito mais que um informe; trata-se de um caso que merece ser apresentado a um grande jurado. As provas exigem um auto de acusação contra o Ex-Presidente dos Estados Unidos George Herbert Walker Bush, e companhia, por conspiração para cometer vários“crimes sérios e feitorias”. Entre os diversos crimes, se incluía importação de cocaína por parte de agentes da liga deBush e também a obstrução massiva da justiça, neste e em outros casos, por parte de confederados de Bush emcargos importantes no Departamento de Justiça dos Estados Unidos.Obviamente, o jornal San Jose Mercury News merece elogios por seu valor e persistência em proporcionar o vínculofinal tão necessário para demonstrar a conexão entre a tomada de George Bush, em 1983, da operação dos contras, eo início da epidemia de “cocaína-crack” em meados dos anos 80 nos Estados Unidos. Não obstante, a grandemaioria das provas correspondentes tem estado nos arquivos de Executive Intelligence Review desde há uma década.A margem adicional de informação factual que proporciona o primor do Mercury, contribui com essa qualidadeespecífica de um feito acrescentando que desperta as paixões mais intensas do público, em respaldo as provas emseu conjunto. Este novo elemento cria o fator político tão necessário para acabar com o acobertamento que secolocou em marcha mediante as mentiras do Vice-Presidente George Bush e pelo cuidadoso desenho das apariçõesteatrais choronas de Oliver North nas audiências do Congresso sobre este assunto.Quando virem todo o quadro, como mostram as provas cruciais apresentadas aqui, moverão a cabeça em sinal deque estão de acordo que a epidemia de “crack” é somente uma das acusações contra Bush e companhia. Setivermos que recuperar a república constitucional federal que foi quase destruída desde que Bush chegou a Vice-Presidência dos Estados Unidos em 1980, devemos primeiro despertar e liquidar esta vasta organização ilegalmercenária, financiada significativamente pelas drogas, que Bush levantou encobrindo-se com sua autoridadedelegada (e relegada) pelas diretivas presidenciais de segurança nacional 2 e 3, e por sua posição como “czar dasdrogas” no período das operações fronteiriças de tráfico de drogas dos agentes contras de Bush.Suponhamos que a CIA devia haver sabido que a organização do “governo secreto” do Vice-Presidente GeorgeBush estava importando toneladas de cocaína para colocá-las nas ruas dos Estados Unidos da América (inclusive seà CIA não foi permitido interferir nas operações de Bush ou informar que as conhecia); mas, se alguém se deixaenganar e crer que a CIA possa haver participado no tráfico de drogas, ou havê-lo controlado, então este alguémestá perfurando um poço seco ou, talvez, ajudando totalmente a levantar outra operação de encobrimento doverdadeiro autor: Bush. A história do papel de Bush na distribuição de “cocaína-crack” nas ruas dos Estados Unidoscomeçou depois de que o Congresso dos Estados Unidos obrigou o governo de Reagan a atenuar e suspender orespaldo da Agência Central de Inteligência (CIA) as operações dos contras.Como nos mostra a documentação aqui apresentada, o aspecto fundamental do início da epidemia de “cocaína-crack” por parte dos contras em nossas ruas foi o que se fez para compensar a operação dos contras, transferindo orespaldo à operação fora da CIA e de outras agências federais e passando-a para onde a Emenda Boland impedia.O controle se transferiu para as mãos de uma vasta organização mercenária encabeçada por Bush e financiada porfundos privados. Esses mercenários e suas operações eram dirigidos não pelos servidores civis da burocracia daCIA, preocupados por suas aposentadorias, mas desde os escritórios do Conselho de Segurança Nacional e, emgrande parte, com a camuflagem do “Ponto Focal”, proporcionada pelo Estado Maior Conjunto do Exército dosEstados Unidos.Concentrem-se no elemento crucial: por que razão os contras tiveram que vender a preços reduzidos a distribuiçãojá existente de cocaína nos Estados Ungidos colocando “cocaína-crack” nesses bairros pobres onde quase não haviatráfico de cocaína anteriormente? Quando a Emenda Boland suspendeu todo subsídio governamental dos EstadosUnidos para os contras, Bush, seu assessor de segurança nacional Donald Gregg, e seu títere Oliver North,recorreram a certos governos do exterior e a contribuições privadas para substituir os dólares do governoestadunidense. Não se excluíram contribuições de fontes criminais.Neste papel da “força do crack”, os contras contaram com a ajuda crucial de representantes dos cartéis de cocaínacolombianos. Os contras receberam um inventário de cocaína. Para tanto essa cocaína tinha que ser despejada emoutros mercados nacionais estadunidenses que não fossem os que já recebiam das redes de distribuiçãoestabelecidas pelos cartéis da Colômbia. Deveria ser aberto um novo mercado, que não existisse, para a cocaína; ummercado novo no qual pudesse ser despejado esse inventário de cocaína dos contras a preços rebaixados para vendarápida. Daí vem as provas desenterradas pelo San Jose Mercury News. Por isto, nestes bairros há tantos mortos etantos negros e hispânicos culpados, que cumprem sentença que o Capo George Bush deveria estar cumprindo emprisões federais e estatais.
  4. 4. E somente quanto ao tema das drogas, há muito mais do que inclui o Mercury. Também houve “pilotos de Bush”.Alguns eram como o pára-quedista Hasenfus, agente da Inteligência militar que desatou um escândalo internacional.Outros eram traficantes de marihuana, como Barry Seal, que se converteu em agente e informante dirigido poragentes como Oliver “Buck” Revell, do FBI, e o Tenente-coronel Oliver North, desde o Aeroporto Regionalintramontanhoso de Mena, Arkansas. Foi uma operação dirigida pela autoridade especial de segurança nacionalfederal de Bush, fora do alcance de qualquer governador de Arkansas para intervir. Outros foram partes da operaçãoque o perene assassino e Vice-Presidente George Bush dirigiu pessoalmente para cortar o pescoço do GeneralManoel Antonio Noriega, quando o próprio Bush visitou o Panamá para reunir-se com o General.Mas as operações de Bush como Vice-Presidente, sob as diretivas 2 e 3, não se limitaram as Américas. Bush usouseu ninho no Conselho de Segurança Nacional e no “Ponto Focal”, sob a proteção do Estado Maior Conjunto dosEstados Unidos, para criar um vasto e complexo “governo secreto” financiado com dinheiro privado, cujasatividades corruptas contínuas tem levado as instituições constitucionais dos três ramos do governo federal à beirada destruição. Inclusive, sem que Bush ocupe um cargo público de eleição, ele e seu exército de valentõesmercenários seguem operando dentro e fora dos Estados Unidos com um absoluto desprezo por nossas instituiçõesconstitucionais e os direitos de nossos cidadãos e, com freqüência, em oposição direta aos interesses vitaisestratégicos dos Estados Unidos no exterior. Enquanto não exorcizarmos as legiões do demônio Bush de suasposições de poder em nossa vida nacional, nenhum cidadão estará a salvo, nem sequer os mais altos cargos do nossogoverno são imunes às armações da “Câmara de Starr” e atrocidades similares dos Robespierre da liga de Bush.Leiam as páginas seguintes; estudem as provas. É hora de julgar e neutralizar este vasto aparato de mercenários nogoverno secreto que o Ex-Presidente Bush segue simbolizando hoje em dia. Nossa nação e o futuro de suas famíliasdependem disto, antes que seja demasiado tarde.Lyndon LaRouche Jr.Leesburg, Virginia13 de setembro de 1996
  5. 5. Capítulo 1George Bush, o capo das drogasA série publicada pelo jornal San Jose Mercury News nos dias 18, 19 e 20 de agosto de 1996 faz com que sepergunte: Quantos milhares de presos em cárceres federais dos Estados Unidos cumprem a condenação quecorresponde ao Ex-Vice-presidente George Bush? O San Jose Mercury News apontou que o papel dos agentes dosrebeldes dos contras nicaragüenses que se instalaram nos anos 80 na Califórnia foi o de inundar as ruas de LosAngeles com o produto da cocaína chamado crack, e de alimentar a explosão de violência das quadrilhas Crips eBloods, que eram, de fato, os vendedores varejistas do crack dos contras. O diretor de operações da operação doscontras, em todo o tempo em que os contras estiveram colocando toneladas de cocaína barata nas mãos dos Crips edos Bloods, foi o Vice-Presidente George Bush. Isto converteu Bush, logo depois presidente dos Estados Unidos, nomaior capo das drogas dos anos 80.O candidato presidencial republicano Bob Dole exigiu ao governo estadunidense que atue com maior energia contrao tráfico de drogas. Os documentos reunidos pelo repórter Gary Webb colocam a todos os candidatos das eleiçõesde 1996 a pergunta vital: O presidente Bob Dole, ou o presidente Bill Clinton atuarão contra o maior dos caposestadunidenses do tráfico de drogas dos anos 80? “Atrás do crime há um criminoso”, disse Bob Dole. Contudo, ocrime de Bush não começou, nem terminou, ao converter-se em amo e senhor das drogas dos anos 80. Por trás deBush se encontra a maior ameaça terrorista que pende contra os Estados Unidos. Aqui apresentamos os feitos.Começamos com um resumo da investigação do San Jose Mercury News, uma investigação que o repórter GaryWebb supôs que seria um meio para determinar a participação da Agência Central de Inteligência (CIA) naepidemia do consumo de crack dos anos 80, mas que, na verdade, é a prova da intervenção de George Bush e OliverNorth na condução de dita epidemia de consumo de drogas, e muito mais.A REPORTAGEM DO SAN JOSE MERCURY NEWSA série publicada pelo San Jose Mercury News demonstrou com documentos, pela primeira vez, a participação daForça Democrática Nicaragüense (FDN), também conhecida como os contras, dirigida por George Bush, na criaçãoda epidemia de consumo de crack de meados dos anos 80. A série do San Jose Mercury News, que se baseou emvários processos federais contra narcotraficantes e em arquivos secretos do FBI que recentemente foram postos àdisposição do público, disse que entre 1981 e 1986 a ligação Bush-contras inundou as ruas dos bairros baixos deLos Angeles com toneladas de cocaína, que lhes rendeu milhões de dólares de lucros, os quais foram enviados aosrebeldes contras da América Central. Hoje, a conseqüência desta perfídia de Bush, é que centenas de milhares deestadunidenses negros e de origem hispânica, e demais, se encontram em prisões federais ou estatais, cumprindo,com efeito, a condenação que corresponde a George Bush, enquanto este segue livre e desfruta da fama e dasretribuições econômicas correspondentes a seus antigos cargos de Vice-Presidente e Presidente dos Estados Unidos.Nenhuma cidade dos Estados Unidos esteve imune à epidemia do crack. As quadrilhas de ruas de Los Angeles, osCrips e os Bloods, que foram os primeiros em beneficiar-se de toneladas de cocaína barata e da melhor qualidade,cortesia da sociedade Bush-contras, converteram em zona de guerra o centro sul de Los Angeles, próximo àpopulação de Compton, e posteriormente a centenas de cidades e todos os Estados Unidos. As vítimas da guerraurbana do crack somam já várias dezenas de milhares de mortos e milhões que caminham feridos.A série do San Jose Mercury News, escrita pelo jornalista Gary Webb, radicado em Sacramento (Califórnia), nãomenciona nem o Vice-Presidente Bush, nem seu papel de “comandante supremo” da guerra secreta da AméricaCentral, senão que se concentra em apontar que a CIA é a principal culpada. Contudo, em finais de 1981, graças avárias ordens presidenciais e disposições de segurança nacional, muitas delas que já estão à disposição do público, oVice-Presidente foi designado chefe de todas as operações de Inteligência do governo de Ronald Reagan (verCapítulo 2). Todas as operações secretas realizadas por funcionários da CIA, do Pentágono e de todos os demaisórgãos de Inteligência federais dos Estados Unidos, ao lado de um exército de ex-agentes de Inteligência e deagentes estrangeiros --- os chamados “asteróides” --- estiveram sob as ordens do Vice-Presidente Bush. Em umaentrevista com o que agora escreve, Webb reconheceu que simplesmente não havia traçado a estrutura de mandodos contras até a casa Branca, ainda que tivesse indícios de que a operação não havia sido exclusivamente da CIA.UM PANORAMA DEVASTADORO que Webb fez reluzir, contudo, é devastador. Desde o início mesmo do governo de Ronald Reagan, os EstadosUnidos se envolveram em uma guerra substituta contra o regime sandinista da Nicarágua, que havia chegado aopoder em 1979 com a derrocada do governo de Anastácio Somoza, graças, ironicamente, ao respaldo do governo deJimmy Carter. E, desde o início do governo de Reagan, a “força substituta”, os contras, esteve fortemente financiadapor meio do tráfico de cocaína nas ruas da Califórnia e de todos os Estados Unidos.
  6. 6. As redes da Força Democrática Nicaragüense (FDN) que operavam na Baía de São Francisco, Califórnia, [baía emque se localizam as cidades de São Francisco, Oakland e Berkley, N.ED.] e que dominavam os canais que levavama cocaína a Los Angeles, eram perfeitamente conhecidas, e firmemente dirigidas pela hierarquia dos contrascomandada por Bush, Adolfo Calero, ex-executivo da Coca-Cola de Manágua, Nicarágua, que era a cabeça visíveldo “governo no exílio” da FDN, estiveram sob Bush e North por todos os anos 80. Segundo documentos dostribunais, obtidos pelo San Jose Mercury News, e agora também em poder de EIR, Calero viajou com freqüência aBaía de São Francisco em princípios dos anos 80, e foi fotografado com o chefe da quadrilha de cocaína, JuanNorwin Meneses Cantarero, pelo menos em um ato para obter fundos para os contras. Meneses Cantarero eraoficialmente o chefe da “Inteligência e segurança” da FDN na Califórnia, e esteve presente em todos os atospúblicos e privados de Calero, inclusive em pelo menos uma reunião com Rob Owen, ajudante de Oliver North naCasa Branca (e que também foi assistente do Senador Dan Quayle). Em memorandos enviados a North, que vieramà luz posteriormente nas investigações do fiscal-especial do processo Irã-contras, Lawrence Walsh, Owenreconhecia francamente que era conhecedor de que os contras eram financiados por grandes traficantes de cocaína.Além do mais, o porta-voz oficial da FDN de São Francisco, Renato Peña Cabrera, empregado da quadrilha detraficantes de cocaína de Meneses Cantarero, foi declarado culpado por posse de cocaína em 1985, segundo umanota publicada no San Francisco Chronicle de 23 de junho de 1986.Não obstante, ocupando o posto de “chefe de Inteligência e segurança” da FDN na Baía de São Francisco, MenesesCantarero foi investigado pela DEA (Drug Enforcement Agency), a dependência estadunidense encarregada docombate às drogas, a qual estabeleceu que desde 1974, quando se chamava “O rei das drogas” em Manágua, era umtraficante internacional de drogas de primeira ordem. (Em 1984, a DEA obteve uma ordem selada para instaurarprocesso contra Meneses Cantarero por tráfico de cocaína, mas nunca se cumpriram os selos da ordem deinstauração, nem da ordem de detenção sem direito a fiança, que a acompanhava. Em finais dos anos 80, MenesesCantarero foi objeto de 45 investigações da DEA).O INÍCIO DA EPIDEMIA DE “CRACK”Segundo as declarações do julgamento federal que se realizou em março de 1996 em San Diego contra o traficantede drogas de Los Angeles, Ricky Donnell Ross, os canais para a cocaína da FDN se abriram em 1981 --- inclusiveantes que as primeiras “tropas” da FDN entrassem na Nicarágua. Oscar Danilo Blandón Reyes, uma dastestemunhas principais do governo, contra Ross, havia sido uma personagem central da quadrilha traficante decocaína da FDN. No tribunal, Blandón Reyes disse que na primavera de 1981 recebeu uma chamada de umcompanheiro nicaragüense exilado em Miami, Donald Barrios, que pediu sua ajuda para iniciar a resistência militarorganizada contra o regime sandinista. Blandón Reyes havia abandonado sua pátria em 19 de junho de 1979, justoantes dos sandinistas tomarem a Nicarágua. Blandón Reyes havia sido chefe de um programa de exportaçõesagrícolas de 27 milhões de dólares do governo de Somoza. Estava mais que disposto a ajudar.Foi dito a Blandón Reyes que fosse ao aeroporto internacional de Los Angeles para ser apresentado a outro exiladonicaragüense, Juan Norwin Meneses Cantarero, quem voaria desde são Francisco com os detalhes. Uns dias depois,os dois homens, ambos provenientes de destacadas famílias nicaragüenses da era somozista, voaram a Honduraspara uma reunião de planejamento com o Coronel Henrique Bermúdez, ex-adido militar nicaragüense emWashington, DC, o qual já se havia incrustado na folha de pagamento da CIA para organizar uma força militar deresistência anti-sandinista, que estaria composta primariamente de antigos integrantes da guarda nacional deSomoza. O Coronel Bermúdez seria o “comandante-em-chefe” da FDN em El Salvador e em Honduras, etrabalharia diretamente com a equipe pessoal de “ex” agentes da CIA do Vice-Presidente George Bush, o qualencabeçavam Donald Gregg e Felix Rodrigues. Entre o pessoal de George Bush, Gregg ocupava o cargo deprincipal assessor de segurança nacional, e Rodríguez, por sua vez, instalou-se na América Central, principalmentena base aérea salvadorenha de Llopango, uma das principais instalações de abastecimento dos contras, e conexãodas operações de armas por cocaína.Blandón Reyes reconheceria posteriormente que na reunião se esboçaram os planos para financiar os contras com otráfico de cocaína. (Em 1° de dezembro de 1981, o Presidente Ronald Reagan assinaria uma ordem secreta queautorizava a CIA gastar 19,9 milhões de dólares em ajuda militar encoberta para a recentemente formada contra, oque era muito pouco dinheiro para iniciar uma operação militar séria contra o regime sandinista respaldado peloscubanos e pelos soviéticos.De regresso à Califórnia, Blandón Reyes viajou a São Francisco, onde recebeu um “curso” intensivo a cargo de ummestre veterano, Meneses Cantarero, sobre como traficar com narcóticos ilegais. Deram-lhe instruções para queabrisse um canal para distribuir a cocaína em Los Angeles.O negócio da cocaína de Blandón Reyes começou a prosperar quando se colocou em contato com umnarcotraficante sem-vergonha do centro sul de Los Angeles, Ricky Donnell Ross. Este havia se reunidooriginalmente com outro comerciante nicaragüense de cocaína, Henry Corrales, quem começou a abastecer a Ross ea seu sócio, Ollie Newell, nas palavras de Ross, de “cocaína notavelmente barata”.Quem abastecia de cocaína aCorrales era Blandón Reyes, quem, por sua vez, rapidamente se encarregaria de “atender” diretamente um clientetão distinto como Ross.
  7. 7. A COCAÍNA CHEGA AOS BAIRROS POBRESAté antes da chegada de Blandón Reyes e Ross, a cocaína era muito pouco conhecida nas ruas dos bairros baixos deLos Angeles, apesar de que era já “a droga favorita” da alta sociedade de Hollywood. Em finais dos anos 70 eprincípios dos 80, quando a cocaína começou a inundar os Estados Unidos, a droga era demasiado cara para osadictos dos bairros pobres. Blandón Reyes vendeu cocaína a Ross aos preços mais baixos possíveis. Segundo orelato de Ross, Blandón Reyes vendia por pelo menos 10.000 dólares por kilo mais barato que toda acompetição.”Algumas vezes quase a doava”, disse no tribunal Chico Brown, sócio de Ross.Rapidamente, Ross colocara quantidades de cocaína com valor de milhões de dólares nas mãos dos Crips, umaquadrilha de Los Angeles que foi criada por integrantes de quadrilhas de presos reclusos nas penitenciárias desegurança máxima da Califórnia. Integrantes do Exército Simbiótico de Libertação e do Exército de LiberaçãoNegra, ambos grupos terroristas dos anos 70, dirigiam as quadrilhas de dentro das prisões, como, por exemplo, aFamília Guerrilheira Negra, que deu origem aos Crips e aos Bloods. Ross se converteu no principal provedor dosCrips e de seus rivais os Bloods.Por meados dos anos 80, Ross comprava mais de 100 kilos de cocaína por semana de Blandón Reyes, com a qualrealizava vendas de drogas de 2 a 3 milhões de dólares por dia! Em 1983, Ross se converteu em fornecedorprincipal de crack dos Estados Unidos, cortesia de seu canal contra de cocaína. No momento em que o crack chegouàs ruas de Los Angeles, Ross havia estabelecido já sua infra-estrutura de distribuição por meio dos Crips e dosBloods, que dominavam a vizinhança centro sul da cidade perto de Compton. “Era irreal”, disse Ross ao repórterWebb do San Jose Mercury News. “Estávamos acabando com todos” com uma forma de cocaína de altaconcentração, de preço reduzido e de “base livre”.Por um período, a cidade de Los Angeles foi o único centro urbano dos Estados Unidos onde havia crack. Mas,entre o dia de Ação de Graças e o Natal de 1985, segundo documentos da DEA, a cocaína crack chegou às ruas deuma dezena mais de cidades estadunidenses. A cinco dólares a dose, até crianças de nove a dez anos tinham suaintrodução à cocaína. Mas se trata de uma droga assassina. O crack, diferentemente da cocaína, causa dependênciaimediata, porque a cocaína sem base, corre dos pulmões ao coração, e daí ao cérebro e provoca um estupor imediatoque, logo se interrompe de forma igualmente repentina. Os adictos do crack estão predispostos à violência e aparanóia.Inclusive depois de que o crack chegou às ruas de muitíssimas cidades dos Estados Unidos, a cocaína da conexãodos contras vendida por Ross era a mais barata do país. Por cortesia de Ross, os Crips e os Bloods puderam ampliaraté o resto do país suas operações mercantis com cocaína, e abrir sucursais em cidades de todo o país. Com aexpansão das quadrilhas e do consumo de crack, as armas também inundaram as ruas das cidades estadunidenses. E,de novo, os canais para o tráfico de armas se estabeleceram via Blandón Reyes e a infra-estrutura dos contrasdirigida por George Bush.Segundo Ross, quando os Crips e os Bloods estabeleceram suas operações de distribuição de crack, Blandón Reyesse converteu no principal provedor de armas, instrumentos de vigilância e outros apetrechos militares. “Uma vez[Blandón Reyes] tratou de vender a meu sócio um lançador de granadas”, disse Ross ao jornalista Webb. Ao menosum dos provedores de armas de Blandón Reyes era Ronald J. Lister, um ex-detetive de polícia de Laguna Beach,Califórnia, que passou por vários organismos federais, entre eles a DEA, a CIA e o FBI. Lister era quemapetrechava e “arrecadava fundos” para os contras na zona ocidental dos Estados Unidos.A CONEXÃO COLOMBIANAA prosperidade da sociedade criminal de Blandón Reyes com Ross --- em Los Angeles --- dependia doaprovisionamento ilimitado de cocaína de alta qualidade e barata da Colômbia. E é aqui onde entram em cenaGeorge Bush, Oliver North e o “ex” funcionário da CIA Félix Rodríguez.Foi concedido a Meneses Cantarero asilo político na Califórnia em junho de 1979, apesar de que aparecesse emtodos os computadores da DEA assinalado como o principal traficante de drogas da Nicarágua. A verdade é queMeneses Cantarero nunca veria o interior de uma prisão estadunidense, ou sequer a sala de um tribunal. Osfuncionários estadunidenses comissionados ao combate às drogas se queixavam amargamente dos obstáculos quelhes eram colocados pela “estrutura de segurança nacional” e a Divisão de Delitos do Departamento de Justiçasempre que tratavam de colocar as mãos em Meneses Cantarero. Foi preso depois, em 1992, já de regresso aManágua, pela polícia antidrogas do regime pós-sandinista. A polícia se apropriou de 750 kilos de cocaína pura emuma invasão de domicílio em suas propriedades. No julgamento vieram à luz detalhes de sua quadrilha.Enrique Miranda, elo de Meneses Cantarero com os cartéis de cocaína da Colômbia, declarou que na primeirametade dos anos 80, Meneses Cantarero obtinha sua cocaína da Colômbia através de Marcos Aguado, um pilotonicaragüense que era então um importante comandante da Força Aérea de El Salvador e que realizava vôos paralevar “ajuda humanitária” e armas aos contras na base aérea de Llopango, no subúrbio da capital, São Salvador. Oagente da DEA encarregado de El Salvador, Celerino Castillo, identificaria Aguado como um dos muitos pilotos doscontras que eram conhecidos contrabandistas de cocaína. Aguado voava com aviões da Força Aérea de El Salvador
  8. 8. para a Colômbia, onde os carregava de cocaína para levá-la depois aos Estados Unidos, onde aterrissava em basesmilitares estadunidenses, diz a declaração de Miranda.A operação para o abastecimento dos contras em Llopango era dirigida desde a Casa Branca, por canal do assessorde segurança nacional de Bush, e ex-funcionário da CIA Donald Gregg e o “ex” funcionário da CIA FelixRodríguez, o qual esteve em cena em Llopango. Transcrições das audiências do Congresso sobre o escândalo Irã-contras, dadas a conhecer em 1987, revelaram que Rodríguez mantinha Gregg e Bush perfeitamente informados dasoperações em El Salvador.Não obstante as aterrissagens de aviões repletos de cocaína, esta não podia desaparecer das bases militaresestadunidenses sem a participação de importantes funcionários do Pentágono. Eles também estavam subordinadosao Vice-Presidente George Bush, tanto pelas Diretivas de Segurança Nacional 2 e 3, que criaram o Grupo deSituações Especiais, e seu subordinado, o Sub-grupo de Planejamento Prévio de Crises, para servir de pontos focaispara o programa secreto de ajuda aos contras (ver detalhes no Capítulo seguinte, onde se incluem fragmentos dedocumentos oficiais do governo).O segredo dos preços de ganga (crack) oferecido por Meneses Cantarero aos Crips e aos Bloods, que tornarampossível inundar as ruas dos Estados Unidos de cocaína colombiana, era que a operarão deste era “a prova defracassos”. A cocaína era a “contribuição” dos cartéis colombianos aos “contras”, muitas vezes sem custo. Em troca,desfrutaram de uma década de relativa imunidade ante qualquer intento sério estadunidense de combater as drogas.Não é de se surpreender, já que por meados dos anos 80 o Presidente Reagan havia colocado George Bush à frenteda campanha da Casa Branca para combate às drogas. Bush dirigia o Sistema Nacional de Interceptação Fronteiriçade Entorpecentes (NNBIS), que foi criado com o fim de coordenar os esforços de todos os organismos federais,estatais e locais dedicados à luta contra o comércio de narcóticos ilegais, em especial na costa sul da Flórida, poronde entrou muita cocaína nos Estados Unidos na era dos contras. Meneses Cantarero se aproveitou deste acerto.Ele possuía um rancho na Costa Rica que servia de base aos contras e de estação de reabastecimento de combustívelpara os aviões que percorriam a rota entre os Estados Unidos e Colômbia. Segundo declarações apresentadas norecente julgamento contra Ricky Ross, Meneses Cantarero armazenava grandes quantidades de cocaína em Miami,que transportava semanalmente, para entregá-la a Blandón Reyes e sua rede de distribuição de Los Angeles.Os aviões que voavam da América do Sul para as bases militares dos Estados Unidos eram quase completamenteimunes à detecção do Serviço da Guarda Costeira, de aduanas, da DEA e de outros organismos para o combate aonarcotráfico, graças ao mecanismo logístico de “ponto focal” do Estado Maior do Comando Conjunto e ao SistemaNacional de Interceptação Fronteiriça de Entorpecentes, que tinham acesso aos códigos de identificação dos vôosmilitares e de segurança nacional em espaço aéreo dos Estados Unidos.AS CONSEQUÊNCIASEm princípios de 1987, o Congresso não renovou a Emenda Boland, que havia impedido que o governo de Reaganempregasse a CIA abertamente para apoiar os contras na Nicarágua. Agora, as fechaduras do dinheiro estavamabertas, sem os limites de 1981. A derrubada de um avião de abastecimento dos contras, na Nicarágua, em outubrode 1986, revelou pela primeira vez a magnitude da operação secreta ilegal da Casa Branca para ajudar os contras. OSenador democrata John Kerry imediatamente haveria de iniciar uma investigação na Comissão de RelaçõesExteriores do Senado sobre as provas embaraçosas do tráfico de entorpecentes que os contras realizavam. Nestaocasião, a equipe do Vice-Presidente Bush se viu forçada a realizar um ambicioso programa para minimizar osdanos.Em 27 de outubro de 1986, agentes do FBI, do Serviço de Arrecadação Fiscal, do Departamento de Justiça daCâmara Municipal de Los Angeles e a polícia local, armados de ordens de apreensão contra Danilo Blandón Reyes,contra sua esposa e contra muitos de seus colaboradores, invadiram uma dezena de lugares no sul da Califórnia.Tudo indicava que os Blandón Reyes eram parte de uma quadrilha de traficantes de cocaína. Um primo da esposa deBlandón Reyes, Orlando Murillo, ex-executivo bancário nicaragüense que se havia instalado em Coral Gables,Florida, e que ocupava a vice-presidência da Corporação de Valores Governamentais, havia sido o “banqueiro” dogrupo, para facilitar a lavagem de dinheiro nas contas dos contras. As invasões foram, contudo, um fracasso monumental. Blandón Reyes foi alertado e não se encontrou nenhumaprova que o inculpasse. Retirou-se então para a Flórida com 1.600.000 dólares em espécie. Apesar disto, vários anosdepois Blandón Reyes regressou à Califórnia para vender outra vez cocaína. Desta vez, falhou e foi processado. Maso Sub-procurador dos Estados Unidos, L. J. O`Neale, que havia participado dos preparativos para encobrir aquadrilha de traficantes de cocaína de Blandón-Meneses-FDN, interveio para que fosse reduzida a condenação deBlandón Reyes a 28 meses de prisão. Blandón Reyes passou a maior parte deste tempo dando informações a agentesfederais; em 19 de setembro de 1994 saiu da prisão e entrou para a folha de pagamento da DEA! Desde então temrecebido pelo menos 166.000 dólares livres de impostos em pagamentos pelo Departamento de Justiça.Juan Norwin Meneses Cantarero deixou os Estados Unidos antes que empreendessem algo contra ele, apesar demais de uma década de traficar cocaína. Depois de trabalhar na Costa Rica durante vários anos, tratou, sem êxito, de
  9. 9. restabelecer seu negócio de cocaína na Nicarágua. Posteriormente foi detido pelo governo pós-sandinista esentenciado por tráfico de cocaína. Cumpre condenação de 30 anos em uma prisão nicaragüense.O Departamento de Justiça de Los Angeles criou a unidade tática “Freeway Ricky” para prender Ross, o qual entãoé o mais notório traficante de cocaína da região. Ross deixou a cidade e se mudou para Cincinati, onde foi presopouco depois. Cumpriu uma condenação de cinco anos de prisão e regressou às ruas de Los Angeles há vários anos.Mas, marcado por seu destino, voltou a trabalhar com seu velho sócio... Blandón Reyes. Em 2 de março de 1995, aDEA deteve Ross, depois de haver feito uma armação com ajuda de Blandón Reyes, seu velho fornecedor doscontras. Em agosto de 1996 foi decretada decisão condenatória contra Ross. O governo pede que o condene a prisãoperpétua sem possibilidade de liberdade condicional.A EXPLOSÃOA publicação da série do San Jose Mercury News provocou uma explosão de ira, especialmente entre osCongressistas californianos, que têm vivido com a praga da cocaína crack por mais de uma década.Em 23 de agosto de 1996, o Conselho da cidade de Los Angeles aprovou por unanimidade uma resolução que pedea Procuradora-geral dos Estados Unidos, Janet Reno, que investigue se a CIA esteve envolvida no desencadeamentoda epidemia de crack e na guerra das quadrilhas dos Crips e Bloods. O conselheiro negro Nate Holden apresentou aresolução e disse a respeito: “Vemos as famílias destroçadas, os adictos de crack, os bebês de crack, os tiroteios, osroubos e assassinatos, e tudo por drogas; nos parece que pode haver um inimigo por dentro... É como se nosso paísnos declarasse a guerra. É igual como se um inimigo deixasse cair bombas sobre nós”.No mesmo 28 de agosto de 1996, a Senadora democrata pela Califórnia Bárbara Boxer escreveu ao diretor da CIA,John Deutch, para pedir-lhe uma investigação das denúncias da série do San Jose Mercury News. Ironicamente, em1986, quando era Congressista da região da Baía de São Francisco, Boxer pediu a Comissão Judicial da Câmara deDeputados que investigasse sinais da vinculação dos contras com uma descoberta de cocaína em São Francisco. Ocaso de janeiro de 1983, conhecido como “O processo dos homens rãs”, culminou com a detenção de uma dezenade homens que foram capturados quando tratavam de contrabandear 440 toneladas de cocaína no porto de HuntersPoint, em São Francisco. As drogas foram levadas aos Estados Unidos pelo navio Ciudad de Cúcuta, da empresa denavegação Gran Colombiana. Este era então o maior carregamento de cocaína descoberto na Califórnia. E quem erao fornecedor das drogas? Juan Norwin Meneses Cantarero, o chefe da quadrilha dos contras traficantes de cocaína.O esforço de Boxer de iniciar uma investigação sobre os possíveis vínculos dos contras com a cocaína antes de 1986se deparou com um sólido muro de cimento.Na carta enviada ao chefe da CIA em 28 de agosto de 1996, a Senadora Boxer destaca que “por mais de uma décadatem perdurado os rumores da conexão contras-CIA [cocaína]. Penso que essas inquietudes somente se resolverãocom uma investigação transparente e profunda dos acontecimentos. Peço-lhe que faça esta investigação e que seusresultados sejam públicos”.Em 4 de setembro de 1996, Deutch respondeu ao pedido da Senadora Boxer em uma carta que a legisladoracaliforniana deu a conhecer ao público. “Considero que se trata de acusações muito graves”, disse Deutch, eacrescenta: “A revisão que ordenei dos arquivos da organização que dirijo, na qual se inclui um estudo elaboradoem 1988 e dado a conhecer aos comitês de Inteligência do Congresso, respalda a conclusão de que a agência nuncaparticipou do tráfico de entorpecentes e nunca fez nada para tolerar o tráfico de drogas dos contras. Em particular, aCIA nunca teve relações nem com Blandón nem com Meneses, e tampouco parece que haja ocultado informaçãorelativa a qualquer um deles no julgamento que se entabulou contra Ricky Ross”.Deutch continuou: “Ainda que pense que não há substância nos argumentos do Mercury News, desejo esclarecerqualquer suspeita do público sobre o tema. Em conseqüência pedi que o Inspetor Geral da agência realize umarevisão interna imediata e a fundo de todos os alegados concernentes a nossa dependência publicados pelo jornal ...Ordenei que a revisão seja concluída em 60 dias”.Em 30 de agosto de 1996, a Deputada democrata pela Califórnia, Máxime Waters, a Congressista do centro sul deLos Angeles que trabalhou para dito distrito durante anos na Assembléia do Estado da Califórnia, escreveu aProcuradora-geral dos Estados Unidos, ao diretor da CIA e aos líderes dos partidos democrata e republicano doCongresso para que realizassem uma investigação de grande alcance sobre as denúncias relacionadas ao crack e aoscontras. “De modo igual que qualquer um que haja visto como o comércio de crack devastou o centro sul de LosAngeles, não posso exagerar meu sentimento de consternação de que meu próprio governo haja participado dasorigens e da história deste problema”. Waters pediu que a entregassem todos os arquivos que o Departamento deJustiça dos Estados Unidos possui sobre Meneses Cantarero, Blandón Reyes e Ross.Vários dias depois de ter enviado as cartas, a Deputada Waters prometeu realizar audiências no Congresso sobre asdenúncias, sem importar qual fosse a resposta dos líderes do Congresso. “Não se necessita permissão de nenhumórgão para fazer uma audiência”, afirmou Waters. De imediato se trasladou ao centro Correcional Metropolitano deSan Diego para fazer a uma entrevista de duas horas e meia com Ricky Ross.
  10. 10. O Presidente George Bush em uma reunião da Parceria por uma América Livre de Drogas (Partnership for aDrug Free America), celebrada em Washington, DC, em 2 de novembro de 1989. Durante todo o tempo em que oscontras estavam desencadeando a epidemia de crack, o Vice-Presidente George Bush era o encarregado dogoverno de Reagan do programa para a América Central, e supervisionava todas as atividades da CIA, doPentágono e todas as demais agências de Inteligência do governo. A Organização de Meneses CASA BRANCA Vice-Presidente George Bush Donald Gregg Oliver North Rob Owen Félix Rodrigues Adolfo Calero Coronel Enrique Bermúdes “Contras” (FDN) Norwin Meneses “Segurança e Inteligência” da FDN São Francisco Marcos Aguado Enrique Miranda Danilo Blandón Horatio Pereira Orlando Murillo Llopango (Los Angeles) (Costa Rica) (Corporação de Valores Governamentais, Coral Gables, Flórida) Ricky Donnell Ross (Los Angeles) Julio Savala Carlos Cabezas Cartéis de cocaína da Colômbia “Grupo de homens rãs” Bloods Crips $
  11. 11. Estrutura para a América Central da Diretiva de Segurança Nacional No. 2 Presidente Grupo de Planejamento Prévio de Crises Conselho de Segurança Nacional Grupo de Grupo de Situações Planejamento Especiais de Segurança Nacional Secretário de Estado Grupo Interdepartamental Especial (GIE) Política Exterior Grupo Interdepartamental - Centroamérica (GI-CA) Departamento de Estado Chefes do Agência Pessoal do Outros Secretaria Central de Conselho de quando Estado de Inteligência Segurança seja Maior Defesa Conjunto (CIA) Nacional necessárioEsta estrutura de operações da NSDD-2 para a América Central foi delineada em um memorando da Casa Branca
  12. 12. Capitulo 2George Bush: o policial que cometeu ocrimeEm 7 de junho de 1986 o vice-presidente George Bush anunciou que o governo de RonaldReagan havia determinado oficialmente, pela primeira vez, “que o comércio internacional dedrogas é um problema de segurança nacional” vinculado ao terrorismo.George Bush, imediatamente, apresentava-se a si mesmo como o combatente nacional porexcelência contra as drogas. |O Presidente Reagan criou em 28 de janeiro de 1982 a EquipeEspecial do Sul da Flórida (South Florida Task Force), a qual colocou sob as ordens de GeorgeBush, parra coordenar os esdforços para fazer frente ao avanço dos narcóticos. Em 22 de marçode 1983, Bush foi colocado no comando do Sistema nacional de Interceptação Fronteiriça deNarcóticos (national narcoticss Border Interdiction Systems --- NNBIS). Posteriormente, emagosto de 1986, Bush foi nomeado chefe da Operação Aliança (Alliance Operation), um acordopara a cooperação com o México para deter o fluxo de drogas que passava pela fronteira entreambos os países.Era o caso clássico do policial corrupto, mas muito pior. Havia uma perversa ironia naspalavras de Bush de “que o comércio internacional de drogas é um problema de segurançanacional”pois, com Bush, os organismos encarregados da segurança nacional dos EstadosUnidos não só protegeram, como em realiodade dirigiram muito do comércio das drogas.No Capítulo 1 deste informe apresentamos um caso exemplar da relação da “segurançanacional” com o comércio de drogas no assunto da epidemia de crack de Loss Angeles. Paracompreender mwelhor como funciionou, examinaremos agora como George Bush dispôssistematicamente dos organismos de segurança nacional ao seu alcance nos primeiros anos dogoverno Reagan-Bush.“Manejo de crises”Para compreender a forma pela qual funcionava o “governo secreto” de Bush temos que ver osorganismos disponíveis pela Casa Branca para o “manejo de crises”, que não estavam formadospor “pessoal” do mal chamado Conselho de Segurança nacional, senão por pessoal da Casabranca, consagrado a matérias amplamente definidas da segurança nacional.“manejo de crises” é o negócio dos velhacos. Nos primeiros meses do governo de Reagan eBush em 1981, houve uma disputa entre George Bush e o Secretário de estado Alexander haigpelo domínio do “manejo de crises”. Em 22 de março de 1981, o Washington Post publicou umartigo intitulado “Bush encabeçará o manejo de crises”, dizendo que o Vice-presidente Bushencabeçaria uma nova estrutura para o “manejo de crises”, o que significava “uma função semprecedente para um Vice-presidente”. O artigo assinalava que durante o governo de Carter, estafunção esteve a cargo do Conselho de Segurança Nacional do então Zbigniew Brzezinski.Haig protestou; mas de todos os modos Bush ganhou. Neste tempo Bush se apoderou do Grupode Situaç~]oes Especiais (Special Situation Group), cuujo estatuto foi formalizado em dezembrodeste ano.Em 4 de dezembro de 1981, o Presidente Reagan assinou a Ordem Presidencial 12333, a qual, sedisse, “liberava” as agências de iInteligência dos Estados Unidos das restrições que lhes foramimpostas nos anos 70. Foi muito mais que isso:
  13. 13. A Ordem Presidencial 12333, que regia todas as operações de “Inteligência no estrangeiro”,designou ao Conselho de Segurança Nacional (National Security Council --- NSC) “organismomáximo do Poder Executivo” para revisar, guiar e dirigir “toda” Inteligência no exterior, acontra-inteligência e as “atividades especiais” (a dizer, as operações secretas). Isto colocou oNSC efetivamente a cargo da CIA, da Inteligência militar, das operações especiais, etc. Isto nãosignificava que o Conselho de Segurança Nacional do Presidente assumiria dito cargo; istoseria feito pela estrutura de nível maior do NSC, uma estrutura sob a qual Bush aumentava seupoder constantemente.A raiz de um “vácuo” do qual se tinha pouco conhecimento, a CIA se tornava responsável pelarealização exclusiva das “atividades especiais” (operações secretas) --- como já havia sucedidoantes, desde 1947 ---, “a menos que o Presidente determine que é mais provável que outraagência logre um objetivo particular”. Isto, pela primeira vez, abria a porta oficialmente parapermitir que o pessoal do NSC levasse a cabo operações secretas.A Ordem Presidencial 12333 incluiu disposições para que a Inteligência e os organismosencarregados de fazer cumprir a lei empregassem recursos privados.NSDD-2 e NSDD-3Pouco depois, em 12 de janeiro de 1982, se dotou a Diretiva de Segurança Nacional Número 2(NSDD-2), que formalizava a estrutura do Conselho de Segurança Nacional. Foi confirmada aexistência de vários grupos principais nos quais concorriam várias dependências (Grupos deInteragências Seniores --- Sênior Interagency Groups --- SIGs) para a política exterior, defesa, ea Inteligência, um tipo de estrutura kissingeriana (de Kissinger --- N.T.) contra a qual Haig havialutado todo o primeiro ano do governo de Reagan. Na NSDD-2 era mencionada a função doVice-presidente.Sem embargo, um mês antes, em 14 de dezembro de 1981, entre a assinatura da OrdfemPresidencial 12333e o anúncio da NSDD-2, se deu a NSDD-3. Com o título de “Manejo deCrises”, se formalizou o domínio de George Bush sobre a Inteligência e as operações secretas. ANSDD-3 confirmava a existência do Gru7po de Situações Especiais, que, como se disse, “seriapresidida pelo Vice-presidente”.O “Manejo de Crises” foi definido com estes alcances: “Um assunto de segurança nacional parao qual se necessitam decisões presidenciais e instruções operativas mais rápidas que as quenormalmente são proporcionadas pelo pessoal interdirecional do NSC”. A responsabilidade doManejo de Crises foi designada ao Grupo de Situações Especiais (GSE), presidido pelo Vice-presidente.Logo, em 14 de maio de 1982, a primeira fase do “golpe de Eestado frio” culminou, na forma deum memorando extraordináriio intitulado “ Grupo de Planejamento Prévio de Crises (GPPC),elaborado pelo Conselho de Segurança Nacional.Citando como autoridade a NSDD-3, este memorando estabeleceu o Grupo de PlanejamentoPrévio das Crises (GPPC), do qual participavam várias agências, subordinado ao GSE. Esta foiuma manobra astuta; o GSE ia manejar os assuntos de segurança nacional que exigiam umaresposta rápida; mas então foi criado o GPPC, que seria um corpo permanente que se reuniriacom regularidade e traçaria os planos e as diretrizes do GSE. Em outras palavras, “manejo deCrises” já não era somente para crises. Foi estabelecido que o GPPC se reuniria periodicamenteno Salão de Situação (Situation Room) da Casa Branca e que faria o seguinte (ênfases nossas): “Identificar, na medida do possível, as regiões nas quais os interesses dos Estados Unidos estão em jogo, nas quais tensões crescentes ou outras circunstâncias sugiram a possível aparição de uma crise.
  14. 14. “Para cada crise potencial, assegurar que se estabeleça um grupo composto de integrantes de diferentes organismos e que se elaborem os planos de contingência. Proporcionar a direção para o grupo e comissionar a preparação das opções de ações preventivaspara impedir a possibilidade de uma crise, assim como a preparação das opções político-militares para tratar com a eventual crise. “Apresentar ditos planos e opções de ação ao GSE. “Idealizar medidas de procedimento, elaborar instrumentos presidenciais e identificar os recursos essenciais para levar a efeito as decisões do Presidente. “Proporcionar ao GSE, se ocorrer a crise, planos de ação alternativos, opções e planos de execução coordenada que permitam alcançar a solução. “Proporcionar ao GSE os planos de segurança, cobertura e imprensa que se recomendem para reforçar a probabilidade de êxito da execução”.O alcanse disto nos deixa sem fala.Segundo ordens diretas do Vice-presidente, o GSE-GPPC,assume o comando de todos os âmbitos nos quais uma crise potencial possa aparecer, e cria asopções de ações preventivas para fazer frente.A estrutura do GSE-Gppc, segundo um organograma circulado posteriormente pelo Secretáriode Estado George Shultz, atuava nas mesmas condições que o Conselho de Segurança Nacional(não o pessoal do NSC, o qual foi colocado em último nível no organograma), e se encontravaacima do Departamento de Estado. Na realidade se adjudicava o direito de prioridade e tornavairrelevante o caráter do Conselho de Segurança Nacional como parte do gabinete presidencial.Foi a isto que objetou vigorosamente o Secretário de Estado George Shultz, quem, semembargo, não foi escutado.O toque final a tudo isto se deu em um memorando de 12 de maio de 1982 dirigido a todas asagências ordenando-as que fornecessem o nome de seu representante no GPPC a ... OliverNorth.Isto não foi tudo. Em 10 de abril de 1982, o Presidente Reagan foi induzido a assinar a diretivaNSDD-30, sobre o “Manejo de Incidentes terroristas”. Esta diretiva dizia que se uma situaçãoterrorista .................................., o Conselho de Segurança nacional poderia convocar o GSE“por instruções do Vice-presidente”. Assim, o Vice-presidente manejava segundo a convocaçãodo GSE.Além do mais, a NSDD-30 criou o “Grupo de Trabalho Sobre |Incidentes Terrorristas” (TIWG,o “Tee-wig”), “para respaldar o Grupo de Situações Especiais” (a dizer, a Bush). Ao Grupo deTrabalho Sobre Incidentes Terroristas se integravam representantes do |Departamento deEstado, da CIA, do Departamento de Defesa, da Ag~encia Federal de Administração deEmerg~encias (Federal Emergency Management Agency) ee o nível maior do NSC, e erapresidido por um representante deste último, que, para não nos extendermos, era nem mais nemmenos que Oliver North.Assim, ao se colocar em marcha a estrutura da NSDD-30, se combinavam, na medida dopossível, todos os níveis de Inteligência e de política exterior para o “Manejo de Crises” asordens operativas do Vice-presidente dos Estados Unidos George Bush.Continuidade de GovernoA participação da Agência Federal de Administração de Emergências (AFAE) no Grupo deTrabalho Sobre Incidentes Terroristass (GTSIT) leva nossa atenção a outro projetosupervisionado por Bush nos primeiros anos do governo de Reagan: “Continuidade de governo”
  15. 15. (CG).Antes que Oliver North se envolvesse na América Central e com os contras, iisto era noque estava trabalhando com Bush em seu cargo de integrante do NSC. A isso se chamou tambémalgumas vezes “Projeto Dia do Juízo Universal”, o qual o New York Times descreveu em 1994como um amálgama de mais de 200 ´progrramas negros`tão secretos que só um punhado demilitares e civis sabiam deles”.“Continuidade de Governo” (CG) implicou um par de diretivas: primeiro foui a NSDD-47,assinada em julho de 1982, pertencente a AFAE, e que proporcionava uum comitê secreto devárias dependências para a “continuidade de governo”, integrado por 10 altos funcionários dogoverno. Diz um relato que em 1982 se criou uma nova dependência que se chamou Organismopara os Meios de Planejamento de Mobilização para a Defesa (Defense Mobilization PlanningSystems Agency0, cujos funcionários receberam instruções de reportarem-se ao Vice-presidenteBush.Logo, em janeiro de 1983, apareceu a diretiva NSDD-55, redigida por North, que estabelecia oprograma do CG, que, segundo o New York Times, seria “supervisionado pelo Vice-presidenteGeorge Bush”.Os organismos em mãos de Bush se seguiram refinando nos dois anos seguintes. As funções doGTIT foram determinadas na diretiva NSDD-138, redigida por Oliver North e assinada em 3 deabril de 1984. Foi designado ao GTIT respaldar o grrupo de Situações Especiais de Bush. Maisainda, em julho de 1985, o Presidente Reagan colocou Bush a frente de uma nova equipe contraterrorismo, formado por representantes do Deparrtamento de defesa, o Departamento de Estadoe o Conselho de Segurança Nacional, além de Oliver Revell, alias “Buck” (o outro “Ollie”), e deum cidadão israelense, Amiram Nir, pelo menos até a estranha e imprevista morte de Nir em1987.(Um dos primeiros atos deste importantíssimo grupo contraterrorista foi a liberação de váriosreféns estadunidenses seqüestrados no Líbano por grupos mmuçulmanos respaldados pelo Irã.Assim, com as rendas do contraterrorismo, o Vice-presidente Bush tornou-se oficialmente acargo do que posteriormente apareceria como o programa secreto de venda de armas ao Irã).O informe da Equipe Especial (Task Force) do Vice-presidente, dado a conhecer em fevereiro de1986, criou uuma extensão permanente do grupo: o Subgrupo de Operações )Operations Sub-Group, SGO), um subgrupo oficialmente do GTIT da Bush. Também estabeleceu, dentro doNSC, uma direção permanente encarregada do contraterrorismo, a cargo de ... Oliver North. Osdois assistentes de North, Craig Coe e Robert Earl, foram sensivelmente passados da EquipeEspecial de Bush a esta direção.O Subgrupo de Operações (SGO) --- o coração do “governo secreto de Bush” --- foi escolhidode entre o grupo formado por representantes do NSC, o Departamento de Defesa, a CIA e oFBI, grupo interdepartamental que servia de ponte para as operações regulares das dependênciasde Inteligência e das encarregadas de velar pelo cumprimento da lei. Por exemplo, se “Buck”Revell, do FBI, operava com autorização do Subgrupo de Operações (SGO), se reportaria aoSGO, e não ao diretor do FBI. Ao SGO se empregava, entre outras coisas, para realizarinspeções em assuntos acionais e para fazer “truques sujos” aos inimigos de Bush, em particularaos que se opunham a política adotada com os Contras.O aparato do “governo secreto”, constrído por Bush entre 1981 e 1986, pode obter erecursos daCIA, das unidades de “operações especiais” do Departamento de defesa e do setor “privado”.Sem embargo, as operações levadas a cabo pelo aparato de Bush da Casa Branca não eramoperações nem da “CIA” nem do “Pentágono”, ainda que ditas dependências com fre4quênciaas tomavam muito ..................... Em alguns casos, a estrutura Bush-NSCera usada para coisassque a CIA não podia fazer,ou que não deveria fazer. Isto se entrelaça com a “privatização” demuitas ooperações da CIA e da Inteligência dos Estados Unidos, fenômeno que se iniciou comas purgas da CIAA rrealizadas durante o governo Carter, e quue se aceleraram depois quando
  16. 16. William Casey esteve a frente de dita agência: regar por todas as partes, o que chamaremos “osasteróides”.Examinaremos esta estrutura com mais detalhe no Capítulo 3.
  17. 17. Capítulo 9 Acusação formal contra George Bush e companhiaRascunho do auto de acusação penal contra George Bush ,chefe da quadrilha, e seus cúmplices, por tráfico dedrogas e outros delitos.Todos os feitos delituosos mencionados nesta acusação estão documentados; a maior partedas provas provem do “Informe Kerry”, emitido pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, ou do informefinal do fiscal independente sobre o caso Irã-contra. TRIBUNAL FEDERAL DOS ESTADOS UNIDOS DISTRITO DE COLUMBIA OS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA CASO PENAL NO.________________ Vs. GEORGE HERBERT WAKER BUSH ACUSAÇÃO 1:Artigo 18 do CEU # 1961 e DONALD P. GREGG seg. Associação delituosa FÉLIX RODRIGUEZ codinome “Max Gómez” ACUSAÇÃO 2:Artigo 21 do CEU ## 952 & OLIVER L. NORTH 963. Conspiração para importar entorpecentes codinome “William Goode” codinome “Mr. Green” ACUSAÇÃO 3:Artigo 21 do CEU # 848 RICHARD V. SECORD Empresa delituosa contínua codinome “Richard Copp” (Chefia de uma quadrilha narcotraficante) codinome “General Richard Adams” ROBERT W. OWEN ACUSAÇÃO 4:Artigo 18 do CEU # 1503 codinome “TC” Conspiração para obstruir a administração codinome “The Courier” da justiça JOHN HULL ADOLFO CALERO ACUSAÇÃO 5:Artigo 18 do CEU # 1505 JUAN N. MENESES CANTARERO Conspiração para obstruir as funções do OSCAR DANILO BLANDON REYES Congresso WILLIAM F. WELD
  18. 18. AUTO DE ACUSAÇÃO PENALO grande jurado acusa: Acusação 1: Associação delituosa A empresa1. Durante todo o lapso de tempo que abarca esta acusação, existiu uma empresa definida nos termos do parágrafo18 do Código dos Estados Unidos (CEU), seção 1961 (4), a dizer, um grupo de indivíduos associados de fato queaproveitaram dos postos oficiais do acusado GEORGE HERBERT WALKER BUSH no governo dos EstadosUnidos da América para facilitar o movimento, a importação e a distribuição de grandes quantidades deentorpecentes ilegais dentro dos Estados Unidos.2. Os membros da empresa foram os indivíduos objeto desta acusação penal e outros, entre eles, traficantesinternacionais de drogas que utilizaram a empresa e os postos oficiais de GEORGE HERBERT WALKER BUSH,DONALD P. GREGG E OLIVER L. NORTH para facilitar seus negócios de entorpecentes e lavagem de dinheiro. Funções da empresa3. De janeiro de 1981 a janeiro de 1989, GEORGE HERBERT WALKER BUSH (“BUSH”) foi Vice-presidentedos Estados Unidos, e de janeiro de 1989 a janeiro de 1993, BUSH foi Presidente dos Estados Unidos.a. Postos oficiais de BUSH: A partir de 1981 e até 1989, enquanto era Vice-presidente dos Estados Unidos, oacusado BUSH assumiu faculdades extraordinárias sobre as operações clandestinas e de Inteligência dos EstadosUnidos, entre elas, as seguintes funções oficiais, que explorou para lograr os objetivos descritos no parágrafo 16.(I) Nos primeiros meses do novo regime de Reagan e Bush, o acusado BUSH lutou para apoderar-se das faculdadesde “Manejo de Crises” do governo dos Estados Unidos.Isto se refletiu em um artigo publicado em 22 de março de1981 no Washington Post sob o título “Bush encabeçará o manejo de crises”.(II) Em 14 de dezembro de 1981,o Presidente Ronald Reagan foi induzido a assinar a Diretiva de SegurançaNacional 3 (DSN-3), sobre o “Manejo de Crises”, a qual designou o Vice-presidente, diretor do Grupo de SituaçõesEspeciais (GSE), encarregado do manejo de crises. Durante todo o lapso de tempo que abarca esta acusação, BUSHdirigiu o GSE.(III) Em 12 de janeiro de 1982, o Presidente Ronald Reagan foi induzido a assinar a Diretiva de Segurança Nacional2 (DSN-2), que reafirmou a existência de vários grupos interdepartamentais encarregados de Inteligência eoperações clandestinas. Segundo a interpretação que BUSH promoveu deste documento, o GSE que ele encabeçavaabsorvia as faculdades do Conselho de Segurança Nacional em questões de “Manejo de Crises”que incluíramoperações clandestinas e de contra-terrorismo.(IV) Em 28 de janeiro de 1982, BUSH ficou encarregado da equipe especial do sul da Flórida, que enfrentavaassuntos de entorpecentes.(V) Em 14 de maio de 1982, foi criado, em caráter permanente, um Grupo de Planejamento Prévio das Crises(GPPC), subordinado ao GSE. Sob a direção de BUSH, à este grupo foi dado ingerência em qualquer aspecto emque se previsse uma “crise em potencial”,e se lhe encarregou de elaborar “opções preventivas”para enfrentar ditascrises.(VI) Em 10 de abril de 1982, foi emitida a Diretiva de Segurança Nacional 30 (DSN-30), sobre “Manejo deIncidentes Terroristas” que deu ao Vice-presidente a faculdade de convocar o GSE e que criou o Grupo de Trabalhosobre Incidentes Terroristas (GTIT) para apoiar o GSE. Durante todo o lapso de tempo que abarca esta acusaçãopenal, BUSH dirigiu e controlou o GTIT.(VII) Em 23 de março de 1983, BUSH tomou o comando do Sistema Nacional de Interceptação Fronteiriça deEntorpecentes (SNIFE).(VIII) Em julho de 1985, foi criada a Equipe Especial Vice-presidencial sobre Terrorismo, encabeçada por BUSH.(IX) Em fevereiro de 1986, a Equipe Especial Vice-presidencial sobre Terrorismo, sob a direção de BUSH, emitiuseu informe, pelo qual foi criado o Sub-grupo de Operações, oficialmente parte do GTIT de BUSH, assim como umescritório permanente de contra-terrorismo entre o pessoal do Conselho de Segurança Nacional, encabeçado peloacusado OLIVER NORTH, com a finalidade de prestação de contas, controlado e dirigido por BUSH.
  19. 19. (X) Em agosto de 1986, BUSH tornou-se chefe da “Operação Aliança”,operação contra o narcotráfico que eraconduzida em cooperação com o México.b. Associação de BUSH com os contras,o narcotráfico colombiano e outros traficantes de entorpecentes: O acusadoBUSH utilizou seus postos oficiais para proteger traficantes internacionais de drogas ilegais, para impedir que asautoridades competentes dos Estados Unidos interceptassem embarques de entorpecentes, e para facilitar otransporte, a importação e a distribuição de drogas ilegais. Mais ainda, BUSH utilizou seus postos oficiais paraevitar que se descobrisse a relação dos contras com o narcotráfico, e para obstruir as investigações policiais elegislativas sobre os contras e o narcotráfico.4. De 1951 a 1982, DONALD P. GREGG foi encarregado da Agência Central de Inteligência (CIA). Em 1979, aCIA destacou GREGG ao pessoal do Conselho de Segurança Nacional. Durante 1981 e 1982, GREGG encabeçou oDiretório de Inteligência do CSN. Em agosto de 1982, GREGG renunciou à CIA e assumiu o cargo de Acessor deSegurança Nacional do Vice-presidente GEORGE BUSH. GREGG permaneceu nesse posto até janeiro de 1989.GREGG apresentou FELIX RODRIGUEZ à BUSH e à OLIVER NORTH. GREGG supervisionava diretamente asatividades de Rodriguez.5. FELIX RODRIGUEZ é um empregado da Agência Central de Inteligência, a quem GREGG recrutou emdezembro de 1984, aproximadamente, para que ajudasse à ele e à BUSH no suprimento de armas e outrosapetrechos aos rebeldes contras da Nicarágua. RODRIGUEZ montou sua base de operações no campo aéreo deLlopango, em El Salvador. Em nome de BUSH e GREGG, RODRIGUEZ recrutou traficantes de entorpecentes paraque o ajudassem a suprir os contras, assim como a custear as atividades destes e as operações de abastecimento. Emconexão com estas atividades, RODRIGUEZ usou muitas vezes o pseudônimo “Max Gomez”.6. OLIVER NORTH era um Tenente-Coronel do Corpo de Infanteria da Marinha dos Estados Unidos, destacado aopessoal do Conselho de Segurança Nacional em 1981, onde permaneceu até 25 de novembro de 1986.NORTH tinhao posto de Sub-diretor de Assuntos Político-militares. Mais ou menos a partir de outubro de 1984 e até outubro ounovembro de 1986, NORTH foi designado por BUSH para conduzir certas atividades com respeito aos contras, ocontra-terrorismo no Irã. NORTH serviu à BUSH como elo de ligação entre os contras e os traficantes de drogas.Em conexão com estas atividades, NORTH usou de vez em quando pseudônimos como “William Goode”e “Mr.Green”.7. RICHARD V. SECORD foi acessor do Departamento de Defesa e do Conselho de Segurança Nacional de 1983 a1986. Quando se retirou da Força Aérea dos Estados Unidos, em 1983, SECORD tinha o posto de General deDivisão. Em 1983, SECORD tornou-se presidente da Stanford Technology Trading Group International , comescritórios em Vienna,Virgínia. A partir de fins de 1984, assumiu a responsabilidade de abastecimento dos contrascom material de guerra, entre outras coisas. Sua ponte aérea foi utilizada para despachar e importar drogas aosEstados Unidos; muitos dos pilotos que contratou eram contrabandistas de drogas. Em conexão com estas e outrasatividades, SECORD usou de vez em quando os pseudônimos “Richard Copp”e “General de Divisão RichardAdams”.8. ROBERT OWEN trabalhava no escritório do Senador Dan Quayle quando conheceu o acusado JOHN HULL.OWEN levou HULL a reunir-se com NORTH e outros sujeitos no Conselho de Segurança Nacional e noDepartamento de Defesa. Em 1984, OWEN conheceu o acusado ADOLFO CALERO e se fez empregado doscontras, mas continuou fornecendo informes regulares a NORTH. OWEN servia como “olhos e ouvidos” deNORTH no rancho de HULL na Costa Rica, assim como em outros lugares onde os contras efetuavam embarquesde armas e drogas ilegais. OWEN ajudava a coordenar ditos embarques. Em novembro de 1985, OWEN entrou paraa folha de pagamentos do escritório de Ajuda Humanitária Nicaragüense. Em conexão com estas atividades, OWENrecebeu de vez em quando os pseudônomos “TC” e “The Courier ( O Mensageiro)”.9. JOHN HULL possuía um grande rancho na Costa Rica, que foi usado como um dos principais pontos detransbordo de entorpecentes e armas para os contras. Muitos dos pilotos que transportavam drogas como parte daempresa receberam instruções de voltar ao rancho de HULL.10. Os contras eram insurgentes que efetuavam operações militares e paramilitares na Nicarágua e suas imediações,com a intenção de derrotar o regime Sandinista.11. ENRIQUE BERMUÚDEZ foi Coronel da Guarda Nacional Nicaragüense no regime de Somoza; havia sidoadido militar de Somoza em Washington e formou a Frente Democrática Nicaragüense (FDN), a principalorganização contra, em agosto de 1980. BERMÚDEZ utilizou o tráfico de drogas como um dos meios principais definanciar os contras. BERMÚDEZ foi assassinado em 1991 na Nicarágua.12. ADOLFO CALERO era um dirigente do FDN. CALERO utilizou o tráfico de drogas ilegais como um dosmeios principais de financiar os contras.13. JUAN NORWIN MENESES CANTARERO (“MENESES”) era o Chefe de Inteligência e Segurança da FDNno estado da Califórnia. As autoridades competentes dos Estados Unidos sabiam que MENESES era um
  20. 20. narcotraficante importante.Para ajudar a financiar os contras, MENESES ajudou a criar e operar uma grande rede decontrabando e distribuição de drogas nos Estados Unidos, em particular na cidade de Los Angeles, Califórnia, e seusarredores. Em 1991, MENESES foi apreendido na Nicarágua, acusado de tráfico de drogas.14. OSCAR DANILO BLANDÓN REYES (“BLANDÓN”) era sócio de MENESES e participou com este nacriação e operação de uma grande rede de contrabando e distribuição de drogas nos Estados Unidos, em particularna cidade de Los Angeles, Califórnia, e seus arredores, que se especializava na distribuição e venda de cocaína emforma de crack. BLANDÓN foi processado em 1991, recebeu uma sentença reduzidíssima e já se encontra emliberdade.15. De agosto de 1986 a meados de 1988, WILLIAM F. WELD foi Procurador Geral auxiliar dos Estados Unidos,encarregado da Divisão Penal do Departamento de Justiça, o qual começou a exercer as funções do cargo em junhode 1996, quando recebeu a nomeação. WELD explorou este cargo para evitar que se investigasse e se processassemembros e sócios da empresa, entre eles narcotraficantes associados aos contras, assim como para obstaculizar eobstruir as investigações legislativas das relações entre o narcotráfico e os contras. Propósito e objetivos da empresa16. Aproveitando seus postos oficiais, BUSH, GREGG E NORTH estiveram em condições de facilitar ofinanciamento dos insurgentes contras e seu abastecimento de armas e outros apetrechos, protegendo embarques decocaína e marihuana importada para os Estados Unidos.a. Financiamento dos contras(I) No fim de 1982, foi aprovada a lei pública 97-377, a primeira da série de “Emendas Boland”, que proibiuexpressamente a CIA de gastar dinheiro “com propósito de derrotar o governo da Nicarágua”.(II) Em 12 de outubro de 1984, foi aprovada a lei pública 98-473, que proibiu expressamente que os fundos àdisposição de certas agências e dependências do governo dos Estados Unidos fossem comprometidos em gastoscom apoio de operações militares ou paramilitares na Nicarágua. Dita lei diz, na parte correspondente:Durante o ano fiscal de 1985, nada dos fundos à disposição da Agência Central de Inteligência, Departamentode Defesa ou qualquer outra agência ou entidade dos Estados Unidos que tome parte em atividades deinteligência poderá ser comprometido ou gasto para apoiar, direta ou indiretamente, operações militares ouparamilitares na Nicarágua realizada por qualquer nação, grupo, organização, movimento ou indivíduo.Este mandamento legal, que ficou conhecido comumente como “Boland II”, modificou-se duas vezes e permaneceuem vigor pelo menos até o ano fiscal de 1987.(III) Para compensar esta interrupção de financiamento oficial, BUSH, GREGG, RODRIGUEZ, NORTH e outrossujeitos aumentaram seus acordos com traficantes de drogas e fizeram arranjos com os narco-cartéis colombianospara poder usar drogas e os lucros do tráfico de drogas para financiar os contras.b. Abastecimento e armamento dos contras(I). Depois de aprovada a primeira Emenda Boland, BUSH, GREGG, NORTH e outros sujeitos, conhecidos edesconhecidos do grande jurado, começaram a fazer arranjos alternativos para dotar os contras de armas e outrosapetrechos. Depois de aprovada a segunda Emenda Boland, tanto a Agência Central de Inteligência como oDepartamento de Defesa retiraram grande quantidade de pessoal da América Central, deixando um vazio queencheria a empresa.(II). BUSH, GREGG e outros sujeitos, conhecidos e desconhecidos do grande jurado, designaram RODRIGUEZ eNORTH para que fizessem novos arranjos para abastecer os contras de armas e outros apetrechos.(III) BUSH E GREGG despacharam RODRIGUEZ para a América Central em janeiro de 1985 para que montassesua base de operações no campo aéreo de Llopango, em El Salvador.(IV) NORTH pediu a OWEN que se reunisse com CALERO para determinar as necessidades dos contras, eNORTH e OWEN acordaram em usar o rancho de HULL na Costa Rica como base de operações para abastecer oscontras.(V) NORTH pediu a SECORD que criasse uma ponte aérea para abastecer os contras, assim como usar suascompanhias para comprar armas na Europa Oriental e em outras partes para os contras.(VI) NORTH, SECORD e RODRIGUEZ recrutaram pilotos que eram ao mesmo tempo contrabandistas deentorpecentes para que levassem aos contras armas e outros apetrechos, permitindo-lhes trazer entorpecentes emseus vôos de regresso da América Central aos Estados Unidos, e, ademais, permitindo-lhes vender os entorpecentes
  21. 21. e ficar com o fruto da venda.Esta atividade se intensificou em grande escala depois de outubro de 1984, quandoentrou em vigor a segunda Emenda Boland.c. Proteção de embarques de entorpecentesComo incentivo aos pilotos e a outros sujeitos para que levassem armas e outros apetrechos aos contras, os acusadosBUSH, GREGG e NORTH usaram seus postos oficiais para evitar que as autoridades competentes dos EstadosUnidos atrapalhassem o transporte e a importação de drogas para os Estados Unidos.d. Proteção de narcotraficantesComo outro incentivo aos pilotos e a outros sujeitos para que levassem armas e outros apetrechos aos contras, osacusados BUSH, GREGG e NORTH usaram seus postos oficiais para evitar que as autoridades competentes dosEstados Unidos apreendessem os narcotraficantes que participavam do programa de abastecimento dos contras.e. Obstrução da administração da justiça(I) Para impedir que se descobrisse a empresa e suas atividades ilegais, os acusados BUSH, GREGG, NORTH eWELD, assim como outros sujeitos, conhecidos e desconhecidos do grande jurado, trataram de impedir e evitar queas autoridades competentes dos Estados Unidos investigassem membros da empresa e outros sujeitos envolvidos nonarcotráfico dos contras e outras atividades delituosas.(II) Para impedir que se descobrisse a empresa e suas atividades ilegais, os acusados BUSH, GREGG, NORTH eWELD, assim como outros sujeitos, conhecidos e desconhecidos do grande jurado, trataram de impedir e evitar quevárias comissões do Congresso dos Estados Unidos investigassem a relação entre as operações de abastecimentodos contras e o tráfico de entorpecentes. A conspiração17. Mais ou menos desde finais de 1984, os acusados GEORGE BUSH, DONALD P. GREGG, FELIXRODRIGUEZ, OLIVER NORTH, RICHARD SECORD, ROBERT OWEN, JOHN HULL, ADOLFO CALERO,JUAN NORWIN MENESES CANTARERO, OSCAR DANILO BLANDÓN REYES e WILLIAM F. WELD,assim como outros sujeitos, conhecidos e desconhecidos do grande jurado (entre eles Enrique Bermúdez, BarrySeal, George Morales, Michael Palmer, Gary Betzner, Michael Tolliver, Marcos Aguado, Oliver Revell (“Buck”)considerados nesta acusação penal partícipes da conspiração porém não acusados), todos eles membros, empregadosou colaboradores na empresa descrita nos parágrafos de 1 a 16, inclusive, do presente auto, empresa que realizouatividades que afetaram o comércio interestadual e internacional dos Estados Unidos, combinaram-se, conspiraram,aliaram ou acordaram, ilegal, premeditada e conscientemente, realizaram e participaram direta e indiretamente nacondução dos negócios da empresa com uma série de condutas delituosas previstas no Artigo 18 do Código dosEstados Unidos, seções 1961 (1) e 1965 (5), descritas nos parágrafos de 18 a 24, inclusive, do presente auto eviolações do Artigo 18 do Código dos Estados Unidos, seção 1962 (c). A série de condutas delituosas18. A série de condutas delituosas previstas no Artigo 18 do Código dos Estados Unidos, seções 1961 (1) e 1965(5), por cujo meio os acusados conduziram os negócios da empresa e participaram neles é a que segue:a. Importar para os Estados Unidos uma substância entorpecente proibida, a saber, cocaína, em violação do Artigo21 do Código dos Estados Unidos, seção 952, e conspirar para esse fim, em violação do Artigo 21 do Código dosEstados Unidos, seção 963;b. Importar para os Estados Unidos uma substância entorpecente proibida, a saber, marihuana, em violação doArtigo 21 do Código dos Estados Unidos, seção 952,e conspirar para esse fim, em violação do Artigo 21 do Códigodos Estados Unidos, seção963;c. Possuir e distribuir cocaína com conhecimento de que se importava para os Estados Unidos, em violação doArtigo 21 do Código dos Estados Unidos, seção 959, e conspirar para esse fim, em violação do Artigo 21 do Códigodos Estados Unidos, seção 963;d. Possuir e distribuir marihuana com conhecimento de que se importava para os Estados Unidos, em violação doArtigo 21 do Código dos Estados Unidos, seção 959, e conspirar para esse fim, em violação do Artigo 21 do Códigodos Estados Unidos, seção 963. Feitos ilícitos19. Mais ou menos a partir de meados de 1981, os acusadosADOLFO CALERO, JUAN NORWIN MENESES CANTERERO E OSCAR DANILO BLANDÓN REYES,
  22. 22. Assim como Enrique Bermúdez, Marcos Aguado e outros sujeitos,conhecidos ou desconhecidos do grande jurado,premeditada e intencionalmente distribuíram e ajudaram a distribuir grandes quantidades de cocaína, que é umasubstância entorpecente proibida, da Colômbia a Costa Rica e daí aos Estados Unidos, em violação do Artigo 21 doCódigo dos Estados Unidos, seção 959, e do Artigo 18 do Código dos Estados Unidos, seção 2.20. De julho de 1984 a 1985, os acusadosGEORGE BUSH, DONALD GREGG, FELIX RODRIGUEZ, OLIVER NORTH E JOHN HULL,Assim como Barry Seal e outros sujeitos, conhecidos e desconhecidos do grande jurado, premeditada eintencionalmente distribuíram e ajudaram a distribuir grandes quantidades de cocaína, que é uma substânciaentorpecente proibida, da Colômbia a Costa Rica, e daí aos Estados Unidos, em violação do Artigo 21 do Códigodos Estados Unidos, seção 959, e do Artigo 18 do Código dos Estados Unidos, seção 2.21. Mais ou menos a partir de julho de 1984 a junho de 1986,GEORGE BUSH, DONALD GREGG, FELIX RODRIGUEZ, OLIVER NORTH E JOHN HULL,Assim como George Morales e outros sujeitos, conhecidos e desconhecidos do grande jurado, premeditada eintencionalmente distribuíram e ajudaram a distribuir 800 (oitocentos) kgs de cocaína, que é uma substânciaentorpecente proibida, da Colômbia a El Salvador, e daí aos Estados Unidos, em violação do Artigo 21 do Códigodos Estados Unidos, seção 959, e do Artigo 18 do Código dos Estados Unidos, seção 2.22. Mais ou menos a partir de julho de 1984 a outubro de 1986, os acusadosGEORGE BUSH, DONALD GREGG, FELIX RODRIGUEZ, OLIVER NORTH E JOHN HULL,Assim como George Morales e outros sujeitos,conhecidos e desconhecidos do grande jurado, premeditada eintencionalmente distribuíram e ajudaram a distribuir 9.000 (nove mil) libras de marihuana, que é uma substânciaentorpecente proibida, da Costa Rica aos Estados Unidos, em violação do Artigo 21 do Código dos Estados Unidos,seção 959, e do Artigo 18 do Código dos Estados Unidos, seção 2.23. Mais ou menos em 8 de janeiro de 1986, os acusados,GEORGE BUSH, DONALD GREGG, FELIX RODRIGUEZ, OLIVER NORTH E JOHN HULL,Assim como George Morales e outros sujeitos, conhecidos e desconhecidos do grande jurado, premeditada eintencionalmente distribuíram e ajudaram a distribuir 413 (quatrocentos e treze) kgs de cocaína, que é umasubstância entorpecente proibida, da Colômbia a El Salvador, e daí aos Estados Unidos, em violação do Artigo 21do Código dos Estados Unidos, seção 959, e do Artigo 18 do Código dos Estados Unidos, seção 2.24. Mais ou menos em julho de 1984, os acusadosGEOGE BUSH, DONALD GREGG, FELIX RODRIGUEZ, OLIVER NORTH E JOHN HULL,Assim como Gary Betzner, George Morales e outros sujeitos,conhecidos e desconhecidos do grande jurado,premeditada e intencionalmente distribuíram e ajudaram a distribuir 1.000 (mil) kgs de cocaína, que é umasubstância entorpecente proibida, da Colômbia a Costa Rica,e daí aos Estados Unidos, em violação do Artigo 21 doCódigo dos Estados Unidos, seção 959, e do Artigo 18 do Código dos Estados Unidos, seção 2. Passos concretos25. Para levar adiante a conspiração mencionada e cumprir seus objetivos, no Distrito de Colúmbia e em outroslugares, um ou mais dos acusados cometeram, entre outros, um ou mais dos feitos seguintes:(1) E meados de 1981, MENESES e BLANDÓN viajaram para Honduras para reunirem-se com EnriqueBermúdez, e este lhes deu instruções para criar um mecanismo de financiamento para os contras na parte ocidentaldos Estados Unidos.(2) Em 1981, MENESES e BLANDÓN importaram e venderam mais de 2.000 (dois mil) libras de cocaína naCalifórnia.(3) Em 1983, BLANDÓN, MENESES e outros sujeitos começaram a vender e distribuir em Los Angeles crackelaborado a partir de cocaína importada da Colômbia passando por El Salvador e Costa Rica: Muita desta cocaínafoi trazida aos Estados Unidos de avião por Marcos Aguado, que operava do campo aéreo de Llopango, em ElSalvador.
  23. 23. (4) Mais ou menos em 6 de março de 1984, George Morales foi indiciado por contrabando de drogas.Umassemanas depois, Morales se entrevistou com certos dirigentes contras no sul da Flórida --- a saber, Popo Chamorro,Octaviano César e Marcos Aguado --- que lhe disseram que o ajudariam em seus problemas judiciais se ele osajudasse com armas, explosivos e outros artigos.Os dirigentes contras aceitaram suprir drogas a Morales, as quaisele venderia, para em seguida comprar apetrechos para os contras.(5) Em março de 1984, Barry Seal, a quem algumas dependências locais haviam recusado como informante, viajoua Washington, onde visitou os escritórios da Equipe Especial Vice-presidencial sobre Drogas, encabeçada porBUSH. Esta entidade ordenou a DEA (Drug Enforcement Agency---Agência de Esforço contra Drogas-N.T.)contratar os serviços de Seal como informante e permitir-lhe conservar suas propriedades e bens, assim comocontinuar contrabandeando drogas da América Central a Luisiana e Arkansas, entre outros lugares.(6) Em meados de 1984, Barry Seal se entrevistou em Miami com vários representantes do narco-cartelcolombiano, com os quais viajou a Mena, Arkansas, para mostrar-lhes as inastalações que Seal utilizava paracontrabandear drogas e para manter e disfarçar seu avião.(7) Em 12 de maio de 1984, NORTH escreveu em seu caderno: “... o contrato indica que Gustavo está metido em drogas”.(8) Em junho de 1984, MENESES assistiu em São Francisco à uma reunião de arrecadação de fundos comCALERO.(9) Em meados de 1984, NORTH pediu a SECORD que ajudasse CALERO a comprar armas para os contras.(10) Em meados de 1984, NORTH falou com OWEN e lhe pediu que se reunisse regularmente com CALERO paradiscutir as necessidades dos contras, passar-lhes Inteligência e entregar-lhes dinheiro.(11) Em 26 de junho de 1984, NORTH escreveu em seu caderno: “Chamada de Owen---John Hull---Proteção… John já tem um exército privado de 75-100---cubanos metidos em drogas---espera-se Até 100 cubanos mais”.(12) Mais ou menos em julho de 1984, Morales comprou armas na Flórida e as embarcou em um avião naFlórida.O avião regressou depois de alguns dias com um carregamento de entorpecentes, que Morales vendeu,entregando o dinheiro aos contras.(13) Mais ou menos em julho de 1984, pela segunda vez Morales comprou armas na Flórida e as embarcou em umavião na Flórida.O avião regressou depois de alguns dias com um carregamento de entorpecentes, que Moralesvendeu passando o dinheiro aos contras.(14) Mais ou menos em junho ou julho de 1984, Morales telefonou a Gary Betzner e lhe pediu que fosse aFlórida;Morales e Betzner reuniram-se na Flórida para discutir o transporte de armas por avião aos contras e otransporte de drogas no regresso.(15) Mais ou menos em julho de 1984, Betzner levou um avião carregado de armas, entre elas uma metralhadora M-60, rifles M-16 e explosivos plásticos C-4, de Fort Lauderdale, Flórida, ao rancho de HULL na Costa Rica. Norancho de HULL, foram descarregadas as armas e os explosivos, e imediatamente, na presença de HULL, foicarregado no avião 17 sacos de lona cheios de cocaína e cinco ou seis caixas de cocaína, que Betzner levou aLakeland, Flórida.(16) Uns dez dias depois, Betzner levou um avião carregado de armas pequenas do hangar de Morales no aeroportode Opa-Locka, Flórida, à Los Llanos, lugar adjacente ao rancho de HULL, na Costa Rica. As armas foramdescarregadas na presença de HULL e, imediatamente, entre 15 e 17 sacos de lona cheios de cocaína, uns 500(quinhentos) kilogramas, foram carregados no avião para que Betzner os levasse à Flórida.(17) Em 20 de julho de 1984, North escreveu em seu caderno: “Chamada de Clarridge* :---Alfredo César Re Drogas-Borge/Owen deixa Hull só [rasuras] Campo Aéreo Los Brasiles---Owen deixa Hull”.*Nota do Tradutor : Duane R. Clarridge --- para identifica-lo aguarde o próximo lançamento.(18) Mais ou menos de julho de 1984 a janeiro de 1986, por sugestão de Marcos Aguado, Morales treinou pilotosno aeroporto de Opa-Locka, Flórida, para que levassem armas aos contras na América central, e transportassemdrogas em seu regresso aos Estados Unidos.
  24. 24. (19) Entre julho de 1984 e janeiro de 1986, pelo menos em oito ocasiões, Morales ordenou a diversos pilotos quevoltassem ao rancho de HULL na Costa Rica para entregar armas e que trouxessem drogas em seu regresso aosEstados Unidos.(20) Em 23 de julho de 1984, NORTH escreveu em seu caderno: “Chamada de Rob Owen---Chamada de John Hull”.(21) De fins de 1984 a fins de 1986, JOHN HULL recebeu de ADOLFO CALERO, por instruções de OLIVERNORTH, um salário mensal de 10.000 (dez mil) dólares.(22) Mais ou menos em novembro de 1984, Morales comprou mais armas no sul de Miami e as embarcou em umavião em Fort Lauderdale, Flórida. O avião regressou em poucos dias com um carregamento de entorpecentes, queMorales vendeu passando o dinheiro aos contras.(23) Mais ou menos em 1o. de outubro de 1984, Morales passou a Marcos Aguado um avião McDonnell-DouglasDC-3, também conhecido como C-47, para os contras.(24) Em fins de 1984, Morales reuniu-se com Chamorro e outros dirigentes contras e discutiram as atividades doacusado OWEN.(25) Mais ou menos em 20 de dezembro de 1984, Morales reuni-se em um hotel da Costa Rica com os dirigentescontras Popo Chamorro, Octaviano César, comandante Tito e Carlo Prado, para discutir o despacho de drogasilegais para os Estados Unidos.(26) Em meados de dezembro de 1984, OWEN, HULL, CALERO, Enrique Bermúdez, Frank Chanes (dosFrigoríficos Puntarenas), Jack Terrel e outros sujeitos reuniram-se em Miami , na casa de CALERO.(27) Mais ou menos em 21 de dezembro de 1984, RODRIGUEZ reuniu-se com GREGG e NORTH para discutircomo equipar os contras.(28) Pouco depois da reunião de 21 de dezembro, GREGG informou a BUSH que RODRIGUEZ queria ir a ElSalvador e que GREGG ia apresentar RODRIGUEZ a outros funcionários do governo dos Estados Unidosenvolvidos na América Central. BUSH disse “muito bem”.(29) Em 24 de janeiro de 1985, NORTH esceveu em seu caderno; “Rob Owens---John Hull---sem conexões com drogas---acredite”.(30) Em janeiro de 1985, RODRIGUEZ reuniu-se com OWEN no Hotel Marriott Key Bridge, de Roslin,Virgínia.Depois da reunião, OWEN escreveu a NORTH uma carta de duas páginas na qual discute sua reunião comRODRIGUEZ e os projetos deste.(31) Em 22 de janeiro de 1985, BUSH, GREGG E RODRIGUEZ reuniram-se no escritório de BUSH no AntigoEdifício Executivo.(32) Dois dias depois, em 24 de janeiro de 1985, RODRIGUEZ reuniu-se com o General Adolfo Blandón, Chefe doEstado Maior de El Salvador, e em 30 de janeiro de 1985, RODRIGUEZ reuniu-se com o General Bustillo,comandante da Força Aérea de El Salvador.Bustillo ficou de acordo que RODRIGUEZ poderia permanecer nocampo aéreo militar de Llopango, nos subúrbios de São Salvador.(33) Em 15 de fevereiro de 1985, RODRIGUEZ reuniu-se com o embaixador Pickering e o Coronel James Steele,comandante do Grupo Militar dos Estados Unidos em El Salvador.(34) Em 19 de fevereiro de 1985, RODRIGUEZ reuniu-se com GREGG para informa-lo sobre suas atividades emLlopango, e imediatamente RODRIGUEZ reuniu-se também com NORTH.(35) Em fins de fevereiro ou princípio de março de 1985, OWEN viajou a Costa Rica, a pedido de NORTH, parareunir-se com grupos dos contras.(36) Em março de 1985, HULL declarou que tinha um amigo no Conselho de Segurança Nacional que lhedepositava 10.000 (dez mil) dólares em uma conta bancária de Miami.(37) Em meados de março de 1985, RODRIGUEZ mudou-se para a base aérea de Llopango.(38) Mais ou menos em 20 de abril de 1985, RODRIGUEZ escreveu a GREGG: “Don,obrigado a ti e ao Vice-presidente [BUSH] por apoiar-me.Sem sua ajuda, eu não poderia ter feito nada aqui”.
  25. 25. (39) Em 29 de abril de 1985, GREGG escreveu ao Coronel Steele para agradecer-lhe sua ajuda a RODRIGUEZ.(40) Em 5 de janeiro de 1985, GREGG, RODRIGUEZ e Steele reuniram-se no Hotel Marriott Key Bridge, deRoslyn, Virgínia.(41) Mais ou menos em 3 de junho de 1985, OWEN viajou a Califórnia com CALERO para reunirem-se comMENESES.(42) Mais ou menos em 7 de junho de 1985, CALERO e OWEN reuniram-se para concluir uma compra de armaspara os contras, depois de um telefonema de NORTH.(43) Em meados de 1985, NORTH e outros membros do Grupo Interdepartamental Restringido sobre AméricaCentral (GIR), criado em virtude da DSN-2, reuniram-se e decidiram abrir uma “Frente Sul”dos contras na CostaRica.(44) Em 28 de junho de 1985, NORTH, SECORD, os ex-funcionários da CIA Thomas Clines e Rafael Quintero,CALERO e Enrique Bermúdez reuniram-se em Miami. NORTH disse a CALERO e a BERMÚDEZ que deviamtrabalhar com ele e com SECORD para criar uma Frente Sul com possibilidades.(45) Em 12 de julho de 1985, NORTH escreveu em seu caderno; “14 milhões de dólares para financiar vieram das drogas”.(46) Em 9 de agosto de 1985, NORTH escreveu em seu caderno:“DC-6 que se usa para voar de Nova Orleans é usado provavelmente para meter drogas nos Estados Unidos”.(47) Em 10 de agosto de 1985, NORTH escreveu em seu caderno: “Frente sul...John Hull arranjará treinamento [rasura]...”e também:“Reunião com ªC.---nome da pessoa do DEA em Nova Orleans com relação golpe Mario/DC-6”.(48) Em agosto de 1985, o Congresso dos Estados Unidos destinou 27 milhões de dólares para ajuda“humanitária”aos contras, e o Presidente Reagan criou o Escritório de Ajuda Humanitária Nicaragüense (OAHN).Em setembro de 1985, NORTH instou o embaixador Robert Duemling, diretor do OAHN, a contratar OWEN,mensageiro de NORTH, para que trabalhasse no OAHN. A princípio, Duemling se negou, mas NORTH e o GIR opressionaram para que contratasse OWEN.(49) Em 10 de setembro de 1985, NORTH escreveu em seu caderno:“1630 reunião c/Jim,Steele/Don GreggFalou-se de Blandón[...]Bermúdez disse que estava disposto a dedicar uma unidade de op[eraçõe]s especiais para bloquear linhaslog[ísticas] da FMLNApresentado por Wally GresheimbackslashLittonVisita Calero/Bermúdez a Llopango para criar apoio log[ístico]/ma[nutenção].”(50) Em 20 de setembro de 1985, NORTH escreveu uma carta a RODRIGUEZ, pedindo-lhe que se convertesse emligação entre o governo de El Salvador e a operação de aprovisionamento dos contras de NORTH e SECORD.Noinício da carta, NORTH escreveu com maiúsculas: “DEPOIS DE LER ESTA CARTA, DESTRUÍ-LA PORFAVOR.”(51) Em 1o. de outubro de 1985, NORTH escreveu em seu caderno: “Don Gregg:Máximo Gómes 27-31-59”,que era o número telefônico de RODRIGUEZ em El Salvador.(52) Também em 1o. de outubro de 1985, o embaixador Duemling,diretor da OAHN escreveu as seguintes notas:“(North) pode usar---Mr. Green disse chamar---Máximo Gomes 273159 em São SalvadorVoará com as coisas de El Salvador”(53) Em 17 de outubro de 1985, RODRIGUEZ e NORTH reuniram-se em Washington.
  26. 26. (54) Em dezembro de 1985, NORTH e Alan Fiers, Chefe da Equipe Especial para América Central da CIA,viajaram a Honduras e El Salvador para convencer funcionários locais para que permitissem que os embarques daOAHN fossem transbordados no campo aéreo de Llopango, El Salvador e em Honduras.(55) Mais ou menos a partir de 9 de janeiro de 1986, e até agosto do mesmo ano, o Escritório de Ajuda HumanitáriaNicaragüense (OAHN---Oficina de Ayuda Humanitária Nicaragüense ou ONHA---Office of Nicarágua HumanitaryAid---N.T.) fez os seguintes pgamentos a companhias de propriedade de narcotraficantes e administradas pornarcotraficantes:(a) SETCO, por serviços de transporte aéreo:185.924,25 dólares.(b) DIACSA, por reposição de motores de avião:41.120,90 dólares.(c) Frigoríficos de Puntarenas, por prestar e conseguir serviços variados para os contras da Frente Sul:261.932,00dólares.(d) VORTEX, por serviços de transporte aéreo:317.425,17 dólares.(56) Vortex era de propriedade de Michael Palmer, um narcotraficante que se tornou informante do DEA, aomesmo tempo que colocava seu avião a serviço da OAHN para levar ajuda “humanitária”aoscontras.Posteriormente, foi abandonada uma tentativa de indicia-lo por contrabando de marihuana, por “não serviraos interesses dos Estados Unidos”.(57) Em janeiro de 1986, RODRIGUEZ reuniu-se com Richard Gadd, sócio de SECORD na ponte aérea criada poreste.(58) Mais ou menos em 14 de janeiro de 1986, BUSH viajou a Guatemala.Em uma recepção que teve lugar naembaixada dos Estados Unidos, o agente do DEA Celerino Castillo III identificou-se perante BUSH como agente doDEA encarregado de investigações internacionais sobre drogas, e disse a BUSH que algo raro sucedia-se emLlopango.BUSH negou-se a escutar Castillo e afastou-se dele.(59) Mais ou menos em 19 de janeiro de 1986, por instruções de BUSH e GREGG, Samuel Watson, Sub-acessor deSegurança Nacional de BUSH, viajou a Llopango e reuniu-se com RODRIGUEZ para exigir um informe sobre asoperações que ali tinham lugar.(60) Em 4 de fevereiro de 1986, Watson escreveu um memorando a BUSH,fazendo-lhe chegar por meio deGREGG, sobre seus achados em El Salvador e Honduras. GREGG escreveu no início do memorando de Watson:“Bom informe de Sam”.(61) GREGG sublinhou uma passagem do memorando de Watson a BUSH de 4 de fevereiro, que expunha a faltade apoio logístico aos contras, e escreveu na margem: “Félix está de acordo com isto;é uma grande deficiência”.(62) Em 27 de fevereiro de 1986, NORTH escreveu em seu caderno:“Reunião c/ Lew Tambs---leilão DEA A/C capturados como traficantes de drogas---US$ 250-260.000 comissão”.(63) Em 16 de abril de 1986, RODRIGUEZ telefonou ao escritório do Vice-presidente BUSH para solicitar umareunião com este.Um secretário do escritório de BUSH escreveu: “Felix Rodriguez...[para] informar ao Vice-presidente sobre a situação da guerra em El Salvador e o abastecimento dos contras”.(64) Em 20 de abril de 1986, NORTH, SECORD, RODRIGUEZ e o comandante contra Enrique Bermúdezreuniram-se na base aérea de Llopango, em El Salvador.(65) Na noite de 30 de abril do mesmo ano, RODRIGUEZ e Sam Watson reuniram-se para tomar drinks em umrestaurante de Washington.(66) Em 1o. de maio de 1986, o acusado RODRIGUEZ reuniu-se com BUSH, GREGG e Watson no escritório deBUSH em Washington. Em certo momento, NORTH e o embaixador Edward Corr somaram-se a reunião.(67) Em 6 de maio de 1986, Watson enviou a BUSH um memorando acerca dos contras:“Uma análise sensata da manutenção sandinista do poder.Os meios sugeridos para combate-lo não bastam.Aquestão central é que as ações dos contras mais a oposição política interna tem que ser coordenadas. Felix disseque não estamos fazendo nada para dirigir o planejamento contra”.(68) Depois da reunião com BUSH, RODRIGUEZ regressou a El Salvador e, em maio de 1986, reuniu-se comRobert Dutton, que havia substituído Richard Gadd como supervisor principal da operação de aprovisionamento deSECORD.RODRIGUEZ disse a Dutton que ele, RODRIGUEZ, tinha uma relação muito estreita com Bush e certonúmero de pessoas próximas a ele.

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