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Últimas Águas ~ Antonio Guillermo MartinPX4 do Beco do Mota                             Diamantina 27 de Julho de 2008.   ...
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Últimas Águas ~ Antonio Guillermo MartinPeco uma oração pelo bendito cerrado,estás ferido, moribundo, terra do descaso, o ...
Últimas Águas ~ Antonio Guillermo MartinBonecas de barro                                      Diamantina 29 de Julho de 20...
Últimas Águas ~ Antonio Guillermo MartinLa, o relógio estragouNada de trem, impaciente caminhasSem rumo com o coração aper...
Últimas Águas ~ Antonio Guillermo MartinIgreja do Carmo                              Diamantina, 29 de julho de 2008Sonhei...
Últimas Águas ~ Antonio Guillermo MartinSem ordem, maneira, rodopiando uma a umaPelos degraus verso o vale da rua.Talvez f...
Últimas Águas ~ Antonio Guillermo MartinSentinela                               Diamantina 29 de julho de 2008Hoje levei a...
Últimas Águas ~ Antonio Guillermo MartinDestruído.Não te preocupes já estou em terras do tijuco, marcadoeternamente com o ...
Últimas Águas ~ Antonio Guillermo MartinLeoa                                    Diamantina, 29 de julho 2008Distante na se...
Últimas Águas ~ Antonio Guillermo Martin8 gerações criaram leõesFamintos de amor e desejo,Livres correm pelas serrasDesper...
Últimas Águas ~ Antonio Guillermo MartinVesperata                               Diamantina 1 de Agosto de 2008.Tudo começo...
Últimas Águas ~ Antonio Guillermo Martinsem regras postuladasnas dimensões ocultas daAritmética do amor.E na próxima Vespe...
Últimas Águas ~ Antonio Guillermo MartinNascimento                                Diamantina 1 de Agosto de 2008Nasceu em ...
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Últimas Águas

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Poemas emocionados no Arraial do Tijuco, escrito por Antonio Guillermo Martin, em julho de 2008.

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Últimas Águas

  1. 1. Últimas Águas Poemas e Retratos emocionados Das terras altas do TijucoPor Antonio Guillermo Martin Diamantina.
  2. 2. Últimas Águas ~ Antonio Guillermo MartinPara K L da XicaMusa inspiradora do tijuco. 2
  3. 3. Últimas Águas ~ Antonio Guillermo MartinIntrodução do autor.As terras do tijuco possuem segredos e mistérios guardados nassuas serras, não é fácil compreender, num primeiro momento, o quetudo isto significa. Requer tempo, subir e descer ladeira,Conversar com as pedras e as igrejas centenárias, olhar para aserra, prumar para o Itambé. conversar com o povo, extremamentehospitaleiro e de prosa fácil.E o mais importante, requer abrir a mente e sobre tudo o coração.As ultimas águas expressam sentimentos do que já sabemos: adestruição e descaso do Cerrado em especial suas águas, érealidade e não fantasia. Eles pedem atenção imediata e sobre tudotempo para se recompor. Da mesma maneira não da para esquecer doseu povo, seus belos personagens, suas tradições e a enérgicacultura presente que luta para sobreviver bravamente.Devo dizer que nada disto faz sentido senão admitir que os versosdos poemas e retratos tem sua inspiração profunda no amor vividoem Diamantina, possuído de todas as qualidades que merece.Sentimentos e percepções se combinam para despertar a vontade deescrever, fotografar o entorno sedutor e sua alma.O tempo do festival de inverno e sua luz cortante do mês de julhode 2008, certamente marcaram estes versos, conspirando paraeclodir as linhas e imagens a seguir.Finalmente as últimas águas são resultado de suporte amoroso dosmeus pais e de meus amigos: Francisco Bravim, RodrigoBruzzi,Gracinha Leão,Lucinha Leão,família Leão, Keka, Maria Salim,Jean François e Vera Casa Nova.A todos agradeço profundamente estes momentos.. Antonio Guillermo Martin 3
  4. 4. Últimas Águas ~ Antonio Guillermo Martiníndice de poemas Ofertório As últimas Águas Xicanidade Almas Feridas Keka Preta XP4 Águas Secas Ambrosina e o rio Ferido Lagriterio Igreja do Carmo Bonecas de Barro Leoa Sentinela KL da Xica Verperata Nascimento Retratos 4
  5. 5. Últimas Águas ~ Antonio Guillermo MartinOfertório Diamantina 30 de julho de 2008.Estes versos são para tiBela Xica,Não se enganeQuem os ler e se apaixonar,Já tem dono e destino.Este versos são para tiAmada Xica,Os retratos cantam tua belezaRefletem o que mais admiro no mundoOs traços femininos marcados na terraQue nascem nas serras do tijuco,E voam distante ao redor do mundo.Este versos são para tiAltiva Xica,Guarda sempre contigo,Pois sublime é nosso amor,Que teima em brotarTodo dia, toda hora,Na sentinela,Ainda virgem águas da vida.Estes versos são para tiXica.Para ti. 5
  6. 6. Últimas Águas ~ Antonio Guillermo MartinAs últimas águas Diamantina, 22 de julho de 2008 As últimas águas Não podem calar seu lamento sereno, a dor vaga no seio da terra e dissipa no céu, Porque foges de mim... Sempre te amei mesmo a distancia. As últimas águas Tocam na alma dos que sentem sua dor Soam latentes os humores melancólicos Das terras queimadas, das arvores que Transformam seu ramos em carvão. Seus restos se espalham nas terras calcinadas Onde bicho nenhum respira vida E os pássaros disparam da sangrenta chacina. As últimas águas não descem mais para o vale que chora lágrima seca, sem água, sem pão nada consola a terra mãe a perda de uma filha, suas águas tem corpo e alma, tem sentimentos e rancores sua vingança é fugir e deixar a terra fria arrastar areias para os rios já castigados pela sede do garimpo. As últimas águas São mágicas, vibram na alma dos que sentem Ecoam lembranças de fartura e beleza Moldam o terreno de curvas fêmeas, Sinuosas delicias que despertam meu ser. Ah, estas últimas águas Mesmo moribundas visitam meus sonhos Talvez haja esperança, talvez despertes das trevas O preferes velar as águas e logo a tua morte, São tempos de angustia e revelação Domina teu medo nobre ser homem mulher,homem criança Domina o desejo de autoflagelação. As últimas águas Virão da mesma forma como esperas o trem na estação: 6
  7. 7. Últimas Águas ~ Antonio Guillermo MartinA hora esta chegando implacávelSeca e calcinada os ventos cantam sua chegadaSe cochilas perdes o bondeSe morres ninguém te acorda,Ah!O trem passou e tu imóvel contemplas o infinito vazio, nãorespiras, não reages.Alguns segundos, minutos, horas, dias correm,A estação se fecha, agora somente na próxima alvorada daeternidade,Quem sabe terás uma nova chance. 7
  8. 8. Últimas Águas ~ Antonio Guillermo MartinXicanidade Diamantina 21 de Julho de 2008.No antigo arraial do tijucoPergunte ao passanteTodos são filhos da Xica13 filhos, 13 amores multiplicaramDiamantina na soleira diamante da serra do espinhaçoSó vendo para crerSó sentindo o amor da prosaE o abraço do povo queFloresce ao pé do morro, da ponta Itambé.La pela ladeira do tijuco,Tem Casa de passagem,Tem Ponte de passagem,Tem Tomé que toma contaEntre Diamantina e CurralinhoTodos passam pela guarda do velho negroque tudo sabe sobre o mundo e do riacho queum dia foi mar da Xicada Mulata das 12 negras, centro da colôniaque Navega no alto mar pelas terras secas do Senhor.Da Xica ninguém nega a sua força de guerreiraDe atrevida que ela é,Oito gerações se foram, oito Xicas no sangue do povoque ousaram vida plena, e semeiam idéias e desejostransbordando a estrada real que une a serra ao mar.O passado é presente em mil rostos de mulherSurge a cada instante o coração da negra guerreiraE move céus e mares com seus sonhos libertinosEis que despontas entre as pedras da cidadeNovas xicas de muitas coresÉ insensatez duvidar que mundo negro cria força,Que escravo se rebela e branco se ajoelha e beijaseus pés, ninguém lembra de idalgos senhoresEscravistas do ódio, mulheres devotas sem vida,Mas sim da bela do mar que tanto navega, onde ninguémAcha possível viajar.Quantas terras visitastes bela negraQuantos amores te seguiram distanteNo horizonte do mar, tudo dentro do arraialPertinho do Tome, do riacho que hoje fede lixo,Fede descaso, porque ali mora negro pobre,que não tem 8
  9. 9. Últimas Águas ~ Antonio Guillermo MartinDireito a ter um teto e sonhar sossego.Só resta a bananeira do quintal para soltar tripas no chão.Descendo o morro percebo que a lenda é não é lenda,Que Ambrosina das pastorinhas não canta pela idade,Mas semeia saudade da velha Xica que foi subindo ladeiraverso o pico da eternidade,Se mundo negro não se livrou da cruel sina do ódio epreconceito,A negra despertou os sinos da liberdadeda mistura de raças, cruzando cores e amores, mutações dasterras altas, do conceito Brasil.é a ti que peço benção,que sejas guia dos que ainda virão,Que sejas comida dos que aqui seguem para o pico daeternidade.Diz a lenda, primeiro terás que passar pelaTerra de passagem, que guarda 7 filhos da Valdirene,7 almas que dormem no seio da chacra da Xica7 é numero mágico mas não basta,escuto o lamento das águas mortas,que descem pelo riacho,ah,o que fizeram com o mar da Xicaque vela os mistérios da velha negra.E la pertinho, Soberba a casa de passagem éherança do sofrimento negroSobrevivente do grande naufrágio da humanidade,Choro nenhum muda o mundo e devolve o grande mar do cerradoMas esta historia aquece o peito,Desperta esperança por dias melhores.E que venham novas Xicas que tanto procuroPara beijar seus pésE viver um grande amorAbençoado no riacho das águas limpas de passagem,de justiça e igualdade. 9
  10. 10. Últimas Águas ~ Antonio Guillermo MartinKeka Diamantina 18 de Julho de 2008.Keka minha grande amigamil estrelas nãoContemplam o astro queCarregas no peito,Eis que hoje sintoVocê brilhar, eclodirPaixão, implodir meu coraçãoEm mil gotas brilhantesNavegando pelas águas da Xica,Pedra sobre pedraCarregas meu peitoPedra sobre pedraArrastas minha almaPara dentro de tiPara perto do beco,Beco da KekaBeco da alegria.Das montanhas de MinasTeu abraço encanta o viajanteDespertas a diamantina brilhanteSe falta keka falta vida,Falta o pão e a luzRepleto do olhar maroto de menina.Keka não é nome, keka e conceito amor,Mil Kekas quero ter, vezes mil dentro do meu coraçãoBom saber que basta uma, única, nobre rainhaViva nas terras Diamantina, terreno do arraial do tijucoPara transformar o mundo perverso da tristeza em camposdo senhor. 10
  11. 11. Últimas Águas ~ Antonio Guillermo MartinAlmas feridas Diamantina 19 de Julho de 2008.Amor, Descobri que as águas são fêmeasE parem a cada segundo sua existência,Sua paixão infinita cria vida,Tão fácil como respirar a sua essência.E de longe me olhas desejando minha boca,Nada posso dizer, nada posso conter,Este é o tempo cego que dribla a razãoe une nossas carnes,Eis o nosso mistério que se revela a cadaSegundo,e se esconde nos becos das almas feridas.Continuo louco ao amanhecer Diamantina,tuas ruas passado carregam nostalgia,não te vejo a minha frente, amada,mas sinto teus olhos fugir assustadadas redes que a grande lua preparou.Sobre a ponte que cruza o rio ferido,suspiros plenos afastam de mim o sono profundo,Volta minha amada Xica que tanto me faz bema navegar solene por este mar de águas secas.O que dizer quando me abraças e cantas,Teu vestido negro veludo vibram meus desejos,Teu olhar profundo e intenso repousadentro dos campos da alma,Seduzido não detenho o medo de ousarser o teu amado,e subir no trono do teu coração,Nem que seja por um segundo, por um segundo, um segundo.E a lua é cheia, cheia de malícia,nasce laranja lima imponente,E se senta no céu a ver o amor tomarconta de almas insensatasNos trilhos do Biribiri onde me jogas na areia,me envolves fêmea,Possuída de desejo e paixão.E a lua toma conta dos corpos e os leva para longe do mundoLonge da razão, longe de tudo que foi construído.Na madrugada te vejo fugir do encanto caminhando pela ruela,logo viras a esquerda, vestida vermelho sangue te afastas demim 11
  12. 12. Últimas Águas ~ Antonio Guillermo MartinCom a mente doendo, com o coração cantando, seiQue nada borra esta lua que cresceu dentro de nós,E as noites galopam seu destino,Verso o mais distante futuro,Mas ainda será pouco para deter osVentos que carregam nossas almas,Que sopram da serra os caminhosDo eterno amor.Fecha os olhos, descansa Amor,A viagem é longa, respira meu beijo,inté Bela Flor. 12
  13. 13. Últimas Águas ~ Antonio Guillermo MartinÁguas Secas do Cerrado Brasília, 5 de Julho de 2008.Oh, Água amada que tiras e das a vida,Cantas sofrida e tímida a chegada da Deusa flor,Aquela de olhos profundos e ávidosque numa noite sem luz encontrei nasterras altas do planalto infinito.Oh, Águas das serras que tanto proteges tuas fontespor medo de sucumbir a mais uma Decepçãono mistério do amor, hoje tudo pode mudar,os segundos dilatam espaços e como mágicame permites cair nuno teu âmago impenetrável.Oh Deusa jasmim disfarçada de guerreira,secam as águas quando estas triste e abandonada,Quantas vezes não voltaste para pedir aconchegoneste leito materno, sangue da terra e seiva da vida?No entanto, gritas muda no espaço com gesto libra,Ecoam as sombras de Águas perdidas,5 letras que fazem sentido ao universo,5 letras que movem o mundo à destruição.Águas Secas,5 letras mais cinco que não expressam o universo vivo,5 letras mais cinco que retiram qualquer esperançaEnquanto isto, Mar, toma conta das Águas limpas,Órfã da doçura das crianças e dos loucos,Oh, água-homem que brincas de guerreiro,Não esta na hora de sair do casulo,Vibrando tuas asas e celebrando o mundoem vez de matar a frescura dos rios?Lembra-te, se Ele se foi nas águas turvasnão cabe a ti negar sua forçamas reverenciar com dor do coraçãoa magia da vida-morte que o universo construiu.Oh, Água te abraço e sinto teu amor severoAo retirar o que mais quero emarcar para sempre a minha carne.Sei que estas sofrida, mulher solitária, 13
  14. 14. Últimas Águas ~ Antonio Guillermo Martinde almas e águas, de luzes e trevasnuma vitrine alegórica com vaga-lumesque cantam ao encontro eternodos seres que jamais se separam.Seres que se despedem depoisdo banquete, dispostos a passar a noitedistante a espera da alvoradacândida imaculada para logose abraçar e voltar a se amar.Fecho os olhos e te envio um beijo de boa noiterepletos de sonhos vividos num paraíso terrestre,Onde águas e mentes se misturam na peleCálida da negra Xica, úmida de amor e suavidade,De um universo em permanente celebração queCanta a tua presença divina.Cruel são as lembranças de recordações,De um tempo que não passa e machuca a almaDor que desperta a consciência de agir e respirar futuroAs águas correm com as brumas da noite,Correm verso o mar celestial,as águas cantam sua alegria virginal mas não sabem que elasse multiplicamem vapores e gelos, em plantas e animais,no homem todo poderoso que um diadecide ser dono do mundo, dono de si,dono da sua própria tragédia e destruição.Oh, Água, não pára diante de tal tragédia humana,Segue teu curso trazendo e levando almas,Segue cantando solitária, única pelas pedras das montanhas,E pelas mentes dos que ainda lembram tua melodia.E se tudo vier a se apagar da minha incurável memória,o que farei?Me resta apenas, sonâmbulo, escutar o bombear do sangueeternoQue é parte água e a outra mistério divino.Vejo o trapiche da transformação,Envolto pelas Águas vivas do Cerrado,No centro a fêmea e macho perturbamsuas mentes pela ponte verso o infinito incerto,Aquela que todos aceitam e respeitam seu destino,Não há como fugir do ciclo celeste.Vi o eterno retorno do ser impuro amarrado ao companheiropurificado,um estranho encontro do sacro e o profano 14
  15. 15. Últimas Águas ~ Antonio Guillermo Martindos que aparentam e dos que realmente são.Nada disto vale uma lágrima versada pela dor materna,Mais vale uma gota da boca daquele que grita e clama amorpela harmonia assassina da vida,simplesmente da vida repleta de Água, Água, Água.E a ti bela Deusa que inspiras minha alma,te ofereço uma sinfonia feita risos de infância,entre bolhinhas coloridas,que descem as corredeiras,repletas de sonhos e esperança. 15
  16. 16. Últimas Águas ~ Antonio Guillermo MartinLagritério Diamantina, 30 de julho de 2008Amada, não pude conter..Ontem segui ocechoravas rios inteiros atrás da tua mascara de alegria,dançavas bela e suave,a dor exalava perfume e dissipava pelas paredes,subindo e subindo no altar do mundo.Mas detive meu olhar,Em apenas uma gota final, numa única lagrima virginal.A bela lagrima que reflete o mundo dentro de si,E sei que choras por alguém que não podes mais ter,Nada faz mais sentido do que gotejar esteAmargo destilado de dor.Me inspira o medo de estar perto de tiDe apartar corpo da lagrima,do ser vivo emocionado do defunto calcinado,Lagrima nada mais é que água sentimento,água de desespero, água de alegrias,Que natureza sabia é está que destaca águas do corpo das águas daalma?Sentada na mesa estas tu,Silenciosa, determinada a me acompanharNesta maratona de vida e percalços,Nada parece ser mais importante que este momentoO tempo se detém diante de mim, nada avança ou recuaApenas permanece imóvel, mas eu consigo pensar eSentados ao redor muitos pessoas,No centro um homem magocálido e sorridente estende suas mãos para passarO vinho, a água e logo depois o pão.E ao seu lado estas tu bela amada,De olhar profundo, distante já com saudadeDa distancia e sublimaçãoO que fazemos nesta ceia?O vento da serra brincou e complicou nossas vidas,Como folhas secas trazidas de terras distantesse tocaram no leito do rio.De retorno a ceia,Me parece familiar, uma cena já antes vividanão lembro quando aconteceuSei que meu olhar vagava incansável sobre a jarra de água 16
  17. 17. Últimas Águas ~ Antonio Guillermo MartinSuas ondinhas refletiam todo o ambiente claro e impecável.As águas estão prestes a sair dos vasos,Preâmbulo do brinde inevitável,elas buscam sedentas as bocas dos convidados.Me afasto para entender a cenaE tu me olhas fixo e me segues versoO grande portal fronteira do celeste e do terreno.Choras pequeno, soluças contido, tuas palavrasAbrem caminhos entre as serras que tanto amas,O portal brilhante ofusca a visão,nada vemos apenas seguimos passo a passo,respiro a respiro o nosso destino,Atrás a mesa composta continua animada,O homem se levanta com a taça de vinho e água.Todos seguem com devoção seu ato mágicoSinto vontade de ver o acontecimentoMas já estamos pisando as areias brancas do rio feridoO portal se fecha num golpe de vento.Retorno o meu olhar e logo cresce no horizonte criançasQue correm pelas águas ralas e tranqüilas,As Serras de dentes afiados protegem seu leitoE tu amada, me olhas serena,Pedes meu abraço já dentro do rio. 17
  18. 18. Últimas Águas ~ Antonio Guillermo MartinKL da Xica Diamantina 24 de Julho de 2008.Esta cidade respira vocêE sei que quando retornarásSentiras minha faltaNão procures entenderApenas respira o que é vivo e bonitoEstas dentro de mim e não por pouco tempoAgora a missão nos aguardaDar atenção para esta terra sangrada e machucadaFeito de barro, serras e águas.Eres minha mulher para a eternidadee eu teu homem...Estou tratando de escrever uma cartamas contigo nasce poesiaAdorei teu recado,estas hoje poeta amada mia.Te escreverei sempre,assim não sentiras o frio do norteE logo me veras ao teu ladodespertando coraçõesde gente distante.Xica, 4 letras que soam vida e amor,mesmo se tudo parece loucuraNada tem de irreal mas presentecomo aquela lua laranjaque guardamos na alma.Espero que estejas bem,feliz e linda como te conheci,mulher guerreira, cheia de vida e amor,vive meu anjo e se houver espaçolembre de quem te sopra na almae desperta poesia.Sabes onde me encontrar,beijos mil,Amada mia. 18
  19. 19. Últimas Águas ~ Antonio Guillermo MartinAmbrosina e o rio ferido Diamantina 25 de Julho de 2008 Ah! Virgem que caminhas sobre as águas Tocando tua sanfona, Galopas feliz por terras altas pastoreando o rebanho com teu canto solene. Ambrosina sinhá moça, virgem do tijuco, Não te destes conta que o século passou E tu continuas presente, semeando amor, Recolhes tuas pastorinhas, alegres que voam ao teu lado Com a caixinha da alegria que transforma Moedas em balas, moedas em pão, moedas em sonhos. Ambrosina doce negra Xica nascida na serra do Itambé, Por que ainda carregas tua sanfona, Qual mágica te da força e não paras De cantar paixão e curar tantas almas feridas? Sei que não há paz no teu coração enquanto não despertas o povo na rua da Quitanda ontem ti vi, sinhá, distante lembrando do negro Sabá, errante viajante, que tua caixinha mágica construiu tua nova morada. Ambrosina da vida, da sanfona e da cantiga, Vem visita meus sonhos sou mais um carneiro do teu rebanho Me abençoa e batiza com esta água ferida, minguante, Que teima em viver, em traçar sua linha entre os morros E vilas. Virgem do tijuco, será que alguém já te amou como Eu te amo? tudo aconteceu num golpe fulminante No trovejar da tua sanfona,no acorde maior carregado de Re menor Tudo não passou de segundos repletos de paz e plenitude Nestes campos do senhor, teu rebanho não para, firme,decidida, Cercado da pobreza que reverencia a santidade, Na riqueza do espírito possuído pelo dom da devota caridade, Na vida em vez da morte, na simplicidade serena em vez Da assassina e perversa ganância Eis aqui que Ambrosina das pastorinhas não tem igual 19
  20. 20. Últimas Águas ~ Antonio Guillermo MartinRainha da casinha claustro, lá existe fé e um altar que seergue no pé do leito, as flores do campo ornam a sua mesa eas águasLimpas descansam seu pranto.A janela pruma para o céu, apenas, teu jardim tem vista aoItambé, que teima em te despertar todas as manhas,Bem pertinho do quintal sem fim.O ato da transformação ainda irá chegar, velha amiga,a tua sanfona transformará corações friosdevolvendo às águas perdidas sua vida passionalsua força e sensualidade.Finalmente oras pelas meninas pastorinhas que te dão 91primaveras,91 chuvas de verão que lavam as pedras da cidade,Mas lembra que Deus impaciente espera a tua chegada,Pede atenção, tua sanfona e teu canto.E la quando chegares quantos anjos deterãoseus compromissos para sentir o teu canto florido...Enquanto a mim chego pertinho da igreja a escutar conversaEntre a lua cheia e a atrevida Xica,animadas falam de ti e tua lindezada roupinha passada e sapatos que depoisdas 4 te vestem rainha, linda e radiante.Que o azul profundo do mês de julho te proteja sempre,sempreSanfoneira das terras do Tijuco e do Céu.Ambrosina:Toca nas festas religiosasFinal de ano, natal,Apresenta de casa em casaNas novenas, as roupas das chita estampadasPastorinhas é tradição de diamantina.O que dirás nesta noite marotaQuando for chegar na cidadeatrevida 20
  21. 21. Últimas Águas ~ Antonio Guillermo MartinPX4 do Beco do Mota Diamantina 27 de Julho de 2008. Px4 novenas são comuns no mundo Nos instantes segundos nada sinto, Sinto o pesar da tua distancia, do teu cheiro Do teu orvalho selvagem que eclodem flor e cantam a tua beleza solidão. Px4 manhas somam as cantigas que me levam a ocê bela morena, que Machucas nos abismos do meu ser. Px4 minutos são o que separam nossas vidas Nossos corações em cachoeiras de lagrimas silenciosas Nas águas puras do teu peito E voam os pássaros que te viram nascer. Na noite poesia são poucos os que conhecem E despertam desejos mar, rios dentro de mim Como pudestes entrar sem tocar a minha razão? Px4 vezes 7 missões são as que detenho Agora, busco teu coração, sei que compreendes Que nada posso achar neste vazio mar, mas, Inconsolado luto Dragões e exércitos pra libertar a tua sombra perdida das trevas pedras de escravidão. Px4 te encontro mais uma vez e não entendo A bebida sóbria que flue nas tuas veias Sedentas de amor e desejo, o meu amor desta vez Não chora medo, me beijas e toma conta de tudo Do que sou, ser perverso que nada controlo. Px4 somas minha alma perdida no contrato, nossa Rua marcada pela despedida tempo, contrato do nosso Amor marcado na pele, ferro ardente e infinito da Esquina torta que separa de ti meu cheiro, Bela xica do mar 21
  22. 22. Últimas Águas ~ Antonio Guillermo MartinPreta Diamantina 28 de Julho de 2008.Quantas pedrasEncontraste na garganta profunda desta terra?No alto do morro,distante do confortoVives Preta o sonho, mistura medo, mistura paixãodo garimpo vicio, do dinheiro maldito,Que constrói casas e destrói corações.Pedras brilham nos teus olhos,mais do queQualquer desejo, cavas e cavas a almaA procura do tesouro escondido, cadê o veioCadê a linha da pedra que desejas, eLa embaixo no seio da terra, tudo paramudo, silencio catedral, silencio que fazSentir o que realmente sou, pequeno e pretensiosoSer abissal.Tantos outros garimpeiros, vivem a paixão da pedraTantos seres golpeados, maltratados pelas estrelasDo leito do rio ferido, da serra furada,semeados por historias,De nomes que mudaram suas vidas,para a riqueza ou para a morte.Sim, sou também garimpeiro, cato imagens, cato almasdesprevenidas, que não entendem quem sou e o que desejo.Hoje conheço Preta e seu neto, garimpeira, marcada de sol,solteira, 4 filhos, amante, Criada nas serras,magra e esbelta de sorriso menina,dentes estupendos, tem banheiro e água da bicano seu barraco na vila do Bargaço.Garimpeiro Claudio, Garimpo baiano, ontem eram genéricos enada mais, hoje conhecidos, quem sabe amanha amigos,do peito do buraco profundo.Mas e tu bela que cavas minha alma,Te quero ver longe da chacina dos homens e pertoDo aperto criança que tanto desejas, vem conhecer esta genteSofrida devotos da virgem, que explode tiros, a afunda napedra. 22
  23. 23. Últimas Águas ~ Antonio Guillermo MartinPeco uma oração pelo bendito cerrado,estás ferido, moribundo, terra do descaso, o que dizer?Sinto muito,não posso chegar os olhose apagar sorrisos da gente que busca sua sorte nas suasentranhas, muito tarde, amor, entrei na cava.Pensei que tudo vi, eis meu ser fundo no buraco escuroPrestes a sucumbir no aconchego do teu umbigo materno.sou como eles garimpeiro de almas.De volta a Cava, o tempo para, vejo a vela teimar dançar,oxigênio escasso No limite da vida,no capricho de estar presente,mas ainda assim penso em você,que distante me sentes,Onde estas agora, que tanto me chamas?Se garimpo cheira temor e destruição, la também tem sorrisoUm mundo a parte, que só a cava ensina sua liçãoNada muda La fora, muda minha alma e meu sorrisoBela Preta segue teu curso, as águas te protejam nesteMar seco repleto de brilhantes escondidos, maldição da cobiçaQue trouxe preto escravo nas terras do tijuco,A viver sua sina nos campos do senhor. 23
  24. 24. Últimas Águas ~ Antonio Guillermo MartinBonecas de barro Diamantina 29 de Julho de 2008, No vale as bonecas de barro Costumam cantar todas as manhas: Chora bananeira, bananeira chora Chora bananeira que o meu amor Já foi embora... E a labuta continua, dia após dia A lembrança e saudade não da pão Tem que suar, mulheres da vida Carregam destemida seus filhos Seja noite seja dia. Cadê seu pai? Perguntam os desavisados. Foi pra longe, no garimpo, na cana, Na cidade grande, respondem as bonecas gigantes E assim a vida das viúvas vivas Aquelas que sonham amor e muito alegria Fartura na mesa e crianças, muitas crianças. No final do dia as águas brilhantes do rio ferido contemplam silenciosas seu lamento: onde estas amado, por que me abandonaste? Rio mensageiro onde esta o meu amor? Sim, descendo o Vale existe um rio ferido, Todas as manhas avisa que esta vivo, Todas as manhas leva lembranças dos maridos distantes Lavando as lagrimas das viúvas Carregando pedidos para o infinito. Eis a importância do rio neste vale de fome Acalma a sede do corpo e da alma Eis por que não pode morrer, Carrega tantas almas rio abaixo, Tantas mensagens de amor. Na estação do trem todos esperam Sua chegada, na hora marcada, para Dar o abraço emocionado a quem merece seu Amor. 24
  25. 25. Últimas Águas ~ Antonio Guillermo MartinLa, o relógio estragouNada de trem, impaciente caminhasSem rumo com o coração apertado, mil imagensDe desolação correm tua alma,Por que não fui com ele, será que voltaraO que aconteceu?Mas no vale não tem trem, nem estrada de asfaltoSó poeira e o rio mensageiro que hoje teimaEm atrasarNoticia vazou na cidade, ele morreu, trucidado,Vitima Do descaso e da ganância, ignorância dos incautos,O fiel carteiro parou de correr, as águas cansaramRetiraram seus brilhos e enterram suas cartas.As viúvas irão deitar sem esperança esta noiteNem um beijo de boa noite, nem um abraço molhadoResta saber o que fazer com as criançasResta saber o que dizer ao bom DeusQue ora pelas mulheres que viramBonecas de barro, calcinadas nos fornosDa desolação e solidão. 25
  26. 26. Últimas Águas ~ Antonio Guillermo MartinIgreja do Carmo Diamantina, 29 de julho de 2008Sonhei que saias radiante ao meu ladoDa igrejinha do Carmo,Sorriso maroto meio envergonhadaNada anormal nestes momentosInsensatos.Sonhei que carregavas uma bola de cristalE com ela as águas do rio ferido queDescem pelas entranhas silenciosas da almaA diante,as portas do templo se abrem ao mundome senti seguro,como um sobrevivente em dias detempestades de vale seco.E a igreja atrás de nosDescobre uma bela escadaria,Da antiga guarda da cidadee tu iluminada por pequenas velas voadoraste viras e me das o abraço maisdoce que senti na vida.Nada como o silencio dos olhos, viMares cantar sua alegria ao bater dasOndas nas pedras da serra,O tempo vira presente,Tua boca treme, suspira palavras desnudas:Te amo, murmuras,Furações explodem no peitoDespreparado o inverno sedento deDesejos se abate sobre nossas cabeças.Não importa o futuro, eis o mistérioQue incomoda aqueles que não amamE se expressa pelas combinações mutagênicasQue um dia viram passar o português e a negraunidos pela cidade do tijuco.A gerar 13 frutos ao mundo.Um retrato dispara,As escadarias gritam e cada vez mais próximas edesafiadoras, desabo nelas,como águas nas pedras das cachoeiras 26
  27. 27. Últimas Águas ~ Antonio Guillermo MartinSem ordem, maneira, rodopiando uma a umaPelos degraus verso o vale da rua.Talvez foram segundos ou séculos, neste instanteDe descida te vi me olhando pálida, indefesa,Corres atrás de mim por estas pedras da vidaSeguras no entanto a bola do rio assustadaTransbordando raios celestes deinstante infinito.Na beira da morte, me prendes a mão,Novamente a câmera pisca seu olho prevenido,Silencio! flutuo no espaço na beiraDo abismo profundo do ultimo degrau da vidaE La, moribundo, te vi radiantesaltar no abismo.Nada mais percebi,apenas o beijo molhado profundoTocar minha alma.Dois corpos entendidos na beira da igrejaDuas almas que ousaram o limite do permitido,corre a historia entre mendigos, padres,comadres, Padeiros, juízes,todos reunidos no pé da igrejinha queteima em olhar o amanhecerdas serras do tijuco.As águas do cristal lavam este momentoFugindo nas pedras da cidade,Mais um conto para as noites friasOs lampiões se apagam,hora de despertarMeu amor. 27
  28. 28. Últimas Águas ~ Antonio Guillermo MartinSentinela Diamantina 29 de julho de 2008Hoje levei a virgem de barroFlutuar na Sentinela,Caminho de terra verso o biribiriDriblando as serras descendo aoEncontro fatal das águas limpas e daquelasMarcas pelo homem.Sei que La estas sempre amada miaMesmo distante em terras aléias,Deitas na pedra a consolar tua magoaSei que lá te encontro solitáriaprestes a ceder ao meu encanto.A virgem de barro corre seu leitoSentindo teu cheiro, buscando tua almaNada encontra no universo distante das águasMas num golpe mergulha fundo no leitoNada parece detê-la nas profundezas do mar dasSerras.Mais tarde pergunto a respeito da viagemEla me conta do encontro contigo amadaDas alegrias e tristezas que guardasDos sonhos submergidos que tanto guardasNesta vida plena de surpresas.Boneca de barro tens algum recado para mim?Calada me olha pensativa e distanteNada disse, nada, mas apenas chorou respondeuApenas te sente no peito, pertinho da esquinaDa sua vidaNas águas da pequena cachoeira continuas virgemA rezar por todos aqueles que não encontraramO verdadeiro amor e sentimento solitudePróprio para vestir na hora do encontro com aalma.Amada, estou feliz por te ver junto a tua genteJunto a estas pedras que tanto amas,e que um dia te machucaram profundamente.Mas sei que retornaras pronto,é momento de descanso, de trégua da guerra,Firme e valorosa estarás de volta a tomar teu trono 28
  29. 29. Últimas Águas ~ Antonio Guillermo MartinDestruído.Não te preocupes já estou em terras do tijuco, marcadoeternamente com o aroma das madrugadas,seguindo teus passos pela rua torta do Bonfimverso a rua do contrato.Se tiveres sede de sentir-me, pensa no pico doItambé, La me encontras sempre,sempre, olha fixoÀ vila do tijuco esubindo a ladeira do teu coração. 29
  30. 30. Últimas Águas ~ Antonio Guillermo MartinLeoa Diamantina, 29 de julho 2008Distante na serraDescansa a fêmea eternaQue tanto amo e desejo,Atenta protege o infinitoreino das terras do tijuco.Minha historia começa com oAcordar da felina,Num descuido do meu coraçãoPalpitou seu amor fulminante comoA fecha de um Caçador.Perguntam: onde se esconde a fera?Não a vejo, seja dia seja noite,Respondo: levanta os olhos cego amigoVeja serra, nas linhas e formas do Itambé,Eis a silueta dela, passa devagarSenão se desperta,Hoje amo um leãoDeito no seu leitoDe tantos contos e historiasEis a musa que despertouversos eternidadeQue sangre carregas animal da Serra?Teus olhos respondem:Mistura de RaçasMistura Brasil,Nasci no tijucoDa Xica e o FernandoDe 13 crias esquecidasMistura de Raças não importa a praça:negro, branco, mulato,mameluco, índio, parto, bugre,no Tijuco aprendesque tudo é gente e somente gente.Dane-se a cor!Gritas soberba a tua herança negra,Coisa boa que carregas mistura nas veias,Que palpita coragem de ousar a liberdadeEm tempos de escravos, almas maltratadas. 30
  31. 31. Últimas Águas ~ Antonio Guillermo Martin8 gerações criaram leõesFamintos de amor e desejo,Livres correm pelas serrasDespertando incautosPassantes que viagem sem féPor estes campos do Senhor.Conta a lenda que eres mulher bonitaCarregas na vida a fera feridaQue teima em viver dentro de mimPois sente calor e aconchego.Toda noite a fera visita mãe XicaNo pé da igreja do Carmo.canta sua sina bendita deGuerreira e amante das águas.Hoje provei teu alimentoPresente nas serras e águasQue dia e noitecelebram a vida de todo sertuas garras guardastes, deitei no teu peitosem medo da morte e dormir silencioso.Mas sei que amo leõesSuas garras e dentesMachucam quem desprezao amor da terra abençoadada alto da serraápice da estrada real. 31
  32. 32. Últimas Águas ~ Antonio Guillermo MartinVesperata Diamantina 1 de Agosto de 2008.Tudo começou na Vesperata Diamantinaeis que de longe te vi amoresplêndida,radiantes aparecerno horizonte da vida.Tudo começou numa noite friaNo compasso dos balcõesRecebi o sopro de amorInvisível e silencioso.Nada sabia incauto serQue guardava dentro de miUma enorme represa de águas contidasE que naquela noite se romperiaLibertando tantos rios de amor.E tu estavas ali bela XicaA poucas léguas do encontroa pedra fria se abriu por encantono ritmo da melodia.meu olhos tocaram tua veste vermelhae desceram pelas curvas da Xicamil vezes em poucos segundostocaram os sinosda igrejinha do Carmo.Tudo começou na Vesperata DiamantinaAs gaiolas abriram seus portõese rios poderosos desceram a Serranas cachoeiras das almas esquecidas.Lado a lado no bar do AntonioSenti tua pele penetrar na miaOndas de calor e ventos de tensãoSe abateram no cantinho apertado da vila.Tudo começou na noite fria DiamantinaE não sabia que as águas contidasNasceriam possantes do Itambé ao rio feridoOnde tanto choras tua sinaBela Xica das águas finas.Repito os mesmos versosEm turbilhões de emoçõesQue nada tem de terrestre 32
  33. 33. Últimas Águas ~ Antonio Guillermo Martinsem regras postuladasnas dimensões ocultas daAritmética do amor.E na próxima VesperadaEstarei dentro de ti cantando diamantinaA musica que dedicoÉ aquela que fala da saudade do nosso amorSaudade que destrói as barreiras das águasdas distancias sem fimQue separam os homens de DeusE a razão das emoções:Como pode um peixe vivoViver fora da água friaComo poderei viverSem a sua, sem a sua companhia...Fecha os olhos nestes cantos,Tocarei cada espaço do teu corpoCada esquina da tua almaDo contrato ao BonfimDa Quitanda a SentinelaEstarei em ti Amada miaE no baile do AcaiacaDançarei ao teu ladoSolitária alma feridaQue nada tem de pequenoE contem a sementeNo teu ventre eterno.E se ainda sentires saudadesNo domingo, na igreja dos escravos,Escute Diamantina em SerenataDas vozes dos anjos que la cantamComo os olhos cerrados e coração disparadoEstarei presente ao seu lado.Eis o roteiro de amor que dediquei a ti.Tudo começou na Vesperata diamantinaSuave e levecomo o vento queCanta às águas do teu reino,Suave e levecomo o teu olhar serenoque vaga nas ondas das serras.E Tudo começou na Vesperata Diamantina.Tudo. 33
  34. 34. Últimas Águas ~ Antonio Guillermo MartinNascimento Diamantina 1 de Agosto de 2008Nasceu em mimA magia das palavrasNasceu ao golpe do teu amorA vontade de cantar versosLivres da opressão e da razãoNasceu o filho que faltavaDa escrita esquecidaQue, tu, bela amadaAjudaste a despertarNasceu em mim a vontade deCantar para as águas celebrar tua beleza.Como esquecer o serQue tomou conta da minha alma?Nasceu o irmão dos meus retratosNão entendo como vivi tanto tempoSem ti, palavras escondidas,Bela Xica criastes versos mágicosQue tem vida e brincamNas águas limpas das serras enfeitiçadas.Nasceu em mimO que faltavaE feliz me sintoA esperar da tua chegada. 34

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