Workshop I - Moinhos. Património e tradição

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II Conferência CIDAADS A EDS na Sociedade do Conhecimento - Carmo Sequeira (Geógrafa)

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Workshop I - Moinhos. Património e tradição

  1. 1. II Conferência CIDAADS A EDS na Sociedade do Conhecimento Moinhos. Património e tradição. Maria do Carmo Carvalho Sequeira 28, 29 e 30 de outubro de 2011Pavilhão do Conhecimento - LisboaCiência Viva
  2. 2. A elevada frequência de cursos de água, resulta daexistência de valores de pluviosidade bastante eleva-dos nas Serras da Lousã e do Açor (as quais formamum obstáculo à passagem das massas de ar), assimcomo de solos pouco espessos, de vegetação pobree da presença de grandes declives.
  3. 3. «O homem não é só um ser social, mas também – e essencialmente – um ser cultural; isto é, um ser que, pela própria constituição do seu espírito, organiza necessariamente todo o seu sistema de vida e de relação, o seu apetrechamento material para o trabalho e a luta pela sobrevivência, e até mesmo grande número de dados naturais e funções fisiológicas, segundo regras fixadas de forma peculiar dentro do grupo.» Ernesto Veiga de Oliveira in «Princípios Basilares das Ciências Etnológicas» Cadernos de Etnografia, n.º3
  4. 4. “levada” sob a casa da moagem ou “sobrado”«Quando tenho água bebo vinho, quando não tenho água bebo água.»
  5. 5. mecanismo motor: rodízios montados num pequeno túnel sob a casa ou “sobrado”
  6. 6. O moleiro no contexto social e económico «O diabo encontrou Nosso Senhor e disse-lhe: — Ó meu Divino Mestre, tens que vir ver uma obra que fiz! E depois Nosso Senhor foi ter com o diabo: — Olha, tu tens que te afastar daqui – disse o diabo – faço uma cruz e tão longe é daqui a’qui como daqui a’li! Então Ele afastou-se e o diabo ficou com o moleiro: — Fica-te moleiro (…) trabalha que eu te ajudarei com o suor do teu rosto, mas hás-de trabalhar muito e viver sempre pobre (…) e é verdade; hás-de andar de porta em porta a pedir o grão, como quem anda a estender a mão à caridade (…) não há nenhum moleiro rico; fica em paz que eu vou-me embora.» A origem dos moinhos contada pela Sr.ª Hermínia, mulher do moleiro
  7. 7. “Vem minha filha e tira a maquia; Vem minha mulher, tira o que quer.——— Percurso ou “volta” do moleiro Vem meu criado, tira o que lhe é dado; Venho eu, tiro o que é meu.” «Posso mudar de moleiro, mas não mudo de ladrão!»
  8. 8. Entrada da casa da moagem ou “sobrado”
  9. 9. Porta de acesso ao “sobrado” com a “gateira” e a ferradura que “dá ” sorte
  10. 10. Interior do “sobrado”
  11. 11. “Vocês não sabem?! (...) Aquela balançaque está ali no moinho, é a minhabalança da sorte! Se não fosse aquelabalança, eu não tinha sorte nenhuma naminha vida! (...) Não a vendia porquinhentos contos! (...)”“...Quando vinha da minha volta,encontrei duas serpentes a castiçarem-seem cima da balança.Ai! Nossa Senhora! quem me acode?! (...)Peguei num machado e cortei as duas aomachado, não as deixei ir embora!!! Seas deixasse ir embora, ia-se emboraa sorte!!!““Dantão pra cá, nunca mais me tornoua faltar o dinheiro!!! “ Sr. Armando moleiro
  12. 12. “Casais de mós” porque se trata de duas mós diferentes: a de cima é “andadeira” e rija; a de baixo fixa e branda. «Duas pedras ásperas não fazem farinha.»Casais de mós
  13. 13. moega e pejadouro ou alavanca O grão vai caindo gradualmente do quelho, no olho da mó provocado pelo vibrar do cadelo.(Um simples fio, faz a ligação automática do O registo permite inclinar mais ou menos o trabalhar ou não do moinho) quelho, fazendo cair mais ou menos milho.
  14. 14. peneira, pá, picão, vassoirae pesos
  15. 15. Dada a necessidade de picar aspedras (mós), com certafrequência, o picão torna-seindispensável.Bastante semelhante a ummartelo, tem um cabo de madeira,sendo as suas extremidadespontiagudas.Do cabo às suas extremidades (bicos),está aplicado um cordel; este, depoisde rodear os bicos, vai rodear o cabo,onde é atado. Este artificio, ditado pelaexperiência, evita que, ao picar apedra, os detritos sejam projetadospara os olhos do seu utilizador.
  16. 16. O cozer do pãoa casa do forno utensílios: o rodo, a pá e o vassoiro
  17. 17. 1 3 A farinha é amassada com o A massa está lêveda e a abóbada do “crescente” para levedar melhor. forno está toda clara… é o momento de levar a broa a cozer.2 «Nosso Senhor te acrescente 4 Em cada gesto, em cada palavra, e te deite a Santíssima Virtude está implícito um ritual: qu`eu da minha parte fiz o que pude.» “…é uma tradição, sei lá (…) é uma fé! “
  18. 18. «Tenho o meu pão amassado E o meu velho p’ra morrer” Antes o meu velho morra Qu’ó meu pão se me perder Porque se o meu velho morre ‘inda me torno a casarMas se o meu pão se m’estraga Não o posso aproveitar» Cantado pela Sra. Hermínia mulher do moleiro
  19. 19. …o moinho de Alçaperna – ontem e hoje!
  20. 20. 1984 2011
  21. 21. 1984 2011
  22. 22. 1984 2011
  23. 23. 1984 2011
  24. 24. 1984 2011
  25. 25. “Esta nôte há-de chover…” cantada pelo Sr. Armando (moleiro)

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