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Análise de Redes Sociais

                                     Inês Albuquerque Amaral

                                                CECS / ISMT



       Escola de Verão SOPCOM 2012

             ISCSP - Julho 2012
Agenda

1. Introdução à Análise de Redes Sociais
1.1. Modelos e Teorias de Redes
1.2. Propriedades, Elementos e Dinâmicas
1.3. Métricas de Análise


2. Análise de Redes Sociais em Ciências da Comunicação
2.1. Design de projectos de investigação
2.2. Dados: recolha e tratamento
2.3. Cruzamento com outras metodologias: cenários pragmáticos
Análise de Redes Sociais: o que é?

Ciências Sociais = o indivíduo é visto como um conjunto de atributos
   que   causa   comportamentos.     Logo,    avaliam-se   os   atributos
   individuais e correlacionam-se entre si.




Análise de Redes Sociais [ARS] = estuda as relações entre um
   conjunto de actores com vista a detectar modelos de interacção
   social.



                   A VIDA SOCIAL É RELACIONAL
ARS: notas
• Campo Multidisciplinar


• Conjunto de métodos relacionais para a compreensão e identificação
sistemática das conexões entre actores de uma estrutura social.


• Metodologia que estuda as relações entre entidades e objectos de
qualquer natureza.


• Procura detectar padrões de interacção e explicar porque ocorrem e
quais as suas consequências.


• Analisa o comportamento dos actores através das redes em que estes
se inserem.
ARS: argumentos

• As relações sobrepõem-se às características individuais.


• Todos os fenómenos sociais têm a relação como unidade base.


• Os dados, sendo relacionais, expressam ligações (laços ou conexões)
entre actores (Wasserman e Faust, 1994).


• O mundo é relacional.


• Os atributos, por si, não têm significado que possa explicar estruturas
sociais (Portugal, 2007).
ARS: pressupostos I
• O padrão de interacções sociais dos actores tem consequências
directas sobre os indivíduos.


• O modelo de relações de um colectivo tem efeitos directos sobre a
dinâmica desse grupo.


• Um actor é uma entidade social e permite diversas formas de
agregação.


• O comportamento dos agentes depende da forma como estão
interligados.
ARS: pressupostos II
• Existem diferentes forças que condicionam a estruturação de uma
rede:   proximidade      geográfica,   homofilia   (os   “parecidos”),
contágio/influência, reciprocidade e transitividade (“os amigos dos
meus amigos, meus amigos são”).


• Laços entre indivíduos são canais através dos quais circulam
determinados recursos.


• Os actores e as acções são interpretados como independentes.


• Dados em análise são de ordem relacional (ligações entre os agentes)
mas podem ser combinados com elementos de ordem atributiva –
propriedades.
Ponto de partida
ARS – contexto histórico I
(i) Simmel sustentava que o mundo social resultava das interacções e
   não da agregação de indivíduos.



(ii) Euler resolveu o problema das pontes de Konigsberg através da
   modelação de um grafo que transformava os caminhos em rectas e
   as suas intersecções em pontos.



(iii) Moreno introduziu ideias e ferramentas de sociometria para
   analisar a interacção social em pequenos grupos.



(iv) Barnes estudou redes sociais para perceber a importância das
   interacções individuais numa estrutura social.
ARS – contexto histórico II
(i) Simmel: defendeu que a sociedade não é mais do que uma rede de relações e a
     intersecção destas é o suporte que permite definir as características das estruturas
     sociais e das unidades individuais.



(ii) Euler: resolveu o problema das pontes de Königsberg através da modelação de um
     grafo que transformava os caminhos em rectas e as suas intersecções em pontos.
     Considera-se que este terá sido o primeiro grafo desenvolvido.



(iii) Moreno: introduziu ideias e ferramentas de sociometria que visavam registar a
     observação e analisar a interacção social em pequenos grupos.



(iv) Barnes: procurava estudar a importância das interacções individuais na definição da
     estrutura social de uma comunidade piscatória norueguesa. Referiu, pela primeira
     vez, o termo «rede social».
ARS – suporte teórico

(i) Fundação matemática = permite medir propriedades estruturais
   para realizar operações matemáticas e fazer deduções sociológicas
   passíveis de seresm testadas



(ii) Grafo = representação gráfica de um padrão de relações. Permitem
   revelar redes e quantificar propriedades estruturais.



(iii) Matrizes = alternativa para representar e resumir os dados das
   redes numa tabela matemática.
ARS: contexto teórico multidisciplinar I
Baseada na teoria formal, organizada em termos matemáticos, a ARS
    divide-se em duas tradições:



(i) A dos antropólogos britânicos = Escola de Manchester, que decorre da
    Sociometria de Moreno e dos Estudos de Barnes e acaba por se fundir na
    Sociologia Americana



(ii) Tradição americana: 1). Formalistas = morfologia das redes e o seu
    impacto nos comportamentos dos indivíduos e grupos; Estruturalistas
    = definem a relação como a unidade básica da estrutura dos sistemas
    sociais.
ARS: contexto teórico multidisciplinar II




Multidisciplinariedade e Evolução da Metodologia de Análise de Redes Sociais
                                 (Molina, 2009)
ARS: contexto teórico multidisciplinar III
                    A NOVA CIÊNCIA DAS REDES



- Ciências da Complexidade – visão relacional do mundo



- Small Worlds; Scale-Free Networks



- “How everything is connected to everything and what it means for
   business, science and everyday life” – Barabási (2003)
Conceitos Elementares
(i) REDE = conjunto de actores que têm relações entre si, dos quais
       resultam fluxos de informação que podem ser unilaterais ou bilaterais.


(ii)   REDE       =   composta   por   nós   (vértices)   e   arcos/arestas   (ligações)


(iii) RELAÇÕES          = tipo específico = orientadas/assimétricas (arco) ou não
       orientadas/simétricas                           (aresta)


(iv) DÍADE = par de actores e possíveis relações; TRÍADE = três nós e possíveis
       ligações                                entre                               eles.


(v) SUBGRUPO (subconjunto de actores e todas as ligações entre eles); GRUPO
       (colecção de todos os nós cujos laços se podem medir); REDE (conjunto de
       actores e as relações que os definem).
NOTA: Comunidades não são Redes
(i) REDE = As redes são sistemas de relações centrados nos indivíduos
    e não nos grupos (“individualismo em rede”, Castells). O conceito de
    rede remete para a definição de grupos com laços menos fortes e sem
    localização geográfica, permitindo a associação de indivíduos dispersos
    no                                                                espaço.


(ii) COMUNIDADE = sustenta-se em laços fortes de interacção social,
    identificação              e              interesse              comum.




  Nas comunidades, a agregação de indivíduos em grupos evidencia sempre
         graus de densidade superiores aos das redes sociais, sendo que as
               comunidades se assumem como propriedades destas.
Propriedades, elementos e dinâmicas
(i) GRAU = número total de relações de um nó

(ii) DISTÂNCIA = comprimento do menor caminho entre dois actores

(iii) DIÂMETRO = maior distância ente dois nós

(iv) CICLO = caminho que começa e termina no mesmo nó

(v) SUBGRAFO (COMPONENTE) = grafo que é parte de outro

(vi) CLIQUE = subgrafo completo

(vii) GRAFO CONEXO (DESCONECTADOS) = existe um caminho entre qualquer um
    dos actores / Grafo não conexo = quando há nós desconectados

(viii) GRAFO COMPLETO (CONECTADO) = existem ligações entre todos os nós

(ix) GRAFO BIPARTITE = os nodos podem ser divididos em 2 conjuntos e não há
    ligações entre os vértices do mesmo conjunto

(x) HUBS ou CONECTORES = nó com grande quantidade de ligações e capacidade de
    atrair outros

(xi) COEFICIENTE DE CLUSTER = indicador de conectividade de um nó
Métricas
Níveis de estudo: rede, actores e relações entre estes

(i) ANÁLISE DA REDE = coesão (conectividade – propriedades: densidade,
    distância dos caminhos e fragmentação - componentes) e forma (distribuição
    das relações [grau], periferia do núcleo e aglomeração (“clumpiness”).

(ii) ANÁLISE DOS NÓS = posições na rede e propriedades da centralidade dos
    actores.

(iii) ANÁLISE DAS RELAÇÕES = coesão (distância geodésica e multiplexidade),
    orientação (simétricas – não orientadas ou assimétricas – orientadas, que
    podem ser recíprocas ou não), direcção e densidade.

(iv) ANÁLISE DOS LAÇOS = os laços são compostos por relações sociais e
    podem ser relacionais ou associativos, unívocos ou recíprocos. Laços
    fortes e fracos.
Tipos de redes

As redes sociais podem ser classificadas quanto ao objectivo do
    estudo, actores e relacionamentos.



(i) TIPOS DE REDES = Sócio-Cêntricas (totais) e Ego-Cêntricas



(ii) PERSPECTIVA DOS ACTORES = rede one-mode e two-mode (ligações
    entre entidades sociais diferentes)

(iii) PERSPECTIVA DOS RELACIONAMENTOS = díades, tríades e grupos
Modelos de Redes I
TEORIA FORMALISTA

   Modelo de Redes Aleatórias - Erdös e Rényi, 1959 (democracia das
    redes e transição)
   Modelo dos Mundos Pequenos - Watts e Strogatz, 1998 (5,2 graus
    Watts e Strogatz – 4,74 graus FB)
   Modelo de Redes Sem Escala - Barabási e Albert, 1999 (ingrediente
    preferencial, “rich get richer”)
Modelos de Redes II
ABORDAGEM ESTRUTURALISTA

   Teoria dos Laços Fracos e Laços Fortes - Granovetter
   Teoria dos Buracos Estruturais («tertius gaudens») - Burt
                                      (
   Teoria da Grupabilidade (conjunto de relações internas [positivas ou
    neutras] e relações externas [negativas ou neutras] – vários autores
   Teoria da Coordenação das Relações – várias autores



   Explicação das redes: transmissão (passagem directa de um nó para outro, o
    que remete para os conceitos de influência e/ou coerção), adaptação (um nó torna-se
    homogéneo como resultado da experiência e adaptação a ambientes sociais similares),
    ligação (os laços sociais podem ligar nós de forma a construir uma nova entidade cujas
    propriedades podem ser diferentes dos seus elementos constituintes) e exclusão
    (explicação que se refere a situações competitivas em que um mesmo nó, ao formar uma
    relação com outro, exclui um terceiro actor).
Grafos e Matrizes
Imagem típica de rede
ARS em Ciências da Comunicação

   Design de projectos de investigação

-   O que estudar?
-   Porquê estudar?
-   O que se pretende compreender?
-   Objectivos?
-   Que redes?
-   Quais os actores?
-   Que relações?
-   Quais as métricas a avaliar?
-   Cruzamento de metodologias?
Trabalhar com ARS I

(i) Identificar problema, enquadramento teórico e possibilidades de
    triangular metodologias

(ii) Identificar perspectiva (tipo de rede)

(iii) Definir relação (ou relações e tipo – assimétrica/orientada ou
    simétrica/não-orientada) em estudo

(iv) Recolher dados

(iv) Tratamento de dados (nós e arcos/arestas)

(iv) Análise de dados (software)
Trabalhar com ARS II
1. PROBLEMA

2. ABORDAGEM

3. ENQUADRAMENTO TEÓRICO

(i) Capital Social

(ii) Trocas sociais

(iii) Relações de trocas

(iv) Influência social

(v) Selecção social (características/propriedades)

(vi) Difusão
Recolha de Dados
Abordagem realista (baseada nos actores), abordagem nominalista
    (baseada em justificações teóricas), “snowball sampling”

(i) Documentais

(ii) Observação

(iii) Experimentação

(iv) Questionários

(iv) Entrevistas
Tratamento de Dados: Softwares

(i) GEPHI (redes inteiras)

(ii) PAJEK

(iii) UNICET (ego-redes)

(iv) NETWORK WORKBENCH (software mais formalista; complementar)

(iv) SIENA

(iv) NODE XL (extracção de dados online)
Tratamento de Dados

(i) Transformar os dados em grafos e/ou matrizes (nós e relações)



(ii) Visualização das redes



(iii) Visualização das redes por propriedades
Interpretação dos Dados I
Interpretação dos dados
Cruzamento com outras metodologias
EXEMPLOS

(ii) Articulação das teorias estruturalistas com elementos descritivos
    da ciência de redes

(ii) Análise documental quantitativa, qualitativa

(iii) Análise estatística

(iv) Análise de conteúdo (qualitativa, quantitativa)

(v) Análise de conteúdo

(vi) Análise do discurso

(vii) Etnografia e Netgrafia

(vi) Análise da imagem
Cenários pragmáticos I
EXEMPLOS: Análise da Dinâmica Relacional

(i) Redes sociais online

(ii) Redes de hiperlinks

(iii) Redes sociais de conteúdos

(iv) Redes de citações

(v) Análise de comunidades

(vi) Dinâmicas sociais políticas

(vii) Redes de fontes de informação

(viii) Redes de weblogs

(ix) Dinâmicas sociais políticas (redes de influência, informações...)

(x) Comunicação científica
Cenários pragmáticos II
EXEMPLOS: Análise da Dinâmica Relacional

(xi) Comunicação política (diversos actores e relações)

(xii) Estudos comportamentais (consumo, relacionamento, influência)

(xiii) Comunicação organizacional

(xiv) Interacção entre Estado e Sociedade

(xv) Estudos de Etnografia

(xvi) Estudos de inovação: fluxos de informações e conhecimentos

(xvii) Redes móveis

(xviii) Social capital

(xix) Espaços sociais transnacionais (redes de imigrantes)

(xx) Documentação histórica
Exemplo


REDES SOCIAIS NA INTERNET:
SOCIABILIDADES EMERGENTES
Exemplo: Ponto de partida
Exemplo: Objectivo Geral
Exemplo: Objectivos Específicos
(i) Estudar a interacção enquanto processo de comunicação, à luz do
     fenómeno da Web 2.0 e das noções que o preenchem: media sociais,
     redes sociais, consumidores 2.0 e prosumers;

(ii) Reflectir sobre as redes sociais na Internet e o seu contexto – a
     mudança de paradigma comunicacional; a reinvenção do conceito de
     comunidade; a desterritorialização da sociedade; a ideia de cultura
     participativa e a redefinição de espaço público; o aparecimento do
     netcitizen e as questões de identidade no âmbito do online;

(iii) Analisar redes sociais assimétricas que se desenvolvem em torno
     de conteúdo com base na premissa da «análise do social pelo
     social» (Durkheim, 1964), para averiguar se o novo modelo de
     comunicação que caracteriza a Internet se materializa num paradigma
     social.
Exemplo: Hipóteses de trabalho

(i) No ciberespaço existe uma sociabilidade própria, com relações e
    práticas sociais distintas das tradicionais, e que tem por base a exclusão
    do determinismo territorial.

(ii)     Os    media     sociais   constituem     um     termómetro    social
       desterritorializado, criado pela participação em rede.

(iii) As redes sociais assimétricas constroem uma realidade social própria
     através da indexação do conteúdo.
Exemplo: Argumento: Das Redes na
             Rede

O conteúdo é o   elemento determinante           para a formação

de   redes sociais assimétricas           e sustenta a ideia de

cultura      de     participação       maximizada,     permitindo

interpretar a informação publicada pelo utilizador numa   lógica
viral   e identificar a   emergência de modalidades de
sociabilidade       decorrentes de   novas práticas        que se

concretizam em    relações sociais    distintas das tradicionais.
Exemplo: Das Redes na Rede: Estudo
             de Caso
A apropriação da rede pelas redes: estudo de caso
                    #cablegate



Objectivo central: Analisar redes sociais assimétricas conectadas
por conteúdo e as relações entre os actores que as compõem, com
vista a compreender padrões de interacção e regularidades sociais
que permitam aferir se, com a utilização de técnicas de indexação
semântica em ferramentas de interacção mediada por computador,
emergem novas modalidades de sociabilidade.
Exemplo: Das Redes na Rede: Estudo
   de Caso #cablegate - Etapas
Exemplo: Das Redes na Rede:
           Metodologia
             Abordagem: Estudo de Caso

Etapa    1: Técnicas de observação directa      com   recolha
sistematizada de dados e análise documental

Etapa  2: Análise documental, combinação de índole extensiva/
quantitativa e intensiva/qualitativa

Etapa   3: Análise de Redes Sociais
Exemplo: Das Redes na Rede:
                Conclusões Parciais
                   Etapa 3 > Análise de Redes Sociais

«Scale Free Networks»: estruturas sociais auto-organizadas e com efeito de
«small world».

Redes  centradas no conteúdo e na sua apropriação: relações sociais fracas >
redes de hashtags: realidade social própria > assimetria

Redes   que obedecem a leis de potência: mecanismo de ligação preferencial.

Redes descentralizadas, pouco densas e muito fragmentadas: «individualismo em
rede» (Castells, 2003).

Padrão   de interacção de reduzida conectividade, reciprocidade e transitividade.

Padrões  de conectividade: permanente mutação, velocidade de transmissão da
informação, potencial de viralidade e capacidade para acção colectiva > o
conteúdo como laço relacional.
Literatura Essencial
Barabási, A.-L. (2003) Linked, Cambridge, Massachusetts: Perseus Publishing.

Borgatti, S. et al. (2009) ‘Network analysis in the social sciences’, Science, 323 (5916): 892–895.

Granovetter, M. (1973) ‘The Strength of Weak Ties’, American Journal of Sociology, 78 (6): 1360–1380.

Hanneman, R. & Riddle, M. (2005) Introduction to Social Network Methods, Riverside, CA: University of
      California, Riverside.

Kozinets, R. (2010) Netnography. Doing Ethnographic Research Online, Thousand Oaks, CA: Sage
      Publications.

Lemieux, V. & Ouimet, M. (2004) Análise Estrutural das Redes Sociais, Lisboa: Instituto Piaget.

Marin, A. & Wellman, B. (2011) ‘Social Network Analysis: An Introduction’ in Carrington, P. & Scott, J.
      (Eds.) (2011) The Sage Handbook of Social Network Analysis, London: Sage, pp. 11-25.

Prell, C. (2012) Social Network Analysis: history, theory and methodology, Thousand Oaks, CA: Sage
      Publications.

Scott, J. (2000) Social network analysis: a handbook, London: Sage.

Wasserman, S. & Faust, K. (1994) Social Network Analysis: Methods and Applications, Cambridge:
      Cambridge University Press.
Associações/Conferências/Journals
Associações e Conferências

-   INSNA: SUNBELT
-   CCS: ECCS
-   Encontro de Analistas de Redes Sociais: ICS (Lisboa)



Peer-reviewed Journals
-   Social Networks
-   Connections
-   The Journal of Social Structure
-   REDES



Mailing lists: SOCNET, REDES, ARS
Debate

-   Perguntas?
-   Dúvidas?
-   Propostas de trabalhos?
Inês Albuquerque Amaral


   CECS – UMINHO / ISMT

    inesamaral@gmail.com

    http://ciberesfera.com

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Análise de Redes Sociais

  • 1. Análise de Redes Sociais Inês Albuquerque Amaral CECS / ISMT Escola de Verão SOPCOM 2012 ISCSP - Julho 2012
  • 2. Agenda 1. Introdução à Análise de Redes Sociais 1.1. Modelos e Teorias de Redes 1.2. Propriedades, Elementos e Dinâmicas 1.3. Métricas de Análise 2. Análise de Redes Sociais em Ciências da Comunicação 2.1. Design de projectos de investigação 2.2. Dados: recolha e tratamento 2.3. Cruzamento com outras metodologias: cenários pragmáticos
  • 3. Análise de Redes Sociais: o que é? Ciências Sociais = o indivíduo é visto como um conjunto de atributos que causa comportamentos. Logo, avaliam-se os atributos individuais e correlacionam-se entre si. Análise de Redes Sociais [ARS] = estuda as relações entre um conjunto de actores com vista a detectar modelos de interacção social. A VIDA SOCIAL É RELACIONAL
  • 4. ARS: notas • Campo Multidisciplinar • Conjunto de métodos relacionais para a compreensão e identificação sistemática das conexões entre actores de uma estrutura social. • Metodologia que estuda as relações entre entidades e objectos de qualquer natureza. • Procura detectar padrões de interacção e explicar porque ocorrem e quais as suas consequências. • Analisa o comportamento dos actores através das redes em que estes se inserem.
  • 5. ARS: argumentos • As relações sobrepõem-se às características individuais. • Todos os fenómenos sociais têm a relação como unidade base. • Os dados, sendo relacionais, expressam ligações (laços ou conexões) entre actores (Wasserman e Faust, 1994). • O mundo é relacional. • Os atributos, por si, não têm significado que possa explicar estruturas sociais (Portugal, 2007).
  • 6. ARS: pressupostos I • O padrão de interacções sociais dos actores tem consequências directas sobre os indivíduos. • O modelo de relações de um colectivo tem efeitos directos sobre a dinâmica desse grupo. • Um actor é uma entidade social e permite diversas formas de agregação. • O comportamento dos agentes depende da forma como estão interligados.
  • 7. ARS: pressupostos II • Existem diferentes forças que condicionam a estruturação de uma rede: proximidade geográfica, homofilia (os “parecidos”), contágio/influência, reciprocidade e transitividade (“os amigos dos meus amigos, meus amigos são”). • Laços entre indivíduos são canais através dos quais circulam determinados recursos. • Os actores e as acções são interpretados como independentes. • Dados em análise são de ordem relacional (ligações entre os agentes) mas podem ser combinados com elementos de ordem atributiva – propriedades.
  • 9. ARS – contexto histórico I (i) Simmel sustentava que o mundo social resultava das interacções e não da agregação de indivíduos. (ii) Euler resolveu o problema das pontes de Konigsberg através da modelação de um grafo que transformava os caminhos em rectas e as suas intersecções em pontos. (iii) Moreno introduziu ideias e ferramentas de sociometria para analisar a interacção social em pequenos grupos. (iv) Barnes estudou redes sociais para perceber a importância das interacções individuais numa estrutura social.
  • 10. ARS – contexto histórico II (i) Simmel: defendeu que a sociedade não é mais do que uma rede de relações e a intersecção destas é o suporte que permite definir as características das estruturas sociais e das unidades individuais. (ii) Euler: resolveu o problema das pontes de Königsberg através da modelação de um grafo que transformava os caminhos em rectas e as suas intersecções em pontos. Considera-se que este terá sido o primeiro grafo desenvolvido. (iii) Moreno: introduziu ideias e ferramentas de sociometria que visavam registar a observação e analisar a interacção social em pequenos grupos. (iv) Barnes: procurava estudar a importância das interacções individuais na definição da estrutura social de uma comunidade piscatória norueguesa. Referiu, pela primeira vez, o termo «rede social».
  • 11. ARS – suporte teórico (i) Fundação matemática = permite medir propriedades estruturais para realizar operações matemáticas e fazer deduções sociológicas passíveis de seresm testadas (ii) Grafo = representação gráfica de um padrão de relações. Permitem revelar redes e quantificar propriedades estruturais. (iii) Matrizes = alternativa para representar e resumir os dados das redes numa tabela matemática.
  • 12. ARS: contexto teórico multidisciplinar I Baseada na teoria formal, organizada em termos matemáticos, a ARS divide-se em duas tradições: (i) A dos antropólogos britânicos = Escola de Manchester, que decorre da Sociometria de Moreno e dos Estudos de Barnes e acaba por se fundir na Sociologia Americana (ii) Tradição americana: 1). Formalistas = morfologia das redes e o seu impacto nos comportamentos dos indivíduos e grupos; Estruturalistas = definem a relação como a unidade básica da estrutura dos sistemas sociais.
  • 13. ARS: contexto teórico multidisciplinar II Multidisciplinariedade e Evolução da Metodologia de Análise de Redes Sociais (Molina, 2009)
  • 14. ARS: contexto teórico multidisciplinar III A NOVA CIÊNCIA DAS REDES - Ciências da Complexidade – visão relacional do mundo - Small Worlds; Scale-Free Networks - “How everything is connected to everything and what it means for business, science and everyday life” – Barabási (2003)
  • 15. Conceitos Elementares (i) REDE = conjunto de actores que têm relações entre si, dos quais resultam fluxos de informação que podem ser unilaterais ou bilaterais. (ii) REDE = composta por nós (vértices) e arcos/arestas (ligações) (iii) RELAÇÕES = tipo específico = orientadas/assimétricas (arco) ou não orientadas/simétricas (aresta) (iv) DÍADE = par de actores e possíveis relações; TRÍADE = três nós e possíveis ligações entre eles. (v) SUBGRUPO (subconjunto de actores e todas as ligações entre eles); GRUPO (colecção de todos os nós cujos laços se podem medir); REDE (conjunto de actores e as relações que os definem).
  • 16. NOTA: Comunidades não são Redes (i) REDE = As redes são sistemas de relações centrados nos indivíduos e não nos grupos (“individualismo em rede”, Castells). O conceito de rede remete para a definição de grupos com laços menos fortes e sem localização geográfica, permitindo a associação de indivíduos dispersos no espaço. (ii) COMUNIDADE = sustenta-se em laços fortes de interacção social, identificação e interesse comum. Nas comunidades, a agregação de indivíduos em grupos evidencia sempre graus de densidade superiores aos das redes sociais, sendo que as comunidades se assumem como propriedades destas.
  • 17. Propriedades, elementos e dinâmicas (i) GRAU = número total de relações de um nó (ii) DISTÂNCIA = comprimento do menor caminho entre dois actores (iii) DIÂMETRO = maior distância ente dois nós (iv) CICLO = caminho que começa e termina no mesmo nó (v) SUBGRAFO (COMPONENTE) = grafo que é parte de outro (vi) CLIQUE = subgrafo completo (vii) GRAFO CONEXO (DESCONECTADOS) = existe um caminho entre qualquer um dos actores / Grafo não conexo = quando há nós desconectados (viii) GRAFO COMPLETO (CONECTADO) = existem ligações entre todos os nós (ix) GRAFO BIPARTITE = os nodos podem ser divididos em 2 conjuntos e não há ligações entre os vértices do mesmo conjunto (x) HUBS ou CONECTORES = nó com grande quantidade de ligações e capacidade de atrair outros (xi) COEFICIENTE DE CLUSTER = indicador de conectividade de um nó
  • 18. Métricas Níveis de estudo: rede, actores e relações entre estes (i) ANÁLISE DA REDE = coesão (conectividade – propriedades: densidade, distância dos caminhos e fragmentação - componentes) e forma (distribuição das relações [grau], periferia do núcleo e aglomeração (“clumpiness”). (ii) ANÁLISE DOS NÓS = posições na rede e propriedades da centralidade dos actores. (iii) ANÁLISE DAS RELAÇÕES = coesão (distância geodésica e multiplexidade), orientação (simétricas – não orientadas ou assimétricas – orientadas, que podem ser recíprocas ou não), direcção e densidade. (iv) ANÁLISE DOS LAÇOS = os laços são compostos por relações sociais e podem ser relacionais ou associativos, unívocos ou recíprocos. Laços fortes e fracos.
  • 19. Tipos de redes As redes sociais podem ser classificadas quanto ao objectivo do estudo, actores e relacionamentos. (i) TIPOS DE REDES = Sócio-Cêntricas (totais) e Ego-Cêntricas (ii) PERSPECTIVA DOS ACTORES = rede one-mode e two-mode (ligações entre entidades sociais diferentes) (iii) PERSPECTIVA DOS RELACIONAMENTOS = díades, tríades e grupos
  • 20. Modelos de Redes I TEORIA FORMALISTA  Modelo de Redes Aleatórias - Erdös e Rényi, 1959 (democracia das redes e transição)  Modelo dos Mundos Pequenos - Watts e Strogatz, 1998 (5,2 graus Watts e Strogatz – 4,74 graus FB)  Modelo de Redes Sem Escala - Barabási e Albert, 1999 (ingrediente preferencial, “rich get richer”)
  • 21. Modelos de Redes II ABORDAGEM ESTRUTURALISTA  Teoria dos Laços Fracos e Laços Fortes - Granovetter  Teoria dos Buracos Estruturais («tertius gaudens») - Burt (  Teoria da Grupabilidade (conjunto de relações internas [positivas ou neutras] e relações externas [negativas ou neutras] – vários autores  Teoria da Coordenação das Relações – várias autores  Explicação das redes: transmissão (passagem directa de um nó para outro, o que remete para os conceitos de influência e/ou coerção), adaptação (um nó torna-se homogéneo como resultado da experiência e adaptação a ambientes sociais similares), ligação (os laços sociais podem ligar nós de forma a construir uma nova entidade cujas propriedades podem ser diferentes dos seus elementos constituintes) e exclusão (explicação que se refere a situações competitivas em que um mesmo nó, ao formar uma relação com outro, exclui um terceiro actor).
  • 24. ARS em Ciências da Comunicação  Design de projectos de investigação - O que estudar? - Porquê estudar? - O que se pretende compreender? - Objectivos? - Que redes? - Quais os actores? - Que relações? - Quais as métricas a avaliar? - Cruzamento de metodologias?
  • 25. Trabalhar com ARS I (i) Identificar problema, enquadramento teórico e possibilidades de triangular metodologias (ii) Identificar perspectiva (tipo de rede) (iii) Definir relação (ou relações e tipo – assimétrica/orientada ou simétrica/não-orientada) em estudo (iv) Recolher dados (iv) Tratamento de dados (nós e arcos/arestas) (iv) Análise de dados (software)
  • 26. Trabalhar com ARS II 1. PROBLEMA 2. ABORDAGEM 3. ENQUADRAMENTO TEÓRICO (i) Capital Social (ii) Trocas sociais (iii) Relações de trocas (iv) Influência social (v) Selecção social (características/propriedades) (vi) Difusão
  • 27. Recolha de Dados Abordagem realista (baseada nos actores), abordagem nominalista (baseada em justificações teóricas), “snowball sampling” (i) Documentais (ii) Observação (iii) Experimentação (iv) Questionários (iv) Entrevistas
  • 28. Tratamento de Dados: Softwares (i) GEPHI (redes inteiras) (ii) PAJEK (iii) UNICET (ego-redes) (iv) NETWORK WORKBENCH (software mais formalista; complementar) (iv) SIENA (iv) NODE XL (extracção de dados online)
  • 29. Tratamento de Dados (i) Transformar os dados em grafos e/ou matrizes (nós e relações) (ii) Visualização das redes (iii) Visualização das redes por propriedades
  • 32. Cruzamento com outras metodologias EXEMPLOS (ii) Articulação das teorias estruturalistas com elementos descritivos da ciência de redes (ii) Análise documental quantitativa, qualitativa (iii) Análise estatística (iv) Análise de conteúdo (qualitativa, quantitativa) (v) Análise de conteúdo (vi) Análise do discurso (vii) Etnografia e Netgrafia (vi) Análise da imagem
  • 33. Cenários pragmáticos I EXEMPLOS: Análise da Dinâmica Relacional (i) Redes sociais online (ii) Redes de hiperlinks (iii) Redes sociais de conteúdos (iv) Redes de citações (v) Análise de comunidades (vi) Dinâmicas sociais políticas (vii) Redes de fontes de informação (viii) Redes de weblogs (ix) Dinâmicas sociais políticas (redes de influência, informações...) (x) Comunicação científica
  • 34. Cenários pragmáticos II EXEMPLOS: Análise da Dinâmica Relacional (xi) Comunicação política (diversos actores e relações) (xii) Estudos comportamentais (consumo, relacionamento, influência) (xiii) Comunicação organizacional (xiv) Interacção entre Estado e Sociedade (xv) Estudos de Etnografia (xvi) Estudos de inovação: fluxos de informações e conhecimentos (xvii) Redes móveis (xviii) Social capital (xix) Espaços sociais transnacionais (redes de imigrantes) (xx) Documentação histórica
  • 35. Exemplo REDES SOCIAIS NA INTERNET: SOCIABILIDADES EMERGENTES
  • 36. Exemplo: Ponto de partida
  • 38. Exemplo: Objectivos Específicos (i) Estudar a interacção enquanto processo de comunicação, à luz do fenómeno da Web 2.0 e das noções que o preenchem: media sociais, redes sociais, consumidores 2.0 e prosumers; (ii) Reflectir sobre as redes sociais na Internet e o seu contexto – a mudança de paradigma comunicacional; a reinvenção do conceito de comunidade; a desterritorialização da sociedade; a ideia de cultura participativa e a redefinição de espaço público; o aparecimento do netcitizen e as questões de identidade no âmbito do online; (iii) Analisar redes sociais assimétricas que se desenvolvem em torno de conteúdo com base na premissa da «análise do social pelo social» (Durkheim, 1964), para averiguar se o novo modelo de comunicação que caracteriza a Internet se materializa num paradigma social.
  • 39. Exemplo: Hipóteses de trabalho (i) No ciberespaço existe uma sociabilidade própria, com relações e práticas sociais distintas das tradicionais, e que tem por base a exclusão do determinismo territorial. (ii) Os media sociais constituem um termómetro social desterritorializado, criado pela participação em rede. (iii) As redes sociais assimétricas constroem uma realidade social própria através da indexação do conteúdo.
  • 40. Exemplo: Argumento: Das Redes na Rede O conteúdo é o elemento determinante para a formação de redes sociais assimétricas e sustenta a ideia de cultura de participação maximizada, permitindo interpretar a informação publicada pelo utilizador numa lógica viral e identificar a emergência de modalidades de sociabilidade decorrentes de novas práticas que se concretizam em relações sociais distintas das tradicionais.
  • 41. Exemplo: Das Redes na Rede: Estudo de Caso A apropriação da rede pelas redes: estudo de caso #cablegate Objectivo central: Analisar redes sociais assimétricas conectadas por conteúdo e as relações entre os actores que as compõem, com vista a compreender padrões de interacção e regularidades sociais que permitam aferir se, com a utilização de técnicas de indexação semântica em ferramentas de interacção mediada por computador, emergem novas modalidades de sociabilidade.
  • 42. Exemplo: Das Redes na Rede: Estudo de Caso #cablegate - Etapas
  • 43. Exemplo: Das Redes na Rede: Metodologia Abordagem: Estudo de Caso Etapa 1: Técnicas de observação directa com recolha sistematizada de dados e análise documental Etapa 2: Análise documental, combinação de índole extensiva/ quantitativa e intensiva/qualitativa Etapa 3: Análise de Redes Sociais
  • 44. Exemplo: Das Redes na Rede: Conclusões Parciais Etapa 3 > Análise de Redes Sociais «Scale Free Networks»: estruturas sociais auto-organizadas e com efeito de «small world». Redes centradas no conteúdo e na sua apropriação: relações sociais fracas > redes de hashtags: realidade social própria > assimetria Redes que obedecem a leis de potência: mecanismo de ligação preferencial. Redes descentralizadas, pouco densas e muito fragmentadas: «individualismo em rede» (Castells, 2003). Padrão de interacção de reduzida conectividade, reciprocidade e transitividade. Padrões de conectividade: permanente mutação, velocidade de transmissão da informação, potencial de viralidade e capacidade para acção colectiva > o conteúdo como laço relacional.
  • 45. Literatura Essencial Barabási, A.-L. (2003) Linked, Cambridge, Massachusetts: Perseus Publishing. Borgatti, S. et al. (2009) ‘Network analysis in the social sciences’, Science, 323 (5916): 892–895. Granovetter, M. (1973) ‘The Strength of Weak Ties’, American Journal of Sociology, 78 (6): 1360–1380. Hanneman, R. & Riddle, M. (2005) Introduction to Social Network Methods, Riverside, CA: University of California, Riverside. Kozinets, R. (2010) Netnography. Doing Ethnographic Research Online, Thousand Oaks, CA: Sage Publications. Lemieux, V. & Ouimet, M. (2004) Análise Estrutural das Redes Sociais, Lisboa: Instituto Piaget. Marin, A. & Wellman, B. (2011) ‘Social Network Analysis: An Introduction’ in Carrington, P. & Scott, J. (Eds.) (2011) The Sage Handbook of Social Network Analysis, London: Sage, pp. 11-25. Prell, C. (2012) Social Network Analysis: history, theory and methodology, Thousand Oaks, CA: Sage Publications. Scott, J. (2000) Social network analysis: a handbook, London: Sage. Wasserman, S. & Faust, K. (1994) Social Network Analysis: Methods and Applications, Cambridge: Cambridge University Press.
  • 46. Associações/Conferências/Journals Associações e Conferências - INSNA: SUNBELT - CCS: ECCS - Encontro de Analistas de Redes Sociais: ICS (Lisboa) Peer-reviewed Journals - Social Networks - Connections - The Journal of Social Structure - REDES Mailing lists: SOCNET, REDES, ARS
  • 47. Debate - Perguntas? - Dúvidas? - Propostas de trabalhos?
  • 48. Inês Albuquerque Amaral CECS – UMINHO / ISMT inesamaral@gmail.com http://ciberesfera.com