Wellington Almeida*       A Universidade de Brasília começa a debater a escolha de novo reitor. O processo sucessório foi ...
A atual administração optou por outro caminho. Para ficar nestes dois exemplos, eliminou o mercado de vagase definiu todas...
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Artigo - Democracia e Gestão Universitária

  1. 1. Wellington Almeida* A Universidade de Brasília começa a debater a escolha de novo reitor. O processo sucessório foi antecipado apóso lançamento de manifesto e entrevista à imprensa (Correio Braziliense, 15/05/12) por parte de um grupo político, quepretende lançar como candidato o professor Ivan Camargo. Trata-se de uma corrente interna de opinião, expressiva doponto de vista acadêmico e institucional. Sem dúvida, um posicionamento relevante, merecedor de todo respeito. Questão que aparece com relevo na posição desta corrente é o tema da gestão universitária. Grosso modo, po-demos afirmar que o posicionamento lançado procura imputar à atual administração incapacidade para a gestão. É fatoque a gestão do cotidiano precisa melhorar muito na UnB. A forte expansão vivenciada nos últimos anos aumentou osdesafios para quem se propõe a liderar uma comunidade viva, inovadora, carente de recursos humanos e sem autonomiaplena. Uma questão-chave, porém, não pode ser negligenciada: o melhor modelo de participação da comunidade noprocesso decisório. Um pressuposto elementar para encaminhar qualquer proposta de gestão, especialmente em institui-ções e sociedades complexas é a legitimidade. Esta precisa ser renovada constantemente. É imperativo reunir condiçõespolíticas para continuar governando, pois as crises virão naturalmente. Clinton e Lula, por exemplo, com governos bemavaliados tiveram a legitimidade questionada em algum momento e escaparam por pouco do impeachment. Quem nãocompreender esta dimensão não estará preparado para encaminhar nenhuma proposta de gestão. Na UnB não temos como ignorar este processo. Ainda buscamos uma saída para a crise que em 2008 derrubou oentão reitor Timothy Mulholland, tido por seus apoiadores como injustiçado. Pode ser que ele seja e sou contra a demoni-zação do ex-reitor, que merece paz para se defender. Mas é fato que sua gestão perdeu a legitimidade, entrou em colapsoe ele caiu. Caiu por quê? A resposta não é simples, mas há claras evidências da influência negativa do modelo de sua escolha, que estavaancorado em processo de voto direto com peso hierárquico entre os segmentos da universidade, com uma fórmula quepraticamente eliminou a representação estudantil. Além disso, ocorreu um esvaziamento dos órgãos colegiados no pro-cesso decisório. Os exemplos deste modo de tomar decisões são inúmeros. Para ficar apenas em dois, basta lembrar comoeram definidas as locações de vagas para professores e a destinação de verbas para obras no campus.
  2. 2. A atual administração optou por outro caminho. Para ficar nestes dois exemplos, eliminou o mercado de vagase definiu todas as obras em discussão aberta no Conselho de Administração. Prédios novos ou construções paralisadasforam ou estão sendo concluídas, sem fazer uso de outros ativos que formam o patrimônio da universidade. A gestão quecaminha para finalizar seu mandato – e que teve como objetivo maior a pacificação da comunidade –, enfrentou umaoposição ostensiva. Agiu com tranquilidade e nem tinha direito de reclamar. É parte do processo. A boa notícia é que uma maioria expressiva do órgão máximo da universidade compreendeu e referendou a con-tinuidade do modelo mais democrático de consulta. O Conselho Universitário manteve o atual modelo por ampla maioria(58X23 votos). Por razões históricas e particularidades específicas do processo recente de construção democrática nopaís – que merecem outro debate – a escolha do gestor máximo das universidades públicas federais é feito por votaçãodireta, com diferentes modelos, mas com clara tendência de consolidação do voto paritário. Muitos questionam este caminho, afirmando que ele se presta a posturas populistas ou corporativistas. Este ar-gumento não pode ser desprezado a priori e merece ser discutido. Devemos estar abertos a alternativas que proponhamrepensar a universidade e seus mecanismos de representação e transparência. Mas enquanto o modelo for de eleiçãodireta não há mais viabilidade em sistema hierarquizado entre os três segmentos. Por isto, a maioria (37 em 54) dasuniversidades já saiu deste sistema. A hierarquia do modelo que está morrendo é versão atualizada das restrições cen-sitárias, educacionais e de gênero vigentes nos primeiros sistemas eleitorais. Não há teoria democrática contemporâneaque o sustente. * Cientista político, professor da UnB. Foi decano de Extensão e chefe de Gabinete da Reitoria.

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